<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Um bom dia para uma boa semana]]></title><description><![CDATA[Uma newsletter quase semanal sobre assuntos quase cotidianos. ]]></description><link>https://chicocanella.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-4pQ!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fchicocanella.substack.com%2Fimg%2Fsubstack.png</url><title>Um bom dia para uma boa semana</title><link>https://chicocanella.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Thu, 03 Sep 2026 18:17:17 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/chicocanella.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Chico Canella]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[chicocanella@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[chicocanella@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Chico Canella]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Chico Canella]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[chicocanella@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[chicocanella@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Chico Canella]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Paternar a presença, paternar a memória]]></title><description><![CDATA[Da filha de vinte anos &#224;s meias com pezinhos: reflex&#245;es sobre reaprender a brincar, desaprender certezas e conjugar o verbo pai.]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/paternar-a-presenca-paternar-a-memoria</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/paternar-a-presenca-paternar-a-memoria</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Wed, 05 Aug 2026 23:07:51 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/46ac2782-ca14-460d-b777-38fb558f8f9a_2308x1530.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e esta &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Meu primeiro Dia dos Pais foi em 2022. Num dia em casa, talvez assistindo a alguma s&#233;rie de gosto duvidoso, a Bella me chamou de pai espontaneamente. Lembro de tomar aquele susto e acho que ela tamb&#233;m. Come&#231;amos a chorar e, desde ent&#227;o, eu sou o &#8220;popoi&#8221; dela. Ela tinha 20 anos e foi muito maneiro ganhar uma filha. E parece que estava escrito para acontecer, ou pelo menos que isso vem acontecendo pela eternidade, porque a bicha &#233; teimosa e implicante que nem eu.</p><p>Essa chegada da paternidade dessa forma (e, nesse ponto, acho muito lindo como o pai dela tamb&#233;m aceitou isso e como somos parceiros nessa cria&#231;&#227;o) me deixou num lugar bem &#8220;confort&#225;vel&#8221;, j&#225; que a m&#227;e (e que m&#227;e!) j&#225; havia pavimentado grande parte do caminho. E eu, no caso, pude colaborar da melhor forma j&#225; numa fase de lapida&#231;&#227;o. S&#243; que a&#237; &#233; que t&#225; a parada: n&#227;o existe uma hierarquia na qual chega um momento em que a gente para de aprender e come&#231;a s&#243; a ensinar. A lapida&#231;&#227;o &#233; para sempre. Essa ideia de que, para a transmiss&#227;o, &#233; necess&#225;rio o fim do aprendizado &#233; a demonstra&#231;&#227;o de que quem quer ensinar ainda tem muito o que aprender.</p><p>Sempre me questionei sobre o distanciamento dos pais. Tudo parte de um grande delegar &#224;s mulheres. Delego tudo o que n&#227;o &#233; trabalho remunerado. Ou &#224;s vezes at&#233; este, j&#225; que o &#8220;n&#227;o remunerado&#8221; n&#227;o &#233; nem reconhecido como trabalho, na maioria das vezes. Mas, para al&#233;m disso, existe um distanciamento que justifica um pouco o amor e a admira&#231;&#227;o que sentimos por eles. Claro que atrelamos dinheiro ou poder aquisitivo a uma forma de sucesso. Mas tamb&#233;m aprendemos que amor bom &#233; amor dif&#237;cil, complicado e muitas vezes indispon&#237;vel. E n&#227;o digo isso s&#243; para pais ausentes por serem seja l&#225; o que forem. Existe um entendimento de que o amor precisa ser conquistado e, quando &#233; oferecido gratuitamente, muitas vezes pode ser interpretado como menor.</p><p>Essa hip&#243;tese move minha cabe&#231;a no sentido de que morria de medo de amar gratuitamente um ser vivo e pensar que necessitava conquist&#225;-lo para que pudesse ser amado de volta. Meu maior medo era de os meus filhos n&#227;o gostarem de mim. Apesar de ser uma pessoa MUITO DIVERTIDA, sinto uma inseguran&#231;a quando o assunto s&#227;o crian&#231;as, embora, na maioria das vezes, em algum momento eu me saia muito bem com elas. Por&#233;m, vai ficando expl&#237;cita a dificuldade que tenho de brincar. A dificuldade de relativizar a realidade e distorc&#234;-la para, de repente, o ch&#227;o virar lava e precisarmos nos abrigar em cima das mesas, que s&#227;o as &#250;nicas pedras capazes de resistir &#224;quele tremendo calor. Em que momento desaprendemos a brincar? N&#227;o fazer piadas &#225;cidas ou humor de esc&#225;rnio, mas sim brincar, errar, criar.</p><p>No Dia dos Pais do ano passado, minha filha me deu um par de meias com o print dos pezinhos do meu filho. Uso muito pouco essa meia, menos do que queria, mas sempre a coloco em dias importantes. Como se fosse um amuleto. Um sinal de for&#231;a e de resili&#234;ncia. O Jos&#233; Benedito foi muito desejado e &#233; muito celebrado. Foram anos falando sobre, indo a consultas, desejando que esse momento chegasse. E eu s&#243; ficava pensando: se nascesse com 19 anos, eu saberia o que fazer, j&#225; que (na minha opini&#227;o) venho exercendo muito bem essa fun&#231;&#227;o com a irm&#227; dele desde os 19 anos dela. Mas como iria me virar nesses primeiros 19 anos da vida dele? Isso me atormentava. E se esse menino n&#227;o gostar de mim? E se ele n&#227;o me achar DIVERTIDO? Mas tamb&#233;m pensava: e se eu n&#227;o conseguir brincar com ele?</p><p>Um dia, quando ainda mor&#225;vamos em Campo Grande, estava rolando uma conversa sobre engravidar e gravidez. Em determinado momento, percebi que a Bella ficou um pouco mais calada. Quem a conhece pessoalmente sabe que calada n&#227;o combina nada com ela, n&#233;? Cheguei perto dela e disse que, mesmo tendo outro filho, ela sempre seria minha filha. Que, mesmo quando ela n&#227;o quisesse mais, eu continuaria sendo pai dela.</p><p>Meu pai, com 76 anos, come&#231;ou a fazer terapia. Um homem de quem, durante muito tempo, quis me diferenciar. Compartilhamos o mesmo nome, por motivos diferentes. E n&#227;o, n&#227;o sou J&#250;nior. Sempre fui Chiquinho. Enfim, nos &#250;ltimos 10 anos, presenciei a transforma&#231;&#227;o do meu pai. De um homem cheio de certezas e respostas para um homem com mais perguntas, mais afeto e mais presen&#231;a. E presen&#231;a aqui n&#227;o porque ele era ausente, mas porque, na medida em que os anos foram passando, houve uma disponibilidade para a vida e para as rela&#231;&#245;es. Para mim, a maior prova dessa disponibilidade &#233; que, depois de tanto tempo, ao inv&#233;s de ter certezas, ele tem quest&#245;es, medos e incertezas. E isso o faz humano. Talvez seja disso que o Aquiles de Tr&#243;ia quer dizer quando fala: &#8220;Conheci os deuses e eles t&#234;m inveja dos homens&#8221;.</p><p>Ainda me questiono muito sobre o meu lugar de paternidade. Paternar minha filha, paternar a mem&#243;ria do meu filho e sua presen&#231;a: conjugar esse verbo parece ser a &#250;nica forma de seguir. Muitas pessoas n&#227;o entendem isso. Muitas pessoas n&#227;o alcan&#231;am, e tudo bem. Eu mesmo, &#224;s vezes, n&#227;o alcan&#231;o, nem entendendo. Na verdade, n&#227;o espero que acabem as idealiza&#231;&#245;es de quem as pessoas s&#227;o, mas tor&#231;o para que, quando nos deparamos com o que nos torna humanos, saibamos dar o devido espa&#231;o para o entendimento e o acolhimento. Porque, se tem um produto que veio para o mercado com defeito, somos n&#243;s. E, como n&#243;s, estamos entrela&#231;ados nesse emaranhado da vida.</p><p>Caso voc&#234;s gostem das discuss&#245;es levantadas aqui e tenham vontade de responder, estou super aberto para essa troca. Al&#233;m disso, se gostaram do conte&#250;do, compartilhem com amigos que voc&#234;s acreditam que se beneficiar&#227;o deste papo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Cozinhar]]></title><description><![CDATA[A arte de misturar ingredientes e servir afetos]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/cozinhar</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/cozinhar</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Thu, 30 Jul 2026 15:00:20 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/53c11824-7fb1-4964-b7fd-15d882480de2_900x1125.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e esta &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Muito tenho pensado sobre a cozinha. E sobre o verbo que conjugamos, na maior parte das vezes, quando l&#225; estamos. Eu cozinho desde crian&#231;a, quando incrementava meus miojos, inventava sandu&#237;ches ou shakes de temperos e condimentos. Mas foi por volta dos 19 anos que pedi para minha av&#243; me ensinar a cozinhar de verdade. Falo brincando que minha av&#243; &#233; uma mulher de ouro com m&#227;os de a&#231;&#250;car. Ela sempre foi a dona da cozinha da minha casa. Hoje entendo que minha v&#243; ocupou um espa&#231;o n&#227;o porque estava vago, mas porque era um espa&#231;o de que ela precisava, depois do falecimento do meu av&#244;, morando com meus pais, sem muitas op&#231;&#245;es e com material humano precisando ser trabalhado na frente dela (no caso, eu e meus irm&#227;os).</p><p>Bom, ela disse que n&#227;o ia me ensinar a cozinhar porque homem n&#227;o cozinha. A&#237; eu disse: &#8220;Ah, &#233;? Ent&#227;o t&#225;.&#8221; Comecei a fazer uns plant&#245;es do lado dela e foi dessa maneira que comecei a aprender alguns caminhos da cozinha.</p><p>Minha av&#243; &#233; m&#227;e da minha m&#227;e. &#201; a &#250;nica av&#243; que convivi de fato, embora meu av&#244; materno e minha av&#243; paterna tenham me conhecido. Voltando &#224; minha av&#243;, Sil&#233;a, ela &#233; uma mulher muito peculiar. Mega centralizadora, meio bruta, mas meiga. Durante a minha inf&#226;ncia, equilibrava pratos de uma maneira absurda. Lavava roupa, cozinhava, cuidava da vida dos outros e ainda cuidava da gente. Lembro com muito carinho dos finais de semana em que viajava com ela para S&#227;o Gon&#231;alo (para ir &#224; casa do meu tio), que ainda morava na Travessa da Talita, lugar onde minha m&#227;e nasceu. Adiantei-me na empolga&#231;&#227;o, mas queria dizer que lembro muito dos caminhos que faz&#237;amos no centro de Niter&#243;i (eu sou de Niter&#243;i). Ela tinha uma habilidade &#237;mpar de manobrar bolsas e crian&#231;as. &#192;s vezes, pensava que eu era mais uma bolsa ali com ela. Mas eram doces, biscoitos, frutas, &#225;gua e refrigerante para serem consumidos num bus&#227;o a caminho de S&#227;o Gon&#231;alo, sexta-feira &#224; tarde.</p><p>Um dia cheguei em casa e perguntei para minha av&#243;: &#8220;Como faz feijoada?&#8221; Ela me olhou e falou: &#8220;H&#227;? Como faz feijoada?&#8221; (caso voc&#234; me conhe&#231;a pessoalmente e j&#225; me ouviu imitar minha v&#243;, por favor, leia a frase anterior com a minha imita&#231;&#227;o dela). E contei para ela que havia me comprometido a fazer uma feijoada para o pessoal da faculdade. Mais ou menos 30 pessoas. Ela me chamou de doido. Foi engra&#231;ado. E assim, a Sil&#233;a me mostrou como ela fazia feijoada. Foi a primeira vez que cozinhamos juntos. A imagem lembra um pouco o <em>Kung Fu Panda</em> e o Pai Ganso dele cozinhando: ela n&#227;o me deixava fazer muitas coisas, ao mesmo tempo em que me deixou fazer tudo.</p><p>Com ela aprendi muito. Principalmente que, quando a gente n&#227;o t&#225; bem, a receita desanda. E isso &#233; o que mais me intriga nos cozinheiros profissionais: como lidar com seus sentimentos e tocar nos alimentos sem interferir? As m&#227;os s&#227;o pontos de contato muito fortes quando pensamos na transmiss&#227;o de energia. Minha v&#243;, quando fazia p&#233; de moleque, brigava com a gente antes para poder estar tranquila na hora de mexer o doce. Muitas vezes, fazendo p&#227;o, o fermento n&#227;o desenvolveu bem, a massa n&#227;o ficou exatamente lisinha nos dias em que eu estava apreensivo ou chateado. E, nos dias com raiva, nem meto a m&#227;o na farinha.