<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Lu Macedo]]></title><description><![CDATA[John Davenant https://open.substack.com/pub/lucemacedo/p/a-expiacao-limitada-e-o-universalismo?r=2cldn7&utm_medium=ios]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8JZ7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2baaf8fa-f37c-4460-9ecc-bc2468d3b157_1034x1036.png</url><title>Lu Macedo</title><link>https://lucemacedo.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Thu, 03 Sep 2026 20:13:58 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/lucemacedo.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Lucia Macedo]]></copyright><language><![CDATA[en]]></language><webMaster><![CDATA[lucemacedo@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[lucemacedo@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[John Davenant]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[John Davenant]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[lucemacedo@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[lucemacedo@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[John Davenant]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[O BIBLICISMO TRAI A SOLA SCRIPTURA]]></title><description><![CDATA[Uma cr&#237;tica ao individualismo hermen&#234;utico moderno | Nem todo apego &#224; B&#237;blia &#233; fidelidade &#224; B&#237;blia.]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/o-biblicismo-trai-a-sola-scriptura</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/o-biblicismo-trai-a-sola-scriptura</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Sat, 27 Jun 2026 15:40:15 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!EHB2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4f2d3c4b-682e-46dc-b65a-897fd36e11c1_1170x1849.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><strong>O QUE &#201; BIBLICISMO?</strong></p><p>Ser protestante &#233; crer na autoridade b&#237;blica. No entanto, autoridade b&#237;blica e biblicismo n&#227;o s&#227;o sin&#244;nimos. O biblicismo vai al&#233;m de crer na autoridade final da B&#237;blia e imp&#245;e &#224; B&#237;blia um m&#233;todo hermen&#234;utico restritivo. O biblicismo pode ser identificado pelos seguintes sintomas:</p><blockquote><p>(1) Mentalidade ahist&#243;rica: O biblicismo &#233; um desd&#233;m arrogante (esnobismo cronol&#243;gico, nas palavras de C. S. Lewis) pela hist&#243;ria da interpreta&#231;&#227;o e pela autoridade dos credos e confiss&#245;es, entoando o mantra individualista &#8220;Nenhum credo sen&#227;o a B&#237;blia&#8221;, que na pr&#225;tica se traduz em &#8220;Nenhuma autoridade sen&#227;o eu&#8221;. A <em>sola scriptura</em> &#233; radicalizada em <em>solo scriptura</em>. Como resultado, o biblicismo falha em permitir que a teologia informe a exegese, que &#233; projetada para proteger contra a heresia.</p><p>(2) Uso irrespons&#225;vel de textos-prova: O biblicismo trata as Escrituras como se fossem um dicion&#225;rio ou enciclop&#233;dia, como se o te&#243;logo simplesmente escavasse os textos-prova corretos, cap&#237;tulo e vers&#237;culo, somando-os para apoiar uma doutrina. O biblicismo limita-se &#224;queles cren&#231;as explicitamente expostas nas Escrituras e falha em deduzir doutrinas a partir das Escrituras por meio de boa e necess&#225;ria consequ&#234;ncia.</p><p>(3) Anti-metaf&#237;sica: O biblicismo subvaloriza o uso da filosofia a servi&#231;o da exegese e da teologia. O biblicismo &#233; especialmente al&#233;rgico &#224; metaf&#237;sica, falhando em entender como o estudo do ser deve salvaguardar quem Deus &#233; (por exemplo, ato puro) em contraste com a criatura. Como resultado, o biblicismo confunde teologia e economia, como se quem Deus &#233; em si mesmo pudesse ser lido diretamente nas p&#225;ginas das Escrituras, quando essas p&#225;ginas frequentemente se concentram em eventos hist&#243;ricos.</p><p>(4) Predica&#231;&#227;o un&#237;voca: O biblicismo assume que a linguagem usada sobre Deus no texto deve ser aplicada a Deus de forma direta, como se o significado de um atributo predicado do homem tivesse o mesmo significado quando predicado de Deus. Como consequ&#234;ncia, o biblicismo corre o risco de historicizar Deus por meio de uma interpreta&#231;&#227;o literalista do texto.</p><p>(5) Revela&#231;&#227;o restritiva: O biblicismo &#233; uma suspeita ou at&#233; mesmo uma rejei&#231;&#227;o &#224;s diversas maneiras pelas quais Deus se revelou, limitando-se ao livro das Escrituras enquanto rejeita o livro da cria&#231;&#227;o. O biblicismo frequentemente &#233; suspeito em rela&#231;&#227;o &#224; teologia natural.</p><p>(6) &#202;nfase excessiva no autor humano: O biblicismo negligencia a inten&#231;&#227;o e a capacidade do Autor divino de transcender qualquer autor humano espec&#237;fico. Como resultado, o biblicismo tem dificuldade em explicar a unidade do c&#226;non e o cumprimento cristol&#243;gico, nem fornece a metaf&#237;sica necess&#225;ria para explicar atributos das Escrituras como inspira&#231;&#227;o e inerr&#226;ncia.</p></blockquote><p>Esses pontos s&#227;o extra&#237;dos da minha <em>Systematic Theology</em> (Baker Academic) que ser&#225; lan&#231;ada em breve. Para uma cr&#237;tica do biblicismo hoje e um chamado ao retorno &#224; compreens&#227;o reformada de autoridade, veja <em>Recovering the Reformed Confession</em>, de R. Scott Clark. Quanto &#224;s origens da palavra: &#8220;O uso mais antigo da palavra &#8216;biblicismo&#8217; em ingl&#234;s ocorreu em 1827 em uma obra de Sophei Finngan em cr&#237;tica ao &#8216;biblicismo&#8217;. Em 1874, J. J. van Osterzee o definiu como &#8216;idolatria da letra&#8217;&#8221; .</p><p>Infelizmente, outra corrente de interpreta&#231;&#227;o prevaleceu, mas desta vez vinda de dentro das fileiras daqueles que alegavam ser os pr&#243;prios herdeiros da Reforma. Os protestantes evang&#233;licos podem reivindicar direitos &#224; heran&#231;a da Reforma mais do que qualquer outra tradi&#231;&#227;o crist&#227;. Qu&#227;o ir&#244;nico, ent&#227;o, que os protestantes evang&#233;licos &#224;s vezes tenham cultivado uma interpreta&#231;&#227;o da Reforma que n&#227;o &#233; muito diferente das suposi&#231;&#245;es hist&#243;ricas do liberalismo moderno. Se o liberalismo moderno aponta para a Reforma para celebrar o surgimento do indiv&#237;duo esclarecido que se desfaz da tradi&#231;&#227;o para ficar sobre o banquinho aut&#244;nomo da raz&#227;o, os evang&#233;licos &#224;s vezes incorporaram essa mesma pressuposi&#231;&#227;o em rela&#231;&#227;o aos Reformadores, mas com o prop&#243;sito de perpetuar um biblicismo moderno. A hist&#243;ria da Reforma &#233; recontada em institui&#231;&#245;es e igrejas evang&#233;licas como se os Reformadores fossem radicais, jogando fora as algemas da tradi&#231;&#227;o, como se a igreja tivesse sido corrompida e perdida desde os ap&#243;stolos. Em nome da <em>sola scriptura</em>, os Reformadores abandonaram uma igreja corrupta, rompendo com a igreja da Idade M&#233;dia para iniciar sua pr&#243;pria igreja imaculada.</p><p>Tal interpreta&#231;&#227;o se apega a e (re)interpreta narrativas espec&#237;ficas. Lutero marchou at&#233; a porta da igreja do castelo e, com o mundo observando, pregou suas Noventa e Cinco Teses, iniciando uma revolu&#231;&#227;o contra todas as coisas cat&#243;licas. John Knox imitou todos os outros Reformadores quando gritou contra as governantes femininas de sua &#233;poca para jogar fora os poderes pol&#237;ticos que mantinham a igreja sob as garras das autoridades temporais e sua lealdade romana. Chamarei essa interpreta&#231;&#227;o de &#8220;narrativa oposicional&#8221; porque ela coloca a Reforma em oposi&#231;&#227;o &#224; igreja cat&#243;lica (universal) e ataca especialmente os escol&#225;sticos medievais. A narrativa oposicional d&#225; vigor &#224; express&#227;o &#8220;Idade das Trevas&#8221; e retrata os Reformadores com os punhos erguidos, de p&#233; sobre a B&#237;blia sozinhos para protestar contra uma igreja polu&#237;da de todas as formas. Nessa vis&#227;o, a Reforma &#233; uma ruptura com o passado.</p><p>Quatro mitos principais (embora provavelmente haja mais) tendem a caracterizar a narrativa oposicional e amea&#231;am bloquear o caminho para a busca consciente da Reforma pela catolicidade. Primeiro, de acordo com essa interpreta&#231;&#227;o, a Reforma foi anti-tradi&#231;&#227;o. Os Reformadores criam na <em>sola scriptura</em>, e isso significava que a B&#237;blia era a &#250;nica autoridade para a igreja. A tradi&#231;&#227;o era sua inimiga e amea&#231;ava seduzir o crist&#227;o para longe da B&#237;blia como autoridade rival. Os Reformadores acreditavam que a maneira correta de interpretar suas B&#237;blias era por si mesmos, sem as interpreta&#231;&#245;es da igreja. Segundo, a Reforma n&#227;o foi apenas anti-cat&#243;lica (romana), mas tamb&#233;m anti-cat&#243;lica (igreja universal), como se o verdadeiro evangelho e a verdadeira igreja tivessem se perdido desde os dias dos ap&#243;stolos, s&#243; para serem recuperados no s&#233;culo XVI e fielmente preservados por meio de um cisma e divis&#227;o intencionais da igreja. Terceiro, a Reforma foi anti-medieval, especificamente anti-escol&#225;stica. Os Reformadores pensavam que o escolasticismo representava tudo o que havia de errado com a igreja, tanto em suas cren&#231;as quanto em suas pr&#225;ticas. A teologia da Reforma deveria ser colocada contra a teologia medieval, uma alternativa completa ao escolasticismo especulativo, racionalista, elitista, papalista e &#224; sua teologia natural. Quarto, a Reforma foi anti-filosofia, convencida de que o cristianismo era antit&#233;tico a Plat&#227;o e Arist&#243;teles. Lutero considerava a raz&#227;o a prostituta do diabo porque a teologia medieval havia sido corrompida pelo pensamento grego pag&#227;o.</p><p>Os melhores acad&#234;micos evang&#233;licos evitam essa narrativa oposicional e deram belos exemplos de nuance hist&#243;rica, exemplificando representa&#231;&#245;es precisas da Reforma. No entanto, entre as massas evang&#233;licas, a narrativa oposicional &#233; prevalente &#8212; uma posi&#231;&#227;o padr&#227;o, &#224;s vezes at&#233; perpetuada em universidades e semin&#225;rios crist&#227;os. Aqueles que caem na narrativa oposicional podem faz&#234;-lo por v&#225;rias raz&#245;es, mas duas se destacam: </p><blockquote><p>(1) Eles desejam distinguir suas cren&#231;as protestantes dos cat&#243;licos romanos de hoje (que s&#227;o sempre o inimigo) e, portanto, assumem que o catolicismo romano deve exercer um monop&#243;lio leg&#237;timo sobre vastos per&#237;odos da teologia patr&#237;stica e especialmente medieval. Isso explica, do ponto de vista oposicional, por que os Reformadores reagiram com tanto protesto; eles tiveram que superar a Idade das Trevas e introduzir a luz das Escrituras pela primeira vez desde os ap&#243;stolos. </p></blockquote><blockquote><p>(2) A narrativa oposicional &#233; especialmente estrat&#233;gica para o pastor ou professor, igreja ou institui&#231;&#227;o, que se desloca do esp&#237;rito do evangelicalismo para o fundamentalismo. &#201; uma forma de ainda reivindicar os Reformadores &#8212; e, por padr&#227;o, uma identidade protestante &#8212; enquanto interpreta os Reformadores como radicais como a pr&#243;pria agenda do int&#233;rprete no dia de hoje, como se os Reformadores fossem a favor das mudan&#231;as radicais em jogo no imp&#233;rio ou movimento contempor&#226;neo do int&#233;rprete.</p></blockquote><p>A narrativa oposicional, no entanto, &#233; repleta de problemas hist&#243;ricos. Primeiro, ela incorpora um esp&#237;rito interpretativo semelhante ao celebrado pelo <strong>LIBERALISMO </strong>protestante, s&#243; com resultados diferentes. Para os liberais, essa interpreta&#231;&#227;o rebelde foi o alvorecer de um novo dia: o advento do modernismo. Para os evang&#233;licos, essa interpreta&#231;&#227;o rebelde foi o alvorecer de um novo dia: o advento do biblicismo. No entanto, ambas as interpreta&#231;&#245;es assumem que os Reformadores haviam abandonado o passado, rompido com tudo o que era cat&#243;lico e aberto um caminho que levava a igreja de volta aos ap&#243;stolos e ao cristianismo puro. Tudo havia sido escuro desde a era apost&#243;lica, mas agora os Reformadores haviam chegado, trazendo a luz de um novo alvorecer.</p><p>Segundo, a narrativa oposicional est&#225; cheia de confus&#227;o hist&#243;rica. Sua descri&#231;&#227;o dos Reformadores pode ser uma representa&#231;&#227;o adequada da ala radical, mas falha como representa&#231;&#227;o precisa dos Reformadores. Como os cap&#237;tulos 10&#8211;11 e 13 explorar&#227;o, Roma, bem como os poderes pol&#237;ticos do s&#233;culo XVI, nem sempre distinguiam entre os Reformadores e aqueles que surgiram de dentro do campo da Reforma, mas depois se tornaram radicais. Os Reformadores se esfor&#231;aram para esclarecer essa confus&#227;o, explicando a magistrados e ministros que esses radicais eram cism&#225;ticos e extremistas, traindo o programa da Reforma. Em parte, isso explica por que os Reformadores eram t&#227;o firmes em apoiar as autoridades na puni&#231;&#227;o dos radicais. Os Reformadores n&#227;o eram sect&#225;rios, mas ortodoxos, insistiam eles.