<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[LARROQUE ESCREVE]]></title><description><![CDATA[por Caroline Larroque]]></description><link>https://carolinelarroque.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!J0s2!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff8b9a79c-3139-4d5e-9413-666edca0f625_608x608.png</url><title>LARROQUE ESCREVE</title><link>https://carolinelarroque.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Wed, 02 Sep 2026 06:24:26 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/carolinelarroque.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Caroline Larroque]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[carolinelarroque@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[carolinelarroque@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Caroline Larroque]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Caroline Larroque]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[carolinelarroque@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[carolinelarroque@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Caroline Larroque]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Não sei amar pouco]]></title><description><![CDATA[Eu tenho um texto do meu livro onde digo que me tornei boa demais em despedidas.]]></description><link>https://carolinelarroque.substack.com/p/nao-sei-amar-pouco</link><guid isPermaLink="false">https://carolinelarroque.substack.com/p/nao-sei-amar-pouco</guid><dc:creator><![CDATA[Caroline Larroque]]></dc:creator><pubDate>Sat, 22 Aug 2026 14:36:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/04d5c247-bb07-4b83-ab26-1848a4ccc86e_1573x1000.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Eu tenho um texto do meu livro onde digo que me tornei boa demais em despedidas. Porque, de fato, eu sou muito boa em ir embora, seja de pessoas, lugares ou sentimentos. Ruim mesmo eu sou de gostar. Eu sou p&#233;ssima em ficar. Meu afeto &#233; como um mar revolto, batendo ondas fortemente contra a costa para que ningu&#233;m ouse entrar, e o corajoso que ignorar o aviso sabe muito bem que pode afogar-se ou, em agonia, ficar em estado de submers&#227;o. Queria gostar calmo. De forma que o ameno suplicasse para que eu fosse menos entediante. Mas, se assim o fizesse, n&#227;o seria de todo eu. Seria metade eu. E eu n&#227;o seria feita de t&#227;o pouco. A <em>muiteza</em> me grita para que eu mais alto grite por ela, como protesto, reivindicando meu direito de ser demais. N&#227;o sei amar pouco. Amo em demasia. Sentimento que quase nunca me encontra, mais espa&#231;ado que ano bissexto. Quem dera houvesse, no calend&#225;rio, de quatro em quatro anos, o dia de me apaixonar. Esperaria impacientemente, porque n&#227;o sou boa em esperar. Que utopia. Acho que me pertence a falta da paix&#227;o, porque, se amasse com frequ&#234;ncia, nada de mim sobreviveria. Ent&#227;o, depois de j&#225; ter ido embora de tantos quases que n&#227;o tiveram for&#231;a para me fazer ficar, em uma esquina, algu&#233;m me para. E eu n&#227;o sei o que fazer. Porque eu gosto mal. Eu sinto mal. Eu quero correr do desconhecido que &#233; a paix&#227;o. De quase em quase, eu j&#225; sou feita. De ficar, que n&#227;o. Todas as vezes que fiquei, reparti-me em peda&#231;os que nunca mais consegui juntar. E, a cada vez, refiz-me. Sou retalhos de tudo o que ficou pelo caminho e de todos os que passaram por aqui. E, na esquina, eu fico por um tempo. O rel&#243;gio anda para tr&#225;s ao lembrar do passado. At&#233; quero. Quero-quero. Dou risada. A tal paix&#227;o n&#227;o apareceu. Duvido ser incapaz de sentir por j&#225; ter sentido tanto. Ent&#227;o, vou embora. E aguardo. Mesmo meu corpo n&#227;o sabendo aguardar, aguardo o dia em que algu&#233;m, de fato, vai conseguir me fazer ficar.</p><p style="text-align: justify;">E, juntos, afogar.</p><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;">Caroline Larroque</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carolinelarroque.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">LARROQUE ESCREVE &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar o meu trabalho, considere tornar-se um subscritor gratuito ou pago.