<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[MERCADO DE ENERGIA AO SEU ALCANCE]]></title><description><![CDATA[Atualizações inteligentes para quem quer economia e previsibilidade na conta de luz.]]></description><link>https://cocenergia.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3wZw!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fca632023-c395-476c-a95b-8d468acf2afe_1024x1024.png</url><title>MERCADO DE ENERGIA AO SEU ALCANCE</title><link>https://cocenergia.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Tue, 01 Sep 2026 18:57:15 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/cocenergia.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Arthur Oliveira]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[cocenergia@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[cocenergia@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Arthur Oliveira]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Arthur Oliveira]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[cocenergia@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[cocenergia@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Arthur Oliveira]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[A CRISE FINANCEIRA SILENCIOSA QUE COMEÇA A REDESENHAR O SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO]]></title><description><![CDATA[O Risco Financeiro que Come&#231;a a Redesenhar o Setor El&#233;trico Brasileiro]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/a-crise-financeira-silenciosa-que</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/a-crise-financeira-silenciosa-que</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Mon, 27 Jul 2026 20:01:40 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f3413a51-ee75-4464-97aa-970af200bcde_300x200.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><span>H&#225; alguns anos venho defendendo, em diversos artigos, que a expans&#227;o do setor el&#233;trico brasileiro somente ser&#225; sustent&#225;vel se vier acompanhada de crescimento respons&#225;vel, disciplina financeira, gest&#227;o permanente de riscos e criteriosa sele&#231;&#227;o dos consumidores. Sempre sustentei que a deteriora&#231;&#227;o do cr&#233;dito na economia real n&#227;o poderia ser integralmente transferida para a cadeia el&#233;trica sem comprometer sua capacidade de investimento. Os acontecimentos recentes demonstram que esse risco deixou de ser uma preocupa&#231;&#227;o prospectiva para se tornar uma realidade que j&#225; influencia decis&#245;es de investimento em todo o setor.</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Talvez isso explique por que um dos maiores desafios do setor tenha recebido t&#227;o pouca aten&#231;&#227;o nos &#250;ltimos anos. Enquanto o debate se concentrou na expans&#227;o das fontes renov&#225;veis, na abertura do mercado livre, na moderniza&#231;&#227;o regulat&#243;ria e na incorpora&#231;&#227;o de novas tecnologias &#8212; temas que continuam fundamentais para a transforma&#231;&#227;o da matriz el&#233;trica brasileira &#8212;, a deteriora&#231;&#227;o da sa&#250;de financeira das empresas avan&#231;ava de forma silenciosa. O aumento das recupera&#231;&#245;es judiciais e extrajudiciais, a eleva&#231;&#227;o do custo do cr&#233;dito e a redu&#231;&#227;o da gera&#231;&#227;o de caixa dos grandes consumidores revelam que, mais do que um desafio regulat&#243;rio ou tecnol&#243;gico, o setor el&#233;trico passa a enfrentar um desafio essencialmente financeiro.</span></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>ESTRESSE MACROECON&#212;MICO E DETERIORA&#199;&#195;O DO CR&#201;DITO CORPORATIVO</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><span>O cen&#225;rio econ&#244;mico brasileiro passou a exercer influ&#234;ncia direta sobre o setor el&#233;trico. Em 2025, foram registrados 977 pedidos de recupera&#231;&#227;o judicial, o maior n&#250;mero desde 2016, envolvendo 2.466 empresas, enquanto a inadimpl&#234;ncia empresarial atingiu aproximadamente 9 milh&#245;es de CNPJs negativados e um estoque de d&#237;vidas de R$ 229,9 bilh&#245;es. Paralelamente, as recupera&#231;&#245;es extrajudiciais ganharam relev&#226;ncia, com passivos superiores a R$ 109 bilh&#245;es apenas em 2026. Esses indicadores revelam uma deteriora&#231;&#227;o da capacidade financeira das empresas que ultrapassa setores espec&#237;ficos e alcan&#231;a grandes consumidores de energia, como varejo, siderurgia, papel e celulose, sucroenerg&#233;tico, log&#237;stica e shopping centers, reduzindo investimentos, consumo e capacidade de contrata&#231;&#227;o de energia.</span></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>O FIM DO CICLO DO CR&#201;DITO BARATO E A PRESS&#195;O SOBRE A GERA&#199;&#195;O DISTRIBU&#205;DA</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><span>Esse ambiente coincidiu com uma profunda mudan&#231;a nas condi&#231;&#245;es de financiamento dos projetos de gera&#231;&#227;o distribu&#237;da. Entre 2020 e 2022, a combina&#231;&#227;o de Selic em torno de 2% ao ano, elevada liquidez e forte disponibilidade de cr&#233;dito favoreceu modelos de expans&#227;o baseados em aquisi&#231;&#245;es e elevado grau de alavancagem. Com a manuten&#231;&#227;o dos juros em patamares significativamente superiores, o aumento das despesas financeiras, somado aos atrasos na entrada em opera&#231;&#227;o dos ativos e &#224; deteriora&#231;&#227;o do cr&#233;dito de parte dos consumidores, passou a pressionar o fluxo de caixa de diversas empresas. O caso da Thopen ilustra esse novo contexto ao apontar, em seu pedido cautelar, que a eleva&#231;&#227;o do custo de passivos indexados ao CDI, associada a atrasos operacionais e receitas inferiores &#224;s projetadas, comprometeu sua estrutura financeira.</span></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!qP_e!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8f1f8f94-596d-4712-814b-1668e83da076_300x200.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!qP_e!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, 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Ap&#243;s executar uma estrat&#233;gia agressiva de expans&#227;o por meio da aquisi&#231;&#227;o de ativos relevantes de gera&#231;&#227;o distribu&#237;da, a companhia obteve tutela cautelar para suspender temporariamente execu&#231;&#245;es enquanto prepara seu pedido de recupera&#231;&#227;o judicial. Segundo informa&#231;&#245;es constantes do pr&#243;prio processo, a empresa atribui sua dificuldade financeira &#224; combina&#231;&#227;o de diversos fatores: aumento expressivo do custo financeiro de passivos indexados ao CDI, atraso na entrada em opera&#231;&#227;o de ativos, receitas inferiores &#224;s originalmente projetadas e atrasos na conex&#227;o de usinas j&#225; conclu&#237;das.</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Abaixo, a s&#237;ntese das principais movimenta&#231;&#245;es que ilustram esse movimento de expans&#227;o recente:</span></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!wyVQ!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7590d947-05bb-45e1-aea5-9f4253e2c9b1_1685x703.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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ambiente macroecon&#244;mico podem comprometer estruturas financeiras originalmente consideradas sustent&#225;veis. O caso n&#227;o deve ser interpretado como uma caracter&#237;stica da gera&#231;&#227;o distribu&#237;da, mas como um alerta sobre os riscos inerentes a modelos de expans&#227;o altamente dependentes de financiamento.</span></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>A GERA&#199;&#195;O DISTRIBU&#205;DA CONTINUA FORTE &#8212; O DESAFIO EST&#193; NA ESTRUTURA FINANCEIRA</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><span>Seria um equ&#237;voco concluir que a gera&#231;&#227;o distribu&#237;da entrou em crise. Os n&#250;meros mostram exatamente o contr&#225;rio. O segmento continua sendo um dos principais motores de crescimento do setor el&#233;trico brasileiro, impulsionado pela competitividade da energia solar, pela busca por redu&#231;&#227;o de custos e pela crescente descentraliza&#231;&#227;o da gera&#231;&#227;o. O desafio n&#227;o est&#225; na tecnologia. Tamb&#233;m n&#227;o est&#225; na demanda. O desafio est&#225; na sustentabilidade financeira de determinados modelos de expans&#227;o adotados durante o ciclo de cr&#233;dito barato. Empresas excessivamente alavancadas tornam-se muito mais vulner&#225;veis quando enfrentam aumento do custo do capital, atraso na gera&#231;&#227;o de receitas ou redu&#231;&#227;o da capacidade de pagamento dos pr&#243;prios consumidores.</span></p><p><strong><span>ATRASOS DE CONEX&#195;O: UM RISCO SUBESTIMADO</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><span>Outro fator que merece maior aten&#231;&#227;o diz respeito aos atrasos de conex&#227;o. Uma usina pronta para operar continua acumulando despesas financeiras, seguros, custos de opera&#231;&#227;o e manuten&#231;&#227;o, deprecia&#231;&#227;o e despesas administrativas. Entretanto, enquanto permanece aguardando autoriza&#231;&#227;o para conex&#227;o, simplesmente n&#227;o produz receita. Para empreendimentos altamente alavancados, poucos meses de atraso podem comprometer completamente o fluxo de caixa originalmente projetado. A recente aplica&#231;&#227;o de multa de R$ 82,7 milh&#245;es pela ANEEL &#224; Neoenergia Coelba por irregularidades relacionadas a processos de conex&#227;o demonstra que a fiscaliza&#231;&#227;o regulat&#243;ria e, agora, come&#231;ou a atuar com firmeza. Entretanto, a puni&#231;&#227;o posterior n&#227;o elimina o preju&#237;zo financeiro suportado pelo empreendedor durante o per&#237;odo em que permaneceu impossibilitado de faturar. Esse &#233; um risco que frequentemente recebe pouca aten&#231;&#227;o nas an&#225;lises de viabilidade econ&#244;mica.</span></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>O EFEITO DOMIN&#211;</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><span>O maior risco para o setor el&#233;trico talvez n&#227;o esteja em um evento isolado, mas no efeito em cadeia produzido pela combina&#231;&#227;o desses fatores. Empresas entram em dificuldades financeiras, reduzem produ&#231;&#227;o, consomem menos energia, renegociam contratos, postergam investimentos, cancelam projetos de autoprodu&#231;&#227;o e suspendem novas contrata&#231;&#245;es de gera&#231;&#227;o distribu&#237;da. Aumenta a vac&#226;ncia de ativos e diminui a gera&#231;&#227;o de caixa dos empreendedores. O cr&#233;dito fica mais caro, os bancos tornam-se mais seletivos e novos projetos deixam de sair do papel. Esse efeito domin&#243; pode desacelerar investimentos justamente em um momento em que o Brasil necessita ampliar sua infraestrutura energ&#233;tica para atender ao crescimento da demanda e &#224; transi&#231;&#227;o energ&#233;tica.</span></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>O NOVO PERFIL DO INVESTIDOR</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><span>Essa mudan&#231;a tamb&#233;m altera profundamente o comportamento dos investidores. Durante o ciclo de cr&#233;dito barato, a prioridade era crescimento acelerado, expans&#227;o territorial e aquisi&#231;&#227;o de ativos. Hoje, liquidez, gera&#231;&#227;o consistente de caixa, disciplina de capital, governan&#231;a e qualidade do cr&#233;dito dos clientes passaram a ocupar posi&#231;&#227;o central nas decis&#245;es de investimento. A expans&#227;o continua importante, mas crescer deixou de ser suficiente. Ser&#225; necess&#225;rio crescer preservando equil&#237;brio financeiro.</span></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>CONCLUS&#195;O</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><span>Durante muito tempo acreditou-se que os maiores desafios do setor el&#233;trico brasileiro seriam tecnol&#243;gicos ou regulat&#243;rios. Esses fatores continuam essenciais, mas os acontecimentos recentes demonstram que uma nova vari&#225;vel passou a ocupar posi&#231;&#227;o estrat&#233;gica: a sustentabilidade financeira dos agentes que comp&#245;em toda a cadeia do setor. A transi&#231;&#227;o energ&#233;tica continuar&#225; avan&#231;ando, a abertura do mercado livre ampliar&#225; oportunidades e a gera&#231;&#227;o distribu&#237;da seguir&#225; expandindo sua participa&#231;&#227;o na matriz el&#233;trica brasileira. O diferencial competitivo, por&#233;m, tende a deixar de estar apenas na capacidade de construir mais usinas ou adquirir novos ativos. Em um ambiente de cr&#233;dito mais restritivo, liquidez, disciplina financeira, gest&#227;o de riscos, baixa alavancagem e criteriosa avalia&#231;&#227;o do risco de cr&#233;dito dos consumidores passam a ser fatores t&#227;o importantes quanto a efici&#234;ncia operacional e a inova&#231;&#227;o tecnol&#243;gica.</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Em &#250;ltima an&#225;lise, o pr&#243;ximo ciclo de crescimento do setor ser&#225; definido n&#227;o apenas pela capacidade de investir, mas pela capacidade de crescer de forma sustent&#225;vel. A energia continuar&#225; sendo um dos pilares do desenvolvimento econ&#244;mico brasileiro, mas a solidez financeira tende a se consolidar como o principal diferencial estrat&#233;gico para transformar crescimento em perenidade.</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Fontes:</span></p><ol><li><p><span>- Brazil Journal &#8211; &#8220;Thopen, empresa de GD da Denham, prepara pedido de RJ&#8221; (25/07/2026)</span></p></li><li><p><span>- Pipeline Valor / Globo &#8211; planos da Pontal Energy e aquisi&#231;&#227;o da RZK</span></p></li><li><p><span>- UOL &#8211; levantamento de mais de 20 empresas listadas na B3 em recupera&#231;&#227;o judicial ou extrajudicial</span></p></li><li><p><span>- Observat&#243;rio Brasileiro de Recupera&#231;&#227;o Extrajudicial (OBRE) &#8211; dados de recupera&#231;&#245;es extrajudiciais 2025-2026</span></p></li><li><p><span>- Ag&#234;ncia Nacional de Energia El&#233;trica (Aneel) &#8211; dados de capacidade instalada de MMGD e multa de R$ 82,7 milh&#245;es &#224; Neoenergia Coelba (julho/2026)</span></p></li></ol>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[AUTOPRODUÇÃO SOB PRESSÃO: O BRASIL ESTÁ REPRECIFICANDO O USO DA REDE OU DESINCENTIVANDO O INVESTIMENTO PRIVADO?]]></title><description><![CDATA[O TCU EST&#193; CORRIGINDO UMA DISTOR&#199;&#195;O OU REDESENHANDO A POL&#205;TICA P&#218;BLICA DA AUTOPRODU&#199;&#195;O?]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/autoproducao-sob-pressao-o-brasil</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/autoproducao-sob-pressao-o-brasil</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Thu, 25 Jun 2026 21:35:37 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Y-1V!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F33df818d-480d-40dd-8385-aa181c24e7e5_549x364.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><span>O debate regulat&#243;rio sobre a autoprodu&#231;&#227;o de energia no Brasil ganhou contornos de urg&#234;ncia ap&#243;s a auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da Uni&#227;o (TCU). Sob a relatoria do ministro Antonio Anastasia, a corte de contas recomendou ao Minist&#233;rio de Minas e Energia (MME) e &#224; Ag&#234;ncia Nacional de Energia El&#233;trica (ANEEL) uma revis&#227;o profunda na base de incid&#234;ncia do Encargo de Servi&#231;o de Sistema (ESS) el&#233;trico, sugerindo a transi&#231;&#227;o do crit&#233;rio de consumo l&#237;quido para o consumo bruto. O relat&#243;rio tamb&#233;m pressiona pela c&#233;lere conclus&#227;o da Consulta P&#250;blica n&#186; 42 da ANEEL, sinalizando a inten&#231;&#227;o de estender o rateio do Encargo de Energia de Reserva (EER) e do ESS de Seguran&#231;a Energ&#233;tica aos moldes de arrecada&#231;&#227;o aplicados &#224; Conta de Desenvolvimento Energ&#233;tico (CDE) e ao Programa de Incentivo &#224;s Fontes Alternativas (PROINFA).</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Diante de tais recomenda&#231;&#245;es, emerge uma quest&#227;o institucional que transcende a mera calibragem de tarifas: estar&#225; o &#243;rg&#227;o de controle simplesmente corrigindo uma assimetria operacional ou avan&#231;ando sobre as compet&#234;ncias do Poder Concedente para redesenhar as diretrizes de uma pol&#237;tica p&#250;blica consolidada?</span></p><p style="text-align: justify;"><span>O problema central n&#227;o reside na revis&#227;o das regras em si. Toda pol&#237;tica setorial precisa ser periodicamente reavaliada para fazer frente &#224;s transforma&#231;&#245;es de mercado. O problema surge quando as propostas de altera&#231;&#227;o desestruturam a equa&#231;&#227;o econ&#244;mica de investimentos realizados sob um conjunto normativo anterior, sem prever salvaguardas adequadas de transi&#231;&#227;o. Em setores intensivos em capital e com longos horizontes de matura&#231;&#227;o, como a infraestrutura de energia el&#233;trica, a previsibilidade regulat&#243;ria n&#227;o deve ser interpretada como um benef&#237;cio concedido ao investidor; trata-se de uma condi&#231;&#227;o essencial para que o pr&#243;prio investimento aconte&#231;a.</span></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Y-1V!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F33df818d-480d-40dd-8385-aa181c24e7e5_549x364.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Y-1V!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, 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autoprodu&#231;&#227;o, desde a Lei n&#186; 10.848/2004, integrou a arquitetura setorial para transferir ao capital privado o esfor&#231;o de expans&#227;o da matriz de gera&#231;&#227;o. </span><strong><span>O legislador estruturou um sinal regulat&#243;rio de longo prazo claro: agentes que assumissem os riscos de capital e performance de novas usinas seriam poupados dos custos de expans&#227;o e subs&#237;dios sist&#234;micos exigidos de quem optou por depender da rede p&#250;blica. </span></strong><span>Esse desenho evoluiu das estruturas cl&#225;ssicas (usina e carga integradas) para arranjos complexos, como cons&#243;rcios e a autoprodu&#231;&#227;o por equipara&#231;&#227;o.</span></p><p style="text-align: justify;"><span>O atual impasse decorre de uma confus&#227;o conceitual sobre os fundamentos regulat&#243;rios dos encargos setoriais, que possuem naturezas distintas:</span></p><ol><li><p><strong><span>ENCARGOS DE POL&#205;TICAS P&#218;BLICAS (CDE E PROINFA):</span></strong><span> Instrumentos parafiscais e distributivos destinados a custear subs&#237;dios e o fomento a fontes alternativas, com incid&#234;ncia universal sobre o consumo.</span></p></li><li><p><strong><span>ENCARGOS SIST&#202;MICOS E DE SEGURAN&#199;A (ESS E EER): </span></strong><span>Custos operacionais vinculados &#224; confiabilidade do sistema. O ESS el&#233;trico remunera as restri&#231;&#245;es de transmiss&#227;o do ONS; o EER cobre a contrata&#231;&#227;o de energia de reserva para o SIN; e o ESS de Seguran&#231;a Energ&#233;tica custeia os despachos t&#233;rmicos por decis&#227;o do CMSE.</span></p></li></ol><p style="text-align: justify;"><strong><span>A tentativa de igualar o rateio do EER e do ESS de Seguran&#231;a &#224; din&#226;mica da CDE ignora a efici&#234;ncia econ&#244;mica</span></strong><span>. A pr&#243;pria ANEEL, na Consulta P&#250;blica n&#186; 42/2020, registrou que a gera&#231;&#227;o destinada ao auto-suprimento deve abater determinados encargos devido &#224; dissocia&#231;&#227;o f&#237;sica com a rede regulada. Entre as premissas de 2020 e o cen&#225;rio atual, a f&#237;sica do sistema permanece id&#234;ntica; </span><strong><span>alterou-se apenas a urg&#234;ncia arrecadat&#243;ria.</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><span>H&#225;, contudo, uma distin&#231;&#227;o t&#233;cnica necess&#225;ria quanto ao ESS el&#233;trico. A altera&#231;&#227;o de sua base para o consumo l&#237;quido permitiu deduzir parcelas transacionadas no Mercado de Curto Prazo (MCP). Pelo princ&#237;pio da causalidade, se a planta industrial demanda pot&#234;ncia da rede, ela concorre para as restri&#231;&#245;es locais, independentemente de seu balan&#231;o energ&#233;tico na CCEE. Portanto, a recomenda&#231;&#227;o do TCU de retornar o ESS el&#233;trico para a base bruta possui consist&#234;ncia e restabelece a justi&#231;a tarif&#225;ria sobre o uso f&#237;sico da malha. </span><strong><span>O equ&#237;voco regulat&#243;rio est&#225; em usar essa corre&#231;&#227;o pontual como precedente para onerar retroativamente encargos de natureza puramente energ&#233;tica, como o EER e o ESS de Seguran&#231;a.</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>O RISCO DA ESPIRAL REGULAT&#211;RIA</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>O foco principal da auditoria do TCU direcionou-se ao chamado regime de autoprodu&#231;&#227;o por equipara&#231;&#227;o,</span></strong><span> no qual o investimento de constru&#231;&#227;o da usina &#233; estruturado por um parceiro gerador e a carga &#233; associada por meio de aquisi&#231;&#245;es de participa&#231;&#245;es societ&#225;rias espec&#237;ficas. Alguns setores t&#233;cnicos, enxergam nesses arranjos estruturas criadas exclusivamente para a otimiza&#231;&#227;o de encargos setoriais.</span></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>Contudo, h&#225; um risco severo de generaliza&#231;&#227;o regulat&#243;ria.</span></strong><span> </span><strong><span>Isso &#233; perigoso!</span></strong><span> Ao direcionar restri&#231;&#245;es severas a todo o segmento sob o pretexto de coibir abusos na equipara&#231;&#227;o, o regulador penaliza indiscriminadamente modelos leg&#237;timos e hist&#243;ricos de gera&#231;&#227;o pr&#243;pria, ignorando as profundas externalidades positivas que o autoprodutor gera para o sistema el&#233;trico nacional. </span><strong><span>Ao aportar capital pr&#243;prio para suprir suas necessidades</span></strong><span>, </span><strong><span>o autoprodutor reduz a necessidade de expans&#227;o futura da infraestrutura p&#250;blica, atenua a exposi&#231;&#227;o do mercado ao PLD em momentos de estresse hidroenerg&#233;tico, reduz a necessidade de contrata&#231;&#227;o de novos recursos de reserva pelo regulador e blinda o sistema contra riscos sist&#234;micos de sua pr&#243;pria carga.</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><span>O tratamento de ondas de migra&#231;&#227;o n&#227;o pode desmantelar as garantias conferidas a investimentos genu&#237;nos que geram tais benef&#237;cios para a base manufatureira nacional. </span><strong><span>O mercado de capitais observa com crescente preocupa&#231;&#227;o o fen&#244;meno que se convencionou chamar de espiral regulat&#243;ria</span></strong><span>.</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Esse processo de instabilidade cr&#244;nica caracteriza-se por uma </span><strong><span>sucess&#227;o ininterrupta de revis&#245;es de regras estruturantes que se sobrep&#245;em:</span></strong><span> o ciclo iniciou-se em 2017 com a altera&#231;&#227;o do ESS el&#233;trico; desdobrou-se em 2020 com a abertura da Consulta P&#250;blica n&#186; 42 da ANEEL; foi impactado pelas novas balizas da legisla&#231;&#227;o em 2024; agravou-se substancialmente em 2025 diante da escalada das restri&#231;&#245;es operacionais e cortes de gera&#231;&#227;o sem compensa&#231;&#227;o (</span><em><span>curtailment</span></em><span>); e culminou, em 2026, com a auditoria do TCU, enquanto o mercado ainda aguarda os desfechos sobre a revis&#227;o dos sinais locacionais da TUST/TUSD e a inser&#231;&#227;o regulat&#243;ria de novos ativos de armazenamento.</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Essa sobreposi&#231;&#227;o de frentes de revis&#227;o impede que os agentes consigam modelar com o m&#237;nimo de previsibilidade os seus fluxos de caixa futuros. Nenhum investimento em infraestrutura de grande porte &#233; aprovado olhando-se apenas para a Taxa Interna de Retorno (TIR) nominal do projeto. O investidor precifica simultaneamente o risco hidrol&#243;gico, o risco de corte de gera&#231;&#227;o por restri&#231;&#245;es de transmiss&#227;o, a estabilidade contratual, as salvaguardas tribut&#225;rias, os riscos cambiais e a seguran&#231;a jur&#237;dica da jurisdi&#231;&#227;o.</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Na teoria financeira e na governan&#231;a corporativa, a percep&#231;&#227;o de que a regula&#231;&#227;o setorial &#233; vol&#250;vel eleva diretamente o Custo M&#233;dio Ponderado de Capital (WACC). Em setores de capital intensivo, </span><strong><span>cada 1% de aumento no custo de capital &#233; capaz de retirar centenas de milh&#245;es de reais do Valor Presente L&#237;quido (VPL) de um projeto de gera&#231;&#227;o</span></strong><span>, inviabilizando empreendimentos antes mesmo do in&#237;cio das obras. O custo do capital aumenta porque a volatilidade regulat&#243;ria funciona como um indexador invis&#237;vel de incerteza sobre o fluxo de caixa futuro dos ativos.