<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Chico Escorsim]]></title><description><![CDATA[Um mensário de crônicas, memórias e outros ofícios.]]></description><link>https://franciscoescorsim.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jbNp!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Ffranciscoescorsim.substack.com%2Fimg%2Fsubstack.png</url><title>Chico Escorsim</title><link>https://franciscoescorsim.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Fri, 04 Sep 2026 00:57:05 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/franciscoescorsim.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Francisco Escorsim]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[franciscoescorsim@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[franciscoescorsim@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Francisco Escorsim]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Francisco Escorsim]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[franciscoescorsim@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[franciscoescorsim@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Francisco Escorsim]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[#007 - Agostos]]></title><description><![CDATA[Sobre voca&#231;&#227;o, sobre jogar para o treinador, sobre voltar para casa]]></description><link>https://franciscoescorsim.substack.com/p/007-agostos</link><guid isPermaLink="false">https://franciscoescorsim.substack.com/p/007-agostos</guid><dc:creator><![CDATA[Francisco Escorsim]]></dc:creator><pubDate>Tue, 01 Sep 2026 13:58:16 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9a551dde-d59b-43ee-af1e-0b7684ad9bbd_1200x630.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h2>Avisos Paroquiais</h2><p>Na <strong><mark data-color="#fff2cc" style="background-color: rgb(255, 242, 204); color: rgb(0, 0, 0);">Gazeta do Povo</mark></strong>: al&#233;m dos epis&#243;dios do <a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLvH9SEyPq0ZNYQaUCFA2ldCzbMkfzI3G4">Saideira</a>, no YouTube, eis meus textos do m&#234;s:</p><ul><li><p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/ardeal-ministra-stf-deputada-entram-flip/">Um cardeal, uma ministra do STF e uma deputada entram na Flip&#8230;</a></p></li><li><p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/a-ultima-cancao-de-glen-hansard/">A &#218;ltima Can&#231;&#227;o de Glenn Hansard </a></p></li><li><p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/falas-de-wagner-moura-e-nando-reis-mostram-a-crise-do-wokismo/">O cansa&#231;o da lacra&#231;&#227;o</a></p></li><li><p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/juiz-mineiro-nando-reis-wagner-moura-cansaco/">Tamb&#233;m estou cansado, seu juiz (e Wagner Moura)</a></p></li><li><p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/autoritarismo-decretos-alexandre-de-moraes-flavio-dino-gilmar-mendes/">N&#227;o deixem Mendes, Moraes &amp; Dino ler esta cr&#244;nica!</a></p></li><li><p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/entrevistas-candidatos-jornal-nacional-redes-sociais/">O Jornal Nacional virou o armaz&#233;m das redes sociais </a></p></li><li><p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/chico-buarque-legiao-urbana-ana-castela-sindrome-dona-florinda/">Chico Buarque, Legi&#227;o Urbana, Ana Castela e a S&#237;ndrome de Dona Florinda</a></p></li></ul><p>No <strong><mark data-color="#fff2cc" style="background-color: rgb(255, 242, 204); color: rgb(0, 0, 0);">blog da Lumine</mark></strong>: <a href="https://blog.lumine.tv/analise-homem-aranha-um-novo-dia/">&#8220;Homem-Aranha: Um Novo Dia&#8221; &#233; sobre aquele amigo que voc&#234; parou de procurar.</a></p><div><hr></div><h2>Agostos</h2><p>Chamai-me Ahab. </p><p>O capit&#227;o Ahab, o obcecado perseguidor da baleia Moby Dick.</p><p>Fui um Ahab sem baleia, por&#233;m. </p><p>Sem um motivo claro para perseguir o que nem sabia o que era, se &#233; que existia. Ainda assim, obcecado na busca por esse &#8220;algo&#8221;.</p><p><strong>Se encontrasse, tampouco saberia o que fazer.</strong> Ainda assim, persistia. </p><p>Por qu&#234;? N&#227;o sei. Era mais forte do que eu. Meio Ahab mesmo.</p><p>Se encontrei? </p><p>Sim. </p><p>***</p><p>Esse &#8220;algo&#8221; poderia ser um prop&#243;sito na vida. Em parte, era. Mas quando achei um (mais de um at&#233;), ainda sentia falta.</p><p>Era tamb&#233;m um sentido maior para a vida, sem d&#250;vida. Mas o sentido veio, vieram; v&#225;rios, na verdade, revezando-se, preenchendo os minutos, transbordando os segundos. Mas tamb&#233;m escapulindo no instante seguinte.</p><p>A vida s&#243; fez sentido mesmo quando aquele &#8220;algo&#8221; foi ficando mais claro, mais aceito, mais realizado.  </p><p><strong>Chamo esse &#8220;algo&#8221; de voca&#231;&#227;o.</strong></p><p>***</p><p>Agosto de 1993. Era uma manh&#227; qualquer no col&#233;gio at&#233; o psic&#243;logo da escola me  chamar. </p><p>Estava no terceir&#227;o, tinha de escolher para qual curso concorreria no vestibular. N&#227;o existia Enem, tampouco trocentas faculdades tornando o vestibular parecido com competi&#231;&#245;es pr&#233;-escolares em que todas as crian&#231;as ganham medalhas. </p><p>Eu era todo d&#250;vidas. Chamou-me para fazer um teste vocacional. Acho que foi a primeira vez que tive contato real com a palavra voca&#231;&#227;o. At&#233; ent&#227;o, era apenas brincar de: <strong>o que voc&#234; quer ser quando crescer?</strong></p><p>Eu tinha 17 anos e ainda n&#227;o sabia responder essa pergunta. E das trocentas do teste, respondi incerto de quase tudo. Era p&#233;ssimo em saber o que gostava, s&#243; tinha certezas do que n&#227;o gostava. E isso de pouco servia, infelizmente. </p><p>Deu &#8220;&#225;rea de humanas&#8221;. A &#250;nica coisa que eu j&#225; sabia. Mas o que, dentre o card&#225;pio da &#225;rea, eu deveria escolher? O resultado n&#227;o dizia. </p><p>O que eu deveria fazer da minha vida?</p><p>***</p><p>Em 2 meses da faculdade de Direito, talvez menos, eu sabia que tinha errado. <strong>Mas o que seria o certo? </strong></p><p>N&#227;o sabia, por isso, fiquei.</p><p>No &#250;ltimo ano daquela merda, um &#8220;imbecil&#8221; me chamou. Estava na capa, no t&#237;tulo de um livro. O autor se chamava Olavo de Carvalho. </p><p>Discordava, na &#233;poca, de quase tudo que o sujeito escreveu ali, menos da parte em que retratava a realidade universit&#225;ria, a minha realidade. </p><p><strong>Foi uma metanoia. </strong></p><p>Dali por diante, fui atr&#225;s de mais do mesmo autor, de outros autores indicados por ele, depois outros indicados por esses outros e nunca mais parei. </p><p>N&#227;o sei quantos livros li, quantos professores tive (saibam eles disso ou n&#227;o), fiz uma faculdade de filosofia no meio do caminho, um projeto de mestrado que n&#227;o dei sequ&#234;ncia. </p><p>Mas lia e estudava como um n&#225;ufrago agarrado em b&#243;ias para n&#227;o se afogar, n&#227;o como quem quer ser culto, erudito, intelectual, fil&#243;sofo, escritor, essas coisas. </p><p>Durante boa parte desse tempo, eu n&#227;o sabia nem quem eu era, muito menos quem deveria ser. </p><p>Eu s&#243; queria me salvar.</p><p>***</p><p>Em se tratando de voca&#231;&#227;o, quando voc&#234; tem um imagin&#225;rio limitado ao universo do trabalho, achando que voca&#231;&#227;o &#233; escolher uma profiss&#227;o ou carreira, <strong>a frustra&#231;&#227;o se tornar&#225; sua melhor aliada.</strong></p><p>Porque voca&#231;&#227;o n&#227;o &#233; isso, embora costume ser pelo trabalho que ela se manifesta. Mas quando voc&#234; a reduz a isso, fatalmente se frustrar&#225;, por mais bem sucedido que consiga ser. </p><p>Vivi nessa confus&#227;o por tempo demais. Acabou que, entre naufr&#225;gios profissionais e diversos &#8220;agora vai&#8221;, aquele &#8220;algo&#8221; sempre se fazia notar pela ang&#250;stia da sua aus&#234;ncia ou incompletude.</p><p>***</p><p>A primeira dessas manifesta&#231;&#245;es foi a de escritor, que surgiu naturalmente em blogs desde a virada do s&#233;culo, escrevendo pra jornais tamb&#233;m desde ent&#227;o. Vieram <a href="https://www.amazon.com.br/stores/Francisco-Escorsim/author/B0GZZHLCYB?ref=ap_rdr&amp;shoppingPortalEnabled=true">os livros</a>, mais vir&#227;o. </p><p>Ali&#225;s, o primeiro livro exclusivamente de minha autoria (os demais foi como co-autor) foi <a href="https://www.amazon.com.br/m%C3%ADnimo-sobre-Voca%C3%A7%C3%A3o-Francisco-Escorsim-ebook/dp/B0FSL87CVV/?_encoding=UTF8&amp;pd_rd_w=Y5QaG&amp;content-id=amzn1.sym.0981e4ef-6a45-49be-80a5-4e46bc4ff019&amp;pf_rd_p=0981e4ef-6a45-49be-80a5-4e46bc4ff019&amp;pf_rd_r=145-3503237-1183104&amp;pd_rd_wg=D270z&amp;pd_rd_r=0e949619-d0ce-42a1-939e-ab78798c3326">sobre voca&#231;&#227;o.</a></p><p><strong>Desse mirante dos meus 50 anos, dou-me conta, com sereno al&#237;vio</strong>, que sempre escrevi como Ahab, para tentar capturar aquele &#8220;algo&#8221;, ao menos acion&#225;-lo como quem toca um interruptor de luz. </p><p>&#192;s vezes, consegui. Sei pela forma como alguns leitores me deram retorno. Parecida com a minha rea&#231;&#227;o diante da leitura daquele livro de agosto de 1993, guardadas as devidas propor&#231;&#245;es, claro.</p><p>Ali&#225;s, se realmente guardadas as devidas propor&#231;&#245;es, para todo escritor &#233; sempre: &#8220;Canta, Musa&#8221;. </p><p><strong>Musa, nome das antigas para &#8220;algo&#8221;. </strong></p><p>*** </p><p>J&#225; a manifesta&#231;&#227;o do professor foi um parto bem mais sofrido. </p><p>Agosto de 2010. Era agora ou nunca. Havia passado em dois concursos p&#250;blicos na &#225;rea do Direito que, se assumisse, tenho certeza que jamais desistiria dos cargos, enterrando-me em vida.</p><p>Mas arrisquei, cagado de medo, <strong>trabalhar com o que tinha mais a ver comigo</strong>, com &#8220;o que eu gostava&#8221;, como se diz. Era para dar aulas em um instituto, cursos livres e orienta&#231;&#245;es individuais. </p><p>Foi a segunda melhor coisa que me aconteceu como professor, pois descobri que eu servia para o of&#237;cio. </p><p>E gostava, pela primeira vez, eu gostava do que fazia.</p><p>***</p><p>A primeira melhor coisa foi esse instituto ter naufragado dois anos depois.</p><p>Eu j&#225; usava o termo &#8220;n&#225;ufrago&#8221; muitos anos antes, at&#233; intitulei assim um dos blogs que tive. N&#227;o por gostar, achar bonito, marketing ou sei l&#225; o qu&#234;. Mas porque <strong>&#233; o termo que melhor me definia</strong>, conforme o sentido dado por Ortega y Gasset em suas Medita&#231;&#245;es do Quixote, no famoso trecho que termina com: </p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>&#8220;Como isso &#233; a pura verdade &#8211; a saber, que viver &#233; se sentir perdido &#8211; aquele que o aceita j&#225; come&#231;ou a se encontrar, j&#225; come&#231;ou a descobrir a sua aut&#234;ntica realidade, j&#225; est&#225; em terra firme. Instintivamente, como o n&#225;ufrago, buscar&#225; algo a que se agarrar, e essa busca tr&#225;gica, perempt&#243;ria, absolutamente veraz, porque se trata de salvar-se, o far&#225; ordenar o caos da sua vida. Essas s&#227;o as &#250;nicas ideias verdadeiras: as ideias dos n&#225;ufragos.