</p><p>Terceiro, uma raz&#227;o pela qual a narrativa oposicional luta para ver a Reforma atrav&#233;s da lente da catolicidade &#8212; como os pr&#243;prios Reformadores o fizeram &#8212; deve-se a uma vis&#227;o teol&#243;gica desequilibrada, dominante e mal informada do s&#233;culo XVI. Ao risco de simplifica&#231;&#227;o excessiva, os Reformadores sacrificaram seu tempo e deram a maior parte de sua energia para combater dois fios dentro dos ensinamentos de Roma: (1) soteriologia (especialmente justifica&#231;&#227;o, sacramentos e purgat&#243;rio) e (2) eclesiologia (especialmente a autoridade papal sobre as Escrituras, a igreja e a sociedade) &#8212; quase todas as outras queixas caem sob esses dois dom&#237;nios doutrin&#225;rios. Mas, se n&#227;o for cuidadoso, o historiador pode olhar para a avalanche de publica&#231;&#245;es dos Reformadores sobre esses loci e concluir que a Reforma n&#227;o foi nada menos que uma ruptura total com a igreja e, com ela, com o passado, especialmente o passado medieval. Essa &#233; uma pressuposi&#231;&#227;o hist&#243;rica perigosa. Tal perspectiva &#233;, por exemplo, t&#227;o falha quanto examinar as batalhas de Agostinho com o pelagianismo apenas para concluir que ele n&#227;o assumia a condena&#231;&#227;o anterior da igreja ao arianismo. &#201; t&#227;o falha quanto olhar para o primeiro dos escol&#225;sticos, Anselmo de Cantu&#225;ria (ver cap&#237;tulo 3), e sua defesa do te&#237;smo cl&#225;ssico apenas para assumir que ele n&#227;o absorveu a compreens&#227;o anterior da igreja sobre a autoridade das Escrituras. Da mesma forma, o historiador n&#227;o deve olhar para os Reformadores do s&#233;culo XVI e seus pol&#234;micos sobre soteriologia e eclesiologia &#8212; pol&#234;micos que eventualmente resultaram em sua excomunh&#227;o da &#250;nica igreja que existia &#8212; apenas para assumir que os Reformadores n&#227;o se banquetearam na mesa ampla da catolicidade em mil outras preocupa&#231;&#245;es. O alerta de Richard Muller &#233; s&#243;brio: &#8220;Vale a pena reconhecer desde o in&#237;cio que a Reforma alterou comparativamente poucos dos principais loci da teologia: as doutrinas da justifica&#231;&#227;o, dos sacramentos e da igreja receberam a maior &#234;nfase &#8212; enquanto as doutrinas de Deus, da Trindade, da cria&#231;&#227;o, da provid&#234;ncia, da predestina&#231;&#227;o e das &#250;ltimas coisas foram assumidas da tradi&#231;&#227;o pela Reforma magistral praticamente sem altera&#231;&#227;o.&#8221; Praticamente sem altera&#231;&#227;o &#8212; essa afirma&#231;&#227;o merece ser repetida. A corre&#231;&#227;o de Muller est&#225; por tr&#225;s da inspira&#231;&#227;o deste livro e de sua nova introdu&#231;&#227;o &#224; hist&#243;ria intelectual da Reforma.</p><p>Quarto, se Muller estiver certo, ent&#227;o a narrativa oposicional falha em reconhecer a continuidade da Reforma com a igreja cat&#243;lica e sua centralidade em suas pol&#234;micas tanto com Roma quanto com os radicais. Se a resposta de Calvino a Sadoleto revela algo, &#233; o quanto a narrativa oposicional fica aqu&#233;m. Na verdade, se a narrativa oposicional fosse adotada por algu&#233;m como Calvino, ele teria provado o ponto de Sadoleto: a Reforma defendia doutrinas inovadoras e, portanto, est&#225; fora da &#250;nica, santa, cat&#243;lica e apost&#243;lica igreja. No entanto, os Reformadores n&#227;o se propuseram a iniciar uma nova igreja, muito menos uma nova denomina&#231;&#227;o; eles pretendiam reformar a &#250;nica igreja que conheciam, uma igreja cat&#243;lica que ainda acreditavam possuir e praticar marcas leg&#237;timas de uma verdadeira igreja (por exemplo, o batismo), mesmo que essa igreja estivesse polu&#237;da pelas inova&#231;&#245;es do papado e pelas maquina&#231;&#245;es pol&#237;ticas. Por exemplo, enquanto os Reformadores escreviam para defender sua catolicidade perante Carlos V em prepara&#231;&#227;o para Augsburgo, Johannes Eck escreveu 404 teses inflamadas afirmando que os Reformadores n&#227;o tinham direito de reivindicar continuidade com os pais da igreja. Na esteira das acusa&#231;&#245;es de Eck, os proponentes da Confiss&#227;o de Augsburgo fizeram um esfor&#231;o repetido para refor&#231;ar sua ortodoxia com a igreja universal. Outros como Martin Bucer e Wolfgang Capito fizeram o mesmo.</p><p>Quanto &#224; autoridade, os Reformadores n&#227;o eram defensores do mantra fundamentalista contempor&#226;neo &#8220;Nenhum credo sen&#227;o a B&#237;blia&#8221;, mas estavam determinados a recuperar uma vis&#227;o correta da tradi&#231;&#227;o (ministerial) em oposi&#231;&#227;o &#224; vis&#227;o falha de Roma sobre a tradi&#231;&#227;o (magisterial). Os Reformadores se posicionaram sobre a autoridade suprema das Sagradas Escrituras, mas apenas de uma Escritura corretamente interpretada pela igreja e com a igreja cat&#243;lica (universal). A Reforma se op&#244;s &#224; eleva&#231;&#227;o de Roma da tradi&#231;&#227;o como fonte de revela&#231;&#227;o infal&#237;vel &#8212; igual &#224; Escritura e &#224;s vezes uma autoridade interpretativa superior a ela. Mas os Reformadores tamb&#233;m se opuseram &#224; rejei&#231;&#227;o dos reformadores radicais da tradi&#231;&#227;o como autoridade e fonte tanto para a teologia quanto para a orienta&#231;&#227;o exeg&#233;tica. Em contraste com ambos os grupos, os Reformadores afirmaram a tradi&#231;&#227;o como autoridade ministerial para a igreja, responsabilizando a igreja por seus credos e conc&#237;lios, guiando-a em uma interpreta&#231;&#227;o s&#227; e ortodoxa das Escrituras. Como David Steinmetz observou:</p><p></p><blockquote><p>Embora seja verdade que os reformadores, no in&#237;cio, estavam otimistas de que seria poss&#237;vel ensinar e pregar uma teologia totalmente b&#237;blica, eles raramente pretendiam excluir fontes teol&#243;gicas n&#227;o b&#237;blicas. <em>Sola scriptura</em> geralmente significava <em>prima scriptura</em>, a Escritura como fonte e norma final pela qual todas as fontes e argumentos teol&#243;gicos deveriam ser julgados, n&#227;o a Escritura como a &#250;nica fonte de sabedoria teol&#243;gica.</p></blockquote><p></p><p>Em outras palavras, sola scriptura n&#227;o significava que a Escritura era a &#250;nica ou exclusiva autoridade &#8212; essa era a posi&#231;&#227;o dos radicais. Antes, sola scriptura significava que &#8220;somente a Escritura, porque &#233; a Palavra inspirada de Deus, &#233; a autoridade inerrante, suficiente e final para a igreja&#8221;.</p><p>Quanto &#224; soteriologia, os Reformadores viam a si mesmos como agostinianos; e na medida em que os medievais abra&#231;avam uma soteriologia agostiniana, os Reformadores tinham pouca obje&#231;&#227;o. Numerosos exemplos existem e ser&#227;o explorados neste livro. Durante a Reforma inglesa, o tratamento de Thomas Cranmer da justifica&#231;&#227;o sola fide no Book of Homilies anglicano (1547) faz numerosas alus&#245;es &#224; igreja patr&#237;stica e medieval em busca de apoio. Da mesma forma, quando Martin Chemnitz refutou o Conc&#237;lio de Trento, ele alegou que muitos pais da igreja ensinaram a justifica&#231;&#227;o pela f&#233; somente e usou suas vozes para apoiar a reivindica&#231;&#227;o luterana de catolicidade. &#201; verdade que os Reformadores, com o tempo, acrescentaram e refinaram a doutrina de Agostinho sobre a justifica&#231;&#227;o onde acreditavam que Paulo ensinava uma imputa&#231;&#227;o forense em vez de uma infus&#227;o moral. No entanto, os Reformadores se consideravam em d&#237;vida com Agostinho porque ele garantiu que a gra&#231;a permanecesse primordial, n&#227;o apenas na predestina&#231;&#227;o, mas na regenera&#231;&#227;o e na convers&#227;o. Apesar de suas cr&#237;ticas, os Reformadores tamb&#233;m reconheceram que sola gratia n&#227;o se limitava &#224; era patr&#237;stica, mas podia ser ouvida dos l&#225;bios de muitos escol&#225;sticos medievais, porque todos pelo menos desejavam reivindicar o legado de Agostinho (se alguns conseguiam ou n&#227;o &#233; outra quest&#227;o).</p><p>Portanto, a correla&#231;&#227;o dos Reformadores com o pensamento medieval n&#227;o &#233; sim ou n&#227;o, mas sim e n&#227;o. O pensamento medieval &#8212; durante a Alta, a Baixa e o final da Idade M&#233;dia &#8212; n&#227;o era monocrom&#225;tico. Como o cap&#237;tulo 5 revelar&#225;, pelo menos na soteriologia ocorreu uma mudan&#231;a no final da era medieval com o advento da via moderna (Ockham, Biel), uma mudan&#231;a que os Reformadores acreditavam trair muitos que representavam a via antiqua, incluindo os pais da igreja, medievais durante a Alta Idade M&#233;dia e escol&#225;sticos durante a Alta Idade M&#233;dia. A mudan&#231;a da via moderna motivou a acusa&#231;&#227;o da schola Augustiniana moderna de pelagianismo no pior caso ou semipelagianismo no melhor. O pr&#243;prio Lutero foi treinado na soteriologia da via moderna, e o ano que acendeu a Reforma (1517) foi o mesmo ano em que Lutero se op&#244;s &#224; via moderna por meio de uma disputa p&#250;blica. Em outras palavras, o alvo do protesto soteriol&#243;gico da Reforma era espec&#237;fico. Isso n&#227;o significa que a via moderna era o &#250;nico alvo; &#224; medida que o debate soteriol&#243;gico se movia da justifica&#231;&#227;o para o sistema sacramental, outros como Pedro Lombardo foram atacados. Mas significa que uma narrativa oposicional &#233; simplista. Apesar da ampla ret&#243;rica pol&#234;mica dos Reformadores contra os &#8220;escol&#225;sticos&#8221;, um exame cuidadoso demonstra que indiv&#237;duos e movimentos espec&#237;ficos eram o alvo, n&#227;o necessariamente toda a era escol&#225;stica, muito menos medieval.</p><p>Quanto &#224; filosofia, a Reforma pode ter reagido &#224; forma como um fil&#243;sofo como Arist&#243;teles foi apropriado por te&#243;logos papais para substanciar uma teologia da gl&#243;ria (como Lutero a chamava), mas os Reformadores dependiam da filosofia antiga, patr&#237;stica e medieval, inclusive instituindo curr&#237;culos em suas universidades e academias para garantir que fosse ensinada &#224; pr&#243;xima gera&#231;&#227;o de protestantes. Filipe Melanchton foi um defensor ferrenho nesse aspecto, assim como Pedro M&#225;rtir Vermigli. Uma leitura contextual dos Reformadores e de declara&#231;&#245;es pol&#234;micas espec&#237;ficas contra a &#8220;raz&#227;o&#8221; ou a &#8220;filosofia&#8221; revela preocupa&#231;&#245;es com o mau uso da raz&#227;o ou da filosofia, mas n&#227;o uma rejei&#231;&#227;o total do pensamento grego. Se os Reformadores n&#227;o pressupusessem certos compromissos epistemol&#243;gicos e metaf&#237;sicos da filosofia grega, sua pol&#234;mica contra Roma teria sido sem sentido, e Roma poderia ter possu&#237;do muni&#231;&#227;o adicional para sua acusa&#231;&#227;o de heresia. Al&#233;m disso, o tipo de influ&#234;ncia filos&#243;fica sobre os Reformadores n&#227;o foi uniforme. Em alguns pontos, alguns Reformadores mostraram grande depend&#234;ncia do realismo cl&#225;ssico. Em outros pontos, alguns Reformadores foram marcados pela influ&#234;ncia do nominalismo e do voluntarismo. Embora os Reformadores rejeitassem a soteriologia da via moderna, alguns deles simpatizavam com a filosofia mais ampla da via moderna (ou seja, nominalismo), enquanto outros n&#227;o. Mas uma narrativa oposicional simplista, at&#233; mesmo anacr&#244;nica, falha em levar em considera&#231;&#227;o essas v&#225;rias complica&#231;&#245;es.</p><p>Nesse ponto, fundamentalismo e liberalismo podem parecer estranhos companheiros de cama, mas a descri&#231;&#227;o da Reforma como anti-filosofia grega pela narrativa oposicional &#233; assustadoramente semelhante &#224; ret&#243;rica da tese de heleniza&#231;&#227;o de Adolf von Harnack. A declara&#231;&#227;o de Robert Louis Wilken sobre a morte de tal leitura equivocada merece ser repetida: &#8220;A no&#231;&#227;o de que o desenvolvimento do pensamento crist&#227;o primitivo representou uma heleniza&#231;&#227;o do cristianismo sobreviveu &#224; sua utilidade. Chegou a hora de nos despedirmos afetuosamente das ideias de Adolf von Harnack, o historiador do dogma do s&#233;culo XIX cujo pensamento influenciou a interpreta&#231;&#227;o do pensamento crist&#227;o primitivo por mais de um s&#233;culo.&#8221; Em resumo, a persist&#234;ncia da narrativa oposicional dentro do fundamentalismo hoje &#233; uma hermen&#234;utica hist&#243;rica falha n&#227;o porque seja conservadora demais, mas porque &#233; liberal demais.</p><p>Com esses erros identificados, como ent&#227;o devemos prosseguir?</p><p></p><p>Cap&#237;tulo do livro: </p><p><strong>A REFORMA COMO RENOVA&#199;&#195;O - Recuperando a Igreja Una, Santa, Cat&#243;lica e Apost&#243;lica | Matthew Barrett | Pg. 21-28</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" 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href="https://youtu.be/rekJ5jqVXfY?is=Ysc4sW0HQ2pc84_x">https://youtu.be/rekJ5jqVXfY?is=Ysc4sW0HQ2pc84_x</a></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Que Richard Baxter Entendia Sobre Crianças e Educação]]></title><description><![CDATA[O Que a Escola Faz Com a Alma de Uma Crian&#231;a?]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/o-que-richard-baxter-entendia-sobre</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/o-que-richard-baxter-entendia-sobre</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Mon, 25 May 2026 20:15:49 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!jSwE!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F997299c9-b287-4df5-852f-2e1363c54f84_769x771.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" 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O ambiente &#233; todo revestido em madeira escura.Ao fundo da cena h&#225; um quadro com o bras&#227;o da Alsted Escola Crist&#227; Cl&#225;ssica. Logo abaixo dele, aparece uma pintura de cinco importantes pensadores e reformadores da tradi&#231;&#227;o crist&#227; sentadas ao redor de uma mesa de madeira, <strong>com B&#237;blias abertas no centro. Est&#227;o representados: Johann Alsted,  John Calvin, Martin Luther, Philipp Melanchthon, Augustine of Hippo </strong>. Eles aparecem em tons s&#243;brios, como em um retrato renascentista, olhando uns para os outros em conversa s&#233;ria.Na parte da frente da imagem est&#227;o cinco crian&#231;as usando o uniforme escolar cl&#225;ssico da Alsted.&#192; esquerda, uma menina de cabelos longos  est&#225; em p&#233; diante de uma grande estante de livros, esticando a m&#227;o para pegar um volume em uma prateleira alta. No centro, um menino sentado em um banco toca uma flauta doce com concentra&#231;&#227;o. Ao lado dele, tr&#234;s meninas est&#227;o sentadas lendo livros abertos no colo. Cada uma parece mergulhada silenciosamente na leitura.Toda a cena transmite sil&#234;ncio, contempla&#231;&#227;o e forma&#231;&#227;o intelectual, reunindo elementos de educa&#231;&#227;o crist&#227; cl&#225;ssica, m&#250;sica, leitura e tradi&#231;&#227;o hist&#243;rica. A pr&#243;pria beleza do ambiente busca comunicar visualmente aquilo que a tradi&#231;&#227;o cl&#225;ssica crist&#227; sempre defendeu: o belo tamb&#233;m educa. Imagem idealizada por Lucia Macedo e reproduzida em grandes pain&#233;is instalados nas paredes da Alsted Escola Crist&#227; Cl&#225;ssica, com aproximadamente tr&#234;s metros de altura, representando visualmente a heran&#231;a intelectual, espiritual e pedag&#243;gica da tradi&#231;&#227;o crist&#227; cl&#225;ssica.