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Não importa o quanto você tente… Você nunca será o Gustavo]]></title><description><![CDATA[O ano era 2003 e eu cursava a terceira s&#233;rie, ali em meados dos meus oito anos, em uma cidade que os argentinos chamam de &#8220;test&#237;culos&#8221;: Pelotas.]]></description><link>https://carolinelarroque.substack.com/p/nao-importa-o-quanto-voce-tente-voce</link><guid isPermaLink="false">https://carolinelarroque.substack.com/p/nao-importa-o-quanto-voce-tente-voce</guid><pubDate>Fri, 21 Aug 2026 01:52:43 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5c80de1e-faee-416f-8566-521cc1961f25_1569x1003.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O ano era 2003 e eu cursava a terceira s&#233;rie, ali em meados dos meus oito anos, em uma cidade que os argentinos chamam de &#8220;test&#237;culos&#8221;: Pelotas. Estudava em um col&#233;gio chamado Santa M&#244;nica, que se fo&#8230;</p>
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Ela é tua]]></title><description><![CDATA[Eu sei que prometi jamais escrever uma linha sequer sobre ti.]]></description><link>https://carolinelarroque.substack.com/p/ela-e-tua</link><guid isPermaLink="false">https://carolinelarroque.substack.com/p/ela-e-tua</guid><dc:creator><![CDATA[Caroline Larroque]]></dc:creator><pubDate>Sun, 16 Aug 2026 21:03:56 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d533c6cd-c040-4556-b482-d4db5b139218_1728x910.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Eu sei que prometi jamais escrever uma linha sequer sobre ti. Mas tu invades minha mente, at&#233; mesmo nos momentos em que estou perdida no nada. Tens ocupado tanto meus pensamentos que, se isso viesse a p&#250;blico, seria vergonhoso demais para mim.</p><p style="text-align: justify;">Queria esquecer. Mas arde. Queima. E, apesar de o teu toque n&#227;o estar mais aqui, eu ainda te sinto. E chego a tremer. Porque tu est&#225;s inteiro em mim. E o teu gosto, como uma mem&#243;ria indecente, impregnada no c&#233;u da minha boca.</p><p style="text-align: justify;">&#201; covardia sentir tudo isso sozinha. Abandonada. Imersa no que tu me fizestes sentir, atravessada pelo choque toda vez que as mem&#243;rias voltam, carregando o teu suspiro grave ao p&#233; do meu ouvido. Uma brisa que arrepia. Um vento gelado que me faz querer despir essa pele apenas para voc&#234; tocar ainda mais fundo.</p><p style="text-align: justify;">Teu n&#250;mero est&#225; aqui. Seria t&#227;o simples e f&#225;cil poder s&#243; ligar pra dizer: eu deixo. Mata. Mata o meu desejo com a mesma for&#231;a da vontade que est&#225; me matando. Na minha casa. Na tua cidade. Em um quarto de hotel. No meio da noite. Tanto faz. Desde que seja. Com a boca. Com as m&#227;os. Com os olhos. Me devora de um jeito que seja al&#233;m do que eu guardo na mem&#243;ria. De jeito que o passado fique preso no passado. De um jeito teu.</p><p style="text-align: justify;">Porque, tu sabes&#8230; Eu jurei. E &#233; a mesma coisa que nada. Por causa tua, eu me tornei &#243;tima em quebrar promessas. E eu n&#227;o queria. Mas minha vontade j&#225; n&#227;o me pertence.</p><p style="text-align: justify;">Ela &#233; tua.</p><p style="text-align: justify;">Caroline Larroque</p><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;">07/08/2023</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://carolinelarroque.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">LARROQUE ESCREVE &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar o meu trabalho, considere tornar-se um subscritor gratuito ou pago.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O dia em que comi o melhor cordeiro do mundo ]]></title><description><![CDATA[(eu n&#227;o como cordeiro)]]></description><link>https://carolinelarroque.substack.com/p/o-dia-em-que-comi-o-melhor-cordeiro</link><guid isPermaLink="false">https://carolinelarroque.substack.com/p/o-dia-em-que-comi-o-melhor-cordeiro</guid><dc:creator><![CDATA[Caroline Larroque]]></dc:creator><pubDate>Sun, 16 Aug 2026 01:33:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/09b8b4c6-4634-4b5a-8607-39ee89638d27_1730x909.