<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Bruna]]></title><description><![CDATA[Que a nossa troca seja sempre construtiva ✨💫]]></description><link>https://brurfran.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mQjp!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1d53739a-d724-4124-99cd-aeb41c6ddef9_1282x1284.png</url><title>Bruna</title><link>https://brurfran.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Thu, 03 Sep 2026 19:15:48 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/brurfran.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Bruna ramos]]></copyright><language><![CDATA[en]]></language><webMaster><![CDATA[brurfran@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[brurfran@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Bruna]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Bruna]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[brurfran@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[brurfran@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Bruna]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Nem todo mundo quer uma solução]]></title><description><![CDATA[Sobre a mania que &#224;s vezes a gente tem em querer resolver problemas que ningu&#233;m me pediu para resolver]]></description><link>https://brurfran.substack.com/p/nem-todo-mundo-quer-uma-solucao</link><guid isPermaLink="false">https://brurfran.substack.com/p/nem-todo-mundo-quer-uma-solucao</guid><dc:creator><![CDATA[Bruna]]></dc:creator><pubDate>Thu, 03 Sep 2026 16:33:06 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!EPRC!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd96f80d0-7f9b-47a8-bcdf-b5835bf88949_554x492.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Eu tenho uma qualidade que eu chamaria de qualidade porque me salva quase todos os dias de grandes problemas na minha vida: pensar r&#225;pido demais.</p><p>Com isso, tenho um lado bem t&#243;xico, que &#233; ser aquela pessoa que, quando voc&#234; chega com um problema, ou reclamando de alguma situa&#231;&#227;o, eu j&#225; arrumei tr&#234;s solu&#231;&#245;es, mais um plano A, um B e por a&#237; vai.</p><p>Esses dias, eu conversava com um amigo que me contou que a fam&#237;lia estava montando um ponto de venda de tapiocas.</p><p>Inocentemente, ofereci uma m&#225;quina seladora de embalagens que restou de uma empresa de alimenta&#231;&#227;o infantil que eu j&#225; tive. Na &#233;poca em que t&#237;nhamos a empresa, n&#227;o conseguimos vender esse maquin&#225;rio e, como ele estava parado, pensei que poderia ser &#250;til no novo projeto da tapiocaria.</p><p>Ele agradeceu demais, mas disse que n&#227;o teria utilidade, porque trabalharia apenas com tapiocas e o que eu estava oferecendo era uma seladora de potinhos sustent&#225;veis. Ele n&#227;o teria, naquele momento, um produto para colocar ali.</p><p>Sugeri ent&#227;o que vendessem a&#231;a&#237;s, que usassem as embalagens que ainda me restam  para fazer testes e tentassem trabalhar com potinhos similares, mas com a marca pr&#243;pria, ele tem forma&#231;&#227;o em publicidade e essa parte de montagem de marca j&#225; seria dele. Eu tamb&#233;m passaria o contato dos fornecedores das embalagens.</p><p>Assim, ampliaria os produtos oferecidos ao p&#250;blico para al&#233;m da tapiocaria, que, pelo que entendo leigamente que seria composto pelo mesmo p&#250;blico.</p><p>Deixei claro que daria a m&#225;quina para ele. Ela n&#227;o tinha utilidade nenhuma na minha vida, nem na da ex-minha s&#243;cia, que tamb&#233;m n&#227;o se importaria em se desfazer dela. Se houvesse interesse, seria de bom grado e sem custo algum. Seria a minha contribui&#231;&#227;o e, na verdade, ele ainda me faria um favor, desocupando o espa&#231;o que aquela m&#225;quina ocupa hoje.</p><p>Ele ficou superfeliz com a ideia no momento em que ofereci. Concordou que fazia sentido para o p&#250;blico dele e comentou que segundo uma pesquisa comercial que havia feito para abrir o neg&#243;cio, existia uma empresa no Rio de Janeiro que come&#231;ou com uma proposta parecida com a dele: vendia apenas tapiocas e, com o tempo, passou a vender mais a&#231;a&#237;s do que o produto que originalmente havia sido pensado como principal. E n&#243;s moramos em uma cidade extremamente quente, fazia sentido. </p><p>Me coloquei &#224; disposi&#231;&#227;o. Quando quisesse pegar a m&#225;quina, era s&#243; me avisar que eu entregaria.</p><p>Isso j&#225; faz uns cinco meses.</p><p>A tapiocaria abriu.</p><p>Eu fui &#224; inaugura&#231;&#227;o.</p><p>E ela continua sendo apenas uma tapiocaria.</p><p>Ele n&#227;o tocou mais no assunto. Tamb&#233;m n&#227;o falei nada.</p><p><strong>Por que eu trouxe esse exemplo?</strong></p><p>N&#227;o t&#244; dizendo que esse seja, necessariamente, o caso.</p><p>Pode ser que ele tenha aceitado a ideia naquele momento apenas para me agradar. Pode ser que n&#227;o soubesse dizer n&#227;o. Ou simplesmente pode ter feito as contas depois e percebido que, naquele momento, n&#227;o era vi&#225;vel comercial ou financeiramente.</p><p>Sabe quando voc&#234; entra em um estabelecimento e, em 5 minutos, j&#225; tem mil ideias e come&#231;a a pensar que o dono nunca pensou naquilo?</p><p>Coisas do tipo: </p><p>&#8220;Por que ele n&#227;o expande?&#8221;<br>&#8220;Por que n&#227;o come&#231;a a vender refrigerante junto com a coxinha que j&#225; vende?&#8221;</p><p>Ideias que, de fora, podem parecer t&#227;o &#243;bvias que d&#227;o a impress&#227;o de que o dono simplesmente nunca pensou nelas.</p><p>S&#243; que, muitas vezes, ele pensou.</p><p>&#192;s vezes, o que parece uma oportunidade para quem t&#225; olhando de fora vem acompanhado de uma s&#233;rie de custos que a gente n&#227;o enxerga.</p><p>Pode ser que vender cerveja em um restaurante criado para vender estrogonofe pare&#231;a uma &#243;tima ideia. S&#243; que isso gera um aumento na taxa de lixo porque agora haver&#225; garrafas de vidro e esse custo adicional seja maior do que o lucro que ele conseguiria com a nova venda.</p><p>Entendo esse lado.</p><p>Entendo o comerciante escolher vender aquilo que &#233; vi&#225;vel para ele, dentro da realidade que conhece e consegue trabalhar.</p><p>Mas grande parte das vezes <strong>n&#227;o adianta oferecer ideias, in&#250;meras possibilidades, caminhos diferentes para que as pessoas saiam das pr&#243;prias pris&#245;es.</strong></p><p>Porque, &#224;s vezes, <strong>elas n&#227;o querem sair.</strong></p><p>N&#227;o conversei mais com ele sobre isso. <br>S&#243; soube, por terceiros, que o neg&#243;cio est&#225; andando devagar. <br>O que tamb&#233;m n&#227;o &#233; nenhuma surpresa: &#233; um neg&#243;cio novo, em uma regi&#227;o nova, enfrentando todos os desafios empresariais que j&#225; conhecemos t&#227;o bem no pa&#237;s em que vivemos.</p><p><strong>Mas existem pessoas que preferem continuar onde est&#227;o.</strong></p><p><strong>Ou, pelo menos, continuar em lugares que parecem seguros. (at&#233; quando o seguro &#233; claramente algo bem ruim - coisas que s&#243; a psicologia explica) </strong></p><p>E n&#243;s, leia-se: <strong>eu</strong>, somos esse tipo de pessoa que fica dando uma de intrometida, querendo encontrar solu&#231;&#227;o para tudo.</p><p>Enquanto <strong>tem gente que n&#227;o quer solu&#231;&#227;o.<br>Quer continuar com a sua vida, fazendo apenas o que j&#225; faz. ( e t&#225; tudo bem)<br>Mas tem tamb&#233;m aquele que s&#243; quer reclamar&#8230; que nada muda, que as coisas s&#227;o dif&#237;ceis e tal e coisa. <br><br>S&#243; que na verdade n&#227;o querem solu&#231;&#227;o, s&#243; querem reclamar. </strong></p><p>Na verdade, tem gente que, se n&#227;o tiver do que reclamar, n&#227;o tem nem sobre o que conversar.<br><br>Fim. </p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe now&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/brurfran.substack.com/subscribe"><span>Subscribe now</span></a></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" 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isPermaLink="false">https://brurfran.substack.com/p/algumas-pessoas-sao-pontes</guid><dc:creator><![CDATA[Bruna]]></dc:creator><pubDate>Tue, 18 Aug 2026 22:13:34 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!C73a!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fefb1977f-b277-4d3b-9a80-ada3d87552ad_1290x937.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><span>Dia desses, estava vendo um v&#237;deo por aqui e ouvi falar da </span><strong><span>Teoria da Ponte.</span></strong></p><p><span>J&#225; ouviu falar?</span></p><p><span>A teoria diz que algumas pessoas entram na nossa vida n&#227;o para ficar, mas para nos ajudar a passar por alguma coisa.</span></p><p><span>S&#227;o pessoas que nos apresentam lugares nos quais provavelmente n&#227;o ter&#237;amos chegado sozinhos. Elas nos fazem enxergar coisas que ainda n&#227;o enxerg&#225;vamos. nos ensinam sobre coragem, limites, amor, escolhas e tamb&#233;m sobre n&#243;s mesmos.</span></p><p><span>Teve gente que apareceu numa fase muito espec&#237;fica e, quando a gente olha para tr&#225;s, percebe o tamanho que aquele encontro teve.</span></p><p><span>Uma amizade, um amor, uma conversa, uma briga. &#192;s vezes, uma pessoa chega sem grandes pretens&#245;es e acaba mudando alguma coisa na gente.</span></p><p><span>Sem algumas dessas pessoas, talvez eu n&#227;o tivesse chegado do outro lado.</span></p><p><span>Talvez eu n&#227;o tivesse mudado de dire&#231;&#227;o.</span></p><p><span>Algumas continuam comigo, outras ficaram do outro lado da ponte e j&#225; n&#227;o fazem parte da minha vida. Algumas amizades v&#227;o ficando distantes. Alguns amores terminam. Pessoas que um dia sabiam quase tudo sobre a nossa vida passam a ser apenas conhecidas.</span></p><p><span>A gente cruza na rua, v&#234; uma foto nas redes sociais, descobre alguma coisa por acaso e pensa: &#8220;Nossa, faz tanto tempo.&#8221; Tem aquelas em que a gente encontra a pessoa depois de muitos anos e pensa: &#8220;Meu Deus, parece que foi em outra vida.&#8221;</span></p><p><span>&#192;s vezes, n&#243;s entendemos o fim das rela&#231;&#245;es como alguma coisa que deu errado. Talvez exista uma certa maturidade em conseguir olhar para essas pessoas sem ressentimento pelo que n&#227;o continuou.</span></p><p><strong><span>Nem toda rela&#231;&#227;o que termina deu errado.