</figcaption></figure></div><p>Na <a href="https://www.eccalsted.com.br/">Alsted Escola Crist&#227; Cl&#225;ssica</a>, uma escola <a href="https://www.instagram.com/ecc_alsted/">crist&#227; cl&#225;ssica e confessional</a>, uma das perguntas que mais nos interessa &#233;: o que um professor realmente est&#225; fazendo quando ensina?</p><blockquote><p>Transmitindo conte&#250;do? Preparando alunos para vestibulares? Treinando pessoas para o mercado? Ou participando da forma&#231;&#227;o de um ser humano inteiro?</p></blockquote><p>Foi imposs&#237;vel n&#227;o pensar nisso enquanto lia mais um dos textos do reverendo Richard Baxter sobre <strong>educa&#231;&#227;o crist&#227;.</strong></p><p>Existe uma frase dele que ficou presa na minha cabe&#231;a desde a primeira leitura:</p><blockquote><p>&#8220;<strong>N&#227;o tens um encargo de ovelhas ou bois, mas de criaturas racionais.</strong>&#8221;</p></blockquote><p>&#201; dif&#237;cil ler isso e continuar vendo educa&#231;&#227;o apenas como &#8220;<strong>transmiss&#227;o de conte&#250;do&#8221;.</strong></p><div><hr></div><h3>Antes de iniciarmos, permita-me apresentar mais uma vez O Richard Baxter.</h3><p>Richard Baxter (1615&#8211;1691) foi um te&#243;logo ingl&#234;s, reverendo e um dos mais influentes pensadores crist&#227;os do s&#233;culo XVII. &#201; especialmente conhecido por sua &#234;nfase em teologia pr&#225;tica, piedade pastoral, aconselhamento espiritual e forma&#231;&#227;o crist&#227; da vida cotidiana.</p><p>Baxter escreveu uma das maiores obras de teologia pastoral da hist&#243;ria da Igreja: A Christian Directory, um enorme manual de aconselhamento b&#237;blico e teologia pr&#225;tica voltado &#224; vida crist&#227; em praticamente todos os seus aspectos.</p><p><strong>O texto citado neste artigo vem do Cap&#237;tulo VI do Volume 4:</strong><br><em>&#8220;Instru&#231;&#245;es para Mestres-Escolares Acerca de Seu Dever para com as Almas das Crian&#231;as&#8221;</em>.</p><p>Recomendo fortemente a leitura completa.</p><div><hr></div><h2>O que mais me impressiona em Baxter &#233; que ele n&#227;o come&#231;a falando de m&#233;todo, curr&#237;culo ou desempenho escolar. Ele come&#231;a falando de finalidade. O problema come&#231;a no &#8220;para qu&#234;&#8221;</h2><p>Baxter diz:</p><blockquote><p>&#8220;<strong>Determina primeiro corretamente o teu fim</strong>.&#8221;</p></blockquote><p>Para Baxter, o professor deveria ensinar visando quatro coisas ao mesmo tempo: <strong>glorificar a Deus, promover o bem p&#250;blico, formar a mente dos alunos para amar o Criador e buscar o bem eterno deles.</strong></p><p>Para muita gente hoje isso pode soar exagerado. Ainda assim, acho dif&#237;cil negar que existe algo profundamente verdadeiro a&#237;. Poucas pessoas conseguem sustentar uma voca&#231;&#227;o dif&#237;cil durante muitos anos sem uma vis&#227;o elevada do que est&#227;o fazendo.</p><p>Quando o ensino vira apenas sal&#225;rio, burocracia, sobreviv&#234;ncia ou performance institucional, alguma coisa inevitavelmente se perde.</p><p>Para um leitor contempor&#226;neo, isso talvez soe exagerado. Mas acredito sim, que Baxter enxergava algo real: ningu&#233;m consegue sustentar uma voca&#231;&#227;o dif&#237;cil por muito tempo sem uma vis&#227;o alta do que est&#225; fazendo. Talvez seja por isso que tantos professores estejam cansados. Existe enorme cobran&#231;a pr&#225;tica, mas quase nenhuma convic&#231;&#227;o <strong>TRANSCENDENTAL</strong> sustentando o trabalho.</p><p>Na <a href="https://www.instagram.com/ecc_alsted/">Alsted</a>, essa pergunta continua extremamente atual. O que exatamente significa educar algu&#233;m?</p><p>H&#225; um trecho extraordin&#225;rio em que Baxter compara crian&#231;as a um <strong>papel ainda pouco marcado:</strong></p><blockquote><p>&#8220;Tens papel para escrever (...) que tem o menor n&#250;mero de borr&#245;es e linhas a apagar.&#8221;</p></blockquote><p>A linguagem pode soar desconfort&#225;vel para os leitores contempor&#226;neos, mas ela revela algo importante: Baxter n&#227;o enxergava inf&#226;ncia como uma fase neutra. Para ele, educa&#231;&#227;o sempre foi forma&#231;&#227;o.</p><p><strong>E aqui talvez esteja uma das ideias mais importantes do texto: o professor molda pessoas mesmo quando afirma que n&#227;o est&#225; moldando ningu&#233;m.</strong></p><p>Toda escola acaba formando afetos, h&#225;bitos, imagina&#231;&#227;o moral, linguagem, vis&#227;o de mundo e desejos. <strong>At&#233; a ideia de &#8220;neutralidade&#8221; j&#225; carrega uma vis&#227;o espec&#237;fica de ser humano.</strong></p><p><strong>Baxter simplesmente admitia isso com clareza</strong>.</p><p>Outra parte que me chamou aten&#231;&#227;o foi a maneira como ele descreve a influ&#234;ncia do professor. Em certo momento, Baxter diz que mestres-escolares possuem vantagens que at&#233; pastores n&#227;o possuem: convivem diariamente com os alunos, acompanham seus h&#225;bitos, corrigem constantemente e trabalham numa idade especialmente mold&#225;vel.</p><p>Ent&#227;o ele escreve:</p><blockquote><p>&#8220;N&#227;o os tens uma vez por semana (...) mas a semana inteira, dia ap&#243;s dia.&#8221;</p></blockquote><p>Baxter entendia algo muito simples e muito profundo: quem convive diariamente molda profundamente.</p><p>Isso vale para o bem e para o mal.</p><h2>Provavelmente o trecho mais dif&#237;cil para leitores contempor&#226;neos aparece quando Baxter coloca teologia no centro da educa&#231;&#227;o. Ele escreve:</h2><blockquote><p>&#8220;D&#225;-lhe a preced&#234;ncia, e ensina-lha com maior cuidado e dilig&#234;ncia do que qualquer outra parte da aprendizagem.&#8221;</p></blockquote><p>Hoje quase toda educa&#231;&#227;o ocidental gira principalmente em torno de desempenho, produtividade, mercado e utilidade econ&#244;mica. <strong>Baxter diria que isso produz pessoas tecnicamente treinadas, mas espiritualmente desordenadas.</strong></p><p>Voc&#234; pode concordar ou discordar dele. Ainda assim, existe uma coer&#234;ncia forte no argumento:<strong> se Deus &#233; o fim &#250;ltimo da vida humana, ent&#227;o uma educa&#231;&#227;o que ignora isso inevitavelmente se torna incompleta.</strong></p><p>Curiosamente, a parte que mais ficou na minha cabe&#231;a n&#227;o foi a defesa do catecismo. Eu j&#225; esperava isso de Baxter e de todos os nosso <em>divines</em>. </p><p>O que realmente eu gostaria de destacar foi sua preocupa&#231;&#227;o com o ambiente moral das crian&#231;as.</p><p>Ele fala sobre obscenidade, zombaria, mentira, vulgaridade e a influ&#234;ncia corruptora entre colegas. Em seguida escreve algo impressionante:</p><blockquote><p>&#8220;Sendo quase de t&#227;o grande import&#226;ncia para as crian&#231;as, o que os seus companheiros s&#227;o, como o que o seu mestre &#233;.&#8221;</p><p>Talvez seja justamente aqui que escolas crist&#227;s cl&#225;ssicas (confessionais) precisem recuperar algo que o mundo contempor&#226;neo fragmentou: a ideia de comunidade moral. Educa&#231;&#227;o nunca acontece apenas entre professor e aluno. Ela envolve amizades, h&#225;bitos compartilhados, fam&#237;lias, conversas dentro de casa, exemplos cotidianos e at&#233; aquilo que uma cultura inteira aprende a tolerar.</p><p>Uma escola crist&#227; confessional saud&#225;vel n&#227;o deveria funcionar como um servi&#231;o terceirizado de ensino, <strong>mas como uma esp&#233;cie de c&#237;rculo virtuoso entre escola, igreja e pais. </strong>Porque, no fim, crian&#231;as s&#227;o inevitavelmente discipuladas pelos ambientes que frequentam, e dificilmente a forma&#231;&#227;o dada em sala de aula permanece intacta quando todo o restante da vida aponta na dire&#231;&#227;o contr&#225;ria.</p></blockquote><p>Baxter escreveu isso h&#225; mais de 300 anos, mas a observa&#231;&#227;o continua . Crian&#231;as ainda s&#227;o profundamente moldadas pelos ambientes e pelas pessoas ao seu redor,  talvez mais do que os adultos gostam de admitir.</p><p><strong>A grande diferen&#231;a &#233; que Baxter trata educa&#231;&#227;o como forma&#231;&#227;o da alma.</strong></p><p>Ele n&#227;o separa aprendizagem de car&#225;ter. Por isso, chega a afirmar que pecados contra Deus deveriam preocupar mais o professor do que dificuldades acad&#234;micas.</p><p>Para sensibilidades modernas, isso parece extremo. Mas Baxter enxergava algo que talvez tenhamos perdido: conhecimento, por si s&#243;, n&#227;o torna ningu&#233;m bom. Uma pessoa inteligente sem virtude tamb&#233;m pode se tornar profundamente destrutiva.</p><p>Mesmo quem n&#227;o concorda integralmente com Baxter talvez ainda termine esse texto com uma pergunta inc&#244;moda:</p><blockquote><p>O que exatamente nossas escolas est&#227;o formando?</p></blockquote><p>Porque, gostemos disso ou n&#227;o, toda educa&#231;&#227;o forma algum tipo de ser humano.</p><p>____________________________________________________________________________</p><p>Buscarei escrever mais sobre esse tema dentro da nossa pr&#243;pria tradi&#231;&#227;o e sobre a import&#226;ncia da educa&#231;&#227;o das nossas crian&#231;as para a gl&#243;ria de Deus. </p><p>Por exemplo: voc&#234; sabe quem foram Johann Alsted e Philipp Melanchthon e qual foi a import&#226;ncia deles para a hist&#243;ria da educa&#231;&#227;o?</p><p>Aguarde e at&#233; breve.</p><p><em>Soli Deo Gloria</em></p><div><hr></div><p>Refer&#234;ncias:</p><p><a href="https://www.monergism.com/christian-directory-4-ebook-set">A Christian Directory &#8212; Volume 4, Cap&#237;tulo VI</a>: <em>&#8220;Instru&#231;&#245;es para Mestres-Escolares Acerca de Seu Dever para com as Almas das Crian&#231;as&#8221;</em>.</p><p>ALSTED | 1&#176; Escola Crist&#227; Cl&#225;ssica da Regi&#227;o de Guarulho/ SP | Instagram: <a href="https://www.instagram.com/ecc_alsted/">https://www.instagram.com/ecc_alsted</a>/   Site: <a href="https://www.eccalsted.com.br/p%C3%A1gina-inicial">https://www.eccalsted.com.br/p%C3%A1gina-inicial</a></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!_Qes!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc3b83159-1761-4e56-858c-81f5209096d1_419x363.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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Calvin]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/davenant-na-confissao-de-westminster</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/davenant-na-confissao-de-westminster</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Thu, 05 Feb 2026 15:59:12 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8JZ7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2baaf8fa-f37c-4460-9ecc-bc2468d3b157_1034x1036.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!wfm2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd4858c88-01c6-4852-a01b-4fa95a3ad049_220x298.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div 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class="image-caption">John Davenant foi Bispo de Salisbury de 1621 at&#233; a sua morte em 1641</figcaption></figure></div><p>      </p><p></p><p><strong><a href="https://www.academia.edu/34380527/Confessional_Orthodoxy_and_Hypothetical_Universalism_Another_Look_at_the_Westminster_Confession_of_Faith">Artigo do Michael Lynch, Semin&#225;rio Teol&#243;gico Calvin</a></strong></p><p>Eruditos e te&#243;logos h&#225; muito disputam a rela&#231;&#227;o do universalismo hipot&#233;tico com a Confiss&#227;o de F&#233; de Westminster (doravante, WCF).&#185; J&#225; em 1658, Richard Baxter, em defesa de sua pr&#243;pria ortodoxia, alegou que a WCF 8.5 n&#227;o impedia, de fato, sua forma de universalismo hipot&#233;tico. Ele escreveu: &#8220;E eu conversei com um Divino eminente, ainda vivo, que esteve na Assembleia [de Westminster], que me assegurou que eles propositalmente evitaram determinar aquela Controv&#233;rsia, e alguns deles professaram ser a favor do caminho do meio da Reden&#231;&#227;o Universal.&#8221;&#178; Neste artigo, defenderei a alega&#231;&#227;o de Baxter de que a reda&#231;&#227;o adotada pelos Divinos de Westminster n&#227;o pretendia excluir (pelo menos) a forma de universalismo hipot&#233;tico ingl&#234;s defendida por aqueles como o Bispo John Davenant e apelada pelo Divino de Westminster Edmund Calamy.&#179;</p><p>Este artigo ser&#225; dividido em tr&#234;s partes. Primeiro, darei uma exposi&#231;&#227;o do que parece ser o caso mais forte contra minha tese, apresentado por William Cunningham, o te&#243;logo presbiteriano escoc&#234;s do s&#233;culo XIX. Segundo, uma breve vis&#227;o geral do universalismo hipot&#233;tico davenantiano ser&#225; apropriada, especialmente &#224; luz dos mal-entendidos que frequentemente acompanham exposi&#231;&#245;es de seu universalismo hipot&#233;tico. Na se&#231;&#227;o final, ap&#243;s examinar o caso de Cunningham e dar uma breve exposi&#231;&#227;o do universalismo hipot&#233;tico davenantiano, apresentarei um argumento para minha pr&#243;pria leitura da WCF em rela&#231;&#227;o &#224; nossa pergunta: A reda&#231;&#227;o da WCF exclui todas as formas de universalismo hipot&#233;tico, incluindo, particularmente, a vers&#227;o de Davenant?</p><p>Baixe aqui para continuar a leitura: <a href="https://www.academia.edu/34380527/Confessional_Orthodoxy_and_Hypothetical_Universalism_Another_Look_at_the_Westminster_Confession_of_Faith">https://www.academia.edu/34380527/Confessional_Orthodoxy_and_Hypothetical_Universalism_Another_Look_at_the_Westminster_Confession_of_Faith</a></p><p></p><p>Bibliografia do artigo: </p><p>Aquinas, Thomas. Opera Omnia. 34 vols. Paris: Ludovicus Vives, 1871.</p><p>Baird, Samuel J. A History of the New School, and of the Questions Involved in the Disruption of the Presbyterian Church in 1838. Philadelphia: Claxton, Remsen &amp; Haffelfinger, 1868.</p><p>Banez, Domingo. Scholastica Commentaria in Primam Partem Angelici Doctoris S. Thomae Usque ad LXIIII. Quaestionem, Tomus Primus. Douai: Petrus Borremans, 1614.