<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Caminhos]]></title><description><![CDATA[Escrevo sobre o que me atravessa por onde ando. "Vem comigo? No caminho eu te explico".]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!pwtG!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F02376cec-c606-4e01-89ac-1c37be2a7962_1280x1280.png</url><title>Caminhos</title><link>https://fernandafigueiredo.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Fri, 04 Sep 2026 14:36:56 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/fernandafigueiredo.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[fernandafigueiredo@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[fernandafigueiredo@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[fernandafigueiredo@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[fernandafigueiredo@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Pra que montar um quebra-cabeça de mil peças? ]]></title><description><![CDATA[Estava passeando num brech&#243;, acompanhando uma pessoinha muito especial na minha vida que &#233; viciada neles.]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com/p/pra-que-montar-um-quebra-cabeca-de</link><guid isPermaLink="false">https://fernandafigueiredo.substack.com/p/pra-que-montar-um-quebra-cabeca-de</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Sat, 22 Aug 2026 12:28:10 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!pwtG!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F02376cec-c606-4e01-89ac-1c37be2a7962_1280x1280.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Estava passeando num brech&#243;, acompanhando uma pessoinha muito especial na minha vida que &#233; viciada neles. Brech&#243; n&#227;o est&#225; nem perto dos meus lugares favoritos no mundo, pra dizer a verdade. Admiro a causa, mas eu n&#227;o tenho muita paci&#234;ncia pra ficar garimpando roupas. Al&#233;m de ter um pouco de agonia de usar algo que j&#225; foi de algu&#233;m que n&#227;o sei quem &#233;. </p><p>Ent&#227;o enquanto aguardava a pessoa se divertir buscando alguma coisa que servisse e que fosse muito boa, fui pra parte de livros e jogos velhos. Encontrei um quebra-cabe&#231;a barat&#237;ssimo ($6) e me deu vontade de montar. Por que n&#227;o, n&#233;? Tamb&#233;m receberia visita em casa no pr&#243;ximo fim de semana e seria uma boa atividade para fazermos juntas, enquanto bat&#237;amos papo. </p><p>O meu &#250;nico receio: o jogo era usado e a caixa estava aberta. N&#227;o tinha nem um durex prendendo. Mil pe&#231;as. A chance de n&#227;o ter uma outra pe&#231;a era grande. Mas apostei, pensando: quem doaria um quebra-cabe&#231;a faltando pe&#231;a(s)?! Eu adoro me provar certa. E adoro colecionar provas de que o ser humano &#233; bom. <br><br>Comecei a montar com Gabi, minha visita. Enquanto convers&#225;vamos, e tom&#225;vamos um vinho, a gente foi formando a moldura da pintura. Fazer essa atividade, enquanto nos atualiz&#225;vamos da vida, foi dando contorno sobre onde est&#225;vamos. E como &#233; bom fazer uma atividade manual com algu&#233;m enquanto jogamos conversa fora. <br><br>Depois de uns dias, ficamos eu e Gus, meu namorado, colocando uma pe&#231;a aqui e ali. Entendendo nosso cansa&#231;o mental, nossa disposi&#231;&#227;o, nosso tempo livre, nossos v&#237;cios. N&#227;o sei quanto tempo se passou das pe&#231;as na mesa. Sei que foi preciso paci&#234;ncia. N&#227;o basta olhar: tem que olhar com cuidado. Aos poucos, a gente come&#231;a a diferenciar um verde do outro. Um tom de azul de lagoa de azul de c&#233;u. <br><br>&#201; preciso tempo para se debru&#231;ar numa casa e perceber que a pontinha do telhado &#233; laranja. E que o esquilo tem um rabo quase que do seu pr&#243;prio tamanho. S&#243; depois de muitas tentativas e erros, que a gente entende que nem tudo &#233; o que parece ser. E, &#224;s vezes, a nossa &#250;ltima op&#231;&#227;o &#233; a que mais combina. Por mais que sempre estivesse ali, a vista. <br><br>Nem sempre &#233; poss&#237;vel saber se o que nos foi dado est&#225; completo. Se chegou at&#233; n&#243;s inteiro. Mas precisamos confiar para continuar. Confiar na imagem. Na vis&#227;o. Ter uma vis&#227;o &#233; a base do trabalho. S&#243; que &#233; preciso muito mais. &#201; preciso continuar. Pe&#231;a por pe&#231;a. E, de vez em quando, trocar de lado, porque um n&#227;o est&#225; rendendo. Sem abandonar o jogo. <br><br>V&#225;rias m&#227;os. Cada uma foi fazendo um pouquinho, a depender do seu desejo e disposi&#231;&#227;o. At&#233; que acabou. A imagem estava completa. Tinha todas as pe&#231;as! Al&#237;vio. E agora? Come&#231;a de novo? Doamos para a mesma loja? Come&#231;amos outro? Para que montar um quebra-cabe&#231;a? Para que escrever um texto? <br><br>Veio no final, mas &#233; a pergunta do come&#231;o. De todos os come&#231;os: o que eu quero que resulte disso? <br><br><em>Leva pra brincar. &#201; (de) gra&#231;a.<br></em></p><div class="native-video-embed" data-component-name="VideoPlaceholder" data-attrs="{&quot;mediaUploadId&quot;:&quot;a3c6b5b8-7a15-4d05-becc-a13ef922a119&quot;,&quot;duration&quot;:null}"></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA["Se der errado, vou pras montanhas..."]]></title><description><![CDATA[Uma amiga me disse isso enquanto comparava os movimentos dela no mundo corporativo com os meus, agora deixando a cidade para viver num lugar mais isolado.]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com/p/se-der-errado-vou-pras-montanhas</link><guid isPermaLink="false">https://fernandafigueiredo.substack.com/p/se-der-errado-vou-pras-montanhas</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Wed, 22 Jul 2026 04:34:27 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qlcl!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0b894fac-815c-4f2b-9a65-a31166023c18_1600x1200.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Achei engra&#231;ado porque, quando escutei isso, pensei justamente o contr&#225;rio: deu certo. Apesar de todas as minhas tentativas de construir uma carreira no mundo corporativo. Eu sempre quis morar nas montanhas. E morei, durante a pandemia, quando perdi meu trabalho da noite pro dia e trabalhei como <em>au pair</em> enquanto cuidava de duas crian&#231;as: um beb&#234; de oito meses e o irm&#227;o de tr&#234;s anos. Tinham essa idade quando cheguei.</p><p>A primeira fase do COVID foi um dos momentos mais dif&#237;ceis da minha vida at&#233; aqui. O meu ex namorado tinha vindo me visitar na Austr&#225;lia e, depois de viajarmos pelo pa&#237;s (a primeira vez dele aqui, e eu tamb&#233;m n&#227;o tinha explorado muito at&#233; ent&#227;o), decidimos terminar. Eu tinha acabado de mudar de casa. E gastado minha reserva nos nossos passeios. Logo que ele foi embora, uma pandemia. Eu sofrendo o luto desse t&#233;rmino, sem dinheiro e sem trabalho. Mandei mensagem para uma grande amiga na &#233;poca, perguntando como ela estava lidando com a pandemia: e ela tinha decidido voltar pro Jap&#227;o, seu pa&#237;s de origem. Ela me disse que a fam&#237;lia com a qual ela estava trabalhando talvez precisasse de mim como bab&#225;, j&#225; que ela tinha ido embora e eu j&#225; os conhecia, numa visita anterior que fiz e dormi l&#225; para passar um tempo com ela. </p><p>Eu amava aquela casa, adorava as crian&#231;as, aquele estilo de vida, aquela natureza ao redor. Mas, de muitas formas, me sentia completamente inadequada ali. Era a vida que eu queria, mas n&#227;o era a minha vida. N&#227;o tinha perspectiva de futuro e estava colocando toda minha energia num lugar que n&#227;o era meu. E que eu sentia que n&#227;o ia vingar. &#201; uma sensa&#231;&#227;o muito estranha a de trabalhar onde voc&#234; mora - e, como sou muito esponjinha, eu me misturava com a casa e n&#227;o conseguia separar o que era meu e o que era das crian&#231;as, emocionalmente falando. Eu acordava quando elas acordavam a noite (mesmo n&#227;o tendo nenhuma obriga&#231;&#227;o de cuidar delas durante esse per&#237;odo), e me sentia numa certa simbiose. </p><p>A medida que a vida foi voltando &#8220;ao normal&#8221;, com as vacinas, e os lugares reabrindo, eu decidi voltar pra Sydney. (Na verdade, decidi mudar de cidade! Acabou n&#227;o dando certo - fica para outro texto) E vida que segue: pois &#233; na cidade que se faz dinheiro, &#233; onde estavam meus amigos, os meus estudos. Fui seguindo, mas com essa imagem sempre no <em>background</em> da minha mente: eu no mato, um lugar cheio de livros, uma casa grande e um parceiro de vida. </p><p>Alguma coisa em mim <em>sabia</em>. Que eu ia morar nesse lugar de novo. Mas, com medo de n&#227;o dar certo, eu parei de investir nesse desejo. Cuidei de cada dia. Segui estudando. Trabalhando. Amando. E a vida foi acontecendo. At&#233; que os donos pediram o apartamento em que eu e Gus, meu homem amado, mor&#225;vamos. N&#243;s dois trabalhando de casa e cansados do ritmo da cidade e do pre&#231;o dos im&#243;veis em Sydney (car&#237;ssimos!), decidimos ver as casas, os pre&#231;os, as possibilidades nas montanhas. E tudo foi se encaixando para essa nova realiza&#231;&#227;o. </p><p>Conversando com amigos e pesquisando bastante, encontramos uma casa de 3 quartos, jardim, muita madeira (nosso estilo preferido), 3 minutos de dist&#226;ncia da trilha de uma cachoeira linda, linda. Mais barata do que pag&#225;vamos num apartamento min&#250;sculo num bairro nobre perto da praia, em Sydney. Faz um m&#234;s que estamos aqui e j&#225; somos mais pr&#243;ximos do nosso vizinho de um m&#234;s do que fomos dos vizinhos com quem dividimos parede por um ano e meio.</p><p>Por aqui, tem aquela coisa de interior de contar da vida pro desconhecido, se cumprimetar na rua, chamar pra tomar um caf&#233;. As chances de encontrar casa boa n&#227;o s&#227;o muitas - e tivemos sorte com a nossa &#250;nica e melhor tentativa: fomos aprovados de primeira. Sorte, manifesta&#231;&#227;o ou trabalho? Talvez nenhuma dessas coisas isoladamente. A vida nos encontrou preparados. N&#227;o tem como n&#227;o se emocionar com o presente. At&#233; porque os &#250;ltimos meses foram uma avalanche de not&#237;cias boas! Depois de aaaanos de perregue, viu. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qlcl!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0b894fac-815c-4f2b-9a65-a31166023c18_1600x1200.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qlcl!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0b894fac-815c-4f2b-9a65-a31166023c18_1600x1200.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Qlcl!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_848, 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Ontem Wayne - esse &#233; o nome do nosso vizinho mais pr&#243;ximo - mencionou que &#8220;we've got six weeks left of winter&#8221; e achei gostoso demais contar o tempo assim. Como um alinhamento de ritmo mais coerente com a natureza. Ele falou isso enquanto discut&#237;amos sobre como viver os pr&#243;ximos dias e como cuidar do jardim.  E seguindo e sentindo esse ritmo, tamb&#233;m sinto minha energia vital voltando - depois de meses sem escrever aqui! E fazer coisas mais criativas que n&#227;o envolvam meu trabalho com comunica&#231;&#227;o nem com yoga.</p><p>A escrita &#233; um trabalho dif&#237;cil porque, dentre tantas outras raz&#245;es, tem que viver para escrever. Tem que sentir. Sou o pr&#243;prio objeto de estudo. E esse tempo de experi&#234;ncia e integra&#231;&#227;o n&#227;o &#233; o mesmo das redes sociais. Assim como n&#227;o &#233; o mesmo de uma an&#225;lise. Tenho a vontade de estar aqui com mais frequ&#234;ncia e mais verdade: mas quero ter o que dizer - e me comprometo com essa entrega.</p><p>Estou aprendendo a respeitar os momentos de sil&#234;ncio intercalados com o de expans&#227;o sem culpa. E tamb&#233;m, como sempre digo: sem pressa e sem pausa. Na consist&#234;ncia de quem insiste em viver. Escutar. E escrever. Esse &#233; o meu trabalho. Tomara que daqui possa plantar minha verdade. E que n&#227;o demore muito, entre uma semente e outra. Sinto que estou sempre voltando - h&#225; outro jeito? N&#227;o sei. Sei que volto. E planto. Os frutos, ficam pro mist&#233;rio. (Que tem sido de uma generosidade gigante, assim como a natureza)<br><br>&#192;s vezes, aquilo que parece um plano B era, desde o come&#231;o, o nosso verdadeiro desejo. Mas parece que s&#243; nos entregam o sonho quando ele deixa de ser fuga e passa a ser casa. Estou h&#225; uma vida nessa li&#231;&#227;o. E repete. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!pWvf!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb5bb59c2-f486-4250-8d27-d8b6e41dcd39_1200x1600.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!pWvf!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fb5bb59c2-f486-4250-8d27-d8b6e41dcd39_1200x1600.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!pWvf!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_848, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, 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E ele falou &#8220;ser&#225; que &#233; por isso que est&#225; t&#227;o linda? Fica a&#237;, deixa eu tirar uma foto&#8221; (espinhas aqui pra contar que meu corpo ainda est&#225; se adaptando ao novo clima e espa&#231;o e tem muito trabalho a ser feito)</figcaption></figure></div><p><em>&#8220;You have the right to work, but for the work&#8217;s sake only. You have no right to the fruits of work.&#8221; <strong>Bhagavad Gita</strong></em><span> 2.47</span></p><div class="captioned-button-wrap" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandafigueiredo.substack.com/p/se-der-errado-vou-pras-montanhas?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Partilhar&quot;}" data-component-name="CaptionedButtonToDOM"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigada por me ler! Obrigada, mesmo. A escrita &#233; um processo t&#227;o solit&#225;rio e &#233; uma alegria quando esse texto chega em outros olhos. Essa &#233; uma publica&#231;&#227;o gratuita. Fica a vontade para enviar para algu&#233;m que pode se beneficiar no Caminho.