&#8221;</p></div><p>Mais do que um Ahab sem baleia, <strong>eu era um Ahab n&#225;ufrago. </strong></p><p>***</p><p>Agosto de 2017. Antes da pandemia de &#8220;produtos digitais&#8221;, eu e outro colega daquele instituto decidimos empreender usando as redes sociais. </p><p>Criamos o projeto &#8220;Os N&#225;ufragos&#8221;, onde o professor (eu) e o psic&#243;logo (o Jota) tentavam se tornar um pouco como aqueles &#8220;salva-vidas&#8221;, meio gordos e meio lentos, na beira da praia, tentando ajudar outros n&#225;ufragos como n&#243;s f&#244;ramos, &#233;ramos ainda em alguma medida.</p><p><strong>Deu mais certo do que eu imaginava. </strong>Mas o melhor do projeto eu n&#227;o imaginei. </p><p>A certa altura, criamos grupos no whatsapp para que pud&#233;ssemos ficar mais pr&#243;ximos dos alunos e para que cada participante pudesse tamb&#233;m ajudar outros como ele. Criou-se uma comunidade que fez muito mais diferen&#231;a na vida de todos do que qualquer coisa que os donos do projeto faziam ou pretendiam fazer.</p><p>O projeto se encerrou anos depois, mas muitas amizades verdadeiras nasceram daquela comunidade, muitos grupos tamb&#233;m, continuando a se ajudarem mutuamente. </p><p><strong>Tenho poucos orgulhos nessa vida, este &#233; um deles. </strong></p><p>Houve &#8220;algo&#8221; ali que era mais e melhor do que ser escritor ou professor. Foi sendo mero instrumento, mera b&#243;ia, &#224;s vezes farol daquele &#8220;algo&#8221; que, quando nos damos conta do que &#233;, descobrimos que n&#227;o &#233; nosso, n&#243;s &#233; que somos dele.</p><p><strong>Foi a&#237; que entendi com clareza por que a voca&#231;&#227;o &#233; um chamado. </strong>A voca&#231;&#227;o &#233; quem ou o que nos chama, &#233; esse &#8220;algo&#8221;. </p><p>&#201; como respondemos a esse chamado que define quem somos.</p><p>*** </p><p><strong>Leonard Cohen</strong> tem uma m&#250;sica, de um de seus &#250;ltimos discos, quando ele sabia que estava mais perto do fim da vida, chamada <em>Going Home</em>.</p><p>Na letra, <strong>&#233; Deus falando com Leonard</strong>. Do quanto o compositor gostaria de compor uma can&#231;&#227;o de amor, um hino sobre o perd&#227;o, um manual sobre viver com a derrota, um clamor para al&#233;m do sofrimento, sobre um sacrif&#237;cio restaurador, mas que n&#227;o &#233; isso que Deus queria dele:</p><blockquote><p><span>Quero que ele tenha certeza<br>Que n&#227;o tem fardo nenhum<br>Que n&#227;o precisa de vis&#245;es<br>Que a sua &#250;nica permiss&#227;o<br>&#201; cumprir minhas ordens imediatas:<br>Dizer o que mandei ele repetir</span></p></blockquote><p>E ent&#227;o vem o refr&#227;o com Leonard cantando que est&#225; voltando para casa sem o fardo, para onde tudo est&#225; melhor do que antes.</p><p>Eis a verdadeira liberdade, eis uma voca&#231;&#227;o realizada, <strong>eis &#8220;algo&#8221;. </strong></p><iframe class="spotify-wrap" data-attrs="{&quot;image&quot;:&quot;https://i.scdn.co/image/ab67616d0000b2737fb69b6ee01faf0797ee4fcf&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Going Home&quot;,&quot;subtitle&quot;:&quot;Leonard Cohen&quot;,&quot;description&quot;:&quot;&quot;,&quot;url&quot;:&quot;https://open.spotify.com/track/4a1dvKHMBg9PQTJBZrMjKJ&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;noScroll&quot;:false}" src="https://open.spotify.com/embed/track/4a1dvKHMBg9PQTJBZrMjKJ" frameborder="0" gesture="media" allowfullscreen="true" allow="encrypted-media" loading="lazy" data-component-name="Spotify2ToDOM"></iframe><p>***<br>Para um crist&#227;o, a voca&#231;&#227;o &#233; parte da encarna&#231;&#227;o. </p><p>&#201; Jesus quem chama. <strong>A voca&#231;&#227;o &#233; Ele, &#233; dEle. </strong></p><p>O nosso &#8220;sim&#8221; significa segui-Lo e imit&#225;-Lo. &#201; Ele quem mostrar&#225; o caminho a partir da&#237;, seja qual for (e tanto faz qual for). Como ensinou S&#227;o Paulo na sua segunda Carta aos Cor&#237;ntios, do vers&#237;culo 1 ao 6:</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>Come&#231;amos de novo a recomendar-nos a n&#243;s mesmos? Ou temos porventura necessidade, como alguns, de cartas de recomenda&#231;&#227;o para v&#243;s ou de v&#243;s?</p><p>A nossa carta sois v&#243;s, escrita em nossos cora&#231;&#245;es, que &#233; reconhecida e lida por todos os homens, sendo manifesto que v&#243;s sois a carta de Cristo, escrita pelo nosso minist&#233;rio, n&#227;o com tinta, mas com o esp&#237;rito de Deus vivo, n&#227;o em t&#225;buas de pedra (como a antiga lei), mas em t&#225;buas de carne, sobre os vossos cora&#231;&#245;es.</p><p>E temos esta confian&#231;a em Deus, por Cristo.</p><p>N&#227;o que sejamos capazes, por n&#243;s, de pensar alguma coisa (sobrenaturalmente boa), como vinda de n&#243;s mesmos, mas a nossa capacidade vem de Deus, o qual tamb&#233;m nos fez id&#244;neos ministros da nova Alian&#231;a, n&#227;o pela letra (da lei), mas pelo Esp&#237;rito, porque a letra mata, mas o Esp&#237;rito vivifica.</p></div><p>Ok, beleza, <strong>mas quem me garante</strong> que tudo o que escrevi acima n&#227;o &#233; s&#243; letra, um algo sem &#8220;algo&#8221;?</p><p>***</p><p>Agosto de 2024, acho. Talvez tenha sido em 23. Chamaram-me para um programa na TV Evangelizar sobre voca&#231;&#227;o.</p><p>Eu estava no rol dos leigos, havia tamb&#233;m padre, seminarista, freira; religiosos, enfim.</p><p><strong>Senti-me incomodado. </strong>Eu n&#227;o tinha muito o que falar, sen&#227;o o que escrevi acima. Os demais me pareciam muito mais resolvidos, tinham mais a dizer. Ao menos para outros crist&#227;os. Costumo falar para n&#225;ufragos, n&#227;o era o caso ali. Acho.</p><p>Por outro lado, incomodava-me a pouca refer&#234;ncia a Cristo. Sobravam &#8220;eus&#8221; em suas escolhas. N&#227;o pareciam, por&#233;m, como a legi&#227;o de cat&#243;licos de instagram que transformaram a santidade em uma &#8220;carreira&#8221; na qual &#233; preciso progredir, ser promovido etc. </p><p>N&#227;o, era muito mais prov&#225;vel que o problema fosse meu. </p><p><strong>Havia Jesus no meu &#8220;algo&#8221;?</strong></p><p>***<br>"E se te enganas?&#8221;</p><p>&#201; uma das obje&#231;&#245;es que os c&#233;ticos fazem a Santo Agostinho. Sua resposta, trocentos anos antes de Descartes, &#233; daquelas pra causar metanoias:</p><p><strong>&#8220;Pois, se me engano, existo.&#8221;</strong></p><p><span>Est&#225; na sua &#8220;Cidade de Deus&#8221;. Para tentar resumir sua explica&#231;&#227;o em tr&#234;s pontos: </span></p><ol><li><p><span>se eu erro, eu </span><strong><span>existo</span></strong><span> (pois quem n&#227;o existe n&#227;o pode errar).</span></p></li><li><p><span>Se eu sei que me engano, eu </span><strong><span>conhe&#231;o</span></strong><span> (sei que houve um erro).</span></p></li><li><p><span>Se eu amo existir e conhecer, eu </span><strong><span>amo</span></strong><span> (mesmo errando, o desejo de verdade permanece).</span></p></li></ol><p>Ou substitua &#8220;existir&#8221; por &#8220;algo&#8221;, &#8220;conhecer&#8221; por &#8220;buscar&#8221; e reconhe&#231;a que ama. </p><p>&#201; do terceiro ponto que costumo me esquecer. </p><p><strong>&#201; quando naufrago.</strong></p><p>***<br>Existir, conhecer, amar, tudo isso nos &#233; dado. </p><p>Vem do &#8220;algo&#8221; que tudo &#233;, tudo conhece, tudo ama. E nos chama justamente por e para isso: ser, conhecer, amar.  </p><p><strong>O capit&#227;o Ahab, na verdade, &#233; Jesus.</strong></p><p>***</p><p>Se passei boa parte da vida s&#243; O encontrando na ang&#250;stia da sua aparente aus&#234;ncia, na recusa da falta de sentido e prop&#243;sito, &#233; porque <strong>todo n&#225;ufrago tem um cadinho de filho pr&#243;digo.</strong></p><p>Filho pr&#243;digo que at&#233; quer voltar para casa, mas n&#227;o sabe o caminho direito.  </p><p>*** </p><p>Escrevi este longo texto (ao leitor que chegou at&#233; aqui, meu carinhoso obrigado!) escutando repetidas vezes <em>Coney Island Baby</em>, de <strong>Lou Reed.</strong> </p><p>Sempre foi companheira, sempre achei que fosse sobre voca&#231;&#227;o.</p><p>Eu tamb&#233;m s&#243; queria &#8220;jogar futebol para o Treinador&#8221;. <strong>&#201; sobre isso.</strong> </p><p>Acho que estou conseguindo, se Deus quiser.</p><iframe class="spotify-wrap" data-attrs="{&quot;image&quot;:&quot;https://i.scdn.co/image/ab67616d0000b2735dcf459d038104c9ba910442&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Coney Island Baby&quot;,&quot;subtitle&quot;:&quot;Lou Reed&quot;,&quot;description&quot;:&quot;&quot;,&quot;url&quot;:&quot;https://open.spotify.com/track/0ivHDucXMbjTjiU4lMIkBO&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;noScroll&quot;:false}" src="https://open.spotify.com/embed/track/0ivHDucXMbjTjiU4lMIkBO" frameborder="0" gesture="media" allowfullscreen="true" allow="encrypted-media" loading="lazy" data-component-name="Spotify2ToDOM"></iframe><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#006 - Junhos e Julhos]]></title><description><![CDATA[Sobre vit&#243;rias e derrotas, sobre o que importa]]></description><link>https://franciscoescorsim.substack.com/p/006-junhos-e-julhos</link><guid isPermaLink="false">https://franciscoescorsim.substack.com/p/006-junhos-e-julhos</guid><dc:creator><![CDATA[Francisco Escorsim]]></dc:creator><pubDate>Sun, 09 Aug 2026 15:05:36 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/l9W-herIzbc" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h2>Avisos Paroquiais</h2><p>Na <strong>Gazeta do Povo</strong>:</p><p><strong>1) Junho:</strong> <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/copa-do-mundo-tregua-politica/">A Tr&#233;gua</a>, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/somos-bestas/">Somos umas bestas</a>,<a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/7-a-1-tara-do-defunto-nelson-rodrigues-copa-do-mundo/"> Nem Nelson Rodrigues explica</a>, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/copa-do-mundo-michelle-bolsonaro-gilmar-mendes/">O apito inimigo de Bras&#237;lia</a>, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/o-avanco-da-censura-nas-redes-esta-transformando-a-guerra-cultural/">O avan&#231;o da censura</a> e <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/o-recado-que-a-nova-serie-da-netflix-deixa-para-neymar-antes-da-copa-de-2026/">O recado que a nova s&#233;rie da Netflix deixa para Neymar antes da Copa de 2026</a>.</p><p><strong>2) Julho</strong>: <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/copa-do-mundo-nelson-rodrigues/">Na Copa n&#227;o sou eu que escrevo</a>, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/nelson-rodrigues-politica-direita-centrao/">Toda direita ser&#225; castigada</a>, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/serie-luva-de-pedreiro-o-rei-da-jogada/">Receba!</a>, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/histeria-eleitoral-equilibrio-desinteresse/">Aproveite antes que a histeria eleitoral nos contagie</a>, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/odisseia-christopher-nolan-he-man-xuxa/">Que show da Xuxa &#233; esse, Nolan?</a>, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/4-de-julho-250-anos-experimento-brasil-copiou-mal/?ref=busca">Quatro de Julho</a> e <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/sob-a-ditadura-do-woke-nao-havera-outro-familia-soprano/?ref=busca">N&#227;o haver&#225; outro Sopranos</a>.