</p><p>Baxter, Richard. Certain Disputations of Right to Sacraments and the True Nature of Visible Christianity. London: William DuGard, 1657.</p><p>&#8212;. Rich: Baxter&#8217;s Confession of his Faith. London: R.W., 1655.</p><p>Bertius, Petrus. Scripta Adversaria Collationis Hagiensis. Brittenburg: Johannes Patius, 1615.</p><p>Brown, John. Opinions on Faith, Divine Influence, Human Inability, the Design and Effect of the Death of Christ. 2&#170; ed. Edinburgh: William Oliphant and Son, 1841.</p><p>Cheeseman, Lewis. Differences Between Old and New School Presbyterians. Rochester: Erastus Darrow, 1848.</p><p>The Collegiat Suffrage of the Divines of Great Britaine. London: Robert Milbourne, 1629.</p><p>Cunningham, William. Historical Theology. 2 vols. Edinburgh: T &amp; T Clark, 1863.</p><p>&#8212;. The Reformers and the Theology of the Reformation. 2&#170; ed. Edinburgh: T. and T. Clark, 1866.</p><p>Dabney, R. L. &#8220;Dr. Dabney for the Plan of Union.&#8221; Southern Presbyterian (Columbia, SC), 3 de dezembro de 1863, n.s., vol. 4, no. 4: Colunas 1&#8211;6.</p><p>Davenant, John. A Dissertation on the Death of Christ. In An Exposition of the Epistle of St. Paul to the Colossians, 2 vols., trad. Josiah Allport. London: Hamilton, Adams, and Co., 1832.</p><p>Dickson, David. Therapeutica Sacra. Edinburgh: Evan Tyler, 1664.</p><p>Fortson, S. Donald. The Presbyterian Creed: A Confessional Tradition in America, 1729&#8211;1870. Milton Keyes: Paternoster, 2008.</p><p>Gatiss, Lee. &#8220;A Deceptive Clarity? Particular Redemption in the Westminster Standards.&#8221; Reformed Theological Review 69, no. 3 (2010): 180&#8211;96.</p><p>Grevinchovius, Nicolaas. Dissertatio Theologica De Duabus Quaestionibus Hoc Tempore Controversis. 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Reprint, Grand Rapids: Zondervan, 1957.</p><p>Palmer, B. M. &#8220;The Proposed Plan of Union Between the General Assembly in the Confederate States of America and the United Synod of the South.&#8221; Southern Presbyterian Review 16 (1866): 264&#8211;307.</p><p>Troxel, A. Craig. &#8220;Amyraut &#8216;at&#8217; the Assembly: The Westminster Confession of Faith and the Extent of the Atonement.&#8221; Presbyterion 22, no. 1 (1996): 43&#8211;55.</p><p>Ussher, James. &#8220;An Answer to Some Exceptions.&#8221; In Works, edited by Charles Richard Elrington and James Henthorn Todd. 17 vols. Dublin: Hodges, Smith, and Co., 1864.</p><p>Van Dixhoorn, Chad, ed. The Minutes and Papers of the Westminster Assembly 1643&#8211;1652. 5 vols. Oxford: Oxford University Press, 2012.</p><p>Refer&#234;ncia e indica&#231;&#227;o no Brasil : </p><p><a href="/__u/sedulitas.substack.com/">Esdras Ferreira </a>-Nosferatu&#8217;s Substack </p><p></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Advento]]></title><description><![CDATA[Adventus Redemptoris - A chegada do Redentor]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/o-advento</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/o-advento</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Tue, 11 Nov 2025 16:27:27 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qC3Z!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd78b2db0-b2a6-4063-b4b4-3066fb484fbf_1600x1202.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" 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target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!R8P0!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F890c544a-6577-414b-baeb-c44d6e0f2ed8_980x782.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!R8P0!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F890c544a-6577-414b-baeb-c44d6e0f2ed8_980x782.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!R8P0!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_848, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, 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isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/richard-baxter-e-a-santidade-das</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Sat, 01 Nov 2025 18:20:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!iKc5!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F646666f8-3cd4-4627-83eb-9f9c5c3079eb_382x512.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!iKc5!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F646666f8-3cd4-4627-83eb-9f9c5c3079eb_382x512.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!iKc5!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, 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deles.</p><p>Minha Leitura: Richard Baxter, The Christian Directory (1673), Diretrizes para o Governo da L&#237;ngua. </p><div><hr></div><p>A l&#237;ngua &#233; a lanterna da alma</p><p>A &#233;tica da fala &#233;, antes de tudo, uma &#233;tica da presen&#231;a.</p><p>Falar diante de Deus &#233; lembrar que toda palavra ressoa no tribunal do c&#233;u.</p><p>A l&#237;ngua &#233; o eco da alma, e o crist&#227;o &#233; chamado a fazer dela um altar de verdade, gra&#231;a e louvor.</p><p></p><p>Richard Baxter, o grande pastor puritano do s&#233;culo XVII, compreendeu isso com clareza rara.</p><p>Em O Diret&#243;rio Crist&#227;o, especialmente no Cap&#237;tulo IX &#8220;Diretrizes para o Governo da L&#237;ngua&#8221;, ele reuniu um tratado sobre a santidade da fala e o poder espiritual das palavras.</p><p>Mas antes de seguir com o meu amado pastor e erudito puritano, vale olhar o contraste com o esp&#237;rito da nossa &#233;poca.</p><div><hr></div><p><strong>A  linguagem como dom moral em contraste com o relativismo ideol&#243;gico</strong></p><p>Vivemos em uma &#233;poca que trata o significado como coisa leve, mut&#225;vel e cultural.</p><p>A teoria lingu&#237;stica moderna, de Saussure a Bakhtin, ensinou que o signo n&#227;o tem valor fixo, mas que seu sentido &#233; constru&#237;do socialmente.</p><p>Cada comunidade de falantes atribui significados, redefine tabus e decide o que &#233; aceit&#225;vel ou ofensivo.</p><p>Assim, as palavras seriam ideol&#243;gicas, produtos das rela&#231;&#245;es de poder e da conven&#231;&#227;o.</p><p>Por exemplo: Essa percep&#231;&#227;o aparece em muitas conversas atuais: &#8220;n&#227;o existem palavr&#245;es em si&#8221;, &#8220;depende da comunidade&#8221;, &#8220;o sentido &#233; relativo&#8221;.</p><p>Mas penso que essa vis&#227;o, ainda que sociologicamente &#250;til, perde algo essencial: o fundamento moral e criacional da linguagem.</p><blockquote><p>A Escritura n&#227;o descreve a fala humana como inven&#231;&#227;o cultural, e sim como reflexo do pr&#243;prio Deus que fala.</p></blockquote><p></p><blockquote><p>&#8220;E Deus disse: haja luz.&#8221; (Gn 1:3)</p></blockquote><p></p><p>A palavra &#233; o primeiro instrumento criador.</p><p>Quando o homem fala, ele participa, ainda que de modo limitado, desse poder comunicativo divino.</p><p>Falar &#233; um ato espiritual, um eco da voz de Deus no mundo.</p><p>Por isso, entendi que como crist&#227; n&#227;o deveria entender o uso das palavras apenas como conven&#231;&#227;o, mas como express&#227;o moral do cora&#231;&#227;o. </p><p></p><blockquote><p>&#8220;A boca fala do que est&#225; cheio o cora&#231;&#227;o.&#8221; (Mt 12:34)</p></blockquote><p></p><p>E Paulo ordena:</p><p></p><blockquote><p>&#8220;N&#227;o saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas s&#243; a que for boa para promover a edifica&#231;&#227;o.&#8221; (Ef 4:29)</p></blockquote><p></p><p>A &#233;tica crist&#227; da fala n&#227;o ignora que os significados mudam, pois o que &#233; &#8220;palavr&#227;o&#8221; numa cultura pode ser neutro em outra.</p><blockquote><p>Mas ela afirma algo mais profundo: h&#225; um padr&#227;o fixo de santidade que orienta todo falar.</p></blockquote><p>O que define a pureza das palavras n&#227;o &#233; a conven&#231;&#227;o social, mas o prop&#243;sito de edificar e glorificar a Deus.</p><p>A fala &#233; julgada n&#227;o pelo c&#243;digo cultural, mas pela inten&#231;&#227;o e pelo fruto espiritual.</p><p></p><blockquote><p>Enquanto o relativismo lingu&#237;stico diz que o sentido se dissolve nas ideologias, a f&#233; reformada recorda que toda palavra ser&#225; trazida a ju&#237;zo (Mt 12:36).</p><p></p></blockquote><p>A linguagem humana tem peso porque foi soprada com f&#244;lego divino.</p><p>O crist&#227;o, portanto, n&#227;o fala como quem joga sons no ar, mas como quem carrega o eco de um Reino.</p><p>Quando as palavras perdem o peso do c&#233;u, tornam-se meros produtos da cultura.</p><p>Mas quando s&#227;o resgatadas pela gra&#231;a, tornam-se instrumentos de verdade, consolo e edifica&#231;&#227;o, linguagem redimida pela Palavra eterna.</p><p></p><div><hr></div><p><strong>Agora veremos o que o Richard Baxter sobre o governo da l&#237;ngua</strong></p><blockquote><p>&#8220;A l&#237;ngua do homem &#233; a sua gl&#243;ria: pela qual expressivamente ele excede os brutos&#8230; Deus n&#227;o deu ao homem uma faculdade t&#227;o admir&#225;vel para a vaidade e o pecado.&#8221;</p></blockquote><p>Baxter come&#231;a lembrando que a fala &#233; um reflexo da imagem divina.</p><p>Deus cria com a palavra, o homem fala porque &#233; criado &#224; semelhan&#231;a do Deus que fala.</p><p>Logo, usar a l&#237;ngua para o mal, mentiras, zombarias, <strong>palavras v&#227;s</strong>, &#233; profanar a pr&#243;pria cria&#231;&#227;o.</p><p>Ele adverte: &#8220;Aqueles que pensam que as palavras s&#227;o de pouca import&#226;ncia, as usar&#227;o de forma inconsiderada.&#8221;</p><blockquote><p>A linguagem, portanto, n&#227;o &#233; uma conven&#231;&#227;o, mas uma voca&#231;&#227;o: o dever de empregar a voz para a verdade, a edifica&#231;&#227;o e a gl&#243;ria de Deus.</p></blockquote><p></p><p><strong>A l&#237;ngua revela o cora&#231;&#227;o</strong></p><p></p><blockquote><p>&#8220;Da abund&#226;ncia do cora&#231;&#227;o fala a boca.&#8221;</p><p>&#8220;A l&#237;ngua &#233; a lanterna da alma.&#8221;</p></blockquote><p></p><p>Aqui Baxter ecoa o ensino de Cristo em Mateus 12:34.</p><p>A l&#237;ngua n&#227;o &#233; a causa, mas o sintoma; ela manifesta o que o cora&#231;&#227;o abriga.</p><p>Ele escreve: &#8220;A l&#237;ngua n&#227;o ser&#225; eficazmente governada se o cora&#231;&#227;o n&#227;o for limpo.&#8221;</p><p></p><p><strong>Por isso, a reforma da fala come&#231;a com a santifica&#231;&#227;o interior.</strong></p><p>O cora&#231;&#227;o orgulhoso, luxurioso ou vaidoso produz palavras que o traem; o cora&#231;&#227;o quebrantado, ao contr&#225;rio, fala com mansid&#227;o e gra&#231;a.</p><p>A pureza verbal &#233;, em &#250;ltima inst&#226;ncia, uma consequ&#234;ncia da pureza espiritual.</p><p></p><p><strong>O poder espiritual das palavras</strong></p><p>  </p><blockquote><p>&#8220;Um discurso salvou um reino, e um discurso perdeu um reino.&#8221;</p><p>&#8220;As l&#237;nguas cortam mais fundo do que as espadas, porque chegam at&#233; &#224; alma.&#8221;</p></blockquote><p></p><p>Baxter insiste que as palavras <strong>t&#234;m peso real e efeitos espirituais concretos.</strong></p><p>Elas podem salvar ou destruir, consolar ou envenenar, glorificar a Deus ou servi-lo mal.</p><p>Ele recorda que a l&#237;ngua &#233; feita &#8220;para falar bem do nome de Deus e declarar suas obras com regozijo.&#8221;</p><p><strong>Nessa perspectiva, falar &#233; um ato de culto: cada palavra deve ser dita diante de Deus, como quem oferece um sacrif&#237;cio de louvor.</strong></p><p>O uso leviano da fala &#233;, portanto, uma forma de profana&#231;&#227;o, um culto corrompido.</p><p></p><p><strong> Os pecados da l&#237;ngua</strong></p><p>Baxter lista com severidade puritana (Am&#233;m&#128591;&#127996;)  os pecados verbais que degradam o homem e ferem o corpo de Cristo.</p><p></p><blockquote><p>Blasf&#234;mia: falar desdenhosamente de Deus.</p><p>Falsa doutrina: usar a l&#237;ngua para enganar espiritualmente.</p><p>Fala imunda: linguagem obscena e chula, &#8220;preparativo do diabo para a prostitui&#231;&#227;o e impureza&#8221;.</p><p>Maldi&#231;&#227;o e inj&#250;ria: desejar ou proferir o mal.</p><p>Cal&#250;nia e maledic&#234;ncia: repetir rumores sem caridade.</p><p>Lisonja: enganar por elogios falsos.</p><p>Zombaria e esc&#225;rnio: ridicularizar o piedoso.</p><p>Conversa&#231;&#227;o ociosa: falar sem proveito espiritual, &#8220;o ve&#237;culo no qual o diabo d&#225; suas beberagens mais venenosas&#8221;.</p></blockquote><p></p><p><strong>O tom &#233; firme, mas n&#227;o moralista.</strong></p><p>Baxter v&#234; nesses pecados a corrup&#231;&#227;o de uma d&#225;diva santa.</p><p>A l&#237;ngua foi criada para louvar; quando mente, zomba ou fere, ela se volta contra o prop&#243;sito para o qual existe.</p><p></p><p><strong>O ideal reformado da fala</strong></p><blockquote><p>&#8220;A fala santa &#233; a express&#227;o de uma mente santa.&#8221;</p><p>&#8220;Quando quiserdes falar de Cristo, vede que vossos cora&#231;&#245;es estejam seriamente postos em Cristo e no c&#233;u.&#8221;</p></blockquote><p></p><p>O ideal puritano da linguagem &#233; profundamente reformado.</p><p><strong>A fala deve ser santa em sua origem, o cora&#231;&#227;o, santa em seu prop&#243;sito, a edifica&#231;&#227;o, e santa em seu fim, a gl&#243;ria de Deus.</strong></p><p></p><p>Baxter resume o dever crist&#227;o em tr&#234;s princ&#237;pios:</p><p></p><blockquote><p> Pureza de cora&#231;&#227;o: a l&#237;ngua segue o cora&#231;&#227;o.</p><p>Edifica&#231;&#227;o do pr&#243;ximo: toda palavra deve servir ao bem espiritual de quem ouve.</p><p>Honra de Deus: o falar &#233; parte do culto e da santifica&#231;&#227;o di&#225;ria.</p></blockquote><p></p><p>Assim, governar a l&#237;ngua &#233; governar a alma.</p><p>Falar com rever&#234;ncia &#233; caminhar com Deus.</p><p></p><p><strong>Mesmo assim, alguns dir&#227;o: &#8220;N&#227;o &#233; com raiva, &#233; s&#243; uma express&#227;o, uma surpresa.&#8221;</strong></p><p>Mas Baxter lembraria que a l&#237;ngua revela o cora&#231;&#227;o, <strong>ainda quando o cora&#231;&#227;o n&#227;o percebe o que expressa.</strong></p><p>O pecado da fala n&#227;o est&#225; apenas nas palavras <strong>carregadas de &#243;dio</strong>, <strong>mas tamb&#233;m naquelas ditas sem peso, sem prop&#243;sito e sem temor santo.