<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[ritmos, rastros e respiros]]></title><description><![CDATA[seguir o chamado, guardar o eco, honrar o vão ]]></description><link>https://daianastolf.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!0_k9!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6403f1d0-a89e-4fc3-94b1-d71c094e2004_640x640.png</url><title>ritmos, rastros e respiros</title><link>https://daianastolf.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Fri, 04 Sep 2026 08:32:02 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/daianastolf.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Daiana Stolf]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[daianastolf@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[daianastolf@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Daiana Stolf]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Daiana Stolf]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[daianastolf@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[daianastolf@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Daiana Stolf]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Só mais um quilômetro]]></title><description><![CDATA[Relato de uma negocia&#231;&#227;o perdida]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/so-mais-um-quilometro</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/so-mais-um-quilometro</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Sat, 08 Aug 2026 09:10:46 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!ltXd!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F608d11d9-0644-4961-94cd-c73187a5195b_960x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><span>Seis e dez, &#233; hora de me levantar. O corpo n&#227;o quer e afunda. A contragosto, e contra toda a gravidade do planeta, sento na cama. Visualizo a bermuda de corrida pendurada; suspiro. Visto-a com dificuldade e sono. Sinto dor na garganta.</span></p><p><span>Caf&#233;, p&#227;o. </span><em><span>Peguem a mochila, o lanche ser&#225; um sandu&#237;che e um iogurte, tudo bem?, encham a garrafa d&#8217;&#225;gua, andem, escovem os dentes, penteiem o cabelo.</span></em><span> Meia, t&#234;nis, elevador. Beijos. </span><em><span>Amo voc&#234;s, se cuidem.</span></em><span> Fecho a porta. Sil&#234;ncio.</span></p><p><em><span>Se eu sentar agora ou come&#231;ar a arrumar a casa, n&#227;o vou. </span></em><span>O rel&#243;gio tem bateria suficiente. </span><em><span>Esteira ou rua? O app do tempo mostra rajadas constantes de 45km/h, mas na esteira o tempo n&#227;o passa.</span></em><span> </span><em><span>Rua.</span></em><span> </span><em><span>S&#243; v&#225;, n&#227;o pense. </span></em><span>Percorro o exato um quil&#244;metro at&#233; a vizinhan&#231;a onde treino. Sim, de carro. Porque se eu depender da vontade de caminhar at&#233; l&#225;, n&#227;o vou. Encho os bolsos: celular, &#225;gua, chave. Posiciono o fone e a viseira. Nem tem sol, mas a claridade incomoda. Alongamento de cinco minutos para n&#227;o travar. Formigas carregam folhas em fila enquanto o calcanhar alcan&#231;a o gl&#250;teo. Fun&#231;&#227;o corrida no rel&#243;gio ativada. Rumo &#224; esquina e o vento sul corta meu rosto, meu corpo. Resist&#234;ncia. </span><em><span>Deveria ter ido para a esteira. </span></em><span>A consci&#234;ncia se prende &#224; dor no quadril, &#224; disposi&#231;&#227;o zero, ao latejar do calo no dedo, ao vento. Por que mesmo eu insisto em correr?</span></p><p><em><span>Agora n&#227;o tem volta.</span></em><span> Clico o bot&#227;o do rel&#243;gio e come&#231;o a trotar. Logo o ritmo chega a 6:20/km. A velha tend&#234;ncia de iniciar r&#225;pido demais. Seguro um pouco a velocidade, sen&#227;o n&#227;o aguento at&#233; o fim. Cad&#234;ncia esquisita, me sinto quadrada. Foco no ritmo da m&#250;sica: 180 batidas por minuto. O primeiro quil&#244;metro demora a passar, o segundo &#233; sempre melhor. Passo a Pousada do Capit&#227;o. Contra o vento, o cora&#231;&#227;o bate mais. A ca&#231;amba com entulhos de constru&#231;&#227;o revela um pl&#225;stico preto meio preso, a parte meio solta se debatendo com a for&#231;a do vento. Parece o corvo do </span><strong><a href="https://a.co/d/0eTTyU2e"><span>Dura para Sempre e Depois Acaba</span></a></strong><span>. Angustiante. Bonito.</span></p><p><span>Recordo a mensagem ao treinador na semana passada. </span><em><span>Sem a planilha, com certeza teria parado nos 4 km. </span></em><span>Sou sincera. A planilha me d&#225; </span><s><span>esfor&#231;o</span></s><span> for&#231;a: hei de n&#227;o decepcionar &#8211; a ele e a mim mesma. </span><em><span>Qualquer coisa digo que a dor no quadril ficou insuport&#225;vel. E que o calo sob a unha tamb&#233;m doeu demais. Espera: acho que senti o joelho. Ali, logo abaixo da patela. Um compilado de dores deixa a desculpa mais cr&#237;vel?</span></em><span> Ent&#227;o lembro que as tr&#234;s j&#225; apareceram em treinos passados. E eu </span><em><span>n&#227;o</span></em><span> parei. Essa mania de querer fazer o melhor. </span><em><span>Tonta</span></em><span>.</span></p><p><span>A cad&#234;ncia se organiza. A </span><em><span>playlist</span></em><span> toca sozinha na mente, antecipando a pr&#243;xima m&#250;sica. Vou at&#233; o finalzinho do finalzinho da rua sem sa&#237;da antes de virar para contar cada cent&#237;metro e acabar mais r&#225;pido. Ilus&#227;o. Fugir da realidade &#233; preciso, &#224;s vezes. Queria saber parar os pensamentos, &#224;s vezes. Mandar um cala-boca para a cabe&#231;a. N&#227;o tenho descanso nem correndo. A narra&#231;&#227;o deste texto n&#227;o para, mas aposto que me esquecerei de metade dela antes de chegar ao carro. Tr&#234;s quil&#244;metros completos. Me sinto bem. Mas a cad&#234;ncia s&#243; encaixa mesmo l&#225; pelos quatro. Ritmo a 7:00/km. Devagar demais se quiser manter a progress&#227;o da planilha. Acelero, aproveitando a endorfina que invade o corpo. Avisto o Golden Retriever preso &#224; coleira, correndo ao lado do dono, de bicicleta. L&#237;ngua para fora, esbaforido, &#233; um urso simp&#225;tico. Dou um sorriso, o humor reage.</span></p><p><span>Quase seis quil&#244;metros. O vento contra &#233; ruim quando se est&#225; cansado. O vento a favor nem parece que ajuda. Percebo o suor escorrendo e as bochechas corando. Melhor n&#227;o sentir a ajuda do que sentir energia contra, afinal. Obviedades. Penso e escrevo tantas. Dif&#237;cil mudar o h&#225;bito.</span></p><p><span>A m&#250;sica preferida toca e acelero. </span><em><strong><a href="https://open.spotify.com/track/5WH2HL7ZrVu9n51viwbdJw?si=M5teayBKTW25m390LQoESA&amp;utm_source=copy-link"><span>Is it ever gonna be enough?</span></a></strong></em><span> S&#243; mais um quil&#244;metro. Sete est&#225; bom, hoje. Com dor de garganta e vento. Sem a planilha, teria menos HDL e mais LDL. O exame que atesta minha gen&#233;tica do colesterol n&#227;o recomenda. Fim.</span></p><p><span>Paro o rel&#243;gio, caminho. Ofegante, tento coordenar a degluti&#231;&#227;o da &#225;gua com a necessidade de ar. Confiro as m&#233;tricas no app. Vento de 30km/h? </span><em><span>Duvido. </span></em><span>Cad&#234;ncia m&#233;dia de 179.</span><em><span> Nada mau.</span></em><span> S&#243; agora consigo apreciar a &#225;rvore chuva-de-ouro com calma.</span></p><p><span>Sento no banco do carro e digito uma linha ou outra sobre este texto enquanto as palavras ainda prestam. As tais obviedades, minhas. Partiu casa, banho, trabalho. O caos j&#225; parece menor.</span></p><p><span>Antes, escrevo ao treinador: </span><em><span>Dia!! Queria, mas n&#227;o queria. N&#227;o queria, mas precisava. Ent&#227;o fui.</span></em></p><p><span>Releio a mensagem e sorrio com o canto da boca. Depois de amanh&#227;, &#224;s seis e dez, vou me perguntar por que diabos inventei de correr.</span></p><p><span>De novo.</span></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ltXd!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F608d11d9-0644-4961-94cd-c73187a5195b_960x1280.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ltXd!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F608d11d9-0644-4961-94cd-c73187a5195b_960x1280.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ltXd!, 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data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/so-mais-um-quilometro/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/p/so-mais-um-quilometro/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O feltro vermelho]]></title><description><![CDATA[Invent&#225;rio de um recome&#231;o &#8212; 5]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/o-feltro-vermelho</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/o-feltro-vermelho</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Sun, 21 Jun 2026 09:30:35 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!nFn9!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F54f2951f-1d34-42a3-9e66-b250222421f6_1156x1600.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h5><strong><span>Quinta cr&#244;nica em s&#233;rie. Para ler as anteriores, clique </span><a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/anatomia-do-impulso">aqui (1)</a><span>, </span><a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/novos-velhos-ares">aqui (2)</a><span>, </span><a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/gasto-de-madame">aqui (3)</a> e <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/o-imigrante-que-ainda-nao-pertence">aqui (4)</a><span>.<br></span></strong></h5><p><strong><span>Florian&#243;polis, 1996.</span></strong></p><p><span>A sala de visitas &#233; fria. Abro a tampa do piano vertical e dobro o pano de feltro vermelho que repousa sobre o teclado. As letras douradas quase pulam &#224; vista: </span><em><span>Fritz Dobbert</span></em><span>. Ajeito o livro no suporte, encontro a p&#225;gina da partitura e posiciono o p&#233; direito no pedal. Examino a clave, os sustenidos e os bem&#243;is. Leio as notas, um compasso por vez, primeiro com a m&#227;o direita e depois com a esquerda. O sil&#234;ncio &#233; quebrado subitamente por um som desarm&#244;nico, e quase pe&#231;o perd&#227;o aos ouvintes: ningu&#233;m no recinto, meus pais e minhas irm&#227;s em algum outro c&#244;modo do apartamento, os vizinhos. Logo as m&#250;sicas ser&#227;o abafadas pelos barulhos do dia a dia, e eu preciso treinar.</span></p><p><span>Sigo a sequ&#234;ncia at&#233; que um resqu&#237;cio de semelhan&#231;a ao ritmo apropriado apare&#231;a. </span><em><span>Viram? Essa &#233; a pe&#231;a que tento tocar. Vai melhorar.</span></em><span> </span><em><span>Ops, errei. Agh, de novo. Agora foi.</span></em><span> Repito. </span><em><span>Isso.</span></em><span> Mais uma vez. </span><em><span>Acho que d&#225; para juntar as m&#227;os.</span></em><span> Nada mau. Repito, de novo e de novo. Uma hora se passa e come&#231;o a brigar com as teclas. Troco de partitura e dedilho uma m&#250;sica que j&#225; toco decentemente. </span><em><span>Eu sei fazer isso. </span></em><span>Minha m&#227;e passa pela sala assoviando, acompanhando o ritmo. Um dia, aquela can&#231;&#227;o ficar&#225; boa como essa. S&#243; depende de mim.</span></p><p style="text-align: center;"><span>&#8258;</span></p><p><strong><span>Florian&#243;polis, 6 de junho de 2025.</span></strong></p><p><span>Acordo sozinha por h&#225;bito, sem o despertador. Pulo da cama e vislumbro o Yamaha P-45: ele continua ali, no cantinho improvisado. </span><em><span>Eu fiz isso mesmo. &#201; real.</span></em></p><p><span>Encaixo algum estudo na rotina. A evolu&#231;&#227;o &#233; lenta; talvez um professor ajude. Encontro escola de m&#250;sica e instrutor. Mas h&#225; dois obst&#225;culos: 15 pedras na ves&#237;cula e f&#233;rias de julho. Marco uma aula experimental para o fim daquele m&#234;s, e espero existir at&#233; l&#225; para viver este momento.</span></p><p><span>Passo pelo corredor e, subitamente, enxergo: </span><em><span>se a gente mudar a estante de lugar, talvez o piano caiba aqui.</span></em><span> Com a fita m&#233;trica em m&#227;os, comemoro </span>&#8211; o espa&#231;o &#233; deveras perfeito. <em>Agora s&#243; preciso de um pano de feltro para proteger o teclado.</em> Do vendedor do Mercado Livre, compro um peda&#231;o. Escolho o de cor vermelha.</p><p><a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/ontem-eu-nao-morri"><span>Sobrevivo &#224; colecistectomia</span></a><span> e &#224;s f&#233;rias. A casa onde fica a escola &#233; simp&#225;tica: heran&#231;a de uma fam&#237;lia de m&#250;sicos, cheia de quadrinhos e objetos de decora&#231;&#227;o coloridos e art&#237;sticos. O professor, outro querid&#237;ssimo, transita entre o cl&#225;ssico e o popular; fecho o contrato. Primeira m&#250;sica? O Mel&#244; do Piano, para relembrar. Segunda m&#250;sica? O prel&#250;dio da su&#237;te n&#250;mero 1 de Bach, adaptada ao piano. N&#227;o poderia ser diferente.</span></p><p><span>Treino obstinadamente, mas no meu tempo. Vez ou outra ou&#231;o um </span><em><span>Que bonito</span></em><span> do Alex. Ainda n&#227;o estava bonito. Ao longo de semanas, uma vers&#227;o mais estruturada da m&#250;sica finalmente &#233; produzida por minhas m&#227;os, e a toco com olhos marejados.</span></p><p><em><span>Eu consegui.</span></em></p><p><span>Obcecada pela m&#250;sica, sinto que falta algo na partitura. Ou&#231;o novamente o prel&#250;dio no celular, acompanhando os compassos: de fato, aquela vers&#227;o fora simplificada; uma parte inteira havia sido cortada. Semanas depois, o professor me devolve uma vers&#227;o completa. Come&#231;o a praticar.</span></p><p><strong><span>Florian&#243;polis, outubro de 2025.</span></strong></p><p><span>Com o olhar mais atento ao universo do piano, reparo na m&#250;sica que est&#225; h&#225; tempos na minha lista do Spotify: </span><em><a href="https://open.spotify.com/track/6bpmBNPfQ2KFAW0ik6F9Vq?si=lfTMxsaVRJ64vWyvANu0JQ"><span>La</span></a></em><a href="https://open.spotify.com/track/6bpmBNPfQ2KFAW0ik6F9Vq?si=lfTMxsaVRJ64vWyvANu0JQ"><span> </span></a><em><a href="https://open.spotify.com/track/6bpmBNPfQ2KFAW0ik6F9Vq?si=lfTMxsaVRJ64vWyvANu0JQ"><span>Valse d&#8217;Am&#233;lie</span></a></em><span>. Hum, nada mal para uma segunda obsess&#227;o.</span></p><p><span>A valsa equilibra perfeitamente meu n&#237;vel t&#233;cnico em desenvolvimento e a sensa&#231;&#227;o de um desafio poss&#237;vel de ser superado, assim como a su&#237;te. Outras m&#250;sicas entram como treino: algumas mais f&#225;ceis, outras aqu&#233;m do que ainda posso. A su&#237;te e a valsa permanecem como trabalho em progresso; sempre &#8211; sempre &#8211; h&#225; algo a melhorar. Decorei a valsa inteira e insisto em incorporar detalhes em ambas &#8211; nuances que, para mim, fazem diferen&#231;a. Se deixo de praticar uma por mais tempo do que a outra, j&#225; percebo falhas e queda na performance. De repente, o segredo &#233; ser mesmo obcecado por aquilo que se ama e no que se busca excel&#234;ncia.</span></p><p><strong><span>&#201; junho de 2026:</span></strong><span> quase um ano de recome&#231;o, e ainda estou &#8220;presa&#8221; &#224;s duas partituras. E eu quero estar ali. Mesmo que nem todo treino seja prazeroso. Mesmo que o m&#237;nimo avan&#231;o se d&#234; depois de semanas, meses de pr&#225;tica. Afinal, estudar todos os dias n&#227;o &#233; rotina &#8211; a vida acontece, e outras prioridades demandam minha aten&#231;&#227;o e dedica&#231;&#227;o.</span></p><p><span>A caminhada foi longa, mas atender ao chamado da intui&#231;&#227;o deu frutos no momento certo. Quase 30 anos mais tarde, o piano coube na minha vida de novo &#8211; de um jeito que o violino e o viol&#227;o n&#227;o convieram.</span></p><p><span>Cada vez que sento ao piano, dobro o pano de feltro vermelho e dedilho a su&#237;te ou a valsa, um brilho interno se acende. Me sinto mais eu mesma, e conhe&#231;o mais de mim. Meus filhos, depois de me escutarem repetir a mesma m&#250;sica dezenas de vezes, arriscam tocar o </span><em><span>d&#243;-r&#233;-mi-f&#225;</span></em><span> em diferentes oitavas. Quando a melodia flui com menos erros, gosto de acreditar que proporciono alguns minutos de beleza para quem ouve.</span></p><p><span>A pr&#243;xima m&#250;sica j&#225; est&#225; escolhida: </span><em><a href="https://open.spotify.com/track/14rZjW3RioG7WesZhYESso?si=vKtcy6zsSqaXstp-ORuOQQ"><span>Comptine d&#8217;un autre &#233;t&#233;, l&#8217;apr&#232;s-midi</span></a></em><span>. Digamos que estou com um leve hiperfoco nas composi&#231;&#245;es de Yann Tiersen. Penso tamb&#233;m em continuar a aprender a su&#237;te n&#250;mero 1 de Bach. Afinal, o prel&#250;dio &#233; apenas o in&#237;cio de uma obra de ~20 minutos e sete movimentos. E o recome&#231;o de uma pequena grande obsess&#227;o que est&#225; longe de terminar.</span></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!nFn9!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F54f2951f-1d34-42a3-9e66-b250222421f6_1156x1600.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!nFn9!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F54f2951f-1d34-42a3-9e66-b250222421f6_1156x1600.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!nFn9!, /__u/daianastolf.substack.com/w_848, 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/54f2951f-1d34-42a3-9e66-b250222421f6_1156x1600.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:1600,&quot;width&quot;:1156,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:274021,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/i/202895515?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F54f2951f-1d34-42a3-9e66-b250222421f6_1156x1600.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!nFn9!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_auto, 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perman&#234;ncia.</span></p><p></p><p>FIM</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O imigrante que ainda não pertence]]></title><description><![CDATA[Invent&#225;rio de um recome&#231;o &#8212; 4]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/o-imigrante-que-ainda-nao-pertence</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/o-imigrante-que-ainda-nao-pertence</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Thu, 11 Jun 2026 09:15:06 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/fd6e316b-0569-4a77-a309-3a5641767829_1280x780.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h5><strong>Quarta cr&#244;nica em s&#233;rie. Para ler as anteriores, clique <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/anatomia-do-impulso">aqui (1)</a>, <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/novos-velhos-ares">aqui (2)</a> e <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/gasto-de-madame">aqui (3)</a>.</strong></h5><p></p><p>De S&#227;o Paulo a Florian&#243;polis, uma pandemia, duas mudan&#231;as, tr&#234;s anos. Calharam: um curso de arte e uma promessa. Aulas de violino, aulas de viol&#227;o. Tentativa v&#227; de expor meus filhos &#224; m&#250;sica. Falhas: uma, duas, tr&#234;s vezes.</p><p>Como jovens perambulantes de outros tempos, no p&#243;s-covid, decidimos: <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/a-partida">levantar voo.</a> Organizamos a vida para, a seguir, cocriar uma nova realidade em outra parte do planeta. N&#227;o me perguntei se fazia sentido. Com ou sem l&#243;gica, precis&#225;vamos <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/e-preciso-confiar-no-caminho">acordar os sentidos</a>. Chegou metade de 2023 e nossa viagem estendida, h&#225; muito planejada; tentativa prof&#237;cua, essa sim, de mostrar o mundo aos meus filhos.</p><p>A m&#250;sica tomou outros contornos: de gamel&#227;o e de dan&#231;as delicadas, embelezadas pelo colorido dos adere&#231;os balineses. Alimentado por diferentes formas de arte, o esp&#237;rito permaneceu ocupado lidando com <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/sessenta-dias-de-bali">medos e coragens no improviso</a>.</p><div class="native-video-embed" data-component-name="VideoPlaceholder" data-attrs="{&quot;mediaUploadId&quot;:&quot;88ced130-33f2-4181-8216-24610b6a6c84&quot;,&quot;duration&quot;:null}"></div><p>A volta, ah, a volta. O cora&#231;&#227;o, em outra frequ&#234;ncia, pedia mais tempo de liberdade. A cabe&#231;a, no entanto, insistia em se sintonizar com a realidade. &#201; inevit&#225;vel: dez meses de nomadismo se entremeiam no seu jeito de enxergar a vida. O retorno &#224; casa fixa, &#224; nem-t&#227;o-nova-velha cidade natal, desassossegou a alma.</p><p>No meio da falta, a m&#250;sica, sempre ela. N&#227;o &#233; poss&#237;vel: se falhei no violino e no viol&#227;o, o piano h&#225; de me aceitar de volta. Por que n&#227;o? Bem, instrumentos de corda n&#227;o ocupam espa&#231;o. J&#225; o piano, ah, o piano. Ele ocupa mais que o cora&#231;&#227;o: n&#227;o necessariamente harmoniza com a decora&#231;&#227;o e o tamanho da sala. Precisaria ocupar espa&#231;o no apartamento milimetricamente reformado e na rotina da fam&#237;lia. </p><p>Existe lugar para uma artista aqui?</p><p></p><p><em>&#201; f&#250;til. Sup&#233;rfluo. Perda de tempo. Gasto de madame.</em></p><p><em>Shhhh!</em></p><p></p><p><strong>4 de abril de 2025.</strong></p><p>Entro em contato com a casa-loja-escola-de-m&#250;sica. Pergunto sobre o Yamaha P-45, o melhor custo-benef&#237;cio para iniciantes contumazes, cujas teclas simulam o peso exato de um piano ac&#250;stico. Vamos fazer direito: tem que ser esse; n&#227;o quero motivos para desistir com uma vers&#227;o inaut&#234;ntica.</p><p>O pre&#231;o &#233; igual ao do Mercado Livre, mas n&#227;o h&#225; estoque. O dono fica de me avisar quando o piano chegar.</p><p>Dias passam.</p><p>Mais dias passam.</p><p><em>&#201; gasto de madame mesmo. N&#227;o tem onde colocar. Deixa quieto.</em></p><p></p><p><strong>23 de abril de 2025.</strong></p><p><em>Boa tarde! Voc&#234;s j&#225; receberam o Yamaha P-45?</em></p><p><em>Sim, senhora, chegou ontem. Acabei de montar um.</em></p><p></p><p>Sil&#234;ncio.</p><p>Ser&#225;?</p><p>Dias passam.</p><p>Semanas passam.</p><p>A vida acontece. Omito detalhes.</p><p></p><p><strong>4 de junho de 2025.</strong></p><p>No (im)pulso, resolvi: pedir perd&#227;o em vez de permiss&#227;o.</p><p>Dirijo at&#233; a casa-loja-escola-de-m&#250;sica. O filho do dono me ajuda a colocar o piano digital no porta-malas.</p><p>Comprei.</p><p>Sinto tontura: um misto de felicidade, al&#237;vio e tens&#227;o.</p><p>Imaginei deix&#225;-lo na bancada, mas o plano n&#227;o procede. Ocupa espa&#231;o demais.<em> Socorro, o que foi que fiz?</em> Preciso da estante pr&#243;pria.</p><p></p><p><strong>5 de junho de 2025.</strong></p><p>Pago um Uber para buscar estante e banqueta. Carrego as caixas pesadas e monto ambas, sozinha, no meio da tarde. Transpiro, respiro fundo, tenho pressa. &#201; preciso bancar a escolha do come&#231;o ao fim.</p><p>Encosto a obra pronta na &#250;nica parede onde enxergo um encaixe naquele momento: praticamente dentro do closet. Meio escondido, meio rec&#244;ndito, meio disfar&#231;ado. Uma esp&#233;cie de imigrante que ainda n&#227;o pertence. Como eu, tantas vezes na vida.</p><p>O fio atravessa a passagem para alcan&#231;ar a tomada. A energia chega para que as teclas respondam ao toque: d&#243;, r&#233;, mi, f&#225;. Uma emo&#231;&#227;o atravessa minha espinha.</p><p>Respiro fundo mais uma vez e toco de cor a &#250;nica m&#250;sica mais elaborada que ainda lembro, O Mel&#244; do Piano, s&#243; com a m&#227;o direita. As notas da esquerda se esva&#237;ram com o tempo.</p><p>Outras can&#231;&#245;es simples ressurgem na mente. Teimosa, folheio o livro para iniciantes que trouxe com o piano. <em>Para ensinar as crian&#231;as, um dia, se quiserem. </em>Constato &#8212; surpresa, mas resoluta &#8212; que preciso de algo mais intermedi&#225;rio.</p><p>Pela primeira vez em muitos anos, reconheci a pianista em mim.</p><p>Ela j&#225; havia esperado tempo demais.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!oGRg!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8278ec0a-f871-416e-ab66-552a1f6caba8_1280x780.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!oGRg!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, 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href="/__u/daianastolf.substack.com/p/o-feltro-vermelho">Continua...</a></strong></em></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Fôlego #1]]></title><description><![CDATA[Entre cr&#244;nicas, um respiro.]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/folego-1</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/folego-1</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Thu, 04 Jun 2026 09:16:08 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jvxD!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fce03898d-bc75-4069-9e79-c06f95ac1e68_960x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ecos que reverberaram por aqui ultimamente. Quem sabe inspirem algo positivo por a&#237; tamb&#233;m!</p><p><strong>Para assistir:</strong></p><div id="youtube2-cNbnef_eXBM" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;cNbnef_eXBM&quot;,&quot;startTime&quot;:&quot;5s&quot;,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/cNbnef_eXBM?start=5s&amp;rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><blockquote><p><em>&#8220;Always remember that the reason that you initially started working is that there was something inside yourself that you felt that if you could manifest in some way, you would understand more about yourself and how you coexist with the rest of society. I think it&#8217;s terribly dangerous for an artist to fulfill other people&#8217;s expectations &#8212; they generally produce their worst work when they do that.&#8221;</em></p><p><em>"Lembre-se sempre de que a raz&#227;o pela qual voc&#234; come&#231;ou a trabalhar, l&#225; no in&#237;cio, era que havia algo dentro de voc&#234; que sentia que, se pudesse se manifestar de alguma forma, permitiria que voc&#234; compreendesse mais sobre si mesmo e sobre como coexistir com o restante da sociedade. Acho terrivelmente perigoso para um artista atender &#224;s expectativas dos outros &#8212; em geral, &#233; quando produzem seus piores trabalhos."</em></p></blockquote><p>David Bowie</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!tHBA!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F712137bc-5c92-4187-bbbc-31257f1dab8b_179x30.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!tHBA!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F712137bc-5c92-4187-bbbc-31257f1dab8b_179x30.png 424w, 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data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/38339f23-a405-487b-93ad-9cc8360aa2c9_288x445.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e4a29b73-052f-47ab-82ee-7a027c29c211_296x445.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b57215dd-8948-426d-8e4e-cfb7d10c988a_1456x720.