</span></strong></p><p><span>Talvez algumas pessoas simplesmente tenham chegado at&#233; onde precisavam chegar com a gente. Foram fundamentais para uma vers&#227;o nossa que j&#225; n&#227;o existe mais.</span></p><p><span>E isso n&#227;o precisa necessariamente diminuir a import&#226;ncia delas. Talvez seja justamente porque foram importantes que mere&#231;am um lugar bonito na nossa mem&#243;ria, sem a obriga&#231;&#227;o de voltar para a nossa rotina.</span></p><p><span>Nem todo mundo que foi importante precisa continuar perto.</span></p><p><span>Algumas pessoas foram casa. Outras foram abrigo. Algumas um pequeno caos necess&#225;rio. E outras: </span><strong><span>pontes.</span></strong></p><p><span>Ajudaram a gente a atravessar, a mudar de dire&#231;&#227;o, a chegar a lugares que n&#227;o conhec&#237;amos e, quando o percurso terminou, cada um seguiu seu caminho.</span></p><p><span>Pensando nisso, percebi que tenho algumas dessas pessoas na minha hist&#243;ria.</span></p><p><span>Tamb&#233;m gosto de pensar que, em algum momento, talvez eu tenha sido essa pessoa para algu&#233;m. Talvez eu tenha aparecido na vida de algu&#233;m numa hora em que aquela pessoa precisava da minha companhia para atravessar sua ponte. Talvez tenha dito alguma coisa, vivido alguma coisa ou simplesmente estado ali.</span></p><p><span>E provavelmente nunca vou saber.</span></p><p><span>Acho que &#233; assim que a vida funciona.</span></p><p><span>Talvez a beleza da vida seja enteder que a gente vai encontrando pessoas pelo caminho, ao longo dele</span><strong><span> vamos deixando um pouquinho de n&#243;s e levando um pouquinho delas.</span></strong></p><p><span>Quando penso nas pessoas que j&#225; foram importantes para mim e que hoje est&#227;o longe, n&#227;o sinto necessariamente vontade de traz&#234;-las de volta. S&#243; espero que estejam bem. Algumas pessoas podem deixar de fazer parte da nossa vida sem necessariamente deixar de fazer parte da nossa hist&#243;ria.</span></p><p><span>Talvez esse seja o </span><strong><span>jeito mais bonito de agradecer uma ponte: continuar andando.</span></strong></p><p><span>Hoje, algu&#233;m me perguntou se eu tinha not&#237;cias de uma antiga pessoa que foi ponte na minha vida. A pergunta me fez lembrar dessa teoria e pensar em algumas pessoas que j&#225; foram pontes para mim.</span></p><p><span>Eu j&#225; n&#227;o as vejo mais, algumas ficaram muito longe, outras simplesmente seguiram por caminhos diferentes, mas ainda guardo carinho. <br>No fim, s&#243; me veio um pensamento:</span></p><p><strong><span>&#8220;Tomara que estejam felizes.&#8221;</span></strong></p><p><span>Talvez essa teoria tamb&#233;m sirva para ressignificar algu&#233;m para voc&#234;, assim como serviu para mim.</span></p><p><span>Talvez algumas pessoas n&#227;o tenham vindo para ficar. Talvez tenham vindo para nos ajudar a atravessar para o outro lado em que voc&#234; precisava.</span></p><p><span>E talvez isso j&#225; seja uma </span><strong><span>forma bastante bonita de ter feito parte da nossa vida.<br></span></strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!C73a!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fefb1977f-b277-4d3b-9a80-ada3d87552ad_1290x937.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!C73a!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/efb1977f-b277-4d3b-9a80-ada3d87552ad_1290x937.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:937,&quot;width&quot;:1290,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:0,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!C73a!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_auto, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, 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Ainda assim, assiste ao espet&#225;culo todos os dias, das oito &#224;s dezoito.]]></description><link>https://brurfran.substack.com/p/filme-de-terror-corporativo-o-adulto</link><guid isPermaLink="false">https://brurfran.substack.com/p/filme-de-terror-corporativo-o-adulto</guid><dc:creator><![CDATA[Bruna]]></dc:creator><pubDate>Wed, 05 Aug 2026 17:25:33 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Rt4D!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed702807-127a-422e-aba5-d09a11949d9b_644x344.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia vi uma cena que todo mundo j&#225; viu.</p><p>Uma crian&#231;a deitada no ch&#227;o do shopping, gritando, esperneando, negociando com o universo porque ouviu um &#8220;n&#227;o&#8221;. Enquanto isso, a m&#227;e seguia andando, olhando para frente, como quem esperava que o surto se resolvesse sozinho.</p><p>A primeira rea&#231;&#227;o costuma ser: &#8220;o que eu tenho a ver com isso?&#8221;</p><p>Em teoria, nada.</p><p>Na pr&#225;tica, talvez mais do que gostar&#237;amos.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe now&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/brurfran.substack.com/subscribe"><span>Subscribe now</span></a></p><p>Porque crian&#231;as crescem. E limites n&#227;o brotam magicamente na vida adulta. Eles precisam ser ensinados quando ainda existe algu&#233;m disposto a bancar o papel de vil&#227;o por alguns minutos para formar um adulto minimamente funcional.</p><p>Quando isso n&#227;o acontece, o problema raramente fica restrito &#224; fam&#237;lia.</p><p>Ele chega &#224; escola. &#192; faculdade. Aos relacionamentos. E, com um pouco de sorte ou azar dos outros, ao mercado de trabalho.</p><p>&#192;s vezes, esse adulto vira chefe.</p><p>E a&#237; come&#231;a o verdadeiro filme de terror e pior ainda: aquele para o qual voc&#234; nunca comprou ingresso.</p><p>Voc&#234; entra na empresa acreditando que ser&#225; avaliada pela compet&#234;ncia. Descobre, pouco a pouco, que compet&#234;ncia &#233; apenas o requisito m&#237;nimo. O cargo exige outra habilidade: administra&#231;&#227;o de ego.</p><p>N&#227;o basta ser a melhor funcion&#225;ria. Ele precisa ser bajulado.</p><p>N&#227;o basta apresentar uma boa ideia. &#201; preciso faz&#234;-lo acreditar que ela nasceu na cabe&#231;a dele.</p><p>N&#227;o basta resolver problemas. Voc&#234; ainda precisa comemorar quando ele &#8220;resolve&#8221; um problema que foi voc&#234; quem resolveu.</p><p>Voc&#234; aprende que existem reuni&#245;es cujo verdadeiro objetivo n&#227;o &#233; decidir nada. &#201; abastecer vaidades.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Rt4D!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed702807-127a-422e-aba5-d09a11949d9b_644x344.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Rt4D!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed702807-127a-422e-aba5-d09a11949d9b_644x344.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Rt4D!, /__u/brurfran.substack.com/w_848, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed702807-127a-422e-aba5-d09a11949d9b_644x344.png 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Rt4D!, /__u/brurfran.substack.com/w_1272, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed702807-127a-422e-aba5-d09a11949d9b_644x344.png 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Rt4D!, /__u/brurfran.substack.com/w_1456, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed702807-127a-422e-aba5-d09a11949d9b_644x344.png 1456w" sizes="100vw"><img src="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Rt4D!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed702807-127a-422e-aba5-d09a11949d9b_644x344.png" width="438" height="233.96273291925465" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ed702807-127a-422e-aba5-d09a11949d9b_644x344.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:344,&quot;width&quot;:644,&quot;resizeWidth&quot;:438,&quot;bytes&quot;:155403,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/i/209959246?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed702807-127a-422e-aba5-d09a11949d9b_644x344.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Rt4D!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_auto, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed702807-127a-422e-aba5-d09a11949d9b_644x344.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Rt4D!, /__u/brurfran.substack.com/w_848, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_auto, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed702807-127a-422e-aba5-d09a11949d9b_644x344.png 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Rt4D!, /__u/brurfran.substack.com/w_1272, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_auto, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed702807-127a-422e-aba5-d09a11949d9b_644x344.png 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Rt4D!, /__u/brurfran.substack.com/w_1456, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_auto, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed702807-127a-422e-aba5-d09a11949d9b_644x344.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p>H&#225; elogios que precisam ser distribu&#237;dos estrategicamente, sil&#234;ncios cuidadosamente calculados e cr&#233;ditos que desaparecem misteriosamente no caminho at&#233; a diretoria.</p><p>Tudo &#233; sobre ele.</p><p>A reuni&#227;o &#233; sobre ele.</p><p>A conquista &#233; sobre ele.</p><p>O sucesso da equipe &#233; fruto da lideran&#231;a vision&#225;ria dele.</p><p>Mas, curiosamente, quando alguma coisa d&#225; errado... a&#237;, sim, o problema volta a ser coletivo. Ou melhor: seu.</p><p>O mais ir&#244;nico &#233; perceber que ningu&#233;m contratou voc&#234; para exercer a fun&#231;&#227;o de educadora emocional de adultos. Mesmo assim, boa parte do expediente acaba sendo dedicada a contornar frustra&#231;&#245;es, proteger suscetibilidades e evitar crises que poderiam ser resolvidas com uma habilidade aprendida por volta dos cinco anos de idade: aceitar que o mundo n&#227;o gira ao seu redor.</p><p>O problema de uma inf&#226;ncia sem limites &#233; que, um dia, algu&#233;m vai precisar coloc&#225;-los. E, quase sempre, esse algu&#233;m &#233; um subordinado sem adicional de insalubridade emocional.</p><p>No fim, a gente descobre que trabalhar nem era a parte mais cansativa.</p><p>O desgaste mesmo &#233; fazer malabarismo com o ego de um adulto que ainda faz birra, s&#243; que agora usa crach&#225;, assina e-mails com &#8220;atenciosamente&#8221;, fala em &#8220;lideran&#231;a inspiradora&#8221; e chama o pr&#243;prio ataque de ego de &#8220;feedback construtivo&#8221;.</p><p>A diferen&#231;a &#233; que, no shopping, a birra dura quinze minutos.