</p><p><strong>3)</strong> Programa <strong>Saideira,</strong> no YouTube, segue o link da <strong><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLvH9SEyPq0ZNYQaUCFA2ldCzbMkfzI3G4">playlist geral.</a></strong></p><p>No <strong>blog da Lumine</strong>: <a href="https://blog.lumine.tv/deus-nao-e-agiota-o-que-o-torcedor-de-arquibancada-tem-a-ensinar-ao-cristao/">Deus n&#227;o &#233; agiota: o que o torcedor de arquibancada tem a ensinar ao crist&#227;o</a> e <a href="https://blog.lumine.tv/analise-de-odisseia-de-christopher-nolan/">Um Odisseu em Terapia</a>.</p><h2>Junhos e Julhos</h2><p>Que me perdoem os amantes das festas juninas, das festas dos tantos maiores santos, das f&#233;rias de meio de ano. A cada 4 anos, junho e julho se tornam um s&#243;: o m&#234;s da Copa do Mundo. </p><p><em>"O futebol n&#227;o &#233; uma quest&#227;o de vida ou morte. <strong>&#201; muito mais importante que isso.</strong>"</em> - Rodrigues, Nelson Rodrigues.</p><p>***</p><p>Junho &#233; o m&#234;s das vit&#243;rias nas Copas do Mundo.</p><p>Pode conferir. Pouco perdemos. </p><p>E quatro de <strong>nossos t&#237;tulos </strong>foram em junho: 58, 62, 70 e 02.</p><p>***<br>Ok, voc&#234; n&#227;o foi conferir. Permita-me, ent&#227;o, ser um chato, tipo um PVC.</p><p>Das 23 Copas, participamos de todas e fomos eliminados em apenas 5 junhos. As restantes, ou ganhamos ou fomos eliminados em julho ou outro m&#234;s, como a aberra&#231;&#227;o da data de 2022.</p><p>Em junho de 82, por exemplo, <strong>n&#227;o existia o desastre do Sarri&#225;</strong>; somente vit&#243;rias ic&#244;nicas. Idem em 2014, com vit&#243;rias n&#227;o ic&#244;nicas, por&#233;m.</p><p>***</p><p>82 n&#227;o foi minha primeira Copa, mas a primeira de que tenho mem&#243;ria.</p><p>Especialmente de alguns lances e gols, como o corta-luz de Falc&#227;o para &#201;der, na virada na estreia contra os comunistas, aos 44 minutos do 2&#186; tempo.</p><div id="youtube2-l9W-herIzbc" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;l9W-herIzbc&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/l9W-herIzbc?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><p>Futebolisticamente falando, eu moro em junho de 1982.</p><p>E estou em boa companhia. Pep Guardiola tamb&#233;m: &#8220;<a href="https://youtu.be/FjXxADEe6aE?si=LWm4kehqIWFlPCDp">Essa foi a sele&#231;&#227;o mais maravilhosa que j&#225; existiu</a>&#8221;.</p><p><em>"No futebol, <strong>a beleza vem antes da vit&#243;ria</strong>. A vit&#243;ria sem beleza &#233; uma impostura."</em> - Rodrigues, Nelson Rodrigues.</p><p>***</p><p>Minha ideia era escrever sobre meus junhos depois do jogo contra o Jap&#227;o na Copa de 26. Ganhamos, no pau da goiaba, como diz o ditado, mas ganhamos. </p><p>Infelizmente, n&#227;o consegui terminar este texto antes do jogo seguinte, contra a Noruega, j&#225; em julho.</p><p>Falar sobre junhos vencedores ficou um tanto amargo com a elimina&#231;&#227;o. Como foram os <strong>junhos de 86 e 90 </strong>para mim.</p><p>***<br>De junho de 90 tenho a viva lembran&#231;a do passe do cocain&#244;mano e da corrida intermin&#225;vel de Caniggia. Um m&#237;sero contra-ataque valeu mais do que o amasso que est&#225;vamos dando em campo. </p><p>Foi <strong>o jogo da &#8220;&#225;gua batizada&#8221;</strong>, conhece? Procure a&#237;, caso n&#227;o. Como se v&#234; a canalhice n&#227;o &#233; novidade no futebol argentino. </p><p>***</p><p>Lembro de ficar sozinho na sala, sentado sobre o encosto do sof&#225;. Era domingo. Jogo terminado, almo&#231;o na mesa, todos foram comer. N&#227;o consegui, n&#227;o imediatamente. Acho que nem piscava diante da TV, ficava olhando para o nada.</p><p>Eu tinha 14 anos, praticamente <strong>a mesma idade do meu ca&#231;ula em 26</strong>. </p><p>No jogo contra o Jap&#227;o, agora em 26, o hor&#225;rio era pr&#243;ximo do almo&#231;o tamb&#233;m. Almo&#231;amos antes da partida e foi imposs&#237;vel n&#227;o sentar no sof&#225; e n&#227;o lembrar de 90. Estava parecido demais, temi o mesmo destino. </p><p>Mas vencemos, e achei que come&#231;&#225;vamos a ficar com cara de 94, aquela cara de quem parece que n&#227;o vai, mas foi. </p><p>***</p><p>Mas, n&#227;o foi. </p><p>Perder pra outro Paraguai europeu, que sina. E fiquei olhando pro nada de novo. </p><p>E meu ca&#231;ula preferiu se isolar para lidar do jeito dele com <strong>o mesmo nada.</strong></p><p><em><span>&#8220;Quem n&#227;o chora numa Copa do Mundo, quem n&#227;o sofre com um gol advers&#225;rio, n&#227;o tem sangue nas veias; tem &#225;gua de po&#231;o.&#8221; - </span></em><span>Rodrigues, Nelson Rodrigues.</span></p><p>***</p><p>Curioso, n&#227;o lembro tanto dos p&#234;naltis perdidos de Zico, no tempo normal, e S&#243;crates, na cobran&#231;a de penais, l&#225; em 86. </p><p>O que mais recordo &#233; de um p&#234;nalti franc&#234;s, batido por um tanto faz. Nosso arqueiro, Carlos, pulou certo, mas a bola passou, bateu na trave, voltou e bateu nas costas dele, entrando mansinha no gol.</p><p><strong>Acho que os junhos nas Copas s&#227;o como essa trave</strong> e os julhos andam se acostumando demais, depois de 2002, em ser como as costas do Carlos. </p><p>Perdemos mais pra n&#243;s mesmos, na maioria das vezes.</p><p>***<br><strong>S&#243; as derrotas nos ensinam.</strong> As vit&#243;rias s&#227;o como obriga&#231;&#227;o, no caso do Brasil. E t&#237;tulos, uma antecipa&#231;&#227;o do Para&#237;so. Nele vivi em 17 de julho de 1994. E continuei no dia seguinte.</p><p>***</p><p>No dia seguinte, uma segunda-feira, eu tinha teste de dire&#231;&#227;o no Detran &#224;s 9h.<strong> Sim, &#224;s 9h, depois da conquista do tetra.</strong></p><p>O avaliador mal conseguia se manter acordado, tamanha a ressaca. Dei uma volta na quadra, ele considerou suficiente. Passei, sem baliza, sem ter de segurar o carro em rampa, gra&#231;as &#224; Sele&#231;&#227;o.</p><p><em>"O escrete representa os nossos defeitos e as nossas virtudes." - </em>Rodrigues, Nelson Rodrigues.</p><p>***</p><p>Recuso-me a falar das derrotas de julho. <strong>O tetra de 94 &#233; maior do que todas.</strong></p><p>***</p><p>S&#243; consegui voltar a escrever aqui em agosto. </p><p>E depois de ver meu ca&#231;ula sair de casa para ir assistir ao novo filme do homem-aranha trajado com <strong>o casaco da Sele&#231;&#227;o de 1970.</strong></p><p>***</p><blockquote><p>Esquece a casa e o trabalho</p><p>A vida fica l&#225; fora</p><p>E tudo fica l&#225; fora</p><p>Inferno fica l&#225; fora</p><p>As dores ficam l&#225; fora</p></blockquote><iframe class="spotify-wrap" data-attrs="{&quot;image&quot;:&quot;https://i.scdn.co/image/ab67616d0000b2734f2fef826685a88c2a21f433&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Aqui &#201; O Pa&#237;s Do Futebol&quot;,&quot;subtitle&quot;:&quot;Wilson Simonal&quot;,&quot;description&quot;:&quot;&quot;,&quot;url&quot;:&quot;https://open.spotify.com/track/13POSPGfmat8TU8utkEsDS&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;noScroll&quot;:false}" src="https://open.spotify.com/embed/track/13POSPGfmat8TU8utkEsDS" frameborder="0" gesture="media" allowfullscreen="true" allow="encrypted-media" loading="lazy" data-component-name="Spotify2ToDOM"></iframe><p><em>&#8220;Enterrar a Sele&#231;&#227;o depois de uma derrota &#233; o erro dos vendilh&#245;es da p&#225;tria. Eu crio uma <strong>nova esperan&#231;a a partir das nossas cinzas</strong>.&#8221; </em>- Rodrigues, Nelson Rodrigues.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#005 - Maios]]></title><description><![CDATA[Sobre ser pai, sobre amor, sobre perd&#227;o, sobre William Shatner]]></description><link>https://franciscoescorsim.substack.com/p/005-maios</link><guid isPermaLink="false">https://franciscoescorsim.substack.com/p/005-maios</guid><dc:creator><![CDATA[Francisco Escorsim]]></dc:creator><pubDate>Fri, 19 Jun 2026 16:14:49 GMT</pubDate><enclosure url="https://i.scdn.co/image/ab67616d0000b273f46cc9629bc96ffd5556bed3" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h2>Avisos Paroquiais</h2><p>Na <strong>Gazeta do Povo</strong>:</p><p>1) Cr&#244;nicas/Colunas de Opini&#227;o: <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/jorge-messias-senado-lula-humilhacao/">Lula humilhado</a>, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/significado-rejeicao-jorge-messias/">Messias rejeitado,</a> <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/brasilia-detergente-nunes-marques-tse-flavio-bolsonaro-daniel-vorcaro/">Haja Detergente!</a>, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/flavio-bolsonaro-selecao-brasileira-neymar-teimosia/">A teimosia do lado de fora</a> e <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/escala-6x1-pec-domesticas/">&#8220;Vamo tudo se lasc&#225;&#8221;.</a></p><p>2) Editoria de Ideias/Cultura: <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/quem-lacra-nao-lucra-fim-do-imperio-woke-esta-proximo/">Quem lacra n&#227;o lucra: o fim do imp&#233;rio woke est&#225; pr&#243;ximo?</a> </p><p>3) Programa <strong>Saideira,</strong> no YouTube, segue o link da <a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLvH9SEyPq0ZNYQaUCFA2ldCzbMkfzI3G4">playlist geral.</a></p><p>No <strong>blog da Lumine</strong>: <a href="https://blog.lumine.tv/star-wars-e-o-filtro-catolico-reter-o-que-e-bom/">Star Wars e o filtro cat&#243;lico</a>.</p><h2>Maios</h2><p>"Voc&#234; s&#243; vai me entender quando tiver os seus filhos". </p><p>Poucas coisas geraram tantos clich&#234;s quanto a paternidade e maternidade.</p><p>Quando voc&#234; tem filhos, entende o por qu&#234;. </p><p>Meu primog&#234;nito nasceu em maio de 2005. </p><p>Desde ent&#227;o, sou um clich&#234; ambulante.</p><p>***