</p></div><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandafigueiredo.substack.com/p/se-der-errado-vou-pras-montanhas?utm_source=substack&utm_medium=email&utm_content=share&action=share&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Partilhar&quot;}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/fernandafigueiredo.substack.com/p/se-der-errado-vou-pras-montanhas?utm_source=substack&amp;utm_medium=email&amp;utm_content=share&amp;action=share"><span>Partilhar</span></a></p></div><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A arte de ir e voltar]]></title><description><![CDATA[ap&#243;s 6 semanas no Brasil]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com/p/a-arte-de-ir-e-voltar</link><guid isPermaLink="false">https://fernandafigueiredo.substack.com/p/a-arte-de-ir-e-voltar</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Fri, 17 Apr 2026 21:05:33 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8gfm!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5824b941-4b06-46a4-be8c-99590d260733_1066x1600.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>De volta pra Austr&#225;lia, depois de 6 semanas no Brasil. Ainda acho uma loucura pensar que n&#227;o tem nem 48 horas que voltei. E tanta coisa j&#225; aconteceu! Os grandes deslocamentos deixam a gente com uma leve sensa&#231;&#227;o de suspens&#227;o. Como se alguma coisa ou outra tivesse sido um sonho. Talvez o jet lag e a ci&#234;ncia expliquem. Prefiro a poesia e o que esse momento tem a me dizer. </p><p>Depois da maratona de festas, encontros, exames m&#233;dicos, voos e voos: que al&#237;vio. Al&#237;vio saber que posso ir e voltar. Al&#237;vio em saber que eu sou eu - apesar de navegar em ambientes t&#227;o diferentes entre si. Al&#237;vio de ver possibilidade em mais de uma terra. Al&#237;vio de estar cada vez mais a vontade com minhas escolhas. </p><p>As redes sociais intensificam as compara&#231;&#245;es que fazemos. Mas acredito que olhar para nossa trajet&#243;ria e, muitas vezes, se comparar com o que poderia ter sido diante de pessoas que vieram de um lugar muito similar com o seu, &#233; algo ainda mais duro de dirigir se n&#227;o estivermos tranquilos na nossa pr&#243;pria pele. </p><p>Ousar criar tua pr&#243;pria hist&#243;ria &#233; tarefa das brabas. E &#233; algo que, com ajuda da coragem, do respeito e da verdade, tenho interesse em continuar fazendo. E eu acho que sair e olhar tudo do avesso (a Austr&#225;lia do Brasil, o Brasil da Austr&#225;lia, todos os lugares de cima e muitas vezes de dentro), ajuda a gente a se colocar em perspectiva. E foi assim que amenizei algumas coisas: </p><ol><li><p>Sair de casa </p><p>Sair da casa dos pais pode ser uma ruptura f&#237;sica ou emocional. Podemos nos distanciar fisicamente e continuar estreitando os la&#231;os emocionais. Como o contr&#225;rio tamb&#233;m &#233; poss&#237;vel. E ficar &#233; s&#243; uma outra possibilidade de melhorar essa casa, construir algo diferente l&#225; dentro. Ora precisamos de sensibilidade para aceitar o nosso papel no nosso lugar de origem, ora precisamos de coragem para se rebelar contra ele. Sabedoria para distinguir. </p></li><li><p>Tempo de qualidade x tempo de quantidade</p><p>Organizar a agenda para ver tanta gente em pouco espa&#231;o de tempo &#233; algo que lido bastante quando viajo. Mas engra&#231;ado que notei que tem quem eu sempre veja - por um movimento de ambas as partes. E isso vai construindo uma certa arte, como quem est&#225; sempre arrumando algo na argila. Quero mais disso. Gente que eu veja mais vezes. Por mais tempo. Est&#225; na hora de passarmos tempo um com os outros. Tempo de quantidade. Aquele neg&#243;cio de ir pagar uma conta juntos. Acompanhar no sal&#227;o. Almo&#231;ar. Estar perto. </p></li><li><p>Dar &#233; receber. Receber &#233; dar <br>Essa &#233; uma li&#231;&#227;o de &#8220;Um Curso em Milagres&#8221; que eu vivi na pele. O Brasil &#233; generoso e eu precisava lembrar disso. As pessoas brasileiras s&#227;o muito generosas. Estar disposta a receber &#233; o primeiro passo para receber. E isso tamb&#233;m &#233; dar a oportunidade do outro se expressar e ser a partir do que ele pode entregar. <em>Win win</em>. </p></li><li><p>Saber que pode </p><p>&#201; importante que a gente se desafie, de tempos em tempos, para abrir possibilidades v&#237;vidas dentro de n&#243;s de expans&#227;o da realidade. Viajar pro Brasil, por quest&#245;es log&#237;sticasde trabalho, de visto e financeiras, n&#227;o &#233; f&#225;cil. Fazer acontecer, depois de muita reza e organiza&#231;&#227;o, &#233; um <em>boost</em> de autoconfian&#231;a. Percebi que podemos sempre nos dizer, atrav&#233;s de a&#231;&#245;es que, sim, &#233; poss&#237;vel. </p></li><li><p>Viver em portugu&#234;s &#233; muito f&#225;cil </p><p>Na mesma linha de se propor coisas dif&#237;ceis, &#233; muito legal quando a gente percebe que por ter insistido tanto em algo desafiador, outra parte ficou muito f&#225;cil. E como &#233; f&#225;cil viver em portugu&#234;s! Mas mesmo com muitas facilidades, as pessoas (eu inclusa) n&#227;o fazem as coisas acontecerem. Fa&#231;a voc&#234;. E ame o que &#233; dif&#237;cil, porque isso facilita muito. </p></li><li><p>O tempo se organiza atrav&#233;s do seu desejo</p><p>Dentre v&#225;rias coincid&#234;ncias que s&#227;o mais vis&#237;veis em estados de viagem, foi ficando claro para mim que o tempo se organiza atrav&#233;s do nosso desejo. A vida vai dando pistas. E o cora&#231;&#227;o vai respondendo ao que ressoa. Nem tudo d&#225; para resolver amanh&#227;. Mas presta aten&#231;&#227;o nas placas do caminho, porque est&#225; l&#225;. </p></li><li><p>Jogar o jogo sabendo que &#233; um jogo </p><p>Vida adulta, burocracia, problemas financeiros, sa&#250;de, envelhecimento e morte podem tirar um pouco do nosso brilho de viver. Para o que n&#227;o &#233; real, a gente joga o jogo. E para o que &#233;, a gente deixa ser. </p><p><br>Pe&#231;o para que essa for&#231;a amorosa siga me nutrindo. E me deixando mais perto. De mim. De voc&#234;. Dos nossos. Estamos todos do lado de dentro das pessoas. </p><p></p><p>Obrigada, Brasil, por me ensinar a ser casa. Volto porque te amo. </p></li></ol><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!8gfm!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5824b941-4b06-46a4-be8c-99590d260733_1066x1600.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!8gfm!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F5824b941-4b06-46a4-be8c-99590d260733_1066x1600.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!8gfm!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_848, 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Como se fosse Natal: &#233; tempo de rever quem n&#227;o vemos h&#225; algum tempo, atualizar alguma coisa ou outra, perceber o olhar do outro, fazer as pazes com algu&#233;m ou com si mesmo, aceitar o que n&#227;o aconteceu e o que aconteceu al&#233;m da conta. E como toda festa, tem quem ame e quem odeie. Ou tem momentos bons. E tem momentos que <em>j&#225; deu</em>.</p><p>Nessa dan&#231;a de encontros, a vontade de estar mais perto ou os motivos de estar longe, emergem com mais for&#231;a. Como num passo em dupla, mesmo, podemos perceber que, &#224;s vezes, algu&#233;m nos apertou demais e surge um desconforto de estar t&#227;o pr&#243;ximo. Ou o contr&#225;rio: que del&#237;cia estar aqui! N&#227;o quero que a m&#250;sica acabe.</p><p>Enquanto nos atualizamos do que se passou sem a nossa presen&#231;a f&#237;sica, tamb&#233;m atualizamos em n&#243;s as nossas muitas vers&#245;es. Mas nem todo mundo. Com caracter&#237;sticas muito pr&#243;prias do que j&#225; fui em algum momento, percebo alguns nomeando ou convocando uma vers&#227;o minha que n&#227;o existe mais. Ou o coment&#225;rio sobre algo que disse nas minhas redes sociais que chegou de forma distorcida. Ser&#225; que sabemos mesmo do outro pelo que chega at&#233; n&#243;s em alguns segundos? Ou pelo o que fulano disse.</p><p>Num exerc&#237;cio de manter meu olhar curioso, pergunto querendo saber: como voc&#234; t&#225;? O que tem pensado em fazer? Isso te afetou? E eu <em>sei </em>que h&#225; algo em comum em todos n&#243;s. H&#225; algo cansado, tamb&#233;m, de tudo que j&#225; foi dito, repetido, replicado, compartilhado, curtido. E, al&#233;m disso, h&#225; o singular. O que ningu&#233;m viu. O que ainda n&#227;o foi expresso. O que ficou na garganta. O que se transformou. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!UeG6!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7439f6cc-3ab9-4e85-aed2-b50bca8379e3_921x1600.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!UeG6!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7439f6cc-3ab9-4e85-aed2-b50bca8379e3_921x1600.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!UeG6!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_848, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, 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Talvez seja esse um dos impasses dos reencontros: h&#225; muita informa&#231;&#227;o circulando, muita opini&#227;o pronta. Mas experi&#234;ncia pede outra qualidade de presen&#231;a. Pede abertura. Pede tempo. Pede um corpo menos defendido para que algo, enfim, aconte&#231;a.</p><p>Ainda quero manter-me aberta ao novo. Em mim e no outro. Sabendo que nem sempre, mesmo, teremos espa&#231;o para ser. E tudo bem: n&#227;o &#233; sempre que precisamos de pares para nossa arte. Sem disposi&#231;&#227;o m&#250;tua, n&#227;o h&#225; cria&#231;&#227;o. Porque criar &#233; dar passagem para aquilo que precisa de passagem. E n&#227;o h&#225; passagem em linhas duras e sem sa&#237;da. Desejo estar atenta &#224; vida e seus pedidos de movimento de expans&#227;o. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!A7hJ!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F69d979ec-9a67-4cb1-99eb-3167c2e67bd8_957x1418.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!A7hJ!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F69d979ec-9a67-4cb1-99eb-3167c2e67bd8_957x1418.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!A7hJ!, 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class="pullquote"><p>&#8220;A experi&#234;ncia, a possibilidade de que algo nos aconte&#231;a ou nos toque, requer um gesto de interrup&#231;&#227;o, um gesto que &#233; quase imposs&#237;vel nos tempos que correm: requer parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opini&#227;o, suspender o ju&#237;zo, suspender a vontade, suspender o automatismo da a&#231;&#227;o, cultivar a aten&#231;&#227;o e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentid&#227;o, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paci&#234;ncia e dar-se tempo e espa&#231;o.&#8221;</p></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Amar em português brasileiro]]></title><description><![CDATA[Estou no Brasil.]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com/p/amar-em-portugues-brasileiro</link><guid isPermaLink="false">https://fernandafigueiredo.substack.com/p/amar-em-portugues-brasileiro</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Wed, 04 Mar 2026 20:19:15 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YaA3!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9a9e6fef-1533-4c74-aa2d-a62a39dd1514_7952x5304.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Estou no Brasil. N&#227;o tenho muito tempo nessas terras. E isso significa que tenho uma certa urg&#234;ncia em ver quem eu amo. Urg&#234;ncia, mas n&#227;o ansiedade. Preciso me organizar. Organizar os encontros. Abrir espa&#231;o para o abra&#231;o.</p><p>Nessa vontade de ver quem n&#227;o vejo h&#225; um tempo, mandei algumas mensagens. Propus. Dei datas. Lugares. Tamb&#233;m recebi propostas. Mas, de um modo geral, me causou um certo inc&#244;modo a falta de cuidado que percebi com as rela&#231;&#245;es. N&#227;o sei se &#233; S&#227;o Paulo, o capitalismo, a correria de todo mundo, ou se eu mesma n&#227;o nutri muito bem algumas amizades.</p><p>Confesso que estava desacostumada. N&#227;o cabe mais na minha vida aquele &#8220;vamos nos ver&#8221; &#8211; &#8220;vamos&#8221; e ficar por isso mesmo. Eu preciso de comprometimento. De data. Hora. Lugar. E olha que eu sou muito f&#225;cil de agradar &#8212; qualquer padaria de esquina me satisfaz, desde que a gente se veja. S&#243; que, para ver, tem que querer. Ainda estamos dispostos?</p><p>Fiquei pensando nas rela&#231;&#245;es outras, fora daqui, que constru&#237; com o passar dos &#250;ltimos anos. Talvez o pragmatismo ingl&#234;s tamb&#233;m tenha me afetado: marcou, est&#225; marcado. E <em>I&#8217;m looking forward</em> para o nosso encontro. N&#227;o preciso checar mil vezes &#8212; uso esse tempo para abrir espa&#231;o para o que vai acontecer.</p><p>Percebo que quem tem ficado na minha vida fica com a mesma qualidade de presen&#231;a que tenho cultivado em mim. &#201; uma alegria, por exemplo, estender o meu tapete no ch&#227;o para fazer yoga. A minha pr&#225;tica j&#225; come&#231;a ali. A minha sess&#227;o de terapia come&#231;a antes, quando penso o que tenho para dizer. Saber que verei os meus pais e as minhas irm&#227;s j&#225; me adianta o conforto e a seguran&#231;a que sinto quando estou com eles. &#8220;Se tu vens, por exemplo, &#224;s quatro da tarde, desde as tr&#234;s eu come&#231;arei a ser feliz&#8221;.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!YaA3!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9a9e6fef-1533-4c74-aa2d-a62a39dd1514_7952x5304.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!YaA3!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, 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stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p>Foi nessa minha ang&#250;stia, em meio a desencontros, que parei na livraria Martins Fontes, na Avenida Paulista, buscando um consolo. Encontrei <em>A Arte de Amar</em>, do psicanalista Erich Fromm. Segundo ele, o aprendizado do amor, como o de todas as outras artes, exige <strong>pr&#225;tica</strong> e <strong>concentra&#231;&#227;o</strong>. E n&#227;o h&#225; dom&#237;nio de nenhuma arte sem humildade, coragem, f&#233; e disciplina.</p><p>Sinto que muitas pessoas n&#227;o est&#227;o dispostas a fazer algo que saia da sua zona de conforto. Afinal, trabalho, acordar cedo etc. Mas, se n&#227;o formos n&#243;s a gerenciarmos nossos afetos, deixaremos mesmo essa outra agenda nos governar?