</p><p>No escrit&#243;rio, ela pode durar at&#233; a aposentadoria.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/p/filme-de-terror-corporativo-o-adulto?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/brurfran.substack.com/p/filme-de-terror-corporativo-o-adulto?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Share</span></a></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O cardápio das amizades]]></title><description><![CDATA[A gente sofre menos quando para de esperar que uma &#250;nica pessoa ocupe todos os lugares da nossa vida.]]></description><link>https://brurfran.substack.com/p/o-cardapio-das-amizades</link><guid isPermaLink="false">https://brurfran.substack.com/p/o-cardapio-das-amizades</guid><dc:creator><![CDATA[Bruna]]></dc:creator><pubDate>Thu, 09 Jul 2026 15:53:19 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jX6a!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe9733a4e-c349-473c-ab2c-2034998295f0_800x533.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Tem uma coisa que a maturidade ensina, &#224;s vezes da pior maneira: colocar todas as suas expectativas emocionais em uma &#250;nica pessoa quase sempre termina em frustra&#231;&#227;o.</p><p>A gente cresce acreditando que, em algum lugar, existe a amiga perfeita ou &#8220;a melhor amiga&#8221;. Aquela que ama os mesmos filmes, responde seus &#225;udios intermin&#225;veis, topa acordar cedo para treinar e ainda passa a madrugada inteira dan&#231;ando.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Spoiler: ela n&#227;o existe.</p><p>E, se existisse, provavelmente viveria exausta.</p><p>Tem uma frase de <em>Mad Men</em> que sempre volta &#224; minha cabe&#231;a: <strong>&#8220;A gente n&#227;o quer que as pessoas sejam como elas s&#227;o; a gente quer que elas sejam como a gente quer que elas sejam.&#8221;</strong></p><p>No fundo, acho que &#233; exatamente isso.</p><p>Criamos uma vers&#227;o ideal das pessoas e passamos boa parte da vida nos decepcionando porque elas insistem em ser quem realmente s&#227;o.<br><br>Quando somos jovens, achamos que as amizades devem nos suprir em todos os campos e pela mesma pessoa, mas e se a gente pensasse nas amizades em <br>departamentos? <br><br>A vida fica infinitamente mais leve quando voc&#234; entende que amizade n&#227;o &#233; um contrato de exclusividade funcional, mas sim uma empresa dividida em setores:</p><p>Existe <strong>a amiga da crise</strong>. <br>&#201; para ela que voc&#234; liga quando tudo desmorona. Ela sabe ouvir, faz as perguntas certas e consegue colocar sua cabe&#231;a no lugar.                                                             Agora, cham&#225;-la para uma balada que termina &#224;s oito da manh&#227;? Nem faz sentido. Esse nunca foi o territ&#243;rio dela.</p><p>Tamb&#233;m existe a<strong> amiga da divers&#227;o</strong>. <br>Se a ideia &#233; viajar sem planejar, virar a noite ou inventar um programa de &#250;ltima hora, ela aparece antes mesmo de voc&#234; terminar o convite.                                                  Talvez ela esque&#231;a seu anivers&#225;rio. <br>Talvez demore dias para responder uma mensagem importante.</p><p><strong>Faz parte.</strong></p><p>E existe aquele <strong>amigo que parece um fen&#244;meno da natureza, quase um furac&#227;o.</strong>   Voc&#234; gosta dele, mas j&#225; sabe que ele vai se atrasar, esquecer alguma coisa ou quebrar um copo na sua casa. Se toda vez isso virar motivo de irrita&#231;&#227;o, a amizade vai acabar pesando muito mais do que o copo quebrado.</p><p>Perceber isso pode mudar muita coisa.</p><p>Voc&#234; para de cobrar de cada pessoa aquilo que ela nunca prometeu oferecer. <br><br>Se uma amiga detesta cinema, por que continuar insistindo para depois sair frustrada? V&#225; ao cinema com quem gosta. <br>Encontre a outra para o chopp de sexta.</p><p>Parece &#243;bvio quando escrito. <br><br>Mas, na pr&#225;tica, a gente vive tentando transformar todo mundo na mesma pessoa. Ou, pior, esperando que uma &#250;nica pessoa ocupe todos os lugares ao mesmo tempo.</p><p><strong>S&#243; que nem n&#243;s somos tudo aquilo que gostar&#237;amos de ser.</strong></p><p>Ent&#227;o por que esperamos isso dos outros?</p><p>Essa percep&#231;&#227;o tamb&#233;m alivia um peso enorme. Voc&#234; n&#227;o precisa ser excelente em tudo. Talvez seja a amiga que escuta. Talvez seja a que organiza as viagens. Talvez seja a que sempre lembra dos anivers&#225;rios, mas desaparece do WhatsApp por dias.</p><p>Nenhuma amizade precisa dar conta de tudo.</p><p>Quando a gente para de procurar um combo completo, come&#231;a a enxergar melhor o que cada rela&#231;&#227;o tem de &#250;nico.</p><p>&#201; como um card&#225;pio.</p><p>Ningu&#233;m reclama porque um restaurante especializado em massas n&#227;o serve sushi. A gente simplesmente escolhe o lugar pelo que ele faz bem.</p><p>Talvez as amizades tamb&#233;m funcionem assim.</p><p>Quanto antes a gente parar de pedir o prato que nunca esteve no menu, mais f&#225;cil fica aproveitar aquilo que cada pessoa realmente sabe oferecer.<br>Quando a gente aceita que cada amizade ocupa um espa&#231;o diferente na nossa vida, sobra menos cobran&#231;a e mais espa&#231;o para aproveitar o que existe de verdade.</p><p>As pessoas raramente entregam tudo o que esperamos. <br>Mas quase sempre entregam alguma coisa valiosa. <br>E, muitas vezes, isso j&#225; basta.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!jX6a!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe9733a4e-c349-473c-ab2c-2034998295f0_800x533.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!jX6a!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe9733a4e-c349-473c-ab2c-2034998295f0_800x533.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!jX6a!, /__u/brurfran.substack.com/w_848, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe9733a4e-c349-473c-ab2c-2034998295f0_800x533.png 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!jX6a!, /__u/brurfran.substack.com/w_1272, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e9733a4e-c349-473c-ab2c-2034998295f0_800x533.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:533,&quot;width&quot;:800,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:807355,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/i/206308857?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe9733a4e-c349-473c-ab2c-2034998295f0_800x533.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!jX6a!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_auto, 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show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Mas domina a própria mente?]]></title><description><![CDATA[O que o futebol, os concursos p&#250;blicos e a gest&#227;o de pessoas t&#234;m em comum.]]></description><link>https://brurfran.substack.com/p/nem-sempre-vence-o-melhor</link><guid isPermaLink="false">https://brurfran.substack.com/p/nem-sempre-vence-o-melhor</guid><dc:creator><![CDATA[Bruna]]></dc:creator><pubDate>Tue, 30 Jun 2026 14:40:08 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oNol!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7640599a-1b9d-4527-80a2-99801cce7111_2048x960.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Esse climinha de Copa do Mundo &#233; t&#227;o gostoso, n&#227;o &#233;?</p><p>Eu me formei em Jornalismo e trabalhei por alguns anos com esporte. Sou apaixonada por futebol, mas acredito que a Copa pode nos ensinar muito mais do que o valor de uma equipe coesa e bem treinada.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Em ess&#234;ncia, ele dizia o &#243;bvio: quanto mais eu treino, melhor eu fico.</p><p>O resultado &#233; consequ&#234;ncia de anos de dedica&#231;&#227;o, empenho, avalia&#231;&#227;o dos pr&#243;prios erros e const&#226;ncia.</p><p><strong>Mas n&#227;o &#233; porque isso parece &#243;bvio que seja f&#225;cil</strong>. Na verdade, &#233; dific&#237;limo. J&#225; escrevi por aqui que uma das maiores habilidades da vida &#233; continuar, mesmo quando os resultados n&#227;o aparecem na velocidade que gostar&#237;amos.</p><p>Falo isso tamb&#233;m como concurseira. Muitas vezes vamos estudar, dar o nosso melhor e, ainda assim, n&#227;o ser&#225; suficiente. Nessas horas, a const&#226;ncia precisar&#225; ser maior do que a frustra&#231;&#227;o. Persistir depois de um resultado negativo &#233;, talvez, uma das formas mais dif&#237;ceis de disciplina.</p><p>Mas o mundo corporativo n&#227;o exige apenas const&#226;ncia, conhecimento t&#233;cnico e vontade de n&#227;o desistir.</p><p>Voltando &#224; Copa que, de certa forma, tamb&#233;m &#233; um ambiente corporativo, vemos excelentes sele&#231;&#245;es em campo, jogadores que recebem sal&#225;rios astron&#244;micos, equipes extremamente entrosadas, mas que, ao sofrerem um gol ou terem um lance anulado (algo que tem sido recorrente nesta Copa), simplesmente se desestabilizam. Perdem a organiza&#231;&#227;o, deixam a emo&#231;&#227;o assumir o controle e, muitas vezes, comprometem uma partida inteira.</p><p>O ponto aqui nem &#233; o da autossabotagem, que considero um dos elementos mais destrutivos que existem. Conhe&#231;o muita gente talentosa que parece n&#227;o aceitar que merece conquistar coisas boas. E, quando finalmente conquista, encontra um jeito de colocar tudo a perder.</p><p>Depois de quase quatro anos como gestora de uma grande unidade, encerrando agora um ciclo, tenho refletido bastante sobre <strong>quais li&#231;&#245;es quero levar comigo.</strong></p><p>E acho que a maior delas &#233; esta: <strong>para exercer um cargo de lideran&#231;a, &#233; a sua intelig&#234;ncia emocional, muito mais do que qualquer conhecimento t&#233;cnico, que vai te manter de p&#233;.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!oNol!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7640599a-1b9d-4527-80a2-99801cce7111_2048x960.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!oNol!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, 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Algu&#233;m reclamando que determinado servidor n&#227;o cumpre corretamente o hor&#225;rio. A sala em que um funcion&#225;rio gosta do ar-condicionado no m&#225;ximo enquanto o outro trabalha como se estivesse no Polo Norte.</p><p>N&#227;o raras vezes tamb&#233;m &#233; preciso chamar algu&#233;m para orientar sobre postura, vestimenta ou comportamento em situa&#231;&#245;es que representam a institui&#231;&#227;o.