<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Café sem Açúcar  ☕]]></title><description><![CDATA[Escrevo, logo existo. Porque existo, logo escrevo. Escrever é sobre permanecer. 
]]></description><link>https://emanuellabarros.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-Niw!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fbc7552fa-3ff1-46a4-a1ab-f984e9c67338_386x386.png</url><title>Café sem Açúcar  ☕</title><link>https://emanuellabarros.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Thu, 03 Sep 2026 02:16:56 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/emanuellabarros.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Emanuella Barros Mota de Souza]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[emanuellabarros@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[emanuellabarros@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Emanuella Barros]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Emanuella Barros]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[emanuellabarros@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[emanuellabarros@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Emanuella Barros]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[#144 Como virei leitora ]]></title><description><![CDATA[obrigada jos&#233; de alencar]]></description><link>https://emanuellabarros.substack.com/p/144-como-virei-leitora</link><guid isPermaLink="false">https://emanuellabarros.substack.com/p/144-como-virei-leitora</guid><dc:creator><![CDATA[Emanuella Barros]]></dc:creator><pubDate>Thu, 13 Aug 2026 12:19:45 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9e6592e4-20f9-4dcd-a994-81c6b54005ee_4284x5712.heic" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><blockquote><p>A newsletter Caf&#233; sem A&#231;&#250;car &#233; um projeto autoral e independente, gratuito para todos e enviada em todas &#224;s quintas-feiras. O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><p></p><p>Acho gra&#231;a quando algu&#233;m diz ser leitor desde a inf&#226;ncia. Que preferia os livros a socializar com outras crian&#231;as. Algumas at&#233; podem se intitular prod&#237;gios por terem lido Bukowski, Tolst&#243;i, Machado de Assis, Jos&#233; de Alencar na adolesc&#234;ncia, e dado seus primeiros rascunhos de hist&#243;rias sem grandes erros de portugu&#234;s. Provavelmente eram nota dez na mat&#233;ria de l&#237;ngua portuguesa e n&#227;o recorriam a resumos quando pediam que lessem algum cl&#225;ssico da literatura brasileira.</p><p>Meu pai me deu dois livros do Harry Potter porque sabia que estava na moda. Ousei abrir, mas nunca passei da primeira frase. Era grande demais. Tinha palavras e personagens demais para minha cabe&#231;a. Mas eu lia Turma da M&#244;nica. Colecionava revistinhas da Recreio. Comprava cole&#231;&#227;o de livros de dinossauros que vinham com CD. Os livros eram sempre fin&#237;ssimos, mas muito bem ilustrados. Eu adorava tudo relacionado a animais, mais precisamente a esses r&#233;pteis de 200 milh&#245;es de anos.</p><p>Eu n&#227;o lembro em que momento da adolesc&#234;ncia me tornei leitora, lembro que, ainda no in&#237;cio, eu nunca lia nenhum livro que a professora pedia para ler. No m&#225;ximo lia duas ou tr&#234;s p&#225;ginas para fingir que tinha lido. Um dia, resolvi me dar como vencida e li um livro, O Guarani, do Jos&#233; de Alencar. Eu deveria ter meus 12 ou 13 anos, sei porque tinha beijado pela primeira vez na mesma &#233;poca.</p><p>Eu me apaixonei pelo romance entre &#237;ndio e mulher rica e branca. Lembro de quase nada da hist&#243;ria, mas lembro da sensa&#231;&#227;o de ser inserida em outro cen&#225;rio, viver a vida de outras pessoas, sentir a tens&#227;o e a d&#225;diva de encontrar algu&#233;m e se apaixonar.</p><p>Tentei encontrar algo parecido com aquele livro, mas todos os outros n&#227;o pareciam t&#227;o interessantes. Era como se n&#227;o existisse livro melhor. Tentei Machado de Assis, mas n&#227;o rolou. N&#227;o entendi nada no livro Alien&#237;gena. Ent&#227;o descobri John Green e mergulhei em A Culpa &#233; das Estrelas, Quem &#233; voc&#234;, Alasca? e Cidade de Papel. Tamb&#233;m descobri a Cabana. Na &#233;poca, ainda era bastante religiosa, mas o livro me perturbou no in&#237;cio. Passei a me trancar no quarto e s&#243; sair para comer e ir ao banheiro, tudo para terminar o livro.</p><p>Dizem, e nesse caso eu concordo, que para pegar jeito na leitura, &#233; bom ler aquilo que a gente gosta e d&#225; prazer, e depois ir inserindo livros mais densos, at&#233; filos&#243;ficos.</p><p>Com o tempo, fui procurando ler mais. Fiquei interessada nessa coisa de viver muitas vidas, mas descobri com o tempo que era ruim tamb&#233;m. Comecei a sentir a tal depress&#227;o p&#243;s-livro de maneiras avassaladoras. Eu sentia como se minha vida tivesse acabado e fosse morrer a qualquer instante. Era tudo muito intenso na &#233;poca. Dormia e tinha pesadelos.</p><p>Parei de ler por meses para me recuperar. N&#227;o era salv&#225;vel aquela agita&#231;&#227;o de depress&#227;o toda. Era perturbador para a minha idade.</p><p>O desejo de escrever veio nesse per&#237;odo perturbador. Sentei um dia e tentei escrever as minhas primeiras frases autorais, durou um momento e teve fim (brincando com o t&#237;tulo do livro da minha colega Gabriela). &#192;s vezes publicava algumas coisas no Facebook e colocava entre aspas para acharem que eu estava citando algu&#233;m, mas era na verdade eu mesma escondendo a autoria para, caso fosse ruim, julgarem o outro e n&#227;o a mim.</p><p>Li muito pouco durante o ensino m&#233;dio, onde eu j&#225; estava me envolvendo amorosamente, e tamb&#233;m focada em n&#227;o reprovar. Fiquei longos anos distante daquilo, mas nunca perdi o meu desejo de escrever, embora n&#227;o lembrasse o tempo inteiro.</p><p>Eu acho que comecei a ler por necessidade, e permaneci por isso tamb&#233;m. Eu preciso sair um pouco da minha vida e entrar em outra. Acredito que foi isso que me tornou quem eu sou, capaz de conversar com qualquer pessoa do mundo, em qualquer fase da vida, porque eu ganhei um repert&#243;rio insano de hist&#243;rias e realidades inimagin&#225;veis. Eu s&#243; tenho a minha vida, mas os livros me entregam a possibilidade de v&#225;rias outras que n&#227;o terei como viver de verdade.</p><p>Atualmente, estou sofrendo um tipo de ansiedade por todos os livros que quero ler, mas n&#227;o consigo. S&#227;o muitos, mas preciso conciliar com a vida aqui fora, al&#233;m de que tamb&#233;m leio alguns por necessidades profissionais, e n&#227;o s&#243; por divers&#227;o. Longe de mim entrar na onda das pessoas que fazem de tudo para ler dez livros por m&#234;s e 200 por ano. Acho loucura. N&#227;o me importo com a quantidade. Eu s&#243; queria poder ler todos os livros do mundo e conversar com todas as pessoas que existem.</p><p>Mas &#224;s vezes n&#227;o ler nada &#233; m&#243; bom. </p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#143 Me chamavam de mulher macho, mas eu só era livre]]></title><description><![CDATA[.]]></description><link>https://emanuellabarros.substack.com/p/143-me-chamavam-de-mulher-macho-mas</link><guid isPermaLink="false">https://emanuellabarros.substack.com/p/143-me-chamavam-de-mulher-macho-mas</guid><dc:creator><![CDATA[Emanuella Barros]]></dc:creator><pubDate>Thu, 06 Aug 2026 10:01:51 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/068764dd-98c2-4138-be85-06f42f0515a5_3672x4896.heic" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><blockquote><p>A newsletter Caf&#233; sem A&#231;&#250;car &#233; um projeto autoral e independente, gratuito para todos e enviada em todas &#224;s quintas-feiras. O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><p>Meu len&#231;ol de cama era do Pok&#233;mon. Minha sand&#225;lia do Seninha e minhas bonecas eram Barbies das mais variadas de um tempo em que Barbie n&#227;o era t&#227;o caro, mas ainda assim, hoje me considero privilegiada por ser daquelas crian&#231;as que usaram Lilica Ripilica e brincaram com Barbies com asas brilhantes e caudas de sereias. Mas eu tamb&#233;m fui a crian&#231;a dos carrinhos Hot Wheels, de brincar de pega-pega apenas com os meninos. Eu era uma crian&#231;a mais livre mesmo, embora minha m&#227;e tenha feito suas tentativas de me &#8220;rosalizar&#8221;. Me enfeitando com o m&#225;ximo de rosa e lil&#225;s poss&#237;vel e tamancos. Eu me neguei a usar qualquer maquiagem, pintar as unhas, passar batom quando crian&#231;a.</p><p>Me neguei a usar rosa, porque achava rosa muito menininha e eu queria ser diferente. Eu gostava mesmo era de brincar com meus dinossauros, minhas vaquinhas de pl&#225;stico barato, assistir os Power Rangers, High School Musical, as Meninas Super Poderosas e as Quatro Espi&#227;s Demais. Mas eu nunca quis ser a personagem mais feminina, mais vaidosa, a principal do cl&#227;. Eu era sempre a durona, o azul e o verde, a que se vestia feito moleque.</p><p>Anos depois, jamais imaginaria que as minhas escolhas inocentes poderiam se tornar alvo de chacota e sin&#244;nimo do que chamam de mulher macho. Ou melhor, sapat&#227;o.</p><p>Na adolesc&#234;ncia, meu jeito de andar sem charme nenhum, as roupas largas, os tapinhas que eu dava nos meninos, o fato de eu jogar futsal e andar com meninos, fez com que criassem a teoria de que eu era uma mulher que gostava de mulher. E confesso, tive medo de que as constata&#231;&#245;es estivessem certas sobre mim. Tentei me moldar para agir o mais feminina poss&#237;vel, mas at&#233; quando sou feminina, eu ainda era a sapat&#227;o que n&#227;o se revelava.</p><p>Cresci com a minha orienta&#231;&#227;o sexual sendo questionada dia e noite. Mais tarde, pensei em como deve ser dif&#237;cil para quem, de fato, &#233; LGBTQI+ e precisa lidar o tempo todo com o preconceito e a repress&#227;o.</p><p>Por muitos anos, aquilo me deprimiu porque era como se todos soubessem mais sobre mim do que eu mesma. E por muitos anos fiquei com medo de n&#227;o saber mesmo quem eu era. &#201; t&#227;o doloroso ver o outro tentar te descrever, te podar e te p&#244;r em uma caixinha sem que voc&#234; se sinta &#224; vontade com isso.</p><p>Os anos foram passando, e eu fui me descobrindo. E por mais que eu j&#225; tenha dado um selinho ou outro por a&#237; depois de umas boas doses de vodca, e um grito pedindo beijo triplo, eu sigo sendo o que sempre fui: hetero.</p><blockquote><p><em>A identidade feminina diz respeito ao modo como uma pessoa que se identifica como mulher constr&#243;i sua percep&#231;&#227;o de si mesma, dos pap&#233;is que exerce na sociedade, de seu corpo, emo&#231;&#245;es, comportamentos, sexualidade, entre outros aspectos. &#201; um processo que come&#231;a na inf&#226;ncia e vai sendo moldado ao longo da vida.</em></p><p><em><span>Desde os princ&#237;pios da vida de uma mulher a sociedade j&#225; come&#231;a a moldar ela, isso desde quando ela &#233; apresentada a sociedade, desde o nascimento, meninas e meninos s&#227;o socializados de formas diferentes. Isso come&#231;a com as cores das roupas, os brinquedos oferecidos, os elogios e os est&#237;mulos. Por exemplo: meninas s&#227;o incentivadas &#224; do&#231;ura, ao cuidado e &#224; empatia, enquanto meninos s&#227;o estimulados &#224; autonomia, coragem e competi&#231;&#227;o. Cultura e m&#237;dia filmes, s&#233;ries, novelas, redes sociais e publicidade apresentam estere&#243;tipos de feminilidade (beleza, magreza, sensualidade, delicadeza), que muitas vezes limitam as possibilidades de express&#227;o da identidade. E por a&#237; vai, mas a principal delas a</span><strong> fam&#237;lia.</strong></em></p></blockquote><p></p><p>Trouxe aqui esse trecho da news da <span class="mention-wrap" data-attrs="{&quot;name&quot;:&quot;sofia bacelar&quot;,&quot;id&quot;:313892894,&quot;type&quot;:&quot;user&quot;,&quot;url&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/3ba1320c-f0e4-4d27-b621-e7dfe9607002_736x736.jpeg&quot;,&quot;uuid&quot;:&quot;b45c31a1-9b5d-4cc9-8808-35e8d8ddb36a&quot;}" data-component-name="MentionToDOM"></span>, para dizer que nunca me senti t&#227;o feminina, n&#227;o compactuando com o que por anos foi dito o que era o feminino. At&#233; porque todos n&#243;s carregamos ambos os sexos dentro de n&#243;s, e alguns s&#227;o mais agu&#231;ados que outros. Eu ainda gosto de me vestir com camiset&#227;o. Minha voz segue meio grossa, meu andar continua sendo deselegante, e solto arrotos e peidos perto dos meus amigos sempre que poss&#237;vel. Falo muito palavr&#227;o e besteiras de alto cal&#227;o. Sou p&#233;ssima com salto alto, mas hoje gosto de maquiagem, visto vestidos e saias. Adoro roupa decotada, e n&#227;o tenho problema em chegar em um homem. N&#227;o fingo orgasmos. </p><p>&#201; bizarro como tentam criar um conceito do que &#233; ser mulher e o que &#233; ser homem. Como se voc&#234; s&#243; pudesse seguir um jeito, um comportamento.