<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Joana's Substack]]></title><description><![CDATA[Joana's Substack]]></description><link>https://joanaselau.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_mmT!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4282f53e-d18c-4049-b3a6-e757514b85ac_1280x1280.png</url><title>Joana&apos;s Substack</title><link>https://joanaselau.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Sat, 05 Sep 2026 00:35:52 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/joanaselau.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[joana selau]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[joanaselau@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[joanaselau@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[joana selau]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[joana selau]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[joanaselau@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[joanaselau@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[joana selau]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Impermanência]]></title><description><![CDATA[sobre n&#227;o ter medo de morrer]]></description><link>https://joanaselau.substack.com/p/impermanencia</link><guid isPermaLink="false">https://joanaselau.substack.com/p/impermanencia</guid><dc:creator><![CDATA[joana selau]]></dc:creator><pubDate>Tue, 18 Aug 2026 13:29:10 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!iWIo!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F570f6666-4bb1-4191-b7ed-712701b7420f_960x760.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A vida &#224;s vezes &#233; bastante ousada em nos escancarar a imperman&#234;ncia. Voc&#234;, queira ou n&#227;o, est&#225; mudando nesse exato instante. C&#233;lulas, tecidos, pensamentos, capacidades, conex&#245;es. <br>Tudo aquilo que voc&#234; percebe como s&#243;lido e real, nada mais &#233; do que um conjunto de causas e condi&#231;&#245;es que se agruparam de uma maneira espec&#237;fica e ent&#227;o voc&#234; v&#234;: isso sou eu, ali a mesa, l&#225; a janela, a pessoa, o carro, a buzina, a fuma&#231;a, a dobra no tecido incomodando, o cobertor, o sorriso, o amor, a vontade, o abra&#231;o. Voc&#234; v&#234; e diz: eu vejo. E ent&#227;o voc&#234; diz: eu gosto.<br>E ent&#227;o, sem mais nem menos, aquilo que parecia t&#227;o s&#243;lido deixa de existir. <br>Porque, se paramos por um instante e olhamos, tudo aquilo que percebemos, tudo mesmo, em algum momento reuniu causas para existir. As coisas n&#227;o surgem do nada, as coisas n&#227;o surgem por elas mesmas, elas s&#227;o compostas e s&#227;o dependentes. E &#233; justamente por isso tamb&#233;m que em algum momento elas ir&#227;o se desfazer. <br>&#201; mais f&#225;cil perceber a depend&#234;ncia, composi&#231;&#227;o e imperman&#234;ncia do carro que vemos pela janela. Mat&#233;ria bruta, um conjunto de pe&#231;as, uma id&#233;ia, ferramentas, algu&#233;m que execute: um carro. Condi&#231;&#245;es materiais e um motivo para existir. Mas, depois disso, as pe&#231;as passam a se deteriorar, e talvez at&#233; mesmo a id&#233;ia do carro se deteriore (seja porque surja no mercado outro carro mais potente, mais &#250;til. Seja porque j&#225; n&#227;o fa&#231;a mais sentido ter um carro). &#201; claro, voc&#234; pode trocar pe&#231;as estragadas. Voc&#234; pode fazer uma incr&#237;vel manuten&#231;&#227;o, constantemente e cuidadosamente. Mas o fato &#233; que n&#227;o importa o quanto voc&#234; cuide, tampouco importa o qu&#227;o identificado voc&#234; esteja com o carro, cedo ou tarde ele se desintegrar&#225;, assim como voc&#234;. <br>Voc&#234; se ressente do fim porque voc&#234;, em algum momento da sua ingenuidade, pensou que aquilo duraria para sempre. Mas a verdade &#233; que essa promessa de eternidade sempre foi uma ilus&#227;o, porque a solidez em si &#233; uma ilus&#227;o e tudo o que &#233; (ou aparenta ser) s&#243;lido, invariavelmente, se desmancha.</p><p>Eu sei, esse parece um texto melanc&#243;lico e pessimista, mas n&#227;o &#233;. Saber da finitude das coisas n&#227;o deveria nos fazer temer ou ressentir. Saber da finitude das coisas nos permite caminhar pelo mundo com a consci&#234;ncia de que isso que temos e somos &#233; uma breve, brev&#237;ssima passagem, e, talvez justamente por ser breve, incrivelmente preciosa. Tamb&#233;m nos permite n&#227;o desperdi&#231;armos a experi&#234;ncia, seja ela qual for. N&#227;o para nos agarrarmos dramaticamente aquilo que temos ou amamos, mas para ter consci&#234;ncia de que <em>isso est&#225; ali</em>, acontecendo naquele momento exato, e esse momento &#233; um lampejo. <br>Ganhar intimidade com a imperman&#234;ncia das coisas e assumir a experi&#234;ncia &#233; o que nos permite assentar o corpo no que existe, n&#227;o antes, n&#227;o depois, <em>agora.</em> &#201; claro que &#233; f&#225;cil estar presente na experi&#234;ncia quando as coisas v&#227;o bem, quando o c&#233;u &#233; azul e os p&#225;ssaros cantam, mas, voc&#234; j&#225; encarou bancar sua pr&#243;pria experi&#234;ncia quando tudo desmorona? Quando o copo est&#225; meio vazio e o corpo d&#243;i? Existe uma sabedoria tremenda em assumir aquilo que <em>est&#225;</em>, mesmo quando n&#227;o gostamos, descansar no que quer que se apresente, sem fugir, sem imaginar se's, sem correr de um lado para o outro tentando tapar os buracos da imperman&#234;ncia. &#201; algo como abrir os olhos e voltar para o corpo. Porque a mente &#233; trai&#231;oeira e a mente se confunde, mas o corpo sempre sabe porque o corpo <em>est&#225;</em>. &#201; algo como habitar com gentileza esse espa&#231;o no centro de si: n&#227;o fugir e tamb&#233;m n&#227;o se grudar. Assumir aquilo que <em>&#233;</em> sem que isso se torne uma nova identidade que (<em>spoiler</em>:) tamb&#233;m ir&#225; se desfazer &#8212; porque sim, n&#243;s somos absolutamente viciados nos nossos pr&#243;prios dramas e em construir narrativas e identidades sobre eles. </p><p>Fazer amizade com a imperman&#234;ncia n&#227;o deveria nos fazer desdenhar do que existe. Vejo por a&#237; caminhantes tantos que, com medo, se fecham &#224; experi&#234;ncia por saber que ela &#233; finita. <em>Me</em> vejo caminhando com medo tantas vezes. Ent&#227;o o exerc&#237;cio &#233; de abertura. Voltar para o corpo, e, com delicadeza, habitar o peito (e talvez at&#233; mesmo rasg&#225;-lo &#224;s vezes) para lembrar da nossa preciosa humanidade, lembrar que tudo aquilo que se desmancha &#233; adubo para novos encontros, que tamb&#233;m se desfar&#227;o e ent&#227;o encontrar&#227;o novas formas de se agregar, e se desfar&#227;o. &#201; lembrar tamb&#233;m que existe esse espa&#231;o entre o morrer e o nascer e que voc&#234; n&#227;o precisa sufoc&#225;-lo com sua ansiedade por ter/ser algo. Ganhar familiaridade tamb&#233;m com o espa&#231;o vazio, aprender a admir&#225;-lo. Ter consci&#234;ncia do vazio &#233; tamb&#233;m uma experi&#234;ncia, e &#233; do vazio que tudo pode brotar. Assumir a experi&#234;ncia, voltar pro corpo, abrir os olhos, com delicadeza rasgar o peito para habitar o cora&#231;&#227;o. <br>Tornar-se &#237;ntima da imperman&#234;ncia, <em>realmente</em>, &#233; acompanhar com coragem e cora&#231;&#227;o cada fim, cada semente, cada espa&#231;o, cada flor &#8212; n&#227;o desperdi&#231;ar a experi&#234;ncia, seja na expans&#227;o, seja na contra&#231;&#227;o, seja na pausa. Amar e ser gentil ao longo do processo e n&#227;o ter medo de morrer.