</p><p>N&#227;o quero me esquecer de que o amor &#233; uma atividade. E um dos seus caracteres ativos &#233; dar. Fromm diz que sup&#245;e-se que dar &#233; abrir m&#227;o de algo, ver-se privado de, sacrificar-se. &#8220;Para o car&#225;ter produtivo, dar tem um significado totalmente diferente. Dar &#233; a mais elevada express&#227;o de pot&#234;ncia. No ato de dar, experimento minha for&#231;a, minha riqueza, meu poder. Essa experi&#234;ncia de uma vitalidade e uma pot&#234;ncia intensificadas enchem-me de alegria. Eu me experimento como transbordante, pr&#243;digo, vivo, logo, feliz&#8221;.</p><p>Ao dar e receber dos dispostos, saio abastecida com o carinho e a preocupa&#231;&#227;o ativa com a vida e o crescimento de quem me ama e de quem eu amo. S&#243; assim &#233; poss&#237;vel crescer. Eu amo em portugu&#234;s &#8212; n&#227;o tem jeito. Mas n&#227;o basta amar: precisamos desenvolver cuidado, responsabilidade, respeito e conhecimento. Vou precisar voltar muitas outras vezes.</p><p></p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandafigueiredo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Caminhos &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. 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Mas foi uma vontade que foi tomando conta de mim, naturalmente. Ali&#225;s, tenho ficado boa em prestar aten&#231;&#227;o no que meu corpo/mente/esp&#237;rito pede e, ent&#227;o, obedecer.</p><p>N&#227;o li muitos livros no ano passado. Conscientemente. Sentia que estava t&#227;o absorvida em algumas coisas acontecendo fora e dentro de mim, que n&#227;o tinha mais espa&#231;o. N&#227;o queria. Acho que foi um ano de desfazer. Um ano de limpeza, inclusive de informa&#231;&#245;es. E tamb&#233;m de integra&#231;&#227;o. Muita digest&#227;o. Eu amo estudar e estou sempre com algo novo em mente &#8212; mas foi tempo de selecionar melhor a que me exponho.</p><p>Agora, tenho entrado num ritmo gostoso de leitura&#8230; queria compartilhar o que li at&#233; aqui, <strong>17 de fevereiro de 2026</strong>, e para onde tenho ido. Tamb&#233;m para me organizar. E n&#227;o esquecer.</p><p>N&#227;o gosto de recomendar livro ou filme por recomendar, acho isso t&#227;o pessoal. E tamb&#233;m acredito que a leitura influencia muito no nosso emocional, e nem sempre &#233; o momento para aquele conte&#250;do, por mais incr&#237;vel que ele possa ser.</p><p>Li esses dias, em algum lugar, que &#233; &#8220;o livro que nos l&#234;&#8221;. E fez muito sentido. Dessa perspectiva, quero contar o que cada um desses tirou de mim.</p><div><hr></div><h3><strong>Letting Go &#8212; David R. Hawkins</strong></h3><p>Esse foi um livro que marquei muito. Sinto que conversamos, mesmo. Me senti bem acompanhada. Terminei o ano passado lendo ele e comecei o ano lendo ele&#8230; uma leitura que estava alinhada com o meu tempo.</p><p>Virou v&#237;deo no Instagram,<br></p><div class="instagram-embed-wrap" data-attrs="{&quot;instagram_id&quot;:&quot;DSR2DJCkmyM&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Fernanda Figueiredo | nesse ano, marcado pelo contato com as em&#8230;&quot;,&quot;author_name&quot;:&quot;@fernandapfigueiredo&quot;,&quot;thumbnail_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/__ss-rehost__IG-meta-DSR2DJCkmyM.jpg&quot;,&quot;like_count&quot;:null,&quot;comment_count&quot;:null,&quot;profile_pic_url&quot;:null,&quot;follower_count&quot;:null,&quot;timestamp&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true}" data-component-name="InstagramToDOM"></div><p><br>conversas, insights, aulas. Foi uma &#226;ncora num momento de sensibilidade. Me trouxe seguran&#231;a e vocabul&#225;rio. S&#243; que, quando acabei, senti que estava cansada de livro espiritual&#8230; antes dele, estava imersa nisso. Estava muito dentro de mim. E precisava de uma outra coisa. <br><br>Foi quando resolvi seguir a recomenda&#231;&#227;o de um amigo e procurar por Socorro Acioli. N&#227;o comecei pelo mais famoso, e foi uma &#243;tima escolha.</p><div><hr></div><h3><strong>A cabe&#231;a do santo &#8212; Socorro Acioli</strong></h3><p>A hist&#243;ria acontece no sert&#227;o, e alguma coisa em mim j&#225; se familiarizou com aquela linguagem e paisagens. O jeito po&#233;tico de escrever. As figuras grandes que ocuparam espa&#231;o na minha cabe&#231;a: e a cabe&#231;a do santo.</p><p>Um livro que me fez pensar sobre o que nos leva&#8230; o que nos faz ir, andar, caminhar, procurar. E tamb&#233;m o que nos prende. O que nos faz ficar.</p><p>E tudo isso entrela&#231;ado pelo motivo dos outros, que toca os nossos.</p><p>A magia do sert&#227;o e estar perto do que n&#227;o se explica &#8212; eu sei o que isso significa. Eu estava caminhando para um lugar te&#243;rico demais&#8230; e Acioli me amoleceu, mesmo que de um jeito n&#227;o muito mole. Ainda que triste: me fez acreditar na magia dos destinos de novo.</p><div><hr></div><p>E ent&#227;o eu quis seguir mais do <em>mainstream</em>.</p><div><hr></div><h3><strong>Uma delicada cole&#231;&#227;o de aus&#234;ncias &#8212; Aline Bei</strong></h3><p>Ao contr&#225;rio d&#8217;<em>A cabe&#231;a do santo</em>, que invocou imagens quase folcl&#243;ricas na minha cabe&#231;a, a forma da escrita po&#233;tica de Aline n&#227;o me deixou muita imagina&#231;&#227;o, mas me fez sentir demais.</p><p>Me conectei com minhas pr&#243;prias dores, a solid&#227;o feminina t&#227;o particular para cada uma, e tamb&#233;m t&#227;o universal para todas n&#243;s. Perder coisas e pessoas &#233; algo que nos acompanha a vida toda, mas ter uma hist&#243;ria definida por isso &#233; muito do&#237;do.</p><p>Da forma que o texto &#233; estruturado, tamb&#233;m h&#225; o n&#227;o-dito. O sil&#234;ncio. Os pulos dos anos. Uma vida melanc&#243;lica. Pensei sobre ser m&#227;e, sobre n&#227;o ser&#8230; naveguei em dores que j&#225; conhecia, outras que suponho. Senti.</p><div><hr></div><h3><strong>Ora&#231;&#227;o para desaparecer &#8212; Socorro Acioli</strong></h3><p>Esse chegou juntando as pontas. Imagens e poesia. Contei a hist&#243;ria todinha pro meu namorado enquanto eu ia lendo, e gostei que ele gostou tanto quanto eu. Fic&#225;vamos imaginando o que ia acontecer. Fui &#8212; e fomos &#8212; realmente envolvidos.</p><p>E os personagens s&#227;o pessoas super interessantes, gente que eu gostaria de conhecer ou de ter por perto. Portugal, Brasil, sert&#227;o. Acho que eu, especialmente, estava sentindo falta desse cen&#225;rio t&#227;o familiar, t&#227;o rico e t&#227;o complexo. Uma mistura de mundos, portugueses, tempos. Um jogo com as palavras. Um convite ao mist&#233;rio. O fogo como guia. A li&#231;&#227;o: <strong>&#8220;Amar com coragem &#233; dizer sim &#224; vida.&#8221; </strong>Quero aprender a viver em estado de sim.</p><div><hr></div><h3><strong>A voz do sil&#234;ncio &#8212; Helena Blavatsky</strong></h3><p>Ent&#227;o precisei de algo para aquietar o rebuli&#231;o&#8230; e estava com saudade j&#225; dos meus livros espirituais.</p><p>Retomar com Helena Blavatsky foi bom, apesar de ser dif&#237;cil se aprofundar nele sem uma orienta&#231;&#227;o &#8212; mesmo tendo uma base, senti falta das aulas de filosofia que fiz na Nova Acr&#243;pole e acho que deixei passar muita coisa.</p><p>&#201; curto e direto ao ponto. Os imperativos me incomodaram um pouco, depois da poesia dos &#250;ltimos livros. Mas foi bom pra me acalmar e centrar.</p><div><hr></div><h3><strong>Para n&#227;o acabar t&#227;o cedo &#8212; Clarice Freire</strong></h3><p>Um pouco clich&#234; &#8212; pois &#233; um livro narrado pelo tempo &#8212; ent&#227;o, n&#227;o sei como n&#227;o poderia n&#227;o ser. Mas me emocionei ao ver o Tempo como c&#250;mplice, me relacionei com ele de outro lugar tamb&#233;m&#8230; Tenho estado num momento em que a percep&#231;&#227;o da vida se modificou drasticamente e ando me assustando como tudo tem passado t&#227;o r&#225;pido. As escolhas j&#225; tem outro peso. </p><p>Tenho me dado conta que a vida voa, mesmo. Que o tempo &#233; precioso. E pensei nisso enquanto lia. De fundo, aquela hist&#243;ria das irm&#227;s foi dando contorno ao meu contato. Mas n&#227;o me provocou muito. Achei clich&#234;, mesmo.</p><div><hr></div><h2><strong>Lendo:</strong></h2><h3><strong>O avesso da pele &#8212; Jeferson Ten&#243;rio</strong></h3><p>Ultimamente, tenho tido muitas discuss&#245;es sobre racismo e feminismo com os pr&#243;ximos. Esse livro tem desenhado diversos pontos de vista e, apesar de desconfort&#225;vel, acho que tem me aproximado da vis&#227;o de que&#8230; realmente, &#233; tudo um ponto de vista.</p><p>Sim, &#224;s vezes um ponto de vista racista, &#224;s vezes ignorante, &#224;s vezes acad&#234;mico, &#224;s vezes pessoal, &#224;s vezes estrutural. Mas pontos de vista. Tem revelado um desconforto meu: &#233; dif&#237;cil, hoje em dia, discutir com quem se acha superior porque sabe falar melhor que o outro. Estudou demais, sabe citar autores e guerras na ponta da l&#237;ngua, desqualificando outras experi&#234;ncias.</p><p>Complexo. T&#244; no meio &#8212; do livro e das discuss&#245;es.</p><div><hr></div><h3><strong>Hospicing Modernity &#8212; Vanessa Machado de Oliveira (Vanessa Andreotti)</strong></h3><p>Tenho pensado e lido muito (n&#227;o livros, mas artigos e newsletters) sobre o fim do mundo. Conheci a autora, Vanessa Andreotti, por essa entrevista no YouTube:<br></p><div id="youtube2-h5kQ7_IZ8YI" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;h5kQ7_IZ8YI&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/h5kQ7_IZ8YI?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><p>Esse tem me trazido uma perspectiva t&#227;o maravilhosa, atrav&#233;s de intelig&#234;ncia ancestral e mitol&#243;gica, que estou apaixonada por esse assunto.</p><p>A escritora &#233; brasileira e canadense, com uma hist&#243;ria muito rica entre diferentes culturas. Ela abra&#231;a a complexidade com que penso e enxergo o mundo. Ela me movimenta. E me d&#225; vontade de agir no mundo!</p><p>T&#244; no come&#231;o, mas j&#225; n&#227;o quero acabar.</p><div><hr></div><h3><strong>Sapiens &#8212; Yuval Noah Harari</strong></h3><p>J&#225; comecei v&#225;rias vezes, mas nunca parece que t&#244; no momento. &#201; um livro que precisa de uma mente mais concentrada e, como estou engajada em outros estudos (Vedanta, yoga e marketing), t&#244; com uma certa pregui&#231;a dele.</p><p>N&#227;o sei se vou continuar, por agora.</p><div><hr></div><h2><strong>Ansiosa para:</strong></h2><p>Conversando com uma colega de trabalho, ela me indicou um livro de fantasia. Diz ela que era a melhor fuga da realidade. Fiquei bem receosa, porque eu n&#227;o gosto disso de nada que n&#227;o se parece com a vida que conhe&#231;o. No m&#225;ximo, uma fic&#231;&#227;o cient&#237;fica.</p><p>Ela insistiu, falou que eu deveria tentar. </p><p><strong>&#8220;A Court of Thorns and Roses&#8221;, de Sarah J. Maas</strong></p><p>E da&#237;, eu vi na newsletter <em>Queria ser grande, mas desisti</em></p><div class="embedded-post-wrap" data-attrs="{&quot;id&quot;:181931150,&quot;url&quot;:&quot;https://queriasergrande.substack.com/p/287-queria-ser-grande-mas-desisti&quot;,&quot;publication_id&quot;:257016,&quot;embedding_publication_id&quot;:null,&quot;publication_name&quot;:&quot;Queria ser grande, mas desisti&quot;,&quot;publication_logo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!TZIo!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F12ceb078-cb78-431d-89ea-5f3ac815f465_256x256.png&quot;,&quot;title&quot;:&quot;#287 Queria ser grande, mas desisti&quot;,&quot;truncated_body_text&quot;:&quot;E 2025, hein, amigos? Sentei para escrever o resumo do que foi este ano e a primeira imagem que me veio &#224; cabe&#231;a foi a de um rolo compressor. Fui esmagada tantas e tantas vezes por ele. 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Sentei para escrever o resumo do que foi este ano e a primeira imagem que me veio &#224; cabe&#231;a foi a de um rolo compressor. Fui esmagada tantas e tantas vezes por ele. Uma por&#231;&#227;o de culpa &#233; do mestrado. Passei os primeiros meses terminando de escrever e de editar a disserta&#231;&#227;o, e depois me preparei para&#8230;</div><div class="embedded-post-cta-wrapper"><span class="embedded-post-cta">Read more</span></div><div class="embedded-post-meta">8 months ago &#183; 174 likes &#183; 5 comments &#183; B&#225;rbara Bom Angelo</div></a></div><p>e tamb&#233;m vi na de Pati Putz</p><div class="embedded-post-wrap" data-attrs="{&quot;id&quot;:186748499,&quot;url&quot;:&quot;https://patiputz.substack.com/p/a-escrita-de-ficcao-como-forma-de&quot;,&quot;publication_id&quot;:4032706,&quot;embedding_publication_id&quot;:null,&quot;publication_name&quot;:&quot;The Magic Letter&quot;,&quot;publication_logo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!aXCk!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9bcca591-841d-4f4b-a1ef-0d00fb039ea4_1080x1080.png&quot;,&quot;title&quot;:&quot;A escrita de fic&#231;&#227;o como forma de materializa&#231;&#227;o&quot;,&quot;truncated_body_text&quot;:&quot;Uma coisa essencial para materializarmos &#233; criarmos. 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Inspira&#231;&#245;es:\na curadoria dos favoritos da sua bruxa-amiga, Pati Putz &#129497;&#127996;&#8205;&#9792;&#65039;&quot;,&quot;logo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9bcca591-841d-4f4b-a1ef-0d00fb039ea4_1080x1080.png&quot;,&quot;author_id&quot;:107404541,&quot;primary_user_id&quot;:107404541,&quot;theme_var_background_pop&quot;:&quot;#FF6719&quot;,&quot;created_at&quot;:&quot;2025-02-05T20:12:39.931Z&quot;,&quot;email_from_name&quot;:null,&quot;copyright&quot;:&quot;Patricia Putz&quot;,&quot;founding_plan_name&quot;:&quot;Membro Fundador&quot;,&quot;community_enabled&quot;:true,&quot;invite_only&quot;:false,&quot;payments_state&quot;:&quot;enabled&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;,&quot;explicit&quot;:false,&quot;homepage_type&quot;:&quot;magaziney&quot;,&quot;is_personal_mode&quot;:false}},{&quot;id&quot;:4520620,&quot;user_id&quot;:107404541,&quot;publication_id&quot;:4431409,&quot;role&quot;:&quot;admin&quot;,&quot;public&quot;:true,&quot;is_primary&quot;:false,&quot;publication&quot;:{&quot;id&quot;:4431409,&quot;name&quot;:&quot;Candlemaker's Daughter &#9676; por Patricia Putz&quot;,&quot;subdomain&quot;:&quot;patriciaputz&quot;,&quot;custom_domain&quot;:null,&quot;custom_domain_optional&quot;:false,&quot;hero_text&quot;:&quot;Meu grim&#243;rio-aberto, onde escrevo as nuances de ser uma bruxa-humana nos tempos de hoje.