</p><p>Por muitos anos, tentei ser a mulher feminina que queriam que eu fosse, mas foi a pior experi&#234;ncia poss&#237;vel. Hoje eu me sinto feminina, bastante inclusive, mas n&#227;o dependo dos olhos alheios para me dizer como devo me comportar. O fato &#233; que passei a ter mais amigas mulheres do que homens, e para mim isso foi importante. Durante alguns anos da minha inf&#226;ncia e adolesc&#234;ncia, eu andava com homens porque achava-os com menos frescura, mais independentes e seguros de si.</p><p>As mulheres, no geral, me pareciam sempre chatas e bobinhas.</p><p>E acredito que muitas outras mulheres tamb&#233;m pensavam igual a mim at&#233; finalmente viver e sentir o poder de ter amigas mulheres por perto. Eu me tornei uma pessoa muito melhor quando descobri esse poder imenso que &#233; estar com outras mulheres. Para mim, isso &#233; feminino, esse apoio e escuta ativa de quem sabe exatamente o que voc&#234; passou e lida com os mesmos problemas de g&#234;nero.</p><p>Hoje brinco com o imagin&#225;rio das pessoas que ainda questionam minha sexualidade, penso como seria mais legal ser bissexual, por exemplo, pois sempre teria op&#231;&#245;es por perto.</p><p>Eu continuo detestando rosa, e quando tentei ressignificar a cor na minha vida, descobri que n&#227;o combinava com o meu tom de pele. Ficava horroroso.</p><p>O azul sempre foi minha cor, fodase a Damares.</p><p>E obrigada aos meus pais, mesmo que sem consci&#234;ncia, me permitiram ser crian&#231;a, brincar com coisas de crian&#231;a, e n&#227;o tentaram impor coisas de menina e coisas de menino, porque quando se &#233; t&#227;o novo na vida, tudo &#233; coisa de crian&#231;a, simples. </p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p><div><hr></div><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? 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O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><p></p><p>O trem sairia em meia hora, ent&#227;o achei melhor esperar sentada no ch&#227;o frio, enquanto fazia trinta e cinco graus sem vento. A mochila maior caiu para um lado e a menor, de outro. N&#227;o tinham se passado nem cinco minutos desde que sentei quando dois policiais me abordaram. Perguntaram de onde eu era e para onde ia. Entreguei meu passaporte, uma foto foi tirada pelo celular de um dos policiais. Fizeram-me outras perguntas, enquanto respondia com um ingl&#234;s envergonhado.</p><p>Fui obrigada a levantar, porque n&#227;o era permitido sentar no ch&#227;o. As pessoas poderiam me ver ali jogada com duas mochilas e pensar que eu era uma imigrante tentando imigrar ilegalmente, sem nenhum tost&#227;o no bolso e visto vencido.</p><p>Por algum motivo, tive medo quando aterricei em Brindisi, na regi&#227;o da Puglia. Fiquei pensando nos filmes de m&#225;fia italiana, nos filmes do Poderoso Chef&#227;o e os com o Denzel Washington. Tinha pesquisado sobre a regi&#227;o da Puglia e o Google me entregava informa&#231;&#245;es esquisitas. Pensei em casos de tr&#225;fico humano - esse sem d&#250;vida sempre foi minha maior preocupa&#231;&#227;o enquanto viajava.</p><p>Precisei parar por uma hora em outra cidade para fazer uma reuni&#227;o do lado de fora da esta&#231;&#227;o. Eu n&#227;o sabia se o que eu percebia eram olhares voltados a mim ou mera ilus&#227;o disso. &#192;s vezes eu gostava de chamar a aten&#231;&#227;o por ser estrangeira, mas &#224;s vezes era a pior coisa que poderia me acontecer, era demonstrar que eu era uma estrangeira.</p><p>Peguei o segundo trem e, em uma hora, j&#225; estava no destino &#8220;quase final&#8221;. As pessoas que haviam descido do mesmo trem j&#225; tinham desaparecido, e uma sensa&#231;&#227;o esquisita de medo tomou conta de mim como se minha intui&#231;&#227;o estivesse errada e eu encrencada. <span>Giuseppe</span> chegou em um carro velho e empoeirado. Abriu o porta-malas cheio de gravetos e terra. N&#227;o lembro se fui eu que puxei assunto ou ele. S&#243; lembro de dizer que era melhor falarmos em ingl&#234;s para eu n&#227;o confundir espanhol com italiano.</p><p>A primeira impress&#227;o, &#224;s vezes, impregna a pele como tinta de cabelo. Demora a desaparecer de vez. &#201; preciso esfregar muito, esperar, torcer para que a pele n&#227;o reaja antes que a cor finalmente ceda.</p><p>Pensei que n&#227;o suportaria, at&#233; naquela mesma semana andar de barco &#224; vela e comer marisco, tudo pela primeira vez e de gra&#231;a. No outro dia, tive um daqueles dias que entram na lista de melhores dias da minha vida. Quase chorei ao som de cantigas cl&#225;ssicas da cultura italiana, enquanto comia outra vez mariscos com massa.</p><p>Naquela viagem, admiti em voz alta que eu era mais patricinha do que eu imaginava. As coisas que me ocorriam n&#227;o eram as coisas &#224;s quais eu estava acostumada ou gostava. A terra debaixo da unha, o cabelo quase sempre sem defini&#231;&#227;o, e o banho sempre curto, feito sentada em uma banheira velha. At&#233; a roupa eu precisava lavar com as roupas do dono da fazenda, para economizar &#225;gua e porque aquilo era uma comunidade, onde tudo deveria ser compartilhado.</p><p>Aprendi a compartilhar enquanto viajava. At&#233; mesmo quando o dinheiro era pouco. Um dos poucos resqu&#237;cios do cristianismo em mim. &#192;s vezes pensava que, se eu compartilhasse, nada nunca me faltaria, porque o universo trataria de me ajudar sempre que precisasse. &#201; aquela quase falsa ajuda, que voc&#234; espera que o karma venha positivo pela boa a&#231;&#227;o do passado.</p><p>Eu acredito em energia e no poder do universo em nos devolver e entregar aquilo que merecemos, com o nosso devido esfor&#231;o, claro. Aprender a compartilhar tamb&#233;m foi uma maneira de me preparar para receber tamb&#233;m. Ambos n&#227;o s&#227;o t&#227;o f&#225;ceis assim.</p><p>Eu lembro da primeira refei&#231;&#227;o com o Giuseppe, eram legumes misturados, um queijo azedo e um vinho forte. Eu nunca tinha comido azeitona e n&#227;o sabia que o que eu comia at&#233; o caro&#231;o duro que parecia quebrar meus dentes era azeitona. Ele ficou chocado com a minha ingenuidade e preocupado com meus dentes.</p><p>No outro dia, pedi gentilmente que ele n&#227;o misturasse as comidas porque eu estava em processo de experimenta&#231;&#227;o de legumes, pois no Brasil cham&#225;vamos isso de paladar infantil. Ele riu, brincou com isso o m&#234;s inteiro, mas eu o via me olhando de lado, orgulhoso, toda vez que eu comia e repetia seus legumes sem fazer careta.</p><p>Meu calcanhar ficou seco e rachou. Dormia sem ventilador, apenas torcendo para que os pernilongos n&#227;o entrassem nos buracos do mosquiteiro. Senti falta do conforto v&#225;rias vezes. Eu costumava usar a mesma roupa fedida e suja de terra pela manh&#227; para colher legumes, j&#225; que ficaria suja de qualquer jeito.</p><p>&#201; engra&#231;ado pensar que o que tinha como ser a pior experi&#234;ncia da minha vida se tornou a melhor. Mesmo trabalhando em dois turnos, um debaixo do sol quente e outro sentada diante do computador. Ainda era o lugar e o momento certo para se estar. Eu lembro de ver o p&#244;r do sol enquanto nadava em um mar morno. Lembro de conversar em ingl&#234;s com uma italiana com quem tinha almo&#231;ado naquele dia. Tamb&#233;m lembro que ap&#243;s o banho de mar fomos jantar no restaurante vegano da fazenda, e ter tido a melhor refei&#231;&#227;o da minha exist&#234;ncia humana. </p><p>Devo muito &#224;quela fazenda no sul da It&#225;lia por alterar a qu&#237;mica do meu c&#233;rebro e dar nova roupagem &#224; minha alma.</p><p>Mas permane&#231;o n&#227;o gostando de tomate.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p><div><hr></div><p></p><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? 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O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><p>Tenho sonhado com um texto. Em qualquer lugar que encontro dispon&#237;vel, sento, abro o MacBook e come&#231;o a seguir uma linha de racioc&#237;nio que se tornar&#225; a pr&#243;xima edi&#231;&#227;o da newsletter. As palavras parecem encaixar umas nas outras com uma facilidade que nunca acontece quando estou acordada. O tema parecia empolgar meus dedos, e por vezes me sentia uma verdadeira escritora sem repetir a mesma ideia, sem palavras enfeitadas e excesso de gerundismo. </p><p>Ent&#227;o eu acordo.</p><p>Olho tudo o que comp&#245;e meu quarto e lembro que n&#227;o publiquei nada. Era s&#243; um sonho. O pior &#233; que n&#227;o consigo lembrar do que escrevi. Caminho, a todo custo, entre mem&#243;rias fragmentadas, e n&#227;o encontro uma &#250;nica frase.</p><p>Fico triste, porque tenho sido cada vez menos escritora, e menos ainda criativa. </p><p>Trabalho, viajo, fico com meus amigos, vejo uns filmes, mas sinto como se meus chakras estivessem desalinhados e nada que eu fizesse fosse bom o suficiente. Minha vida n&#227;o &#233; ruim, na verdade considero a minha vida um luxo, por&#233;m, como uma pessoa dram&#225;tica e exagerada que viajou por um ano pelo mundo, sinto que a vida luxuosa que tenho &#233; ainda mediana nos meus termos, e precisa ser surpreendida e surpreender. N&#227;o vivo com a inten&#231;&#227;o de mostrar nada a ningu&#233;m, meu foco &#233; em mim, se eu n&#227;o me surpreendo, me sinto vazia. Sou a pessoa que mais tento impressionar.</p><p>Tenho me esfor&#231;ado para ler o m&#225;ximo que posso. Me sinto sugada pelo celular a cada minuto e, desde que meu pacote do Office expirou, nunca mais escrevi meu livro. Livro esse que j&#225; tenho vergonha de dizer que estou escrevendo, porque isso deixou de ser presente cont&#237;nuo faz tempo. Hoje, soa mais como passado.</p><p>Tenho saudades do tempo em que as ideias apareciam feito mosquitos. Eu vivia em abund&#226;ncia criativa. Cada pequeno detalhe se tornava algo ainda mais bonito quando escrito. Minha mem&#243;ria estava apurada, e minha inf&#226;ncia muito pr&#243;xima da minha vers&#227;o adulta.</p><p>Hoje, quando tento escrever uma nova newsletter, sinto dificuldade para pensar, assim como tenho tido cada vez menos ideias criativas. Alguns dizem que estou em uma esp&#233;cie de abstin&#234;ncia de dopamina, aquela que passei a ter em maiores dosagens por causa das mudan&#231;as bruscas que fiz na minha vida nos &#250;ltimos dois anos.</p><p>Embora me incomode a ideia de controlar nossas mentes para pensarmos apenas no que faz sentido. Tenho tentado praticar um exerc&#237;cio de mem&#243;ria. Quando estou mais inclinada a outras coisas que n&#227;o necessariamente me fazem bem, mas que me levam para longe da vida criativa e da escrita, tento um discurso motivacional, o que na verdade nada mais &#233; do que voltar no tempo e lembrar-me do porqu&#234; fiz uma transi&#231;&#227;o de carreira. Do porqu&#234; comecei a escrever de verdade. Do porqu&#234; resolvi viajar o mundo. Tanto sacrif&#237;cio para, no fim, esquecer do porqu&#234; decidi fazer o que fa&#231;o hoje.</p><p>A viagem a Portugal. A paix&#227;o que tive e o caderninho de capa mole preta teriam existido em v&#227;o.</p><p>Eu n&#227;o sou contra desistir das coisas. Acredito fortemente que, &#224;s vezes, para nossa sa&#250;de mental, &#233; melhor abandonar uma ideia ou projeto e seguir em frente. N&#227;o acho uma derrota fazer isso, mas no meu caso seria, porque seria mais uma vez eu dizendo a mesma frase que fez eu mudar completamente tudo, em uma tarde na casa do rapaz do caderninho, &#8220;talvez na outra vida&#8221;. A mesma frase que me deixou apavorada comigo mesma, com a minha fraqueza e sinceridade em n&#227;o acreditar que fosse poss&#237;vel.</p><p>Estou no interior de Rond&#244;nia e passei por horas de entrevistas sobre minhas viagens, e talvez a parte mais surpreendente tenha sido as perguntas sobre minha escrita. Minhas primas de 10 e 14 anos admiradas com a faceta de uma prima escritora, aguardando o momento em que eu me torne muito famosa. Elas j&#225; acham em algum lugar que eu seja, elas viram meus assinantes. Meu padrasto aguarda meus textos religiosamente toda quinta-feira, e alguns amigos j&#225; disseram ter chorado com algum texto meu.</p><p>Mudan&#231;as dr&#225;sticas precisam ser feitas. Mas n&#227;o, eu n&#227;o desisti do livro. Eu s&#243; me sinto um pouco perdida em minhas pr&#243;prias escolhas, mas j&#225; estou voltando.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p><div><hr></div><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? 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O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><p>Olho para o espelho e vejo que o mai&#244; deixava minha barriga ainda mais redonda e grande, n&#227;o que ela j&#225; n&#227;o esteja assim, pois desde que voltei para o Brasil comi tudo o que aparecia na minha frente como se tivesse passado fome por doze meses, o que &#233; um exagero claro. Sinto orgulho da minha touca que foi feita para cabelos crespos e volumosos, meus &#243;culos s&#227;o os mais simples e baratos que achei na decathlon.