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!iWIo!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F570f6666-4bb1-4191-b7ed-712701b7420f_960x760.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!iWIo!, /__u/joanaselau.substack.com/w_424, /__u/joanaselau.substack.com/c_limit, /__u/joanaselau.substack.com/f_webp, /__u/joanaselau.substack.com/q_auto:good, /__u/joanaselau.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F570f6666-4bb1-4191-b7ed-712701b7420f_960x760.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!iWIo!, /__u/joanaselau.substack.com/w_848, /__u/joanaselau.substack.com/c_limit, 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data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanaselau.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Joana's Substack! 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Como uma crian&#231;a que v&#234; um objeto pela primeira vez:<br>Crian&#231;as carregam naturalmente a curiosidade da descoberta e, quando nada as atrapalha, seu crescimento acontece espontaneamente a partir do encanto.</p><p>N&#227;o &#233; necess&#225;rio sofrer para crescer. Acreditar que voc&#234; precisa se sentir mal para aprender algo &#233; uma imposi&#231;&#227;o de uma sociedade adoecida que aprendeu a se comportar a partir do castigo.</p><p>&#201; nossa responsabilidade olhar para nosso processo com amorosidade e ensinar ao corpo e &#224; mente caminhos para se tornar mais potente e n&#227;o uma mera pris&#227;o ou algo que mere&#231;a puni&#231;&#227;o.</p><p>Voc&#234; n&#227;o &#233; prisioneira do seu corpo: voc&#234; &#233; esse complexo de atravessamentos com tanto por ensinar e tanto por aprender. </p><p>Voc&#234; &#233; barro e &#233; c&#233;u, tudo ao mesmo tempo.</p><p>Praticar n&#227;o &#233; sobre encontrar algo dado, mas nos instigar a experimentar aquilo que ainda n&#227;o foi descoberto. Exercitar a curiosidade e o frescor do n&#227;o-saber, praticar &#233; cavar um espa&#231;o para a surpresa.</p><p></p><p style="text-align: center;">Nada est&#225; dado, tudo &#233; incrivelmente novo <br>quando nos propomos a ampliar nossa percep&#231;&#227;o.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!t2hd!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F82521060-08b4-4907-9dbc-1f45cc8cf866_741x484.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!t2hd!, /__u/joanaselau.substack.com/w_424, /__u/joanaselau.substack.com/c_limit, /__u/joanaselau.substack.com/f_webp, /__u/joanaselau.substack.com/q_auto:good, 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2024.</sub></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Palavra-chuva]]></title><description><![CDATA[Pequena Escrita Sobre a Fala]]></description><link>https://joanaselau.substack.com/p/palavra-gota</link><guid isPermaLink="false">https://joanaselau.substack.com/p/palavra-gota</guid><dc:creator><![CDATA[joana selau]]></dc:creator><pubDate>Thu, 21 Aug 2025 16:15:38 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!IOxO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9816e870-9161-4a32-add0-d7597899cfa4_973x493.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Todo encontro entre dois seres produz ondas - como uma gota de chuva que pinga em um lago espelhado. Primeiro ele fura, depois ele pulsa.</p><p>Cada palavra que se despede da minha boca sustenta e arrasta consigo uma for&#231;a. A for&#231;a de uma gota-ac&#250;mulo-de-&#225;gua que desliza na superf&#237;cie, dissolvendo e carregando os excessos, a for&#231;a de mover por dentro, reverberando em ondas. Tamb&#233;m a for&#231;a de furar uma pedra.</p><p>Pe&#231;o ent&#227;o que a minha fala seja doce como uma chuva de ver&#227;o, suave, gentil e pausada - um pingo ap&#243;s o outro, numa cad&#234;ncia que permite ecoar.</p><p>Observar em cada s&#237;laba o carregar de uma gota. Constante aten&#231;&#227;o no reverberar de cada verbo.</p><p>Todo encontro produz ondas - como uma gota de chuva que pinga em um lago espelhado.</p><p></p><p>&#8212; Joana Selau</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!IOxO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9816e870-9161-4a32-add0-d7597899cfa4_973x493.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!IOxO!, /__u/joanaselau.substack.com/w_424, /__u/joanaselau.substack.com/c_limit, /__u/joanaselau.substack.com/f_webp, /__u/joanaselau.substack.com/q_auto:good, /__u/joanaselau.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9816e870-9161-4a32-add0-d7597899cfa4_973x493.jpeg 424w, 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vivo</h4><blockquote><h6><strong>In&#237;cio</strong>: 27 de agosto <br><strong>T&#233;rmino</strong>: 12 de novembro</h6><h6><em>(tr&#234;s ciclos lunares)</em></h6></blockquote><h6>Ao vivo: toda quarta feira, das 8h &#224;s 9h.<br>Grava&#231;&#245;es dispon&#237;veis.</h6><p></p><h5>&#78233; Acesse o Conte&#250;do &amp; Cronograma aqui:<br><em><a href="http://reunayoga.com/temporada">reunayoga.com/temporada</a></em></h5><p></p><h5>&#78233; Inscri&#231;&#245;es </h5><h6>&#201; poss&#237;vel ingressar a qualquer momento ao longo da Temporada atrav&#233;s da <strong>Assinatura na Comunidade Re&#250;na. </strong></h6><h6><strong>PLANOS MENSAL ou TRIMESTRAL (</strong><em>Cancel&#225;vel a qualquer momento)</em><strong><br></strong>Confira mais sobre a Comunidade e Planos no site:</h6><h6><em><a href="http://reunayoga.com/comunidade">reunayoga.com/comunidade</a></em></h6><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="http://reunayoga.com/temporada" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZAUS!, /__u/joanaselau.substack.com/w_424, /__u/joanaselau.substack.com/c_limit, /__u/joanaselau.substack.com/f_webp, /__u/joanaselau.substack.com/q_auto:good, /__u/joanaselau.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe0e8bbdb-a1bd-42a0-8444-b7a62fcf9f84_2560x967.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZAUS!, /__u/joanaselau.substack.com/w_848, /__u/joanaselau.substack.com/c_limit, /__u/joanaselau.substack.com/f_webp, /__u/joanaselau.substack.com/q_auto:good, /__u/joanaselau.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe0e8bbdb-a1bd-42a0-8444-b7a62fcf9f84_2560x967.jpeg 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!ZAUS!, /__u/joanaselau.substack.com/w_1272, 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selau]]></dc:creator><pubDate>Fri, 10 Jan 2025 19:36:37 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vOAz!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F39158efa-e61a-4e71-ad9e-fec7198f43ed_726x1050.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanaselau.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">obrigada por ler &#9829; subscreva para receber por email sempre que houver texto novo.