</strong></p><blockquote><p>A irrever&#234;ncia cotidiana nasce da aus&#234;ncia de consci&#234;ncia de que cada s&#237;laba &#233; proferida diante de Deus.</p></blockquote><p></p><p>A linguagem vulgar, mesmo usada em tom de <strong>brincadeira ou espanto</strong>, revela uma alma que j&#225; se acostumou &#224; leveza do falar.</p><p>Ela n&#227;o edifica, n&#227;o reflete pureza e tampouco honra o nome do Senhor.</p><p>Baxter chamaria isso de &#8220;falar fora do altar&#8221;: quando a l&#237;ngua, criada para o louvor, se dispersa no ru&#237;do do mundo.</p><p>O crist&#227;o, por&#233;m, aprende a transformar at&#233; a surpresa em rever&#234;ncia.</p><p>A palavra que sai da sua boca deve ser como o incenso que sobe do templo, fruto de um cora&#231;&#227;o consciente de que o pr&#243;prio Deus escuta.</p><div><hr></div><p>Refer&#234;ncias: O Diret&#243;rio Crist&#227;o, cap. IX &#8220;Diretrizes Gerais para o Governo da L&#237;ngua&#8221;, </p><p>Soli Deo Gl&#243;ria </p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[CONTRACEPÇÃO: O ensino da alta ortodoxia protestante. ]]></title><description><![CDATA[A oposi&#231;&#227;o &#224; contracep&#231;&#227;o &#233; frequentemente percebida como uma doutrina cat&#243;lica romana, mas n&#227;o &#233;.]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/contracepcao-o-ensino-da-alta-ortodoxia</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/contracepcao-o-ensino-da-alta-ortodoxia</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Sun, 17 Aug 2025 20:31:28 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8JZ7!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2baaf8fa-f37c-4460-9ecc-bc2468d3b157_1034x1036.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h1>Contracep&#231;&#227;o (parte 4): Onanismo</h1><p>Em nossa &#250;ltima publica&#231;&#227;o[1], vimos que a esterilidade e a velhice n&#227;o impedem o casamento, e que a esterilidade ou impot&#234;ncia ap&#243;s o casamento n&#227;o anulam o casamento. Al&#233;m disso, examinamos as quatro raz&#245;es leg&#237;timas que as Escrituras d&#227;o para que casais se abstenham de rela&#231;&#245;es sexuais. Abster-se n&#227;o &#233; um ato pecaminoso em si, mas pode ser pecaminoso dependendo das inten&#231;&#245;es da abstin&#234;ncia, <em>finis operantis</em> (o fim do ato). Nesta publica&#231;&#227;o, examinaremos atos que s&#227;o pecaminosos <em>finis operis</em> (o fim do ato), independentemente das inten&#231;&#245;es puras do autor.</p><h2>A Oposi&#231;&#227;o &#224; Contracep&#231;&#227;o</h2><p>A oposi&#231;&#227;o &#224; contracep&#231;&#227;o &#233; frequentemente percebida como uma doutrina cat&#243;lica romana, mas n&#227;o &#233;. Devido &#224; compreens&#227;o universal da Igreja sobre os prop&#243;sitos e deveres do casamento, enraizados na cria&#231;&#227;o, e &#224; proibi&#231;&#227;o expressa de atos e inten&#231;&#245;es pecaminosas que se oponham a esses deveres e prop&#243;sitos do casamento, crist&#227;os de todas as denomina&#231;&#245;es eram unanimemente contra o uso de contraceptivos at&#233; o movimento feminista da d&#233;cada de 1930. At&#233; 1930, todas as denomina&#231;&#245;es protestantes condenavam a contracep&#231;&#227;o como pecaminosa. Em sua Confer&#234;ncia de Lambeth de 1930, a Igreja Anglicana, influenciada pela crescente press&#227;o social, votou que a contracep&#231;&#227;o seria permitida em algumas circunst&#226;ncias. Esta foi a primeira vez que uma organiza&#231;&#227;o protestante de qualquer tipo endossou formalmente a contracep&#231;&#227;o. E ent&#227;o, um ano depois, nos EUA, o Conselho Federal de Igrejas de Cristo (<a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Federal_Council_of_Churches">FCCC</a>) endossou a contracep&#231;&#227;o dentro do casamento. Curiosamente, o jornal secular, o <em>Washington Post</em>, respondeu no dia seguinte dizendo:</p><blockquote><p>O relat&#243;rio da comiss&#227;o, se implementado, soaria o toque de finados para o casamento como institui&#231;&#227;o sagrada, ao estabelecer pr&#225;ticas degradantes que incentivariam a imoralidade indiscriminada. A sugest&#227;o de que o uso de contraceptivos legalizados seria "cauteloso e comedido" &#233; absurda.<br>- <em>Washington Post</em>, "Conselho Federal de Igrejas de Cristo aceita o controle de natalidade", 22 de mar&#231;o de 1931</p></blockquote><p>A principal passagem unanimemente entendida at&#233; tempos recentes para proibir a contracep&#231;&#227;o &#233; a de On&#227;.</p><h2>Onanismo</h2><blockquote><p>&#8220;Er, o primog&#234;nito de Jud&#225;, era mau aos olhos do Senhor; e o Senhor o matou. Ent&#227;o Jud&#225; disse a On&#227;: Entra na mulher de teu irm&#227;o, e casa-te com ela, e suscita descend&#234;ncia a teu irm&#227;o. On&#227; sabia que a semente n&#227;o seria sua; e sucedeu que, ao entrar na mulher de seu irm&#227;o, a derramava na terra, para n&#227;o dar descend&#234;ncia a seu irm&#227;o. E o que ele fez desagradou ao Senhor; por isso tamb&#233;m o matou.&#8221; (G&#234;nesis 38:7-10)</p></blockquote><p>On&#227;, agindo como um redentor parente (antes que a lei cerimonial propriamente dita fosse estabelecida; Dt 25:5-10), tinha a responsabilidade da alian&#231;a de prover descend&#234;ncia para a esposa de seu irm&#227;o, mas fez tudo ao seu alcance para n&#227;o cumprir essa responsabilidade. Pecou contra o 10&#186; mandamento por invejar seu irm&#227;o e n&#227;o conceber um filho que n&#227;o levasse seu pr&#243;prio nome. Pecou contra o 7&#186; mandamento por satisfazer seus desejos com a mulher de forma ego&#237;sta e ad&#250;ltera, n&#227;o cumprindo sua responsabilidade para com ela e seu irm&#227;o. Por fim, pecou contra o 6&#186; mandamento por impedir a concep&#231;&#227;o de um filho, que &#233; o principal prop&#243;sito das rela&#231;&#245;es conjugais, sendo o casamento levirato uma salvaguarda caso a esterilidade impedisse a procria&#231;&#227;o em primeira inst&#226;ncia.</p><p>On&#227; pecou <em>in finis operantis</em> (o fim do ator), pois suas inten&#231;&#245;es eram m&#225;s, bem como <em>in finis operis</em> (o fim do ato), porque o ato do coito interrompido guerreava de forma n&#227;o natural contra um prop&#243;sito e fim do sexo: a procria&#231;&#227;o. Nesse sentido, ele trocou "o uso natural da mulher" (Rm 1:27) por um derramamento n&#227;o natural de sua semente. Seu caso &#233; relevante para todos os casais, pois a B&#237;blia pressup&#245;e que a procria&#231;&#227;o &#233; um resultado natural e um prop&#243;sito fundamental do casamento. Isso pode parecer uma interpreta&#231;&#227;o estranha para a nossa mentalidade moderna, que presume o controle da natalidade como algo normal e est&#225; inundada de pornografia e imoralidade sexual, mas &#233; nisso que os crist&#227;os creem desde a Igreja primitiva at&#233; muito recentemente. Vejamos como os crist&#227;os historicamente interpretaram essa passagem, mas primeiro resumiremos o argumento:</p><h3>Resumo do Argumento</h3><p><strong>Premissa 1</strong>: O casamento, o amor conjugal e a coabita&#231;&#227;o s&#227;o deveres do 7&#186; mandamento para aqueles que n&#227;o t&#234;m o dom da contin&#234;ncia (Gn 1:28; 1Co 7:2, 9; Pv 5:19-20; 1Pe 3:7; Pv 31:11, 27-28). (WLC Q. 138). Os prop&#243;sitos do casamento s&#227;o triplos (WCF 24.2):</p><ol><li><p>A ajuda m&#250;tua entre marido e mulher (Gn 2:18);</p></li><li><p>O crescimento da humanidade/procria&#231;&#227;o (Gn 1:28) e da Igreja com uma semente santa (Ml 2:15);</p></li><li><p>A preven&#231;&#227;o da impureza (1Co 7:2 e 9).</p></li></ol><p><strong>Premissa 2</strong>: Qualquer ato contra qualquer um dos prop&#243;sitos do casamento &#233; necessariamente pecaminoso.</p><p><strong>Conclus&#227;o</strong>: A contracep&#231;&#227;o atua contra o prop&#243;sito 2 e, portanto, &#233; pecaminosa.</p><h2>Onanismo na Tradi&#231;&#227;o Interpretativa Protestante</h2><p>As cita&#231;&#245;es a seguir (e muitas outras) foram compiladas por Charles Provan em seu livro <em><a href="https://www.amazon.com/Bible-Birth-Control-Charles-Provan/dp/9991799834">A B&#237;blia e o Controle de Natalidade</a></em><a href="https://www.amazon.com/Bible-Birth-Control-Charles-Provan/dp/9991799834">.</a></p><p>As <em>Anota&#231;&#245;es Inglesas</em>, &#224;s vezes conhecidas como Anota&#231;&#245;es de Westminster, porque foram preparadas em parte por alguns antigos membros da Assembleia de Westminster, descrevem este triplo agravamento dos pecados (contra o 6&#186;, 7&#186; e 10&#186; mandamentos):</p><blockquote><p>&#8220;A lasc&#237;via desse fato era composta de lux&#250;ria, inveja e assassinato; a primeira [lux&#250;ria] aparece, pois ele agiu precipitadamente, parece que ele n&#227;o ficou at&#233; a noite, para o tempo de privacidade para tal prop&#243;sito, caso contr&#225;rio, a cama teria sido nomeada, bem como o ch&#227;o; a segunda [inveja] &#233; clara pelo texto, ele invejava a honra de seu irm&#227;o morto e, portanto, n&#227;o seria pai de nenhuma crian&#231;a que fosse considerada sua, e n&#227;o sua; o terceiro [assassinato], em que h&#225; uma virtude vital seminal, que perece se a semente for derramada; e fazer isso para impedir a gera&#231;&#227;o de uma crian&#231;a viva, &#233; o primeiro grau de assassinato que pode ser cometido, e o pr&#243;ximo a ele &#233; a deteriora&#231;&#227;o da concep&#231;&#227;o, quando ela &#233; feita, e causar aborto: agora, tais atos s&#227;o observados na escritura como crimes horr&#237;veis, porque, de outra forma, muitos poderiam comet&#234;-los e n&#227;o saber o mal deles: &#233; concebido que seu irm&#227;o Er antes, era seu irm&#227;o no mal at&#233; agora, que ambos satisfizeram sua sensualidade <strong>contra a ordem da natureza</strong>, e, portanto, o Senhor os cortou igualmente com vingan&#231;a repentina; o que pode ser um terror para aqueles onanistas papistas que condenam o casamento e vivem em impureza sodomita, e para aqueles que, no casamento, <strong>n&#227;o se importam com o aumento dos filhos (que &#233; o principal uso do estado conjugal), mas com a satisfa&#231;&#227;o de sua concupisc&#234;ncia.&#8221;</strong> (<em>Anota&#231;&#245;es e Coment&#225;rios de Westminster sobre a B&#237;blia Inteira</em> (1657), sobre G&#234;nesis 38:9).</p></blockquote><p>Da mesma forma, antigos delegados do S&#237;nodo de Dort, em seus coment&#225;rios, reconheceram as implica&#231;&#245;es do 6&#186; mandamento no ato de On&#227;:</p><blockquote><p>&#8220;&#8230;isso era o mesmo que dizer que ele havia, de certa forma, arrancado o fruto do ventre da m&#227;e e o destru&#237;do.&#8221; (<em>Anota&#231;&#245;es Holandesas sobre a B&#237;blia Inteira</em> (1637), sobre G&#234;nesis 38:9)</p></blockquote><p>Observe que diz "como se ele tivesse, de certa forma..." e n&#227;o est&#225; afirmando que a semente sozinha &#233; um ser humano. Eles sabiam que era necess&#225;rio o homem e a mulher juntos para criar um ser humano. Derramar a semente &#233; uma esp&#233;cie de assassinato no sentido de que &#233; um pecado contra o 6&#186; mandamento, n&#227;o no sentido de que o aborto ou outra forma de tirar a vida humana seja literalmente assassinato. Tanto os coment&#225;rios de Dort quanto de Westminster sobre esta passagem devem ser entendidos neste sentido.</p><p>H&#225; muitas que poder&#237;amos escolher. Os te&#243;logos crist&#227;os eram vigorosamente un&#226;nimes contra a contracep&#231;&#227;o e o onanismo, mas examinaremos mais algumas. Observe como eles n&#227;o acreditavam que a semente em si fosse um ser humano, mas sim que impedir a concep&#231;&#227;o &#233; um pecado contra o 6&#186; mandamento. Considere tamb&#233;m como eles acreditavam que o ato em si era pecaminoso, n&#227;o apenas as inten&#231;&#245;es de On&#227;.</p><p>Jo&#227;o Calvino em seu coment&#225;rio sobre G&#234;nesis 38:</p><blockquote><p>On&#227; n&#227;o apenas defraudou seu irm&#227;o do direito que lhe era devido, como tamb&#233;m preferiu que seu s&#234;men apodrecesse no ch&#227;o. O derramamento volunt&#225;rio de s&#234;men fora da rela&#231;&#227;o sexual entre homem e mulher &#233; algo monstruoso. Afastar-se deliberadamente do coito para que o s&#234;men caia no ch&#227;o &#233; duplamente monstruoso. Pois isso &#233; extinguir a esperan&#231;a da ra&#231;a e matar antes que nas&#231;a a prole esperada. Se uma mulher ejeta um feto de seu ventre por meio de drogas, isso &#233; considerado um crime insustent&#225;vel, e On&#227; merecidamente incorreu no mesmo tipo de puni&#231;&#227;o, infectando a terra com seu s&#234;men para que Tamar n&#227;o pudesse conceber um futuro ser humano como habitante da terra.</p></blockquote><p>Esta cita&#231;&#227;o foi estranhamente omitida dos coment&#225;rios de Calvino no final do s&#233;culo XIX pela Sociedade de Tradu&#231;&#227;o de Calvino, de modo que muitos que, de outra forma, est&#227;o familiarizados com Calvino podem nunca ter lido sua vis&#227;o sobre o onanismo. Nota de rodap&#233; 1 na p&#225;g. 281: &#8220;Uma ou duas linhas s&#227;o omitidas aqui, bem como o coment&#225;rio sobre o d&#233;cimo vers&#237;culo.&#8221; <a href="https://www.ccel.org/ccel/calvin/calcom02.xvi.i.html">A CCEL</a> mant&#233;m os coment&#225;rios ausentes (235 palavras em ingl&#234;s).</p><p>Martinho Lutero em seu coment&#225;rio sobre G&#234;nesis 38:8-10:</p><blockquote><p>On&#227; deve ter sido um canalha malicioso e incorrig&#237;vel. Este &#233; um pecado ign&#243;bil. &#201; muito mais atroz do que o incesto e o adult&#233;rio. <strong>Chamamos isso de impureza, sim, um pecado sodomita</strong>. Pois On&#227; penetra nela; isto &#233;, deita-se com ela e copula, e quando chega ao ponto da insemina&#231;&#227;o, derrama o s&#234;men, para que a mulher n&#227;o conceba. Certamente, em tal momento, <strong>a ordem da natureza estabelecida por Deus na procria&#231;&#227;o deve ser seguida.</strong> Consequentemente, foi um crime ign&#243;bil produzir s&#234;men, excitar a mulher e frustr&#225;-la naquele exato momento... Ele preferiu contaminar-se com um pecado ign&#243;bil a gerar descend&#234;ncia para seu irm&#227;o.