</p><p>N&#227;o me acho um excelente cozinheiro, e isso n&#227;o &#233; falsa mod&#233;stia. Acredito ser um curioso interessado. N&#227;o tenho exatamente as habilidades t&#233;cnicas, nem o paladar super apurado, por&#233;m busco a melhor forma de executar o que me proponho: aumentar a intimidade com o fogo e a brasa; entender melhor a infus&#227;o dos alimentos nos l&#237;quidos ferventes; fermentar as ideias; curar os processos; cozinhar as horas; deixar o tempo fazer sua m&#225;gica.</p><p>Deixando a vaidade de lado, cozinhar &#233; um processo de celebra&#231;&#227;o e de sacraliza&#231;&#227;o de um dos ciclos da vida. &#201; a maneira como honramos toda uma safra, um per&#237;odo e uma vida. A banaliza&#231;&#227;o e a industrializa&#231;&#227;o fazem com que percamos muito para ganharmos apenas segundos. E todo aquele afeto, toda aquela mem&#243;ria (t&#227;o bem ilustrada no final do filme <em>Ratatouille</em>) &#233; quase um teletransporte para um momento espec&#237;fico. Talvez o paladar, assim como outros sentidos, seja o mais pr&#243;ximo que temos da viagem no tempo, aquela experi&#234;ncia que comprime tempo e espa&#231;o e nos transporta para o infinito e al&#233;m.</p><p>Essas s&#227;o as coisas em que penso enquanto fa&#231;o p&#227;o, asso uma carne, enrolo esfihas, boleio cookies e pico cebolas, entre outras coisas.</p><p>Caso voc&#234;s gostem das discuss&#245;es levantadas aqui e tenham vontade de responder, estou super aberto para essa troca. Al&#233;m disso, se gostaram do conte&#250;do, compartilhem com amigos que voc&#234;s acreditam que se beneficiar&#227;o deste papo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A morte leva tudo, menos o amor]]></title><description><![CDATA[Ou a saudade &#233; o amor que fica.]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/a-morte-leva-tudo-menos-o-amor</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/a-morte-leva-tudo-menos-o-amor</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Thu, 16 Jul 2026 21:18:56 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/48b9192e-a77a-4131-a777-8519b9af49dd_1832x976.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e esta &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Escrevi h&#225; algumas semanas sobre me achar monotem&#225;tico e como isso me conectava com o luto. E, principalmente, de a minha monotem&#225;tica ser o luto. Por acreditar nisso, entendi que seria necess&#225;rio process&#225;-lo comigo e dar destino ou trabalh&#225;-lo em mim. Tinha dois medos em rela&#231;&#227;o a isso. O primeiro medo j&#225; expus aqui: o de ser visto como algu&#233;m que espetaculariza o luto e os ocorridos e, de alguma maneira, me transformar em um especialista no tema. Quando, na verdade, estou lutando para viver meu luto sem deixar de lutar pela minha vida. O segundo medo &#233; o de reduzir minha experi&#234;ncia a isso. Reduzir minha experi&#234;ncia &#224; perda. Aus&#234;ncia e falta, de m&#227;os dadas.</p><p>Que bom que tive esses medos, pois sem eles jamais teria chegado ao pedido de ajuda que fiz. E esse pedido de ajuda resultou nas conversas (fora de casa) mais fundamentais que tive no &#250;ltimo ano. N&#227;o s&#243; por ter empatia e entendimento, mas por ter elabora&#231;&#245;es &#8212; elabora&#231;&#245;es poss&#237;veis por haver tempo de se debru&#231;ar sobre o assunto. E veio a seguinte frase: &#8220;A morte leva tudo, menos o amor&#8221;. Onde colocar esse amor &#233; a pergunta fundamental.</p><p>Pude ouvir tamb&#233;m que minha monotem&#225;tica n&#227;o &#233; o luto, e sim meu filho. Todos os pais s&#227;o monotem&#225;ticos. Falam sem parar de seus filhos, e por que eu n&#227;o poderia ser assim? Por que acho que preciso me privar disso para me encaixar no lugar de quem perdeu? Porque n&#227;o vivo minha paternidade? </p><p>Existe uma dimens&#227;o que realmente &#233; minha e de como preciso trabalh&#225;-la. Por&#233;m, n&#227;o quero mais privar o mundo do meu lindo monotema chamado Jos&#233; Benedito. Meu filho, um menino lindo. Ele &#233; T&#195;O parecido com a minha av&#243; que chega a ser estranho. Parece uma tartaruguinha filhote. Ainda n&#227;o sei exatamente o que vou fazer com o amor que sinto por ele, mas sei agora nomear ser isso que sinto. N&#227;o um vazio sem preenchimento poss&#237;vel, e sim um cheio que necessita escoamento para n&#227;o explodir.</p><p>Lembro dos livros de Casta&#241;eda, quando Dom Juan disse a ele sobre a import&#226;ncia de publicar o livro <em>A Erva do Diabo</em>, pois naquele caderno continham palavras com muito poder que precisavam ser replicadas para diluir um pouco daquilo. Sinto algo parecido agora. Sinto como se tivesse uma certa obriga&#231;&#227;o de fazer algo que minimamente materialize meu sentimento e que possa ser dissipado por a&#237;. N&#227;o para diluir, mas, nesse caso, povoar. Assim como acredito ser no caso de Casta&#241;eda. Uma quantidade de energia que, se represada, pode virar um mundo &#8212; ou melhor, um submundo.</p><p>Por causa dele, sei que o dia mais feliz da minha vida foi 15/03/2025. O sol estava forte, as crian&#231;as na piscina, churrascada comendo solta e muito, mas muuuuito amor fluindo entre as pessoas. M&#250;sica, alegria, brincadeira. Tudo para celebrar a chegada desse menino de luz.</p><p>Nada dessa reflex&#227;o seria poss&#237;vel sem a ajuda do coordenador do grupo <em>Homens de Luto</em>, um grupo reflexivo de masculinidade com foco em homens enlutados. Apesar de o grupo estar passando por uma pausa, o Daniel se colocou &#224; disposi&#231;&#227;o para ouvir meus &#225;udios de mais de dez minutos e respond&#234;-los com uma calma e um carinho &#237;mpares. E &#233; engra&#231;ado como algumas coisas que ele me disse me remeteram diretamente ao filme <em>Kung Fu Panda 2</em>, quando o personagem Po precisa encarar a verdade para encontrar sua Paz Interior. De alguma maneira, por mais que doa, &#233; necess&#225;rio imergir para emergir do outro lado. E essa tomada de consci&#234;ncia, para mim e dentro da especificidade de como vivi toda essa experi&#234;ncia, foi muito importante para conseguir seguir na minha jornada.</p><p>Em uma das nossas conversas, o Daniel disse: &#8220;A morte leva tudo, menos o amor que a gente sente&#8221;. E &#233; sobre o que fazer com esse amor talvez o maior exerc&#237;cio do luto. Talvez o que eu queira fazer com esse amor seja viv&#234;-lo da melhor forma que consigo agora. J&#225; que a saudade &#233; o amor que fica, como ficar com esse amor e mostrar o melhor dele para o mundo? Ainda n&#227;o sei a resposta, mas lembro de quando tocava no viol&#227;o e cantava <em>O filho que eu quero ter</em> para ele, ainda na barriga da mam&#227;e. Talvez agora seja o momento de cantar e tocar sobre o filho que tive e que sempre vou ter.</p><p>Caso voc&#234;s gostem das discuss&#245;es levantadas aqui e tenham vontade de responder, estou super aberto para essa troca. Al&#233;m disso, se gostaram do conte&#250;do, compartilhem com amigos que voc&#234;s acreditam que se beneficiar&#227;o deste papo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Linhas no texto, linhas no mapa, linhas de afeto]]></title><description><![CDATA[Dist&#226;ncia que aproxima, proximidade que distancia.]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/linhas-no-texto-linhas-no-mapa-linhas</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/linhas-no-texto-linhas-no-mapa-linhas</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Mon, 06 Jul 2026 11:56:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/86c41f22-284a-4d5c-bc1f-1d06113a6963_3376x6000.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>H&#225; muitos anos atr&#225;s, quis fazer um document&#225;rio sobre uma Cartografia Afetiva. A ideia era entrevistas pensadores, fil&#243;sofos e psic&#243;logos para construir junto esse pensamento de que pontos no mapa n&#227;o definem as verdadeiras dist&#226;ncias, mas a possibilidade de entender o que &#233; proximidade e o que &#233; em si essa dist&#226;ncia.</p><p>Essa ideia me perseguiu at&#233; a pandemia. Nessa &#233;poca cheguei ao extremo de come&#231;ar a cursar Geografia numa universidade particular. Mas tenho um certo problema com desafios institucionais. Em algum momento, eles me convidam a jogar tudo pro alto. Por&#233;m a ideia segue no meu peito. E tem me ajudado a repensar o que &#233; presen&#231;a e aus&#234;ncia, perto e longe.</p><p>Sinto-me pr&#243;ximo de voc&#234;s ao escrever essas linhas. Linhas de texto nas quais expresso meus pensamentos, minhas angustias. Linhas de texto que atrav&#233;s de linhas de c&#243;digo s&#227;o publicadas em um site. E esse site chega atrav&#233;s de linhas de fibras e por ondas wi-fi na casa de voc&#234;s. Onda &#233; outra forma que amo. E &#233; uma linha com pontos em um plano bidimensional, mas que alcan&#231;a a tridimensionalidade quando estamos de frente pro mar. Mar que separa continentes com diversas linhas separando territ&#243;rios. Linhas as vezes impostas e dividindo pessoas, vontades, desejos e gerando disputas. Disputas por novas linhas.</p><p>Uma vez quis ter uma marca de roupas, talvez um dia tenha, chamada Linha do Equador. Por ser a cintura do mundo. Uma linha que separa Norte e Sul. Em cima e em baixo. Numa bola de pedra com pedra incandescente no recheio pairando no nada atra&#237;do pela for&#231;a gravitacional de uma bola toda incandescente que um dia vai se expandir e acabar com tudo.</p><p>Quais s&#227;o as linhas afetivas capazes de gerar resson&#226;ncias que fazem territ&#243;rios experimentarem transforma&#231;&#245;es que permitem uma experi&#234;ncia estrangeira a aquele espa&#231;o? Um fora dentro e um dentro fora. Muitos estrangeiros produzem pequenos espa&#231;os fora de suas terras natais e mant&#233;m uma experimenta&#231;&#227;o de afetos atrav&#233;s da culin&#225;ria, costumes, tradi&#231;&#245;es e gestos.</p><p>Ao mesmo tempo quando pensamos em uma Cartografia Afetiva, penso num mapa em que &#233; poss&#237;vel ter uma Pangeia do que me afeta. Talvez nesse mapa, S&#227;o Paulo n&#227;o esteja ao lado do Rio e de Minas, pois gostaria de trazer o Par&#225;, Sergipe e a Bahia pra mais perto. Indo al&#233;m, traria o quarto da minha av&#243;, o cheiro do cangote dela todo cheio de talco. Uma conex&#227;o que as vezes transcende at&#233; o tempo, al&#233;m do espa&#231;o.</p><p>No livro <em>Ladeira da Pregui&#231;a,</em> em determinado momento a personagem principal encosta na parede dos antigos casar&#245;es e consegue sentir, ver e viver tudo que se passou ali. Como uma imensa trama que &#233; local, por&#233;m &#233; conectada com diversas hist&#243;rias, trazendo assim, diversas perspectivas.</p><p>A experi&#234;ncia de estar t&#227;o perto de algu&#233;m, mas t&#227;o distante, me lembra da linha que tende ao infinito. Sempre paralela a um eixo sem nunca encostar nele, nem se chegar no infinito. T&#227;o pr&#243;xima, mas jamais sem contato. Como produzir espa&#231;os em que n&#227;o importe qu&#227;o longe e a gente consiga produzir proximidade e principalmente, como estar pr&#243;ximo de quem est&#225; ao nosso lado? Como produzir espa&#231;os afetivos? Como trazer pra perto e diminuir os abismos entre n&#243;s?</p><p>No final das contas &#233; se expondo. Expondo o que sentimos, como nos sentimos e porque sentimos. Quem n&#227;o se exp&#245;e, n&#227;o cresce. Os insetos que tem exoesqueleto nos ensinam isso. Entre uma forma e outra &#233; necess&#225;rio passar por um momento sem prote&#231;&#227;o externa. Um momento de vulnerabilidade imensa. Para poder crescer, j&#225; que naquela carapa&#231;a n&#227;o cabem mais. Quantos de n&#243;s ficamos imprensados numa carapa&#231;a com medo de se expor pra crescer?</p><p>Como jogar e criar linhas que s&#227;o firmes o bastante para suportar nosso peso, mas male&#225;veis o bastante para podermos nos mexer. Trama que trama planos poss&#237;veis de experimentar nossa exterioridade na interioridade e vice e versa.</p><p>O mapa &#233; uma representa&#231;&#227;o, n&#227;o &#233; a resposta. A a&#231;&#227;o de tra&#231;ar o mapa que pode ser uma poss&#237;vel resposta. Brincar com o que &#233; perto e longe, criar conjuntos e arquip&#233;lagos das nossas ilhas poss&#237;veis. N&#227;o para apenas defender nossas bandeiras, mas tamb&#233;m para fazer alian&#231;as que potencializem nossa exist&#234;ncia.