<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[docismo]]></title><description><![CDATA[⟡ transformando sentimentos confusos em palavras que acolhem. ⟡]]></description><link>https://docismo.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Hqyw!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F14c69ff2-f325-4d7e-8907-bbb108dbf055_60x60.png</url><title>docismo</title><link>https://docismo.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Sat, 05 Sep 2026 00:58:21 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/docismo.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Bruna Machado]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[docismo@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[docismo@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[docismo@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[docismo@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[em lados diferentes da porta]]></title><description><![CDATA[uma conversa atravessada pela madeira.]]></description><link>https://docismo.substack.com/p/em-lados-diferentes-da-porta</link><guid isPermaLink="false">https://docismo.substack.com/p/em-lados-diferentes-da-porta</guid><dc:creator><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></dc:creator><pubDate>Sun, 30 Aug 2026 01:02:14 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/448f901f-1c94-4fa2-bf9d-e50ece58f12d_1123x1401.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>&#8212; Voc&#234; n&#227;o devia estar aqui.</p><p style="text-align: right;">&#8212; Para com isso... abre a porta.</p><p>&#8212; Depois de tudo, voc&#234; realmente acha que eu abriria essa porta para voc&#234; novamente?</p><p style="text-align: right;">&#8212; N&#227;o &#233; isso que eu quer&#8212;</p><p>&#8212; &#201; exatamente isso que voc&#234; quer!</p><p style="text-align: right;">&#8212; Olha, s&#243; me escuta... por favor.</p><p style="text-align: center;"><em>O ar entre eles pesa. O sil&#234;ncio escuta.</em></p><p style="text-align: right;">&#8212; Ei?</p><p>&#8212; Hm?</p><p style="text-align: right;">&#8212; Eu n&#227;o queria que... nada disso. S&#233;rio.</p><p>&#8212; Bom, ent&#227;o voc&#234; chegou <strong>tarde demais</strong>.</p><p style="text-align: right;">&#8212; Eu vim at&#233; aqui me desculpar, t&#225; legal? Mas chegando aqui... acho que todas as palavras que eu ensaiei sumiram. Eu s&#243; consigo pedir perd&#227;o. Eu s&#243;&#8230; me deixe entrar.</p><p style="text-align: center;"><em>A madeira rangendo suavemente enquanto ela escorrega de costas contra a porta at&#233; o ch&#227;o.</em></p><p>&#8212; Te perdoar pelo qu&#234;, exatamente? Foram tantas camadas que eu mal consigo me lembrar por onde come&#231;ou.</p><p style="text-align: right;">&#8212; Consigo sentir a raiva na sua voz... Agora voc&#234; me odeia?</p><p>&#8212; Seria t&#227;o mais simples se eu conseguisse. <strong>Eu odeio &#233; o fato de n&#227;o conseguir te odiar.</strong></p><p style="text-align: right;">&#8212; Eu nunca quis que as coisas chegassem a esse ponto...</p><p>&#8212; Mas deixou chegar. Voc&#234; alimentou cada detalhe. Enquanto voc&#234; constru&#237;a a sua vida l&#225; fora, voc&#234; deixava as l&#226;mpadas acesas aqui dentro <strong>pra me fazer achar que o lugar ainda era meu.</strong></p><p style="text-align: center;"><em>Do outro lado, o peso do corpo dele cede, escorregando at&#233; o ch&#227;o. A fresta sob a porta desenha a sombra dos dois, quase se tocando no piso.</em></p><p style="text-align: right;">&#8212; Voc&#234; sabe como as coisas s&#227;o... voc&#234; sabe.</p><p>&#8212; Eu sei exatamente como s&#227;o. Voc&#234; tem um teto, um endere&#231;o e algu&#233;m te esperando. Ent&#227;o, s&#233;rio... por que a sua sombra ainda est&#225; na minha porta?</p><p style="text-align: center;"><em>A voz dela falha no final, rasgando o ar da sala.</em></p><p style="text-align: right;">&#8212; Eu constru&#237; quatro paredes l&#225; fora, mas &#233; s&#243; encostado nessa sua porta que eu sinto que&#8230; vai, me deixe entrar.</p><p>&#8212; E voc&#234; acha justo me usar de ref&#250;gio? <strong>N&#243;s j&#225; estamos em lados diferentes da porta.</strong></p><p style="text-align: right;">&#8212; &#201; s&#243; girar a chave...</p><p>&#8212; Eu n&#227;o vou abrir. N&#227;o para voc&#234;. N&#227;o de novo.</p><p style="text-align: right;">&#8212; Voc&#234; n&#227;o entende...</p><p>&#8212; Eu entendo perfeitamente. Da amiga, da companhia, da possibilidade... de tudo o que eu fui, voc&#234; s&#243; gostava do espa&#231;o que eu ocupava na sua rotina. Mas a vida real, a que voc&#234; escolheu construir no claro, <strong>voc&#234; deu pra ela.</strong></p><p style="text-align: right;">&#8212; N&#227;o diz isso&#8230; &#233; complicado.</p><p>&#8212; E como voc&#234; quer que eu fale? Em algum momento, nesses anos em que voc&#234; dividia o mesa com ela, voc&#234; cogitou me contar onde eu realmente estava pisando?</p><p style="text-align: right;">&#8212; <strong>Eu n&#227;o queria magoar voc&#234;s...</strong></p><p>&#8212; Voc&#234; s&#243; tentava manter dois lugares acesos ao mesmo tempo. E com isso, acabou <strong>me destruindo.</strong></p><p style="text-align: center;"><em>O sil&#234;ncio volta, denso. Do outro lado, ele apoia a testa na madeira fria, sem ter mais nenhuma resposta para dar.</em></p><p style="text-align: right;">&#8212; Me perdoe... por favor.</p><p>&#8212; Te perdoar n&#227;o apaga o tempo que voc&#234; me fez morar numa mentira. </p><p style="text-align: right;">&#8212; Me deixa entrar. Abre a porta.</p><p style="text-align: center;"><em>Dois toques secos na madeira.</em></p><p>&#8212; Por que voc&#234; insiste tanto entrar? <strong>Voc&#234; j&#225; mora em outra casa.</strong></p><p style="text-align: right;">&#8212; Porque o caminho de volta pra l&#225;... &#233; longo demais. Abre&#8230;</p><p style="text-align: center;"><em>Sil&#234;ncio.</em></p><p style="text-align: center;"><em>Um ru&#237;do lento de passos se afastando pelo corredor.</em></p><p style="text-align: center;"><em>O som da porta do pr&#233;dio se fechando.</em></p><p>&#8212; <strong>Eu sei. Mas voc&#234; j&#225; come&#231;ou a andar.</strong></p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><span>Se esse di&#225;logo te acompanhou at&#233; aqui, me conte nos coment&#225;rios o que achou. </span><em><span>Se inscreva</span></em><span> gratuitamente para receber mais conte&#250;dos como este e apoiar a minha escrita. Obrigado por ler </span><strong><span>Docismo</span></strong><span> &#9825;</span></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/p/em-lados-diferentes-da-porta?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/docismo.substack.com/p/em-lados-diferentes-da-porta?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Compartilhar</span></a></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[meu coração tem um péssimo timing]]></title><description><![CDATA[n&#227;o d&#225; pra fingir afeto quando a conta vem em forma de estrago. passei anos te chamando de amigo, como quem muda o nome do inc&#234;ndio esperando que o fogo se esque&#231;a de queimar. era o meu jeito bonito de adiar. te guardei numa gaveta onde cabiam a saudade, o desejo e todos os]]></description><link>https://docismo.substack.com/p/meu-coracao-tem-um-pessimo-timing</link><guid isPermaLink="false">https://docismo.substack.com/p/meu-coracao-tem-um-pessimo-timing</guid><dc:creator><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></dc:creator><pubDate>Wed, 19 Aug 2026 01:46:22 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d2807659-7e6d-4129-8f49-f281c004188d_499x355.gif" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">n&#227;o d&#225; para fingir afeto
quando a conta vem em forma de <strong>estrago</strong>.
passei anos te chamando de <em>amigo,</em>
como quem muda o nome do inc&#234;ndio
esperando que o fogo se esque&#231;a de queimar.

era o meu jeito bonito de <em>adiar.</em>
te guardei numa gaveta onde cabiam a saudade,
o desejo e todos os <strong>futuros</strong>
que a gente nunca teve a aud&#225;cia de experimentar.

alguns <em>quases</em> sobrevivem por tempo demais.
ficam t&#227;o confort&#225;veis na espera
que a gente come&#231;a a acreditar que eles duram para sempre.