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span>Imagine um lugar escuro onde almas transit&#243;rias perambulam em busca de reden&#231;&#227;o, acometidas pelas pr&#243;prias a&#231;&#245;es desesperadas de passar de um plano para o outro. Um lar provis&#243;rio para todos os esp&#237;ritos inferiores que ainda precisam sentir o arrependimento sincero de suas p&#233;ssimas escolhas. Alguns chamam esse lugar de Umbral. Eu chamo de aplicativo de relacionamento.</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Minha alma, perdida como tantas outras, deslizava o dedo para a esquerda sem pensar duas vezes. Feio. Sapat&#234;nis. Promoter. Bodybuilder. Dedo com braquidactilia. Parede sem reboco. Meu ex. S&#227;o incont&#225;veis os defeitos que consigo encontrar em algu&#233;m em tr&#234;s segundos e uma foto. &#201; um dom.</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Entre as categorias, minha preferida &#233; a dos homens esteticamente prejudicados com consci&#234;ncia de classe. Falta na beleza, compensa no humor. Esse era ruivo e chegou com um PowerPoint dos motivos plaus&#237;veis para um encontro: seu dom em cozinhar crust&#225;ceos, um gr&#225;fico da queda de cabelo &#8722; projetando o fim dos fios em tr&#234;s anos &#8722;, uma montagem dele careca para provar que nem ficaria t&#227;o ruim assim. Eu quase ri. Foi mais um ventinho sonoro pelo nariz. O problema do engra&#231;adinho &#233; que &#233; s&#243; quest&#227;o de tempo at&#233; virar um desgra&#231;adinho.</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Meu psiquiatra sempre diz que buscamos, sem perceber, padr&#245;es j&#225; conhecidos. &#201; isso que nos condena &#224; mesmice de conhecer sempre a mesma pessoa em corpos diferentes. Nunca sa&#237; com um ruivo calvo, mas decidi explorar outro horizonte: uma categoria que sempre me irritou na mesma propor&#231;&#227;o em que me atraiu. Homens bonitos, inteligentes e bem-sucedidos que sabem que s&#227;o bonitos, inteligentes e bem-sucedidos. Sucintos. Misteriosos. Com um qu&#234; de fa&#231;a-voc&#234;-mesma. Raros, avistados fora do habitat natural uma vez a cada tr&#234;s anos, e se voc&#234; se aproximar de forma agressiva, corre o risco de nunca mais v&#234;-los. Esp&#233;cie em extin&#231;&#227;o. Uma amiga jura ter visto um. Eu acho que &#233; lenda urbana. Um sapiens-le&#227;o-dourado.</span></p>
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[When I Was Your Man]]></title><description><![CDATA[&#8212; Parab&#233;ns pra voc&#234;, nesta data querida...]]></description><link>https://carolinelarroque.substack.com/p/when-i-mas-your-man</link><guid isPermaLink="false">https://carolinelarroque.substack.com/p/when-i-mas-your-man</guid><dc:creator><![CDATA[Caroline Larroque]]></dc:creator><pubDate>Wed, 05 Aug 2026 10:43:55 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/949d3204-845d-4f6a-b00b-0daa8495e595_1729x910.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;"><em>&#8212; Parab&#233;ns pra voc&#234;, nesta data querida...</em></p><p style="text-align: justify;">Foi assim que aquela noite come&#231;ou.</p><p style="text-align: justify;">Era meados de outubro e minha amiga completava vinte e nove anos, comemorando num bar que tinha uma entrada t&#227;o suspeita que qualquer um que passasse na frente juraria se tratar de um ponto de venda de coisas il&#237;citas. Coisas para lavar dinheiro eu j&#225; tinha visto. Cativeiro de fachada foi novidade. Descobri naquele dia que, em S&#227;o Paulo, o luxo aparentemente funciona ao contr&#225;rio: quanto mais escondido parece por fora, mais exclusivo &#233; por dentro.</p><p style="text-align: justify;">Ao entrar, o lugar era escuro, com luzes pontuais, como se enxergar fosse a coisa menos importante daquela noite. Os convidados j&#225; bebiam, bal&#245;es espalhados por todo canto, um bolo lindo em cima da mesa &#8722; ainda intocado.</p><p style="text-align: justify;">Sou a pessoa mais antissocial que conhe&#231;o, e o problema de ser assim &#233; que, de tempos em tempos, voc&#234; precisa provar seu amor em p&#250;blico. Minha maior demonstra&#231;&#227;o sempre foi a presen&#231;a: no seu anivers&#225;rio, no seu casamento, em qualquer evento que importe para voc&#234;. Fora isso, minhas amigas sabem que eu quero, sim, ser convidada, mas n&#227;o vou aparecer.