</p><p>Caso voc&#234;s gostem das discuss&#245;es aqui levantadas e tenham vontade de responder, realmente estou aqui para trocar essa ideia. Al&#233;m disso, se gostarem do conte&#250;do, indiquem para amigos que voc&#234;s acreditam que se beneficiar&#227;o desse papo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A afirmação do acaso e da alegria do trágico]]></title><description><![CDATA[Ol&#225;!]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/a-afirmacao-do-acaso-e-da-alegria</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/a-afirmacao-do-acaso-e-da-alegria</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Thu, 25 Jun 2026 17:43:47 GMT</pubDate><enclosure url="https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/4fb074ea-0f37-4612-a3bb-fbdfd3a6c277_1100x220.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Confesso ter ficado bastante tempo matutando se retornar aqui seria uma possibilidade pra mim. Questionei e questiono muito o uso desse espa&#231;o e a exposi&#231;&#227;o feita por mim nele. A vida tem nuances muito intensas e muitas vezes ao ignor&#225;-las terminamos por podar precocemente a planta. N&#227;o quero virar um especialista sobre luto, nem quero forjar minha paternidade s&#243; na perda do meu filho. Ent&#227;o entendi que algumas coisas preciso escrever pra mim, guard&#225;-las e um dia entender se vir&#227;o a p&#250;blico ou n&#227;o. E outras coisas posso e devo seguir escrevendo aqui. N&#227;o s&#243; por querer compartilhar, mas tamb&#233;m por acreditar que no meu processo preciso do outro como testemunha e como interlocutor. Sem voyerismo, preciso de inter-locu&#231;&#227;o. Preciso <em>versar com</em>, inter-agir e construir caminhos poss&#237;veis que de prefer&#234;ncia extrapolem a l&#243;gica polarizada. Essas dicotomias paralisantes. For&#231;as que nos congelam em determinados lugares. E que no final se tornam a conten&#231;&#227;o desnecess&#225;ria para a express&#227;o das nossas individualidades.</p><p>Durante esse per&#237;odo de sil&#234;ncio, me encantei por diversas coisas. A minha rela&#231;&#227;o com a minha cachorrinha, um ser que ilumina meus dias. Descobri que sou um cara interessado na vida de Amyr Klink e agora de tabela na de sua filha, Tamara, que acaba de regressar de um per&#237;odo longo sozinha em terras congeladas. E fui completamente arrebatado por Jalen Brunson. Jogador estadunidense de basquetebol e campe&#227;o da NBA pelo New York Knicks, uma franquia que n&#227;o ganhava a liga h&#225; 53 anos. Time do cora&#231;&#227;o dos astros e famosos da costa leste dos EUA. Com celebridades sempre torcendo na lateral da quadra e que representa uma da cidades mais famosas de todo pa&#237;s. Mas que por algum motivo n&#227;o chegava. Ou quando chegava era derrotada. Eu sou botafoguense, n&#233;? Um <em>underdog</em> me pega muito.</p><p>O que ser&#225; que Kena, Tamara e Brunson tem em comum?</p><p>Brunson &#233; filho de um tamb&#233;m jogador de basquete, Rick Brunson, que tamb&#233;m jogou pelo New York Knicks. Jalen cresceu no vesti&#225;rio e no MSG (Madison Square Garden) casa do time novaiorquino. Jalen inclusive acompanhou seu pai ser derrotado pelo Santo Antonio Spurs em 1999 por quatro jogos a um, mesmo time que em 2026 voltaria a enfrentar nas finais da liga. Apesar de se destacar e ter sido o MVP (jogador mais valioso) das finais, Brunson n&#227;o jogou sozinho essas partidas. Tinha um coletivo junto a ele. Dessa vez, os Knicks n&#227;o apostaram em grandes estrelas para conquistar um t&#237;tulo, mas sim em pe&#231;as importantes para construir consist&#234;ncia. O que mais chamou a aten&#231;&#227;o foi a domin&#226;ncia da franquia nos playoffs (4x2 nos Hawks, 4x0 nos 76ers e 4x0 nos Cavaliers) e como isso gerava um sentimento de como v&#227;o deixar esse t&#237;tulo escapar pelas m&#227;os. Como o Botafogo de 2023 (rsrsrsrs).</p><p>Nas finais de frente aos Spurs e o jovem jogador franc&#234;s Victor Wembanyama e seus apenas 2,24m de altura, Brunson de 1,89m foi diminu&#237;do e tirado pra nada. Mas contrariando as previs&#245;es e estat&#237;sticas venceram os dois primeiros jogos em Santo Antonio. Dominaram, impuseram o jogo deles e trouxeram para o MSG a possibilidade de fechar a s&#233;rie em 4x0 em casa. Inclusive viralizou um torcedor dos Knicks que fez um video falando: <em>My Mayor is Muslim, my bagel&#8217;s jewish, my Christian Dior, Knick in four</em>. (Meu prefeito &#233; mu&#231;ulmano, meu bagel &#233; judeu, meu Christian Dior, Knicks em 4) falando de v&#225;rias refer&#234;ncias da cidade. Mas no quarto jogo o time perdeu. E com essa derrota tudo vira uma grande d&#250;vida.</p><p>Tamara depois de meses vivendo no gelo estava um dia caminhando sobre o mar congelado. Sozinha, sem contato com pessoas, vivendo a vida num ambiente hostil, mas experimentando certo conforto. Esse conforto de alguma maneira fez com que ela n&#227;o visse mais os perigos. &#8220;Eles se tornaram invis&#237;veis para mim. Tudo virou rotina&#8221; disse ela a Marcelo Tas no programa Provoca da TV Cultura. Nessa caminhada, que ocorreu ap&#243;s uma onda de calor, quando ela quis sair do gelo e voltar para terra, testou o gelo com uma ferramenta e achou que estava confi&#225;vel. Quando pisou, a superf&#237;cie se quebrou e a jovem caiu no mar. Pensou: &#233; assim que as pessoas morrem aqui.</p><p>No quarto jogo da s&#233;rie o Santo Antonio chegou a abrir 29 pontos de diferen&#231;a. Mais uma vez o MSG testemunhava a maldi&#231;&#227;o dos Knicks entrar em a&#231;&#227;o. As casas de aposta davam para os Spurs e o gigante Wemby 99,96% de chance de vit&#243;ria. Numa entrevista, p&#243;s jogo, quando perguntado sobre o que passa na cabe&#231;a de um jogador num momento como esse, Brunson respondeu algo como essa diferen&#231;a vai diminuir de pouco em pouco. N&#227;o existem uma cesta de 29 pontos, mas sim um somat&#243;rio de cestas que somar&#227;o isso.</p><p>No mar congelante Tamara sentia o gelado das &#225;guas entrando em contato com sua pele, n&#227;o conseguia ader&#234;ncia no gelo para sair daquela situa&#231;&#227;o. At&#233; que viu um gelo podre (um gelo em camadas, similar a um mil folhas) e ali ela lutou cent&#237;metro por cent&#237;metro. N&#227;o saiu do mar como sa&#237;mos de uma piscina, mas precisou vencer etapa a etapa. Cotovelos, ombros, peito, barriga, joelhos e finalmente estava fora.</p><p>Quando estavam 1 ponto atr&#225;s no placar, faltando 3 segundos para o jogo terminar, Brunson arremessa uma bola e OG Anunoby, tamb&#233;m do NYK, corre em dire&#231;&#227;o a cesta. A bola bate no aro e ele estica sua m&#227;o o mais alto que pode para jogar a bola mais uma vez para os 2 pontos. &#201; a primeira vez que o Knicks fica na frente do placar o jogo TODO. Faltando 1,2s para terminar.</p><p>O resto &#233; hist&#243;ria. No instagram da Tamara ela conta essa e tantas outras e na m&#237;dia temos tantas outras hist&#243;rias dessa vit&#243;ria do NYK. Pra mim o mais importante &#233; pensar no pouco a pouco. Em como as vezes queremos um salto perfeito, tirar o corpo todo, acertar todos os arremessos e esquecemos do pouco a pouco. De lutar um pouco contra as estat&#237;sticas. De acreditar at&#233; o final. N&#227;o &#233; um convite a irresponsabilidade ou a achar que no final tudo se resolve, mas sim um convite a entender que na vida resolvemos um problema de cada vez e fazemos uma coisa de cada vez.</p><p>Mas e a Kena, a cachorrinha, o que tem a ver com essa hist&#243;ria? Nada e tudo. Talvez ela seja uma possibilidade do meu pouco a pouco. De pouco a pouco ir cuidando de uma vida, ver crescer e am&#225;-la. Pouco a pouco reconstruindo dentro de mim afeto, carinho e perd&#227;o. Mas isso &#233; assunto para a minha newsletter para mim mesmo.</p><p>Caso voc&#234;s gostem das discuss&#245;es aqui levantadas e tenham vontade de responder, realmente estou aqui para trocar essa ideia. Al&#233;m disso, se gostarem do conte&#250;do, indiquem para amigos que voc&#234;s acreditam que se beneficiar&#227;o desse papo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Essa noite eu sonhei com você]]></title><description><![CDATA[Processos on&#237;ricos e o mist&#233;rio do planeta]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/essa-noite-eu-sonhei-com-voce</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/essa-noite-eu-sonhei-com-voce</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Wed, 08 Apr 2026 18:18:21 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3348bb1e-4e7e-4626-bcd2-a505566ce0b6_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Essa noite sonhei com a newsletter. No sonho via a tela com os n&#250;meros de uma edi&#231;&#227;o que tinha estourado a bolha. Mas o melhor de tudo &#233; que o t&#237;tulo e o texto estavam enevoados. Elaborava em voz alta alguns argumentos, mas n&#227;o conseguia ouvi-los. </p><p>Por mais que n&#227;o tenha conseguido acessar a forma do sucesso dessa news, fiquei muito feliz de acordar desse sonho. O processo de escrita pra mim, como a maior parte dos processos que me envolvo, &#233; muito dif&#237;cil por exigir uma certa exposi&#231;&#227;o do que se passa aqui dentro. Mesmo sendo o personagem principal das reflex&#245;es, sou aqui um personagem. Carrego minhas verdades, opini&#245;es, motivos e motiva&#231;&#245;es. </p><p>Durante um tempo fiquei me cobrando muito por const&#226;ncia. Textos semanais, textos quinzenais, textos, textos, textos... E o que acontece &#233;: quando o barril transborda vem um fluxo e apare&#231;o por aqui. N&#227;o queria mais me comunicar s&#243; porque o barril transbordou. Queria tamb&#233;m me boicotar um pouco menos. E entender que esse &#233; um relato que conversa justamente com o p&#250;blico alvo. Essa newsletter pra mim cumpre seu objetivo, pois ela abre conversas com pessoas afim de conversar sobre essas conversas. </p><p>No sonho eu tinha um sentimento de realiza&#231;&#227;o. E escrevendo esse texto sigo tendo. Uma realiza&#231;&#227;o de sair de uma lista de 8 e-mails na pandemia, para ajudar companheiros de trabalho a ter um certo divertimento e uma conversa mais leve naquele tempo, para um n&#250;mero de pessoas desconhecidas que seguem lendo por aqui. Isso me realiza bastante. Isso me transforma. </p><p>Caso voc&#234;s gostem das discuss&#245;es aqui levantadas e tenham vontade de responder, realmente estou aqui para trocar essa ideia. Al&#233;m disso, se gostarem do conte&#250;do, indiquem para amigos que voc&#234;s acreditam que se beneficiar&#227;o desse papo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Cinco aprendizados do luto (pelo menos para mim)]]></title><description><![CDATA[Coisas que se soubesse antes teria sido muito mais simples.]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/cinco-aprendizados-do-luto-pelo-menos</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/cinco-aprendizados-do-luto-pelo-menos</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Thu, 02 Apr 2026 18:12:02 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c126919e-8830-4e51-bc9c-bfeeeaae7029_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Sempre achei meio cafona esses textos ou v&#237;deos que tem esse tipo de clickbait. Mas dessa vez achei importante ser did&#225;tico. Esse texto n&#227;o &#233; s&#243; sobre o que aprendi com o luto, mas tamb&#233;m uma forma de alertar a todos como podemos ajudar, mesmo que pare&#231;a imposs&#237;vel, quem est&#225; enlutado a passar por esse momento. Escrever sobre isso ainda &#233; dif&#237;cil, mas o luto &#233; um professor silencioso e severo. Muitas pessoas podem achar que alguns t&#243;picos levantados aqui s&#227;o pessoais demais, por&#233;m na minha experi&#234;ncia pessoal e no meu ciclo, s&#227;o bem relevantes ao ponto de me fazer crer que esse texto merece ser escrito.