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>Autobiografia emocionante e honesta do neurologista-escritor-professor Oliver Sacks, que revela seu olhar humano para a medicina e a escrita como companheira em sua vida de aventuras. </p><h4><strong>Trechos:</strong> </h4><p><strong>Carta aos pais enquanto decidia se permaneceria no Canad&#225; ou se se instalaria em San Francisco, EUA (p. 54):</strong> </p><blockquote><p>&#8220;<em>If I stay in Canada, I will have a reasonably generous salary and time off. I should be able to save, and even to return something of the money which you have lavished on my life for twenty-seven years. As for the other intangible and incalculable things you have given me, I can only repay these by leading a fairly happy and useful life, keeping in touch with you, and seeing you when I can.</em>&#8221; </p><p><em>&#8220;Se eu ficar no Canad&#225;, terei um sal&#225;rio razoavelmente generoso e tempo livre. Devo conseguir economizar e at&#233; devolver uma parte do dinheiro que voc&#234;s dedicaram &#224; minha vida por vinte e sete anos. Quanto &#224;s outras coisas intang&#237;veis e incalcul&#225;veis que voc&#234;s me deram, s&#243; posso retribu&#237;-las levando uma vida razoavelmente feliz e &#250;til, mantendo contato com voc&#234;s e vendo-os sempre que puder.&#8221;</em></p></blockquote><div><hr></div><p><strong>Ao descrever os pacientes p&#243;s-encefal&#237;ticos que atendia no Hospital Beth Abraham, em Nova York, ele relatou (p. 171):</strong></p><blockquote><p>&#8220;<em>This sense of the dynamics of illness and life, of the organism or subject striving to survive, sometimes under the strangest and darkest circumstances, was not a viewpoint which had been emphasized when I was a student or resident, nor was it one I found in the current medical literature. But when I saw these postencephalitic patients, it was clearly and overwhelmingly true. What had been dismissed disparagingly by most of my colleagues (&#8220;chronic hospitals &#8212; you'll never see anything interesting in those places&#8221;) revealed itself as the complete opposite: an ideal situation for seeing entire lives unfold.</em>&#8221; </p><p><em>&#8220;Essa percep&#231;&#227;o da din&#226;mica da doen&#231;a e da vida, do organismo ou do sujeito lutando para sobreviver, &#224;s vezes nas circunst&#226;ncias mais estranhas e sombrias, n&#227;o era um ponto de vista enfatizado quando eu era estudante ou residente, nem algo que eu encontrasse na literatura m&#233;dica atual. Mas, ao observar esses pacientes p&#243;s-encefal&#237;ticos, isso se tornava clara e avassaladoramente verdadeiro. Aquilo que a maioria dos meus colegas descartava de forma depreciativa (&#8216;hospitais cr&#244;nicos &#8212; voc&#234; nunca ver&#225; nada interessante nesses lugares&#8217;) revelou-se exatamente o oposto: um cen&#225;rio ideal para observar vidas inteiras se desenrolarem.&#8221;</em></p></blockquote><p><strong>Esse entendimento daria origem a um de seus livros mais famosos, que inclusive foi adaptado para o cinema: </strong><em><strong><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Awakenings">Awakenings</a> (Tempo de Despertar).</strong></em> </p><div><hr></div><p><strong>Sobre a escrita (p. 190):</strong>   </p><blockquote><p>&#8220;<em>It seems to me that I discover my thoughts through the act of writing, <strong>in</strong> the act of writing. Occasionally, a piece comes out perfectly, but more often my writings need extensive pruning and editing because I may express the same thought in many different ways. I can get waylaid by tangential thoughts and associations in mid-sentence, and this leads to parentheses, subordinate clauses, sentences of paragraphic length. I never use one adjective if six seem to me better and, in their cumulative effect, more incisive. I am haunted by the density of reality and try to capture this with (in Clifford Geertz's phrase) &#8220;thick description.&#8221; All this creates problems of organization. I get intoxicated, sometimes, by the rush of thoughts and am too impatient to put them in the right order. But one needs a cool head, intervals of sobriety, as much as one needs that creative exuberance.</em>&#8221; </p><p><em>&#8220;Tenho a impress&#227;o de que descubro meus pensamentos por meio do ato de escrever, <strong>no pr&#243;prio</strong> ato de escrever. Ocasionalmente, um texto sai perfeito, mas, na maioria das vezes, meus escritos exigem um trabalho extenso de poda e edi&#231;&#227;o, porque posso expressar a mesma ideia de muitas maneiras diferentes. Posso me perder em pensamentos e associa&#231;&#245;es tangenciais no meio de uma frase, o que leva a par&#234;nteses, ora&#231;&#245;es subordinadas e frases de extens&#227;o paragr&#225;fica. Nunca uso um adjetivo se seis me parecem melhores e, em seu efeito cumulativo, mais incisivos. Sou assombrado pela densidade da realidade e tento captur&#225;-la com o que Clifford Geertz chamou de &#8216;descri&#231;&#227;o densa&#8217;. Tudo isso cria problemas de organiza&#231;&#227;o. &#192;s vezes me deixo embriagar pelo fluxo de pensamentos e fico impaciente demais para coloc&#225;-los na ordem certa. Mas &#233; preciso ter a cabe&#231;a fria, momentos de sobriedade, tanto quanto essa exuber&#226;ncia criativa.&#8221;</em></p></blockquote><div><hr></div><p><strong>O jeito sens&#237;vel e aut&#234;ntico de Oliver Sacks de contar sua hist&#243;ria me conquistou; o texto &#233; intercalado com fascinantes relatos de descobertas sobre o c&#233;rebro e certas doen&#231;as neurol&#243;gicas, e revela conex&#245;es inesperadas entre emo&#231;&#227;o, raz&#227;o, o mundo tang&#237;vel e as rela&#231;&#245;es humanas. Se voc&#234; tem um tiquinho de interesse em saber como a mente funciona, talvez goste deste e de outros livros do autor. </strong></p><p><em><strong><a href="https://a.co/d/08Ya0z4s">Alucina&#231;&#245;es musicais</a></strong></em><strong> e </strong><em><strong><a href="https://a.co/d/0gw11TN7">O homem que confundiu sua mulher com um chap&#233;u</a></strong></em><strong> est&#227;o entre minhas pr&#243;ximas leituras. </strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!b4_d!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb6e9d887-ccdb-484c-87b2-f65d4fe3f98d_179x30.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!b4_d!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, 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</strong></p><p><strong><a href="https://a.co/d/01VlVPvN">The Roominghouse Madrigals</a> (2009)</strong></p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/folego-1/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/p/folego-1/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Partilhar ritmos, rastros e respiros&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Partilhar ritmos, rastros e respiros</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Gasto de madame]]></title><description><![CDATA[Invent&#225;rio de um recome&#231;o &#8212; 3]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/gasto-de-madame</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/gasto-de-madame</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Thu, 28 May 2026 09:23:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d55ff73b-3ba6-4c5c-b590-cf09ab1522e8_960x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><h5>Terceira cr&#244;nica em s&#233;rie. Para ler as anteriores, clique <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/anatomia-do-impulso">aqui (1)</a> e <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/novos-velhos-ares">aqui (2)</a>.</h5><p></p><p>Vendi o violino. Mudamos de novo, dentro do mesmo condom&#237;nio. Dessa vez, com calma e direito a reforma autoral. Do apartamento, tamb&#233;m.</p><p>Volta uma viagem aqui, outra ali. Crian&#231;as na escola. Permanecia a vontade de exp&#244;-los &#224; m&#250;sica. Fixa&#231;&#227;o ou insatisfa&#231;&#227;o interna? Encontrei outro professor querid&#237;ssimo que fazia musicaliza&#231;&#227;o infantil a domic&#237;lio. Afinal, Kai adorava tocar o viol&#227;o de brinquedo que ganhou num Natal desses. Aisha adorava dan&#231;ar e cantar. <em>Mal n&#227;o seria.</em></p><p>Deu certo por um tempo, at&#233; que n&#227;o deu mais. Ora, n&#227;o &#233; que os instrumentos s&#227;o irresist&#237;veis? <em>Pasme:</em> <em><strong>para mim</strong>.</em></p><p><em>Ser&#225; que... consigo aprender viol&#227;o? Mana, sua louca. Vai fundo.</em></p><p>Nessa altura, a promessa, e o sonho, pareciam distantes. Viol&#227;o cl&#225;ssico &#233; dif&#237;cil; comecemos ent&#227;o com o popular. <em>Eu chego l&#225;, no meu tempo.</em></p><p>Instrumento recebido, check. Agora n&#227;o era mais o arco que produzia o som. O dedilhado diferente exigia uma nova configura&#231;&#227;o mental e motora. Confus&#227;o superada, a pr&#243;xima miss&#227;o era gravar onde a falange distal deveria apertar as cordas entre os trastes<sup>1</sup> para tocar certa nota. Depois outra. At&#233; nascer um fragmento de can&#231;&#227;o. E outro. As pontas dos dedos sofrem, mas perduram. Um dia, calejar-se-&#227;o. De um desempenho terr&#237;vel, alcan&#231;a-se um regular ao longo de semanas e semanas. Depois de alguma pr&#225;tica, coordenam-se c&#233;rebro-m&#227;os-boca. Ainda desafinados, meus tr&#234;s peda&#231;os tentam reproduzir as <a href="https://open.spotify.com/track/2FHHmwpksVebKcquX3QMdF?si=vv7MIKalSiiVzA3X8E_I3Q">pequenas e grandes obsess&#245;es de Waly Salom&#227;o, Jards Macal&#233; e O Rappa.</a></p><p>M&#250;sica mais apropriada n&#227;o havia. Pratiquei, evolu&#237;. A fam&#237;lia curtiu. Eu curti.</p><p>Seis meses de aulas, at&#233; que... o trabalho me engoliu. Ou melhor, essa foi uma das desculpas que usei em meu bene(male)f&#237;cio.</p><p>A vida, ah, a vida. &#192;s vezes, ela fica completamente fora de sincronia. O &#8220;novo normal&#8221; exigiu tempo e energia para colocar o &#8216;normal&#8217; no lugar. No processo apareceu... a culpa. <em>&#201; f&#250;til. Sup&#233;rfluo. Perda de tempo. Gasto de madame. </em>Logo para mim, que postava v&#237;deo sobre o valor da arte. Que fazia curso sobre arte. Que tenho m&#227;e pintora e filha apaixonada por arte. Nesse caso, medita&#231;&#227;o n&#227;o ajuda; s&#243; muita terapia.</p><p>Aula cancelada. <em>Amanh&#227; eu toco.</em></p><p>N&#227;o toco.</p><p>O viol&#227;o n&#227;o tem lugar para ficar na sala. <em>Se ficar &#224; vista, eu toco.</em></p><p>Compro um suporte.</p><p>N&#227;o toco.</p><p>Pronto, fica at&#233; bonito como decora&#231;&#227;o.</p><p>Ficou.</p><p>De enfeite.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!8QoL!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8a77a10c-4633-46c5-817d-5b401a4ba3f0_929x1280.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!8QoL!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, 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Vindo para c&#225;, a p&#233;, enfrentando vento e chuva inc&#244;modos, lembrei-me de quando sa&#237;a de casa em Toronto, debaixo de frio e neve intensos, s&#243; para ver gente, estar na rua. Frequentava caf&#233;s com menos assiduidade, pois o or&#231;amento de estudante n&#227;o permitia tal luxo. Procurando <em>e-mails </em>daquela temporada, encontro uma p&#233;rola:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!pv4k!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc2782d8b-ffc8-4ea8-a746-925c54574be9_1600x645.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!pv4k!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc2782d8b-ffc8-4ea8-a746-925c54574be9_1600x645.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!pv4k!, /__u/daianastolf.substack.com/w_848, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, 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cient&#237;fica, eu pleiteava uma carta de recomenda&#231;&#227;o para um passo diferente que intu&#237;a ser o ideal. Num lapso de sinceridade e inoc&#234;ncia, escrevi para minha poss&#237;vel recomendadora: <em>Aprendi que n&#227;o basta gostar do que se faz; &#233; preciso <strong>amar </strong>essa atividade para ser o melhor. &#201; a &#250;nica maneira de se engajar de verdade, com mente e cora&#231;&#227;o, e o sucesso ser&#225; consequ&#234;ncia.</em></p><p>Guardadas as devidas propor&#231;&#245;es de uma decis&#227;o profissional e um hobby <em>sem import&#226;ncia</em><sup>2</sup>, talvez eu n&#227;o amasse o viol&#227;o o suficiente.</p><p>Ou talvez fosse mais complexo do que isso.</p><p>No fundo, ele era s&#237;mbolo: o que queria aflorar j&#225; existia h&#225; muito em mim. Mas foi calado em prol de estudo, carreira, vida fora do pa&#237;s. A cientista de outrora que n&#227;o se permitia ser artista. N&#227;o encontrava o tom. Essa vers&#227;o n&#227;o cabia no meu mundo. Ainda.</p><p>A semente ficou enterrada, mas viva. Abri m&#227;o das aulas de viol&#227;o, mas n&#227;o da promessa: um dia, o prel&#250;dio da suite n&#250;mero 1 de Bach haveria de brotar. </p><p><em><strong><a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/o-imigrante-que-ainda-nao-pertence">Continua...</a></strong></em></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!VsCR!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0c2aceca-c8f1-45e3-98fd-a6eae5e913eb_179x30.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!VsCR!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, 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coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/p/gasto-de-madame/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Novos velhos ares]]></title><description><![CDATA[Invent&#225;rio de um recome&#231;o &#8212; 2]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/novos-velhos-ares</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/novos-velhos-ares</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Thu, 21 May 2026 09:16:02 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b995415d-bd61-4310-b972-9afbb3e7f7ab_1280x960.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h5>Segunda cr&#244;nica em s&#233;rie &#8211; para ler a primeira, clique <strong><a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/anatomia-do-impulso">aqui</a></strong>.</h5><p></p><p>Cinco dias inteiros em puro estado de desapego. Ora nost&#225;lgico, ora conformado, ora sensato.</p><p>Ficaram a poltrona de amamenta&#231;&#227;o, a cadeira de alimenta&#231;&#227;o infantil, alguns livros, quadros e enfeites: doados. Ficou a papelada antiga, in&#250;til: eliminada.</p><p>Ficaram pessoas queridas. Em vez de abra&#231;os, bra&#231;os vazios. O toque estava proibido, mas as emo&#231;&#245;es &#8212; essas ningu&#233;m poderia vetar. Restaram olhares marejados, acenos de m&#227;o e a esperan&#231;a de um at&#233; logo. <em>Por favor, amigos, n&#227;o fiquemos doentes. N&#227;o desapare&#231;amos.</em></p><p>Mais oito horas e meia de estrada. Sil&#234;ncios, lanchinhos, cantorias, ansiedade. M&#225;scaras e &#225;lcool gel a cada parada. Finalmente, a placa: o limite entre estados iluminou as pupilas. Eu, que sempre gostei de ultrapassar fronteiras desconhecidas, senti al&#237;vio. Esses limites eu conhe&#231;o, e &#233; do familiar que precisamos agora.</p><p>Chegamos &#224; cidade natal. No novo-velho apartamento, no novo-velho bairro. Com expectativas abundantes e certezas nulas, come&#231;amos o processo inverso: desempacotar. Entocados.</p><p>Meses de confus&#227;o, dist&#226;ncias e tentativas de manter a coluna ereta e o f&#244;lego desimpedido. Duas pequenas criaturas demandando aten&#231;&#227;o; dois adultos em modo trabalho remoto e sobreviv&#234;ncia. Enquanto as not&#237;cias assustavam, brincar com corante aliment&#237;cio em papel-toalha e plantar feij&#227;o no algod&#227;o trouxeram al&#237;vio tempor&#225;rio. Estimular a leitura e ensinar o alfabeto preencheram a sensa&#231;&#227;o de que o tempo passava devagar demais. Um pouco. Porque tudo acontecia no meio de um caos. Fora e dentro da minha cabe&#231;a.</p><p>Passei por cima de sentimentos em prol da produtividade e da necessidade de ter algum controle. Aqueles que restavam &#8212; porque humana eu ainda era &#8212; me davam for&#231;as para criar momentos leves e diminuir o tempo de tela. Cor, papel, terra: o amor no que &#233; simples.</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/145e7d7f-ba79-41d9-9bb6-56176ad6b0b6_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0a498e41-d432-4ec4-9e81-f0d2689b789b_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/664b3172-babc-4d9a-b62a-5a171689af31_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5194f794-97e4-4b99-8fbc-e625f7f91c54_1280x960.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b108746c-099e-4292-bd51-14fce708df84_1280x960.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b7444276-2078-4ee2-acbc-e1dc1c76bac8_830x1280.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;retratos de uma pandemia | Fotos: Arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0e07ddd6-7912-40a1-8e6c-276b91ed68bd_1456x964.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>Mas vivia em mim a vontade de expor as crian&#231;as &#224; m&#250;sica. Minha inf&#226;ncia e adolesc&#234;ncia estudando piano, a fixa&#231;&#227;o por melodias, letras, clipes da MTV, o curso do Werner. Motivada por uma vizinha que fazia aulas de violino, experimentaram. N&#227;o se engajaram. Ent&#227;o escutei a voz interior. Tomei coragem: o desejo, afinal, era meu.</p><p>Aulas online; uma professora querid&#237;ssima. Instrumento recebido, check. Posicionamento dos dedos nas cordas, check. Entendimento do m&#233;todo Suzuki, check. Algum controle, afinal. Ou nenhum: havia contentamento, mas tamb&#233;m vulnerabilidade. A necessidade de desapegar. De novo: agora, da perfei&#231;&#227;o. &#201; imposs&#237;vel ser perfeito no estado de principiante.</p><p>O aprendiz precisa ser humilde. Encontrar motiva&#231;&#227;o no progresso lento e err&#225;tico, aqui e agora, apesar da desordem interna, externa, da casa, do mundo, mirando o sonho: a su&#237;te n&#250;mero 1 de Bach, no livro 4.</p><p>Mas o caos, ah, o caos. &#192;s vezes, ele tem um poder desnorteante. Uma aula reagendada, duas, tr&#234;s. Outra aula cancelada, quatro, o m&#234;s todo. No pesco&#231;o, dores cr&#244;nicas. No pulso, desconforto. O corpo sabe? Na pr&#225;tica, um violino encostado. No inconsciente, um sentimento de insufici&#234;ncia. Culpa? Assunto para terapia, talvez. Ou apenas para uma medita&#231;&#227;o em sil&#234;ncio.</p><p>Desisti das li&#231;&#245;es, da professora querid&#237;ssima, do fasc&#237;nio pelo som delicado do violino. A melodia era desafinada, mas intencional.</p><p>Algo estava fora do tom.</p><p>Mas da promessa, e do sonho, n&#227;o desapeguei.</p><p><em><strong><a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/gasto-de-madame">Continua...</a></strong></em></p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/novos-velhos-ares/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/p/novos-velhos-ares/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Anatomia do (im)pulso]]></title><description><![CDATA[Invent&#225;rio de um recome&#231;o &#8212; 1]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/anatomia-do-impulso</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/anatomia-do-impulso</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Tue, 12 May 2026 09:01:35 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9dc79909-776e-47f9-b042-b869730c9e3e_1024x768.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>S&#227;o Paulo, 11 de maio de 2020.</p><p>O mundo est&#225; diferente. A sala, de cabe&#231;a para baixo. As crian&#231;as, vidradas na TV.</p><p>A exce&#231;&#227;o virou regra naquele dia (ano?).</p><p>Seguro uma ta&#231;a de vinho e permito-me assistir ao curso <a href="https://hotmart.com/pt-br/marketplace/produtos/arte-e-desenvolvimento-pessoal/B27511423F">Arte e Desenvolvimento Pessoal</a> do maestro <a href="https://www.instagram.com/werner_silveira/">Werner Silveira</a> no computador. A mente, ansiosa, perambula pelos &#250;ltimos acontecimentos antes de se concentrar na tela.</p><p>Cercas f&#237;sicas e psicol&#243;gicas confinaram. M&#225;scaras calaram.</p><p>No meio da incerteza, voltamos &#224; terra natal para esperar. E entender.</p><p>Em dois meses, a esperan&#231;a cansou, o entendimento se embara&#231;ou e, mesmo na d&#250;vida, decidimos: em 5 dias, fechar o apartamento no sudeste e recome&#231;ar. No sul.</p><p>A viagem que antes seria feita em 50 minutos pelos c&#233;us durou mais de 8 horas pelo ch&#227;o. Presas ao cinto de seguran&#231;a, mas livres no esp&#237;rito, as crian&#231;as de 2 e 4 anos brincaram, tiraram sonecas e fizeram muitos lanchinhos durante o percurso. Na medida do poss&#237;vel, explicamos a aventura.</p><p>Chegamos a S&#227;o Paulo. A cidade que n&#227;o sossega escondia desesperos no sossego de avenidas vazias e portas fechadas.</p><p>No ex-futuro apartamento, arm&#225;rios foram esvaziados sem demora. Documentos trouxeram &#224; tona momentos especiais do passado. O cheque do aluguel na Allegheny Drive, em Winnipeg &#8211; minha primeira casa longe de casa. Os recadinhos carinhosos depois de uma viagem divertida com minhas irm&#227;s, quando j&#225; residia em outro pa&#237;s. O mapa desenhado &#224; m&#227;o, com instru&#231;&#245;es para chegar ao albergue em Bangkok, e o planejamento das li&#231;&#245;es de ingl&#234;s para os alunos do M1 em Chiang Mai &#8211; minha oitava casa longe de casa. Rel&#237;quias que, agora, permanecer&#227;o apenas nas lembran&#231;as e nas fotos digitais.</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e951e39a-de4c-4a4a-b7a2-752551fb6c53_720x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3f90de8b-1a11-492e-b9cb-9a166d16ba1f_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2e941fcf-fc6c-4389-9536-6eb2af575b2a_960x1280.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;rastros | Fotos: Arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c2e6b61c-8591-48eb-90f2-70647c0a3df2_1456x474.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p>Ao fim de um dia cansativo, os livros espalhados pela mesa anunciavam mais uma pequena grande escolha: o que fica, o que vai? N&#227;o havia mais energia. O vinho e o curso eram necess&#225;rios para descomprimir corpo e mente.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!dlBl!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fbfd40346-d659-47c8-ad89-3864dc447b86_1024x768.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!dlBl!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fbfd40346-d659-47c8-ad89-3864dc447b86_1024x768.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!dlBl!, /__u/daianastolf.substack.com/w_848, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, 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burgu&#234;s do s&#233;culo XVIII, em Leipzig. Atenta &#224; genialidade de Johann Sebastian Bach, mergulho em seu mundo de s&#237;mbolos e perfei&#231;&#227;o matem&#225;tica que se une &#224; est&#233;tica dos sons. A conson&#226;ncia do C&#226;none Caranguejo com a Fita de M&#246;bius<sup>1</sup> que parecia explicar a exist&#234;ncia colidiu com o meu descompasso interno.</p><p>N&#227;o previ o que sentiria ao ouvir o prel&#250;dio da primeira su&#237;te de violoncelo solo, tocada no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=cGnZHIY_hoQ">original</a> e, em seguida, no <a href="https://www.youtube.com/watch?v=pGipFrts650">viol&#227;o</a>.</p><p>No momento em que a vibra&#231;&#227;o das cordas se transformou na melodia suave, chorei.</p><p>.</p><p>Um choro de cansa&#231;o, mas de al&#237;vio. A m&#250;sica organizou e juntou os cacos da ponte para o que &#233; humano, &#237;ntimo; para o ser. Sem m&#225;scaras.</p><p>A meia-luz da sala disfar&#231;ou meu rosto molhado, e ningu&#233;m percebeu.</p><p>Seco as l&#225;grimas, desligo o computador e prometo: aprenderei a tocar a su&#237;te n&#250;mero 1 de Bach.</p><p>Tudo (re)come&#231;a com o sentir. E nisso, sou &#8211; somos &#8211; mestres.</p><p><em><strong><a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/novos-velhos-ares">Continua...</a></strong></em></p><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z0gl!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe02c33f0-47a0-4f5e-bbd5-a25282a8ede0_179x30.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z0gl!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe02c33f0-47a0-4f5e-bbd5-a25282a8ede0_179x30.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z0gl!, /__u/daianastolf.substack.com/w_848, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe02c33f0-47a0-4f5e-bbd5-a25282a8ede0_179x30.png 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z0gl!, /__u/daianastolf.substack.com/w_1272, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe02c33f0-47a0-4f5e-bbd5-a25282a8ede0_179x30.png 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z0gl!, /__u/daianastolf.substack.com/w_1456, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe02c33f0-47a0-4f5e-bbd5-a25282a8ede0_179x30.png 1456w" sizes="100vw"><img src="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z0gl!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe02c33f0-47a0-4f5e-bbd5-a25282a8ede0_179x30.png" width="127" height="21.28491620111732" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e02c33f0-47a0-4f5e-bbd5-a25282a8ede0_179x30.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:30,&quot;width&quot;:179,&quot;resizeWidth&quot;:127,&quot;bytes&quot;:5707,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/i/197037727?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe02c33f0-47a0-4f5e-bbd5-a25282a8ede0_179x30.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z0gl!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_auto, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe02c33f0-47a0-4f5e-bbd5-a25282a8ede0_179x30.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z0gl!, /__u/daianastolf.substack.com/w_848, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_auto, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe02c33f0-47a0-4f5e-bbd5-a25282a8ede0_179x30.png 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z0gl!, /__u/daianastolf.substack.com/w_1272, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_auto, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe02c33f0-47a0-4f5e-bbd5-a25282a8ede0_179x30.png 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z0gl!, /__u/daianastolf.substack.com/w_1456, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_auto, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe02c33f0-47a0-4f5e-bbd5-a25282a8ede0_179x30.