</p></blockquote><p>O huguenote franc&#234;s Jean Mercier (1500-1562):</p><blockquote><p>Parece dif&#237;cil compreender e expressar como isso aconteceu, por ser obsceno, mas &#233; f&#225;cil de imaginar: pois, naquela uni&#227;o, quando chegou ao ponto da ejacula&#231;&#227;o da semente, esta n&#227;o foi ejaculada em seu devido lugar, isto &#233;, no ventre da esposa, mas foi derramada sobre a terra, resultando em que tanto ela quanto o irm&#227;o falecido foram defraudados de descend&#234;ncia. O pecado era totalmente contr&#225;rio &#224; natureza e a toda respeitabilidade, e era <strong>estranho ao objetivo do casamento;</strong> portanto, foi justamente punido por Deus: da&#237; os judeus dizerem que o homem que derrama nossa semente precipitadamente &#233; igual ao culpado de homic&#237;dio.</p></blockquote><p>Comentarista luterano Lucas Osiander (1534-1604):</p><blockquote><p>&#8220;O que era uma coisa abomin&#225;vel e pior do que o adult&#233;rio. Pois tal a&#231;&#227;o maligna <strong>luta contra a natureza</strong>, e aqueles que a praticam n&#227;o possuir&#227;o o Reino de Deus (1 Co 6:9-10). E quanto mais santo for o casamento, menos ficar&#227;o impunes aqueles que nele vivem de maneira perversa e indigna, de modo que, al&#233;m disso, praticam seus atos privados de vilania.&#8221;</p></blockquote><p>Henrique Ainsworth (1571-1622):</p><blockquote><p>&#8220;Um fato cruel e <strong>nada natural</strong>; derramar a semente que, pela b&#234;n&#231;&#227;o de Deus, serviria para a propaga&#231;&#227;o da humanidade; e neste homem, para a propaga&#231;&#227;o do Filho de Deus segundo a carne, em quem todas as na&#231;&#245;es da terra seriam aben&#231;oadas, G&#234;nesis 22:18, o que tornou o pecado mais &#237;mpio e apressou a morte r&#225;pida de On&#227; nas m&#227;os de Deus.&#8221;</p></blockquote><p>Ministro luterano Johann Gerhard (1582-1637):</p><blockquote><p>A maioria dos comentaristas hebreus e crist&#227;os conclui [a partir da gram&#225;tica] que o pecado de Er era do mesmo tipo que o pecado de On&#227;, que eles chamam de efemina&#231;&#227;o. Agostinho, no livro 22, <em>Contra Fausto</em>, cap. 84, concluiu que este Er havia cometido este delito gravemente porque esse pecado impede a concep&#231;&#227;o e destr&#243;i o feto em sua pr&#243;pria semente.</p><p>&#8220;Deus detesta e pune atos vergonhosos... o <strong>pecado da efemina&#231;&#227;o e da fecunda&#231;&#227;o volunt&#225;ria &#233; contr&#225;rio &#224; natureza:</strong> isso em si &#233; comparado pelos hebreus ao homic&#237;dio. Tom&#225;s [de Aquino] argumenta que &#233; mais grave que o homic&#237;dio.&#8221;</p></blockquote><p>A passagem de Agostinho (354-430) citada por Gerhard &#233; a seguinte:</p><blockquote><p>E por que Paulo disse: 'Se n&#227;o pode se controlar, case-se'? Certamente, para evitar que a incontin&#234;ncia o force ao adult&#233;rio. Se, pois, praticar a contin&#234;ncia, n&#227;o se case nem tenha filhos. No entanto, se n&#227;o se controlar, que se case legalmente, para que n&#227;o gere filhos em desgra&#231;a ou evite ter filhos por meio de uma forma de rela&#231;&#227;o sexual mais degradante. H&#225; alguns casais legalmente casados que recorrem a esta &#250;ltima, <strong>pois a rela&#231;&#227;o sexual, mesmo com o c&#244;njuge legalmente casado, pode ocorrer de maneira il&#237;cita e vergonhosa, sempre que a concep&#231;&#227;o de filhos &#233; evitada.</strong> On&#227;, filho de Jud&#225;, fez exatamente isso, e o Senhor o matou por isso. <strong>Portanto, a procria&#231;&#227;o de filhos &#233; em si o prop&#243;sito prim&#225;rio, natural e leg&#237;timo do casamento</strong>. Da&#237; se segue que aqueles que se casam por n&#227;o conseguirem manter a conten&#231;&#227;o n&#227;o devem moderar seu v&#237;cio a ponto de impedir o bom casamento, que &#233; a procria&#231;&#227;o de filhos.</p></blockquote><p>William Gouge fala do ato de onanismo como um &#8220;defeito&#8221; e pecado contra o &#8220;dever de devida benevol&#234;ncia&#8221; [isto &#233;, rela&#231;&#245;es conjugais] (o outro defeito mencionado &#233; n&#227;o ceder ao outro); deste dever, um dos &#8220;principais e principais fins&#8221; &#233; &#8220;aumentar o mundo com uma prole leg&#237;tima&#8221;:</p><blockquote><p>Negar que este dever seja justamente exigido &#233; negar uma d&#237;vida devida e dar grande vantagem a Satan&#225;s. O castigo infligido a On&#227; (Gn 38:9-10) demonstra qu&#227;o grande &#233; este erro. A partir desse castigo, os hebreus concluem que este pecado &#233; uma esp&#233;cie de assassinato. &#201; tanto mais hediondo quando o &#243;dio, a arrog&#226;ncia, a gentileza, o medo de ter muitos filhos, ou quaisquer outros respeitos semelhantes, s&#227;o a sua causa. (<em>Dos Deveres Dom&#233;sticos</em>, Segundo Tratado Parte II, Dos Deveres M&#250;tuos Comuns entre o Homem e a Mulher, &#167; 9).</p></blockquote><p>O conformista ingl&#234;s Andrew Willet (1562-1621) em sua <em>Hexapla sobre G&#234;nesis</em> (1595):</p><blockquote><p>&#8220;<strong>Foi contra a ordem da natureza, usar o ato de gera&#231;&#227;o apenas para o prazer, e n&#227;o para a gera&#231;&#227;o</strong>; foi contra Deus, cuja institui&#231;&#227;o ele quebrou; contra sua esposa, a quem ele defraudou do fruto de seu ventre; contra si mesmo, ao impedir sua descend&#234;ncia; contra a humanidade, que deveria ter sido aumentada e propagada... este pecado de inveja [foi] contra seu irm&#227;o, a quem ele deveria ter gerado descend&#234;ncia.&#8221;</p></blockquote><p>William Jenkyn (1612-1685):</p><blockquote><p>&#8220;Este pecado [isto &#233;, fornica&#231;&#227;o], se praticado com o pr&#243;prio corpo de um homem, de acordo com a opini&#227;o de alguns, &#233; chamado de &#8220;malakia&#8221; e &#8220;akatharsia&#8221;, efemina&#231;&#227;o e impureza, pelas quais Deus matou On&#227;, Gn 38:9; 1 Co 6:9; Cl 3:5.&#8221; (<em><a href="https://archive.org/details/expositionuponep00jenk/page/n179">Exposi&#231;&#227;o de Judas</a></em>, p. 157).</p></blockquote><p>Te&#243;logo anglicano Jeremy Taylor (1613-1667):</p><blockquote><p>&#8220;Regras para pessoas casadas, ou castidade matrimonial<br>...<br>2. Em suas permiss&#245;es e licen&#231;as, devem certificar-se de observar a ordem da natureza e os fins de Deus. '&#201; um mau marido aquele que usa sua esposa como um homem trata uma prostituta', sem outro fim sen&#227;o o prazer. A respeito disso, nossa melhor regra &#233; que, embora nisso, como em comer e beber, haja um apetite a ser satisfeito, o que n&#227;o pode ser feito sem satisfazer esse desejo; contudo, uma vez que esse desejo e satisfa&#231;&#227;o foram destinados pela natureza para outros fins, eles nunca devem ser separados desses fins, mas sempre unidos a todos ou a um desses fins, 'com o desejo de ter filhos, ou evitar a fornica&#231;&#227;o, ou aliviar e amenizar os cuidados e tristezas dos assuntos dom&#233;sticos, ou para tornar queridos um ao outro', mas nunca com o prop&#243;sito, seja em ato ou desejo, de separar a sensualidade desses fins que a santificam. On&#227; separou seu ato de seu fim pr&#243;prio, e assim ordenou seus abra&#231;os para que sua esposa n&#227;o concebesse, e Deus puniu ele.&#8221; (<em>A Regra e os Exerc&#237;cios de uma Vida Santa</em>, p. 532) [2].</p></blockquote><p>Edward Elton (1637), coment&#225;rio sobre Colossenses 3:5, agrupa o onanismo com outros pecados n&#227;o naturais, como a sodomia e a bestialidade:</p><blockquote><p>O segundo pecado aqui mencionado &#233; a impureza. Este pecado tamb&#233;m &#233; uma viola&#231;&#227;o externa do S&#233;timo Mandamento. E por ele devemos entender toda contamina&#231;&#227;o real do corpo contra a natureza. Como o incesto com aqueles que s&#227;o, dentro de certos graus, proibidos e estabelecidos em Lv 18:6-18. E de outras contamina&#231;&#245;es que s&#227;o mais <strong>contra a natureza</strong>: como aquela que &#233; cometida com outra esp&#233;cie (como com animais irracionais), expressamente proibida em Lv 18:23; ou aquela que &#233; cometida com aquele sexo que n&#227;o &#233; para o uso natural mencionado em Rm 1:26-27 e que foi o pecado da sodomia; ou aquela que &#233; extremamente antinatural e foi, em parte, o pecado de On&#227; (Gn 38:9). Ora, essas contamina&#231;&#245;es do corpo s&#227;o pecados horr&#237;veis e horr&#237;veis, pois n&#227;o s&#227;o apenas contra a lei de Deus e contra a pr&#243;pria luz da natureza - s&#227;o comumente puni&#231;&#245;es de alguns outros pecados horr&#237;veis e sempre acompanham um cora&#231;&#227;o muito profano e morto. (Romanos 1:24).</p></blockquote><p>John Brown de Haddington (1722-1787) sobre G&#234;nesis 38:9:</p><blockquote><p>&#8220;Seu pecado foi extremamente hediondo, n&#227;o apenas por ter procedido da inveja da honra de seu irm&#227;o e do desprezo pela semente prometida, mas por ser horr&#237;vel e <strong>antinatural em si mesmo</strong>. Nem no ju&#237;zo final se revelar&#225; que culpa dessa natureza foi cometida entre a humanidade, nem qu&#227;o terrivelmente Deus a puniu.&#8221; (<em>B&#237;blia Autointerpretativa</em>, vol. 1, p. 277).</p></blockquote><p>Comentarista metodista/arminiano Adam Clark (1762-1832):</p><blockquote><p>&#8220;O pecado da autopolui&#231;&#227;o, geralmente considerado como o de On&#227;, &#233; um dos males mais destrutivos j&#225; praticados pelo homem ca&#237;do. <strong>Em muitos aspectos, &#233; muito pior do que a prostitui&#231;&#227;o comum e tem consequ&#234;ncias ainda mais terr&#237;veis; </strong>embora seja praticado por aqueles que estremeceriam ao pensar em liga&#231;&#227;o criminosa com uma prostituta...&#8221; (Gn 38:9).</p></blockquote><p>Os comentaristas luteranos do s&#233;culo XIX Keil e Delitszch:</p><blockquote><p>&#8220;Este ato n&#227;o s&#243; revelava uma falta de afei&#231;&#227;o por seu irm&#227;o, combinada com uma cobi&#231;a desprez&#237;vel por sua posse e heran&#231;a, mas tamb&#233;m era <strong>um pecado contra a institui&#231;&#227;o divina do casamento e seu objetivo</strong>, e, portanto, era punido por Jeov&#225; com morte s&#250;bita.&#8221;</p></blockquote><p>O comentarista reformado Johann Peter Lange (1802-1884):</p><blockquote><p>O pecado de On&#227;, uma perversidade mortal, um exemplo a ser tido em horror, como condenat&#243;rio, n&#227;o apenas dos pecados secretos de autopolui&#231;&#227;o, mas tamb&#233;m de todas as ofensas semelhantes nas rela&#231;&#245;es sexuais, e at&#233; mesmo no pr&#243;prio casamento. A impureza em geral &#233; um desperd&#237;cio homicida dos poderes geradores, uma bestialidade demon&#237;aca, um ultraje aos ancestrais, &#224; posteridade e &#224; pr&#243;pria vida.<strong> &#201; um crime contra a imagem de Deus </strong>e uma degrada&#231;&#227;o abaixo do animal. A ofensa de On&#227;, al&#233;m disso, cometida no casamento, foi uma perversidade das mais anormalidades e um erro grave.</p></blockquote><p>Das atas da Igreja Presbiteriana Reformada em 1888:</p><blockquote><p>Acreditamos que a impureza, em todas as suas formas poluidoras e degradantes, est&#225; aumentando. Tememos que muitos, que s&#227;o membros da Igreja, empreguem meios para impedir a prole, usando o leito conjugal para satisfazer suas lux&#250;rias, destruindo suas pr&#243;prias vidas e atraindo sobre si a ira de um Deus santo.</p></blockquote><p>Pastor luterano John HC Fritz (1874-1953):</p><blockquote><p>&#8220;Rela&#231;&#227;o entre Pais e Filhos- duas coisas que um pastor deve incutir nas pessoas casadas: 1. que Deus aben&#231;oe seu casamento com filhos; 2. que Deus considera os pais respons&#225;veis pela educa&#231;&#227;o crist&#227; de seus filhos. Marido e mulher devem, de acordo com a vontade de Deus, tornar-se pai e m&#227;e de filhos. Um dos prop&#243;sitos divinos para o casamento &#233; a propaga&#231;&#227;o da ra&#231;a humana. Deus diz: &#8220;Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra&#8221;, Gn 1:28; Sl 127 e 128; Quarto Mandamento. Uma mulher hebreia casada considerava uma afli&#231;&#227;o n&#227;o ter filhos, 1 Sm 1:1-20. Os judeus tinham fam&#237;lias numerosas; assim como nossos antepassados alem&#227;es. O sistema familiar de um, dois ou tr&#234;s filhos &#233; contr&#225;rio &#224;s Escrituras; pois o homem n&#227;o tem o direito de limitar arbitrariamente ou definitivamente o n&#250;mero de seus descendentes (controle de natalidade), especialmente se feito por meios artificiais ou n&#227;o naturais. Gn 1:28; Sl 127: 3-6; Sl 128:3-4; Gn 38:9-10. Restri&#231;&#245;es como circunst&#226;ncias incontrol&#225;veis, esterilidade natural ou problemas de sa&#250;de impostos pela esposa ou marido ao n&#250;mero de filhos s&#227;o exce&#231;&#245;es &#224; regra. A gravidez &#233; um processo natural e saud&#225;vel, enquanto qualquer interfer&#234;ncia nas fun&#231;&#245;es naturais &#233; prejudicial.</p></blockquote><p>Franciscus Junius (1545-1602), editor da Confiss&#227;o Belga, referiu-se ao ato de On&#227; como:</p><blockquote><p>&#8220;A mais feia impud&#234;ncia, que nem sequer &#233; facilmente nomeada entre os pag&#227;os, mas que j&#225; foi praticada pelos gn&#243;sticos, segundo o testemunho de Epif&#226;nio.&#8221;</p></blockquote><p>Junius ent&#227;o cita duas passagens do antigo pai da Igreja, Epif&#226;nio de Salamina (315-402):</p><blockquote><p>&#8220;Mas, embora copulem, pro&#237;bem a procria&#231;&#227;o. Sua busca &#225;vida por sedu&#231;&#227;o visa o prazer, n&#227;o a procria&#231;&#227;o, visto que o diabo zomba de pessoas como essas e zomba da criatura criada por Deus.&#8221;</p><p>&#8220;&#8230;a maldade dos gn&#243;sticos. Quer pratiquem seu ato imundo com homens ou mulheres, eles ainda pro&#237;bem a insemina&#231;&#227;o, anulando assim a procria&#231;&#227;o que Deus concedeu &#224;s suas criaturas -como diz o ap&#243;stolo, 'recebendo em si mesmos a merecida recompensa do seu erro', e assim por diante (Rm 1:27).