<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Ana Paula Andrade]]></title><description><![CDATA[Uma viajante sem casa fixa que faz disso aqui um diário, onde compartilho minhas brisas e reflexões que vou aprendendo enquanto me movimento – internamente e externamente. 
Vem viajar comigo?]]></description><link>https://aluapcac.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!6GLf!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5b40504f-2881-406d-9078-cc741497b205_1280x1280.png</url><title>Ana Paula Andrade</title><link>https://aluapcac.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Tue, 01 Sep 2026 23:09:41 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/aluapcac.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Ana Paula Andrade]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[aluapcac@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[aluapcac@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Ana Paula Andrade]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Ana Paula Andrade]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[aluapcac@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[aluapcac@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Ana Paula Andrade]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Ser quem você é também tem um preço]]></title><description><![CDATA[sobre sentimentos, pessoas, conflitos e tudo aquilo que aprendemos no caminho.]]></description><link>https://aluapcac.substack.com/p/ser-quem-voce-e-tambem-tem-um-preco</link><guid isPermaLink="false">https://aluapcac.substack.com/p/ser-quem-voce-e-tambem-tem-um-preco</guid><dc:creator><![CDATA[Ana Paula Andrade]]></dc:creator><pubDate>Fri, 21 Aug 2026 05:44:46 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a364f221-e7c8-474e-ade6-f9114ea58299_3024x1792.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A felicidade &#233; uma palavra simples, mas que tem um impacto gigantesco na vida daqueles que a sentem. Mas olha, tamb&#233;m valorizo a tristeza, pois sem ela, n&#227;o reconhecer&#237;amos o quanto estar feliz &#233; t&#227;o bom.</p><p>Voc&#234; j&#225; parou pra pensar que, na verdade, sentimentos opostos s&#227;o a mesma coisa, mas em n&#237;veis diferentes? Pois &#233;. &#192;s vezes voc&#234; vai estar num n&#237;vel mais baixo, na tristeza, e, de repente, algo acontece na sua vida que te faz subir de n&#237;vel, chegando &#224; felicidade. E ele vai sempre oscilar.</p><p>Por tomar consci&#234;ncia disso e aprender que a felicidade &#233; um sentimento n&#227;o permanente, e sim inconstante, comecei a sentir a minha vida mais leve. Como se, apesar dos desafios, algo dentro de mim permanecesse pleno. Sei que aquele momento feliz n&#227;o vai durar pra sempre, mas tamb&#233;m sei que os momentos tristes tamb&#233;m n&#227;o. E n&#227;o tem coisa mais incr&#237;vel e m&#225;gica nessa vida do que experimentar emo&#231;&#245;es, sejam elas negativas ou positivas, porque sim, as negativas v&#227;o te trazer algo &#250;til, por mais que a gente queira que elas v&#227;o embora imediatamente assim que as sentimos.</p><p>Uma outra coisa que tenho notado na minha vida &#233; que, quanto mais essa fortaleza interna vem crescendo dentro de mim, mais suficiente vou me sentindo comigo mesma, a ponto de ligar o foda-se pra muitas coisas e deixar de dar import&#226;ncia a situa&#231;&#245;es que antes, pra mim, pesavam muito. O ponto negativo disso tudo &#233; sentir que algumas pessoas ao meu redor n&#227;o est&#227;o &#8220;acompanhando&#8221; o meu ritmo, e essa maneira de levar a vida tem gerado um certo inc&#244;modo em alguns.</p><p>Pensei por v&#225;rias vezes que havia algo de errado comigo, outras vezes, que havia algo de errado com o outro. Mas a real &#233; que talvez n&#227;o exista um certo e o outro errado, apenas pessoas vivendo experi&#234;ncias de vida em n&#237;veis diferentes. Tem gente que vai sentir tua energia e vai ser contagiada, e assim, se conectar com voc&#234;. Outras pessoas, por&#233;m, v&#227;o sentir tua energia e v&#227;o se incomodar com a sua presen&#231;a e seu jeito de ser. E ambos os sentimentos nada mais s&#227;o do que um reflexo do que existe dentro delas mesmas.</p><p>Uma pessoa frustrada com a vida, que n&#227;o se abre para transmutar esse sentimento, nunca vai se sentir confort&#225;vel perto de algu&#233;m que vive isso. Porque a vida escancara na cara da pessoa o que ela pode fazer, mas n&#227;o faz.</p><p>&#8220;Ela conseguiu, eu n&#227;o.&#8221;</p><p>Mas, se voc&#234; est&#225; aberto, a tend&#234;ncia &#233; voc&#234; querer experimentar mais desse sentimento tamb&#233;m. Talvez olhar para algu&#233;m que vive algo que voc&#234; gostaria de viver n&#227;o precise despertar ressentimento. Pode despertar curiosidade. Pode despertar inspira&#231;&#227;o. Pode fazer voc&#234; pensar que, se aquela pessoa conseguiu, talvez voc&#234; tamb&#233;m consiga.</p><p>Trago essa reflex&#227;o porque, nos &#250;ltimos meses, apesar de ter oscilado nos n&#237;veis de diversos sentimentos, como esperan&#231;a/desespero, coragem/medo, felicidade/tristeza, tenho conseguido, depois de muito esfor&#231;o, superar esses desafios e enxergar a &#8220;luz no fim do t&#250;nel&#8221;. E a ironia disso tudo &#233; que foram exatamente nesses &#250;ltimos meses que mais tive conflito com pessoas, como se nada do que eu fizesse para elas estivesse bom. Como se a minha desimport&#226;ncia diante das irrita&#231;&#245;es delas as deixasse ainda mais irritadas, como se a minha resposta de querer selar a paz fosse o contr&#225;rio do que elas queriam, etc.</p><p>A vida parecia estar me testando e, sinceramente, se isso tem sido um teste, estive &#224; beira de falhar muitas vezes. Passou pela minha cabe&#231;a v&#225;rias vezes o questionamento de que talvez eu n&#227;o fosse boa o suficiente. Tamb&#233;m passou pela minha cabe&#231;a a vontade de retrucar com provoca&#231;&#245;es. Mas, no final, respirei fundo e pensei: &#8220;isso vai passar. Assim como existem pessoas que v&#227;o se incomodar comigo, haver&#225; aquelas que v&#227;o se conectar&#8221;. Porque a vida &#233; isso. Quando voc&#234; cresce, se torna suficiente, dona de si e focada no seu bem-estar, voc&#234; vai mesmo incomodar algumas pessoas.</p><p>Mas tamb&#233;m descobri uma coisa importante no meio disso tudo: eu encontrei pessoas especiais nessa caminhada. Daquelas profundas, onde as conex&#245;es realmente foram genu&#237;nas, onde cada um sabe se dar a devida desimport&#226;ncia e enxergar que nada &#233; permanente. E o que mais me chama aten&#231;&#227;o nessas pessoas &#233; que, apesar das frustra&#231;&#245;es da vida delas, elas n&#227;o despejaram nada em mim. E, apesar das minhas pr&#243;prias frustra&#231;&#245;es, eu tamb&#233;m n&#227;o senti necessidade de despejar nada nelas. Existe uma diferen&#231;a enorme entre estar passando por alguma coisa e transformar aquilo em responsabilidade de outra pessoa.</p><p>Com essas pessoas, eu me senti confort&#225;vel para ser mais vulner&#225;vel sem ser julgada. Pude mostrar minha felicidade sem sentir que precisava diminu&#237;-la para que o outro se sentisse confort&#225;vel. Pelo contr&#225;rio, elas se sentiram felizes junto comigo, se sentiram conectadas, contagiadas. E eu tamb&#233;m me senti assim com as conquistas e felicidades delas. Acho que &#233; isso que torna uma conex&#227;o realmente genu&#237;na: voc&#234; n&#227;o precisa esconder aquilo que sente para n&#227;o incomodar o outro, e tamb&#233;m n&#227;o precisa transformar aquilo que sente em uma arma contra ele.</p><p>E essas pessoas tamb&#233;m me ensinaram a enxergar partes de mim que eu mesma ainda recusava ver. Como, por exemplo, ser mais confiante. Eu poderia ter olhado para algu&#233;m mais confiante do que eu e jogado a minha inseguran&#231;a em cima daquela pessoa. Poderia ter pensado &#8220;ela &#233; assim porque tem alguma coisa que eu n&#227;o tenho&#8221;. Mas n&#227;o foi isso que aconteceu. Eu olhei e pensei que talvez eu tamb&#233;m pudesse ser mais assim. Em vez de transformar a minha inseguran&#231;a em ressentimento, eu aprendi a ser mais confiante com aquela pessoa. E isso, pra mim, tamb&#233;m &#233; conex&#227;o. &#201; quando o outro consegue mostrar uma parte de voc&#234; que voc&#234; ainda n&#227;o conseguia enxergar.</p><p>E encontrar gente assim, grata e que v&#234; magia na vida, n&#227;o tem pre&#231;o. Isso me faz entender que valeu a pena passar pelos conflitos, pra enxergar o quanto &#233; bom saber que existem pessoas na mesma vibra&#231;&#227;o que a gente. Pessoas que n&#227;o precisam diminuir a sua felicidade para se sentirem melhores, assim como voc&#234; tamb&#233;m n&#227;o precisa diminuir a felicidade delas. Pessoas que conseguem olhar para as pr&#243;prias frustra&#231;&#245;es e entender que elas pertencem a elas, n&#227;o ao outro. Isso &#233; experienciar e oscilar nessa linha de sentimentos opostos.</p><p>As pessoas sempre me disseram que eu sou uma pessoa &#8220;easy going&#8221; e a pergunta que mais escuto &#233; como eu consigo ser assim e ainda sorrir o tempo todo. E a verdade &#233; que n&#227;o sei muito bem, s&#243; sei que apenas sou assim. E olha, nem sempre gostei desse meu jeito de ser. Eu queria ser aquelas pessoas de personalidade mais forte e &#8220;agressiva&#8221;, porque, por muitas vezes, passei por situa&#231;&#245;es onde certas pessoas abusavam da minha boa vontade por eu ser &#8220;legal demais&#8221;. Mas, com o tempo, aprendi tamb&#233;m a me posicionar, sem deixar de ser quem sou, e, com isso, a me amar mais e apreciar o meu tipo de personalidade.</p><p>Quando vejo por a&#237; as pessoas se perguntando sobre como ser mais magn&#233;tica, eu acredito que seja isso: voc&#234; aprender a se ver e a se apreciar, mesmo tendo consci&#234;ncia de que n&#227;o &#233; perfeita e que, sim, muitas vezes, vai desagradar. Talvez ser uma pessoa leve n&#227;o signifique aceitar tudo. Talvez seja justamente saber o que merece a sua energia e o que n&#227;o merece. E talvez essa seja uma das coisas que mais tenho aprendido nos &#250;ltimos tempos: eu n&#227;o preciso deixar de ser quem sou para me proteger. Posso continuar sendo leve, sorrindo, vendo magia nas coisas e, ao mesmo tempo, me posicionar quando for necess&#225;rio.</p><p>E, para aqueles com quem estive em conflito, desejo que eles possam flutuar nesses opostos para que consigam tamb&#233;m viver uma vida mais plena, e n&#227;o apenas despejar suas frustra&#231;&#245;es naqueles que s&#243; querem viver suas pr&#243;prias vidas sem dramatizar tudo o tempo todo. Assim como eu tamb&#233;m espero continuar aprendendo a n&#227;o despejar as minhas pr&#243;prias frustra&#231;&#245;es nos outros.</p><p>Se esse texto fez sentido, eu n&#227;o sei, mas olha, colocar isso pra fora tirou um peso dentro de mim que guardava h&#225; semanas. Pensamentos, reflex&#245;es sem fim e palavras que n&#227;o sa&#237;am de maneira alguma, mesmo tendo tanto a dizer. E claro, com certeza ainda tenho muito a dizer, e a viver tamb&#233;m.</p><p>Te vejo na pr&#243;xima.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Uma questão de força]]></title><description><![CDATA[Durante cinco anos, um sonho manteve duas pessoas conectadas. At&#233; o dia em que ele deixou de ser apenas um sonho.]]></description><link>https://aluapcac.substack.com/p/uma-questao-de-forca</link><guid isPermaLink="false">https://aluapcac.substack.com/p/uma-questao-de-forca</guid><dc:creator><![CDATA[Ana Paula Andrade]]></dc:creator><pubDate>Wed, 08 Jul 2026 06:17:06 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6dc06ed9-7547-411a-8d00-860601e1c1db_2970x1895.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><span>Alguns encontros acontecem sem nenhuma resist&#234;ncia. Entre tantos que j&#225; tive, me lembro muito bem de um que aconteceu justamente quando eu estava em um momento em que menos esperava por ele. Eu estava viajando pelo Uruguai, mas, apesar de estar conhecendo um lugar novo, aquela fase carregava uma certa sensibilidade. Eu ainda estava tentando entender algumas coisas que haviam acontecido recentemente e, de certa forma, estava mais fechada do que aberta para novas conex&#245;es.</span></p><p><span>Foi nesse cen&#225;rio que conheci Ka. Ela chamava aten&#231;&#227;o de todos com seu jeito leve e espont&#226;neo de ser, uma energia completamente diferente do momento que eu estava vivendo. Logo come&#231;amos a conversar sobre a vida e, quase naturalmente, encontramos um ponto em comum: t&#237;nhamos o mesmo sonho. A diferen&#231;a era que ela estava muito pr&#243;xima de realiz&#225;-lo, enquanto eu ainda tinha uma longa jornada pela frente at&#233; chegar l&#225;&#8230;</span></p><p><span>Nunca evolu&#237;mos para uma amizade profunda e n&#227;o nos encontramos mais nos cinco anos seguintes desde aquele dia. Ainda assim, durante todo esse tempo, existia um tipo de liga&#231;&#227;o entre n&#243;s. N&#227;o era uma amizade constru&#237;da pela conviv&#234;ncia, por hist&#243;rias compartilhadas ou por uma intimidade di&#225;ria. O que nos conectava era um sonho em comum e uma dire&#231;&#227;o de vida quase id&#234;ntica. A Austr&#225;lia era o assunto que sempre nos aproximava. Fal&#225;vamos sobre os desafios, as expectativas, os medos e as possibilidades que aquele lugar representava. O idealismo que t&#237;nhamos mantinha nossas conversas vivas sobre diversos temas, mas existia sempre aquele ponto central que fazia tudo voltar para o mesmo lugar.</span></p><p><span>Para mim, aquilo era importante porque, mesmo sem saber se um dia eu realmente conseguiria realizar aquele sonho, eu via ela vivendo aquilo. Eu via algu&#233;m que tinha conseguido atravessar o caminho que eu ainda nem tinha come&#231;ado. Naquele momento, chegar at&#233; l&#225; parecia muito distante, mas, no fundo, eu sabia que chegaria. Ela era uma motiva&#231;&#227;o porque sempre falava comigo como se a minha chegada fosse apenas uma quest&#227;o de tempo, como se eu j&#225; estivesse com tudo organizado para partir na semana seguinte.</span></p><p><em><span>&#8220;Quando voc&#234; chegar aqui, voc&#234; vai ver o que eu estou te falando&#8221;,</span></em><span> ela dizia.</span></p><p><span>E eu imaginava esse momento. Imaginava chegar naquele lugar e finalmente entender tudo aquilo que ela tentava me explicar atrav&#233;s das nossas conversas.</span></p><p><span>Cinco anos depois, aquilo que parecia imposs&#237;vel aconteceu. O nomadismo que eu jurava que seria para sempre come&#231;ou a pedir uma pausa, e minha alma come&#231;ou a pedir uma nova etapa. Curiosamente, esse sonho se realizou justamente quando eu estava pronta para ouvir esse chamado. Quando digo que a vida &#224;s vezes alinha tudo e que precisamos confiar mais no caminho, &#233; sobre momentos assim que estou falando.</span></p><p><span>O convite veio de uma forma muito natural. Mesmo sem uma conex&#227;o profunda de amizade, o nosso objetivo em comum e a dire&#231;&#227;o que nossas vidas tomavam pareciam ser uma for&#231;a maior do que qualquer outra coisa. Eu e Ka decidimos nos reencontrar no lugar dos nossos sonhos, e ela abriu as portas da sua casa para me ajudar durante aquela fase de in&#237;cio, uma fase que para ela tinha sido dif&#237;cil quando chegou, mas que ela acreditava que poderia ser mais leve para mim.</span></p><p><span>Era curioso pensar que o fato de termos uma alma aventureira e olharmos para o mesmo horizonte havia sido suficiente para criar aquele reencontro. Mas, ao mesmo tempo, uma pergunta aparecia na minha cabe&#231;a: ser&#225; que eu deveria ter mais intimidade antes de entrar no espa&#231;o de algu&#233;m? Qual era a sua cor favorita? Ser&#225; que ela acordava de mau humor pela manh&#227;? O que eu realmente sabia sobre aquela pessoa al&#233;m do que as redes sociais mostravam?</span></p><p><span>Quando nos conhecemos, ela estava solteira, mas agora estava em um relacionamento com algu&#233;m que parecia faz&#234;-la feliz. Essa era praticamente toda a informa&#231;&#227;o que eu tinha sobre a vida dela.</span></p><p><span>Por alguns momentos pensei que talvez fosse melhor ir para outro lugar e, quando estivesse mais organizada, nos encontrarmos. Afinal, ela n&#227;o era obrigada a lidar com o meu caos inicial, porque, apesar de todo o carinho e admira&#231;&#227;o que eu tinha por ela, ela ainda n&#227;o era uma amiga pr&#243;xima. Mas depois de algumas conversas e uma dose de persuas&#227;o, aceitei o convite.</span></p><p><span>N&#227;o &#233; todo dia que algu&#233;m se muda para outro pa&#237;s e encontra uma porta aberta esperando por ela. Eu sabia que aquilo era um privil&#233;gio. Ka n&#227;o queria que eu passasse pelo mesmo perrengue que ela enfrentou quando chegou na Austr&#225;lia. Ela queria me oferecer o acolhimento que ela mesma gostaria de ter recebido no in&#237;cio da sua jornada.</span></p><p><span>E foi assim que eu cheguei em Adelaide.</span></p><p><span>Os primeiros dias foram exatamente como eu imaginava. Exploramos a cidade, conhecemos lugares novos, tomamos uns bons vinhos e finalmente conversamos pessoalmente sobre tudo aquilo que durante anos existia apenas atrav&#233;s de mensagens. Adelaide era uma cidade interessante, pequena, organizada e com uma estrutura que me surpreendia. Por um momento, parecia que eu estava vivendo aquele cap&#237;tulo que tantas vezes imaginei enquanto ela me contava suas hist&#243;rias.</span></p><p><span>Mas, ao mesmo tempo, eu sabia que aquele lugar era apenas uma passagem. Eu n&#227;o ficaria ali para sempre. Em algum momento, nossos caminhos iriam novamente se separar.</span></p><p><span>O que eu n&#227;o imaginava era que, antes disso acontecer, eu iria descobrir algo sobre a nossa conex&#227;o.