</p><h3>1. O sil&#234;ncio de quem a gente espera</h3><p>A primeira surpresa do luto &#233; notar quem recua. Pessoas de quem eu esperava uma proximidade quase &#243;bvia acabaram me dando &#8220;as costas&#8221;. Hoje, entendo que n&#227;o foi por maldade ou falta de amor. Foi medo. O luto de um filho assusta porque &#233; o &#8220;imposs&#237;vel&#8221; acontecendo na frente de todo mundo. As pessoas travam com receio de serem invasivas ou por acharem que n&#227;o t&#234;m nada a dizer que diminua a dor. E, de fato, n&#227;o t&#234;m. Mas o sil&#234;ncio d&#243;i mais que uma frase desajeitada.</p><h3>2. O amparo de onde n&#227;o se espera nada</h3><p>Em contrapartida, outras pessoas que n&#227;o faziam parte do meu &#8220;c&#237;rculo de seguran&#231;a&#8221; se jogaram no conv&#237;vio. Elas apareceram sem pedir licen&#231;a, ignorando poss&#237;veis gatilhos e apostando na presen&#231;a f&#237;sica como o &#250;nico rem&#233;dio. Aprendi que, no luto, quem fica n&#227;o &#233; quem tem as melhores respostas, mas quem aguenta segurar a sua m&#227;o enquanto voc&#234; n&#227;o tem nenhuma.</p><h3>3. Suportar &#233; o objetivo, n&#227;o superar</h3><p>A gente ouve muito que &#233; preciso &#8220;superar&#8221;. Eu discordo. Uma perda dessas n&#227;o se supera, ela se integra &#224; sua biografia. O que o suporte dos outros faz por n&#243;s n&#227;o &#233; diminuir a dor (a dor &#233; do tamanho do amor que t&#237;nhamos), mas nos ajudar a <em>suportar</em> o peso dela. O suporte &#233; a viga que impede o teto de cair enquanto a gente tenta entender como caminhar entre os escombros.</p><h3>4. A armadura que nos afasta</h3><p>Como homem, fui treinado para ser a &#8220;rocha&#8221;. Mas aprendi que tentar ser forte pelo outro, pela minha companheira, minha filha e minha fam&#237;lia, &#233; uma forma de isolamento. Quando a gente esconde a pr&#243;pria fragilidade para &#8220;poupar&#8221; quem amamos, criamos um abismo. O verdadeiro apoio aconteceu quando pudemos admitir: &#8220;eu estou destru&#237;do&#8221;. &#201; na fragilidade compartilhada que a gente se ajuda de verdade, sem passar por cima do que estamos sentindo.</p><h3>5. O direito de n&#227;o ser produtivo na dor</h3><p>A cl&#237;nica me ensinou que o tempo &#233; soberano, mas o meu luto me ensinou que a gente tenta atropelar o sentir para voltar &#224; &#8220;normalidade&#8221;. Aprendi a respeitar os dias em que a batalha silenciosa &#233; mais dura. Entendi que avan&#231;ar n&#227;o &#233; esquecer, mas sim aprender a conviver com essa fenda que se abriu entre quem eu era antes e quem sou agora.</p><div><hr></div><p>Sigo aqui, tentando equilibrar o que aprendi com o que ainda d&#243;i. E voc&#234;? J&#225; sentiu que o apoio veio de onde voc&#234; menos esperava? Ou j&#225; sentiu que precisou ser forte demais e acabou se sentindo sozinho?</p><p>Se quiser compartilhar sua hist&#243;ria, responda a este e-mail. Estou aqui para ler e trocar essa ideia.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Geometria do Vazio]]></title><description><![CDATA[A aus&#234;ncia &#233; a presen&#231;a num eterno caminhar pelo tempo]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/a-geometria-do-vazio</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/a-geometria-do-vazio</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Thu, 19 Mar 2026 18:52:22 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5d6f219c-90aa-4df9-ab36-c202af261149_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Come&#231;amos a vida tateando quais s&#227;o as dimens&#245;es b&#225;sicas. Uma linha, um plano, um objeto. Mas ningu&#233;m nos ensina que o <strong>espa&#231;o ocupado</strong> &#233; proporcional &#224; saudade deixada. Fiquei bastante tempo sem escrever porque n&#227;o queria s&#243; falar da minha dor. N&#227;o queria transformar isso aqui no meu espa&#231;o de lamenta&#231;&#227;o e quis me dar um tempo para retomar ou n&#227;o. O tempo passou e sempre que abri um documento em branco para iniciar uma escrita, nessa tela bidimensional, sempre me vem esse tema.</p><p>No papel, tudo come&#231;a com o <strong>comprimento</strong>. &#201; a inten&#231;&#227;o, a linha reta que tra&#231;amos em dire&#231;&#227;o a algo ou algu&#233;m. As frases seguem esse caminho e nos ajudam a ganhar a <strong>largura.</strong> A rela&#231;&#227;o ganha corpo, lateralidade, presen&#231;a. Com a <strong>profundidade</strong>, o que era apenas um cen&#225;rio vira um volume. As coisas e as pessoas ganham peso, textura e ocupam um lugar f&#237;sico e mental na nossa casa e nos nossos dias.</p><p>A quarta dimens&#227;o &#233; o tempo. N&#227;o sou nenhum especialista em f&#237;sica, matem&#225;tica ou algo parecido. Mas o tempo dura e passa. &#201; no tempo e com ele que os afetos se formam. &#201; no tempo que o 3D se instaura pra gente. Desejos, vontades, constru&#231;&#245;es. O espa&#231;o ganha nuances diferentes. Um lado de cama, uma c&#244;moda ou um arm&#225;rio, se tornam caminhos para outros significados. Se uma cadeira s&#243; &#233; uma cadeira quando o assento encontra com a sentada, a cadeira de um ente querido ser&#225; pra sempre dele mesmo depois de sua partida. No tempo, no espa&#231;o e no nosso afeto.</p><p>O afeto &#233; a camada invis&#237;vel que d&#225; massa para nosso existir. Povoa diversos objetos com sensa&#231;&#245;es que refletem e moldam quem somos e seremos. Por isso que quando nos afetamos e produzimos afeto, vemos mais sentido em rela&#231;&#227;o ao que vivemos. Uma vida despovoada de afeto &#233; um deserto.</p><p>A perda pra mim &#233; a instaura&#231;&#227;o de uma quinta dimens&#227;o. Paralela a quarta de uma maneira, mas completamente diferente dela. A ironia &#233; que s&#243; compreendemos o tamanho de um volume quando ele &#233; retirado. O espa&#231;o que algu&#233;m comporta em nossa vida, muitas vezes s&#243; &#233; percebido quando retirado. A perda n&#227;o &#233; um vazio &#8220;raso&#8221;. Ela tem a profundidade exata daquilo que preenchia o espa&#231;o. O ator <a href="https://www.youtube.com/shorts/K3tASDgm390">Billy Bob Thornton</a> ao falar sobre a perda do seu irm&#227;o diz que nunca mais foi o mesmo ap&#243;s o ocorrido. Existe um sentimento melanc&#243;lico sempre com ele. E deixa de conselho isso: quanto mais cedo voc&#234; entender que n&#227;o vai superar e que quanto mais cedo acolher esse sentimento melhor ser&#225; pra voc&#234;.</p><p>Perder algo n&#227;o &#233; apenas ver um objeto sumir; &#233; sentir a press&#227;o negativa de onde o volume costumava estar. A dor da perda &#233; o decalque do amor que ocupava aquele lugar. Se d&#243;i tanto, &#233; porque n&#227;o era apenas uma linha no horizonte. Era um mundo inteiro que ocupava tempo, espa&#231;o e cada cent&#237;metro do nosso desejo.</p><p>S&#225;bado meu filho faria 1 ano. Queria estar aqui escrevendo como foi linda essa jornada de amor e de ver ele crescer e seguir nessa constru&#231;&#227;o. Queria escrever sobre noites mal dormidas por conta de choro, troca de fraldas e de contempla&#231;&#227;o dele. Mas estou aqui escrevendo sobre o espa&#231;o que tem na minha vida e que jamais vai mudar.</p><p>Caso voc&#234;s gostem das discuss&#245;es aqui levantadas e tenham vontade de responder, realmente estou aqui para trocar essa ideia. Al&#233;m disso, se gostarem do conte&#250;do, indiquem para amigos que voc&#234;s acreditam que se beneficiar&#227;o desse papo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Batalha Silenciosa]]></title><description><![CDATA[O abismo do afeto]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/a-batalha-silenciosa</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/a-batalha-silenciosa</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Wed, 15 Oct 2025 15:06:07 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/941e0c8e-e2a6-4f55-bef3-c75848638dbc_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Hoje fui surpreendido pelo falecimento do &#237;cone do R&amp;B D&#8217;Angelo aos 51 anos. O artista faleceu ap&#243;s uma &#8220;batalha silenciosa&#8221; contra um c&#226;ncer de p&#226;ncreas. N&#227;o tem muito tempo estava conversando com um paciente em sess&#227;o sobre como diversos artistas negros se v&#227;o em batalhas silenciosas. Chadwick Boseman, aos 43 anos, c&#226;ncer de c&#243;lon. Virgil Abloh, aos 41 anos, angiossarcoma. DMX, aos 50 anos, ataque card&#237;aco.</p><p>Acredito que todas as pessoas passam por batalhas silenciosas todos os dias. E acredito no direito de cada um passar os &#250;ltimos momento da vida como preferirem. Mas &#233; muito curiosa a escolha por n&#227;o demonstrar fraqueza, n&#227;o trazer ao p&#250;blico, como pessoas p&#250;blicas, as intemp&#233;ries da vida. No caso do DMX talvez tenha uma diferen&#231;a e n&#227;o estou afirmando que esses homens n&#227;o pediram e nem tiveram ajuda. No entanto, ao pensar no plano geral sei que muitos homens padecem de n&#227;o encontrar um lugar pra encaixar o abismo do afeto.</p><p>Um espa&#231;o entre o que sentimos e o que valida nossos sentimentos. Um espa&#231;o de desconfian&#231;a, incredulidade, incerteza e inseguran&#231;a. Mesmo os homens &#8220;ditando&#8221; as regras da sociedade, sofrem na tentativa de express&#227;o dos seus sentimentos. No livro, <em>Seja Homem</em> do escritor JJ Bola, o autor narra o h&#225;bito de jovens da comunidade dele andarem de m&#227;os dadas com homens mais velhos e como isso virou um problema a partir do olhar de homens de fora. Pessoas que n&#227;o tinham rela&#231;&#227;o com esse h&#225;bito e que colocam uma press&#227;o em algo simples e cotidiano. O jovem Bola n&#227;o consegue nem elaborar com as pessoas da sua comunidade, nem com os colegas de fora. Criando uma fenda entre quem ele foi, &#233; e ser&#225;. Atrasando a corrida. Adicionando obst&#225;culos.</p><p>Pra mim, pessoalmente falando, n&#227;o &#233; f&#225;cil falar. Me pergunto se n&#227;o estou hoje vivendo a minha &#8220;batalha silenciosa&#8221;. Diferente das que descrevi aqui acima, mas t&#227;o dura quanto. Tento exercitar falar como estou me sentindo, sem virar aquela pessoa que n&#227;o p&#225;ra de falar dos seus problemas para todos na rua. Por&#233;m, mesmo assim, ainda me sinto muitas vezes sem conseguir expressar isso. E em terapia, minha terapeuta escancarou essa dificuldade de expressar o que sinto de uma maneira que n&#227;o seja apenas agressiva ou explosiva. No tr&#226;nsito, nas rela&#231;&#245;es, nos espa&#231;os que ocupamos.</p><p>Fico triste de saber que muitos se foram e muitos ainda v&#227;o enfrentando uma batalha silenciosa. Um sil&#234;ncio que ecoa na minha cabe&#231;a e que penso ecoar na cabe&#231;a de muitos outros homens como eu. A cl&#237;nica amplia essa minha vis&#227;o. J&#225; atendi meninos com 10 anos, homens com 20 e poucos, 40 e poucos e at&#233; 70 e poucos. Cada um fazendo descobertas nos seus tempos e tendo que lidar com o que ficou encoberto. E muitas vezes parece que quanto mais cedo se atenta a algo melhor ser&#225;, no entanto nem sempre. Por vezes ficamos anos nos apegando ao que legitima nossa dificuldade, ao inv&#233;s de olhar pro quanto avan&#231;amos. Por vezes ficamos minutos numa revela&#231;&#227;o, ao inv&#233;s de pensar no esfor&#231;o do dia-a-dia. Por tantas vezes.</p><p>Caso voc&#234;s gostem das discuss&#245;es aqui levantadas e tenham vontade de responder, realmente estou aqui para trocar essa ideia. Al&#233;m disso, se gostarem do conte&#250;do, indiquem para amigos que voc&#234;s acreditam que se beneficiar&#227;o desse papo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Memórias das memórias das memórias]]></title><description><![CDATA[O retorno do eterno]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/memorias-das-memorias-das-memorias</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/memorias-das-memorias-das-memorias</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Thu, 09 Oct 2025 20:54:25 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/726a5828-29f2-4d82-a9e4-aaf5b5b5386c_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Essa semana assisti um filme que gosto pela en&#233;sima vez. Passei um tempo zapeando pelo app de streaming - agora existe esse ped&#225;gio de pelo menos 30 minutos para decidir o que se quer assistir o carma do livre-arb&#237;trio - e depois de ter e perder a coragem de me aventurar em novas hist&#243;rias cliquei no meu velho conhecido.