A palavra vem do franc&#234;s <em>clich&#233;</em>, que era um termo t&#233;cnico da tipografia (impress&#227;o antiga). </p><p>No s&#233;culo XIX, para imprimir uma p&#225;gina de texto repetidas vezes, os impressores criavam uma placa de metal fixa com as letras j&#225; montadas. O som que a prensa fazia ao bater no metal para moldar essa placa parecia um clique - <strong>da&#237; o nome </strong><em><strong>clich&#233;</strong></em><strong>. </strong></p><p>Com o tempo, o termo saiu das gr&#225;ficas e passou a significar qualquer ideia copiada e colada repetidamente.</p><p>Quando voc&#234; segura um filho no colo pela primeira vez, escuta o som da prensa na pr&#243;pria alma. </p><p>***<br>&#8220;M&#227;e &#233; tudo igual, s&#243; muda de endere&#231;o&#8221;. </p><p>Pai tamb&#233;m. Mas o que &#233; isso que nos torna <em>iguais? </em><strong>O que &#233; isso prensado na alma de todo pai? </strong>O que &#233; isso que faz do clich&#233; n&#227;o um abuso de c&#243;pias, mas uma cornuc&#243;pia de sentido?</p><p>***<br>Quando Pedro nasceu, lembro de cada detalhe daquele dia. Da madrugada, de tocar o Tremend&#227;o no r&#225;dio, &#8220;mesmo que seja eu, um homem pra chamar de seu&#8221;. Da espera de me chamarem no quarto, observando pela janela um helic&#243;ptero da pol&#237;cia militar sobrevoando o bairro vizinho da maternidade. Houve uma opera&#231;&#227;o grande, v&#225;rios presos, apreens&#227;o de sei l&#225; quantas drogas e armas e procurados pelo justi&#231;a. E eu ali, olhando de longe, totalmente identificado com aquele helic&#243;ptero parecendo parado no ar, esperando.</p><p>***<br>Engra&#231;ado que os detalhes daqueles minutos principais, n&#227;o lembro tanto. Lembro da entrada no centro cir&#250;rgico. De ficar acarinhando minha esposa. Do choro dele. De n&#227;o saber absolutamente o que fazer. Da primeira vez em meus bra&#231;os. De pensar: <strong>&#8220;F***u, vai morrer!&#8221;</strong></p><p>***</p><p>&#8220;Ser m&#227;e &#233; padecer no Para&#237;so.&#8221;</p><p>Ser pai tamb&#233;m. Quando a primeira coisa que me veio ao ter o Pedro em meus bra&#231;os foi a morte, n&#227;o &#233; porque eu n&#227;o saberia cuidar etc. N&#227;o, tem a ver com o que &#233; prensado na alma nesse instante.</p><p><strong>E o que se prensa &#233; o incondicional do amor.</strong></p><p>N&#227;o existe amor incondicional. Salvo pelos filhos. E &#233; por ser incondicional que a morte se revela seu maior oposto, advers&#225;rio, inimigo.</p><p>A morte &#233; o padecer, fundamento de todos os perrengues, ang&#250;stias, sofrimentos. O amor incondicional &#233; o Para&#237;so. </p><p>***<br>Dar-me conta da morte no momento em que meu filho nasceu teve menos a ver com meus medos, minhas inseguran&#231;as. Eu estava sendo apresentado ao Para&#237;so. <strong>Era isso que me assustava.</strong></p><p>***  </p><p>Quando foi a vez do Henrique, em junho de 2011, foi quase o oposto. Lembro mais do momento do parto do que da espera. E o medo j&#225; me era familiar. Peg&#225;-lo pela primeira vez nos bra&#231;os n&#227;o me assustou. Mas ainda me espanta lembrar da prensa na alma naquele instante, <strong>refor&#231;ando o incondicional com o ilimitado. </strong></p><p>*** </p><p>Ningu&#233;m est&#225; &#224; altura disso, de tanto amor. N&#227;o tem como. E acho que &#233; por isso mesmo que <strong>todo pai sente culpa.</strong> Culpa com fudamento ou sem, consciente ou n&#227;o. Culpa pelos erros cometidos, pelas omiss&#245;es inevit&#225;veis, pelo que descobrir&#225; quando os filhos lhe acusarem (e ir&#227;o). Ningu&#233;m est&#225; &#224; altura disso, ningu&#233;m d&#225; conta do incondicional do amor. &#201; padecer.</p><p>***<br>Maio de 2026. O Spotify revelou que m&#250;sicas foram as mais ouvidas por cada usu&#225;rio desde o surgimento desse brinquedo. Surpreendi-me. A minha foi <em>That&#8217;s Me Trying, </em>do William Shatner (?!).</p><iframe class="spotify-wrap" data-attrs="{&quot;image&quot;:&quot;https://i.scdn.co/image/ab67616d0000b273f46cc9629bc96ffd5556bed3&quot;,&quot;title&quot;:&quot;That's Me Trying&quot;,&quot;subtitle&quot;:&quot;William Shatner&quot;,&quot;description&quot;:&quot;&quot;,&quot;url&quot;:&quot;https://open.spotify.com/track/64mSnP06FqRXXDSe69Vmp1&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;noScroll&quot;:false}" src="https://open.spotify.com/embed/track/64mSnP06FqRXXDSe69Vmp1" frameborder="0" gesture="media" allowfullscreen="true" allow="encrypted-media" loading="lazy" data-component-name="Spotify2ToDOM"></iframe><p>Sim, William Shatner, mais conhecido pelas gentes como o Capit&#227;o Kirk, de Jornada nas Estrelas. Mas, para mim, ser&#225; sempre o eterno de Denny Crane, de Boston Legal (que &#233; uma spin off de The Practice).</p><p>Ia escrever mais sobre Shatner, seus discos, mas deixarei para outro texto. N&#227;o sei ao certo quando descobri a m&#250;sica. Foi certamente pesquisando mais sobre o seriado, o personagem, o ator.</p><p><strong>Adivinha sobre o que &#233; a m&#250;sica? </strong></p><p>***<br>Um pai - p&#233;ssimo pai - tentando retomar o contato com a filha atrav&#233;s de uma carta.</p><p>N&#227;o tenta se justificar do mal que fez pelo tanto que n&#227;o fez, do muito que perdeu. Sabe que n&#227;o tem desculpa. </p><p>Ainda assim, tenta, acreditando que a filha aceitar&#225; deixar os problemas e sofrimentos de lado, literalmente esquecendo o passado e aceitando o pai como se nada tivesse acontecido, como se ele sempre estivesse presente.</p><p>Parece imposs&#237;vel. N&#227;o para o incondicional do amor. No caso dos filhos, <strong>a prensa desse amor &#233; outra: a do perd&#227;o.</strong></p><p>Todo perd&#227;o filial &#233; uma permiss&#227;o de viver o incondicional do amor. </p><p>***</p><p>Agrade&#231;o ao Spotify. Enfim entendi o que tanto gosto na m&#250;sica. &#201; mais do que um consolo para as culpas paternais que carrego. Das que sei a raz&#227;o, das que nem fa&#231;o ideia (ainda) das que carrego. <strong>&#201; um </strong><em><strong>memento amare</strong></em><strong>.</strong></p><p>***<br>Caso meus filhos leiam isso daqui, saibam:<strong> </strong><em><strong>that&#8217;s me trying</strong></em><strong>.</strong> Voc&#234;s entender&#227;o quando tiverem meus netos.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#004 - Abris]]></title><description><![CDATA[Do punk; do caga&#231;o; do anivers&#225;rio m&#237;tico; de outros abris mitol&#243;gicos]]></description><link>https://franciscoescorsim.substack.com/p/004-abris</link><guid isPermaLink="false">https://franciscoescorsim.substack.com/p/004-abris</guid><dc:creator><![CDATA[Francisco Escorsim]]></dc:creator><pubDate>Sun, 03 May 2026 13:44:53 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/51c3fa40-1fe6-4ea0-aa75-c8a7e0ce195c_1200x630.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h2>Avisos Paroquiais</h2><p>Cr&#244;nicas/Colunas de Opini&#227;o na <strong>Gazeta do Povo</strong>: </p><p>1) <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/paixao-de-cristo-paixao-por-ter-razao/">A paix&#227;o por ter Raz&#227;o</a>, </p><p>2) <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/musica-bar-fim-da-civilizacao/">Se a Civiliza&#231;&#227;o for acabar, que seja assim</a>, </p><p>3) <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/gilmar-mendes-day-impunidade-corrupcao/">Gilmar Mendes Day</a>, </p><p>4) <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/gerardo-mello-mourao-tolkien-brasileiro/">O Brasil teve seu Tolkien e voc&#234; nem ficou sabendo</a>.</p><p>Para a <strong>Editoria de Ideias</strong> do mesmo jornal:</p><p>1) <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/cnn-paramount-warner-jornalismo/">A Compra da CNN pela Paramount (e o fim do jornalismo tal como o conhecemos)</a>,</p><p>2) <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/a-honestidade-calculada-de-justin-bieber-o-que-resta-de-voce-por-tras-dos-filtros/">A Honestidade Calculada de Justin Bieber: o que resta de voc&#234; por tr&#225;s dos filtros?</a>.</p><p>E para os programas do <strong>Saideira</strong> no YouTube, segue o link da <a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLvH9SEyPq0ZNYQaUCFA2ldCzbMkfzI3G4">playlist geral.</a></p><p>Por fim, para o <strong>blog da Lumine</strong>: <a href="https://blog.lumine.tv/game-of-thrones-poetas-mortos-e-o-faro-cristao/">Game of Thrones, Poetas Mortos e o Faro Crist&#227;o: o medo n&#227;o &#233; crit&#233;rio de sele&#231;&#227;o</a></p><h2>Abris</h2><p><em>Hey, ho, let&#8217;s go!</em></p><p>E nasci, dia 12. Dias antes do primeiro disco dos Ramones ser lan&#231;ado. </p><p><strong>Surgi com o punk, pois. </strong></p><p>Deve significar alguma coisa. Toda origem &#233; um mito, logo, uma profecia cifrada.</p><p>****</p><p>O punk tinha um mantra: &#8220;Fa&#231;a voc&#234; mesmo&#8221;. </p><p>Era uma atitude, ponto. Independia de prop&#243;sito, de saber o que fazer, de qualidade, apenas uma atitude. Como cantava o Sex Pistols: &#8220;n&#227;o sei o que quero porque quero ser anarquia. <strong>&#201; a &#250;nica maneira de ser</strong>&#8221;. </p><p>Identifico-me com a parte de n&#227;o saber o que quer. Durante muito tempo vivi assim: </p><blockquote><p><em>Porque procuro por algo em que acreditar<br><strong>E n&#227;o sei por onde come&#231;ar</strong><br>E n&#227;o sei por onde iniciar, para come&#231;ar</em></p></blockquote><iframe class="spotify-wrap" data-attrs="{&quot;image&quot;:&quot;https://i.scdn.co/image/ab67616d0000b27372c36fca6fa56629602f931c&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Something to Believe In&quot;,&quot;subtitle&quot;:&quot;Ramones&quot;,&quot;description&quot;:&quot;&quot;,&quot;url&quot;:&quot;https://open.spotify.com/track/7a6aGoKfpywaIIwSXmZkW1&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;noScroll&quot;:false}" src="https://open.spotify.com/embed/track/7a6aGoKfpywaIIwSXmZkW1" frameborder="0" gesture="media" allowfullscreen="true" allow="encrypted-media" loading="lazy" data-component-name="Spotify2ToDOM"></iframe><p>Durante longos anos, a &#250;nica coisa mais pr&#243;xima do punk, em mim, foi a teimosia de n&#227;o desistir de procurar e n&#227;o me contentar com qualquer coisa. </p><p>****</p><p>Naquele mesmo dia 12 de abril de 1976, Ronald Wayne, que havia cofundado a <strong>Apple Computer Company</strong> dias antes, vendeu sua participa&#231;&#227;o de 10%  aos s&#243;cios - os Steve Jobs e Wozniak - por apenas US$ 800.</p><p>Jobs tentou traz&#234;-lo de volta por uns bons anos, com Wayne sempre recusando. Avaliando em retrospecto, pelo que a Apple se tornou, a atitude de Wayne parece um tanto quanto punk. <strong>Mas foi s&#243; caga&#231;o de n&#227;o dar certo. </strong></p><p>Entendo perfeitamente Ronald Wayne. Entre a atitude de querer fazer e um tremendo caga&#231;o de n&#227;o dar certo, se tentasse, passei boa parte da minha vida. </p><p>****</p><p>Quase foi aquela coisa de a vida inteira que poderia ter sido e n&#227;o foi etc. Durante anos, a &#250;nica coisa a fazer era escutar muito p&#243;s-punk, por quem fui criado, <strong>por onde fui decifrando a profecia.</strong></p><p>Descobri que foi tamb&#233;m num 12 de abril, o de 1983, que o R.E.M. lan&#231;ou seu primeiro disco, Murmur. Das minhas preferidas no disco, <strong>Sitting Still</strong>. Fala sobre a tens&#227;o entre o tempo passar e voc&#234; seguir parado, esperando sabe Deus o qu&#234;.</p><iframe class="spotify-wrap" data-attrs="{&quot;image&quot;:&quot;https://i.scdn.co/image/ab67616d0000b273d117381727dc24f19a87fdf8&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Sitting Still&quot;,&quot;subtitle&quot;:&quot;R.E.M.&quot;,&quot;description&quot;:&quot;&quot;,&quot;url&quot;:&quot;https://open.spotify.com/track/3c8EYkbpvl0wJ2v5F7pDms&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;noScroll&quot;:false}" src="https://open.spotify.com/embed/track/3c8EYkbpvl0wJ2v5F7pDms" frameborder="0" gesture="media" allowfullscreen="true" allow="encrypted-media" loading="lazy" data-component-name="Spotify2ToDOM"></iframe><p>****</p><p>12 de abril de 1986 ou 87 ou 88.</p><p>O frio agrad&#225;vel dos fins de tarde outonais invadia a sala pelos amplos janel&#245;es. As cortinas esvoa&#231;ando com a brisa suave. Na minha mem&#243;ria, meu pai fumava sorrindo, recostado na porta aberta para o jardim, depois de se despedir dos &#250;ltimos convidados. </p><p>Esparramado no tapete eu conferia meus presentes. <strong>Nenhum brinquedo. Sinal de que a inf&#226;ncia ia ficando para tr&#225;s.