</span></p><p><span>Durante cinco anos, a Austr&#225;lia havia sido a for&#231;a que mantinha a nossa aproxima&#231;&#227;o. Era o nosso ponto de encontro, o assunto que nos unia e a raz&#227;o pela qual nossas conversas continuavam existindo mesmo sem uma amizade constru&#237;da no cotidiano. Mas, quando aquele sonho deixou de ser uma ideia distante e passou a ser a realidade das duas, algo mudou.</span></p><p><span>Eu comecei a perceber que, fora daquele ponto em comum, n&#243;s &#233;ramos pessoas muito diferentes. Nossas formas de enxergar a vida, de conviver e de nos relacionarmos com o mundo n&#227;o eram iguais. Quanto mais eu entrava na intimidade dela e quanto mais ela conhecia a minha, mais eu percebia que existia uma barreira invis&#237;vel entre n&#243;s.</span></p><p><span>Era como se durante todos aqueles anos tiv&#233;ssemos funcionado dentro de uma condi&#231;&#227;o muito espec&#237;fica. Como se existisse uma for&#231;a mantendo aquele sistema em equil&#237;brio, mas, quando mudamos o ambiente, quando deixamos de olhar para o mesmo objetivo distante e passamos a simplesmente conviver, esse equil&#237;brio come&#231;ou a desaparecer.</span></p><p><span>Foi quando uma coisa que eu aprendi nas aulas de f&#237;sica come&#231;ou a fazer sentido anos depois: um sistema pode permanecer est&#225;vel enquanto determinadas for&#231;as est&#227;o equilibradas. Mas basta uma pequena mudan&#231;a para que tudo precise encontrar uma nova forma de existir.</span></p><p><span>Talvez a nossa for&#231;a de equil&#237;brio sempre tenha sido a Austr&#225;lia.</span></p><p><span>E quando a Austr&#225;lia deixou de ser um sonho e virou apenas o lugar onde est&#225;vamos, descobrimos quem &#233;ramos sem ela.</span></p><p><span>Por mais que eu tentasse me aproximar, existia uma sensa&#231;&#227;o de que algo n&#227;o encaixava. Eu n&#227;o conseguia enxergar uma evolu&#231;&#227;o natural naquela amizade. Eu sentia que estava tentando encontrar um espa&#231;o em uma din&#226;mica que j&#225; existia antes de mim, especialmente quando uma outra pessoa, uma amiga dela de muitos anos, tamb&#233;m fazia parte daquela casa e daquela rotina. Aos poucos, comecei a sentir que eu estava assistindo uma amizade acontecer, mas n&#227;o necessariamente fazendo parte dela.</span></p><p><span>Eu me via tentando ser agrad&#225;vel, tentando respeitar aquele espa&#231;o, tentando encontrar uma forma de pertencer, mas ao mesmo tempo sentia que n&#227;o conseguia ser completamente eu mesma. E talvez essa tenha sido uma das maiores descobertas daquela fase: existem lugares onde tentamos nos adaptar tanto para caber que esquecemos de perguntar se aquele espa&#231;o realmente foi feito para n&#243;s.</span></p><p><span>Com o tempo, pequenos conflitos come&#231;aram a aparecer. N&#227;o foi uma grande ruptura de um dia para o outro, mas uma sequ&#234;ncia de momentos em que fui percebendo que aquela conviv&#234;ncia j&#225; n&#227;o fazia mais sentido para mim. At&#233; que chegou um ponto em que entendi que precisava encerrar aquele ciclo.</span></p><p><span>E, apesar de tudo, a minha gratid&#227;o continuava existindo, porque uma coisa n&#227;o anula a outra.</span></p><p><span>Ka foi uma pessoa extremamente importante na minha trajet&#243;ria. Ela foi a pessoa que me mostrou, antes mesmo de eu acreditar, que aquele sonho era poss&#237;vel. Ela foi uma ponte entre uma vers&#227;o minha que ainda estava tentando chegar e uma vers&#227;o minha que finalmente chegou.</span></p><p><span>Talvez esse tenha sido o verdadeiro prop&#243;sito daquele encontro.</span></p><p><span>Nem todas as pessoas entram na nossa vida para permanecer. Algumas chegam para nos mostrar uma dire&#231;&#227;o, abrir uma porta ou nos colocar em movimento. Algumas s&#227;o uma ponte essencial entre quem &#233;ramos e quem estamos nos tornando.</span></p><p><span>Passei anos achando que nunca usaria f&#237;sica para nada. Hoje, curiosamente, percebo que talvez eu s&#243; n&#227;o tivesse vivido o suficiente para entender. Porque algumas for&#231;as n&#227;o aparecem para ficar, elas aparecem para mudar a trajet&#243;ria.</span></p><p><span>E, como minha professora de f&#237;sica dizia nas aulas, toda for&#231;a produz uma consequ&#234;ncia. Algumas for&#231;as continuam atuando por muito tempo. Outras aparecem apenas uma vez, mas uma &#250;nica vez pode ser suficiente para mudar completamente o caminho de um corpo.</span></p><p><span>Talvez algumas pessoas sejam exatamente assim: elas n&#227;o vieram para acompanhar toda a nossa jornada, vieram apenas para nos colocar em movimento.</span></p><div><hr></div><h2><strong>Links e c&#243;digos de desconto</strong></h2><p>Quer economizar mais, viajar com seguran&#231;a e ainda me apoiar? 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Na &#233;poca eu n&#227;o entendia muito bem o que estava acontecendo, porque tudo era uma bagun&#231;a e a minha vida parecia tomada por uma n&#233;voa daquelas que estacionam por um per&#237;odo longo. No come&#231;o existe at&#233; um certo al&#237;vio em n&#227;o enxergar direito, talvez pelo mist&#233;rio, talvez pelo medo do que se pode ver quando tudo fica limpo e vis&#237;vel. Mas conforme o tempo passava e a n&#233;voa n&#227;o sa&#237;a do lugar, eu comecei a me sentir cada vez mais incomodada.</p><p>As fantasias que eu usava para tornar aquilo suport&#225;vel come&#231;aram a se virar contra mim. A bebida j&#225; me revirava o est&#244;mago, as fuma&#231;as &#8220;m&#225;gicas&#8221; que eu tragava passaram a me causar p&#226;nico, as m&#250;sicas das festas j&#225; irritavam meus ouvidos, e quanto mais eu tentava me preencher com aquilo, mais vazia eu me sentia. Eu olhava ao meu redor e havia muitas pessoas, pessoas que costumavam gostar da minha presen&#231;a e me querer por perto por eu ser uma &#8220;boa pessoa&#8221;, e apesar do caos interno eu sempre mantinha uma postura alegre, espalhava otimismo por onde passava, como se isso fosse suficiente para me sustentar.</p><p>Por muito tempo eu achei que seria feliz assim, fazendo as pessoas gostarem de mim para n&#227;o precisar encarar a solid&#227;o, mas isso come&#231;ou a desmoronar dentro de mim quando percebi que, mesmo cercada de gente, eu ainda me sentia sozinha, e que mesmo sabendo racionalmente que era uma boa pessoa, eu me olhava no espelho e nunca me sentia suficiente, como se essa sufici&#234;ncia fosse sempre algo fora de alcance. No auge desse caos, eu j&#225; n&#227;o me reconhecia mais e tudo aquilo que eu achava que era come&#231;ou a parecer uma esp&#233;cie de atua&#231;&#227;o.</p><p>Quanto mais eu tirava a venda dos olhos, mais eu queria me afastar daquele ambiente, e foi a&#237; que comecei a impor pequenos limites, e isso foi suficiente para que muitas m&#225;scaras ca&#237;ssem e eu percebesse que boa parte das pessoas ao meu redor estava ali sustentada pelos meus &#8220;sins&#8221; frequentes. Muitos sins para os outros, tantos n&#227;os para mim. Eu me anulei tentando me encaixar, quando no fundo j&#225; sabia que quanto mais eu tentasse pertencer, mais desconectada eu ficaria de mim mesma, e quando essa conex&#227;o se perde, muitas outras coisas tamb&#233;m come&#231;am a se perder.</p><p>Ent&#227;o eu me mudei buscando me encontrar, e nesse caminho acabei entrando no autoconhecimento, ou pelo menos achando que tinha entrado, porque quando eu achava que finalmente estava tudo bem, fui apresentada &#224; carta da Torre em uma tiragem de tarot que parecia come&#231;ar com cartas bonitas, mas terminava em caos. A Torre mostra estruturas que caem, mostra aquilo que parecia s&#243;lido desmoronando como um castelo de areia, e por mais duro que fosse admitir isso, havia algo em mim que sabia que aquilo precisava ruir para que uma base mais verdadeira pudesse ser constru&#237;da.</p><p>Mas a minha solidez nunca esteve em permanecer no mesmo lugar. Eu precisava explorar vers&#245;es diferentes de mim para tentar entender quem eu realmente era, talvez porque por muito tempo eu tenha me sentido um peixe fora d&#8217;&#225;gua em qualquer ambiente. Viajar acabou se tornando uma esp&#233;cie de cura para a minha sanidade, porque de lugar em lugar eu podia simplesmente existir sem precisar sustentar uma identidade fixa, podia ser a hippie meio louca que vendia brigadeiro na praia, a degustadora de vinho elegante nas montanhas, a festeira que juntava grupos diferentes em busca de uma mesma coisa, que era rir e se divertir, a artista que vendia suas ilustra&#231;&#245;es, a astr&#243;loga m&#237;stica que lia mapas astrais, ou simplesmente algu&#233;m introspectiva que s&#243; queria ficar lendo seu livro e observando as pessoas de longe sem necessariamente participar.</p><p>E quando algo deixava de fazer sentido, eu simplesmente pegava minhas coisas e ia embora. Viver o mundo dessa forma foi uma experi&#234;ncia &#250;nica, e eu sei que poucos t&#234;m ou ter&#227;o esse tipo de privil&#233;gio, e apesar de tudo eu me sentia muito grata, porque de fato, mesmo sendo desafiador, foi nesse movimento constante que eu aprendi a focar em mim mesma como nunca. Eu achava que viveria assim para sempre, mas em algum momento comecei a perceber que precisava parar de pular de um lugar para outro, porque viver tantas vers&#245;es come&#231;ou a me fazer questionar qual delas era realmente eu.</p><p>Foi ent&#227;o que me mudei para a Austr&#225;lia, um pa&#237;s onde eu sonhava em pisar h&#225; anos, e essa mudan&#231;a n&#227;o traria estabilidade de imediato, eu sabia disso, ainda teria que me mover um pouco mais at&#233; chegar onde queria, mas a diferen&#231;a &#233; que agora havia um direcionamento. S&#243; que logo ao chegar aqui, o sonho por um momento virou um pesadelo, porque me vi em conflito com pessoas e em situa&#231;&#245;es que me lembraram muito os meus vinte e poucos anos, s&#243; que dessa vez quase nos meus trinta, e dessa vez completamente sozinha em um pa&#237;s do outro lado do mundo.</p><p>Passei por uma situa&#231;&#227;o injusta e me senti reprimida como h&#225; muito tempo n&#227;o me sentia, como se toda a personalidade forte e a armadura que eu havia constru&#237;do estivessem sendo testadas. E pela primeira vez em muito tempo eu percebi que o meu impulso ainda era o mesmo, o de me retirar, o de evitar o conflito, mas dessa vez eu precisei ficar. E com a for&#231;a que me restava eu bati de frente com a situa&#231;&#227;o, n&#227;o sendo completamente inocente tamb&#233;m, porque isso faz parte da verdade, mas conseguindo me manter firme o suficiente para n&#227;o abaixar a cabe&#231;a, n&#227;o me colocar como culpada e tamb&#233;m n&#227;o me colocar como v&#237;tima.</p><p>Pela primeira vez em muito tempo eu tive o prazer de desagradar, porque a minha consci&#234;ncia limpa e o meu cora&#231;&#227;o em paz passaram a valer mais do que qualquer aprova&#231;&#227;o externa. E hoje eu entendo por que a Austr&#225;lia sempre esteve dentro de mim antes mesmo de eu colocar os p&#233;s aqui, porque logo no come&#231;o eu j&#225; fui confrontada com algo que me obrigou a me posicionar de um jeito diferente.</p><p>N&#227;o sei o que vem pela frente e, sinceramente, tamb&#233;m n&#227;o quero saber. O n&#227;o saber &#224;s vezes &#233; uma d&#225;diva, uma quebra de ego, uma forma de abrir m&#227;o da necessidade de controle. O que eu achei que iria me derrubar acabou me dando for&#231;a para continuar, e eu s&#243; espero seguir assim, firme, sem duvidar de quem eu sou, sem permitir que o olhar do outro defina o meu valor, porque eu j&#225; entendi que o meu jeito vai agradar e desagradar muitas pessoas, mas que ainda assim ele precisa continuar sendo meu.</p><p>Eu desejo que voc&#234; siga em paz em desagradar.</p><div><hr></div><h2><strong>Links e c&#243;digos de desconto</strong></h2><p>Quer economizar mais, viajar com seguran&#231;a e ainda me apoiar? 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Como se n&#227;o bastasse o fato de crescer adaptada a mudan&#231;as, na vida adulta continuei seguindo o mesmo ritmo. Em 2021, ele se intensificou ap&#243;s a decis&#227;o de me tornar n&#244;made.</p><p>Viver uma vers&#227;o nova a cada lugar que eu chegava era excitante. Ali eu poderia ser quem eu quisesse, sem que ningu&#233;m esperasse nada de mim. Eu come&#231;ava o ano no frio das montanhas, com o vento gelado batendo no rosto e o sil&#234;ncio das manh&#227;s frias, e terminava no calor escaldante do ver&#227;o, com biqu&#237;ni, areia nos p&#233;s e o som do mar fazendo parte da minha rotina. Tudo parecia poss&#237;vel e leve.</p><p>Se algo n&#227;o estava bom, pegava as minhas coisas e ia embora. Se alguma das vers&#245;es que eu estava vivendo come&#231;ava a ficar entediante, buscava viver uma nova mais interessante. Isso, aos poucos, foi se tornando um v&#237;cio impercept&#237;vel. As malas nunca estavam totalmente desfeitas, os lugares nunca eram permanentes e as despedidas come&#231;aram a se tornar cada vez menos dif&#237;ceis (ainda que dolorosas). No come&#231;o, isso parecia liberdade. Com o tempo, comecei a perceber que tamb&#233;m era fuga.</p><p>Eu j&#225; tinha uma certa tend&#234;ncia a ser flutuante, a come&#231;ar as coisas e desistir no meio do caminho por achar que j&#225; deu no que tinha que dar. &#8220;Isso n&#227;o &#233; pra mim&#8221;, dizia. Com a desculpa perfeita para mascarar a realidade de que, por dentro, sentia que iria falhar se continuasse. E eu n&#227;o queria me ver nessa posi&#231;&#227;o. Antes mesmo que isso pudesse acontecer, eu ca&#237;a fora. Era mais f&#225;cil sair antes do fracasso do que permanecer e lidar com ele.</p><p>Com o tempo, o desconforto da fuga come&#231;ou a apertar, at&#233; chegar num momento em que n&#227;o dava mais para ignorar. Me senti perdida dentro das vers&#245;es que vivi a ponto de me questionar quem eu era de verdade. J&#225; n&#227;o sabia onde come&#231;ava uma vers&#227;o e onde terminava a outra. Os novos destinos j&#225; n&#227;o preenchiam mais, a novidade n&#227;o era t&#227;o excitante, e aquela pessoa aberta e extrovertida come&#231;ou a dar lugar a algu&#233;m mais silenciosa, mais introspectiva, mais cansada. Passei a preferir o sil&#234;ncio, a calmaria e a solid&#227;o, como se meu corpo estivesse pedindo uma pausa depois de tanto movimento.</p><p>J&#225; n&#227;o queria viver escapando e pulando de galho em galho como quem deixa a vida levar, a n&#227;o ser que existisse um objetivo por tr&#225;s disso. O problema &#233; que eu j&#225; n&#227;o sabia qual era esse objetivo h&#225; muito tempo. Eu n&#227;o sabia, literalmente, o que eu estava fazendo da minha vida. E o primeiro sinal veio &#224; tona do outro lado do mundo, numa ilha no sul da Tail&#226;ndia.</p><p>Seria um despertar espiritual? Retorno de Saturno na porta? Um ch&#225; de revela&#231;&#227;o da realidade? N&#227;o sei, e na verdade, n&#227;o importa. S&#243; sabia que algo diferente estava vindo &#224; tona, e pela primeira vez, desejava n&#227;o fugir daquilo. N&#227;o queria mais tapar o sol com a peneira, porque eu sabia que fazer isso s&#243; abriria ainda mais aquele buraco silencioso que estava crescendo dentro de mim.</p><p>Ao chegar na Indon&#233;sia, tudo ficou mais evidente. Nada do que eu gostava antes estava me agradando mais. O que me deixava em &#234;xtase agora me irritava, e a vontade de me recolher no meu casulo era ainda maior. Eu observava as pessoas animadas, os lugares vibrantes, o movimento constante ao meu redor, e tudo aquilo parecia distante, como se eu estivesse assistindo a vida acontecer sem realmente fazer parte dela.</p><p>Ao chegar no Vietn&#227;, me vi no auge daquele limbo. Chovia sem parar, todos os dias. O c&#233;u permanecia cinza, o vento forte balan&#231;ava as &#225;rvores, e o mar estava agitado, inquieto, como se refletisse exatamente o que estava acontecendo dentro de mim. Lembro de sentar em frente &#224; praia, segurando o guarda-chuva enquanto o vento tentava lev&#225;-lo, sentindo a chuva bater forte no rosto e misturar-se com as l&#225;grimas que eu j&#225; n&#227;o fazia quest&#227;o de esconder. Era uma tempestade sem fim, tanto fora quanto dentro de mim. Apesar de parecer o fim, eu sabia que n&#227;o era.</p><p>&#8220;Tudo passa e isso vai passar&#8221;, repetia in&#250;meras vezes. Mas para passar, eu precisava perder o medo de encarar a mim mesma e mudar drasticamente a minha rota interna.</p><p>Apesar de sempre me dar bem com a inconst&#226;ncia, me dei conta de que ela estava sendo uma dose exagerada pra mim. Eu vim sim ao mundo a passeio, mas precisava aprender a lidar com as responsabilidades que tamb&#233;m fazem parte da vida. Aos poucos, comecei a abrir espa&#231;o para que a estabilidade tamb&#233;m pudesse existir dentro de mim, porque eu percebi que precisava dela. Entendi que quero ter planos mais definidos para o futuro, que quero continuar sonhando, mas sem deixar de firmar meus p&#233;s no ch&#227;o.</p><p>Ao final de 2025, ap&#243;s toda essa turbul&#234;ncia, decidi que queria continuar tendo a liberdade de escolha de ir e vir, mas n&#227;o mais me mover como se n&#227;o houvesse amanh&#227;. E isso, aos poucos, tem me feito permanecer em mim mesma, encontrando um equil&#237;brio que procurei sem saber durante todo esse tempo.</p><p>Depois de tanto correr pelo mundo, percebi que o lugar que eu mais evitava era justamente aquele que sempre esteve comigo. A resposta nunca esteve e nunca estar&#225; no externo, mas sim no interno.</p><p>Eu desejo que voc&#234; encontre o seu equil&#237;brio.</p><div><hr></div><h2><strong>Links e c&#243;digos de desconto</strong></h2><p>Quer economizar mais, viajar com seguran&#231;a e ainda me apoiar? 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Aqui voc&#234; encontrar&#225; hist&#243;rias de viagens (internas e externas), despedidas e recome&#231;os &#8211; com a verdade crua das emo&#231;&#245;es que me atravessaram no caminho.