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p></p><h3><em>avidy&#257; &#8212; o equ&#237;voco original, a ignor&#226;ncia</em></h3><p><em>vid</em> (saber, ver, conhecer) + prefixo a (n&#227;o, aus&#234;ncia ou sem). <br><em>avidy&#257;</em>: <strong>aus&#234;ncia de conhecimento.</strong></p><p></p><p>Yogis s&#227;o buscadores em ess&#234;ncia. Essa busca parte de uma profunda insatisfa&#231;&#227;o com a condi&#231;&#227;o humana ordin&#225;ria: de estarmos imersos na repeti&#231;&#227;o insconsciente do sofrimento. Ainda que existam quest&#245;es sociais, econ&#244;micas e pol&#237;ticas que n&#227;o deveriam ser ignoradas &#8212; vivemos em sociedade, em uma grande teia, e a liberta&#231;&#227;o do sofrimento s&#243; acontecer&#225;, de fato, quando todos os seres estiverem libertos &#8212; o Yoga prop&#245;e que examinemos nossa realidade para al&#233;m das condi&#231;&#245;es mundanas. </p><p><em>avidy&#257;</em> &#233; um senso b&#225;sico de separa&#231;&#227;o, que brota da nossa aus&#234;ncia de conhecimento sobre a realidade &#250;ltima da nossa mente, da consci&#234;ncia e da vida. </p><p>Buddha e mestres yogis afirmam o mesmo: que todos os seres carregam em si a capacidade de encontrar a liberta&#231;&#227;o, ou a ilumina&#231;&#227;o &#8212; um estado de alegria equ&#226;nime, simples e genu&#237;na que independe das oscila&#231;&#245;es do mundo. </p><p>O que podemos dizer &#233; que, estando as necessidades b&#225;sicas de uma pessoa supridas, ela deveria ser capaz de encontrar em si um estado de felicidade equilibrado e duradouro. Mas o que experienciamos subjetivamente &#233; bem diferente: estamos constantemente lutando com nossos pr&#243;prios traumas e padr&#245;es mentais que, com frequ&#234;ncia, nos carregam para estados de infelicidade, ansiedade, torpor, medo, sofrimento. Uma vez nesses estados, em geral o que conclu&#237;mos &#233; que precisamos modificar algo externamente, quase sempre a nossa conclus&#227;o imediata &#233; de que precisamos conquistar algum objeto (ou afastar algum objeto) para que finalmente a nossa felicidade chegue. Mas, ainda que tenhamos a impress&#227;o que sim, quando examinamos a fundo, percebemos que os estados de sofrimento e prazer mental acontecem n&#227;o por conta de um objeto externo, mas por conta de padr&#245;es mentais que aplicamos em cima desse objeto externo. E isso acontece basicamente por identifica&#231;&#245;es e apegos que acumulamos.</p><p>A ignor&#226;ncia, <em>avidy&#257;,</em> tem v&#225;rias camadas, e essa &#233; uma delas: a percep&#231;&#227;o err&#244;nea de que nossa felicidade est&#225; contida no mundo externo e de que os objetos, por si, tem a capacidade e o poder intr&#237;nseco de nos gerar alegria ou sofrimento, quando, na verdade, a alegria ou o sofrimento vem da nossa proje&#231;&#227;o em cima do objeto ou experi&#234;ncia. A experi&#234;ncia parte da nossa mente. E &#233; por isso que yogis n&#227;o est&#227;o preocupados em conquistas materiais, porque sabem que a conquista mais valiosa &#233; a capacidade de enxergar e habitar o mundo livre de identifica&#231;&#245;es &#8212; libertar-se do apego &#233; libertar-se do sofrimento. </p><p>O sofrimento (<em>du&#7717;kha)</em> n&#227;o se apresenta somente a depender da nossa situa&#231;&#227;o econ&#244;mica, social, amorosa, pol&#237;tica, e mesmo pessoas com muito poder social ou aquisitivo podem experienciar &#8212; e experienciam &#8212; um profundo sentimento de vazio interno. Imaginamos que nosso sofrimento ser&#225; extinto se conseguirmos uma casa melhor, um emprego melhor, um status social melhor&#8230; mas, o tempo passa, conquistamos coisas, e o que percebemos &#233; que a sensa&#231;&#227;o de felicidade profunda e genu&#237;na n&#227;o se encontra em um ou outro objeto. De fato podemos sentir uma grande sensa&#231;&#227;o de pertencimento e plenitude com muito pouco. A conta &#233;: se o sofrimento n&#227;o depende das condi&#231;&#245;es externas, sendo experienciado por todas as pessoas independente de suas riquezas e conquistas, ent&#227;o o encontro com a felicidade tamb&#233;m n&#227;o deve depender apenas das condi&#231;&#245;es materiais em que nos encontramos.</p><p>Uma outra camada de <em>avidy&#257;</em> &#233; a nossa percep&#231;&#227;o equivocada de que isso que entendemos como &#8220;eu&#8221; &#233; imut&#225;vel. Toda condi&#231;&#227;o, independente de qual for e independente do tempo que dure, um dia vai se alterar. A vida &#233; fluxo cont&#237;nuo de manifesta&#231;&#227;o, perman&#234;ncia e dissolu&#231;&#227;o. Constru&#237;mos identidades com a certeza de que elas carregam uma ess&#234;ncia inabal&#225;vel: assumimos que somos esse &#8220;eu&#8221;, com suas capacidades, com suas caracter&#237;sticas, com sua hist&#243;ria, com seus desejos etc, quando, de fato, essa organiza&#231;&#227;o que chamamos &#8220;eu&#8221; &#233; t&#227;o transit&#243;ria quanto os fios de cabelo do nosso corpo que crescem e caem, e crescem de novo, e cortamos e branqueiam e pintamos e&#8230; Quando paramos para examinar e colocamos em perspectiva esse que chamamos &#8220;eu&#8221;, observando-o, por exemplo, ao longo de 10 anos, &#233; muito improv&#225;vel que ele tenha se mantido intacto, com os mesmos pensamentos, anseios, ideologias, capacidades e emo&#231;&#245;es. </p><p>Por&#233;m, como nos sentimos incompletos e separados, nos agarramos a identidades, objetos e experi&#234;ncias que, ao perecerem ou mudarem, nos levam ao sofrimento. A realidade &#233; imperman&#234;ncia, dessa forma, destinar a nossa mais &#237;ntima condi&#231;&#227;o de realiza&#231;&#227;o e felicidade &#224; objetos (que naturalmente perecem), identidades r&#237;gidas e aspectos mundanos e mut&#225;veis, significa enroscar-nos, a cada ato, ao ciclo de <em>sa&#7747;s&#257;ra</em>, onde permanecemos identificados &#224;s nossas individualidades, repetindo condicionamentos (<em>sa&#7747;sk&#257;ra</em>) que nos geram ora prazer, ora dor, mas que, no fim, sempre terminar&#227;o em sofrimento, justamente porque a caracter&#237;stica essencial desses condicionamentos &#233; o apego ao que &#233; transit&#243;rio.</p><p>Ficar repetindo individualidades no <em>sa&#7747;s&#257;ra</em>, para o yogi, significa tornar-se escravo e perder-se no cosmos: e por isso seu objetivo sempre ser&#225; o de romper com isso.</p><p><em>avidy&#257;</em>, esse equ&#237;voco original que nos leva a nos identificarmos e nos apegarmos &#224;quilo que &#233; da ordem da imperman&#234;ncia, jamais trar&#225; felicidade. <em>vidy&#257;</em> (sem o prefixo de nega&#231;&#227;o <em>a</em>), por outro lado, &#233; o conhecimento sobre a imperman&#234;ncia tanto do &#8220;eu&#8221;, quanto do &#8220;outro&#8221; e do objeto; &#233; o conhecimento sobre a natureza da mente enquanto aquela que dita a experi&#234;ncia, ora criando felicidade, ora sofrimento; &#233; a compreens&#227;o da inseparabilidade e codepend&#234;ncia de tudo o que existe manifesto, em uma grande teia de pot&#234;ncias e a&#231;&#245;es; e finalmente, &#233; o (re)conhecimento da Consci&#234;ncia como a base da contempla&#231;&#227;o - como aquilo que, em n&#243;s, tem a pot&#234;ncia de ver.