</p><p>Na maior parte das vezes acredito que n&#227;o estou pronto para novas hist&#243;rias. N&#227;o estou pronto para criar expectativas, torcer por um personagem, me frustrar com suas escolhas ou s&#243; ver um filme ruim. Mas isso tamb&#233;m faz com que n&#227;o crie expectativa, tor&#231;a por um personagem, n&#227;o me frustre com suas escolhas ou veja um filme bom. Por&#233;m n&#227;o &#233; sobre isso que quero falar hoje.</p><p>Voltando ao en&#233;simo play no meu velho conhecido: gosto da sensa&#231;&#227;o de rever a mesma coisa de diferentes perspectivas. A perspectiva a mudar no caso &#233; o tempo, mais especificamente meu tempo. Amadurecer envolve um giro nas perspectivas que tivemos e temos sobre o mundo. Por exemplo, na primeira vez que assisti <em>Procurando Nemo</em> o Marlin me pareceu um sufocador que n&#227;o deixava o filho fazer nada. Hoje entendo perfeitamente a posi&#231;&#227;o dele, mesmo n&#227;o concordando com tudo. Mas entendo.</p><p>Al&#233;m disso, rever coisas &#233; acessar as mem&#243;rias das mem&#243;rias das mem&#243;rias. Meu filme favorito &#233; <em>Os Bons Companheiros,</em> qualquer oportunidade &#233; uma oportunidade de reassisti-lo. E ao faz&#234;-lo me lembro de momentos nos quais assisti a esse filme. Como cada cena bateu em mim e os bastidores dos meus sentimentos. A identifica&#231;&#227;o com meu irm&#227;o mais velho, a inseguran&#231;a de sair de casa, a loucura de uma vida praticamente noturna, o conforto de um lar, o reencontro com minha pessoa. Todos momentos que s&#227;o acessados durante esse play.</p><p>Nunca se mergulha duas vezes no mesmo rio, porque nem n&#243;s nem o rio s&#227;o o mesmo. Ambos somos fluxo constante e estamos constantemente nos renovando, transformando e indo. As vezes nos agarramos em algumas pedras, nos represamos tentando conter um fluxo que insiste. Uma vida voltada pro passado &#233; impotente, uma vida voltada pro futuro &#233; prepotente, s&#243; no agora podemos exercer a pot&#234;ncia. S&#243; no presente o verbo se conjuga em a&#231;&#227;o. Fa&#231;o, corto, penso, transformo. As vezes penso que vivemos muito no fiz ou faria.</p><p>Preciso ver filmes novos para poder criar novos pontos de partida. Como disse uma vez um paciente de uma resid&#234;ncia terap&#234;utica que trabalhei: &#8220;Quero ir pra escola pra poder ficar de f&#233;rias&#8221;.</p><p>Caso voc&#234;s gostem das discuss&#245;es aqui levantadas e tenham vontade de responder, realmente estou aqui para trocar essa ideia. Al&#233;m disso, se gostarem do conte&#250;do, indiquem para amigos que voc&#234;s acreditam que se beneficiar&#227;o desse papo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Revelar é velar de novo]]></title><description><![CDATA[Sobre filmes, saudade e viver]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/revelar-e-velar-de-novo</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/revelar-e-velar-de-novo</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Fri, 03 Oct 2025 14:43:40 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f24851d6-f596-420f-bcb5-59e70e4095fd_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;, eu sou o Chico Canella e esse &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana! </em>Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos<em>. </em>Numa edi&#231;&#227;o especial uma boa tarde para um &#243;timo final de semana! </p><p>Uma pequena <a href="https://open.spotify.com/playlist/0VP8pnSTg4tsD0NnKmq2J8?si=bb9c0e90e4f24cf3">playlist</a> para ouvir antes ou depois de ler. </p><p>Tem tempo que n&#227;o venho por aqui. Imagino que seja pelo fato de experimentar uma certa monotem&#225;tica na minha vida. Do nosso &#250;ltimo encontro por aqui pra hoje muitas coisas aconteceram. Muito caminhou, muito estagnou, muito sempre. </p><p>Por&#233;m, atualmente uma ideia vem me perseguindo. Uma ideia as vezes meio pensamento intrusivo, as vezes meio ideia mesmo. Tenho me achado meio bagun&#231;ado. Em alguns momentos acumulo uma pilha de roupas sujas, em outros uma pilha de roupas limpas. Come&#231;o diversos livros e acabo poucos. E tem esse que de alguma forma era o maior problema: minha mesa estava um caos.</p><p>Eu trabalho sentando numa cadeira de frente para uma mesa com um computador. Mas ao inv&#233;s de ter uma mesa simples, na verdade tenho um santu&#225;rio de coisas que n&#227;o necessariamente deveriam estar aqui, no entanto me d&#227;o algum conforto emocional, c&#244;mico ou funcional. Lembrancinhas de Candombl&#233;s que fui, o boneco do Scarface, o meu Z&#233; Polvinho, tesouras, livros, homeopatia, canetas, livrinho de mensagens di&#225;rias, fotos, hds, cabos, fone, suporte de celular. Se soubesse desenhar teria uma imagem aqui. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!hi-f!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F637bdd3d-36bd-4386-ad8d-fe0cce83bdf8_1536x990.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!hi-f!, /__u/chicocanella.substack.com/w_424, /__u/chicocanella.substack.com/c_limit, /__u/chicocanella.substack.com/f_webp, /__u/chicocanella.substack.com/q_auto:good, /__u/chicocanella.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F637bdd3d-36bd-4386-ad8d-fe0cce83bdf8_1536x990.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!hi-f!, /__u/chicocanella.substack.com/w_848, /__u/chicocanella.substack.com/c_limit, 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elementos? Quais seriam os segredos por tr&#225;s de cada pe&#231;a? Pe&#231;as incrivelmente posicionadas milimetricamente para esconder algo espec&#237;fico. E quando h&#225; a suspens&#227;o da bagun&#231;a o que emerge (al&#233;m do al&#237;vio visual) &#233; o vazio que foi preenchido com ela. Ao revelar vem a necessidade de se velar de novo. </p><p>E nisso chegamos num ponto espec&#237;fico das coisas veladas e agora sim o objeto dos meus pensamentos intrusivos. No meio de tantas coisas, de tantos elementos, de tantos mimos e adornos, tem tr&#234;s potes cil&#237;ndricos. Cada pote cont&#233;m um filme fotogr&#225;fico de 36 poses n&#227;o revelado. E o que esses filmes tem em comum? Foram todos expostos a luz para captar imagens no dia 15 de mar&#231;o de 2025. Talvez o dia em que fui mais feliz. </p><p>Na minha cabe&#231;a revelar esses filmes &#233; trazer para a dimens&#227;o da realidade que esse dia passou. Parece que n&#227;o revelar &#233; guard&#225;-lo num v&#243;rtex de magia e sonho. O sonho mais lindo que tive. Revelar &#233; velar de novo. Tudo que se desvela revela algo que ser&#225; novamente velado. Nesse caso, j&#225; tenho o spoiler. </p><p>Parece que sigo monotem&#225;tico. </p><p>Pretendo voltar a ter uma frequ&#234;ncia aqui. E pretendo escrever mais e mais e mais. </p><p>Caso voc&#234;s gostem das discuss&#245;es aqui levantadas e tenham vontade de responder, realmente estou aqui para trocar essa ideia. Al&#233;m disso, se gostarem do conte&#250;do, indiquem para amigos que voc&#234;s acreditam que se beneficiar&#227;o desse papo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Fica mais fácil, mas você tem que fazer isso todos os dias]]></title><description><![CDATA[Essa &#233; a parte dif&#237;cil]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/fica-mais-facil-mas-voce-tem-que</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/fica-mais-facil-mas-voce-tem-que</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Mon, 02 Jun 2025 16:06:21 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b6ed3964-2368-41f8-97ed-036e1aeb0ee4_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Essa semana ia escrever sobre raiva, depois sobre escrever toda semana, depois sobre ser serializa&#231;&#227;o da escrita para se manter relevante, depois sobre nada. No entanto ontem, depois de dois meses, peguei meu kindle e retomei a leitura do livro da Paolla Carosella, <em><a href="https://amzn.to/45DqLmd">Todas as sextas.</a></em> E acabou que estava no justo momento no qual ela perde o pai. Um momento no qual a vida dela estava agitad&#237;ssima, morando em S&#227;o Paulo, tocando o restaurante do Francis Mallmann, enfim colhendo os frutos dos esfor&#231;os dela. E nesse momento &#233; atravessada pela morte escolhida de seu pai. E &#233; nesse momento que numa conversa com Francis, vai morar na Inglaterra para poder mudar um pouco de ares.</p><p>Na Inglaterra, trabalhava num restaurante e morava numa esp&#233;cie de rep&#250;blica para os trabalhadores. Tinha um quarto pequeno, numa casa estilo vitoriano, acredito que bem inglesa. E nesse momento acontece o ataque as torres g&#234;meas e rola um certo fechamento tanto do mundo, quanto das pessoas. E nesse momento de introspec&#231;&#227;o, Paolla desenha o que viria a ser seu primeiro restaurante. O J&#250;lia. Uma sequ&#234;ncia de eventos catastr&#243;ficos culminaram no enclausuramento f&#237;sico naquele quarto e essa rea&#231;&#227;o em cadeia a levou a um exerc&#237;cio ativo de sua criatividade. Desenhou a cozinha, os uniformes, o sal&#227;o, os pratos. &#201; impressionante como quando vamos a um restaurante (n&#243;s pessoas comuns) poucas vezes nos apegamos a certos detalhes. Tem algo de muito corajoso em certas atitudes que tomamos. E vejo muita verdade nas decis&#245;es que leio dessa chef. Coragem de seguir e seguir acreditando. E isso &#233; de uma forma algo que se conecta com o que aconteceu em seguida.</p><p>Quando o sono bateu, peguei o celular. &#211;bvio que peguei o celular ao inv&#233;s de dormir. Abri o Tiktok e tem um rapaz que faz uma s&#233;rie chamada <em><a href="https://vm.tiktok.com/ZMSMQrjqV/">Cenas que mudaram a qu&#237;mica do meu c&#233;rebro</a>.</em> Ontem vi uma com uma cena de Bojack Horseman. Assisti Bojack de forma quase compulsiva at&#233; um momento no qual deu pra mim. Num sei se tive medo do que poderia acontecer ou da identifica&#231;&#227;o com o personagem principal. O que n&#227;o vem ao caso, agora. A cena em si &#233; de um momento em que Bojack est&#225; tentando fazer exerc&#237;cios. Come&#231;a a correr e est&#225; na merda. Num determinado momento cai no ch&#227;o. E uma sombra cobre seu rosto ent&#227;o ouvimos um personagem dizer: &#8220;Fica mais f&#225;cil, mas voc&#234; tem que fazer isso todos os dias. Essa &#233; a parte dif&#237;cil&#8221;.</p><p>Ontem corri 18km. N&#227;o &#233; a maior dist&#226;ncia que voc&#234;s v&#227;o ver algu&#233;m correr, mas &#233; uma dist&#226;ncia consider&#225;vel. Inclusive, nunca &#233; sobre a dist&#226;ncia, mas sim sobre a rela&#231;&#227;o entre quem est&#225; correndo com a dist&#226;ncia a ser percorrida. Da mesma maneira, nunca &#233; sobre a velocidade que percorro a dist&#226;ncia, mas sobre a rela&#231;&#227;o entre a pessoa que se locomove pelo espa&#231;o com aquele tempo. Aquele tempo dedicado. Que tempo? O meu tempo? O tempo do rel&#243;gio? O tempo dos acontecimentos? Isso j&#225; explode a minha mente.</p><p>Voltando aos 18km, n&#227;o tenho medo das dist&#226;ncias que preciso percorrer. Mas sou muito inseguro de como percorr&#234;-las em alguns momentos. Ent&#227;o, ontem achei que precisava fazer tudo sozinho. Mesmo inseguro. Depois do aquecimento, n&#227;o fiquei de conversinha nem de hahaha e parti. Nessa semana, n&#227;o tinha passado bem, tive um dia de baixa na ter&#231;a. Fiz febre e tive diarr&#233;ia, isso quebrou minha rotina de treinos. Isso tudo contou para somar com a minha inseguran&#231;a. Mas comecei bem. E todo mundo que passava por mim me deixava uma palavra, um sorriso ou um incentivo. Tive alguns problemas no caminho minha camiseta come&#231;ou a assar meu mamilo, mesmo tendo passado vaselina e o ritmo come&#231;ou a ir caindo levemente. Nisso j&#225; tinha passado Leblon, Ipanema, Copacabana e estava na Avenida Princesa Isabel rumo ao Aterro do Flamengo. Uma breve parada no aterro para refor&#231;ar a vaselina e segui. Hidratando bem, suplementando e com um pensamento maneiro, at&#233; o km 11. Esse km n&#227;o passava de jeito nenhum. Muitos pensamentos de n&#227;o vai conseguir, olha essa velocidade, voc&#234; t&#225; rid&#237;culo. E no 12 quebrei.