<em>at&#233; o dia em que a vida segue.
</em>
e ela segue assim: sem avisar, sem pedir licen&#231;a
e sem perguntar se a gente tava pronto.
foi s&#243; no seu sil&#234;ncio
que percebi o tamanho do <strong>estrago.</strong>

<em>engra&#231;ado&#8230;</em>

passei anos convencida de que sentia falta do que fomos,
quando, na verdade,
era saudade da <strong>possibilidade</strong>
<strong>de n&#243;s.</strong>

<em>o ci&#250;me &#233; um bicho curioso,</em>
ele nasce quando a gente entende que outro algu&#233;m chegou,
e n&#227;o existe eleg&#226;ncia nenhuma em admitir isso.

<strong>&#233; um diagn&#243;stico r&#225;pido, violento e extremamente preciso.</strong>

tentei vestir maturidade,
dar respostas neutras,
como quem atravessa uma tempestade 
sem se molhar.
mas por dentro
alguma coisa desabava com uma delicadeza 
<strong>insuport&#225;vel.</strong>

foi preciso ver o seu afeto virar casa de <em>outra</em>
pra eu descobrir
que o meu <em>nunca tinha sa&#237;do da sua porta.</em>

e ent&#227;o tudo ganhou outro nome.
ou talvez, pela primeira vez,
dolorosamente tenha perdido todos eles.

porque a <strong>paix&#227;o</strong> tamb&#233;m faz isso:
passa anos fantasiado de costume,
de intimidade, de piada repetida,
at&#233; escolher um dia qualquer para arrancar a m&#225;scara.