</p><p>A partir da&#237;, a nossa hist&#243;ria, aquilo que nos acontece ou que venha a acontecer deve servir como impulso para o movimento, sem que isso jamais nos carregue &#224; rigidez. E assim n&#227;o nos tornarmos escravos nem do passado, nem do futuro.<br>N&#227;o negar a vida, muito antes pelo contr&#225;rio: tomar consci&#234;ncia do pr&#243;prio equ&#237;voco e poder habitar a vida em sua transitoriedade, reconhecer o fluxo e ancorar-se no centro. Aprender a apreciar as ondas, e, ainda assim, saber-se oceano.</p><p></p><blockquote><p>N&#227;o mais me deitar no feno perfumado ou deslizar na neve deserta. Onde eu exatamente me encontro? <br>O que me surpreende &#233; a impress&#227;o de n&#227;o ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice. <br><strong>O tempo &#233; irrealiz&#225;vel. <br>Provisoriamente o tempo parou para mim. Provisoriamente. <br>Mas eu n&#227;o ignoro as amea&#231;as que o futuro encerra, como tamb&#233;m n&#227;o ignoro que &#233; o meu passado que define a minha abertura para o futuro. <br>O meu passado &#233; a refer&#234;ncia que me projeta e que eu devo ultrapassar. <br>Portanto, ao meu passado, eu devo o meu saber e a minha ignor&#226;ncia, as minhas necessidades, as minhas rela&#231;&#245;es, a minha cultura e o meu corpo. <br>Hoje, que espa&#231;o o meu passado deixa para a minha liberdade hoje? <br>N&#227;o sou escrava dele.</strong> <br>O que eu sempre quis foi comunicar unicamente da maneira mais direta o sabor da minha vida. Unicamente o sabor da minha vida. Acredito que eu consegui faz&#234;-lo.<br>Vivi num mundo de homens, guardando em mim o melhor da minha feminilidade.<br>N&#227;o desejei e nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos.</p></blockquote><p>&#8212; Simone de Beauvoir</p><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!vOAz!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F39158efa-e61a-4e71-ad9e-fec7198f43ed_726x1050.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!vOAz!, /__u/joanaselau.substack.com/w_424, /__u/joanaselau.substack.com/c_limit, /__u/joanaselau.substack.com/f_webp, /__u/joanaselau.substack.com/q_auto:good, 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data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanaselau.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">obrigada por ler &#9829; subscreva para receber por email sempre que houver texto novo.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[a prática yogi]]></title><description><![CDATA[e porque praticar]]></description><link>https://joanaselau.substack.com/p/a-pratica-yogi</link><guid isPermaLink="false">https://joanaselau.substack.com/p/a-pratica-yogi</guid><dc:creator><![CDATA[joana selau]]></dc:creator><pubDate>Tue, 26 Nov 2024 20:08:25 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jEY9!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdf667266-cd66-406b-a737-669eea5a3e06_973x557.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!jEY9!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fdf667266-cd66-406b-a737-669eea5a3e06_973x557.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!jEY9!, /__u/joanaselau.substack.com/w_424, /__u/joanaselau.substack.com/c_limit, 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desperd&#237;cio. A ideia de que o yoga &#233; aquilo que fazemos nos est&#250;dios de yoga &#233; uma vis&#227;o bastante rasa de compreens&#227;o dessa filosofia-pr&#225;tica. Essa vis&#227;o do Yoga como uma pr&#225;tica de 1h-1h30, com in&#237;cio, meio e fim, com "tema" (quadris, abertura de peito, etc) que se apresenta para n&#243;s como Yoga - e que nos captura - deve ser vista por n&#243;s com cautela, para que n&#227;o estejamos repetindo uma estrat&#233;gia de consumo do Yoga. </p><p>Yoga n&#227;o &#233; sobre performance f&#237;sica (ainda que o f&#237;sico tenha seu papel dentro do yoga, do tantra e do <em>hatha</em>). Yoga &#233; sobre uma escolha: uma decis&#227;o pol&#237;tica, social e pessoal - pouco importando como voc&#234; performa uma postura, mas sim o que est&#225; por tr&#225;s disso.</p><p>Yoga tamb&#233;m n&#227;o &#233; sobre performance cultural. O que significa dizer que voc&#234; n&#227;o precisa performar esteri&#243;tipos (roupas, acess&#243;rios, <em>bindus</em>, <em>saris</em>) simplesmente para ser aceito. Voc&#234; pode &#8212; e deve &#8212; honrar os conhecimentos, professores, mestres e tradi&#231;&#245;es confi&#225;veis que permitiram e permitem que o conhecimento do Yoga esteja vivo e chegue at&#233; voc&#234;, mas importa mais que voc&#234; entenda o que essa filosofia diz e que se proponha a viv&#234;-la, genuinamente.</p><p>Yoga &#233; uma ferramenta complexa que prop&#245;e um trabalho profundo de comprometimento com o pr&#243;prio caminho e em assumir a responsabilidade sobre as pr&#243;prias escolhas e a pr&#243;pria felicidade. Trilhar o caminho do Yoga &#233; sobre viver uma vida que busca por autonomia e soberania. Essa soberania acontece quando assumimos a posi&#231;&#227;o de quem v&#234; a realidade se desdobrando e buscamos sair da roda de repeti&#231;&#227;o do sofrimento (<em>sa&#7747;s&#257;ra</em>).</p><p>Tendo esse objetivo como inspira&#231;&#227;o, utilizamos a pr&#225;tica de <em>&#257;sana</em> como terreno, onde nutrimos um corpo capaz de sustentar a estabilidade e a expans&#227;o da mente &#8212; e ent&#227;o alcan&#231;ar <em>dhy&#257;na,</em> a medita&#231;&#227;o.</p><p>No plano mais denso e pr&#225;tico da realidade, &#233; somente com uma mente est&#225;vel que podemos tomar escolhas acertadas e verdadeiramente nutritivas para nossa experi&#234;ncia na terra; no plano espiritual, &#233; atrav&#233;s da expans&#227;o da mente que somos capazes de acessar um lampejo do divino e temos a capacidade de absorver a manifesta&#231;&#227;o mut&#225;vel do universo sem que isso signifique ficar atrapado na nossa pr&#243;pria individualidades atrav&#233;s de apegos, medos e avers&#245;es &#8211; que, invariavelmente, gerar&#227;o sofrimento. &#201; esse lampejo, essa experi&#234;ncia direta com a espiritualidade e com a intelig&#234;ncia universal (<em>&#299;&#347;vara</em>), que tem a for&#231;a capaz de mudar nossa percep&#231;&#227;o sobre as coisas e nos arrancar de ciclos de sofrimento.</p><p>Ent&#227;o a nossa pr&#225;tica de <em>&#257;sana</em> deve, em algum grau, nos encaminhar para esse lugar de experi&#234;ncia dessa for&#231;a. Uma experi&#234;ncia direta e radical da nossa (naturalmente est&#225;vel e ampla) consci&#234;ncia. Para que, com o tempo, inten&#231;&#227;o correta, esfor&#231;o correto e dire&#231;&#227;o correta, sejamos capazes de alcan&#231;ar um deslocamento do indiv&#237;duo e mergulhar em um estado profundo de conex&#227;o, universalidade e generosidade.</p><p><em>&#257;sana</em> &#233; uma medicina pro corpo e &#233; uma sorte e uma ben&#231;&#227;o que tenhamos acesso a essa ferramenta t&#227;o maravilhosa, por&#233;m, se todo essa compreens&#227;o que sustenta a pr&#225;tica como plano de fundo do <em>&#257;sana</em> n&#227;o estiver no seu horizonte enquanto voc&#234; faz posturas, ent&#227;o talvez voc&#234; esteja perdendo de se encontrar com o grande tesouro do Yoga.