</strong> Entre os pacotes abertos, o vinil de <strong><a href="https://open.spotify.com/album/6Pz06FAaeym0JSqVqIkN56?si=Vv_6_p6oSPCO5Fz-nhc1YQ&amp;dl_branch=1">Brothers In Arms</a></strong>, do Dire Straits. </p><p>Coloquei na vitrola do 3 em 1 da Gradiente, que meu pai instalara em nichos do arm&#225;rio do bar de casa. N&#227;o sei em qual m&#250;sica me dei conta do quanto estava gostando. Quando percebi, decidi escutar tudo de novo, desta vez entregando toda a aten&#231;&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">A sala toda iluminada, como se ainda houvesse festa, com lustres e abajures acesos. O timbre da guitarra de Knopfler me hipnotizando. Eu vivia mais do que uma de minhas mem&#243;rias afetivas mais queridas. </p><p style="text-align: justify;">O tempo n&#227;o passava, porque n&#227;o importava. Eu n&#227;o estava parado, &#224; espera. Porque eu n&#227;o importava. Em todo anivers&#225;rio eu volto &#224;quela sala, naquela luz. <strong>Tamb&#233;m nasci ali.</strong></p><p style="text-align: justify;">Neste mito, meu pai continua na porta, sorrindo. Agora, para mim, para sempre.</p><p style="text-align: justify;">****</p><p style="text-align: justify;">Anos atr&#225;s, <strong>criei uma <a href="https://open.spotify.com/playlist/5YGciKmVXzlWtAWNwGOt1a?si=1bf028b149a148cf">playlist</a></strong> s&#243; com m&#250;sicas deste disco, mas em outra ordem, dando nova forma ao conjunto, fazendo uma sequ&#234;ncia com as &#8220;lentas&#8221;. </p><p style="text-align: justify;">Durante a adolesc&#234;ncia e come&#231;o de juventude, dormia escutando m&#250;sica, fosse em r&#225;dio ou disco ou fita cassete ou depois CD. A que mais me recordo de adormecer escutando &#233; a bela balada que d&#225; t&#237;tulo ao disco. Depois dela<em> </em>coloquei <em>Why Worry?, Your Latest Trick </em>e <em>So Far Away. </em></p><p style="text-align: justify;">Sempre que as escuto, volto a tantos adormeceres, dan&#231;ando com as lembran&#231;as de tantas vidas que poderiam ter sido e n&#227;o foram nos bailinhos adolescentes, quando tocavam e n&#227;o tinha coragem de tirar <em>aquela </em>menina para dan&#231;&#225;-las.</p><p style="text-align: justify;"><strong>Era tudo </strong><em><strong>so far away from me</strong></em><strong>.</strong></p><p style="text-align: justify;">****</p><p style="text-align: justify;">Foi tamb&#233;m em um abril que tudo come&#231;ou a mudar. </p><p style="text-align: justify;">O de 1995, quando tive coragem de tirar <strong>a &#250;nica e verdadeira </strong><em><strong>aquela</strong> </em>para dan&#231;ar. Dias depois, ainda em abril, come&#231;amos a namorar. Em abril de 1998, noivamos. </p><p style="text-align: justify;">Corta para abril de 2026, conosco viajando pela It&#225;lia, celebrando as Bodas de Prata que fazemos neste ano. </p><p style="text-align: justify;">Por isso, <strong>em todo abril </strong>celebro mais do que anivers&#225;rios, tamb&#233;m quando a vida deu o passo por mim e as vezes em que eu conseguir dar o passo da vida, the <em>Walk Of Life</em>. N&#227;o podia terminar minha playlist com outra:</p><iframe class="spotify-wrap" data-attrs="{&quot;image&quot;:&quot;https://i.scdn.co/image/ab67616d0000b27358c4e9c84ece7d31f51636f3&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Walk Of Life - Remastered 1996&quot;,&quot;subtitle&quot;:&quot;Dire Straits&quot;,&quot;description&quot;:&quot;&quot;,&quot;url&quot;:&quot;https://open.spotify.com/track/5Hk4Mpex0s2ndUpDQ5v2rU&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;noScroll&quot;:false}" src="https://open.spotify.com/embed/track/5Hk4Mpex0s2ndUpDQ5v2rU" frameborder="0" gesture="media" allowfullscreen="true" allow="encrypted-media" loading="lazy" data-component-name="Spotify2ToDOM"></iframe><div class="callout-block" data-callout="true"><p style="text-align: justify;"><em>A m&#250;sica sobre a mulher amada<br>Ele toca a can&#231;&#227;o sobre a faca<br>Ent&#227;o ele d&#225; o passo, d&#225; o passo da vida<br>Yeah, ele d&#225; o passo da vida</em></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQVo!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1842e4c5-765a-47ac-83d7-bc70688aedfb_1200x1600.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQVo!, /__u/franciscoescorsim.substack.com/w_424, /__u/franciscoescorsim.substack.com/c_limit, /__u/franciscoescorsim.substack.com/f_webp, /__u/franciscoescorsim.substack.com/q_auto:good, /__u/franciscoescorsim.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1842e4c5-765a-47ac-83d7-bc70688aedfb_1200x1600.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQVo!, /__u/franciscoescorsim.substack.com/w_848, /__u/franciscoescorsim.substack.com/c_limit, /__u/franciscoescorsim.substack.com/f_webp, 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stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#003 - Marços]]></title><description><![CDATA[Da origem, da voca&#231;&#227;o, do destino]]></description><link>https://franciscoescorsim.substack.com/p/003-marcos</link><guid isPermaLink="false">https://franciscoescorsim.substack.com/p/003-marcos</guid><dc:creator><![CDATA[Francisco Escorsim]]></dc:creator><pubDate>Sun, 29 Mar 2026 20:35:16 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/1z_A8KVnBIo" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h2>Avisos Paroquiais</h2><p>E o <strong>Saideira</strong> vem ganhando corpo. Neste m&#234;s tivemos a honra de receber <span class="mention-wrap" data-attrs="{&quot;name&quot;:&quot;Alexandre Soares Silva&quot;,&quot;id&quot;:212534,&quot;type&quot;:&quot;user&quot;,&quot;url&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://bucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com/public/images/d3853d2c-a2a6-46ec-889b-9c4525838e31_512x512.jpeg&quot;,&quot;uuid&quot;:&quot;7982c357-99d7-4fe3-9efb-57521bd2fafc&quot;}" data-component-name="MentionToDOM"></span>, <span class="mention-wrap" data-attrs="{&quot;name&quot;:&quot;Alex Sugamosto&quot;,&quot;id&quot;:8136804,&quot;type&quot;:&quot;user&quot;,&quot;url&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F09be4b1c-a017-4bca-8055-33cd1f118384_367x367.jpeg&quot;,&quot;uuid&quot;:&quot;8e01ae89-c801-4960-9bcc-6c3b1d2ddba5&quot;}" data-component-name="MentionToDOM"></span> e <span class="mention-wrap" data-attrs="{&quot;name&quot;:&quot;Paulo Gustavo Pereira&quot;,&quot;id&quot;:144139628,&quot;type&quot;:&quot;user&quot;,&quot;url&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f432bc50-3bed-44e9-a9ad-2953e1d2ab65_144x144.png&quot;,&quot;uuid&quot;:&quot;0713e100-548d-480b-963b-0aaa33f14af5&quot;}" data-component-name="MentionToDOM"></span>. E ainda oficializamos a presen&#231;a fixa do grande Omar Godoy, fechando o time da bancada comigo e <span class="mention-wrap" data-attrs="{&quot;name&quot;:&quot;Paulo Polzonoff Jr&quot;,&quot;id&quot;:435439898,&quot;type&quot;:&quot;user&quot;,&quot;url&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a68047bc-aa8a-44ca-8bac-cfc1e7ea9409_3648x3648.jpeg&quot;,&quot;uuid&quot;:&quot;419587e4-e6cc-4adf-a3d5-366ea2ca2190&quot;}" data-component-name="MentionToDOM"></span>. </p><p>Eis os links para os programas de mar&#231;o:</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://franciscoescorsim.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Chico Escorsim! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><ol><li><p><a href="https://www.youtube.com/live/O9Jqx-dYqsU?si=7U1d8bFyYFLcf9Wj">Sobre Dirty Harry, cartas de Bolsonaro e literatura brasileira</a> (com Alexandre Soares Silva)</p></li><li><p><a href="https://www.youtube.com/live/ezQQbYXutlw?si=S20HAU1MutltD4eA">O esc&#226;ndalo do Banco Master: que filmes e s&#233;ries ajudam a entender a realidade brasileira? </a>(com Paulo Gustavo Pereira)</p></li><li><p><a href="https://www.youtube.com/live/zEYhtjUx_SI?si=yX0VJ63pUmLSMqHk">Como a esquerda brasileira virou pet da esquerda dos Estados Unidos</a> (com Alex Sugamosto)</p></li><li><p><a href="https://www.youtube.com/live/MTJ2TvCpqnY?si=4-cBDtQvFkVWsSiG">Chuck Norris, Machosfera e Melania</a> (com Omar Godoy)</p><p></p></li></ol><p>Para a editoria de Ideias da <strong>Gazeta do Povo</strong>, escrevi sobre <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/todo-mundo-quer-ser-antissistema-stf-conseguiu/">como todo mundo quer ser anti-sistema, mas s&#243; o STF conseguiu</a>. Tamb&#233;m sobre como o disfarce do discurso de inclus&#227;o &#233;, na pr&#225;tica, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/quando-inclusao-vira-sinonimo-de-exclusao-o-caso-da-industria-cultural/">um m&#233;todo de exclus&#227;o na ind&#250;stria cultural</a>. Agrade&#231;o a <span class="mention-wrap" data-attrs="{&quot;name&quot;:&quot;Fabio Danesi Rossi&quot;,&quot;id&quot;:20188069,&quot;type&quot;:&quot;user&quot;,&quot;url&quot;:null,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fbucketeer-e05bbc84-baa3-437e-9518-adb32be77984.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff8b9ee89-e685-49a5-8314-9d1265daabb9_260x260.jpeg&quot;,&quot;uuid&quot;:&quot;f3ddce44-1554-46e5-9b5e-3cfc8947c488&quot;}" data-component-name="MentionToDOM"></span> por ter contado sua hist&#243;ria no seu substack, que serviu de mote e caminho para o texto.</p><p>J&#225; na minha <strong>coluna semanal</strong> para o mesmo jornal escrevi sobre o tal <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/sicario-daniel-vorcaro-banco-master/">Sic&#225;rio</a>, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/dua-lipa-comissao-mulher-alexandre-soares-silva/">Dua Lipa</a>, <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/flavio-bolsonaro-sergio-moro-boate-azul-aliancas-politica/">Fl&#225;vio &amp; S&#233;rgio</a> e <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/jaime-lerner-legado-politicos-curitiba-urbanismo/">Jaime Lerner</a>.</p><p>Por fim, para o <strong>blog da Lumine.Tv</strong>, escrevi sobre <a href="https://blog.lumine.tv/hamnet-explicado-a-forma-da-tragedia/">Hamnet</a>.</p><h2>Mar&#231;os</h2><p>Toda origem &#233; um mito, cada nascimento &#233; uma imagem. </p><p>&#201; t&#227;o imposs&#237;vel cri&#225;-la sem emprestar a mem&#243;ria dos pais quanto conhecer a pr&#243;pria origem sem t&#234;-la sido narrada antes por algu&#233;m. </p><p>No princ&#237;pio, &#233; o Pai das Musas. No nascimento, somos o que os pais s&#227;o.</p><p>****</p><p>N&#227;o sei se foi em mar&#231;o de 76, mas &#233; a imagem que guardo. </p><p>Eu nasceria dali umas semanas, possivelmente no anivers&#225;rio de minha m&#227;e, dia 10 de abril. Meu nome estava escolhido: <strong>Alexandre.</strong></p><p>Estava. Meus pais visitavam a querida tia Dudunga. Quando ela passou a m&#227;o pelo ventre da sobrinha, perguntou: &#8220;Como est&#225; o Chiquinho?&#8221;. </p><p>Naquele momento minha m&#227;e soube que n&#227;o tinha escolha. <em>That&#8217;s destiny!</em></p><p>Eu seria o primeiro neto de meu av&#244; paterno, chamado <strong>Francisco</strong>. Ela n&#227;o queria este nome porque desgostava do apelido inevit&#225;vel a todo Francisco: Chico. </p><p>Aceitou mudar de ideia, formando um nome composto, e lutaria por anos para obrigar Deus e o mundo a n&#227;o me chamarem pela alcunha temida. </p><p>Conseguiu, at&#233; eu ter por volta de uns 10 anos de idade, quando pedi a meus amigos que me chamassem de <strong>Chico</strong>. <em>That&#8217;s life!</em></p><p>Na fam&#237;lia, por&#233;m, que &#233; enorme pelo lado de m&#227;e e nem tanto pela de pai, todos me chamam de Francisco at&#233; hoje. Alguns, at&#233; pelo nome composto: Francisco Octavio. </p><p>Sim, com &#8220;c&#8221;, seguindo a forma cl&#225;ssica, arcaica, do latim <em>octavius</em>, dando-me uma aura de imperador. <em>That&#8217;s my mom!