</span></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>QUEM FINANCIAR&#193; A PR&#211;XIMA USINA?</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><span>A supera&#231;&#227;o desse impasse exige que as institui&#231;&#245;es busquem uma avalia&#231;&#227;o sist&#234;mica da pol&#237;tica energ&#233;tica. Enquanto o &#243;rg&#227;o de controle foca na divis&#227;o matem&#225;tica dos custos correntes sob a &#243;tica da equidade tarif&#225;ria, esvazia-se a previsibilidade necess&#225;ria para novos projetos. O papel constitucional das cortes de contas reside na fiscaliza&#231;&#227;o, e n&#227;o na formula&#231;&#227;o ou no redesenho de diretrizes econ&#244;micas estruturais, fun&#231;&#227;o que o ordenamento confere ao Poder Concedente e ao regulador independente.</span></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>Essa descoordena&#231;&#227;o exp&#245;e uma clara contradi&#231;&#227;o governamental.</span></strong><span> De um lado, </span><strong><span>estimulam-se pol&#237;ticas voltadas &#224; industrializa&#231;&#227;o, ao hidrog&#234;nio de baixo carbono, a data centers e &#224; abertura do mercado livre</span></strong><span> &#8212; agendas que demandam bilh&#245;es em capital privado. </span><strong><span>De outro, inst&#226;ncias de controle avan&#231;am com medidas que ampliam encargos e alteram bases societ&#225;rias</span></strong><span>. Diante dessa assimetria, imp&#245;e-se uma indaga&#231;&#227;o t&#233;cnica: </span><strong><span>estar&#225; o pa&#237;s perseguindo objetivos concorrentes que anulam o apetite do investidor necess&#225;rio para cumprir a pr&#243;pria pol&#237;tica energ&#233;tica?</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><span>A grande quest&#227;o setorial n&#227;o &#233; quem pagar&#225; a conta do pr&#243;ximo encargo ou o rateio imediato dos custos de seguran&#231;a. A verdadeira pergunta &#233;: quem financiar&#225; a pr&#243;xima usina?</span></p><p style="text-align: justify;"><span>Se o investidor concluir que as regras de frui&#231;&#227;o de sua energia podem ser alteradas ap&#243;s a decis&#227;o de investimento, o impacto mais profundo n&#227;o ser&#227;o as disputas judiciais nos projetos existentes, mas sim os projetos que deixar&#227;o de existir. Menos investimento privado significa menor expans&#227;o da oferta, maior custo de capital e uma ind&#250;stria nacional menos competitiva, tornando o sistema ref&#233;m de solu&#231;&#245;es emergenciais de curto prazo. Essa realidade econ&#244;mica ultrapassa as min&#250;cias de ESS ou EER; diz respeito ao modelo de desenvolvimento que o Brasil pretende adotar.</span></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>CONCLUS&#195;O</span></strong></p><p style="text-align: justify;"><span>A auditoria promovida pelo Tribunal de Contas da Uni&#227;o cumpre o papel constitucional de provocar o debate sobre a efici&#234;ncia da aloca&#231;&#227;o dos custos do sistema el&#233;trico. Contudo, as respostas a essas provoca&#231;&#245;es n&#227;o podem ser dadas por meio de interven&#231;&#245;es casu&#237;sticas ou medidas regulat&#243;rias isoladas que visem unicamente prover um al&#237;vio financeiro conjuntural e de curto prazo &#224;s tarifas do mercado cativo, sob o risco de inviabilizar a expans&#227;o sustent&#225;vel da oferta no longo prazo.</span></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>O Brasil n&#227;o necessita do desmantelamento da autoprodu&#231;&#227;o, mas sim do aperfei&#231;oamento de sua governan&#231;a.</span></strong><span> Se o modelo de autoprodu&#231;&#227;o por equipara&#231;&#227;o demanda ajustes para evitar o esvaziamento artificial da base de custeio das distribuidoras, que tais altera&#231;&#245;es sejam processadas de forma prospectiva (</span><em><span>ex-ante</span></em><span>), resguardando o direito adquirido e o ato jur&#237;dico perfeito dos projetos vigentes.</span></p><p style="text-align: justify;"><strong><span>N&#227;o existe transi&#231;&#227;o energ&#233;tica sem o engajamento do investimento privado. N&#227;o existe investimento privado sem previsibilidade regulat&#243;ria. E n&#227;o h&#225; previsibilidade regulat&#243;ria quando regras estruturantes s&#227;o continuamente revisitadas de forma fragmentada, sem uma vis&#227;o sist&#234;mica e de longo prazo.</span></strong><span> O desafio urgente do Brasil n&#227;o &#233; apenas corrigir as distor&#231;&#245;es operacionais da autoprodu&#231;&#227;o por equipara&#231;&#227;o, mas sim demonstrar a maturidade institucional de faz&#234;-lo sem destruir a confian&#231;a que permitiu erguer uma das matrizes el&#233;tricas mais renov&#225;veis e competitivas do mundo. Como profissional que atua no setor de autoprodu&#231;&#227;o de energia, apresentei aqui minha vis&#227;o formada a partir da experi&#234;ncia que venho acumulando em aspectos operacionais e regulat&#243;rios.</span></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[BATERIAS, CAPACIDADE E FLEXIBILIDADE: A DECISÃO DA ANEEL QUE REDEFINE O PAPEL DO ARMAZENAMENTO NO SETOR ELÉTRICO]]></title><description><![CDATA[A nova regula&#231;&#227;o da ANEEL para baterias pode transformar a remunera&#231;&#227;o da energia e aumentar a confiabilidade do sistema.]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/baterias-capacidade-e-flexibilidade</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/baterias-capacidade-e-flexibilidade</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Wed, 10 Jun 2026 21:42:19 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b6917e2e-9e17-465a-a212-e0bce7aba5ce_299x168.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A aprova&#231;&#227;o do marco regulat&#243;rio para sistemas de armazenamento de energia pela Ag&#234;ncia Nacional de Energia El&#233;trica (ANEEL), ocorrida em 2 de junho de 2026, consolida-se como um movimento de grande relev&#226;ncia na governan&#231;a setorial brasileira. Muito al&#233;m de chancelar a inser&#231;&#227;o f&#237;sica de baterias no Sistema Interligado Nacional (SIN), a decis&#227;o estabelece parte das bases de seguran&#231;a jur&#237;dica necess&#225;rias para destravar o mercado e dialoga diretamente com a prepara&#231;&#227;o do primeiro Leil&#227;o de Reserva de Capacidade por Armazenamento do pa&#237;s.</p><p style="text-align: justify;">A import&#226;ncia da medida &#233; acentuada pelo atual momento de transforma&#231;&#227;o da matriz nacional: &#224; medida que o Brasil se prepara para absorver novas e robustas cargas eletrointensivas &#8212; como centros de dados voltados &#224; intelig&#234;ncia artificial e infraestruturas de eletromobilidade &#8212;, a flexibilidade e a resili&#234;ncia da rede deixam de ser metas secund&#225;rias e passam a ser pr&#233;-requisitos operacionais. Ao encerrar um longo per&#237;odo de debates sob a Consulta P&#250;blica n&#186; 39/2023, que contou com 652 contribui&#231;&#245;es de 70 participantes, a ag&#234;ncia n&#227;o apenas normatizou um novo ativo el&#233;trico, mas iniciou uma transi&#231;&#227;o estrutural. A partir deste marco, o modelo regulat&#243;rio brasileiro afasta-se de uma vis&#227;o focada estritamente no suprimento energ&#233;tico e passa a criar as bases regulat&#243;rias para que atributos como pot&#234;ncia, flexibilidade sist&#234;mica e confiabilidade possam ser reconhecidos e, futuramente, remunerados de forma mais adequada.</p><p style="text-align: justify;"><strong>O ESGOTAMENTO DO MODELO BASEADO APENAS EM ENERGIA</strong></p><p style="text-align: justify;">Durante d&#233;cadas, o sistema el&#233;trico brasileiro foi sustentado por uma caracter&#237;stica singular: a predomin&#226;ncia das hidrel&#233;tricas com grandes reservat&#243;rios. Esses ativos n&#227;o apenas geravam energia, mas tamb&#233;m forneciam armazenamento, reserva operativa, controle de pot&#234;ncia e flexibilidade para acomodar varia&#231;&#245;es da demanda.</p><p style="text-align: justify;">O debate sobre a moderniza&#231;&#227;o desse arranjo ganhou for&#231;a com a Lei n&#186; 15.269/2025 (originada da convers&#227;o da Medida Provis&#243;ria n&#186; 1.304/2025), que trouxe diretrizes fundamentais e reconheceu o armazenamento como elemento estrat&#233;gico para a expans&#227;o e a seguran&#231;a do sistema el&#233;trico. A expans&#227;o acelerada das fontes solar e e&#243;lica alterou a equa&#231;&#227;o tradicional. O Brasil passou a incorporar grandes volumes de gera&#231;&#227;o de baixo custo e baixas emiss&#245;es, mas tamb&#233;m aumentou sua depend&#234;ncia de recursos capazes de compensar a variabilidade dessas fontes.</p><p style="text-align: justify;">O resultado &#233; um fen&#244;meno cada vez mais frequente: h&#225; energia dispon&#237;vel no sistema, mas nem sempre h&#225; capacidade para utiliz&#225;-la no local e no momento em que ela &#233; produzida. Essa realidade ficou evidente com o crescimento dos eventos de restri&#231;&#227;o de escoamento da gera&#231;&#227;o &#8212; o corte for&#231;ado da produ&#231;&#227;o renov&#225;vel &#8212;, fartamente documentado em relat&#243;rios do Operador Nacional do Sistema El&#233;trico (ONS), observados principalmente na regi&#227;o Nordeste. Ali, restri&#231;&#245;es el&#233;tricas e operativas levaram ao desligamento parcial de usinas mesmo em momentos de elevada disponibilidade de vento e sol.</p><p style="text-align: justify;">Soma-se a isso um cen&#225;rio complexo nas pontas do sistema: o excesso de gera&#231;&#227;o na distribui&#231;&#227;o e a incapacidade de absor&#231;&#227;o na alta tens&#227;o exigem uma reforma regulat&#243;ria profunda, e n&#227;o apenas a inser&#231;&#227;o de mais geradores centralizados. O problema, portanto, deixou de ser apenas gerar energia. O desafio agora &#233; garantir flexibilidade para utiliz&#225;-la adequadamente.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!g1DJ!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7c82510c-d5d3-48e3-9c8f-8b07f7022ab3_278x168.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!g1DJ!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7c82510c-d5d3-48e3-9c8f-8b07f7022ab3_278x168.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!g1DJ!, /__u/cocenergia.substack.com/w_848, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7c82510c-d5d3-48e3-9c8f-8b07f7022ab3_278x168.jpeg 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!g1DJ!, /__u/cocenergia.substack.com/w_1272, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7c82510c-d5d3-48e3-9c8f-8b07f7022ab3_278x168.jpeg 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!g1DJ!, /__u/cocenergia.substack.com/w_1456, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7c82510c-d5d3-48e3-9c8f-8b07f7022ab3_278x168.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!g1DJ!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7c82510c-d5d3-48e3-9c8f-8b07f7022ab3_278x168.jpeg" width="380" height="229.64028776978418" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7c82510c-d5d3-48e3-9c8f-8b07f7022ab3_278x168.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:168,&quot;width&quot;:278,&quot;resizeWidth&quot;:380,&quot;bytes&quot;:20586,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://cocenergia.substack.com/i/201516453?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0f7eb019-cf08-411e-a339-1b5be5d378e4_299x168.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!g1DJ!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_auto, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7c82510c-d5d3-48e3-9c8f-8b07f7022ab3_278x168.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!g1DJ!, /__u/cocenergia.substack.com/w_848, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_auto, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7c82510c-d5d3-48e3-9c8f-8b07f7022ab3_278x168.jpeg 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!g1DJ!, /__u/cocenergia.substack.com/w_1272, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_auto, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7c82510c-d5d3-48e3-9c8f-8b07f7022ab3_278x168.jpeg 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!g1DJ!, /__u/cocenergia.substack.com/w_1456, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_auto, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7c82510c-d5d3-48e3-9c8f-8b07f7022ab3_278x168.jpeg 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div></div></div></a></figure></div><p style="text-align: justify;"><strong>O QUE A ANEEL EFETIVAMENTE APROVOU</strong></p><p style="text-align: justify;">O aspecto mais inovador da decis&#227;o n&#227;o est&#225; relacionado &#224; tecnologia das baterias, mas ao tratamento regulat&#243;rio dado a elas. A diretoria da ANEEL reconheceu que determinados sistemas de armazenamento podem atuar como ativos de interesse sist&#234;mico quando submetidos ao despacho integral do ONS.</p><p style="text-align: justify;">Nesses casos, para sistemas aut&#244;nomos que operem sob essa condi&#231;&#227;o, os empreendimentos poder&#227;o celebrar Contrato de Uso do Sistema de Transmiss&#227;o (CUST) com Montante de Uso do Sistema de Transmiss&#227;o de Carga (MUST-C) igual a zero e Montante de Uso do Sistema de Transmiss&#227;o de Gera&#231;&#227;o (MUST-G) correspondente &#224; energia posteriormente injetada. O princ&#237;pio adotado &#233; relativamente simples: a energia armazenada n&#227;o est&#225; sendo consumida de forma definitiva; ela apenas &#233; deslocada no tempo. Entra na bateria em um momento e retorna ao sistema em outro. Por essa raz&#227;o, a ANEEL concluiu que cobrar pelo uso da rede tanto no carregamento quanto na posterior devolu&#231;&#227;o dessa mesma energia poderia representar uma dupla tarifa&#231;&#227;o de um mesmo fluxo energ&#233;tico.</p><p style="text-align: justify;"><strong>RESSALVAS IMPORTANTES DA NORMA</strong></p><p style="text-align: justify;">&#201; importante destacar, contudo, que a decis&#227;o n&#227;o criou uma isen&#231;&#227;o generalizada de tarifas de uso da rede para sistemas de armazenamento.</p><ul><li><p><strong>No carregamento:</strong> A cobran&#231;a associada ao carregamento foi afastada apenas para os empreendimentos submetidos ao despacho integral do ONS.</p></li><li><p><strong>Na inje&#231;&#227;o:</strong> A utiliza&#231;&#227;o da infraestrutura el&#233;trica na etapa de inje&#231;&#227;o continua sujeita &#224;s regras de acesso aplic&#225;veis a cada modalidade de conex&#227;o.</p></li></ul><p style="text-align: justify;">Essa distin&#231;&#227;o &#233; particularmente relevante para empreendimentos conectados em Rede B&#225;sica, Demais Instala&#231;&#245;es de Transmiss&#227;o (DITs) ou sistemas de distribui&#231;&#227;o. Para essas modalidades, as regras espec&#237;ficas e os tratamentos tarif&#225;rios detalhados ainda dever&#227;o ser formalizados nos Procedimentos de Rede pelo ONS, que ter&#225; prazos espec&#237;ficos para apresentar essas adequa&#231;&#245;es e publicar mapas indicativos dos melhores pontos de conex&#227;o do sistema.</p><p style="text-align: justify;"><strong>O VOTO VENCEDOR E A DISTIN&#199;&#195;O ENTRE ATIVO DE SISTEMA E ATIVO COMERCIAL</strong></p><p style="text-align: justify;">O ponto central do voto vencedor da diretoria da ANEEL, liderado pelo diretor Willamy Frota, foi criar uma separa&#231;&#227;o regulat&#243;ria clara entre dois modelos distintos de armazenamento, conforme sintetizado abaixo:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" 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sistema el&#233;trico e, portanto, n&#227;o devem receber o mesmo tratamento tarif&#225;rio. De um lado, busca-se proteger a estabilidade da rede; de outro, entidades do setor, como a Associa&#231;&#227;o Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), apontam que a manuten&#231;&#227;o da dupla cobran&#231;a sobre os sistemas de atua&#231;&#227;o livre pode encarecer aplica&#231;&#245;es aut&#244;nomas e limitar mercados importantes, como o de arbitragem de pre&#231;os.</p><p style="text-align: justify;"><strong>A DISCUSS&#195;O SOBRE CAPACIDADE COME&#199;A A CHEGAR AO BRASIL</strong></p><p style="text-align: justify;">A regulamenta&#231;&#227;o das baterias ocorre em paralelo a outro debate estrat&#233;gico conduzido pelo Minist&#233;rio de Minas e Energia (MME): as diretrizes para a contrata&#231;&#227;o de pot&#234;ncia e reserva de capacidade por armazenamento. A mudan&#231;a &#233; significativa porque desloca o foco da discuss&#227;o da energia para a disponibilidade. O produto pretendido nos certames deixa de ser apenas a quantidade de energia gerada (MWh) e passa a focar na contrata&#231;&#227;o de pot&#234;ncia em megawatt (MW) dispon&#237;vel para atender &#224; demanda em momentos cr&#237;ticos.</p><p style="text-align: justify;">Essa discuss&#227;o n&#227;o &#233; nova. Nos Estados Unidos, diversos operadores independentes j&#225; utilizam mecanismos de capacidade para garantir a chamada Adequa&#231;&#227;o de Recursos. Em linhas gerais, conforme conceitos difundidos por institui&#231;&#245;es como o <em>Electric Power Research Institute</em> (EPRI), a Adequa&#231;&#227;o de Recursos corresponde &#224; avalia&#231;&#227;o da sufici&#234;ncia dos recursos existentes e planejados para atender &#224; demanda futura de energia e pot&#234;ncia de um sistema el&#233;trico.</p><p style="text-align: justify;">Nesse contexto surge outro conceito fundamental: o Cr&#233;dito de Capacidade. Um megawatt de pot&#234;ncia solar n&#227;o possui necessariamente o mesmo valor para a confiabilidade do sistema que um megawatt de uma usina t&#233;rmica, nuclear ou de um sistema de armazenamento. Por essa raz&#227;o, os mercados internacionais normalmente utilizam m&#233;tricas espec&#237;ficas para estimar quanto cada tecnologia efetivamente contribui para a seguran&#231;a do suprimento.</p><p style="text-align: justify;"><strong>O DESAFIO BRASILEIRO: FOCO NA NECESSIDADE SIST&#202;MICA E OS TR&#202;S FUTUROS EM JOGO</strong></p><p style="text-align: justify;">Essa experi&#234;ncia internacional traz uma reflex&#227;o importante para o debate nacional. Nos &#250;ltimos meses surgiram cr&#237;ticas relacionadas &#224;s tecnologias eleg&#237;veis para os leil&#245;es brasileiros, aos volumes contratados e aos pre&#231;os esperados. Entretanto, qualquer avalia&#231;&#227;o t&#233;cnica sobre esses par&#226;metros depende da compreens&#227;o da m&#233;trica de adequa&#231;&#227;o de recursos utilizada no desenho do certame.</p><p style="text-align: justify;">A pergunta central n&#227;o deveria ser apenas qual fonte ser&#225; contratada, mas qual necessidade sist&#234;mica se pretende atender. Reserva de pot&#234;ncia, controle de frequ&#234;ncia, resposta r&#225;pida, armazenamento, gera&#231;&#227;o despach&#225;vel e servi&#231;os ancilares s&#227;o atributos distintos e exigem metodologias pr&#243;prias de avalia&#231;&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">Alargar essa vis&#227;o &#233; urgente. O armazenamento n&#227;o deve ser pensado apenas para os grandes projetos centralizados, mas surge tamb&#233;m como uma forte <strong>tend&#234;ncia</strong> de empoderamento por tr&#225;s do medidor. Abre-se aqui um potencial de mercado singular para os grandes consumidores comerciais e industriais atrav&#233;s da <strong>autoprodu&#231;&#227;o de energia (APE) por loca&#231;&#227;o de ativos</strong>. Embora o atual marco regulat&#243;rio centralize seus benef&#237;cios tarif&#225;rios nos ativos despachados pelo ONS, a evolu&#231;&#227;o tecnol&#243;gica sinaliza que combinar modelos de loca&#231;&#227;o de usinas com sistemas de baterias integrados poder&#225;, no futuro, permitir que o consumidor gerencie proativamente sua demanda de ponta e garanta seguran&#231;a energ&#233;tica contra interrup&#231;&#245;es, sem a necessidade de investimentos pesados em capital pr&#243;prio.</p><p style="text-align: justify;">O foco exclusivo em grandes leil&#245;es de capacidade centralizada corre o risco de retardar o desenvolvimento dessas solu&#231;&#245;es descentralizadas e postergar tr&#234;s futuros promissores:</p><ul><li><p><strong>O potencial do consumidor e do autoprodutor:</strong> Aquele que, por meio de modelos comerciais eficientes de loca&#231;&#227;o de ativos acoplados a baterias, busca aumentar sua confiabilidade interna, mitigar riscos de suprimento e reduzir custos operacionais;</p></li><li><p><strong>O desenvolvimento da gera&#231;&#227;o distribu&#237;da (GD):</strong> Que pode evoluir de um desafio de fluxo para as distribuidoras para se tornar um ativo capilarizado de flexibilidade nas pontas do sistema;</p></li><li><p><strong>A constru&#231;&#227;o de um mercado integrado:</strong> Com atacado e varejo conectados, onde mercados locais de flexibilidade nas distribuidoras auxiliem no equil&#237;brio entre custos, confiabilidade e utiliza&#231;&#227;o de rede nas &#250;ltimas milhas antes do consumidor final.</p></li></ul><p style="text-align: justify;">A decis&#227;o da ANEEL sobre armazenamento representa justamente o primeiro passo no reconhecimento regulat&#243;rio dessa complexidade de atributos.</p><p style="text-align: justify;"><strong>UMA MUDAN&#199;A DE PARADIGMA</strong></p><p style="text-align: justify;">O setor el&#233;trico brasileiro est&#225; entrando em uma nova fase. A expans&#227;o das renov&#225;veis continuar&#225; sendo fundamental para a transi&#231;&#227;o energ&#233;tica, mas a discuss&#227;o passa a incorporar novos elementos ligados &#224; confiabilidade, flexibilidade e seguran&#231;a operativa.</p><p style="text-align: justify;">As baterias s&#227;o apenas a face mais vis&#237;vel dessa transforma&#231;&#227;o. O verdadeiro debate n&#227;o &#233; sobre armazenamento de forma isolada. &#201; sobre como criar sinaliza&#231;&#245;es econ&#244;micas para remunerar os atributos necess&#225;rios para manter a estabilidade de um sistema el&#233;trico cada vez mais renov&#225;vel, descentralizado e complexo.</p><p style="text-align: justify;">Nesse contexto, a regulamenta&#231;&#227;o aprovada pela ANEEL ser&#225; lembrada no futuro como o ponto de partida para a constru&#231;&#227;o de um ambiente em que energia, pot&#234;ncia, flexibilidade e confiabilidade deixem de ser tratados de forma unificada e passem a ter as bases para serem devidamente valorizados de maneira independente.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[EL NIÑO NÃO É UM DESTINO, MAS UM DESAFIO DE CÁLCULO: POR QUE A GESTÃO DA INCERTEZA GANHA CADA VEZ MAIS IMPORTÂNCIA NO SETOR ELÉTRICO]]></title><description><![CDATA[Veja como o El Ni&#241;o influencia reservat&#243;rios, gera&#231;&#227;o hidrel&#233;trica, opera&#231;&#227;o do ONS e o mercado de energia no Brasil]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/el-nino-nao-e-um-destino-mas-um-desafio</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/el-nino-nao-e-um-destino-mas-um-desafio</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Mon, 08 Jun 2026 16:00:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ecb93cbc-558b-45d3-ae91-2d3d6b7c69fb_663x275.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Nos &#250;ltimos meses, o poss&#237;vel retorno do El Ni&#241;o voltou a ocupar o centro das discuss&#245;es no setor el&#233;trico brasileiro. Historicamente, esse fen&#244;meno est&#225; associado ao aumento do risco hidrol&#243;gico, especialmente quando coincide com temperaturas acima da m&#233;dia e redu&#231;&#227;o das chuvas em bacias estrat&#233;gicas para o Sistema Interligado Nacional (SIN).</p><p style="text-align: justify;">A preocupa&#231;&#227;o &#233; leg&#237;tima e o cen&#225;rio exige monitoramento rigoroso. No entanto, existe um erro metodol&#243;gico recorrente que o mercado precisa evitar: transformar uma tend&#234;ncia clim&#225;tica em uma previs&#227;o fatalista de crise energ&#233;tica.</p><p style="text-align: justify;">A principal li&#231;&#227;o que as &#250;ltimas d&#233;cadas deixaram ao setor &#233; que o comportamento do sistema el&#233;trico n&#227;o pode ser explicado por uma &#250;nica vari&#225;vel clim&#225;tica. O desafio contempor&#226;neo n&#227;o est&#225; em prever exatamente o que acontecer&#225; com o clima, mas em construir estrat&#233;gias operacionais e econ&#244;micas capazes de responder adequadamente a diferentes cen&#225;rios poss&#237;veis.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!u0IC!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fda18e873-dd21-4394-aef0-57be385fdace_663x275.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!u0IC!