</em></p><p><em>Seja bem vindo ao nono cap&#237;tulo e assine a newsletter para n&#227;o perder os pr&#243;ximos posts :)</em></p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/aluapcac.substack.com/subscribe"><span>Assine agora</span></a></p><div><hr></div><h2>Leia os cap&#237;tulos anteriores</h2><p><strong>1- <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-1-o-ponto">O ponto de ruptura</a></strong></p><p>2- <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/a-linha-que-se-parte">A linha que se parte</a></strong></p><p>3- <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-3-o-portal">O portal</a></strong></p><p>4 - <strong><a href="/__u/open.substack.com/pub/aluapcac/p/diario-de-uma-viajante-4-o-salto?r=xllk6&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=false">O salto invis&#237;vel</a></strong></p><p>5 -<strong> <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-5-ate-logo">At&#233; logo</a></strong></p><p>6 - <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-6-o-passo">O passo seguinte</a></strong></p><p>7 - <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-7-reencontros">Reencontros</a></strong></p><p>8 - <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-8-floripa">Floripa, caos e o tarzan que n&#227;o pedi</a></strong></p><p>9 - <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-9-o-que-se">O que se encerra quando nada acabou</a></strong></p><div><hr></div><p>O ano era 2022.</p><p>Esse ano come&#231;ou diferente, porque a sensa&#231;&#227;o do que ele trazia era de que toda a experi&#234;ncia que eu tinha vivido no &#250;ltimo ano era apenas uma amostra gr&#225;tis do que estaria por vir.</p><p>Sa&#237; de Florian&#243;polis em dire&#231;&#227;o a Porto Alegre, de onde eu pegaria outro &#244;nibus at&#233; a cidade de Chuy. Meus &#226;nimos estavam t&#227;o em alta que, mesmo cansada, eu n&#227;o conseguia dormir. Depois de algumas horas de viagem, cheguei a Porto Alegre, onde esperaria mais algumas boas horas at&#233; meu &#244;nibus chegar.</p><p>Enquanto isso, dei uma caminhada b&#225;sica pela cidade &#8212; sem ir muito longe, por causa do peso das duas mochilas, que puxavam meus ombros pra baixo a cada passo. Sentei para comer em um restaurante onde fui super bem atendida e escutei aquele sotaque cantante que ainda n&#227;o era t&#227;o familiar pra mim. O lugar estava morno, com cheiro de comida quente e o som abafado da rua entrando pela porta aberta. Me senti confort&#225;vel ali. A comida era gostosa, eu estava perto da janela, observando as pessoas caminharem pra l&#225; e pra c&#225;.</p><p>Cidade grande tem a mesma energia, n&#233;? De pressa. S&#243; n&#227;o &#233; mais apressada que S&#227;o Paulo &#8212; isso eu n&#227;o posso negar.</p><p>O tempo que eu achei que custaria a passar passou r&#225;pido, sendo bem sincera. Quando vi meu &#244;nibus chegar, peguei minha passagem e fui em dire&#231;&#227;o a ele. Uma onda de emo&#231;&#245;es me atravessou de novo, porque eu sabia que, quando sa&#237;sse dali, estaria no Uruguai.</p><p>Assim que consegui me acomodar na poltrona, meu corpo relaxou um pouco. As costas ainda do&#237;am, o cansa&#231;o vinha acumulado, e s&#243; ent&#227;o o sono chegou de verdade.</p><p>&#8230;</p><p>Chegando a Chuy, n&#227;o senti nada.</p><p>A &#250;nica coisa que me vinha &#224; cabe&#231;a era a parte burocr&#225;tica da imigra&#231;&#227;o. Era a primeira vez que eu estava oficialmente fora do Brasil, e tudo aquilo ainda parecia mais informa&#231;&#227;o do que emo&#231;&#227;o. Eu segurava a pasta com os documentos com for&#231;a demais, sentindo o peso dela nas m&#227;os, como se aquilo fosse a &#250;nica coisa que me mantinha ancorada. Mesmo assim, estava nervosa.</p><p>Escutava algumas pessoas falando espanhol, mas ainda havia muita gente falando portugu&#234;s tamb&#233;m. O ambiente era confuso, misturado, e eu tentava prestar aten&#231;&#227;o em tudo ao mesmo tempo. Comecei a caminhar e vi uma menina &#8212; que estava no mesmo &#244;nibus que eu &#8212; seguindo na mesma dire&#231;&#227;o. Ela me olhou de lado e me deu um sorriso simp&#225;tico.</p><p>Perguntei se era a primeira vez dela no pa&#237;s. Ela disse que sim. Come&#231;amos a conversar, e aos poucos senti o corpo relaxar, como se aquela troca simples diminu&#237;sse o peso do momento.</p><p>Contei sobre o meu nervosismo, e ela me disse para ficar tranquila, porque na Am&#233;rica do Sul a imigra&#231;&#227;o era mais &#8220;de boa&#8221;. Ela me ajudou com algumas dicas e ainda me esperou passar pela imigra&#231;&#227;o para irmos juntas at&#233; o ponto de &#244;nibus que levaria para a pr&#243;xima cidade. Infelizmente, n&#227;o ir&#237;amos para o mesmo lugar, ent&#227;o, assim que meu &#244;nibus chegou, nos despedimos ali mesmo.</p><p>Depois de passar pela imigra&#231;&#227;o e ver que todos os documentos estavam ok, aquela sensa&#231;&#227;o de alegria e &#226;nimo voltou. Ainda custava acreditar que eu estava fora do Brasil.</p><p>Passado algum tempo de estrada, cheguei a Maldonado. Foi ali que vivi meu primeiro perrengue internacional: desci do &#244;nibus sem internet e s&#243; escutava espanhol por todos os lados. As vozes vinham r&#225;pidas, atravessadas, e eu me senti fora de ritmo, parada no meio de um fluxo que n&#227;o me inclu&#237;a. Fiquei ali, meio travada, tentando entender para onde ir.</p><p>Um mo&#231;o me viu parada, com cara de confusa e perdida, e veio falar comigo. Ele falava portugu&#234;s, mas com um sotaque que claramente n&#227;o era brasileiro. Eu, toda desconfiada, n&#227;o dei muito assunto no in&#237;cio. Ainda assim, no decorrer da conversa, n&#227;o senti perigo &#8212; s&#243; aten&#231;&#227;o e cuidado.</p><p>Ele me ajudou a encontrar o caminho para chegar a Punta del Este, a cidade onde eu passaria um m&#234;s.</p><p>Naquele momento, me senti profundamente grata. Assim que cheguei ao Uruguai, fui ajudada por pessoas desconhecidas que fizeram quest&#227;o de me fazer sentir bem. Talvez, se eu estivesse sozinha desde o in&#237;cio, estaria andando pelo centro de Chuy at&#233; agora ou perdida em Maldonado, sem falar espanhol e sem chip de internet. Estar em um pa&#237;s que n&#227;o era o meu me deixava entusiasmada e em p&#226;nico ao mesmo tempo. Como pode essa contradi&#231;&#227;o?</p><p>&#8230;</p><p>Quando cheguei a Punta del Este, fiquei encantada. Era ver&#227;o e, apesar de serem seis da tarde, a sensa&#231;&#227;o era de tr&#234;s. Passei por Los Dedos, vi a bandeira do Uruguai balan&#231;ando com o vento do mar e sorri com os olhos, pensando:</p><p>&#8220;Caramba, eu t&#244; exatamente onde disse que estaria seis meses atr&#225;s, mesmo sem ideia de como eu faria isso. Esse &#233; o primeiro de muitos.&#8221;</p><p>Chegando ao hostel onde eu iria voluntariar, tive uma boa primeira impress&#227;o. Tudo era bonito, limpo e organizado. Era um hostel meio boutique, e os h&#243;spedes pareciam de um padr&#227;o mais alto. Como eu seria volunt&#225;ria, n&#227;o fazia ideia dos pre&#231;os, mas sabia que n&#227;o seria nada barato.</p><p>A recepcionista se apresentou como Jose. Ela parecia simp&#225;tica. Eu teria gostado de conversar mais, se n&#227;o fosse o fato de que eu n&#227;o entendia absolutamente nada do que ela dizia. Ali descobri que o espanhol n&#227;o seria t&#227;o f&#225;cil quanto eu imaginava.</p><p>O pior &#233; que nem em ingl&#234;s eu conseguia me comunicar direito. Percebi um certo semblante de frustra&#231;&#227;o nela &#8212; o que acabou me deixando frustrada tamb&#233;m. Depois de algumas m&#237;micas para explicar coisas b&#225;sicas do hostel, fui para o quarto.</p><p>Tomei um banho, deixei a &#225;gua quente cair sobre as costas cansadas e sa&#237; para caminhar um pouco. N&#227;o fui muito longe, ainda estava sem internet &#8212; e sim, eu me perco com facilidade. Fui ao mercado fazer compras e tomei um susto com o pre&#231;o das coisas. Eu sabia que o Uruguai era caro, mas Punta del Este parecia levar isso a outro n&#237;vel.</p><p>Respirei fundo, comprei o que precisava e tentei focar no charme da cidade. Assisti ao p&#244;r do sol quase &#224;s oito da noite, com o c&#233;u ainda claro, e voltei para o hostel.</p><p>Assim que cheguei, vi duas meninas conversando. Quando me viram, disseram algo para mim &#8212; e, claro, eu n&#227;o entendi nada.</p><p>O nervosismo aumentou.</p><p>E ali, pela primeira vez desde que sa&#237; do Brasil, comecei a me perguntar:</p><p>o que eu tinha na cabe&#231;a quando decidi atravessar fronteiras levando comigo apenas o meu portugu&#234;s?</p><div><hr></div><h2><strong>Links e c&#243;digos de desconto</strong></h2><p>Quer economizar mais, viajar com seguran&#231;a e ainda me apoiar? 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Dezembro parece acender um refletor em cima de tudo aquilo que a gente acha que &#8220;n&#227;o aconteceu&#8221;: o dinheiro que n&#227;o sobrou, o corpo que n&#227;o mudou, o relacionamento que n&#227;o veio. De repente, o calend&#225;rio vira uma esp&#233;cie de auditoria emocional e a sensa&#231;&#227;o &#233; de estar devendo alguma coisa pra vida.</p><p>E a&#237; come&#231;a aquele movimento: &#8220;que esse ano acabe logo, porque em 2026 vai ser diferente&#8221;.</p><p>S&#243; que&#8230; n&#227;o vai ser diferente s&#243; porque a data mudou. Se a gente n&#227;o muda a forma de olhar e agir, o ano vira s&#243; n&#250;mero novo em cima da mesma hist&#243;ria.</p><p>Esse ano foi um grande laborat&#243;rio disso pra mim.</p><p>No come&#231;o de 2025, eu tinha um plano muito claro: me mudar pra um pa&#237;s, ficar fixa por um bom tempo, construir uma rotina, criar ra&#237;zes. Eu conseguia enxergar cada passo at&#233; dezembro. Parecia certo, parecia maduro, parecia &#8220;o pr&#243;ximo n&#237;vel l&#243;gico da minha vida&#8221;. E a&#237;&#8230; tudo desandou.</p><p>Os planos n&#227;o sa&#237;ram como eu imaginei. Fiquei frustrada, sem ch&#227;o, sem ideia do que fazer. Tive aquela vontade cl&#225;ssica de reclamar, me sentir v&#237;tima, repetir mentalmente &#8220;n&#227;o era pra ser assim&#8221;. Mas no fundo eu sabia: se eu me agarrasse &#224; narrativa do fracasso, eu ia congelar ali. Ent&#227;o deixei doer, mas ao mesmo tempo tentei me manter aberta &#8211; &#8220;ok, se n&#227;o &#233; isso, o que o universo est&#225; tentando me mostrar?&#8221;.</p><p>Menos de uma semana depois, uma amiga me chama para ir pra Londres, e <strong>eu vou</strong>.</p><p>Chego l&#225; com a antiga ideia de &#8220;ficar fixa por um tempo&#8221;, porque eu ainda estava tentando encaixar a vida no plano inicial. Em dois meses percebo que n&#227;o &#233; o momento. N&#227;o &#233; Londres, muito menos fixo. Percebo que n&#227;o &#233; aquilo e vou embora.</p><p>Vou pra Holanda encontrar meu namorado, passamos uma semana juntos. Depois sigo para uma vila silenciosa na Gr&#233;cia, onde finalmente consigo ouvir meus pr&#243;prios pensamentos sem barulho externo. Dali, surge a chance de ir pra It&#225;lia. Depois, o Egito &#8211; o primeiro pa&#237;s que eu disse em voz alta que queria conhecer quando era crian&#231;a. E l&#225;, eu vivo exatamente o oposto das narrativas de medo que eu tinha escutado a vida inteira sobre aquele lugar.</p><p>Quando eu achava que j&#225; era &#8220;muita coisa pra um ano&#8221;, ainda voltei pro Sudeste Asi&#225;tico: Singapura, com a modernidade quase futurista, Mal&#225;sia, multicolorida e multicultural, at&#233; pousar em Bali e pensar: &#8220;uau&#8230; como &#233; que isso virou a minha vida?&#8221;.</p><p>Como &#233; que eu podia ter tanta certeza de um plano fixo, e a vida vir com esse roteiro todo torto, intenso, inesperado e, de alguma forma, muito mais alinhado com quem eu sou?</p><p>Hoje eu entendo: l&#225; no fundo, eu ainda queria viver um grande movimento. Existia um chamado interno pedindo exatamente esse tipo de experi&#234;ncia &#8211; e eu provavelmente n&#227;o teria ouvido esse chamado se tudo tivesse &#8220;dado certo&#8221; como a minha mente planejou. Eu teria aprendido outras coisas, mas n&#227;o essas.</p><p>E &#233; aqui que entra essa tal &#8220;abund&#226;ncia&#8221; que todo mundo fala.</p><p>Abund&#226;ncia n&#227;o &#233; s&#243; sobre ter muito dinheiro, nem sobre uma vida perfeita de filme. Muitas vezes, ela &#233; justamente essa combina&#231;&#227;o estranha entre frustra&#231;&#227;o, dor, mudan&#231;a de rota e oportunidades que aparecem no meio do caos. &#201; estar aberta ao que chega, mesmo quando n&#227;o era o que voc&#234; tinha desenhado no papel. &#201; perceber que, enquanto voc&#234; est&#225; focada no que n&#227;o aconteceu, tem um monte de coisa incr&#237;vel acontecendo em paralelo.</p><p>Isso vale pra mim e vale pra voc&#234; tamb&#233;m.</p><p>Voc&#234; pode at&#233; querer mais dinheiro, mais liberdade, mais amor &#8211; e t&#225; tudo bem querer. Mas antes de pedir mais, olha pro que j&#225; existe: o fato de estar vivo hoje, de ter sa&#250;de (ou de estar cuidando dela), de ter pelo menos uma pessoa que se importa com voc&#234;, de ter a chance de recome&#231;ar mesmo quando tudo parece bagun&#231;ado. Isso tamb&#233;m &#233; abund&#226;ncia. E quando a gente come&#231;a a enxergar isso, &#233; como se o campo se abrisse pra mais.</p><p>N&#227;o &#233; m&#225;gica, &#233; simplesmente olhar por um ponto de vista diferente do qual voc&#234; est&#225; acostumado.</p><p>Reclamar n&#227;o resolve o problema &#8211; e ainda d&#225; a sensa&#231;&#227;o de que tudo &#233; pior do que &#233;. Agradecer n&#227;o &#233; fingir que t&#225; tudo bem, mas &#233; lembrar a si mesmo que, mesmo no caos, alguma coisa t&#225; segurando a sua onda. Voc&#234; emana menos &#8220;sou v&#237;tima&#8221; e mais &#8220;eu topo viver isso aqui com presen&#231;a&#8221;. A vida responde diferente.</p><p>&#201; assim que eu venho construindo a minha ideia de vida abundante: aceitando o que vem como aprendizado, confiando um pouco mais na intelig&#234;ncia dos caminhos, me acolhendo quando nada faz sentido e me lembrando que come&#231;ar do zero n&#227;o &#233; fracasso &#8211; &#224;s vezes &#233; s&#243; o jeito que a vida encontra de mudar o cen&#225;rio.</p><p>Se voc&#234; tiver um tempo hoje (ou quando der), faz um teste: lista 10 coisas pelas quais voc&#234; &#233; realmente grato esse ano. 10 mesmo. Pode ser m&#237;nimo: uma conversa, uma viagem, um abra&#231;o, uma comida simples num dia dif&#237;cil, um &#8220;t&#244; aqui&#8221; de algu&#233;m, uma intui&#231;&#227;o que voc&#234; seguiu.</p><p>Eu arrisco dizer que, se voc&#234; entrar de verdade nesse exerc&#237;cio, 10 vai parecer pouco.</p><p>Terminar o ano com esse olhar n&#227;o vai fazer m&#225;gica no seu 2026, mas vai te colocar num lugar interno muito mais forte pra criar o que voc&#234; quer. E, honestamente, o &#8220;voc&#234; do futuro&#8221; vai agradecer por voc&#234; ter come&#231;ado a treinar isso agora.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Diário de uma viajante: 9 | O que se encerra quando nada acabou]]></title><description><![CDATA[nono cap&#237;tulo da s&#233;rie: di&#225;rio de uma viajante :)]]></description><link>https://aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-9-o-que-se</link><guid isPermaLink="false">https://aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-9-o-que-se</guid><dc:creator><![CDATA[Ana Paula Andrade]]></dc:creator><pubDate>Sun, 30 Nov 2025 10:09:27 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/57a39880-049d-4747-ad24-2d2549a47f6c_3024x2197.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Di&#225;rio de uma viajante &#233; uma s&#233;rie em cap&#237;tulos, entre mem&#243;rias e fic&#231;&#227;o. Aqui voc&#234; encontrar&#225; hist&#243;rias de viagens (internas e externas), despedidas e recome&#231;os &#8211; com a verdade crua das emo&#231;&#245;es que me atravessaram no caminho.</em></p><p><em>Seja bem vindo ao nono cap&#237;tulo e assine a newsletter para n&#227;o perder os pr&#243;ximos posts :)</em></p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/aluapcac.substack.com/subscribe"><span>Assine agora</span></a></p><div><hr></div><h2>Leia os cap&#237;tulos anteriores</h2><p><strong>1- <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-1-o-ponto">O ponto de ruptura</a></strong></p><p>2- <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/a-linha-que-se-parte">A linha que se parte</a></strong></p><p>3- <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-3-o-portal">O portal</a></strong></p><p>4 - <strong><a href="/__u/open.substack.com/pub/aluapcac/p/diario-de-uma-viajante-4-o-salto?r=xllk6&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=false">O salto invis&#237;vel</a></strong></p><p>5 -<strong> <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-5-ate-logo">At&#233; logo</a></strong></p><p>6 - <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-6-o-passo">O passo seguinte</a></strong></p><p>7 - <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-7-reencontros">Reencontros</a></strong></p><p>8 - <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-8-floripa">Floripa, caos e o tarzan que n&#227;o pedi</a></strong></p><div><hr></div><p>Chego no hostel e l&#225; est&#225; ele, o tal &#8220;Tarzan&#8221;. Ele me olha meio assustado, como se j&#225; soubesse que eu iria confront&#225;-lo. Pergunto diretamente por que tudo aquilo, por que inventar aquela hist&#243;ria absurda de que est&#225;vamos juntos e de que eu o tinha largado. Ele respira fundo e me responde: <em>&#8220;porque desde o come&#231;o eu j&#225; queria essa hist&#243;ria com voc&#234;, mas n&#227;o imaginava que n&#227;o seria rec&#237;proca&#8221;</em>.