</p><p>Me sinto uma crian&#231;a em seu primeiro dia de aula, embora j&#225; tenha come&#231;ado aula de nata&#231;&#227;o quando tinha quinze anos na escola onde fiz meu ensino m&#233;dio. O professor era um homem grande, musculoso e negro, que passou grande parte dos meus poucos dias de aula tentando me ensinar a boiar. E, por mais engra&#231;ado que possa parecer, eu descobri que n&#227;o sabia boiar e nem tinha grande propens&#227;o para isso, uma vez que boiar com facilidade n&#227;o &#233; algo inerente a todo corpo humano, varia conforme a massa muscular e gordura de cada pessoa.</p><p>Eram quase dezoito horas da tarde. Contei para a professora do turno que era praticamente minha primeira aula de nata&#231;&#227;o e que eu n&#227;o sabia nadar. Errei a maneira de colocar a touca na cabe&#231;a e tive dificuldade para colocar o &#243;culos direito. Entrei na raia seis. Percebi que a piscina n&#227;o era funda e que era quase imposs&#237;vel se afogar l&#225;. Come&#231;amos com a respira&#231;&#227;o que eles chamam de garrafa. <em>Eu preciso que voc&#234; puxe o ar com a boca e solte pelo nariz debaixo da &#225;gua, fazendo bolinhas. Fa&#231;a isso dez vezes cada vez que voltar para esse lado.</em></p><p>Dois dias atr&#225;s, eu havia feito aula de pilates e a professora pedia para prestar aten&#231;&#227;o na respira&#231;&#227;o. Dizia para puxar o ar pelo nariz e soltar pela boca devagar. Nunca esquecer de prestar aten&#231;&#227;o na respira&#231;&#227;o.</p><p>Certa vez, quando eu ainda estava na Bahia, um homem que se apresentou com o nome Irado disse que temos a mania de prender a respira&#231;&#227;o o tempo inteiro e nem percebemos isso. Veja bem, talvez voc&#234; esteja sentado agora, ou em p&#233; no &#244;nibus, seja onde estiver, voc&#234; provavelmente est&#225; prendendo a respira&#231;&#227;o sem perceber, e vai come&#231;ar a respirar direito agora porque eu te alertei.</p><p>Eu nunca tinha prestado aten&#231;&#227;o na minha respira&#231;&#227;o - exceto quando meditava - mas sabia que em todos os exerc&#237;cios que fazemos, as pessoas sempre come&#231;am com a respira&#231;&#227;o. Seja ioga, pilates, crossfit, tudo gira em torno da bel&#237;ssima arte de puxar e soltar ar. Quando algu&#233;m est&#225; &#224; beira de uma crise de ansiedade, a primeira coisa que lhe falta &#233; o ar, e quando precisa fazer o exerc&#237;cio de respirar direito, a coisa fica dif&#237;cil porque voc&#234; est&#225; muito ansiosa e n&#227;o consegue fazer isso de maneira leve.</p><p>J&#225; dizia o Irado, se respir&#225;ssemos direito &#233;ramos invenc&#237;veis. Poder&#237;amos vencer qualquer pessoa em discuss&#245;es, em reuni&#245;es de trabalho. Nosso corpo &#233; uma academia.</p><p>Achei legal fazer a respira&#231;&#227;o de garrafa. Fui &#224; &#225;gua fazer meu primeiro exerc&#237;cio j&#225; testando a respira&#231;&#227;o e descobri que n&#227;o tenho paci&#234;ncia para aprender. N&#227;o que eu n&#227;o goste do processo de iniciar algo, muito pelo contr&#225;rio, eu adoro ser iniciante, acontece que eu nunca tinha percebido que estou o tempo inteiro tentando provar que sou boa mesmo iniciando, como se estivesse descobrindo que nasci com o dom, pois tento a todo custo mostrar para a professora que para uma primeira aula eu era boa. Eu estava o tempo inteiro esperando que ela dissesse isso, mas n&#227;o veio em nenhum momento. No m&#225;ximo, &#8220;voc&#234; melhorou, mas tenta&#8230;&#8221;. &#192;s vezes batia a perna muito para cima, ou muito devagar ou s&#243; uma das pernas.</p><p>Quando ela pediu para fazer o nado peixinho sem o apoio de borracha, me senti o m&#225;ximo, at&#233; n&#227;o me sentir mais. Incr&#237;vel como a pressa &#233; inimiga da perfei&#231;&#227;o. Ningu&#233;m se torna especialista de um dia para a noite, nem um atleta completo com meia d&#250;zia de aulas. &#201; preciso tempo e conhecimento sobre o pr&#243;prio corpo.</p><p>Passei a aula toda me lembrando para ter paci&#234;ncia. Assim como nos dias seguintes em que voltei para a aula de nata&#231;&#227;o, me esforcei a ir devagar, me esforcei a respirar com calma, a n&#227;o desesperar, e n&#227;o bater com tanta for&#231;a o bra&#231;o e ser mais firme na perna. Ainda estou aprendendo a lidar com o meu pr&#243;prio corpo submerso na &#225;gua.</p><p>Tem dias que saio da &#225;gua orgulhosa de mim e de toda a minha evolu&#231;&#227;o, como quando fiz meu primeiro nado sem apoio, j&#225; batendo os dois bra&#231;os e as pernas e tentando respirar, j&#225; virando a cabe&#231;a para o lado de fora tal qual os atletas ol&#237;mpicos.</p><p>Mas tamb&#233;m sei quando n&#227;o fui muito bem, e muito por conta dessa minha ansiedade em ser boa logo e poder me jogar no mar Mediterr&#226;neo, onde a &#225;gua &#233; azulzinha e a temperatura &#233; perfeita.</p><p>Sinto falta dos mares que n&#227;o pude nadar por medo, mas fico feliz que em breve, n&#227;o t&#227;o em breve, mas em algum momento, irei conhecer novos mares e poder nadar neles como se at&#233; aquilo estivesse na palma da minha m&#227;o.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p><div><hr></div><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? 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O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p><div><hr></div><p>O Ano-Novo Chin&#234;s deste ano foi na segunda semana de fevereiro. As ruas de Shangai estavam lotadas por sua pr&#243;pria popula&#231;&#227;o, que viajava para as comemora&#231;&#245;es. Elas brilhavam com tantos pain&#233;is de LED, outdoors por toda parte. Eu caminhava em dire&#231;&#227;o ao rio como se aquela rua j&#225; me pertencesse, como se nenhum ch&#227;o fosse mais desconhecido. Andava como se fosse dona do mundo. Era como se j&#225; n&#227;o houvesse medo de nada: medo do desconhecido, medo das escolhas.</p><p>Eu tive medo quando precisei ir embora de Manaus. Eu tive medo quando resolvi ir embora de Porto Velho. Eu tive medo quando decidi ir embora de Florian&#243;polis.</p><p>Tive alguns momentos, enquanto viajava o mundo, em que n&#227;o sentia medo. </p><p>As pessoas me perguntam de onde vem tanta coragem. Minha fam&#237;lia j&#225; fez uma an&#225;lise da nossa &#225;rvore geneal&#243;gica para tentar entender de onde veio esse desapego. Essa vontade de ir embora. Ningu&#233;m entende. Nunca tivemos um caso desses antes na fam&#237;lia, ningu&#233;m nunca ousou deixar a terra para ganhar o oceano.</p><p>Eu li recentemente que: <em>&#8220;At&#233; uma vida livre d&#225; trabalho. Eu n&#227;o acordei de um dia para o outro me sentindo confiante e segura. Foi uma constru&#231;&#227;o.&#8221;</em></p><p>Na adolesc&#234;ncia, fui como muitos, na onda do que era bem visto, mais desejado e falado. N&#227;o tive uma personalidade pr&#243;pria.</p><p>Quando tomei a decis&#227;o de fazer transi&#231;&#227;o capilar em 2017, a minha vida tomou outro rumo. Foi quando eu fui me descobrindo e me inventando. O maior ato de amor que fiz por mim foi quando decidi que seria algo para mim e n&#227;o para os outros, e isso rompeu os muros invis&#237;veis que habitavam meu inconsciente, que me for&#231;avam a seguir padr&#245;es sociais de exist&#234;ncia. Fui entendendo de gente, de natureza, de deuses. Fui escolhendo o que me convinha e o que fazia meu cora&#231;&#227;o bater mais forte. Todos os dias eu repetia, como nos livros de autoajuda, que eu n&#227;o precisava provar nada a ningu&#233;m e que eu merecia pessoas que me amassem do jeito que eu era. </p><p>Todos os dias eu repetia. Foi assim que conquistei a minha autoestima. Que aprendi a amar meus cabelos cacheados. Foi assim que fui construindo o caminho que me levou ao mundo com apenas duas mochilas e um desejo ardente de ser livre.</p><p>Livre dentro do poss&#237;vel, sem amarras. Com muitas decep&#231;&#245;es, porque decepcionei pessoas. Frustrei expectativas alheias. Abri m&#227;o do conforto de um lar materno, de um espa&#231;o seguro, das amizades que constru&#237; ao longo de anos.</p><p>Abri m&#227;o do conforto para descobrir at&#233; onde eu conseguiria chegar sem ele.</p><p>E eu cheguei longe. Fui a Xangai.</p><p>Ent&#227;o, minha coragem n&#227;o foi algo herdado. Foi algo constru&#237;do, tijolo por tijolo.</p><p>Minha coragem veio da coragem das minhas amigas e dos meus amigos. Da minha m&#227;e, do meu pai, das minhas av&#243;s. Veio de gente que passou pela minha vida por apenas um instante. Minha coragem veio das m&#250;sicas, dos filmes e dos livros. Veio da vida paralela que criei na minha cabe&#231;a desde muito crian&#231;a. Das hist&#243;rias que eu inventava antes de dormir.</p><p>Minha coragem n&#227;o despertou de repente. Ela foi cultivada. Foi podada, cuidada e alimentada. Recebeu &#225;gua, um pouco de sol. Mudou de vaso para que as ra&#237;zes coubessem &#224; medida que cresciam, cada uma no seu tempo.</p><p>Ela foi gerada de um desejo genu&#237;no de existir. Porque quando percebi que a vida me era de direito, e n&#227;o tinha nada que me obrigasse a ser o que eu n&#227;o queria ser, eu fui embora.</p><p>Eu fui embora.</p><p>mas eu voltei.</p><p>Porque &#224;s vezes d&#225; saudade.</p><p>e porque eu amo minha m&#227;e.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#138 Eu não queria vir, depois eu não queria ir embora ]]></title><description><![CDATA[revisitando m&#233;morias]]></description><link>https://emanuellabarros.substack.com/p/138-eu-nao-queria-vir-depois-eu-nao</link><guid isPermaLink="false">https://emanuellabarros.substack.com/p/138-eu-nao-queria-vir-depois-eu-nao</guid><dc:creator><![CDATA[Emanuella Barros]]></dc:creator><pubDate>Thu, 02 Jul 2026 10:00:08 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f384cbea-c76c-4d1f-aeed-cb51e806f03b_736x1104.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><blockquote><p>A newsletter Caf&#233; sem A&#231;&#250;car &#233; um projeto autoral e independente, gratuito para todos e enviada em todas &#224;s quintas-feiras. O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><p></p><p>Sempre gostei de roxo e tinha um sonho de ter um quarto roxo. N&#227;o lembro bem quem comprou a tinta, mas lembro de ver meu tio pintar o quarto de branco e roxo para mim. Aquele foi o in&#237;cio de uma sequ&#234;ncia de sonhos realizados. Como quando tive meu primeiro quarto com porta s&#243; para mim. Ou quando tive uma mesa de estudos e uma cadeira pr&#243;pria para isso. Ou quando pude finalmente grudar um p&#244;ster na parede e ter um espelho. N&#243;s n&#227;o &#233;ramos pobres, nunca faltou nada, s&#243; n&#227;o t&#237;nhamos acesso a muitas coisas, e algumas n&#227;o eram prioridades financeiras, o que &#233; um pouco diferente.</p><p>Hoje o quarto &#233; todo branco. A cama ainda &#233; a mesma de dez anos atr&#225;s. Os len&#231;&#243;is s&#227;o os mesmos, com cheiro de mofo misturado com choro de adolescente e incertezas sobre a vida adulta.</p><p>Eu tinha 10 anos quando vim morar na terra onde nasci, e 18 anos quando fui embora para fazer faculdade.</p><p>Eu n&#227;o queria vir, depois eu n&#227;o queria ir embora.</p><p>Lembro do sof&#225; verde desconfort&#225;vel da sala de casa; da TV que foi uma das maiores conquistas da minha m&#227;e quando trabalhava no com&#233;rcio. Como tamb&#233;m lembro de todas &#224;s vezes em que a bicicleta dela era furtada. &#201;ramos s&#243; n&#243;s duas depois de um tempo. Um tanto infelizes, porque nenhuma sabia quem se era. Havia essa coisa de habitar um corpo desconhecido at&#233; para si mesmo, como tamb&#233;m havia esse desconhecimento sobre quem morava com voc&#234;. Eu n&#227;o sabia quem era aquela mulher que eu chamava de m&#227;e, e nem ela que me chamava de filha. Por um longo tempo, fomos desconhecidas.</p><p>Eu tive alguns romances na adolesc&#234;ncia que poderiam ter sido minha ru&#237;na. Tentei preservar meu corpo o m&#225;ximo que pude, mas a mente era a mais vulner&#225;vel. Jovem e sozinha em seus pr&#243;prios medos e inseguran&#231;as. Ningu&#233;m ouvia naquela &#233;poca, ningu&#233;m entendia o que era escutar. Sabia-se falar e fazer coisas que pareciam certas, at&#233; n&#227;o serem mais.</p><p>Ainda lembro da apar&#234;ncia que eu tinha quando usava aparelho na boca. Assim, lembro exatamente o momento em que decidi alisar meus cabelos, que eram na &#233;poca mais ondulados do que cacheados. Ainda lembro da solid&#227;o que eu sentia nos intervalos das aulas. Das partidas de futsal, e de quando eu era capit&#227; e agia como uma l&#237;der sem medo para poder encorajar minhas colegas.</p><p>A adolesc&#234;ncia &#233; um per&#237;odo muito dif&#237;cil, ainda mais quando se passa sozinha, em meio ao turbilh&#227;o de sentimentos, sensa&#231;&#245;es e horm&#244;nios.</p><p>&#192;s vezes ainda sou aquela garota, mas mais segura, mais consciente e menos solit&#225;ria. Sou o que eu queria ser. Eu nunca quis, n&#227;o com muito afinco, aos 30, ter uma casa, um marido e filhos. Eu, desde que conhe&#231;o gente, quis a independ&#234;ncia. Isso sempre foi a coisa mais preciosa e desejada de toda a minha exist&#234;ncia. Como se tudo o que me ocorresse me levasse ao mesmo desejo, o mesmo impulso de vida.