</p><p>Isso n&#227;o significa dizer que a forma que praticamos Yoga na atualidade est&#225; errada, significa dizer que existe um contexto socio-cultural que direciona o Yoga para uma simplifica&#231;&#227;o onde posturas e movimentos com o corpo se tornam o foco, em detrimento da filosofia, &#233;tica e moral e em detrimento de outras t&#233;cnicas que sustentam esse conhecimento milenar.</p><p><br><strong>O que buscam os yogis?</strong></p><p>Yogis, a partir da pr&#225;tica comprometida de t&#233;cnicas espec&#237;ficas (f&#237;sicas e mentais), est&#227;o em busca de produzir um deslocamento da categoria indiv&#237;duo, ou seja, acessar algo que &#233; da ordem do universal, da liberta&#231;&#227;o dos conflitos individuais gerados pelos apegos mundanos. Esse deslocamento deve, necessariamente, acontecer a partir de um esfor&#231;o individual nessa dire&#231;&#227;o. A liberta&#231;&#227;o <em>yogi</em> prop&#245;e sair do ciclo de <em>sa&#7747;s&#257;ra</em> onde, de maneira inconsciente, ficamos repetindo individualidades, perdidos nos nossos pr&#243;prios dramas e levados a agir no mundo a partir de rea&#231;&#245;es impulsionadas pelas nossas sementes karmicas. Atrapados nessa repeti&#231;&#227;o, nos mantemos atrelados &#224; ciclos de sofrimento.</p><p>Como falou uma vez o professor Jo&#227;o Barbosa Gon&#231;alves: &#8220;<em>yogis</em> est&#227;o em busca de um encontro com o infinito sem que isso aconte&#231;a de uma forma inconsciente.&#8221;</p><p>O infinito &#233; aquilo que n&#227;o tem tempo nem espa&#231;o, que &#233; livre de limita&#231;&#245;es. &#201; a nossa base de consci&#234;ncia que tem a caracter&#237;stica de amplid&#227;o, estabilidade, generosidade e universalidade, &#233; voltar para casa. E o <em>yogi</em> sabe que n&#227;o &#233; com a mente habitual, do dia-a-dia, que vamos ser capazes de reconhecer isso &#8212; que j&#225; existe em n&#243;s &#8212; e que tem a capacidade de balan&#231;ar a nossa compreens&#227;o das coisas. &#201; necess&#225;rio algum tipo de experi&#234;ncia que fa&#231;a com que a nossa compreens&#227;o sobre n&#243;s, sobre o que &#233; o ser e sobre a vida se reorganize. Alguma experi&#234;ncia radical no corpo-mente que tenha a for&#231;a e sutileza de modificar nossa rela&#231;&#227;o com esse equ&#237;voco original. Da&#237; as pr&#225;ticas <em>yogis</em>, como busca dessa experi&#234;ncia direta, n&#227;o-superficial e que tenha a capacidade de ascender uma fagulha. &#201; essa experiencia radical e direta que nos permite um estado de profundo contentamento/plenitude/beatitude: <em>&#257;nanda</em>, que &#233; diferente do estado de felicidade mundano. O Yoga prop&#245;e, atrav&#233;s de suas pr&#243;prias metodologias, que encontremos um lugar, dentro de n&#243;s, que seja inabal&#225;vel. Um lugar de pura presen&#231;a, consci&#234;ncia e luminosidade, que &#233; expansivo por natureza e que pode absorver o mundo sem se agarrar. Esse lugar &#233; <em>puru&#7779;a</em>, aquilo que, em n&#243;s, tem a capacidade de ver, a pot&#234;ncia da consci&#234;ncia.</p><p>N&#243;s j&#225; somos essa pura consci&#234;ncia, o Yoga serve para revelar. Nesse sentido o Yoga n&#227;o nos d&#225; nada: o Yoga serve para desobstruir, tirar do caminho a nossa percep&#231;&#227;o equivocada de aprisionamento aos nossos <em>kle&#347;a</em> (obst&#225;culos mentais) que s&#227;o reflexo da nossa identifica&#231;&#227;o com aquilo que &#233; da ordem do mut&#225;vel e aparente. A medida que praticamos, esse ser interno, <em>puru&#7779;a</em>, <em>d&#7771;&#7779;&#7789;a</em> a pura-consci&#234;ncia, pode se revelar e repousar na sua pr&#243;pria natureza.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[sobre experiência e copos transbordantes]]></title><description><![CDATA[ampliar o que se v&#234; de um mesmo objeto significa ampliar a pr&#243;pria capacidade de experienciar.]]></description><link>https://joanaselau.substack.com/p/sobre-experiencia-e-copos-transbordantes</link><guid isPermaLink="false">https://joanaselau.substack.com/p/sobre-experiencia-e-copos-transbordantes</guid><dc:creator><![CDATA[joana selau]]></dc:creator><pubDate>Mon, 08 Apr 2024 19:30:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!z1zn!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2f4f43f9-4c01-47a9-8a30-7957a1872e1a_552x736.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>a sociedade nos imp&#245;e a&#231;&#227;o, estamos o tempo todo agindo, produzindo, respondendo. essa urg&#234;ncia em responder ao desespero do mundo nos fez desaprender algo fundamental para o nosso crescimento interior e nas nossas rela&#231;&#245;es: j&#225; n&#227;o sabemos como deixar a experiencia reverberar. desaprendemos a permitir que aquilo que recebemos do mundo ecoe por dentro e possa refletir algo novo.</p><p>temos uma necessidade quase imediata de responder a tudo. ao mesmo tempo que buscamos mais conte&#250;do, mais est&#237;mulo, mais conhecimento, mais vida, mais&#8230; mas existe uma grande diferen&#231;a entre experienciar e receber-responder. quando recebemos as coisas e respondemos no autom&#225;tico, estamos simplesmente reagindo aquilo que chega a partir de um apanhado de lentes que fomos adquirindo ao longo da vida e que nos permitem enxergar a realidade dentro de um espectro.</p><p>existe uma diferen&#231;a entre perceber de fato um objeto e simplesmente responder a imagem do objeto. a imagem est&#225; relacionada a esse reflexo imediato (que muitas vezes confundimos com intui&#231;&#227;o e, com frequ&#234;ncia, assumimos uma &#8220;m&#225;/boa energia&#8221; emanando do objeto). mas esse reflexo &#233; constru&#237;do pelas lentes que carregamos. se n&#227;o temos aten&#231;&#227;o e abertura ao interagir, essas imagens nos direcionam para uma resposta r&#225;pida, rasa e (quase sempre) equivocada.</p><p>quando falamos de experi&#234;ncia, isso significa, necessariamente, criar espa&#231;o pra que o objeto reverbere internamente e, ao criar esse espa&#231;o, permitir que esse eco nos fa&#231;a enxergar algo fundamental: que a qualidade da experi&#234;ncia n&#227;o parte do objeto em si, a qualidade da experi&#234;ncia parte de n&#243;s.</p><p>&#233; somente ao ampliar esse espa&#231;o interno no qual recebemos o mundo, que somos capazes de encontrar diferentes facetas de um objeto e ampliar suas nuances. com o tempo percebemos que encontrar novos tons em um objeto nada mais &#233; do que encontrar novos tons na pr&#243;pria capacidade de perceber. ampliar o que se v&#234; de um mesmo objeto significa ampliar a capacidade da nossa mente em experienciar. </p><p>nada &#233; permanente, nada &#233; fixo e nada se explica a partir de um lugar apenas. mas nessa corrida que tra&#231;amos contra o tempo, na busca de fazer mais, saber mais, viver mais, andamos pelo mundo com nossos copos muito cheios. cheios demais para acolher qualquer surpresa. copos transbordando reposta.</p><p>qual foi a ultima vez que vc saboreou uma pergunta antes de encerr&#225;-la numa resposta?</p><p>experienciar algo significa dar o tempo necess&#225;rio para enxergar mais do que a primeira resposta. &#233; sobre ramificar a percep&#231;&#227;o, prolongar a exala&#231;&#227;o, abrir-se para a possibilidade de se surpreender naquilo que j&#225; havia sido dado como conhecido.