</p><p>Com o jeito arrogante dele, aquela resposta at&#233; fazia algum sentido &#8212; do tipo torto, distorcido, mas previs&#237;vel. Fui bem clara dizendo que ali nunca existiu nada e que nunca existiria. Ele pede desculpas, mas eram aquelas desculpas vazias, mais para aliviar a pr&#243;pria consci&#234;ncia do que para realmente reconhecer o erro.</p><p>Depois disso, ele simplesmente desapareceu do hostel. Perguntei &#224; Luisa o que tinha acontecido e ela me contou que ele pegou suas coisas e foi embora sem avisar ningu&#233;m. N&#227;o me surpreendeu. Era muito mais f&#225;cil fugir do que acompanhar as consequ&#234;ncias do que ele tinha feito, admitir a pr&#243;pria mentira e encarar as pessoas para quem ele tinha inventado toda aquela hist&#243;ria.</p><p>&#8230;</p><p>Faltava um dia para o ano novo e uma energia estranha come&#231;ou a se instalar em mim, meio introspectiva, meio silenciosa. Tudo o que eu tinha vivido nos &#250;ltimos meses come&#231;ou a vir como uma avalanche: S&#227;o Paulo, a demiss&#227;o, a Bahia, Guarapari, Ilhabela, Floripa, as pessoas, as decis&#245;es, os medos, as mini-coragens. Eu n&#227;o sabia exatamente o que tudo aquilo significava, mas sentia que algo estava se encerrando dentro de mim. Talvez fosse aquela vers&#227;o antiga da Ana Paula se despedindo para abrir espa&#231;o para essa nova que estava nascendo &#8212; menos iludida, mais consciente, mais conectada consigo.</p><p>2021 estava acabando. Em poucos dias, eu pisaria fora do Brasil pela primeira vez. E embora isso me empolgasse, tamb&#233;m me assustava. Mas eu sabia, com uma calma que n&#227;o era mais ansiedade, que era o caminho que meu cora&#231;&#227;o estava pedindo para seguir, mesmo sem eu ter todas as respostas, mesmo sem saber exatamente onde aquilo ia dar.</p><p>Escrevi no meu caderno mais do que de costume naqueles dias. E quanto mais eu escrevia, menos eu tentava entender. Porque percebi que talvez n&#227;o fosse para entender, mas para esvaziar. Escrever sempre foi isso pra mim: uma forma de tirar o excesso de dentro, de lembrar a mim mesma que as maiores pris&#245;es vivem na cabe&#231;a e que a vida, quando a gente se permite viver, &#233; muito mais leve do que o medo faz parecer.</p><p>&#8230;</p><p>Chegou o 31 de dezembro de 2021. Passei boa parte do dia sozinha, refletindo sobre o passado, o agora e o que vinha pela frente. Essa solid&#227;o, que antes me amedrontava, naquele momento foi necess&#225;ria. Me organizou por dentro. Me devolveu para mim.</p><p>Voltando para o hostel, encontro a Luisa. Como sempre, nosso papo flu&#237;a de um jeito absurdo, mas naquele dia era tudo corrido. Ainda assim, foi tempo suficiente para ela me convidar para passar a virada com as meninas do voluntariado na praia. Aceitei sem pensar duas vezes. Logo depois, quando encontrei as outras, refor&#231;aram o convite. E ali a minha introspec&#231;&#227;o come&#231;ou a dar lugar para uma anima&#231;&#227;o tranquila, leve, sem aquela euforia for&#231;ada de final de ano.</p><p>Eu estava genuinamente feliz. Pelas pessoas que tinham cruzado meu caminho, pelos lugares incr&#237;veis que eu tinha conhecido, pelas vers&#245;es minhas que eu estava deixando para tr&#225;s. Sentia uma gratid&#227;o imensa pela Ana Paula de alguns meses atr&#225;s ter tido a coragem de dizer sim para o pr&#243;prio desejo, mesmo sem saber direito como isso se desenrolaria. A do presente ainda estava aprendendo, ainda se sentia pequena perto do mundo, mas, pela primeira vez, n&#227;o se diminu&#237;a por isso.</p><p>&#192; noite, as ruas se encheram de gente de branco. Confesso que n&#227;o sou muito f&#227; dessa tradi&#231;&#227;o, ent&#227;o escolhi um vestido colorido, porque era assim que eu estava vendo a vida: n&#227;o monocrom&#225;tica, mas cheia de tons, contrastes e imperfei&#231;&#245;es bonitas.</p><p>Caminhando pela beira do mar, vi pessoas sorrindo, pulando ondas, acreditando que a virada do rel&#243;gio transformaria tudo magicamente. Eu j&#225; tinha sido assim. J&#225; acreditei que ao dar meia-noite os problemas evaporariam. Mas entendi ali que a mudan&#231;a n&#227;o mora na data, mora na a&#231;&#227;o. Que uma vida diferente come&#231;a com decis&#245;es diferentes. Que aquele impulso que tive l&#225; em 2021, no meio do ano, sem data especial, sem ritual, sem fogos &#8212; aquela vontade simples de ir &#8212; foi muito mais transformadora do que qualquer r&#233;veillon.</p><p>Quando o rel&#243;gio marcou meia-noite, as luzes subiram, os fogos estouraram, as pessoas se abra&#231;aram. Eu abracei a Luisa, as meninas, e ali eu n&#227;o fiz pedidos. Apenas respirei fundo e agradeci. Pelo que fui. Pelo que estava sendo. Pelo que ainda n&#227;o sabia que viria.</p><p>E ali entendi por que chamam Florian&#243;polis de ilha da magia. N&#227;o porque a ilha em si seja m&#225;gica, mas porque cada pessoa que passa por ela traz a pr&#243;pria magia e deixa algo no ar. No dia seguinte, eu sairia dali. E sairia leve. Porque eu sabia que meu ciclo ali estava completo.</p><p>Eu sabia que o Uruguai me esperava logo ali adiante&#8230; mas, pela primeira vez, eu n&#227;o precisava ter controle sobre o que viria depois dele. E o mais bonito &#233; que isso n&#227;o me dava mais medo. Me dava curiosidade.</p><p>E talvez seja exatamente isso que me move agora.</p><div><hr></div><blockquote><p><em>Antes de continuar, queria te contar uma coisa.</em></p><p><em>Enquanto eu escrevia essa hist&#243;ria, percebi que estava tentando organizar algo que ainda est&#225; em movimento dentro de mim. E isso come&#231;ou a me travar um pouco.</em></p><p><em>Ent&#227;o, decidi encerrar aqui a primeira temporada dessa narrativa. N&#227;o porque a hist&#243;ria acabou &#8212; ela est&#225; bem longe disso &#8212; mas porque agora quero cont&#225;-la de outro jeito.</em></p><p><em>A partir daqui, vou passar a compartilhar minhas experi&#234;ncias em textos mais soltos, mais vivos, menos cronol&#243;gicos e mais conectados com o que estou sentindo no agora.</em></p><p><em>Sem cap&#237;tulos numerados, sem a obriga&#231;&#227;o de seguir uma linha do tempo. S&#243; relatos, reflex&#245;es e peda&#231;os de estrada.</em></p><p><em>Obrigada por ter caminhado comigo at&#233; aqui. A hist&#243;ria continua &#8212; s&#243; muda de forma.</em></p></blockquote><div><hr></div><h2><strong>Links e c&#243;digos de desconto</strong></h2><p>Quer economizar mais, viajar com seguran&#231;a e ainda me apoiar? Ent&#227;o j&#225; salva essa lista nas suas notas:</p><ul><li><p>WORLDPACKERS</p><p>Viva experi&#234;ncias de voluntariado ao redor do mundo e ainda gaste 0 reais em hospedagem usando meu c&#243;digo VIAJE ou clicando <a href="https://www.worldpackers.com/pt-BR/promo/VIAJE?utm_campaign=VIAJE&amp;utm_medium=referral&amp;utm_source=affiliate">aqui</a>.</p></li><li><p>REVOLUT</p><p>Abra a sua conta e tenha mais praticidade usando um cart&#227;o multimoedas clicando <a href="https://revolut.com/referral/?referral-code=anapcac!OCT1-25-AR-BR-L2&amp;geo-redirect">aqui</a>.</p></li><li><p>NOMAD</p><p>Conta internacional com at&#233; 20 d&#243;lares de cash back. Use o c&#243;digo: SIP3FFN322</p></li><li><p>SAFETYWING</p><p>Seguro sa&#250;de com cobertura m&#233;dica internacional. 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Aqui voc&#234; encontrar&#225; hist&#243;rias de viagens (internas e externas), despedidas e recome&#231;os &#8211; com a verdade crua das emo&#231;&#245;es que me atravessaram no caminho.</em></p><p><em>Seja bem vindo ao oitavo cap&#237;tulo e assine a newsletter para n&#227;o perder os pr&#243;ximos :)</em></p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/aluapcac.substack.com/subscribe"><span>Assine agora</span></a></p><div><hr></div><h2>Leia os cap&#237;tulos anteriores</h2><p><strong>1- <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-1-o-ponto">O ponto de ruptura</a></strong></p><p>2- <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/a-linha-que-se-parte">A linha que se parte</a></strong></p><p>3- <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-3-o-portal">O portal</a></strong></p><p>4 - <strong><a href="/__u/open.substack.com/pub/aluapcac/p/diario-de-uma-viajante-4-o-salto?r=xllk6&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=false">O salto invis&#237;vel</a></strong></p><p>5 -<strong> <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-5-ate-logo">At&#233; logo</a></strong></p><p>6 - <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-6-o-passo">O passo seguinte</a></strong></p><p>7 - <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-7-reencontros">Reencontros</a></strong></p><div><hr></div><p>Chegar em Floripa n&#227;o foi nada do que eu imaginei. A tal &#8220;ilha da magia&#8221; n&#227;o parecia ter magia nenhuma &#8212; pelo contr&#225;rio, o que eu sentia era uma mistura de agonia, mau humor e aquela pergunta que s&#243; aparece quando a gente est&#225; cansada demais: &#8220;O que eu t&#244; fazendo aqui?&#8221;. Talvez fosse a noite mal dormida, talvez fosse o calor absurdo enquanto eu esperava no terminal, ou talvez fosse o fato de que meus &#250;ltimos meses tinham sido bons demais e eu s&#243; queria que tudo continuasse daquele jeito. Mas eu sabia que n&#227;o era culpa da cidade. Eu s&#243; estava&#8230; exausta.</p><p>Entrei no &#244;nibus e logo descobri que chegar at&#233; a minha hospedagem seria quase um teste de paci&#234;ncia. O &#244;nibus andava dois minutos e parava quinze. O ar estava abafado, pesado, com cheiro de protetor solar e suor. As pessoas suspiravam, abanavam o rosto, reclamavam. A mulher ao meu lado olhou pra mim com aquele olhar de quem j&#225; viveu aquela cena mil vezes e disse: &#8220;No ver&#227;o &#233; assim mesmo. A ilha s&#243; tem uma via de acesso&#8230; n&#227;o aguenta esse fluxo todo.&#8221; S&#243; balancei a cabe&#231;a. Eu s&#243; queria chegar, tomar um banho e comer.</p><p>Quando finalmente desci do &#244;nibus, senti um microal&#237;vio que durou exatos cinco minutos, at&#233; entrar no hostel. Um verdadeiro caos. Gente entrando, saindo, falando alto, m&#250;sica tocando, mochilas por todo lado, uma recep&#231;&#227;o superlotada&#8230; e eu, mais uma vez, esperando. Quando fiz o check-in, descobri que meu quarto era min&#250;sculo, mas ao menos dividia com apenas tr&#234;s pessoas. Fui tentar tomar banho, e claro, todos os banheiros estavam ocupados. Minha irrita&#231;&#227;o estava no limite. Aquela viagem definitivamente n&#227;o estava come&#231;ando como eu esperava.</p><p>Depois que finalmente consegui tomar um banho, fui pra &#225;rea comum tentar me distrair observando o movimento. A maioria ali estava em grupo, rindo, bebendo, se enturmando. Eu me sentia deslocada, e mais do que isso, sozinha. Foi a&#237; que um cara do meu lado puxou conversa. Quando olhei, vi algu&#233;m com uma vibe meio hippie, meio Tarzan. &#201; dif&#237;cil explicar, mas sabe aquela energia que n&#227;o bate logo de cara? N&#227;o &#233; nem algo claramente ruim&#8230; &#233; s&#243; um inc&#244;modo, um sinal fraco que acende dentro de voc&#234;. Eu senti isso. Fraco, mas senti. Ainda assim, ignorei. N&#227;o porque ele fosse simp&#225;tico, mas porque eu estava sozinha demais, e &#224;s vezes quando a solid&#227;o aperta, a gente escolhe companhia antes de escolher sintonia.</p><p>O nome dele era Alexandre, mas pedia pra cham&#225;-lo de Alex. Era volunt&#225;rio do hostel e me contou &#8212; com certo orgulho &#8212; que havia mais dez volunt&#225;rios ali. Explicado o caos. Ele vinha de fam&#237;lia rica, largou tudo para viver da pr&#243;pria arte, e falava disso com uma grandiosidade quase c&#244;mica, como se estivesse prestes a revolucionar a arte contempor&#226;nea mundial. Mas, apesar da energia meio estranha e daquele ego que ficava flutuando entre as palavras, ele me mostrou lugares lindos da ilha. Trilhas, praias escondidas, mirantes&#8230; e eu realmente sou grata por isso, porque conhecer Floripa pelos olhos de quem explora a cidade a p&#233; &#233; completamente diferente.</p><p>O problema &#233; que, ao mesmo tempo que eu via o valor da companhia e dos lugares que ele me levava, algo dentro de mim n&#227;o encaixava. Era uma sensa&#231;&#227;o interna, dif&#237;cil de traduzir, como se minha intui&#231;&#227;o estivesse tentando me avisar de algo, mas sem me dar todas as pe&#231;as. E isso me deixava mal, porque eu via o esfor&#231;o dele, a dedica&#231;&#227;o em mostrar os lugares, e ao mesmo tempo n&#227;o entendia por que eu estava me sentindo t&#227;o desconfort&#225;vel. Era como se uma parte de mim soubesse que aquela energia n&#227;o era pra mim, mas outra parte insistia em ignorar porque eu n&#227;o queria ficar sozinha. Eu sabia que se eu n&#227;o parasse um pouco pra olhar pra dentro, eu acabaria preenchendo a car&#234;ncia s&#243; por preencher &#8212; e isso quase nunca termina bem.</p><p>At&#233; que um dia ele veio, empolgado, me chamar pra mais um passeio. E naquele instante, o desconforto se tornou imposs&#237;vel de ignorar. Eu sabia que precisava de um tempo sozinha pra pensar, sentir, entender o que estava rolando internamente. Respirei fundo e disse, educadamente, que queria um dia s&#243; meu. Foi a&#237; que a m&#225;scara dele caiu. &#8220;Encontrou companhia melhor, n&#233;? Por isso n&#227;o quer sair comigo. Achei que est&#225;vamos indo bem&#8230;&#8221;. Fiquei olhando pra cara dele tentando entender de onde aquela conclus&#227;o absurda tinha vindo. Expliquei que n&#227;o tinha nada disso, que eu s&#243; queria ficar sozinha, mas ele fingiu que entendeu. E, a partir dali, passou a me ignorar abertamente. Respondia curto, virava o rosto quando eu passava. E, por mais estranho que pare&#231;a, isso me deu o empurr&#227;o que eu precisava: minha intui&#231;&#227;o estava certa desde o in&#237;cio.</p><p>Voltei a ficar sozinha no hostel, mas dessa vez, por escolha. E a&#237; algo mudou. Sentar ali comigo mesma finalmente fez sentido.</p><p>At&#233; que, num fim de tarde, sentada na &#225;rea comum escolhendo qual tr&#226;nsito encarar para conhecer alguma praia, uma mo&#231;a se sentou ao meu lado e elogiou minhas tatuagens. Sorri &#8212; o primeiro sorriso sincero desde que cheguei &#8212; e come&#231;amos a conversar. O nome dela era Luisa, tamb&#233;m volunt&#225;ria, e logo descobrimos que t&#237;nhamos mil coisas em comum, n&#227;o s&#243; o estilo de viagem. Conversamos sobre astrologia &#8212; contei a ela que eu era geminiana, que j&#225; estudei astrologia, que quase trabalhei com isso, e ela riu dizendo que falava demais porque tamb&#233;m era geminiana. Depois descobri que ela tamb&#233;m era astr&#243;loga, e a&#237; o papo deslanchou. Trocamos leitura de mapa natal, falamos sobre espiritualidade, yoga, vida n&#244;made, amor, inseguran&#231;as&#8230; a conex&#227;o foi t&#227;o r&#225;pida que parecia que nos conhec&#237;amos h&#225; anos.</p><p>No meio da conversa, falando sobre amores, ela solta:</p><p>&#8212; Eu sabia que o Alex estava errado!</p><p>&#8212; Errado sobre o qu&#234;? &#8212; respondi.</p><p>&#8212; U&#233;&#8230; voc&#234;s n&#227;o estavam ficando?</p><p>FI&#8212;FI&#8230; FICANDO???</p><p>Expliquei tudo. Ela ficou em choque. O tal Tarzan meia boca tinha inventado uma hist&#243;ria inteira: que est&#225;vamos ficando, que eu arranjei outro, que parei de falar com ele porque &#8220;troquei&#8221;. Era t&#227;o absurdo que eu fiquei indignada, mas ao mesmo tempo aliviada, porque agora tudo fazia sentido. Minha intui&#231;&#227;o n&#227;o estava louca &#8212; eu s&#243; n&#227;o tinha entendido o motivo.</p><p>Luisa me acalmou dizendo que ningu&#233;m ali realmente acreditava nele e que os outros volunt&#225;rios j&#225; achavam ele&#8230; exc&#234;ntrico. O que, sinceramente, n&#227;o era nenhuma surpresa.</p><p>O dia passou voando. Eu n&#227;o fui pra nenhuma praia, mas aquele encontro valeu por mil. No fim da tarde, Luisa me chamou pra ver o p&#244;r do sol com as outras volunt&#225;rias na praia. Fomos. Ficamos na areia, conversando, rindo, ouvindo m&#250;sica, sentindo a brisa do mar e observando a vida acontecer ao redor. Pela primeira vez desde que cheguei, senti um pouco da tal magia da ilha. Era isso que eu estava procurando.</p><p>Voltamos pro hostel quase &#224;s dez da noite. Assim que entrei, dei de cara com ele.</p><p>Trazan (ops, Alex)!</p><p>Parado.</p><p>Me encarando.</p><p>E ali eu soube:</p><p>era agora ou nunca.</p><p>Eu precisava confront&#225;-lo &#8212; e descobrir por que diabos ele tinha inventado aquela hist&#243;ria sobre &#8220;n&#243;s&#8221;.</p><div><hr></div><h2><strong>Links e c&#243;digos de desconto</strong></h2><p>Quer economizar mais, viajar com seguran&#231;a e ainda me apoiar? 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Aqui voc&#234; encontrar&#225; hist&#243;rias de viagens (internas e externas), despedidas e recome&#231;os &#8211; com a verdade crua das emo&#231;&#245;es que me atravessaram no caminho.</em></p><p><em>Seja bem vindo ao s&#233;timo cap&#237;tulo e assine a newsletter para n&#227;o perder os pr&#243;ximos :)</em></p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/aluapcac.substack.com/subscribe"><span>Assine agora</span></a></p><div><hr></div><h2>Leia os cap&#237;tulos anteriores</h2><p><strong>1- <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-1-o-ponto">O ponto de ruptura</a></strong></p><p>2- <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/a-linha-que-se-parte">A linha que se parte</a></strong></p><p>3- <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-3-o-portal">O portal</a></strong></p><p>4 - <strong><a href="/__u/open.substack.com/pub/aluapcac/p/diario-de-uma-viajante-4-o-salto?r=xllk6&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=false">O salto invis&#237;vel</a></strong></p><p>5 -<strong> <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-5-ate-logo">At&#233; logo</a></strong></p><p>6 - <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-6-o-passo">O passo seguinte</a></strong></p><div><hr></div><p>Os dias passaram voando. Mal voltei para S&#227;o Paulo e j&#225; estava pronta para sair novamente. O encontro com a minha m&#227;e e meu irm&#227;o foi cheio de risadas, tempo de qualidade e, claro, um momento em que vivi como turista em S&#227;o Paulo: passando por pontos tur&#237;sticos, comendo em caf&#233;s instagram&#225;veis e me hospedando num Airbnb no centro da cidade.