e quando ela finalmente mostra o rosto,
n&#227;o da mais tempo de ser <em>escolha.</em>
vira <strong>senten&#231;a:</strong> precisei te perder para o mundo
para entender que <strong>nunca</strong> 
te quis s&#243; como 
<em>amigo.</em></pre></div><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><span>Se esse poema te acompanhou at&#233; aqui, me conte nos coment&#225;rios o que achou. </span><em><span>Se inscreva</span></em><span> gratuitamente para receber mais conte&#250;dos como este e apoiar a minha escrita. Obrigado por ler </span><strong><span>Docismo</span></strong><span> &#9825;</span></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/p/meu-coracao-tem-um-pessimo-timing?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/docismo.substack.com/p/meu-coracao-tem-um-pessimo-timing?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Compartilhar</span></a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[eu não sabia que aquela seria a última vez]]></title><description><![CDATA[Se eu soubesse, teria dado um jeito para que n&#227;o fosse algo t&#227;o casual, mesmo que, ao final de tudo, fosse de fato casual.]]></description><link>https://docismo.substack.com/p/eu-nao-sabia-que-aquela-seria-a-ultima</link><guid isPermaLink="false">https://docismo.substack.com/p/eu-nao-sabia-que-aquela-seria-a-ultima</guid><dc:creator><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></dc:creator><pubDate>Mon, 10 Aug 2026 12:01:13 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9f1c54d7-fc33-476f-b2a3-0f66080e043c_736x415.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Se eu soubesse, teria dado um jeito para que n&#227;o fosse algo t&#227;o casual, mesmo que, ao final de tudo, fosse de fato casual. <strong>Mas n&#227;o para mim. </strong><em><strong>N&#227;o.</strong></em></p><p>Se eu soubesse que seria a &#250;ltima vez que estar&#237;amos t&#227;o perto, t&#227;o entregues um ao outro, teria pedido mais calma. <strong>Mais lentid&#227;o</strong>. Teria deixado o tempo se arrastar sobre n&#243;s, como se pudesse, por alguns minutos, esquecer de passar.</p><p>Eu teria prestado mais aten&#231;&#227;o na sua respira&#231;&#227;o, no jeito como o seu peito subia e descia, na sua pele quente sob minhas m&#227;os. Teria decorado o desenho das suas costas, a curva dos seus ombros, o lugar exato onde minha m&#227;o encontrava a sua. Teria guardado cada detalhe como quem sabia que, depois daquela noite, s&#243; restariam <strong>detalhes.</strong></p><p>Olharia com mais aten&#231;&#227;o para os seus olhos. N&#227;o desviaria quando voc&#234; me olhasse de volta. Esperaria, em sil&#234;ncio, que naquela &#250;ltima vez voc&#234; finalmente enxergasse o que eu nunca consegui dizer com a boca, mas que <strong>meus olhos gritavam</strong> enquanto os seus procuravam os meus.</p><p>Se eu soubesse que aquela seria a &#250;ltima vez, teria falado mais. Teria prolongado as conversas entre um sil&#234;ncio e outro, inventado qualquer assunto s&#243; para ouvir sua voz por mais alguns minutos. Teria prestado aten&#231;&#227;o nas coisas pequenas que voc&#234; dizia sem perceber, nas palavras que escapavam distra&#237;das e que, naquela noite, <em>eu teria guardado como quem guarda cartas antigas.</em></p><p>Teria deixado o sil&#234;ncio durar mais.</p><p>Aquele sil&#234;ncio confort&#225;vel que s&#243; existe quando duas pessoas j&#225; disseram o suficiente sem precisar dizer nada.</p><p><strong>Teria beijado voc&#234; sem pressa.</strong></p><p><em>Uma vez.</em></p><p><em>Depois outra.</em></p><p><em>E mais uma</em>, s&#243; para ter certeza de que, quando a mem&#243;ria tentasse me trair, eu ainda saberia exatamente <strong>como era ter voc&#234; t&#227;o perto</strong>.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/docismo.substack.com/subscribe"><span>Assine agora</span></a></p><p>Teria ficado alguns segundos a mais quando voc&#234; me envolvesse nos bra&#231;os. N&#227;o teria deixado o abra&#231;o acabar t&#227;o depressa. Talvez apertasse voc&#234; contra mim at&#233; que nossos corpos se confundissem e j&#225; n&#227;o houvesse espa&#231;o entre o meu <strong>medo</strong> e o seu peito.</p><p>Talvez, se eu soubesse, eu tivesse tentado transformar aquela noite em alguma coisa que pudesse sobreviver a ela.</p><p><em>Mas eu n&#227;o sabia.</em></p><p>E voc&#234; implicitamente sabia.</p><p>Essa &#233; a crueldade das &#250;ltimas vezes: <strong>elas nunca chegam anunciadas</strong>. N&#227;o batem &#224; porta, n&#227;o pedem licen&#231;a, n&#227;o dizem &#8220;guarde isso&#8221;. A gente simplesmente vive, <em>sem saber que est&#225; vivendo pela &#250;ltima vez.</em></p><p>Se eu soubesse que aquela seria a &#250;ltima vez naquele port&#227;o, <strong>teria te abra&#231;ado com mais for&#231;a.</strong> Teria demorado mais para soltar. Teria pedido <em>[implorado]</em> para que voltasse outra vez.</p><p>Talvez eu tivesse dito<strong> fica.</strong></p><p><em>S&#243; fica.</em></p><p>Mesmo que voc&#234; j&#225; soubesse que n&#227;o ficaria.</p><p>Mesmo que, no fim, fosse o seu destino <strong>n&#227;o voltar</strong>.</p><p>Eu teria ficado ali mais alguns minutos, vendo voc&#234; se afastar, contando os segundos at&#233; voc&#234; desaparecer da minha vista. <strong>Talvez</strong> tivesse chamado seu nome. <strong>Talvez</strong> voc&#234; tivesse olhado para tr&#225;s.</p><p><strong>Talvez eu finalmente dissesse tudo.</strong></p><p>Mas <em>eu n&#227;o sabia</em> que aquela seria <strong>a &#250;ltima vez.</strong></p><p>E talvez seja isso que mais d&#243;i:</p><p>n&#227;o ter perdido voc&#234; naquela noite,</p><p>mas ter vivido aquela noite <em><strong>como se ainda houvesse outra.</strong></em></p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><span>Se esse texto te acompanhou at&#233; aqui, me conte nos coment&#225;rios o que achou. </span><em><span>Se inscreva</span></em><span> gratuitamente para receber mais conte&#250;dos como este e apoiar a minha escrita. Obrigado por ler </span><strong><span>Docismo</span></strong><span> &#9825;</span></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/p/eu-nao-sabia-que-aquela-seria-a-ultima?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/docismo.substack.com/p/eu-nao-sabia-que-aquela-seria-a-ultima?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Compartilhar</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[a versão mais gentil da verdade ]]></title><description><![CDATA[algumas hist&#243;rias existem apenas para tornar a verdade suport&#225;vel.]]></description><link>https://docismo.substack.com/p/a-versao-mais-gentil-da-verdade</link><guid isPermaLink="false">https://docismo.substack.com/p/a-versao-mais-gentil-da-verdade</guid><dc:creator><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></dc:creator><pubDate>Sun, 02 Aug 2026 18:23:37 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0d21db58-6e8a-43e2-b55b-77301b882daf_735x490.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><strong>Eu gosto de pensar que s&#243; n&#227;o estamos juntos por pura birra do universo. </strong></p><p style="text-align: justify;">&#201; uma vers&#227;o mais <em>bonita e gentil</em> da verdade. </p><p style="text-align: justify;">Gosto de imaginar que tudo deu errado por causa de um <strong>detalhe qualquer</strong>. Porque, naquela quinta-feira, eu resolvi ir trabalhar de &#244;nibus em vez de pegar o trem em que voc&#234; estava. Ser&#225; que voc&#234; me notaria, dispersa no meu pr&#243;prio mundo, olhando pela janela? Ser&#225; que eu levantaria os olhos por um segundo e encontraria os seus, atentos &#224; mim?</p><p style="text-align: justify;">Penso que, talvez, se voc&#234; n&#227;o tivesse escolhido a padaria do seu bairro em vez da do centro, aquela em que eu estava, a gente teria se esbarrado na fila do caixa. Talvez voc&#234; reclamasse da demora, eu soltasse uma risada baixa, e a nossa hist&#243;ria come&#231;asse ali, do jeito mais comum poss&#237;vel.</p><p style="text-align: justify;">&#192;s vezes, gosto de acreditar que bastavam <strong>apenas cinco minutos</strong>. Que, se eu tivesse sa&#237;do cinco minutos mais cedo de casa, ou voc&#234; cinco minutos mais tarde da sua, nossos caminhos teriam se cruzado na cal&#231;ada, bem no instante em que nenhum dos dois estava com pressa demais para olhar para o lado.</p><p style="text-align: justify;">Talvez, se eu tivesse escolhido pintar o cabelo de castanho, do jeito que te atrai, voc&#234; tivesse me olhado por tempo suficiente para me notar. Mas eu sou ruiva. Talvez voc&#234; estivesse procurando algu&#233;m completamente diferente de mim, sem saber que <em>era justamente eu.</em></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/docismo.substack.com/subscribe"><span>Assine agora</span></a></p><p style="text-align: justify;">Gosto de pensar que s&#243; n&#227;o estamos juntos porque algu&#233;m &#8212; muito conivente com o universo &#8212; comprou a cadeira do meio que nos separava naquela sess&#227;o de cinema.