</p><p>Eu vi o pre&#231;o de n&#227;o ter a independencia.</p><p>E hoje pago o pre&#231;o, muitas vezes alto demais, para ter a minha.</p><p>De volta &#224; casa, mas sem as paredes roxas, sinto que ter ido embora foi mais do que uma escolha, mas um destino imposs&#237;vel de n&#227;o acontecer. N&#227;o nasci para permanecer, e isso tamb&#233;m tem um pre&#231;o.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#137 Tenho medo de manifestar o amor romântico, e ele vir ]]></title><description><![CDATA[.]]></description><link>https://emanuellabarros.substack.com/p/137-tenho-medo-de-manifestar-o-amor</link><guid isPermaLink="false">https://emanuellabarros.substack.com/p/137-tenho-medo-de-manifestar-o-amor</guid><dc:creator><![CDATA[Emanuella Barros]]></dc:creator><pubDate>Thu, 25 Jun 2026 22:11:49 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/4b09fc30-6e7f-44aa-bec1-18718449bdae_1200x1600.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>A newsletter Caf&#233; sem A&#231;&#250;car &#233; um projeto autoral e independente, gratuito para todos e enviada em todas &#224;s quintas-feiras. O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><p>Tenho medo de manifestar voc&#234; e, em uma noite qualquer, entre bares e cantorias com as minhas amigas, voc&#234; aparecer e me fazer querer ficar para sempre, mesmo que eu deteste falar para sempre, porque ele n&#227;o existe. Mas se voc&#234; aparecer, vou querer ser o seu para sempre.</p><p>Tenho medo de descrever como eu gostaria que voc&#234; viesse at&#233; mim, e de repente voc&#234; ter os cabelos meio volumosos, a cor mesti&#231;a, a barba baixa e a bunda saliente, porque o universo sabe que eu gosto de homens com a bunda saliente.</p><p>Tenho medo de te encontrar e de repente n&#227;o viajar mais, porque estarei t&#227;o apaixonada que vou querer estagnar em ti. Vou querer ser clich&#234;, vou querer amar voc&#234;.</p><p>Quando penso em voc&#234;, tenho medo de que voc&#234; venha mesmo, e &#224;s vezes tenho medo de que voc&#234; nunca venha.</p><p>Sou rodeada de amor. Da cabe&#231;a aos p&#233;s. Mas sinto falta do sexo com amor. Do beijo de despedida com tom de saudade. Queria te dedicar algumas m&#250;sicas, escrever alguns textos.</p><p>N&#227;o suporto a ideia de me apaixonar e perder o controle de mim. Tenho medo de perder minha autonomia, de sentir o corpo arrepiar com a sua chegada, e de sentir saudades, coisa que n&#227;o sinto tanto.</p><p>Eu n&#227;o sei qual &#233; a hora certa para voc&#234; vir, e nem sei se quero que venha. Sinto essa coisa de te querer e de te repelir.</p><p>Tenho medo de manifestar o amor e de repente ele vir. </p><p></p><div><hr></div><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? 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Era um s&#225;bado, esperamos o &#250;ltimo turno acabar &#224;s 22 horas e fomos at&#233; West Hollywood, o bairro LGBTQI+ cool e famoso da Calif&#243;rnia.</p><p>Todas as baladas no bairro tinham um homem ou uma mulher dan&#231;ando semi nu. Corpos completamente esculturais e flex&#237;veis, fazendo malabarismos, poses tal qual os exerc&#237;cios de calistenia. Dei meu primeiro beijo naquele dia. Sua barba escura me chamou aten&#231;&#227;o, todavia, n&#227;o gosto muito de homens magricelos demais, e ele era; tenho uma tara por bundas formosas, coisa da qual ele era desprovido, mas fiquei com o rosto dele fixado. Mais tarde, por sorte, ele tamb&#233;m havia me fitado, e tentamos uma conversa frustrada em ingl&#234;s. Ele era iraniano, e seu ingl&#234;s era t&#227;o ruim quanto o meu. At&#233; mesmo falar &#8220;<em>kiss</em>&#8221; foi um parto para ele entender.</p><p>Um m&#234;s depois, foi a vez do metade americano e metade australiano.</p><p>Eu e meu amigo t&#237;nhamos atravessado San Francisco para conhecer o bar preferido dele, mas naquele dia fechou cedo por princ&#237;pio de inc&#234;ndio. Pegamos um carro de aplicativo sem motorista - foi uma experi&#234;ncia interessante. Paramos em um bar pr&#243;ximo ao hostel onde est&#225;vamos e o tal cara come&#231;ou a puxar assunto com o meu amigo. Por causa da minha surdez e falta de flu&#234;ncia, trocamos de lugar e eu fiquei no meio dos dois. Papo vai, papo vem, e come&#231;ou os flertes e sai com um date marcado.</p><p>Lembrei dos filmes americanos em que as pessoas se conhecem assim, se sentam no balc&#227;o de um bar e come&#231;am a falar com desconhecidos.</p><p>Depois disso, descobri um termo chamado &#8220;passaporte sexual&#8221;. O outro interc&#226;mbio &#233; bastante conhecido entre viajantes que querem n&#227;o s&#243; explorar novos pa&#237;ses e aprender mais sobre suas culturas e l&#237;nguas, mas que desejam experimentar outras pessoas.</p><p>N&#227;o sou f&#227; do uso da palavra &#8220;experimentar&#8221; no que diz respeito a outro ser humano, mas o outro sempre &#233; uma experi&#234;ncia &#224; parte, seja ela ruim ou boa.</p><p>Eu nunca esqueci do dia em que a Anita - sim, nossa cantora show das poderosas - disse que a melhor maneira de aprender novos idiomas era tendo dates com outras nacionalidades.</p><p>Fiquei curiosa para entender se o machismo era t&#227;o parecido com o do Brasil. Se os homens tamb&#233;m se preocupam mais com seu pr&#243;prio orgasmo do que com o da companheira. Se o ghosting, embora escrito em ingl&#234;s, &#233; igual para todos. Coisas bobas que voc&#234; fica pensando se s&#227;o pr&#243;prias do seu lugar ou do mundo todo. E, pasmem, &#233; universal.</p><p>Levei um ghosting de um portugu&#234;s, ap&#243;s enrolar para sair com ele por dias - estava muito cansada. O sexo foi bom, mas at&#233; hoje n&#227;o entendi qual a dificuldade de dizer um at&#233; logo, sem tratar a pessoa como se nunca tivesse existido. Eu ia embora de qualquer jeito.</p><p>Depois tive experi&#234;ncia com outro portugu&#234;s que me surpreendeu dizendo que n&#227;o fazia sexo casual, porque n&#227;o consegue. Ele se sente acuado porque espera-se dele performance, e ele nem tinha conseguido criar conex&#227;o com a pessoa o suficiente para se sentir &#224; vontade no sexo. No primeiro momento, pensei que era uma lorota das boas, homens adoram criar historinhas que causem como&#231;&#227;o nas mulheres, mas depois eu vi que era bem verdade. N&#227;o era &#224; toa que vivia namorando. Descobri uma esp&#233;cie nova de homem. E sim, europeus - claro, dependendo do local exato - gostam de compromisso.</p><p>Existe uma selvageria no sexo que poucos admitem, porque ela nos lembra que somos animais de fato. E, para uma pessoa desprovida de neur&#244;nios, a ideia de se enxergar como animal parece algo grotesco, quando na verdade &#233; apenas natural.</p><p>A mistura entre desejo e devo&#231;&#227;o pelo corpo alheio torna tudo mais primitivo. Talvez tenha sido por isso que comecei a olhar para o sexo com outros olhos. Passei a enxergar a naturalidade do ato com mais respeito e admira&#231;&#227;o.</p><p>H&#225; algo bonito em duas pessoas que se desejam. Mesmo quando n&#227;o existe amor rom&#226;ntico, ainda h&#225; uma entrega, uma troca, um encontro entre corpos e vontades. &#201; um fen&#244;meno humano simples e, justamente por isso, digno de ser observado, estudado e celebrado.</p><p>Ent&#227;o, quando corpos estrangeiros se entrela&#231;am e a &#250;nica l&#237;ngua em comum &#233; o movimento, tornamo-nos iguais.</p><p>Claro que faz falta n&#227;o saber dizer palavras b&#225;sicas &#8212; camisinha, vai devagar, mais r&#225;pido, assim est&#225; bom. Mas o ser humano sempre encontra um jeito de se entender. Gosto de conversar com outras viajantes sobre suas experi&#234;ncias sexuais. De repente, da conversa nasce uma lista de pa&#237;ses visitados. Cada nacionalidade ganha uma caracter&#237;stica, uma fama, uma nota de rodap&#233;.</p><p>Catalogamos uns aos outros o tempo inteiro. N&#227;o como pe&#231;as de carne num a&#231;ougue, mas como aqueles livros ilustrados sobre animais da inf&#226;ncia: nome, habitat, h&#225;bitos, comportamentos distintivos.</p><p>Talvez seja uma tentativa de organizar o desconhecido. Ou apenas a nossa velha mania de transformar encontros em hist&#243;rias. Eu tenho boas hist&#243;rias de encontros romanticos e sexuais pelo mundo, o que me deixou mais curiosa sobre o ser humano. E curiosa em rela&#231;&#227;o a mim, sobre meus gostos, meus prazeres. </p><p>Cada nacionalidade ganha uma caracter&#237;stica, uma fama, uma reputa&#231;&#227;o. Sei que isso se aproxima dos estere&#243;tipos, mas li recentemente da Chimamanda que os esteri&#243;tipos n&#227;o s&#227;o falsos, e sim incompletos.</p><p>Talvez por isso eles sobrevivam.</p><p>N&#227;o dizem tudo, mas dizem alguma coisa. N&#227;o contam a hist&#243;ria inteira, apenas um recorte dela. E n&#243;s, viajantes, colecionamos esses recortes.</p><p></p><div><hr></div><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? Ent&#227;o salva essa lista cheia de vantagens:</p><p>&#10024; <strong>Chip de internet E-sim: </strong>Viaje conectado em qualquer lugar do mundo com desconto usando meu c&#243;digo: <strong>EMANU20087</strong></p><p>&#128184; <strong>Wise: </strong>Abra sua conta e ganhe a <strong>primeira transfer&#234;ncia sem taxas</strong> clicando neste <strong>[<a href="https://wise.com/invite/irhc/emanuellab13">link promocional]</a>.</strong></p><p>&#127757; <strong>Nomad: </strong>Conta internacional com at&#233; <strong>US$ 20 de cashback</strong>. Use o c&#243;digo: <strong>120AEE3643</strong>.</p><p>&#129309; <strong>Worldpackers</strong><br><br>Quer viver experi&#234;ncias de voluntariado ao redor do mundo? 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O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p><div><hr></div><p>Algumas pessoas da minha fam&#237;lia n&#227;o entendem por que preferi trabalhar com algo dif&#237;cil de explicar, que n&#227;o d&#225; nem para se gabar, do que me dedicar &#224; carreira de concurso p&#250;blico, que &#233; o que todo mundo que quer futuro na vida faz. Por que n&#227;o buscar dinheiro, seguran&#231;a e aposentadoria? N&#227;o faz sentido largar esse desejo, mas eis a quest&#227;o: em que momento isso tudo foi um desejo genu&#237;no de mim mesma? At&#233; que ponto era algo que eu havia escolhido para mim e depois resolvi largar/desistir?</p><p>&#201; verdade que hoje trabalho muito. O mundo corporativo tritura seus sonhos mais mesquinhos. A batalha dos egos, os pedidos de aumento, as comunica&#231;&#245;es deturpadas, os projetos paralelos... e, pior, tudo isso na &#225;rea do marketing, redes sociais e afins.</p><p>Mas, em que pese todo o corporativismo, eu ainda amo estar fazendo o que fa&#231;o. N&#227;o vou mudar a vida de ningu&#233;m, mas a sensa&#231;&#227;o de estar fazendo aquilo que escolhi fazer n&#227;o tem pre&#231;o. Eu me pus neste lugar. Ningu&#233;m me aconselhou a fazer ou n&#227;o isso. Ningu&#233;m indicou essa profiss&#227;o. Eu apenas decidi que faria isso e ponto. Acho que o cansa&#231;o daquilo que escolhemos &#233; mais recompensador do que o cansa&#231;o daquilo que nos foi imposto ser e fazer.</p><p>Agora, como n&#244;made digital, estou vivenciando um dilema dif&#237;cil e comum a n&#243;s, meros mortais mochileiros, que consiste em seguir explorando cada peda&#231;o do mundo da maneira que d&#225; vontade, vivendo o espont&#226;neo, ou uma pausa, ou menor, desacelera&#231;&#227;o da vida de pinga pinga para se dedicar a uma carreira.</p><p>Estou em um momento da minha profiss&#227;o que preciso me dedicar mais, estudar mais, criar um nome, um pequeno legado que fa&#231;a com que saibam quem eu sou e, se eu precisar um dia de um novo emprego, n&#227;o seja t&#227;o dif&#237;cil conseguir, ainda mais em tempos de IA. Assim como quero finalizar meu livro, estudar mais literatura, escrever mais, testar coisas, mas tudo isso requer tempo e descanso. Coisa que n&#227;o tenho feito muito.</p><p>Pela primeira vez na vida, pedi que uma mulher lesse cartas para mim. Falei que poderia ser o tema geral, qualquer coisa. Embaralhei, cortei, escolhi as cartas. Ela foi virando uma por uma, come&#231;ou a falar e de repente percebi que tudo que ela dizia era s&#243; sobre trabalho. Interrompi, perguntei por que, mesmo tendo dito que queria um tema geral, ela s&#243; falava de trabalho. Ela explicou as cartas viradas, as espadas e os ouros, n&#227;o tinha outra maneira sen&#227;o falar disso.</p><p>Eu tinha que tomar uma decis&#227;o nos pr&#243;ximos meses sobre onde eu queria estar e como estar. Dizem que essa coisa de cartas cabe a n&#243;s a interpreta&#231;&#227;o, o que me parece que perde um pouco a magia. Talvez devesse ter buscado uma vidente, sei l&#225;. Mas casei os assuntos, e fiz como mais um sinal daquilo que eu deveria prestar ten&#231;&#227;o.