</p><p>Ningu&#233;m &#233; obrigado a acabar um treino. Na verdade, ningu&#233;m &#233; obrigado a come&#231;ar um treino. O <a href="https://www.instagram.com/thi.coach/">Thi Ferreira</a>, grande ser humano e excelente <a href="https://www.instagram.com/thi.squad/">profissional</a>, sempre nos lembra que a corrida &#233; o nosso divertimento. Escolhemos estar ali e ningu&#233;m &#233; obrigado a nada. S&#243; que existe o comprometimento e existe a m&#225;xima: &#8220;Fica mais f&#225;cil, mas voc&#234; tem que fazer isso todos os dias. Essa &#233; a parte dif&#237;cil&#8221;. E a m&#225;xima &#233; importante de lembrar tanto na parte f&#225;cil quanto na parte dif&#237;cil. N&#227;o esquecer ela &#233; honrar os dois momentos. As duas fases. Os dois Chicos. O que fez 18km sobrando e o que fez 18km faltando. Pensando nisso consegui terminar meu treino. Com ajuda de uma amiga nos &#250;ltimos 1,5km. Com o incentivo de todos meus amigos de assessoria. E com a presen&#231;a das pessoas que me amam junto comigo.</p><p>Cada pessoa, quando para na frente da sua casa, no cal&#231;ad&#227;o da orla, no bosque perto de casa ou na linha de partida de uma corrida, chegou ali por um motivo pr&#243;prio. Esse motivo, tem nome, tem objetivo, tem caminhos. A rotina faz muitos movimentos pela gente. Ela nos mantem em p&#233;. Ela organiza nossos dias. Ela nos organiza. O problema &#233; quando ela nos &#233; t&#227;o comum que conseguimos cumpri-la anestesiados. E voc&#234;s n&#227;o imaginam como &#233; comum ouvir pessoas falando na terapia sobre como em determinados momentos da vida estavam anestesiados. Sentir o que sentimos, por pior que seja, muitas vezes nos mant&#233;m em p&#233;. Mantem nossa cren&#231;a em n&#243;s, imp&#245;e a mudan&#231;a necess&#225;ria, coloca em xeque posturas, transforma nossa personalidade. &#201; claro que existem excess&#245;es. Mas cada vez mais parece ser esse o padr&#227;o para aguentar a realidade. Fazer algo todos os dias, presente e com consci&#234;ncia, ainda parece ser a melhor atitude a se ter, vai deixando a vida mais f&#225;cil, mesmo sendo o dif&#237;cil a se fazer.</p><p>Caso voc&#234;s gostem das discuss&#245;es aqui levantadas e tenham vontade de responder, realmente estou aqui para trocar essa ideia. Al&#233;m disso, se gostarem do conte&#250;do, indiquem para amigos que voc&#234;s acreditam que se beneficiar&#227;o desse papo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Envelhecer ou não envelhecer]]></title><description><![CDATA[Um medo geracional ou uma gera&#231;&#227;o de eternos adolescentes]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/envelhecer-ou-nao-envelhecer</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/envelhecer-ou-nao-envelhecer</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Tue, 20 May 2025 13:21:31 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e2e02c59-106a-4769-bc53-dcb4bafca3ce_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Texto cheio de voltas, menos conclusivo do que outros, mas igualmente importante rsrsrs</p><p>Todo mundo j&#225; viu aquele v&#237;deo do programa <em><a href="https://www.instagram.com/feijo.tv/reel/DATYtZwRtkg/">Namoro na TV</a></em> do Silvio Santos no qual as pessoas se apresentam e falam suas idades? Esse aqui! Bom, rolou um alvoro&#231;o pelas pessoas n&#227;o aparentarem a idade que tem. E isso pra mim entra numa discuss&#227;o maior n&#227;o s&#243; sobre apar&#234;ncias como tamb&#233;m sobre uma demora de amadurecimento geracional e esse medo etarista de envelhecer ou parecer velho.</p><p>Em 2010, o m&#250;sico Arnaldo Antunes lan&#231;ou o disco <em>Ao Vivo L&#225; em Casa</em>. Como o t&#237;tulo diz, o &#225;lbum &#233; ao vivo e foi gravado na casa do artista. Nas palavras que disse antes da performance da can&#231;&#227;o <em>Envelhecer,</em> Arnaldo, prestes a completar 50 anos, dedica a m&#250;sica a si mesmo e a todos que enfrentam e afrontam o medo de envelhecer. Achei muito curioso isso e fiquei morrendo de vontade de perguntar pra ele como se sente agora prestes a fazer 65 anos, depois de uma turn&#234; enorme com os Tit&#227;s e com o lan&#231;amento de seu &#250;ltimo disco com parcerias incr&#237;veis como as de Ana Frango El&#233;trico, Vandal e badalado David Byrne. Se algu&#233;m tiver o email ou o zap do Arnaldo Antunes me passa pra perguntar a ele.</p><p>As apar&#234;ncias podem enganar. Como enganam no v&#237;deo do Silvio Santos. Como tamb&#233;m enganam na atualidade com tamanha quantidade de procedimentos est&#233;ticos. Eliminam rugas, eliminam cabelos brancos, levanta isso, infla aquilo. Por&#233;m para al&#233;m de uma dificuldade com a quest&#227;o est&#233;tica, h&#225; tamb&#233;m essa quest&#227;o com o amadurecimento em si. Na &#250;ltima newsletter do Andr&#233; Carvalhal, ele aponta o crescimento de um termo chamado <a href="https://www.wgsn.com/pt/blogs/estrategia-de-negocios-o-consumidor-kidult-e-seu-impacto-para-industria-de-games">&#8220;Kidult&#8221;</a> (criandulto, garodulto) e como cada vez mais as marcas (sempre as marcas) est&#227;o investindo em colecion&#225;veis que conversem com essas pessoas, cujas conex&#245;es com a inf&#226;ncia ou com a nostalgia da inf&#226;ncia influ&#234;ncia diretamente no seu consumo. Texto do Andr&#233; na &#237;ntegra <a href="/__u/carvalhando.substack.com/p/news-carvalhando-69a?r=193dvv&amp;utm_campaign=post&amp;utm_medium=email&amp;triedRedirect=true">AQUI</a>.</p><p>Parece existir uma vontade de pausar o tempo e poder curtir tudo que h&#225; de melhor no hoje no qual sou o adulto. Assistindo junto com minha esposa a novela Vale Tudo, sacamos como as personagens da Raquel (Thais Ara&#250;jo) e Odete Roitman (Debora Bloch) tem um tom diferenciado da vers&#227;o original e cujos valores se reapresentam de uma maneira diferente. Raquel e Odete representavam, numa &#233;poca em que o Brasil saia de um per&#237;odo de ditadura com a economia no ch&#227;o, dois p&#243;los opostos. Uma que acreditava nos valores e outra que achava que nesse pa&#237;s nada prosperava. E na vers&#227;o atual, Raquel acaba sendo uma idealista (n&#227;o s&#243; pela quest&#227;o &#233;tica, mas por como aborda e acaba enxergando o mundo), enquanto Odete experimenta uma fase &#8220;fada sensata&#8221;. Ao reconhecer em seus filhos pessoas mimadas que tem tudo o que querem e n&#227;o sabem ouvir n&#227;o como resposta. Pessoas que se mant&#233;m num lugar de &#8220;n&#227;o crescer&#8221; para n&#227;o enfrentarem uma vida na qual decis&#245;es precisam ser tomadas. Odete passou de inimiga p&#250;blica n&#186; 1 do Brasil na trama original, para uma pessoa sensata com quem o p&#250;blico se identifica.</p><p>Tudo isso tem a ver com envelhecer com querer ou n&#227;o querer. Na can&#231;&#227;o de Arnaldo, num determinado momento ele canta:</p><blockquote><p>&#8220;<em>Pois ser eternamente adolescente nada &#233; mais demod&#233;</em></p><p><em>Com uns ralos fios de cabelo sobre a testa que n&#227;o para de crescer</em></p><p><em>N&#227;o sei por que essa gente vira a cara pro presente e esquece de aprender</em></p><p><em>Que felizmente ou infelizmente sempre o tempo vai correr&#8221;</em></p></blockquote><p>As &#250;nicas pessoas que n&#227;o envelhecem s&#227;o as que n&#227;o vivem tempo o suficiente para envelhecer. A press&#227;o est&#233;tica, os tabus do que pode ser comunicado ou n&#227;o existem. Por&#233;m tentar perpetuar algo t&#227;o vol&#225;til quanto o tempo faz a gente virar a cara pro presente e esquecer de aprender. Se eu puder escolher vou falar como Arnaldo: &#8220;<em>N&#227;o quero morrer pois quero ver / Como ser&#225; que deve ser envelhecer&#8221;</em></p><p>Caso voc&#234;s gostem das discuss&#245;es aqui levantadas e tenham vontade de responder, realmente estou aqui para trocar essa ideia. Al&#233;m disso, se gostarem do conte&#250;do, indiquem para amigos que voc&#234;s acreditam que se beneficiar&#227;o desse papo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Eu (em) luto]]></title><description><![CDATA[Luto &#233; a luta na qual o lutador combate com e contra.]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/eu-em-luto</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/eu-em-luto</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Thu, 08 May 2025 10:03:18 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b84d18a9-fd06-4c62-b356-12d0911b7877_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>No disco <em>Sinal Fechado</em>, o cantor Chico Buarque gravou m&#250;sicas de autoria de diversos artistas. Dentre essas est&#225; <em>O filho que eu quero ter</em> de Vinicius de Moraes e Toquinho. Nessa m&#250;sica Vinicius passeia pelo que seria a &#8220;ordem natural das coisas&#8221;. O desejo de ter um filho, a transforma&#231;&#227;o de um filho em menino e do menino em homem e por fim o derradeiro adeus do filho ao pai. Cantei diversas vezes essa can&#231;&#227;o durante os meses de gesta&#231;&#227;o do meu filho. Imaginando como seriam esses momentos, essas transi&#231;&#245;es e essa &#8220;ordem natural das coisas&#8221;. Me perguntava ser&#225; que ele vai gostar de mim? Ser&#225; que ele vai parecer comigo? O que ele vai ser quando crescer? </p><p>Ent&#227;o, veio a &#8220;ordem n&#227;o natural das coisas&#8221;. Ficou um vazio. Esse vazio come&#231;a a ser preenchido com o luto. E ai que come&#231;a a luta. Luto porque se n&#227;o lutar n&#227;o tem como continuar. E a luta do luto acaba por ser um combate. Mas esse embate &#233; com quem? Porque parece muitas vezes uma luta na qual deferimos golpes contra n&#243;s mesmos. J&#225; que vivemos um combate com todos os sentimentos, saudades, sensa&#231;&#245;es, culpas, ang&#250;stias e quem sente tudo isso sou eu. Eu luto comigo em luto. Combato a minha dor e a minha afli&#231;&#227;o.</p><p>Demorei um pouco para escrever esse texto, porque a cada dia o processo &#233; diferente. &#201; como se voc&#234; revisitasse alguns momentos e pensasse: Qual seria o melhor para mudar? E se mudasse, mudaria tudo? E tudo isso te afasta dessa luta. H&#225; os dias nos quais voc&#234; n&#227;o pensa nisso, por&#233;m depois experimenta uma ressaca (seja mar&#237;tima ou alc&#243;olica) uma coisa que te remexe e que te afoga. Uma culpa por seguir, outra culpa por estar parado, outra por parecer que parece que talvez voc&#234; esteja seguindo. Lutar &#233; definitivamente um verbo dif&#237;cil de conjugar na primeira pessoa do singular. Ele melhora um pouco na primeira pessoa do plural, mas mesmo no n&#243;s lutamos, cada um luta tamb&#233;m a sua luta. E sempre novamente eu luto.</p><p>Eu luto. Desde o ano passado pratico Jiu-jitsu. &#201; engra&#231;ado, porque quando crian&#231;a fiz umas aulas, mas assim que me machuquei meus pais me tiraram. O mais engra&#231;ado ainda &#233; que me machuquei numa brincadeira antes da aula. Mas com 39 anos resolvi voltar. Voltar &#233; forte, resolvi come&#231;ar. Come&#231;ar numa luta depois de velho, ser faixa branca, iniciar uma jornada. Desenvolve-se uma resili&#234;ncia ( que acredito ser tamb&#233;m da idade), mas tamb&#233;m um desejo de fechar esse ciclo. Ali naquele tatame, durante 60 minutos o tempo para. </p><p>No in&#237;cio do ano participei do meu primeiro campeonato. E foi muito bom entrar numa luta sabendo que voc&#234; est&#225; preparado. Independente dos resultados (ganhei a semi, perdi a final) voc&#234; d&#225; seu melhor. Lutar me d&#225; for&#231;as pra lutar, me d&#225; g&#225;s pra correr, me ensina a respirar. Colocar o g&#225;s carb&#244;nico pra fora, n&#227;o encher desesperadamente os pulm&#245;es. E quando voc&#234; est&#225; morto, &#233; a&#237; que come&#231;a a arte marcial. A luta me ensina a conhecer meus limites, mas tamb&#233;m me incentiva numa onda meio kamikaze. A adrenalina, a endorfina, a taquicardia. </p><p>Outro dia desses vi um post no LinkedIn, no qual um pai, que perdeu sua filha h&#225; dezesseis anos ainda beb&#234;, com ajuda de intelig&#234;ncia artificial pode ter o que seria uma representa&#231;&#227;o da sua filha com dezesseis anos. Como seriam seus olhos, cabelo, como seria seu quarto. E ali ele pode viver essas transforma&#231;&#245;es que ficaram apenas na sua mem&#243;ria de futuro. Fiquei bem mexido com isso, pensei em tentar ver como seria, mas n&#227;o tive coragem. Na verdade, ainda n&#227;o tenho coragem.</p><p>Na minha vers&#227;o da m&#250;sica de Toquinho, sonhei um lindo sonho, pude ver que em algum momento ele seria um menino igual a mim, mas infelizmente foi meu filho quem me ouviu embal&#225;-lo num acalanto de adeus. Talvez ele tenha me respondido e n&#227;o consegui ouvir.  