</p><p style="text-align: justify;">La&#237;s, a aniversariante, me chamou para um bolinho. E, n&#227;o sei como foi a cria&#231;&#227;o de voc&#234;s, mas &#8220;bolinho&#8221;, de onde eu venho, &#233; coisa simples. &#201; sin&#244;nimo de glac&#234; em cima de peda&#231;os de abacaxi com merengue derretendo no calor, com um buraco no formato de dedos de alguma crian&#231;a ranhenta, prima da aniversariante, que j&#225; passou ali para lamber os bei&#231;os. &#201; o tipo de festa em que cada convidado compra uma calcinha ou um par de meias da Marisa, ou um sabonete da Jequiti, para presentear, fica uma ou duas horas no m&#225;ximo e inventa um compromisso para ir embora. &#8220;Bolinho&#8221; sempre foi sin&#244;nimo de ordin&#225;rio para mim. At&#233; aquele dia.</p>
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   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Ninguém morre de amor]]></title><description><![CDATA[Enchi uma ta&#231;a de um vinho caro que eu tinha comprado pra uma ocasi&#227;o especial, coloquei uns amendoins em uma cumbuca verde, deixei as luzes do meu apartamento baixas, acendi uma vela &#8211; que eu mesma fiz &#8211; e me sentei em frente ao computador para escrever sobre um sentimento que h&#225; muito tempo n&#227;o sentia.]]></description><link>https://carolinelarroque.substack.com/p/ninguem-morre-de-amor</link><guid isPermaLink="false">https://carolinelarroque.substack.com/p/ninguem-morre-de-amor</guid><dc:creator><![CDATA[Caroline Larroque]]></dc:creator><pubDate>Thu, 30 Jul 2026 01:26:04 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d3286dce-7ca8-47bf-9f10-c38432f78180_1731x909.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Enchi uma ta&#231;a de um vinho caro que eu tinha comprado pra uma ocasi&#227;o especial, coloquei uns amendoins em uma cumbuca verde, deixei as luzes do meu apartamento baixas, acendi uma vela &#8211; que eu mesma fiz &#8211; e me sentei em frente ao computador para escrever sobre um sentimento que h&#225; muito tempo n&#227;o sentia.</p><p style="text-align: justify;">Era como descrever, no presente, um amigo de inf&#226;ncia com quem voc&#234; perdeu o contato ainda no prim&#225;rio: &#8220;Claro, o L&#233;o. Lembro sim. Aquele que era baixinho, dentu&#231;o, e as crian&#231;as chamavam de fundo-de-garrafa?&#8221;. Lembran&#231;as. Eram tudo o que eu tinha. E, por mais que eu fechasse meus olhos &#8211; j&#225; um pouco tonta &#8211;, sentia meu c&#233;rebro trabalhando incessantemente no hipocampo (onde mem&#243;rias de longo prazo s&#227;o armazenadas), e, como esperado, nenhuma part&#237;cula de oxitocina era liberada. Algo como acessar um arquivo radioativo que j&#225; tinha me degradado em centenas de muta&#231;&#245;es e que, agora, nada mais era do que adapt&#225;vel. Indefeso. E at&#233; mesmo imaturo. Um monstro que j&#225; me arrombou (eu ri sozinha)... assombrou (quis dizer) j&#225; n&#227;o me fazia c&#243;cegas. Nada. N&#227;o me fazia nada.</p><p style="text-align: justify;">Olhei para os dedos da minha m&#227;o esquerda, que seguravam o vinho, e o vazio se destacou. Aquele anelar fino j&#225; havia suportado uma alian&#231;a dourada grande o suficiente para causar uma les&#227;o por repeti&#231;&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">Um dos motivos que fizeram com que eu aceitasse me casar foi uma noite em que chovia muito l&#225; fora, e os trov&#245;es competiam com o choro do beb&#234; do d&#233;cimo andar. O beb&#234; ganhou. As gotas eram t&#227;o grossas que pareciam bater na janela como um <em>toc-toc</em> pedindo pra entrar. E entraram. Escorriam por todos os v&#227;os. A sacada encheu com tanta &#225;gua que transbordou pela sala e continuou enchendo mesmo assim. Eu estava acreditada de que aquele seria o primeiro caso de enchente em um apartamento do nono andar da Hist&#243;ria. J&#225; tinha imaginado meu nome no Guinness centenas de vezes, mas esse motivo nunca tinha me ocorrido antes.