</p><p>Uma amiga veio perguntar como estava sendo esse retorno ao Brasil, toda a minha adapta&#231;&#227;o, mas senti-me instigada a falar mais do meu trabalho, meus desafios e d&#250;vidas do que qualquer outra &#225;rea da minha vida. Estou em um momento em que preciso decidir onde deposito minha energia, porque n&#227;o consigo dar conta de tudo, j&#225; que preciso priorizar certas coisas.</p><p>Deveria eu me permitir continuar o trajeto, vivendo cada dia, sentindo tudo intensamente, conhecendo pessoas infinitas todos os dias, ou me fechar um pouco, descansar o corpo, sentar a bunda para estudar, para escrever, socializar em eventos corporativos, ser uma adulta profissional de fato?</p><p>Talvez eu ainda tenha dificuldade em me ver como sendo essa adulta que paga as pr&#243;prias contas, e precisa investir, guardar dinheiro, fazer aposentadoria. Ou melhor, fazer escolhas onde as consequ&#234;ncias s&#243; caem sobre quem decide. Eu sou o que escolho, mas tamb&#233;m sou o que n&#227;o sei escolher. Sou a brecha, o caminho, a rua sem sa&#237;da. Sou minha imagina&#231;&#227;o e minha realidade.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p><div><hr></div><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? Ent&#227;o salva essa lista cheia de vantagens:</p><p>&#10024; <strong>Chip de internet E-sim: </strong>Viaje conectado em qualquer lugar do mundo com desconto usando meu c&#243;digo: <strong>EMANU20087</strong></p><p>&#128184; <strong>Wise: </strong>Abra sua conta e ganhe a <strong>primeira transfer&#234;ncia sem taxas</strong> clicando neste <strong>[<a href="https://wise.com/invite/irhc/emanuellab13">link promocional]</a>.</strong></p><p>&#127757; <strong>Nomad: </strong>Conta internacional com at&#233; <strong>US$ 20 de cashback</strong>. Use o c&#243;digo: <strong>120AEE3643</strong>.</p><p>&#129309; <strong>Worldpackers</strong><br><br>Quer viver experi&#234;ncias de voluntariado ao redor do mundo? 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O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p><div><hr></div><p>Nos anos 2000, havia uma mulher que s&#243; aparecia em &#233;poca de carnaval. Ela dan&#231;ava como se fosse imortal. Seu corpo era coberto por desenhos coloridos e brilhantes que, por alguns segundos, faziam esquecer que aquele corpo na verdade estava completamente nu. Eu era apenas uma crian&#231;a e tudo o que eu conseguia pensar era como dan&#231;ar igual a ela. Os bra&#231;os se moviam como se estivessem dando bra&#231;adas no mar. As pernas pareciam carregar a for&#231;a e a leveza de quem flutuava, ainda que com os p&#233;s no ch&#227;o.</p><p>O corpo se movia como se estivesse contra a gravidade. Eu queria ser ela. Eu queria dan&#231;ar tanto quanto aquela mulher. Queria que meus p&#233;s flutuassem e meus bra&#231;os abra&#231;assem o mundo.</p><p>Passei um longo per&#237;odo frustrada por n&#227;o saber sambar. V&#225;rias pessoas tentaram me ensinar, talvez o m&#233;todo que tenha ficado mais na minha cabe&#231;a tenha sido o &#8220;mata barata&#8221;. Diziam que sambar era como pisar em uma barata e empurrar para tr&#225;s. Nunca fez sentido, e n&#227;o aprendi nada com isso.</p><p>N&#227;o existe um marco exato em que eu tenha aprendido de fato a sambar, mas passei a ficar mais consciente desse movimento durante meu mochil&#227;o. Eu estava em uma cidade pequena no sul da It&#225;lia com dois italianos id&#234;nticos conversando sobre m&#250;sica, capoeira e samba. Parados em uma escadaria, cada um tirou os chinelos e come&#231;amos a sambar. Tentei ensinar cada movimento, mas no come&#231;o &#233; sempre muito dif&#237;cil. Imagina que um dia voc&#234; sonhou com o momento em que conseguiria, e no outro voc&#234; est&#225; tentando ajudar outras pessoas a conseguirem tamb&#233;m.</p><p>Vivi em Itacar&#233; por um m&#234;s e nunca ouvi e dancei tanto samba em toda minha exist&#234;ncia humana. De repente, estava oferecendo aulas para meus amigos e amigas novas gringas. Minha amiga e vizinha espanhola me chama de professora, e comigo ela conseguiu evoluir um tantinho a mais. Hoje me sinto empoderada e brasileira ao me perceber sambando, como se eu tivesse o dom de existir.</p><p>&#192;s vezes penso que o samba nasceu do mesmo lugar de onde nascem as esperan&#231;as mais teimosas. Porque &#233; dif&#237;cil imaginar outra forma de explicar como um povo atravessa tanta viol&#234;ncia e ainda consegue criar beleza. A hist&#243;ria do samba &#233; isso, um encontro entre mem&#243;ria e resist&#234;ncia. O samba foi trazido pelos povos africanos, quando escravizados no in&#237;cio da hist&#243;ria do Brasil. Eles trouxeram os ritmos, dan&#231;as e batuques.</p><p>Se pararmos para pensar e estudar os g&#234;neros musicais mais influentes do mundo, todos t&#234;m origem negra, ou foram profundamente moldados por tradi&#231;&#245;es africanas: samba, ax&#233;, blues, jazz, soul, rock, hip hop&#8230; confesso que s&#243; foi poss&#237;vel entender isso a partir de adapta&#231;&#245;es cinematogr&#225;ficas de grandes cantores mundiais, que beberam da &#225;gua preta para se fazer artistas.</p><p>Um dia me disseram que o samba fazia muita refer&#234;ncia ao Candombl&#233; e a Umbanda, o que me interessou mais ainda, levando em considera&#231;&#227;o que muitos intolerantes religiosos ouvem essas m&#250;sicas sem se darem conta de suas origens e simbologias.</p><p>Me interessei muito pelo samba por estar vivendo no ber&#231;o, na Bahia. Pelos corpos em movimento, pelo olhar de quem vem de fora e ouve algo t&#227;o diferente e, mesmo sem entender, dan&#231;a como se tivesse acabado de ser libertado.</p><p>Acho que o samba tem um pouco disso, liberta&#231;&#227;o.</p><p>Um corpo que se move de um lado para o outro. Um p&#233; que rabisca o ch&#227;o, diz mais sobre liberdade do que o avi&#227;o.</p><p>Esses dias brinquei que estava vivendo de repelente e samba, o que n&#227;o &#233; mentira. Tenho pensado muito nesse g&#234;nero musical que faz soar, sorrir e chorar. </p><p>Espero que n&#227;o deixem o samba morrer.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p><div><hr></div><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? 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O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><p></p><p>Bell Hooks fala da comunidade como uma comunh&#227;o amorosa. Ela acredita que o amor &#233; alimentado pela comunidade. N&#227;o apenas pelo n&#250;cleo de &#8216;pai, m&#227;e e filhos&#8217;, tampouco por casais. Ela chama isso de fam&#237;lia estendida. Crescemos como se o &#250;nico amor verdadeiro fosse o da fam&#237;lia de sangue, mas algumas pessoas sabem que, &#224;s vezes, nem mesmo aqueles que nos carregaram no ventre souberam amar. Muitos vieram de fam&#237;lias disfuncionais e se tornaram sobreviventes gra&#231;as &#224;s fam&#237;lias estendidas.</p><p>Eu frequentei a igreja por alguns anos durante a adolesc&#234;ncia. Fiz a catequese, segui conforme o manual: eucaristia, crisma, at&#233; mesmo experimentei ser professora na catequese para os rec&#233;m-chegados. N&#227;o tive muito &#234;xito, j&#225; que minha f&#233; em deus n&#227;o parecia muito forte.</p><p>Frequentei a Batista, fui a cultos, c&#233;lulas, e fiquei por um longo per&#237;odo na Assembleia de Deus por causa do meu ex-namorado do ensino m&#233;dio. Houve um momento, durante minhas experimenta&#231;&#245;es em igrejas, cercada de jovens adoradores e tementes a deus, em que senti algo florescer em mim. Eu senti amor, e senti que era capaz de amar tudo e todos. Eu me sentia transbordando. Mas n&#227;o tinha a ver com o deus do imposs&#237;vel. O onisciente e onipresente. </p><p>O tempo passou. Tive minhas decep&#231;&#245;es amorosas, problemas com os meus pais, parei de frequentar a igreja, mas nunca desisti desse amor que transborda. Depois, tive um dos maiores prazeres da minha vida: ler Tudo Sobre o Amor, de Bell Hooks. Mais tarde, mudei de carreira para me dedicar a me tornar escritora. E, de novo, senti esse chamado de amar tudo e todas as coisas. Eu tinha essa necessidade, e ela n&#227;o dizia respeito somente ao amor rom&#226;ntico.</p><p>Estive em alguns pa&#237;ses e fui apresentada a diferentes culturas, l&#237;nguas e comidas. Quanto mais eu conhecia as pessoas, mais eu me interessava por elas. Sou bastante observadora. Adoro olhar para algu&#233;m e ir descobrindo seus trejeitos. Era uma maneira de me conectar ao desconhecido, ao que eu n&#227;o era e talvez nunca seja. Somos muitos e tantos.</p><p>Houve momentos, durante minha viagem pelo mundo, em que senti o amor transbordar. E foi t&#227;o bom, t&#227;o quentinho e aconchegante. Como na It&#225;lia, na China, em Portugal.</p><p>Aqui em Itacar&#233;, onde me encontro agora, o amor me atravessou em forma de vizinhos. Tem sido uma del&#237;cia morar em uma esp&#233;cie de condom&#237;nio com v&#225;rias mini casinhas uma ao lado da outra, cercadas de verde, perto do mar e de um sil&#234;ncio relaxante. Em uma das casas moram dois rapazes do Rio Grande do Sul, viajantes assim como eu, trabalhando remotamente e conhecendo diferentes lugares.</p><p>Semanas atr&#225;s, havia um casal de idosos encantadores. Ambos aposentados, cada um com filhos de outros relacionamentos. Viajam sempre pelo Brasil de carro e batem ponto em Itacar&#233;.</p><p>Eles passavam o dia inteiro se chamando de amor. Era &#8220;amor&#8221; pra c&#225;, &#8220;amor&#8221; pra l&#225;. Se cuidavam o tempo inteiro, conversavam por horas, bebiam suas cervejas, fumavam seus cigarrinhos e faziam amizade com todos que apareciam. Eram bons de papo e bons de comida.</p><p>Passei horas conversando com dona Rita, que tinha uma hist&#243;ria forte, marcada por aus&#234;ncias e viol&#234;ncia, mas tamb&#233;m por uma for&#231;a e um desejo de liderar a pr&#243;pria vida que eram incr&#237;veis. Seu marido fez um almo&#231;o e convidou a mim e aos vizinhos. A comida era caseira: a costela derretia, a mandioca estava no ponto, o feij&#227;o era do meu favorito, preto, e o arroz soltinho. Tinha gosto de aconchego. Tinha gosto de casa.</p><p>Em seguida, chegou a fam&#237;lia da Val, a mulher que trabalha no nosso condom&#237;nio, e com ela vinham v&#225;rias vers&#245;es da pr&#243;pria Val: sua m&#227;e, av&#243; e irm&#227;. Junto tamb&#233;m vieram os filhos e netos. Era uma fam&#237;lia t&#227;o am&#225;vel, t&#227;o acolhedora, t&#227;o emp&#225;tica. Conversamos por um bom tempo, at&#233; que todos foram para a praia.</p><p>Embora Ana Suy diga - e eu concorde - que a gente ama sozinho, por ser o amor uma experi&#234;ncia individual, interna, que n&#227;o depende de correspond&#234;ncia, a cura &#233; coletiva, como fala Bell Hooks. &#201; muito pouco prov&#225;vel se curar em isolamento. E talvez voc&#234; me diga que &#233; poss&#237;vel, porque conseguiu, mas, se for analisar cada pormenor, sempre houve algu&#233;m: uma voz, uma m&#250;sica, um v&#237;deo, uma conversa, amigos, terapeuta. Porque, no fim: <em>&#8220;A cura &#233; um ato de comunh&#227;o.&#8221;</em></p><p>Eu n&#227;o me considero a pessoa mais aberta do mundo no que diz respeito aos meus sentimentos. Acho mais f&#225;cil escrever sobre o que sinto do que falar em voz alta para quem me conhece. A vulnerabilidade, embora muito bonita em certos aspectos, tamb&#233;m me assusta.</p><p>Mas todas as vezes em que me fiz vulner&#225;vel e busquei pessoas para verem e ouvirem sobre a minha vulnerabilidade, me senti aliviada. Aliviada por n&#227;o precisar segurar um turbilh&#227;o de coisas at&#233; que elas se tornassem um fardo. E quanto mais coletivo, mais pertencentes e leves nos sentimos. Porque compartilhar &#233; isso: cada um ajuda a carregar um pesinho, e assim ningu&#233;m sofre sozinho demais.</p><p>Tenho gostado muito de amar devagarinho, observando o que gira em torno de um mundo que n&#227;o &#233; o meu. A amizade &#233; um dos amores mais puros que j&#225; conheci, assim como levo muito a s&#233;rio as ora&#231;&#245;es da minha m&#227;e e as milhares de camisetas que ela compra para mim. S&#227;o a maneira dela me amar.</p><p>Uma amiga nova me disse que aquarianos geralmente pensam no amor como uma revolu&#231;&#227;o. N&#227;o tem um dia sequer em que eu n&#227;o pense nisso.</p><div><hr></div><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? Ent&#227;o salva essa lista cheia de vantagens:</p><p>&#10024; <strong>Chip de internet E-sim: </strong>Viaje conectado em qualquer lugar do mundo com desconto usando meu c&#243;digo: <strong>EMANU20087</strong></p><p>&#128184; <strong>Wise: </strong>Abra sua conta e ganhe a <strong>primeira transfer&#234;ncia sem taxas</strong> clicando neste <strong>[<a href="https://wise.com/invite/irhc/emanuellab13">link promocional]</a>.</strong></p><p>&#127757; <strong>Nomad: </strong>Conta internacional com at&#233; <strong>US$ 20 de cashback</strong>. Use o c&#243;digo: <strong>120AEE3643</strong>.</p><p>&#129309; <strong>Worldpackers</strong><br><br>Quer viver experi&#234;ncias de voluntariado ao redor do mundo? 