&quot;,&quot;logo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/413f304d-a1bc-4f33-8805-d348544b181f_1280x1280.png&quot;,&quot;author_id&quot;:107404541,&quot;primary_user_id&quot;:null,&quot;theme_var_background_pop&quot;:&quot;#FF6719&quot;,&quot;created_at&quot;:&quot;2025-03-19T20:09:44.677Z&quot;,&quot;email_from_name&quot;:&quot;Candlemaker's Daughter &#9676; por Patricia Putz&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;Patricia Putz&quot;,&quot;founding_plan_name&quot;:null,&quot;community_enabled&quot;:true,&quot;invite_only&quot;:false,&quot;payments_state&quot;:&quot;disabled&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;,&quot;explicit&quot;:false,&quot;homepage_type&quot;:&quot;magaziney&quot;,&quot;is_personal_mode&quot;:false}}],&quot;is_guest&quot;:false,&quot;bestseller_tier&quot;:null,&quot;status&quot;:{&quot;bestsellerTier&quot;:null,&quot;subscriberTier&quot;:null,&quot;leaderboard&quot;:null,&quot;vip&quot;:false,&quot;badge&quot;:null,&quot;paidPublicationIds&quot;:[],&quot;subscriber&quot;:null}}],&quot;utm_campaign&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;type&quot;:&quot;newsletter&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;,&quot;source&quot;:null}" data-component-name="EmbeddedPostToDOM"><a class="embedded-post" native="true" href="/__u/patiputz.substack.com/p/a-escrita-de-ficcao-como-forma-de?utm_source=substack&amp;utm_campaign=post_embed&amp;utm_medium=web"><div class="embedded-post-header"><img class="embedded-post-publication-logo" src="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!aXCk!,w_56,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9bcca591-841d-4f4b-a1ef-0d00fb039ea4_1080x1080.png" loading="lazy"><span class="embedded-post-publication-name">The Magic Letter</span></div><div class="embedded-post-title-wrapper"><div class="embedded-post-title">A escrita de fic&#231;&#227;o como forma de materializa&#231;&#227;o</div></div><div class="embedded-post-body">Uma coisa essencial para materializarmos &#233; criarmos. Criarmos antes. Na nossa mente, no papel, em energia&#8230;</div><div class="embedded-post-cta-wrapper"><span class="embedded-post-cta">Read more</span></div><div class="embedded-post-meta">7 months ago &#183; 13 likes &#183; 3 comments &#183; Patricia Putz</div></a></div><p>ent&#227;o resolvi dar essa chance.</p><p>Agora estou empolgada para algo novo, na minha pequena experi&#234;ncia de leitora! Na vida, estou com trabalho novo, avan&#231;ando com novas posturas na minha pr&#225;tica de yoga&#8230; parece ser um momento de expans&#227;o depois de uma longa fase de mais do mesmo.</p><p>Veremos como ele vai ser nesse momento.</p><div><hr></div><p>J&#225; que falei tanto do que li, tamb&#233;m quero compartilhar sobre o meu <strong>escrever</strong>!</p><p>Estou tendo muita dificuldade de fazer essa newsletter. N&#227;o porque n&#227;o goste de escrever ou n&#227;o tenha o que dizer. Mas porque acho que ainda n&#227;o encontrei meu tom aqui&#8230;</p><p>&#192;s vezes quero ser mais profunda, outras vezes mais impessoal. N&#227;o sei se escrevo como se estivesse falando com minha melhor amiga, comigo mesma, ou com uma pessoa que n&#227;o entende nada do assunto. Sempre escrevemos para algu&#233;m, n&#233;?</p><p>Acho que tenho um eu l&#237;rico mais sertanejo, outro mais jornalista, um mais profundo e rom&#226;ntico. Vontade de nomear todos a la Fernando Pessoa. Tamb&#233;m estou vendo como me organizar melhor para escrever. Pensei em fazer por sess&#245;es/temas. Ou n&#227;o sei se paro e penso o que tem me atravessado nos &#250;ltimos 15 dias.</p><p>Enquanto isso, vou escrevendo, vivendo, aprendendo e compartilhando um pouco do que me atravessa&#8230; sempre foi a proposta. Viver &#233; no ger&#250;ndio. No caminho, eu aprendo.</p><p><strong>Beijos, at&#233; a pr&#243;xima!</strong></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Por que eu não recomendo morar fora]]></title><description><![CDATA[ou sobre a ilus&#227;o de fugir da pr&#243;pria vida]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com/p/por-que-eu-nao-recomendo-morar-fora</link><guid isPermaLink="false">https://fernandafigueiredo.substack.com/p/por-que-eu-nao-recomendo-morar-fora</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Sun, 01 Feb 2026 09:02:49 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!-Pp5!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F84edf9ec-7596-4ecc-bcb2-481052b29d9e_6240x4160.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Moro na Austr&#225;lia h&#225; mais de 6 anos. At&#233; eu me assusto quando falo esse n&#250;mero em voz alta. N&#227;o planejei isso. Ou melhor: planejei uns dois anos, para n&#227;o dizer que foi tudo completamente aleat&#243;rio. Vim com a vontade de melhorar o ingl&#234;s, estudar yoga e viver novas experi&#234;ncias profissionais &#8212; camuflando uma dor muito grande que eu n&#227;o tinha coragem de olhar. </p><p>A pandemia aconteceu. O amor apareceu. As amizades se fortaleceram. O tempo foi passando e os planos sendo reajustados a medida que a dor da qual eu fugi se revelava, pouco a pouco, nas minhas escolhas e no meu estilo de vida, aos poucos. A nova vida veio com um pacote subjetivo que n&#227;o dava para prever. Fui longe demais para n&#227;o olhar. Para n&#227;o sentir. Me desconectei de mim. </p><p>Esse &#233;, para mim, o maior risco de ir: se perder. Ao ficar longe demais das suas refer&#234;ncias; dos olhos amorosos que te guiam, protegem e cuidam; dos h&#225;bitos que te constru&#237;ram; de quem sabe de onde voc&#234; veio&#8230; o resultado tende a ser um de dois caminhos: ou voc&#234; se torna ainda mais voc&#234;, ou se torna desconhecido at&#233; para si.<br></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!-Pp5!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F84edf9ec-7596-4ecc-bcb2-481052b29d9e_6240x4160.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!-Pp5!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, 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O modo sobreviv&#234;ncia foi o meu principal aliado por uns bons anos. Ainda assim, n&#227;o posso negar: fiz o que quis. E fiz o que precisava ser feito. N&#227;o adiantaria se algu&#233;m me tivesse pedido para n&#227;o ir: uma for&#231;a muito grande em mim me trouxe at&#233; aqui. </p><p>Nelson Rodrigues disse <em>&#8220;Ou o sujeito se angustia, ou apodrece&#8221;</em>. Por muito tempo, escolhi a segunda op&#231;&#227;o sem perceber. S&#243; recentemente a maturidade come&#231;ou a ceder espa&#231;o para a primeira. Hoje, j&#225; consigo me orientar por outros termos. Ainda assim, n&#227;o recomendo. Aprendi li&#231;&#245;es duras porque a &#225;gua bateu na minha bunda muitas vezes e acho violento recomendar isso para quem est&#225; s&#243; com a ponta dos p&#233;s na &#225;gua. </p><p>Agora, sinto essas li&#231;&#245;es se acomodando no meu corpo, enquanto meu mapa de vida est&#225; sendo reestruturado. N&#227;o quero mais me guiar pela fuga, mas por decis&#245;es conscientes de constru&#231;&#227;o. Honrar meus dons. Honrar minha hist&#243;ria. </p><p>Morar fora te convida a rever tudo que voc&#234; acreditava ser verdade. E isso pode ser extremamente dif&#237;cil, doloroso, desorientador. N&#227;o &#233; algo pelo qual algu&#233;m precise se obrigar a passar. Pode ensinar muito, sim. Desde que n&#227;o fiquemos presos na pr&#243;pria dor. Caso contr&#225;rio, sem necessidades atendidas e nunca analisadas, ca&#237;mos em formas silenciosas de viol&#234;ncia contra n&#243;s mesmos: compensa&#231;&#245;es, v&#237;cios, autoabandono, baixa autoestima, dificuldade de se expressar e de se sustentar.</p><p>As minhas ferramentas para atravessar esse per&#237;odo foram ancoradas em leitura pol&#237;tica, revis&#227;o da minha biografia, coragem, for&#231;a para deixar ir, amizades e yoga. E, como h&#225; ouro no deserto, encontrei o meu. As coisas s&#243; come&#231;aram a se estabilizar quando olhei profunda e honestamente para a minha dor. Tem pouco tempo que aprendi, pois at&#233; as minhas pr&#243;prias ferramentas tamb&#233;m eram usadas como busca por um prazer que camuflava minhas feridas. A mente &#233; habilidosa em justificar escolhas, mesmo quando elas n&#227;o s&#227;o as melhores.<br><br>Precisei sentar com o desconforto e nome&#225;-lo. Reconhecer que ele entrou como intruso na minha mala e parecia decidido a ficar. <em>&#8220;Aceite sua dor. Permane&#231;a vulner&#225;vel. Por mais desesperado que pare&#231;a&#8230; fique com o que est&#225; presente.&#8221;</em>, disse O Livro Tibetano do Viver e do Morrer. A vida fez quest&#227;o de esfregar isso na minha cara. Esse trecho de Sandra Oh expressa bem:</p><div class="instagram-embed-wrap" data-attrs="{&quot;instagram_id&quot;:&quot;DUHLZu5DZdo&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Moving Girls on Instagram: \&quot;Isso tem TUDO a ver com o que falam&#8230;&quot;,&quot;author_name&quot;:&quot;@movinggirls&quot;,&quot;thumbnail_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/__ss-rehost__IG-meta-DUHLZu5DZdo.jpg&quot;,&quot;like_count&quot;:null,&quot;comment_count&quot;:null,&quot;profile_pic_url&quot;:null,&quot;follower_count&quot;:null,&quot;timestamp&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true}" data-component-name="InstagramToDOM"></div><p><br>Hoje, uso o que me aconteceu para expandir nossa capacidade coletiva de acomodar o dif&#237;cil e o doloroso, porque precisaremos dessas habilidades para o futuro que j&#225; chega, mesmo que n&#227;o nos mudemos de pa&#237;s.<br><br>Desejo que aprendamos a nos sentir mais confort&#225;veis com o desconforto. Com a inten&#231;&#227;o de acolher nossas rea&#231;&#245;es a partir de um espa&#231;o mental e emocional mais resiliente e est&#225;vel, convido voc&#234; para encontros semanais de medita&#231;&#227;o e pranayama ao longo do m&#234;s de fevereiro.</p><p>Sei que n&#227;o foi &#224; toa o que vivi. Assim como n&#227;o &#233; &#224; toa o que voc&#234; vive. Mas precisamos sentar e permitir que isso nos atravesse.</p><p>Se esse lugar de sil&#234;ncio, escuta e respira&#231;&#227;o te chama, preencha este formul&#225;rio para que eu possa entender melhor a demanda. Em breve, entro em contato.</p><p>&#128073; <a href="https://docs.google.com/forms/d/1hyGOK9DVe8m6tQaJD8TVeObMCxKodCBBSDXDwG-ETGU/edit">https://docs.google.com/forms/d/1hyGOK9DVe8m6tQaJD8TVeObMCxKodCBBSDXDwG-ETGU/</a></p><p>Um beijo,<br><strong>Fernanda</strong><br><br></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Palavras são conchas]]></title><description><![CDATA[conchas carregam um eco, um vest&#237;gio, uma lembran&#231;a; n&#227;o a experi&#234;ncia viva.]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com/p/palavras-sao-conchas</link><guid isPermaLink="false">https://fernandafigueiredo.substack.com/p/palavras-sao-conchas</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Sun, 18 Jan 2026 19:52:25 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!rEOZ!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F59873104-687c-4ed3-9c95-1199b7fce560_3435x5152.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Eu cuidei de uma idosa com Alzheimer por mais de um ano. Durante nossos encontros, em picos de estresse, era comum ela falar ou gritar em minha dire&#231;&#227;o: &#8220;odeio voc&#234;&#8221;, &#8220;vai embora&#8221;, &#8220;n&#227;o gosto de voc&#234; aqui&#8221;. Em outros momentos, ela tamb&#233;m dizia: &#8220;amo voc&#234;&#8221;, &#8220;obrigada&#8221;, &#8220;vem comigo&#8221;. Varia&#231;&#245;es comuns de quem convive com quem tem esse tipo de doen&#231;a. </p><p>Ora palavras duras, ora palavras doces: todas com pouca conex&#227;o com a realidade &#8212; com aquilo que estava acontecendo no presente momento. Para n&#227;o adoecer, eu me treinei a n&#227;o levar a s&#233;rio o que ela dizia. Talvez esse treino tenha sido intensificado, na verdade, com o que j&#225; vinha habituada a fazer desde a inf&#226;ncia: ouvir o que n&#227;o queria escutar. </p><p>N&#227;o sei se foi isso, a intelig&#234;ncia artificial, os textos te&#243;ricos, eu j&#225; sabendo o que havia de contradit&#243;rio por tr&#225;s de text&#245;es bonitos no Instagram, a falta de poesia, ningu&#233;m mais se comprometendo com o que diz&#8230; sei que passei por um longo per&#237;odo descrente. Bem mais silenciosa. Como se falar n&#227;o fizesse muito sentido. Logo eu, que amo escrever e sempre me apoiei nas palavras para me guiar, me afirmar, me reconhecer. </p><p>Depois de um tempo afastada, voltei para a an&#225;lise. E come&#231;o a dar nome de novo. Explicar diferente. Me posicionar. E, ao ser escutada, tamb&#233;m aprender a ouvir. Ser melhor aluna, parceira, filha, irm&#227;. Porque sei ver. Estou aprendendo a escutar. </p><p>Conviver t&#227;o pr&#243;xima de um m&#250;sico tamb&#233;m me ajuda a desenvolver esse sentido que andava t&#227;o menosprezado. Vou adicionando camadas e conseguindo destrinchar a m&#250;sica: o viol&#227;o, o baixo, a voz, a bateria, essa cama sutil por tr&#225;s que sustenta tudo na can&#231;&#227;o. E como a arte imita a vida, n&#227;o preciso dizer que a analogia serve para outros aspectos.</p><p>N&#227;o &#233; negando o que ou&#231;o que as coisas v&#227;o melhorar. &#201; preciso coragem para ouvir. Para ler. E para dizer. Em tempos que o nosso valor n&#227;o est&#225; mais atrelado ao  conhecimento, algo t&#227;o acess&#237;vel a todos, a gente se encontra na verdade. Nos sentidos. </p><p>Pego a concha e coloco no ouvido: n&#227;o me engano com o mar, mas o consigo sentir. Palavra. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!rEOZ!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F59873104-687c-4ed3-9c95-1199b7fce560_3435x5152.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!rEOZ!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F59873104-687c-4ed3-9c95-1199b7fce560_3435x5152.