</p><p>E, sinceramente, chega um momento em que voc&#234; se pergunta se &#233; gestora de uma unidade de trabalho ou professora de uma turma da quinta s&#233;rie.</p><p>Mas, ultrapassando esses pequenos malabarismos interpessoais, que fazem parte da natureza do cargo, existe algo que me chama muito mais aten&#231;&#227;o.</p><p>Vejo com frequ&#234;ncia pessoas de alt&#237;ssima capacidade t&#233;cnica, que dominam sistemas, Python, Java e linguagens de programa&#231;&#227;o que, para mim, parecem outro idioma. Pessoas brilhantes intelectualmente, mas que <strong>n&#227;o conseguem dominar a pr&#243;pria mente, os pr&#243;prios impulsos ou as pr&#243;prias emo&#231;&#245;es.</strong></p><p>Quando um problema aparece, explodem. Reagem antes de refletir. Surta-se por muito pouco.</p><p>E isso limita qualquer carreira.</p><p>O funcion&#225;rio enxerga apenas parte da demanda. </p><p>O gestor precisa enxergar o todo.</p><p>Precisa compreender as limita&#231;&#245;es da administra&#231;&#227;o, conhecer os direitos dos servidores, entender o que pode ou n&#227;o ser exigido e, principalmente, encontrar equil&#237;brio entre esses interesses.</p><p>Talvez esse seja o maior desafio da lideran&#231;a: manter essa balan&#231;a equilibrada, sem permitir que pese excessivamente para nenhum dos lados.</p><p>Na verdade, nem gosto muito da palavra &#8220;gestora&#8221;.</p><p>Na minha humilde opini&#227;o, prefiro me enxergar como uma<strong> facilitadora.</strong></p><p>Algu&#233;m que tenta aproximar as necessidades das pessoas das possibilidades da administra&#231;&#227;o. Nem sempre isso ser&#225; poss&#237;vel. </p><p>E tudo bem.</p><p>A quest&#227;o &#233; que, muitas vezes, o ser humano &#233; desaforado mesmo. Temos uma tend&#234;ncia natural de enxergar apenas o nosso pr&#243;prio umbigo.</p><p>&#201; exatamente a&#237; que mora o problema.</p><p>Voc&#234; pode ser o melhor jogador tecnicamente falando. Pode ser o mais inteligente da equipe.</p><p>Mas, se n&#227;o sabe conviver com os outros, se n&#227;o aceita cr&#237;ticas sem lev&#225;-las para o lado pessoal, se responde atacando o companheiro de equipe ou, pior ainda: <strong>o advers&#225;rio</strong> - dificilmente passar&#225; de fase.</p><p>A boa not&#237;cia &#233; que intelig&#234;ncia emocional n&#227;o &#233; um talento com o qual algumas pessoas nascem e outras n&#227;o.</p><p>Ela se aprende.</p><p>Ela se desenvolve.</p><p>Ela se constr&#243;i.</p><p><strong>Aprender que aquilo que o outro diz fala muito mais sobre quem diz do que sobre quem ouve torna a caminhada muito mais leve.</strong></p><p>Entender que a maioria das pessoas ainda trava batalhas silenciosas para gostar de si mesmas tamb&#233;m muda nossa perspectiva.</p><p>Percebemos que, muitas vezes, somos apenas um personagem secund&#225;rio na hist&#243;ria do outro.</p><p>E talvez seja justamente esse o segredo de uma boa lideran&#231;a.</p><p>N&#227;o ser o protagonista.</p><p>Mas algu&#233;m que facilite o caminho para que a equipe consiga dar o seu melhor.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Ela &#233; responsabilizada pelo sil&#234;ncio, pela falta de desejo, pela dist&#226;ncia emocional e at&#233; pelo fim do amor.</p><p>Mas ser&#225; que &#233; mesmo?</p><p>Ser&#225; que s&#227;o os dias iguais que afastam as pessoas ou existe algo mais profundo acontecendo, algo silencioso que se instala muito antes do primeiro desencontro?</p><p>Talvez a rotina seja apenas a desculpa mais confort&#225;vel para n&#227;o encararmos algo muito mais profundo e desconfort&#225;vel: a dificuldade que temos de sermos n&#243;s mesmos e o quanto performamos ao conhecer algu&#233;m.</p><p>Porque, na maioria das vezes, o que desgasta uma rela&#231;&#227;o n&#227;o &#233; a repeti&#231;&#227;o dos dias.</p><p>&#201; a repeti&#231;&#227;o de um personagem.<br>E talvez aquela m&#225;xima do Mill&#244;r Fernandes: &#8220;Como s&#227;o admir&#225;veis as pessoas que n&#243;s n&#227;o conhecemos bem.&#8221;</p><p>O personagem que criamos para sermos amados faz parte de quase toda rela&#231;&#227;o, no in&#237;cio existe uma certa encena&#231;&#227;o (mesmo que inconsciente) .</p><p>Queremos parecer interessantes, seguros, independentes. Escondemos nossas inseguran&#231;as, controlamos nossas rea&#231;&#245;es, evitamos demonstrar excessos.</p><p>N&#227;o fazemos isso por mal.</p><p>Fazemos porque queremos ser <strong>escolhidos.</strong></p><p>Sem perceber, come&#231;amos a apresentar ao outro uma vers&#227;o editada de quem somos. Uma vers&#227;o mais bonita, mais forte, mais est&#225;vel.</p><p>&#201; algo que a psican&#225;lise chama essa imagem idealizada de <strong>ego ideal</strong>: aquilo que gostar&#237;amos de ser e que acreditamos ser mais digno de amor.</p><p>O problema &#233; que, quanto mais investimos energia em sustentar essa imagem, mais nos afastamos de n&#243;s mesmos.</p><p>Mais dif&#237;cil se torna permitir que algu&#233;m nos conhe&#231;a de verdade e aceitar que: <strong>a intimidade n&#227;o nasce da perfei&#231;&#227;o</strong></p><p>Existe uma ironia dolorosa nisso tudo.</p><p>Passamos anos tentando parecer impec&#225;veis para sermos amados, quando o amor verdadeiro nasce justamente do contr&#225;rio.</p><p>A intimidade n&#227;o floresce onde existe perfei&#231;&#227;o.</p><p>Ela nasce onde existe verdade.</p><p>Ela acontece quando algu&#233;m v&#234; nossas contradi&#231;&#245;es e permanece.</p><p>Quando admitimos que temos medo.</p><p>Quando revelamos nossas fragilidades.</p><p>Quando paramos de dizer &#8220;est&#225; tudo bem&#8221; apenas para n&#227;o incomodar.</p><p>Mas isso exige <strong>coragem.</strong></p><p>Porque deixar a m&#225;scara cair tamb&#233;m significa correr o risco de n&#227;o sermos <strong>aceitos.</strong></p><p>E esse talvez seja um dos maiores medos humanos.</p><h2>A solid&#227;o que existe dentro das rela&#231;&#245;es</h2><p>Talvez seja por isso que tantas pessoas se sintam sozinhas mesmo estando acompanhadas.</p><p>Elas compartilham a casa; compartilham os planos; compartilham a cama.</p><p>Mas n&#227;o compartilham a verdade.</p><p>Porque quem se relaciona n&#227;o s&#227;o as pessoas reais.</p><p><strong>S&#227;o os personagens.</strong></p><p>Um ama a partir do papel que criou para si.</p><p>O outro corresponde a partir da imagem que acredita precisar sustentar.</p><p>E, no meio disso, os indiv&#237;duos verdadeiros permanecem escondidos, esperando uma permiss&#227;o que nunca chega.</p><p><strong>N&#227;o &#233; o amor que acaba. </strong>Ou talvez at&#233; seja ao descobrir que aqueles defeitozinhos n&#227;o s&#227;o de fato &#8220;zinhos&#8221;. </p><p>Mas &#233; a possibilidade de intimidade que nos permite enxergar a verdadeira ess&#234;ncia da pessoa.</p><p>Porque intimidade n&#227;o &#233; estar perto.</p><p>&#201; ser vistoe permitir que o outro tamb&#233;m seja.</p><h2>O verdadeiro desgaste</h2><p>Talvez a rotina seja inocente.</p><p>Talvez ela apenas exponha aquilo que j&#225; existia.</p><p>Porque manter uma m&#225;scara por alguns meses pode ser f&#225;cil.</p><p>Por alguns anos, exaustivo, por uma vida inteira, imposs&#237;vel.</p><p>O que cansa n&#227;o &#233; repetir os dias.</p><p>&#201; acordar todos os dias tentando ser algu&#233;m que n&#227;o somos.</p><p>&#201; viver calculando palavras.</p><p>&#201; esconder car&#234;ncias.</p><p>&#201; fingir independ&#234;ncia quando tudo o que desejamos &#233; acolhimento.</p><p>A ansiedade costuma nos convencer de que, se mostrarmos quem somos, seremos abandonados.</p><p>Ent&#227;o escolhemos a seguran&#231;a da atua&#231;&#227;o.</p><p>Mas existe um pre&#231;o.</p><p>E esse pre&#231;o &#233; n&#227;o experimentar o amor em sua forma mais profunda.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!56IJ!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e3e560c-1eb9-4903-9595-f48b7145b08b_1280x720.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!56IJ!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e3e560c-1eb9-4903-9595-f48b7145b08b_1280x720.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!56IJ!, /__u/brurfran.substack.com/w_848, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e3e560c-1eb9-4903-9595-f48b7145b08b_1280x720.jpeg 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!56IJ!, /__u/brurfran.substack.com/w_1272, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e3e560c-1eb9-4903-9595-f48b7145b08b_1280x720.jpeg 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!56IJ!, /__u/brurfran.substack.com/w_1456, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e3e560c-1eb9-4903-9595-f48b7145b08b_1280x720.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!56IJ!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e3e560c-1eb9-4903-9595-f48b7145b08b_1280x720.jpeg" width="406" height="228.375" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6e3e560c-1eb9-4903-9595-f48b7145b08b_1280x720.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:720,&quot;width&quot;:1280,&quot;resizeWidth&quot;:406,&quot;bytes&quot;:231679,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/i/202287433?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e3e560c-1eb9-4903-9595-f48b7145b08b_1280x720.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!56IJ!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_auto, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e3e560c-1eb9-4903-9595-f48b7145b08b_1280x720.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!56IJ!, /__u/brurfran.substack.com/w_848, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_auto, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e3e560c-1eb9-4903-9595-f48b7145b08b_1280x720.jpeg 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!56IJ!, /__u/brurfran.substack.com/w_1272, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_auto, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e3e560c-1eb9-4903-9595-f48b7145b08b_1280x720.jpeg 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!56IJ!, /__u/brurfran.substack.com/w_1456, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_auto, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e3e560c-1eb9-4903-9595-f48b7145b08b_1280x720.jpeg 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><h2>A coragem de existir sem armaduras</h2><p>Talvez amadurecer seja entender que n&#227;o precisamos ser <strong>extraordin&#225;rios</strong> para sermos amados. <br>Sem m&#225;scaras, sem personagens, sem atua&#231;&#227;o. </p><p>Que vulnerabilidade n&#227;o &#233; fraqueza e pedir colo n&#227;o diminui ningu&#233;m.