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O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><p>Era uma manh&#227; quente de um outono que n&#227;o existe. Na Bahia, assim como em todo o Nordeste, a chuva e o sol brigavam, como quem quer marcar territ&#243;rio. Passei meu caf&#233; sem a&#231;&#250;car e levei-o &#224; mesa com mais dois cadernos que carrego na mochila h&#225; um ano. Um deles era para ser um di&#225;rio, mas fiz uso dele poucas vezes. Talvez neste ano eu finalmente fa&#231;a jus ao objetivo que atribu&#237; a ele. J&#225; o outro caderno era o caderninho de capa mole preta que eu n&#227;o abria h&#225; uns bons meses.</p><p>Passaram-se alguns meses: Ano Novo, Paris, Amsterd&#227;, Tail&#226;ndia, China, cervejas, vinhos, homens, amigas e amigos novos, m&#250;sicas, livros, demandas do trabalho, filmes, fotos, v&#237;deos, desde que vi o rapaz do caderninho e me despedi na esperan&#231;a de n&#227;o v&#234;-lo mais. Por ora.</p><p>Dizem que o tempo cura, embora tenha levado tempo demais para algo t&#227;o curto e passageiro passar. Voltei para o meu livro, voltei para a Gabriela. Uma hist&#243;ria que nasceu desse encontro, desse caderno, dessa paix&#227;o que se espalhou que nem fogo em mato seco.</p><p>Bell Hooks disse em seu livro que o amor &#233;<strong> &#8220;a vontade de se empenhar ao m&#225;ximo para promover o pr&#243;prio crescimento espiritual e o do outro&#8221;.</strong></p><p>&#201; normal ouvirmos e, at&#233; mesmo, acredito que j&#225; tenhamos dito em voz alta que o amor n&#227;o deve obrigar ningu&#233;m a mudar para agradar, embora concorde em parte, mas hoje acredito muito mais no amor que promove a mudan&#231;a do que em uma aceita&#231;&#227;o cega. Acredito no desejo genu&#237;no de querer mudar para se tornar melhor para si e para outrem. Seja ele o amor rom&#226;ntico, seja ele o amor de amizade, o amor-pr&#243;prio ou o amor de familia.</p><p>Digo tudo isso porque eu mudei desde o dia em que pisei em Lisboa e me apaixonei por um brasileiro no exterior. Mudei porque ele me inspirou a mudar. Ele me ajudou a olhar o melhor de mim.</p><p>Estou reescrevendo alguns trechos do livro e adicionando novos e n&#227;o paro de pensar nesse amor que me permitiu tomar as decis&#245;es das quais colho as consequ&#234;ncias agora. Assim como n&#227;o paro de pensar no processo doloroso e extraordin&#225;rio que foi e est&#225; sendo construir esse livro. Fabiane, autora de &#8220;Como se fosse um monstro&#8221; e do novo &#8220;A linguagem dos desastres&#8221;, sempre me dizia para ter paci&#234;ncia. Para qu&#234; escrever um livro r&#225;pido se eu ainda estou aprendendo a escrever literatura? Se eu ainda estou abrindo meu horizonte para entender que o c&#233;u n&#227;o era apenas azul e o sol n&#227;o estava apenas brilhando, mas que era como um desenho feito por uma m&#227;o de crian&#231;a insistindo no azul-beb&#234; e num sol pela metade, escapando pela borda da folha.</p><p>Ou ainda: Fazia cena para chover, e de repente vinha um sol que parecia trazer um santo. </p><p>Tenho lido &#8220;Cartaz Para um Velho Poeta&#8221;, e tem sido muito bom para adquirir mais encorajamento no processo.</p><blockquote><p><em>&#8220;Ser artista significa: n&#227;o calcular nem contar; amadurecer como a &#225;rvore que n&#227;o apressa suas seivas e tranquilamente permanece de p&#233; nas tempestades da primavera, sem o medo de que depois n&#227;o venha o ver&#227;o. Ele vir&#225;. Mas ele apenas chegar&#225; at&#233; os que t&#234;m paci&#234;ncia, que ali est&#227;o como se a eternidade estivesse diante deles, t&#227;o despreocupadamente silenciosa e ampla. Aprendo isso diariamente, aprendo sob dores, &#224;s qua&#237;s sou grato: paci&#234;ncia &#233; tudo!&#8221;</em></p></blockquote><p>Outro dia assisti ao discurso do Bong Joon-ho, quando ganhou o Oscar de Melhor Diretor pelo filme Parasita, e ele citou Martin Scorsese: <em>&#8220;Quanto mais pessoal, mais criativo.&#8221;</em></p><p>Claro que isso n&#227;o significa que todo mundo precisa escrever uma autofic&#231;&#227;o. N&#227;o importa o que a gente escreva, seja a hist&#243;ria de um assassino em s&#233;rie, um romance com um feliz para sempre, uma menina que cometeu um aborto, ou um rapaz que viu o mundo acabar e s&#243; ele resistir, sempre tem algo nosso infiltrado nas entranhas do texto. Claro que um livro &#233; diferente de um roteiro ou dire&#231;&#227;o de um filme. A gente sempre deixa um rastro; &#224;s vezes parece pele de cobra ou como um inseto que perde suas asas ap&#243;s a revoada.</p><p>Escrever &#233; tamb&#233;m sobre se desfazer.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p><div><hr></div><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? 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Tentei reclinar o acento para dormir melhor, mas a mulher sentada atr&#225;s reclamou no mesmo instante, n&#227;o me restou nada se n&#227;o dormir meio ca&#237;da para o lado com o tapa-olho.</p><p>Tenho medo de dormir em &#244;nibus e avi&#227;o porque tenho a estranha mania de fazer barulhos esquizofr&#234;nicos, &#224;s vezes s&#227;o gemidos que v&#227;o aumentando o volume com o tempo. Como se alguma coisa em mim insistisse em existir, mesmo quando eu tento descansar. J&#225; acordei com a sensa&#231;&#227;o de ter miado tamb&#233;m, nunca saberei se foi um sonho ou realidade. Tamb&#233;m durmo com a boca aberta em lugares p&#250;blicos. A qualquer momento, posso virar meme na internet.</p><p>Coloquei o filme A Empregada para assistir e pulei quase vinte minutos de cenas de sexo. Iniciei outros tr&#234;s filmes, desde Vingadores at&#233; Zootopia. Estava sem &#226;nimo para encarar duas horas de filme. Abri m&#227;o de uma das minhas refei&#231;&#245;es porque estava estufada de tanto macarr&#227;o e bolinho de arroz que comi na sala vip de Xangai. Tamb&#233;m guardava na bolsa alguns pacotes de amendoim.</p><p>Eu n&#227;o sentia nada a respeito da volta ao Brasil. Nadinha, nenhuma ansiedade ou medo, tampouco alegria. Era apenas mais um voo, mais um fuso.</p><p>Em Madri, tudo foi muito r&#225;pido, deu tempo de ir na Primark - a loja de departamento estilo Renner e C&amp;A dos gringos - e voltar para o aeroporto para mais dez horas de voo.</p><p>Pousar em S&#227;o Paulo causou um certo formigamento. Era como se meu ouvido tivesse colapsado e agora voltasse ao normal. Antes, eu estava cercada por vozes que n&#227;o entendia. E, de repente, eu entendia tudo. Cada palavra, cada conversa atravessando o espa&#231;o e chegando at&#233; mim sem esfor&#231;o. Mas aos poucos fui sentindo fadiga, porque entender tamb&#233;m exigia energia. As vozes foram se acumulando, uma sobre a outra, at&#233; virar um ru&#237;do cont&#237;nuo.</p><p>Tive problemas no aeroporto e perdi o voo para Florian&#243;polis. Fiquei uma hora esperando sentada no ch&#227;o, ouvindo todo o tipo de reclama&#231;&#227;o poss&#237;vel dos outros passageiros infelizes. Fui dormir em um hotel pago pela companhia a&#233;rea.</p><p>Na manh&#227; seguinte, ap&#243;s o estresse da fila cheia de brasileiros chegando atrasados e reclamando do check-in finalizado, e de pagar 64 reais em um caf&#233; e pote de p&#227;o de queijo, estava finalmente indo para casa. Para mim, &#233; esquisito chamar Florian&#243;polis de casa. Lembrei de quando tinha 17 anos, tinha terminado o ensino m&#233;dio e fui visitar minha m&#227;e em Florian&#243;polis. Estava sentada em um quiosque na beira-mar norte quando cheguei &#224; conclus&#227;o de que aquele lugar nunca se tornaria meu lar.</p><p>Eu s&#243; n&#227;o esperava um plot twist seis meses depois, eu voltando para Florian&#243;polis com uma bolsa 100% de estudos para cursar direito. Os dois primeiros anos foram os piores, e pensei v&#225;rias vezes em voltar para Porto Velho, mas resisti gra&#231;as &#224; contamina&#231;&#227;o de livros e v&#237;deos de autoajuda que eu consumia na &#233;poca. Desistir n&#227;o era uma op&#231;&#227;o, n&#227;o ainda. Eu precisava ter certeza. Claro que a terapia que fiz por seis anos foi extremamente &#250;til na &#233;poca para sobreviver naquela cidade.</p><p>Houve momentos muito bons, claro, principalmente quando eu j&#225; sa&#237;a para festas e pagava as coisas com o sal&#225;rio do meu est&#225;gio. Fiz boas amizades e tive experi&#234;ncias que jamais teria se tivesse ficado em Porto Velho.</p><p>Quando finalmente pousamos, senti todo o meu corpo vibrar de amor e tristeza. Fui tomada por uma ansiedade que fez meu cora&#231;&#227;o beirar a boca. Respirei fundo e contei os minutos para ver minha m&#227;e. Que diferente de quando eu fui embora, n&#227;o chorou, mas eu chorei.</p><p>Meu quarto n&#227;o parecia mais meu quarto. Minha cama n&#227;o parecia mais minha. Tampouco meu banheiro.</p><p>A sensa&#231;&#227;o que tive era de que nunca tinha sa&#237;do dali. Perguntei a mim mesma, teria eu rodado por um ano 14 pa&#237;ses mesmo? Como parece que nunca pisei fora do Brasil?</p><p>Dizem que &#233; porque tudo ao nosso redor n&#227;o muda, mas n&#243;s, sim, mudamos muito.</p><p>Perguntei aos meus amigos sobre a vida e at&#233; as novidades pareciam as mesmas.</p><p>Um m&#234;s de ang&#250;stia, estresse, muito trabalho. A &#250;ltima vez que tinha me sentido desnorteada havia sido em 2023, depois que voltei de Portugal e prestes a iniciar a transi&#231;&#227;o de carreira. Parecia que eu n&#227;o tinha mais prop&#243;sito de vida e isso ativou um alerta em mim, estaria eu em depress&#227;o? Ou apenas em um momento melancolico?</p><p>Sa&#237; de Florian&#243;polis aliviada e culpada.</p><p>Culpada porque parecia que eu odiava aquele lugar que mudou a minha vida. Culpada porque era onde minha m&#227;e, que tanto me ama e me cuida, mora, onde meu padrasto vive, onde tenho &#243;timas amigas.</p><p>Aliviada porque eu j&#225; n&#227;o suporto viver naquela cidade que neguei desde o primeiro dia que pisei. Tem coisas que n&#227;o s&#227;o para ser, embora pare&#231;am aparentemente boas para n&#243;s.</p><p>Em contrapartida, assim que pisei em Itacar&#233;, minha dor de cabe&#231;a sumiu. Passei a acordar &#224;s seis da manh&#227; com disposi&#231;&#227;o. N&#227;o me sentia mais cansada ou angustiada. Parecia que meu prop&#243;sito de vida havia sido renovado.</p><p>Era Bahia que me faltava.</p><p></p><div><hr></div><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? Ent&#227;o salva essa lista cheia de vantagens:</p><p>&#10024; <strong>Chip de internet E-sim:</strong><br><br>Viaje conectado em qualquer lugar do mundo com desconto usando meu c&#243;digo: <strong>EMANU20087</strong></p><p>&#128184; <strong>Wise:</strong><br><br>Abra sua conta e ganhe a <strong>primeira transfer&#234;ncia sem taxas</strong> clicando neste <strong>[<a href="https://wise.com/invite/irhc/emanuellab13">link promocional]</a>.</strong></p><p>&#127757; <strong>Nomad</strong><br><br>Conta internacional com at&#233; <strong>US$ 20 de cashback</strong>. Use o c&#243;digo: <strong>120AEE3643</strong>.</p><p>&#129309; <strong>Worldpackers</strong><br><br>Quer viver experi&#234;ncias de voluntariado ao redor do mundo? 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Por algum tempo, pareceu que t&#237;nhamos encontrado uma pessoa normal, mas, na verdade, acabamos descobrindo que estamos com uma aberra&#231;&#227;o (ou pior). Come&#231;amos ent&#227;o a procurar alternativas. Tudo que conseguimos ver, com precis&#227;o man&#237;aca, s&#227;o falhas do parceiro. N&#227;o &#233; que necessariamente estejamos errados a respeito delas, mas estamos completamente enganados ao imaginar que elas n&#227;o s&#227;o universais.&#8221; </em></p><p><em>Livro: Calma / The School of life / tradu&#231;&#227;o Beatriz Medina</em></p></blockquote><p>Existem segredos que levamos ao t&#250;mulo, n&#227;o por serem necessariamente reprov&#225;veis, mas porque poderiam ser mal interpretados. E ser mal interpretado &#233;, na minha opini&#227;o, um medo geracional, uma vez que com as redes sociais, tudo ganha mais corpo e intensidade.</p><p>E isso n&#227;o est&#225; restrito t&#227;o somente aos relacionamentos rom&#226;nticos, mas aos de amizade tamb&#233;m. J&#225; me confidenciaram alguns segredos terr&#237;veis, a maioria por vezes muito tristes, uma vez que foi algo que fizeram com a pessoa.</p><blockquote><p><em><strong><a href="/__u/substack.com/home/post/p-193420409">&#8220;O Drama&#8221;</a></strong><a href="/__u/substack.com/home/post/p-193420409"> &#233; um filme quase imposs&#237;vel de ser feito por um cineasta dos EUA. &#201; um antirromance sobre o que significa amar algu&#233;m antes de conhec&#234;-la profundamente.</a></em></p><p><em><a href="/__u/substack.com/home/post/p-193420409">Ele &#233; provocador, chocante, ir&#244;nico, politicamente incorreto, cr&#237;tico, grotesco, engra&#231;ado, emocionante, sarc&#225;stico, sombrio e malvado como o cinema indie norte-americano parou (ou teve medo) de fazer desde que nomes como Todd Solondz (&#8220;Felicidade&#8221;) viraram radioativos &#8212; estamos falando de pessoas que se chocam com &#8220;Pobres Criaturas&#8221;.