</p><p>experi&#234;ncia n&#227;o &#233; sobre quantidade, &#233; sobre qualidade.</p><p>experi&#234;ncia exige tempo, exige abertura, exige esvaziar o copo.</p><p>experi&#234;ncia exige esvaziar o copo.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z1zn!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2f4f43f9-4c01-47a9-8a30-7957a1872e1a_552x736.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z1zn!, /__u/joanaselau.substack.com/w_424, /__u/joanaselau.substack.com/c_limit, /__u/joanaselau.substack.com/f_webp, /__u/joanaselau.substack.com/q_auto:good, /__u/joanaselau.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2f4f43f9-4c01-47a9-8a30-7957a1872e1a_552x736.webp 424w, 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livre.]]></description><link>https://joanaselau.substack.com/p/corpo-movimento-and-liberdade</link><guid isPermaLink="false">https://joanaselau.substack.com/p/corpo-movimento-and-liberdade</guid><dc:creator><![CDATA[joana selau]]></dc:creator><pubDate>Thu, 25 Jan 2024 12:07:53 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!z8sf!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa45e1f1f-dc53-4704-87c0-5af337c3b4e5_478x641.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z8sf!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa45e1f1f-dc53-4704-87c0-5af337c3b4e5_478x641.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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esse texto &#233; necess&#225;rio, antes, resgatar o corpo do lugar subjugado ao qual foi submetido: vivemos nossos corpos, dia ap&#243;s dia. toda a nossa experi&#234;ncia no mundo acontece atravessada nele, e, ainda assim, o corpo continua sendo amarrado a ideia de um mero instrumento, uma esp&#233;cie de envelope da alma.</p><p>essa instrumentaliza&#231;&#227;o fez do corpo um peda&#231;o de algo solto - repartido e compartimentarizado pela medicina, controlado pelo estado e dominado &#224; for&#231;a por aqueles que dizem que as paix&#245;es que acometem o corpo s&#227;o um perigo para o equil&#237;brio da mente: desprezadores do corpo que tentam, a todo custo, subordin&#225;-lo a mente e a raz&#227;o.</p><p>h&#225; que assumir o corpo enquanto um algo vivo, e n&#227;o um mero instrumento subalterno &#224; mente. <strong>existe um impulso de vida no corpo que est&#225; muito al&#233;m do que a mente diz sobre ele.</strong> o cora&#231;&#227;o pulsa, o diafragma se contrai para que os pulm&#245;es se encham, milhares de c&#233;lulas se dividem e horm&#244;nios s&#227;o liberados, o tempo todo, numa sinfonia complexa e harmoniosa. &#233; s&#243; silenciar por alguns segundos para perceber como existe toda uma intelig&#234;ncia que reside no corpo e que n&#227;o precisa de comandos racionais para se expressar. o corpo simplesmente sabe o que fazer e busca, a cada segundo, maneiras de se reorganizar.</p><p>&#233; comum que as vontades do corpo nos surpreendam, porque, ainda que a mente seja capaz de dar certos comandos ao corpo, o corpo tamb&#233;m reverbera seus afetos na mente. e se nos propomos a escutar, podemos colher esses sinais que o corpo apresenta e que se revelam na mat&#233;ria - seja na postura ou formatos corporais que repetimos e que v&#227;o se enrijecendo, seja nas sensa&#231;&#245;es que o corpo expressa: dor, prazer, calafrio, arrepio.</p><p>quando isso acontece nosso impulso &#233; levar para a raz&#227;o. nos debatemos para tentar encontrar sentidos, porque &#233; da nossa natureza, enquanto seres inseridos na linguagem, querer dar sentido &#224;s coisas. </p><p>&#233; bem verdade que tudo o que nos comp&#245;e deve ser, em alguma inst&#226;ncia, pass&#237;vel de conhecimento - mas fomos ensinados a sempre buscar o sentido a partir da raz&#227;o, e, o que a experi&#234;ncia ensina &#233; que, se contamos somente com a raz&#227;o, o corpo escapa.</p><p>o que quero dizer &#233; que <strong>existe um espectro de cura que s&#243; se faz poss&#237;vel atrav&#233;s do corpo, por si mesmo</strong>, em um lugar que &#233; livre da mente. e, ainda que cura seja uma palavra esga&#231;ada pelas terapias e o mercado do bem-estar, opto por us&#225;-la, buscando n&#227;o uma id&#233;ia de cura que procura apagar o sintoma, mas sim que est&#225; em busca de experienciar para liberar. uma cura que n&#227;o est&#225; na palavra, muito menos na raz&#227;o, mas impressa nos ossos, olhos, respira&#231;&#227;o. uma cura que acontece atrav&#233;s do movimento que conecta, movimento que resgata a conex&#227;o das partes que foram compelidas &#224; separa&#231;&#227;o. tenho para mim que <strong>a complexidade de um movimento est&#225; na sua capacidade de gerar circula&#231;&#227;o, conex&#227;o e transforma&#231;&#227;o.</strong></p><p>cura enquanto capacidade de agir: <strong>quanto mais um corpo &#233; capaz de se movimentar, maior a sua capacidade de ser afetado. e quanto maior a capacidade de um corpo de ser afetado, maior a sua capacidade de agir</strong>.</p><p>existe uma potencialidade, um vir-a-ser que s&#243; se faz poss&#237;vel num corpo vivo. e um corpo vivo pressup&#245;e movimento, simplesmente porque &#233; da natureza da mat&#233;ria o dinamismo.</p><p>o movimento &#233; necess&#225;rio para que a vitalidade intr&#237;nseca &#224; mat&#233;ria se revele e para que algo se transforme. &#233; necess&#225;rio permitir que o corpo se expresse livremente, para que esse impulso de vida - algo que as filosofias orientais chamar&#227;o <em>pr&#257;na, chi, qi</em> - possa circular livre e espontaneamente.</p><p>&#233; por conta dessa vivacidade t&#227;o necess&#225;ria a mat&#233;ria, que &#233; um equ&#237;voco resumir o corpo a mero templo da alma - essa alma que se pretende transcendente e que pouco se relaciona com o mundo material, com a expressividade ou com os afetos.</p><p>deixo a ideia de uma alma intocada e sem poder de voli&#231;&#227;o aos desprezadores da mat&#233;ria. e assim posso <strong>honrar uma alma que &#233;, ela mesma, tamb&#233;m corpo, que pulsa movimento e conex&#227;o</strong>. com a certeza de que toda experi&#234;ncia se d&#225; atrav&#233;s de um corpo vivo, atravessada nele. esse corpo-alma que &#233; pura din&#226;mica expressiva e criativa.</p><p>templo n&#227;o se move, templo &#233; um peda&#231;o de constru&#231;&#227;o que perece com o tempo e onde tudo o que h&#225; de divino e espiritual da exist&#234;ncia fica resguardado dentro, entre quatro paredes.</p><p><strong>em vez de templo, defendo um corpo floresta</strong>, um corpo que pulsa intelig&#234;ncia e que conhece os caminhos para se reconstruir sempre que necess&#225;rio. um corpo que &#233; feito de comunica&#231;&#227;o e produ&#231;&#227;o. assim como as raizes mais profundas de uma floresta se comunicam, por debaixo do solo, organizando-se em uma complexa teia de fungos e plantas, invis&#237;vel aos olhos - assim tamb&#233;m se comunica o corpo, em todas as suas camadas e em todas as dire&#231;&#245;es, permitindo que, de si, aflore vida.