</p><p>Que admitir medo &#233; um ato de coragem.</p><p>E que as rela&#231;&#245;es mais bonitas n&#227;o s&#227;o aquelas em que duas pessoas parecem perfeitas.</p><p>S&#227;o aquelas em que duas pessoas se permitem ser <strong>humanas</strong>.</p><p>Porque amar n&#227;o &#233; encontrar algu&#233;m que admire a nossa m&#225;scara.</p><p><strong>&#201; encontrar algu&#233;m diante de quem ela j&#225; n&#227;o seja necess&#225;ria.</strong></p><p>E ter coragem suficiente para continuar ali, mesmo depois que ela cai.</p><p>Talvez esse seja o amor mais raro.</p><p>E, justamente por isso, o mais verdadeiro.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Ela sempre foi totalmente discreta em assuntos pessoais e costumava comentar com pouqu&#237;ssimas pessoas para onde iria. </p><p>Nunca, sob hip&#243;tese alguma, contava sobre qualquer viagem antes de retornar. Fosse um fim de semana prolongado, um feriado ou as t&#227;o sonhadas f&#233;rias anuais: o sil&#234;ncio era absoluto. </p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Estava t&#227;o radiante que compartilhou cada detalhe com todo mundo. </p><p>Quando a data chegou, </p><p>u<strong>ma colega j&#225; tinha criticado o hotel,</strong></p><p><strong>um primo j&#225; tinha dito que era dinheiro jogado fora. </strong></p><p><strong>Uma amiga insistia exaustivamente que ela deveria ir para outro lugar. </strong></p><p>E uma tia perguntou tr&#234;s vezes se ela n&#227;o estava gastando demais.</p><p>&#8220;Quando eu finalmente embarquei, <strong>parecia que a viagem j&#225; tinha sido vivida, mastigada e criticada por todo mundo, menos por mim.&#8221;</strong> ela desabafou.</p><p>Depois voltou a comer e o assunto morreu ali.&#8221;</p><p>Mas aquela frase ficou flutuando no ar: a viagem j&#225; tinha sido vivida por todo mundo, menos por mim.</p><p>Essa hist&#243;ria me fez pensar sobre o fen&#244;meno moderno da hiperexposi&#231;&#227;o dos nossos desejos embrion&#225;rios. </p><p>Vivemos em uma era onde validar o planejamento parece t&#227;o vital quanto executar o pr&#243;prio plano. </p><p>Anunciamos a dieta antes de ir &#224; feira; postamos a capa do livro antes de ler a introdu&#231;&#227;o; compartilhamos a ideia do novo projeto antes mesmo de rabiscar o primeiro rascunho.</p><p>O problema &#233; que, ao abrirmos as cortinas dos nossos planos muito cedo, convidamos o mundo inteiro para dar palpites em uma pe&#231;a que sequer estreou. </p><p><strong>E a mente humana &#233; fr&#225;gil &#224; contamina&#231;&#227;o.</strong> <br><br>O entusiasmo &#233; uma energia vol&#225;til; ele precisa de incuba&#231;&#227;o, de calor interno, de sil&#234;ncio para criar ra&#237;zes. </p><p>Quando exposto ao vento frio do ceticismo, da inveja velada ou at&#233; mesmo do &#8220;cuidado excessivo&#8221; de quem nos ama, ele simplesmente murcha.</p><p>Estudos da psicologia social sugerem que quando compartilhamos nossas metas de identidade com outras pessoas, o c&#233;rebro recebe uma dose prematura de dopamina, como se o objetivo j&#225; tivesse sido alcan&#231;ado. </p><p>Isso reduz a energia real necess&#225;ria para a execu&#231;&#227;o. </p><p>Em suma: falar muito gasta o combust&#237;vel que deveria ser usado para agir.</p><p>Proteger nossos planos n&#227;o &#233; uma quest&#227;o de supersti&#231;&#227;o ou medo do &#8220;olho gordo&#8221;, embora o folclore popular seja s&#225;bio ao recomendar discri&#231;&#227;o. </p><p>&#201;, acima de tudo, um ato de preserva&#231;&#227;o psicol&#243;gica. </p><p>&#201; garantir que, quando voc&#234; finalmente sentar na poltrona do avi&#227;o, seja ele real ou metaf&#243;rico, a experi&#234;ncia seja genuinamente sua.</p><p>Embora eu s&#243; tenha essa rede social e um status do whatsapp, no qual eu apago constantemente contatos e n&#227;o compartilho quase nada, eu decidi adotar a ideologia dessa minha conhecida em uma viagem que fiz h&#225; menos de 2 meses.  </p><p>Eu estava prestes a realizar a viagem dos meus sonhos e escolhi mant&#234;-la em absoluto sigilo. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!P9L-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90ed390f-5c2c-48be-b2cc-45dd6f226d12_1280x1094.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!P9L-!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F90ed390f-5c2c-48be-b2cc-45dd6f226d12_1280x1094.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!P9L-!, /__u/brurfran.substack.com/w_848, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, 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que tamb&#233;m foram; Algumas sim, outras n&#227;o. E talvezse eu tivesse compartilhado e escutado previamente as opini&#245;es alheias teriam at&#233; me influenciado sobre alguns passeios que eu fiz ou n&#227;o. </p><p>Experimentar o luxo subestimado de guardar um plano para si traz uma paz indescrit&#237;vel. </p><p>Deixe que descubram quando voc&#234; voltar, pelo seu bronzeado, pelo seu sorriso ou pelo resultado final. </p><p>Afinal, a vida &#233; curta demais para deixar que os outros vivam as nossas viagens antes de n&#243;s.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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milh&#245;es, mas que abandonou a fam&#237;lia, rejeitou um filho ou sustenta posicionamentos incompat&#237;veis com tudo aquilo que canta, escreve ou defende?</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o faltam exemplos.</p><p style="text-align: justify;">A m&#237;dia brasileira, inclusive, nos entrega diariamente personagens que vivem exatamente nessa contradi&#231;&#227;o: discursos sofisticados sustentados por vidas profundamente incoerentes.</p><p style="text-align: justify;">Recentemente, ouvi uma psic&#243;loga contar uma hist&#243;ria que me fez refletr nesse tema.</p><p style="text-align: justify;">Durante a faculdade de Filosofia, um professor exigia o estudo aprofundado das obras de Jean-Jacques Rousseau. <br>Ela seguiu o programa at&#233; o quarto ano, quando decidiu interromper seus trabalhos sobre ele por uma quest&#227;o pessoal de valores.</p><p style="text-align: justify;">Ao descobrir que Rousseau, um dos maiores pensadores sobre educa&#231;&#227;o e inf&#226;ncia, teve filhos e entregou todos para serem criados pelo Estado, ela entrou em conflito com aquilo que lia.<br><br>Como algu&#233;m capaz de construir teorias t&#227;o sofisticadas sobre forma&#231;&#227;o humana n&#227;o conseguiu sustentar minimamente aquilo na pr&#243;pria vida?</p><p style="text-align: justify;">Quando confrontou o professor dizendo que n&#227;o conseguia separar o homem de sua obra, ouviu a cl&#225;ssica resposta acad&#234;mica:</p><p style="text-align: justify;">&#8220;Se voc&#234; n&#227;o souber separar a obra do autor, jamais ter&#225; sucesso profissional.&#8221;</p><p style="text-align: justify;">Ela discordou.</p><p style="text-align: justify;">Disse que, para ela, n&#243;s somos aquilo que fazemos, n&#227;o aquilo que apenas dizemos.</p><p style="text-align: justify;">Anos depois, tornou-se uma das profissionais mais respeitadas da sua &#225;rea.</p><p style="text-align: justify;">E talvez toda essa discuss&#227;o se resuma a uma &#250;nica palavra:<br><strong>coer&#234;ncia.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!L3OW!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F89655d31-4afe-4b48-be91-6c90b79adf60_1408x682.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!L3OW!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F89655d31-4afe-4b48-be91-6c90b79adf60_1408x682.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!L3OW!, /__u/brurfran.substack.com/w_848, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, 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em desacordo entre discurso e pr&#225;tica.</p><p style="text-align: justify;">Porque, no fundo, a pergunta que permanece &#233; simples:<br>de que vale um discurso bonito se a pr&#243;pria vida n&#227;o sustenta aquilo que se defende?</p><p style="text-align: justify;">A for&#231;a de qualquer fala termina exatamente onde come&#231;a a falha da conduta di&#225;ria.</p><p style="text-align: justify;">Quando existe um abismo entre teoria e pr&#225;tica, a credibilidade desmorona. Nenhuma obra brilhante consegue apagar atitudes cru&#233;is, irrespons&#225;veis ou contradit&#243;rias. Nenhum talento extraordin&#225;rio &#233; suficiente para justificar a aus&#234;ncia de integridade.</p><p style="text-align: justify;">Existe algo profundamente perigoso na nossa tend&#234;ncia coletiva de relativizar falhas graves de car&#225;ter em nome de intelig&#234;ncia, sucesso ou genialidade. Como se compet&#234;ncia pudesse absolver incoer&#234;ncia.</p><p style="text-align: justify;">Mas n&#227;o pode.</p><p style="text-align: justify;">Cada vez mais, a vida me mostra que obra e autor n&#227;o s&#227;o entidades separadas. Somos um pacote &#250;nico. E, inevitavelmente, aquilo que fazemos em sil&#234;ncio acaba refletindo naquilo que produzimos em p&#250;blico.</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o adianta dominar a t&#233;cnica sem dominar minimamente a pr&#243;pria vida.</p><p style="text-align: justify;">A verdadeira m&#233;trica da exist&#234;ncia n&#227;o est&#225; na beleza das ideias que proclamamos, mas na firmeza das a&#231;&#245;es que sustentamos diariamente.</p><p style="text-align: justify;">Porque, no fim, somos o rastro que deixamos, n&#227;o as teses que escrevemos.</p><p style="text-align: justify;">Hoje eu j&#225; n&#227;o consigo dissociar vida pessoal e vida profissional. <br>Para mim, car&#225;ter n&#227;o se compartimentaliza. <br>Integridade n&#227;o deveria ser um detalhe perif&#233;rico da personalidade; deveria ser a estrutura que sustenta todo o resto.</p><p style="text-align: justify;">E talvez por isso eu tenha tanto medo da <strong>incoer&#234;ncia alheia,</strong> e um medo ainda maior da minha pr&#243;pria.</p><p style="text-align: justify;">Porque a incoer&#234;ncia corr&#243;i silenciosamente a confian&#231;a, a credibilidade e, aos poucos, at&#233; a identidade.</p><p style="text-align: justify;">Por isso, cada vez mais, busco a <strong>retid&#227;o </strong>como um valor inegoci&#225;vel.