</p><p>Por um instante, pude me conectar com a Ana Paula que havia acabado de chegar em S&#227;o Paulo em 2018 &#8212; aquela que explorava tudo com o olhar que brilha diante de um cen&#225;rio novo.</p><p>N&#227;o sei em que momento eu parei de ser assim e comecei a viver no autom&#225;tico. Talvez n&#227;o fosse S&#227;o Paulo o problema, mas o meu olhar. Talvez o que tivesse mudado fosse a forma como eu via as coisas. A cidade grande continuava sendo intensa, viva, barulhenta &#8212; mas tamb&#233;m cheia de possibilidades.</p><p>E naquele instante pensei: <em>&#8220;Existe, sim, amor em SP.&#8221;</em></p><p>Ainda tinha certeza de que o meu cap&#237;tulo ali havia se encerrado, mas agora com uma sensa&#231;&#227;o diferente &#8212; de gratid&#227;o e carinho por tudo que vivi.</p><p>Aprendi muito. Me conectei com pessoas que pensam de formas t&#227;o diferentes da minha, e isso me fez enxergar outras perspectivas. Elas n&#227;o estavam erradas, eu tamb&#233;m n&#227;o. Mas sabia que continuar ali por mais tempo poderia come&#231;ar a gerar conflitos, e eu j&#225; n&#227;o tinha energia pra lutar contra o fluxo.</p><p>A verdade &#233; que S&#227;o Paulo &#233; &#243;tima pra turistar, mas acordar todos os dias &#224;s 7 da manh&#227;, pegar metr&#244; lotado e come&#231;ar o dia estressada&#8230; bom, n&#227;o &#233; bom pra ningu&#233;m. Foi ali que entendi que CLT definitivamente n&#227;o era pra mim &#8212; mas ainda assim, senti gratid&#227;o. Aquele trabalho foi o que me deu base pra come&#231;ar a minha vida na estrada.</p><p>E, claro, nunca digo nunca. Se um dia eu precisasse voltar pra esse modelo, eu voltaria. Mas, se pudesse escolher, faria de tudo pra n&#227;o precisar.</p><p>S&#227;o Paulo, pra mim, &#233; como a casa de uma grande amiga: as portas sempre abertas, o cheiro familiar, e a lembran&#231;a de que posso voltar quando quiser. Eu sabia que voltaria &#8212; n&#227;o pra morar, mas de passagem, como um lembrete de que sou capaz de recome&#231;ar quantas vezes for preciso.</p><p>A selva de pedra em que nasci &#233;, pra mim, um portal de recome&#231;os. Sempre que volto, a cidade me prepara, de algum jeito, pra dar um passo maior.</p><p>&#8230;</p><p>Cheguei em Blumenau pra passar alguns dias com a minha amiga Ana.</p><p>Nos conhecemos em Campos e nos aproximamos muito r&#225;pido. Ela &#233; daquelas amigas que poucos t&#234;m a sorte de ter &#8212; tipo uma irm&#227;.</p><p>Lembro da gente, mais nova, sentada no sof&#225; da minha sala assistindo filme, comendo pipoca e brigadeiro, sonhando alto. Sonhos que, na &#233;poca, pareciam imposs&#237;veis, e que hoje, de alguma forma, estavam se realizando.</p><p>Assim como eu, ela tamb&#233;m tinha ido embora pra buscar algo maior, e foi justamente essa coragem que a fez florescer. Passamos dias leves explorando a cidade e rindo das nossas hist&#243;rias antigas.</p><p>A conex&#227;o era a mesma, o carinho tamb&#233;m. Mesmo com o tempo e a dist&#226;ncia, nada mudava.</p><p>Passei o Natal com ela, o namorado e a fam&#237;lia &#8212; e foi tudo muito acolhedor. Me senti em casa. Fiquei feliz por ver que a Ana estava bem, feliz e com um lar que realmente parecia seu.</p><p>Eu, por outro lado, ainda n&#227;o sentia vontade de ter uma casa.</p><p>E ela entendia isso melhor do que ningu&#233;m. Nossas conversas giravam sempre em torno do mesmo tema: liberdade, caminhos, escolhas. O que antes era sonho, agora era o presente.</p><p>Nos despedimos com um abra&#231;o longo, daqueles que apertam o peito e conforta ao mesmo tempo. Sab&#237;amos que levaria tempo at&#233; nos vermos de novo, mas tamb&#233;m sab&#237;amos que nenhuma dist&#226;ncia quebraria o v&#237;nculo que criamos.</p><p>&#8230;</p><p>Voltei a ficar sozinha, dessa vez a caminho de Florian&#243;polis, pra passar o Ano Novo.</p><p>Confesso que estava nervosa &#8212; nunca tinha virado o ano assim, como viajante solo.</p><p>O Ano Novo sempre foi uma data especial pra mim, e n&#227;o saber onde, com quem ou como eu estaria me deixava aflita.</p><p>E esse sentimento n&#227;o era &#224; toa. Quando cheguei na cidade, percebi que minhas expectativas estavam altas demais&#8230;</p><div><hr></div><h2><strong>Links e c&#243;digos de desconto</strong></h2><p>Quer economizar mais, viajar com seguran&#231;a e ainda me apoiar? Ent&#227;o j&#225; salva essa lista nas suas notas:</p><ul><li><p>WORLDPACKERS</p><p>Viva experi&#234;ncias de voluntariado ao redor do mundo e ainda gaste 0 reais em hospedagem usando meu c&#243;digo VIAJE ou clicando <a href="https://www.worldpackers.com/pt-BR/promo/VIAJE?utm_campaign=VIAJE&amp;utm_medium=referral&amp;utm_source=affiliate">aqui</a>.</p></li><li><p>REVOLUT</p><p>Abra a sua conta e tenha mais praticidade usando um cart&#227;o multimoedas clicando <a href="https://revolut.com/referral/?referral-code=anapcac!OCT1-25-AR-BR-L2&amp;geo-redirect">aqui</a>.</p></li><li><p>NOMAD</p><p>Conta internacional com at&#233; 20 d&#243;lares de cash back. 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Aqui voc&#234; encontrar&#225; hist&#243;rias de viagens (internas e externas), despedidas e recome&#231;os &#8211; com a verdade crua das emo&#231;&#245;es que me atravessaram no caminho.</em></p><p><em>Seja bem vindo ao sexto cap&#237;tulo e assine a newsletter para n&#227;o perder os pr&#243;ximos :)</em></p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/aluapcac.substack.com/subscribe"><span>Assine agora</span></a></p><div><hr></div><h2>Leia os cap&#237;tulos anteriores</h2><p><strong>1- <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-1-o-ponto">O ponto de ruptura</a></strong></p><p>2- <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/a-linha-que-se-parte">A linha que se parte</a></strong></p><p>3- <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-3-o-portal">O portal</a></p><p>4 - <a href="/__u/open.substack.com/pub/aluapcac/p/diario-de-uma-viajante-4-o-salto?r=xllk6&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=false">O salto invis&#237;vel</a></p><p>5 - <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-5-ate-logo">At&#233; logo</a></p><div><hr></div><p>Ilhabela, o destino que j&#225; estava certo antes mesmo de eu sair de Guarapari. Lembro-me de desejar conhecer essa ilha muito antes de ter a brilhante ideia de viver como viajante. Quando morava em S&#227;o Paulo, explorei todas as praias poss&#237;veis &#8212; mesmo com o tempo apertado dos fins de semana e feriados. Mas eu sabia que Ilhabela teria que ser mais do que alguns dias corridos. Eu queria viv&#234;-la, respirar o lugar, me misturar com o ritmo da ilha.</p><p>E, dessa vez, eu podia. Agora eu tinha liberdade pra escolher quanto tempo ficar &#8212; e escolhi um m&#234;s. Depois dali, encontraria minha m&#227;e em S&#227;o Paulo, passaria alguns dias com a minha melhor amiga em Blumenau e encerraria o ano em Florian&#243;polis &#8212; outra ilha da minha lista. Pra quem n&#227;o tinha nada planejado e andava completamente perdida, at&#233; que eu estava indo muito bem.</p><p>Consegui um voluntariado que atendia tudo o que eu queria: troca justa, algumas refei&#231;&#245;es e o tempo exato de estadia. Quando cheguei, me encantei de cara. A ilha parecia uma pintura viva &#8212; o verde das montanhas contrastava com o azul do mar, o cheiro de maresia se misturava ao perfume doce das flores e o vento salgado batia no rosto como um lembrete de que eu estava viva.</p><p>Mas, claro, nem tudo era perfeito. Se for pra criticar Ilhabela, que seja por um motivo s&#243;: os borrachudos. Eles me elegeram como banquete. Minha perna ficou toda picada e inchada, parecia um mapa em relevo &#8212; mas nada que diminu&#237;sse a beleza do lugar.</p><p>Quando cheguei ao hostel onde ia voluntariar, encontrei uma casa cheia e vibrante. A vibe era bem diferente de Guarapari: mais agitada, mais social, mais &#8220;galera&#8221;. Alguns cozinhavam, outros limpavam, alguns jogados no sof&#225; conversando sobre a vida, e outros ainda nem conhecia. Logo me apresentei, e todos me receberam com sorrisos e pratos prontos.</p><p>A Ver&#244; me ofereceu uma lasanha de br&#243;colis &#8212; o cheiro me fez esquecer qualquer timidez. Ela era doce, tranquila, dessas pessoas que falam baixo, mas passam paz. Ao lado dela, estava a Fran &#8212; simp&#225;tica, mas reservada, daquelas que observam primeiro, conversam depois. Sentei-me &#224; mesa e logo chegou o Gui, com um sorriso largo e uma energia contagiante. O tipo de pessoa que faz todo mundo rir.</p><p>Nos primeiros dias, fiquei um pouco retra&#237;da com tanta gente, mas em pouqu&#237;ssimo tempo j&#225; me sentia parte da fam&#237;lia. Com a Ver&#244; eu podia ser leve, com a Fran as conversas iam fundo, com o Gui era s&#243; risada e piada. Depois conheci a Lari, e logo me vi confiando nela hist&#243;rias que eu quase nunca contava.</p><p>Um m&#234;s naquela ilha parecia pouco. O tempo voava. E a cada p&#244;r do sol que eu via refletido no mar, sentia um aperto no peito por saber que a partida se aproximava. Se eu n&#227;o estivesse naquela fase inicial de querer conhecer v&#225;rios lugares, Ilhabela seria um destino pra ficar. Ela tinha tudo: estrutura de cidade, mas sem o caos. Praias diferentes uma da outra, cachoeiras de borda infinita com vista pro mar, trilhas, festas, montanhas e boas pessoas. Um equil&#237;brio raro entre sossego e movimento.</p><p>Mas quando achei que n&#227;o podia ficar melhor, chegou a Jeni. Nos conectamos de primeira. No primeiro dia dela, conversamos como se j&#225; nos conhec&#234;ssemos h&#225; anos. T&#237;nhamos hist&#243;rias diferentes, mas sonhos parecidos. Ela tamb&#233;m estava come&#231;ando a vida n&#244;made, fugindo do padr&#227;o que a cidade natal impunha, sentindo-se deslocada por n&#227;o querer o mesmo que todo mundo. E, como eu, sabia que escolher o movimento era a &#250;nica escolha poss&#237;vel.</p><p>De alguma forma, senti que nosso encontro n&#227;o terminaria ali. Era como se o universo tivesse dado um jeito de nos cruzar no ponto certo da estrada. Quando ela perguntou sobre meus planos, contei que s&#243; tinha o roteiro at&#233; Floripa. Ela me disse que viajaria por alguns lugares do Brasil e, depois, iria pra Europa.</p><p>Achei incr&#237;vel. Contei que nunca tinha sa&#237;do do pa&#237;s, e ela respondeu sem hesitar:</p><p>&#8212; Quando puder, saia. Uma experi&#234;ncia internacional vai te fazer crescer muito.</p><p>Ela j&#225; havia ido &#224; Europa em f&#233;rias de trabalho, mas agora queria explor&#225;-la como viajante, n&#227;o como turista. As palavras dela acenderam algo em mim &#8212; um desejo que j&#225; existia, mas que eu ainda n&#227;o tinha coragem de admitir: ver o mundo al&#233;m do Brasil.</p><p>S&#243; que, diferente dela, eu queria come&#231;ar pela Am&#233;rica do Sul. Queria olhar pra nossa cultura de fora, sentir o que &#233; ser latina em outro pa&#237;s. Passei o dia inteiro pensando nisso. &#192; noite, n&#227;o consegui dormir. Abri o computador e comecei a procurar voluntariados pela Am&#233;rica do Sul. Logo na primeira busca, encontrei um no Uruguai.</p><p>&#8220;Hmmm&#8230; interessante&#8221;, pensei. O pa&#237;s j&#225; fazia sentido: eu planejava ir pro sul, ent&#227;o seria s&#243; seguir viagem at&#233; Porto Alegre e atravessar a fronteira. Seria minha primeira sa&#237;da do Brasil. A ideia entrou na cabe&#231;a e n&#227;o saiu mais. At&#233; que eu cedi e segui meu instinto: me inscrevi.</p><p>Achei que depois disso ficaria tranquila, mas foi o contr&#225;rio &#8212; fiquei em puro estado de ansiedade. No dia seguinte, mal consegui focar no turno. At&#233; levei uma bronca leve, mas &#224; tarde a notifica&#231;&#227;o chegou: &#8220;Voc&#234; foi aceita.&#8221;</p><p>Em janeiro, eu estaria no Uruguai. Em janeiro, eu sairia do Brasil pela primeira vez. O cora&#231;&#227;o disparou. Eu ria, tremia, mal conseguia acreditar. Era uma loucura &#8212; mas uma loucura boa.</p><p>Compartilhei a not&#237;cia com a Jeni, que vibrou comigo. Depois contei ao pessoal do hostel, e todos comemoraram como se fosse um sonho coletivo.</p><p>&#8212; Eu n&#227;o sei falar espanhol &#8212; disse, meio nervosa.</p><p>&#8212; Mas eu sei e posso te ajudar &#8212; respondeu a Lari, confiante.</p><p>Ela falava espanhol como uma nativa, sem nunca ter sa&#237;do do pa&#237;s. Eu admirava sua coragem, sua forma de se expressar. Ela me ensinou algumas frases b&#225;sicas &#8212; que, claro, acabei esquecendo com o tempo.</p><p>Os dias em Ilhabela estavam chegando ao fim e meu cora&#231;&#227;o apertava, como se soubesse que, em breve, viria outra despedida. E assim foi &#8212; entre risos, choros e abra&#231;os demorados. Por um momento, quis congelar o tempo. N&#227;o queria pensar no que viria depois, s&#243; aproveitar o agora, porque n&#227;o sabia quando voltaria.</p><p>Ilhabela foi m&#225;gica. Me deixou com um gostinho de quero mais, com o desejo de retornar um dia e passar mais tempo, mas com a certeza de que o mundo ainda guardava muitos outros lugares que eu precisava conhecer. A despedida foi dif&#237;cil, como a &#250;ltima, e chorei como crian&#231;a. Mas parte daquele choro era de alegria &#8212; e, mais uma vez, de gratid&#227;o.</p><p>Minha estadia foi r&#225;pida, mas intensa o suficiente pra deixar lembran&#231;as que aquecem at&#233; hoje. E se eu tivesse que reclamar de algo&#8230; seria s&#243; dos borrachudos. Porque, de resto, Ilhabela foi exatamente o que eu precisava: um lembrete de que a liberdade tamb&#233;m tem o cheiro do mar, o som do riso e o calor das pessoas que cruzam o nosso caminho.</p><p>E mal sabia eu que, na pr&#243;xima parada, eu veria o mundo com outros olhos &#8212; e de outro jeito.</p><p><strong>Novos destinos me esperavam.</strong></p><div><hr></div><h2><strong>Links e c&#243;digos de desconto</strong></h2><p>Quer economizar mais, viajar com seguran&#231;a e ainda me apoiar? 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Aqui voc&#234; encontrar&#225; hist&#243;rias de viagens (internas e externas), despedidas e recome&#231;os &#8211; com a verdade crua das emo&#231;&#245;es que me atravessaram no caminho.</em></p><p><em>Seja bem vindo ao quinto cap&#237;tulo e assine a newsletter para n&#227;o perder os pr&#243;ximos :)</em></p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/aluapcac.substack.com/subscribe"><span>Assine agora</span></a></p><div><hr></div><h2>Leia os cap&#237;tulos anteriores</h2><p><strong>1- <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-1-o-ponto">O ponto de ruptura</a></strong></p><p>2- <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/a-linha-que-se-parte">A linha que se parte</a></strong></p><p>3- <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-3-o-portal">O portal</a></p><p>4 - <a href="/__u/open.substack.com/pub/aluapcac/p/diario-de-uma-viajante-4-o-salto?r=xllk6&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=web&amp;showWelcomeOnShare=false">O salto invis&#237;vel</a> </p><div><hr></div><p>Depois da euforia da demiss&#227;o e da decis&#227;o de viajar, fiz uma parada em Campos dos Goytacazes, cidade onde eu morava antes de S&#227;o Paulo. Oficialmente, fui para matar a saudade da minha m&#227;e e do meu irm&#227;o.</p><p>Reencontrar minha m&#227;e foi um abra&#231;o de al&#237;vio &#8212; desses que fazem o cora&#231;&#227;o querer ficar. Mas confesso que estar em Campos ainda era meio estranho, mesmo sabendo que eu estava ali de passagem.</p><p>A cidade em que meus pais escolheram recome&#231;ar a vida me fazia lembrar o motivo pelo qual eu tamb&#233;m quis recome&#231;ar a minha. Por mais tempo que eu passasse longe, nada ali parecia mudar: o calor denso, o cheiro de asfalto quente misturado ao de padaria, o barulho das vans passando devagar pelas mesmas ruas de sempre. Era a rotina de sempre, os assuntos de sempre e os problemas de sempre.</p><p>Naquele momento, pensei com carinho em S&#227;o Paulo. Senti gratid&#227;o pelos tr&#234;s anos que vivi l&#225;. A cidade grande me fez crescer, me confrontou e me empurrou para o pr&#243;ximo n&#237;vel. Parte de mim ainda carregava um carinho por aquele caos &#8212; ele me preparou para o movimento que eu estava prestes a viver.</p><p>Campos, apesar de j&#225; n&#227;o ser o meu lugar, me oferecia o que S&#227;o Paulo nunca conseguiu: colo. O cheiro do caf&#233; da manh&#227; da minha m&#227;e, o som da panela de press&#227;o no fog&#227;o, as piadas sem hora do meu irm&#227;o no fim da tarde. Ali estava meu ref&#250;gio, meu porto seguro, o &#250;nico lugar onde eu podia, por alguns dias, descansar o corpo e a mente depois de tantos movimentos e decis&#245;es importantes.</p><p>&#8230;</p><p>Chega o dia da viagem. Me despe&#231;o da minha m&#227;e e do meu irm&#227;o e entro no carro do BlaBlaCar que havia reservado. O sol da manh&#227; batia forte no port&#227;o de casa, e senti o cora&#231;&#227;o apertar e se expandir ao mesmo tempo.</p><p>Respiro fundo e penso: <em>&#8220;isso &#233; s&#243; o come&#231;o da minha jornada.&#8221;</em></p><p>Quando o motorista liga o carro e parte, a ansiedade some. Sempre senti mais ansiedade <em>antes</em> do que <em>durante</em>. Por um momento, eu &#8212; que tinha a tend&#234;ncia de viver no futuro &#8212; estava completamente vidrada no agora.