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, 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Organiza&#231;&#227;o Meteorol&#243;gica Mundial (OMM), indicam uma alta probabilidade de consolida&#231;&#227;o do El Ni&#241;o para o segundo semestre de 2026. Na ci&#234;ncia meteorol&#243;gica, isso significa que a atmosfera tem uma inclina&#231;&#227;o estat&#237;stica a se comportar de determinada maneira, mas n&#227;o representa uma certeza absoluta.</p><p style="text-align: justify;">A atmosfera opera em um sistema complexo e o El Ni&#241;o n&#227;o joga sozinho. O regime de chuvas que abastece as hidrel&#233;tricas depende de uma coreografia de m&#250;ltiplos fatores:</p><ol><li><p><strong>O Atl&#226;ntico Tropical:</strong> O aquecimento ou resfriamento deste oceano frequentemente dita a trajet&#243;ria das frentes frias de forma muito mais direta sobre o Sudeste e Nordeste do que o Pac&#237;fico isoladamente.</p></li><li><p><strong>A Oscila&#231;&#227;o Madden-Julian (MJM):</strong> Uma onda de escala intrassazonal que atua como um &#8220;gatilho&#8221; atmosf&#233;rico. Se estiver em fase favor&#225;vel, ela pode romper temporariamente o bloqueio do El Ni&#241;o e despejar volumes massivos de chuva em quest&#227;o de duas semanas, alterando completamente o balan&#231;o do m&#234;s.</p></li></ol><p style="text-align: justify;">Prever o n&#237;vel exato dos reservat&#243;rios com muitos meses de anteced&#234;ncia ignora a complexidade do sistema clim&#225;tico brasileiro. Eventos classificados sob a mesma intensidade de El Ni&#241;o j&#225; produziram respostas hidrol&#243;gicas bastante distintas entre regi&#245;es e bacias. Por isso, mais importante do que buscar certezas &#233; compreender a amplitude dos riscos envolvidos.</p><p style="text-align: justify;"><strong>RESERVAT&#211;RIOS N&#195;O S&#195;O APENAS &#8220;CAIXAS D&#8217;&#193;GUA&#8221;</strong></p><p style="text-align: justify;">Uma das interpreta&#231;&#245;es mais simplistas do mercado &#233; resumir a seguran&#231;a energ&#233;tica do pa&#237;s a um percentual m&#233;dio de armazenamento dos reservat&#243;rios. Para a engenharia de sistemas, dois cen&#225;rios com exatamente os mesmos 70% de armazenamento podem significar realidades operativas e financeiras completamente opostas.</p><p style="text-align: justify;">O indicador soberano para o planejamento &#233; a <strong>Energia Armazenada Equivalente (EAR)</strong>. A EAR n&#227;o mede apenas o volume bruto de &#225;gua, mas a sua capacidade efetiva de produzir energia com base na topologia da rede hidr&#225;ulica:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!MnGc!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa630d1b0-cbfa-4a35-97a4-fccc80389f13_1072x290.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!MnGc!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa630d1b0-cbfa-4a35-97a4-fccc80389f13_1072x290.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!MnGc!, 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de menor capacidade de regulariza&#231;&#227;o. Por isso, a localiza&#231;&#227;o da &#225;gua armazenada &#233; t&#227;o importante quanto o volume total dispon&#237;vel. Por isso, o impacto do El Ni&#241;o depende de <em>onde</em> a chuva vai falhar. O primeiro efeito de uma hidrologia desfavor&#225;vel n&#227;o &#233; o risco de desabastecimento (apag&#227;o), mas o custo financeiro de acionar termel&#233;tricas preventivas para preservar a &#225;gua estrat&#233;gica das cabeceiras.</p><p style="text-align: justify;"><strong>O &#8220;PATO&#8221; NA SALA: O DESAFIO MIGROU DA ENERGIA PARA A POT&#202;NCIA</strong></p><p style="text-align: justify;">Enquanto o debate p&#250;blico se concentra nos n&#237;veis dos reservat&#243;rios, uma transforma&#231;&#227;o estrutural silenciosa mudou a opera&#231;&#227;o do Sistema Interligado Nacional: a expans&#227;o acelerada da gera&#231;&#227;o solar. Essa nova realidade trouxe ao Brasil a chamada &#8220;Curva do Pato&#8221;. Entre, aproximadamente, 10h e 14h, o pa&#237;s disp&#245;e de energia solar abundante e de baixo custo. O desafio surge no final da tarde, quando a gera&#231;&#227;o fotovoltaica cai rapidamente ao mesmo tempo em que a demanda aumenta.</p><p style="text-align: justify;">Em determinados dias, o sistema precisa substituir cerca de 10 GW por hora de gera&#231;&#227;o solar, exigindo uma resposta r&#225;pida das demais fontes. Esse n&#227;o &#233; um problema de energia no acumulado do ano, mas de pot&#234;ncia, flexibilidade e capacidade de resposta operacional.</p><p style="text-align: justify;">&#201; nesse momento que hidrel&#233;tricas, termel&#233;tricas e interc&#226;mbios regionais assumem papel estrat&#233;gico para garantir a seguran&#231;a do sistema. Curiosamente, a Curva do Pato e o crescimento do curtailment refletem a mesma transforma&#231;&#227;o: o desafio do setor deixou de ser apenas produzir energia e passou a ser administrar sua disponibilidade no momento certo.</p><p style="text-align: justify;"><strong>CURTAILMENT: O PARADOXO DA ABUND&#194;NCIA COMO SINAL DE MERCADO</strong></p><p style="text-align: justify;">Pela primeira vez em sua hist&#243;ria, o Brasil convive simultaneamente com o risco hidrol&#243;gico e o excesso de gera&#231;&#227;o renov&#225;vel em determinados hor&#225;rios do dia. Esse fen&#244;meno gera o <em>curtailment</em> &#8212; cortes compuls&#243;rios da gera&#231;&#227;o e&#243;lica e solar determinados pelo ONS por restri&#231;&#245;es de transmiss&#227;o ou falta de carga.</p><p style="text-align: justify;">Em vez de ser visto puramente como desperd&#237;cio ou erro de planejamento, o <em>curtailment</em> recorrente poderia funcionar como um valioso <strong>sinal econ&#244;mico de mercado</strong>. Ele avisa aos investidores que existe energia abundante e quase gratuita dispon&#237;vel em hor&#225;rios espec&#237;ficos, mas faltam mecanismos para armazen&#225;-la ou consumi-la no local. Essa din&#226;mica &#233; o motor que viabilizar&#225; novas tecnologias e neg&#243;cios no pa&#237;s:</p><ol><li><p><strong>Sistemas de Armazenamento por Baterias (BESS):</strong> Para absorver a sobra solar diurna e injet&#225;-la na rampa da noite;</p></li><li><p><strong>Atra&#231;&#227;o de Cargas Tecnol&#243;gicas:</strong> Como grandes <em>data centers</em> de Intelig&#234;ncia Artificial</p></li></ol><p style="text-align: justify;"><strong>A FOR&#199;A DA COMPLEMENTARIDADE E O PORTF&#211;LIO CLIM&#193;TICO</strong></p><p style="text-align: justify;">Avaliar o setor sob um prisma exclusivamente pessimista faz o mercado esquecer a complementaridade da nossa matriz energ&#233;tica. O Brasil possui um verdadeiro <strong>portf&#243;lio de ativos clim&#225;ticos</strong>: vento, chuva e sol raramente falham ao mesmo tempo e na mesma dire&#231;&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">Historicamente, enquanto o El Ni&#241;o imp&#245;e restri&#231;&#245;es de vaz&#227;o na bacia do Rio S&#227;o Francisco ou no Sudeste, ele costuma desencadear dois gatilhos de compensa&#231;&#227;o:</p><ol><li><p><strong>Anomalias positivas de precipita&#231;&#227;o na Regi&#227;o Sul, </strong>aumentando as aflu&#234;ncias e o potencial de gera&#231;&#227;o hidrel&#233;trica local. Contudo, eventos extremos de chuva tamb&#233;m podem elevar riscos operacionais, provocar vertimentos, comprometer infraestruturas e gerar impactos relevantes sobre a transmiss&#227;o e a opera&#231;&#227;o do sistema.</p></li><li><p><strong>Intensifica&#231;&#227;o dos ventos de superf&#237;cie em partes do Nordeste, </strong>elevando o potencial de gera&#231;&#227;o e&#243;lica. Contudo, a efetiva captura desse benef&#237;cio depender&#225; das condi&#231;&#245;es de transmiss&#227;o e da capacidade do sistema de absorver a energia adicional produzida.</p></li></ol><p style="text-align: justify;">Essa complementaridade entre fontes e regi&#245;es &#233; uma das maiores fortalezas da matriz el&#233;trica brasileira. Embora n&#227;o elimine os riscos clim&#225;ticos, ela reduz significativamente a vulnerabilidade do sistema a eventos extremos concentrados em uma &#250;nica regi&#227;o ou tecnologia.</p><p style="text-align: justify;"><strong>PLANEJAR O IMPREVIS&#205;VEL: A NOVA FRONTEIRA DO SETOR EL&#201;TRICO</strong></p><p style="text-align: justify;">Costumo acompanhar os trabalhos do professor Alexandre Street que ajudam a qualificar e elevar o n&#237;vel desse debate. A ci&#234;ncia moderna demonstra que o planejamento do setor el&#233;trico n&#227;o pode tratar o sistema de forma est&#225;tica ou focar apenas no cen&#225;rio m&#233;dio do passado.</p><p style="text-align: justify;">Pesquisas do grupo evidenciam que o maior risco operacional muitas vezes decorre de vieses otimistas nas previs&#245;es de aflu&#234;ncias nos modelos computacionais oficiais (<strong>NEWAVE e DECOMP</strong>). <strong>Quando os modelos assumem uma converg&#234;ncia for&#231;ada para a m&#233;dia hist&#243;rica que n&#227;o se realiza na f&#237;sica real, </strong>as decis&#245;es de despacho t&#233;rmico preventivo atrasam. Quando o erro &#233; percebido, a flexibilidade hidr&#225;ulica j&#225; foi exaurida, for&#231;ando um acionamento emergencial de alto custo.</p><p style="text-align: justify;">A mensagem t&#233;cnica da academia &#233; clara e serve como norte para o regulador e para os consumidores: a robustez deve ser o ingrediente central da programa&#231;&#227;o da gera&#231;&#227;o. <strong>N&#227;o basta planejar para a m&#233;dia; &#233; preciso modelar os riscos de cauda (cen&#225;rios adversos extremos). </strong>Esse &#233; o ponto de</p><p style="text-align: justify;"><strong>O IMPACTO FINANCEIRO NO MERCADO DE ENERGIA</strong></p><p style="text-align: justify;">Para diretores financeiros, gestores de suprimentos e consumidores do Mercado Livre de Energia, a volatilidade clim&#225;tica e as mudan&#231;as na opera&#231;&#227;o do ONS exigem uma mudan&#231;a estrat&#233;gica de postura.</p><p style="text-align: justify;">No setor el&#233;trico, o impacto econ&#244;mico come&#231;a muito antes do impacto f&#237;sico. A simples expectativa de um segundo semestre mais seco altera o comportamento de comercializadores e geradores, elevando os pre&#231;os dos contratos de longo prazo (curva para frente) devido &#224; avers&#227;o ao risco, mesmo com os reservat&#243;rios cheios no presente.</p><p style="text-align: justify;">O risco associado ao El Ni&#241;o em 2026 &#233; real e pede o monitoramento constante da EAR, da Energia Natural Afluente (ENA) e do despacho t&#233;rmico de rampa. Contudo, o p&#226;nico que inflaciona o mercado de curto prazo &#233; injustificado. O Brasil possui uma das matrizes mais resilientes do planeta. O sucesso na gest&#227;o de custos energ&#233;ticos n&#227;o depender&#225; de adivinhar o clima de amanh&#227;, mas sim da intelig&#234;ncia em precificar a flexibilidade, estruturar contratos robustos e tratar o risco clim&#225;tico como a vari&#225;vel soberana do s&#233;culo XXI.</p><p style="text-align: justify;">Fontes: ONS, CCEE, EPE, MME, ANA, INMET, OMM/WMO, NOAA Climate Prediction Center e artigos do Prof. Alexandre Street.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A CONTA DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA: DA CLANDESTINIDADE DA GD À DEPURAÇÃO DO MERCADO LIVRE]]></title><description><![CDATA[GD clandestina, perdas n&#227;o t&#233;cnicas e crise das comercializadoras revelam os custos ocultos do setor el&#233;trico.]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/a-conta-da-transicao-energetica-da</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/a-conta-da-transicao-energetica-da</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Fri, 29 May 2026 22:53:34 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_3D5!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61c08680-2271-433d-8ddd-9eabcf7ce024_1200x630.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O Setor El&#233;trico Brasileiro enfrenta uma profunda metamorfose estrutural. A converg&#234;ncia entre a expans&#227;o da Gera&#231;&#227;o Distribu&#237;da (GD), a abertura acelerada do Mercado Livre e o peso das perdas n&#227;o t&#233;cnicas pressiona as redes, o planejamento operativo e o equil&#237;brio econ&#244;mico das concess&#245;es de distribui&#231;&#227;o.</p><p style="text-align: justify;"><strong>A FISCALIZA&#199;&#195;O DA GD E OS RISCOS DE ENGENHARIA NA REDE DE DISTRIBUI&#199;&#195;O</strong></p><p style="text-align: justify;">Campanhas de fiscaliza&#231;&#227;o realizadas por distribuidoras, com apoio de sensoriamento remoto, drones e inspe&#231;&#245;es de campo, identificaram &#237;ndices de irregularidades que chegaram a <strong>69% dos casos fiscalizados</strong>. Embora esse percentual n&#227;o represente a totalidade das instala&#231;&#245;es de MMGD do pa&#237;s, ele evidencia a <strong>exist&#234;ncia de um passivo muito relevante de conex&#245;es e amplia&#231;&#245;es n&#227;o autorizadas.</strong></p><p style="text-align: justify;">Do ponto de vista da engenharia el&#233;trica, a presen&#231;a de gera&#231;&#227;o n&#227;o homologada pode produzir efeitos relevantes sobre a opera&#231;&#227;o das redes de distribui&#231;&#227;o:</p><blockquote><p>&#167; <strong>Carregamentos n&#227;o previstos em transformadores e alimentadores</strong>, alterando premissas utilizadas no planejamento da rede;</p><p>&#167; <strong>Necessidade de revis&#227;o dos estudos de prote&#231;&#227;o e coordena&#231;&#227;o</strong> em circuitos com elevada penetra&#231;&#227;o de gera&#231;&#227;o distribu&#237;da;</p><p>&#167; <strong>Redu&#231;&#227;o da precis&#227;o das estimativas de carga l&#237;quida</strong> utilizadas pelas distribuidoras e pelo ONS para planejamento e opera&#231;&#227;o do sistema.</p></blockquote><p style="text-align: justify;">A expans&#227;o dos inversores h&#237;bridos e dos sistemas de armazenamento <em>behind-the-meter</em> adiciona uma nova camada de complexidade, especialmente quando esses equipamentos <strong>operam sem observ&#226;ncia dos procedimentos de conex&#227;o e homologa&#231;&#227;o previstos pela regulamenta&#231;&#227;o setorial.</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong>A GD CLANDESTINA REVELA UMA CONTRADI&#199;&#195;O DO MODELO</strong></p><p style="text-align: justify;">A instala&#231;&#227;o de sistemas fotovoltaicos &#224; margem da regula&#231;&#227;o revela uma contradi&#231;&#227;o econ&#244;mica: ao optar pela clandestinidade, o agente abdica do direito de compensar excedentes e dos cr&#233;ditos tarif&#225;rios da <strong>Lei 14.300/2022</strong>.</p><p style="text-align: justify;">Isso evidencia que a acentuada redu&#231;&#227;o no Custo Nivelado de Energia (LCOE) solar tornou a autoprodu&#231;&#227;o competitiva por si s&#243;, mesmo sem incentivos. A viabilidade no autoconsumo puro for&#231;a a revis&#227;o dos subs&#237;dios &#224; GD custeados pela Conta de Desenvolvimento Energ&#233;tico (CDE). No modelo atual, os encargos da rede usada como &#8220;bateria virtual&#8221; pela GD regular s&#227;o rateados pelos consumidores cativos. Se a tecnologia se paga na clandestinidade, a manuten&#231;&#227;o de subs&#237;dios cruzados no segmento formal gera uma distor&#231;&#227;o que penaliza a modicidade tarif&#225;ria dos consumidores de menor renda.</p><p style="text-align: justify;"><strong>O NEXO DA MODICIDADE: PERDAS N&#195;O T&#201;CNICAS E O LEGADO DA RBSE</strong></p><p style="text-align: justify;">O impacto da GD se soma a passivos estruturais que historicamente elevam as tarifas do SEB, ampliando a sensibilidade social a subs&#237;dios e distor&#231;&#245;es alocativas.</p><p style="text-align: justify;">O relat&#243;rio anual da Aneel aponta que as perdas n&#227;o t&#233;cnicas (furtos e fraudes) custaram <strong>R$ 10,3 bilh&#245;es</strong> em 2024, concentradas em &#193;reas com Severas Restri&#231;&#245;es Operacionais (ASROs). Onde o crime organizado restringe a governan&#231;a das distribuidoras, o volume de energia furtada chega a <strong>40% do mercado de baixa tens&#227;o</strong>.</p><p style="text-align: justify;">Esse custo se choca com a indeniza&#231;&#227;o dos ativos de transmiss&#227;o anteriores a 2000 (Rede B&#225;sica de Sistemas Existentes - RBSE), fruto da Medida Provis&#243;ria 579/2012. O montante de <strong>R$ 65 bilh&#245;es</strong>, calculado pelo Custo de Reposi&#231;&#227;o Novo (CRN) e corrigido por d&#233;cadas, onera cronicamente as tarifas de transmiss&#227;o (TUST). A metodologia cont&#225;bil superavaliou ativos depreciados em detrimento de equivalentes modernos. Esse peso financeiro estimula o consumidor a migrar para a GD &#8212; mesmo irregular &#8212;, retroalimentando o ciclo de perda de receita das distribuidoras.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!_3D5!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61c08680-2271-433d-8ddd-9eabcf7ce024_1200x630.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!_3D5!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F61c08680-2271-433d-8ddd-9eabcf7ce024_1200x630.jpeg 424w, 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Contrata&#231;&#227;o Livre (ACL) passa por uma severa depura&#231;&#227;o. A onda de pedidos de recupera&#231;&#227;o judicial exp&#245;e as fragilidades de estrat&#233;gias fundamentadas em modelos de arbitragem financeira de curto prazo, pressionadas por tr&#234;s fatores:</p><ul><li><p><strong>PLD Baixo e Volatilidade Hor&#225;ria:</strong> A forte inser&#231;&#227;o de fontes intermitentes mant&#233;m o Pre&#231;o de Liquida&#231;&#227;o das Diferen&#231;as (PLD) no piso na maior parte do dia, destruindo spreads e impondo perdas nas varia&#231;&#245;es hor&#225;rias abruptas.</p></li><li><p><strong>Curtailment Crescente:</strong> Os cortes for&#231;ados de gera&#231;&#227;o por restri&#231;&#245;es de transmiss&#227;o (<em>curtailment</em>) geram descasamentos entre a energia f&#237;sica e os contratos firmados, obrigando os agentes a liquidarem suas posi&#231;&#245;es no mercado spot sob condi&#231;&#245;es desfavor&#225;veis.</p></li><li><p><strong>Garantias e Inadimpl&#234;ncia:</strong> O aumento das exig&#234;ncias de garantias financeiras pela C&#226;mara de Comercializa&#231;&#227;o de Energia El&#233;trica (CCEE) exauriu a liquidez de players alavancados, gerando um cont&#225;gio por inadimpl&#234;ncia em cascata.</p></li></ul><p style="text-align: justify;"><strong>O COLAPSO DOS MODELOS MATEM&#193;TICOS E A SELE&#199;&#195;O NATURAL DAS TRADING HOUSES</strong></p><p style="text-align: justify;">O agravamento da crise no ACL desnudou a fragilidade das estruturas de capitais. O que se testemunha em 2025 e 2026 &#233; uma severa sele&#231;&#227;o natural de mercado em que o modelo matem&#225;tico puro superou a gest&#227;o de riscos f&#237;sicos. As mesas de opera&#231;&#227;o focadas em arbitragem trataram el&#233;trons como ativos intang&#237;veis, desconsiderando restri&#231;&#245;es geogr&#225;ficas e gargalos de transmiss&#227;o (Norte/Nordeste-Sudeste).</p><p style="text-align: justify;">A desconex&#227;o entre o mercado financeiro e o despacho operativo cobrou o seu pre&#231;o. O avan&#231;o dos pedidos de recupera&#231;&#227;o judicial atinge o cerne de grandes casas de trading e empresas pioneiras do final da d&#233;cada de 1990:</p><ul><li><p><strong>Tradener:</strong> Fundada em 1998, foi a pioneira na comercializa&#231;&#227;o autorizada pela Aneel. O colapso de sua estrutura com um passivo de <strong>R$ 1,69 bilh&#227;o</strong> prova que o pioneirismo n&#227;o evitou os descasamentos do PLD hor&#225;rio.</p></li><li><p><strong>Electra e Grupo El&#233;tron (ECEL):</strong> Casas consolidadas viram sua liquidez pulverizada por travas de garantias na CCEE, inadimpl&#234;ncia cruzada e o impacto do <em>curtailment</em> sobre suas posi&#231;&#245;es vendidas. O passivo da Electra atingiu <strong>R$ 1,3 bilh&#227;o</strong> (com R$ 334,8 milh&#245;es expostos &#224; CCEE), enquanto o Grupo El&#233;tron acumulou <strong>R$ 1,17 bilh&#227;o</strong>.</p></li><li><p><strong>Diferencial Energia:</strong> Com duas d&#233;cadas de atua&#231;&#227;o, sucumbiu ao efeito domin&#243;, asfixiada por um passivo de <strong>R$ 154,4 milh&#245;es</strong> decorrente da inadimpl&#234;ncia de contrapartes.</p></li></ul><p style="text-align: justify;">O encadeamento dessas quedas confirma que a Recupera&#231;&#227;o Judicial tradicional falha no setor el&#233;trico. &#192; medida que o <em>stay period</em> de <strong>180 dias</strong> avan&#231;a, a perda reputacional e a press&#227;o de credores n&#227;o sujeitos &#8212; como bancos detentores de garantias fiduci&#225;rias &#8212; elevam o risco de convers&#227;o em fal&#234;ncia. At&#233; o fim do ciclo atual, a proje&#231;&#227;o de que dezenas de comercializadoras deixem de existir reflete a depura&#231;&#227;o de um mercado antes inflado, caminhando para um desenho com maior exig&#234;ncia de lastro f&#237;sico, liquidez real e capacidade de gest&#227;o de ativos.</p><p style="text-align: justify;"><strong>DIRETRIZES PARA UMA TRANSI&#199;&#195;O SUSTENT&#193;VEL</strong></p><p style="text-align: justify;">A complexidade do SEB exige uma reforma metodol&#243;gica coordenada em pilares essenciais. Primeiramente, a regula&#231;&#227;o da MMGD precisa adequar seus incentivos ao custo real da tecnologia, desonerando o consumidor cativo e garantindo &#224;s distribuidoras ferramentas r&#237;gidas para combater conex&#245;es clandestinas. No mercado livre, Aneel e CCEE devem consolidar crit&#233;rios de elegibilidade e exig&#234;ncias de garantias financeiras mais robustas, assegurando que a expans&#227;o do ACL seja respaldada por lastro f&#237;sico e liquidez real diante da volatilidade do PLD hor&#225;rio, mitigando o risco de inadimpl&#234;ncia sist&#234;mica. Somente com o alinhamento entre a efici&#234;ncia de mercado, a seguran&#231;a jur&#237;dica e a justa aloca&#231;&#227;o de custos ser&#225; poss&#237;vel converter os atuais gargalos estruturais em investimentos e confiabilidade de longo prazo para o pa&#237;s.</p><p style="text-align: justify;">Fontes:</p><p style="text-align: justify;">- ESTAD&#195;O &#8211; Distribuidoras abrem for&#231;a-tarefa contra &#8220;gatos&#8221; de energia solar que chegam a 69% dos casos. Coluna do Estad&#227;o, 26 maio 2026. Acesso em: 29 maio 2026.</p><p style="text-align: justify;">- ANEEL: Relat&#243;rios de perdas t&#233;cnicas e n&#227;o t&#233;cnicas no sistema de distribui&#231;&#227;o brasileiro;</p><p style="text-align: justify;">- Nivalde de Castro, Guilherme Dantas, Pedro Vardiero: O Agravamento do Furto de Energia El&#233;trica e a Necessidade de Aprimorar o Marco Regulat&#243;rio do Setor El&#233;trico. GESEL/UFRJ.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[LRCAP E O NOVO CUSTO DA ENERGIA: O QUE O CONSUMIDOR PRECISA ENTENDER AGORA]]></title><description><![CDATA[Entenda como o LRCAP, os encargos, a alta dos contratos de energia e os riscos de pot&#234;ncia refor&#231;am contratos longos PPAs e, principalmente, a autoprodu&#231;&#227;o de energia.]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/lrcap-e-o-novo-custo-da-energia-o</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/lrcap-e-o-novo-custo-da-energia-o</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Thu, 28 May 2026 23:57:24 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3wZw!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fca632023-c395-476c-a95b-8d468acf2afe_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O mercado livre de energia brasileiro ingressou em uma nova era de complexidade anal&#237;tica. A recente homologa&#231;&#227;o do Leil&#227;o de Reserva de Capacidade de Pot&#234;ncia (LRCap 2026) pela ANEEL e a movimenta&#231;&#227;o na curva <em>forward</em> da BBCE &#8212; onde o contrato de 2027 rompeu <strong>R$ 280,00/MWh</strong>, movimentando R$ 58,68 milh&#245;es em uma semana &#8212; sinalizam que o setor el&#233;trico vive uma das maiores transforma&#231;&#245;es t&#233;cnicas desde a cria&#231;&#227;o do modelo moderno.</p><p style="text-align: justify;"><strong>O Brasil n&#227;o tem mais um problema de energia, tem um problema de pot&#234;ncia.</strong> O planejamento hist&#243;rico focava em garantir o bloco de energia (MWh). Hoje, com a expans&#227;o renov&#225;vel, o desafio do SIN passou a ser a adequa&#231;&#227;o de pot&#234;ncia firme (MW) e a flexibilidade operativa dispon&#237;veis nos momentos de pico de carga e nas necessidades operativas do sistema. Foi justamente essa mudan&#231;a estrutural que levou &#224; realiza&#231;&#227;o do LRCap 2026.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZCL-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9d4eebbd-6d87-4615-8fca-1655a6a5d3c1_290x174.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZCL-!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9d4eebbd-6d87-4615-8fca-1655a6a5d3c1_290x174.