Agora sonho com o filho que tive, n&#227;o mais com o que queria ter. E essa &#233; a minha luta e o meu luto.</p><p>Caso voc&#234;s gostem das discuss&#245;es aqui levantadas e tenham vontade de responder, realmente estou aqui para trocar essa ideia. Al&#233;m disso, se gostarem do conte&#250;do, indiquem para amigos que voc&#234;s acreditam que se beneficiar&#227;o desse papo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Carregando]]></title><description><![CDATA[Dias e dias]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/processando</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/processando</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Wed, 30 Apr 2025 12:24:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d20744b4-e969-42c7-80db-54aa381929c0_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Ontem recebi um email de um amigo que me deixou muito em contato com o que tenho sentido recentemente. Ele me lembrou do filme <em>A Chegada</em> do Denis Villeneuve, diretor de diversos filmes que gosto muito, sobre como uma linguista pode ajudar na chegada de uma nave alien&#237;gena ao nosso planeta. Uma rela&#231;&#227;o com essa nova linguagem e como ela transforma a percep&#231;&#227;o do tempo. Num determinado momento parece que o filme &#233; sobre um recome&#231;o da personagem, p&#243;s uma perda traum&#225;tica, por&#233;m j&#225; &#233; essa percep&#231;&#227;o do tempo atuando sobre n&#243;s. E num determinado momento, mesmo sabendo da finitude do que ela viver&#225;, a personagem escolhe viver. &#201; exatamente assim que me sinto agora. Mesmo tudo tendo sido muito devastador, se me perguntassem, viveria tudo novamente mesmo sabendo do desfecho. &#201; claro que dentro de mim ficam operando as vozes apontando momentos nos quais algo poderia ser ligeiramente diferente. Tipo um <em>De Volta para o Futuro,</em> uma pequena mudan&#231;a que n&#227;o destr&#243;i o universo.</p><p>Por&#233;m mesmo diante da impossibilidade de mudan&#231;as, escolheria todas as vezes viver esses momentos. Porque o desfecho foi muito triste, mas o caminho foi muito lindo. Sou uma pessoa que acredita nos entres mais do que nos fins. E tamb&#233;m sou o cara do fim &#233; o come&#231;o. O caminho nos faz ser quem somos. O caminho nos d&#225; a possibilidade de processar, decidir, experimentar, transformar. Lembro dos medos, das alegrias, dos planos. Muito medos. Morria de medo.</p><p>E isso me conecta com uma sensa&#231;&#227;o muito forte. Os momentos tristes n&#227;o s&#227;o s&#243; tristes e os felizes n&#227;o s&#227;o s&#243; felizes. Existe uma interse&#231;&#227;o constante entre esses momentos. Claro que existem os picos, j&#225; falei muito de onda por aqui. Quando pegamos uma onda n&#227;o ficamos s&#243; na crista dela. Transitamos entre vale e crista, isso nos possibilita fazer as manobras. Deslizando, descendo e subindo para pegar velocidade e fazer um a&#233;reo ou qualquer outra manobra. Se pegamos uma lupa para analisar os momentos felizes de nossa vida, vamos enxergar a aus&#234;ncia de uma linearidade e talvez at&#233; uma aus&#234;ncia de padr&#227;o. Da mesma maneira acontece com os momentos tristes. Quem assistiu <em>Divertidamente</em> t&#225; ligado nisso. A obsess&#227;o da Alegria em manter as mem&#243;rias b&#225;sicas alegres &#233; o disparador dos eventos do filme e como isso quase bota tudo a perder.</p><p>Pra mim hoje, acreditar nisso &#233; a &#250;nica possibilidade. Porque se n&#227;o acreditar nisso, n&#227;o sei no que acreditar. E isso &#233; a parte mais dif&#237;cil de todas. A parte na qual dobramos a aposta pro futuro. Sei que em tempos de BETs falar em aposta &#233; algo complicado, mas preciso apostar na vida. Acreditar na mudan&#231;a e nas encruzilhadas apresentadas pra mim nos pr&#243;ximos cap&#237;tulos da minha vida. Uma fonte de esperan&#231;a, apesar de esperan&#231;a n&#227;o ser o melhor sentimento, mas tamb&#233;m uma forma de ter certeza no futuro. Certeza de que n&#227;o ando sozinho. Certeza de que existe muito amor na minha vida. Certeza de que &#8220;<em>iremos achar o tom, um acorde com lindo som e fazer com que fique bom, outra vez, o nosso cantar&#8221;</em>.</p><p>Enquanto isso o que me resta &#233; confiar no processo. Respeitar meus limites. Torcer pra vida ser doce.</p><p>Se gostou do papo, compartilha com algu&#233;m que pode se identificar.</p><p>Lembrando que existe a possibilidade de ser um assinante aqui da news e ajudar a manter esse espa&#231;o ativo.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Não ficar parado! ]]></title><description><![CDATA[Movimento, mem&#243;ria e porque n&#227;o repeti&#231;&#227;o.]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/nao-ficar-parado</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/nao-ficar-parado</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Wed, 23 Apr 2025 10:03:18 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/23d4131c-66dc-4f47-8382-b0c4bdb44e9a_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Cada dia tem sido um dia e cada escolha tem sido uma escolha. N&#227;o consigo ainda retomar leituras, nem assistir a filmes ou s&#233;ries que me pe&#231;am para pensar. S&#243; o scroll e coisas que explodem ou coisas que s&#227;o bobas. A raiva encontrou um caminho e agora fica mais o vazio e a tristeza grande, forte e intensa.</p><p>Como uma pessoa que j&#225; lida com a depress&#227;o e a trata, penso muito sobre o quanto deixar sentir e o quanto dosar o sentir. Mesmo n&#227;o parecendo t&#227;o simples e t&#227;o poss&#237;vel, deixar sentir solto e sem vig&#237;lia pode levar-me facilmente a um buraco profundo. O dosar sentir tamb&#233;m. Reprimir, sublimar e esconder s&#227;o lugares de certa &#8220;sabotagem&#8221; tipo tampar um buraco de um dente com um chiclete. &#201; poss&#237;vel, mas n&#227;o bloqueia a entrada de bact&#233;rias dentro do dente. E o que era um buraquinho pode tornar-se um burac&#227;o.</p><p><em>N&#227;o ficar parado</em> &#233; uma ideia que pra mim concilia o <em>deixar sentir</em> e o <em>dosar sentir</em>. Muitas pessoas ficam preocupadas com o falar e reviver. N&#227;o preciso falar para reviver. As vezes, uma pequena lembran&#231;a ou um mini gatilho puxa a conta toda. Ent&#227;o, se mexer &#233; fundamental e necess&#225;rio. Claro que n&#227;o me refiro s&#243; a pr&#225;tica esportiva. No meu caso, at&#233; me ajuda, mas &#233; imposs&#237;vel pensar na mera possibilidade desse ser o &#250;nico recurso para <em>n&#227;o ficar parado. N&#227;o ficar parado</em> &#233; mais do que mexer-se geograficamente em algum espa&#231;o, consiste em ter a no&#231;&#227;o das for&#231;as e vetores que atuam num determinado momento.</p><p>Quando voc&#234; estudou f&#237;sica na escola, com certeza teve uma quest&#227;o de um cubo num plano inclinado. Se um objeto c&#250;bico est&#225; num plano inclinado parado quais s&#227;o as for&#231;as que atuam sobre ele?</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!JNo1!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7714e53e-a94c-49ab-85b2-c7d15f40eaf2_1280x720.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!JNo1!, /__u/chicocanella.substack.com/w_424, /__u/chicocanella.substack.com/c_limit, /__u/chicocanella.substack.com/f_webp, /__u/chicocanella.substack.com/q_auto:good, /__u/chicocanella.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7714e53e-a94c-49ab-85b2-c7d15f40eaf2_1280x720.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!JNo1!, 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Se o atrito for maior que tudo isso ele seguir&#225; parado. Se n&#227;o existir o atrito, o cubo encontrar&#225; sem piedade o final do plano. O plano n&#227;o &#233; ignorar o que nos prende. &#201; entender para poder elaborar. Uma prancha de surfe tem um atrito muito baixo, para isso o surfista passa parafina nela. Assim como um shape de skate sem lixa e por ai vai. Para performar todas as manobras que esses esportes exigem, &#233; necess&#225;rio ter a &#8220;pris&#227;o&#8221; do atrito e n&#227;o o grupe de uma amarra. Preso o bastante para estar solto quando necess&#225;rio.</p><p>Essa rela&#231;&#227;o entre as for&#231;as e os corpos &#233; algo que sem d&#250;vida n&#227;o &#233; simples de administrar. As vezes, as for&#231;as s&#227;o muito grandes e uma descida em queda livre se torna o final para um objetivo. As vezes, o atrito &#233; t&#227;o grande que ficamos parados e im&#243;veis no momento de nossas dores, nos desafios, na vida. &#201; importante ter um plano e seguir o plano sempre que poss&#237;vel. Mas em alguns momentos, nada sai como o planejado e precisamos ter for&#231;a para contornar isso. Como disse, e j&#225; citei mais de uma vez aqui, Rocky Balboa para seu filho: A vida n&#227;o &#233; um arco-&#237;ris, um conto de fadas. Ningu&#233;m vai bater t&#227;o forte quanto a vida. Mas &#233; nesse momento que sabemos quem somos. &#201; quando atingimos um ponto inimagin&#225;vel que podemos dizer quem somos.</p><p>Quais s&#227;o as for&#231;as que atuam sobre n&#243;s todos os dias? Vontade, desejo, saudade, amor, tristeza. For&#231;as que nos paralisam, for&#231;as que nos movem. For&#231;as que nos fazem encontrar sentido. Ou sentidos. Por enquanto, sigo procurando sentido para seguir aqui escrevendo, comunicando e construindo essa rede.</p><p>&#201; poss&#237;vel ajudar a fortalecer essa newsletter se tornando um assinante. Temos planos mensal, semestral ou anual. Seja um membro e ajude essa news a continuar. </p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://chicocanella.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/chicocanella.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Sem título 2]]></title><description><![CDATA[Uma breve hist&#243;ria, um amor gigante.]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/sem-titulo-2</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/sem-titulo-2</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Wed, 02 Apr 2025 10:03:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/43c720a1-bc46-4eb9-a988-b59654542160_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Hoje come&#231;o diferente, pois tudo est&#225; diferente.</p><p>Sempre quis escrever uma fic&#231;&#227;o sobre meu bisav&#244;. Nilo Canella, natural de Araruama, filho de uma escravizada liberta com um fazendeiro da regi&#227;o. Pai de nove, av&#244; de muitos, calafate e comunista. Nunca encontrei o tom para deixar a quantidade de fic&#231;&#227;o adentrar nesse fato hist&#243;rico e dar o tom que queria para essa homenagem.</p><p>Mas hoje me vejo despeda&#231;ado e pensando que reside s&#243; na fic&#231;&#227;o os encontros com meu filho. Meu filho que desejei, aguardei e amei, junto a minha companheira e nossa filha. Uma crian&#231;a especial e que transformou a forma como vejo e entendo o mundo. E acredito que vai seguir transformando na medida em que essa dor puder dar espa&#231;o para outros sentimentos. Essa perda me fez pensar no que temos dado valor enquanto seres humanos, como deixamos coisas bobas e pequenas tomarem a frente e o controle de nossas vidas, como estamos colocando os esfor&#231;os nos lugares errados. N&#227;o costumo ser t&#227;o categ&#243;rico a respeito de certo e errado. No entanto, h&#225; sim algo de errado em n&#243;s e no mundo.</p><p>Por&#233;m, tenho um compromisso com ele agora. Um compromisso de transformar toda essa tristeza, saudade e desejo de viver tantos momentos juntos em felicidade. Longe de mim estar tentando ver o lado bom dessa situa&#231;&#227;o. N&#227;o existe. N&#227;o tem. Mas existe tudo que vivemos nesses &#250;ltimos 6 meses. Desde a descoberta, o medo, as incertezas, depois um amor sem precedentes, uma vontade de ver ele todo cagado com uma fralda vazada, fazendo pirra&#231;a num shopping porque quer sorvete, me chamando de chato. Primeiro choro, primeiro passo, primeiro erro. Tudo isso s&#243; acontece agora na fic&#231;&#227;o. A &#250;nica coisa que n&#227;o &#233; ficcional nessa hist&#243;ria &#233; o amor. E por isso tenho certeza que seremos felizes.</p><p>N&#227;o sei como esse espa&#231;o vai ser daqui pra frente. Sei que &#233; bom construir coisas e espa&#231;os para dividir coisas nos espa&#231;os.