</p><p style="text-align: justify;">Ou que, se eu tivesse sa&#237;do da minha zona de conforto e entrado na sess&#227;o de suspense, onde voc&#234; folheava um livro distra&#237;do, em vez de permanecer na de romance <em>sonhando viver algum deles</em>, talvez, <strong>s&#243; talvez</strong>, voc&#234; tivesse me dado um <em><strong>&#8220;oi&#8221;</strong></em> interessado, e eu devolvido um <em><strong>&#8220;oi, tudo bem?&#8221;</strong></em> mais interessado ainda.</p><p style="text-align: justify;">&#192;s vezes, imagino que nossas m&#227;os quase escolheram o mesmo livro na estante de uma livraria. Que dividimos o mesmo elevador, que sentamos em mesas diferentes da mesma cafeteria, ouvindo a mesma m&#250;sica tocar ao fundo, sem imaginar que ela poderia ter sido a trilha sonora do nosso primeiro encontro.</p><p style="text-align: justify;">Imagino que estivemos na mesma cidade, na mesma rua, no mesmo dia, respirando o mesmo ar, <em>enquanto o universo fazia quest&#227;o de desenhar nossas vidas em linhas paralelas.</em></p><p style="text-align: justify;">Eu gosto de inventar esses <strong>desencontros </strong>porque eles tornam tudo <em>menos cruel.</em> Neles, n&#243;s <strong>quase</strong> fomos. <strong>Quase</strong> nos vimos. <strong>Quase</strong> nos escolhemos.</p><p style="text-align: justify;">Mas a dura verdade &#233; outra.</p><p style="text-align: justify;"><strong>A gente se encontrou. </strong>A gente se gostou em cada um desses momentos. N&#227;o houve trem perdido, padaria errada, cadeira ocupada ou sem&#225;foro fechado. O universo, dessa vez, n&#227;o atrasou nenhum rel&#243;gio nem mudou nenhum caminho.</p><p style="text-align: justify;">Ele fez exatamente o contr&#225;rio. <strong>Fez quest&#227;o de cruzar as nossas vidas.</strong></p><p style="text-align: justify;">E, por mais bonito que tenha sido o que sentimos, n&#227;o foi o suficiente para desafiar as cru&#233;is leis do universo, que insistiam em nos dizer que &#233;ramos melhores separados do que juntos.</p><p style="text-align: justify;">Talvez seja por isso que eu continue inventando vers&#245;es em que nunca nos conhecemos. Porque &#233; menos doloroso acreditar que fomos impedidos de acontecer <em>do que aceitar que n&#243;s acontecemos... e, ainda assim, n&#227;o permanecemos.</em></p><p style="text-align: justify;">No fim, d&#243;i menos acreditar que s&#243; n&#227;o estamos juntos porque a vida insistiu em nos desencontrar, mesmo depois de ter feito quest&#227;o de nos apresentar.</p><p style="text-align: justify;">Porque, &#224;s vezes, o universo n&#227;o separa duas pessoas impedindo que elas se encontrem. &#192;s vezes, ele &#233; mais cruel.</p><p style="text-align: justify;">E, de todas as crueldades que o universo poderia ter cometido, talvez essa tenha sido a maior: fazer com que duas pessoas se encontrassem no momento certo, se amassem da forma certa e, ainda assim, descobrissem que, <strong>&#224;s vezes, amar </strong><em><strong>n&#227;o</strong></em><strong> </strong><em><strong>impede o fim.</strong></em></p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><span>Se esse texto te acompanhou at&#233; aqui, me conte nos coment&#225;rios o que achou. </span><em><span>Se inscreva</span></em><span> gratuitamente para receber mais conte&#250;dos como este e apoiar a minha escrita.  Obrigado por ler </span><strong><span>Docismo</span></strong><span> &#9825;</span></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/p/a-versao-mais-gentil-da-verdade?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/docismo.substack.com/p/a-versao-mais-gentil-da-verdade?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Compartilhar</span></a></p><p style="text-align: justify;"></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[a comparação sempre foi injusta]]></title><description><![CDATA[S&#225;bado, 25 de Julho de 2026]]></description><link>https://docismo.substack.com/p/a-comparacao-sempre-foi-injusta</link><guid isPermaLink="false">https://docismo.substack.com/p/a-comparacao-sempre-foi-injusta</guid><dc:creator><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></dc:creator><pubDate>Sat, 25 Jul 2026 18:43:20 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/acb682b1-b902-40c3-844d-a5a22683e31d_1020x574.gif" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O medo de estar &#8220;atrasado na vida&#8221; paralisa qualquer um.</p><p style="text-align: justify;">Mas, para quem teve a pr&#243;pria vida interrompida por um <em>adoecimento mental</em>, esse sentimento n&#227;o apenas paralisa: ele pesa, sufoca, vira gatilho. &#201; motivo de muito choro escondido no banho, de incont&#225;veis crises existenciais e daquela pergunta que parece nunca ir embora:</p><p style="text-align: justify;"><em>&#8220;Por que todo mundo conseguiu seguir em frente, menos eu?&#8221;</em></p><p style="text-align: justify;">Se voc&#234;, assim como eu, passou por algo t&#227;o profundamente doloroso que foi capaz de adoecer o seu c&#233;rebro, me d&#234; sua m&#227;o. <strong>Voc&#234; n&#227;o est&#225; sozinho(a).</strong></p><p style="text-align: justify;">E eu digo isso porque sei exatamente como a compara&#231;&#227;o faz a gente acreditar no contr&#225;rio. Ela nos convence de que somos os &#250;nicos que ficaram para tr&#225;s. De que desperdi&#231;amos tempo. De que perdemos o &#8220;bonde da vida&#8221;. De que existe alguma falha em n&#243;s que todo mundo consegue enxergar.</p><p style="text-align: justify;">Mas estou aqui para te dizer algumas coisas. Coisas que eu precisei ouvir repetidas vezes, at&#233; que finalmente fizessem sentido.</p><p style="text-align: justify;">A primeira delas &#233;:</p><p style="text-align: justify;"><strong>A compara&#231;&#227;o &#233; injusta. </strong>E eu posso te provar.</p><p style="text-align: justify;">Hoje tenho 27 anos.</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o entrei na faculdade logo depois do ensino m&#233;dio. Enquanto via colegas se formando, construindo carreira, comprando carro, alugando apartamento e come&#231;ando a vida adulta, eu estava tentando entender por que simplesmente existir parecia t&#227;o dif&#237;cil para mim.</p><p style="text-align: justify;">Durante muito tempo, eu me culpei. Achei que era pregui&#231;osa. Que me faltava disciplina. Que eu simplesmente n&#227;o queria o suficiente.</p><p style="text-align: justify;">S&#243; anos depois vieram os diagn&#243;sticos: TAB II, Transtorno de Personalidade Borderline, TDAH e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG).</p><p style="text-align: justify;">Os diagn&#243;sticos n&#227;o apagaram tudo o que vivi. Mas, pela primeira vez, <strong>deram nome</strong> para uma batalha que eu enfrentava h&#225; anos.</p><p style="text-align: justify;">Enquanto muitas pessoas olhavam para a minha idade e viam algu&#233;m &#8220;atrasada&#8221;, ningu&#233;m via as dezenas de crises que existiram nesse meio tempo. Os in&#250;meros medicamentos psiqui&#225;tricos que eu tomava (e ainda sou obrigada a tomar) e seus efeitos colaterais.</p><p style="text-align: justify;">Ningu&#233;m via o burnout que me deixou t&#227;o marcada que, at&#233; hoje, ainda estou tentando reunir for&#231;as para acreditar que um dia vou conseguir voltar ao mercado de trabalho.</p><p style="text-align: justify;">Hoje, aos 27, ainda moro com os meus pais. N&#227;o tenho independ&#234;ncia financeira.</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o tenho sequer uma fonte de renda. E, durante muito tempo, eu senti <strong>vergonha</strong> de admitir isso.</p><p style="text-align: justify;">Porque parecia que todo mundo da minha idade j&#225; tinha conquistado aquilo que eu nem sequer consegui come&#231;ar.</p><p style="text-align: justify;">Mas sabe qual &#233; a verdade?</p><p style="text-align: justify;"><strong>Eu n&#227;o estava parada.</strong></p><p style="text-align: justify;"><strong>Eu estava sobrevivendo.</strong></p><p style="text-align: justify;">Continuo sonhando com minha independ&#234;ncia, eu n&#227;o desisti dela. Meus sonhos nunca deixaram de existir. </p><p style="text-align: justify;">Pelo contr&#225;rio, eles apenas precisaram <em>esperar at&#233; que eu tenha condi&#231;&#245;es de carreg&#225;-los.</em></p><p style="text-align: justify;">Foi justamente por viver essa hist&#243;ria que eu percebi uma coisa:</p><p style="text-align: justify;"><em><strong>A compara&#231;&#227;o &#233; injusta.</strong></em></p><p style="text-align: justify;">Porque enquanto aquela sua amiga do ensino m&#233;dio j&#225; terminou a faculdade, talvez voc&#234; estivesse tentando sobreviver. <em>A cada. &#218;nico. Dia.</em></p><p style="text-align: justify;">Enquanto aquele seu amigo conseguiu um emprego dos sonhos, talvez voc&#234; estivesse travando uma batalha silenciosa contra uma mente que repetia, sem descanso, que levantar da cama era imposs&#237;vel.</p><p style="text-align: justify;">Enquanto algumas pessoas faziam planos para os pr&#243;ximos cinco anos, voc&#234; fazia planos para conseguir passar pelas pr&#243;ximas cinco horas.</p><p style="text-align: justify;">Enquanto muita gente vivia a rotina, pessoas como n&#243;s estavam ocupadas sobrevivendo. <strong>E sobreviver tamb&#233;m &#233; trabalho.