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZCL-!, /__u/cocenergia.substack.com/w_848, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9d4eebbd-6d87-4615-8fca-1655a6a5d3c1_290x174.jpeg 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZCL-!, /__u/cocenergia.substack.com/w_1272, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9d4eebbd-6d87-4615-8fca-1655a6a5d3c1_290x174.jpeg 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZCL-!, /__u/cocenergia.substack.com/w_1456, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9d4eebbd-6d87-4615-8fca-1655a6a5d3c1_290x174.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZCL-!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9d4eebbd-6d87-4615-8fca-1655a6a5d3c1_290x174.jpeg" width="290" height="174" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9d4eebbd-6d87-4615-8fca-1655a6a5d3c1_290x174.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:174,&quot;width&quot;:290,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:6538,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://cocenergia.substack.com/i/199673158?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9d4eebbd-6d87-4615-8fca-1655a6a5d3c1_290x174.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZCL-!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_auto, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9d4eebbd-6d87-4615-8fca-1655a6a5d3c1_290x174.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZCL-!, /__u/cocenergia.substack.com/w_848, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_auto, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9d4eebbd-6d87-4615-8fca-1655a6a5d3c1_290x174.jpeg 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZCL-!, /__u/cocenergia.substack.com/w_1272, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_auto, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9d4eebbd-6d87-4615-8fca-1655a6a5d3c1_290x174.jpeg 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZCL-!, /__u/cocenergia.substack.com/w_1456, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_auto, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9d4eebbd-6d87-4615-8fca-1655a6a5d3c1_290x174.jpeg 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div></div></div></a></figure></div><p style="text-align: justify;"><strong>A EXPANS&#195;O RENOV&#193;VEL ALTEROU A F&#205;SICA E A LIQUIDEZ DO SISTEMA EL&#201;TRICO</strong></p><p style="text-align: justify;">A r&#225;pida expans&#227;o solar e e&#243;lica reduziu o custo marginal em certos per&#237;odos, mas alterou a din&#226;mica operativa do SIN. O sistema enfrenta desafios cr&#237;ticos nas rampas de carga do final da tarde, quando a gera&#231;&#227;o fotovoltaica cai simultaneamente ao pico de consumo. O fen&#244;meno, similar &#224; <em>Duck Curve</em> na Calif&#243;rnia, valoriza atributos como flexibilidade e a &#8220;capacidade firme equivalente&#8221; &#8212; onde uma planta solar de 500 MW contribui com apenas uma fra&#231;&#227;o disso para a confiabilidade na ponta.</p><p style="text-align: justify;"><strong>O Risco de Cauda e a Quebra de Comercializadoras:</strong> Esse descasamento entre gera&#231;&#227;o e infraestrutura de rede inflou o <em>curtailment</em> (cortes for&#231;ados pelo ONS). Sem ressarcimento integral, agentes integrados sofreram perdas bilion&#225;rias: cortados na rede, foram for&#231;ados a recomprar lastro no curto prazo a pre&#231;os vol&#225;teis para honrar contratos no ACL. Essa asfixia financeira exauriu o caixa de m&#250;ltiplos players, resultando em inadimpl&#234;ncias na CCEE, recupera&#231;&#245;es judicializadas e forte avers&#227;o ao risco de cr&#233;dito.</p><p style="text-align: justify;">O incremento da penetra&#231;&#227;o de fontes intermitentes eleva o custo marginal de confiabilidade do SIN. Diante dos gargalos estruturais de escoamento na rede de transmiss&#227;o, o mercado sinaliza uma desacelera&#231;&#227;o significativa no <em>pipeline</em> de projetos de gera&#231;&#227;o e redireciona o foco para estrat&#233;gias de resili&#234;ncia contratual. <strong>No m&#233;dio prazo, essa invers&#227;o do vetor de expans&#227;o tende a pressionar a adequa&#231;&#227;o de recursos do sistema, introduzindo novos riscos de cauda e custos sist&#234;micos imprevistos.</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong>O Impasse das Baterias e a Inseguran&#231;a Jur&#237;dica</strong></p><p style="text-align: justify;">Embora os sistemas de armazenamento por baterias (<em>BESS</em>) sejam a solu&#231;&#227;o t&#233;cnica ideal para mitigar o <em>curtailment</em>, sua regulamenta&#231;&#227;o na ANEEL e no MME est&#225; travada. Persistem indefini&#231;&#245;es cr&#237;ticas sobre a dupla tributa&#231;&#227;o de tarifas (TUST/TUSD) na carga/descarga, a remunera&#231;&#227;o de servi&#231;os ancilares e as regras de liquida&#231;&#227;o na CCEE. Investir em uma tecnologia de alto CAPEX sem regras perenes inviabiliza as modelagens de <em>project finance</em>. Sem garantias jur&#237;dicas, o mercado de baterias segue travado, empurrando os agentes para a blindagem via PPAs longos e autoprodu&#231;&#227;o por loca&#231;&#227;o.</p><p style="text-align: justify;"><strong>O LRCAP E A NOVA ARQUITETURA DE REMUNERA&#199;&#195;O SEPARADA DO SETOR</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong>O LRCap n&#227;o foi concebido para contratar energia, mas capacidade de atendimento e disponibilidade de recursos.</strong> O Brasil come&#231;a a migrar para uma estrutura semelhante aos mercados internacionais (como o PJM e o Reino Unido), onde energia (MWh), capacidade (disponibilidade de pot&#234;ncia firme em MW) e poss&#237;veis servi&#231;os ancilares (flexibilidade) poder&#227;o a ser tratados como produtos distintos.</p><p style="text-align: justify;">Essa transi&#231;&#227;o cria um novo componente econ&#244;mico no custo final. O certame contratou <strong>18,97 GW de pot&#234;ncia</strong>, mobilizando investimentos de R$ 64,5 bilh&#245;es e compromissos que superam <strong>R$ 500 bilh&#245;es</strong> ao longo da vig&#234;ncia contratual (cerca de R$ 40 bilh&#245;es anuais). O leil&#227;o consolidou as termel&#233;tricas a g&#225;s natural como o principal lastro da pr&#243;xima d&#233;cada, elevando a exposi&#231;&#227;o sist&#234;mica ao pre&#231;o internacional do combust&#237;vel e &#224; malha de gasodutos (STGN). Como o custo foi integralmente socializado, ele recair&#225; sobre todos os agentes e consumidores atrav&#233;s de encargos.</p><p style="text-align: justify;"><strong>Assimetria de Incentivos e Inadequa&#231;&#227;o do Desenho de Mercado:</strong> Cr&#237;ticos setoriais apontam que a modelagem do LRCap introduz severas distor&#231;&#245;es institucionais e econ&#244;micas no SIN<strong>. Ao garantir receita fixa de longo prazo (10 a 15 anos) sem a contrapartida da entrega f&#237;sica de energia, o mecanismo atua como reserva de mercado e induz a depend&#234;ncia de subs&#237;dios</strong>. O modelo distancia o real pagador da governan&#231;a do contrato, centralizando o risco em uma contraparte &#250;nica regulada (CCEE/ANEEL), o que estimula press&#245;es por flexibiliza&#231;&#245;es e renegocia&#231;&#245;es pol&#237;ticas. Ademais, ao definir a demanda de forma puramente administrativa e segmentada por fonte &#8212; <strong>em vez de promover a competi&#231;&#227;o tecnol&#243;gica aberto o desenho atual atinge custos at&#233; 3,8 vezes superiores a leil&#245;es internacionais (como no PJM). Deixo uma pergunta: o certame foi desenhado para atender &#224;s necessidades da f&#237;sica do sistema ou &#224; engenharia de conveni&#234;ncias pol&#237;ticas? </strong>Ao viabilizar quase 100% do CAPEX na receita fixa da capacidade antes de reformar a forma&#231;&#227;o de pre&#231;os de curto prazo e os servi&#231;os ancilares, o setor inverte as prioridades regulat&#243;rias, criando um risco latente de acomoda&#231;&#227;o institucional que posterga as reformas estruturais urgentes do mercado livre.</p><p style="text-align: justify;"><strong>REPRECIFICA&#199;&#195;O DO RISCO FUTURO E BLINDAGEM ESTRUTURAL DO CONSUMIDOR</strong></p><p style="text-align: justify;">A valoriza&#231;&#227;o dos contratos de longo prazo entre 2027 e 2031 na BBCE demonstra que o mercado j&#225; come&#231;ou a precificar esse novo cen&#225;rio. Os agentes passaram a internalizar o aumento dos encargos setoriais (ESS), os custos do LRCap, a depend&#234;ncia t&#233;rmica e a deteriora&#231;&#227;o hidrol&#243;gica. Com modelos apontando tetos do PLD pr&#243;ximos a <strong>R$ 700/MWh para 2027</strong> em cen&#225;rios cr&#237;ticos, somados a encargos da CCEE de R$ 39/MWh e ao novo rateio de Angra 1 e 2 no ACL, a passividade comercial tornou-se o maior risco do neg&#243;cio. O cen&#225;rio p&#243;s-leil&#227;o &#233; marcado ainda por forte judicializa&#231;&#227;o regulat&#243;ria, com o TCU e entidades industriais contestando a homologa&#231;&#227;o e as regras do certame.</p><p style="text-align: justify;">A consequ&#234;ncia pr&#225;tica &#233; que o custo total da eletricidade depende cada vez menos apenas do pre&#231;o do MWh bilateral, exigindo migra&#231;&#227;o para ferramentas de engenharia financeira e prote&#231;&#227;o:</p><ul><li><p><strong>PPAs de Longo Prazo:</strong> Funcionam como derivativos de prote&#231;&#227;o contra o risco de cauda (<em>tail risk</em>), mitigando a exposi&#231;&#227;o &#224; volatilidade da curva <em>forward</em> e ao PLD antes que cen&#225;rios de estresse se materializem.</p></li><li><p><strong>Autoprodu&#231;&#227;o por Loca&#231;&#227;o de Ativos:</strong> Essa &#233; a melhor solu&#231;&#227;o e garante previsibilidade e efici&#234;ncia ao transformar CAPEX em OPEX atrav&#233;s do aluguel de usinas de terceiros via cons&#243;rcio. A sofistica&#231;&#227;o do modelo reside na isen&#231;&#227;o legal de encargos de conta de consumo (como as quotas da CDE), blindando o balan&#231;o do consumidor exatamente contra a parcela de custos sist&#234;micos em ascens&#227;o.</p></li></ul><p style="text-align: justify;"><strong>A BUSCA PELA ENERGIA MAIS PREVIS&#205;VEL</strong></p><p style="text-align: justify;">A principal transforma&#231;&#227;o em curso no setor el&#233;trico brasileiro n&#227;o est&#225; relacionada apenas ao pre&#231;o da energia, mas ao <strong>valor da confiabilidade</strong>. Os consumidores que compreenderem essa mudan&#231;a antes do mercado estar&#227;o mais preparados. A pr&#243;xima d&#233;cada provavelmente ser&#225; menos marcada pela busca da energia mais barata e muito mais pela busca da <strong>energia mais previs&#237;vel</strong>. Sofisticar o portf&#243;lio com contratos de longo prazo e plantas estruturadas de autoprodu&#231;&#227;o por loca&#231;&#227;o de ativos tornou-se a m&#233;trica definitiva de sobreviv&#234;ncia financeira e competitividade para a ind&#250;stria e o com&#233;rcio.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O LRCAP E O VERDADEIRO CUSTO DA “ENERGIA MAIS BARATA”]]></title><description><![CDATA[LRCAP: O CUSTO DA CONFIABILIDADE EL&#201;TRICA CHEGOU AO BRASIL]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/o-lrcap-e-o-verdadeiro-custo-da-energia</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/o-lrcap-e-o-verdadeiro-custo-da-energia</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Wed, 20 May 2026 23:57:49 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!AHqy!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb7e14ed2-b446-4ca7-b860-93ba9abb2731_853x567.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O debate sobre o Leil&#227;o de Reserva de Capacidade na forma de Pot&#234;ncia (LRCAP) de 2026 exp&#245;e uma transforma&#231;&#227;o estrutural importante no setor el&#233;trico brasileiro. O Brasil est&#225; deixando de discutir apenas expans&#227;o energ&#233;tica e come&#231;ando a discutir pot&#234;ncia, flexibilidade operativa, confiabilidade e seguran&#231;a sist&#234;mica do Sistema Interligado Nacional (SIN).</p><p style="text-align: justify;">Nos &#250;ltimos anos, o crescimento acelerado da gera&#231;&#227;o solar e e&#243;lica trouxe ganhos relevantes para a matriz el&#233;trica brasileira, ampliando a participa&#231;&#227;o renov&#225;vel e reduzindo pre&#231;os em determinados per&#237;odos do dia. Por&#233;m, tamb&#233;m aumentou significativamente a complexidade operacional do sistema. O ONS vem alertando h&#225; anos sobre desafios relacionados &#224; variabilidade da gera&#231;&#227;o, necessidade crescente de reserva operativa, dificuldades no atendimento da ponta de carga, aumento do curtailment e maior depend&#234;ncia de flexibilidade operativa.</p><p style="text-align: justify;">Nesse contexto, a contrata&#231;&#227;o de capacidade passou a ser tratada como instrumento de seguran&#231;a energ&#233;tica. O problema central, portanto, n&#227;o est&#225; na exist&#234;ncia da necessidade de pot&#234;ncia adicional. O problema est&#225; no desenho econ&#244;mico, concorrencial e regulat&#243;rio utilizado para realizar essa contrata&#231;&#227;o.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AHqy!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb7e14ed2-b446-4ca7-b860-93ba9abb2731_853x567.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AHqy!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb7e14ed2-b446-4ca7-b860-93ba9abb2731_853x567.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AHqy!, 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para os padr&#245;es hist&#243;ricos do setor el&#233;trico brasileiro. O n&#250;mero chamou aten&#231;&#227;o n&#227;o apenas pelo porte da contrata&#231;&#227;o, mas tamb&#233;m pelo impacto econ&#244;mico potencial associado aos contratos de longo prazo firmados no certame.</p><p style="text-align: justify;">Al&#233;m do volume contratado, o leil&#227;o passou a concentrar discuss&#245;es sobre pre&#231;o-teto, baixa competi&#231;&#227;o, concentra&#231;&#227;o de mercado, metodologia econ&#244;mica e racionalidade da expans&#227;o. O baixo des&#225;gio observado no certame e o aumento relevante do pre&#231;o-teto em curto espa&#231;o de tempo ampliaram os questionamentos sobre a efici&#234;ncia econ&#244;mica da contrata&#231;&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">A r&#225;pida forma&#231;&#227;o de negocia&#231;&#245;es secund&#225;rias envolvendo projetos vencedores tamb&#233;m elevou a percep&#231;&#227;o de risco regulat&#243;rio e concorrencial dentro do mercado.</p><p style="text-align: justify;"><strong>REDUZIR O PLD N&#195;O SIGNIFICA ELIMINAR CUSTOS</strong></p><p style="text-align: justify;">Parte do discurso pol&#237;tico passou a associar o LRCAP &#224; redu&#231;&#227;o do PLD, diminui&#231;&#227;o das bandeiras tarif&#225;rias e aumento da seguran&#231;a energ&#233;tica. Tecnicamente, maior disponibilidade de pot&#234;ncia pode realmente reduzir eventos extremos de pre&#231;o no mercado de curto prazo e diminuir riscos operacionais em determinados cen&#225;rios.</p><p style="text-align: justify;">Mas existe um ponto que raramente aparece de forma clara no debate p&#250;blico: reduzir volatilidade do PLD n&#227;o significa eliminar custo estrutural do sistema.</p><p style="text-align: justify;">Quando o setor el&#233;trico passa a contratar capacidade atrav&#233;s de contratos de pot&#234;ncia, parte relevante do custo deixa de aparecer diretamente no mercado spot e passa a ser incorporada &#224; estrutura de encargos e pagamentos regulat&#243;rios. Ou seja, o custo n&#227;o desaparece. Ele muda de lugar.</p><p style="text-align: justify;"><strong>QUEM PAGAR&#193; ESSA CONTA?</strong></p><p style="text-align: justify;">O pr&#243;prio Decreto n&#186; 10.707/2021 criou o ERCAP, Encargo de Reserva de Capacidade, justamente para viabilizar economicamente a contrata&#231;&#227;o de pot&#234;ncia. Na pr&#225;tica, a regulamenta&#231;&#227;o atual aponta para compartilhamento relevante desses custos entre consumidores conectados ao SIN, incluindo consumidores livres, consumidores cativos e autoprodutores conectados &#224; rede.</p><p style="text-align: justify;">Isso significa que a redu&#231;&#227;o da volatilidade do mercado de curto prazo n&#227;o representa aus&#234;ncia de custo para o consumidor final. Significa apenas uma redistribui&#231;&#227;o desse custo dentro da estrutura tarif&#225;ria e dos encargos setoriais.</p><p style="text-align: justify;">Existe uma percep&#231;&#227;o equivocada de que o mercado livre estaria relativamente protegido dessas mudan&#231;as estruturais. N&#227;o est&#225;. Consumidores livres j&#225; participam de diversos encargos sist&#234;micos associados &#224; seguran&#231;a operativa e &#224; confiabilidade do sistema. O pr&#243;prio avan&#231;o da l&#243;gica de contrata&#231;&#227;o de capacidade amplia essa tend&#234;ncia de compartilhamento de custos relacionados &#224; expans&#227;o e &#224; seguran&#231;a energ&#233;tica.</p><p style="text-align: justify;">Na pr&#225;tica, parte da volatilidade que antes aparecia diretamente no PLD pode migrar gradualmente para custos estruturais permanentes associados &#224; disponibilidade de pot&#234;ncia, reserva operativa e confiabilidade sist&#234;mica.</p><p style="text-align: justify;"><strong>O PROBLEMA DO LRCAP TAMB&#201;M &#201; INSTITUCIONAL</strong></p><p style="text-align: justify;">A discuss&#227;o sobre o LRCAP deixou de ser apenas t&#233;cnica e passou a envolver governan&#231;a regulat&#243;ria, seguran&#231;a jur&#237;dica e planejamento setorial.</p><p style="text-align: justify;">Os questionamentos recentes envolvendo o Tribunal de Contas da Uni&#227;o (TCU), manifesta&#231;&#245;es do Minist&#233;rio P&#250;blico Federal e a pr&#243;pria judicializa&#231;&#227;o do certame ampliaram significativamente a tens&#227;o institucional no setor el&#233;trico brasileiro.</p><p style="text-align: justify;">O debate passou a envolver n&#227;o apenas necessidade de capacidade, mas tamb&#233;m racionalidade econ&#244;mica da contrata&#231;&#227;o, concentra&#231;&#227;o de mercado, modicidade tarif&#225;ria e consist&#234;ncia metodol&#243;gica dos estudos utilizados para justificar a expans&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">Nesse contexto, a pr&#243;pria ANEEL passou a refor&#231;ar publicamente que a defini&#231;&#227;o de par&#226;metros estruturais do leil&#227;o, como pre&#231;os-teto e volume contratado, pertence ao Minist&#233;rio de Minas e Energia (MME), &#224; Empresa de Pesquisa Energ&#233;tica (EPE) e ao Operador Nacional do Sistema El&#233;trico (ONS), e n&#227;o diretamente &#224; ag&#234;ncia reguladora.</p><p style="text-align: justify;">Esse ponto &#233; extremamente relevante porque evidencia uma caracter&#237;stica central do modelo institucional brasileiro: planejamento energ&#233;tico, formula&#231;&#227;o de pol&#237;tica p&#250;blica e regula&#231;&#227;o operam de forma segregada.</p><p style="text-align: justify;">Enquanto MME, EPE e ONS atuam diretamente nas premissas estruturais da expans&#227;o, a ANEEL concentra-se na operacionaliza&#231;&#227;o regulat&#243;ria e fiscaliza&#231;&#227;o contratual. O avan&#231;o das discuss&#245;es no TCU acabou ampliando um debate mais profundo sobre os limites institucionais entre regulador, planejadores setoriais, &#243;rg&#227;os de controle e agentes de mercado.</p><p style="text-align: justify;"><strong>A QUEST&#195;O METODOL&#211;GICA CONTINUA ABERTA</strong></p><p style="text-align: justify;">Outro ponto relevante envolve os pr&#243;prios estudos de adequabilidade do sistema. O CMSE registrou discuss&#245;es sobre reavalia&#231;&#245;es metodol&#243;gicas envolvendo o CVaR e os impactos das usinas vencedoras do LRCAP nos estudos futuros.</p><p style="text-align: justify;">Isso abriu espa&#231;o para questionamentos sobre as premissas utilizadas nos estudos, a modelagem adotada, a transpar&#234;ncia regulat&#243;ria e a consist&#234;ncia metodol&#243;gica da expans&#227;o contratada.</p><p style="text-align: justify;">A discuss&#227;o tornou-se ainda mais sens&#237;vel porque envolve contratos bilion&#225;rios com impactos de longo prazo sobre consumidores, investidores e sobre a pr&#243;pria estrutura tarif&#225;ria do setor el&#233;trico brasileiro.</p><p style="text-align: justify;"><strong>SEGURAN&#199;A ENERG&#201;TICA TEM CUSTO</strong></p><p style="text-align: justify;">&#192; medida que o SIN se torna mais dependente de flexibilidade operativa e resposta r&#225;pida, atributos como pot&#234;ncia dispon&#237;vel, reserva operativa e confiabilidade passam a ter peso econ&#244;mico crescente dentro do setor el&#233;trico. Esse fen&#244;meno n&#227;o ocorre apenas no Brasil e j&#225; vem sendo observado em diversos mercados internacionais com elevada participa&#231;&#227;o renov&#225;vel.</p><p style="text-align: justify;">Nesse contexto, a discuss&#227;o central deixa de ser apenas expans&#227;o energ&#233;tica e passa a envolver o custo sist&#234;mico da confiabilidade. Maior seguran&#231;a operativa exige contrata&#231;&#227;o de capacidade, disponibilidade e flexibilidade &#8212; atributos que possuem impacto econ&#244;mico relevante e que tendem a ser incorporados, direta ou indiretamente, &#224; estrutura tarif&#225;ria e aos encargos do setor el&#233;trico.</p><p style="text-align: justify;">Talvez o maior erro do debate atual seja transmitir a percep&#231;&#227;o de que seria poss&#237;vel ampliar seguran&#231;a energ&#233;tica, reduzir volatilidade do PLD e minimizar riscos operacionais sem aumento estrutural de custos para o sistema.</p><p style="text-align: justify;">Em sistemas el&#233;tricos complexos, isso dificilmente ocorre.</p><p style="text-align: justify;">No final, o custo da confiabilidade n&#227;o desaparece. Ele apenas muda de lugar dentro da estrutura regulat&#243;ria e tarif&#225;ria do setor el&#233;trico brasileiro.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A NOVA LÓGICA DO SETOR ELÉTRICO: QUANDO ENERGIA DEIXA DE SER APENAS MWh]]></title><description><![CDATA[A NOVA F&#205;SICA DO SETOR EL&#201;TRICO]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/a-nova-logica-do-setor-eletrico-quando</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/a-nova-logica-do-setor-eletrico-quando</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Thu, 07 May 2026 22:30:18 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3wZw!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fca632023-c395-476c-a95b-8d468acf2afe_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Tenho concordado cada vez mais com a vis&#227;o de que o setor el&#233;trico brasileiro talvez esteja entrando em uma transi&#231;&#227;o estrutural muito mais profunda do que apenas mais uma crise conjuntural.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!K9TM!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fff1c8a94-284e-4fb0-abe4-38ad8795065d_318x159.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!K9TM!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fff1c8a94-284e-4fb0-abe4-38ad8795065d_318x159.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!K9TM!, /__u/cocenergia.substack.com/w_848, 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Nesse ambiente, fazia sentido tratar energia quase como uma commodity homog&#234;nea, onde o principal valor econ&#244;mico estava concentrado no MWh entregue.</p><p>Mas a expans&#227;o acelerada das renov&#225;veis vari&#225;veis come&#231;a a alterar essa l&#243;gica estruturalmente. Mais solar e e&#243;lica significam mais variabilidade, maior necessidade de flexibilidade operativa, maior press&#227;o sobre confiabilidade e, consequentemente, mais volatilidade econ&#244;mica e operacional. Essa fric&#231;&#227;o aparece hoje no curtailment crescente, na bimodalidade do PLD, nas restri&#231;&#245;es operativas, na menor disposi&#231;&#227;o dos agentes em carregar riscos de longo prazo e at&#233; na pr&#243;pria liquidez do ACL.</p><p>Talvez o ponto central seja justamente esse desencontro entre uma nova f&#237;sica operacional do sistema e uma arquitetura econ&#244;mica e regulat&#243;ria concebida para outra realidade. O setor come&#231;a gradualmente a perceber que nem toda energia possui o mesmo valor sist&#234;mico. Hor&#225;rio de entrega, localiza&#231;&#227;o el&#233;trica, previsibilidade, capacidade firme e flexibilidade passam a ter peso econ&#244;mico crescente.</p><p>Talvez estejamos entrando justamente na fase em que o mercado deixa de remunerar apenas volume de energia e come&#231;a, ainda de forma desorganizada, a valorizar atributos sist&#234;micos.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[GARGALOS NA EXPANSÃO RENOVÁVEL E A TRANSIÇÃO ENERGÉTICA NO BRASIL]]></title><description><![CDATA[ENTRE CURTAILMENT, PLD E FLEXIBILIDADE: OS DESAFIOS DO NOVO SETOR EL&#201;TRICO]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/gargalos-na-expansao-renovavel-e</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/gargalos-na-expansao-renovavel-e</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Thu, 07 May 2026 21:54:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!izxX!