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!rEOZ!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_848, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, 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A que eu mais falo. O que eu estou sempre vivendo. No come&#231;o, me irritei profundamente com isso. N&#227;o gostaria de ser vista como algu&#233;m fugidia, distante, excessivamente centrada em mim mesma (assim que, muitas vezes, enxergo quem est&#225; em constante processo). Senti vontade de me justificar, como quando escutamos aquelas verdades que nos exp&#245;em e n&#227;o queremos admitir. Mas depois percebi que&#8230; eles tinham raz&#227;o. </p><p>O bom &#233; que sendo, ao menos em boa parte da vida, A Senhora Processo, acho que tenho algumas coisas que posso dizer sobre isso. H&#225; quem diga que n&#227;o &#233; necess&#225;rio ter um processo para passar por algumas situa&#231;&#245;es. Que tudo &#233; uma quest&#227;o de decis&#227;o. Praticidade. Eu desconfio desse m&#233;todo. Preciso de tempo. E acho que muitas coisas e animais tamb&#233;m. Assim como uma lagarta precisa passar por um processo para se tornar borboleta: n&#227;o &#233; s&#243; decidir. Podemos saber que vai acontecer. Querer que aconte&#231;a. N&#227;o nos demorar mais do que o necess&#225;rio. Mas n&#227;o podemos pular algumas fases.</p><p>Nada na natureza acontece de uma hora para outra, apesar da lua cheia ser cheia um dia, e parecer que foi de uma hora pra outra, ela passa aproximadamente 26 dias em transi&#231;&#227;o. Em um dia; ou melhor, em alguns minutos; ela se torna completamente cheia. Dentro do mesmo processo, por um instante, ela tamb&#233;m &#233; nova. A lua, inclusive, &#233; cheia e nova ao mesmo tempo: cheia de um &#226;ngulo, nova de outro. Assim como a gente, que vive dezenas de fases sobrepostas que ningu&#233;m de fora v&#234;.</p><p>Estamos sempre em processo, e isso n&#227;o &#233; uma frase hippie. A ideia (que ainda est&#225; em ajuste para se materializar no meu  corpo) &#233; n&#227;o nos demorararmos mais do que devemos. Mas tamb&#233;m entendermos e respeitarmos a natureza do nosso ser. N&#227;o d&#225; para comparar o processo de atravessar de um ponto ao outro de uma tartaruga com o de um p&#225;ssaro, por exemplo. N&#227;o faria sentido exigir da tartaruga o voo, nem exigir do p&#225;ssaro a lentid&#227;o. Cada um sabe o que &#233; ser quem se &#233;.</p><p>Se temos passo e natureza de tartaruga, talvez s&#243; caiba perguntar: estou andando consciente e consistentemente? E &#233; em dire&#231;&#227;o a onde desejo? Como mulher (e de lua), estou respeitando minha fase? Reconhe&#231;o quando avan&#231;ar, sustentar ou recolher? Desacelerar &#233; o que, muitas vezes, permite que o movimento continue. E movimento &#233; vida &#8212; algo que trabalho a favor. </p><p>Na repeti&#231;&#227;o dos meus exerc&#237;cios de yoga, vou notando que h&#225; tamb&#233;m um tempo de ajuste no pr&#243;prio corpo. Repetimos at&#233; que o corpo aprenda. N&#227;o &#233; uma memoriza&#231;&#227;o intelectual, como lembrar de um poema decorado. &#201; uma memoriza&#231;&#227;o entranhada, muscular, celular. Repetir at&#233; que o corpo fa&#231;a sem pensar. N&#227;o &#233; decorar a sequ&#234;ncia, &#233; habitar a postura e permitir que ela tamb&#233;m me habite.</p><p>E, assim, vamos insistindo no querer, at&#233; um momento em que corpo, mente, e a&#231;&#227;o se encontram. O que era estranho, passa a ser familiar. O que nos fazia tremer, &#233; firme. S&#243; conseguimos integrar, de fato, quando passamos pelo famoso processo. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!uae9!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdc8190e1-68b7-45fa-ad58-67cdfb0b270c_5184x3888.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!uae9!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdc8190e1-68b7-45fa-ad58-67cdfb0b270c_5184x3888.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!uae9!, 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E, para isso, aprendemos a deixar ir. Deixar ir n&#227;o &#233; ignorar. N&#227;o &#233; esquecer. N&#227;o &#233; fugir. De acordo com <strong>David Hawkins</strong>, deixar ir envolve estar consciente de um sentimento, permitir que ele venha &#224; tona, permanecer com ele e deix&#225;-lo seguir seu curso natural, sem tentar mud&#225;-lo ou fazer algo a respeito. </p><p>Na pr&#225;tica, por exemplo: imagine que temos medo de falar em p&#250;blico. Podemos olhar para esse medo, reconhec&#234;-lo, nome&#225;-lo e &#8220;ir com medo mesmo&#8221;. N&#227;o de forma impositiva, nem positiva demais. Apenas validando o sentimento e abrindo espa&#231;o para que ele exista, sem julgamento: medo de que exatamente? De falar uma besteira? Pede desculpas. De ser chato? E se for, o que que tem? Poucas pessoas v&#227;o lembrar depois. </p><p>Talvez a lagarta tenha medo da escurid&#227;o, do desconhecido, do corpo deformado; antes de se tornar borboleta. Mas passar pelo processo, sem fugir e sem se estender, &#233; o que nos permite atingir n&#237;veis de consci&#234;ncia mais coerentes com a realidade. Ter paci&#234;ncia com a gente e com o nosso pr&#243;prio tempo, nos torna mais humanos. E, por consequ&#234;ncia, mais compassivos e compreensivos com os outros. </p><p>Depois de atravessar os medos (ou qualquer outro sentimento desafiador), o que sobra &#233; a vida. O palco. O falar. E isso &#233; coragem. &#201; isso que eu desejo para este ano que se inicia: que a gente tenha espa&#231;o para acolher o que vier.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Antes do novo]]></title><description><![CDATA[o espa&#231;o da aus&#234;ncia]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com/p/antes-do-novo</link><guid isPermaLink="false">https://fernandafigueiredo.substack.com/p/antes-do-novo</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Sat, 20 Dec 2025 09:37:06 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9TZ5!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7cd90a54-7653-4878-8cac-291b01e6ae34_5568x3712.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Tenho me desfeito de muitas coisas este ano. Deixei trabalhos, ideias, proje&#231;&#245;es, ilus&#245;es (saudades! rs), roupas. S&#243; n&#227;o me desfiz de muitas rela&#231;&#245;es porque esse &#233; um trabalho que fa&#231;o h&#225; muito tempo e de forma constante: manter apenas quem realmente faz sentido.</p><p>Sabe quando voc&#234; olha ao redor, enquanto est&#225; arrumando a casa ou mudando de casa, e ainda n&#227;o tem muitos m&#243;veis, e sente aquela aus&#234;ncia? Ent&#227;o. Meu guarda-roupa est&#225; metade preenchido, depois de uma reorganizada. Minha conta banc&#225;ria n&#227;o anda muito abundante tamb&#233;m. Nossos vizinhos sa&#237;ram do apartamento ao lado. Um dos meus mestres faleceu.</p><p>E ainda tem aquilo em que voc&#234; acreditava muito que seria de um jeito&#8230; e n&#227;o foi. Tchau para as coisas que voc&#234; criou na cabe&#231;a, tamb&#233;m.</p><p>Antes do novo, tenho deixado a falta faltar.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!9TZ5!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7cd90a54-7653-4878-8cac-291b01e6ae34_5568x3712.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!9TZ5!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7cd90a54-7653-4878-8cac-291b01e6ae34_5568x3712.jpeg 424w, 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Comecei a me concentrar ao v&#234;-la pousar sutilmente num pequeno galhinho, um pouco mais grosso que seu pr&#243;prio corpo e quase do mesmo comprimento. Entretida com aquela imagem t&#227;o bonita, banhada de sol e verde, senti o conforto de encontrar um lugar que te caiba. Que te suporte. Nem que seja por alguns minutos. Um lugar para pousar.</p><p>Sem pedir licen&#231;a, a lib&#233;lula voou. E eu, testemunha daqueles pequenos minutos de beleza, me senti estranhamente vazia por um momento. Como quando voc&#234; segura um beb&#234; no colo, o coloca no ber&#231;o quando ele dorme, e j&#225; n&#227;o sente mais aquele peso e calor.</p><p>Enquanto diminuo o tempo de tela &#8212; ou de coisas que n&#227;o v&#227;o me deixar mais bonita, mais rica ou mais inteligente (vi algu&#233;m falando isso num stories e peguei como mantra!) &#8212; meu corpo vai me indicando o caminho que naturalmente se alegra.</p><p>Sinto que est&#225; chegando o momento de preencher, mais uma vez. J&#225; come&#231;o a abrir os olhos e me empolgar com o que vejo, antes de tocar. O bom &#233; que n&#227;o precisamos pegar em nada para nos preencher da presen&#231;a dos outros. Mas &#233; preciso <strong>ver.</strong></p><p>&#8220;Olha com carinho&#8221;, foi o que Gus, meu namorado, me disse quando est&#225;vamos num brech&#243; e eu n&#227;o encontrava nada que quisesse para mim. Pode come&#231;ar do lado de dentro. Pois nada est&#225; pronto. &#201; preciso querer ver com curiosidade e abertura.</p><p>Quem sabe uma lib&#233;lula n&#227;o descanse ao seu alcance?<br>Ou quem sabe voc&#234; seja a lib&#233;lula de algu&#233;m. </p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandafigueiredo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Caminhos &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. 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O cansa&#231;o acumulado, somado &#224;s demandas de fechamentos e expectativas para o pr&#243;ximo ano, intensifica as emo&#245;es. N&#227;o sei se medito, se fa&#231;o sexo, se trabalho, se arrumo um novo emprego, se vou pra academia, se respondo as mil mensagens pendentes, se limpo meu celular, compro um outro celular ou defino de vez onde vai ser o ano novo. E, &#224;s vezes, o combo ainda inclui as comemora&#231;&#245;es, gente que a gente n&#227;o gosta, antigas e novas dores, diverg&#234;ncias familiares, pouco sono, desencontro entre amigos.</p><p>Nesse cen&#225;rio, geralmente o pratinho que cai primeiro &#233; o do autocuidado b&#225;sico. No meu caso, minha pr&#225;tica de yoga. Mas poderia ser m&#250;sica, esporte ou culin&#225;ria. Come&#231;o diminuindo o tempo dedicado, depois pulo um dia&#8230; at&#233; que se passaram alguns dias que n&#227;o fiz os &#225;sanas (posturas f&#237;sicas). &#8220;Como atravessar momentos de Crise, sem romper o v&#237;nculo com a pr&#225;tica?&#8221; Foi o tema de uma conversa que tive com os meus professores do <a href="https://www.instagram.com/coletivo.mysore/">@coletivo.mysore</a>.</p><p>A conversa despertou em mim um desejo de estar, &#224; medida do poss&#237;vel. Do meu poss&#237;vel. N&#227;o posso exigir de mim, em momentos inst&#225;veis, o mesmo n&#237;vel de atua&#231;&#227;o que tenho quando a vida vai muito mais que bem, leve e fluindo. Mas &#233; importante manter alguma coisa. Seguir, mesmo que com ajustes de ritmo. Sem desconectar do que nos mant&#233;m presentes. Porque o oposto disso &#233; ir contra a manuten&#231;&#227;o da vida.</p><p>Qual fio continua ali, mesmo quando o resto se move? Como sustentar alguma estabilidade quando a nossa realidade interna est&#225; mole ou movedi&#231;a? Em quem confiar quando nosso ch&#227;o fica fr&#225;gil? Guiada pelo medo, fui encontrando algumas pistas que me acomodaram em mim.</p><blockquote><p>&#8220;It&#8217;s not easy to live in the word and do sadhana, but you have to try&#8221; (Sharmila Desai) &#8220;N&#227;o &#233; f&#225;cil viver no mundo e fazer sadhana, mas voc&#234; precisa tentar&#8221;</p></blockquote><p>N&#227;o quero levar esse discurso para a performance sem fim! N&#227;o &#233; sobre praticar a qualquer custo. Ali&#225;s, acabei de ler <em>A Sociedade do Cansa&#231;o</em> e fiquei atravessada pelas cr&#237;ticas ao excesso de positividade que nos leva &#224; superprodu&#231;&#227;o, ao superdesempenho e &#224; supercomunica&#231;&#227;o. Uma leitura que me acalmou &#8211; e, para ser honesta, tamb&#233;m me cansou! A calma veio por perceber que n&#227;o estou s&#243;.</p><p>Esgotamento, exaust&#227;o e sufocamento s&#227;o manifesta&#231;&#245;es de uma viol&#234;ncia saturante. Parece que a antiga Sociedade Disciplinar (hospitais, asilos, f&#225;bricas) deu lugar &#224; Sociedade do Desempenho (academias, pr&#233;dios, bancos, aeroportos, laborat&#243;rios de genetica). J&#225; n&#227;o somos sujeitos de obedi&#234;ncia, mas empres&#225;rios de n&#243;s  mesmos. Tamb&#233;m j&#225; cansou s&#243; de pensar? Ou viver rs. (Sim, c&#225; estou eu, gastando horas de pesquisa e escrevendo para as 15 pessoas que me leem).</p><p>O autor, Byung-Chul Han (fil&#243;sofo sul-coreano radicado na Alemanha), explica que a antiga l&#243;gica de proibi&#231;&#227;o, mandamento ou lei foi substitu&#237;da por projeto, iniciativa e motiva&#231;&#227;o. Se antes produz&#237;amos loucos e delinquentes, hoje produzimos depressivos e fracassados - porquelamentamos que nada &#233; poss&#237;vel. Uma lam&#250;ria que s&#243; se torna poss&#237;vel numa sociedade que cr&#234; que nada &#233; imposs&#237;vel.</p><div class="pullquote"><p>&#8220;O depressivo n&#227;o est&#225; cheio, no limite, mas est&#225; esgotado pelo esfor&#231;o de ter de ser ele mesmo&#8221;</p></div><p>Ent&#227;o como agir de forma consciente? De um jeito que n&#227;o seja guiado pelo &#8220;sim&#8221; superprodutivo, nem pelo &#8220;n&#227;o&#8221; paralisante? Aqui, junto aos meus estudos, encontro acolhimento na tradi&#231;&#227;o das hist&#243;rias v&#233;dicas que, inexplicavelmente, sempre me abra&#231;am.</p><p>Na cosmologia v&#233;dicas, h&#225; tr&#234;s for&#231;as fundamentais. Brahma, o Criador; Vishnu, o sustentador; e Shiva, o destruidor ou transformador. Quero falar sobre Vishnu, o mantenedor. Aquele que cuida da continuidade da vida. Ele desce &#224; Terra sempre que o <em>dharma</em> - a ordem do mundo - entra em desequil&#237;brio. Para restaurar o que &#233; essencial. Para sustentar o que precisa continuar. Para impedir que o universo se rompa.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!0S_X!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff949f602-5939-4fe8-bb20-70656d103bd8_628x472.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!0S_X!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff949f602-5939-4fe8-bb20-70656d103bd8_628x472.