</p><p>Coloco os fones de ouvido. A m&#250;sica entra leve, e o som mistura-se ao barulho do motor e das conversas abafadas dentro do carro.</p><p>Era o &#225;lbum <em>Infinito Interno</em>, do 3030 &#8212; e parecia ter sido feito exatamente para aquele momento.</p><p>As batidas suaves e as letras sobre autoconhecimento e caminho soavam como se estivessem me preparando para o que viria.O vento que entrava pela janela trazia o cheiro de estrada e liberdade. Olhei pela janela e observei o movimento do mundo acontecendo bem ali, na minha frente.</p><p>A partir dali, era eu por mim mesma. Ningu&#233;m esperava nada de mim, porque ningu&#233;m me conhecia. E eu tamb&#233;m n&#227;o esperava nada de ningu&#233;m. Senti uma sensa&#231;&#227;o de liberdade como nunca antes &#8212; como se, finalmente, eu tivesse me libertado do peso de ter que ser algu&#233;m para os outros.</p><p>As horas passaram r&#225;pido, e quando percebi, j&#225; estava em Guarapari. Apesar de conhecer a cidade desde crian&#231;a, tudo parecia novo. Talvez porque, de certa forma, era.</p><p>Des&#231;o do carro e toco a campainha. O hostel parecia uma casa de fam&#237;lia: fachada simples, paredes brancas com vasos de flores nas janelas. Dois cachorros me receberam na porta &#8212; o cl&#225;ssico caramelo e um husky siberiano de olhos azuis. Me agachei para fazer carinho neles, rindo sozinha com aquela recep&#231;&#227;o calorosa.</p><p>Enquanto eu ainda estava distra&#237;da com os cachorros, ouvi uma voz atr&#225;s de mim:</p><p>&#8212; Bem-vinda!</p><p>Virei-me e vi o Joaquim, meu primeiro anfitri&#227;o de voluntariado. Ele me recebeu com uma simpatia que me desmontou. Me mostrou a casa (ou melhor, o hostel), apresentou os espa&#231;os, o quintal, e me levou ao quarto onde eu ficaria. Disse que, como era meu primeiro dia, eu podia descansar, e come&#231;aria o turno de limpeza no dia seguinte.</p><p>Abri a porta do quarto e dei de cara com uma menina sorrindo para mim.</p><p>&#8212; Oi! Eu sou a Gi. &#8212; disse ela, animada.</p><p>Gi j&#225; estava ali h&#225; duas semanas e seria minha companheira de voluntariado. Em minutos, est&#225;vamos conversando como se j&#225; nos conhec&#234;ssemos h&#225; muito tempo.</p><p>Naquela noite, sa&#237;mos para caminhar. O c&#233;u estava estrelado, o vento fresco batia no rosto e o som das ondas acompanhava nosso passo leve. A felicidade era quase palp&#225;vel. Eu me sentia totalmente alinhada com a vida.</p><p>Jantamos juntas e, no dia seguinte, fizemos o turno de limpeza lado a lado. O trabalho era leve, cheio de risadas e conversas que misturavam profundidade e bobagens. Joaquim e sua namorada sempre se juntavam ao caf&#233; da manh&#227; e contavam hist&#243;rias de mochil&#245;es pelo mundo &#8212; eu ouvia encantada, fazendo mil perguntas.</p><p>Com o tempo, chegaram o Muri e o Ali, dois h&#243;spedes queridos que logo se tornaram parte do grupo. Pass&#225;vamos o dia explorando praias, cachoeiras e trilhas. Achei que aquela viagem n&#227;o me surpreenderia tanto, mas surpreendeu. Descobri peda&#231;os de Guarapari que eu nunca tinha visto, mesmo depois de anos indo para l&#225;.</p><p>Percebi que voltar a um lugar pode ser melhor do que imaginava. Vivi novas hist&#243;rias, criei novas mem&#243;rias e me conectei com pessoas que, em poucos dias, se tornaram especiais. O que levava meses para acontecer em S&#227;o Paulo, levou dias em Guarapari.</p><p>Parece que quando as pessoas est&#227;o viajando, est&#227;o mais abertas, mais leves, mais dispostas a se aproximar. Talvez porque eu tamb&#233;m estivesse assim.</p><p>&#8230;</p><p>O que eu n&#227;o esperava era o impacto da despedida. Conectar-se r&#225;pido tamb&#233;m significa ter que se despedir r&#225;pido. E, dessa vez, a partida doeu.</p><p>A Gi foi embora alguns dias antes de mim por motivos pessoais. O hostel ficou mais silencioso, como se faltasse algo. Ainda aproveitei os &#250;ltimos dias com o Muri e o Ali, at&#233; que chegou a vez do Ali ir embora.</p><p>Ficamos s&#243; eu e o Muri. O lugar parecia outro &#8212; mais calmo, mais &#237;ntimo. A gente dividia o caf&#233; da manh&#227;, ria de coisas bobas e &#224;s vezes s&#243; ficava em sil&#234;ncio, observando o movimento da rua e o som distante das ondas quebrando.</p><p>Logo chegou a minha vez de ir. Lembro do Muri me dizendo, com uma express&#227;o triste:</p><p>&#8212; Adeus, Ana.</p><p>Interrompi antes que ele terminasse a frase.</p><p>&#8212; N&#227;o. Adeus, n&#227;o&#8230; <em>at&#233; logo.</em></p><p>Ele sorriu, meio confuso, mas entendeu o que eu quis dizer.</p><p>Criei, naquele instante, a minha pr&#243;pria regra de viajante: <strong>nunca dizer adeus, s&#243; at&#233; logo</strong>.</p><p>Se eu ainda tinha alguma d&#250;vida sobre esse estilo de vida, ela acabou ali. Era exatamente isso que eu queria viver: o movimento, as conex&#245;es, os recome&#231;os.</p><p>Entrei no carro rumo a S&#227;o Paulo com o cora&#231;&#227;o cheio. Grata pela recep&#231;&#227;o do Joaquim, pelas hist&#243;rias compartilhadas nos caf&#233;s da manh&#227;, pela companheirismo da Gi, pela chegada do Ali e do Muri, por ter estado ali. A mente j&#225; estava projetada para o pr&#243;ximo destino. Eu sabia pra onde iria &#8212; e, dessa vez, n&#227;o havia mais hesita&#231;&#227;o. A estrada me chamava de novo, e eu estava pronta para atender.</p><div><hr></div><h2><strong>Links e c&#243;digos de desconto</strong></h2><p>Quer economizar mais, viajar com seguran&#231;a e ainda me apoiar? 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Aqui voc&#234; encontrar&#225; hist&#243;rias de viagens (internas e externas), despedidas e recome&#231;os &#8211; com a verdade crua das emo&#231;&#245;es que me atravessaram no caminho.</em></p><p><em>Seja bem vindo ao quarto cap&#237;tulo e assine a newsletter para n&#227;o perder os pr&#243;ximos :)</em></p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/aluapcac.substack.com/subscribe"><span>Assine agora</span></a></p><div><hr></div><h2>Leia os cap&#237;tulos anteriores</h2><p><strong>1- <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-1-o-ponto">O ponto de ruptura</a></strong></p><p>2- <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/a-linha-que-se-parte">A linha que se parte</a></strong></p><p>3- <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-3-o-portal">O portal</a></p><div><hr></div><p>Voltar para S&#227;o Paulo depois das viagens me trazia muitas ang&#250;stias no &#250;ltimo ano vivendo por l&#225;, mas dessa vez foi diferente. Claro que queria ter ficado mais tempo na Bahia, mas sabia, de alguma forma, que um dia eu voltaria (e voltaria mesmo, tr&#234;s anos depois, com o mesmo prop&#243;sito: me impulsionar a tomar uma nova a&#231;&#227;o).</p><p>Voltei mais inspirada do que nunca. Me sentia confiante e totalmente decidida: eu ia come&#231;ar a viajar. O que me preocupava era a quest&#227;o do trabalho. Mesmo sendo remoto, n&#227;o cobria gastos com hospedagem, passagem e alimenta&#231;&#227;o. Eu sabia que precisaria voluntariar e trabalhar ao mesmo tempo, tendo s&#243; os fins de semana para realmente aproveitar. Mas, para mim, isso era o de menos. O importante era dar in&#237;cio &#224; minha primeira experi&#234;ncia como viajante &#8212; e ainda por cima, sozinha.</p><p>O inc&#244;modo maior era outro: aquele trabalho j&#225; n&#227;o fazia sentido. Ele vinha me causando estresse h&#225; meses, e eu temia que isso contaminasse at&#233; minha experi&#234;ncia de viajar.</p><p>Minha mente n&#227;o parava. Pensava em todas as possibilidades, criava empecilhos, tentava me convencer a adiar. Mas eu j&#225; estava decidida. Mesmo morrendo de medo, eu iria com medo mesmo.</p><p>Como tudo ainda era novo pra mim, inclusive viajar sozinha, escolhi um lugar que j&#225; conhecia e de onde seria f&#225;cil voltar em caso de emerg&#234;ncia ou se eu percebesse que aquilo n&#227;o era para mim. Uma coisa &#233; ver pessoas fazendo, outra &#233; viver na pr&#225;tica.</p><p>Foi quando decidi: Guarapari, no Esp&#237;rito Santo. Uma cidade que costumava visitar quando morava no interior do Rio de Janeiro, apenas tr&#234;s horas da casa da minha m&#227;e. Antes de seguir viagem, passaria alguns dias com minha m&#227;e e meu irm&#227;o, para matar a saudade. E depois&#8230; bom, o depois eu s&#243; descobriria chegando l&#225;.</p><p>Faltava uma semana para a viagem e eu j&#225; estava nervosa. Lembro de ter visto um conte&#250;do de uma menina que fez a primeira viagem solo dela no outro lado do mundo. Me perguntei como algu&#233;m conseguia dar um passo t&#227;o grande logo de cara, quando eu estava tensa s&#243; de pensar em ir para uma cidade conhecida.</p><p>Mas uma voz dentro de mim dizia: <em>&#8220;Um dia voc&#234; tamb&#233;m vai atravessar o mundo.&#8221;</em> E, por incr&#237;vel que pare&#231;a, eu sabia que era verdade.</p><p>Enquanto refletia, recebi uma mensagem do meu chefe:</p><p>&#8212; Podemos marcar uma chamada?</p><p>Achei estranho. Raramente faz&#237;amos chamadas individuais, nossas conversas aconteciam quase sempre pelo chat ou em reuni&#245;es de equipe.</p><p>Assim que atendi, ele foi direto:</p><p>&#8212; Devido &#224; pandemia, tivemos que fazer muitos cortes. Esses cortes n&#227;o foram suficientes e ainda estamos inst&#225;veis. Por isso, neste segundo ciclo de cortes, vamos reduzir 50% da equipe. Gosto do seu trabalho, ent&#227;o deixo a escolha com voc&#234;: se quiser continuar, renovamos o contrato, mas a partir de setembro ser&#225; presencial.</p><p>Na hora, congelei. A escolha estava diante de mim: aceitar significava deixar meu sonho para tr&#225;s em troca de uma falsa seguran&#231;a. Permanecer naquele lugar que j&#225; n&#227;o me preenchia.</p><p>Respirei fundo, agradeci pela oportunidade e disse que n&#227;o.</p><p>Fui demitida.</p><p>Desliguei a chamada e fiquei tr&#234;s minutos em sil&#234;ncio. Depois, sa&#237; correndo pela casa, gritando de felicidade. Minha tia e minhas primas, com quem eu morava, n&#227;o entendiam como algu&#233;m podia comemorar uma demiss&#227;o. Mas eu sabia: aquele momento era o sinal que eu precisava.</p><p>A empolga&#231;&#227;o para a viagem cresceu ainda mais. O nervosismo desapareceu, pelo menos por um instante.</p><p>No dia de partir, senti uma paz imensa e a certeza de que estava fazendo a escolha certa. Entrei no &#244;nibus sorrindo de orelha a orelha: feliz por rever minha m&#227;e e meu irm&#227;o, e feliz por estar indo ao encontro da minha primeira viagem sozinha.</p><p>Sabia que S&#227;o Paulo n&#227;o era um adeus definitivo. Mas, pela primeira vez, isso n&#227;o importava. Minha vida como viajante estava prestes a come&#231;ar.</p><div><hr></div><h2><strong>Links e c&#243;digos de desconto</strong></h2><p>Quer economizar mais, viajar com seguran&#231;a e ainda me apoiar? 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Aqui voc&#234; encontrar&#225; hist&#243;rias de viagens (internas e externas), despedidas e recome&#231;os &#8211; com a verdade crua das emo&#231;&#245;es que me atravessaram no caminho.</em></p><p><em>Seja bem vindo ao terceiro cap&#237;tulo e assine a newsletter para n&#227;o perder os pr&#243;ximos :)</em></p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/aluapcac.substack.com/subscribe"><span>Assine agora</span></a></p><div><hr></div><h2>Leia os cap&#237;tulos anteriores</h2><p><strong>1- <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-1-o-ponto">O ponto de ruptura</a></strong></p><p>2- <strong><a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/a-linha-que-se-parte">A linha que se parte</a></strong></p><div><hr></div><p>Cheguei em Arraial d&#8217;Ajuda em meados de agosto. Estava de f&#233;rias do trabalho e tudo se encaixou perfeitamente para que eu fizesse essa viagem. Eu e o Matheus &#8212; um cara super louco que conheci num carnaval no Guaruj&#225; &#8212; decidimos ir juntos. Na &#233;poca, ele era completamente apaixonado pelo noivo, daqueles amores que a gente acha que v&#227;o durar para sempre. Mas de repente, l&#225; est&#225;vamos n&#243;s: solteiros, prontos para nos aventurar no Nordeste.</p><p>Apesar de sempre gostar de viajar, nunca havia sa&#237;do do Sudeste. Aquela viagem despertava em mim algo diferente. Sempre ouvi falar da magia do Nordeste, principalmente da Bahia. Agora era a minha vez de ver tudo com meus pr&#243;prios olhos e sentir essa energia que sempre chegava at&#233; mim pelas hist&#243;rias dos outros.</p><p>Passei dez dias em um hostel simples, mas cheio de vida. Ele parecia respirar. Era aberto, arejado, o vento atravessava os corredores trazendo o cheiro do mar. Plantas por todos os lados &#8212; penduradas no teto, apoiadas nas prateleiras, brotando em vasos improvisados. O verde se misturava &#224;s redes coloridas no quintal, &#224; cozinha sempre movimentada, &#224;s conversas que se prolongavam sem pressa.</p><p>N&#227;o era luxuoso, mas transbordava acolhimento. As pessoas que trabalhavam ali sorriam como se j&#225; me conhecessem antes mesmo de saber meu nome. Era imposs&#237;vel se sentir sozinha: o hostel era uma casa de encontros e hist&#243;rias.</p><p>Foi ali que conheci o Edu, um viajante que estava na estrada h&#225; quase um ano. Ele me contou como tinha largado tudo para viver assim, sem ser rico, sem precisar de muito al&#233;m da coragem de come&#231;ar. Fazia voluntariado no pr&#243;prio hostel: algumas horas na recep&#231;&#227;o em troca de cama e caf&#233; da manh&#227;.</p><p>Eu j&#225; tinha lido sobre voluntariado, mas ouvir pessoalmente, ver nos olhos dele a alegria simples e verdadeira, mexeu comigo. Quebrou o maior bloqueio que eu carregava: a ideia de que viajar era privil&#233;gio de quem tinha muito dinheiro. O Edu me mostrou, com a pr&#243;pria vida, que o caminho se constr&#243;i passo a passo &#8212; e que felicidade tamb&#233;m mora na simplicidade.</p><p>Num dos dias, caminhamos at&#233; Trancoso. O sol era intenso, mas o vento do mar refrescava. O caminho parecia n&#227;o ter fim, e de repente surgiram as fal&#233;sias. Vermelhas, gigantes, quase sagradas. O contraste com o azul do c&#233;u me fez sentir pequena e, ao mesmo tempo, parte de algo imenso.</p><p>As fal&#233;sias n&#227;o eram apenas pared&#245;es de terra. Pareciam guardi&#227;s, lembrando-me de que o mundo era maior que qualquer medo. Eu via nelas um reflexo de mim mesma: um abismo assustador, mas que tamb&#233;m me chamava para atravessar.</p><p>Ao chegar em Trancoso, encontrei um vilarejo simples, colorido, quase parado no tempo. Crian&#231;as jogavam bola no quadrado central, turistas caminhavam devagar. Ali o tempo n&#227;o corria &#8212; se estendia. Era imposs&#237;vel n&#227;o comparar com S&#227;o Paulo: no lugar da pressa, havia calma; no lugar do peso, leveza. E percebi que viajar n&#227;o era apenas mudar de lugar. Era mudar de ritmo, de pele, de forma de olhar.</p><p>&#192; noite, fui a uma festa de forr&#243;. O sal&#227;o era aberto, o ch&#227;o de madeira rangia sob os passos apressados. Uns dan&#231;avam com perfei&#231;&#227;o, outros trope&#231;avam e riam de si mesmos. Mas ningu&#233;m se importava. Ali, n&#227;o existia passo errado: existia entrega.</p><p>Entrei t&#237;mida, com medo de errar. Mas logo entendi que a vida tamb&#233;m era assim: um<em> forr&#243; imperfeito</em>. Meus passos ainda eram incertos, cheios de trope&#231;os, mas era dan&#231;ando que eu aprenderia a viver em movimento.</p><p>Estendi a viagem at&#233; Cara&#237;va, atravessando estrada de terra e o rio que separava a vila do resto da cidade. Ali n&#227;o havia carros, s&#243; ruas de areia que desaceleravam os passos. &#192; noite, um c&#233;u tomado de estrelas. O sil&#234;ncio era quebrado apenas pelo vento e pelo som do mar.</p><p>Cara&#237;va parecia um sonho r&#250;stico e real ao mesmo tempo. O tempo n&#227;o corria, dissolvia-se em conversas simples, em m&#250;sicas que surgiam do nada, no cheiro de peixe assado vindo de alguma casa. Lembro de sentar &#224; beira do rio ao entardecer e sentir que talvez fosse exatamente isso que eu buscava: um lugar onde a vida n&#227;o precisava ser r&#225;pida, nem perfeita, s&#243; verdadeira.</p><p>A Bahia foi um portal.</p><p>Ela despertou em mim a a&#231;&#227;o que eu vinha adiando. Fez meu cora&#231;&#227;o bater mais forte ao pensar no sonho de viajar o mundo.</p><p>Sa&#237; de l&#225; grata: pelo convite do Matheus, pelas hist&#243;rias do Edu, pelas fal&#233;sias que me chamaram, pelo forr&#243; que me libertou, pela calma de Cara&#237;va que me ensinou a parar.</p><p>Eu sabia que um dia voltaria. Mas, antes, precisava resolver um assunto pendente: dar vida, de vez, &#224; minha jornada.</p><div><hr></div><h2><strong>Links e c&#243;digos de desconto</strong></h2><p>Quer economizar mais, viajar com seguran&#231;a e ainda me apoiar? 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E o melhor: d&#225; pra aproveitar <em>muito</em> sem gastar quase nada.</p><p>Se voc&#234; tamb&#233;m quer sentir o ritmo local, caminhar entre ru&#237;nas e ainda comer bem, aqui vai o meu roteiro real, pr&#225;tico e de baixo custo &#8212; testado (e aprovado) por mim.</p><h3><strong>Dia 1 &#8211; Cl&#225;ssicos, mirantes e o cora&#231;&#227;o hist&#243;rico</strong></h3><p>Comece cedo explorando o centro.</p><p>Mesmo sem pagar a entrada da Acr&#243;pole, d&#225; pra ver quase tudo de perto.</p><p>Passe pela <strong>Pra&#231;a Syntagma</strong> e veja a troca da guarda (gratuita), depois siga at&#233; o <strong>Jardim Nacional</strong> e v&#225; descendo em dire&#231;&#227;o &#224; <strong>Plaka</strong>, o bairro mais charmoso de Atenas.</p><p>Perca-se pelas ruelas coloridas, entre flores e casinhas brancas em <strong>Anafiotika</strong> (parece uma mini ilha grega escondida no meio da cidade).