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fecab247d-05bc-49cc-8a72-a07a31b28c50_1024x752.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O setor el&#233;trico brasileiro atravessa uma transi&#231;&#227;o estrutural que vai al&#233;m da simples adi&#231;&#227;o de capacidade renov&#225;vel. Com solar e e&#243;lica consolidando-se como pilares da matriz e superando os 50 GW instalados, o pa&#237;s colhe os frutos de recursos naturais excepcionais, ganhos tecnol&#243;gicos e forte expans&#227;o da gera&#231;&#227;o renov&#225;vel nos &#250;ltimos anos. No entanto, fen&#244;menos como as devolu&#231;&#245;es de outorgas pela ANEEL &#8212; mais de 140 usinas em 2025, com impactos financeiros estimados em dezenas de bilh&#245;es de reais e forte concentra&#231;&#227;o no Nordeste &#8212; passaram a evidenciar desequil&#237;brios estruturais mais complexos no Sistema Interligado Nacional (SIN).</p><p style="text-align: justify;">Historicamente ancorado em uma base hidrel&#233;trica com elevada capacidade de regulariza&#231;&#227;o, o SIN incorporou rapidamente fontes vari&#225;veis, alterando din&#226;micas operacionais e econ&#244;micas do setor. No Nordeste, epicentro da expans&#227;o e&#243;lica e solar, a elevada concentra&#231;&#227;o de projetos em regi&#245;es de alto potencial renov&#225;vel passou a enfrentar limita&#231;&#245;es relevantes de transmiss&#227;o e escoamento. Em diversos per&#237;odos do dia, especialmente nos hor&#225;rios de maior irradi&#226;ncia solar, a gera&#231;&#227;o excede n&#227;o apenas a demanda local, mas tamb&#233;m a capacidade de exporta&#231;&#227;o da energia produzida, ampliando epis&#243;dios de curtailment associados tanto a restri&#231;&#245;es el&#233;tricas quanto a desequil&#237;brios energ&#233;ticos. Esse movimento passou a intensificar uma crescente bimodalidade hor&#225;ria dos pre&#231;os de energia, marcada por valores mais baixos durante o dia e maior valoriza&#231;&#227;o da energia nos per&#237;odos noturnos e de ponta.</p><p style="text-align: justify;">O crescimento da micro e minigera&#231;&#227;o distribu&#237;da tamb&#233;m contribui para intensificar sobreofertas localizadas, enquanto mecanismos como o Leil&#227;o de Reserva de Capacidade (LRCAP/2026) introduzem custos adicionais associados &#224; contrata&#231;&#227;o de pot&#234;ncia firme via ERCAP. Nesse contexto, o setor passa gradualmente de uma l&#243;gica historicamente marcada pela escassez para um cen&#225;rio de sobras energ&#233;ticas localizadas em determinados per&#237;odos, exigindo n&#237;veis crescentes de flexibilidade operativa, coordena&#231;&#227;o regulat&#243;ria e expans&#227;o da infraestrutura el&#233;trica.</p><p style="text-align: justify;">Para investidores, agentes setoriais e reguladores, o desafio deixa de ser apenas expandir capacidade instalada e passa a envolver a constru&#231;&#227;o de um modelo capaz de equilibrar crescimento renov&#225;vel, confiabilidade operativa, financiabilidade dos ativos e sustentabilidade econ&#244;mica de longo prazo.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!izxX!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fecab247d-05bc-49cc-8a72-a07a31b28c50_1024x752.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!izxX!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fecab247d-05bc-49cc-8a72-a07a31b28c50_1024x752.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!izxX!, /__u/cocenergia.substack.com/w_848, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, 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centros de estudo como o GESEL-UFRJ, defende uma maior liberdade na forma&#231;&#227;o do PLD em per&#237;odos de sobra energ&#233;tica, argumentando que sinais de pre&#231;o mais aderentes ao custo marginal poderiam estimular armazenamento, resposta da demanda e consumo flex&#237;vel. Essa discuss&#227;o ganhou for&#231;a com o avan&#231;o do PLD hor&#225;rio e com o aumento da incid&#234;ncia de curtailment em determinadas regi&#245;es do SIN, especialmente no Nordeste, onde a expans&#227;o renov&#225;vel passou a crescer em ritmo superior &#224; capacidade de absor&#231;&#227;o da demanda e da infraestrutura de transmiss&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">Nesse contexto, sistemas de armazenamento por baterias (BESS) passaram a ser frequentemente apontados como alternativa para amplia&#231;&#227;o da flexibilidade operativa, arbitragem de pre&#231;os e mitiga&#231;&#227;o de cortes de gera&#231;&#227;o. Apesar disso, a viabilidade econ&#244;mica do armazenamento em larga escala ainda enfrenta limita&#231;&#245;es relevantes no Brasil. Embora a ANEEL tenha avan&#231;ado em consultas p&#250;blicas, discuss&#245;es regulat&#243;rias e autoriza&#231;&#245;es pontuais para projetos piloto e solu&#231;&#245;es colocalizadas, o marco regulat&#243;rio espec&#237;fico para armazenamento ainda permanece em consolida&#231;&#227;o, com indefini&#231;&#245;es relacionadas &#224; remunera&#231;&#227;o dos servi&#231;os prestados, empilhamento de receitas, cobran&#231;a pelo uso da rede e participa&#231;&#227;o em mecanismos de capacidade.</p><p style="text-align: justify;">Al&#233;m das incertezas regulat&#243;rias, agentes do setor tamb&#233;m apontam desafios econ&#244;micos relevantes. Os custos de implanta&#231;&#227;o ainda permanecem elevados para diversos modelos de neg&#243;cio no mercado brasileiro, enquanto as receitas potenciais associadas apenas &#224; arbitragem de pre&#231;os nem sempre demonstram capacidade suficiente para sustentar a bancabilidade dos projetos. Soma-se a isso a degrada&#231;&#227;o gradual das baterias ao longo do ciclo de vida e a aus&#234;ncia, at&#233; o momento, de mecanismos plenamente estruturados para remunera&#231;&#227;o granular da flexibilidade el&#233;trica e de atributos sist&#234;micos associados &#224; estabilidade operativa do SIN.</p><p style="text-align: justify;">Parte relevante dos debates atuais sobre PLD, armazenamento e flexibilidade el&#233;trica tamb&#233;m evidencia uma tens&#227;o crescente entre efici&#234;ncia marginal de curto prazo e sustentabilidade econ&#244;mico-financeira de longo prazo do setor. Embora modelos te&#243;ricos frequentemente defendam sinais de pre&#231;o mais aderentes ao custo marginal instant&#226;neo da energia, especialmente em per&#237;odos de elevada sobra renov&#225;vel, agentes do mercado ressaltam que a confiabilidade do sistema, a manuten&#231;&#227;o da capacidade despach&#225;vel e a expans&#227;o da infraestrutura el&#233;trica dependem de mecanismos est&#225;veis de remunera&#231;&#227;o ao longo do tempo. Em um setor intensivo em capital, financiado por estruturas complexas de d&#237;vida e contratos de longo prazo, qualquer altera&#231;&#227;o abrupta nos sinais econ&#244;micos pode afetar diretamente percep&#231;&#227;o de risco, custo de capital e disposi&#231;&#227;o para novos investimentos.</p><p style="text-align: justify;">Na pr&#225;tica, o sistema el&#233;trico brasileiro ainda n&#227;o possui um mercado plenamente consolidado para remunera&#231;&#227;o espec&#237;fica de servi&#231;os ancilares e flexibilidade operativa em larga escala. Assim, parte significativa dos custos associados &#224; confiabilidade, disponibilidade e estabilidade do SIN continua sendo absorvida ou socializada por diferentes mecanismos regulat&#243;rios e tarif&#225;rios. Nesse contexto, reduzir o debate exclusivamente &#224; forma&#231;&#227;o marginal do PLD, sem considerar os desafios de financiabilidade dos ativos, sustentabilidade da expans&#227;o e seguran&#231;a energ&#233;tica, tende a simplificar excessivamente um tema estruturalmente complexo e cercado de trade-offs relevantes.</p><p style="text-align: justify;">Do outro lado do debate, operadores e agentes hidrot&#233;rmicos argumentam que o piso atual do PLD continua exercendo papel importante na cobertura de custos fixos associados &#224; disponibilidade e &#224; confiabilidade do sistema, especialmente em um modelo ainda fortemente dependente da complementaridade hidrol&#243;gica. Experi&#234;ncias internacionais com pre&#231;os negativos, particularmente em alguns mercados europeus, tamb&#233;m s&#227;o frequentemente citadas como exemplos de que sinais marginais extremos podem produzir distor&#231;&#245;es adicionais quando n&#227;o acompanhados de mecanismos robustos de capacidade, armazenamento e remunera&#231;&#227;o adequada da flexibilidade sist&#234;mica.</p><p style="text-align: justify;">A agenda regulat&#243;ria da ANEEL para os pr&#243;ximos anos, incluindo discuss&#245;es sobre armazenamento, revis&#227;o de metodologias do PLD e aperfei&#231;oamentos relacionados &#224; flexibilidade operativa do SIN, reflete justamente a complexidade desse equil&#237;brio entre sinal econ&#244;mico, seguran&#231;a el&#233;trica, financiabilidade dos ativos e sustentabilidade da expans&#227;o da matriz.</p><p><strong>AN&#193;LISE T&#201;CNICA E ECON&#212;MICA</strong></p><p style="text-align: justify;">Do ponto de vista operacional, o curtailment surge como consequ&#234;ncia inevit&#225;vel de um crescimento acelerado das renov&#225;veis sem sincronia perfeita com a demanda ou a transmiss&#227;o. Restri&#231;&#245;es el&#233;tricas preservam a estabilidade do SIN, mas os impactos econ&#244;micos recaem sobre fluxos de caixa dos projetos, elevando a percep&#231;&#227;o de risco e complicando financiamentos. Bancos e fundos demandam previsibilidade, e a aus&#234;ncia de ressarcimento integral pressiona a TIR, especialmente em PPAs que precisam acomodar pr&#234;mios adicionais. O LRCAP e o ERCAP, por sua vez, garantem firmeza em cen&#225;rios de seca, mas repassam custos aos consumidores de forma que incentiva, em teoria, a modula&#231;&#227;o de carga &#8211; embora na pr&#225;tica isso exija investimentos em flexibilidade que nem todos podem arcar. Armazenamento emerge como ponte, mas suas limita&#231;&#245;es econ&#244;micas, como ciclos de degrada&#231;&#227;o e depend&#234;ncia de arbitragem, demandam marcos regulat&#243;rios claros para escalar.</p><p><strong>IMPACTOS REGULAT&#211;RIOS</strong></p><p style="text-align: justify;">A regula&#231;&#227;o brasileira, com sua &#234;nfase em leil&#245;es competitivos e outorgas condicionadas, fomentou a expans&#227;o inicial, mas altera&#231;&#245;es r&#225;pidas &#8211; como na Lei 15.269 &#8211; geram inseguran&#231;a. A falta de remunera&#231;&#227;o por servi&#231;os ancilares pagos e a pend&#234;ncia de ades&#245;es ao REIDI elevam CAPEX em projetos renov&#225;veis, enquanto atrasos em licita&#231;&#245;es de transmiss&#227;o perpetuam assimetrias regionais. Consumidores livres navegam melhor nesse ambiente, negociando contratos que mitigam volatilidades, mas os cativos enfrentam repasses que testam a competitividade industrial.</p><p style="text-align: justify;"><strong>RISCOS PARA O SIN</strong></p><p style="text-align: justify;">A depend&#234;ncia hidrol&#243;gica do SIN amplifica preocupa&#231;&#245;es: sem flexibilidade ampliada, d&#233;ficits noturnos ou em per&#237;odos secos podem pressionar reservas, comprometendo a confiabilidade que o pa&#237;s construiu ao longo de d&#233;cadas. O equil&#237;brio entre expans&#227;o renov&#225;vel e capacidade despach&#225;vel permanece fr&#225;gil, especialmente com o crescimento da MMGD.</p><p style="text-align: justify;"><strong>DESAFIOS PARA O NORDESTE</strong></p><p style="text-align: justify;">No Nordeste, onde se concentra a maior parte da gera&#231;&#227;o e&#243;lica brasileira e uma parcela relevante da expans&#227;o solar centralizada, os desafios assumem contornos particularmente sens&#237;veis. A regi&#227;o, respons&#225;vel pela maior parte da gera&#231;&#227;o e&#243;lica nacional e protagonista da expans&#227;o renov&#225;vel dos &#250;ltimos anos, passou a enfrentar um ambiente mais complexo para novos investimentos. Estimativas repercutidas por associa&#231;&#245;es setoriais e pela imprensa especializada apontam suspens&#227;o, posterga&#231;&#227;o ou reavalia&#231;&#227;o de investimentos da ordem de R$ 38 bilh&#245;es a R$ 40 bilh&#245;es entre 2025 e 2026, em um cen&#225;rio marcado pelo aumento do curtailment, limita&#231;&#245;es estruturais de transmiss&#227;o, crescimento mais lento da demanda e maior percep&#231;&#227;o de risco regulat&#243;rio. Parte dos agentes do setor passou inclusive a avaliar o redirecionamento de projetos para regi&#245;es mais pr&#243;ximas aos grandes centros de carga, diante das dificuldades de escoamento da energia produzida no Nordeste.</p><p style="text-align: justify;">No Rio Grande do Norte, levantamentos repercutidos pela imprensa regional com base em dados da ANEEL e informa&#231;&#245;es de entidades setoriais indicam devolu&#231;&#245;es relevantes de projetos solares e e&#243;licos entre 2025 e o in&#237;cio de 2026. Apenas no segmento solar, os investimentos frustrados foram estimados em aproximadamente R$ 13 bilh&#245;es, enquanto os projetos e&#243;licos devolvidos representariam cerca de R$ 3,1 bilh&#245;es em aportes n&#227;o realizados. O cen&#225;rio pressiona uma cadeia produtiva relevante para a economia regional, afetando fornecedores, servi&#231;os especializados e empregos ligados &#224; expans&#227;o renov&#225;vel.</p><p style="text-align: justify;">Al&#233;m dos impactos sobre a rentabilidade dos empreendimentos j&#225; implantados, as limita&#231;&#245;es de transmiss&#227;o passaram a influenciar decis&#245;es relacionadas &#224; atra&#231;&#227;o de novas cargas eletrointensivas, projetos industriais associados &#224; transi&#231;&#227;o energ&#233;tica e potenciais investimentos em data centers, segmentos que demandam elevada disponibilidade energ&#233;tica, previsibilidade operacional e infraestrutura robusta de conex&#227;o. Nesse contexto, a expans&#227;o coordenada da transmiss&#227;o tende a se tornar elemento central n&#227;o apenas para o setor el&#233;trico, mas tamb&#233;m para estrat&#233;gias de desenvolvimento regional e competitividade industrial de longo prazo.</p><p style="text-align: justify;">Preservar a atratividade do Nordeste exigir&#225; uma combina&#231;&#227;o entre expans&#227;o mais acelerada da infraestrutura de transmiss&#227;o, maior coordena&#231;&#227;o entre planejamento energ&#233;tico e crescimento da demanda, al&#233;m de sinais regulat&#243;rios capazes de reduzir a percep&#231;&#227;o de inseguran&#231;a para investidores. Mais do que ampliar capacidade instalada, o desafio passa a ser transformar abund&#226;ncia energ&#233;tica em desenvolvimento econ&#244;mico sustent&#225;vel, industrializa&#231;&#227;o e previsibilidade de longo prazo.</p><p style="text-align: justify;"><strong>POSS&#205;VEIS SOLU&#199;&#213;ES E LIMITA&#199;&#213;ES</strong></p><p style="text-align: justify;">Entre as alternativas mais discutidas pelo setor est&#227;o a expans&#227;o da transmiss&#227;o, maior granularidade temporal do PLD, mecanismos de resposta da demanda, evolu&#231;&#227;o regulat&#243;ria para armazenamento e modelos mais equilibrados de aloca&#231;&#227;o dos riscos de curtailment. Tamb&#233;m ganham espa&#231;o discuss&#245;es sobre leil&#245;es de capacidade e incentivos &#224; atra&#231;&#227;o de novas cargas eletrointensivas em regi&#245;es com elevada sobra renov&#225;vel.</p><p style="text-align: justify;">Apesar disso, essas solu&#231;&#245;es ainda enfrentam limita&#231;&#245;es t&#233;cnicas, econ&#244;micas e regulat&#243;rias relevantes. No caso dos sistemas de armazenamento por baterias, persistem desafios relacionados a custos de implanta&#231;&#227;o, monetiza&#231;&#227;o da flexibilidade e aus&#234;ncia de um arcabou&#231;o regulat&#243;rio plenamente consolidado no Brasil. Al&#233;m disso, em um setor intensivo em capital e dependente de financiamentos de longo prazo, mudan&#231;as nos sinais econ&#244;micos precisam considerar n&#227;o apenas efici&#234;ncia marginal de curto prazo, mas tamb&#233;m sustentabilidade financeira, previsibilidade regulat&#243;ria e seguran&#231;a operativa do SIN.</p><p style="text-align: justify;"><strong>CONCLUS&#195;O</strong></p><p style="text-align: justify;">A transi&#231;&#227;o energ&#233;tica brasileira n&#227;o &#233; linear, mas um processo de ajustes cont&#237;nuos entre ambi&#231;&#227;o renov&#225;vel, seguran&#231;a operacional e sustentabilidade econ&#244;mica. Os dados e debates atuais indicam que o foco deve recair em previsibilidade regulat&#243;ria e investimentos direcionados, garantindo que o potencial do pa&#237;s se traduza em desenvolvimento concreto. Para o setor, o horizonte aponta para oportunidades, desde que ancoradas em uma vis&#227;o integrada do SIN.</p><p style="text-align: justify;"><strong>FONTES:</strong></p><ul><li><p>ANEEL: Not&#237;cias sobre revoga&#231;&#245;es de outorgas</p></li><li><p>ONS: Relat&#243;rios de opera&#231;&#227;o e CMSE 2025-2026</p></li><li><p>GESEL-UFRJ: Estudos e an&#225;lises sobre curtailment, forma&#231;&#227;o de pre&#231;os, armazenamento e expans&#227;o do setor el&#233;trico brasileiro (gesel.ie.ufrj.br).</p></li><li><p>CCEE: Painel de PLD e relat&#243;rios DESSEM</p></li><li><p>EPE: PDE 2050 e previs&#245;es de carga</p></li></ul>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O MERCADO LIVRE DE ENERGIA E A ARMADILHA DA MIRAGEM: POR QUE O “BARATO” SE TORNOU O MAIOR RISCO DO SETOR]]></title><description><![CDATA[MERCADO LIVRE: A CRISE QUE EXP&#212;S A ILUS&#195;O DO PRE&#199;O BAIXO]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/o-mercado-livre-de-energia-e-a-armadilha</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/o-mercado-livre-de-energia-e-a-armadilha</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Tue, 07 Apr 2026 01:13:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Q3NI!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F15fa7d32-8e49-4377-b1f1-2c0b67880546_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">No setor el&#233;trico, existe uma regra de ouro: a energia que voc&#234; consome precisa estar lastreada em algum lugar. O que estamos assistindo em mar&#231;o de 2026 &#233; o colapso de um modelo de neg&#243;cio que ignorou essa f&#237;sica b&#225;sica em troca de agressividade comercial. A &#8220;mar&#233; baixa&#8221; da crise h&#237;drica revelou quem operava no limite da irresponsabilidade.</p><h4 style="text-align: justify;"><strong>&#8203;O FIM DA FANTASIA: O PER&#205;ODO DE EXCE&#199;&#195;O ACABOU</strong></h4><p style="text-align: justify;">&#8203;&#201; fundamental que o consumidor entenda um fato t&#233;cnico: <strong>pre&#231;os de energia artificialmente baixos n&#227;o existem mais e n&#227;o retornar&#227;o t&#227;o cedo.</strong> Nos &#250;ltimos anos, o Brasil viveu um per&#237;odo de sobreoferta e condi&#231;&#245;es hidrol&#243;gicas que viciaram o mercado em descontos irreais. Esse ciclo se encerrou.</p><p style="text-align: justify;">&#8203;Quem ainda oferece tarifas &#8220;milagrosas&#8221; hoje est&#225;, tecnicamente, <strong>operando a descoberto</strong> &#8212; vendendo o que n&#227;o comprou, apostando que o pre&#231;o no futuro ser&#225; baixo. &#201; uma miragem que atrai o gestor em busca de economia, mas que entrega apenas inseguran&#231;a jur&#237;dica e risco de desabastecimento. No cen&#225;rio atual de 2026, o &#8220;pre&#231;o de oportunidade&#8221; &#233;, na verdade, um sinal de alerta vermelho.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Q3NI!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F15fa7d32-8e49-4377-b1f1-2c0b67880546_1024x1024.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Q3NI!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F15fa7d32-8e49-4377-b1f1-2c0b67880546_1024x1024.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Q3NI!, 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vista, pareciam os pilares da moderniza&#231;&#227;o do Mercado Livre. Hoje, s&#227;o os protagonistas de um roteiro de terror para o setor.</p><p>1. &#8203;O caso da <strong>Gold Energia</strong> &#233; o mais sombrio. Quando a Pol&#237;cia Civil entra em cena para investigar estelionato e um rombo de R$ 1 bilh&#227;o, sa&#237;mos da esfera do &#8220;risco de neg&#243;cio&#8221; e entramos na criminalidade pura. Vender o que n&#227;o se tem (lastro) &#233; uma aposta contra o sistema que, quando estoura, deixa o consumidor final segurando a conta.</p><p>2. &#8203;J&#225; a <strong>Eletron</strong> e seu passivo de R$ 1,16 bilh&#227;o nos mostram o perigo da &#8220;blindagem jur&#237;dica&#8221;. Ao usar a Recupera&#231;&#227;o Judicial para travar obriga&#231;&#245;es na CCEE, a empresa cria um subs&#237;dio for&#231;ado &#224; inadimpl&#234;ncia. Quem paga? O mercado adimplente, via rateio. &#201; o bom pagador financiando o erro de quem deu o passo maior que a perna.</p><p>3. &#8203;E a <strong>Boven</strong>? O desligamento sum&#225;rio da CCEE em mar&#231;o de 2026 &#233; o choque de realidade que o varejo precisava. Uma empresa com 14 anos de casa e peso na BBCE cair por n&#227;o pagar cotas de energia nuclear prova que ningu&#233;m &#233; &#8220;grande demais para quebrar&#8221;.</p></blockquote><h4 style="text-align: justify;">&#8203;<strong>A CRISE H&#205;DRICA COMO CATALISADOR DO CAOS</strong></h4><p style="text-align: justify;">&#8203;N&#227;o podemos olhar para esses balan&#231;os financeiros sem olhar para o c&#233;u. A fal&#234;ncia h&#237;drica e a seca extrema no Sudeste e Amaz&#244;nia s&#227;o o combust&#237;vel dessa crise.</p><p style="text-align: justify;">&#8203;Com os reservat&#243;rios em n&#237;vel de alerta, o PLD (Pre&#231;o de Liquida&#231;&#227;o das Diferen&#231;as) dispara. Para as comercializadoras que operavam &#8220;descobertas&#8221; &#8212; ou seja, vendendo energia barata no papel sem ter a garantia f&#237;sica comprada &#8212; o aumento do pre&#231;o de mercado &#233; a senten&#231;a de morte. Elas n&#227;o t&#234;m caixa para honrar a diferen&#231;a entre o que prometeram ao cliente e o que custa a energia hoje no mercado de curto prazo.</p><h4 style="text-align: justify;">&#8203;<strong>O QUE ESPERAR: O FIM DA ERA DO &#8220;PRE&#199;O M&#193;GICO&#8221;</strong></h4><p style="text-align: justify;">&#8203;Se voc&#234; est&#225; esperando que as coisas voltem ao normal em breve, sinto ser o portador das m&#225;s not&#237;cias: o &#8220;normal&#8221; mudou. O que podemos esperar para o restante de 2026 e 2027 &#233;:</p><ol><li><p>&#8203;<strong>SELE&#199;&#195;O NATURAL NO VAREJO:</strong> O mercado varejista vai encolher. Apenas empresas com lastro real, garantias banc&#225;rias robustas e governan&#231;a transparente sobreviver&#227;o. O consumidor inteligente vai parar de buscar o &#8220;desconto de 30%&#8221; e vai come&#231;ar a perguntar: &#8220;Qual &#233; o seu lastro f&#237;sico e sua nota de cr&#233;dito?&#8221;.</p></li><li><p>&#8203;<strong>ENDURECIMENTO REGULAT&#211;RIO:</strong> A ANEEL e a CCEE ser&#227;o obrigadas a serem mais r&#225;pidas. O &#8220;stay period&#8221; de 180 dias de uma RJ n&#227;o pode ser um salvo-conduto para continuar operando sem garantias. A Resolu&#231;&#227;o 957/2021 deve ser apenas o come&#231;o de uma fiscaliza&#231;&#227;o muito mais agressiva sobre a sa&#250;de financeira dos agentes.</p></li><li><p>&#8203;<strong>JUDICIALIZA&#199;&#195;O EM MASSA:</strong> Com o aumento de escrit&#243;rios de advocacia patrocinando eventos do setor, o recado &#233; claro: as brigas por ressarcimento de <em>curtailment</em> e quebras de contrato v&#227;o entupir os tribunais.</p></li></ol><h4 style="text-align: justify;">&#8203;<strong>A SEGURAN&#199;A &#201; O NOVO LUCRO</strong></h4><p style="text-align: justify;">&#8203;O mercado livre de energia continua sendo o melhor caminho para a competitividade, mas ele perdeu a inoc&#234;ncia. A li&#231;&#227;o de 2026 &#233; clara: <strong>pre&#231;o sem lastro &#233; apenas uma promessa vazia.</strong> Para o empres&#225;rio, o conselho &#233; um s&#243;: audite seus fornecedores agora. Se o pre&#231;o est&#225; muito abaixo da realidade h&#237;drica do pa&#237;s, voc&#234; n&#227;o est&#225; comprando energia, est&#225; comprando o risco de ficar no escuro.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O DIFERIMENTO TARIFÁRIO E A ALAVANCAGEM REGULATÓRIA]]></title><description><![CDATA[A atual estrat&#233;gia do Governo Federal de estruturar um aporte de R$ 7 bilh&#245;es via BNDES para as concession&#225;rias de distribui&#231;&#227;o de energia configura uma opera&#231;&#227;o de diferimento de passivo.]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/o-diferimento-tarifario-e-a-alavancagem</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/o-diferimento-tarifario-e-a-alavancagem</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Tue, 07 Apr 2026 00:59:41 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Lzzo!