</em></p><p>****</p><p>Alexandre &#233; um nome que sempre associo a grandeza. Por causa do mais famoso deles, claro, que ganhou a alcunha de &#8220;o Grande&#8221;. </p><p>Nunca fui grande, nem me tornei. Se desejei ou busquei a grandeza, n&#227;o confessava a mim mesmo. Muito do <strong>orgulho</strong> costuma ser uma falsa humildade. </p><p>At&#233; aqui tudo que desejei nesta vida &#233; que ela fizesse sentido. Muito sentido. Durante d&#233;cadas, a busca em si por sentido me dava algum. </p><p>Hoje, que o encontrei e vivo, vejo que sempre esteve por toda parte, sempre foi muito, eu que era pouco. <strong>Porque queria ser grande</strong>. </p><p>****</p><p>Gosto muito da hist&#243;ria da origem do nome Francisco. Sabia que surgiu antes como um adjetivo, transformado em apelido? </p><p>A origem &#233; de raiz germana, vem dos &#8220;francos&#8221;, uma tribo germ&#226;nica que conquistou a G&#225;lia (atual Fran&#231;a). O termo <em>frank</em> significava <strong>&#8220;livre&#8221;</strong>, pois apenas os francos gozavam de plenos direitos de cidadania na regi&#227;o. </p><p>O latim medieval adaptou o termo, acrescentando o sufixo &#8220;iscus&#8221;. Transformou o substantivo em adjetivo, significando &#8220;pertencente aos francos&#8221; ou &#8220;vindo da Fran&#231;a&#8221;. </p><p>O pai de Giovanni, um italiano que tinha fortes la&#231;os com a Fran&#231;a, chamava o filho carinhosamente de &#8220;francesco&#8221;, significando &#8220;francesinho&#8221;, provavelmente porque sua esposa era francesa.   </p><p>Este Giovanni se tornaria depois <strong>S&#227;o Francisco de Assis</strong>. &#201; quando Francisco deixou de ser apelido para se tornar um nome, significando uma voca&#231;&#227;o e um destino.</p><p>****</p><p><strong>Eis meu mito pessoal, voca&#231;&#227;o e destino</strong>: deixar de ser Alexandre para me tornar Francisco.</p><p>Vai a vida toda nisso, certamente me completarei somente no Purgat&#243;rio, se Deus me der esta gra&#231;a. </p><p>S&#243; ent&#227;o serei digno de ser chamado pelo meu nome.</p><p>****</p><p>Dos Franciscos todos, sei que o de Assis &#233; como o sol. Mas vivo &#224; sombra do de Sales. &#201; o padroeiro dos jornalistas, escritores, comunicadores e <strong>tamb&#233;m dos surdos e mudos</strong>. </p><p>Acho isso reconfortante.</p><p>O primeiro livro que escrevi sozinho (participei de colet&#226;neas com outros autores antes) foi sobre<strong> <a href="https://amzn.to/4c0vi53">o m&#237;nimo que voc&#234; precisa saber sobre voca&#231;&#227;o</a>. </strong></p><p>Para tanto, &#233; preciso se desapegar de tanta coisa que o livro &#233; todo sobre isso para se chegar no m&#237;nimo, que <strong>voca&#231;&#227;o &#233; um chamado. </strong></p><p>No fim das contas, meu livrinho - porque &#233; pequeno mesmo - tenta ajudar a destampar os ouvidos. <strong>&#201; uma obra para surdos</strong>. </p><p>Como fui durante tanto tempo. </p><p>****</p><p>Da primeira medita&#231;&#227;o proposta por S&#227;o Francisco de Sales em sua obra <em><strong>Filot&#233;ia</strong></em>, que tanto me ajudou e ajuda nesta vida<em>:</em></p><blockquote><p><strong>&#211; Senhor, eu sou diante de V&#243;s um verdadeiro nada</strong>. Como vos lembrastes de mim para me criar? Ai, minha alma! Tu estavas abismada neste antigo nada e ainda estarias agora se Deus n&#227;o te tirasse dele; e que farias tu dentro deste nada? (&#8230;) Que poderei eu jamais fazer para bendizer condignamente o vosso santo Nome e dar-Vos gra&#231;as pela vossa imensa bondade?</p></blockquote><p>Talvez seja <strong>tola vaidade</strong>, sempre h&#225; quem fa&#231;a o papel de acusador, quando n&#227;o eu mesmo. Mas tento escrever essas coisas por aqui - neste 2026 em que completo 50 anos de vida - <strong>como quem d&#225; gra&#231;as</strong>. </p><p>Se for vaidade, ai, minha alma! Que Deus tenha miseric&#243;rdia da minha tolice. Mas n&#227;o ser&#225; por vaidade que fecharei o cora&#231;&#227;o. Antes o risco do rid&#237;culo vaidoso do que da ingratid&#227;o por vaidade.  </p><p>****</p><p>Este texto foi escrito ao som de <em>Minas Geraes</em>, de Milton Nascimento, &#250;ltima faixa do seu disco <em>Geraes</em>, lan&#231;ado <strong>naquele ano de 1976</strong>. Uma perfeita can&#231;&#227;o de a&#231;&#227;o de gra&#231;as.</p><p><em>Com o cora&#231;&#227;o aberto em vento<br>Por toda a eternidade<br>Com o cora&#231;&#227;o doendo<br>De tanta felicidade</em></p><div id="youtube2-1z_A8KVnBIo" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;1z_A8KVnBIo&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/1z_A8KVnBIo?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://franciscoescorsim.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Chico Escorsim! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[#002 - Fevereiros]]></title><description><![CDATA[Que entrem os palha&#231;os! Onde est&#227;o os palha&#231;os?]]></description><link>https://franciscoescorsim.substack.com/p/002-fevereiros</link><guid isPermaLink="false">https://franciscoescorsim.substack.com/p/002-fevereiros</guid><dc:creator><![CDATA[Francisco Escorsim]]></dc:creator><pubDate>Fri, 27 Feb 2026 14:49:15 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/youtube/w_728,c_limit/-Lo_5fmLsyE" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h2>Avisos Paroquiais</h2><p>Dando sequ&#234;ncia aos textos sobre alguns filmes indicados ao Oscar, l&#225; no blog da <strong>Lumine.tv</strong>. Depois de <a href="https://blog.lumine.tv/uma-analise-de-o-agente-secreto/">O Agente Secreto</a> e <a href="https://blog.lumine.tv/uma-analise-de-uma-batalha-apos-a-outra/">Uma Batalha Ap&#243;s a Outra</a>, agora escrevi sobre <strong><a href="https://blog.lumine.tv/uma-analise-do-filme-pecadores-sinners/">Sinners</a>.</strong></p><p>Para a editoria de Ideias, da <strong>Gazeta do Povo</strong>, entrego textos com mais f&#244;lego. Em fevereiro, os t&#237;tulos falam por si sobre do que se tratam os escritos: 1) <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/o-centro-em-2026-a-fadiga-da-polarizacao-e-a-tentacao-do-ceo/">O Centro em 2026: a fadiga da polariza&#231;&#227;o e a tenta&#231;&#227;o do CEO</a>; 2) <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/do-carnaval-da-ditadura-ao-carnaval-de-lula/">Do Carnaval da Ditadura ao Carnaval do Lula</a>.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://franciscoescorsim.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Chico Escorsim! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://franciscoescorsim.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Chico Escorsim! Assine gratuitamente para receber novos posts e apoiar meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>J&#225; no meu <strong>cantinho </strong>na mesma Gazeta do Povo, escrevi sobre <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/nao-para-agradar-nao-para-inflamar-os-107-anos-da-gaze">os 107 anos do jornal</a>, sobre <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/super-bowl-corrupcao-lava-jato-banco-master-stf/">o Bad Bunny no Super Bowl</a>; &#224; luz da Quaresma perguntei se <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/voce-ja-sofreu-em-paz/">voc&#234; sabe sofrer em paz</a> e como o recuo contemplativo revela que as <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/direita-dolorida-quaresma/">quizumbas pol&#237;ticas</a> (no caso, da direita) s&#227;o apenas ru&#237;dos de ilus&#227;o.</p><p>E, por fim, estreou a nova temporada do <strong>Saideira</strong>, l&#225; no YouTube. N&#227;o sabe do que se trata? Confere l&#225; (<a href="https://www.youtube.com/watch?v=breOBK-tU6E&amp;list=PLvH9SEyPq0ZNYQaUCFA2ldCzbMkfzI3G4">aqui</a>).</p><h2>Fevereiros ou Carnavais</h2><p><em>Carnem Levare</em>, dizem, &#233; a origem da palavra carnaval. Costumam traduzir por &#8220;levar&#8221; ou &#8220;tirar&#8221; a carne ou &#8220;afastar-se&#8221; dela. Se &#233; isso, ent&#227;o o Carnaval s&#243; ganha seu sentido na Quaresma. </p><p>O que significa dizer que a gra&#231;a dos dias de folia est&#225; na <strong>miseric&#243;rdia divina</strong>. &#201; como se anestesiasse por alguns dias a dor do espinho na carne. </p><p>Quando o carnaval n&#227;o tem a inten&#231;&#227;o posterior do <em>carnem levare</em>, a&#237; o espinho se torna o palito de espetinho do djanho. E toda vez que o sofrimento atravessar a avenida, acabando com a distra&#231;&#227;o, restar&#225; a larica de alegria em meio ao vazio. </p><p><em>Dolorem Levare</em>, <strong>dornaval.</strong> &#201; como dever&#237;amos chamar o carnaval que renega a Quaresma.</p><p>****</p><p>&#8220;Onde est&#227;o os palha&#231;os? Que entrem os palha&#231;os. &#201; preciso que existam palha&#231;os.&#8221;</p><p>Os versos s&#227;o de <em><strong>Send In The Clowns</strong>, </em>balada ic&#244;nica de Stephen Soundheim, composta para o musical <em>A Little Night Music, </em>de 1973, inspirado no filme de Bergman, <em>Sorriso de uma Noite de Ver&#227;o, </em>de 1955. </p><p>&#201; no segundo ato que a protagonista, Desiree Armfeldt, canta <em>Send In The Clowns, </em>depois de ser rejeitada por quem est&#225; apaixonada e a quem pediu em casamento. <em>Ouch! </em></p><p>Da&#237; o sentido de pedir aos palha&#231;os que entrem. Para distrair de sua dor, de sua vergonha. Tamb&#233;m para complet&#225;-la.  </p><p>A pe&#231;a se tornou filme tamb&#233;m, em 1977, com Elisabeth Taylor no papel de Desiree. Voc&#234; encontra a cena dela cantando no YouTube. Mas prefiro a interpreta&#231;&#227;o de Judi Dench, em uma das montagens do musical:<br></p><div id="youtube2--Lo_5fmLsyE" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;-Lo_5fmLsyE&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/-Lo_5fmLsyE?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><p>Esta can&#231;&#227;o ganhou vida pr&#243;pria, tornando-se um standard do jazz. Sinatra a gravou, outros tantos tamb&#233;m. A <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3evTbfCtMxbUwTQIn7QOcG?si=44cbd6a488194aa3&amp;nd=1&amp;dlsi=990aae13534c47da">vers&#227;o de Judy Collins</a> ganhou o Grammy de melhor can&#231;&#227;o em 28 de fevereiro de 1976. </p><p>Era tamb&#233;m um s&#225;bado de carnaval<em>. </em></p><p>****</p><p>Gostei de descobrir isso, essa coincid&#234;ncia. Achei prof&#233;tico at&#233;. Para mim, ao menos, que nasceria naquele ano.  </p><p><strong>Naquele fevereiro</strong>, que eu saiba, minha m&#227;e n&#227;o foi a nenhum baile de carnaval, desfile ou sei l&#225; o qu&#234;. Ela &#233; mi&#250;da, a barriga comigo dentro devia estar enorme. O desconforto n&#227;o permitia distra&#231;&#245;es, deduzo.</p><p>Mas depois ela compensou. Quando mor&#225;vamos em Marialva, interior do Paran&#225;, fantasiava os filhos e inscrevia em concursos carnavalescos. Meus pais tinham um grupo legal de amigos que tamb&#233;m faziam suas fantasias de carnaval para os bailes noturnos. <strong>Era um tempo feliz para eles. </strong></p><p>Mas n&#227;o tenho palavras para descrever o quanto eu odiava ser fantasiado e ir nos bailinhos diurnos. Ainda bem que n&#227;o precisei procurar muito por fotos minhas da &#233;poca para achar algumas  - todas, na verdade - que valessem por mais de mil palavras:</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!N7RM!