</strong></p><p style="text-align: justify;">&#201; um trabalho invis&#237;vel, que ningu&#233;m coloca no curr&#237;culo.</p><p style="text-align: justify;">Ningu&#233;m v&#234; o esfor&#231;o necess&#225;rio para tomar banho quando a depress&#227;o transforma gestos simples em montanhas. Ningu&#233;m enxerga a energia gasta para responder uma mensagem quando a ansiedade faz qualquer intera&#231;&#227;o parecer uma amea&#231;a. Ningu&#233;m imagina o quanto custa levantar da cama quando o c&#233;rebro, justamente o &#243;rg&#227;o respons&#225;vel por nos impulsionar &#224; a&#231;&#227;o, est&#225; adoecido.</p><p style="text-align: justify;">A ci&#234;ncia j&#225; mostrou que transtornos mentais n&#227;o s&#227;o falta de for&#231;a de vontade. Eles alteram o funcionamento do c&#233;rebro, afetam <em>mem&#243;ria, aten&#231;&#227;o, motiva&#231;&#227;o, tomada de decis&#227;o e at&#233; a percep&#231;&#227;o de recompensa</em>. Em muitos casos, tarefas consideradas simples passam a exigir um <strong>esfor&#231;o desproporcional.</strong></p><p style="text-align: justify;">Ainda assim, insistimos em comparar o nosso bastidor com o palco das outras pessoas.</p><p style="text-align: justify;">E essa talvez seja uma das compara&#231;&#245;es mais <strong>cru&#233;is</strong> que podemos fazer.</p><p style="text-align: justify;"><strong>Porque ningu&#233;m come&#231;a a vida carregando o mesmo peso.</strong></p><p style="text-align: justify;">Algumas pessoas atravessam a juventude com espa&#231;o para descobrir quem s&#227;o, experimentar caminhos, errar, recome&#231;ar e sonhar.</p><p style="text-align: justify;">Outras passam esses mesmos anos tentando apenas continuar existindo.</p><p style="text-align: justify;">Enquanto algumas constru&#237;am uma carreira, outras estavam tentando reconstruir a pr&#243;pria mente. Enquanto algumas planejavam interc&#226;mbios, especializa&#231;&#245;es, promo&#231;&#245;es e viagens, outras comemoravam pequenas vit&#243;rias invis&#237;veis: conseguir um tomar banho, comer um prato de comida, sair de casa ou passar uma semana sem uma crise.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe now&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/docismo.substack.com/subscribe"><span>Subscribe now</span></a></p><p style="text-align: justify;">H&#225; quem tenha tido energia para construir.</p><p style="text-align: justify;"><strong>E h&#225; quem tenha precisado usar toda a energia que tinha apenas para n&#227;o desmoronar.</strong></p><p style="text-align: justify;">Voc&#234; olha para o pr&#233;dio que outra pessoa construiu.</p><p style="text-align: justify;">Mas esquece que, enquanto ela assentava tijolos, <em>voc&#234; estava apagando o inc&#234;ndio da pr&#243;pria casa.</em></p><p style="text-align: justify;">Como esperar que essas duas hist&#243;rias cheguem ao mesmo lugar, no mesmo tempo?</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o faz sentido. N&#227;o porque uma pessoa seja mais forte ou mais fraca que a outra.</p><p style="text-align: justify;">Mas porque elas precisaram enfrentar batalhas completamente diferentes.</p><p style="text-align: justify;"><strong>O </strong><em><strong>adoecimento mental</strong></em><strong> rouba tempo. Rouba oportunidades. Rouba rela&#231;&#245;es. Rouba vers&#245;es de n&#243;s mesmos que talvez nunca conheceremos.</strong></p><p style="text-align: justify;">E isso d&#243;i.</p><p style="text-align: justify;">D&#243;i porque olhamos para tr&#225;s e enxergamos anos que parecem ter desaparecido. Mas eles n&#227;o desapareceram. Eles foram gastos sobrevivendo.</p><p style="text-align: justify;">Existe uma diferen&#231;a enorme entre n&#227;o construir uma vida porque voc&#234; n&#227;o quis e precisar adiar essa constru&#231;&#227;o porque estava ocupado tentando salvar a si mesmo.</p><p style="text-align: justify;">Talvez voc&#234; esteja olhando para algu&#233;m da sua idade que j&#225; conquistou tudo aquilo que voc&#234; imaginava conquistar.</p><p style="text-align: justify;">Mas talvez essa pessoa nunca tenha precisado <em>passar meses sem conseguir enxergar sentido em levantar da cama. </em>Talvez nunca tenha precisado aprender a viver com um c&#233;rebro que, &#224;s vezes, <em>trabalha contra ela. </em>Talvez nunca tenha precisado <em>reaprender quem era depois de cada crise.</em></p><p style="text-align: justify;">Como comparar essas duas trajet&#243;rias?</p><p style="text-align: justify;">N&#227;o existe justi&#231;a nessa conta.</p><p style="text-align: justify;"><strong>Voc&#234; est&#225; tentando colocar na mesma balan&#231;a quem teve o privil&#233;gio de construir desde cedo e quem precisou, antes de qualquer coisa, sobreviver.</strong></p><p style="text-align: justify;">E nenhuma balan&#231;a &#233; capaz de medir o peso de uma guerra que aconteceu dentro da cabe&#231;a de algu&#233;m.</p><p style="text-align: justify;">Existe uma frase que eu gostaria que voc&#234; guardasse:</p><p style="text-align: justify;"><strong>Voc&#234; n&#227;o perdeu tempo. Voc&#234; gastou tempo sobrevivendo ao que quase te destruiu.</strong></p><p style="text-align: justify;">E sobreviver NUNCA ser&#225; um atraso.</p><p style="text-align: justify;">&#201; o motivo pelo qual hoje ainda existe um &#8220;voc&#234;&#8221; capaz de sonhar de novo.</p><p style="text-align: justify;">Talvez voc&#234; ainda n&#227;o esteja onde imaginou que estaria aos 20, aos 25 ou aos 30 anos.</p><p style="text-align: justify;">E tudo bem! A vida n&#227;o entrega medalhas para quem chega primeiro.</p><p style="text-align: justify;">Ela continua acontecendo para quem decide continuar caminhando, mesmo depois de tudo.</p><p style="text-align: justify;">Talvez voc&#234; ainda more com os seus pais.</p><p style="text-align: justify;">Talvez ainda n&#227;o tenha um emprego.</p><p style="text-align: justify;">Talvez ainda esteja tentando estabilizar a pr&#243;pria mente antes de construir uma carreira.</p><p style="text-align: justify;">Talvez voc&#234; esteja no mesmo barco que eu. </p><p style="text-align: justify;"><strong>Isso n&#227;o faz de voc&#234;, nem de mim, um fracasso.</strong></p><p style="text-align: justify;">Faz de voc&#234; algu&#233;m que est&#225; tentando reconstruir a pr&#243;pria vida pelos alicerces. E reconstru&#231;&#245;es levam mais tempo do que constru&#231;&#245;es.</p><p style="text-align: justify;">Da pr&#243;xima vez que a compara&#231;&#227;o aparecer, lembre-se de uma coisa:</p><p style="text-align: justify;">Voc&#234; n&#227;o est&#225; recome&#231;ando porque falhou.</p><p style="text-align: justify;">Voc&#234; est&#225; recome&#231;ando porque <strong>SOBREVIVEU.</strong></p><p style="text-align: justify;">E sobreviver, por mais silencioso que pare&#231;a, <em>mostra o quanto voc&#234; est&#225; determinado &#224; <strong>continuar aqui</strong>.</em></p><p style="text-align: justify;">Talvez o seu tempo nunca tenha sido igual ao das outras pessoas.</p><p style="text-align: justify;">Mas isso n&#227;o faz dele um tempo menor. S&#243; faz dele um tempo que precisou esperar a tempestade passar antes de florescer.</p><p style="text-align: justify;">E quando voc&#234; finalmente florescer, n&#227;o ser&#225; porque venceu uma corrida.</p><p style="text-align: justify;">Ser&#225; porque, mesmo depois de tudo o que tentou te destruir, <em>voc&#234; escolheu continuar vivendo.</em></p><p style="text-align: justify;"><strong>E, acredite, h&#225; uma coragem imensa nisso.</strong></p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><span>Obrigada por ler </span><strong>Docismo! </strong><span>Se inscreva gratuitamente para receber mais conte&#250;dos como este e apoiar a minha escrita &#9825;</span></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/p/a-comparacao-sempre-foi-injusta?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Share&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/docismo.substack.com/p/a-comparacao-sempre-foi-injusta?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Share</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[antes da pele]]></title><description><![CDATA[domingo, 19 de julho de 2026]]></description><link>https://docismo.substack.com/p/antes-da-pele</link><guid isPermaLink="false">https://docismo.substack.com/p/antes-da-pele</guid><dc:creator><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></dc:creator><pubDate>Mon, 20 Jul 2026 01:11:37 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b31e74d4-3687-42f5-b042-7a0a240eeda8_500x281.gif" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="native-audio-embed" data-component-name="AudioPlaceholder" data-attrs="{&quot;label&quot;:null,&quot;mediaUploadId&quot;:&quot;41b23bd4-8f12-4507-acd3-b3e26be2019f&quot;,&quot;duration&quot;:128.02612,&quot;downloadable&quot;:false,&quot;isEditorNode&quot;:true}"></div><p style="text-align: center;"><em><sup>d&#234; o play e comece a ler</sup></em></p><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">noite passada
eu n&#227;o dormi.