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4b168375-45ab-48a3-b9cb-045b7002421f_1200x675.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A atual estrat&#233;gia do Governo Federal de estruturar um aporte de R$ 7 bilh&#245;es via BNDES para as concession&#225;rias de distribui&#231;&#227;o de energia configura uma opera&#231;&#227;o de diferimento de passivo. Sob a &#243;tica da regula&#231;&#227;o econ&#244;mica, essa medida n&#227;o representa uma redu&#231;&#227;o real de custos, mas sim uma reengenharia financeira que posterga a percep&#231;&#227;o de pre&#231;o pelo consumidor final, incidindo sobre o montante custos de capital significativos. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Lzzo!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4b168375-45ab-48a3-b9cb-045b7002421f_1200x675.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Lzzo!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, 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projetados atingiram R$ 52,7 bilh&#245;es. Tecnicamente, a utiliza&#231;&#227;o de empr&#233;stimos para mitigar o reajuste m&#233;dio de 8% previsto para 2026 mascara a inefici&#234;ncia estrutural do sistema. Ao optar pelo financiamento em vez da reforma dos encargos, o governo perpetua um modelo de subs&#237;dio cruzado onde o consumidor cativo arca com juros de empr&#233;stimos banc&#225;rios (indexados &#224; Selic) para financiar pol&#237;ticas p&#250;blicas que n&#227;o deveriam estar alocadas estritamente na tarifa de energia. </p><p><strong>RISCO REGULAT&#211;RIO E O CUSTO M&#201;DIO PONDERADO DE CAPITAL (WACC)</strong></p><p> A interfer&#234;ncia do Poder Executivo, ao solicitar o adiamento de reajustes j&#225; homolog&#225;veis pela ANEEL, gera uma percep&#231;&#227;o de risco regulat&#243;rio que afeta o WACC (Weighted Average Cost of Capital) das empresas do setor. Para o investidor, a quebra da previsibilidade tarif&#225;ria exige um pr&#234;mio de risco maior em futuras capta&#231;&#245;es. Isso pode comprometer o CAPEX (investimento em bens de capital) necess&#225;rio para a manuten&#231;&#227;o e expans&#227;o da rede, uma vez que a capacidade de endividamento das distribuidoras fica comprometida pela sobreposi&#231;&#227;o de camadas de d&#237;vida (Conta Covid, Conta Escassez H&#237;drica e o novo aporte proposto). </p><p><strong>DESCOLAMENTO DE &#205;NDICES E A REPRESS&#195;O TARIF&#193;RIA </strong></p><p>Embora o governo justifique a medida com base no descompasso entre o reajuste de 8% e a infla&#231;&#227;o medida pelo IPCA (3,9%) ou IGP-M (3,1%), essa an&#225;lise ignora a natureza dos custos setoriais. O setor el&#233;trico &#233; regido por contratos de longo prazo com componentes de custo que n&#227;o seguem linearmente os &#237;ndices de pre&#231;os ao consumidor. A repress&#227;o artificial desses valores cria um "efeito represa" que, historicamente, resulta em corre&#231;&#245;es abruptas e severas, desestabilizando a seguran&#231;a jur&#237;dica e financeira de toda a cadeia produtiva nacional. </p><p><strong>FONTES: </strong></p><p>&#8226; ANEEL: Relat&#243;rios de estimativas tarif&#225;rias anuais e balancetes da Conta de Desenvolvimento Energ&#233;tico (CDE). </p><p>&#8226; Precedentes Regulat&#243;rios: An&#225;lise t&#233;cnica da Medida Provis&#243;ria 579/2012 e das opera&#231;&#245;es de cr&#233;dito "Conta Covid" e "Conta Escassez H&#237;drica". </p><p>&#8226; Mat&#233;rias Jornal&#237;sticas de Refer&#234;ncia: Reportagem do jornal O Globo e dados complementares da Folha de S.Paulo sobre a participa&#231;&#227;o do BNDES</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[ALTAS SUCESSIVAS NOS PREÇOS DA ENERGIA: UM CENÁRIO INEVITÁVEL ]]></title><description><![CDATA[Press&#245;es estruturais e regulat&#243;rias sustentam a alta cont&#237;nua e exigem gest&#227;o estrat&#233;gica de energia.]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/altas-sucessivas-nos-precos-da-energia</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/altas-sucessivas-nos-precos-da-energia</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Tue, 07 Apr 2026 00:43:17 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!za9f!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4573cc9e-8ee8-4083-bd2e-93a880c91c62_850x566.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O mercado de energia el&#233;trica brasileiro caminha para um per&#237;odo de reajustes cont&#237;nuos e inevit&#225;veis nos pre&#231;os, com proje&#231;&#245;es que apontam para eleva&#231;&#245;es sucessivas ao menos at&#233; 2028. N&#227;o &#233; alarmismo: trata-se de uma converg&#234;ncia de fatores estruturais, hidrol&#243;gicos e regulat&#243;rios que exp&#245;em fragilidades profundas no sistema. Hidrel&#233;tricas deficit&#225;rias, custos t&#233;rmicos em ascens&#227;o e uma transi&#231;&#227;o matricial mal calibrada sinalizam um futuro de tarifas mais salgadas, impactando consumidores, ind&#250;strias e investidores.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!za9f!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4573cc9e-8ee8-4083-bd2e-93a880c91c62_850x566.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!za9f!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, 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elevou suas premissas: PLD no SE/CO para R$ 342/MWh em 2026, com o Nordeste saltando para R$ 302/MWh. Para 2027 e 2028, as curvas seguem ascendentes. A ANEEL projeta tarifas m&#233;dias 8% acima da infla&#231;&#227;o em 2026, ecoando o PLAN 2026-2030 da CCEE e ONS, com carga crescendo 3,8% ao ano e GSF abaixo de 0,85 &#8211; d&#233;ficit superior a 15%.</p><p style="text-align: justify;">Chuvas irregulares, despacho t&#233;rmico impulsionado por tens&#245;es globais e modelos operacionais do ONS que privilegiam riscos h&#237;dricos sobre intermitentes criam um ciclo de press&#227;o. O excesso de renov&#225;veis, em paradoxo, n&#227;o alivia: curtailments e reservat&#243;rios baixos mant&#234;m os pre&#231;os em patamares elevados.</p><p style="text-align: justify;"><strong>PR&#193;TICAS TEMER&#193;RIAS DE PRECIFICA&#199;&#195;O: A CAPTA&#199;&#195;O DE CLIENTES A CUSTO DE QUEBRAS</strong></p><p style="text-align: justify;">Parte do problema decorre de condutas temer&#225;rias adotadas por diversas comercializadoras: vendas a pre&#231;os substancialmente inferiores ao custo marginal real, com o intuito exclusivo de ampliar carteira e conquistar escala. Tratavam o PLD baixo como muleta perene, um piso artificial que mascarava riscos hidrol&#243;gicos e GSF. Eduardo Rossi, diretor de Seguran&#231;a do Mercado na CCEE, identifica crises g&#234;meas de liquidez e confian&#231;a credit&#237;cia, agravadas pela abertura do ACL.</p><p style="text-align: justify;">O desfecho &#233; um dom&#237;nio de insolv&#234;ncias e estresses financeiros, com players expostos a recompras for&#231;adas e garantias elevadas. Um ter&#231;o dos contratos vence em 2-6 anos, ampliando vulnerabilidades. Essa estrat&#233;gia de precifica&#231;&#227;o predat&#243;ria, focada em volume a qualquer custo, abalou a estabilidade do ACL, freando migra&#231;&#245;es &#8211; queda de 52% em fevereiro de 2026. O que se vendia como barganha virou armadilha para consumidores e caos para o mercado.</p><p style="text-align: justify;"><strong>POR QUE AS ALTAS SER&#195;O CONT&#205;NUAS?</strong></p><p style="text-align: justify;">O GSF persistir&#225; abaixo de 0,90 at&#233; 2027, com hidrologia adversa e descompasso regulat&#243;rio: consumidores obrigados a 100% de contrata&#231;&#227;o, geradores flex&#237;veis. A expans&#227;o do ACL para baixa tens&#227;o em 2027-2028 injeta demanda sem oferta proporcional. Sem recalibra&#231;&#227;o dos despachos &#8211; que subestimam e&#243;lica e solar &#8211;, a volatilidade reinar&#225;.</p><p style="text-align: justify;">A li&#231;&#227;o &#233; clara: hedge via forwards BBCE, autoprodu&#231;&#227;o no Nordeste e cl&#225;usulas de risco s&#227;o essenciais. O setor amadurece, mas o pre&#231;o da miopia &#233; alto.</p><p style="text-align: justify;"><strong>FONTES:</strong></p><ul><li><p>Fitch Ratings, &#8220;Raises Brazil Electricity Price Assumptions; Lowers GSF&#8221;, 25/03/2026.</p></li><li><p>Abraceel, &#8220;Pre&#231;o da energia no mercado livre dispara em dois anos&#8221;, 02/04/2026.</p></li><li><p>CCEE, Previs&#245;es de Carga PLAN 2026-2030 e InfoPLD Di&#225;rio (mar/2026).</p></li><li><p>ANEEL, Boletim InfoTarifas (2026)</p></li></ul>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[PLD 2026: ENTRE O CLIMA, A OPERAÇÃO E O PREÇO REAL DA ENERGIA]]></title><description><![CDATA[PLD 2026: ENTRE A ILUS&#195;O DO PRE&#199;O E A REALIDADE DO SISTEMA]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/pld-2026-entre-o-clima-a-operacao</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/pld-2026-entre-o-clima-a-operacao</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Mon, 23 Mar 2026 12:02:06 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NT7k!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F219de1bc-d1e0-4ba5-af03-ed9f9aa84bc9_581x384.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O ano de 2026 imp&#245;e uma leitura mais sofisticada do setor el&#233;trico brasileiro: o clima deixou de ser pano de fundo e passou a ser vetor central de forma&#231;&#227;o de pre&#231;os. A consolida&#231;&#227;o de um El Ni&#241;o de maior intensidade, combinada com chuvas irregulares no Sudeste/Centro-Oeste e seca no Nordeste, altera diretamente a capacidade de gera&#231;&#227;o hidrel&#233;trica &#8212; ainda respons&#225;vel por cerca de 52% da matriz.</p><p style="text-align: justify;">Em condi&#231;&#245;es normais, maior aflu&#234;ncia reduz o custo da energia. Em 2026, o inverso tende a prevalecer. O fim do per&#237;odo &#250;mido, com reservat&#243;rios abaixo da m&#233;dia e reposi&#231;&#227;o heterog&#234;nea, pressiona o sistema a recorrer a fontes t&#233;rmicas mais caras. Esse movimento deveria se refletir de forma direta no PLD. Mas n&#227;o &#233; exatamente o que ocorre.</p><p style="text-align: justify;"><strong>FORMA&#199;&#195;O DO PLD &#8212; UM MODELO COERENTE EM UM SISTEMA IMPERFEITO</strong></p><p style="text-align: justify;">O PLD &#233; calculado a partir do Custo Marginal de Opera&#231;&#227;o (CMO), utilizando modelos como NEWAVE, DECOMP e DESSEM, que simulam o despacho &#243;timo do sistema com base em hidrologia, demanda e custos vari&#225;veis.</p><p style="text-align: justify;">A l&#243;gica &#233; clara: o pre&#231;o reflete o custo da &#250;ltima usina necess&#225;ria para atender &#224; carga. No entanto, essa l&#243;gica pressup&#245;e uma ader&#234;ncia entre modelo e opera&#231;&#227;o que, na pr&#225;tica, n&#227;o se verifica plenamente.</p><p style="text-align: justify;">Restri&#231;&#245;es el&#233;tricas, necessidade de servi&#231;os ancilares e limita&#231;&#245;es de modelagem fazem com que o despacho real frequentemente se afaste da ordem de m&#233;rito econ&#244;mico. Em 2026, esse descolamento torna-se mais evidente: enquanto o PLD semanal no Sudeste/Centro-Oeste operou em torno de R$ 375/MWh (2&#170; e 3&#170; semanas de mar&#231;o), o custo marginal efetivo da opera&#231;&#227;o apresentou volatilidade extrema entre submercados, com o Nordeste saltando de R$ 152,71/MWh para R$ 265,98/MWh em apenas uma semana (aumento de 74%).</p><p style="text-align: justify;"><strong>Essa diferen&#231;a n&#227;o &#233; eliminada &#8212; ela &#233; redistribu&#237;da por meio de encargos sist&#234;micos,</strong> reduzindo a transpar&#234;ncia do sinal econ&#244;mico e dificultando a correta precifica&#231;&#227;o do risco pelos agentes do mercado.</p><p style="text-align: justify;"><strong>CLIMA, OPERA&#199;&#195;O E CURTO PRAZO &#8212; A PRESS&#195;O QUE N&#195;O APARECE INTEGRALMENTE NO PRE&#199;O</strong></p><p style="text-align: justify;">O cen&#225;rio clim&#225;tico intensifica esse fen&#244;meno. A redu&#231;&#227;o das aflu&#234;ncias ap&#243;s mar&#231;o limita a gera&#231;&#227;o hidr&#225;ulica e eleva a depend&#234;ncia t&#233;rmica, pressionando o custo real do sistema. Ao mesmo tempo, eventos como curtailment de renov&#225;veis &#8212; j&#225; observados em estudos operacionais recentes &#8212; revelam uma opera&#231;&#227;o que prioriza seguran&#231;a el&#233;trica, mesmo ao custo de maior inefici&#234;ncia econ&#244;mica.</p><p style="text-align: justify;">Esse conjunto de fatores produz um efeito cr&#237;tico: o PLD passa a reagir com defasagem ou de forma incompleta &#224; realidade operativa. O pre&#231;o sinaliza modera&#231;&#227;o em alguns momentos, enquanto o sistema j&#225; opera sob custo elevado.</p><p style="text-align: justify;"><strong>As proje&#231;&#245;es para 2026 indicam m&#233;dias de PLD superiores &#224;s de anos recentes, </strong>com tend&#234;ncia de ultrapassar a faixa de R$ 300/MWh ao longo do per&#237;odo seco, refletindo a press&#227;o hidrol&#243;gica e o maior acionamento t&#233;rmico</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!NT7k!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F219de1bc-d1e0-4ba5-af03-ed9f9aa84bc9_581x384.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!NT7k!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, 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O primeiro Leil&#227;o de Reserva de Capacidade (LRCAP) de 2026 contratou 18.977 MW com predomin&#226;ncia de termel&#233;tricas a g&#225;s natural e carv&#227;o mineral, evidenciando que a seguran&#231;a do sistema est&#225; ancorada em fontes de maior custo vari&#225;vel.</p><p style="text-align: justify;">Esse reposicionamento da matriz eleva o custo marginal estrutural e reduz a probabilidade de pre&#231;os persistentemente baixos no m&#233;dio prazo. O PLD tende a refletir um novo patamar de equil&#237;brio, substancialmente mais elevado.</p><p style="text-align: justify;">Para consumidores do ACL, isso significa que contratos de longo prazo devem ser precificados considerando esse novo patamar de custos, n&#227;o cen&#225;rios otimistas de abund&#226;ncia h&#237;drica.</p><p style="text-align: justify;"><strong>IMPACTOS PARA O CONSUMIDOR LIVRE</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong>Para o consumidor do Ambiente de Contrata&#231;&#227;o Livre, o efeito &#233; imediato.</strong> O PLD deixa de ser um indicador plenamente confi&#225;vel do custo da energia, comprometendo a efic&#225;cia de contratos indexados e estrat&#233;gias de hedge.</p><p style="text-align: justify;">A exposi&#231;&#227;o a encargos cresce, e mesmo estruturas de autoprodu&#231;&#227;o &#8212; especialmente no Nordeste &#8212; passam a sofrer com custos indiretos associados ao uso do sistema e ao despacho t&#233;rmico.</p><p style="text-align: justify;"><strong>Nesse ambiente, a expectativa de redu&#231;&#227;o estrutural do pre&#231;o do MWh revela-se tecnicamente insustent&#225;vel. </strong>Trata-se, em certa medida, de uma vis&#227;o de&#237;sta, que pressup&#245;e um equil&#237;brio natural do mercado, dissociado das evid&#234;ncias concretas: restri&#231;&#227;o h&#237;drica, maior depend&#234;ncia t&#233;rmica e limita&#231;&#245;es no modelo de forma&#231;&#227;o de pre&#231;o.</p><p style="text-align: justify;"><strong>Esperar por pre&#231;os mais baixos &#233; uma estrat&#233;gia que exp&#245;e seu neg&#243;cio a risco crescente. O custo real da energia j&#225; est&#225; refletido na opera&#231;&#227;o &#8212; o PLD publicado apenas n&#227;o o captura integralmente.</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong>CONCLUS&#195;O</strong></p><p style="text-align: justify;">O que 2026 explicita &#233; a converg&#234;ncia entre clima adverso, opera&#231;&#227;o complexa e um modelo de precifica&#231;&#227;o que n&#227;o captura integralmente essa realidade. O resultado &#233; um PLD que, em determinados momentos, sinaliza um custo inferior ao efetivamente incorrido pelo sistema.</p><p style="text-align: justify;">Para o mercado, isso significa operar com um pre&#231;o imperfeito. <strong>Para o consumidor, significa compreender que o custo da energia n&#227;o est&#225; apenas no n&#250;mero publicado, mas na din&#226;mica operacional que o sustenta.</strong></p><p style="text-align: justify;">Em um sistema cada vez mais pressionado por vari&#225;veis clim&#225;ticas e estruturais, o verdadeiro sinal econ&#244;mico n&#227;o est&#225; apenas no PLD &#8212; est&#225; na leitura integrada entre clima, opera&#231;&#227;o e expans&#227;o.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O LEILÃO QUE ENCARECE A CONTA: UMA ANÁLISE DO LRCAP 2026]]></title><description><![CDATA[O PROTAGONISMO DAS T&#201;RMICAS NO RESULTADO DO LEIL&#195;O: SEGURAN&#199;A ENERG&#201;TICA OU CUSTO ELEVADO?]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/o-leilao-que-encarece-a-conta-uma</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/o-leilao-que-encarece-a-conta-uma</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Sat, 21 Mar 2026 19:34:25 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KpSp!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9b6b3d43-45a4-4bd0-a672-b686a40483ff_1171x760.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O Leil&#227;o de Reserva de Capacidade (LRCap), realizado em 18 de mar&#231;o de 2026, foi apresentado como mais um passo na dire&#231;&#227;o da seguran&#231;a energ&#233;tica do pa&#237;s. &#192; primeira vista, os n&#250;meros impressionam: 18.977 MW contratados, R$ 64,5 bilh&#245;es em investimentos estimados e uma receita projetada que ultrapassa R$ 515 bilh&#245;es, segundo a CCEE.</p><p>Mas por tr&#225;s desses n&#250;meros grandiosos, emerge uma pergunta inc&#244;moda &#8212; e necess&#225;ria: <strong>quem, de fato, vai pagar essa conta?</strong></p><p>A resposta j&#225; come&#231;a a aparecer. Estimativas apontam para um impacto anual pr&#243;ximo de R$ 40 bilh&#245;es aos consumidores, com potencial de elevar em cerca de 10% a tarifa m&#233;dia de energia no Brasil. Em um pa&#237;s onde o custo da energia j&#225; compromete a competitividade industrial, isso n&#227;o &#233; um detalhe t&#233;cnico &#8212; &#233; um problema estrutural.</p><h3><strong>O LEIL&#195;O EM N&#218;MEROS: GRANDEZA, MAS COM DISTOR&#199;&#213;ES</strong></h3><p>Apesar de sua relev&#226;ncia sist&#234;mica, o LRCap 2026 foi marcado por um problema cl&#225;ssico &#8212; e grave: <strong>contrata&#231;&#227;o em excesso aliada &#224; baixa competi&#231;&#227;o</strong>.</p><p>Foram contratados cerca de <strong>16,7 GW em termel&#233;tricas</strong> (g&#225;s natural e biometano) e apenas <strong>2,3 GW em amplia&#231;&#245;es hidrel&#233;tricas</strong>, evidenciando um perfil altamente concentrado em fontes t&#233;rmicas. Em um ambiente competitivo, volumes dessa magnitude tenderiam a gerar efici&#234;ncia e redu&#231;&#227;o de pre&#231;os. Aqui, ocorreu o oposto: <strong>des&#225;gios baixos e pre&#231;os pr&#243;ximos ao teto regulat&#243;rio</strong>.</p><p>No produto com entrega em 2027, por exemplo, foram contratados <strong>1.704 MW com des&#225;gio m&#233;dio de apenas 0,01%</strong>, praticamente no teto, na casa de <strong>R$ 2,249 milh&#245;es por MW/ano</strong>. Participaram desse bloco usinas como Termomaca&#233; e Tr&#234;s Lagoas (Petrobras), Porto do Pec&#233;m I e a UTE Celpav IV (Suzano).</p><p>Para 2028, o leil&#227;o contratou <strong>7.394 MW</strong>, com investimentos estimados em <strong>R$ 26,7 bilh&#245;es</strong> e des&#225;gio m&#233;dio de <strong>6,17%</strong>. J&#225; para 2029, foram <strong>2.803 MW</strong>, com des&#225;gio de <strong>2,67%</strong> e cerca de <strong>R$ 14,1 bilh&#245;es em investimentos</strong>.</p><p>O portf&#243;lio final refor&#231;a a dire&#231;&#227;o do certame: forte presen&#231;a t&#233;rmica, com projetos como Monte Fuji, Nova Era, amplia&#231;&#245;es do complexo da Eneva Porto de Sergipe, a usina de Uruguaiana<em><strong> (&#194;mbar)</strong></em> e ativos da KPS.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!KpSp!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9b6b3d43-45a4-4bd0-a672-b686a40483ff_1171x760.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!KpSp!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, 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Mesmo reconhecendo a import&#226;ncia do LRCap para a confiabilidade do sistema, entidades como a Abrace foram enf&#225;ticas: <strong>o volume contratado foi superior ao necess&#225;rio para o momento</strong>, algo evidenciado pela <strong>baix&#237;ssima competi&#231;&#227;o observada no processo</strong>.</p><p>Esse desequil&#237;brio gera um efeito direto e conhecido: quanto maior o volume contratado sem press&#227;o competitiva, <strong>maior o encargo repassado ao consumidor</strong>. E, neste caso, esse repasse tende a ser estrutural, com efeitos inflacion&#225;rios e perda de competitividade para a ind&#250;stria brasileira.</p><p>E aqui est&#225; o ponto central: <strong>n&#227;o se trata de ser contra o leil&#227;o &#8212; mas de questionar sua calibragem.</strong></p><h3><strong>CUSTO DUPLO E PRESS&#195;O TARIF&#193;RIA</strong></h3><p>O problema do LRCap 2026 n&#227;o se limita &#224; contrata&#231;&#227;o em si &#8212; ele se agrava pelo modelo de remunera&#231;&#227;o. Al&#233;m da <strong>receita fixa anual paga pela disponibilidade da capacidade</strong>, os consumidores tamb&#233;m ter&#227;o que arcar com os <strong>custos vari&#225;veis de opera&#231;&#227;o</strong>, especialmente combust&#237;veis, sempre que as usinas forem despachadas. Ou seja, o leil&#227;o n&#227;o apenas contratou caro &#8212; ele tamb&#233;m criou <strong>uma segunda camada de custo futura, incerta e potencialmente elevada</strong>.</p><p>Esse desenho ajuda a explicar por que o impacto estimado chega a <strong>R$ 40 bilh&#245;es por ano</strong>, pressionando significativamente a tarifa de energia no pa&#237;s.</p><h3><strong>A EXPLOS&#195;O DO ERCAP</strong></h3><p>Se o leil&#227;o por si s&#243; j&#225; preocupa, seus efeitos sobre o Encargo de Reserva de Capacidade (ERCAP) s&#227;o ainda mais relevantes. Com a Lei 15.269/2025, o ERCAP deixou de ser pontual e passou a ser permanente, distribu&#237;do entre todos os usu&#225;rios do SIN &#8212; consumidores cativos, livres e at&#233; autoprodutores.</p><p>Dentro desse contexto, h&#225; um ponto t&#233;cnico que agrava o problema: os contratos CCEAR. Eles foram estruturados com base em um fator de capacidade hist&#243;rico de 65%, t&#237;pico das hidrel&#233;tricas. Na pr&#225;tica, isso &#8220;amarra&#8221; energia e pot&#234;ncia como se fossem equivalentes. Mas, com a entrada de solar (~23%) e e&#243;lica (~45%), essa rela&#231;&#227;o n&#227;o se sustenta. Essas fontes vendem 1 MW m&#233;dio, mas n&#227;o entregam a mesma pot&#234;ncia nos momentos cr&#237;ticos, abrindo um d&#233;ficit na ponta.</p><p>Esse &#8220;buraco&#8221; precisa ser coberto &#8212; e &#233; justamente a&#237; que o ERCAP cresce. Ou seja, parte relevante desse encargo n&#227;o vem s&#243; do leil&#227;o em si, mas tamb&#233;m dessa distor&#231;&#227;o estrutural dos contratos. O resultado &#233; um encargo altamente sens&#237;vel (&#8220;el&#225;stico&#8221;) &#224;s decis&#245;es de contrata&#231;&#227;o.</p><p>O que era algo entre R$ 1 bilh&#227;o e R$ 2 bilh&#245;es por ano, em 2021, pode saltar para cerca de R$ 40 bilh&#245;es anuais ap&#243;s o LRCap 2026, com proje&#231;&#245;es acumuladas pr&#243;ximas de R$ 150 bilh&#245;es at&#233; 2030. N&#227;o &#233; um aumento marginal &#8212; &#233; uma mudan&#231;a estrutural no custo da energia no Brasil, que impacta diretamente o ACL e pressiona margens, especialmente em modelos locados.</p><h3><strong>EFEITOS DIRETOS NO MERCADO LIVRE E NA AUTOPRODU&#199;&#195;O</strong></h3><p>Os impactos do LRCap &#8212; e da forma como foi estruturado &#8212; n&#227;o se distribuem de maneira neutra no setor el&#233;trico. No <strong>Ambiente de Contrata&#231;&#227;o Livre (ACL)</strong>, eles tendem a ser <strong>mais complexos, menos transparentes e potencialmente mais distorcivos</strong> do que no mercado cativo.</p><p>O primeiro efeito &#233; direto: <strong>a eleva&#231;&#227;o estrutural de encargos pressiona o custo total de energia</strong>, independentemente do pre&#231;o negociado nos contratos bilaterais. Isso significa que, mesmo em cen&#225;rios de PLD baixo ou contratos bem estruturados, o consumidor livre passa a carregar um custo adicional que n&#227;o consegue gerenciar via estrat&#233;gia comercial. Na pr&#225;tica, <strong>parte relevante do custo deixa de ser &#8220;hedge&#225;vel&#8221;</strong>.