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6d94b439-e5f5-4438-8c8b-2eeaa2d2fa0e_1248x832.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!N7RM!, /__u/franciscoescorsim.substack.com/w_424, /__u/franciscoescorsim.substack.com/c_limit, /__u/franciscoescorsim.substack.com/f_webp, /__u/franciscoescorsim.substack.com/q_auto:good, /__u/franciscoescorsim.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6d94b439-e5f5-4438-8c8b-2eeaa2d2fa0e_1248x832.png 424w, 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data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/6d94b439-e5f5-4438-8c8b-2eeaa2d2fa0e_1248x832.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:832,&quot;width&quot;:1248,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:1027935,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://franciscoescorsim.substack.com/i/188261457?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6d94b439-e5f5-4438-8c8b-2eeaa2d2fa0e_1248x832.png&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!N7RM!, /__u/franciscoescorsim.substack.com/w_424, /__u/franciscoescorsim.substack.com/c_limit, 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class="image-caption">Adivinha quem sou eu?</figcaption></figure></div><p>A &#250;nica coisa que lembro de gostar era de ficar catando confetes e serpentinas pelo ch&#227;o do sal&#227;o. Para jog&#225;-las novamente. E depois recome&#231;ar a juntar. Era uma forma de se distrair do volume alto do som, do barulho, do calor, do suor. <strong>Da dor, enfim.</strong></p><p>Pensando agora, viver da carne &#233; como viver reutilizando os mesmos confetes e serpentinas. &#8220;<em>Isn&#8217;t it rich? Isn&#8217;t it queer?</em>&#8221;</p><p>****</p><p>Se teve um momento em que realmente tentei viver assim, como se fosse um <strong>dornaval</strong>, foi no primeiro ano da faculdade de Direito, em 1994. </p><p>Truco com kaiser bock &#224;s 7h da matina, no Kowalski, em frente &#224; PUC/PR, era algo comum, rotineiro at&#233;. Quase toda noite sa&#237;a tamb&#233;m, de segunda a segunda. </p><p>Pouco mais de um ano depois, o enj&#244;o, o t&#233;dio, o vazio, <strong>era indistra&#237;vel</strong>. </p><p>Embora eu ainda tentasse. Creio que foi em fevereiro de 1995 que tomei o maior porre da minha vida, a &#250;nica vez em que precisei de glicose na veia. Era carnaval, claro. </p><p>&#8220;Mas onde est&#227;o os palha&#231;os? R&#225;pido, chamem os palha&#231;os. <strong>N&#227;o precisa</strong>, eles est&#227;o aqui.&#8221;</p><p>****</p><p>Alguns fevereiros depois, n&#227;o lembro o ano exatamente, meu irm&#227;o ca&#231;ula se acidentou na estrada, voltando de Santa Catarina. Foi feio, sua perna esquerda ficou presa nas ferragens do nosso Fiestinha branco, quase estra&#231;alhada.</p><p>A recupera&#231;&#227;o n&#227;o foi f&#225;cil. Lembro de uma noite em que passei com ele no hospital. Ele n&#227;o conseguia dormir, <strong>mais de agoniado</strong> do que de dor. </p><p>Emulei ser um mago. Estava na moda naquela &#233;poca o Paulo Coelho, eu curti o <em>Di&#225;rio de um Mago</em>. Hoje, chamar&#237;amos de coach ou terapeuta que coloca &#8220;dr&#8221; no arroba do instagram. </p><p>Enfim, consegui faz&#234;-lo tentar um exerc&#237;cio de respira&#231;&#227;o. <strong>Deu certo</strong>, em pouco tempo adormeceu, esquecido n&#227;o s&#243; da dor, mas tamb&#233;m do exerc&#237;cio depois. </p><p>A dor voltou ao acordar, claro. Porque a quaresma &#233; inevit&#225;vel.</p><p>****</p><p><strong>As marcas do acidente ficaram. </strong>N&#227;o apenas cicatrizes, mas uma cor acizentada da pele. A carne tamb&#233;m reabre vez ou outra, &#233; sempre um perigo. Ainda assim, ele decidiu fazer uma tatuagem ali. </p><p>Foi muitos anos depois - depois de 2013, certamente, que foi o ano quando nosso pai morreu. &#201; tatuagem de uma foto dele, nosso pai, segurando no colo o neto, filho do meu irm&#227;o. </p><p>Gosto muito. De um significado imenso, sobrepondo dores, tatuando tudo com e por amor. <strong>Na carne. </strong></p><p>&#8220;Onde est&#225;, &#243; morte, a tua vit&#243;ria?&#8221;, cantou o ap&#243;stolo Paulo. &#8220;Onde est&#225;, &#243; espinho, o teu aguilh&#227;o?&#8221;, tento cantar eu, no ritmo de <em><strong>Send In The Clowns</strong></em>, sem fantasia, sem confetes e serpentinas. </p><p>Desde 2013, n&#227;o preciso mais de palha&#231;os.</p><p></p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://franciscoescorsim.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Chico Escorsim! 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No Insta, era como briga em shopping. No FB, na sa&#237;da do col&#233;gio (&#224;s vezes na hora do recreio). J&#225; no Twitter era briga de rua.</p><p>O <strong>Twitter</strong> mudou de nome pra letra, mas continua sendo a bagaceira de sempre. O <strong>FB </strong>parece ter se tornado uma casa de repouso. J&#225; o <strong>Insta </strong>mudou mais, deixou de ser shopping para se tornar uma rua 25 de Mar&#231;o da auto-ajuda. </p><p>Como &#233; por l&#225; que mais atuo, sinto-me como dono de armaz&#233;m que de repente v&#234; a vizinhan&#231;a virada do avesso, cheia de loj&#245;es de tranqueiras anunciadas por locutores com megafones e promo&#231;&#245;es estapaf&#250;rdias. </p><p>Fazer o qu&#234;? &#201; suportar ser confundido. <a href="https://youtube.com/shorts/iV26jV9danI?si=-z_9_Bv0T2reCRuE">Serenity now! </a></p><p>***</p><p>Mal entro no FB, mas mantenho a const&#226;ncia no Twitter, embora pouco poste. Ali me informo antes das not&#237;cias virarem not&#237;cias. E sempre h&#225; uns perfis descolados do tempo das trends trazendo coisas legais.</p><p>De outras redes, que posso dizer? Pouco entrei no <strong>TikTok</strong>, parece ser um McDonald&#8217;s de v&#237;deos, ao contr&#225;rio da churrascaria rod&#237;zio que &#233; o <strong>YouTube</strong>. Tem um tal de <strong>Bluesky</strong> tamb&#233;m, esp&#233;cie de twitter trans, mas esse nunca entrei, n&#227;o sou vegano.</p><p>E o <strong>Substack</strong>, o que &#233;? N&#227;o sei ao certo ainda. Enxergo uma mistura do conceito de blog das antigas com um twitter tendo rede de esgoto, mais algumas traquinagens t&#237;midas de marketing digital. &#201; por a&#237;?</p><p>***</p><p>Mas entendi a parte da newsletter, que &#233; boa ferramenta diante do falso milagre da multiplica&#231;&#227;o das redes sociais e seus feeds infinitos. </p><p>Como publico uma coluna semanal no jornal <strong>Gazeta do Povo</strong>, mais textos quinzenais pra editoria de Ideias do mesmo jornal, al&#233;m de um texto mensal pro blog de cinema da <strong><a href="http://lumine.tv">Lumine.Tv</a></strong>, fora as postagens nas outras redes e os trabalhos de professor, o Substack<strong> </strong>me servir&#225; como um porto entre redes e of&#237;cios, um <em><strong>hub</strong>, </em>como dizem os aeroportu&#225;rios - ou ponto de conex&#227;o, pra ti que n&#227;o fala ingl&#234;s. &#201; o que ir&#225; na se&#231;&#227;o &#8220;A Newsletter&#8221;. </p><p>Mas ter&#225; mais. <strong>Em 26 farei 50</strong>. Nunca fui de dar muita import&#226;ncia aos natal&#237;cios, mas desta vez tem sido diferente. N&#227;o sei explicar direito o por qu&#234;, apenas me sinto chamado a valorizar mais e melhor. Neste mens&#225;rio decidi fazer isso, revisitar a mem&#243;ria desses cinquentinha. </p><p>&#201; poss&#237;vel escrever sem presa por aqui, despreocupado com a extens&#227;o do texto, com o tempo do leitor. Escrevo mais pra mim, na verdade. Sempre foi assim. Sou daqueles que se descobrem escrevendo.</p><h2><strong>A Newsletter</strong></h2><p>Comecei o ano desejando que <strong><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/2026-livros-politica-pacoquinhas/">a vida nos d&#234; pa&#231;oquinhas</a></strong>. </p><p>Se voc&#234; for &#224; tradicional livraria do Chain aqui em Curitiba e se permitir ser conduzido pelo dono, garanto que ele lhe dar&#225; pa&#231;oquinhas na sa&#237;da. Foi assim que terminei 2025, achei auspicioso.</p><p>A segunda cr&#244;nica saiu no dia 09, n&#227;o tinha como escapar do tema ainda onipresente do fat&#237;dico 08 de janeiro. Imaginei o Dr. Estranho chegando aqui <strong><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/doutor-estranho-multiverso-brasil-8-de-janeiro/">no nosso multiverso</a></strong>.</p><p>Queria estar &#224; toa na vida como aquele outro Chico, mas o dever me chamou pra ver ministro do STF passar escondendo coisas com pavor. Assim comecei<a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/dias-toffoli-inteligencia-artificial/"> </a><strong><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/dias-toffoli-inteligencia-artificial/">a terceira</a></strong><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/dias-toffoli-inteligencia-artificial/"> </a> do ano.</p><p>A pen&#250;ltima do m&#234;s causou algo in&#233;dito. Escrevi sobre o manto da Virgem de Guadalupe em meio aos mendigos e viciados do centro de Curitiba. Intitulei de &#8220;<strong><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/dualidades-centro-curitiba/">Entre o Manto e o Corote</a></strong>&#8221;. N&#227;o &#233; que a empresa que produz a bebida entrou em contato pedindo pra mudar o &#8220;corote&#8221; por &#8220;bebida alco&#243;lica em pequena embalagem&#8221;? N&#226;o mudei.</p><p>Janeiro &#233; longo, caber&#225; uma quinta cr&#244;nica no &#250;ltimo dia, j&#225; escrita mas ainda n&#227;o publicada. Escrevi sobre a presente e futura &#8220;guerra&#8221; que dizem que a gera&#231;&#227;o Z far&#225; contra as que lhe precederam. Os arautos da Z, por&#233;m, n&#227;o s&#227;o dessa gera&#231;&#227;o (Curtis Yarvin, Peter Thiel, Renan Santos). Ser&#225; uma revolu&#231;&#227;o dos Z-Trans, portanto. Contra isso, sugiro aplicar doses cavalares de Fabio Jr. Quando for publicada atualizo <strong><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/francisco-escorsim/guerra-geracional-geracao-z/">aqui</a>.</strong></p><p>***</p><p>Para a editoria de Ideias, produzi textos mais longos sobre o <strong>f<a href="https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/futuro-direita-reagente/">uturo da direita brasileira</a></strong> e como <strong><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/roteiristas-arbitrio-como-o-stf-tornou-excecao-metodo/">o STF transformou exce&#231;&#227;o em m&#233;todo</a></strong>, tornando roteirista do arb&#237;trio. Nada me desanima mais do que escrever sobre essas coisas, mas s&#227;o ossos do pesco&#231;o do of&#237;cio.</p><p>***</p><p>Por fim, no blog da Lumine, analisei um dos favoritos ao Oscar, &#8220;<strong><a href="https://blog.lumine.tv/uma-analise-de-uma-batalha-apos-a-outra/">Uma Batalha Ap&#243;s a Outra</a></strong>&#8221;. Por causa da cena de persegui&#231;&#227;o de carros, claramente inspirada na de <strong>Bullit</strong>, resolvi reassistir este. A cena ic&#244;nica de persegui&#231;&#227;o segue sendo das melhores - sen&#227;o a melhor - do cinema e o filme resiste bem ao teste do tempo. </p><div id="youtube2-hq8YD7-Aimw" class="youtube-wrap" data-attrs="{&quot;videoId&quot;:&quot;hq8YD7-Aimw&quot;,&quot;startTime&quot;:null,&quot;endTime&quot;:null}" data-component-name="Youtube2ToDOM"><div class="youtube-inner"><iframe src="https://www.youtube-nocookie.com/embed/hq8YD7-Aimw?rel=0&amp;autoplay=0&amp;showinfo=0&amp;enablejsapi=0" frameborder="0" loading="lazy" gesture="media" allow="autoplay; fullscreen" allowautoplay="true" allowfullscreen="true" width="728" height="409"></iframe></div></div><p>Grande filme, bem melhor que o oscariz&#225;vel da vez.</p><p>***