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Segunda chance não é um presente]]></title><description><![CDATA[&#201; uma prova.]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/segunda-chance-nao-e-um-presente</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/segunda-chance-nao-e-um-presente</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Wed, 19 Mar 2025 10:03:43 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f402a1cd-4ae8-4aae-88b1-5621fc65a4ea_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Lancei meu canal no Youtube chamado <a href="https://www.youtube.com/@PensadorAmador">Pensador Amador</a> e j&#225; tem <a href="https://youtu.be/lKvkFb-yIeM?si=EGZThlzgo2-vCdHm">um novo v&#237;deo l&#225;</a>! Toda sexta vai sair uma nova Associa&#231;&#227;o Livre. Assina l&#225; pra receber sempre em primeira m&#227;o!</p><blockquote><h3>&#8220;Espero que todos n&#243;s ou nenhum de n&#243;s sejamos julgados pelos atos de nossos momentos mais fracos, mas, sim, pela for&#231;a que demonstramos quando e se nos &#233; dada uma segunda chance&#8221;</h3></blockquote><p>Essa frase do <em><a href="https://tv.apple.com/br/show/ted-lasso/umc.cmc.vtoh0mn0xn7t3c643xqonfzy">Ted Lasso</a></em> me pegou de jeito. Tem algo de muito humano nela, algo que a gente sente na pele, mas nem sempre coloca em palavras. O medo de sermos definidos pelos nossos piores momentos e a esperan&#231;a de que sejamos lembrados pelo que fizemos depois deles.</p><p>Errar &#233; inevit&#225;vel. A gente fala besteira, age sem pensar, machuca quem a gente gosta. E, quando a poeira baixa, bate aquele misto de culpa e incerteza: eu sou esse erro? Ou eu sou aquilo que fa&#231;o depois dele?</p><p>Hoje em dia, tem um movimento muito forte de congelar as pessoas nos seus erros. O famoso tribunal da internet que acusa, julga e condena. Como se ningu&#233;m pudesse aprender, crescer ou mudar. &#192;s vezes, esquecemos que evoluir &#233; uma condi&#231;&#227;o humana. Mas, ao mesmo tempo, quantas vezes n&#243;s mesmos n&#227;o seguramos as pessoas nos erros que cometeram? Quantas vezes n&#227;o damos a segunda chance que gostar&#237;amos de receber? </p><p>O ponto &#233; que a segunda chance n&#227;o &#233; um presente, &#233; uma prova. Quando ela vem, voc&#234; precisa mostrar que aprendeu alguma coisa. E isso vale pra vida, pro trabalho, pros relacionamentos. &#192;s vezes a gente s&#243; descobre <strong>do que &#233; feito</strong> quando tem a oportunidade de tentar de novo. Mas nem sempre essa chance aparece. E, quando aparece, pode vir acompanhada de desconfian&#231;a, de receio, de um olhar que diz "vamos ver se dessa vez voc&#234; faz diferente". Precisamos estar treinados e preparados para aproveitar essa chance. </p><p>&#201; a&#237; que entra outro ensinamento de <em>Ted Lasso</em>: tenha a mem&#243;ria de um peixinho dourado. O peixe dourado esquece r&#225;pido. Ele n&#227;o fica remoendo erros, nem se martirizando pelo que passou. Isso n&#227;o significa ignorar o que aconteceu, mas significa n&#227;o se definir por isso. Significa permitir que o passado ensine, sem deixar que ele te aprisione.</p><p>E tudo isso tamb&#233;m corrobora com uma cita&#231;&#227;o de Walt Whitman: &#8220;Seja curioso, n&#227;o cr&#237;tico&#8221;, que Ted usa tamb&#233;m. Ser cr&#237;tico &#233; ter respostas e adendos para tudo, ser curioso &#233; sempre perguntar antes de formar opini&#227;o. Quando estamos armados de todas as respostas n&#227;o temos espa&#231;os para as perguntas. E essa curiosidade pode nos ajudar tanto a entender quando daremos uma segunda chance ou quando tivermos para sabermos us&#225;-las. </p><p>Me peguei pensando em momentos em que precisei dessa segunda chance. Seja num projeto que deu errado, numa rela&#231;&#227;o que ficou estremecida, numa escolha que, na hora, parecia certa, mas se mostrou um erro. Em alguns desses casos, eu tive a chance de fazer diferente. Em outros, n&#227;o. Mas, em todos, aprendi alguma coisa. J&#225; tive experi&#234;ncias ruins ao dar segundas chances, mas n&#227;o quero que essas definam o meu futuro e como vou lidar com as adversidades que a vida possa apresentar. </p><p>E voc&#234;? J&#225; precisou de uma segunda chance? J&#225; precisou dar uma para algu&#233;m? Como foi essa experi&#234;ncia? Bora trocar uma ideia.</p><p>Se gostou do papo, compartilha com algu&#233;m que pode se identificar.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Permissividade ]]></title><description><![CDATA[Reconhecendo meu pior defeito]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/permissividade</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/permissividade</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Wed, 12 Mar 2025 10:03:48 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/aefd9e4a-0511-4b99-b06e-d30d669a3a18_1280x720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> Uma newsletter quase semanal sobre temas quase cotidianos.</p><p>Lancei um canal no Youtube chamado <a href="https://www.youtube.com/@PensadorAmador">Pensador Amador</a> e j&#225; tem <a href="https://youtu.be/N5UpVwCW1Ds?si=69inU5xGHEWwnN23">um v&#237;deo</a> l&#225;! Toda sexta vai sair uma associa&#231;&#227;o livre nova. Assina l&#225; pra receber sempre em primeira m&#227;o!</p><p>Na semana passada escrevi sobre Gourmetiza&#231;&#227;o dos Afetos e me peguei pensando qual seria meu pior defeito. Ou pelo menos qual dos meus defeitos me incomodam mais. E cheguei a conclus&#227;o que &#233; a permissividade. Mas quando isso come&#231;ou?</p><blockquote><p><code>Permissivo </code></p><p><code>adjetivo </code></p><p><code>1. que desculpa certas falhas ou erros; tolerante, indulgente. "educadores exigentes e educadores permissivos." </code></p><p><code>2. que permite; que concede permiss&#227;o; que envolve permiss&#227;o.</code></p></blockquote><p>Esse ai de faixa do Rambo sou eu.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!FJz2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F32446f26-77eb-45be-92d6-d03a8bbb02cd_4032x3024.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!FJz2!, /__u/chicocanella.substack.com/w_424, /__u/chicocanella.substack.com/c_limit, /__u/chicocanella.substack.com/f_webp, /__u/chicocanella.substack.com/q_auto:good, 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Mas sempre tamb&#233;m fui uma crian&#231;a que fazia o que precisava ser feito. Entendi em algum momento a necessidade de fazer algo para o outro. E durante muito tempo, estudei para meus pais, ouvi m&#250;sicas para meus irm&#227;os, gostei de quadrinhos pelos meus amigos. E talvez por uma brecha na minha personalidade isso foi me moldando.</p><p>Acredito, por motivos &#243;bvios, que n&#227;o sou o &#250;nico assim. Mas identifico como a press&#227;o social pode moldar de diferentes formas os indiv&#237;duos. Podemos pegar como exemplo g&#234;meos univitelinos, os clones <s>naturais</s>, teoricamente id&#234;nticos, mas que apresentam diversas diverg&#234;ncias em gostos, personalidade e prefer&#234;ncias. Teoricamente o mesmo indiv&#237;duo replicado, por&#233;m com impactos diferentes da sociedade sobre eles. Tem aquele filme, <em><a href="https://www.primevideo.com/-/pt/detail/Tr%C3%AAs-Estranhos-Id%C3%AAnticos/0PQHYVO45ESBLRF7N71FWO146G">Tr&#234;s Estranhos Id&#234;nticos</a></em>, que de certa forma aborda isso.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!7-q2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd42ebea0-4769-4ac5-850c-1de8e34e7bad_768x512.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!7-q2!, /__u/chicocanella.substack.com/w_424, /__u/chicocanella.substack.com/c_limit, /__u/chicocanella.substack.com/f_webp, /__u/chicocanella.substack.com/q_auto:good, 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E digo assim, pois tenho d&#250;vidas se por ser permissivo me impactei dessa maneira, ou se a forma como fui impactado me deixou permissivo. E de alguma maneira essa permissividade me colocou ou me ajudou a estar em diversos lugares (geogr&#225;ficos e sentimentais) indesejados por mim.</p><p>Tem tempo que n&#227;o dou uma racializada nas conversas por aqui, mas hoje vai rolar. Por ser uma pessoa amb&#237;gua racialmente para os outros (pessoas br4ncas) - as vezes branco demais para ser negro e normalmente negro demais para ser branco - o pertencimento tinha um car&#225;ter as vezes dif&#237;cil de encaixar. E a permissividade abria portas pra mim, nem sempre as melhores, para seguir. De alguma forma, por me sentir por baixo, aceitava o que vinha. E durante muito tempo n&#227;o &#8220;sabia&#8221; do que gostava ou do que n&#227;o gostava.</p><p>Vaguei muito tempo sem saber muito o que queria. E acredito que esse tra&#231;o em mim me dificulta em assumir um lado. Ou de expressar o que quero. Acredito muito no poder curativo que esse espa&#231;o tem pra mim, principalmente depois de mudar o tom dessa newsletter para essa forma mais intimista de compartilhar minhas vis&#245;es de mundo. Diferente do in&#237;cio, no qual estava mais uma vez criando um espa&#231;o para ficar a servi&#231;o de.</p><p>Bem, com muita terapia (obrigado Isa), consegui dar uma guinada na minha vida para caminhos mais interessantes para mim. Consegui identificar mais o que eu quero, o que eu gosto e venho aprendendo a me expressar melhor, ao inv&#233;s de s&#243; calar. Tenho anotado num papel sempre no meu campo de vis&#227;o quando estou sentado no computador que diz: &#8220;Eu expresso meus sentimentos de forma clara&#8221; - para me lembrar dessa capacidade e principalmente da minha necessidade de faz&#234;-lo.</p><p>Mas e quando todo mundo est&#225; acostumado com essa sua forma de estar no mundo e de repente voc&#234; vai mudando, o que acontece? Bom, acho que esse &#233; um assunto para uma outra news, n&#233;? Mas posso adiantar que cabe&#231;as rolam, amizades acabam e muitas pessoas ficam decepcionadas com voc&#234;. E isso &#233; uma coisa boa. Quem sabe um dia escrevo sobre isso.</p><p>Qual seu pior defeito? Ele j&#225; te meteu em muitas confus&#245;es? Vamos trocar uma ideia sobre isso? Se gostou do papo, compartilha com algu&#233;m que pode se identificar.</p><p>&#201; poss&#237;vel se tornar um assinante pago e ajudar essa newsletter e seu escritor. Clica aqui e descubra como.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://chicocanella.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/chicocanella.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Associação livre estréia no Youtube]]></title><description><![CDATA[Lancei meu canal Pensador Amador]]></description><link>https://chicocanella.substack.com/p/associacao-livre-estreia-no-youtube</link><guid isPermaLink="false">https://chicocanella.substack.com/p/associacao-livre-estreia-no-youtube</guid><dc:creator><![CDATA[Chico Canella]]></dc:creator><pubDate>Fri, 07 Mar 2025 22:19:55 GMT</pubDate><enclosure url="https://api.substack.com/feed/podcast/158618952/3033b6ee654faa1ecf43bf22fe6b0f48.mp3" length="0" type="audio/mpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ol&#225;! Eu sou o Chico Canella e essa &#233; <em>Um bom dia para uma boa semana!</em> diferente. Aproveito o espa&#231;o seguro da nossa comunidade, para convid&#225;-los a assistir o primeiro Associa&#231;&#227;o Livre feito para estrear meu canal no Youtube: o <a href="https://www.youtube.com/@PensadorAmador">Pensador Amador. </a> Al&#233;m desse podcast, que ser&#225; semanal sempre as sextas, teremos pelo menos mais dois &#8220;programas&#8221; compondo a programa&#231;&#227;o do canal. <br>Bom agrade&#231;o demais a forma como nos desenrolamos aqui. As encruzilhadas do pensamento nos levam para um lugar muito especial, resgatando uma tecnologia muito importante e que est&#225; um pouco fora de moda: o di&#225;logo. </p><p>Coloquei um trechinho do v&#237;deo aqui, mas convido a todos e todas a assistirem na &#237;ntegra l&#225; no canal! </p><p>O boca a boca ou link a link ainda &#233; a melhor forma de divulga&#231;&#227;o! Ent&#227;o, indiquem a news e o v&#237;deo para 1 amigo ou amiga. Isso vale mais do que inscri&#231;&#227;o paga, pelo menos pra mim. </p><p>Valeu. Vamo nessa!</p>]]></content:encoded></item></channel></rss>