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div></div></div></a></figure></div><p><strong>Posf&#225;cio: O C&#226;none e a Fita</strong></p><p>O <strong><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xUHQ2ybTejU">C&#226;none Caranguejo</a></strong> de Bach &#233; uma estrutura musical que pode ser tocada de frente para tr&#225;s e de tr&#225;s para frente ao mesmo tempo, mantendo a harmonia perfeita. Ele &#233; a representa&#231;&#227;o sonora da <strong><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-45659225">Fita de M&#246;bius</a></strong> &#8212; uma superf&#237;cie que desafia a l&#243;gica por ter apenas um lado. Se caminhar sobre ela, voc&#234; passar&#225; pelo avesso e pelo direito sem nunca cruzar uma borda. A descri&#231;&#227;o matem&#225;tica da Fita de M&#246;bius ocorreu 111 anos <strong>depois</strong> da publica&#231;&#227;o do c&#226;none de Bach, que faz parte da obra <em>A Oferenda Musical (1747)</em>.</p><p>&#192;s vezes a vida opera na geometria oposta, como naquele 11 de maio&#8230;</p><p style="text-align: right;"><em>o desmonte da morada..............o alicerce da partitura,</em></p><p style="text-align: right;"><em>o desarranjo do agora..............o arranjo que nos escora,</em></p><p style="text-align: right;"><em>a harmonia resgata..............o desconcerto da alma.</em></p><p style="text-align: right;"></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/anatomia-do-impulso/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/p/anatomia-do-impulso/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p style="text-align: right;"></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A escrita sobrevive]]></title><description><![CDATA[Sem pressa e sem promessas]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/a-escrita-sobrevive</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/a-escrita-sobrevive</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Thu, 16 Apr 2026 09:31:01 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/390d24df-6b64-4c52-aab1-9f35b24ca902_1280x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Era uma vez uma escritora amadora. Percebeu sua habilidade, e paix&#227;o, ainda menina, quando come&#231;ou a escrever di&#225;rios. No entanto, restringia-se por vergonha, ao imaginar que outras pessoas da fam&#237;lia pudessem descobrir seus &#8220;segredos&#8221;.</p><p>Adolescente, dedicava-se por horas ao compor reda&#231;&#245;es na escola e no cursinho. Perdia-se: escrevia um rascunho, depois outro, rabiscava frases, encontrava sin&#244;nimos. Tinha dificuldade de aceitar que um texto pudesse n&#227;o ficar bom; demorou a perceber que o importante era escrever &#8212; <strong>de novo, e de novo</strong> &#8212; para ent&#227;o melhorar. Ficou toda boba quando a professora do cursinho, exigente, elegeu seu texto para ler em sala de aula como exemplo de argumenta&#231;&#227;o bem constru&#237;da.</p><p>Na faculdade da &#225;rea da sa&#250;de, encantou-se com a pesquisa acad&#234;mica, na qual investigar assuntos t&#233;cnicos e escrever artigos cient&#237;ficos a desafiava. J&#225; formada, abandonou a pr&#225;tica cl&#237;nica e mergulhou na ci&#234;ncia b&#225;sica &#8212; campo que exigia experimentos de laborat&#243;rio e, novamente, leitura e escrita t&#233;cnica. At&#233; que esse caminho n&#227;o lhe pareceu mais promissor. <strong>Mudou, mas, como n&#227;o poderia ser diferente, a escrita continuou em sua vida.</strong> No meio do estresse de uma transi&#231;&#227;o de carreira, escrevia textos po&#233;ticos. No fim, virou mentora de candidatos a p&#243;s-gradua&#231;&#245;es no exterior, onde 80% do seu tempo &#233; dedicado a ler e a revisar reda&#231;&#245;es sobre a vida de outras pessoas.</p><p>A escrita, indiretamente, foi &#8212; &#233; &#8212; parte de sua carreira. Mas aquela voz apaixonada, que chega sem an&#250;ncio, nunca a deixou em paz. Em &#233;pocas intuitivas e inspiradoras, chega a sonhar com passagens que &#8220;deveriam&#8221; ser escritas. J&#225; perdeu as contas de quantas ideias foram parar no limbo m&#225;gico do universo por terem se esva&#237;do ao acordar. Mas elas continuam chegando, apesar de, &#224;s vezes, demorarem demais. A autocr&#237;tica, nesses momentos, chama-a de escritora fracassada. &#192;s vezes, escreve e guarda &#8211; no computador ou em cadernos espalhados por a&#237;, sem nenhuma organiza&#231;&#227;o. Caos. De vez em quando, esbarra em um texto antigo.</p><p></p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e0e7a6a5-cd32-4311-9f56-d5d8e72c7625_960x1280.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Escrever para se entender. | Fonte: Arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e0e7a6a5-cd32-4311-9f56-d5d8e72c7625_960x1280.jpeg&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p><p>A coragem de realizar uma volta ao mundo em fam&#237;lia respingou na coragem de mostrar seus escritos nesta newsletter. Retratou uma realidade diferente e interessante, que atraiu leitores queridos. Ao retornar, experimentou escrever sobre assuntos diversos. <strong>Uma reorganiza&#231;&#227;o interna, que culminou na volta aos estudos de piano depois de 29 anos e na insist&#234;ncia nos treinos de corrida, exigiu sil&#234;ncio para reflex&#227;o e entendimento de seu eixo motriz.</strong></p><p>Estas linhas apareceram em sua mente num domingo de manh&#227;, junto a um esfor&#231;o de come&#231;ar o ano de 2026 elaborando melhor seus objetivos e pensamentos, em meio &#224; falta de rotina das f&#233;rias escolares dos filhos. Iniciou uma esp&#233;cie de<em> bullet journal </em>para acompanhar suas a&#231;&#245;es, e a escrita fora do trabalho apareceu como um h&#225;bito a ser estimulado. Resolveu escrever para si mesma, como um manifesto &#224; sua mente ca&#243;tica de que, quem sabe, valha compartilhar suas &#8220;viagens&#8221; &#8212; as f&#237;sicas e as mentais.</p><p>Talvez a vergonha da menininha que escrevia no seu di&#225;rio ainda persista l&#225; no fundo; talvez o que foi dito aqui s&#243; deixe claro que ela precisa insistir na terapia, apesar das v&#225;rias tentativas frustradas. O problema, ou a solu&#231;&#227;o, &#233; que escrever tamb&#233;m &#233; terapia.</p><p><strong>Estamos em abril</strong>, e este texto estava guardado no seu computador &#8211; mais um deles &#224; espera de ser libertado. Que ironia.</p><p>Que, daqui para frente, a referida escritora tenha a serenidade necess&#225;ria para aceitar suas verdades, a coragem para exp&#244;-las nesta newsletter e a sabedoria para distinguir o que deve ser ou n&#227;o publicado.</p><p>Publico hoje como um marco de recome&#231;o. Em breve, esta newsletter ter&#225; um novo nome: <strong>ritmos, rastros e respiros</strong>.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Vida em Bali com crianças: porquês, dilemas e dicas]]></title><description><![CDATA[Ou: Pequeno survival guide]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/vida-em-bali-com-criancas-porques</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/vida-em-bali-com-criancas-porques</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Fri, 24 Oct 2025 09:30:39 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!s9Tf!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F91e83eb3-f009-4b11-9ae1-9a9676c9f8e5_1600x1200.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Chamo de viagem estendida, pois sab&#225;tico tem uma conota&#231;&#227;o pr&#243;xima de f&#233;rias ou pausa do trabalho. N&#227;o foi o caso: eu, aut&#244;noma desde 2012, j&#225; estava acostumada a trabalhar sem rotina e de qualquer lugar; <a href="https://www.negociosdofuturo.co/">Alex</a>, se aventurando como n&#244;made digital, se adaptou r&#225;pido. O momento era perfeito: um casal nos seus 40 anos rec&#233;m-completados com rara liberdade geogr&#225;fica e um sonho antigo que calhou de ser realizado com filhos de 5 e 7 anos.</p><h4><strong>T&#225;, mas... por que Bali?</strong></h4><p><strong>Bali nos era conhecida h&#225; tempos.</strong> Nossas primeiras incurs&#245;es, h&#225; mais de 12 anos, como mochileiros e sem crian&#231;as, significavam aventura total: saindo de Kuta e Seminyak, cidades que o turismo de massa j&#225; havia estragado, quase tudo era aut&#234;ntico. <strong>Viam-se amostras da cultura local por todos os cantos.</strong> N&#227;o era raro encontrar idosas com os seios &#224; mostra carregando frutas e trouxas na cabe&#231;a, e nem mulheres lavando roupas em riachos. Facilmente esbarr&#225;vamos em cerim&#244;nias religiosas nos templos e era preciso rodar bastante para encontrar caf&#233;s no estilo ocidental. A natureza paradis&#237;aca atra&#237;a surfistas de todo canto, especialmente para o sul da ilha (Uluwatu), e nos deixava sem f&#244;lego pela diversidade: <strong>de vulc&#245;es a praias cristalinas, de florestas densas a partes mais &#225;ridas, de campos de arroz infinitos a planta&#231;&#245;es de caf&#233;, as paisagens eram incr&#237;veis, integradas aos vilarejos tradicionais.</strong> O gosto est&#233;tico do povo, traduzido na arquitetura magn&#237;fica e nas decora&#231;&#245;es naturais, impressionava. Como &#250;nico reduto hindu&#237;sta no pa&#237;s mu&#231;ulmano, os balineses viviam em forte comunh&#227;o entre si e eram gentis ao extremo com os viajantes.</p><p><strong>Essas visitas a Bali se somaram a uma mentalidade aberta que desenvolvemos ao estudar e trabalhar no exterior por nove anos, com todos os seus benef&#237;cios e perrengues.</strong> A exposi&#231;&#227;o &#224; diversidade de culturas e a modos diferentes de pensar e de funcionar em novos pa&#237;ses nos moldou de maneira definitiva. Na &#233;poca, descobrimos que era poss&#237;vel manter os gastos baixos (at&#233; porque era o &#250;nico jeito de viajar) e o n&#237;vel de aprendizado e encantamento alto. Andar at&#233; quase fazer calo sempre foi nosso jeito preferido de explorar, usando os livros do <a href="https://www.lonelyplanet.com/">Lonely Planet</a> como guia. Os pesados volumes forneciam mapas e opini&#245;es de outros viajantes sobre atividades, alojamentos e restaurantes. Ficar em albergues, al&#233;m de barato, propiciava encontros &#250;nicos e dicas de como explorar os lugares de forma genu&#237;na. Em Bali, isso significava escolher acomoda&#231;&#245;es na casa dos locais &#8211; os chamados <em>homestays</em>. <strong>Um peda&#231;o do </strong><em><strong>family compound</strong></em><strong>, formado por v&#225;rias pequenas constru&#231;&#245;es, era destinado a receber estrangeiros. No p&#225;tio central aberto a vida familiar acontecia e se misturava aos viajantes.</strong> De vez em quando, tamb&#233;m aproveit&#225;vamos o luxo de hot&#233;is internacionais ou <em>boutique</em>, que tinham bom custo-benef&#237;cio.</p><p>Corta para 2023. O sonho de experienciar um ano diferente, mostrar o mundo aos filhos e incutir neles nossa filosofia de vida foi decisivo para a partida. S&#243; que, dessa vez, a aventura exigiria bem mais responsabilidade e planejamento.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/91e83eb3-f009-4b11-9ae1-9a9676c9f8e5_1600x1200.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5f6c1b20-d2c5-4b48-9104-f06026b18cd4_1293x1200.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2c9aa3c3-1e47-4479-83d0-2abfd973ee96_1600x1200.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/86f91eb1-eed6-4c59-ab17-e6f7359cd058_1600x1200.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c53f14af-630d-4b0c-a461-58e66af05df0_1600x1200.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0292d903-2e93-4140-b9a6-0f7bb85f770c_1600x1200.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/045211cc-df75-471a-b61c-015754d1309d_1600x1200.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;De cima para baixo, da esquerda para a direita: 1. \&quot;X&#243;vens\&quot; cheios de col&#225;geno em meio aos campos de arroz de Canggu; 2. Desde aquela &#233;poca recolhendo lixo da praia; 3. Graffiti &#224; beira-mar; 4. Caf&#233; da manh&#227; em uma homestay; 5. e 6. Recadinho em Dreamland Beach; 7. Canggu em 2013. Fotos: Arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/cca32f58-da9d-48ac-ac10-7fa8505e7775_1456x1946.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p><h4><strong>Riscos e dicotomias &#8211; escolha o seu lado</strong></h4><p><strong>A vis&#227;o rom&#226;ntica de Bali permanecia, mas sab&#237;amos que perrengues fazem parte da experi&#234;ncia.</strong> No passado, presenciamos praias assustadoramente imundas (sem exagero) e nos vimos em situa&#231;&#245;es um pouco... arriscadas. Foram algumas noites em claro tanto antes como depois da decis&#227;o, por um motivo simples: agora t&#237;nhamos como companheiros de viagem duas vidas preciosas, as dos meus filhos.</p><div><hr></div><blockquote><p>Tem praia cristalina, mas tem lixo por toda parte</p><p>Tem paisagem diferente, mas tem passeio arriscado</p><p>Tem lugares inexplorados, mas tem vilarejos tomados por <em>bule</em> desrespeitosos e experi&#234;ncias zero aut&#234;nticas</p><p>Tem balineses puros e extremamente simp&#225;ticos e agrad&#225;veis &#8211; sim, com essa &#234;nfase &#8211;, mas tem outros tomados por mal&#237;cia</p><p>Tem turismo consciente, mas tem balin&#234;s em situa&#231;&#227;o de mis&#233;ria tentando apenas garantir o sustento da fam&#237;lia, ainda que &#224;s custas de explorar o turista ou viajante</p></blockquote><div><hr></div><p><strong>Portanto, a palavra-chave foi planejamento, mas com abertura e jogo de cintura para lidar com imprevistos.</strong></p><p>Depois de muito pesquisar, escolhemos a <strong>escola</strong> onde as crian&#231;as iriam estudar (<a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/autoconsciencia-empreendedorismo">veja aqui</a>). A partir da&#237;, <strong>mapeamos acomoda&#231;&#245;es</strong> &#8211; n&#227;o sem antes alugar um Airbnb numa localiza&#231;&#227;o central para explorar as op&#231;&#245;es presencialmente. Ao mesmo tempo, chequei quais eram os <strong>hospitais confi&#225;veis</strong>, com padr&#227;o internacional (j&#225; adianto: eles se concentram em Denpasar, onde tamb&#233;m fica o aeroporto. Dependendo de onde voc&#234; est&#225; na ilha, o acesso pode demorar). O problema n&#227;o &#233; a falta de cl&#237;nicas &#8211; existem muitas &#8211;, mas sim a qualidade do atendimento e os pre&#231;os exorbitantes cobrados dos <em>bule </em>(&#8220;forasteiro&#8221; em <em>bahasa</em>, a l&#237;ngua local). Felizmente n&#227;o tivemos nenhum acidente grave. O mais s&#233;rio foi um corte na cabe&#231;a do Kai que precisou de sutura, mas seguimos a indica&#231;&#227;o de pais e professores estrangeiros da<em> Wood School</em> e encontramos um pronto-atendimento grande e confi&#225;vel por perto (estar em Ubud, uma cidade relativamente grande e central, ajudou). </p><p><strong>No quesito sa&#250;de, &#233; &#250;til saber que a doen&#231;a raiva n&#227;o &#233; erradicada, ent&#227;o cachorros de rua e animais selvagens (principalmente macacos, encontrados em parques e trilhas, mesmo urbanas) podem transmiti-la.</strong> Foi mordido? N&#227;o deixe de tomar a vacina antirr&#225;bica. A escola das crian&#231;as era rodeada de mato, ent&#227;o vez ou outra eles encontravam cobras e aranhas intimidantes. Nesses casos, um professor especialista no assunto era chamado para identificar e lidar com os bichos. O tr&#226;nsito &#233; ca&#243;tico e voc&#234; fica ref&#233;m dele, pois as ruas s&#227;o estreitas e a locomo&#231;&#227;o &#233; demorada. O &#8220;Uber&#8221; de l&#225; est&#225; dispon&#237;vel por meio de duas empresas: Gojek e Grab, com op&#231;&#227;o de carro ou moto. Os motoristas demoram para responder, e os apps n&#227;o funcionam direito. Suba na garupa de uma moto dessas e prepare-se para manobras arriscadas e aquela &#8220;costura&#8221; b&#225;sica no tr&#226;nsito. Para minha &#8220;tristeza&#8221;, n&#227;o tive escolha: me rendi &#224; moto para ter mais agilidade (<a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/certezas-de-araque">no caso, virei motoqueira</a>). Com duas aulas r&#225;pidas no curr&#237;culo, me arrisquei por caminhos muitas vezes enjambrados, atalhos perigosos e zero organiza&#231;&#227;o e sinais claros de tr&#226;nsito. Foi um teste de flexibilidade e resili&#234;ncia. <strong>A gente se acostuma, e aprende que precisa entrar na dan&#231;a maluca dos locais para navegar o dia a dia com o m&#237;nimo de proveito.</strong></p><p><strong>Tudo isso faz parte da experi&#234;ncia.</strong> As preocupa&#231;&#245;es di&#225;rias da vida no Brasil tomaram outras formas, j&#225; que as amea&#231;as locais eram diferentes. Com crian&#231;as, o padr&#227;o da viagem inevitavelmente se eleva &#8211; especialmente em termos de seguran&#231;a. Mas nem tudo est&#225; sob nosso controle. Por mais que nos esfor&#231;&#225;ssemos para evitar perrengues, eles tiveram, sim, que encarar alguns. Um exemplo: mais de tr&#234;s horas dentro de um barco apertado, lotado e quente na travessia das Ilhas Gili (Lombok) de volta a Sanur (Bali). Era vis&#237;vel que a capacidade m&#225;xima da embarca&#231;&#227;o havia sido ultrapassada, e a temperatura no seu interior devia estar perto de 40 graus (apesar da promessa de ar condicionado da ag&#234;ncia que vendeu o ticket). Torci do come&#231;o ao fim para que o mar n&#227;o estivesse agitado, pois sabia de acidentes graves anteriores. Tamb&#233;m duvido que haveria coletes para todos no caso de uma emerg&#234;ncia &#8211; e, pensando bem, n&#227;o haveria nem condi&#231;&#245;es de sair dali caso precis&#225;ssemos. Uma vez dentro do barco, ficamos vulner&#225;veis. Negar-se a partir e perder o ticket caro, sabendo da complica&#231;&#227;o para encontrar outra empresa com hor&#225;rios dispon&#237;veis e da grande chance de obter exatamente o mesmo servi&#231;o ruim (ou pior) n&#227;o era uma op&#231;&#227;o. <strong>Isso, no entanto, n&#227;o apagou a lembran&#231;a de nadar com dezenas de tartarugas nas praias de Gili, superar medos e aprender a usar o snorkel para ver corais e peixes coloridos lind&#237;ssimos, brincar no balan&#231;o em frente a um mar paradis&#237;aco, andar de charrete (meio de transporte local), e pedalar com confian&#231;a de uma ponta a outra da ilha sob a luz da lanterna do celular.</strong> Enquanto escrevia o texto, perguntei aos dois se lembravam do desconforto do barco. Adivinhe s&#243; a resposta: um certeiro n&#227;o!</p><p><strong>Se eu faria tudo de novo? SIM, com letras mai&#250;sculas! </strong>Os &#8220;perigos&#8221; n&#227;o devem intimidar e n&#227;o apagam as experi&#234;ncias incr&#237;veis que ficar&#227;o guardadas para sempre na mem&#243;ria.</p><p><strong>Os riscos existem, e fazemos o m&#225;ximo para mitig&#225;-los com responsabilidade. As dicotomias se mostram o tempo todo: a escolha de olhar para o feio ou para a magia &#233; sua. </strong></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/vida-em-bali-com-criancas-porques/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/p/vida-em-bali-com-criancas-porques/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/79b3b626-656d-4f7f-b536-b729e8172717_1600x1200.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f3195c4d-a917-4e18-b22d-d8d7c18e1104_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f6d3c2b5-44a9-4c14-9386-0462fd8fa5ea_960x1280.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Da esquerda para a direita: Devil's Tear, em Nusa Lembongan, h&#225; 12 anos (1) e hoje (2), com a cordinha de seguran&#231;a. 3. Recado aos forasteiros que insistem em n&#227;o usar capacete. Abaixo, amostra do tr&#226;nsito em Canggu. Fotos e v&#237;deo: Arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a5835fa5-dbb8-4b46-aa55-ce7efaf4f21e_1456x474.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><div class="native-video-embed" data-component-name="VideoPlaceholder" data-attrs="{&quot;mediaUploadId&quot;:&quot;0f7b4c2c-ba02-4d29-a88e-764e9b4f98c1&quot;,&quot;duration&quot;:null}"></div><h4><strong>Dicas</strong></h4><p><strong>Vis&#227;o geral da ilha de acordo com os locais que visitamos:</strong></p><h5><strong>Centro</strong></h5><ul><li><p><strong>Ubud:</strong> centro cultural da ilha, onde passamos mais tempo e tivemos as experi&#234;ncias mais marcantes. Rodeado por florestas densas, o entorno de Ubud ainda guarda templos, mercados e vida local genu&#237;na.</p></li></ul><h5><strong>Sul</strong></h5><ul><li><p><strong>Uluwatu (lado oeste)</strong>: surf famoso e avan&#231;ado.</p></li><li><p><strong>Nusa Dua (lado leste)</strong>: hot&#233;is de luxo com pre&#231;os &#8220;acess&#237;veis&#8221; (lux&#227;o mesmo!)</p></li></ul><h5><strong>Sudoeste</strong></h5><ul><li><p><strong>Kuta e Seminyak:</strong> dispens&#225;veis; s&#243; visite se por motivo espec&#237;fico.</p></li></ul><ul><li><p><strong>Canggu:</strong> localizada acima de Seminyak, foi nossa casa na segunda metade da viagem. Surf adequado para v&#225;rios n&#237;veis, acomoda&#231;&#245;es confort&#225;veis e muitas op&#231;&#245;es para ocidentais. J&#225; em transi&#231;&#227;o para saturar em termos de turismo n&#227;o sustent&#225;vel.</p></li><li><p><strong>Pererenan:</strong> localizada acima de Canggu, &#233; o &#8220;hit&#8221; do momento. Restaurantes imperd&#237;veis, especula&#231;&#227;o imobili&#225;ria enorme (ou seja, aluguel caro), mas ainda aut&#234;ntico.</p></li></ul><h5><strong>Oeste</strong></h5><ul><li><p><strong>Balian e regi&#227;o:</strong> ainda pouco explorada, com campos de arroz enormes e bastante vida local. Surf avan&#231;ado. Tivemos uma experi&#234;ncia &#243;tima no <a href="https://sahajasawahresort.com/">Sahaja Sawah Resort</a>. O hotel &#233; administrado por uma Funda&#231;&#227;o, ou seja, os lucros s&#227;o destinados a projetos comunit&#225;rios. Alugue uma moto l&#225; mesmo e curta a paisagem deslumbrante com planta&#231;&#245;es de arroz no caminho at&#233; a praia mais pr&#243;xima - praticamente deserta -, a menos de 10 min de dist&#226;ncia.  </p></li></ul><h5><strong>Norte</strong></h5><ul><li><p><strong>Pemuteran</strong>: experi&#234;ncia ainda aut&#234;ntica; projeto de reabilita&#231;&#227;o de corais (<a href="https://www.biorock-indonesia.com/">Biorock</a>); praia de areia preta. As crian&#231;as amaram a soltura de tartarugas pelo projeto <a href="https://reefseenbali.com/turtle-hatchery/">PENYU</a>, do Reef Seen Diver's Resort. Voc&#234; paga uma pequena taxa para apoiar a institui&#231;&#227;o, liberta tartarugas juvenis com maior chance de sobreviv&#234;ncia e ganha um certificado. Batizadas de Olivia e Ocean, as tartaruguinhas foram soltas sob desejos de uma &#8220;boa vida&#8221; (foi assim que os colegas da escola Marigold se despediram de Aisha e Kai).    </p></li></ul><h5><strong>Leste</strong></h5><ul><li><p><strong>Amed</strong>: snorkel espetacular, clima mais &#225;rido e relativamente pouco turismo. Praia de areia preta, de onde se avista o vulc&#227;o Monte Agung.</p></li></ul><ul><li><p><strong>Virgin Beach</strong>: praia paradis&#237;aca e experi&#234;ncia de camping interessante (<a href="https://share.google/BM50ZMPCih67Vipcl">Bukit Asah Bali</a>).</p></li></ul><h5><strong>Sudeste</strong></h5><ul><li><p><strong>Keramas Beach</strong>: praia de areia preta; <a href="http://komuneresorts.com/">Komune Resort &amp; Beach Club</a> com estrutura incr&#237;vel para crian&#231;as. </p></li><li><p><strong>Denpasar:</strong> aeroporto, hospitais principais, shopping malls e Departamento de Imigra&#231;&#227;o (<a href="https://maps.app.goo.gl/WV45ZSmXn9rSpWe76">Kantor Imigrasi Kelas</a>; renova&#231;&#227;o de visto). </p></li><li><p><strong>Sanur</strong>: hub para os passeios em ilhas pr&#243;ximas como as Nusas (Lembongan, Penida e Ceningan) e Gili Islands.</p><p></p></li></ul><p><strong>Considera&#231;&#245;es:</strong></p><p><strong>De restaurante a passeio de barco, sempre pesquise op&#231;&#245;es e leia cr&#237;ticas no google.</strong> &#201; f&#225;cil se deixar levar por promo&#231;&#245;es instant&#226;neas ou vendas persuasivas dos comerciantes. Fiz quest&#227;o de deixar <em>reviews </em>de servi&#231;os que gostei:</p><p>O caf&#233; sempre consistente na esquina de casa em Canggu (<a href="https://share.google/DsxollLZjqmZUfmxy">TMO Coffee Bali</a>);</p><p>A padaria que nos salvou na &#250;ltima hora com um bolo de anivers&#225;rio gostoso (<a href="https://share.google/FGipJ3UqLVKQgptIj">The Sweet Escape Bakery &amp; Caf&#233;</a>);</p><p>Devit, o querido que me ensinou a andar de moto (<a href="https://share.google/ZZub3zZbZBP66RFTA">Dea Motorbike Rental &amp; Lesson</a>). Dica: uma moto mais leve facilitou meu aprendizado. Levar duas crian&#231;as grandes na garupa (na verdade, uma na frente e outra atr&#225;s) fica mais dif&#237;cil com uma m&#225;quina menor, mas eu preferia sentir seguran&#231;a no dom&#237;nio da dire&#231;&#227;o;</p><p>O passeio de um dia inteiro que contratamos na Ilha de Flores (<a href="https://share.google/ZZub3zZbZBP66RFTA">Red Whale Dive Komodo</a>). Passamos por Padar Island, Pink Beach, Komodo National Park (onde se v&#234; o drag&#227;o-de-Komodo), Taka Makassar, Manta Point and Turtle Bay. Snorkeling impec&#225;vel. </p><p>Restaurantes e caf&#233;s marcantes: </p><p>Canggu &amp; Pererenan</p><p><a href="https://maps.app.goo.gl/F7xnfmdRwTk4CNKx6">Milk &amp; Madu</a> (unidades em Canggu e em Ubud, kids friendly) | <a href="https://maps.app.goo.gl/CiFYCCrYUCrGMjDC9">Shady Shack</a> (vegetariano saud&#225;vel) | <a href="https://maps.app.goo.gl/xjAbNdf6wurHLXyN7">Shelter</a> (experi&#234;ncia gourmet maravilhosa) | <a href="https://maps.app.goo.gl/F7xnfmdRwTk4CNKx6">Varuna Warung</a> (deliciosa comida local com op&#231;&#245;es menos apimentadas) | <a href="https://maps.app.goo.gl/u7YfZvKCbGZhkLUR8">NOAH Cafe</a> (ar condicionado e bom caf&#233; no caminho da escola Marigold) | <a href="https://maps.app.goo.gl/PRJYQ5zoNKkAX9gLA">Miel Specialty Coffee</a> (nosso caf&#233; favorito para trabalhar em Canggu) | <a href="https://maps.app.goo.gl/FyzXjuLUtZZoCkfn9">Ettore Gelato</a> | <a href="https://maps.app.goo.gl/MEDSXDmvs3cyHgjm6">Blacklist Coffee Roasters</a> (bom ambiente para trabalhar) | <a href="https://maps.app.goo.gl/xCJAzs4Nef1vVAFm7">Warung Sika</a> (warung favorito do Alex) | <a href="https://maps.app.goo.gl/nUJCJPb4zBRd8Try9">Sensorium Bali</a> (menu de explodir as papilas gustativas)</p><p>Ubud</p><p><a href="https://maps.app.goo.gl/arap6q647Ubs5C5Z6">Zest</a> (nosso favorito 1; vegano) | <a href="https://maps.app.goo.gl/JYk83w5kTjZUU8v79">Plant Bistro</a> (nosso favorito 2; vegano) | <a href="https://maps.app.goo.gl/8s7HAVP4xsBCgW1X6">Sayuri Healing Food</a> (vegano del&#237;cia; experimente o sushi) | <a href="https://maps.app.goo.gl/MFGvCR4qj9rsfekS8">Seniman Coffee</a> (nosso caf&#233; favorito da vida) | <a href="https://maps.app.goo.gl/NarcbxX8LHQ8LCTF6">Sun Sun Warung</a> (famoso pelo arroz azul e por ficar dentro de um family compound) | <a href="https://maps.app.goo.gl/8evGi8RkqgFiz4BU7">Cantina Rooftop</a> (para drinks e aperitivos) | <a href="https://maps.app.goo.gl/7p75PkodLB9X8Kmv8">Suka Espresso</a> (caf&#233; badalado mas ok para trabalhar) | <a href="https://maps.app.goo.gl/drv5XwkJwM69wkc8A">Mudra Cafe</a> (ambiente art&#237;stico) | <a href="https://maps.app.goo.gl/hHoAYxKFPsQTm3Hy9">Ubud Coffee Roastery</a> (bom ambiente para trabalhar) | <a href="https://maps.app.goo.gl/3gxQ7BAoNhamuPTr5">Compound Warung</a> (nosso delivery favorito) | <a href="https://maps.app.goo.gl/TMnuqD5uKuBX9feSA">Clear Cafe</a> (unidades em Ubud e em Canggu, kid-friendly) | <a href="https://maps.app.goo.gl/bm4LycuUKHiLMKKL9">Muse Cafe &amp; Art</a> (indiano del&#237;cia) | <a href="https://maps.app.goo.gl/dH2usttgyJfDaPH16">Beluna House of Creatives</a> (caf&#233; / restaurante / coworking rodeado de campos de arroz)</p><p><strong>PS 1:</strong> n&#227;o somos veganos nem vegetarianos, mas a quantidade de restaurantes maravilhosos que voc&#234; encontra em Bali com essa pegada &#233; inacredit&#225;vel - vale experiment&#225;-los. </p><p><strong>PS 2: ajuste suas expectativas!