eu prometi a mim mesma
que n&#227;o pensaria mais em voc&#234;,
tampouco me daria o aborrecimento
de sentir sua falta.

<strong>mas eu senti.</strong>

<em>diferente de outras noites,</em>
n&#227;o ansiei pelo aconchego
que teus abra&#231;os me traziam,
nem pela seguran&#231;a
que um dia encontrei ao teu lado.

n&#227;o ansiei pelo teu amor,
esse que um dia
fora t&#227;o terno.

<em>diferente de outras noites,</em>
senti falta do ardor
que incendiava minha pele
toda vez que tua m&#227;o
encontrava a minha,
como se j&#225; soubesse,
de cor, o caminho exato
do meu <strong>desejo</strong>.

senti minha falta
se transformar
em necessidade.

<strong>em urg&#234;ncia.</strong>

urg&#234;ncia de sentir
teu h&#225;lito quente
&#224; beira do meu ouvido,
enquanto minha boca,
lenta e sedenta,
descobria cada cent&#237;metro
do teu pesco&#231;o,
como quem tenta memorizar
o gosto de um &#250;ltimo instante.

diferente de outras noites,
n&#227;o quis sentir de novo
tuas m&#227;os
acariciando meu rosto.

quis tuas m&#227;os
na minha cintura.

quis o toque firme,
capaz de arrancar do meu corpo
esse sil&#234;ncio que s&#243; existia
quando voc&#234; me tocava.

<strong>&#233; curioso como o amor sabe
partir antes da pele.</strong>

o amor se foi.
mas meu corpo
ainda procura o teu.
eu confundia teu corpo
com a vertigem.

hoje sei:
n&#227;o era tua pele
que me faltava.
<em>era a minha,<strong>
acesa.</strong></em>

e talvez seja por isso
que eu n&#227;o deseje
o teu abra&#231;o.
deseje o calor
que ele despertava.

n&#227;o deseje
a tua boca.
deseje o sil&#234;ncio
que existia
entre um beijo
e outro.

e foi ent&#227;o que entendi:
<em>a saudade nunca teve o teu nome.</em>

desejei a pessoa
que eu me tornava
quando teu toque
desfazia minhas certezas.

quis meu corpo rendido,
suplicando, em sil&#234;ncio,
pela coragem de admitir
que ainda havia
em mim um lugar
que s&#243; conhecia
o caminho
at&#233; voc&#234;.