</p><p>e assim como &#233; imposs&#237;vel dizer quantas &#225;rvores isoladas fazem a extens&#227;o de uma floresta, quantas plantas, quantos fungos - eu pergunto quantas partes isoladas de um corpo fariam uma exist&#234;ncia?</p><p>&#233; necess&#225;rio assumir a vivacidade e potencialidade da mat&#233;ria e declarar-se um corpo livre e vivo. partir da <strong>valoriza&#231;&#227;o dos sentidos e da materialidade da alma para assumir a exist&#234;ncia de um corpo com capacidade, por si, de encontrar caminhos para a liberdade</strong>. n&#227;o uma liberdade que busca transcender a mat&#233;ria, a partir de um distanciamento do mundo, mas sim uma liberdade que se declara <strong>livre na pr&#243;pria exist&#234;ncia, na experi&#234;ncia, na manifesta&#231;&#227;o</strong>. assumir o corpo enquanto a pr&#243;pria vida, desdobrando-se a partir de si mesma. e assumir a alma enquanto corpo, que se expressa e que, ao se expressar, escancara o po&#233;tico, o divino e o extraordin&#225;rio de cada ser.</p><h6></h6><p></p><h6><em>ensaio publicado originalmente na Revista Par&#234;ntese, edi&#231;&#227;o janeiro 2024</em></h6><h6><em>imagem: Kandisnky, "Dance Curves", 1926</em></h6><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanaselau.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler joana&#8217;s Substack! 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sobre aprender a confiar. </p><p>existe um termo, <em>&#298;&#347;varapra&#7751;idh&#257;na</em>, apresentado nos <em>Yoga S&#363;tras</em> de Pata&#241;jali que atravessa os s&#233;culos recebendo tradu&#231;&#245;es e interpreta&#231;&#245;es das mais diversas: devo&#231;&#227;o ao divino, entregar os resultados das a&#231;&#245;es, livrar-se da necessidade de controle, confiar na intui&#231;&#227;o, e por a&#237; vai.</p><p>isso porque o conceito de <em>&#298;&#347;vara</em> n&#227;o tem uma unanimidade de significado, e assume diferentes facetas a depender da &#233;poca e da escola de pensamento.</p><p>nos <em>yogasutras</em>, Pata&#241;jali vai descrever <em>&#298;&#347;vara</em> como um Si especial (<em>puru&#7779;a-vi&#347;e&#7779;a),</em> que n&#227;o &#233; afetado pelos obst&#225;culos mundanos (<em>klesha</em>) ou pelos resultados das a&#231;&#245;es realizadas no passado e presente (<em>karma</em>).</p><p>para o yoga de Pata&#241;jali, <em>&#298;&#347;vara</em> n&#227;o est&#225; vinculado ao conceito de um deus, necessariamente. sua interpreta&#231;&#227;o se estende al&#233;m: a ideia de algo (ou algu&#233;m) que represente e auxilie o praticante em sua busca espiritual. um algo que sirva de guia, de catalisador para um caminho de maior autonomia e liberdade em vida.</p><p><em>pra&#7751;idh&#257;na</em>, por sua vez, traduz-se por entregar, render, dedicar, devotar.</p><p>gosto de me inspirar e entender o conceito de <em>&#298;&#347;varapra&#7751;idh&#257;na</em> como um conceito aberto. por aqui ele j&#225; recebeu - e recebe - diferentes sentidos. um dos que mais me ressoam est&#225; na ideia de amor ao destino.</p><p><em>amor fati</em> &#233; um termo da filosofia estoica e nietzschiana, que expressa a aceita&#231;&#227;o radical da vida. &#233; sobre amar a vida em toda sua magnitude: abra&#231;ar suas belezas bem como suas facetas mais cru&#233;is.</p><p>amar o destino vai ao encontro de uma abertura brutal de si, de permitir-se ser vulner&#225;vel. &#233; a partir dessa abertura aos acontecimentos que temos a oportunidade de acolher a vida, a n&#243;s mesmes e aos outres.</p><p>mas &#233; importante ter em mente que se permitir ser vulner&#225;vel n&#227;o &#233; ser negligente e acolher n&#227;o &#233; o mesmo que se omitir. o yoga de Pata&#241;jali prop&#245;e, acima de tudo, uma alternativa de colocar-se de maneira &#233;tica perante a vida, e absolutamente nada que gere sofrimento (para si para outres) deve ser perpetuado.</p><p>quando Pata&#241;jali nos instiga a entregar e confiar na vida, isso n&#227;o quer dizer parar de agir. tampouco significa criar expectativas fantasiosas acerca do futuro (toda expectativa &#233; fantasia, na medida que ainda n&#227;o &#233; um fato).</p><p>entregar e confiar &#233; sobre saber colher os frutos que surgirem pelo caminho, tomando responsabilidade sobre as pr&#243;prias a&#231;&#245;es: agir tendo consci&#234;ncia de que aquilo que se faz, fala e pensa n&#227;o est&#225; solto no tempo-espa&#231;o, mas encadeado em uma rede de acontecimentos. a responsabilidade de quem sabe que a vida &#233; a&#231;&#227;o e rea&#231;&#227;o (<em>karma,</em> assunto pra um texto inteiro) e que tudo aquilo que uma pessoa faz deixa rastros e sementes.</p><p>o si, dentro da filosofia de Pata&#241;jali, tem poder criador e n&#227;o somente poder de contempla&#231;&#227;o. por isso o caminho &#233;tico-espiritual est&#225; em trabalhar a si para poder fazer melhores escolhas e agir melhor. ter consci&#234;ncia da nossa capacidade de criar &#233; indispens&#225;vel para que possamos semear as sementes daquilo que desejamos colher no futuro. mas, assim como na semeadura, o tempo ensina que &#233; importante saber soltar e confiar na intelig&#234;ncia da natureza, pois n&#227;o controlamos a quantidade de sol, de chuva ou outros aspectos que podem interferir o cultivo. muitas vezes os resultados n&#227;o chegam quando ou como esperamos e as sementes tomam seu tempo para brotar. ent&#227;o &#233; necess&#225;rio limpar o terreno, retirar ervas daninhas cultivadas h&#225; tantos anos, preparar o solo, escolher bem as sementes... semear leva tempo e trabalho, mas leva tamb&#233;m, sem d&#250;vidas, um bom punhado de entrega e confian&#231;a.</p><p>o que <em>&#298;&#347;varapra&#7751;idh&#257;na</em> ensina &#233;: h&#225; que observar e realizar as a&#231;&#245;es com a inten&#231;&#227;o adequada, e a partir da&#237; o que resta &#233; entregar e acolher os resultados - mesmo que esses sejam diferentes daquilo que se gostaria. porque ainda que n&#243;s n&#227;o tenhamos controle sobre aquilo que recebemos de resposta do mundo, n&#243;s temos a capacidade de acolher os frutos que chegam com amor e equanimidade. <em>&#298;&#347;varapra&#7751;idh&#257;na</em> &#233; sobre sustentar a vida como ela &#233;, com a coragem de afirmar e expressar a si nesse mundo, aqui e agora, da melhor e &#250;nica forma poss&#237;vel.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanaselau.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">se inscreva para receber os textos por email </p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[o monopólio dos āsanas & o desperdício do (re)conhecimento]]></title><description><![CDATA[&#2384;]]></description><link>https://joanaselau.substack.com/p/o-monopolio-dos-asanas-and-o-desperdicio</link><guid isPermaLink="false">https://joanaselau.substack.com/p/o-monopolio-dos-asanas-and-o-desperdicio</guid><dc:creator><![CDATA[joana selau]]></dc:creator><pubDate>Sun, 24 Dec 2023 13:51:39 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/2dbea010-6967-45b1-98a2-f69796571744_800x800.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>&#233; bem verdade que eu sou uma entusiasta dos &#257;sanas, do movimento e das t&#233;cnicas do corpo. mas gostaria de estrear esse espa&#231;o de escrita falando sobre aquilo que, por tr&#225;s do que se v&#234;, estrutura e sustenta a pr&#225;tica. aquilo que est&#225; (ou deveria estar) no &#237;ntimo, na raiz de toda pr&#225;tica de yoga.