</p><p style="text-align: justify;">No fim das contas, o ser humano &#233; apenas o reflexo inevit&#225;vel daquilo que escolhe fazer quando ningu&#233;m est&#225; olhando.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Talvez porque toque em algo inc&#244;modo: a sensa&#231;&#227;o constante de que nunca estamos completamente satisfeitos.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Reclamar parece quase autom&#225;tico. E enxergar o copo meio cheio, ou melhor, mais cheio do que vazio, ainda &#233; um exerc&#237;cio raro.</p><p>Tenho pensado em como, muitas vezes, a gente empurra a felicidade para depois. Como se ela fosse um destino e n&#227;o um percurso.<br>Ela fica sempre condicionada a alguma conquista: passar no concurso, tomar posse, casar, viajar, alcan&#231;ar.</p><p>E assim seguimos vivendo como se a felicidade estivesse sempre um passo &#224; frente de n&#243;s.</p><p>Lembro de um estudo que li na &#233;poca da faculdade, na &#225;rea da psicologia, que sugeria que, em alguns contextos, poderia ser mais f&#225;cil encontrar felicidade em realidades mais simples do que em cen&#225;rios de maior conforto material.<br>Isso n&#227;o romantiza a falta de recursos e nem deveria. Existe um limite muito claro: sem o b&#225;sico, n&#227;o h&#225; espa&#231;o para refletir sobre felicidade, apenas para sobreviver.</p><p>O que o estudo apontava era outra nuance: pessoas em contextos mais simples tendem a manter objetivos muito concretos ao longo da vida: conquistar a casa pr&#243;pria, adquirir um carro, estruturar a fam&#237;lia. <br>Existe um caminho a ser percorrido, um desejo que se sustenta no tempo.</p><p>J&#225; em realidades onde o acesso &#233; mais imediato, muitos desses desejos se tornam rapidamente alcan&#231;&#225;veis. <br>E, quando tudo parece poss&#237;vel com mais facilidade, a busca pode perder um pouco do seu sentido. <br>N&#227;o pela conquista em si, mas pela aus&#234;ncia de um percurso que sustente o prop&#243;sito.</p><p>Mas o ponto aqui n&#227;o &#233; esse.</p><p><strong>&#201; sobre o quanto idealizamos a felicidade e a projetamos sempre no futuro. </strong><br>Como se ela fosse plena apenas quando alcan&#231;armos determinados marcos: o emprego dos sonhos, a viagem perfeita, o relacionamento ideal.</p><p><strong>Enquanto isso, a vida acontece no meio.</strong></p><p>E os pequenos momentos de felicidade, aqueles que existem no intervalo entre um objetivo e outro, v&#227;o sendo vividos quase como &#8220;ensaios&#8221;, nunca como o espet&#225;culo principal.</p><p>O que ningu&#233;m nos conta &#233; que n&#227;o existe uma felicidade plena e permanente quando chegamos l&#225;.<br><br>Existe, sim, uma satisfa&#231;&#227;o moment&#226;nea. <br>E logo depois, <br>um novo desejo,<br>um novo objetivo,<br>uma nova falta.</p><p>E a vida continua.</p><p>&#192;s vezes, inclusive, as maiores conquistas chegam em meio ao caos.<br>A viagem dos sonhos pode acontecer durante um per&#237;odo de luto.<br>O emprego t&#227;o idealizado pode revelar, na pr&#225;tica, que n&#227;o era tudo aquilo.</p><p>E isso n&#227;o &#233; frustra&#231;&#227;o: <strong>&#233; realidade.</strong></p><p>Talvez a gente precise conquistar certas coisas apenas para entender o quanto as idealizamos.</p><p>Tamb&#233;m &#233; comum olhar para o lado e enxergar a grama do vizinho mais verde.<br>Mas, muitas vezes, esquecemos que a nossa tamb&#233;m cresce:  no seu tempo, do seu jeito, com os cuidados que s&#243; n&#243;s sabemos dar.</p><p><strong>Regar o pr&#243;prio jardim exige presen&#231;a.</strong><br>E talvez seja a&#237; que mora algo mais verdadeiro do que qualquer ideal distante.</p><p>A vida n&#227;o acontece em fases organizadas, como gostar&#237;amos.<br>Ela n&#227;o espera tudo ficar certo para ent&#227;o come&#231;ar.</p><p>Ela acontece assim: tudo ao mesmo tempo, misturado, simult&#226;neo.</p><p>Enquanto algu&#233;m vive o melhor dia da vida, outro est&#225; apenas tentando atravessar o seu.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Iy5q!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcda63f9-8b85-476d-ac1c-0835089979a8_743x1280.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Iy5q!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffcda63f9-8b85-476d-ac1c-0835089979a8_743x1280.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Iy5q!, /__u/brurfran.substack.com/w_848, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, 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completamente.</strong></p><p>O presente, por mais imperfeito que seja,  ainda &#233; um presente.</p><p>E a felicidade, quando aparece, quase sempre est&#225; nas pequenas coisas.<br>Discreta. <br>Breve. <br>Mas real.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Que n&#227;o posso comer besteiras, porque faz mal. Que n&#227;o posso beber deliberadamente, porque al&#233;m da ressaca no dia seguinte, isso tamb&#233;m cobra seu pre&#231;o.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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E, de fato, disposi&#231;&#227;o nunca me faltou.</p><p>O problema est&#225; na impulsividade mal direcionada. Aquela que reage em vez de escutar, que responde sem pensar, que transforma pequenas situa&#231;&#245;es em problemas maiores. Quando esse lado meu era mais aflorado, eu criava conflitos desnecess&#225;rios. Falava e fazia coisas no impulso e depois vinham dois problemas: consertar o que fiz e lidar com o arrependimento de ter dito o que nem queria.</p><p>Ao longo do tempo, venho domando esse lado. Ainda &#233; um processo, mas j&#225; me sinto mais orgulhosa de mim. <br><br>Ter calma e paci&#234;ncia nunca me trouxe preju&#237;zo. <br>Pelo contr&#225;rio, s&#227;o nessas pequenas situa&#231;&#245;es, muitas delas no trabalho, que eu penso: ainda bem que fui eu quem conduziu isso.</p><p>Meu autocontrole vem do autoconhecimento. <br><br>Eu evito conversar com pessoas que amo quando estou com raiva, porque sei que posso machuc&#225;-las. <br>N&#227;o sei por que, mas &#224;s vezes parece que existe uma esp&#233;cie de licen&#231;a po&#233;tica para ferir justamente quem mais importa. Sabendo disso, prefiro o sil&#234;ncio nesses momentos. <br>J&#225; na alegria, sou do tipo que marca viagens, troca contatos e faz mil planos que, passada a euforia, sei que provavelmente n&#227;o vou cumprir. <br><br>Tamb&#233;m estou aprendendo a dosar esse lado.</p><p>No fim, o livre-arb&#237;trio &#233; meu. As escolhas s&#227;o minhas. E, sempre que penso em reclamar, escuto aquela a voz de Freud na minha cabe&#231;a perguntando: <br><strong><br>&#8221;Qual &#233; a minha responsabilidade na desordem da qual eu me queixo?&#8221;</strong></p><p>a maioria das vezes, a resposta a<strong>ponta para mim</strong>. <br><br>Seria mais f&#225;cil culpar os outros, mas isso me parece pouco digno. <br>Se temos coragem para fazer, dever&#237;amos ter tamb&#233;m para assumir. <br>Para mim, isso &#233; o m&#237;nimo, embora eu ainda veja muita gente tentando se eximir de qualquer responsabilidade. <br>Enquanto muitos amam a liberdade que vem com o livre arb&#237;trio e o poder de escolha, &#224;s vezes as pessoas nem sempre querem aceitar as ramifica&#231;&#245;es que v&#234;m com isso.</p><p>O meu trabalho, inclusive, tem sido um grande exerc&#237;cio de intelig&#234;ncia emocional. &#192;s vezes d&#225; vontade de perder a paci&#234;ncia, mas eu respiro fundo e tento conduzir tudo da forma mais racional poss&#237;vel. Muitas vezes estou cansada, mas algu&#233;m precisa apenas ser ouvido. E, em v&#225;rios casos, percebo que isso j&#225; faz toda a diferen&#231;a. A satisfa&#231;&#227;o de quem se sente escutado chega a me comover.</p><p><strong>O livre-arb&#237;trio me lembra o tempo todo que as escolhas s&#227;o minhas. <br><br>E as consequ&#234;ncias tamb&#233;m.</strong></p><p>E, por mais que &#224;s vezes eu quisesse que algu&#233;m me impedisse de comer miojo, que eu amo, eu gosto de ter o poder de decidir e conduzir a minha pr&#243;pria vida. &#201; essa liberdade que me permite estar onde quero e sair de onde n&#227;o me cabe. &#201; tamb&#233;m atrav&#233;s dos meus erros que eu cres&#231;o.<br><br>Hoje, me sinto bem com as escolhas que fa&#231;o. <br>Nem todas s&#227;o certas, mas s&#227;o minhas e s&#227;o conscientes. <br>N&#227;o me deslumbro f&#225;cil e fa&#231;o quest&#227;o de me manter &#237;ntegra, especialmente quando percebo que certas situa&#231;&#245;es dizem mais sobre o outro do que sobre mim.</p><p>E voc&#234;, gosta do seu livre-arb&#237;trio?<br></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!7ux7!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7de8650d-4fb5-4c51-8ab5-ac4114662a3a_1024x1536.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!7ux7!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7de8650d-4fb5-4c51-8ab5-ac4114662a3a_1024x1536.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!7ux7!, /__u/brurfran.substack.com/w_848, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, 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class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Longe de mim querer ser a r&#233;gua para a vida alheia. <br>Acredito que a pergunta fundamental deve ser apenas uma: <strong>eu estou feliz assim?</strong> <br>E ponto.</p><p>Tenho um relacionamento h&#225; 17 anos; estamos casados e dividindo o mesmo teto h&#225; quase sete. Com o anivers&#225;rio de casamento se aproximando, percebo como ainda sou constantemente questionada sobre a aus&#234;ncia do meu marido em situa&#231;&#245;es corriqueiras, sempre que me encontram sozinha.</p><p>Constru&#237;mos nossa rela&#231;&#227;o com base na confian&#231;a e no respeito. <br>N&#227;o vivemos monitorando os passos um do outro, nem dependemos da aprova&#231;&#227;o constante do parceiro para cada pequena decis&#227;o. <br>Costumo dizer que, no meu casamento, existem tr&#234;s vidas: <strong>a minha, a dele e a nossa.</strong></p><p>Obviamente, quest&#245;es conjuntas s&#227;o decididas em conjunto. </p><p>Mas o que me espanta &#233; o estranhamento alheio. <br>Muitas pessoas se chocam com o fato de eu sair com amigas para tomar um ou dois vinhos sem ficar &#8220;pendurada&#8221; no celular, seja para postar fotos ou para dar satisfa&#231;&#245;es. <br>Acham curioso ele &#8220;permitir&#8221; que eu viaje ou tenha uma vida normal longe dele, e me perguntam o que fa&#231;o para que ele n&#227;o me controle.