</strong> A realidade de Bali &#233; &#250;nica, e vale chegar com a cabe&#231;a aberta e uma boa dose de flexibilidade para aproveitar a experi&#234;ncia. </p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p>Se o assunto Bali interessou, veja outros posts abaixo.</p><div class="digest-post-embed" data-attrs="{&quot;nodeId&quot;:&quot;07bcb2dd-3005-44b5-9fad-76a8d853bfc3&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Tomei um ch&#225; de sumi&#231;o desta newsletter preciosa. N&#227;o foi por pregui&#231;a nem por bloqueio criativo: deu bug no sistema. Escrevi dois textos que estavam praticamente prontos para serem publicados, mas, ao rel&#234;-los, algo travava em mim. Um deles tomou um curso interessante e preciso de mais tempo para pesquisar dados. O outro n&#227;o estava passando a mensagem &#8230;&quot;,&quot;cta&quot;:&quot;Read full story&quot;,&quot;showBylines&quot;:true,&quot;showDescription&quot;:true,&quot;showImage&quot;:true,&quot;size&quot;:&quot;lg&quot;,&quot;isEditorNode&quot;:true,&quot;title&quot;:&quot;Bug no sistema, Nyepi e resolu&#231;&#227;o de anivers&#225;rio&quot;,&quot;publishedBylines&quot;:[{&quot;id&quot;:14735327,&quot;name&quot;:&quot;Daiana Stolf&quot;,&quot;bio&quot;:&quot;Aventuras, desabafos e aprendizados de uma mente e um cora&#231;&#227;o inquietos e sedentos por (auto)conhecimento&quot;,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/92afcf18-2934-413e-9d2b-54fb9355fd62_1176x1176.jpeg&quot;,&quot;is_guest&quot;:false,&quot;bestseller_tier&quot;:null}],&quot;post_date&quot;:&quot;2024-03-09T01:46:58.023Z&quot;,&quot;cover_image&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa3455990-3d79-4e14-be84-7474c44dbea5_960x1280.jpeg&quot;,&quot;cover_image_alt&quot;:null,&quot;canonical_url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/bug-no-sistema-nyepi-e-resolucao&quot;,&quot;section_name&quot;:null,&quot;video_upload_id&quot;:null,&quot;id&quot;:142378772,&quot;type&quot;:&quot;newsletter&quot;,&quot;reaction_count&quot;:3,&quot;comment_count&quot;:2,&quot;publication_id&quot;:1741501,&quot;publication_name&quot;:&quot;O Reflexo no Espelho&quot;,&quot;publication_logo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DVhk!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2240f569-555e-40bd-afe1-4e31e555213a_500x500.png&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;youtube_url&quot;:null,&quot;show_links&quot;:null,&quot;feed_url&quot;:null}"></div><div class="embedded-post-wrap" data-attrs="{&quot;id&quot;:135889534,&quot;url&quot;:&quot;https://aanton.substack.com/p/permissao-para-pausar-desviando-da&quot;,&quot;publication_id&quot;:1738122,&quot;embedding_publication_id&quot;:null,&quot;publication_name&quot;:&quot;let's hike!&quot;,&quot;publication_logo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Z8Vc!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5929260b-f657-4c01-a477-015609142870_488x488.png&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Permiss&#227;o para pausar, desviando da Main Street, e fundos de VC que geram receita (al&#233;m das management fees)&quot;,&quot;truncated_body_text&quot;:&quot;Para come&#231;ar, um poema para empreendedores que eu li na newsletter da reboot.io e que me inspirou:&quot;,&quot;date&quot;:&quot;2023-08-11T09:42:07.690Z&quot;,&quot;like_count&quot;:8,&quot;comment_count&quot;:0,&quot;bylines&quot;:[{&quot;id&quot;:140029512,&quot;name&quot;:&quot;Alex Anton&quot;,&quot;handle&quot;:&quot;aanton&quot;,&quot;previous_name&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!eHL2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6fe8a153-1fb2-4635-90c1-0f966034dfd5_1327x1624.jpeg&quot;,&quot;bio&quot;:&quot;Apaixonado pela vida, por pessoas e por aventuras. &quot;,&quot;profile_set_up_at&quot;:&quot;2023-04-12T19:11:03.130Z&quot;,&quot;reader_installed_at&quot;:&quot;2023-07-20T14:28:24.777Z&quot;,&quot;publicationUsers&quot;:[{&quot;id&quot;:1718609,&quot;user_id&quot;:140029512,&quot;publication_id&quot;:1738122,&quot;role&quot;:&quot;admin&quot;,&quot;public&quot;:true,&quot;is_primary&quot;:true,&quot;publication&quot;:{&quot;id&quot;:1738122,&quot;name&quot;:&quot;let's hike!&quot;,&quot;subdomain&quot;:&quot;aanton&quot;,&quot;custom_domain&quot;:null,&quot;custom_domain_optional&quot;:false,&quot;hero_text&quot;:&quot;Neg&#243;cios, estrat&#233;gia, experimenta&#231;&#245;es e reflex&#245;es de quem ainda est&#225; 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8 likes &#183; Alex Anton</div></a></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Ontem eu não morri ]]></title><description><![CDATA[Obrigada, universo!]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/ontem-eu-nao-morri</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/ontem-eu-nao-morri</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Thu, 10 Jul 2025 18:30:55 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!XGvr!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F77dc7ec4-e852-4026-996a-bb32cdd2e744_960x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Meu corpo jogado no banco denuncia o cansa&#231;o causado pela corrida, as caminhadas, a festa para celebrar a vida de um amigo e as poucas horas de sono do dia anterior. As p&#225;lpebras, pesadas, insistem em piscar demoradamente. Os ouvidos escutam as instru&#231;&#245;es no caso de uma emerg&#234;ncia, mas as ignoram. A vontade &#233; de dormir, mas o nervosismo, companheiro de todo santo voo, me mant&#233;m alerta.</p><p>A voz met&#225;lica do piloto anuncia que est&#225; na hora de subir &#224;s nuvens. Um momento de tens&#227;o paira no ar gelado do avi&#227;o, e os segundos que antecedem a velocidade de decolagem custam a passar.</p><p>O cora&#231;&#227;o acelera com as turbinas. Convenhamos que levantar 165 toneladas &#224; for&#231;a de m&#225;quinas soa, no m&#237;nimo, antinatural. Eu sei, a f&#237;sica explica, mas a parte irracional do meu c&#233;rebro n&#227;o se conforma.</p><p>E ent&#227;o, os sustos. Um atr&#225;s do outro. Tremedeiras, sobe-e-desce, pux&#245;es bruscos, quedas repentinas, sem folga. Do assento 29C n&#227;o arrisco olhar pela janela. Vejo nuvens gordas de relance; nem estava chovendo em terra para justificar tanta turbul&#234;ncia. O vizinho da poltrona ao lado me olha assustado. A do outro corredor, como eu, aperta a cadeira da frente com toda sua for&#231;a, como se isso aliviasse a n&#225;usea e o medo. Repito em pensamento o mantra do <a href="https://www.youtube.com/avioesemusicas">Lito</a>: <em>turbul&#234;ncia n&#227;o derruba avi&#227;o</em>. De fato, <em>s&#243; </em>ela n&#227;o derruba. Mas um conjunto de fatores aliado &#224; turbul&#234;ncia... sim, n&#233;?! E se o piloto brigou com a esposa e teve ins&#244;nia? E se o t&#233;cnico se esqueceu de verificar <em>aquele</em> detalhe fundamental, e um sistema eletr&#244;nico sofre pane justo agora? <em>E se esse for o improv&#225;vel momento em que a conflu&#234;ncia de infort&#250;nios acaba com tudo?</em></p><p>&#201; isso. Terminou. <em>Me desculpem por deix&#225;-los, meus filhos queridos</em>. <em>The end</em>. Fecho os olhos e a imagem do Boeing Dreamliner que caiu quatro dias antes na &#205;ndia, a caminho de Londres, vem &#224; mente. Em breve o notici&#225;rio anunciar&#225; o mesmo, agora com o Boeing 787-300 da Gol, e voc&#234;s ser&#227;o &#243;rf&#227;os de m&#227;e &#8211; uma mulher em crise de meia idade que resolveu passear em S&#227;o Paulo com seu esposo por um final de semana, sob seus protestos. Constato que o acaso n&#227;o est&#225; nem a&#237; para inten&#231;&#245;es ou arrependimentos. Penso em tudo o que deixarei de ensin&#225;-los. Nos caf&#233;s-da-manh&#227; n&#227;o mais compartilhados, nos livrinhos que comprei mas ainda n&#227;o lemos juntos, nos eventos da escola n&#227;o frequentados, nas viagens n&#227;o feitas. <em>Ainda bem que o papai voltar&#225; em outro avi&#227;o</em>.</p><p>Depois de atingir a altitude de cruzeiro, tor&#231;o para que os c&#233;us se acalmem. Agora j&#225; bem acordada pela adrenalina, considero iniciar o livro fininho de Hilda Hilst comprado horas antes. A turbul&#234;ncia, firme, ri da minha cara: <em>voc&#234; n&#227;o vai conseguir desatar o cinto, minha querida</em>. A agonia j&#225; dura 45, 50 minutos, n&#227;o sei precisar. Lembro que a previs&#227;o do tempo em Florian&#243;polis mostrava ventos fortes para a hora do pouso, e n&#227;o pude evitar: <em>se chegasse</em>, visualizei o avi&#227;o arremetendo. Na primeira vez em que isso aconteceu, eu viajava de Genebra para Londres, de EasyJet, h&#225; uns 13 anos. O avi&#227;o era antigo; a passagem custou muito pouco. O ru&#237;do dos motores era alto, e a aproxima&#231;&#227;o ao aeroporto foi r&#225;pida e turbulenta. Quando j&#225; enxergava a pista, aliviada porque a tortura estava prestes a terminar, o avi&#227;o voltou a subir. <em>Me tirem daqui!</em>, gritei em pensamento. <em>Quero tocar meus p&#233;s no ch&#227;o. O que est&#225; acontecendo, algu&#233;m??</em> Olhava para os lados e me sentia uma ET, j&#225; que ningu&#233;m esbo&#231;ava qualquer rea&#231;&#227;o anormal. Quando o piloto enfim anunciou a causa do n&#227;o-pouso, o vento de cauda, n&#227;o senti consolo. <em>Ent&#227;o talvez a gente fique rodando, subindo e descendo, at&#233; voc&#234; conseguir pousar? </em>Xinguei o coitado na minha cabe&#231;a, sem saber que ele s&#243; estava cumprindo normas de seguran&#231;a.</p><p>O avi&#227;o se aproxima balan&#231;ando, mas determinado. Come&#231;a a frear: sobrevivi! <em>Meus filhos, estou s&#227; e salva</em>. Me instalo no sagu&#227;o para esperar Alex e olho impaciente para o painel, que demora a confirmar o pouso. Imagino a cena do reencontro: eu reclamando da turbul&#234;ncia; ele dizendo que nem sentiu. Ao abra&#231;&#225;-lo, ou&#231;o surpresa o coment&#225;rio irritado sobre o que tinha sido um dos piores voos da sua vida. Al&#233;m da intimidante turbul&#234;ncia, a passageira sentada ao seu lado entrou em p&#226;nico e chorou, solu&#231;ando, do come&#231;o ao fim. No pouso&#8230; adivinha? O piloto precisou arremeter. Me solidarizo com sua ang&#250;stia, e rumamos ao estacionamento. Aviso aos av&#243;s que estamos a caminho de casa.</p><div class="poll-embed" data-attrs="{&quot;id&quot;:344153}" data-component-name="PollToDOM"></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/ontem-eu-nao-morri/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/p/ontem-eu-nao-morri/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><div><hr></div><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/77dc7ec4-e852-4026-996a-bb32cdd2e744_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/978cc143-cdc8-494d-8106-49b6533aee19_849x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8d5f0188-af38-4826-a790-5ee6c0de174d_1280x720.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Fotos: arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/09edf3f0-5c99-47d5-9957-074a84c4df9a_1456x474.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><div><hr></div><p>Ontem, me submeti a uma cirurgia. R&#225;pida e com baixo &#237;ndice de complica&#231;&#227;o, segundo o m&#233;dico. Mas n&#227;o isenta de riscos, como li no termo de consentimento apresentado pelo anestesiologista, assinado dias antes, e no outro que me mostraram minutos antes da interna&#231;&#227;o. Sepse, les&#245;es em &#243;rg&#227;os adjacentes, hemorragia, trombose e embolia pulmonar compunham a lista de quase uma p&#225;gina. Por pouco n&#227;o desisti ali mesmo: <em>Obrigada, mo&#231;a, mas t&#244; indo embora</em>. Em segundos, uma palavrinha m&#225;gica surgiu em pensamento: <em>confia.</em> No m&#233;dico, no destino. N&#227;o d&#225; para voltar atr&#225;s: assumi os perigos, apesar do medo. </p><p>No quarto para aguardar o encaminhamento ao centro cir&#250;rgico torci para que, quando enchessem meu abd&#244;men de ar para acessar e cortar minha ves&#237;cula biliar fora, meu cora&#231;&#227;o, que tem uma v&#225;lvula fora do padr&#227;o e de vez em quando bate errado, n&#227;o me abandonasse. Desejei que os profissionais perfurando e comandando instrumentos dentro do meu corpo n&#227;o cometessem erros. Ansiei por voltar logo da anestesia e comprovar que aquele momento n&#227;o tinha sido um encontro de fatores dr&#225;sticos que acabaria com tudo. </p><p>No dia anterior &#224; cirurgia, me lembrei do amigo da minha idade que convive com o c&#226;ncer e faz procedimentos frequentes com riscos muito maiores do que o meu, e em como ele est&#225; sempre positivo. Pensei nas mortes banais, como a da conhecida que se foi ao cruzar a Beira-mar Norte num dia qualquer. E na b&#234;n&#231;&#227;o dos 95 anos da idosa que recentemente conheci numa confraterniza&#231;&#227;o de anivers&#225;rio, bebendo o seu vinho e conversando com todos, sorridente e l&#250;cida.</p><p>Voltei ao livro de Oliver Burkeman, <a href="https://www.amazon.com.br/Quatro-mil-semanas-Gest%C3%A3o-mortais/dp/8539007282">Quatro mil semanas</a>, em busca de consolo: &#8220;<em>O</em> <em>medo, em sua ess&#234;ncia, &#233; a tentativa da mente de gerar um sentimento de seguran&#231;a quanto ao futuro, falhando e tentando, repetidamente, como se o pr&#243;prio esfor&#231;o de se preocupar pudesse, de alguma forma, evitar o desastre. O combust&#237;vel por tr&#225;s da preocupa&#231;&#227;o &#233; a demanda interna de saber, com anteced&#234;ncia, que as coisas v&#227;o dar certo. Mas &#233; uma luta que nunca venceremos. Nunca se pode ter certeza absoluta sobre o futuro.&#8221;</em></p><p>Acordei. Garganta arranhada, tremendo de frio, mas vivinha. Obrigada, universo! Tenho tanto por fazer! Aula de piano (finalmente) agendada para o fim do m&#234;s. Compromissos de trabalho. Vacinas nos pequenos. Aproveitar as f&#233;rias deles, com eles. Pilhas de livros me esperando. Provas de corrida. Almo&#231;os em fam&#237;lia. Viagens. Simplesmente, existir. <strong>Voltar &#224; rotina sem tanto esquecimento do risco que &#233; viver, para desfrutar do momento curto, mas t&#227;o especial, de estar aqui e agora. </strong></p><div class="pullquote"><p>&#8220;<em>&#8230;ser, para um humano, &#233; acima de tudo existir no tempo, nesse intervalo entre o nascimento e a morte, com a certeza de que o fim vir&#225;, mas sem saber quando. [...] &#201; assim que o nosso tempo limitado nos define por completo.</em>&#8221; </p><p>Oliver Burkeman</p></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Leituras favoritas em família: histórias que fazem memória — Parte 1]]></title><description><![CDATA[Uma sele&#231;&#227;o afetiva dos livros infantis mais lidos (e relidos) por aqui]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/leituras-favoritas-em-familia-historias</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/leituras-favoritas-em-familia-historias</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Thu, 24 Apr 2025 02:48:47 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ba8d3fd3-ce4a-433c-b7dd-d37287e313c6_1280x556.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Dos momentos de conex&#227;o com os meus filhos, a leitura &#233; um dos meus preferidos. Quando beb&#234;s, essas ocasi&#245;es aconteciam a qualquer hora do dia: eles eram vidrados em livros sensoriais, coloridos, com poucas palavras e desenhos grandes. Manipul&#225;-los era uma divers&#227;o, e sempre que me sentia inspirada, eu tentava formular historinhas. Ao contar uma anedota qualquer, fazia quest&#227;o de variar a entona&#231;&#227;o de voz e exagerar nas express&#245;es faciais para que, naturalmente, eles se interessassem pela narra&#231;&#227;o. Mesmo que n&#227;o durassem muito, eram instantes gostosos.</p><p>Eles foram crescendo, e desenvolvemos o costume de ler um livro toda noite antes de dormir. Acredito na for&#231;a da exposi&#231;&#227;o constante para estimular o h&#225;bito saud&#225;vel n&#227;o s&#243; da leitura, mas tamb&#233;m da imagina&#231;&#227;o. Quando gostam de uma hist&#243;ria, insistem no mesmo livro por v&#225;rios dias. Aisha chega a decorar as falas dos personagens preferidos. Nos dias em que estamos muito cansados e a leitura n&#227;o acontece, Kai pede uma &#8220;historinha de cabe&#231;a". Quando ele era menor e apaixonado por barcos, escutava atentamente as aventuras do pirata do bem que resgatava animais marinhos com seus amigos. Hoje, n&#227;o sou mais eu quem as conta: ele mesmo faz isso, de forma criativa e organizada.</p><p>Chegamos ent&#227;o na fase em que apenas testemunho a habilidade de leitura dos dois. &#201; t&#227;o emocionante v&#234;-los juntar as letras, depois as frases, e evoluir aos poucos. Que privil&#233;gio ser mera espectadora! Se o sono demora, gosto das conversas que se desenrolam ao fechar o livro &#8212; e &#224;s vezes, por causa dele. Acontecimentos da escola, sentimentos despertados por amizades ou desentendimentos, a perip&#233;cia que gerou aquele roxo na perna&#8230; O v&#237;nculo se fortalece a&#237;. Dia desses, ouvi depois de uma leitura engra&#231;ada: &#8220;Mam&#227;e, posso te apertar at&#233; voc&#234; virar geleia?&#8221;, seguido de uma risada espont&#226;nea do Kai, antes de me dar um abra&#231;o gigante e um beijo de boa noite.</p><p>Tamb&#233;m gosto de observar como a leitura e a m&#250;sica se encontram. Letras de boas can&#231;&#245;es contam hist&#243;rias! E, para os meus filhos, essa conex&#227;o &#233; forte. Tenho v&#237;deos encantadores do Kai com 2 anos, durante a pandemia, cantando e &#8220;tocando&#8221; viol&#227;o ap&#243;s assistir aos v&#237;deos da professora de m&#250;sica da escola (<a href="https://www.instagram.com/nsmeninasorriso/">@nsmeninasorriso</a>, obrigada!): ela resumiu a situa&#231;&#227;o da Covid numa can&#231;&#227;o fofa, refor&#231;ando os cuidados e explicando o porqu&#234; do isolamento numa linguagem simples. J&#225; Aisha &#233; vidrada em decifrar letras em ingl&#234;s, e aperfei&#231;oa o idioma por tabela desse jeito.</p><p>Outro dia, olhei para a biblioteca dos meus filhos e senti vontade de compartilhar as leituras mais significativas para a turma aqui de casa. Calhou que hoje &#233; o Dia Mundial do Livro, e a oportunidade perfeita para dividir este texto com voc&#234;. Quem sabe alguma das sugest&#245;es desperte o seu interesse tamb&#233;m, ou seja &#250;til para um momento de vida especial. Poderia ter facilitado a sua vida com links da Amazon? Poderia. Mas, vamos combinar? &#201; bem mais legal procurar os t&#237;tulos na sua livraria de bairro e valorizar os livreiros e os pequenos neg&#243;cios, n&#227;o &#233;? Al&#233;m disso, fica a sugest&#227;o de um baita passeio com a crian&#231;ada. Lembro com tanto carinho das nossas visitas com os dois pequenininhos &#224; Livraria da Vila da Fradique Coutinho, em S&#227;o Paulo &#8212; um universo paralelo de imagina&#231;&#227;o e novidade para as crian&#231;as, que se entretiam rapidamente no ambiente colorido, e um respiro para a m&#227;e cansada.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/leituras-favoritas-em-familia-historias/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/p/leituras-favoritas-em-familia-historias/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p>Bom, vamos l&#225;! Ao fim do texto fiz uma listinha com os devidos autores e editoras do livros citados.</p><ul><li><p>Em 2019, testemunhei o nascimento da Editora Matresc&#234;ncia, da Rafaela Carvalho, escritora que adoro e vou citar bastante aqui <em>(zero publi, ok? s&#243; uma m&#227;e encantada mesmo, rs)</em>. Um dos primeiros livros que comprei de l&#225; foi <em><strong>Princesas escalam montanhas?</strong></em><strong>.</strong> Aisha amou tanto a hist&#243;ria que sabia recit&#225;-la de cor. Claro que, com a chegada do Kai, adquiri <em><strong>Ninjas cuidam do jardim?</strong></em>, que ele igualmente adorou.</p></li><li><p><strong>Livros sobre emo&#231;&#245;es s&#227;o os meus xod&#243;s!</strong> Introvertida e t&#237;mida, cresci com dificuldade de identificar e expressar sentimentos. Desde que meus filhos nasceram, jurei que faria o poss&#237;vel para ensin&#225;-los. E assim virei uma m&#227;e obcecada por livros sobre autoconhecimento e, mais recentemente, &#8220;toda trabalhada&#8221; na terapia. Deus me ajude!</p><ol><li><p>Cole&#231;&#227;o <em><strong>Como eu me sinto&#8230;</strong></em>: tem ilustra&#231;&#245;es fof&#237;ssimas e frases curtinhas. Comecei a ler para o Kai quando ele era um tico, mas ele gosta at&#233; hoje. Pai viajou a trabalho? &#201; a vez de <em>Como eu me sinto quando sinto sua falta.</em></p></li><li><p><em><strong>Zeca Zangado</strong></em> tamb&#233;m &#233; dos preferidos do Kai. Aos 4 anos, numa fase em que ele reagia intensamente &#224; frustra&#231;&#227;o, a historinha o conquistou e mostrou jeitos de lidar com a raiva.</p></li><li><p>As obras da <strong>Anna Llenas</strong> s&#227;o um primor. Me apaixonei pelo <em><strong>O monstro das cores</strong></em> logo de cara &#8212; o simp&#225;tico monstrinho precisa organizar suas emo&#231;&#245;es, que est&#227;o uma bagun&#231;a! Durante a pandemia, chegamos a fazer o exerc&#237;cio com papel&#227;o, bem no estilo do livro. Aisha dizia que o coronav&#237;rus devia estar alegre, contaminando muita gente, e ela se sentia triste por n&#227;o poder ver os av&#243;s e os primos. Tempos depois, n&#227;o resisti quando vi <em><strong>O monstro das cores - Doutor das emo&#231;&#245;es</strong></em> na prateleira. Agora, o monstrinho virou m&#233;dico e nos ensina a usar sua maleta de regula&#231;&#227;o emocional. <em><strong>Vazio</strong></em> &#233; outra hist&#243;ria maravilhosa, sobre como todos temos tristezas ou perdas dif&#237;ceis de preencher, mas podemos enxerg&#225;-las de outro modo. As ilustra&#231;&#245;es de toda a cole&#231;&#227;o s&#227;o de um bom gosto incr&#237;vel.</p></li><li><p>Na mesma linha de regula&#231;&#227;o emocional est&#227;o <em><strong>Tenho monstros na barriga </strong></em>e <em><strong>Tenho mais monstros na barriga</strong></em>, que trazem sugest&#245;es de exerc&#237;cios simples para fazer com as crian&#231;as. O <em><strong>Emocion&#225;rio</strong></em>, um dicion&#225;rio de emo&#231;&#245;es, tamb&#233;m &#233; uma excelente ferramenta.</p></li></ol></li></ul><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d4071dda-8ad7-4ebe-9414-a7c16d215899_1600x933.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d524d3b5-e129-4516-bfc4-3d37d8fd06ab_1574x1600.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ffc7e527-967f-43a0-96d2-947c20e471cb_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a44830fa-3413-4b76-b97e-68ef7ef550c9_1200x1600.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8f75ea08-732e-4ba6-b7e0-3725cecc4ba6_1280x556.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/73710aa7-6bfc-470a-bd18-ad4964319c54_1600x976.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Fotos: Arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/93b16d07-4d59-4d2b-aeca-3fa028dc1906_1456x964.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><ul><li><p><em><strong>O menino que tinha medo de errar</strong></em><strong> </strong>trata do perfeccionismo de maneira acess&#237;vel e visual. <em><strong>Os amigos que moravam em potes</strong></em> traz uma hist&#243;ria mais densa, mas que toca no tema essencial do bullying. <em><strong>Na colina</strong></em><strong> </strong>foi, por muito tempo, o livro de cabeceira do Kai. A amizade de dois amigos precisa se adaptar &#224; chegada de um terceiro &#8212; como lidar com o ci&#250;me? O respeito &#224;s diferen&#231;as &#233; celebrado nos livros <em><strong>Haroldo</strong></em>, <em><strong>Da raiz do cabelo at&#233; a ponta do p&#233;</strong></em> &#8212; dois favoritos da Aisha,<strong> </strong><em><strong>A</strong> <strong>Primavera da Lagarta</strong></em>, e <em><strong>Diversidade</strong></em>. J&#225; <em><strong>Davi usa &#243;culos vermelho-caqui</strong></em> foi um achado que ajudou na adapta&#231;&#227;o do Kai aos &#243;culos (sua miopia foi detectada aos 3 anos).</p></li><li><p><em><strong>P&#225;ssaro Amarelo</strong></em><strong> </strong>fala sobre resolu&#231;&#227;o de problemas de forma criativa e a import&#226;ncia de compartilhar conhecimento: voc&#234; pode melhorar a vida de quem nem imagina!</p></li><li><p><strong>Por fim, um livro-rel&#237;quia: </strong><em><strong>Que bicho ser&#225;?</strong></em>. J&#225; em estado lastim&#225;vel mas que, gra&#231;as aos cuidados da minha m&#227;e, sobreviveu da minha inf&#226;ncia at&#233; hoje. Esse livrinho arrancou boas risadas e um ar de surpresa dos meus pequenos.</p></li></ul><p>Isso n&#227;o &#233; tudo, mas resolvi deixar outras sugest&#245;es para um segundo post para n&#227;o gerar ansiedade de consumo! :) Por ora, fica aqui minha singela homenagem a todos que contribuem para nossos momentos de v&#237;nculo em fam&#237;lia por meio de hist&#243;rias marcantes!</p><p>Me conta: que livro marcou sua inf&#226;ncia? Quais os preferidos por a&#237;?</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0087cc69-2330-4cb7-af44-57f7824c31f9_1280x1276.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d318baf0-c8f0-4354-a9de-b5f5533249e9_1600x934.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/53cec3b3-6957-43e6-8749-1a72dee83f57_1449x1600.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/57e5689b-0da7-4e9f-acf2-c0d360d64f11_1600x1509.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e6e24840-9313-4fdc-96e9-d21a91f3e62f_1494x1599.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Fotos: Arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3aad283f-b98c-4088-9bf3-650e14a0c267_1456x1210.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><h4>Livros citados - cr&#233;ditos</h4><ul><li><p><strong>Princesas escalam montanhas? | Ninjas cuidam do jardim?