</p><p style="text-align: justify;">E ali no sof&#225;, sem luz, com um frio de doze graus, nos deitamos &#8211; emaranhados. Ele contava alguma piada totalmente sem gra&#231;a que me fazia gargalhar na tentativa de me distrair do caos l&#225; fora, e, com os carinhos que ele me fazia, n&#227;o demorou muito para que eu pegasse no sono. Era f&#225;cil me sentir acolhida e protegida com ele. Fazia isso sem esfor&#231;o algum.</p><p style="text-align: justify;">Acordei, poucas horas depois, com um sil&#234;ncio absurdo &#8211; mesmo com o beb&#234; ainda resmungando l&#225; em cima. A chuva j&#225; tinha ido embora, e ele permanecia do mesmo jeito que estava antes: o cabelo loiro tomava conta de boa parte do rosto, um bra&#231;o embaixo do travesseiro e o outro em mim, as pernas pesadas me seguravam e eu n&#227;o podia me mexer&#8230; T&#227;o colado que eu sentia sua respira&#231;&#227;o quente no meu pesco&#231;o. Ent&#227;o, ali, pela primeira vez na minha vida, eu experimentei a gratid&#227;o genu&#237;na. Eu aceitaria aquela sensa&#231;&#227;o tranquilamente para o resto da minha vida. Sim. Sim! Essa era a resposta. Ali ou no altar &#8211; tanto faz &#8211; para qualquer coisa que ele me oferecesse. Sim. Eu o abracei com tanta for&#231;a, para que ele n&#227;o fosse a lugar nenhum, e, a partir daquele momento, ele realmente nunca foi. O tal do para sempre em mem&#243;rias, e n&#227;o pessoas.</p><p style="text-align: justify;">S&#227;o incont&#225;veis as vezes quando visitei esse passado para me lembrar de algo que me estava faltando no presente. Um porto-seguro que virou apenas um porto. Um porto-fantasma.</p><p style="text-align: justify;">Agora, os dedos n&#227;o carregavam hist&#243;ria alguma. Era s&#243; a m&#227;o. Com uma les&#227;o que s&#243; eu sabia de onde havia surgido. Talvez estivesse na hora de aceitar que o L&#233;o havia crescido, colocado aparelho e trocado os &#243;culos por uma lente de contato bonita. Eu teria que encontrar com ele para saber. As fotos antigas j&#225; n&#227;o condiziam mais com a realidade. E eu precisava sentir antes que fosse tarde demais.</p><p style="text-align: justify;">Peguei a garrafa j&#225; quase vazia e coloquei o restante na ta&#231;a. E, finalmente, a primeira linha foi escrita.</p><p style="text-align: justify;">Porque de uma coisa eu sei: Nunca ningu&#233;m morreu de amor.</p><p style="text-align: justify;">Mas e da falta dele?</p><p style="text-align: justify;"></p><p style="text-align: justify;"><em>Caroline Larroque</em></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pequenas coincidências da vida]]></title><description><![CDATA[Nunca acreditei em coincid&#234;ncias.]]></description><link>https://carolinelarroque.substack.com/p/pequenas-coincidencias-da-vida</link><guid isPermaLink="false">https://carolinelarroque.substack.com/p/pequenas-coincidencias-da-vida</guid><dc:creator><![CDATA[Caroline Larroque]]></dc:creator><pubDate>Tue, 28 Jul 2026 21:45:56 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7cec3463-6660-44a8-bba0-c463a0555d6b_1536x1024.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><span>Nunca acreditei em coincid&#234;ncias. Sempre me pareceu uma palavra pretensiosa demais para justificar a aus&#234;ncia do livre-arb&#237;trio nas min&#250;sculas causas. Prefiro chamar de destino essas pequenas sucess&#245;es de acidentes mal organizados.</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Depois do meu &#250;ltimo t&#233;rmino &#8211; que, diga-se de passagem, foi um tanto vergonhoso &#8211;, resolvi me fechar novamente para o amor. N&#227;o que aquilo tivesse chegado a ser exatamente um relacionamento. Foi mais um per&#237;odo de experi&#234;ncia que n&#227;o foi renovado, daqueles em que o empregador rescinde o contrato sem direito a seguro-desemprego. Um hiato.</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Eu j&#225; vinha h&#225; sete anos solteira e com pouca paci&#234;ncia, ent&#227;o o acesso a mim, que nunca foi f&#225;cil, passou a ficar praticamente imposs&#237;vel. Passei bons meses sem sair com ningu&#233;m. Gostaria de dizer que entrei para o clich&#234; do celibato, mas continuava flertando por divers&#227;o; s&#243; para garantir que a l&#225;bia n&#227;o enferrujasse. Uma mulher pode n&#227;o querer conhecer ningu&#233;m e, ainda assim, preservar suas habilidades sociais.</span></p>
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