</p><p>Minha resposta &#233; sempre a mesma: <strong>&#8220;Voc&#234; tamb&#233;m &#233; assim com ele?&#8221;</strong></p><p>N&#243;s somos assim porque h&#225; reciprocidade. <br>Ele n&#227;o vigia meus passos porque eu n&#227;o vigio os dele. <br>Estamos juntos por escolha, n&#227;o por cerceamento. </p><p><br><br>Somos essencialmente diferentes: ele &#233; do rock, eu sou do samba; eu amo o sol, ele prefere o frio; eu sou do vinho, ele do whisky. Temos nossos programas como casal, em que muitas vezes um vai apenas pela companhia, mas preservamos nossas individualidades.</p><p>Qual o sentido de levar meu marido para uma roda de samba se ele n&#227;o gosta do ambiente? <br>Ele iria? Sim, iria. <br>Mas por que for&#231;&#225;-lo a ouvir uma conversa que n&#227;o lhe interessa apenas para me &#8220;escoltar&#8221;?</p><p>Alguns questionam: <em>&#8220;Mas em um bar as pessoas n&#227;o podem dar em cima de voc&#234;?&#8221;</em>. <br>Podem. <br>Assim como podem dar em cima dele, visto que &#233; um homem muito atraente e interessante. <br>No entanto, a fidelidade n&#227;o depende do lugar, mas da <strong>postura</strong> que decidimos adotar.</p><p>&#201; dif&#237;cil, especialmente para as mulheres, descentralizar a vida do amor rom&#226;ntico e entender que a nossa exist&#234;ncia n&#227;o deve orbitar exclusivamente em torno do parceiro. Recentemente, ouvi de um escritor o termo <strong>&#8220;confian&#231;a inteligente&#8221;</strong>. <br>Ela n&#227;o &#233; a cren&#231;a ing&#234;nua de que voc&#234; jamais ser&#225; tra&#237;do; &#233; a certeza de que sua dignidade n&#227;o est&#225; atrelada &#224; lealdade do outro.</p><p>A verdadeira paz surge quando trocamos a vigil&#226;ncia pela maturidade. <br>Eu confio hoje n&#227;o porque o outro seja infal&#237;vel, mas porque confio na minha habilidade de me afastar caso o acordo seja desrespeitado. <br>A confian&#231;a absoluta diz menos sobre o car&#225;ter do parceiro e mais sobre a autoestima de quem sabe que &#233; capaz de sobreviver ao t&#233;rmino de qualquer amor.</p><p>J&#225; estive em rela&#231;&#245;es onde tentei controlar o incontrol&#225;vel. <br>Eu vivia sob a imin&#234;ncia da trai&#231;&#227;o porque o perfil dele e a din&#226;mica doentia me tornavam uma pessoa quase paranoica. <br>Eu ligava, cobrava e, no fim, fui tra&#237;da com uma das minhas melhores amigas. <br>Ali entendi que eu n&#227;o era &#8220;louca&#8221;; o relacionamento &#233; que extra&#237;a o meu pior.</p><p>Existem pessoas com o dom de despertar nossos monstros, e outras com o dom de despertar nossa melhor vers&#227;o. <br>Tempo depois, encontrei meu marido: a pessoa mais sensacional que conheci. <br>E, com ele, me encontrei na minha melhor vers&#227;o.</p><p>Entendi que n&#227;o se controla o que n&#227;o tem controle. <br>N&#227;o se muda o outro. <br>O que funciona &#233; conhecer os pr&#243;prios limites e sustentar as pr&#243;prias escolhas. <br><br>Quanto aos julgamentos alheios? <br>A maioria das pessoas sente um inc&#244;modo profundo diante da liberdade do outro.<br></p><p><strong>Siga se escolhendo.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" 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compet&#234;ncia.]]></description><link>https://brurfran.substack.com/p/burnout-um-privilegiado-custo-da</link><guid isPermaLink="false">https://brurfran.substack.com/p/burnout-um-privilegiado-custo-da</guid><dc:creator><![CDATA[Bruna]]></dc:creator><pubDate>Thu, 26 Mar 2026 18:44:55 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!X4_i!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fae4ffa13-73c1-4716-bafd-d6243c7a3fb1_731x492.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Eu poderia convid&#225;-lo a puxar uma cadeira para conversarmos sobre um dos temas mais falados e menos compreendidos da atualidade: <strong>o burnout.</strong></p><p>Recentemente, mergulhada em uma an&#225;lise sobre o que eu mesma estava vivendo, anotei em um bloco de notas uma frase que pode soar ir&#244;nica, mas que carrega uma verdade cruel: <strong>o burnout &#233; um &#8220;privil&#233;gio&#8221; dos competentes.</strong> <br>N&#227;o me refiro ao privil&#233;gio como algo bom, mas como um fardo que s&#243; &#233; entregue a quem entrega resultados. A quem resolve. A quem n&#227;o sabe dizer &#8220;n&#227;o consigo&#8221;.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><h3>O peso da compet&#234;ncia</h3><p>H&#225; tr&#234;s anos, assumi um cargo de gest&#227;o que nunca planejei. Era algo tempor&#225;rio, com prazo de validade de quatro anos devido a mudan&#231;as pol&#237;ticas. Mas eu n&#227;o apenas aceitei; eu o abracei com corpo e alma.</p><p>Nesse meio tempo, tentei equilibrar pratos imposs&#237;veis: a gest&#227;o p&#250;blica e uma pequena empresa de alimenta&#231;&#227;o infantil. O resultado? A empresa fechou. Minha s&#243;cia priorizou outros caminhos e eu, exausta, n&#227;o tive for&#231;as para carregar o piano sozinha. Naquele momento, achei que era apenas uma quest&#227;o de prioridades. Eu estava errada. </p><p>Era o come&#231;o da eros&#227;o.</p><h3>O mito do surto</h3><p>O burnout tem uma fama injusta de ser um &#8220;estalo&#8221;, um surto repentino. Na minha experi&#234;ncia, ele &#233; silencioso. Ele n&#227;o grita; ele sussurra sinais que escolhemos ignorar em nome da &#8220;correria do dia a dia&#8221;.</p><p>Para mim, o primeiro sinal foi o <strong>isolamento</strong>. Eu, que sempre fui uma pessoa solar e comunicativa, que me recarregava no contato com os outros, comecei a murchar. Primeiro, cortei os programas noturnos; meu corpo j&#225; n&#227;o processava bem o sono perdido ou a ta&#231;a de vinho. Depois, os almo&#231;os e caf&#233;s foram cancelados. A justificativa era sempre a mesma: &#8220;estou sem bateria social&#8221;. </p><p>Eu estava, na verdade, ficando sem mim mesma.</p><h3>A armadilha da efici&#234;ncia e o recorte de g&#234;nero</h3><p>Sempre vivi na dualidade de ser calma e, ao mesmo tempo, acelerada. No trabalho, ser resolutiva se tornou minha maior armadilha. Quanto mais r&#225;pido eu resolvia um problema, mais demandas recebia. Na ilus&#227;o de que &#8220;se eu terminar isso logo, estarei livre para cuidar da minha casa, do meu marido e dos meus hobbys&#8221;, eu apenas cavava um buraco mais fundo.</p><p>E aqui entra um fator inevit&#225;vel: <strong>ser mulher em cargos de decis&#227;o.</strong> Existe uma press&#227;o invis&#237;vel, e &#224;s vezes bem expl&#237;cita, de provar que n&#227;o estamos ali por um &#8220;rostinho bonito&#8221; ou por conex&#245;es pessoais. Essa necessidade de validar a pr&#243;pria compet&#234;ncia o tempo todo formou o combo perfeito para o meu adoecimento.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!X4_i!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fae4ffa13-73c1-4716-bafd-d6243c7a3fb1_731x492.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!X4_i!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fae4ffa13-73c1-4716-bafd-d6243c7a3fb1_731x492.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!X4_i!, /__u/brurfran.substack.com/w_848, 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Encontrei em um est&#250;dio de spinning, com uma mistura de esfor&#231;o f&#237;sico e m&#250;sica, meu ref&#250;gio mental. </p><p>&#8220;Estou salva&#8221;, eu pensava. Afinal, eu tinha um bom emprego e uma v&#225;lvula de escape.</p><p>Mas o organismo tem sua pr&#243;pria contabilidade. O estresse se manifestou de formas bizarras: uma cirurgia na mand&#237;bula porque eu descarregava a ansiedade mascando chiclete compulsivamente. Depois, uma sucess&#227;o de viroses, gripes e enxaquecas que eu creditava a uma &#8220;imunidade baixa&#8221;.</p><p>Em 2024, a conta chegou. </p><p>Parei na emerg&#234;ncia tr&#234;s vezes. Na &#250;ltima delas, enquanto eu tomava soro e  pasmem: respondia mensagens de trabalho no celular, o m&#233;dico foi categ&#243;rico:</p><blockquote><p>&#8220;Seu problema n&#227;o &#233; virose. &#201; a sua rotina.&#8221;</p></blockquote><h3>Conclus&#227;o: O caminho sem volta</h3><p>&#192;s vezes, precisamos adoecer para conseguir enxergar o &#243;bvio. <br><em><br><strong>A lucidez &#233; um caminho sem volta. <br><br>Uma vez que voc&#234; entende que a sua compet&#234;ncia foi usada como combust&#237;vel para o seu pr&#243;prio esgotamento, &#233; imposs&#237;vel &#8220;des-ver&#8221;.</strong></em><br><br>N&#227;o escrevo isso apenas para contar minha hist&#243;ria, mas para alertar quem, como eu, ainda acredita que a pr&#243;xima semana ser&#225; mais calma. </p><p>N&#227;o ser&#225;. </p><p>O burnout n&#227;o espera a gente ter tempo; ele nos para quando decidimos n&#227;o parar.</p><p></p><p></p><p></p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O que só entendemos quando envelhecemos]]></title><description><![CDATA[A juventude quer abra&#231;ar o mundo, a maturidade aprende, com calma, a escolher onde ficar.]]></description><link>https://brurfran.substack.com/p/o-que-so-entendemos-quando-envelhecemos</link><guid isPermaLink="false">https://brurfran.substack.com/p/o-que-so-entendemos-quando-envelhecemos</guid><dc:creator><![CDATA[Bruna]]></dc:creator><pubDate>Sun, 08 Mar 2026 14:13:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!fPHo!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd6f279f8-3ff8-4734-8342-d5eaa1eccbc2_1200x630.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;A ironia dos 40: a vista piora para ler, mas melhora muito para enxergar pessoas e situa&#231;&#245;es.&#8221;</p><p>Essa foi, de longe, a frase que mais gerou identifica&#231;&#227;o por aqui.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Talvez porque exista uma ironia silenciosa no envelhecer: enquanto algumas partes do corpo come&#231;am a falhar, outras dimens&#245;es da vida finalmente come&#231;am a funcionar.</p><p>E h&#225; um encanto em envelhecer que considero imensur&#225;vel.</p><p>Pode at&#233; parecer &#243;bvio dizer que, se estamos envelhecendo, &#233; porque estamos vivos e isso, por si s&#243;, j&#225; carrega uma beleza imensa. Sim, sou daquelas pessoas otimistas incur&#225;veis.</p><p>Envelhecer tem sido um dos processos mais bonitos que tenho vivido.</p><p>Claro, v&#234;m as dores que antes n&#227;o existiam. As ressacas que agora parecem pequenas doen&#231;as. O corpo come&#231;a a dar avisos, &#224;s vezes discretos, &#224;s vezes bem claros.</p><p>Mas junto com isso chegam outras coisas.