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!0S_X!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_848, 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f949f602-5939-4fe8-bb20-70656d103bd8_628x472.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:472,&quot;width&quot;:628,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:null,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!0S_X!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_auto, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, 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Quem sustenta, est&#225; reclinado sobre a serpente c&#243;smica, em absoluto repouso, enquanto as &#225;guas se agitam ao redor. Ao seu lado, Lakshmi (a deusa do cuidado, da prosperidade, da abund&#226;ncia e da beleza) cuida, sustenta, observa. Nutre. E do seu umbigo nasce um l&#243;tus, onde est&#225; Brahma, o criador.</p><p>Vou fazendo as pazes com o que a imagem me conta hoje: a cria&#231;&#227;o nasce do descanso de Vishnu. N&#227;o do esfor&#231;o. Nem da urg&#234;ncia. Ou da performance. Do descanso. A vida s&#243; continua quando alguma coisa em n&#243;s consegue repousar. Assim como o universo inteiro nos informa, o tempo todo, atrav&#233;s da nossa pr&#243;pria respira&#231;&#227;o e ciclos vida-morte-vida, existe um movimento cont&#237;nuo de expans&#227;o e contra&#231;&#227;o.</p><p>Nos meus momentos de instabilidade, a tenta&#231;&#227;o &#233; acreditar que, se eu fizer mais, resolver mais, produzir mais, vou conseguir sair do buraco. Mas &#233; justamente o contr&#225;rio. O cansa&#231;o n&#227;o quer que eu fa&#231;a mais. Ele quer que eu <strong>preserve o que me preserva</strong>. Atrav&#233;s dos meus movimentos poss&#237;veis de manuten&#231;&#227;o.</p><p>Rezo, baixinho, e modernamente. Quero atualizar minhas preces e minha foto de capa do celular. Que eu encontre meu pequeno Vishnu interno. N&#227;o para abandonar ou fugir do mundo, mas para me lembrar que manuten&#231;&#227;o n&#227;o acontece na exaust&#227;o: ela nasce do contato com o essencial.</p><p>Talvez seja isso que nos mant&#233;m vivos quando tudo parece movedi&#231;o: um gesto m&#237;nimo, mas cont&#237;nuo. Um respiro que permanece. Um fio que n&#227;o se rompe.</p><div><hr></div><p>Se esse texto tocou algo em voc&#234;, te convido para um encontro muito especial no <strong>s&#225;bado, 13/12, &#224;s 8h da manh&#227; </strong>(hor&#225;rio de Bras&#237;lia). Em Sydney, ser&#225; no mesmo s&#225;bado &#224;s 22h.<br>Vai rolar:</p><p>&#128483;&#65039; <strong>Um debate com Anna</strong>, estudante de psicologia e pesquisadora do tema do cansa&#231;o e perfeccionismo &#8212; para termos conversas sinceras sobre como existir dentro do sistema neoliberal sem nos esgotar.</p><p>&#129496;&#8205;&#9792;&#65039; <strong>Uma aula de yoga restaurativa</strong>, para encontrarmos juntos e juntas nosso fio de manuten&#231;&#227;o. Suavidade. Presen&#231;a. Continuidade.</p><p>Quer vir?  &#201; gratuito.<br>S&#243; preencher o formul&#225;rio abaixo e eu te envio o link do Zoom.<br><br>https://forms.gle/BVU1VosF7sV4wfK1A</p><p>At&#233; j&#225;, com carinho &#9829;&#65039;</p><div><hr></div><p><strong>Refer&#234;ncias:</strong></p><p><strong>CRUZ, Anna Cl&#225;udia Pereira.</strong> <em>Impec&#225;veis at&#233; a exaust&#227;o: o perfeccionismo feminino como pot&#234;ncia de resist&#234;ncia</em>. Vit&#243;ria da Conquista: FAINOR, 2025. Pr&#233;-projeto de pesquisa.</p><p><strong>HAN, Byung-Chul.</strong> <em>Sociedade do cansa&#231;o</em>. Tradu&#231;&#227;o de Enio Paulo Giachini. Petr&#243;polis: Editora Vozes, 2015.</p><p><strong>PAYYANUR, Venu.</strong> <em>Vishnu and You &#8211; Part 2</em>. Dispon&#237;vel em:<a href="https://venupayyanur.com/vishnu-and-you-part-2/"> https://venupayyanur.com/vishnu-and-you-part-2/</a>.</p><p><strong>ALVES, Danielle S.; SOARES, Mariane R.; MARTINELLI, Patr&#237;cia C.</strong> <em>Perfeccionismo e sofrimento ps&#237;quico em mulheres: um estudo na interface entre g&#234;nero e neoliberalismo</em>. Psicologia: Ensino &amp; Forma&#231;&#227;o, v. 14, n. 4, 2023. Dispon&#237;vel em:<a href="https://www.scielo.br/j/pe/a/XQrsmHHnN7g7SSkYGpcPjqb/?format=html&amp;lang=pt"> https://www.scielo.br/j/pe/a/XQrsmHHnN7g7SSkYGpcPjqb/?format=html&amp;lang=pt</a>.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[15. A Sabedoria da Tensão]]></title><description><![CDATA[Entre a realidade e o desejo, o espa&#231;o que transforma]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com/p/15-a-sabedoria-da-tensao</link><guid isPermaLink="false">https://fernandafigueiredo.substack.com/p/15-a-sabedoria-da-tensao</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Thu, 20 Nov 2025 07:23:26 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/edb14b2f-9977-4437-bae6-3694fcec4a1f_2070x1380.avif" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>At&#233; agora, este ano, para mim, foi marcado pela tens&#227;o. A tens&#227;o da espera, das indecis&#245;es, das muitas viagens, da fam&#237;lia, das polariza&#231;&#245;es pol&#237;ticas, do desemprego, das ideias r&#237;gidas. Passei um bom tempo tentando entender o que estava acontecendo no mundo, com algumas pessoas do meu meio, comigo.</p><p>Me vi, v&#225;rias vezes, dura. Usei essa palavra na an&#225;lise algumas vezes. A realidade me atravessou, enrijecendo os meus m&#250;sculos e esticando a minha coluna, mesmo quando eu queria curvar-me inteira.</p><p>Numa conversa com uma amiga, em que eu compartilhei que n&#227;o dormia direito h&#225; mais de um m&#234;s, com o celular apitando a cada hora enquanto eu esperava por uma mensagem espec&#237;fica, ela me contou suas ang&#250;stias: tamb&#233;m n&#227;o dormia bem h&#225; alguns meses, porque estava gr&#225;vida. E a tens&#227;o, o medo e o desconforto tomavam conta do seu corpo.</p><p>Aos poucos, fui percebendo que a tens&#227;o n&#227;o era s&#243; um problema meu &#8212; era um movimento da pr&#243;pria vida. Desconfort&#225;vel, mas necess&#225;rio. Comecei a enxerg&#225;-la nos outros tamb&#233;m. A tens&#227;o &#233; um princ&#237;pio natural: &#233; o que faz a semente romper a casca, o broto atravessar a terra dura, o m&#250;sculo tremer antes de ficar mais forte. &#201; o que mant&#233;m a ponte firme, o arco pronto para lan&#231;ar a flecha, o feto protegido no ventre. Existe uma sabedoria na tens&#227;o que a gente esquece: ela prepara, sustenta, avisa, transforma.</p><p>Muitos ciclos da natureza e da vida humana exigem esse estado intermedi&#225;rio, esse &#8220;entre&#8221;: nem relaxamento completo, nem colapso; apenas a for&#231;a quase invis&#237;vel que nos reorganiza por dentro para o que vem a seguir. Essa insistencia em nos manter ereta, mesmo quando queremos nos dobrar inteira.</p><p>Curiosamente, a palavra inten&#231;&#227;o carrega a tens&#227;o em si. Do latim <em>intentio</em>, significa &#8220;um esticar ou tensionar em dire&#231;&#227;o a algo&#8221;. Ent&#227;o, ser intencional &#233; caminhar em dire&#231;&#227;o a algo. &#201; sustentar onde estamos e para onde queremos ir. &#201; permanecer no alongamento.</p><p>A tens&#227;o surge quando queremos ir para um lugar e outras pessoas (ou a pr&#243;pria vida), parecem querer ir para outro. Quando as diferen&#231;as s&#227;o ignoradas, a tens&#227;o vira atrito. Mas quando s&#227;o consideradas, a tens&#227;o vira for&#231;a.</p><p>No pensamento sist&#234;mico, a tens&#227;o criativa &#8212; conceito explorado no livro <em>A Quinta Disciplina</em>, de Peter Senge &#8212; &#233; o espa&#231;o entre a sua realidade atual e a sua vis&#227;o genu&#237;na do futuro. A tens&#227;o entre esses dois pontos n&#227;o &#233; ruim; &#233; justamente o motor da mudan&#231;a. Quando n&#227;o conseguimos sustentar essa tens&#227;o, ela vira desespero (achamos que nunca vamos chegar l&#225;) ou nega&#231;&#227;o (fingimos que n&#227;o d&#243;i). Mas quando h&#225; sustenta&#231;&#227;o dessa tens&#227;o com presen&#231;a e integridade, ela vira for&#231;a criadora.</p><p>No yoga, no tapete e fora dele, vou explorando e aprendendo a lidar com a tens&#227;o. Na an&#225;lise, encontro-a com curiosidade e n&#227;o com medo. Tudo vai me levando &#224; dolorosa sensa&#231;&#227;o de crescimento: tornar-se mais consciente, mais generosa e mais capaz de lidar com as complexidades. As minhas pr&#243;prias e as do nosso tempo.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandafigueiredo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Caminhos &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar o meu trabalho, considere tornar-se um subscritor.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Vivendo o 'e' no lugar do 'ou']]></title><description><![CDATA[Sobre identidade, curiosidade e novas vers&#245;es de si.]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com/p/vivendo-o-e-no-lugar-do-ou</link><guid isPermaLink="false">https://fernandafigueiredo.substack.com/p/vivendo-o-e-no-lugar-do-ou</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Tue, 21 Oct 2025 12:25:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/65978434-789b-4b4c-b33c-0c990eb5345b_5184x3456.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>H&#225; um momento da vida (ou v&#225;rios) em que a gente percebe que n&#227;o &#233; mais a mesma pessoa. Mas tamb&#233;m ainda n&#227;o sabe quem est&#225; se tornando. N&#227;o sei se estamos passando por um momento de transi&#231;&#227;o coletiva ou se faz parte da minha bolha, pois &#233; algo que venho sentido e testemunhado com muita frequ&#234;ncia.</p><p>Esse espa&#231;o entre o antes e o depois pode ser assustador. S&#243; que gosto de acreditar que ele tamb&#233;m &#233; f&#233;rtil. &#201; no <em>entre</em> que nasce uma vers&#227;o de n&#243;s, assim como acontece com as plantas e bichos.</p><p>Esses dias escutei o epis&#243;dio <a href="https://open.spotify.com/episode/00aQ7eNtqkUdqCvuNTtIsC?si=8af88faf70864031">How to Shape Your Identity and Goals</a> do <a href="https://open.spotify.com/show/79CkJF3UJTHFV8Dse3Oy0P?si=ec62018a95834ab0">Huberman Lab</a>, com a cientista cognitiva Maya Shankar, e ele acendeu algumas luzes sobre o que tenho experienciado: essa sensa&#231;&#227;o de estar reconstruindo a pr&#243;pria identidade.</p><p>Quando cheguei &#224; Austr&#225;lia (6 anos atr&#225;s), toda a minha identidade at&#233; ali estava ligada ao meu desejo de ser jornalista. Eu tinha estudado, trabalhado e me movido por essa ideia de crescer profissionalmente, at&#233; que um dia percebi que aquele caminho n&#227;o fazia mais sentido do mesmo jeito.</p><p>Escolhi estudar yoga, um curso n&#227;o convencional para quem mora fora, e lembro do primeiro dia de aula: aflita, me sentindo fora de lugar, at&#233; ouvir da professora que <em>&#8220;you are not leaving behind an identity&#8221;. You are expanding.</em>&#8221; N&#227;o est&#225;vamos deixando pra tr&#225;s uma identidade, est&#225;vamos expandindo.</p><p>Aquela frase me abriu espa&#231;o. Eu n&#227;o precisava abandonar nada, apenas expandir o que eu j&#225; era.</p><p>Anos depois, ouvi algo semelhante da minha mentora <a href="https://www.fabiolacarvalho.com.br/">Fab&#237;ola Carvalho</a>, que me disse que n&#227;o gostava da palavra <strong>ou</strong>, e sim de <strong>e</strong>. &#8220;Voc&#234; pode ser isso <em><strong>e</strong></em> aquilo&#8221;. E talvez esse seja o maior al&#237;vio: perceber que a gente n&#227;o precisa caber numa &#250;nica defini&#231;&#227;o.</p><h2>No podcast,</h2><p>Maya Shankar conta que era violinista, e que seu corpo e sistema nervoso literalmente cresceram em torno do violino. At&#233; que, depois de um acidente, ela n&#227;o p&#244;de mais tocar.</p><p>Sua identidade desmoronou &#8212; at&#233; ela perceber que ainda havia algo que ningu&#233;m poderia tirar: <strong>sua curiosidade</strong> e o prazer em <strong>ficar boa nas coisas</strong>. Essas qualidades, diz ela, se tornaram sua <em>foundation</em>. A base de tudo o que viria depois.</p><p>Foi da&#237; que ela criou um novo caminho: tornou-se cientista, e depois podcaster. Ela entendeu que, mesmo que o &#8220;o qu&#234;&#8221; mude, o &#8220;porqu&#234;&#8221; permanece.</p><h2>Recriar-se em outro lugar</h2><p>Eu me vi nessa hist&#243;ria. A sensa&#231;&#227;o de perda pode surgir n&#227;o s&#243; por acidentes, mas pela morte de algu&#233;m pr&#243;ximo, pela maternidade, por uma mudan&#231;a estrutural. Ser imigrante &#233; tamb&#233;m perder camadas de identidade: o grupo de amigos, a l&#237;ngua, os c&#243;digos sociais, at&#233; o humor das conversas. Perder tudo isso desorienta, como se o espelho que te mostrava tivesse quebrado.</p><p>Maya fala que, quando tudo muda, a pergunta deixa de ser <em>what I do</em> (o que eu fa&#231;o) e passa a ser <em>why do I do what I do</em> (por que eu fa&#231;o o que eu fa&#231;o). E talvez seja isso o que me trouxe at&#233; aqui: <strong>o mesmo porqu&#234;</strong>, s&#243; que vivido de novas formas. Entre a escrita e o yoga, entre o corpo e a palavra.</p><p>Uma parte do epis&#243;dio que me marcou foi quando Andrew pergunta <em>&#8220;What sustains motivation?&#8221;</em>. O que sustenta a motiva&#231;&#227;o? E Maya explica que h&#225; dois tipos de orienta&#231;&#227;o:</p><ul><li><p><strong>approach</strong> - quando algo te atrai (exemplo: quero estar em um relacionamento)</p></li><li><p><strong>avoidance</strong> - quando algo te afasta (exemplo: n&#227;o quero me sentir sozinha)</p></li></ul><p>Muitas vezes vivemos mais movidos pelo medo do que pelo desejo. Mas, diz ela, &#233; mais sustent&#225;vel focar naquilo que queremos construir do que no que queremos evitar. E at&#233; pequenas mudan&#231;as de linguagem fazem diferen&#231;a: em um experimento, ela trocou a palavra <em>eligible</em> por <em>earned</em> em uma carta enviada a veteranos. A taxa de respostas aumentou 9%.</p><p>Uma simples mudan&#231;a de palavra, mas que devolve &#224;s pessoas o sentimento de <strong>ag&#234;ncia</strong>. A sensa&#231;&#227;o de que <em>voc&#234; &#233; dono do seu sucesso</em>.