</p><p>n&#227;o &#233; novidade que o yoga moderno se firmou na pr&#225;tica postural em detrimento dos estudos filos&#243;ficos e at&#233; mesmo de outras pr&#225;ticas como a medita&#231;&#227;o e o <em>pr&#257;n&#257;y&#257;ma</em>.</p><p>colocar o corpo em movimento &#233; algo maravilhoso. s&#227;o incont&#225;veis os benef&#237;cios para a sa&#250;de, como a ci&#234;ncia mostra e como quem pratica qualquer atividade f&#237;sica regularmente sabe: n&#227;o s&#227;o s&#243; benef&#237;cios para o corpo, mas tamb&#233;m para a qualidade e sa&#250;de da mente.</p><p>al&#233;m disso, o que o yoga e outras abordagens (como por exemplo a medicina chinesa) tamb&#233;m nos ensinam &#233; que mover, apertar, alongar, torcer o corpo faz movimentar uma energia vital - <em>pr&#257;na, qi, chi</em> - que mora no corpo, permitindo que essa energia, esse impulso de vida possa fluir livremente.</p><p><em>pr&#257;na</em> est&#225; intimamente relacionado com a respira&#231;&#227;o (sendo muitas vezes inclusive traduzido dessa forma) e quando olhamos para a hist&#243;ria do yoga, encontramos que na &#237;ndia pr&#233;-moderna, muito antes desse monop&#243;lio das posturas que hoje praticamos nos est&#250;dios de yoga, a pr&#225;tica f&#237;sica era focada majoritariamente no trabalho e controle respirat&#243;rio. (fonte: James Mallinson, Roots of Yoga)</p><p>&#8203;</p><p>o <em>pr&#257;n&#257;y&#257;ma</em> (<em>pr&#257;na</em>: energia vital/vida/respira&#231;&#227;o + <em>&#257;y&#257;ma</em>: controle) era tido como a pr&#225;tica mais importante justamente pela compreens&#227;o do yoga sobre o papel que o <em>pr&#257;na</em> exerce no corpo, na mente, e nos estados da consci&#234;ncia (mas isso &#233; assunto pra um outro texto).</p><p>&#8203;</p><p>os textos <em>ha&#7789;hayogis</em>, como a <em>ha&#7789;hayoga prad&#299;pik&#257;, ghera&#7751;&#7693;a sa&#7747;hit&#257;, gorak&#7779;a&#347;ataka</em>, se ocuparam de descrever pr&#225;ticas f&#237;sicas (<em>&#257;sanas, pr&#257;n&#257;y&#257;mas, bandhas, mudras</em>) que atuam n&#227;o s&#243; na manuten&#231;&#227;o da sa&#250;de f&#237;sica e mental, mas que tamb&#233;m trabalham em trazer a superf&#237;cie quest&#245;es profundas que estavam guardadas, mem&#243;rias do corpo.</p><p>&#8203;</p><p>mas quando essas mem&#243;rias emergem, revelando padr&#245;es de rea&#231;&#227;o (<em>sa&#7747;sk&#257;ra</em>) em forma de raiva, apego, culpa, frustra&#231;&#227;o, se voc&#234; n&#227;o tem algo que te guie e te sustente eticamente, ent&#227;o o grande objetivo da sua pr&#225;tica de yoga pode estar sendo desperdi&#231;ado.</p><p>&#233; preciso lembrar que sa&#250;de e bem estar s&#227;o importantes para o yoga n&#227;o para que voc&#234; consiga render mais no trabalho, ou cumprir com uma agenda lotada de demandas, ou para desestressar no fim do dia - ainda que praticar &#257;sanas efetivamente ajude nisso - muito menos para acessar uma positividade t&#243;xica, mas sim para que possa alcan&#231;ar <em>sthiti</em>, estabilidade da mente. por isso pata&#241;jali, no primeiro cap&#237;tulo de seu <em>yoga&#347;&#257;stra</em> vai apontar a doen&#231;a/mal-estar do corpo (<em>vy&#257;dhi</em>) como o primeiro de 9 obst&#225;culos que o praticante enfrenta no percurso para conquistar uma mente est&#225;vel. e alcan&#231;ar a estabilidade da mente &#233; o caminho que o yoga prop&#245;e para ir de encontro ao seu objetivo: a liberdade, ou <em>mok&#7779;a</em>. a liberdade que surge quando a consci&#234;ncia desperta (<em>buddha</em>).</p><p>&#8203;</p><p>o que eu quero dizer &#233; que existe algo, existe um objetivo do praticante de yoga que deve almejar ultrapassar esse bem estar moment&#226;neo. existe algo que o yoga quer tocar que &#233; da ordem de uma &#233;tica da vida. uma &#233;tica da generosidade, do cuidado e da confian&#231;a.</p><p>&#8203;</p><p>o yoga, assim como o budismo, est&#225; interessado em compreender e encontrar vias de minimizar o sofrimento at&#233; a sua total extin&#231;&#227;o. mas para alcan&#231;ar esse entendimento, al&#233;m de um corpo dispon&#237;vel e uma mente est&#225;vel, &#233; necess&#225;rio ter acesso &#224; filosofia, acesso ao conhecimento, uma disposi&#231;&#227;o genu&#237;na em reconhecer os pr&#243;prios padr&#245;es de sofrimento, &#233; necess&#225;rio confian&#231;a no processo e muito auto estudo (sv&#257;dhy&#257;ya). e essa &#233; provavelmente a parte mais dif&#237;cil do yoga para muitas pessoas.</p><p>&#8203;</p><p>a pr&#225;tica de &#257;sanas &#233; realmente maravilhosa, uma postura de yoga pode te tornar mais flex&#237;vel, menos estressade, mais forte e talvez at&#233; mais paciente. mas o &#257;sana em si, se n&#227;o for feito com inten&#231;&#227;o de libertar, n&#227;o vai te levar ao estado de yoga.</p><p>&#8203;</p><p><em>buddha</em> nada mais &#233; do que o nome que se d&#225; a pessoa que despertou para o entendimento de que todos os fen&#244;menos s&#227;o impermanentes e vazios por natureza e que todos os seres e acontecimentos est&#227;o interligados. uma consci&#234;ncia desperta torna-se livre (<em>mukti</em>) dos condicionamentos mentais que s&#227;o a causa do sofrimento mundano.</p><p>&#8203;</p><p>reconhecer esse estado interno de <em>buddha</em> - que &#233; o estado natural da nossa consci&#234;ncia, quando n&#227;o est&#225; nublada pelo sofrimento (spoiler: sofrimento que n&#243;s mesmes estamos produzindo, dia ap&#243;s dia, quando agimos sem buscar entender sobre o resultado das nossas a&#231;&#245;es) - &#233;, enfim, o que o yoga prop&#245;e.</p><p>&#8203;</p><p>ent&#227;o, encontre um bom professor, que esteja comprometido com a pr&#225;tica e que possa te ensinar sobre &#257;sanas e t&#233;cnicas de forma segura. mas tamb&#233;m, por favor, encontre um professor que possa te ensinar sobre generosidade, amor, confian&#231;a e liberdade.</p><p>n&#227;o desperdice a oportunidade de compreender, transformar e (re)conhecer-se livre nessa vida.</p><p>&#8203;</p><p><strong>amor, j&#244;</strong></p><p></p><p></p><p><em>imagem: L'acrobate (The Acrobat) | Pablo Picasso, 1930</em></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Coming soon]]></title><description><![CDATA[This is Joana&#39;s Substack.]]></description><link>https://joanaselau.substack.com/p/coming-soon</link><guid isPermaLink="false">https://joanaselau.substack.com/p/coming-soon</guid><dc:creator><![CDATA[joana selau]]></dc:creator><pubDate>Sun, 24 Dec 2023 13:24:07 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_mmT!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4282f53e-d18c-4049-b3a6-e757514b85ac_1280x1280.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>This is Joana&#39;s Substack.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://joanaselau.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe now&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/joanaselau.substack.com/subscribe"><span>Subscribe now</span></a></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>