</p><p>Mas o impacto n&#227;o para a&#237;. H&#225; tamb&#233;m um efeito mais sofisticado &#8212; e mais relevante no m&#233;dio prazo &#8212; sobre a <strong>forma&#231;&#227;o de pre&#231;os no pr&#243;prio ACL</strong>. A forte contrata&#231;&#227;o de t&#233;rmicas no LRCap sinaliza uma matriz com maior participa&#231;&#227;o de gera&#231;&#227;o de maior custo marginal em momentos cr&#237;ticos. Esse sinal tende a ser incorporado pelos agentes na precifica&#231;&#227;o de contratos futuros, elevando pr&#234;mios de risco, alongando curvas e reduzindo a atratividade de contratos de longo prazo mais agressivos.</p><p>J&#225; os autoprodutores, que historicamente buscaram previsibilidade e redu&#231;&#227;o de custos, passam a enfrentar um cen&#225;rio paradoxal: mesmo investindo em gera&#231;&#227;o pr&#243;pria, continuam expostos a encargos crescentes. Em alguns casos, especialmente em estruturas no Nordeste, isso pode corroer completamente a l&#243;gica econ&#244;mica dos projetos.</p><p>Resumindo, <strong>aumentar oferta, principalmente, com t&#233;rmica n&#227;o barateia energia &#8212; apenas garante que, quando faltar energia barata, haver&#225; energia cara dispon&#237;vel.</strong></p><h3><strong>CONCLUS&#195;O</strong></h3><p>O LRCap &#233; um instrumento essencial para garantir a seguran&#231;a do sistema el&#233;trico. No entanto, sua execu&#231;&#227;o em 2026 levanta s&#233;rias preocupa&#231;&#245;es. Ao combinar <strong>contrata&#231;&#227;o elevada, baixa competi&#231;&#227;o e custos estruturais crescentes</strong>, o leil&#227;o se distancia do princ&#237;pio da modicidade tarif&#225;ria e imp&#245;e um &#244;nus relevante &#224; sociedade.</p><p>Se n&#227;o houver corre&#231;&#245;es, o risco &#233; claro: <strong>transformar a seguran&#231;a energ&#233;tica em um custo excessivo e permanente &#8212; pago por consumidores e pela competitividade do pa&#237;s.</strong></p><p><strong>Fonte:</strong></p><ul><li><p>CCEE</p></li><li><p>ANEEL</p></li><li><p>ABRACE</p></li><li><p>CANAL SOLAR</p></li></ul>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[UM SINAL RARO NO MERCADO LIVRE: QUANDO A CONTA COMEÇA A CHEGAR]]></title><description><![CDATA[O AJUSTE DE CONTA CHEGOU: O FIM DO &#8220;PRE&#199;O MILAGROSO&#8221; E A VOLTA DA DISCIPLINA ECON&#212;MICA]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/um-sinal-raro-no-mercado-livre-quando</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/um-sinal-raro-no-mercado-livre-quando</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Wed, 04 Mar 2026 17:41:46 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!APGW!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4fb19806-3185-43e2-8bdd-8a817af44378_1200x675.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Em pouco mais de 7 anos de setor, poucas vezes vi o mercado &#8220;falar&#8221; com tanta clareza. O epis&#243;dio de uma ind&#250;stria que desistiu de migrar ao Mercado Livre porque a opera&#231;&#227;o geraria preju&#237;zo no ano corrente, mesmo com 50% de desconto no fio, n&#227;o &#233; um detalhe aned&#243;tico: &#233; um indicador de mudan&#231;a de regime. O fato de a den&#250;ncia do contrato com a distribuidora j&#225; ter sido feita antes da aprova&#231;&#227;o da Lei 15.269/2025 s&#243; refor&#231;a a seriedade do movimento: n&#227;o foi improviso, foi rea&#231;&#227;o a uma conta que deixou de fechar. Eu refiz os c&#225;lculos da comercializadora. A conclus&#227;o foi objetiva: o preju&#237;zo existia. Isso incomoda porque contraria a narrativa mais vendida do mercado &#8212; a de que migrar &#233;, por defini&#231;&#227;o, sin&#244;nimo de ganho imediato. N&#227;o &#233;. Migra&#231;&#227;o &#233; uma decis&#227;o econ&#244;mica e jur&#237;dica ao mesmo tempo, e quando os fundamentos mudam, o resultado muda junto.</p><p><strong>O QUE EST&#193; POR TR&#193;S DISSO: PRECIFICA&#199;&#195;O &#8220;AGRESSIVA&#8221; E PLD COMO MULETA</strong></p><p style="text-align: justify;">Na pr&#225;tica, parte do <strong>mercado cresceu vendendo energia abaixo de um patamar economicamente sustent&#225;vel</strong>, <strong>com o objetivo de capturar carteira e ganhar escala. </strong>A aposta recorrente era conhecida: PLD baixo por mais tempo, muitas vezes tratado como se fosse um &#8220;piso informal&#8221; do sistema &#8212; um PLD, digamos, artificial do ponto de vista de sinaliza&#231;&#227;o de risco.</p><p style="text-align: justify;">Quando esse mundo muda (e muda), o modelo que depende de pre&#231;o &#8220;milagroso&#8221; perde sustenta&#231;&#227;o. O fornecedor come&#231;a a sentir a press&#227;o: necessidade de recompras para honrar posi&#231;&#245;es, aumento de exig&#234;ncias de garantias, deteriora&#231;&#227;o de cr&#233;dito e, em casos mais severos, estresse de liquidez. Do lado do consumidor, o que era vendido como economia vira uma conta que n&#227;o fecha &#8212; ou, pior, um contrato que passa a ser testado em seu limite.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!APGW!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4fb19806-3185-43e2-8bdd-8a817af44378_1200x675.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!APGW!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4fb19806-3185-43e2-8bdd-8a817af44378_1200x675.webp 424w, 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simult&#226;neas. Do lado regulat&#243;rio e estrutural, a Lei 15.269/2025 passou a ser tratada por muitos agentes como um marco de recalibra&#231;&#227;o de subs&#237;dios e descontos, com repercuss&#245;es sobre o <strong>&#8220;desconto no fio&#8221;</strong> (TUSD/TUST) e suas condi&#231;&#245;es para novos movimentos e volumes. <strong>Em termos pr&#225;ticos, a leitura predominante &#233; que a janela de incentivo para novos entrantes se estreita e o mercado tende a precificar essa mudan&#231;a.</strong></p><p style="text-align: justify;">Somado ao comportamento de pre&#231;os, o efeito na ponta &#233; previs&#237;vel: <strong>menor benef&#237;cio na estrutura de acesso para certas teses de migra&#231;&#227;o, energia mais cara no ACL e uma infla&#231;&#227;o energ&#233;tica pressionando custos acima do IPCA</strong>. E, quando aparecem ofertas de energia incentivada para 2026 em patamares significativamente superiores a R$ 400/MWh, o racional de parte do Grupo A muda completamente.</p><p style="text-align: justify;">Aqui fa&#231;o quest&#227;o de um esclarecimento t&#233;cnico, porque esse debate costuma sair do trilho: <strong>n&#227;o estou afirmando que o desconto da incentivada seja &#8220;maravilhoso&#8221;, tampouco estou defendendo qualquer narrativa simplista sobre CDE. </strong>N&#227;o &#233; isso. O ponto &#233; mais objetivo: tudo precisa ser devidamente pago, da gera&#231;&#227;o &#224; venda. CAPEX e OPEX, custo de capital, risco de performance, garantias, lastro, exposi&#231;&#227;o e estrutura de comercializa&#231;&#227;o. A conta sempre reaparece em algum lugar &#8212; e,<strong> quando um componente deixa de se sustentar, o mercado ajusta pre&#231;o, condi&#231;&#227;o, risco ou exig&#234;ncia.</strong></p><p style="text-align: justify;">&#201; por isso que, diante desse quadro, me parece coerente que determinados consumidores (por exemplo, um A4 Verde, a depender do desenho) passem a considerar a <strong>autoprodu&#231;&#227;o </strong>com mais seriedade. <strong>N&#227;o como promessa de milagre &#8212; porque gerar &#233; caro e continuar&#225; sendo &#8212;, mas como estrat&#233;gia de reorganiza&#231;&#227;o de previsibilidade e redu&#231;&#227;o de depend&#234;ncia de estruturas que est&#227;o perdendo incentivo.</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" 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Nas &#250;ltimas semanas, vimos agentes sendo formalmente notificados por inadimpl&#234;ncias contratuais em contratos de compra de energia. E &#233; crucial frisar: muitas notifica&#231;&#245;es n&#227;o se limitam ao &#8220;n&#227;o pagou&#8221;. Elas alcan&#231;am aquilo que, em tempos mais folgados, era tratado como rotina administrativa: assinatura, garantias financeiras, condi&#231;&#245;es precedentes, prazos e marcos formais.</p><p style="text-align: justify;">Em ambiente de pre&#231;o alto, o incentivo do vendedor &#233; claro: aumenta a avers&#227;o a risco e, dependendo da exposi&#231;&#227;o, ele pode estar sujeito a recompras para cumprir obriga&#231;&#227;o ou economicamente motivado a buscar reprecifica&#231;&#227;o. O resultado pr&#225;tico &#233; que compliance contratual deixa de ser burocracia e vira gest&#227;o de risco. O contrato, quando o mercado aperta, deixa de ser coadjuvante e passa a ser protagonista.</p><p style="text-align: justify;"><strong>2026 DEVE SEPARAR &#8220;PRE&#199;O&#8221; DE &#8220;ESTRUTURA&#8221;</strong></p><p style="text-align: justify;">O recado que eu deixo &#233; direto: <strong>2026 tende a separar quem est&#225; no Mercado Livre por convic&#231;&#227;o t&#233;cnica de quem entrou apenas por pre&#231;o.</strong> Migra&#231;&#227;o, renova&#231;&#227;o, recontrata&#231;&#227;o &#8212; e mesmo autoprodu&#231;&#227;o &#8212; precisam ser tratadas com a seriedade de <strong>um setor em que nada &#233; gr&#225;tis e em que a precifica&#231;&#227;o, cedo ou tarde, volta a obedecer aos fundamentos.</strong></p><p style="text-align: justify;">Se nos &#250;ltimos anos houve espa&#231;o para exageros &#8212; energia barata demais, risco subestimado, PLD tratado como certeza &#8212;, o ciclo atual parece estar fazendo o que o setor sempre faz no fim: cobrar disciplina econ&#244;mica e disciplina contratual. E, para o consumidor, isso significa trocar a pergunta &#8220;qual &#233; o menor R$/MWh?&#8221; por uma pergunta mais adulta<strong>: &#8220;qual estrutura de suprimento eu consigo sustentar, com risco mensur&#225;vel, garantias compat&#237;veis e capacidade real de entrega?&#8221;.</strong></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[QUANDO O BARATO SAI CARO: A ILUSÃO DO PREÇO NO MERCADO LIVRE DE ENERGIA]]></title><description><![CDATA[Na minha viv&#234;ncia di&#225;ria com o setor el&#233;trico, observo um cen&#225;rio que se repete com frequ&#234;ncia: empresas que decidem migrar para o Mercado Livre de Energia focando quase exclusivamente no pre&#231;o do MWh.]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/quando-o-barato-sai-caro-a-ilusao</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/quando-o-barato-sai-caro-a-ilusao</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Fri, 20 Feb 2026 20:54:30 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!f3c1!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F84361d05-b8bd-466f-8a89-55cd9e47d5c6_700x339.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><p>Na minha viv&#234;ncia di&#225;ria com o setor el&#233;trico, observo um cen&#225;rio que se repete com frequ&#234;ncia: empresas que decidem migrar para o Mercado Livre de Energia focando quase exclusivamente no pre&#231;o do MWh. &#201; perfeitamente natural e compreens&#237;vel a busca por redu&#231;&#227;o de custos em um pa&#237;s com uma carga tribut&#225;ria t&#227;o alta, mas basear uma decis&#227;o t&#227;o estrat&#233;gica apenas em uma cifra isolada pode esconder armadilhas perigosas.</p><p>Devido &#224; complexidade do setor el&#233;trico, &#233; natural que a aten&#231;&#227;o se volte para o valor do MWh, que aparenta ser o principal indicador de economia. O que muitos clientes n&#227;o sabem &#8212; muitas vezes por falta de uma consultoria transparente e educativa por parte de seus fornecedores &#8212; &#233; <strong>que a maior parte do custo real de uma conta de energia reside nos impostos e encargos</strong>. Ao focar apenas no pre&#231;o do MWh, a gest&#227;o estrat&#233;gica da fatura acaba ficando em segundo plano. O resultado, infelizmente, costuma ser devastador: custos inesperados e passivos surgem a reboque, anulando qualquer economia inicial e prejudicando o planejamento financeiro de quem apenas buscava otimizar seus recursos.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!f3c1!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F84361d05-b8bd-466f-8a89-55cd9e47d5c6_700x339.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!f3c1!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, 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consumidores caso a sua comercializadora seja desligada. Essa &#233; uma situa&#231;&#227;o que, embora rara, acontece quando a empresa fornecedora n&#227;o cumpre com suas obriga&#231;&#245;es regulat&#243;rias ou financeiras.</p><p>A grande li&#231;&#227;o aqui &#233;: antes de assinar com um fornecedor, &#233; preciso ir al&#233;m da planilha de pre&#231;os. &#201; fundamental verificar a habilita&#231;&#227;o da empresa junto &#224; CCEE, sua situa&#231;&#227;o regulat&#243;ria e reputa&#231;&#227;o, al&#233;m da sa&#250;de financeira e indicadores de risco (como os Boletins de Seguran&#231;a do Mercado). Optar pela proposta mais barata pode at&#233; trazer um al&#237;vio imediato no fluxo de caixa, mas a falta de garantias robustas exp&#245;e o neg&#243;cio a riscos operacionais grav&#237;ssimos. Ficar sem energia, no fim das contas, sai muito mais caro.</p><p><strong>CASOS REAIS: A DOR DE CABE&#199;A QUE N&#195;O VEM NA CONTA</strong></p><p>Para ilustrar, compartilho dois casos recentes que mostram o tamanho do abismo:</p><p>O primeiro envolveu uma empresa com opera&#231;&#227;o ininterrupta, funcionando 24 horas por dia. Motivada pela oportunidade leg&#237;tima de reduzir custos, a gest&#227;o decidiu ingressar no Mercado Livre. No segundo semestre de 2024, a comercializadora contratada entrou em recupera&#231;&#227;o judicial e vendeu sua carteira de clientes para outra companhia, sem qualquer aviso pr&#233;vio ou pedido de autoriza&#231;&#227;o. Sem informa&#231;&#245;es precisas e com o fornecimento amea&#231;ado, os gestores viveram momentos de extremo estresse. A opera&#231;&#227;o principal do neg&#243;cio ficou em risco, evidenciando que a <strong>falta de transpar&#234;ncia do fornecedor pode amea&#231;ar a pr&#243;pria continuidade da empresa cliente.</strong></p><p>O segundo caso prova <strong>que nem mesmo o &#8220;tempo de mercado&#8221; &#233; garantia absoluta</strong>. Uma empresa considerada experiente ofertou um contrato prometendo 100% de energia incentivada por um pre&#231;o muito abaixo da m&#233;dia praticada. O cliente, atra&#237;do pela excelente oportunidade, confiou na palavra do parceiro comercial. O problema? A comercializadora s&#243; possu&#237;a lastro de energia 50% incentivada. Um ano depois, a concession&#225;ria local iniciou a cobran&#231;a retroativa da diferen&#231;a do benef&#237;cio (desconto na TUSD) que o cliente havia recebido indevidamente. O cliente ficou com o preju&#237;zo consolidado, sem ter a quem recorrer, pagando o pre&#231;o pela irresponsabilidade de quem vendeu o que n&#227;o tinha.</p><p><strong>N&#195;O EXISTE MILAGRE: A REALIDADE DO SETOR EL&#201;TRICO</strong></p><p>Esses n&#227;o s&#227;o casos isolados. Vimos muitas comercializadoras ingressarem de forma agressiva no segmento, seduzidas por ganhos r&#225;pidos, mas que n&#227;o resistiram &#224; din&#226;mica complexa do setor. A falta de capacidade para entregar a energia prometida levou v&#225;rias &#224; fal&#234;ncia, gerando instabilidade no mercado.</p><p>Os n&#250;meros n&#227;o mentem. Dados da Abraceel de janeiro de 2026 mostram que mais de 82 mil empresas j&#225; fizeram a portabilidade para o Mercado Livre, com um crescimento de 50% apenas nos &#250;ltimos 12 meses. Em contrapartida, o Brasil bateu recorde de inadimpl&#234;ncia: segundo a Serasa, s&#227;o 8,7 milh&#245;es de CNPJs no vermelho, e quase 1 milh&#227;o de empresas fecharam as portas logo nos primeiros meses de 2025. Muitas comercializadoras, infelizmente, est&#227;o engrossando as estat&#237;sticas de recupera&#231;&#227;o judicial.</p><p>&#201; preciso ter em mente uma regra b&#225;sica: produzir energia &#233; caro. Os juros s&#227;o altos, os encargos s&#227;o pesados e as usinas s&#227;o, em sua esmagadora maioria, financiadas por cr&#233;dito banc&#225;rio cada vez mais restrito. N&#227;o existe milagre. <strong>Comercializadoras realmente s&#243;lidas n&#227;o costumam vender energia em escala desenfreada (muitas limitam-se a 1 MW m&#233;dio)</strong> e, definitivamente, <strong>n&#227;o sustentam &#8220;pre&#231;os milagrosos&#8221;</strong>. Pre&#231;os muito abaixo da m&#233;dia indicam modelos de neg&#243;cio fr&#225;geis.</p><p><strong>ATEN&#199;&#195;O &#192;S NOVAS REGRAS DE CONTRIBUI&#199;&#195;O DA CCEE</strong></p><p>Al&#233;m de escolher bem o parceiro, &#233; importante estar atualizado sobre as mudan&#231;as regulat&#243;rias. Uma altera&#231;&#227;o recente e fundamental diz respeito aos custos de manuten&#231;&#227;o do pr&#243;prio mercado.</p><p>Quando uma empresa migra para o Mercado Livre &#8212; seja atuando por conta pr&#243;pria ou representada por um agente varejista &#8212;, existe um custo para que a CCEE operacionalize o sistema. O Decreto n&#186; 11.835/23 trouxe uma mudan&#231;a dr&#225;stica na forma como essa conta &#233; dividida.</p><p>Segundo o &#167; 1&#186;-A do artigo 12 do decreto, as contribui&#231;&#245;es agora s&#227;o compostas de duas formas:</p><blockquote><p>1. Parcela Fixa (m&#237;nima): Destinada a cobrir os custos dos servi&#231;os m&#237;nimos da CCEE, tendo o mesmo valor para todos os agentes.</p><p>2. Parcela Vari&#225;vel (adicional): Destinada a cobrir os demais custos, calculada de forma proporcional ao volume de energia contabilizada nos &#250;ltimos 12 meses.</p></blockquote><p>Na pr&#225;tica, se antes o c&#225;lculo era baseado na &#250;ltima distribui&#231;&#227;o de votos, agora quem consome mais, paga uma parcela vari&#225;vel maior. &#201; um custo operacional normal, mas que deve estar claro no seu planejamento.</p><p><strong>COMO SE PROTEGER E GARANTIR ENERGIA SEGURA</strong></p><p>A minha opini&#227;o &#233; direta: o Mercado Livre de Energia &#233; um ambiente excelente, seguro e altamente competitivo, mas exige parcerias profissionais.</p><p>Para que a sua empresa aproveite os benef&#237;cios sem dores de cabe&#231;a, desconfie de ofertas agressivas sem lastro. <strong>Exija transpar&#234;ncia contratual e uma assessoria que explique cada detalhe da sua fatura.</strong> Uma excelente alternativa &#233; buscar fornecedoras que unam economia e sustentabilidade, oferecendo energia com certificados de rastreabilidade (I-RECs).</p><p>No fim das contas, a energia mais cara que existe &#233; aquela que falta. Proteger a opera&#231;&#227;o da sua empresa exige parceiros que entendam que, no setor el&#233;trico, seguran&#231;a jur&#237;dica e solidez financeira valem muito mais do que um desconto ilus&#243;rio.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O QUE O RECUO NO TRADING DE ENERGIA REVELA SOBRE O SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO]]></title><description><![CDATA[QUANDO AT&#201; OS TRADERS PISAM NO FREIO]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/o-que-o-recuo-no-trading-de-energia</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/o-que-o-recuo-no-trading-de-energia</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Tue, 10 Feb 2026 00:32:24 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e75e1cf2-b650-43db-a67d-cfee5f8f2517_290x174.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Nos &#250;ltimos meses, algo curioso &#8212; e bastante revelador &#8212; vem acontecendo no setor el&#233;trico brasileiro: empresas que sempre se sentiram confort&#225;veis navegando no risco est&#227;o, discretamente, recolhendo as velas. O trading direcional de energia, especialmente no Mercado Livre, deixou de ser sin&#244;nimo de oportunidade e passou a representar um territ&#243;rio onde at&#233; os mais experientes preferem pisar com cautela.</p><p>N&#227;o se trata de um susto pontual ou de uma crise isolada. O movimento &#233; mais profundo e estrutural. Ele combina riscos de cr&#233;dito mal precificados, volatilidade crescente, menor liquidez e, sobretudo, um fator que at&#233; pouco tempo atr&#225;s era tratado quase como um &#8220;efeito colateral&#8221;: o curtailment.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!qi1Y!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0f10c81c-1b33-424e-bc65-89222f9ee756_290x174.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!qi1Y!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0f10c81c-1b33-424e-bc65-89222f9ee756_290x174.jpeg 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Grandes grupos, como CPFL Energia e CTG Brasil, abandonaram posi&#231;&#245;es especulativas cl&#225;ssicas &#8212; longas ou curtas &#8212; para se concentrar no &#243;bvio: vender a pr&#243;pria energia.</p><p>Pode parecer conservador, mas &#233; uma decis&#227;o racional num ambiente em que o risco deixou de ser assim&#233;trico e passou a ser simplesmente imprevis&#237;vel. Quando uma CPFL afirma que prefere eliminar os riscos do trading e focar em energia de ativos pr&#243;prios, o recado &#233; claro: n&#227;o &#233; falta de apetite, &#233; leitura fria de cen&#225;rio.</p><p><strong>O ESTRANGULAMENTO DAS COMERCIALIZADORAS INDEPENDENTES</strong></p><p>O movimento de retra&#231;&#227;o n&#227;o ficou restrito aos grandes grupos. Comercializadoras independentes &#8212; que historicamente sustentaram boa parte da liquidez do mercado livre &#8212; reduziram drasticamente suas exposi&#231;&#245;es. Algumas por op&#231;&#227;o estrat&#233;gica, outras por necessidade.</p><p>Capital menor, exig&#234;ncia crescente de garantias e um mercado bilateral sem c&#226;mara de compensa&#231;&#227;o criam um ambiente hostil para opera&#231;&#245;es alavancadas. A consequ&#234;ncia natural &#233; a redu&#231;&#227;o do volume negociado e a concentra&#231;&#227;o das opera&#231;&#245;es em players com lastro financeiro e reputacional mais s&#243;lidos.</p><p><strong>QUEBRAS, CALOTES E O COLAPSO DA CONFIAN&#199;A</strong></p><p>&#201; imposs&#237;vel ignorar o impacto das quebras recentes. Gold Energia, 2W Ecobank, Am&#233;rica Energia, M&#225;xima e, mais recentemente, o Grupo El&#233;tron formam uma sequ&#234;ncia que abalou profundamente a confian&#231;a entre os agentes. Mas atribuir essas fal&#234;ncias apenas &#224; volatilidade recente seria simplista. Parte relevante do problema nasceu anos antes, na expans&#227;o acelerada do mercado livre.</p><p>Contratos de longo prazo com pre&#231;os de MWh excessivamente baixos para ganhar escala, estruturadas com margens m&#237;nimas e alta alavancagem, essas opera&#231;&#245;es pressupunham pre&#231;os baixos e cr&#233;dito farto por um per&#237;odo prolongado. Cen&#225;rios e legisla&#231;&#227;o mudam. Contratos passaram a gerar perdas recorrentes, atingindo diretamente geradores, comercializadoras e traders.</p><p>Quando executivos do setor admitem, sob anonimato, que &#8220;j&#225; n&#227;o sabem quem tem cr&#233;dito bom&#8221;, o problema n&#227;o &#233; falta de informa&#231;&#227;o. &#201; risco mal distribu&#237;do, embutido em contratos mal precificados, firmados sem garantias robustas em um mercado bilateral sem c&#226;mara de compensa&#231;&#227;o central. Nesse ambiente, reputa&#231;&#227;o passou a valer tanto quanto garantia financeira &#8212; e muitos ficaram pelo caminho.</p><p><strong>MENOS LIQUIDEZ, PRE&#199;OS MAIS ALTOS</strong></p><p>A retra&#231;&#227;o do trading tem efeito direto sobre os pre&#231;os. Com menos liquidez no mercado intermedi&#225;rio e geradores optando por reter energia para capturar valores elevados no curto prazo, o resultado &#233; um mercado mais caro e mais vol&#225;til.</p><p>No Sudeste/Centro-Oeste, a energia convencional j&#225; circula pr&#243;xima de R$ 355/MWh, com curvas apontando valores ainda maiores. Hidrologia desfavor&#225;vel e despacho t&#233;rmico ajudam a explicar, mas o fator decisivo &#233; estrat&#233;gico: quem pode, segura energia.</p><p><strong>FREIO NA EXPANS&#195;O ENERG&#201;TICA</strong></p><p>O recuo no trading de energia n&#227;o &#233; sinal de fraqueza do setor el&#233;trico brasileiro. &#201;, antes de tudo, um ajuste inevit&#225;vel ap&#243;s anos de contratos mal precificados, riscos subestimados e mudan&#231;as abruptas nas condi&#231;&#245;es de mercado. Quando o risco deixa de ser intelig&#237;vel, o mercado se reorganiza &#8212; como sempre fez.</p><p>Mas o ajuste n&#227;o se restringe ao comportamento de traders e comercializadoras. Em 2025, <strong>a Ag&#234;ncia Nacional de Energia El&#233;trica (Aneel) revogou mais de 500 outorgas de usinas solares e e&#243;licas &#8212; totalizando cerca de 22 GW de pot&#234;ncia &#8212; muitas a pedido dos pr&#243;prios empreendedores,</strong> que conclu&#237;ram que os projetos n&#227;o eram vi&#225;veis sob as atuais condi&#231;&#245;es econ&#244;micas e t&#233;cnicas do setor. Esse movimento exp&#244;s um ponto cr&#237;tico: parte expressiva da expans&#227;o planejada em renov&#225;veis vinha sendo tocada sem garantia real de retorno econ&#244;mico ou mesmo maturidade de conex&#227;o ao sistema el&#233;trico.