&#8221;</p></blockquote><p>Os coment&#225;rios de Matthew Poole sobre G&#234;nesis 38:9 s&#227;o:</p><blockquote><p>&#8220;Duas coisas s&#227;o aqui observadas:</p><ol><li><p>O pecado em si, que &#233; aqui particularmente descrito pelo Esp&#237;rito Santo, para que os homens sejam instru&#237;dos sobre a natureza e o grande mal deste pecado de autopolui&#231;&#227;o, que &#233; tal que atraiu sobre o seu autor a extraordin&#225;ria vingan&#231;a de Deus, e que &#233; condenado n&#227;o apenas pelas Escrituras, mas tamb&#233;m pela luz da natureza e pelo julgamento dos pag&#227;os, que o censuraram expressamente como um grande pecado e como uma esp&#233;cie de assassinato. Sobre o qual veja minha <em><a href="https://books.google.com.br/books?id=iUwqAQAAMAAJ&amp;pg=PP145&amp;redir_esc=y#v=onepage&amp;q&amp;f=false">Sinopse Latina</a></em> [na qual Poole cita o poeta romano <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Martial">Marcial</a>]. Por meio dela, podemos compreender suficientemente qu&#227;o perversa e abomin&#225;vel &#233; essa pr&#225;tica entre os crist&#227;os, e &#224; luz do evangelho, que nos imp&#245;e obriga&#231;&#245;es maiores e mais rigorosas de pureza e pro&#237;be severamente toda polui&#231;&#227;o, tanto da carne quanto do esp&#237;rito.</p></li><li><p>A causa dessa maldade; que parece ter sido &#243;dio ao seu irm&#227;o, ou inveja do nome e da honra do seu irm&#227;o, surgindo do orgulho do seu pr&#243;prio cora&#231;&#227;o.&#8221;</p></li></ol></blockquote><p>O puritano da Nova Inglaterra, Cotton Mather, tamb&#233;m se refere ao onanismo como &#8220;autopolui&#231;&#227;o&#8221;:</p><blockquote><p>&#8220;&#201; hora de eu lhe dizer que o crime contra o qual eu o alerto &#233; a autopolui&#231;&#227;o, que, em nome da &#250;nica pessoa que permanece para sempre estigmatizada por isso em nossa B&#237;blia Sagrada, leva o nome de ONANISMO.&#8221; (<em>O Nazireu Puro</em> (1723)).</p></blockquote><p>Os rabinos interpretaram a transgress&#227;o de On&#227; como contracep&#231;&#227;o por meio do coito interrompido. Em um eufemismo ilustrativo, o comentarista judeu Rashi chama isso de "triturar por dentro, joeirar por fora". Eles acreditavam que o que On&#227; havia feito era um desperd&#237;cio, mas que a puni&#231;&#227;o deveria ser deixada para Deus.</p><p>Brian Harrison explica que &#8220;os comentaristas judeus cl&#225;ssicos - que conheciam a l&#237;ngua hebraica, os costumes, a lei e os g&#234;neros liter&#225;rios b&#237;blicos- certamente viam nesta passagem das Escrituras uma condena&#231;&#227;o da contracep&#231;&#227;o, das rela&#231;&#245;es sexuais n&#227;o naturais e da masturba&#231;&#227;o como tais. Um coment&#225;rio judaico tradicional t&#237;pico expressa isso da seguinte forma:&#8221;</p><blockquote><p>&#8220;[On&#227;] fez mau uso dos &#243;rg&#227;os que Deus lhe deu para propagar a ra&#231;a, a fim de satisfazer de forma n&#227;o natural sua pr&#243;pria lux&#250;ria, e, portanto, merecia a morte.&#8221; (<em>Bereshis: G&#234;nesis &#8211; Uma Nova Tradu&#231;&#227;o com um Coment&#225;rio Autorizado de Fontes Talm&#250;dicas, Midr&#225;shicas e Rab&#237;nicas</em>, Brooklyn: Mesorah Publications, 1980, Vol. 5, p. 1677).</p></blockquote><p>Clemente de Alexandria (150-215) diz que On&#227; &#8220;quebrou a lei do coito&#8221; e continuou explicando:</p><blockquote><p>&#8220;Por causa de sua institui&#231;&#227;o divina para a propaga&#231;&#227;o do homem, a semente n&#227;o deve ser ejaculada em v&#227;o, nem deve ser danificada, nem deve ser desperdi&#231;ada. Ter rela&#231;&#245;es sexuais que n&#227;o sejam para procriar filhos &#233; prejudicar a natureza.&#8221; (<em>The Instructor of Children</em>, 191).</p></blockquote><p>Jo&#227;o Cris&#243;stomo (347-407):</p><blockquote><p>Por que semeias onde o campo est&#225; ansioso por destruir os frutos, onde h&#225; rem&#233;dios de esterilidade [contraceptivos orais], onde h&#225; assassinato antes do nascimento? O que ent&#227;o? Condenas o dom de Deus e lutas contra as Suas leis? No entanto, que torpeza. O assunto ainda parece indiferente a muitos homens, mesmo a muitos homens que t&#234;m esposas. Nessa indiferen&#231;a dos homens casados h&#225; uma imund&#237;cie ainda maior; pois ent&#227;o se preparam venenos, n&#227;o contra o ventre de uma prostituta, mas contra a tua esposa ferida. Contra ela s&#227;o essas in&#250;meras artimanhas. (<em>Homilia 24 sobre Romanos</em>, PG 60: pp. 626-627).</p></blockquote><p>Jo&#227;o IV Nesteutes, Patriarca de Constantinopla do s&#233;culo VI, afirma:</p><blockquote><p>&#8220;Se algu&#233;m, para satisfazer sua lux&#250;ria ou em &#243;dio deliberado, faz algo a um homem ou mulher de modo que nenhum filho nas&#231;a dele ou dela, ou lhes d&#225; de beber (pharmakon), de modo que ele ou ela n&#227;o possa gerar ou ela conceber, que seja considerado homic&#237;dio.&#8221; (<em>Penitencial</em>, PG 88:1924A).</p></blockquote><p><strong>Primeiro Conc&#237;lio de Nic&#233;ia, Primeiro C&#226;non (325 d.C.):</strong></p><blockquote><p>Se algu&#233;m doente tiver sido submetido a cirurgia nas m&#227;os de m&#233;dicos ou tiver sido castrado por b&#225;rbaros, que permane&#231;a entre o clero. Mas se algu&#233;m com boa sa&#250;de tiver se castrado, se estiver inscrito entre o clero, dever&#225; ser suspenso, e no futuro ningu&#233;m dever&#225; ser promovido. Mas, como &#233; evidente que isso se refere &#224;queles que s&#227;o respons&#225;veis pela condi&#231;&#227;o e presumem se castrar, assim tamb&#233;m se algu&#233;m tiver sido feito eunuco por b&#225;rbaros ou por seus senhores, mas tiver sido considerado digno, o c&#226;none admite tais homens ao clero (cf. Dt 23:1).</p></blockquote><h2>Conclus&#227;o</h2><p>Examinamos a possibilidade abortiva de algumas formas de controle de natalidade, bem como os riscos &#224; sa&#250;de associados ao controle de natalidade, ao adiamento e &#224; limita&#231;&#227;o da gravidez e &#224; neglig&#234;ncia na amamenta&#231;&#227;o. &#201; crucial que, mesmo que algu&#233;m n&#227;o esteja convencido pela argumenta&#231;&#227;o b&#237;blica e hist&#243;rica contra o controle de natalidade, os crist&#227;os n&#227;o devem usar m&#233;todos contraceptivos que possam causar aborto, isso seja equivalente. Al&#233;m disso, vimos como o controle de natalidade cria a ideia de uma "gravidez indesejada" e aumenta a probabilidade de abortos, bem como como o controle de natalidade facilita a promiscuidade sexual.</p><p>Em seguida, vimos que o controle de natalidade n&#227;o &#233; uma inven&#231;&#227;o recente. Seu uso era desenfreado no mundo antigo e, ao longo da hist&#243;ria, os pag&#227;os o utilizaram, mas os crist&#227;os n&#227;o, devido &#224; sua compreens&#227;o da b&#234;n&#231;&#227;o dos filhos, do prop&#243;sito do casamento e do pecado do onanismo. E, assim como a situa&#231;&#227;o da Igreja durante o ex&#237;lio babil&#244;nico e outros per&#237;odos de persegui&#231;&#227;o (Jr 29:6), os crist&#227;os sempre entenderam que procriar e "gerar descend&#234;ncia piedosa" (Ml 2:15) &#233; vital para o crescimento da Igreja.</p><p>Tamb&#233;m demonstramos biblicamente e historicamente que a procria&#231;&#227;o sempre foi considerada um prop&#243;sito e dever fundamental do casamento, dado o mandamento b&#237;blico de ser frut&#237;fero e multiplicar-se e a b&#234;n&#231;&#227;o da gravidez, ao mesmo tempo em que ressaltamos que a procria&#231;&#227;o n&#227;o &#233; condi&#231;&#227;o <em>sine qua non</em> para o que constitui um casamento. Al&#233;m disso, fizemos a importante ressalva de que a esterilidade e outros problemas de sa&#250;de n&#227;o anulam um casamento porque a provid&#234;ncia al&#233;m do controle de algu&#233;m n&#227;o equivale a quebrar um imperativo moral nas Escrituras. Tamb&#233;m consideramos a diferen&#231;a entre atos pecaminosos (<em>finis operis</em>) e inten intentions pecaminosas (<em>finis operantis</em>) e as quatro raz&#245;es l&#237;citas que as Escrituras d&#227;o para se abster de rela&#231;&#245;es sexuais, observando que se abster com o prop&#243;sito de prevenir a concep&#231;&#227;o n&#227;o &#233; uma raz&#227;o l&#237;cita e &#233; uma afronta ao des&#237;gnio de Deus para o casamento na ordem criada.</p><p>Por fim, examinamos G&#234;nesis 38:9-10 e como a passagem foi entendida ao longo da hist&#243;ria como impeditiva da concep&#231;&#227;o porque viola um dever fundamental do casamento.</p><p></p><p><strong>Refer&#234;ncias:</strong></p><p>Os artigos originais s&#227;o da Purely Presbyterian https://purelypresbyterian.com/tag/contraception/</p><p>Em ingl&#234;s: </p><p>Parte 1 <a href="https://purelypresbyterian.com/2015/07/24/contraception-pt-1-abortifacients-health-risks-societal-factors-2/">Contracep&#231;&#227;o pt. 1: Abortivos, Riscos &#224; Sa&#250;de, Fatores Sociais</a></p><p>Parte 2 <a href="https://purelypresbyterian.com/2015/07/25/contraception-pt-2-dominion-and-the-purposes-of-marriage/">Contracep&#231;&#227;o pt. 2: Dom&#237;nio e os Prop&#243;sitos do Casamento</a></p><p>Parte 3 -  [1 ] C<a href="https://purelypresbyterian.com/2015/08/07/contraception-pt-3-barrenness-the-elderly-the-rhythm-method/">ontracep&#231;&#227;o pt. 3: Esterilidade, Idosos, Planejamento Familiar Natural</a>   [1]  [Refer&#234;ncia &#224; &#250;ltima publica&#231;&#227;o da s&#233;rie sobre contracep&#231;&#227;o].</p><p>Em portugu&#234;s: </p><p>Solicitei ao irm&#227;o- Di&#225;cono Victor Terra que postasse o &#250;ltimo artigo, mas ele pediu que eu o publicasse aqui e compartilhasse com ele. No entanto, ele conseguiu postar os tr&#234;s primeiros artigos em portugu&#234;s ainda em 2024 no seu blog quando enviei os artigos originais em um grupo de teologia, veja: </p><p>Parte 1 -  <strong><a href="https://medium.com/@victor_terra/contracep%C3%A7%C3%A3o-parte-1-abortivos-riscos-%C3%A0-sa%C3%BAde-e-fatores-sociais-0cecf51c0dbc">Contracep&#231;&#227;o (Parte 1): abortivos, riscos &#224; sa&#250;de e fatores sociais </a></strong></p><p>Parte 2 - <strong><a href="https://medium.com/@victor_terra/contracep%C3%A7%C3%A3o-parte-2-dom%C3%ADnio-e-os-fins-do-casamento-529f949c2044">Contracep&#231;&#227;o (Parte 2): dom&#237;nio e os fins do casamento </a></strong><a href="https://medium.com/@victor_terra/contracep%C3%A7%C3%A3o-parte-2-dom%C3%ADnio-e-os-fins-do-casamento-529f949c2044"> </a></p><p>Parte 3 - <strong><a href="https://medium.com/@victor_terra/contracep%C3%A7%C3%A3o-parte-3-esterilidade-as-pessoas-idosas-e-o-planejamento-familiar-natural-a33412e921db">Contracep&#231;&#227;o (Parte 3): esterilidade, as pessoas idosas e o planejamento familiar natural </a></strong><a href="https://medium.com/@victor_terra/contracep%C3%A7%C3%A3o-parte-3-esterilidade-as-pessoas-idosas-e-o-planejamento-familiar-natural-a33412e921db">  </a>     </p><p> [1]  [Refer&#234;ncia &#224; &#250;ltima publica&#231;&#227;o da s&#233;rie sobre contracep&#231;&#227;o].</p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Psicologia: O Pastor Richard Baxter (século 17) refuta o pastor negligente do século 21]]></title><description><![CDATA[Diretriz XXI.]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/psicologia-o-divine-richard-baxter</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/psicologia-o-divine-richard-baxter</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Sat, 17 May 2025 15:03:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!_cuv!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9cd19e7b-2855-47de-b8d5-65dea20fa886_382x512.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!_cuv!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9cd19e7b-2855-47de-b8d5-65dea20fa886_382x512.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!_cuv!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, 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Meu &#250;ltimo conselho &#233; "procurar a cura da sua doen&#231;a e se entregar ao cuidado do seu m&#233;dico, e obedecer a ele: e n&#227;o fazer como a maioria das pessoas melanc&#243;licas faz, que n&#227;o acredita que a medicina far&#225; bem a elas; mas que &#233; apenas a alma que est&#225; aflita: pois s&#227;o os esp&#237;ritos, a imagina&#231;&#227;o e as paix&#245;es que est&#227;o doentes, e assim a alma &#233; como um olho que olha atrav&#233;s de um vidro colorido e pensa que todas as coisas s&#227;o da mesma cor que o vidro &#233;." Eu vi muitas pessoas curadas pela medicina: e at&#233; que o corpo seja curado, a mente dificilmente ser&#225; curada,  mas as raz&#245;es mais claras ser&#227;o todas em v&#227;o.</p><p>Richard Baxter.</p><div><hr></div><p>Uma pequena nota:</p><p>Lamento constatar que muitos pastores contempor&#226;neos que rejeitam a psicologia parecem desconhecer as defesas dessa pr&#225;tica em nossa tradi&#231;&#227;o reformada, das quais citarei apenas uma. Nos &#250;ltimos dois anos, em conversas com psic&#243;logos, enfrentei experi&#234;ncias decepcionantes: percebi que, quando algu&#233;m influente sustenta uma posi&#231;&#227;o, muitos evitam contra-argumentar. Talvez esses pastores estejam presos a entendimentos r&#237;gidos, mas espero que este texto fomente um di&#225;logo produtivo. Como Anne Locke, amiga de John Knox, disse no s&#233;culo XVI ao ajudar a Igreja: &#8220;Ofere&#231;o a minha pequena cesta de pedras para o fortalecimento daquela Jerusal&#233;m&#8221;, coloco aqui meu modesto esfor&#231;o, desejando ser &#250;til. &#201; triste que alguns l&#237;deres, embora se identifiquem como reformados, se distanciem dos ensinamentos hist&#243;ricos, oferecendo, em certos casos, opini&#245;es sem embasamento que desviam da nossa tradi&#231;&#227;o.</p><div><hr></div><p>Richard Baxter j&#225; sabia disso</p><p>O puritano Richard Baxter (1615&#8211;1691), um dos principais eruditos do protestantismo ingl&#234;s, escreveu com clareza e compaix&#227;o sobre os efeitos da melancolia, o que hoje chamar&#237;amos de depress&#227;o ou transtornos mentais. Ele exortava crist&#227;os aflitos a buscarem o m&#233;dico, a n&#227;o desprezarem os rem&#233;dios, e a entenderem que o sofrimento mental muitas vezes tem origem f&#237;sica e precisa de cuidado adequado.