quis,
por um instante,

novamente,
<em><strong>ter voc&#234;
dentro de mim.</strong></em></pre></div><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><span>Obrigada por ler </span><strong>Docismo! </strong><span>Se inscreva gratuitamente para receber mais conte&#250;dos como este e apoiar a minha escrita &#9825;</span></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/p/antes-da-pele?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/docismo.substack.com/p/antes-da-pele?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Compartilhar</span></a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[ninguém fala sobre o luto de estar crescendo ]]></title><description><![CDATA[sexta-feira, 17 de julho de 2026]]></description><link>https://docismo.substack.com/p/ninguem-fala-sobre-o-luto-de-estar</link><guid isPermaLink="false">https://docismo.substack.com/p/ninguem-fala-sobre-o-luto-de-estar</guid><dc:creator><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></dc:creator><pubDate>Sat, 18 Jul 2026 00:27:58 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f2a4dcbd-45c9-4c36-adca-3319fe77ca4f_500x200.gif" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Certo dia &#8212; desses em que o t&#233;dio &#233; t&#227;o grande que voc&#234; resolve fazer aquela faxina que adiou por meses &#8212; encontrei uma caixa no meu guarda-roupa. Uma caixa da qual eu nem me lembrava mais. Conforme a poeira sa&#237;a da tampa, as lembran&#231;as tamb&#233;m voltavam. Era a caixa em que minha m&#227;e reuniu peda&#231;os da minha vida, desde o dia em que nasci at&#233; o fim da adolesc&#234;ncia.</p><p>Assim que a abri, foi como sentir uma m&#227;o apertando meu cora&#231;&#227;o com for&#231;a. <strong>Me desabei nas mem&#243;rias.</strong></p><p><strong>Ningu&#233;m fala sobre o luto de estar crescendo.</strong></p><p>Talvez seja porque, quanto mais a gente cresce, mais a vida acelera. Os dias ficam corridos, as listas de afazeres aumentam e, sem perceber, deixamos de notar as <em>pequenas despedidas que acontecem pelo caminho.</em></p><p>Um dia voc&#234; est&#225; aprendendo a plantar bananeira com seus amiguinhos, que riem, te incentivam e estendem a m&#227;o quando voc&#234; cai. </p><p>Rala o joelho andando de bicicleta. </p><p>Brinca de boneca com a sua irm&#227; e a sua maior preocupa&#231;&#227;o &#233; acordar cedo porque amanh&#227; tem aula de educa&#231;&#227;o f&#237;sica na escola e voc&#234; adora.</p><p>No outro&#8230; <em><strong>boom.</strong></em></p><p>Tudo isso desaparece.</p><p>Faculdade. Voc&#234; j&#225; pode votar. Contas para pagar. Trabalho demais e tempo de menos. As rela&#231;&#245;es ficam mais complexas, as responsabilidades se acumulam e, sem que voc&#234; perceba, a vida passa a exigir de voc&#234; uma vers&#227;o que ainda nem sabe existir.</p><p><strong>Ningu&#233;m avisa que existe uma &#250;ltima vez para tudo.</strong></p><p>Ningu&#233;m fala sobre o luto de, aos pouquinhos, deixar de brincar de boneca porque, de repente, voc&#234; j&#225; est&#225; &#8220;grandinha demais&#8221;. Ent&#227;o, um dia, sem perceber, &#233; a &#250;ltima vez que voc&#234; pega uma boneca nas m&#227;os para brincar.</p><p>Um dia sua m&#227;e para de segurar a sua m&#227;o para atravessar a rua. N&#227;o porque deixou de se importar, mas porque acredita que voc&#234; j&#225; consegue fazer isso sozinho. E voc&#234; tamb&#233;m acredita.</p><p>Ent&#227;o voc&#234; vai tomar uma vacina e percebe que chorar pela dor seria vergonhoso, porque, de novo, <em>voc&#234; j&#225; &#233; &#8220;grandinha demais&#8221;.</em></p><p>Voc&#234; deixa de pedir colo. N&#227;o porque n&#227;o precise mais dele, mas porque aprende que existem dores que j&#225; esperam que voc&#234; carregue <strong>sozinho</strong>. Mas ainda assim, d&#243;i ter que carregar sozinho.</p><p>Voc&#234; n&#227;o sabe, mas &#233; a &#250;ltima vez que voc&#234; corre para mostrar um desenho, uma nota boa ou uma conquista que parecia mudar o mundo.</p><p>Um dia voc&#234; se pega olhando para aquele garoto da sala com outros olhos. Sente um frio na barriga toda vez que ele passa por voc&#234; e n&#227;o entende bem o que est&#225; acontecendo, porque, at&#233; ontem, ele era s&#243; o menino chato da turma, aquele de quem voc&#234; e suas amigas falavam em un&#237;ssono um grande &#8220;ECA!&#8221; sempre que o assunto era sobre garotos.</p><p>Voc&#234; troca os <em>desenhos</em> por <em>s&#233;ries</em>, as <em>brincadeiras de rua</em> pelas <em>redes sociais</em>, os <em>cadernos cheios de rabiscos</em> por <em>agendas cheias de compromissos</em>. E tudo isso acontece t&#227;o devagar que voc&#234; nem percebe que est&#225; deixando uma vida inteira para tr&#225;s.</p><p>Ent&#227;o chega o &#250;ltimo dia do ensino m&#233;dio.</p><p>A partir dali, dizem que voc&#234; j&#225; &#233; adulto. Que agora precisa fazer coisas de adulto. </p><p>Voc&#234; passa anos desejando completar dezoito anos. At&#233; descobrir que <strong>ningu&#233;m estava te esperando do outro lado com um manual de instru&#231;&#245;es.</strong> Esquecem de contar que ningu&#233;m acorda adulto de verdade. A gente s&#243; vai <em>fingindo</em> que sabe o que est&#225; fazendo at&#233; que, um dia, essa inseguran&#231;a parece menor.</p><p>Voc&#234; percebe que j&#225; n&#227;o cabe mais nas roupas da inf&#226;ncia. Depois percebe que tamb&#233;m n&#227;o cabe mais em alguns lugares, em algumas amizades e, &#224;s vezes, <em>nem na vers&#227;o de si mesmo que jurou que seria para sempre.</em></p><p>Um dia uma crian&#231;a te chama de <em>&#8220;mo&#231;a&#8221;</em>. Voc&#234; olha para tr&#225;s por instinto, procurando o adulto de quem ela est&#225; falando. At&#233; entender que, dessa vez, o aduto &#233; <strong>voc&#234;</strong>.</p><p><strong>Talvez crescer seja exatamente isso: colecionar &#250;ltimas vezes sem perceber que elas eram as &#250;ltimas.</strong></p><p>E talvez seja por isso que d&#243;i tanto abrir uma caixa de lembran&#231;as. Porque, pela primeira vez, voc&#234; entende que a inf&#226;ncia n&#227;o acabou em um dia espec&#237;fico. <em>Ela foi embora em sil&#234;ncio, levando consigo pequenas vers&#245;es de quem voc&#234; foi.</em></p><p>No fim, <em><strong>crescer tamb&#233;m &#233; um tipo de luto</strong></em>.</p><p>N&#227;o porque deixamos de existir, mas porque, a cada fase da vida, precisamos aprender a nos despedir de algu&#233;m que um dia fomos. <strong>E acho que a parte mais bonita (e tamb&#233;m a mais triste) &#233; descobrir que essas vers&#245;es nunca desaparecem completamente.</strong></p><p style="text-align: justify;">Elas continuam morando dentro da gente, escondidas entre fotografias amareladas, desenhos tortos, brinquedos esquecidos e caixas empoeiradas que, um dia qualquer, resolvemos abrir.</p><p style="text-align: justify;"><strong>Hoje eu tenho 27 anos, mas a crian&#231;a que eu fui, ainda existe em mim. </strong></p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"><span>Obrigada por ler </span><strong>Docismo! </strong><span>Se inscreva gratuitamente para receber mais conte&#250;dos como este e apoiar a minha escrita &#9825;</span></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/p/ninguem-fala-sobre-o-luto-de-estar?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/docismo.substack.com/p/ninguem-fala-sobre-o-luto-de-estar?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Compartilhar</span></a></p><p style="text-align: justify;"></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[a vida acontece entre as sextas-feiras ]]></title><description><![CDATA[segunda-feira, 13 de julho de 2026]]></description><link>https://docismo.substack.com/p/3-a-vida-acontece-entre-as-sextas</link><guid isPermaLink="false">https://docismo.substack.com/p/3-a-vida-acontece-entre-as-sextas</guid><dc:creator><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></dc:creator><pubDate>Mon, 13 Jul 2026 23:13:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2345e19f-6391-43ed-ac84-fd51da365f92_500x300.gif" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><p>Acho que a gente aprende muito cedo a dividir a vida.</p><p>De um lado, colocamos as sextas-feiras, as f&#233;rias, os anivers&#225;rios, as viagens.</p><p>Do outro, empilhamos as segundas, as filas, os trajetos, os despertadores e os dias comuns.</p><p>Como se existissem dias feitos para <em>viver</em> e outros feitos apenas para <em>esperar.</em></p><p>Demorei para perceber que a maior parte da vida acontece justamente <strong>entre as sextas-feiras.</strong></p><p></p><p>Durante muito tempo eu achei normal acordar torcendo o nariz e negociando comigo mesma.</p><p><em>&#8220;S&#243; mais cinco minutinhos.&#8221;</em></p><p>Como se viver precisasse come&#231;ar com uma pequena desist&#234;ncia di&#225;ria.</p><p></p><p>Quero voltar a gostar dos caf&#233;s da manh&#227;, <em>at&#233; dos apressados</em>.</p><p>Quero que ele deixe de ser apenas combust&#237;vel para sobreviver ao dia e volte a ser um pequeno acontecimento. Daqueles que fazem a gente diminuir o ritmo sem perceber, sabe?</p><p></p><p>Quero voltar a acreditar que uma conversa na fila do supermercado possa terminar em <strong>riso</strong>, e n&#227;o em uma reclama&#231;&#227;o sobre o pre&#231;o do tomate ou sobre como a vida anda dif&#237;cil.</p><p>Quero encontrar pessoas que ainda saibam falar sobre qualquer coisa <em>sem tanta pressa de chegar ao fim.</em></p><p></p><p>Quero reparar na luz desenhando formas diferentes na janela do &#244;nibus. Faz tempo que entro e saio dos lugares sem lembrar como eles eram por dentro&#8230;</p><p>Como se eu estivesse sempre ocupada demais pensando no pr&#243;ximo compromisso para perceber que <strong>a vida tamb&#233;m acontece no caminho.</strong></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Assine agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/docismo.substack.com/subscribe"><span>Assine agora</span></a></p><p>Quero viver um dia inteiro sem consultar o rel&#243;gio a cada meia hora. Quero esquecer que ele existe por tempo suficiente para descobrir que o tempo passa muito mais devagar quando a gente decide <strong>habit&#225;-lo.</strong></p><p></p><p>Quero uma vida tranquila. Dessas em que o maior acontecimento do dia seja encontrar um gatinho no meio da cal&#231;ada e escolher me atrasar, de novo, <em>&#8220;s&#243; mais cinco minutos&#8221;</em> s&#243; para fazer carinho nele.</p><p></p><p>Passei tempo demais esperando a sexta-feira.</p><p>Como se os outros cinco dias fossem apenas um <em>corredor</em> at&#233; ela.</p><p><strong>S&#243; que a maior parte da vida acontece justamente nesses corredores.</strong></p><p></p><p>Quero que o domingo &#224; noite deixe de parecer uma despedida. Que ele pare de anunciar, todos os domingos, que a felicidade acabou e que agora &#233; hora de voltar &#224; realidade.</p><p>Porque eu n&#227;o quero mais uma felicidade que s&#243; apare&#231;a em datas marcadas. <strong>Quero uma felicidade que more nas coisas pequenas.</strong></p><p></p><p>No cheirinho de livro novo.</p><p>Na m&#250;sica certa tocando por acaso.</p><p>Na sombra de uma &#225;rvore num dia quente.</p><p>No cheiro da roupa secando ao sol.</p><p>Num caf&#233; compartilhado.</p><p>Num gato desconhecido que resolveu confiar em mim.</p><p></p><p>Passei muito tempo achando que queria uma vida <em>extraordin&#225;ria</em>.</p><p>Dessas que rendem hist&#243;rias incr&#237;veis, viagens inesquec&#237;veis e fotografias bonitas.</p><p></p><p>Hoje percebo que quero outra coisa.</p><p><strong>Quero uma vida t&#227;o minha que at&#233; uma segunda-feira pare&#231;a um bom lugar para estar.</strong></p><p></p><p>Porque talvez felicidade nunca tenha sido sobre grandes acontecimentos. Talvez ela seja sobre <em>esquecer, por alguns dias, de esperar a sexta-feira.</em></p><p></p><p>No fim, acho que <strong>s&#243; quero uma vida que me fa&#231;a sorrir em plena </strong><em><strong>segunda-feira.</strong></em></p><p></p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigada por ler <strong>Docismo! </strong>Se inscreva gratuitamente para receber mais conte&#250;dos como este e apoiar a minha escrita &#9825;</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismos.substack.com/?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Compartilhar &#8902;&#730;&#43612;&#65377; bru &#8902;&#730;&#43612;&#65377;&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/docismos.substack.com/?