</p><h2>Empatia e limites</h2><p>O que pode atrapalhar o nosso sucesso, no entanto, &#233; o excesso de preocupa&#231;&#227;o com os outros. Na conversa com Andrew Huberman, Maya destaca que empatia n&#227;o &#233; apenas &#8220;sentir junto&#8221;, mas uma habilidade que pode ser cultivada. Ela distingue tr&#234;s formas de empatia:</p><ol><li><p>Emocional - sentir o que o outro sente</p></li><li><p>Cognitiva - entender o que o outro sente</p></li><li><p>Compassiva - querer agir para ajudar</p></li></ol><p>Maya chama aten&#231;&#227;o para o fato de que pessoas muito sens&#237;veis &#224; dor do outro (as de alta empatia emocional) t&#234;m mais propens&#227;o ao <em>burnout</em>. Mas cultivar empatia cognitiva e compassiva preserva o contato humano, resguarda a energia pr&#243;pria e atua como prote&#231;&#227;o contra esse desgaste.</p><p>O convite n&#227;o &#233; absorver tudo nem se desligar dos outros, mas aprender a sentir com consci&#234;ncia. &#201; estar com o outro, sem se perder de si.</p><p>Ouvir esse epis&#243;dio me fez perceber o quanto eu j&#225; expandi minha pr&#243;pria identidade. E sinto que tudo est&#225; se acomodando no meu corpo agora. Hoje, consigo me ver como escritora e professora de yoga - comunica&#231;&#227;o e corpo, palavra e presen&#231;a. Talvez amadurecer seja isso: n&#227;o estar entre o que fomos e o que queremos ser, mas permitir que os dois coexistam.</p><p>Afinal, como disse minha professora naquele primeiro dia de aula:</p><div class="pullquote"><p>We are not leaving behind an identity. We are expanding.</p></div><p>E talvez seja isso que signifique crescer. N&#227;o mudar de pele, mas ampliar o espa&#231;o interno para caber em todas elas.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandafigueiredo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Caminhos &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar o meu trabalho, considere tornar-se um subscritor gratuito ou pago.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O que significa "do the work"?]]></title><description><![CDATA[Quando se trata de sa&#250;de mental, ouve-se muito dizer que &#233; preciso &#8220;do the work&#8221;. Fazer o famoso trabalho interno &#8211; ou trabalho de cura. Mas o que de fato significa isso em termos pr&#225;ticos?]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com/p/o-que-significa-do-the-work</link><guid isPermaLink="false">https://fernandafigueiredo.substack.com/p/o-que-significa-do-the-work</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Sun, 05 Oct 2025 21:32:45 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6e3c4012-88e8-4f23-9306-c47b452f1815_3078x5472.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>No final de setembro, participei do evento <strong>Mental Health Matters </strong>(&#8220;Sa&#250;de Mental Importa&#8221;), uma cerim&#244;nia organizada pela Wayahead em Sdyney, para reconhecer e celebrar contribui&#231;&#245;es not&#225;veis no campo da sa&#250;de mental. O evento destaca indiv&#237;duos, organiza&#231;&#245;es, projetos e iniciativas que fizeram um impacto significativo na promo&#231;&#227;o da conscientiza&#231;&#227;o, no suporte e no bem-estar mental das comunidades da regi&#227;o.</p><p>Entre categorias que reconhecem projetos de preven&#231;&#227;o e interven&#231;&#227;o com jovens, iniciativas de conscientiza&#231;&#227;o e redu&#231;&#227;o de estigmas, obras art&#237;sticas que abordam a sa&#250;de mental com sensibilidade e informa&#231;&#227;o, al&#233;m de discursos e lideran&#231;as inspiradoras, uma certeza me atravessou: <strong>n&#227;o existe atalho</strong>. Se quisermos viver em paz de verdade, <strong>precisamos fazer o trabalho interno</strong>.</p><p>E um dos meus estava ali mesmo: sempre tive pregui&#231;a de networking. Uma sensa&#231;&#227;o ruim de estar me vendendo e achar que todo mundo est&#225; fazendo o mesmo costuma me colocar numa posi&#231;&#227;o um pouco blas&#233; em tais eventos. N&#227;o tenho orgulho disso. Mas n&#227;o &#233; um lugar confort&#225;vel pra mim. Mesmo assim, enfrentei. Sentei numa mesa com pessoas envolvidas em yoga, teatro, eventos e trabalhos de respira&#231;&#227;o.</p><p>Queria acreditar que todo mundo tinha a mesma dificuldade que eu. Mas a mo&#231;a que estava na cadeira do meu lado parecia bem confiante ao se apresentar para mim e apresentar o seu projeto. Quando me perguntou se t&#237;nhamos um escrit&#243;rio, eu queria dizer que sim - apesar de fazermos uma permuta uma vez por semana no centro da cidade e, nos outros dias, trabalharmos de casa. Envergonhada, devolvi a pergunta sobre o endere&#231;o dela.</p><p>&#8212; Temos um site! - ela respondeu com muito orgulho.</p><p>Entre uma apresenta&#231;&#227;o e outra, essa pequena cena continuava ressoando em mim. A resposta dela me fez olhar pra minha dificuldade em bancar a realidade, em sentir orgulho do que &#233; (e do que sou e do que fa&#231;o parte). Sem mais nem menos. Que massa ter <em>apenas</em> um site! Parece que tenho uma ideia de como as coisas deveriam ser (pra mim), e caso n&#227;o sejam, preciso justific&#225;-las.</p><p>Na fala da artista Sam Frost, convidada para palestrar, ou&#231;o-a dizer, ao contar sua hist&#243;ria, que em algum momento da vida, ela cansou do seu pr&#243;prio discurso dizendo &#8220;poor me&#8221;. &#8220;Coitada de mim&#8221;. Esse pensamento surgia por ter tido uma inf&#226;ncia conturbada, e justificar estar em um relacionamento abusivo por conta disso.</p><p>Em algum momento, se quisermos vivermos uma boa vida, precisamos fazer o trabalho.</p><p>E como fazer o trabalho? Ser&#225; que se soub&#233;ssemos, <strong>mesmo</strong>, ter&#237;amos ainda tanto sofrimento? &#201; uma receita de bolo? Seremos salvos pela espiritualidade? Ou pela psicologia?</p><p>O trabalho &#233; individual. Para alguns, significa ter uma conversa honesta sobre raiva com a m&#227;e. Para outros, significa assumir que o trabalho n&#227;o faz mais sentido. Para muitos, significa reconhecer o ego&#237;smo, o ci&#250;mes. Para mim, pode ser enfrentar a dificuldade de me posicionar.</p><p>E a busca pela cura pode ter muitas rotas: medita&#231;&#227;o, yoga, grupos de suporte, consult&#243;rio de terapia, livros, salas de aula, document&#225;rios, artes. At&#233; chegarmos ao <strong>Ser</strong>. Quem &#233; esse Ser por tr&#225;s dos personagens e das hist&#243;rias?</p><p>N&#227;o d&#225; para SER sem TER. Por isso, sim, importa os caminhos. Mas ser&#225; que precisamos estar sempre num eterno processo? A espiritualidade deve virar uma meta? N&#237;vel de reiki 1, 2, 3. N&#227;o sei quantos retiros. Fazer as 3 s&#233;ries completas de Ashtanga yoga e colocar os p&#233;s atr&#225;s da cabe&#231;a de cabe&#231;a para baixo.</p><p>A a&#231;&#227;o gera resultado dentro da a&#231;&#227;o. &#201; ineg&#225;vel os benef&#237;cios de certas pr&#225;ticas (e eu especificamente adoraria colocar os p&#233;s atr&#225;s da cabe&#231;a!). E a gente sabe que para algumas quest&#245;es, precisamos olhar e decidir: <em>vou ligar para essa pessoa. Vou visitar. Vou comprar essa passagem. Vou excluir da minha vida. Vou me comprometer com a psican&#225;lise. Vou para a academia 2x na semana. Vou tirar o refrigerante da minha dieta.</em></p><p>Ao mesmo tempo, um reconhecimento: a paz n&#227;o &#233; um produto de a&#231;&#245;es. A qualidade do Ser n&#227;o ocorre com ganho no tempo, nem envolve uma transforma&#231;&#227;o. S&#243; precisamos assumir cognitivamente uma identidade. E iluminar o que j&#225; existe.</p><p>Percebo que o trabalho, seja interno ou externo, est&#225; al&#233;m de onde fazemos, mas em <em>como</em> fazemos. E sim, trabalho num lugar sem escrit&#243;rio fixo. Porque o lugar &#233; o agora. E &#233; nele que o trabalho, de verdade, acontece.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandafigueiredo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Caminhos &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar o meu trabalho, considere tornar-se um subscritor gratuito ou pago.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA["Who could ever wish for more?"]]></title><description><![CDATA[O que mais algu&#233;m poderia querer?]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com/p/who-could-ever-wish-for-more</link><guid isPermaLink="false">https://fernandafigueiredo.substack.com/p/who-could-ever-wish-for-more</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Sun, 11 May 2025 06:19:31 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffaf7db9e-4803-43cd-b63c-06257b87911c_1024x1536.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Essa foi uma frase que li de Stephen Hawking, um dos mais renomados f&#237;sicos te&#243;ricos dos &#250;ltimos tempos, ao comentar sobre sua vida. A surpresa do coment&#225;rio vem do contexto: diagnosticado com esclerose lateral amiotr&#243;fica (ELA) aos 21 anos, ele enfrentou enormes limita&#231;&#245;es f&#237;sicas &#8212; nenhuma que tenha tirado o brilho do seu olhar.</p><p>Essa frase tem ressoado em mim h&#225; algum tempo. Nos pequenos momentos em que me encontro presente, sinto essa clareza e alegria reais. Resultado de um trabalho muito longo de estudo, dedica&#231;&#227;o e comprometimento comigo mesma.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandafigueiredo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Caminhos &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar o meu trabalho, considere tornar-se um subscritor gratuito ou pago.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Sempre senti muita dor. Uma vez perguntei &#224; minha professora de yoga se o corpo dela do&#237;a, e ela respondeu: &#8220;n&#227;o mais.&#8221; Achei que aquilo foi uma luz. Eu n&#227;o sabia o que era viver sem dor, mas, ainda assim, segui inspirada por pessoas que trilharam o mesmo caminho que meu cora&#231;&#227;o chamava.</p><p>No livro <em>A New Earth</em> (<em>Um Novo Mundo &#8211; O Despertar de uma Nova Consci&#234;ncia</em>), Eckhart Tolle define o corpo de dor (<em>pain-body</em>) como uma entidade energ&#233;tica composta por emo&#231;&#245;es negativas passadas n&#227;o processadas. &#201; como um campo energ&#233;tico que vive dentro de n&#243;s e se alimenta de dor emocional.</p><p>Esse corpo pode ser ativado por situa&#231;&#245;es espec&#237;ficas ou at&#233; por pensamentos, o que faz com que a gente reaja emocionalmente de forma desproporcional. M&#225;rcia, minha ex-psic&#243;loga, que o diga &#8212; o quanto eu estava identificada com esse meu!</p><p>Por causa de experi&#234;ncias passadas de tristeza, raiva, rejei&#231;&#227;o ou trauma que n&#227;o foram totalmente vividas e liberadas, esse corpo se alimenta de mais dor. Por isso, &#224;s vezes buscamos, inconscientemente, situa&#231;&#245;es de sofrimento, drama ou conflito. Como, por exemplo, repeti&#231;&#227;o de padr&#245;es em relacionamento, din&#226;micas profissionais, amizades. </p><p>Tolle prop&#245;e que o caminho para transcender o corpo de dor - assim como os exerc&#237;cios propostos por M&#225;rcia e toda minha trajet&#243;ria da pr&#225;tica individual de yoga - &#233; observar conscientemente quando ele est&#225; ativo, sem se identificar com ele. Voc&#234; traz presen&#231;a &#224; experi&#234;ncia. A consci&#234;ncia observa a dor sem julgar, resistir ou alimentar. Com o tempo, a energia do corpo de dor se dissolve, porque n&#227;o est&#225; mais sendo refor&#231;ada inconscientemente.</p><p>Tudo muito bonito e, aparentemente, bem simples. Mas n&#227;o &#233; t&#227;o assim. Al&#233;m das nossas dores individuais, tamb&#233;m somos influenciados por dores coletivas. Desde beb&#234;s, estamos suscet&#237;veis &#224; transmiss&#227;o geracional &#8212; geralmente por pais que n&#227;o est&#227;o conscientes do pr&#243;prio corpo de dor e que podem projetar isso nos filhos. Crian&#231;as mais sens&#237;veis e abertas energeticamente podem absorver, com mais facilidade, essas emo&#231;&#245;es n&#227;o processadas.</p><p>Tolle usa a imagem de Jesus na cruz como uma met&#225;fora para a transcend&#234;ncia do corpo de dor. Atrav&#233;s da crucifica&#231;&#227;o, podemos perceber a transforma&#231;&#227;o do sofrimento por meio da consci&#234;ncia. Jesus representa justamente o poder da presen&#231;a: algu&#233;m que n&#227;o reage ao sofrimento com mais sofrimento, mas que testemunha e transcende.</p><p>Hoje, na minha pr&#225;tica de yoga, percebi que nada em mim do&#237;a. N&#227;o lembro quando isso aconteceu. Entendi que dissolvi blocos internos muito duros. Que abri espa&#231;o para uma cura emocional profunda e uma grande transforma&#231;&#227;o espiritual. Que a luz da minha consci&#234;ncia, de fato, dissolveu padr&#245;es antigos.</p><p>Entre uma respira&#231;&#227;o e outra, pensei: o que mais algu&#233;m poderia querer? Quando a dor deixa de nos definir, o sil&#234;ncio se expande. A vida pulsa. O que era luta vira presen&#231;a.</p><p>E, pra concluir, com uma tradu&#231;&#227;o livre de <em>A New Earth</em>:</p><blockquote><p>Muitas pessoas t&#234;m um medo secreto de pensar que s&#227;o ruins.<br>Mas nada do que voc&#234; <em>acha</em> sobre voc&#234; &#233; voc&#234;.<br>Nada do que voc&#234; pode <em>saber</em> sobre voc&#234; &#233; voc&#234;.<br>(...)<br>O que voc&#234; aprende em psicoan&#225;lise ou auto-observa&#231;&#227;o &#233; <em>sobre</em> voc&#234;.<br>N&#227;o <em>&#233;</em> voc&#234;. &#201; conte&#250;do, n&#227;o ess&#234;ncia.<br>Conhecer a si mesmo &#233; <em>ser</em> voc&#234; mesmo.<br>E ser voc&#234; &#233; parar de se identificar com o conte&#250;do.</p></blockquote><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!wjQ-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffaf7db9e-4803-43cd-b63c-06257b87911c_1024x1536.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!wjQ-!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffaf7db9e-4803-43cd-b63c-06257b87911c_1024x1536.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!wjQ-!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_848, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, 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N&#227;o senti sua partida como a de vov&#244; &#8212; parecia &#243;bvio que logo tu iria atr&#225;s. Mas desde ent&#227;o n&#227;o sei mais organizar minhas novidades. Te conto o pior primeiro, que j&#225; descarto o susto. Todos os meus maiores medos se realizaram. O &#250;ltimo deles era n&#227;o ter sua ben&#231;&#227;o no meu casamento.