</p><p>Depois, suba at&#233; o <strong>Areopagus Hill</strong> (Are&#243;pago), que fica colado na Acr&#243;pole. &#201; um dos melhores lugares para ver o Partenon de gra&#231;a.</p><p>No fim da tarde, o <strong>p&#244;r do sol ali</strong> &#233; m&#225;gico.</p><p>&#192; noite, siga at&#233; <strong>Monastiraki</strong> e <strong>Psiri</strong>, dois bairros vizinhos cheios de vida, m&#250;sica e cheiros bons de comida grega.</p><p>E foi em Psiri que eu descobri um dos meus lugares favoritos: o <strong><a href="https://maps.app.goo.gl/2kKaQt43ixuaLaQg8?g_st=ipc">Bougatsadiko Psirri </a></strong></p><p>Provei uma <strong>torta de queijo</strong> (ou voc&#234; pode escolher a de espinafre, que tamb&#233;m &#233; uma del&#237;cia) de espinafre com caf&#233; e paguei cerca de <strong>6 euros</strong> &#8212; simples, deliciosa e super local.</p><p>Vale muito a pena se voc&#234; quer comer bem sem gastar muito.</p><h3><strong>Dia 2 &#8211; Cultura, ru&#237;nas e vistas escondidas</strong></h3><p>Se quiser investir um pouquinho, visite o <strong>Museu Arqueol&#243;gico Nacional</strong> (cerca de &#8364;6&#8211;12 dependendo da &#233;poca do ano).</p><p>&#201; enorme e te ajuda a entender melhor a Gr&#233;cia antiga.</p><p>De l&#225;, caminhe at&#233; o <strong>Museu Bizantino e Crist&#227;o</strong>, outro lugar incr&#237;vel e menos cheio (entrada &#8364;4&#8211;8).</p><p>Mas se preferir continuar na linha gratuita (como eu), d&#225; pra fazer o roteiro alternativo:</p><p>passe pela <strong>Biblioteca de Adriano</strong> e pela <strong>&#193;gora Romana</strong> (mesmo do lado de fora j&#225; impressionam), depois siga at&#233; o <strong>Kerameikos</strong>, o antigo cemit&#233;rio ateniense &#8212; parte dele &#233; aberta e gratuita, com esculturas e ru&#237;nas lindas.</p><p>No fim da tarde, suba a <strong>Colina de Filopappos</strong>.</p><p>A vista da Acr&#243;pole l&#225; de cima &#233; uma das mais lindas da cidade, e &#233; totalmente de gra&#231;a.</p><h3><strong>Dia 3 &#8211; Atenas local, natureza e um toque de mar</strong></h3><p>Esse &#233; o dia pra sair um pouco do circuito tur&#237;stico.</p><p>Comece pelo <strong>Stavros Niarchos Foundation Cultural Center (SNFCC)</strong> &#8212; um parque moderno e gigantesco, cheio de gente local, com um terra&#231;o gratuito que tem vista para o mar.</p><p>Depois, pegue o tram em dire&#231;&#227;o ao litoral e siga at&#233; a <strong>praia de Edem</strong> ou <strong>Flisvos Marina</strong>.</p><p>Pessoalmente, eu n&#227;o consegui visitar por falta de tempo, mas foi uma <strong>recomenda&#231;&#227;o de um anfitri&#227;o local</strong> que disse que vale muito a pena passar o dia l&#225;.</p><p>&#201; o tipo de passeio simples, onde voc&#234; v&#234; a parte mais tranquila e real de Atenas &#8212; com fam&#237;lias, gente tomando sol, caf&#233;s baratos e o mar azul da Gr&#233;cia pertinho de voc&#234;.</p><h3><strong>Dica final</strong></h3><p>Atenas &#233; muuuuito mais do que ru&#237;nas antigas.</p><p>&#201; uma cidade viva, cheia de contrastes e comidas boas a cada esquina.</p><p>E o segredo est&#225; em caminhar, sem pressa, sem roteiro fixo.</p><p>Porque &#233; entre um caf&#233; e outro que voc&#234; vai descobrindo mais e mais sobre a cidade.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!BSS2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff8be98ee-7fae-4a04-a85e-a16d7fc858f4_3024x2489.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!BSS2!, /__u/aluapcac.substack.com/w_424, /__u/aluapcac.substack.com/c_limit, /__u/aluapcac.substack.com/f_webp, /__u/aluapcac.substack.com/q_auto:good, /__u/aluapcac.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff8be98ee-7fae-4a04-a85e-a16d7fc858f4_3024x2489.jpeg 424w, 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:)]]></description><link>https://aluapcac.substack.com/p/a-linha-que-se-parte</link><guid isPermaLink="false">https://aluapcac.substack.com/p/a-linha-que-se-parte</guid><dc:creator><![CDATA[Ana Paula Andrade]]></dc:creator><pubDate>Mon, 06 Oct 2025 16:04:16 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/01b66e75-b27f-4572-8ead-6a9dc4658c04_3024x2043.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><blockquote><p><em>Di&#225;rio de uma viajante &#233; uma s&#233;rie em cap&#237;tulos, entre mem&#243;ria e fic&#231;&#227;o. Aqui voc&#234; encontrar&#225; hist&#243;rias de viagens (internas e externas), despedidas e recome&#231;os &#8211; com a verdade crua das emo&#231;&#245;es que me atravessaram no caminho. </em></p><p><em>Seja bem vindo ao segundo cap&#237;tulo e assine a newsletter para n&#227;o perder os pr&#243;ximos :)</em></p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/aluapcac.substack.com/subscribe"><span>Assine agora</span></a></p><div><hr></div><h2>Leia o cap&#237;tulo anterior</h2><p><strong>1- <a href="/__u/aluapcac.substack.com/p/diario-de-uma-viajante-1-o-ponto">O ponto de ruptura</a></strong></p><div><hr></div><p>Era domingo &#224; noite, eu estava na casa do meu namorado. Passava todos os fins de semana l&#225;. Mas naquela noite, algo me corro&#237;a por dentro.</p><p>Levantei da cama e fui at&#233; a sala. Ele jogava videogame. Quase voltei para o quarto sem falar nada, at&#233; que ouvi:</p><p>&#8212; T&#225; tudo bem? Te sinto inquieta hoje.</p><p>&#8212; Quanto voc&#234; conseguiu juntar para o interc&#226;mbio? &#8212; perguntei.</p><p>Ele largou o controle, me olhou meio tenso:</p><p>&#8212; Esse m&#234;s n&#227;o consegui&#8230; vai ter um festival de eletr&#244;nica e eu n&#227;o queria perder. Vamos?</p><p>&#8212; Como assim, cara? Eu t&#244; me sacrificando h&#225; meses para essa viagem acontecer, e voc&#234; est&#225; falando de festa?</p><p>Sil&#234;ncio. A cena falava por si s&#243;.</p><p>Quando nos conhecemos, parecia que sonh&#225;vamos a mesma vida. Em dez dias j&#225; &#233;ramos namorados. Ele me pediu em namoro num festival. Eu gostava de eletr&#244;nica, e por um tempo at&#233; mergulhei nesse mundo com ele. Mas, com a faculdade, o trabalho e as responsabilidades, percebi que queria outras coisas al&#233;m de apenas festas. Ele n&#227;o.</p><p>Foi ent&#227;o que a pergunta me atravessou: <em>E se ele disse que queria ir para a Austr&#225;lia s&#243; para me agradar?</em></p><p>&#8230;</p><p>A gota d&#8217;&#225;gua veio quando, num impulso, confessei:</p><p>&#8212; Eu n&#227;o sei se quero mais a Austr&#225;lia. Quero sair pelo mundo, fazer um mochil&#227;o, sem data pra voltar.</p><p>&#8212; Que droga voc&#234; usou, Ana Paula? Voc&#234; t&#225; louca? Vai viver de qu&#234;?</p><p>&#8212; N&#227;o sei. Mas dou um jeito. Sempre h&#225; um jeito.</p><p>&#8212; Ana&#8230; n&#227;o. Se voc&#234; for, isso n&#227;o vai dar certo. &#201; loucura.</p><p>&#8212; Loucura &#233; viver sem assumir responsabilidades e gastar tudo em festa, sem pensar no futuro.</p><p>Depois disso, ele voltou ao jogo como se nada tivesse acontecido. Eu voltei para o quarto arrasada. A primeira pessoa a quem contei meu sonho, jogou um balde de &#225;gua fria.</p><p>&#8230;</p><p>Os dias passaram. A dist&#226;ncia crescia. Eu sabia que j&#225; n&#227;o est&#225;vamos mais alinhados um com o outro h&#225; tempos, mas n&#227;o tinha coragem de terminar.</p><p>At&#233; que numa noite, no bar da esquina da minha casa, o sil&#234;ncio entre n&#243;s era maior do que qualquer palavra.</p><p>&#8212; O que est&#225; acontecendo, amor? &#8212; ele perguntou.</p><p>&#8212; Eu quero terminar.</p><p>Doeu, chorei como crian&#231;a. Mas, depois das l&#225;grimas, veio o al&#237;vio. Era a escolha que eu precisava fazer.</p><p>&#8230;</p><p>Seis meses se passaram. Julho.</p><p>N&#227;o t&#237;nhamos contato, salvo uma mensagem r&#225;pida de anivers&#225;rio. Eu organizava minha vida: pagava contas, fazia freelas, juntava cada centavo para come&#231;ar minha vida n&#244;made em 2021.</p><p>Mas, no fundo, ainda havia medo. Eu podia ter o dinheiro, mas n&#227;o tinha coragem. O julgamento dos outros pesava.</p><p>Foi nesse vazio que recebi a mensagem de um amigo, rec&#233;m-sa&#237;do de um relacionamento:</p><p>&#8212; Vamos pra Bahia em agosto?</p><p>Sem pensar, respondi:</p><p>&#8212; Sim.</p><p>E naquele &#8220;sim&#8221;, sem querer, eu n&#227;o disse apenas que iria &#224; Bahia. Disse que estava pronta para ir, enfim, ao encontro da vida que sempre quis.</p><div><hr></div><h2><strong>Links e c&#243;digos de desconto</strong></h2><p>Quer economizar mais, viajar com seguran&#231;a e ainda me apoiar? Ent&#227;o j&#225; salva essa lista nas suas notas: </p><ul><li><p>WORLDPACKERS</p><p>Viva experi&#234;ncias de voluntariado ao redor do mundo e ainda gaste 0 reais em hospedagem usando meu c&#243;digo VIAJE ou clicando <a href="https://www.worldpackers.com/pt-BR/promo/VIAJE?utm_campaign=VIAJE&amp;utm_medium=referral&amp;utm_source=affiliate">aqui</a>.</p><p></p></li><li><p>REVOLUT</p><p>Abra a sua conta e tenha mais praticidade usando um cart&#227;o multimoedas clicando <a href="https://revolut.com/referral/?referral-code=anapcac!OCT1-25-AR-BR-L2&amp;geo-redirect">aqui</a>.</p><p></p></li><li><p>NOMAD</p><p>Conta internacional com at&#233; 20 d&#243;lares de cash back. Use o c&#243;digo: SIP3FFN322</p><p></p></li><li><p>SAFETYWING</p><p>Seguro sa&#250;de com cobertura m&#233;dica internacional. 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Aqui voc&#234; encontrar&#225; hist&#243;rias de viagens (internas e externas), despedidas e recome&#231;os &#8211; com a verdade crua das emo&#231;&#245;es que me atravessaram no caminho. </em></p><p><em>Seja bem vindo ao primeiro cap&#237;tulo e assine a newsletter para n&#227;o perder os pr&#243;ximos :)</em></p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/aluapcac.substack.com/subscribe"><span>Assine agora</span></a></p><p><em>&#8220;T&#244; de saco cheio.&#8221;</em> Essa foi a primeira frase que me veio &#224; cabe&#231;a, l&#225; no fim de 2019. Terminava a faculdade, trabalhava o dia inteiro, tentava dar aten&#231;&#227;o ao relacionamento e ainda encaixar as demandas da vida adulta. Sempre encontrava tempo para tudo &#8212; menos para mim.</p><p>Eu vivia no autom&#225;tico. Chorava sem motivo, fumava a dor, bebia as frustra&#231;&#245;es, anestesiava a ansiedade de fugir. O trem atrasava, as pessoas corriam cansadas ao meu redor, e eu me perguntava em que momento tinha virado uma delas.</p><p>Em uma conversa de desabafos com meu namorado, ele disse que precis&#225;vamos de uma nova experi&#234;ncia. Foi da&#237; que surgiu a ideia que parecia perfeita: um interc&#226;mbio. Melhorar o ingl&#234;s, conhecer outra cultura, ganhar pontos no curr&#237;culo. E, de quebra, sair de S&#227;o Paulo.</p><p>A Austr&#225;lia logo se tornou o destino. Sempre quis conhecer o pa&#237;s, o clima lembrava o do Brasil, a qualidade de vida parecia incompar&#225;vel. E, claro, tinha os cangurus &#8212; meu detalhe quase infantil para idealizar aquele lugar como se fosse um novo come&#231;o.</p><p>Era essa meta que me fazia aguentar a rotina: trabalhar sem parar, juntar dinheiro, acreditar que havia uma sa&#237;da.</p><p>At&#233; que 2020 chegou. A pandemia explodiu. O mundo parou &#8212; e eu parei junto. Foi como frear um carro em alta velocidade. O impacto me jogou contra mim mesma. No quarto escuro, olhando pro teto, pensei: <em>&#8220;Eu n&#227;o sei o que quero. N&#227;o sei mais qual &#233; o caminho certo.&#8221;</em></p><p>A cada dia, a ideia de sair de S&#227;o Paulo crescia. Mas as fronteiras da Austr&#225;lia estavam fechadas. O d&#243;lar disparava. O diploma n&#227;o trouxe al&#237;vio. O trabalho virou um peso. Comecei a me perguntar: <em>&#8220;Ser&#225; que existe outro lugar, qualquer lugar, que possa me devolver a magia que eu perdi?&#8221;</em></p><p>Um dia, sem planejar, soltei em voz alta: <em>&#8220;Queria mesmo era largar tudo e sair viajando por a&#237;, sem rumo.&#8221;</em></p><p>Soou como uma brincadeira, mas ficou ecoando. Aos poucos, percebi que n&#227;o era s&#243; uma frase. Era um chamado. E quanto mais eu tentava ignorar, mais forte ele voltava.</p><p>Vieram os medos: <em>&#8220;V&#227;o dizer que estou louca. Que n&#227;o quero nada da vida. Que &#233; s&#243; uma fase.&#8221;</em> Eu mesma queria acreditar que fosse uma fase. Mas n&#227;o era.</p><p>Eu amava me mudar, viajar, me movimentar. S&#243; que viver o movimento parecia coisa de gente que tinha dinheiro. N&#227;o parecia realidade para mim. At&#233; perceber que o come&#231;o era mais simples do que eu imaginava: aceitar.</p><p>Comecei a buscar pessoas que viviam assim. Descobri que n&#227;o era imposs&#237;vel, e que talvez eu j&#225; estivesse pronta. S&#243; n&#227;o sabia como dar o primeiro passo.</p><p>O tempo passou, e a ideia deixou de ser devaneio para criar ra&#237;zes. Mas ainda havia pend&#234;ncias, responsabilidades, um relacionamento para cuidar&#8230; ou talvez, para encerrar.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[4 anos viajando o mundo]]></title><description><![CDATA[(interno e externo)]]></description><link>https://aluapcac.substack.com/p/4-anos-viajando-o-mundo</link><guid isPermaLink="false">https://aluapcac.substack.com/p/4-anos-viajando-o-mundo</guid><dc:creator><![CDATA[Ana Paula Andrade]]></dc:creator><pubDate>Sun, 21 Sep 2025 16:55:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/165f57ae-25f9-4243-82b1-41876e9a540d_3024x2286.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Sabe aquela trend do &#8220;quantos meses voc&#234;&#8230;?&#8221; e a pessoa vai l&#225; e responde &#8220;meses????&#8221;. Sou tipo eu com a minha vida viajante. Mas ao mesmo tempo que &#233; t&#227;o comum falar que vivo assim, ainda me pego incr&#233;dula que j&#225; faz 4 anos que decidi &#8220;largar tudo&#8221; pra viver essa loucura boa. O tempo passou voando e eu ainda me pego processando tudo que vivi e aprendi at&#233; aqui.</p><p>Queria at&#233; come&#231;ar esse texto com aquele clich&#234; que j&#225; vi em v&#225;rios posts de viajantes como &#8220;n&#227;o estou mais contando os pa&#237;ses e bla bla bla&#8221;, mas a real &#233; que conto cada um deles (mas talvez eu n&#227;o saiba dizer quantos ainda quero percorrer).</p><p>Hoje me vejo uma pessoa totalmente mudada de dentro pra fora, n&#227;o consigo imaginar minha vida se eu tivesse escolhido o caminho tradicional, porque as maiores transforma&#231;&#245;es da minha vida vieram da estrada. Mas n&#227;o posso deixar de olhar pra tr&#225;s e agradecer aquela minha vers&#227;o que decidiu encarar seu sonho sem certezas, com medo e com sentimento de estar perdida. Ela estava no escuro, mas mesmo assim foi. Ela cometeu muitos erros no caminho, mas nada a fez desistir. Ela n&#227;o era t&#227;o madura, mas s&#225;bia o suficiente para confiar no guia interno que a levou a grandes aventuras.</p><p>Viver viajando tem suas del&#237;cias. J&#225; morei na praia, nas montanhas, na cidade. J&#225; tive contato com diferentes idiomas (aprendi a falar 2, inclusive). Aprendi sobre o amor, sobre cultura, sobre formas de viver que n&#227;o imaginava existir, mas que descobri depois de furar a bolha. Aprendi que quanto mais aprendo, mais tenho a aprender.</p><p>Conheci pessoas inesquec&#237;veis que desejo rever um dia e tamb&#233;m conheci pessoas que espero nunca mais cruzar no meu caminho.</p><p>E eu n&#227;o posso deixar de dizer que essa escolha tamb&#233;m traz dores. Das despedidas quando eu n&#227;o sei qual vai ser a &#250;ltima vez que verei aquela pessoa (eu nunca me acostumei com isso). De n&#227;o saber qual ser&#225; o pr&#243;ximo destino. De estar longe de quem eu amo. De me sentir sozinha. De n&#227;o falar a mesma l&#237;ngua e n&#227;o poder soltar aquelas frases gostosas de dizer que s&#243; o brasileiro vai entender.</p><p>De viver oscilando entre ter o mundo como casa e ao mesmo tempo desejar uma casa fixa para voltar sempre que eu quiser (e ter uma rotina digna rs).</p><p>Viajar o mundo &#233; um caminho com infinitas possibilidades, mas &#224;s vezes voc&#234; se perde nelas&#8230; e olha, eu me perdi muito, mas descobri que na perdi&#231;&#227;o tamb&#233;m existe prop&#243;sito. Descobri que &#233; no vazio que precisei me preencher de mim mesma.</p><p>Olho para essa vida hoje como algo comum, mas sou lembrada o quanto essa experi&#234;ncia &#233; extraordin&#225;ria toda vez que conhe&#231;o algu&#233;m novo e essa pessoa diz &#8220;uau, queria ter essa coragem&#8221;. &#201; engra&#231;ado como o costume faz com que a gente &#224;s vezes se esque&#231;a do quanto fomos ousados pra chegar onde quer&#237;amos. Do quanto a gente se esquece das coisas boas que conquistamos.</p><p>E eu por um momento, esqueci, confesso. Mas a&#237; eu olho pra tudo &#224; minha volta e vejo que o verdadeiro sucesso t&#225; em seguir aquilo que faz o cora&#231;&#227;o bater mais forte. Para uns &#233; s&#243; dinheiro, para outros liberdade, para outros amor. Para mim, coragem. Coragem para fazer com que tudo isso se manifeste na minha vida. Coragem de acreditar que, se cheguei onde estou, posso ir ainda mais al&#233;m. E isso ningu&#233;m tira de mim, porque est&#225; aqui dentro.</p><p>Viajar fora me fez ver o quanto ainda precisava olhar dentro. A viagem foi mais interna do que externa (e descobri que h&#225; tanto, mas tanto pra explorar em mim). Tantos destinos esperando para serem vividos, tantas vers&#245;es para serem aproveitadas, tantas realidades para serem alcan&#231;adas. Diante disso, ficou f&#225;cil pegar um &#244;nibus, avi&#227;o ou seja l&#225; o que for. Coragem mesmo &#233; encarar a estrada de dentro.</p><p>Mas eu sigo, a cada dia buscando ser uma melhor parte de mim mesma, assim como escolho o pr&#243;ximo destino que um dia me imaginei estar. Que daqui a 5, 10, 20, 30 anos, eu siga explorando&#8230; seja l&#225; onde for.