</a></em></p></blockquote><p>Entre provas de bebidas e comidas para o casamento, Rachel (Alana Haim) e Mike (Mamoudou Athie), amigos do casal de noivos, sugerem brincar de &#8220;qual a pior coisa que voc&#234; j&#225; fez na vida?&#8221;. Cada um conta a coisa mais horripilante poss&#237;vel, Charlie (Robert Pattinson) sai ileso, uma vez que n&#227;o consegue pensar em nada, o que tenho minhas d&#250;vidas baseadas em vozes da minha cabe&#231;a, j&#225; Emma (Zendaya) fala o inimagin&#225;vel.</p><p>Quando sa&#237; da sala de cinema fiz a mesma pergunta a mim mesma, para me preparar j&#225; para se algum dia algu&#233;m me fizesse a mesma pergunta; a pior coisa que eu fiz na vida talvez tenha sido um blog com as minhas amigas para falar mal das pessoas do condominio onde moravamos. N&#243;s usamos todas as palavras de baixo cal&#227;o acessiveis h&#225; &#233;poca para adolescentes. Nenhuma pessoa saio ilesa do blog, nem mesmo n&#243;s que criamos, uma vez que precisavamos nos livrar de qualquer suspeita.</p><p>Na &#233;poca, fomos respons&#225;veis por acabar com a reputa&#231;&#227;o de uma menina, que era minha amiga e quase vizinha. Ela quase apanhou, levando a culpa pela autoria do blog. Teve amea&#231;a de bomba, aquelas bombas caseiras comuns na &#233;poca em escolhas p&#250;blicas. Assim como den&#250;ncias &#224; delegacia, para investigarem o IP do computador. Durou pouco tempo o blog, claro. E s&#243; revelamos quem estava por tr&#225;s do blog muitos anos depois, quando todos j&#225; eram maiores de idade, vivendo suas vidas em diferentes contextos. Hoje, nem mesmo n&#243;s que criamos o blog somos todas amigas.</p><p>Mas tenho a sensa&#231;&#227;o de que isso n&#227;o seria motivo para um t&#233;rmino de namoro, quem dir&#225; noivado.</p><p>Eu sei que existe essa d&#250;vida do quanto devemos e queremos contar tudo sobre n&#243;s para o(a) nosso(a) companheiro(a). Existem coisas t&#227;o &#237;ntimas e perturbadoras para n&#243;s mesmos que o m&#225;ximo que podemos contar &#233; com a nossa psic&#243;loga.</p><p>Li em um texto no Substack em que a mo&#231;a descrevia sua din&#226;mica com o marido, e ao final dizia que era melhor manter alguns segredos, mentirinhas inofensivas para garantir a paz no relacionamento.</p><p>Bell hooks, no livro <strong>Tudo Sobre o Amor</strong>, defende que o amor verdadeiro exige honestidade, comunica&#231;&#227;o e a elimina&#231;&#227;o de mentiras e segredos.</p><p>Longe de mim fazer ju&#237;zo de valor do segredo revelado pela Emma (Zendaya) no filme, o que me deixou intrigada tamb&#233;m sobre como eu reagiria a uma situa&#231;&#227;o como essa, e ainda n&#227;o tenho essa resposta.</p><p>Estive lendo um livro chamado Calma. Eu vi algu&#233;m indicar ele no LinkedIn e fiquei curiosa, uma vez que usava refer&#234;ncias de fil&#243;sofos e intelectuais para justificar alguns temas. O livro come&#231;a sobre relacionamentos rom&#226;nticos, at&#233; fiquei com medo de soar muito autoajuda, mas gostei do que li.</p><blockquote><p><em>&#8220;Cada um &#233; doido de um jeito, mas a loucura &#233; generalizada. A passagem do animal humano &#224; maturidade &#233; um processo tenso demais para se desenrolar sem indicentes graves; portanto, distor&#231;&#245;es de car&#225;ter s&#227;o uma certeza, n&#227;o um risco. N&#227;o dever&#237;amos nos perguntar se a pessoa por quem estamos interessados &#233; problematica ou n&#227;o. Na verdade, precisamos apenas coordenar at&#233; que ponto ela &#233;.&#8221;</em></p><p><em>Livro: Calma / The School of life / tradu&#231;&#227;o Beatriz Medina</em></p></blockquote><p>N&#227;o acho que exista uma regra de como proceder nessas situa&#231;&#245;es, e nem acho que deveria ter uma. Acredito que cada um de n&#243;s tem condi&#231;&#245;es suficientes de indagar o que &#233; e o que n&#227;o &#233; inegoci&#225;vel ou toler&#225;vel. Embora acredite que o problema n&#227;o seja isso, mas seja o julgamento alheio referente &#224; decis&#227;o que tomamos. Acaba sendo isso que acontece no filme, o noivo fica mais confuso com a rea&#231;&#227;o dos amigos do que com a sua pr&#243;pria.</p><p>Eu gostei muito do filme justamente por essa humaniza&#231;&#227;o das pessoas que comp&#245;em um relacionamento amoroso. Somos seres extremamente complexos, ent&#227;o &#233; normal e prefer&#237;vel que nossas rela&#231;&#245;es sejam complexas. H&#225; certa beleza nisso, ainda mais quando o outro n&#227;o &#233; uma c&#243;pia barata nossa. Se eu quisesse algu&#233;m igual a mim, eu mandava fazer um clone.</p><p></p><div><hr></div><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? 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O pessoal sa&#237;a mais cedo da aula s&#243; para ver o que iria acontecer. Para n&#243;s, meros mortais no &#225;pice dos doze anos de idade, isso era entretenimento puro, era o evento mais esperado e temido da nossa vida. Era motivo de gra&#231;a para mim at&#233; o dia em que quase uma menina sem os quatro dedos da m&#227;o direita disse que ia me dar uma peia por uma fofoca que eu nunca fiz. Passei ilesa, mas traumatizada.</p><p>J&#225; em Alagoas, peia tamb&#233;m &#233; o nome dado a um equipamento de couro usado para subir em coqueiros. A regi&#227;o &#233; famosa por ser um dos maiores produtores de coco do Brasil. Eles s&#227;o compridos e meio tortos. Podem chegar at&#233; 30 metros de altura.</p><p>- <em>como algu&#233;m alcan&#231;a um coco nessa altura? - Perguntei ao meu pai.</em></p><p>- <em>os cara usa peia pra subir</em> - respondeu um homem encostado numa casinha azul que ouvia nossa conversa.</p><p>Fiz aqueles t&#237;picos passeios de buggy e conheci as fal&#233;sias do Gunga. Fiquei pensando: o que passa na cabe&#231;a do turista quando v&#234; aquilo? Penso que o primeiro pensamento seja em deus. Como um ser divino, bondoso e um belo arquiteto, que construiu coisas inacredit&#225;veis. Belos pared&#245;es avermelhados com detalhes amarelados. Com formas e curvas. No topo h&#225; floresta abundante. Verde feito abacate.</p><p>Eu lembro de ter assistido Sem Cora&#231;&#227;o, filme alagoano, que me fez sonhar com aqueles coqueiros. Eu queria sentir a imensid&#227;o daquilo. E, durante o trajeto, com um olho no coqueiro e outro no bloco de notas, comecei a arriscar a escrita.</p><blockquote><p><em>Eu vim ver onde eu n&#227;o nasci. Quantas vidas eu n&#227;o senti, quantas &#225;guas eu n&#227;o banhei. Tem coisa que nem morrendo e vivendo de novo a gente vai ver.</em></p></blockquote><p>Estava quente feito a peste. Hora tinha muita nuvem, hora tinha c&#233;u azulado. Fazia cena para chover, e de repente vinha um sol que parecia trazer um santo. Sol e chuva arrumavam briga o tempo inteiro.</p><p>Meu tempo em Macei&#243; e com o meu pai trouxe alguns resqu&#237;cios do meu sotaque que &#224;s vezes acho que &#233; neutro, nem coisa nem outra. Um rapaz perguntou se &#233;ramos do norte, o sotaque tinha entregado. Mas que sotaque? O nordeste se infiltrou nas minhas entranhas e vem me lembrando sobre quem eu sou e quem eu era.</p><p>Meu pai falava que se acabava com todo Uber que a gente pegava. Parecia tirar toda palavra de dentro, acumulada em anos. Uma urg&#234;ncia em ser ouvido. Uma sede de falar o que se pensava. Mesmo quando era interrompido, ele esperava para continuar o que estava dizendo antes. O assunto era afogamento, um menino tinha morrido e o outro covarde sobreviveu. &#192;s vezes, o medo nos salva, s&#243; precisa saber a medida. O motorista soltou uma frase que guardei no bloco de notas: T&#225; pensando que praia &#233; piscina.</p><p>Tenho urg&#234;ncia em aprender a nadar. Perco a oportunidade de conhecer lugares pelo medo de n&#227;o ter onde pisar. Um dia a onda pode vir e me levar, e eu n&#227;o estou preparada ainda. Tenho tempo ainda.</p><p>O outro motorista citou Carlinhos Maia e &#193;lvaro como pessoas famosas. Na volta, ele foi dizendo quem era de Alagoas: Djavan, Marta, Graciliano Ramos&#8230;.</p><p>Dizem que quem vai uma vez para Macei&#243;, vai mais vezes at&#233; se mudar de vez. Deve ter algo naquela &#225;gua de coco de cinco reais.</p><p>Luiz Gonzaga j&#225; tinha dito:</p><blockquote><p><em>Sou feliz n&#227;o me sinto t&#227;o s&#243;<br>Toda gente que sai de Alagoas<br>Cora&#231;&#227;o deixa em Macei&#243;</em></p></blockquote><p></p><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!4a2P!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F531bcfb7-87e8-4fb1-888d-66c1e4bfebcc.heic" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!4a2P!, /__u/emanuellabarros.substack.com/w_424, /__u/emanuellabarros.substack.com/c_limit, /__u/emanuellabarros.substack.com/f_webp, /__u/emanuellabarros.substack.com/q_auto:good, 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Trabalhar tomou conta de todo o meu tempo, e o cansa&#231;o que isso me proporciona me afasta do meu maior prop&#243;sito, que &#233; escrever. E isso me deixa angustiada, porque o motivo pelo qual trabalho onde trabalho &#233; porque, em determinado momento da minha vida, eu escolhi investir na carreira de escritora. E ainda estou tentando investir, porque preciso estudar, treinar e, mais importante, escrever. H&#225; meses n&#227;o toco no meu livro que ano passado enfrentou sua primeira leitura cr&#237;tica, e no caso, eu deveria come&#231;ar a alterar o que fosse necess&#225;rio, mas desde ent&#227;o me vi em milhares de demandas que me afastaram da hist&#243;ria.</p><p>Eis que, por alguns momentos dos &#250;ltimos dias, senti a hist&#243;ria me chamar de novo. Ela vem t&#237;mida. Dando sussurros. Voltei a anotar ideias, pensar na personagem, mas ainda &#233; t&#227;o pouco. &#192;s vezes acordo pensando em post de Instagram, em texto para newsletters do trabalho.</p><p>Imagino quem tem filho, trabalha presencialmente fazendo atendimento ao p&#250;blico, e ainda precisa arrumar tempo para si, ou para o marido, e a&#237; pior que n&#227;o sobra mesmo tempo para si.</p><p>Sinto vontade de chorar, mas me sinto t&#227;o cansada at&#233; mesmo para isso.</p><p>Minha mente est&#225; a mil, tentando dar nome a cada sentimento relacionado &#224; minha vinda ao Brasil, ao meu trabalho, &#224; minha escrita. Passei tantos meses trocando de lugares que esqueci de processar cada momento e sinto que isso teve um custo alto para mim, que gosta de sentir e pensar sobre esses sentimentos.</p><p>E a&#237; eu sinto falta da literatura. Sinto falta de tentar descrever as coisas. Mergulho em maratonas de filmes um atr&#225;s do outro na esperan&#231;a de me encontrar em alguma hist&#243;ria que n&#227;o seja a minha. Buscar sinais inseridos em um roteiro que desconhece seu p&#250;blico.</p><p>&#192;s vezes sinto falta de andar pelas ruas antigas da Europa. De ver meu mundo caber em duas mochilas. E agora me deito em uma cama de casal s&#243; para mim, com ar-condicionado, roupa de cama limpa, pijamas. A roupa est&#225; lavada, o almo&#231;o est&#225; na mesa. Mas penso nos metr&#244;s que n&#227;o tenho, nos caf&#233;s barulhentos com wifi ruim. Na falta de espa&#231;o para organizar minhas roupas.</p><p>Sinto falta de falar ingl&#234;s. De n&#227;o entender nada do que est&#225; sendo dito ao meu redor e ficar feliz quando finalmente encontro algu&#233;m que fala a mesma l&#237;ngua.</p><p>Mas como &#233; bom colocar farinha em tudo. Ir &#224; padaria comprar p&#227;o franc&#234;s e coxinha.</p><p>Tenho feito muitas reuni&#245;es na semana e isso suga toda a minha energia, mas como eu fazia nos hostels? Quando fazia voluntariado? Lembro de tentar me esconder no quarto para n&#227;o falar com ningu&#233;m porque estava esgotada socialmente.</p><p>Me sinto cada vez mais burra com o chat gpt. Tem vezes que n&#227;o consigo montar uma m&#237;sera frase sem imaginar como a IA faria melhor no tom de voz adequado.</p><p>N&#227;o sei onde estarei em julho, agosto ou setembro. Sei que em outubro devo voltar a Floripa para votar, em novembro minhas f&#233;rias. N&#227;o sei e nem sei se quero saber onde ficar. Onde me esconder das pessoas que fui e das que estou tentando ser.</p><p>Agora sou uma pessoa que para qualquer compromisso preciso dormir uma hora de sono para garantir que o outro tenha mais tempo ao meu lado, porque sinto o meu corpo doer de sono e minha energia vital de diluir a cada novo minuto da noite. </p><p>Queria me desmanchar para me refazer de novo. Adoro ser redundante.</p><p>&#192;s vezes queria ser menos uma metamorfose ambulante.