</strong> &#8212; Rafaela Carvalho, ilustra&#231;&#245;es de Clarice Hoffmann (Matresc&#234;ncia)</p></li><li><p><strong>Cole&#231;&#227;o Como eu me sinto&#8230;</strong> &#8212; Cornelia Maude Spelman, ilustra&#231;&#245;es de Claudia Rueda (Todolivro)</p></li><li><p><strong>Zeca Zangado</strong> &#8212; por Robert Starling (<em>autor e ilustrador</em>) (Brinque-Book)</p></li><li><p><strong>O monstro das cores | O monstro das cores &#8211; Doutor das emo&#231;&#245;es | Vazio</strong> &#8212; Anna Llenas (<em>autora e ilustradora</em>) (Aletria)</p></li><li><p><strong>Tenho monstros na barriga</strong> | <strong>Tenho mais monstros na barriga</strong>&#8212; Tonia Casarin, ilustra&#231;&#245;es de Bruna Assis Brasil (Edi&#231;&#245;es de Janeiro)</p></li><li><p><strong>Emocion&#225;rio</strong> &#8212; Cristina N&#250;&#241;ez Pereira e Rafael Valc&#225;rcel, ilustra&#231;&#245;es de Paula Sanz Caballero, entre outros (V&amp;R Editoras)</p></li><li><p><strong>O menino que tinha medo de errar &#8212; </strong>Andrea Viviana Taubman, ilustra&#231;&#245;es de Adriana Keselman, entre outros (Grupo Editorial Zit)</p></li><li><p><strong>Os amigos que moravam em potes &#8212; </strong>Beatriz Singer, ilustra&#231;&#245;es de Dani Machado  (Matresc&#234;ncia)</p></li><li><p><strong>Na colina &#8212; </strong>Linda Sarah, ilustra&#231;&#245;es de Benji Davies (Salamandra)</p></li><li><p><strong>Haroldo</strong> &#8212; Rafaela Carvalho, ilustra&#231;&#245;es de Clarice Hoffmann (Matresc&#234;ncia)</p></li><li><p><strong>Da raiz do cabelo at&#233; a ponta do p&#233;</strong> &#8212; Em&#237;lia Nu&#241;ez, ilustra&#231;&#245;es de Clarice Hoffmann (Matresc&#234;ncia)</p></li><li><p><strong>A Primavera da Lagarta &#8212; </strong>Ruth Rocha, ilustra&#231;&#245;es de Madalena Elek (Salamandra)</p></li><li><p><strong>Diversidade</strong> &#8212; Tatiana Belinky, ilustra&#231;&#245;es de Luise Weiss (FTD)</p></li><li><p><strong>Davi usa &#243;culos vermelho-caqui</strong> &#8212; Marcelo Duarte, ilustra&#231;&#245;es de Alexandre Rampazo (Panda Books)</p></li><li><p><strong>P&#225;ssaro Amarelo</strong> &#8212; Olga de Dios (<em>autora e ilustradora</em>) (Boitat&#225; / Boitempo)</p></li><li><p><strong>Que bicho ser&#225;?</strong> &#8212; Mary Fran&#231;a, ilustra&#231;&#245;es de Eliardo Fran&#231;a (&#193;tica)</p></li></ul>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Dança comigo?]]></title><description><![CDATA[Finalmente, me entrego.]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/danca-comigo</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/danca-comigo</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Sun, 06 Apr 2025 10:05:41 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!baAa!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffaebf3bc-19e1-41df-9b3d-c0aa095c18e3_1200x1600.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><em>                                                        &#8220;Escrever &#233; tamb&#233;m n&#227;o falar. &#201; calar-se. &#201; gritar sem ru&#237;do.&#8221;</em><br>                                                                                                                    &#8212; Marguerite Duras</p><p></p><p><strong>Ei, psiu! Eu sei que voc&#234; est&#225; a&#237;.</strong></p><p>Conhe&#231;o bem essa ousadia que a faz se ausentar de vez em quando.</p><p>Adivinho o motivo: desconectada, eu n&#227;o estava pronta para ouvi-la.</p><p>Persistente, voc&#234; sussurra em outros ouvidos. Mas volta. Porque meu cora&#231;&#227;o a chama. Porque uma vida sem voc&#234; &#233; sem gra&#231;a. Produtiva e eficiente, talvez &#8211; mas sem brilho.</p><p><strong>E a gra&#231;a e o brilho alimentam a natureza divina em mim. E sem natureza divina, pobre corpo! Sou apenas mais uma humana presa &#224;s obriga&#231;&#245;es de uma sociedade ca&#243;tica e obscura.</strong></p><p><strong>Sei que voc&#234; mora nos detalhes:</strong> na vista do mar l&#225; longe, na abelha lambendo uma flor, ou numa borboleta que cruza meu caminho de repente. Num cachorrinho abanando o rabo, contente. Na altivez de uma &#225;rvore, na fortaleza de suas ra&#237;zes e na luz do sol permeando seus galhos e folhas.</p><p><strong>Sei tamb&#233;m que voc&#234; gosta de aparecer nos dias e hor&#225;rios mais inusitados.</strong> Numa sexta-feira de madrugada muito fria, depois que o filho chama porque precisa fazer xixi e o sono demora a voltar &#8211; e voc&#234; surge como sonho, alucina&#231;&#227;o ou uma mistura dos dois. Numa caminhada na praia, sentindo o vento no rosto e notando o brilho do c&#233;u refletido nas ondas do mar. Na letra de uma m&#250;sica que diz o que preciso escutar naquele momento, ou na melodia delicada que leva minha mente para longe do mundo concreto. No banho quente, enquanto acaricio os cabelos, ou na estrada, enquanto dirijo pelo caminho de todo dia.</p><p>Por muito tempo, voc&#234; chegou pela janela do trem ou do &#244;nibus &#8211; e como amava esses encontros! <strong>Ainda me impressiono como, &#224;s vezes, voc&#234; surge t&#227;o clara, t&#227;o l&#237;mpida &#8211; como algu&#233;m ditando palavras no meu ouvido.</strong> Se n&#227;o consigo anot&#225;-las, o arrependimento me persegue, indel&#233;vel. &#192;s vezes as recupero, mas sei que j&#225; tomaram outro formato. N&#227;o adianta franzir o nariz, espremer os olhos ou morder os l&#225;bios para tentar lembrar dos versos exatos.</p><p>&#201; preciso estar atenta para captar o sussurro. <strong>Estar no presente. Aqui, agora.</strong> Com os p&#233;s no ch&#227;o e as orelhas em comunh&#227;o com sua voz.</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/faebf3bc-19e1-41df-9b3d-c0aa095c18e3_1200x1600.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0c99f044-b41c-418c-a93f-d77a7274e7a3_1200x1600.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ea3b8f3f-b93f-452a-8736-201f46e9efaf_1200x1600.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Fotos: Arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2b49e059-1791-4f4f-8090-e392f04d1245_1456x474.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>J&#225; lhe chamaram de musa, inspira&#231;&#227;o, intui&#231;&#227;o, esp&#237;rito onisciente, avatar, <em>daimon</em>, <em>genius</em>, anjo, talento, magia. <strong>Para mim, voc&#234; &#233;</strong> <strong>sina</strong>. <strong>Tentei ignorar sua presen&#231;a a vida toda, mas sua insist&#234;ncia me desarmou.</strong> Um misto de espanto, cansa&#231;o, medo &#8211; do sucesso e do fracasso &#8211;, pregui&#231;a, preocupa&#231;&#227;o ... tudo isso me impediu de assumir, antes, que voc&#234; &#233; o meu destino.</p><p><strong>Finalmente, me entrego.</strong> Sem grandes ambi&#231;&#245;es.</p><p><strong>Que sua ess&#234;ncia se revele, enquanto trabalho, todos os dias, para merecer sua aten&#231;&#227;o.</strong> Escrevendo no celular, no computador, em folhas soltas, em cadernos. <strong>Escrevendo.</strong></p><p><strong>N&#227;o tenho o dom da fala, mas a escrita sou eu. Ela me conduz, me atravessa e me conv&#233;m.</strong></p><p>Como ex-cientista, tenho no ceticismo um valor. Continuo desconfiando de muitas coisas, mas finamente me entrego ao que Julia Cameron, Clarice Lispector, Steven Pressfield, Hilda Hilst, Liz Gilbert, Stephen King e tantos outros relataram com tanta honestidade: <strong>h&#225; um certo misticismo no ato de escrever. </strong></p><p><strong>Aceito. </strong></p><p><strong>Porque o que sinto quando voc&#234; me visita &#233; realmente m&#225;gico.</strong></p><p>Quando voc&#234; resolver aparecer novamente, estarei aqui, trabalhando. Prometo!</p><p>N&#227;o demore! N&#227;o mais negarei sua presen&#231;a. Pelo contr&#225;rio, <strong>vou te convidar para dan&#231;ar</strong>.</p><p>Veja, sou envergonhada e intimista. Mas os anos passam, e eu preciso me (lhe) permitir. </p><p><strong>Criar, pelo simples prop&#243;sito de criar.</strong></p><p>Dia desses, enquanto desabafava no caderno &#8211; da loucura, da sanidade, do desejo &#8211;, voc&#234; sussurrou o poema abaixo. Obrigada pela clareza das palavras.</p><p></p><p><em><strong>Tal qual um rio</strong></em></p><p><em>que, por onde passa</em></p><p><em>irriga</em></p><p><em>nutre a terra</em></p><p><em>esverdeia as margens</em></p><p><em>mata a sede dos bichos</em></p><p><em>grandes ou insignificantes, n&#227;o importa</em></p><p></p><p><em><strong>Tal qual o sangue</strong></em></p><p><em>que, por onde corre</em></p><p><em>limpa</em></p><p><em>oxigena a carca&#231;a</em></p><p><em>inunda os tecidos</em></p><p><em>pulsa as veias</em></p><p><em>grandes ou insignificantes, n&#227;o importa</em></p><p></p><p><em><strong>Minhas palavras precisam fluir.</strong></em></p><p></p><p><em>Nascente, cora&#231;&#227;o</em></p><p><em>Jorrar &#225;gua</em></p><p><em>Jorrar sangue</em></p><p><em>Jorrar ideias</em></p><p><em>Desaguar na vida</em></p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ff3c3b11-80a0-4b4a-9746-39cb6666aaf1_965x1280.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Foto: Caderno pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ff3c3b11-80a0-4b4a-9746-39cb6666aaf1_965x1280.jpeg&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Apple Cider Vinegar, medos e culpas, e uma dose de psicologia]]></title><description><![CDATA[Aten&#231;&#227;o: cont&#233;m spoilers da s&#233;rie e gatilhos relacionados ao c&#226;ncer.]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/apple-cider-vinegar-medos-e-culpas</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/apple-cider-vinegar-medos-e-culpas</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Sun, 30 Mar 2025 11:04:48 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!NcTu!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F897f590f-2613-446a-8c5f-7a6364101042_1200x675.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h6><strong>Aviso: n&#227;o sou psic&#243;loga. Profissionais de plant&#227;o, fiquem &#224; vontade para corrigir qualquer informa&#231;&#227;o equivocada que eu apresente aqui</strong>.</h6><p>Faz tempo que n&#227;o me prendo a uma s&#233;rie. A &#250;ltima da qual me lembro &#8211; e que amei, por sinal &#8211; foi <em>Breaking Bad</em>, de uns 10 (mais?) anos atr&#225;s. Dia desses, o marid&#227;o me convidou para assistir a <em><a href="https://www.netflix.com/br-en/title/81637595">Apple Cider Vinegar</a></em> e, com um tanto de relut&#226;ncia, aceitei. Depois que h&#225; sil&#234;ncio na casa, geralmente prefiro continuar em sil&#234;ncio na companhia de um livro. Mas, por exaust&#227;o ou fuga, naquele dia fui para o sof&#225;.</p><p>A s&#233;rie nos engajou. Conta a hist&#243;ria (baseada em fatos reais) de duas jovens &#8211; Belle e Milla &#8211; que t&#234;m suas vidas afetadas pelo c&#226;ncer e defendem terapias naturais como forma de cura. O &#8220;problema&#8221; &#233; que Belle n&#227;o tem um diagn&#243;stico real &#8211; &#233; mentirosa compulsiva desde a adolesc&#234;ncia e inventou um c&#226;ncer cerebral (e met&#225;stases) para dar credibilidade &#224;s suas ideias de neg&#243;cio: um aplicativo que, tamanho o convencimento, foi recomendado para integrar o Apple Watch, e um livro de receitas publicado pela renomada editora Penguin (e mais tarde retratado). Ela finge sintomas, manipula pessoas, inclusive seu companheiro, e extrapola limites em nome de aplausos e sucesso.</p><p>Milla, no outro espectro, de fato descobre um c&#226;ncer cujo tratamento convencional exigiria a amputa&#231;&#227;o de um bra&#231;o. Mas decide se abster dessa solu&#231;&#227;o, ludibriada por uma metodologia natural que envolve tomar litros e litros de sucos naturais e se submeter a enemas de caf&#233; v&#225;rias vezes ao dia. Ela tamb&#233;m &#233; ambiciosa e monta um neg&#243;cio com base em seu contexto, mas parece genuinamente acreditar nos benef&#237;cios da terapia alternativa e se engaja em inspirar e ajudar outras pessoas. At&#233; que... sua m&#227;e adoece tamb&#233;m. Ela agoniza at&#233; falecer de um c&#226;ncer agressivo em pouqu&#237;ssimo tempo, seguindo as f&#243;rmulas naturais defendidas pela filha e recusando os recursos da medicina tradicional. A partir da&#237;, Milla come&#231;a a encarar a realidade. Seu bra&#231;o piora, a doen&#231;a se espalha, e s&#243; lhe restam os cuidados paliativos.</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/897f590f-2613-446a-8c5f-7a6364101042_1200x675.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/309439e1-8ca9-47b2-bcd8-f9aaf89294cd_1200x675.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Fotos: blog Tudum by Netflix (https://shorturl.at/S24AB))&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/fbfd4487-87c0-4b5c-9eda-47aa0461e64e_1456x720.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>Confesso que meu lado c&#233;tico, fomentado por anos de treinamento cient&#237;fico, se remoeu do come&#231;o ao fim. N&#227;o tenho nada contra terapias alternativas complementares, especialmente se contribuem para o bem-estar do paciente, mas confio na velha e boa ci&#234;ncia baseada em evid&#234;ncias. A discuss&#227;o, entretanto, n&#227;o &#233; essa. Tampouco quero trazer &#224; tona os aspectos &#233;ticos do drama, que s&#227;o muitos. Longe da pretens&#227;o de escrever uma an&#225;lise psicol&#243;gica tecnicamente fundamentada, notei um tema em comum entre as personagens principais: o medo e a culpa.</p><blockquote><p><a href="https://michaelis.uol.com.br/palavra/MdKaa/medo/">Medo</a> | me&#183;do <em>Substantivo masculino </em>1 <em>Psicol. </em>Estado ps&#237;quico provocado pela consci&#234;ncia do perigo, real ou apenas imagin&#225;rio, ou por amea&#231;a. 2 Receio de ofensividade irracional; temor. 3 Receio de ofender, de causar mal ou de que ocorra algo desagrad&#225;vel.</p><p><a href="https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/culpa/">Culpa</a> | cul&#183;pa <em>Substantivo feminino</em> 1 Responsabilidade por algo, conden&#225;vel ou danoso, causado a outrem. 2 Transgress&#227;o &#224; lei; crime, delito. 3 Atitude ou omiss&#227;o que possa causar dano ou desastre a outrem. 4 Falha deliberada no cumprimento de um dever ou de um princ&#237;pio &#233;tico. 5 <em>Psicol</em> Consci&#234;ncia penosa por ter falhado no cumprimento de uma norma social ou moral.</p><p><em>(<a href="https://michaelis.uol.com.br/">Michaelis</a>)</em></p></blockquote><p>As a&#231;&#245;es de Belle eram motivadas por medos: da rejei&#231;&#227;o, da invisibilidade e da irrelev&#226;ncia, originados principalmente no relacionamento problem&#225;tico com a m&#227;e. No caso dela, o buraco &#233; mais embaixo: arrisco dizer que h&#225; tra&#231;os de narcisismo e de S&#237;ndrome de M&#252;nchausen. Fica claro nas cenas que ela sustenta seu ego por meio de <em>likes</em> e coment&#225;rios de aprova&#231;&#227;o nas redes. Ela queria fama e dinheiro, mas se nutria da reafirma&#231;&#227;o alheia.</p><p>J&#225; Milla temia a morte, algo que confessa no momento em que n&#227;o h&#225; mais esperan&#231;a de cura &#8211; o que &#233; totalmente compreens&#237;vel em sua situa&#231;&#227;o. Sua m&#227;e, Tamara, n&#227;o parece convencida de que deveria abandonar as terapias convencionais, mas sente culpa. Afinal, apoiou a filha irrestritamente quando ela decide se mudar para o M&#233;xico a fim de seguir o tratamento alternativo &#224; risca em um instituto. &#8220;<em>Que tipo de m&#227;e seria se n&#227;o seguisse o mesmo caminho?</em>&#8221;, ela questiona. Clive, o companheiro de Belle, &#233; retratado como um inseguro cr&#244;nico. Ele continua ao lado dela, mesmo sabendo da verdade. Por fim, decide n&#227;o abandon&#225;-la, pois esse &#233; o &#250;nico jeito de permanecer pr&#243;ximo ao seu enteado.</p><p>&#201; l&#243;gico que os fatores que desencadeiam da hist&#243;ria n&#227;o podem ser resumidos a medo e culpa &#8211; a complexidade &#233; muito maior. E &#233; a&#237; que entra a <a href="https://iptc.net.br/o-que-e-a-terapia-do-esquema/">Teoria do Esquema</a> (TE).</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p>Descobri a TE h&#225; poucos dias na Comunidade Inteiras, da <a href="https://robertaferec.com.br/">Roberta Ferec</a>, e estou encantada &#8211; e aliviada. Ela responde a muitas perguntas com as quais me debati por muito tempo. Com base na Terapia Cognitivo-Comportamental e outras linhas da psicologia, a teoria descreve uma rede de necessidades emocionais n&#227;o atendidas que, aliada aos tipos de personalidade &#8211; os <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cinco_grandes_(psicologia)">Big Five</a> -, pode gerar &#8220;esquemas&#8221; destrutivos que perpetuamos, mesmo de maneira inconsciente.</p><p>No caso de Belle, imagino que a aus&#234;ncia de um v&#237;nculo afetivo seguro na inf&#226;ncia, um dos principais pilares da TE, junto a caracter&#237;sticas de sua personalidade e poss&#237;veis transtornos, fomentaram suas a&#231;&#245;es em busca de valida&#231;&#227;o externa.</p><p>No meu caso &#8211; e provavelmente no seu tamb&#233;m &#8211;, h&#225; muitas nuances que podem ser cuidadas se olharmos com carinho para essa teoria. Tenho plena consci&#234;ncia de que ningu&#233;m sai inc&#243;lume &#224;s influ&#234;ncias do ambiente &#8211; sejam de familiares, amigos, colegas de escola e trabalho. Essas viv&#234;ncias, somadas &#224; nossa maior ou menor tend&#234;ncia &#224; amabilidade, abertura &#224; experi&#234;ncia, conscienciosidade, extrovers&#227;o e neuroticismo (os Big Five), geram situa&#231;&#245;es confusas e ang&#250;stias que podem nos acompanhar por toda a vida &#8211; a menos que consigamos quebrar o ciclo.</p><p>Fico feliz de ter descoberto isso a tempo de &#8211; ao menos tentar &#8211; minimizar os efeitos que isso possa causar na vida dos meus filhos. Come&#231;o me esfor&#231;ando para entender a mim mesma.</p><p><strong>Voltando &#224; s&#233;rie:</strong></p><p>Entendo que uma doen&#231;a devastadora vulnerabiliza um indiv&#237;duo a ponto de ceg&#225;-lo. N&#227;o entendo como, diante da vulnerabilidade alheia, h&#225; quem escolha se aproveitar.</p><p>Entendo que medo e culpa s&#227;o sentimentos naturais e humanos. Estou come&#231;ando a entender por que deixamos o medo e a culpa sentarem no volante e tomar decis&#245;es em nossas vidas.</p><p>Fiz (fa&#231;o) isso por muito tempo. Seja seguindo padr&#245;es que agradavam apenas aos outros e n&#227;o a mim; seja apagando minha identidade por avers&#227;o a julgamentos e na busca por amor e reconhecimento; seja evitando situa&#231;&#245;es dif&#237;ceis por receio de n&#227;o dar conta.</p><p>No caso de uma doen&#231;a, n&#227;o h&#225; escolha. &#201; preciso enfrentar os medos, mesmo fragilizados/as ao extremo, mesmo em meio a tantas incertezas. Terapias alternativas podem, sim, fornecer alento psicol&#243;gico e emocional. <strong>Mas esse &#233; um lembrete para que voc&#234; identifique seus medos (e o que est&#225; por tr&#225;s deles). Em vez de fugir, encare-os com profundidade e coragem na busca por evolu&#231;&#227;o como ser humano.</strong></p><p>Se h&#225; tanto potencial para destrui&#231;&#227;o, como Belle representa na s&#233;rie, imagine <strong>o que o mundo n&#227;o ganharia se todos n&#243;s olh&#225;ssemos com cuidado para o que nos prende</strong> &#8211; e lut&#225;ssemos, com consci&#234;ncia e compaix&#227;o, para vencer nossas limita&#231;&#245;es.</p><p><strong>A t&#237;tulo de curiosidade</strong>: a Belle da vida real &#233; entrevistada em uma cena muito bem replicada na s&#233;rie, que voc&#234; pode assistir <a href="https://www.youtube.com/watch?v=tCN2Uvyz72k">aqui</a>. <a href="https://www.glamour.com/story/apple-cider-cider-vinegar-ending-explained">Este artigo</a> mostra um resumo da vida dos personagens e das pessoas reais que os inspiraram.</p><div class="captioned-button-wrap" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/apple-cider-vinegar-medos-e-culpas?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Partilhar&quot;}" data-component-name="CaptionedButtonToDOM"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Gostou? 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Alguns diriam: um cora&#231;&#227;o partido. Para as m&#227;es, eu diria: um cora&#231;&#227;o remendado. Mas n&#227;o pense que os reparos o enfraquecem. Pelo contr&#225;rio &#8211; &#233; exatamente ali, no corta-emenda, que mora sua for&#231;a. O teste de gravidez positivo &#233; s&#243; a primeira linha de um bordado transformador.</p><p>Quando vejo uma gr&#225;vida na rua, brinco de tentar adivinhar, pelos seus gestos, se &#233; o primeiro filho. M&#227;e de primeira viagem &#233; encantada (e cansada). M&#227;e de v&#225;rias viagens ainda &#233; encantada, mas p&#233;-no-ch&#227;o (e cansada, mas aprendeu a viver com o cansa&#231;o).</p><p>Se identifico a primeira, sinto compaix&#227;o, vontade de sentar para um caf&#233; e contar verdades (com jeitinho). Bradar o qu&#227;o alto se pode voar e o qu&#227;o fundo se pode cair. Desfazer romantiza&#231;&#245;es. Esclarecer que aquele coc&#244; at&#233; o pesco&#231;o na imin&#234;ncia de um compromisso ser&#225; t&#227;o desesperador no momento quanto c&#244;mico anos depois (e sua crian&#231;a vai chorar de rir junto com voc&#234; quando puder entender). Explicar que aquele beb&#234; vai provocar da mais tenra sensa&#231;&#227;o at&#233; a maior preocupa&#231;&#227;o, e que ser&#225; dif&#237;cil de acreditar que o cora&#231;&#227;o sobrevive com tantos remendos. Ele consegue.</p><p>Se identifico a segunda, tenho vontade de bater em suas costas e trocar figurinhas. Compartilhar o voo mais alto e o tombo mais fundo. Concordar que a intui&#231;&#227;o pode ser mais confi&#225;vel que os livros. Assentir que apareceu em menos fotos do que deveria nos primeiros anos de cada filho, por se achar descabelada, enrugada, mal vestida &#8211; e, ent&#227;o, sacar o celular para tirar um selfie naquele momento. Aceitar que aquela crian&#231;a ou adolescente vai provocar desde a mais tenra sensa&#231;&#227;o at&#233; a maior preocupa&#231;&#227;o, e que ser&#225; dif&#237;cil acreditar que o cora&#231;&#227;o sobrevive com tantos remendos. Ele consegue.</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2494592e-68e3-4f18-8fad-dd8c33434b83_1600x1067.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0e6b05c7-ce73-469f-89be-3822ddd0616b_1280x853.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/23fdd307-ba68-4705-8c96-3f0b16bc8524_589x609.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/45bf1bd5-9d50-4684-b7c5-38e4fd47112d_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/61f6eb35-dfd4-44c9-a98b-dd26d60919f0_1280x720.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c45ab334-7d8e-4385-b697-1347fee4de2d_960x1280.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;&#8220;Na barriga da m&#227;e, n&#227;o se tece apenas um outro corpo. Fabrica-se a alma.&#8221; Mia Couto | Fotos: Andr&#233; Vanzin e Arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/050b3d1b-a98a-4db3-bef9-787b776d3863_1456x964.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/coracao-de-mae-e-colcha-de-retalhos/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/p/coracao-de-mae-e-colcha-de-retalhos/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><p>O olhar t&#227;o inocente, o colo, o sorriso cheio de vida, os primeiros passos e palavras. O amor que n&#227;o cabe no peito - n&#227;o &#233; poss&#237;vel que exista mais bem-querer. O tombo, um diagn&#243;stico, uma injusti&#231;a, a gritaria de cansa&#231;o-impaci&#234;ncia-preocupa&#231;&#227;o. O desespero que n&#227;o cabe no peito - n&#227;o &#233; poss&#237;vel que haja sa&#237;da. H&#225;. Costure um remendo e siga.</p><p>Cresce a altura, aparece a personalidade. O cora&#231;&#227;o da m&#227;e v&#234; evolu&#231;&#227;o, forma&#231;&#227;o de car&#225;ter, autonomia e aprendizado: brilha. Sofre bullying, deixa valores de lado para se encaixar no grupo, enfrenta sentimentos confusos. O cora&#231;&#227;o da m&#227;e se aflige ao ver o mundo que n&#227;o se controla chegar perto, provocar quedas, tristezas, desrespeitos: apaga. Costure um remendo e siga.</p><p>Os anos passam, os remendos ficam. Teimosos. Coloridos. Os passos fofos e cambaleantes dos filhos eventualmente se firmam, apoiados em costuras fortes. O cora&#231;&#227;o feito colcha de retalhos vira legado.</p><p>O pre&#231;o por amar demais &#233; alto, mas rende ex&#237;mias costureiras do amor mais imenso, mais profundo &#8211; aquele que s&#243; uma m&#227;e &#233; capaz de sentir.</p><p></p><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><strong>A M&#227;e e o Filho</strong> </pre></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">"Quem passa pela estrada </pre></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">Olha o menino calado, </pre></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">Olha a m&#227;e parada.  </pre></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">E a m&#227;e e o filho, </pre></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">Unidos na dor ou na alegria, </pre></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">De tudo sabem.  </pre></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">O vento que passa </pre></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">Assobia pela estrada. </pre></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">E o menino e a m&#227;e, </pre></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">Juntos em doce harmonia, </pre></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">A vida cantam." </pre></div><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text"><em>Henriqueta Lisboa</em></pre></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigada pela leitura! Inscreva-se gratuitamente n&#8217;O Reflexo no Espelho para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Queria salvar o mundo, mas desisti]]></title><description><![CDATA[(E me ocupei de enxergar o &#243;bvio)]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/queria-salvar-o-mundo-mas-desisti</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/queria-salvar-o-mundo-mas-desisti</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Sun, 16 Mar 2025 10:56:15 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!up2D!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa414910d-e0f9-4387-a4ef-991090f52ce7_1092x1086.