</p><p>E talvez seja justamente por isso que eu tenha sentido vontade de revisitar essa estrada com mais calma. De transformar lembran&#231;as em cap&#237;tulos, como se fosse abrir um di&#225;rio e contar do come&#231;o, passo a passo, tudo o que vivi at&#233; aqui.</p><p>A partir da semana que vem, nasce o <strong>Di&#225;rio de uma Viajante</strong>.</p><p>Cada newsletter ser&#225; um cap&#237;tulo dessa hist&#243;ria &#8212; com os erros, os aprendizados, os encontros, os amores e at&#233; as vers&#245;es de mim que nasceram em cada pa&#237;s.</p><p>&#201; a forma que encontrei de continuar viajando tamb&#233;m pelas palavras.</p><p>E, se em algum momento voc&#234; quiser acompanhar cada cap&#237;tulo dessa jornada, &#233; s&#243; se inscrever. Assim a gente segue junto, estrada ap&#243;s estrada.</p><p>Te espero?</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O tombo no processo da criação da sua realidade ]]></title><description><![CDATA[e os desafios escondidos atr&#225;s de cada conquista]]></description><link>https://aluapcac.substack.com/p/o-tombo-no-processo-da-criacao-da</link><guid isPermaLink="false">https://aluapcac.substack.com/p/o-tombo-no-processo-da-criacao-da</guid><dc:creator><![CDATA[Ana Paula Andrade]]></dc:creator><pubDate>Thu, 11 Sep 2025 16:33:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/4e689043-5feb-4bad-b85d-8c067ce7c528_3024x2091.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>No processo de cria&#231;&#227;o da realidade, muita gente alimenta a fantasia de que tudo vai ser maravilhoso, de que basta come&#231;ar a pensar positivo ou se tornar aquela pessoa &#8220;good vibes&#8221; que, como num passe de m&#225;gica, a vida melhora. S&#243; que a verdade &#233; bem mais profunda: n&#227;o se trata apenas de afirmar frases bonitas ou tentar manter um sorriso constante. Criar a pr&#243;pria realidade exige mergulho, exige entrega, exige enfrentar aquilo que j&#225; n&#227;o serve mais.</p><p>Na minha vida, eu j&#225; manifestei muita coisa &#8212; e muitas delas n&#227;o foram f&#225;ceis de conquistar. Outras ainda n&#227;o chegaram, porque para alcan&#231;&#225;-las eu preciso soltar cren&#231;as limitantes que carrego h&#225; anos. E esse &#233; um dos maiores desafios: abrir m&#227;o de coisas que parecem &#8220;normais&#8221;, mas que, no fundo, s&#243; nos mant&#234;m presos. Como desapegar de algo que voc&#234; repete h&#225; tanto tempo? N&#227;o &#233; f&#225;cil.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><em>Uma escritora independente dividindo o que sente e aprende. Se quiser fazer parte dessa troca, assine e receba meus pr&#243;ximos escritos.</em></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>O primeiro passo &#233; o amor-pr&#243;prio. Amar a si mesmo n&#227;o &#233; um conceito abstrato, &#233; uma pr&#225;tica. &#201; quando voc&#234; deixa de aceitar aquilo que antes aceitava. &#201; quando algu&#233;m passa a te ver como a &#8220;chata&#8221; ou a &#8220;exigente&#8221;, mas, na verdade, voc&#234; s&#243; est&#225; escolhendo o que &#233; melhor para voc&#234;. Amar a si mesmo tamb&#233;m pode significar ficar mais sozinho, ou ter cada vez menos amigos. Muitas vezes, estar rodeado de gente s&#243; acontece porque voc&#234; aceita qualquer coisa. Mas quando come&#231;a a dizer mais &#8220;n&#227;o&#8221; para os outros e mais &#8220;sim&#8221; para voc&#234;, os que s&#243; estavam ali para sugar se afastam. E nesse momento voc&#234; pode achar que est&#225; fazendo tudo errado, mas n&#227;o est&#225;. Est&#225; apenas selecionando quem realmente respeita sua fase e seu processo de evolu&#231;&#227;o.</p><p>Outro ponto essencial: autenticidade. Hoje em dia, parece que todo mundo repete os mesmos padr&#245;es. Voc&#234; entra na internet e encontra c&#243;pias e mais c&#243;pias. Falta originalidade, sobra f&#243;rmula pronta. Mas criar a sua realidade &#233; justamente o contr&#225;rio: &#233; colocar pra fora o que vem de dentro de voc&#234;, sem tentar agradar, sem se guiar por n&#250;meros. Primeiro, voc&#234; cria para se agradar, para ser verdadeiro com o seu cora&#231;&#227;o. Quem estiver conectado com essa frequ&#234;ncia vai chegar at&#233; voc&#234;. J&#225; parou para pensar que, talvez, pessoas que procuram exatamente algu&#233;m como voc&#234; n&#227;o conseguem te encontrar porque voc&#234; est&#225; fingindo ser quem n&#227;o &#233;?</p><p>Ser aut&#234;ntico, no come&#231;o, pode ser desconfort&#225;vel. As pessoas est&#227;o acostumadas a padr&#245;es, e fugir da manada geralmente gera cr&#237;ticas. Se voc&#234; estiver sendo criticado por seguir seu pr&#243;prio caminho, respira: voc&#234; provavelmente est&#225; no lugar certo.</p><p>E aqui vai um ponto que eu considero crucial: pr&#225;tica. N&#227;o adianta ler 300 livros, assinar todas as newsletters, acompanhar todos os canais do YouTube se nada &#233; colocado em pr&#225;tica. Conhecimento sem a&#231;&#227;o &#233; desperd&#237;cio de energia. &#192;s vezes &#233; melhor aprender uma coisa s&#243; e aplicar, do que acumular informa&#231;&#227;o e nunca se mover. &#201; na pr&#225;tica que o aprendizado se enra&#237;za.</p><p>A autoconfian&#231;a tamb&#233;m &#233; indispens&#225;vel. Quando voc&#234; tem um sonho, muitos v&#227;o duvidar. Uns v&#227;o dizer que &#233; exagero, outros que &#233; s&#243; uma fase, alguns v&#227;o zombar. E voc&#234; n&#227;o precisa abra&#231;ar nada disso. Antes de qualquer apoio externo, &#233; voc&#234; quem precisa acreditar em si. Se dentro de voc&#234; existe uma vontade muito grande, isso n&#227;o &#233; acaso &#8212; &#233; sinal de que voc&#234; veio ao mundo para realizar. Ent&#227;o n&#227;o entregue seu sonho para quem n&#227;o acredita. As cr&#237;ticas, muitas vezes, s&#227;o reflexo da falta de coragem do outro. Quando algu&#233;m te chama de louco, o que essa pessoa realmente est&#225; dizendo &#233;: &#8220;eu queria ter a coragem que voc&#234; tem&#8221;.</p><p>E autoconfian&#231;a se constr&#243;i. N&#227;o adianta come&#231;ar prometendo mundos e fundos. Isso s&#243; mina a sua f&#233; em si mesmo. Comece pequeno, cumpra suas pr&#243;prias promessas, e depois v&#225; expandindo. &#201; como treinar: se voc&#234; decide ir &#224; academia, n&#227;o precisa come&#231;ar sete vezes por semana. Comece duas, depois aumente. A confian&#231;a nasce quando voc&#234; percebe que &#233; capaz de cumprir o que se prop&#245;e. Se voc&#234; promete para si mesmo e n&#227;o cumpre, vai perdendo credibilidade consigo. Pense: quando algu&#233;m sempre fala que vai fazer algo e nunca faz, voc&#234; confia nessa pessoa? N&#227;o. Ent&#227;o comece a ser a pessoa em quem voc&#234; mesmo pode confiar.</p><p>Outro aprendizado: respeitar o tempo. Criar a pr&#243;pria realidade n&#227;o acontece da noite para o dia. Algumas coisas v&#234;m r&#225;pido, outras levam anos. E isso n&#227;o significa fracasso, significa processo. Quanto mais profunda a cren&#231;a, mais tempo leva para ser dissolvida. O importante &#233; ter paci&#234;ncia e entender que o caminho &#233; t&#227;o valioso quanto a chegada. &#201; no processo que voc&#234; aprende o que realmente precisa aprender.</p><p>E, claro, foco. N&#227;o adianta querer uma coisa hoje e amanh&#227; outra. Quando voc&#234; n&#227;o sabe o que quer, &#233; melhor primeiro buscar clareza. Permita-se estar perdido, porque at&#233; o vazio &#233; f&#233;rtil &#8212; nele se escondem possibilidades e novos caminhos. S&#243; n&#227;o caia na pressa. O imediatismo s&#243; cria mais confus&#227;o. Fluidez e paci&#234;ncia s&#227;o mestres na manifesta&#231;&#227;o.</p><p>Eu falo tudo isso n&#227;o porque sou coach ou terapeuta, mas porque venho vivendo cada detalhe na pr&#225;tica. Conquistei coisas que nunca imaginei t&#227;o r&#225;pido, como viver viajando, conhecer lugares que eram sonhos distantes, encontrar um amor de verdade e amizades s&#243;lidas. Mas tamb&#233;m tenho desejos que ainda n&#227;o chegaram, porque ainda existem processos a serem trabalhados. A vida &#233; uma eterna evolu&#231;&#227;o. N&#227;o existe &#8220;chegar l&#225;&#8221;, existe caminhar e aprender sempre.</p><p>No final das contas, tudo &#233; desafiador. Viver &#233; desafiador. A pergunta &#233;: qual dif&#237;cil voc&#234; escolhe viver? Porque mesmo quando tentei seguir o caminho &#8220;certo&#8221; que me diziam, tamb&#233;m foi dif&#237;cil. Ent&#227;o hoje eu escolho o dif&#237;cil que faz sentido para mim, aquele que me leva para onde quero estar.</p><p>Criar a sua realidade n&#227;o &#233; m&#225;gica instant&#226;nea de rede social. &#201; cair, levantar, e continuar. Mas &#233; um caminho sem volta. Uma vez que voc&#234; entende a for&#231;a que tem dentro de si, n&#227;o tem como desaprender. E mesmo nos tombos, &#233; justamente a escolha de continuar que cria a vida que voc&#234; quer.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Quando um detalhe muda todo o caminho]]></title><description><![CDATA[e voc&#234; descobre que foi o melhor que aconteceu]]></description><link>https://aluapcac.substack.com/p/quando-um-detalhe-muda-todo-o-caminho</link><guid isPermaLink="false">https://aluapcac.substack.com/p/quando-um-detalhe-muda-todo-o-caminho</guid><dc:creator><![CDATA[Ana Paula Andrade]]></dc:creator><pubDate>Tue, 02 Sep 2025 19:33:43 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/24b46007-db1b-46d9-9d33-700be7a32042_2814x1779.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Um dia desses, me perdi em Londres. Coloquei o endere&#231;o no Google Maps e s&#243; percebi tarde demais: eram 9 da noite e eu estava num bairro que nunca tinha visto.</p><p>As ruas estavam cheias de carros passando ao mesmo tempo, mas n&#227;o havia ningu&#233;m andando. Era basicamente uma estrada de passagem, e aquilo me deu uma sensa&#231;&#227;o estranha de estar fora do lugar.</p><p>Pra piorar, eu tinha sa&#237;do de casa com uma roupa leve para o sol da tarde &#8212; e agora voltava com o corpo arrepiado pelo frio que a noite trazia. Tudo que eu queria era chegar em casa, tomar um banho quente, comer algo gostoso e dormir.</p><p>Foi s&#243; quando revi o endere&#231;o que entendi o erro: em Londres, o c&#243;digo postal &#233; o que realmente define o destino. Se voc&#234; colocar apenas o nome da rua, corre o risco de ser levado para qualquer canto da cidade (e aconteceu comigo). Corrigi, reenviei a rota e vi que ainda faltava uma hora para chegar. Estava puta da vida, mas suspirei e, de novo, segui o caminho certo.</p><p>Enquanto andava, fui me lembrando do dia e minha mente parecia um navegador com mil de abas abertas &#8212; v&#225;rios pensamentos ao mesmo tempo, sem ordem, sem descanso. Naquele momento, desejei ter um mapa certeiro da vida que dissesse: &#8220;vira aqui, segue reto, chega l&#225;&#8221;. Mas nem sempre a vida oferece instru&#231;&#245;es claras assim.</p><p>Percebi que, assim como eu me encontrava perdida fisicamente, me encontrava da mesma forma por dentro tamb&#233;m &#8212; num territ&#243;rio desconhecido da minha pr&#243;pria vida. Uma esp&#233;cie de interior que pede coragem n&#227;o porque falta mapa, mas porque o mapa pode estar errado (como quando falta um <em>c&#243;digo postal</em>).</p><p>E sabe o que me deixou mais reflexiva? Existe algo curioso sobre mapas: eles s&#243; come&#231;am a fazer sentido depois que a gente percorre o caminho. Antes disso, s&#227;o s&#243; tra&#231;os sem vida. E &#233; ao caminhar que eles se revelam (e isso pode ser uma met&#225;fora para as nossas escolhas tamb&#233;m).</p><p>Talvez seja essa curiosidade e esse &#237;mpeto de entrar no mist&#233;rio que me move. A vida, antes de ser um destino, &#233; descoberta. E se tivesse sempre a rota certa, n&#227;o seria f&#225;cil demais voltar pra onde a gente j&#225; se sente confort&#225;vel? Mas &#233; aqui mora o ponto, porque &#233; justamente no desconforto que a gente cresce.</p><p>Cheguei em casa por volta das 22h15 e, ainda rindo da bagun&#231;a que havia sido o meu <em>&#8220;mini tour particular&#8221;</em>, fui at&#233; a estante e embaralhei meu deck de tarot. Tirei uma carta e me veio o louco.</p><p>Quando vi a carta, entendi: eu j&#225; estava sendo ele. N&#227;o s&#243; por conta dessa situa&#231;&#227;o que vivi, mas num sentido geral da vida mesmo, sabe? Mas mesmo no meio dessa perdi&#231;&#227;o toda, o louco continua andando &#8212; n&#227;o espera clareza, n&#227;o precisa de garantias. Ele segue. E, naquelas incertezas e confus&#245;es que a minha mente me trazia, eu entendi que, &#224;s vezes, tudo o que a vida pede &#233;: continue andando, um passo de cada vez.</p><p>Talvez eu nunca tenha um mapa completo &#8212; mas aprendi que cada passo j&#225; &#233; o suficiente para abrir o pr&#243;ximo trecho da estrada. E que, no fundo, a gra&#231;a da vida n&#227;o est&#225; nas respostas prontas, mas nas perguntas que nos <em>empurram</em> adiante. Entregar-se ao mist&#233;rio significa aceitar que, muitas vezes, o caminho se revela caminhando.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Você pode estar inspirando pessoas sem saber]]></title><description><![CDATA[e isso vai mudar como voc&#234; se v&#234;]]></description><link>https://aluapcac.substack.com/p/voce-pode-estar-inspirando-pessoas</link><guid isPermaLink="false">https://aluapcac.substack.com/p/voce-pode-estar-inspirando-pessoas</guid><dc:creator><![CDATA[Ana Paula Andrade]]></dc:creator><pubDate>Fri, 15 Aug 2025 20:59:16 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/007e2645-20fe-41de-aefe-b55ad67d2b9b_2200x1505.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>H&#225; alguns meses, recebi uma mensagem de uma menina que conheci quando estava no Uruguai. Aquela era a primeira viagem solo dela, e, depois dali, ela voltaria para casa. Eu segui minha jornada, percorrendo outros pa&#237;ses.</p><p>Quando eu compartilhava no Instagram a minha forma de ver o mundo, ela sempre dizia que achava tudo incr&#237;vel (e que, de alguma forma, eu a inspirava a fazer o mesmo). Dois anos depois, recebo uma mensagem dela dizendo que comprou uma passagem s&#243; de ida para dar a volta ao mundo. Quando ela me contou, pensei: <em>caramba, ela vai mesmo!</em> (e senti aquele orgulho bom, sabe?).</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Durante a viagem, ela tamb&#233;m come&#231;ou a compartilhar sua pr&#243;pria vis&#227;o de mundo e experi&#234;ncias. E eu estava l&#225;, acompanhando tudo e admirando a escolha que ela tinha feito. Um dia, escrevi para ela dizendo o quanto eu estava feliz por v&#234;-la realizando um sonho que tinha me contado l&#225; no Uruguai. E foi ent&#227;o que ela disse:</p><blockquote><p><em>&#8220;S&#243; realizei isso porque voc&#234; foi uma inspira&#231;&#227;o.</em></p><p><em>Sua jornada me fez enxergar que eu era capaz tamb&#233;m. Ent&#227;o, fui l&#225; e fiz.&#8221;</em></p></blockquote><p>Aquilo encheu meu cora&#231;&#227;o de alegria.</p><p>Dias atr&#225;s, recebi outra mensagem, dessa vez de um seguidor da &#233;poca em que eu ainda criava conte&#250;dos de viagem. Ele me contou que hoje vive nos Estados Unidos, e que s&#243; tomou coragem de sair do pa&#237;s porque se inspirava no meu jeito &#8220;livre, leve e solto&#8221; de viver. A &#250;nica diferen&#231;a &#233; que, no caso dele, n&#227;o foi para conhecer v&#225;rios pa&#237;ses (mesmo que essa fosse a inten&#231;&#227;o inicial), mas para buscar uma vida melhor.</p><p>E por que estou contando tudo isso?</p><p>N&#227;o &#233; para alimentar meu ego. &#201; para lembrar que, muitas vezes, estamos inspirando pessoas sem nem perceber. Talvez n&#227;o tenham sido apenas essas duas hist&#243;rias&#8230; talvez tenham sido muitas mais.</p><p>Lembro que, naquela &#233;poca, eu me sentia frustrada. Achava que n&#227;o estava sendo boa o suficiente, que tinha fracassado por n&#227;o ter muitos seguidores ou por n&#227;o ter conseguido viver como influencer de viagens como outros viajantes que eu acompanhava. Essa sensa&#231;&#227;o foi t&#227;o forte que acabei parando de criar &#8212; tive um bloqueio criativo e quase desisti de vez. (Bom&#8230; acabei desistindo do Instagram por um tempo, mas por outros motivos tamb&#233;m.)</p><p>Quando voltei a criar, foi antes mesmo de receber essas mensagens. Eu simplesmente decidi voltar porque deixei de lado as expectativas: n&#227;o queria mais depender da aprova&#231;&#227;o dos outros, nem criar com a press&#227;o de &#8220;ficar rica do dia pra noite&#8221;. Voltei com uma &#250;nica condi&#231;&#227;o: <strong>sem me pressionar</strong>.</p><p>E, claro, sendo genu&#237;na. Porque a internet j&#225; est&#225; cheia de conte&#250;do raso que s&#243; ocupa espa&#231;o. E, olha&#8230; fazer isso deu espa&#231;o para o meu esp&#237;rito criativo florescer de novo.</p><p>A grande li&#231;&#227;o?</p><p>Tudo o que voc&#234; faz est&#225; sendo visto, mesmo que em sil&#234;ncio.</p><p>Ent&#227;o, eu te deixo uma pergunta: <strong>o que voc&#234; tem mostrado para o mundo?</strong></p><p>Reflita. Anote suas respostas.</p><p>E um &#250;ltimo conselho para encurtar essa conversa: crie para voc&#234;. N&#227;o tenha medo de expressar suas ideias e mostr&#225;-las ao mundo. N&#227;o crie por valida&#231;&#227;o, likes ou seguidores.</p><p>Quando voc&#234; come&#231;a a fazer isso, entende que o resto &#233; consequ&#234;ncia.</p><p><strong>Crie para inspirar a si mesmo. Assim, voc&#234; tamb&#233;m inspirar&#225; o outro.</strong></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://aluapcac.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Este Substack &#233; apoiado pelos Leitores. Para receber novos posts e apoiar meu trabalho, considere tornar-se um assinante gratuito ou com assinatura paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>