</p><p>Acontece que nem sei mais se vou casar, v&#243;. Mas tenho tido vontade de ter filho. E queria contar outras coisas: tenho menos pelos no corpo. Estou comendo melhor. Andando mais descal&#231;a. Tu me acharia ainda mais magrinha, mas dessa vez estou mesmo: n&#227;o &#233; s&#243; voc&#234; querendo me empanturrar de comida e dizendo que homem gosta de uma gordurinha.</p><p>Meu cabelo t&#225; mais brilhoso e finalmente minha pele n&#227;o &#233; mais t&#227;o adolescente. Nem minha raiva.</p><p>Penso em ir pro Brasil logo mais e me assusta dizer assim. T&#227;o perto e t&#227;o longe. N&#227;o sei como vai ser n&#227;o ter voc&#234;. Pra saber essas minhas novidades. Nem sua casa. Pra ancorar minhas ansiedades. E outras coisas. Pra me ensinar passar o tempo. Passar no tempo: servindo e estando. Tudo t&#227;o mal interpretado hoje em dia, que tenho at&#233; receio de escrever essas coisas. Mas pra voc&#234; n&#227;o precisaria nem falar. Porque nossa din&#226;mica &#233; mesmo no servi&#231;o e na presen&#231;a.</p><p>Queria te contar do meu namorado. E dos meus hor&#225;rios no outro lado no mundo. N&#227;o te importaria meu status profissional nem os nomes de quem anda comigo. Mas voc&#234; ia se animar como eu ao ver meu brilho nos olhos. Sei que voc&#234; ia gostar silenciosamente de ver a rela&#231;&#227;o dos novos artistas na fam&#237;lia. Temos gostos parecidos, v&#243;. Das sais longas aos homens com um instrumento debaixo do bra&#231;o. E tamb&#233;m &#224; vida mansa e &#224; conversa na porta de casa e &#224; conversa na casa dos outros - ainda n&#227;o tenho uma amiga pra bordar comigo, mas um dia terei.</p><p>Agora que as &#225;guas se acalmaram um pouco aqui dentro, penso naquelas dificuldades todas que tive e tenho e tudo me parece t&#227;o distante - como quando eu te contava e nada disso chegava entre n&#243;s. Porque n&#227;o importa. O amor venceu. Modificou passado e futuro. Est&#225; servido. Na mesa, no sof&#225;, no peito. No cansa&#231;o, no descanso, nos beijos de bom dia, nos novos clientes, na sa&#250;de, na coragem e honestidade, na rela&#231;&#227;o com meus pais, em todo nascer do Sol. Sinto que Deus me aben&#231;oa, mesmo quando voc&#234; n&#227;o est&#225; mais aqui pra me dizer.</p><p>&#8212; Ben&#231;a, v&#243;.</p><p>(&#8230;)</p><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!A6fY!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe9f25ac1-1e5d-4de8-83df-f8b12f0fe96a_960x1280.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!A6fY!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe9f25ac1-1e5d-4de8-83df-f8b12f0fe96a_960x1280.jpeg 424w, 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Ouvidos para escutar o que n&#227;o &#233; dito. M&#227;os para tocar onde nem sempre &#233; permitido. L&#237;ngua para expressar o que ainda n&#227;o tem nome. Olhos para cair no vazio. Nariz para sentir o perfume da mem&#243;ria.</p><p>Tem que saber dan&#231;ar &#8212; mesmo se n&#227;o dan&#231;a. Olhar nos olhos &#8212; mesmo se incomoda. Ter disposi&#231;&#227;o para desaprender. E <em>ter balls</em> (ou ovarios) para dizer. Esquecer aquelas m&#225;ximas de <strong>"ame a si mesmo"</strong>, <strong>"voc&#234; merece algo melhor"</strong>. Se todo mundo merece algo melhor, por que n&#227;o nos tornamos melhores para o outro? Sem esperar nada em troca.</p><p><em>"Cumpre teu dever com determina&#231;&#227;o, sem apego ao sucesso ou ao fracasso. O equil&#237;brio na a&#231;&#227;o &#233; chamado de yoga."</em><br><strong>(Bhagavad Gita 2.47)</strong></p><p>&#201; preciso modificar-se inteiro. E quando achar que j&#225; &#233;, saber que talvez n&#227;o seja. E quando duvidar, permitir-se ser. &#201; preciso bancar a incerteza, a d&#250;vida. <strong>"Se ele quer, voc&#234; saber&#225;"</strong>? Nem sempre. Amor se esconde, disfar&#231;a. Tem que ter faro certo. Ficar, quando h&#225; um pedido para partir. Ir, quando h&#225; um desejo de ficar. Nem sempre ao contr&#225;rio, mas entenda o avesso.</p><p>E sustentar a cren&#231;a. N&#227;o porque quer. Mas porque &#233;.</p><p>No Bhagavad Gita, Krishna ensina Arjuna sobre o <strong>Karma Yoga</strong>, o caminho da a&#231;&#227;o desapegada: agir sem esperar recompensas, oferecendo tudo ao divino. Isso pode ser aplicado ao amor &#8212; amar sem a necessidade de controlar o outro, sem exigir algo em troca, apenas porque o amor, em si, j&#225; &#233; uma express&#227;o da nossa ess&#234;ncia mais elevada.</p><p>Quando vemos o amor como um caminho espiritual, ele deixa de ser sobre <strong>o que eu ganho</strong> e passa a ser sobre <strong>como eu posso servir</strong>. Isso n&#227;o significa se anular, mas sim estar presente sem precisar possuir. </p><p>Acredito nesse encontro como um ato de devo&#231;&#227;o, um caminho para o autoconhecimento e para a espiritualidade.</p><p><em>"Aquele que n&#227;o tem inveja, mas &#233; amig&#225;vel e compassivo com todos os seres; que n&#227;o &#233; possessivo e est&#225; livre do ego; que &#233; equilibrado na felicidade e na tristeza, paciente e sempre satisfeito &#8211; esse &#233; muito querido por Mim."</em><br><strong>(Bhagavad Gita 12.13-14)</strong></p><p>Esse trecho fala sobre as qualidades de quem vive em estado de amor verdadeiro, sem apego ou controle. Ele nos lembra que o amor n&#227;o deve ser sobre posse, mas sobre entrega e aceita&#231;&#227;o. <strong>O Karma Yoga &#233; a pureza na a&#231;&#227;o</strong>. Quando amamos dessa forma, experimentamos a verdadeira liberdade.</p><p>Ama. E o amor n&#227;o precisar&#225; ser encontrado.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Você pode sempre, sempre, começar de novo]]></title><description><![CDATA[E eu tamb&#233;m]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com/p/voce-pode-sempre-sempre-comecar-de</link><guid isPermaLink="false">https://fernandafigueiredo.substack.com/p/voce-pode-sempre-sempre-comecar-de</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Wed, 19 Jun 2024 04:26:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IGsr!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4b0a108d-1b06-4ef2-9e62-7f47017a6572_2883x2913.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Voltei. Me ou&#231;o falando isso sempre, quando retomo os exerc&#237;cios f&#237;sicos. Quando come&#231;o a meditar de novo. Quando leio algo que me traz pro presente. Quando vejo algo muito bonito. Quando sonho vividamente. Quando volto a escrever &#8212; e publico. Quando estou chegando em casa. Quando acredito no amor, mais uma vez. Quando acredito em mim. </p><p>Mas teve um tempo que n&#227;o falei muito. Fui. E s&#243; fui. Voltar n&#227;o era possibilidade. Esqueci o caminho. Me distra&#237; com a concretude. Me identifiquei com as dores. Aceitei a neblina. E tudo bem. Acredito mesmo que &#233; pela oposi&#231;&#227;o que reconhecemos o belo. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!IGsr!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4b0a108d-1b06-4ef2-9e62-7f47017a6572_2883x2913.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!IGsr!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4b0a108d-1b06-4ef2-9e62-7f47017a6572_2883x2913.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!IGsr!, 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y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p></p><p>E j&#225; ou&#231;o a m&#250;sica tocar num outro ritmo. Um convite &#224; outra dan&#231;a. Volto mais r&#225;pido. N&#227;o me identifico tanto assim com o que me atravessa. E sei o caminho de retorno, de tanto tentar. N&#227;o me culpo pelos escorreg&#245;es. A escurid&#227;o, professora. N&#227;o h&#225; tempo perdido. E, finalmente, parece que minhas veias v&#227;o entendendo que se fosse pra ser de outra forma, teria sido. </p><p>Digo veias como esse ve&#237;culo que leva informa&#231;&#227;o. E nutrientes. Sinto-me viva de um jeito t&#227;o org&#226;nico e natural, que parece at&#233; que meu ferro est&#225; melhor - preciso checar. Parece que aceito receber. E, s&#243; assim, posso entregar. Numa din&#226;mica que n&#227;o me sacrifica, apenas &#233;. Prometi n&#227;o me demorar n&#227;o mais que o necess&#225;rio, agora que j&#225; sei onde ficam as bordas &#8212; e s&#243; descobri ultrapassando-as.</p><p>Tudo me serviu. Ent&#227;o, de um outro lugar, sirvo. Nessa misteriosa ideia de repeti&#231;&#227;o. Escrever ainda &#233; um grande desafio. Mas, pra mim, n&#227;o tem outro jeito. A n&#227;o ser voltar. </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AoLF!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F584b1ea8-cefa-4057-a7c8-7074471a3989_1179x1360.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AoLF!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_424, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/f_webp, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/q_auto:good, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F584b1ea8-cefa-4057-a7c8-7074471a3989_1179x1360.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AoLF!, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/w_848, /__u/fernandafigueiredo.substack.com/c_limit, 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As pesquisas apontam para uma diferen&#231;a de pensamento entre os g&#234;neros: mulheres se tornando mais liberais e homens mais conservadores, especialmente entre a gera&#231;&#227;o mais jovem. Os cora&#231;&#245;es sofrem com frustra&#231;&#245;es, ghostings, gaslighting e falta de esperan&#231;a. Perfis online e coaches de relacionamento continuam crescendo e lucrando com nossa car&#234;ncia. Ou ent&#227;o, somos empurrados para o novo mantra do bem-estar: &#233; preciso ser feliz sozinho, as suas amigas s&#227;o o amor da sua vida, construa sua comunidade, etc.</p><p>A verdade &#233; que n&#227;o conhe&#231;o uma pessoa saud&#225;vel que sonhe em ficar sozinha pelo resto da vida. Precisamos de conex&#245;es &#237;ntimas reais &#8212; podemos admitir isso? Mesmo os solteiros que gostam de estar solteiros veem isso como uma fase. E depois? Tentam conhecer algu&#233;m organicamente ou enfrentam a quest&#227;o moderna dos aplicativos. Conhe&#231;o pessoas que usam os aplicativos por um tempo limitado, outras que nunca tentaram ou tentaram uma vez e desistiram, e aquelas que entram num ciclo de baixar, excluir, baixar novamente. Essa sou eu.</p><p>Estar solteira h&#225; 5 anos n&#227;o &#233; um n&#250;mero redondo. Tive relacionamentos s&#233;rios nesse per&#237;odo, mas nenhum com perspectiva de futuro. O m&#225;ximo que passei foi 4 meses na mesma cidade com algu&#233;m. Passei por fases de curtir a solteirice, de estar indiferente, de buscar um relacionamento, de ir a encontros com frequ&#234;ncia, e de ficar 6 meses sem beijar na boca.</p><p>J&#225; fiquei muito triste por causa desse status e minha autoestima esteve atrelada a isso. Sei que n&#227;o &#233; bonito, mas quem nunca buscou valida&#231;&#227;o em algu&#233;m? Como diz Valeska Zanello: os homens aprendem a amar muitas coisas, e as mulheres aprendem a amar os homens. Mas, depois de tanto caminhar, reconhe&#231;o que est&#225; dif&#237;cil amar os homens tamb&#233;m. Pela minha experi&#234;ncia, </p>
      <p>
          <a href="/__u/fernandafigueiredo.substack.com/p/5-anos-solteira-mas-quem-ta-contando">
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      </p>
   ]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Entrega radical]]></title><description><![CDATA[Dar &#233; receber]]></description><link>https://fernandafigueiredo.substack.com/p/entrega-radical</link><guid isPermaLink="false">https://fernandafigueiredo.substack.com/p/entrega-radical</guid><dc:creator><![CDATA[Fernanda Figueiredo]]></dc:creator><pubDate>Wed, 08 May 2024 01:26:24 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0adbe435-f8b3-43eb-ad75-59aea07660be_3265x4898.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Escrever um texto e preparar uma aula de yoga percorrem o mesmo fluxo dentro de mim: tem que me atravessar. Sen&#227;o n&#227;o sai. Ou fica ruim. Ou n&#227;o soa verdadeiro. Meu corpo guia. O pr&#243;prio movimento diz o pr&#243;ximo passo. Assim como uma palavra vem atr&#225;s da outra. </p><p>Raras as vezes vem algo inteiro. Vou descobrindo no caminho. N&#227;o sei o que o texto quer de mim. N&#227;o sei que aula darei. Mas eles v&#234;m no seu pr&#243;prio ritmo, enquanto eu vou nutrindo os dois, que exigem de mim esse tempo de elabora&#231;&#227;o.  De alguma forma, entrego. E essa &#233; a parte mais f&#225;cil. </p><p>&#201; &#243;bvio que s&#243; damos o que temos. S&#243; que demorei a entender que s&#243; temos o que reconhecemos. Por n&#227;o reconhecer, n&#227;o cuidei. De trabalhos, casas, amores. Perdi o que nem sabia que tinha. E soube. Ganhei outras coisas. Ent&#227;o agora posso dar com gra&#231;a o que ganhei de gra&#231;a. </p><p>N&#227;o sem reconhecimento financeiro. Apenas consciente das for&#231;as que me regem. E da minha rendi&#231;&#227;o de sair da frente. N&#227;o me atrapalhar. Compreender que se chegou &#233; porque tenho condi&#231;&#245;es de cuidar. Posso honrar esse presente com o compromisso do que o Universo trouxe at&#233; mim. E trar&#225;.</p><p>Enquanto compro uma roupa, recebo o trabalho de outra pessoa. Enquanto ensino, aprendo. Enquanto corro, descanso a mente. Enquanto cozinho, transmuto. Enquanto doou; agrade&#231;o, empatizo, vejo. Enquanto d&#243;i, sinto. Enquanto recebo, dou ao outro (ou a mim) o direito e a alegria de reconhecer que tem. </p><p>Cuido de mim mesma, e atualizo meu grupo de Whatsapp comigo: n&#227;o &#8220;vou contigo&#8221;, &#8220;estou contigo&#8221;. E, estando comigo, enfim posso entregar. Entregar-me. E receber, no mesmo momento. Que n&#227;o tenhamos medo de doar. Porque o contr&#225;rio disso, &#233; amor. O que colar&#225; nossas faltas. </p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://fernandafigueiredo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Caminhos &#233; uma publica&#231;&#227;o apoiada pelos leitores. Para receber novos posts e apoiar o meu trabalho, considere tornar-se num subscritor gratuito ou com subscri&#231;&#227;o paga.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>