Ia acrescentar algumas coisas postadas no Instagram, mas cansei. Confere l&#225;, se quiser.</p><h2>Os Janeiros</h2><p>Naquele outro janeiro, de 76, estava na barriga de minha m&#227;e, provavelmente na casa de praia dos Oliveira. Como as temporadas de ver&#227;o eram quase sempre as mesmas (at&#233; a internet se tornar a nova areia), n&#227;o me &#233; dif&#237;cil imaginar a rotina de meus pais naquele ver&#227;o.</p><p>Quem n&#227;o mora no litoral sabe o valor da &#8220;casa de praia&#8221;, lugar m&#237;tico para toda inf&#226;ncia. Ainda mais quando a casa perdura, passa por gera&#231;&#245;es. <strong>&#201; o caso da &#8220;Amarelinha&#8221; </strong>de Pontal do Sul, tornada &#8220;jungle&#8221; quando meu irm&#227;o ca&#231;ula fazia suas festas por l&#225;. Hoje ele &#233; o propriet&#225;rio da casa.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!OXjM!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F08aaa676-69e4-4bee-b8fd-8cbc605e088f_960x807.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!OXjM!, /__u/franciscoescorsim.substack.com/w_424, /__u/franciscoescorsim.substack.com/c_limit, /__u/franciscoescorsim.substack.com/f_webp, /__u/franciscoescorsim.substack.com/q_auto:good, /__u/franciscoescorsim.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F08aaa676-69e4-4bee-b8fd-8cbc605e088f_960x807.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!OXjM!, /__u/franciscoescorsim.substack.com/w_848, 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class="image-caption">A &#8220;Amarelinha&#8221; ainda &#233; tal como era, em quase tudo</figcaption></figure></div><p>Com a dist&#226;ncia no tempo, n&#227;o parece certo descrever o lugar como se fosse apenas um lugar. H&#225; toda uma cosmologia da casa de praia e seu entorno que precisa ser cantada. N&#227;o sou cantador, mas cantarolo.</p><p>Havia dois vag&#245;es de trem - amarelos, claro - transformados em casas na mesma rua. Como foram parar l&#225;? E por qu&#234;? Quem morava neles? Por que nunca tentamos conhec&#234;-los, entrar nos vag&#245;es? Ficaram na mem&#243;ria, j&#225; n&#227;o existem mais. </p><p><strong>As &#225;rvores. </strong>Havia uma goiabeira no quintal, de tronco pelado e poucos frutos. E os que davam, vinham bichados. Teve de ser cortada. O limoeiro que se escorava no muro lateral dava lim&#245;es azedos demais, mas n&#227;o t&#227;o intrag&#225;veis como os marrentos guap&#234;s da frondosa &#225;rvore do vizinho, generosa em sombra. </p><p>Minha preferida era o flamboyant na frente da casa (<strong>acho que &#233; flamboyant</strong>, um tipo dele, acho, n&#227;o sou conhecedor), cujos troncos sub&#237;amos pra brincar quando o sol pururucava quem ousasse permanecer debaixo dele. Eramos cowboys, ou astronautas, ou a Liga da Justi&#231;a, ou n&#243;s mesmos, conversando.</p><p>Da varanda n&#227;o se podia ver onde est&#225;vamos, mas de onde est&#225;vamos era poss&#237;vel ver as pernas dos que descansavam largados nas cadeiras de praia, como iscas em anz&#243;is esperando o vento fisgar. <strong>Era onde minha m&#227;e estava em janeiro de 76</strong>, depois do almo&#231;o. Quem dos meus primos estava na &#225;rvore?  </p><p>Pensando nas goiabas, nos lim&#245;es e guap&#234;s, n&#227;o tinha como eu n&#227;o sair meio azedo na vida. S&#243; o flamboyant pra me salvar. Meu irm&#227;o disse que achavam que a &#225;rvore tinha morrido, mas depois de uma boa poda no ano passado, est&#225; renascendo. </p><p>Poderia dizer o mesmo de mim, depois que morri entrando na faculdade de Direito. Embora a poda tenha demorado muitos anos, mais de duas d&#233;cadas, e o renascer ainda estar na inf&#226;ncia da velhice.  </p><p>Desconfio que amo &#225;rvores por causa deste flamboyant. </p><p>*** </p><p>At&#233; a dist&#226;ncia quilom&#233;trica da praia se torna simp&#225;tica na dist&#226;ncia do tempo (o nome &#8220;jungle&#8221; n&#227;o foi &#224; toa). At&#233; a muvuca. Aquela casa sempre tinha gente demais. Tamb&#233;m, meus av&#243;s tiveram 7 filhos, quase todos com v&#225;rios filhos, que tamb&#233;m tiveram seus filhos etc. </p><p>Quando nasci, j&#225; tinha um campeonato paranaense de futebol de primos. Abria-se uma melancia depois do churrasco e faltava peda&#231;os pra distribuir.</p><p>***</p><p>Mas havia uma &#233;poca, come&#231;o de dezembro, que era apenas n&#243;s: meus irm&#227;os, uns dois primos de vez em quando e os av&#243;s de vez em sempre. E na minha mem&#243;ria, teve um dia que era s&#243; eu e meu av&#244;, <strong>o seu Zair</strong>. </p><p>Era outro janeiro, de 1985, quando Tancredo foi eleito. Meu av&#244; vibrava, feliz diante do pequeno televisor, como se fosse t&#237;tulo do seu time, meu tamb&#233;m, <strong>nosso Furac&#227;o</strong>. Eu vibrei junto, sem entender, obviamente, o que se passava no pa&#237;s nos meus 8 anos de idade. </p><p>Mas nunca esqueci daquele momento, que ficou na mem&#243;ria como sendo apenas de n&#243;s dois e o Brasil dando certo.</p><p>***</p><p>Este av&#244; vi envelhecer para al&#233;m da velhice da inf&#226;ncia. Quando crian&#231;a, todo av&#244; &#233; velho. Refiro-me &#224; velhice de velha, seu Zair passou dos 90 anos. </p><p>Vinha de fam&#237;lia importante, os C&#226;ndido de Oliveira, seu pai era o coronel Jo&#227;o C&#226;ndido, hoje nome de rua central em Almirante Tamandar&#233;, cidade da regi&#227;o metropolitana de Curitiba e que nos idos tempos era quase toda fazenda do coronel.</p><p>Essa <strong>coronelzice</strong> meu av&#244; manteve, apar&#234;ncia de bravo, patriarca, ranzinza. Quando envelheceu de verdade, desempoderou-se. Andava com um livrinho de piadas debaixo do bra&#231;o. Adorava contar uma, sempre bobas, ing&#234;nuas, de crian&#231;a. Ria mais do que os outros. </p><p>Gostava quando ele pegava meu viol&#227;o na &#8220;amarelinha&#8221; e dedilhava algo, concentrado, mordendo o l&#225;bio inferior, surpreendido quando conseguia algum movimento mais dif&#237;cil, abrindo o olhar como um sorriso, olhando-me, como se dissesse: &#8220;que tal?&#8221;. E era o tal mesmo.</p><p>Meu av&#244; passou a sorrir mais, rir mais, chorar mais, viver mais, depois de velho. &#192;s vezes eu passava de carro na frente de um boteco que havia perto de sua casa <strong>s&#243; para v&#234;-lo de longe</strong>. Antes do almo&#231;o, tomava um traguinho, enquanto decidia os problemas do Brasil com outros bachar&#233;is e fil&#243;sofos do local. Ao me afastar, podia escutar sua risada. </p><p>Dele, desconfio que ganhei a ranzinzice que trago desde a barriga de minha m&#227;e. Com ele, espero ter aprendido a envelhecer perdendo o azedume, tornando sumarentos de do&#231;ura aqueles guap&#234;s, lim&#245;es, goiabas que a vida d&#225;, com as melancias nunca mais acabando antes da hora. </p><p><strong>Ser um ranzinza alegre</strong> ou um alegre ranzinza. Com essa contradi&#231;&#227;o trocista a minha velhice ser&#225; enganada, recuperando a inoc&#234;ncia da inf&#226;ncia, aquela que vibrava com a esperan&#231;a em 1985.</p><p>***</p><p>Tamb&#233;m em outro janeiro, agora de 1992, estava na casa amarelinha. Na madrugada do dia 05, uma tia apareceu batendo nas janelas. Meu outro av&#244; tinha morrido. Este dia ficou encantado para mim desde ent&#227;o. Mas &#233; assunto pra outra hora.</p><p>Este av&#244; foi deputado estadual por d&#233;cadas, chegando a ser presidente da Assembleia Legislativa do Paran&#225; em 1970. Tenho um discurso dele em plen&#225;rio, da d&#233;cada de 1980, desancando Jos&#233; Richa. Sorrio enquanto escrevo. Mas isso tamb&#233;m &#233; assunto pra outro mens&#225;rio.</p><p>Deste av&#244; herdei o nome, logo, um destino. N&#227;o pude v&#234;-lo envelhecer, por&#233;m. Sua figura &#233; inteiramente mitol&#243;gica para mim. <strong>Quando morreu, apenas um pol&#237;tico foi em seu vel&#243;rio.</strong> Aos 15 anos, eu aprendia tudo o que precisava saber sobre pol&#237;tica. Obrigado, v&#244; Chico. </p><p>***</p><p>Voltando a 1976, <strong>Agatha Christie</strong> morria naquele janeiro. Um de seus livros faz parte da minha mitolgia pessoal, mas isso tamb&#233;m &#233; tema pra outra newsletter. Para esta, quero encerrar visitando o famoso disco duplo ao vivo de <strong>Peter Frampton</strong>, lan&#231;ado naquele m&#234;s.</p><p>At&#233; ent&#227;o, Frampton n&#227;o tinha alcan&#231;ado grande fama. Mas, a partir dali, <strong>Show Me The Way</strong> e <strong>Baby I Love Your Way</strong> se tornariam hits inevit&#225;veis. Ao menos em elevadores, consult&#243;rios de dentistas e nas <em>radio easy</em>.</p><p>Uma curiosidade destes discos &#233; que foram prensados sequencialmente, visando toca-discos que faziam mudan&#231;a autom&#225;tica dos lados do vinil. Ent&#227;o, o primeiro disco tinha o lado A e o lado D, enquanto o segundo disco tinha os lados B e C.</p><p>Naquele janeiro, certamente minha m&#227;e n&#227;o escutou o disco. Naquela &#233;poca demorava meses para algo lan&#231;ado l&#225; fora chegar no Brasil. Mas, na minha mem&#243;ria, isso aconteceu. </p><p>Minha m&#227;e descansava na varanda, quase dormindo, enquanto <a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6c5PEhGcaF4YK34LNSxgW5?si=5351e522a7664d6c">Show Me The Way</a> tocava em looping na vitrola que n&#227;o existia, comigo cantarolando junto:</p><blockquote><p><em>I wonder how you&#8217;re feeling</em></p><p><em>There&#8217;s ringing in my ears</em></p><p><em>And no one to relate to &#8216;cept the sea</em></p><p></p><p><em>Who can I believe in?</em></p><p><em>I&#8217;m kneeling on the floor</em></p><p><em>There has to be a force</em></p><p><em>Who do I phone?</em></p><p></p><p><em>The stars are out and shining</em></p><p><em>But all I really wanna know</em></p><p><em>Oh, won&#8217;t you show me the way?, everyday</em></p><p><em>I want you to show me the way</em></p></blockquote><iframe class="spotify-wrap" data-attrs="{&quot;image&quot;:&quot;https://i.scdn.co/image/ab67616d0000b27362e24d48e51d8c0888ee818f&quot;,&quot;title&quot;:&quot;Show Me The Way - Live&quot;,&quot;subtitle&quot;:&quot;Peter Frampton&quot;,&quot;description&quot;:&quot;&quot;,&quot;url&quot;:&quot;https://open.spotify.com/track/6c5PEhGcaF4YK34LNSxgW5&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;noScroll&quot;:false}" src="https://open.spotify.com/embed/track/6c5PEhGcaF4YK34LNSxgW5" frameborder="0" gesture="media" allowfullscreen="true" allow="encrypted-media" loading="lazy" data-component-name="Spotify2ToDOM"></iframe><p>*Dedicado aos meus av&#244;s, por showing me the way.</p><div><hr></div><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://franciscoescorsim.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por me ler! Inscreva-se de gra&#231;a para receber novos mens&#225;rios.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>