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Compartilhar &#8902;&#730;&#43612;&#65377; bru &#8902;&#730;&#43612;&#65377;</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[eu queria tanto gostar de morar em você]]></title><description><![CDATA[Sempre ouvi dizer que o corpo &#233; nossa casa. O problema &#233; que ningu&#233;m ensina o que fazer quando a gente deixa de se sentir em casa dentro dela. Acho que existe um tipo de luto sobre o qual quase ningu&#233;m fala: o luto do corpo que um dia reconhecemos no espelho e que, aos poucos, foi deixando de parecer nosso.]]></description><link>https://docismo.substack.com/p/2-eu-queria-tanto-gostar-de-morar</link><guid isPermaLink="false">https://docismo.substack.com/p/2-eu-queria-tanto-gostar-de-morar</guid><dc:creator><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></dc:creator><pubDate>Fri, 10 Jul 2026 13:38:13 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/59bfac41-1534-465b-bc0d-fc83b519620d_505x342.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Sempre ouvi dizer que o corpo &#233; nossa <em>casa</em>. O problema &#233; que ningu&#233;m ensina o que fazer quando a gente deixa de se sentir em casa dentro dela. Acho que existe um tipo de <strong>luto </strong>sobre o qual quase ningu&#233;m fala: o luto do corpo que um dia reconhecemos no espelho e que, aos poucos, foi deixando de parecer nosso. Porque n&#227;o acontece de uma vez. N&#227;o existe um dia exato em que voc&#234; acorda e deixa de se reconhecer. Existe um ac&#250;mulo de pequenas despedidas, at&#233; que, num dia qualquer, voc&#234; acorda, vai se trocar e descobre que aquele n&#250;mero j&#225; n&#227;o te serve mais. Parece um detalhe. Uma etiqueta. Um peda&#231;o de tecido costurado na roupa. Mas &#233; curioso como um n&#250;mero consegue ocupar tanto espa&#231;o dentro da cabe&#231;a.</p><p>Depois disso, olhar para o espelho deixa de ser um h&#225;bito e passa a ser um <em>julgamento</em>. Voc&#234; para diante dele e j&#225; sabe exatamente para onde os seus olhos v&#227;o. Nunca para aquilo que voc&#234; gosta. Sempre para aquilo que gostaria de esconder. Voc&#234; tenta conversar com o pr&#243;prio reflexo, mas descobre que o seu corpo fala uma l&#237;ngua que voc&#234; ainda n&#227;o aprendeu. E talvez seja isso que mais doa. N&#227;o &#233; o espelho. <em>&#201; n&#227;o conseguir mais se reconhecer nele.</em></p><p>At&#233; aqui, parece que estou falando de qualquer pessoa. Mas a verdade &#233; que, o tempo todo, <em>eu estava falando de mim mesma</em>. Tem dias em que eu gostaria de poder sair de mim. N&#227;o para conhecer outro lugar. S&#243; para descansar de me carregar. Porque cansa. Cansa precisar convencer a si mesma de que est&#225; tudo bem. Cansa escolher uma roupa pensando primeiro no que ela esconde. Cansa existir calculando &#226;ngulos. Cansa viver cauculando calorias. Cansa ver a academia se tornando o lugar em que voc&#234; menos gostaria de estar. N&#227;o por se exercitar, mas sim pela vergonha de estar l&#225;. Cansa entrar em alguma rede social e se deparar com a ditadura do corpo perfeito. Cansa&#8230; perceber que o primeiro pensamento do dia &#233; sobre o pr&#243;prio corpo antes mesmo de ser sobre a pr&#243;pria vida.</p><p>&#201; curioso como meu c&#233;rebro consegue transformar qualquer lugar em um desfile para o qual eu nunca me inscrevi. Entro em uma loja e, sem perceber, come&#231;o a comparar meu corpo com o de uma desconhecida que s&#243; estava experimentando uma roupa qualquer. Olho para as vitrines e, antes de pensar se gostei da pe&#231;a, j&#225; estou tentando adivinhar se ela caberia em mim. <em>Os espelhos deixam de refletir.</em> <em>Viram tribunais</em>. E eu sou, ao mesmo tempo, a acusada, a ju&#237;za e a pessoa que nunca consegue absolver a si mesma. &#192;s vezes me pergunto quando foi que parei de morar no meu corpo e comecei apenas a tentar caber nele.</p><p>Sempre ouvi dizer que o corpo &#233; nossa casa. <em>Talvez seja por isso que doa tanto perceber que, &#224;s vezes, o lugar mais dif&#237;cil de habitar &#233; justamente aquele de onde <strong>nunca podemos ir embora.</strong></em></p><div><hr></div><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">obrigado por me ler e sinto muito se voc&#234; tenha se identificado com isso.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><div class="community-chat" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://open.substack.com/pub/docismos/chat?utm_source=chat_embed&quot;,&quot;subdomain&quot;:&quot;docismos&quot;,&quot;pub&quot;:{&quot;author_name&quot;:&quot;bru &#8902;&#730;&#43612;&#65377;&quot;,&quot;id&quot;:9615967,&quot;author_photo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!HV5p!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Faebe8da0-2b66-4f2f-8cd7-8d35789463ef_1667x943.png&quot;,&quot;name&quot;:&quot;&#8902;&#730;&#43612;&#65377; bru &#8902;&#730;&#43612;&#65377;&quot;}}" data-component-name="CommunityChatRenderPlaceholder"></div><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[será que “a gente” existe só na minha cabeça?]]></title><description><![CDATA[Ser&#225; que eu sou algu&#233;m que voc&#234; faz quest&#227;o de ter em dias especiais?]]></description><link>https://docismo.substack.com/p/2-sera-que-a-gente-existe-so-na-minha</link><guid isPermaLink="false">https://docismo.substack.com/p/2-sera-que-a-gente-existe-so-na-minha</guid><dc:creator><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></dc:creator><pubDate>Tue, 07 Jul 2026 23:51:03 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e2492306-a720-4823-a095-1c2f14c9354a_540x228.gif" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AEel!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F390bd37e-375b-42a6-bbcc-cff99390dc49_540x228.gif" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AEel!, /__u/docismo.substack.com/w_424, /__u/docismo.substack.com/c_limit, /__u/docismo.substack.com/f_webp, /__u/docismo.substack.com/q_auto:good, /__u/docismo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F390bd37e-375b-42a6-bbcc-cff99390dc49_540x228.gif 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AEel!, /__u/docismo.substack.com/w_848, /__u/docismo.substack.com/c_limit, /__u/docismo.substack.com/f_webp, /__u/docismo.substack.com/q_auto:good, 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data-component-name="Spotify2ToDOM"></iframe><p>Ser&#225; que eu sou algu&#233;m que voc&#234; faz quest&#227;o de ter em dias especiais? Voc&#234; cabe nos meus dias comuns. Eu me pergunto se tamb&#233;m caibo nos seus. At&#233; porque eu gostaria que todos os meus fossem especiais, porque voc&#234; estaria neles.</p><p>Ser&#225; que aquele olhar depois do sexo, com a cabe&#231;a perdida no teu peito, era um &#8220;eu te amo&#8221; disfar&#231;ado e um pouco sem jeito? Naquele instante, qualquer um teria conseguido arrancar de mim uma declara&#231;&#227;o.</p><p>Ser&#225; que voc&#234; pega o celular r&#225;pido quando chega alguma notifica&#231;&#227;o pensando que sou eu mandando alguma mensagem? Porque eu tor&#231;o para que qualquer vibra&#231;&#227;o do meu celular seja voc&#234; dizendo que vem me ver. Pudera eu ter o poder de acelerar o tempo s&#243; pra enfim te ter.</p><p>Quando meu cheiro gruda em voc&#234;, voc&#234; sorri como eu sorrio e at&#233; cogita em n&#227;o lavar sua blusa? Eu n&#227;o me orgulho do qu&#227;o brega isso soa, mas dia desses eu dormi abra&#231;ada na sua camiseta azul. Pela manh&#227; ela j&#225; cheirava mais a mim do que a voc&#234;, e isso me me entristeceu mais do que deveria. Me pergunto se acontece o mesmo com voc&#234;.</p><p>Ser&#225; que voc&#234; se lembra de mim toda vez que toca &#8220;Mystery of Love&#8221; que eu timidamente adicionei na sua playlist? Desde ent&#227;o, The Smiths virou o jeito mais bonito que encontrei de sentir saudades de voc&#234;.</p><p>Ser&#225; que voc&#234; cria cen&#225;rios, me inclui no seu futuro e faz planos? Na minha cabe&#231;a n&#243;s j&#225; moramos em cidades que nunca visitamos, adotamos um cachorro que nunca existiu e discutimos sobre a cor da parede de uma casa que talvez nunca seja nossa. Queria saber se voc&#234; tamb&#233;m me leva para lugares onde eu ainda nem estive.</p><p>Ser&#225; que tamb&#233;m te d&#243;i o peito cada vez em que voc&#234; tem que se despedir de mim? Porque eu sempre te abra&#231;o como quem tenta atrasar a despedida.</p><p>Voc&#234; ainda usa aquela caneca que te dei de anivers&#225;rio com aquela piada idiota: &#8220;isso n&#227;o &#233; uma caneca&#8221;? Porque o di&#225;rio que eu escrevo agora foi voc&#234; quem me deu, mesmo sabendo que eu j&#225; tinha tantos, e esse &#233; meu favorito.</p><p>Ainda penso naquela noite no terra&#231;o da sua casa. N&#243;s dois deitados olhando as estrelas. &#192;s vezes me pergunto se ela continua existindo quando voc&#234; pensa nela. Voc&#234; pensa nela?</p><p>A polaroid daquela noite continua escondida na capinha do meu celular. Como se um peda&#231;o de papel pudesse impedir uma lembran&#231;a de ir embora.</p><p>Mesmo depois de meses, de forma muito clich&#234;, meu cora&#231;&#227;o ainda se adianta alguns segundos quando te v&#234;. Queria saber se o seu tamb&#233;m perde o ritmo quando me encontra.</p><p>Ser&#225; que, por ventura, eu me confundi e me convenci de que a gente tamb&#233;m existe al&#233;m da minha cabe&#231;a? Porque todos os sinais que captei me disseram o contr&#225;rio. Disseram?</p><p>Talvez, por sorte ou por ironia do destino, voc&#234; tamb&#233;m tenha se convencido de que &#8220;a gente&#8221; existe al&#233;m de nossas cabe&#231;as. Enquanto escrevo, tento descobrir se voc&#234; mora na mesma hist&#243;ria que eu.</p><p>Ser&#225;? Tomara que sim.<strong> </strong>Porque n&#227;o quero amar aquilo que, na minha cabe&#231;a, sempre fez sentido no plural.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Se subscreva gratuitamente para receber novos conte&#250;dos e apoiar minha escrita! Seu like e coment&#225;rio s&#227;o bem vindos &#8902;&#730;&#43612;&#65377; </p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[muito de mim ainda espera por você]]></title><description><![CDATA[muito de mim ainda procura por voc&#234;. nas ruas, no metr&#244;s, nos mercados, "esse ator se parece tanto com voc&#234;..." penso, e rio de mim ao perceber, que te procuro at&#233; na TV. muito de mim ainda lembra de voc&#234;. quando tomo caf&#233; sem a&#231;ucar, quando escuto aquela nossa m&#250;sica, e s&#243; por voc&#234;, ainda visto aquele vestido que voc&#234; me deu mas eu odiei. muito de mim, ainda sente]]></description><link>https://docismo.substack.com/p/1-muito-de-mim</link><guid isPermaLink="false">https://docismo.substack.com/p/1-muito-de-mim</guid><dc:creator><![CDATA[bru ˚༝ ⚘ ₊*]]></dc:creator><pubDate>Sun, 05 Jul 2026 17:23:01 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YVuq!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe19a5f27-794d-44f6-9a28-04743ba09952_768x432.gif" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!YVuq!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe19a5f27-794d-44f6-9a28-04743ba09952_768x432.gif" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!YVuq!, 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nas ruas, no metr&#244;s, nos mercados,
<em>"esse ator se parece tanto
com voc&#234;..."</em> penso,
e rio de mim ao perceber, 
que te procuro at&#233; na TV.

muito de mim ainda <strong>lembra</strong> de voc&#234;.
quando tomo caf&#233; sem a&#231;ucar, 
quando escuto  aquela nossa m&#250;sica,
e s&#243; por voc&#234;, ainda visto aquele
vestido que voc&#234; me deu
mas eu odiei.

muito de mim, ainda sente <strong>tua falta</strong>
aquela falta chata, que incomoda,
que gruda no peito e que, aos pouquinhos,
te consome de dentro pra fora.

muito de mim ainda <strong>ama</strong> muito de voc&#234;.
mesmo que eu n&#227;o queira, 
mesmo que doa admitir,
que ainda &#233; imposs&#237;vel,
por hora, tirar voc&#234;
de dentro de mim.
</pre></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://docismo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe now&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/docismo.substack.com/subscribe"><span>Subscribe now</span></a></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>