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Aos 10 anos, queria ser jornalista. Lia revistas de papel com admira&#231;&#227;o pelos autores, devorava livros e comecei, timidamente, um di&#225;rio. Mas escrevia pouco, com receio de que familiares descobrissem meus &#8220;segredos&#8221;. Aos 17, queria ser m&#233;dica. O poder de identificar doen&#231;as e curar pessoas parecia de outro mundo &#8211; uma esp&#233;cie de &#8220;mestre dos magos&#8221; da vida real. Aos 20 e poucos anos, fantasiava sobre realizar trabalhos humanit&#225;rios com institui&#231;&#245;es do tipo Cruz Vermelha &#8211; um desejo que nunca compartilhei com ningu&#233;m. Talvez fosse uma tentativa de aliar o conhecimento da &#225;rea da sa&#250;de, que de fato adquiri em &#225;rea correlata, &#224; ajuda ao pr&#243;ximo. Aos 25, sonhava em descobrir a cura de c&#226;nceres raros da boca. A pesquisa b&#225;sica que desenvolvi estava longe de aplica&#231;&#245;es pr&#225;ticas e inovadoras, mas de alguma forma isso me motivava. Logo depois, me senti privilegiada por manipular c&#233;lulas-tronco em experimentos in&#233;ditos que poderiam ser a base da reabilita&#231;&#227;o oral dali a alguns anos. Antes de uma transi&#231;&#227;o de carreira do&#237;da, tamb&#233;m pensei que poderia salvar o mundo atrav&#233;s de ONGs internacionais.</p><p><strong>At&#233; esse momento, eu precisava ter um prop&#243;sito. Daqueles bem grandes, com letras garrafais.</strong></p><p><strong>Quando finalmente finquei os p&#233;s no ch&#227;o, entendi que poderia ajudar os outros &#8211; aqueles ao meu redor &#8211; com o que estava ao alcance das m&#227;os</strong>: juntando minha bagagem acad&#234;mica e minha viv&#234;ncia no exterior com uma ocupa&#231;&#227;o que pagasse as contas.</p><p>N&#227;o reinventei a roda, nem descobri a cura de nenhuma doen&#231;a: um tapa na cara da minha inocente pretens&#227;o juvenil. <strong>N&#227;o tenho escala, mas acredito na import&#226;ncia do meu trabalho.</strong> N&#227;o salvei o mundo como um dia sonhei que podia. <strong>Mas, a cada cliente que ajudo a se expor a outras culturas e formas de pensar, a cada aluno que expande o seu potencial, imagino que esteja plantando uma semente.</strong> Talvez de toler&#226;ncia, t&#227;o importante nesses dias obscuros. Talvez de transforma&#231;&#227;o. Talvez de impacto real e global. Sim, nessa magnitude mesmo &#8211; internacional, intergeracional: talvez eles consigam realizar aquilo que eu apenas sonhei.</p><p>Nem sempre foi f&#225;cil reconhecer onde eu realmente era boa. Na faculdade, minimizava meu esfor&#231;o. Na cl&#237;nica, senti minhas limita&#231;&#245;es. Na pesquisa, me encontrei. Ali, percebi que talento ajuda, mas o esfor&#231;o &#233; o que me permitiu recome&#231;ar em tr&#234;s &#225;reas diferentes, em tr&#234;s pa&#237;ses de culturas praticamente opostas. Esse aprendizado moldou a forma como encaro o trabalho hoje &#8211; e como planto minhas pequenas sementes de impacto.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><p>Sempre tive uma intui&#231;&#227;o art&#237;stica, expressa por meio de fotografia, m&#250;sica e escrita, mas nunca levei a criatividade a s&#233;rio. <strong>Me ensinaram que arte era um luxo, mas sempre senti que era essencial.</strong> Acho que por isso me emocionei tanto ao descobrir essa fala do ator Ethan Hawke um tempo atr&#225;s*. Arte n&#227;o &#233; in&#250;til. E &#233; parte de quem sou, mas que jornada foi admitir isso.</p><blockquote><p><em>&#8220;Voc&#234; acha que a criatividade humana importa? Bem, a maioria das pessoas n&#227;o passa muito tempo pensando em poesia, certo? Elas t&#234;m uma vida para viver e n&#227;o est&#227;o realmente preocupadas com os poemas de Allen Ginsberg ou de qualquer outra pessoa &#8212; at&#233; que seu pai morre; elas v&#227;o a um funeral; voc&#234; perde um filho; algu&#233;m parte seu cora&#231;&#227;o. E de repente voc&#234; est&#225; desesperado para dar sentido a esta vida. 'Algu&#233;m j&#225; se sentiu t&#227;o mal antes? Como eles sa&#237;ram desta nuvem?' Ou o inverso &#8212; algo &#243;timo. Voc&#234; conhece algu&#233;m e seu cora&#231;&#227;o explode &#8212; voc&#234; os ama tanto que nem consegue enxergar direito. Voc&#234; fica tonto. 'Algu&#233;m j&#225; se sentiu assim antes? O que est&#225; acontecendo comigo?' E &#233; a&#237; que a arte n&#227;o &#233; um luxo &#8212; &#233;, na verdade, sustento. Precisamos dela.&#8221;</em></p></blockquote><p><strong>Uma vida sem arte &#233; vazia.</strong> E, publicando ou n&#227;o, escrever &#233; essencial para mim. Aquele di&#225;rio que aos 10 tinha vergonha de preencher, hoje se enche de pensamentos com regularidade.</p><div><hr></div><p>Como aut&#244;noma, quando eu morrer, meu trabalho morre comigo. Se tive prop&#243;sito ou n&#227;o, &#233; assim que acaba. Meu impacto estar&#225; restrito a quem eu prestei servi&#231;os diretamente.</p><p><strong>J&#225; a escrita permanece, assim como meu amor no cora&#231;&#227;o dos meus filhos.</strong> <strong>Hoje, aos 43, enxergo que meu prop&#243;sito verdadeiro esteve diante do meu nariz o tempo todo. Ele n&#227;o tem letras garrafais. Tamb&#233;m n&#227;o tem um alcance enorme, e n&#227;o paga boletos. Pouco importa. Meu prop&#243;sito &#233; fazer o meu melhor naquilo que amo, e amo escrever. Se impacta algu&#233;m, n&#227;o sei. Mas j&#225; me transforma. Espero que um dia impacte e transforme meus filhos.</strong></p><p>Ainda assim, a escrita tem seus pr&#243;prios caminhos. De forma discreta e sem pressa, como &#233; da minha natureza, comecei esta newsletter. No ano passado, <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/a-partida">nossa jornada ao redor do mundo</a> tamb&#233;m me encorajou a enviar uma cr&#244;nica e uma poesia para duas colet&#226;neas, sem saber se seriam selecionadas. Foram. <strong>Ver meu nome nos livros <a href="https://www.farahserra.com/coletaneas-1/estrangeiras">Colet&#226;nea Estrangeiras &#8211; Hist&#243;rias sobre as travessias do ser</a>, idealizado e organizado pela querida </strong><span class="mention-wrap" data-attrs="{&quot;name&quot;:&quot;Farah Serra&quot;,&quot;id&quot;:105308080,&quot;type&quot;:&quot;user&quot;,&quot;url&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/5c70ee9c-604c-482e-920f-091f79e2c98c_1152x2048.jpeg&quot;,&quot;uuid&quot;:&quot;afa8e563-3310-4b69-8325-58d96ca833f6&quot;}" data-component-name="MentionToDOM"></span>, <strong>e <a href="https://www.selo-offflip.net/product-page/cota-n%C3%B3s-cr%C3%B4nica">N&#211;S 2: textos de autoria feminina</a>, publicado pelo Selo Off Flip, significou muito para mim.</strong> Senti um misto de surpresa e confirma&#231;&#227;o. N&#227;o porque buscava valida&#231;&#227;o, mas porque percebi que minha escrita, que sempre foi um espa&#231;o &#237;ntimo, tamb&#233;m pode se expandir de formas inesperadas.  </p><p><strong>Nessa altura da vida, n&#227;o posso me dar ao luxo de desperdi&#231;ar meus aprendizados humanos.</strong> Quero registr&#225;-los &#8211; mesmo que meus filhos (e eventuais leitores) discordem, questionem ou os interpretem de maneira diferente da minha. Isso n&#227;o deveria ser in&#250;til, apesar de eu mesma relutar antes de espalh&#225;-los por aqui. <strong>Ser&#225; esse um legado suficientemente bom?</strong> Independentemente da resposta, &#233; o maior legado que posso deixar &#8212; palavras e amor, na esperan&#231;a de que permane&#231;am.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!up2D!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa414910d-e0f9-4387-a4ef-991090f52ce7_1092x1086.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!up2D!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, 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Agrade&#231;o a oportunidade! </figcaption></figure></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/queria-salvar-o-mundo-mas-desisti/comments&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Deixe um coment&#225;rio&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/p/queria-salvar-o-mundo-mas-desisti/comments"><span>Deixe um coment&#225;rio</span></a></p><div id="youtube2-WRS9Gek4V5Q" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;WRS9Gek4V5Q&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/WRS9Gek4V5Q?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><p><em>*Sugiro que assista a este v&#237;deo at&#233; o fim, vale a pena (o &#225;udio est&#225; em ingl&#234;s, mas voc&#234; pode ativar as legendas em portugu&#234;s). Uma fala que amo: </em>"<em>Primeiro, precisamos sobreviver, e depois, prosperar. E para prosperar, precisamos nos expressar. Certo, aqui est&#225; o ponto crucial: precisamos nos conhecer. O que voc&#234; ama? E se voc&#234; se aproximar do que ama, quem voc&#234; &#233; ser&#225; revelado a voc&#234; &#8212; e isso se expandir&#225;.</em>"</p><p><em>**Se voc&#234; ainda n&#227;o viu a trilogia Before Sunrise, Before Sunset, e Before Midnight, estrelada por Ethan Hawke e Julie Delpy, recomendo fortemente. S&#227;o filmes em que &#8220;nada acontece&#8221;, mas repletos de reflex&#245;es lind&#237;ssimas sobre a vida.</em></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Tecnologia: recurso ou revés? Criatividade (e saúde mental) em jogo]]></title><description><![CDATA[Texto-resposta &#224; vota&#231;&#227;o dos leitores na &#250;ltima edi&#231;&#227;o]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/tecnologia-recurso-ou-reves-criatividade</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/tecnologia-recurso-ou-reves-criatividade</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Thu, 14 Nov 2024 10:33:03 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!FnYD!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fed00df2f-a141-4d98-9cc4-95a3f5820ead_960x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Assombro. Raiva. Indigna&#231;&#227;o. Batimento card&#237;aco fora de compasso. Respira&#231;&#227;o suspensa. Foi o que senti ao assistir a propaganda do novo Ipad Pro da Apple semanas atr&#225;s. N&#227;o sei bem como ca&#237; neste v&#237;deo, que foi altamente criticado nos dias subsequentes &#224; divulga&#231;&#227;o (o que me deixou mais aliviada &#8211; afinal, <strong>n&#227;o fui a &#250;nica a sentir repulsa pela destrui&#231;&#227;o de tudo o que representa minha ess&#234;ncia humana).</strong> Infelizmente, n&#227;o tem como &#8220;desver&#8221; a extravag&#226;ncia. </p><p><strong>Atualiza&#231;&#227;o (out/2025):</strong> o link do comercial original sumiu, mas o v&#237;deo abaixo traz a vers&#227;o &#8220;fixed", que achei demais! &#9829;&#65039; </p><p>Para entender a minha indigna&#231;&#227;o, imagine o v&#237;deo de tr&#225;s para frente. A m&#250;sica usada aqui foi diferente. </p><div id="youtube2-ad1CQuDDi48" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;ad1CQuDDi48&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/ad1CQuDDi48?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><p><strong>No original, a escolha da m&#250;sica foi cir&#250;rgica. A certa altura, ela diz: &#8220;</strong><em><strong>All I ever need is you</strong></em><strong>&#8221; (Tudo o que eu preciso, eternamente, &#233; voc&#234;).</strong> <strong>Voc&#234;, quem, cara p&#225;lida? Uma placa met&#225;lica capaz de nos entreter at&#233; a perda do nosso sentir? </strong><em><strong>Really? </strong></em><strong>Que afronta.</strong></p><p>Aprendi a tocar piano aos 5; praticava horas <strong>(</strong>juro!<strong>)</strong> sem cansar. Amo a l&#237;ngua portuguesa com todas as for&#231;as desde minha alfabetiza&#231;&#227;o. Tenho m&#227;e pintora e ex-professora de escola p&#250;blica e pai ex-banc&#225;rio muito bem informado que sempre me estimularam no campo intelectual. Adoro estudar, ler, aprender. Sou apaixonada por m&#250;sica, poesia, cores, livros desde que me conhe&#231;o por gente. J&#225; crescida, passei a me encantar com <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/amsterda-com-criancas-um-ponto-de">grafite</a> e galerias de arte. O estado natural da minha mente &#233; a avalanche de ideias criativas (coloc&#225;-las em pr&#225;tica de maneira organizada s&#227;o outros quinhentos e envolve outras quest&#245;es). <strong>N&#227;o tenho medo de afirmar: a natureza humana &#233; criativa. Mesmo que voc&#234; n&#227;o se perceba assim; mesmo que n&#227;o trabalhe com arte.</strong> Voc&#234; pode n&#227;o se dar conta, mas resolver problemas no dia a dia tamb&#233;m requer criatividade. O v&#237;deo mostra a destrui&#231;&#227;o da nossa natureza, sem d&#243; nem piedade, sem escapat&#243;ria. <strong>Nossa for&#231;a criativa contida num peda&#231;o de metal, fino como nunca, poderoso como nunca, at&#233; mesmo para dominar nossa humanidade. </strong><em><strong>All I ever need is you</strong></em><strong>. Aplausos.</strong></p><p>Sa&#237; do Instagram em junho passado (e n&#227;o sou melhor do que voc&#234; por isso). Deletei minha conta do X h&#225; muitos meses, n&#227;o tenho e n&#227;o planejo ter TikTok (#chataecringe). Recuperei muito da minha aten&#231;&#227;o e paz de esp&#237;rito. Minha lista de leitura evolui a olhos vistos. Meu dia rende infinitamente mais, e os gastos no cart&#227;o de cr&#233;dito com besteiras diminu&#237;ram, j&#225; que <strong>n&#227;o aproveitei o cupom da influencer para comprar um produto que n&#227;o preciso, nem um curso para curar um problema que estou quase convencida que tenho (mas no fundo, sei que n&#227;o).</strong> Protejo meus filhos ao m&#225;ximo do Youtube mas, sim, eles assistem &#224; Netflix e &#224; Disney. Minha vida &#233; perfeita? Nem de longe. Inclusive, procrastinei horrores para escrever este texto. Continuo no LinkedIN, que &#233; importante para o meu trabalho, e obviamente, aqui no Substack. Uso Youtube com frequ&#234;ncia. Talvez voc&#234; n&#227;o precise/queira/possa sair de algumas redes sociais como eu fiz, mas os especialistas dizem que um tempinho longe aqui e ali pode fazer bem. O preju&#237;zo causado pelas redes sociais &#224; nossa sa&#250;de mental est&#225; ligado ao tema de hoje, mas como d&#225; muito pano pra manga, fica para outro dia. S&#243; para dar uma palhinha, recomendo o artigo abaixo (em ingl&#234;s). Resumindo: o autor (pianista, cr&#237;tico cultural e historiador da m&#250;sica) aponta que <strong>a</strong> <strong>ind&#250;stria da distra&#231;&#227;o &#233; o setor que mais cresce na economia da cultura</strong>. A cultura da distra&#231;&#227;o engoliu a cultura do entretenimento, que por sua vez devorou a arte. Mas h&#225; algo muito mais grave acontecendo: as <em>big techs</em> procuram se firmar no &#8220;cartel da dopamina&#8221;. <strong>A cultura do v&#237;cio, muito em breve, engolir&#225; a cultura da distra&#231;&#227;o.</strong> Os CEOs sabem dos efeitos delet&#233;rios de seus produtos, mas n&#227;o param. Suas a&#231;&#245;es s&#227;o baseadas em informa&#231;&#245;es s&#243;lidas, cient&#237;ficas, em fatos inerentes ao funcionamento do c&#233;rebro humano. <strong>O ciclo do est&#237;mulo infinito &#224; dopamina causa depend&#234;ncia, que resulta em </strong><em><strong>anedonia</strong></em><strong> &#8212; a incapacidade de sentir prazer em situa&#231;&#245;es ou atividades que antes eram agrad&#225;veis.</strong> <strong>E esse &#233; um ponto-chave da depress&#227;o. Como ser&#225; esse futuro dominado pela cultura do v&#237;cio?</strong></p><div class="embedded-post-wrap" data-attrs="{&quot;id&quot;:141676786,&quot;url&quot;:&quot;https://www.honest-broker.com/p/the-state-of-the-culture-2024&quot;,&quot;publication_id&quot;:296132,&quot;embedding_publication_id&quot;:null,&quot;publication_name&quot;:&quot;The Honest Broker&quot;,&quot;publication_logo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4b9b1c6d-1d25-4039-8b7e-dd5f2858bdee_600x600.png&quot;,&quot;title&quot;:&quot;The State of the Culture, 2024&quot;,&quot;truncated_body_text&quot;:&quot;The President delivers a &#8216;State of the Union&#8217; Speech every year, but that&#8217;s a snooze. Just look at your worthy representatives struggling to keep their eyes open. That&#8217;s because they&#8217;ve heard it all before.&quot;,&quot;date&quot;:&quot;2024-02-18T21:49:18.255Z&quot;,&quot;like_count&quot;:7197,&quot;comment_count&quot;:619,&quot;bylines&quot;:[{&quot;id&quot;:4937458,&quot;name&quot;:&quot;Ted Gioia&quot;,&quot;handle&quot;:&quot;tedgioia&quot;,&quot;previous_name&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F67f10f9b-75d1-4b43-ba5e-96eb435dd4f5_400x400.jpeg&quot;,&quot;bio&quot;:&quot;Ted Gioia is author of The Honest Broker on Substack (https://www.honest-broker.com)&#8212;a frank and opinionated guide to music, books, media, and culture. 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Just look at your worthy representatives struggling to keep their eyes open. That&#8217;s because they&#8217;ve heard it all before&#8230;</div><div class="embedded-post-cta-wrapper"><span class="embedded-post-cta">Read more</span></div><div class="embedded-post-meta">3 years ago &#183; 7197 likes &#183; 619 comments &#183; Ted Gioia</div></a></div><p>Sou contra a tecnologia? De jeito nenhum! Minhas ferramentas de trabalho, sem as quais n&#227;o pago boletos, s&#227;o um computador, um Iphone e a internet. Minha &#8220;eupresa&#8221; conta com ajuda inestim&#225;vel de contabilidade online, aplicativos e programas que permitem a assinatura de contratos e o compartilhamento de documentos. N&#227;o vivo sem Gmail e WhatsApp. Uso ChatGPT praticamente todos os dias &#8212; ontem mesmo descobri fun&#231;&#245;es desse bicho que me deixaram de queixo ca&#237;do. <strong>O rob&#244; pode potencializar a criatividade, a produtividade e a intelig&#234;ncia humanas? Sem d&#250;vida. Mas, a que pre&#231;o?</strong></p><p><strong>Como ensinar aos nossos filhos que o esfor&#231;o para aprender um instrumento musical traz benef&#237;cios e exige paci&#234;ncia e perseveran&#231;a, se &#233; s&#243; apertar um bot&#227;o e a m&#250;sica &#233; automaticamente reproduzida num v&#237;deo de 15 segundos altamente chamativo e envolvente?</strong> Esses benef&#237;cios ser&#227;o necess&#225;rios no futuro? Algu&#233;m a&#237; precisar&#225; ser resiliente, ou viraremos c&#243;pias dos rob&#244;s? (Pera... n&#227;o deveria ser o contr&#225;rio? #cont&#233;mironia)</p><p>Na pandemia, depois de assistir a um curso excepcional sobre <a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLvGhFuxLazLTy5acZ1ZwuIUVRmR4xfYHo">Arte e Desenvolvimento Pessoal</a>, decidi aprender violino. Haja dedica&#231;&#227;o para conseguir tocar uma melodia minimamente decente! Receber aulas na modalidade online n&#227;o ajudou. <strong>Existem habilidades humanas que precisam de presen&#231;a, de toque, de olho no olho para serem desenvolvidas.</strong> Qual a chance de aprender a segurar o violino da maneira correta seguindo instru&#231;&#245;es por v&#237;deo, versus uma simples demonstra&#231;&#227;o da professora ao meu lado? Abdiquei do violino. Pela dificuldade e pelas dores cr&#244;nicas no ombro e no pesco&#231;o que j&#225; existiam antes das aulas, mas teimei em ignorar. Em seguida tentei o viol&#227;o e, com aulas presenciais, a evolu&#231;&#227;o foi acelerada. Parei por motivos diversos, mas n&#227;o desisti de retomar o dedilhado.</p><p>Voltemos ao v&#237;deo da Apple. A prensa hidr&#225;ulica forte, imbat&#237;vel e determinada destr&#243;i tudo o que representa a criatividade humana e imp&#245;e o acesso instant&#226;neo a cores e formas digitais num clique, sem trabalho. <strong>Embasbacado com a tela, voc&#234; destreina o seu c&#233;rebro a pensar e a criar, j&#225; que recebe tudo pronto.</strong> &#201; eficiente, sem d&#250;vida. Mas tamb&#233;m &#233; vazio de sentimento: cad&#234; o orgulho de ter conquistado algo dif&#237;cil? <strong>Aprender a tocar um instrumento &#233; coordenar m&#227;os, bra&#231;os, mente; &#233; educar seus ouvidos; &#233; absorver o impacto da melodia e entender as pr&#243;prias emo&#231;&#245;es; &#233; reproduzir com altivez uma m&#250;sica magn&#237;fica que algu&#233;m como voc&#234; criou h&#225; s&#233;culos para depois, quem sabe, inovar e criar algo diferente.</strong> Queremos humanos supereficientes e sem sentimentos, descrentes do seu pr&#243;prio potencial? Como isso afeta nossa autoestima e nossa sa&#250;de mental? Se voc&#234; acompanha o <a href="https://jonathanhaidt.com/">Jonathan Haidt</a>, j&#225; conhece algumas dessas respostas. </p><p><strong>Veja, esse texto &#233; uma cr&#237;tica, mas n&#227;o se fecha aos benef&#237;cios que a intera&#231;&#227;o homem-m&#225;quina pode trazer.</strong> Agora, como revertemos resultados como <a href="https://ultimosegundo-ig-com-br.cdn.ampproject.org/c/s/ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2024-06-18/pisa-alunos-brasil-ficam-piores-teste-criatividade.html.amp">estes</a>? &#8220;<em>Mais da metade (54,3%) dos estudantes brasileiros de 15 anos apresentou&nbsp;um baixo n&#237;vel de pensamento criativo&nbsp;para a resolu&#231;&#227;o de problemas sociais e cient&#237;ficos na&nbsp;avalia&#231;&#227;o do Programa Internacional de Avalia&#231;&#227;o de Estudantes (Pisa)</em>&#8221;. E assim, o Brasil &#233; classificado entre os 15 piores.</p><p><strong>Que a gente consiga&nbsp;tirar proveito da intera&#231;&#227;o com a m&#225;quina para potencializar nossas capacidades. Mas que tamb&#233;m saibamos reconhecer suas consequ&#234;ncias ruins e endere&#231;&#225;-las &#8230; a tempo.</strong> &nbsp;</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ed00df2f-a141-4d98-9cc4-95a3f5820ead_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/94cd0758-bd2e-428b-b42d-3a77e520ef3f_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7e406328-5a6b-4950-be3c-49af15f686bd_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ca8a7236-d959-4414-90b4-33c65b6172b9_1179x1280.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Da esquerda para a direita, de cima para baixo: i) Pintura em restaurante de Ubud, Bali; ii) Grafite na Lagoa da Concei&#231;&#227;o, em Florian&#243;polis; iii) F&#252;rstenzug (Prociss&#227;o de Pr&#237;ncipes) - obra de arte de porcelana mais longa do mundo, com 25 mil azulejos pintados um a um em Dresden, Alemanha. Data de constru&#231;&#227;o: 1871&#8211;1876; iv) Dever de casa, \&quot;Pesquisando profiss&#245;es\&quot;, da Aisha: repare na resposta 3, em que ela relata o porqu&#234; acha a profiss&#227;o escolhida interessante.&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/dad1fcc5-d09c-4b26-8526-beb08463dde7_1456x1456.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><div><hr></div><p><strong>Leitura complementar</strong></p><p><a href="https://fastcompanybrasil.com/co-design/como-a-ia-pode-estimular-ou-inibir-a-criatividade-em-jovens-estudantes/">Como a IA pode estimular ou inibir a criatividade em jovens estudantes</a> (FastCompany Brasil)</p><p><a href="https://mittechreview.com.br/ia-e-humanidade-desvendando-os-limites-da-criatividade-e-consciencia/">IA e humanidade: desvendando os limites da criatividade e consci&#234;ncia</a> (MIT Technology Review Brasil)</p><p><a href="https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.adn5290">Generative AI enhances individual creativity but reduces the collective diversity of novel content</a> (Science Advances, em ingl&#234;s)</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[De trabalho a perrengues internacionais: uma edição eclética em homenagem ao equilíbrio que não tenho]]></title><description><![CDATA[Tr&#234;s meses de inatividade: hora de sacudir a poeira!]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/de-trabalho-a-perrengues-internacionais</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/de-trabalho-a-perrengues-internacionais</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Sun, 29 Sep 2024 13:56:07 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f7b1518f-720e-41ca-8ae0-d588ea0cbaff_975x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O segundo semestre &#233;, para mim, sempre de muito, muito trabalho. Apesar de ter me formado odont&#243;loga, h&#225; mais de 12 anos sou consultora de admiss&#245;es em programas de p&#243;s-gradua&#231;&#227;o internacionais (entenda como isso aconteceu <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/sobre-desapegar-de-lugares-que-nao">aqui</a>). Meu trabalho &#233; incomum e espec&#237;fico: meus clientes s&#227;o estudantes em potencial dos melhores MBAs do mundo. Os cursos t&#234;m prazos<em> </em>para candidatura em tr&#234;s datas espec&#237;ficas durante o ano, e as duas mais visadas s&#227;o em setembro e em janeiro. Por isso, os meses precedentes viram uma loucura em termos de volume de intera&#231;&#227;o com os clientes para pensar e executar a estrat&#233;gia de candidatura, o que inclui a revis&#227;o de muitos textos em ingl&#234;s. O time conta com, nada mais, nada menos, do que <em>uma</em> pessoa (oi! &#128075;), ent&#227;o tenho capacidade limitada. Se voc&#234; &#233; pai ou m&#227;e, deve ter pensado na insanidade: os meses de pico coincidem com as... f&#233;rias das crian&#231;as (julho e dezembro). Pois &#233;. Julho foi movimentado na frente do computador e tamb&#233;m longe dele &#8211; crian&#231;as em casa e mam&#227;e surtando &#8220;s&#243; um pouquinho&#8221;. At&#233; metade de setembro, n&#227;o tirei os olhos da tela. Ter abandonado o Instagram deixou meu foco afiado; em qualquer tempo livre, trabalhei, cuidei dos filhos, li, <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/uma-terapia-chamada-corrida">corri</a> e trabalhei mais um pouco. Fiquei mais produtiva, imergi nas hist&#243;rias dos clientes. Me emocionei com algumas reda&#231;&#245;es: os candidatos contaram sobre inf&#226;ncias pesadas, perda precoce de pai e/ou m&#227;e, dificuldade para estudar amenizada por bolsas, mas com esfor&#231;o magn&#237;fico para manter boas notas, al&#233;m de batalhas constantes para se reinventar. Um deles, negro, lutou desde muito cedo contra o racismo e alcan&#231;ou resultados inimagin&#225;veis dentro de corpora&#231;&#245;es tradicionalmente brancas e repletas de pessoas privilegiadas. Que orgulho. Sou suspeita, mas essa galera merece demais entrar em uma universidade de ponta.</p><p>Afundada em trabalho, fiquei sem energia mental para escrever &#8220;amenidades&#8221; no Substack. Parece que n&#227;o aprendi nada com a <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/bug-no-sistema-nyepi-e-resolucao">cultura Balinesa</a>: al&#233;m da dificuldade em balancear vida pessoal e profissional, sofro com a limita&#231;&#227;o da minha for&#231;a criativa. Depois de semanas refletindo sobre como contar, de forma aut&#234;ntica, as hist&#243;rias dos clientes (um esfor&#231;o a quatro m&#227;os, onde o meu trabalho &#233; trazer uma perspectiva externa), minha capacidade de escrever sobre meus interesses m&#237;ngua temporariamente. N&#227;o considero isso um problema, pois a magia criativa n&#227;o me abandona (obrigada, universo!). At&#233; que&#8230; o ac&#250;mulo delas no setor imaginativo amea&#231;a explodir, e me obrigo a voltar aqui. </p><p>Noite dessas, cheguei a sonhar com a edi&#231;&#227;o de uma reda&#231;&#227;o<em> </em>e a hist&#243;ria de uma candidata. Acordo com mil planos para digitalizar mais o meu papel de consultora, mas sempre esbarro num eventual preju&#237;zo &#224; aten&#231;&#227;o personalizada que ofere&#231;o (e adoro!) a cada um dos que confiam sua candidatura na parceria comigo. Ao fim desses dias corridos, com a cabe&#231;a transbordando, foco em leituras leves* e quero dist&#226;ncia de telas&#8212;por isso sou apaixonada por livros de papel (e fa&#231;o quest&#227;o de compr&#225;-los). </p><p>De um lado da balan&#231;a, h&#225; o peso das responsabilidades profissionais: prazos, foco, organiza&#231;&#227;o e o esfor&#231;o para prestar um servi&#231;o impec&#225;vel. De outro, os pap&#233;is pessoais (como esposa, m&#227;e, filha, amiga) se acumulam junto &#224;s ideias criativas que, leves e soltas, se espalham como folhas ao vento (ou melhor, anota&#231;&#245;es aleat&#243;rias por toda parte - casa, celular, mente).    </p><p>Outra necessidade que surge nesse momento &#233; canalizar a sobrecarga mental em atividades manuais. Seja lavando a lou&#231;a ou fazendo aquela limpa no arm&#225;rio, o al&#237;vio no humor &#233; vis&#237;vel, garanto! Num s&#225;bado desses, finalmente organizei minha mesa de trabalho, inclusive&#8212;aleluia&#8212;as gavetas.</p><p>Joguei papelada fora, juntei canetas, fios, livros. Depois, mirei na mesinha das crian&#231;as. Apontei l&#225;pis at&#233; fazer calo, descartei materiais imprest&#225;veis, separei folhas reaproveit&#225;veis, organizei canetinhas, clipes e borrachas em recipientes espec&#237;ficos, e os livros de desenho e de atividades em uma caixa. Para finalizar, arranquei um pl&#225;stico colorido que foi colocado na mesa para disfar&#231;ar o tampo rabiscado. O trabalho logo chamou a aten&#231;&#227;o das crian&#231;as. No in&#237;cio, elas estranharam e questionaram o que eu estava fazendo. Mas a cor laranja-viva que ia surgindo as fez se juntar a mim. A mesinha est&#225; pequena demais para os dois. Enxerguei a sala do apartamento de S&#227;o Paulo, onde ela foi comprada: o Kai com um ano e pouco, sentadinho na cadeira azul, comendo sua fruta depois de chegar da escola; e a Aisha, com tr&#234;s, j&#225; demonstrando interesse pela arte com seus desenhos. O flashback motivou a limpeza: com esponja e detergente, esfregamos os restos de tinta guache; depois puxamos os restos de cola com a unha e uma faca sem ponta, e passamos o pano &#250;mido para tirar os res&#237;duos. Em tr&#234;s, o trabalho rendeu: de repente, contemplamos o resultado final, orgulhosos. A li&#231;&#227;o ficou: &#233; mais f&#225;cil esconder problemas, manchas e &#8220;sujeiras&#8221;, sem d&#250;vida. Ter coragem para agir, resolver ou superar as dificuldades e limpar o que n&#227;o &#233; t&#227;o bonito &#233; mais trabalhoso e exige esfor&#231;o, autoconhecimento e pensamento cr&#237;tico, mas a recompensa &#233; indescrit&#237;vel (exageros &#224; parte, ficou &#243;timo, rsrs).</p><p>Por fim<strong>, </strong>a lembran&#231;a dos meus dias de gar&#231;onete no Canad&#225; representa bem essa dicotomia entre cansa&#231;o f&#237;sico e al&#237;vio mental, e vice-versa. Foi um per&#237;odo desafiador, mas surpreendentemente gostoso, cheio de crescimento. Minha bolsa de estudos para o mestrado, ainda em odontologia, era suficiente para me manter: ganhava menos de CAD 1k por m&#234;s, e CAD 650+ ia para o aluguel &#8211; um quarto e sala num pr&#233;dio de 1931 apelidado de caixinha de f&#243;sforos. Meus vizinhos eram todos imigrantes, inclusive a zeladora, que morava no andar t&#233;rreo e ganhou a denomina&#231;&#227;o carinhosa de <em>crazytaker</em> pela forma delicada (#sqn) como se referia a todos. Tinha calafrios toda vez que descia no por&#227;o para lavar roupa na m&#225;quina compartilhada: a escada escura, o carpete cinza pouco inspirador, o corredor pequeno cheirando a <em>curry </em>e a falta de janelas davam um tom claustrof&#243;bico ao lugar.</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/81f4376b-243a-448d-b301-b49b6506adb6_975x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b8c892c3-49fb-453c-b7e6-4b2116d3e8b3_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/76fd8b48-841a-47a1-ba2a-fe6ba96a7cbb_1280x960.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Da esquerda para a direita: i) ainda com marcas, mas uma aut&#234;ntica mesa infantil; ii) prestes a assumir o papel de gar&#231;onete; iii) a caixinha de f&#243;sforos | Fotos: Arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2e3c7052-fe7e-4f74-beed-cc81445f62ef_1456x474.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>Fato &#233; que eu andava como doida pela cidade para economizar os m&#237;seros CAD 4 de ida e volta de metr&#244; at&#233; a universidade e amava os passeios, apesar das pernas constantemente doloridas. Um amigo querido recomendou uma ag&#234;ncia de empregos, e comecei a ser chamada para ajudar em eventos&#8212;casamentos, festas corporativas, anivers&#225;rios de gente rica. A experi&#234;ncia rendeu muitas hist&#243;rias engra&#231;adas, outras nem tanto: desde a cl&#225;ssica bandeja cheia de copos e ta&#231;as espatifada no ch&#227;o, passando por banho de chuva (ou melhor, temporal) a caminho de um evento no fim do mundo, at&#233; o pedido de um drink &#8220;<a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Caesar_(coquetel)">virgin caesar</a>&#8221; que precisei fazer o cliente repetir quatro vezes para entender, e chegar no bar com cara de interroga&#231;&#227;o: &#8220;Existe um drink chamado vir&amp;$n ce@#ar (leia-se, uma pron&#250;ncia qualquer) ou algo parecido?&#8221; (Depois fui saber que o &#8220;virgin&#8221; se referia a &#8220;sem &#225;lcool&#8221;). Tamb&#233;m fui xingada por gerentes acostumados a tratar imigrantes de qualquer jeito, a ponto de uma colega chorar na minha frente enquanto pol&#237;amos talheres de prata. Dei de ombros ao maldito e consolei a menina. Cheguei a trabalhar 14 horas seguidas e voltar a p&#233;, de madrugada, para casa. Me lembro at&#233; hoje de subir a Younge Street, a rua mais longa do mundo, at&#233; a altura da Earl Street&#8212;minha rua, colada ao bairro gay&#8212; feliz da vida e com a sensa&#231;&#227;o de dever cumprido. Com o corpo cansado, fato, mas com a mente leve para focar nos experimentos laboratoriais na semana seguinte, e um pouquinho mais rica (#sqn): naquela noite, faturei CAD 196, pois meu sal&#225;rio havia aumentado de CAD 12/h para CAD 14/h.</p><p>Essa lembran&#231;a j&#225; puxou outras de perrengues internacionais. Mas tamb&#233;m tenho um texto sobre corrida e outro sobre criatividade sendo constru&#237;dos no fundo da minha mente. Me ajuda a selecionar o tema para a pr&#243;xima edi&#231;&#227;o?</p><div class="poll-embed" data-attrs="{&quot;id&quot;:217934}" data-component-name="PollToDOM"></div><div><hr></div><p>* Minhas leituras est&#227;o sendo bastante motivadas pelo Clube de Leitura Dedo de Prosa, da <a href="https://www.instagram.com/sutilezasatomicas/">Tayn&#225; Saez</a> (<a href="/__u/substack.com/@sutilezasatomicas">Sutilezas At&#244;micas</a>). Se voc&#234; ainda n&#227;o conhece o trabalho dela, corra! Garanto que n&#227;o se arrepender&#225;! :)</p><p>De Machado de Assis a Socorro Acioli, as sugest&#245;es de livros s&#227;o excelentes. Por estar longe do Instagram, confesso que n&#227;o acompanho as sess&#245;es ao vivo - mas assisto aos v&#237;deos quando arranjo um tempinho. Al&#233;m disso, ela disponibiliza as Li&#231;&#245;es de Escrita de cada um dos autores&#8212;realmente, imperd&#237;vel. </p><p>Ufa, voc&#234; chegou at&#233; aqui! Obrigada pela leitura, e at&#233; a pr&#243;xima!</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Autoconsciência, empreendedorismo, diversidade, natureza: as vivências nas escolas de Bali]]></title><description><![CDATA[Um relato sobre nossa experi&#234;ncia educacional na Ilha dos Deuses]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/autoconsciencia-empreendedorismo</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/autoconsciencia-empreendedorismo</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Mon, 24 Jun 2024 11:13:42 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Vdfh!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2a57197a-4c1d-48ff-9232-03447cdb3f4d_960x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;<em>Have a good life!</em>&#8221;, foi a frase mais ouvida na cerim&#244;nia de despedida da escola <em>Marigold</em>, a &#250;ltima que Aisha e Kai frequentaram. Em poucos dias, partir&#237;amos de Bali para entrar na reta final da viagem: faltaria &#8220;s&#243;&#8221; uma breve passagem por Austr&#225;lia, Nova Zel&#226;ndia e Chile para ent&#227;o chegar ao Brasil. A etapa que parecia t&#227;o distante estava prestes a acontecer. Naquele momento os sentimentos eram intensos, e foi t&#227;o bonito escutar palavras amorosas de quem conhecemos h&#225; pouco mais de dois meses, mas que se tornaram personagens de uma hist&#243;ria t&#227;o especial. &nbsp;</p><div><hr></div><p>O planejamento da nossa viagem de 300 dias, com 8 meses de perman&#234;ncia em Bali, come&#231;ou por um elemento crucial: onde as crian&#231;as estudariam? A estrada, com suas intemp&#233;ries e belezas, j&#225; seria uma escola e tanto; mas a estadia longa em Bali nos fez procurar o melhor contexto educacional para eles.</p><p>O sonho inicial foi proporcionar a experi&#234;ncia da <em><a href="https://www.greenschool.org/bali/">Green School</a></em>: a refer&#234;ncia em escola sustent&#225;vel, &#8220;do futuro&#8221;, que nasceu em 2008. Uma visita 10 anos atr&#225;s me impressionou tanto que escrevi um artigo, publicado na minha revista do cora&#231;&#227;o, a <a href="https://mundosustentavel.com.br/a-escola-mais-verde-do-mundo/">Vida Simples</a>. No entanto, logo desanimamos ao entender a log&#237;stica necess&#225;ria: a escola fica em uma &#8220;cidade&#8221; que oferece poucas e caras acomoda&#231;&#245;es; e morar em lugares pr&#243;ximos exigiria o deslocamento das crian&#231;as por, pelo menos, uma hora. Apesar da iniciativa legal demais do <a href="https://www.greenschool.org/bali/support-us/biobus/">Bio Bus</a>, o &#244;nibus da pr&#243;pria <em>Green School</em> que se locomove 100% por energia renov&#225;vel (&#243;leo de cozinha), ainda consideramos um transtorno, j&#225; que o tr&#226;nsito de Bali n&#227;o &#233; confi&#225;vel e precisar&#237;amos transportar as crian&#231;as at&#233; pontos de embarque determinados. Tamb&#233;m seria poss&#237;vel contratar um motorista &#8211; soa chique, mas &#233; algo comum por l&#225; e relativamente em conta. No entanto, essa n&#227;o era a experi&#234;ncia di&#225;ria que t&#237;nhamos em mente para eles. Riscamos a <em>Green School</em> da lista.</p><p>Conversando rapidamente com a Simone, do <em><a href="https://ouryearinbali.com/">Our Year in Bali</a></em>, descobrimos a <em><a href="https://woodschoolbali.com/">Wood School</a> </em>em Ubud: uma escola neohumanista p&#233; no ch&#227;o que fomenta a participa&#231;&#227;o ativa dos alunos em seu processo de aprendizagem. S&#227;o quatro os princ&#237;pios dessa metodologia: desenvolvimento hol&#237;stico, universalismo, aprendizado l&#250;dico e lideran&#231;a &#233;tica, que visam promover autossufici&#234;ncia, proatividade, empatia. T&#237;nhamos zero expectativa acad&#234;mica: o objetivo inicial era cultivar a flu&#234;ncia no ingl&#234;s. E funcionou muito bem. Imagine ir de chinelo para a escola, passar a maior parte do tempo ao ar livre, engajado em projetos baseados na natureza, conversando o tempo todo em ingl&#234;s com colegas de todos os cantos do mundo e aprendendo com suas particularidades? A comida era vegana, e as crian&#231;as participavam do preparo de snacks, que era oferecido aos pais toda sexta-feira. Um dos projetos centrais que englobava todas as s&#233;ries era a angaria&#231;&#227;o de fundos para contribuir com entidades que cuidavam de cachorros de rua de Ubud. Para isso, os estudantes organizavam feiras org&#226;nicas e brech&#243;s &#8211; onde vendiam tamb&#233;m bonecas, bolsas e roupas que eles mesmos criavam nas aulas extracurriculares de costura. Aisha e Kai ainda aprenderam dan&#231;a Balinesa, e amaram distribuir livros e comida para as comunidades locais como parte do <em><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2LdVSvgTThc">Seva</a></em>. A estrutura da escola era ultrab&#225;sica, mas inclu&#237;a um pequeno campo de arroz onde as crian&#231;as estudavam sobre seu cultivo, e uma piscina. Varrer folhas do jardim, ajudar na horta, cozinhar e cuidar dos cachorros abrigados que circulavam livremente no campus fazia parte da rotina delas. Os materiais usados eram sustent&#225;veis, e a conviv&#234;ncia com foco em construir com suas pr&#243;prias m&#227;os e em comunidade ensinava naturalmente sobre diversidade, sustentabilidade, pensamento cr&#237;tico, respeito. Os cinco meses de <em>Wood School</em> foram m&#225;gicos. Conhecemos v&#225;rios tipos de mentalidades e modos de viver, inclusive como algumas fam&#237;lias se organizavam com o <em>homeschooling</em> e o <em>worldschooling</em>. A escola<em> </em>funcionava como um <em>hub</em> para aquelas que viajam em tempo integral, sem base fixa. Se por um lado a pluralidade de pessoas que se encontravam pelo campus propiciava conversas e intera&#231;&#245;es inspiradoras, por outro fazia sofrer crian&#231;as como a Aisha, que tem facilidade para construir rela&#231;&#245;es &#8211; e aqui, elas podem ser ef&#234;meras demais. Um aprendizado ambivalente, mas que remete &#224; vida: <strong>estamos todos de passagem, mas que especial &#233; ter amigos em diferentes partes do mundo para compartilhar encontros, descobertas, experi&#234;ncias.</strong> Ok, agora minha nostalgia foi ativada com sucesso (acho que j&#225; vou come&#231;ar a planejar a pr&#243;xima viagem, rs).</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2a57197a-4c1d-48ff-9232-03447cdb3f4d_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/73eb0d3b-11d0-4fed-81d2-221443d1b5d6_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8199028e-5759-4884-81b5-4566c4497c31_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/83ea77b7-ef44-4302-bede-10718a61537e_1042x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/debdb897-c97f-4b77-87e4-3a9a2c5f17aa_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/1d2de98f-bc48-4b0f-bdb8-c6981749f79b_960x1280.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Da esquerda para a direita, de cima para baixo: i) Chegando no campus da Wood School; ii) e iii) Praticando e apresentando Dan&#231;a Balinesa; iv) Preparando os snacks de sexta-feira; v) Aprendendo a costurar; vi) Mostrando a horta da turma para a mam&#227;e | Fotos: Arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e393a5b6-ce50-45d9-80d1-878b6081381a_1456x964.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>Nossa segunda viv&#234;ncia educacional em Canggu/Pererenan foi igualmente extraordin&#225;ria. <em><a href="https://www.marigoldcommunitylearning.com/">Marigold Community Learning</a></em> &#233; uma escola totalmente fora do radar marqueteiro que recomendo fortemente. Pequena, &#237;ntima, <em>empowering</em>: todos os (60, na &#233;poca) alunos se conheciam e se fortaleciam por meio de projetos abrangentes criados a partir de interesses e iniciativas pr&#243;prias. Como primeiro passo, realizamos uma entrevista com as diretoras e idealizadoras da escola para entender se havia valores alinhados. A psic&#243;loga conhecia os estudantes pelo nome e servia como apoio di&#225;rio no caso de qualquer quest&#227;o emocional ou relacional. O m&#233;todo de ensino se baseava em quatro pilares: <em>heads</em> (parte acad&#234;mica), <em>hands</em> (experi&#234;ncia pr&#225;tica), e <em>heart</em> (parte social e emocional), e na constru&#231;&#227;o de um ambiente seguro para que a crian&#231;a se expresse das mais diversas formas. </p><p>Na <em>Marigold</em>, cada membro da comunidade era valorizado de uma maneira &#250;nica e bem aos moldes da cultura local: nos anivers&#225;rios e nas despedidas, por exemplo, cada turma planejava uma cerim&#244;nia especial. Aisha e Kai presenciaram ambas. No anivers&#225;rio de cada um, comparecemos &#224; escola munidos de fotos que representavam seus anos de vida, e contamos hist&#243;rias engra&#231;adas e emocionantes. Em seguida, formamos uma roda com cada um deles ao centro, e desejos para o pr&#243;ximo ciclo foram recitados por colegas e professores. Ao final, eles ganharam uma chuva de flores sobre a cabe&#231;a, como se fosse uma b&#234;n&#231;&#227;o. Me arrepio s&#243; de descrever e me lembrar daquele momento. O bimestre passou r&#225;pido; cogitamos ficar mais um <em>term </em>para que as crian&#231;as completassem o ano escolar em Bali, que infelizmente n&#227;o se concretizou. No &#250;ltimo dia de aula, na cerim&#244;nia de despedida, Aisha e Kai receberam um livrinho com fotos e mensagens am&#225;veis dos colegas, depoimentos e auguras de uma boa viagem e uma &#8220;boa vida&#8221;, e novamente uma chuva de p&#233;talas. Choramos.</p><p>Outro ponto alto foi o show <em>Spirit of the Fire</em> criado pelos participantes de aulas extracurriculares de teatro e da dan&#231;a a&#233;rea e com fogo. Foram dois meses e meio &#8211; dois! &#8211; de <em>Marigold</em>, e Aisha se sentiu &#224; vontade para ser uma das celebrantes da apresenta&#231;&#227;o, al&#233;m de participar como artista, claro! Fiquei chocada com o n&#237;vel de fortalecimento da autoestima das crian&#231;as &#8211; a express&#227;o corporal, art&#237;stica, criativa &#8211; tudo foi elaborado por eles. Um salve ao professor Shaheene que, com seu cabelo black-power, suas leggings coloridas e unhas pintadas, foi capaz de libertar tamanha autenticidade de dentro dos pequenos.</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/1db80223-23e2-45af-9a8e-22c434d306db_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0d0f0d65-fb9c-41c9-8e2b-79d36b0f194c_1280x722.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8d90061c-869c-4685-94f9-b2296aca13c7_960x1280.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/023d6295-87ac-42a7-9a56-1b7473850427_1280x538.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/af61e28e-5402-401f-b2f8-f5fcccbe7da8_590x892.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d2163ee6-2e7e-45e4-8ac4-662655b38192_1280x960.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Da esquerda para a direita, de cima para baixo: i) A flor \&quot;Marigold\&quot;, que d&#225; nome &#224; escola; ii) e iii) a emocionante chuva de p&#233;talas; iv) e v) Homenagens de anivers&#225;rio e despedida (havia uma flor natural em cada envelope); vi) Fim do show Spirit of the Fire com o professor mais aut&#234;ntico | Fotos: Arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9cb966f2-641c-4067-8271-a40f4d25658a_1456x964.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p><strong>Que importante &#8211; e potente &#8211; &#233; despertar a autoconsci&#234;ncia desde cedo.</strong> As fases da vida ensinam li&#231;&#245;es a seu tempo, mas n&#227;o &#233; uma b&#234;n&#231;&#227;o ter gravado no seu DNA, ter estabelecido no seu modo de funcionar, essa busca ativa por experi&#234;ncias que geram autoconhecimento? Solidificar valores fundamentais que guiem decis&#245;es por toda a vida &#233;, sem d&#250;vida, tarefa dos pais e da educa&#231;&#227;o em casa. Mas no meu mundo ut&#243;pico &#8211; e talvez nossa vida em Bali tenha sido ut&#243;pica &#8211;, <strong>a escola pode ser parceira em ampliar repert&#243;rio pr&#225;tico, ensinar a valorizar o ser humano e suas diversas formas de express&#227;o, o amor por aprender e a import&#226;ncia do pensamento cr&#237;tico.</strong> Uma base consistente certamente facilita o desenvolvimento de pessoas <strong>inteiras</strong>.</p><p>Voltamos &#224; estrada, e a cada novo parquinho, novas experi&#234;ncias. As crian&#231;as interagiam com toda naturalidade com outras, inventando brincadeiras, aprendendo maneiras diferentes de virar estrelinha ou de descer o escorregador. Se l&#225; no come&#231;o da viagem, em Lisboa ou Amsterd&#227;, eles se mostravam t&#237;midos por ainda n&#227;o dominarem o ingl&#234;s e se comunicavam majoritariamente por gestos e a&#231;&#245;es, agora tudo flu&#237;a. Em um dos acampamentos da Nova Zel&#226;ndia, na &#250;nica noite em que jantamos na cozinha coletiva, eles fizeram amigos a ponto de trocar telefone e mensagens posteriormente. Aprendemos que caminho &#233; encontro, e se as despedidas doem, e se a saudade aperta depois, &#233; porque aquele tempo foi bem vivido e ficou estampado no cora&#231;&#227;o.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><h4><strong>Est&#225; decidido</strong></h4><p>Pela &#250;ltima vez postarei no Instagram a chamada deste texto nos <em>stories</em> e, ent&#227;o, deletarei o aplicativo para todo o sempre. Olha o comprometimento p&#250;blico para impulsionar a a&#231;&#227;o aqui, Brasil! Mas, de verdade: matutei sobre isso v&#225;rias vezes; chegou a hora de implementar. J&#225; passei temporadas fora do aplicativo e toda vez que volto, acontecem algumas coisas: perco a vontade de postar, pois n&#227;o vejo sentido em compartilhar meus atos mundanos, fragmento ainda mais minha aten&#231;&#227;o, aumento minha ansiedade e desperdi&#231;o um tempo precioso. Ao rever os perfis que sigo, constatei que &#233; uma ilus&#227;o achar que aprendo coisas &#250;teis por l&#225;: o conhecimento &#233; fracionado, e a rela&#231;&#227;o do tanto que me distrai versus o tanto que me ensina definitivamente n&#227;o vale as horas e a massa cinzenta perdidas. Marquei alguns nomes que me interessam e me comprometi a checar seus websites de tempos em tempos para me inteirar das novidades.</p><p>Consciente de que a escrita e este espa&#231;o me preenchem de maneira t&#227;o mais sustent&#225;vel e posso me dar esse luxo, j&#225; que minha renda n&#227;o vem do Instagram, decidi, por meio de decreto a mim mesma, sumir de l&#225;. A gota d&#8217;&#225;gua foi <a href="https://www.youtube.com/watch?v=J54k7WrbfMg">este v&#237;deo</a> em que ex-executivos do Facebook (agora Meta) falam sobre as redes que eles mesmos ajudaram a criar. Vale a pena escutar at&#233; o fim. Um gostinho aqui: &#8220;<em>So you're training your brain here, whether you think it or not... These things where you're spending hours a day are rewiring your psychology and physiology..</em>."</p><p>Se voc&#234; tem filhos, recomendo que leia <a href="https://www.afterbabel.com/p/parents-guide-to-smartphones">este artigo</a> e acompanhe o trabalho do psic&#243;logo social <a href="https://jonathanhaidt.com/">Jonathan Haidt</a> e suas pesquisas sobre redes sociais. Al&#233;m disso, seu livro <a href="https://www.amazon.com.br/hip%C3%B3tese-felicidade-encontrando-verdade-sabedoria/dp/6550520479/ref=sr_1_1?adgrpid=135127384304&amp;dib=eyJ2IjoiMSJ9.TzNPn7CbKrIPgLAhFTaOQPuZbxFhJoAt_3LxLG_NLFOWLaMjHTFSqEqSvp31-Nv2ztc8Zsk4YIq5lXEQsztKY7YtVnbfa5pVjcwcPTRKvBerDqlB_JANjla6OpOiXUnt57iz0bhWZByY-PtKvlyPVOsNE9qzRHHWX3ccnkhqDtAEkeRXM5ElT4ql8JGIbq5GJjPekNfQlLOOYP3VdsyJonepWXEqNpxERpa5Hev4R1GbwBAwdPmAFUjG3hLOaiFW-efgs5lX-DGQNiEAF34NNOi2uQygEKzOoSQ24Wnpgys.nAWZWZRS2RA4Wrk0ThXE9APs43rkyWi5IqTvX3Q-Yrs&amp;dib_tag=se&amp;hvadid=595973285915&amp;hvdev=c&amp;hvlocphy=9195863&amp;hvnetw=g&amp;hvqmt=e&amp;hvrand=13650537812360636501&amp;hvtargid=kwd-1662245675017&amp;hydadcr=22276_13354398&amp;keywords=a+hip%C3%B3tese+da+felicidade&amp;qid=1719191107&amp;sr=8-1">Happiness Hypothesis</a> &#233; uma obra-prima - vale conferir.</p><p>Amigos pr&#243;ximos: essa &#233; s&#243; mais uma desculpa para marcarmos encontros pessoais com mais frequ&#234;ncia &#8211; e a&#237; sim, com uma ta&#231;a de vinho na m&#227;o e bons momentos compartilhados ao vivo, trocar figurinhas sem <em>likes</em> e picos extremos de dopamina.</p><p>Caso voc&#234; queira se conectar comigo pelo LinkedIN, <a href="https://www.linkedin.com/in/daianastolf/">estou aqui</a>! </p><p>At&#233; breve!</p><div class="captioned-button-wrap" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/autoconsciencia-empreendedorismo?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Partilhar&quot;}" data-component-name="CaptionedButtonToDOM"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigada por ler O Reflexo no Espelho. Compartilhe este texto com algu&#233;m!</p></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/autoconsciencia-empreendedorismo?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Partilhar&quot;}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/p/autoconsciencia-empreendedorismo?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Partilhar</span></a></p></div><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Retorno e primeiras impressões]]></title><description><![CDATA[Same same, but different]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/retorno-e-primeiras-impressoes</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/retorno-e-primeiras-impressoes</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Tue, 28 May 2024 12:00:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!UxFV!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ec97885-fc64-43a2-9acf-1fa9c0ec6636_1200x1600.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>No dia 25 de abril, &#224;s 21:30, pousamos em solo brasileiro. Aisha chorou um choro emocionado, feliz. Kai sorriu um sorriso contente. Saindo do avi&#227;o, senti o cheiro da maresia e a umidade caracter&#237;sticos de Floripa. &#8220;<em>Acabou a aventura, mas &#233; bom voltar para casa</em>&#8221;, pensei. A viagem me fez redefinir o significado de casa: por aproximadamente 300 dias, nove pa&#237;ses e incont&#225;veis lares tempor&#225;rios, o importante era estar em companhia dos meus. Da <em>guesthouse</em> com mofo no teto ao hotel de luxo, da barraca de camping que fervia na noite insuportavelmente quente ao barco que rangia, e tamb&#233;m na <em>campervan</em> que balan&#231;ava ao menor espirro, mor&#225;vamos um no outro. Mas pisar novamente no lugar que tem a nossa cara, jeito e cora&#231;&#227;o foi gostoso. Depois de tr&#234;s noites insones em Santiago do Chile por causa da diferen&#231;a de fuso hor&#225;rio (16 horas) e da expectativa do retorno, relaxamos. Uma noite sem ter que tomar melatonina, am&#233;m, senhor.</p><p>Nos primeiros dias, fomos surpreendidos por uma enxurrada de amor e de curiosidade. Encontros com a fam&#237;lia para matar a saudade, promessas de caf&#233;s e reuni&#245;es informais com amigos e conhecidos para contar as hist&#243;rias da estrada, muitas perguntas sobre o que gostamos, como as crian&#231;as se adaptaram, se deu vontade de rodar mais. A sensa&#231;&#227;o foi de que vivemos tr&#234;s vidas enquanto, aqui, a rotina mudou pouco ou quase nada. N&#227;o pude deixar de pensar nos paradoxos. Foi f&#225;cil de voltar para o &#8220;sistema&#8221;: mal cheguei e me vi comprando uniforme, encapando caderno escolar, pagando boletos e marcando reuni&#245;es de trabalho &#8211; agora sem problemas com o fuso. Fui engolida por tamanha carga mental que n&#227;o sobrou espa&#231;o na cachola para escrever sobre o &#250;ltimo m&#234;s de viagem. Ao mesmo tempo, muita coisa mudou da pele para dentro: menos paci&#234;ncia com o que faz mal e achamos que precisamos aguentar, mais autenticidade nos atos, mais consci&#234;ncia de h&#225;bitos bons e ruins e do que acende uma luzinha interna de coragem e bem-estar. S&#243; faltou tempo para respirar &#128517; (contradit&#243;rio, eu sei).