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#127 “O que sinto são animais selvagens”]]></title><description><![CDATA[a verdadeira hist&#243;ria da metamorfose]]></description><link>https://emanuellabarros.substack.com/p/127-o-que-sinto-sao-animais-selvagens</link><guid isPermaLink="false">https://emanuellabarros.substack.com/p/127-o-que-sinto-sao-animais-selvagens</guid><dc:creator><![CDATA[Emanuella Barros]]></dc:creator><pubDate>Thu, 02 Apr 2026 11:01:03 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/34df13ef-d989-495d-bad7-db143cb88482.heic" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>A newsletter Caf&#233; sem A&#231;&#250;car &#233; um projeto autoral e independente, gratuito para todos e enviada em todas &#224;s quintas-feiras. O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><p>Eu me recordo de ouvir a hist&#243;ria da lagarta que vira borboleta como um dos processos mais fant&#225;sticos da natureza. A hist&#243;ria come&#231;a com uma lagarta muito faminta que surge de um ovo. Com o tempo, ela se entope de folhas, ficando cada vez mais gorda e comprida. At&#233; que um dia ela para de comer, e fica pendurada de ponta-cabe&#231;a em um pequeno galho ou uma folha e tece um casulo ao seu redor. Dentro deste casulo superprotetor, a lagarta se transforma radicalmente e se torna borboleta.</p><p>A hist&#243;ria que deu origem a milhares de met&#225;foras e algumas poesias, sejam elas em formato de m&#250;sica como a do Raul Seixas, cuja frase sobre metamorfose ambulante tenho em meu bra&#231;o. Mas eu nunca tinha ouvido a verdadeira hist&#243;ria da metamorfose. N&#227;o sei se seria uma informa&#231;&#227;o dif&#237;cil demais para uma crian&#231;a digerir, ou se cont&#225;-la fosse destruir as met&#225;foras j&#225; existentes.</p><p>Foi em uma exposi&#231;&#227;o em Florian&#243;polis, de uma artista cariosa, que eu descobri a verdadeira hist&#243;ria da lagarta que vira borboleta.</p><p>Talvez a parte mais interessante desta hist&#243;ria seja o fato de que ela se dissolve. Vira uma sopa. Um l&#237;quido superpotente. E aqui, perdoem minha redund&#226;ncia em falar sobre a mesma coisa. Eu gosto mais ainda quando falam que ela se &#8220;digere&#8221;, porque o que libera s&#227;o enzimas digestivas que quebram seus tecidos e a tornam um l&#237;quido, a tal sopa biol&#243;gica.</p><p>Dentro desse l&#237;quido, h&#225; os discos imaginais que sobrevivem nesse processo, que j&#225; nascem com ela como lagarta. Esses discos &#233; que ajudam a formar o corpo da borboleta, suas asas, pernas...</p><p>N&#227;o existe uma regra se esses discos ir&#227;o se desenvolver apenas durante seu processo de metamorfose. &#192;s vezes, elas j&#225; come&#231;am a se desenvolver ainda durante o per&#237;odo de lagarta, mas s&#227;o quase imposs&#237;veis de ver a olho nu.</p><p>A exposi&#231;&#227;o se chamava &#8220;O que sinto s&#227;o animais selvagens&#8221;. Reunia algumas pinturas que tinham como objetivo retratar experi&#234;ncias emocionais e existenciais da autora. Ela n&#227;o s&#243; desenha, como escreve. E em cada uma das obras, havia uma poesia. E foi quando li a hist&#243;ria verdadeira da metamorfose.</p><p>N&#227;o cabe a mim criar mais uma met&#225;fora aqui. Espero que sinta da&#237;.</p><p></p><div><hr></div><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? Ent&#227;o salva essa lista cheia de vantagens:</p><p>&#10024; <strong>Chip de internet E-sim:</strong><br>Viaje conectado em qualquer lugar do mundo com desconto usando meu c&#243;digo: <strong>EMANU20087</strong></p><p>&#128184; <strong>Wise:</strong><br>Abra sua conta e ganhe a <strong>primeira transfer&#234;ncia sem taxas</strong> clicando neste <strong>[<a href="https://wise.com/invite/irhc/emanuellab13">link promocional]</a>.</strong></p><p>&#127757; <strong>Nomad</strong><br>Conta internacional com at&#233; <strong>US$ 20 de cashback</strong>. 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O homem contraiu os ombros, levantou os bra&#231;os em espasmos involunt&#225;rios. As pessoas ao redor seguiram como se nada fosse. Estavam acostumadas. Ele repetia uma palavra que parecia ser em ingl&#234;s, talvez <em>nice</em>, talvez outra coisa.</p><p style="text-align: justify;">A brasileira, sem entender, continuou colhendo os tomates maduros. A italiana que a acompanhava apenas riu, achando gra&#231;a no estranho ritual de palavras e sons emitidos.</p><p style="text-align: justify;">No caminho de volta, a brasileira n&#227;o conseguiu deixar de olhar para ele. Queria encontrar algum sinal de loucura nos tra&#231;os do rosto sereno, nos olhos que agora pareciam normais, que antes piscavam freneticamente. Nada. Dirigia devagar e com cuidado. Parecia normal, at&#233; que o outro dele se mexesse.</p><p style="text-align: justify;">Quando chegaram, o homem se esticou no ch&#227;o, depois das horas curvado na horta. Bastou esse gesto para que o corpo dele se revoltasse de novo. A cabe&#231;a se movia em estalos para os lados, o bra&#231;o disparava para cima como se tivesse vida pr&#243;pria. Ela lembrou dos el&#225;sticos grossos que j&#225; o vira usar no corpo. Talvez fosse sua forma desesperada de conter o inimigo invis&#237;vel que o habitava.</p><p style="text-align: justify;">Sentiu pena. Pena era um sentimento sujo, ela sabia, mas ainda assim sentiu. Porque, por tr&#225;s dos espasmos, era s&#243; um homem comum: cabelos curtos e escuros, bermuda encardida, papete gasta. Um homem que n&#227;o ligava para roupas nem para banhos.</p><p style="text-align: justify;">Era anivers&#225;rio dele. Passaram a manh&#227; na horta colhendo mais tomates, abobrinhas, aspargos. Na cozinha, uma vizinha preparava uma torta vegana; Palmira, a amiga, chegaria para cuidar do peixe; Carlos vinha com um garraf&#227;o de vinho. Era um vai e vem.</p><p style="text-align: justify;">Na primeira vez que a brasileira pisara ali, n&#227;o conseguiu evitar o medo. O desenho circular no alto da parede lembrava um s&#237;mbolo que poderia ser de alguma seita. Os objetos espalhados - cachimbos, um chifre, quadros com imagens er&#243;ticas - refor&#231;avam a suspeita. Mas quando ela criou coragem para perguntar, a resposta a surpreendeu. O mural era sobre os ciclos da lua e da menstrua&#231;&#227;o, desenhado por uma volunt&#225;ria colombiana anos antes. </p><p style="text-align: justify;">O al&#237;vio veio acompanhado, ainda, de estranheza. A casa parecia abrigar de tudo: brinquedos infantis pelos cantos, facas japonesas, presentes de amigos viajantes. Aos poucos, ela percebeu que a vida dele era um vaiv&#233;m constante: pessoas chegavam e partiam, volunt&#225;rios vinham trabalhar em troca de comida, viajantes paravam para fumar e conversar. Era um lugar de passagem.</p><p style="text-align: justify;">Os dias tinham uma rotina pr&#243;pria. Horta pela manh&#227;, almo&#231;o coletivo, vinho &#224; tarde, m&#250;sica improvisada. &#192; noite, conversas demoradas no quintal. Tudo era bastante coletivo.</p><p style="text-align: justify;">Certo dia, ele voltou de Veneza, depois de visitar a filha, e encontrou a casa em caos. A cozinha estava suja, pratos empilhados, restos espalhados. O homem chamou a aten&#231;&#227;o de todos, inclusive da brasileira, pelo descuido. Havia um peso em sua voz que ela nunca tinha escutado.</p><p style="text-align: justify;">Naquela noite, a confus&#227;o se agravou. Os volunt&#225;rios haviam sa&#237;do de carro e o deixado sem transporte. Em geral, ele permitia que usassem o ve&#237;culo, mas dessa vez precisava dele cedo, e ningu&#233;m estava em casa. O atraso virou estresse, e o estresse explodiu quando percebeu que nem ao menos havia cigarro para acalmar-se: o rapaz volunt&#225;rio fumara tudo. Tudo era bastante coletivo, exceto o cigarro.</p><p style="text-align: justify;">A brasileira nunca o vira assim. N&#227;o era o outro dos espasmos, mas um outro ainda mais perigoso, de carne e raiva. Respirava ofegante, como se lhe tivessem tirado o ar e o ch&#227;o. Por um instante, ela quase correu para pegar os el&#225;sticos e prend&#234;-lo a si mesmo. N&#227;o para se proteger, mas para proteg&#234;-lo.</p><p style="text-align: justify;">Na manh&#227; seguinte, ele estava diferente. Silencioso, mas controlado. Serviu caf&#233;, colheu tomates, como se a f&#250;ria da v&#233;spera tivesse sido engolida por alguma for&#231;a maior. Ou talvez porque os voluntariados, causadores dos estresses, tinham ido embora.</p><p style="text-align: justify;">Aos poucos, a brasileira foi se acostumando ao ritmo daquela vida. Havia sempre algu&#233;m novo na casa: turcos, franceses, americanos, gente de todos os lugares disposta a trabalhar algumas horas em troca de comida e abrigo. Ela mesma n&#227;o sabia se estava ali por acaso ou por escolha.</p><p style="text-align: justify;">No almo&#231;o de anivers&#225;rio, a mesa se encheu de pratos: lulas, camar&#245;es, peixes, cuscuz italiano, e sempre os tomates, vermelhos e de todos os tamanhos. Cantaram em italiano, beberam vinho. O outro n&#227;o apareceu. Parecia que a alegria o mantinha afastado.</p><p style="text-align: justify;">&#192; noite, foram todos a um festival de cinema numa cidade vizinha. Proje&#231;&#245;es, exposi&#231;&#245;es, manifesta&#231;&#245;es pr&#243;-Palestina. O filme, em italiano, a brasileira assistiu inteiro, mesmo sem compreender cada palavra. Havia poesia nas imagens, e isso bastava.</p><p style="text-align: justify;">Ele estava l&#225;, simples como sempre: camiseta limpa, cal&#231;a, papete. Um copo de Aperol na m&#227;o. Quando a m&#250;sica eletr&#244;nica tomou o espa&#231;o, ela viu de novo os movimentos conhecidos: a cabe&#231;a sacudindo, o ombro recolhendo, o bra&#231;o levantando-se em espasmo. Mas ali ningu&#233;m o estranhava. Todos dan&#231;avam como podiam, contorcendo-se, sacudindo bra&#231;os e pernas em gestos desordenados.</p><p style="text-align: justify;">Naquele momento, ela percebeu: talvez fosse s&#243; isso. Talvez o homem nunca fosse t&#227;o livre quanto quando o outro aparecia entre a multid&#227;o, confundido com os movimentos da m&#250;sica.</p><p style="text-align: justify;">E pela primeira vez, ela sorriu com al&#237;vio da loucura generalizada da pista.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#125 Em solo brasileiro ]]></title><description><![CDATA[a boa filha a casa retorna]]></description><link>https://emanuellabarros.substack.com/p/125-em-solo-brasileiro</link><guid isPermaLink="false">https://emanuellabarros.substack.com/p/125-em-solo-brasileiro</guid><dc:creator><![CDATA[Emanuella Barros]]></dc:creator><pubDate>Thu, 12 Mar 2026 14:02:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f2c719df-3f9f-4b2a-ba0c-d8b6cc1f00ae_3840x2160.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>A newsletter Caf&#233; sem A&#231;&#250;car &#233; um projeto autoral e independente, gratuito para todos e enviada em todas &#224;s quintas-feiras. O intuito desse espa&#231;o &#233; compartilhar hist&#243;rias, sejam elas reais ou ficticias. &#201; onde voc&#234; ir&#225; acompanhar o desabrochar de algu&#233;m que cansou de sonhar em ser escritora, e resolveu ser uma.</p></blockquote><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://emanuellabarros.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/emanuellabarros.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><div><hr></div><p>Como imigrante, voc&#234; torce para ouvir um m&#237;sero portugu&#234;s em alguma esquina. Pode ser at&#233; o de Portugal, mas desde que voc&#234; entenda. Voc&#234; implora por uma m&#237;sera migalha, um &#8216;ol&#225;&#8217; j&#225; causa euforia.</p><p>E de repente voc&#234; est&#225; em um voo para o Brasil, ouvindo e entendendo tudo o que est&#225; sendo dito. Seu ouvido chega ao limite, e voc&#234; n&#227;o sente mais o &#234;xtase da pr&#243;pria l&#237;ngua sendo falada ou ouvida, apenas cansa&#231;o. &#192;s vezes, n&#227;o entender o que est&#225; sendo dito &#233; uma d&#225;diva.</p><p>Pousei em Guarulhos, depois de vinte e quatro horas viajando e percorrendo tr&#234;s fusos hor&#225;rios. J&#225; senti o drama do retorno na sala de bagagens, enquanto eu e mais 200 pessoas esper&#225;vamos, o que s&#243; deu o ar da gra&#231;a depois de uma hora e meia. Metade, assim como eu, perdeu suas conex&#245;es. Fomos encaminhados para outra fila para remarcar o voo. Nos deram hotel, comida e t&#225;xi.</p><p>Na manh&#227; do dia seguinte, l&#225; fui eu para o aeroporto&#8230; mais fila, mais gente gritando, correndo, uma loucura. Brasileiro sempre deixando para a &#250;ltima hora. Eu fazia muito isso na gringa, confesso.</p><p>Algumas horas depois, ap&#243;s um caf&#233; e p&#227;o de queijo superfaturado, pousamos em Florian&#243;polis. Fiquei emocionada. Meu cora&#231;&#227;o come&#231;ou a acelerar com a ideia de ver minha m&#227;e e meu padrasto em uma fra&#231;&#227;o de minutos. Eles ainda n&#227;o estavam l&#225;, e eu fiquei puxando e soltando o ar devagar, at&#233; o vislumbre de um Hyundai Creta marrom. Minha m&#227;e estava com sua roupa de academia de sempre.</p><p>Um abra&#231;o e mais choro.</p><p>Depois, um prato cheio de farinha.</p><p></p><div><hr></div><h3><strong>&#128483;&#65039; Links &amp; C&#243;digos</strong></h3><p>Quer economizar, viajar mais e ainda me dar aquela for&#231;a? 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