<br><br>Chega a calma. <br>Chega a paci&#234;ncia. <br>Chega a t&#227;o falada maturidade: aquela que a gente achava que j&#225; tinha aos 25, mas que s&#243; agora come&#231;a a entender de verdade.<br><br>A juventude me parece viver de urg&#234;ncias.<br><br>Queremos dominar o mundo, viver tudo ao mesmo tempo, entender tudo imediatamente. Somos intensos, apaixonados e carregados de certezas; embora muitas delas sejam, na verdade, certezas de absolutamente nada.<br><br>A juventude &#233; ansiosa, mas tamb&#233;m vibrante.<br><br>Talvez a maturidade nos fa&#231;a perceber algo simples e um pouco desconcertante: n&#227;o teremos tempo para tudo.<br><br>N&#227;o vamos ler todos os livros que gostar&#237;amos. <br>N&#227;o vamos viver todas as vidas que imaginamos. <br>N&#227;o vamos experimentar todas as possibilidades que existem.<br><br>E &#233; justamente por isso que precisamos escolher.<br>Envelhecer nos traz essa calma.<br>Aos poucos, a gente vai se despindo da arrog&#226;ncia de querer saber de tudo. O olhar fica mais seletivo, mais silencioso, mais atento.<br>J&#225; vivemos algumas hist&#243;rias. J&#225; atravessamos algumas dores. J&#225; nos reconstru&#237;mos algumas vezes.<br><br>E, no meio disso tudo, vamos nos conhecendo melhor.<br><br>Passamos a ignorar regras que antes pareciam obrigat&#243;rias. <br>Paramos de tentar caber em lugares que claramente n&#227;o s&#227;o nossos. <br>E, curiosamente, quanto mais o tempo passa, mais humildes ficamos diante da vida.<br><br>Acho que aos 40 temos mais maturidade e menos euforia.<br><br>Hoje eu entendo perfeitamente quem diz que n&#227;o trocaria sua vers&#227;o de 40 anos pela de 20.<br><br>Aos 20, corremos para caber no mundo. <br>Aos 40, come&#231;amos a escolher onde queremos permanecer.<br><br>A pressa vai dando lugar ao discernimento. <br>A necessidade de aprova&#231;&#227;o vai se dissolvendo em autonomia.<br><br>Talvez a juventude tenha brilho.<br>Mas a maturidade tem raiz.<br><br>A juventude &#233; cheia de descobertas, novidades e primeiras vezes.</p><p>Mas tamb&#233;m carrega a ansiedade do que ainda n&#227;o sabemos.<br><br>A maturidade, por outro lado, traz um tipo diferente de certeza. N&#227;o porque finalmente encontramos todas as respostas, mas porque aprendemos a confiar no que sabemos e a conviver com o que n&#227;o sabemos com muito mais serenidade.<br><br>Amadurecer n&#227;o significa perder a intensidade da vida.<br><br>Significa viv&#234;-la com mais presen&#231;a. <br>Com mais autenticidade. <br>Com mais profundidade.<br><br>No fim, n&#227;o se trata de ter menos perguntas.<br>Trata-se de finalmente entender quais delas realmente importam.&#10024;<br></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!fPHo!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd6f279f8-3ff8-4734-8342-d5eaa1eccbc2_1200x630.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!fPHo!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, 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class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Parece dif&#237;cil, quase um palavr&#227;o. Mas, no fundo, trata de algo profundamente humano: reconhecer algu&#233;m como quem ele &#233;.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>O papiloscopista &#233; o profissional respons&#225;vel pela identifica&#231;&#227;o humana. E identificar n&#227;o &#233; apenas conferir um dado. &#201; afirmar exist&#234;ncia.</p><p>As impress&#245;es digitais se formam ainda no &#250;tero materno. Antes mesmo de termos nome, voz ou hist&#243;ria, j&#225; carregamos nas m&#227;os um desenho &#250;nico, imposs&#237;vel de ser replicado, nem mesmo por um irm&#227;o g&#234;meo id&#234;ntico. &#201; como se a vida deixasse em n&#243;s uma assinatura silenciosa.</p><p>Em Goi&#225;s, a identifica&#231;&#227;o pode come&#231;ar ainda na sala de parto. E, simbolicamente, atravessa toda a trajet&#243;ria de uma pessoa, podendo chegar at&#233; o &#250;ltimo ato no Instituto M&#233;dico Legal, quando algu&#233;m precisa confirmar, com responsabilidade t&#233;cnica e sensibilidade, quem aquela pessoa foi em vida. Do primeiro registro ao &#250;ltimo reconhecimento, existe um compromisso: ningu&#233;m &#233; apenas um corpo, ningu&#233;m &#233; apenas um n&#250;mero.</p><p>A identifica&#231;&#227;o pelas impress&#245;es digitais &#233; r&#225;pida, segura e eficaz. &#201; ci&#234;ncia aplicada com precis&#227;o. Quando detectamos no m&#237;nimo 12 pontos iguais entre as impress&#245;es, podemos constatar que s&#227;o da mesma pessoa.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!2gqO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e1ba521-6717-409e-bb69-617375f09991_612x451.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!2gqO!, /__u/brurfran.substack.com/w_424, /__u/brurfran.substack.com/c_limit, /__u/brurfran.substack.com/f_webp, /__u/brurfran.substack.com/q_auto:good, /__u/brurfran.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6e1ba521-6717-409e-bb69-617375f09991_612x451.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!2gqO!, /__u/brurfran.substack.com/w_848, 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somos detentores desse banco de dados. &#201; a tecnologia a servi&#231;o da dignidade.</p><p>Mas o trabalho vai al&#233;m das digitais.</p><p>O profissional atua na emiss&#227;o do documento de identidade, realiza exames de compara&#231;&#227;o facial, retratos falados, an&#225;lises prosopogr&#225;ficas, coleta vest&#237;gios papilares em locais de crime, confronta dados biom&#233;tricos, examina poss&#237;veis fraudes documentais. Ele est&#225; presente tanto no atendimento cotidiano do cidad&#227;o quanto em investiga&#231;&#245;es complexas.</p><p>Existe algo de muito silencioso e, ao mesmo tempo, muito grandioso nisso. Identificar algu&#233;m &#233; garantir direitos. &#201; evitar que inocentes sejam responsabilizados por erros. &#201; permitir que uma fam&#237;lia tenha respostas. &#201; devolver nome a quem perdeu a mem&#243;ria. &#201; assegurar que cada pessoa seja tratada como indiv&#237;duo &#250;nico e irrepet&#237;vel.</p><p>Vivemos tempos em que tudo parece nos transformar em n&#250;meros, protocolos, estat&#237;sticas. E, paradoxalmente, o trabalho da identifica&#231;&#227;o humana &#233; justamente reafirmar a individualidade. No fim das contas, a papiloscopia n&#227;o trata apenas de digitais. Trata de dignidade.</p><p>Acredito que a nomenclatura mais adequada seria: perito em identifica&#231;&#227;o humana. <br>Mas se algu&#233;m te perguntar o que faz um <strong>papiloscopista</strong>, voc&#234; j&#225; sabe:</p><p><strong>Ele trabalha para que nenhuma hist&#243;ria seja apagada.<br>Para que ningu&#233;m seja confundido.<br>Para que cada exist&#234;ncia seja reconhecida como &#250;nica<br>Exatamente como as linhas que carrega nas pr&#243;prias m&#227;os.</strong></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://brurfran.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Existe espaço para todas nós, sim.]]></title><description><![CDATA[Este &#233; o meu primeiro artigo.]]></description><link>https://brurfran.substack.com/p/existe-espaco-para-todas-nos-sim</link><guid isPermaLink="false">https://brurfran.substack.com/p/existe-espaco-para-todas-nos-sim</guid><dc:creator><![CDATA[Bruna]]></dc:creator><pubDate>Wed, 25 Feb 2026 23:14:26 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!mQjp!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1d53739a-d724-4124-99cd-aeb41c6ddef9_1282x1284.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Este &#233; o meu primeiro artigo. J&#225; fui metida &#224; escritora de di&#225;rios e, em seguida, estudei jornalismo. No entanto, a vida me levou por um caminho um pouco diferente daquele que eu imaginava nas reda&#231;&#245;es dos jornais dos quais sonhei ao entrar no curso. Ap&#243;s anos sem escrever textos longos e de ter encontrado esta rede social, decidi me permitir abordar um tema que me incomoda profundamente: a rivalidade feminina que nos impuseram e que continuamos a alimentar por diversos motivos.</p><p>&#192;s vezes, eu me pergunto como teria sido crescer em um mundo onde as mulheres n&#227;o fossem ensinadas a se comparar.</p><p>Um lugar onde n&#227;o aprend&#234;ssemos t&#227;o cedo a avaliar nosso valor com base no corpo das outras, na aten&#231;&#227;o que recebem, no espa&#231;o que ocupam.</p><p>O fato &#233; que muitas de n&#243;s foram instru&#237;das a competir antes mesmo de entender o que est&#225; em jogo.</p><p>Competir para ver quem &#233; mais bonita. Quem &#233; mais desejada. Quem &#233; mais competente. Quem &#233; &#8220;menos problem&#225;tica&#8221;.</p><p>E, no meio disso tudo, nos afastamos. Mas raramente isso tem a ver com maldade.</p><p>&#201; sobre medo.</p><p>Medo de n&#227;o sermos suficientes. Medo de n&#227;o pertencermos. Medo de que s&#243; haja espa&#231;o para uma.</p><p>Quantas vezes voc&#234; j&#225; se pegou se comparando e depois se sentiu menor por isso?</p><p>&#201; triste perceber que fomos ensinadas a enxergar umas &#224;s outras como amea&#231;as, quando poder&#237;amos ser um ref&#250;gio.</p><p>Porque quando uma mulher apoia a outra, algo no ambiente muda. Quando uma indica, defende, protege, celebra ela quebra um ciclo antigo.</p><p>Ela cria um espa&#231;o onde antes havia rivalidade.</p><p>E talvez n&#227;o possamos mudar tudo de uma vez. Mas podemos transformar a maneira como olhamos.</p><p>Podemos escolher elogiar. Escolher n&#227;o alimentar fofocas.Escolher estender a m&#227;o em vez de cruzar os bra&#231;os.</p><p>E se as mulheres come&#231;arem a se unir de verdade, n&#227;o apenas em palavras, mas em a&#231;&#245;es, o impacto ser&#225; inevit&#225;vel.</p><p>Porque mulheres unidas educam filhos diferentes. Criam ambientes de trabalho diferentes. Constroem rela&#231;&#245;es diferentes. Votam de maneira diferente. Empreendem de forma diferente. Se posicionam de maneira diferente.</p><p>Elas deixam de apenas sobreviver&#8230; e come&#231;am a transformar. Talvez o mundo n&#227;o mude da noite para o dia. Mas muda quando n&#243;s mudamos umas para as outras.</p><p>E eu ainda acredito que, se escolhermos umas &#224;s outras, se protegermos umas &#224;s outras, se apoiarmos umas &#224;s outras sem medo&#8230;</p><p>n&#243;s n&#227;o apenas curamos muitas feridas antigas, n&#243;s mudamos o mundo. </p>]]></content:encoded></item></channel></rss>