</p><p>O cancelamento em massa de outorgas mostra que <strong>o setor, em muitos momentos, cresceu mais no papel do que na pr&#225;tica</strong> &#8212; com apostas excessivas em projetos que n&#227;o resistiram &#224; realidade de curtailment, gargalos de transmiss&#227;o e falta de mecanismos robustos de compensa&#231;&#227;o e de gest&#227;o de risco.</p><p><strong>QUEM GANHA COM O CAOS</strong></p><p>N&#227;o h&#225; quebra generalizada entre os geradores. Pelo contr&#225;rio. Hidrel&#233;tricas flex&#237;veis, com grande volume de energia descontratada, atravessam um dos melhores momentos dos &#250;ltimos anos. Empresas como a Axia Energia se beneficiam diretamente da volatilidade, capturando margens elevadas em cen&#225;rios de PLD alto.</p><p><strong>O CURTAILMENT COMO PROBLEMA ESTRUTURAL</strong></p><p>Para a gera&#231;&#227;o renov&#225;vel, o cen&#225;rio &#233; bem menos confort&#225;vel. O curtailment deixou de ser exce&#231;&#227;o operacional e virou risco estrutural. Cortes recorrentes de quase um quarto da gera&#231;&#227;o e&#243;lica e solar destroem a previsibilidade de receita e inviabilizam projetos que, no papel, pareciam s&#243;lidos.</p><p>A onda de revoga&#231;&#245;es de outorgas ap&#243;s o novo marco regulat&#243;rio n&#227;o &#233; coincid&#234;ncia. &#201; resposta direta &#224; falta de escoamento, ao aumento do risco regulat&#243;rio impl&#237;cito e &#224; simples constata&#231;&#227;o de que a conta j&#225; n&#227;o fecha.</p><p><strong>A BUSCA DOS CONSUMIDORES POR PREVISIBILIDADE</strong></p><p>Diante de pre&#231;os elevados e vol&#225;teis, grandes consumidores passaram a buscar alternativas fora do circuito tradicional do trading. A autoprodu&#231;&#227;o por meio de loca&#231;&#227;o de ativos surge menos como inova&#231;&#227;o e mais como estrat&#233;gia defensiva.</p><p>Previsibilidade de custo, fornecimento de longo prazo e menor exposi&#231;&#227;o ao mercado spot tornaram-se atributos valiosos &#8212; especialmente para ind&#250;strias com consumo cont&#237;nuo e margens pressionadas.</p><p><strong>UM AJUSTE ESTRUTURAL, N&#195;O UM ACIDENTE</strong></p><p>A queda de 37% no volume de trading em 2025 n&#227;o &#233; estat&#237;stica passageira. &#201; sintoma de um ajuste estrutural em curso. Grandes grupos fecham o per&#237;metro, comercializadoras independentes buscam nichos mais est&#225;veis e o mercado livre entra em uma nova fase justamente quando se discute sua abertura total.</p><p>A ironia &#233; evidente: nunca se falou tanto em liberdade de escolha, e nunca o risco esteve t&#227;o concentrado.</p><p><strong>CONCLUS&#195;O</strong></p><p>O recuo no trading de energia n&#227;o &#233; sinal de fraqueza do setor el&#233;trico brasileiro. &#201;, antes de tudo, um ajuste inevit&#225;vel ap&#243;s anos de crescimento acelerado, contratos mal precificados e riscos subestimados. Quando o mercado deixa de conseguir distinguir claramente risco de oportunidade, a rea&#231;&#227;o natural &#233; reduzir exposi&#231;&#227;o e rever modelos.</p><p>O aprendizado &#233; claro: liquidez, expans&#227;o e inova&#231;&#227;o s&#243; s&#227;o sustent&#225;veis quando caminham junto com disciplina de risco. Ignorar essa equa&#231;&#227;o pode at&#233; funcionar por um tempo &#8212; mas a conta, mais cedo ou mais tarde, sempre chega.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A CRISE NO MERCADO DE TRADING DE ENERGIA: UM ALERTA VERMELHO PARA CONSUMIDORES E EMPRESAS]]></title><description><![CDATA[Ap&#243;s quebras de contratos e recupera&#231;&#245;es judiciais, o setor el&#233;trico enfrenta alta de pre&#231;os em 2026. Saiba por que ofertas baratas s&#227;o perigosas e o que fazer agora]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/a-crise-no-mercado-de-trading-de</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/a-crise-no-mercado-de-trading-de</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Mon, 29 Dec 2025 18:38:01 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!5Gtg!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F603200b4-9009-4658-a05e-f1cb7a0fff07_853x567.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><p>Fico alarmado com o que est&#225; rolando no mercado livre de eletricidade. O texto que li no Faria Lima Journal pinta um quadro sombrio: empresas como a Am&#233;rica Energia rompendo contratos, ecoando o colapso da Gold e da 2W. Mas, depois de pesquisar mais, vejo que a coisa &#233; pior. Estamos em uma bola de neve de inadimpl&#234;ncias, recupera&#231;&#245;es judiciais e riscos que v&#227;o bater direto no bolso do consumidor. E o pior: ofertas de energia barata demais s&#227;o armadilhas que podem deixar voc&#234; exposto a volatilidade e preju&#237;zos graves. Fuja como o diabo da cruz de propostas boas demais para ser verdade &#8211; elas escondem riscos que podem custar caro.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!5Gtg!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F603200b4-9009-4658-a05e-f1cb7a0fff07_853x567.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!5Gtg!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F603200b4-9009-4658-a05e-f1cb7a0fff07_853x567.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!5Gtg!, /__u/cocenergia.substack.com/w_848, 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bilh&#227;o, afetando gigantes como Auren, Cemig e CPFL. A 2W tamb&#233;m foi para recupera&#231;&#227;o judicial. Agora, a Am&#233;rica Energia, uma das maiores independentes, rompeu com a Comerc, culpando a &#8220;instabilidade e crise&#8221; setorial. Mas atualizando: em outubro de 2025, a Am&#233;rica pediu prote&#231;&#227;o judicial contra credores, incluindo Comerc, Eneva e Cemig, ap&#243;s preju&#237;zo de aproximadamente R$75 milh&#245;es ligado &#224; Gold. A Justi&#231;a deu liminar suspendendo cobran&#231;as por 60 dias, evitando recupera&#231;&#227;o judicial por enquanto. Isso exp&#245;e a fragilidade do setor, com trading despencando 40% em volume negociado devido a restri&#231;&#245;es de cr&#233;dito. Na minha opini&#227;o, isso &#233; efeito em cadeia &#8211; rumores de mais duas tradings em apuros n&#227;o s&#227;o coincid&#234;ncia. O mercado livre, com aproximadamente 499-500 comercializadoras na CCEE, opera alavancado como bolsa de valores, e quando apostas em pre&#231;os falham, todo mundo perde.</p><h4>RISCOS INVIS&#205;VEIS: POR QUE O TRADING ALAVANCADO &#201; UMA BOMBA-REL&#211;GIO</h4><p>No cerne da crise atual est&#225; o modelo de opera&#231;&#227;o das comercializadoras:<strong> elas funcionam como traders alavancados,</strong> apostando na dire&#231;&#227;o dos pre&#231;os de energia &#8212; que oscilam fortemente conforme o regime de chuvas, a demanda industrial e at&#233; a capacidade de transmiss&#227;o. <strong>Quando acertam, lucram; quando erram, o rombo &#233; r&#225;pido e profundo.</strong> J&#225; vimos isso em ciclos anteriores, como entre 2019 e 2020, quando a disparada de pre&#231;os levou &#224; quebra de empresas como Vega Energy e Linkx. O caso da Gold foi ainda mais grave: a Aneel classificou sua atua&#231;&#227;o como &#8220;quase uma casa de bets&#8221;, devido &#224;s apostas especulativas excessivas. A Am&#233;rica Energia tentou se distanciar desse perfil, mas opera no mesmo ambiente de risco. Some-se a isso as distor&#231;&#245;es estruturais do setor: em 2025, desperdi&#231;amos 20,6% da gera&#231;&#227;o e&#243;lica e solar por limita&#231;&#245;es de transmiss&#227;o &#8212; o chamado curtailment &#8212;, gerando preju&#237;zos estimados em R$ 6 bilh&#245;es. Com a confirma&#231;&#227;o de um La Ni&#241;a fraco, que traz chuvas irregulares especialmente no Sul e Sudeste, a oferta h&#237;drica tende a ficar apertada. Resultado: os pre&#231;os j&#225; refletem essa press&#227;o, com contratos convencionais para 2026 negociados em torno de R$ 262/MWh e energia incentivada chegando a R$ 291/MWh. Para o consumidor final, o maior perigo &#233; claro &#8212; se a contraparte quebra ou n&#227;o entrega, voc&#234; cai no mercado spot vol&#225;til e v&#234; a conta disparar, muitas vezes em dezenas de por cento, exatamente quando mais precisa de previsibilidade.</p><h4>ALERTA AO CONSUMIDOR: PRE&#199;OS BARATOS T&#202;M CONSEQU&#202;NCIAS GRAVES &#8211; N&#195;O CAIA NESSA ARMADILHA</h4><p>Aqui vai o recado direto: desconfie de propostas baratas demais, como energia incentivada na faixa de R$180&#8211;200/MWh para 2026. Esses pre&#231;os, nas condi&#231;&#245;es atuais do setor, dificilmente se sustentam ao longo do contrato e costumam indicar risco elevado de inadimpl&#234;ncia ou quebra da contraparte &#8212; como j&#225; vimos no caso da Gold, que acabou afetando inclusive consumidores residenciais.</p><p>Os subs&#237;dios da energia incentivada cumprem, sim, um papel importante ao reduzir o custo final da energia. O problema n&#227;o est&#225; no subs&#237;dio em si, mas nas inefici&#234;ncias acumuladas do setor el&#233;trico, que em 2025 somaram cerca de R$103,6 bilh&#245;es e representam aproximadamente 26% da conta de luz. Sem corre&#231;&#245;es estruturais, medidas pontuais de isen&#231;&#227;o ou benef&#237;cios mal distribu&#237;dos acabam aliviando alguns e transferindo o custo para outros consumidores, em vez de reduzir o pre&#231;o de forma sustent&#225;vel.</p><p>Nesse cen&#225;rio, empresas que buscam redu&#231;&#227;o real de custos precisam olhar al&#233;m do pre&#231;o nominal do contrato. Modelos como a autoprodu&#231;&#227;o de energia por loca&#231;&#227;o de ativos, com modula&#231;&#227;o adequada, oferecem previsibilidade e mitigam o risco de exposi&#231;&#227;o ao mercado de curto prazo. O hist&#243;rico recente mostra que &#8220;ofertas milagrosas&#8221; frequentemente terminam em exposi&#231;&#227;o ao PLD, com saltos de at&#233; 50% na conta em momentos cr&#237;ticos.</p><p>A recomenda&#231;&#227;o &#233; simples: priorize transpar&#234;ncia, estrutura financeira s&#243;lida e modelos que reduzam risco no longo prazo. No mercado atual, seguran&#231;a contratual vale mais do que qualquer desconto agressivo.</p><h4>CEN&#193;RIOS PARA 2026: PRESS&#195;O SUSTENTADA E VOLATILIDADE EXTREMA &#192; VISTA</h4><p>ropostas de energia incentivada entre R$180 e R$200/MWh para fornecimento em 2026 devem ser tratadas com extrema cautela. Em um mercado pressionado, esses valores est&#227;o muito abaixo da realidade atual, com contratos convencionais negociados entre R$260 e R$290/MWh (energia convencional e incentivada), e geralmente indicam risco elevado de inadimpl&#234;ncia ou insolv&#234;ncia da comercializadora.</p><p>Os casos da Gold Energia, da 2W e da Am&#233;rica Energia mostram o padr&#227;o: quando a contraparte falha, o consumidor fica exposto ao PLD, com aumentos que podem superar 50% em per&#237;odos cr&#237;ticos. Esses impactos n&#227;o se limitam ao mercado livre e j&#225; geraram preju&#237;zos indiretos e futuros at&#233; mesmo para consumidores residenciais.</p><p>O modelo de energia incentivada &#233; leg&#237;timo e traz benef&#237;cios reais, mas opera em um setor marcado por distor&#231;&#245;es estruturais. Em 2025, inefici&#234;ncias e subs&#237;dios somaram cerca de R$103,6 bilh&#245;es, o equivalente a 26% da conta de luz m&#233;dia, tornando ofertas agressivas dif&#237;ceis de sustentar ao longo do contrato.</p><p>Para reduzir custos de forma segura, &#233; essencial pesquisar comercializadoras financeiramente s&#243;lidas (pequenas ou grandes), contratos com modula&#231;&#227;o e, quando poss&#237;vel, modelos de autoprodu&#231;&#227;o por loca&#231;&#227;o de ativos. No cen&#225;rio atual, previsibilidade e seguran&#231;a contratual valem mais do que descontos aparentemente atrativos.</p><h5>Fonte:</h5><ul><li><p><a href="https://flj.com.br/mercados/comercializadora-de-energia-rompe-contratos/">https://flj.com.br/mercados/comercializadora-de-energia-rompe-contratos/</a></p></li></ul>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[MERCADO LIVRE DE ENERGIA EM 2026: ESQUEÇA O MILAGRE E EVITE O PIOR]]></title><description><![CDATA[Tornou-se recorrente a busca por uma suposta energia a R$ 180/MWh para 2026, apresentada como solu&#231;&#227;o garantida e de pre&#231;o fixo &#8212; uma expectativa que, na pr&#225;tica, n&#227;o se sustenta no mercado.]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/mercado-livre-de-energia-em-2026</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/mercado-livre-de-energia-em-2026</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Wed, 03 Dec 2025 19:55:19 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Tfid!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9c12a4ef-abe3-4163-97b7-7ac467e81d97_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Tornou-se recorrente a busca por uma suposta energia a R$ 180/MWh para 2026, apresentada como solu&#231;&#227;o garantida e de pre&#231;o fixo &#8212; uma expectativa que, na pr&#225;tica, n&#227;o se sustenta no mercado. <strong>A resposta &#233; sempre a mesma: esse pre&#231;o n&#227;o existe e nunca vai existir de forma sustent&#225;vel. </strong>Quem oferece sabe que n&#227;o vai entregar, porque nenhuma empresa sobrevive comprando energia por 10 e revendendo por 9. </p><p>&#201; matem&#225;tica elementar.Considerando hidrologia, encargos regulat&#243;rios, expans&#227;o renov&#225;vel e curva real de pre&#231;os, o resultado &#233; cristalino: 2026 ser&#225; mais caro que 2025. N&#227;o &#233; opini&#227;o, &#233; fato j&#225; precificado pelo mercado.</p><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Tfid!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9c12a4ef-abe3-4163-97b7-7ac467e81d97_1024x1024.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Tfid!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9c12a4ef-abe3-4163-97b7-7ac467e81d97_1024x1024.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Tfid!, /__u/cocenergia.substack.com/w_848, 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9c12a4ef-abe3-4163-97b7-7ac467e81d97_1024x1024.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:&quot;normal&quot;,&quot;height&quot;:1024,&quot;width&quot;:1024,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:1184926,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Tfid!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_auto, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, 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A energia incentivada 50% j&#225; bateu R$ 291,77/MWh, segundo a BBCE. Isso n&#227;o &#233; ru&#237;do, &#233; tend&#234;ncia. A Anace estima que os novos encargos setoriais, custo de transmiss&#227;o e antecipa&#231;&#227;o de usinas de reserva v&#227;o acrescentar at&#233; R$ 65/MWh ao custo final do consumidor livre. A TUSD para ind&#250;strias j&#225; foi reajustada em 18,5% em algumas regi&#245;es. </p><p>A NOAA confirma La Ni&#241;a fraco com 70% de probabilidade at&#233; fevereiro de 2026, o que significa chuvas irregulares no Sul e Sudeste &#8212;exatamente onde est&#227;o 60% dos reservat&#243;rios. Some tudo isso &#224; liquidez alt&#237;ssima nos contratos de 2026 e voc&#234; entende por que o mercado inteiro est&#225; correndo para travar volume agora.</p><p>CEN&#193;RIOS REALISTAS </p><p>Esque&#231;a o cen&#225;rio de energia barata. Ele tem probabilidade pr&#243;xima de zero. Ap&#243;s cruzar hidrologia com regula&#231;&#227;o, renov&#225;veis com demanda e pre&#231;os atuais com proje&#231;&#245;es de longo prazo, chegamos aos seguintes cen&#225;rios para 2026:</p><p>O CEN&#193;RIO MAIS PROV&#193;VEL (65% de chance) &#233; o de press&#227;o sustentada. Pre&#231;os m&#233;dios entre R$ 260 e R$ 290/MWh no convencional e entre R$ 290 e R$ 330/MWh na incentivada 50%. Isso representa aumento real de 12% a 18% em rela&#231;&#227;o a 2025.</p><p>H&#225; um CEN&#193;RIO DE ESTABILIDADE TENSA (25% de chance) caso tenhamos hidrologia neutra e entrada forte de renov&#225;veis. Nesse caso os pre&#231;os ficariam entre R$ 220 e R$ 250/MWh no convencional, ainda assim mais caro que 2024 e 2025.</p><p>O CEN&#193;RIO DE VOLATILIDADE EXTREMA (10% de chance) traria oscila&#231;&#245;es brutais, com momentos abaixo de R$ 200/MWh e picos acima de R$ 320/MWh. Quem depender s&#243; do mercado spot pode ver contas saltarem 50% em meses cr&#237;ticos.</p><p>A previs&#227;o base realista, considerando todos os cruzamentos, aponta para R$ 250/MWh m&#233;dio no convencional e R$ 290/MWh na incentivada 50%, com 60% de chance de ficar acima disso se a hidrologia for apenas mediana.</p><p>O IMPACTO NO BOLSO DE UMA IND&#218;STRIA M&#201;DIA</p><p>Para uma empresa com consumo m&#233;dio de 5 a 10 MW, o cen&#225;rio mais prov&#225;vel significa entre R$ 2,5 milh&#245;es e R$ 3,5 milh&#245;es a mais na conta de energia em 2026 comparado a 2025. No cen&#225;rio de volatilidade extrema, esse valor pode chegar a R$ 4 milh&#245;es ou mais em anos ruins. &#201; dinheiro que sai direto do lucro ou vai para o pre&#231;o final do produto.</p><p>O QUE FAZER AGORA &#8212; A&#199;&#213;ES CONCRETAS E REALISTAS</p><p>Contrate hoje o m&#225;ximo de volume que o or&#231;amento comportar, mesmo que o pre&#231;o esteja entre R$ 255 e R$ 295/MWh. &#201; infinitamente melhor pagar 12-15% a mais do que voc&#234; sonhava do que 40-60% a mais no spot quando chegar 2026.</p><p>D&#234; prefer&#234;ncia absoluta a contratos com modula&#231;&#227;o sazonal ou mensal. Essa flexibilidade permite reduzir volume nos meses caros e aumentar nos meses eventualmente mais baratos. <strong>Avalie com seriedade autoprodu&#231;&#227;o solar</strong> com ou sem bateria, ou parceria em pequenas centrais hidrel&#233;tricas e usinas fotovoltaicas com equity. Para cargas acima de 4-5 MW m&#233;dio, a APE ir&#225; proteger o consumidor contra desgastes futuros.</p><p><strong>Fuja como o diabo da cruz de qualquer proposta boa demais para ser verdade. Energia incentivada 50% a R$ 180-200/MWh para 2026 com contrato longo &#233; sin&#244;nimo de calote ou fal&#234;ncia da trading antes da entrega.</strong></p><p>Considere travar parte do volume em 2027 e 2028. Em v&#225;rios momentos o mercado est&#225; precificando esses anos mais barato que 2026 &#8212; &#233; oportunidade real de reduzir o custo m&#233;dio da d&#233;cada.</p><p>SEM RODEIOS</p><p>2026 n&#227;o ser&#225; o ano da energia barata. Ser&#225; o ano em que apenas quem tomou decis&#245;es consistentes em 2025 conseguir&#225; conviver com um custo elevado, por&#233;m previs&#237;vel. <strong>Quem aguardou por milagres enfrentar&#225; um cen&#225;rio mais caro, mais vol&#225;til e possivelmente sem disponibilidade firme de contrato</strong>. A solu&#231;&#227;o continua sendo a combina&#231;&#227;o de realismo e estrat&#233;gia: contratar o que &#233; poss&#237;vel agora, estruturar prote&#231;&#227;o via hedge e <strong>considerar seriamente a autoprodu&#231;&#227;o como mecanismo de estabilidade de longo prazo.</strong></p><p>O tempo da espera acabou. O que resta s&#227;o decis&#245;es inteligentes.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O AVANÇO SILENCIOSO DAS CONCESSIONÁRIAS E O RISCO À LIVRE CONCORRÊNCIA NO SETOR ELÉTRICO]]></title><description><![CDATA[As principais concession&#225;rias de energia no Brasil, como Neoenergia, Equatorial e Enel, possuem contratos s&#243;lidos que lhes garantem receitas est&#225;veis e previs&#237;veis, tornando o setor el&#233;trico um dos investimentos mais atrativos e seguros do pa&#237;s.]]></description><link>https://cocenergia.substack.com/p/o-avanco-silencioso-das-concessionarias-b21</link><guid isPermaLink="false">https://cocenergia.substack.com/p/o-avanco-silencioso-das-concessionarias-b21</guid><dc:creator><![CDATA[Arthur Oliveira]]></dc:creator><pubDate>Wed, 03 Dec 2025 19:43:39 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DZzl!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd593877d-8d61-45ae-81a4-787dfa846d10_1080x1291.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>As principais concession&#225;rias de energia no Brasil, como Neoenergia, Equatorial e Enel, possuem contratos s&#243;lidos que lhes garantem receitas est&#225;veis e previs&#237;veis, tornando o setor el&#233;trico um dos investimentos mais atrativos e seguros do pa&#237;s. Al&#233;m dessa base regulat&#243;ria robusta, essas empresas expandiram sua atua&#231;&#227;o para novas frentes, como a comercializa&#231;&#227;o atacadista de energia e a gera&#231;&#227;o distribu&#237;da (GD), frequentemente se beneficiando de informa&#231;&#245;es privilegiadas e da base de dados de clientes que det&#234;m por serem distribuidoras reguladas. Tal pr&#225;tica levanta s&#233;rias preocupa&#231;&#245;es concorrenciais e questiona o tratamento ison&#244;mico entre os diversos agentes que operam no mercado livre.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!DZzl!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd593877d-8d61-45ae-81a4-787dfa846d10_1080x1291.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!DZzl!, /__u/cocenergia.substack.com/w_424, /__u/cocenergia.substack.com/c_limit, /__u/cocenergia.substack.com/f_webp, /__u/cocenergia.substack.com/q_auto:good, /__u/cocenergia.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd593877d-8d61-45ae-81a4-787dfa846d10_1080x1291.jpeg 424w, 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regulat&#243;ria e acesso a dados de consumidores para consolidar posi&#231;&#245;es dominantes nos novos segmentos. Esse fen&#244;meno cria barreiras de entrada para comercializadoras independentes e restringe o potencial de competi&#231;&#227;o real no setor el&#233;trico, provocando desequil&#237;brios de mercado. Al&#233;m de se sentir acoado com &#8220;imposi&#231;&#245;es de facilidades ao migrar conosco psra o ACL&#8221;, o consumidor acaba pagando mais caro por essa &#8220;parceria vantajosa&#8221;.</p><p>Pesquisas recentes sobre gera&#231;&#227;o distribu&#237;da indicam que o crescimento desordenado do segmento e a aus&#234;ncia de sinais tarif&#225;rios adequados agravam problemas sist&#234;micos e perpetuam subs&#237;dios cruzados, onerando os consumidores cativos e favorecendo grandes grupos empresariais.</p><p>Investir nas empresas do setor el&#233;trico brasileiro, especialmente nas distribuidoras que tamb&#233;m atuam como comercializadoras e geradoras, continua sendo uma das estrat&#233;gias mais rent&#225;veis da Bolsa em 2025. A regula&#231;&#227;o garante estabilidade de fluxo de caixa, e campanhas de lobby bem articuladas permitem que essas companhias influenciem medidas provis&#243;rias e emendas legislativas para manter privil&#233;gios e expandir suas fronteiras de atua&#231;&#227;o. O desempenho das a&#231;&#245;es &#233; impulsionado por uma combina&#231;&#227;o de previsibilidade regulat&#243;ria, elevado endividamento do setor e aumento projetado das tarifas, que crescem consistentemente acima da infla&#231;&#227;o &#8212; fatores que consolidam a rentabilidade e o poder dessas empresas.</p><p>Nesse contexto, a MP 1304/2025 surge como um ponto de inflex&#227;o, trazendo emendas que buscam restabelecer o equil&#237;brio competitivo do setor. A Emenda n&#186; 1, proposta pelo senador Mecias de Jesus, visa limitar a verticaliza&#231;&#227;o das concession&#225;rias, impondo restri&#231;&#245;es ao duplo papel de distribuidora e comercializadora para conter abusos de poder econ&#244;mico e ampliar a competi&#231;&#227;o. J&#225; a Emenda n&#186; 36, do deputado Jo&#227;o Carlos Bacelar, prop&#245;e suprimir o artigo que autoriza a comercializa&#231;&#227;o pelas concession&#225;rias, abrindo espa&#231;o para geradores independentes e autoprodutores. Ambas as emendas buscam reduzir a concentra&#231;&#227;o de mercado, proteger o consumidor e fortalecer o desenvolvimento sustent&#225;vel do setor.</p><p>A atua&#231;&#227;o ampla das concession&#225;rias como distribuidoras, comercializadoras e geradoras oferece ganhos institucionais e econ&#244;micos ineg&#225;veis, mas acarreta s&#233;rios problemas concorrenciais e de efici&#234;ncia. A ado&#231;&#227;o das Emendas n&#186; 1 e n&#186; 36 representa um passo essencial para conter abusos, restabelecer a isonomia entre agentes e promover um ambiente de maior transpar&#234;ncia, inova&#231;&#227;o e competitividade. O futuro do mercado el&#233;trico brasileiro depende de um marco regulat&#243;rio que priorize o equil&#237;brio e a diversidade de participantes &#8212; n&#227;o a consolida&#231;&#227;o de poder nas m&#227;os de poucos grupos dominantes.</p><p>#comercializadoradeenergia #mercadolivredeenergia #autoprodu&#231;&#227;odeenergia #abradee #abraceel #aneel #C&#226;maradosDeputados #SenadoFederal #cade #abraceel #cocenergia</p><p></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>