&nbsp;</p><p>Aisha teve um febr&#227;o assim que entrou maio; o que era suspeita de dengue virou probabilidade de influenza. Perdemos a festa de anivers&#225;rio da sobrinha querida em outra cidade. Junto ao cansa&#231;o e &#224; readapta&#231;&#227;o de toda a fam&#237;lia, um profundo pesar tomou conta do meu cora&#231;&#227;o ao ler as manchetes sobre a enxurrada que assolou o Rio Grande do Sul. A preocupa&#231;&#227;o inicial com a minha pequena, que sinalizou melhora no terceiro dia de doen&#231;a, deu lugar a uma tristeza sem fim ao imaginar nossos vizinhos perdendo tudo. As ruas do bairro onde moro enchem com facilidade com qualquer chuvinha. Consegui imaginar o cen&#225;rio catastr&#243;fico que vi nas redes acontecer diante dos meus olhos.</p><p>Neste nosso lar fixo, sabe-se-l&#225;-at&#233;-quando permanente, existem fotos de inf&#226;ncia e de momentos especiais dos habitantes adultos e crian&#231;as. H&#225; enfeites com significado, quadros com hist&#243;ria, plantas e livros que cuidamos e guardamos com carinho. A <a href="https://www.instagram.com/zackmagiezi/">caneca po&#233;tica</a>, a outra que representa o <a href="https://www.instagram.com/dezarranjoilheu/">manezinho da ilha</a>, o livro do Desassossego, o outro sobre Felicidade, e aquele sobre Saudade. A pintura de um <a href="https://www.instagram.com/thiagothipan/">artista local incr&#237;vel</a> baseada em uma foto de p&#244;r do sol na praia tirada durante a pandemia. Isso &#233; o que, de material, me doeria se eu perdesse. Nunca fui fashionista; compro poucas roupas que repito muitas vezes. Depois da nossa aventura, passei a me importar ainda menos com esse quesito: admiro as fam&#237;lias que viajam o mundo de um jeito minimalista (leia-se, uma mochila pequena para cada integrante). Uma escolha consciente. &nbsp;</p><div class="image-gallery-embed" data-attrs="{&quot;gallery&quot;:{&quot;images&quot;:[{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/1ec97885-fc64-43a2-9acf-1fa9c0ec6636_1200x1600.jpeg&quot;},{&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/02e9aab6-1d95-4e98-9db2-59f3bacb23ef_1200x1600.jpeg&quot;}],&quot;caption&quot;:&quot;Apegos | Fotos: Arquivo pessoal&quot;,&quot;alt&quot;:&quot;&quot;,&quot;staticGalleryImage&quot;:{&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/374b7189-9fb4-4e1a-b29f-4cf66f3b0fc2_1456x720.png&quot;}},&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p>Ver pessoas perderem seus lares - o pouco que frequentemente &#233; muito, que tem valor al&#233;m do dinheiro -, de maneira bruta e desesperada, me fez desmoronar. E as vidas... ah, as vidas! Potencial humano desperdi&#231;ado, sonhos afogados, bichinhos afundados, afetos arruinados. Que dor profunda. Acompanhei not&#237;cias a ponto de paralisar; n&#227;o tive &#226;nimo para postar fotos da nossa jornada de <em>campervan </em>na Nova Zel&#226;ndia e nem dos dias agrad&#225;veis que passamos em Santiago na rede social. Um destaque ficou pela metade; outro, inexistente. Muita gente estranhou ao me ver pessoalmente, pois achava que ainda est&#225;vamos na estrada. Naquele momento, era hora de destacar maneiras de doar nos stories e nos grupos com amigos gringos, apesar do meu pouco alcance. Doei dinheiro para uma fam&#237;lia conhecida, e roupas, sapatos, kits de higiene, toalhas, brinquedos e livros para outras que nunca conhecerei. Sa&#237; das redes para evitar ver tanta tristeza. Voltei. Comprei <a href="https://www.instagram.com/p/C7BobeNocUU/?igsh=MWl2c296dTZpMjJpeg==">aul&#227;o</a> e <a href="https://www.instagram.com/p/C6oXaEdu1T4/?igsh=NThrNWg1enJtNHFs">manual de escrita</a> beneficentes, mesmo sem energia para escrever, e contribu&#237; com uma a&#231;&#227;o para distribui&#231;&#227;o de cobertores. O que fiz foi uma fra&#231;&#227;o do m&#237;nimo; o que quem ajuda <em>in loco</em> faz at&#233; hoje, quase um m&#234;s dentro do pesadelo, &#233; digno de hero&#237;smo.</p><p>Os dias passaram, os paradoxos continuaram. Enquanto senti raiva lidando com pre&#231;os exorbitantes de servi&#231;os e produtos para reparos da casa, levando &#8220;bolo&#8221; de prestadores ou tentando me &#8220;acostumar&#8221; novamente &#224; desigualdade social deste pa&#237;s, tamb&#233;m admirei a for&#231;a dos atingidos e dos volunt&#225;rios, e me orgulhei da solidariedade do ser humano, tamanha mobiliza&#231;&#227;o para doa&#231;&#245;es materiais e imateriais. Se por um lado aprendi na viagem que podemos funcionar com muito pouco consumismo, por outro &#8220;senti&#8221; a dor de quem perdeu o b&#225;sico para viver. &#201; &#243;timo estar de volta, reatar la&#231;os com amigos e fam&#237;lia e entrar numa rotina sem ter que navegar em outras l&#237;nguas e modos de viver; mas sinto uma falta imensa de explorar o desconhecido, desafiar meus medos a todo instante e me maravilhar com o diferente. A rede social me deu acesso a <a href="https://www.instagram.com/isthisreal?igsh=Y295amw4bHZndHN3">hist&#243;rias comoventes</a> de v&#237;timas da enchente e a in&#250;meras formas de ajudar, al&#233;m de me conectar com uma galera legal interessada em nossa aventura, mas sei que consome minha sa&#250;de mental e cogito h&#225; um tempo sair definitivamente de l&#225;.</p><p>Escrever &#233; terap&#234;utico, mas &#224;s vezes preciso me esconder na minha caverninha para simplesmente sentir, respirar fundo, deixar passar. Anoto <em>insights</em> e pensamentos em todo lugar: no grupo de <em>Whatsapp</em> comigo mesma, cadernos espalhados pela casa, p&#225;ginas do <em>Word</em> aleat&#243;rias. Quando percebo que &#233; hora, sento na frente do computador e, em geral, o texto flui. Depois vem a matura&#231;&#227;o da ideia e as revis&#245;es. Ainda estou processando a viagem, a volta, os acontecimentos ao redor. Listei todos os assuntos que ainda quero abordar sobre Bali e outros lugares pelos quais passamos. A tristeza com a enchente est&#225; arrefecendo, ainda que n&#227;o tenha sumido. A pausa da newsletter foi necess&#225;ria para aterrissar, de fato, na velha-nova realidade. O contexto &#233; o mesmo de antes, mas sou diferente. Olho com carinho para as fotos dos &#250;ltimos meses &#8212; eles j&#225; parecem distantes, uma miragem. Ao mesmo tempo, as experi&#234;ncias est&#227;o impressas no cora&#231;&#227;o e na mem&#243;ria. Atravessei o mundo e voltei ao mesmo lugar, mas n&#227;o &#224; estaca zero. Sou grata por ter, em primeiro lugar, embarcado: acredito que cruzar geografias, culturas, quil&#244;metros e outros modos de pensar &#233; uma das maneiras mais interessantes de se descobrir. Mas a viagem interna de autoconhecimento independe de deslocamentos f&#237;sicos, e os corajosos a percorrem durante uma vida inteira.</p><p>Tudo o que acontece conosco deixa marcas. Grandes traumas deixam cicatrizes. Aos ga&#250;chos, desejo coragem e &#226;nimo para a reconstru&#231;&#227;o. Sigo ajudando como posso, e estendo o convite para que voc&#234; compre de empresas da regi&#227;o. Que tal um pijama quentinho da <a href="https://www.babydoo.com.br/">Babydoo</a> para as crian&#231;as ou um livro da <a href="https://www.livrariataverna.com.br/">Livraria Taverna</a>? Se souber de outros nomes ou links de com&#233;rcios locais, compartilhe nos coment&#225;rios para aumentarmos essa corrente.***</p><p>Termino com uma cita&#231;&#227;o e um post que me representam neste momento. At&#233; breve!</p><div class="pullquote"><p>&#8220;Percebo que se fosse est&#225;vel, prudente e est&#225;tico, viveria na morte. Por isso, aceito a confus&#227;o, a incerteza, o medo e os altos e baixos emocionais. Porque esse &#233; o pre&#231;o que estou disposto a pagar por uma vida flu&#237;da, perplexa e excitante&#8221;.</p><p>~Carl Rogers</p></div><div class="instagram-embed-wrap" data-attrs="{&quot;instagram_id&quot;:&quot;C7fSmzOPxbB&quot;,&quot;title&quot;:&quot;A post shared by @a_crislisboa&quot;,&quot;author_name&quot;:&quot;a_crislisboa&quot;,&quot;thumbnail_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/__ss-rehost__IG-meta-C7fSmzOPxbB.jpg&quot;,&quot;like_count&quot;:null,&quot;comment_count&quot;:null,&quot;profile_pic_url&quot;:null,&quot;follower_count&quot;:null,&quot;timestamp&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true}" data-component-name="InstagramToDOM"></div><div><hr></div><p>Links interessantes:</p><p><a href="/__u/open.substack.com/pub/alinevalek/p/deja-vu?r=8rtun&amp;utm_medium=ios">D&#233;-j&#224;-vu</a>, da news Uma Palavra</p><p><a href="https://www.uol.com.br/splash/colunas/pagina-cinco/2024/05/27/destruicao-livros-rio-grande-do-sul-inundacao-livrarias-editoras.htm?fbclid=PAZXh0bgNhZW0CMTEAAaZKEeLwlPIlRknVT58BX05-gKWfjIElCtN32767E6RStb2VvVvsa2Gl0Y4_aem_AV6avK_FsgOfweLFnV3TLcCNXdlEQXhi-O0bTxPKvaGiRE3p6XZPDRZ23wIUNJpPR4Td6CEl_fFWW9kXkJ7Sdm7F">Como dar uma for&#231;a para o povo do livro</a>, do <a href="/__u/substack.com/@paginacinco?r=8rtun&amp;utm_medium=ios&amp;utm_source=profile">Rodrigo Casarin</a>, via <a href="/__u/vanessaguedes.substack.com/">Vanessa Guedes</a> (cujas news adoro acompanhar)</p><p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GdwnmdAjqMY&amp;list=PLhS5OrpTv6-YlzpQlfsnGjjMYSUW_h7Ow&amp;index=9">Autoconhecimento, segundo Gibran</a>, da Professora L&#250;cia Helena Galv&#227;o</p><p><strong>***Atualiza&#231;&#227;o:</strong> acabei de encontrar o post abaixo! Apoie uma empresa ga&#250;cha da lista!</p><div class="instagram-embed-wrap" data-attrs="{&quot;instagram_id&quot;:&quot;C7NAY9_OYyp&quot;,&quot;title&quot;:&quot;A post shared by @viaaromaoficial&quot;,&quot;author_name&quot;:&quot;viaaromaoficial&quot;,&quot;thumbnail_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/__ss-rehost__IG-meta-C7NAY9_OYyp.webp&quot;,&quot;like_count&quot;:null,&quot;comment_count&quot;:null,&quot;profile_pic_url&quot;:null,&quot;follower_count&quot;:null,&quot;timestamp&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true}" data-component-name="InstagramToDOM"></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Som, memórias e suor]]></title><description><![CDATA[Trilha sonora para pensamentos aleat&#243;rios]]></description><link>https://daianastolf.substack.com/p/som-memorias-e-suor</link><guid isPermaLink="false">https://daianastolf.substack.com/p/som-memorias-e-suor</guid><dc:creator><![CDATA[Daiana Stolf]]></dc:creator><pubDate>Mon, 25 Mar 2024 10:00:38 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!AFje!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F455d56d7-9ae7-4265-bcfb-3a0847316f41_960x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Na carona da moto, percebo o sol <s>banhando</s> esturricando meus bra&#231;os e pernas. Imagino os melan&#243;citos pedindo socorro. S&#227;o 9:30 da manh&#227; e o calor j&#225; est&#225; enervante. Chego na academia sentindo falta da energia do caf&#233; que eu n&#227;o tomei. A gastrite, essa danada, tem me tirado prazeres mundanos essenciais. Respiro fundo e subo no &#250;ltimo el&#237;ptico dispon&#237;vel, j&#225; que todas as esteiras est&#227;o ocupadas. Olho para a tela do celular na tentativa de decidir se escuto a Oficina de Poesia do <a href="/__u/lucaoescritor.substack.com/">Luc&#227;o</a>, os 4 Degraus para uma Vida Organizada da Professora L&#250;cia Helena Galv&#227;o, ou o curso de Alfabetiza&#231;&#227;o do Di&#225;rio Desescolar. <strong>Noto a mente transbordando de pensamentos aleat&#243;rios e escolho, s&#243; por hoje, ouvir pura e simplesmente&#8230; m&#250;sica.</strong></p><p>Prestes a sair de Bali, com sentimentos misturados e aflorados pela transi&#231;&#227;o que vivo, gesticulo baixinho com Tom Chaplin sem me importar se tem algu&#233;m olhando:</p><blockquote><p><strong>&#8220;Meet me in the morning when you wake up / Meet me in the morning, then you&#8217;ll wake up / If only I don&#8217;t bend and break / I&#8217;ll meet you on the other side / I&#8217;ll meet you in the light&#8221; &#8211; <a href="https://spotify.link/RKOP0hCe9Hb">Keane</a></strong></p><p>&#8220;Procure-me de manh&#227;, quando acordar / Procure-me de manh&#227;, ent&#227;o voc&#234; despertar&#225; / Se pelo menos eu n&#227;o dobrar e quebrar / Eu encontrarei voc&#234; do outro lado / Eu encontrarei voc&#234; na luz&#8221;</p></blockquote><p>Acelero o passo e aumento a velocidade. O cora&#231;&#227;o bate mais forte. Concordo com <a href="https://spotify.link/RegkjuKe9Hb">Bia Sabino</a> que <strong>&#8220;Toda gente / Que maravilha, t&#227;o diversamente diferente / Quer voar voou / Todo mundo &#233; passarinho / Como &#233; que a gente nunca notou&#8221;.</strong></p><p>Ah, Bia, todo mundo tem asas, mas nem todos ousam abri-las, muito menos experimentar o voo. Como uma medrosa em recupera&#231;&#227;o eterna (hoje, mais plena), sorrio ao me deparar com a frase &#8220;Coragem &#233; o medo em movimento&#8221;, atribu&#237;da a Gl&#225;ucia Ribeiro. De fato, levei-a ao p&#233; da letra com a experi&#234;ncia dos &#250;ltimos 8+ meses.</p><p>Observo a idosa nadando na piscina ol&#237;mpica de <em>snorkel</em>. Imagino-me em seu lugar: 70 e tantos anos, na ilha dos Deuses, num <em>beach club</em>, praticando esporte e sem dar a m&#237;nima se algu&#233;m acharia estranho usar <em>snorkel</em> na piscina. <em>Not bad.</em></p><blockquote><p><strong>&#8220;You think that I wanna run and hide / I keep it all locked up inside / I just want you to find me / I&#8217;m not lost, I&#8217;m not lost, just undiscovered&#8221; &#8211; <a href="https://spotify.link/Ub6QIoRe9Hb">James Morrison</a></strong></p><p>&#8220;Voc&#234; acha que eu quero correr e me esconder / Mantenho tudo trancado aqui dentro / Eu s&#243; quero que voc&#234; me ache / Eu n&#227;o estou perdido, n&#227;o estou perdido, apenas n&#227;o descoberto&#8221;</p></blockquote><p>James me recorda que, por muito tempo, desejei ser reconhecida pelos outros. Constantemente me preocupei com o que iriam pensar de mim se eu fosse eu mesma. Dancei conforme a m&#250;sica, me forcei a encaixar onde n&#227;o cabia, n&#227;o quis incomodar. Ansiava por elogios. Antes tarde do que mais tarde, aqui estou, escrevendo por motiva&#231;&#227;o interna, sem me importar com <em>likes </em>ou aprova&#231;&#245;es. Se isso acontece naturalmente, fico feliz. Mas a felicidade bruta, o senso de dever cumprido e de estar vivendo minha ess&#234;ncia acontece assim que termino de rabiscar um rascunho.</p><blockquote><p><strong>&#8220;If I kiss you where it&#8217;s sore / If I kiss you where it&#8217;s sore / Will you feel better, better, better? / Will you feel anything at all? [&#8230;] If you never say your name out loud to anyone / They can never ever call you by it&#8221; &#8211; <a href="https://spotify.link/Hd7Lnf4e9Hb">Regina Spektor</a></strong></p><p>Se eu o beijar onde est&#225; machucado, / Se eu o beijar onde est&#225; machucado, / Voc&#234; se sentir&#225; melhor, melhor, melhor? Voc&#234; vai sentir alguma coisa? [&#8230;] &#8220;Se voc&#234; nunca disser o seu nome em voz alta para algu&#233;m / Nunca poder&#227;o lhe chamar por ele&#8221;</p></blockquote><p>Sim, Regina! Hoje sei dizer meu nome em voz alta. Tocar algu&#233;m com minhas palavras s&#243; poder&#225; acontecer se eu n&#227;o guardar o que vivo e penso. Sentirei tudo, Regina! Transbordo emo&#231;&#227;o. Agora, precisamente, sinto dor na minha coxa, e ela me motiva a continuar o exerc&#237;cio. Imagino as fibras musculares sorrindo.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/p/som-memorias-e-suor?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Partilhar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/daianastolf.substack.com/p/som-memorias-e-suor?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Partilhar</span></a></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AFje!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F455d56d7-9ae7-4265-bcfb-3a0847316f41_960x1280.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AFje!, /__u/daianastolf.substack.com/w_424, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F455d56d7-9ae7-4265-bcfb-3a0847316f41_960x1280.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AFje!, /__u/daianastolf.substack.com/w_848, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, /__u/daianastolf.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F455d56d7-9ae7-4265-bcfb-3a0847316f41_960x1280.jpeg 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AFje!, /__u/daianastolf.substack.com/w_1272, /__u/daianastolf.substack.com/c_limit, /__u/daianastolf.substack.com/f_webp, /__u/daianastolf.substack.com/q_auto:good, 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Pessoas em traje de banho passam para l&#225; e para c&#225;: corpos gordos e magros, altos e baixos, brancos e negros. Lembro-me do meu pr&#243;prio: da barriga que tem marcas porque gestou, do melasma que nunca mais me largou, das gordurinhas que fizeram morada em mim. O estilo de vida saud&#225;vel de Bali me fez perder uns quilos sem muito esfor&#231;o. Ontem mesmo, no espelho, levantei a sobrancelha e a pele fl&#225;cida do rosto com os dedos para ver como ficava. Certamente aparentaria uns 10 anos a menos com um botox aqui e ali. Um total de zero vontade de submeter meu corpo &#224; subst&#226;ncia me tomou por completo, e deixei tudo despencar &#224; merc&#234; da natureza. Isso, essa sou eu. Coincidentemente, neste momento, Fernando Anitelli me d&#225; respaldo: &nbsp;</p><blockquote><p><strong>&#8220;Todo sujeito &#233; livre para conjugar o verbo que quiser / Todo verbo &#233; livre para ser direto e indireto / Nenhum predicado ser&#225; prejudicado / Nem a frase, nem a crase e ponto final! / Afinal, a m&#225; gram&#225;tica da vida nos p&#245;e entre pausas, entre v&#237;rgulas / E estar entre v&#237;rgulas pode ser aposto / E eu aposto o oposto / Que vou cativar a todos / Sendo apenas um sujeito simples&#8221; &#8211; <a href="https://spotify.link/whpPnBsf9Hb">O Teatro M&#225;gico</a></strong></p></blockquote><p>E ent&#227;o, a Florence evoca o tempo em que me vi sem r&#243;tulos pela primeira vez na vida. Um per&#237;odo assustador e bonito.</p><blockquote><p><strong>&#8220;Happiness hit her / Like a train on a track / Coming towards her / Stuck, still no turning back [&#8230;] The dog days are over / The dog days are over / Can you hear the horses / &#8216;Cause here they come&#8221; &#8211; <a href="https://spotify.link/THRD9yEf9Hb">Florence + The Machine</a></strong></p><p>&#8220;A felicidade a atingiu / Como um trem nos trilhos / Vindo na dire&#231;&#227;o dela / Parada, n&#227;o h&#225; como retornar&#8221; [&#8230;] Os dias de c&#227;o acabaram / Os dias de c&#227;o terminaram / Voc&#234; consegue ouvir os cavalos? / Porque a&#237; v&#234;m eles&#8221;</p></blockquote><p>Abro um sorriso de canto. Essa m&#250;sica &#233; meu s&#237;mbolo de alforria, de quando <a href="/__u/daianastolf.substack.com/p/sobre-desapegar-de-lugares-que-nao">me libertei</a> de mim mesma (e dos outros!) na Su&#237;&#231;a. Cavalos contentes me encontraram em Boston em mar&#231;o de 2012, livre, sem versos, sem legenda, perdida e livre. J&#225; disse livre? Feliz.</p><blockquote><p><strong>&#8220;Nem tudo &#233; como voc&#234; quer / Nem tudo pode ser perfeito / Pode ser f&#225;cil se voc&#234; / Ver o mundo de outro jeito [&#8230;] S&#227;o &#225;guas passadas / Escolha uma estrada e n&#227;o olhe / N&#227;o olhe pra tr&#225;s&#8221; &#8211; <a href="https://spotify.link/1UM13mMf9Hb">Capital Inicial</a></strong></p></blockquote><p>Dinho Ouro Preto resumiu: a carreira ficou imperfeita, dei as costas ao caminho cheio de potencial; a escolha foi minha. Abandonei o que n&#227;o fazia sentido. Nos meses e at&#233; anos subsequentes, olhei para tr&#225;s mais do que deveria, confesso. A jornada foi dif&#237;cil, mas n&#227;o &#233; que o destino me reservou surpresas t&#227;o maravilhosas? Continuemos: desviando, mudando, sem arrefecer. Como confirma minha can&#231;&#227;o favorita do document&#225;rio <a href="https://www.youtube.com/watch?v=16l_OcIjqYk">1 Giant Leap</a>:</p><blockquote><p><strong>&#8220;We've all got things that are hanging about / Things that make us cool / Things that make us whack / Things that make us mad / Things we wish we never had done / But they're just the things that make us real / Not the maps to guide where we go from here / The road twists and braids our hair / Until we all get there.&#8221; - <a href="https://spotify.link/wDl6oSwj9Hb">1 Giant Leap</a></strong></p><p>&#8220;Todos n&#243;s temos coisas pendentes / Coisas que nos tornam legais / Coisas que nos tornam estranhos / Coisas que nos deixam loucos / Coisas que desejamos nunca ter feito / Mas s&#227;o apenas as coisas que nos tornam reais / N&#227;o s&#227;o os mapas para guiar para onde vamos a partir daqui / A estrada torce e entrela&#231;a nossos cabelos / At&#233; que todos cheguemos l&#225;.&#8221;</p></blockquote><p>O jardineiro aparece na janela. Corta com precis&#227;o os arbustos, que continuam atraindo borboletas e beija-flores. Aisha e Kai tentariam pegar a borboleta nas m&#227;os para apreci&#225;-la e depois solt&#225;-la. Recordo que encontramos uma m&#250;sica com o nome de cada um deles: de <a href="https://spotify.link/hJHoJ8rQ8Hb">John Coltrane</a> e de <a href="https://spotify.link/QeV55htQ8Hb">Limujii</a>, respectivamente. Adoro que s&#227;o instrumentais, j&#225; que quero exp&#244;-los a diferentes sons (e, secretamente, faz&#234;-los se apaixonar por m&#250;sica tamb&#233;m). E ent&#227;o, Edith Whiskers canta sobre a minha casa - o mundo, com eles:</p><blockquote><p><strong>&#8220;We laugh until we think we'll die, barefoot on a summer night / Nothing new is sweeter than with you / And in the streets, we run afree, like it's only you and me / Geez, you're something to see [&#8230;] Oh, home, let me come home / Home is whenever I'm with you / Oh, home, let me come home / Home is wherever I'm with you&#8221; - <a href="https://spotify.link/D3EvtiWf9Hb">Edith Whiskers</a></strong></p><p>&#8220;N&#243;s rimos at&#233; acharmos que vamos morrer, descal&#231;os em uma noite de ver&#227;o / Nada de novo &#233; mais doce do que com voc&#234;s / E nas ruas, corremos livremente, como se f&#244;ssemos somente voc&#234;s e eu / Caramba, voc&#234;s s&#227;o algo a se ver / Oh, casa, me deixe ir para casa / Casa &#233; sempre que eu estou com voc&#234;s / Oh, casa, me deixe ir para casa / Casa &#233; qualquer lugar que eu esteja com voc&#234;s&#8221;</p></blockquote><p>O ajudante do jardineiro recolhe as folhas ca&#237;das com a vassoura de palha t&#237;pica da regi&#227;o. Os dois vestem cal&#231;as, mangas compridas e botas verdes. Em suas costas, l&#234;-se <em>landscape</em> (paisagismo). Ren&#233; aparece com sua voz forte e a letra impactante para me lembrar das paisagens todas que tive o privil&#233;gio de enxergar nos &#250;ltimos meses. &nbsp;&nbsp;</p><blockquote><p><strong>&#8220;Soy las ganas de vivir / Las ganas de cruzar / Las ganas de conocer / Lo que hay despu&#233;s del mar / Yo espero que mi boca nunca se calle / Tambi&#233;n espero que las turbinas de este avi&#243;n nunca me fallen / No tengo todo calculado ni mi vida resuelta / Solo tengo una sonrisa, y espero una de vuelta / Yo conf&#237;o en el destino y en la marejada [&#8230;] La renta, el sueldo / El trabajo en la oficina / Lo cambi&#233; por las estrellas / Y por huertos de harina / Me escap&#233; de la rutina / Para pilotear mi viaje / Porque el cubo en el que viv&#237;a / Se convirti&#243; en paisaje [&#8230;] Si quieres cambio verdadero, pues camina distinto&#8221; &#8211; <a href="https://spotify.link/wlA3t2cg9Hb">Calle 13</a></strong></p><p>&#8220;Sou a vontade de viver / A vontade de atravessar / A vontade de conhecer / O que existe depois do mar / Eu espero que minha boca nunca se cale / Tamb&#233;m espero que as turbinas desse avi&#227;o nunca falhem / N&#227;o tenho tudo calculado nem minha vida resolvida / S&#243; tenho um sorriso, e espero receber outro de volta / Eu confio no destino e no balan&#231;o do mar [&#8230;] O aluguel, o sal&#225;rio / O trabalho no escrit&#243;rio / Troquei tudo pelas estrelas / E pelas planta&#231;&#245;es de trigo / Fugi da rotina / Para conduzir minha viagem / Porque o quadrado em que eu vivia / Se tornou paisagem [&#8230;] Se voc&#234; quer uma mudan&#231;a de verdade, ent&#227;o mude seu jeito de andar&#8221;</p></blockquote><p>Freddie Mercury me d&#225; a &#250;ltima inje&#231;&#227;o de &#226;nimo para chegar em 400 calorias gastas e ultrapassar 800 <em>moves</em>.</p><blockquote><p><strong>&#8220;Don&#8217;t stop me now / I'm having such a good time / I'm having a ball&#8221; &#8211; <a href="https://spotify.link/p38adxAg9Hb">Queen</a></strong></p><p>&#8220;N&#227;o me pare agora / Eu estou me divertindo tanto / Estou aproveitando pra valer&#8221;</p></blockquote><p>Ufa! Diminuo a velocidade, respiro fundo mais uma vez, seco o suor, e a <a href="https://spotify.link/y6RVf1bh9Hb">Suite no. 1</a> de Bach surge em meus ouvidos. Fui apresentada a esta m&#250;sica em um momento de transi&#231;&#227;o durante a pandemia, e me arrepio. Endorfinada, orgulho-me da jornada at&#233; aqui e me sinto pronta para o pr&#243;ximo destino. <strong>&#8220;Leave it to me as I find a way to be&#8221;</strong> (&#8220;Deixe comigo enquanto eu encontro um jeito de ser&#8221;), canto com <a href="https://spotify.link/GzDiMdDg9Hb">Eddie Vedder</a>. Nada como mexer o corpo e alimentar a mente para levantar meu astral e fazer um bom dia. <strong>M&#250;sica, para mim, &#233; poesia.</strong> No c&#233;u, a bordo de um avi&#227;o, n&#227;o sei em que ano, n&#227;o sei em que lugar, escrevi esta:</p><p>Ela olhava o horizonte</p><p>Ele, quase alaranjado</p><p>Como se quisesse lhe dizer</p><p>Que n&#227;o devia desistir</p><p>Que precisava persistir</p><p>Que aquele legado lindo</p><p>Havia esperan&#231;a de existir</p><p>Com amor</p><p>Ou seria apenas</p><p>O seu pr&#243;prio pensamento</p><p>Ela mesma tentando se contar</p><p>Que ainda havia muito por sonhar</p><p>Mas que precisava era mesmo realizar</p><p>A linha do horizonte</p><p>Refletia na pupila e na &#237;ris azul</p><p>Quase do c&#233;u</p><p>Quase do mar</p><p>Profundo oceano</p><p>Profundo olhar</p><p>Profundo pensar</p><p>Profundo sentir</p><p>Profundo amar</p><p>O existir</p><p>O ser</p><p>Ser quem se &#233;</p><p>A caminho de se tornar</p><p>Melhor</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://daianastolf.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler O Reflexo no Espelho! 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