</p><blockquote><p>&#8220;Procure a cura da sua doen&#231;a e se entregue ao cuidado do seu m&#233;dico, e obede&#231;a a ele: e n&#227;o fa&#231;a como a maioria das pessoas melanc&#243;licas faz, que n&#227;o acredita que a medicina far&#225; bem a elas. Mas que &#233; apenas a alma que est&#225; aflita. Pois s&#227;o os esp&#237;ritos, a imagina&#231;&#227;o e as paix&#245;es que est&#227;o doentes, e assim a alma &#233; como um olho que olha atrav&#233;s de um vidro colorido e pensa que todas as coisas s&#227;o da mesma cor que o vidro &#233;.&#8221;</p></blockquote><p>Baxter, reconhecia algo que muitos l&#237;deres religiosos de hoje hesitam em aceitar: a profunda conex&#227;o entre corpo e alma. Ele entendia que, quando a mente est&#225; doente, muitas vezes devido a desordens f&#237;sicas, ela pode distorcer a realidade, tornando conselhos espirituais ineficazes enquanto o corpo permanecer em colapso.  Baxter argumenta que &#8220;at&#233; que o corpo seja curado, a mente dificilmente ser&#225; curada&#8221;, defendendo que o cuidado m&#233;dico e o pastoral devem andar juntos. </p><blockquote><p>&#8220;Eu vi muitas pessoas curadas pela medicina. E at&#233; que o corpo seja curado, a mente dificilmente ser&#225; curada. Mas as raz&#245;es mais claras ser&#227;o todas em v&#227;o.&#8221;</p></blockquote><p>Nota: Embora Baxter destaque a conex&#227;o entre corpo e alma, sua vis&#227;o n&#227;o &#233; tomista, que v&#234; a alma como a forma substancial do corpo. Aqui ele aborda o tema de forma pr&#225;tica e pastoral, focando no cuidado integral do crist&#227;o. Ele critica o tomismo por considerar as faculdades da alma como qualidades acidentais, aproximando-se mais de Duns Scotus em alguns pontos. Sua &#234;nfase na interdepend&#234;ncia entre corpo e mente reflete uma preocupa&#231;&#227;o teol&#243;gica, n&#227;o uma metaf&#237;sica tomista.</p><div><hr></div><p>A nega&#231;&#227;o da psicologia &#233; a nega&#231;&#227;o do sofrimento humano</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!e6rq!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9f3f0850-cf92-4081-8030-ec94e02a87cf_1170x2012.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!e6rq!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, 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Est&#225; dizendo, sem dizer: &#8220;Seu problema &#233; espiritual. Ore mais.&#8221; Como se a ora&#231;&#227;o fosse um atalho para ignorar as complexidades da mente humana, que tamb&#233;m foi criada por Deus e est&#225; sujeita &#224; queda.</p><div><hr></div><p>Mas a Escritura nos ensina a chorar com os que choram, a carregar os fardos uns dos outros, a sermos bons samaritanos tamb&#233;m das dores invis&#237;veis. Negar o sofrimento mental &#233; desobedecer ao chamado do bom pastor.</p><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!EUoK!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d4c9a38-f922-4294-a107-157fd3a88b82_1024x1024.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!EUoK!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d4c9a38-f922-4294-a107-157fd3a88b82_1024x1024.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!EUoK!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_848, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, 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O c&#233;rebro tamb&#233;m &#233; carne, e Deus se importa com ele. H&#225; psic&#243;logos piedosos. H&#225; conselheiros crist&#227;os bem preparados. H&#225; m&#233;dicos que s&#227;o instrumentos da provid&#234;ncia comum de Deus.</p><p>Como dizia Baxter, at&#233; que o corpo seja curado, a mente dificilmente ser&#225; curada. Negar isso n&#227;o &#233; espiritualidade. &#201; cegueira pastoral.</p><div><hr></div><p>Finalizo me dirigindo especialmente a voc&#234; que est&#225; doente. Se precisar de mais fontes dentro da nossa tradi&#231;&#227;o reformada que refutam essa vis&#227;o negligente, coloco-me &#224; disposi&#231;&#227;o para ajudar. N&#227;o carregue esse peso sozinho. Procure um profissional s&#233;rio. H&#225; esperan&#231;a, h&#225; cuidado, e h&#225; caminhos respons&#225;veis dentro da f&#233; crist&#227;. Parafraseando Baxter: procure um m&#233;dico.</p><p></p><p>&#9888;&#65039; Um alerta importante: psicologia e aconselhamento pastoral podem andar juntos, sim, mas N&#195;O s&#227;o a mesma coisa. Como ensinou Richard Baxter, procure um m&#233;dico. O cuidado da alma exige piedade, mas tamb&#233;m conhecimento t&#233;cnico e responsabilidade. Desconfie de solu&#231;&#245;es simplistas, diagn&#243;sticos apressados ou promessas m&#225;gicas. </p><p></p><p>Se este texto falou com voc&#234;, compartilhe com algu&#233;m que precisa ouvir. Ou talvez com aquele pastor que ainda acha que tudo &#233; &#8220;frescura espiritual&#8221;, &#8220; falta de f&#233;&#8221; , &#8220;falta de ora&#231;&#227;o&#8221;.</p><p></p><p></p><p>SOLI DEO GL&#211;RIA </p><p></p><p></p><p>Refer&#234;ncias:</p><p>Cap&#237;tulo VI do Vol 1 do A Christian Directory do Richard Baxter</p><p><a href="/__u/open.substack.com/pub/sedulitas?r=2cldn7&amp;utm_medium=ios">Nosferatu&#8217;s - Esdras Ferreira </a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A regeneração batismal, como uma semente que se torna árvore. 
]]></title><description><![CDATA[Dentro da tradi&#231;&#227;o reformada, h&#225; nuances teol&#243;gicas sobre o batismo infantil.]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/a-regeneracao-batismal-como-uma-semente</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/a-regeneracao-batismal-como-uma-semente</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Thu, 24 Apr 2025 16:41:08 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Wdsy!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcd6f5ed5-8dd3-453d-b34c-871a0688befa_1536x1024.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Wdsy!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcd6f5ed5-8dd3-453d-b34c-871a0688befa_1536x1024.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Wdsy!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcd6f5ed5-8dd3-453d-b34c-871a0688befa_1536x1024.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Wdsy!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_848, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, 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class="image-caption">Na imagem: Semente, Broto,&#193;rvore Jovem, &#193;rvore Frut&#237;fera. &#201; uma ilustra&#231;&#227;o que representa a f&#233; a uma semente (seminal) plantada no beb&#234;. No batismo, Deus semeia essa gra&#231;a, que, como uma raiz, come&#231;a a se formar, ainda oculta. Com o tempo, nutrida pela Palavra, ora&#231;&#227;o e educa&#231;&#227;o crist&#227;, a semente germina, tornando-se uma &#225;rvore robusta que produz arrependimento, frutos de f&#233; e santidade .</figcaption></figure></div><p></p><p>Dentro da tradi&#231;&#227;o reformada, h&#225; nuances teol&#243;gicas sobre o batismo infantil. A vis&#227;o presuntiva, defendida por Cornelius Burgess, ( <em>ele era respons&#225;vel pela sacramentologia na Assembleia de Westminster</em>)  que prevaleceu nos debates da Confiss&#227;o de Westminster. Burgess argumentava que: (1) a regenera&#231;&#227;o inicial em crian&#231;as eleitas normalmente come&#231;a no batismo; (2) essa regenera&#231;&#227;o &#233; uma &#8220;semente&#8221; da gra&#231;a que amadurecer&#225;, conectando o batismo infantil &#224; convers&#227;o adulta; (3) somente a preordena&#231;&#227;o divina torna o sacramento eficaz para os eleitos. Ele atribu&#237;a ao batismo uma efic&#225;cia real, conferindo gra&#231;a presente aos infantes eleitos, n&#227;o apenas remiss&#227;o do pecado original, mas uma regenera&#231;&#227;o atual, seminal e radical. Para Burgess, essa gra&#231;a n&#227;o &#233; meramente eclesi&#225;stica, mas um dom espiritual do Esp&#237;rito Santo, que inicia a vida nova em Cristo.</p><p>A doutrina do batismo infantil &#233; um pilar da tradi&#231;&#227;o reformada, mas sua efic&#225;cia espiritual tem gerado debates ricos e complexos. Cornelius Burgess, te&#243;logo puritano do s&#233;culo XVII e membro influente da Assembleia de Westminster, oferece uma vis&#227;o robusta e b&#237;blica em sua obra <em>Presumptive Regeneration, or, the Baptismal Regeneration of Elect Infants</em>. Ele defende que o batismo n&#227;o &#233; apenas um sinal externo, mas um meio ordin&#225;rio pelo qual Deus concede uma regenera&#231;&#227;o inicial aos infantes eleitos. Este artigo explora sua teologia, com &#234;nfase na quest&#227;o da f&#233; e da efic&#225;cia do batismo, apoiada nas autoridades que ele cita, incluindo Pais da Igreja, te&#243;logos reformados, divinos ingleses, al&#233;m da Confiss&#227;o de F&#233; de Westminster e do Catecismo Maior, para esclarecer como o batismo opera na vida dos filhos da alian&#231;a.</p><p></p><div><hr></div><p></p><p>Burgess estrutura sua doutrina em quatro princ&#237;pios fundamentais:</p><p>1.&nbsp; O Esp&#237;rito Santo pode comunicar gra&#231;a aos infantes eleitos como um princ&#237;pio de vida espiritual, antes de qualquer manifesta&#231;&#227;o vis&#237;vel de f&#233; ou convers&#227;o.</p><p>2.&nbsp; O batismo &#233; o primeiro meio ordin&#225;rio pelo qual os descendentes de pais crist&#227;os recebem essa gra&#231;a inicial, selando sua entrada na alian&#231;a.</p><p>3.&nbsp; Infantes eleitos, ao serem batizados, recebem ordinariamente o Esp&#237;rito para sua inicia&#231;&#227;o em Cristo, com a promessa de renova&#231;&#227;o futura no tempo determinado por Deus.</p><p>4.&nbsp; Embora o batismo confira essa gra&#231;a seminal, a salva&#231;&#227;o de quem atinge a idade da raz&#227;o depende da convers&#227;o ativa, buscada por meio da f&#233; e dos outros meios de gra&#231;a.</p><p></p><p>Para Burgess, a efic&#225;cia do batismo est&#225; intrinsecamente ligada &#224; elei&#231;&#227;o divina. Diferentemente de vis&#245;es da escola romana que atribuem poder autom&#225;tico ao rito (<em>ex opere operato</em>), ou de perspectivas anabatistas, que negam qualquer gra&#231;a no batismo infantil, Burgess sustenta que o Esp&#237;rito Santo opera exclusivamente nos eleitos, plantando uma semente de gra&#231;a que florescer&#225; com o tempo.</p><div><hr></div><p>Burgess ancora sua teologia em passagens b&#237;blicas que conectam o batismo &#224; regenera&#231;&#227;o e &#224; alian&#231;a:</p><blockquote><p>Tito 3:5: &#8220;Ele nos salvou pela lavagem da regenera&#231;&#227;o e renova&#231;&#227;o pelo Esp&#237;rito Santo,&#8221; indicando que o batismo &#233; um meio de gra&#231;a espiritual.</p></blockquote><blockquote><p>Romanos 6:3-4: O batismo une os crentes &#224; morte e ressurrei&#231;&#227;o de Cristo, um processo que Burgess estende aos infantes eleitos.</p></blockquote><blockquote><p>Atos 2:39: &#8220;A promessa &#233; para v&#243;s, para vossos filhos,&#8221; refor&#231;ando que os filhos de crentes est&#227;o inclu&#237;dos na alian&#231;a e, portanto, devem receber o sinal do batismo.</p></blockquote><p>Esses textos sustentam a ideia de que o batismo &#233; um selo da promessa divina, eficaz onde o Esp&#237;rito opera, independentemente da capacidade de professar f&#233;.</p><div><hr></div><p><strong>                    A Semente que Cresce</strong></p><p>Um dos aspectos mais intrigantes da teologia de Burgess &#233; sua abordagem &#224; quest&#227;o da f&#233; nos infantes. Ele enfrenta a obje&#231;&#227;o comum, levantada por anabatistas e outros opositores, de que crian&#231;as n&#227;o podem ter f&#233; devido &#224; aus&#234;ncia de consci&#234;ncia ou profiss&#227;o ativa. Burgess foi desafiado por colegas e cr&#237;ticos que negavam a possibilidade de f&#233; em infantes, acusando sua doutrina de ser heterodoxa. Ele responde com firmeza, argumentando que a f&#233;, nos infantes eleitos, existe em forma seminal, operada pelo Esp&#237;rito Santo de maneira misteriosa e invis&#237;vel. Para ele, a incapacidade de expressar f&#233; n&#227;o impede a opera&#231;&#227;o divina, pois o Esp&#237;rito supre essa limita&#231;&#227;o.</p><p>Para ilustrar, veja a imagem do post, podemos comparar a f&#233; a uma semente plantada no solo f&#233;rtil do cora&#231;&#227;o eleito. No batismo, Deus semeia essa gra&#231;a, que, como uma raiz, come&#231;a a se firmar, ainda oculta. Com o tempo, nutrida pela Palavra, ora&#231;&#227;o e educa&#231;&#227;o crist&#227;, a semente germina, tornando-se uma &#225;rvore robusta que produz arrependimento, frutos de f&#233;, santidade, etc&#8230; Assim como uma &#225;rvore n&#227;o exibe frutos imediatamente, mas carrega em si a promessa de frutifica&#231;&#227;o, a f&#233; seminal nos infantes eleitos &#233; um dom divino que amadurece conforme a vontade de Deus.</p><p>Burgess cita Jo&#227;o Calvino para embasar essa ideia: &#8220;Eles (infantes) s&#227;o batizados para futura penit&#234;ncia e f&#233;, que, embora n&#227;o estejam ainda formadas, a opera&#231;&#227;o secreta do Esp&#237;rito cont&#233;m a semente de ambas neles.&#8221; Essa semente de f&#233;, segundo Calvino e Burgess, &#233; um dom divino que se desenvolve com o tempo, especialmente quando a crian&#231;a &#233; nutrida pelos meios de gra&#231;a, como a prega&#231;&#227;o e a educa&#231;&#227;o crist&#227;.</p><p>Agostinho tamb&#233;m &#233; uma fonte crucial. Burgess referencia sua afirma&#231;&#227;o de que o Esp&#237;rito Santo habita nos infantes batizados como uma &#8220;centelha adormecida,&#8221; que ser&#225; despertada com a maturidade. Essa met&#225;fora refor&#231;a a ideia de que a f&#233;, ainda que n&#227;o ativa, est&#225; presente em pot&#234;ncia nos eleitos, aguardando o momento designado por Deus para se manifestar. Para Burgess, essa f&#233; seminal &#233; suficiente para que o batismo seja eficaz, pois a elei&#231;&#227;o divina garante sua eventual frutifica&#231;&#227;o.</p><p>Al&#233;m disso, Burgess aponta para exemplos b&#237;blicos, como Jo&#227;o Batista, que foi cheio do Esp&#237;rito Santo ainda no ventre de sua m&#227;e (Lucas 1:15). Esse caso ilustra que Deus pode conceder gra&#231;a e f&#233; a indiv&#237;duos antes mesmo do nascimento, refor&#231;ando a possibilidade de uma f&#233; inicial nos infantes eleitos. Ele tamb&#233;m cita Wolfgang Musculus, que afirma que os infantes de pais crist&#227;os s&#227;o considerados fi&#233;is em um sentido pactuai, possuindo uma &#8220;inclina&#231;&#227;o &#224; f&#233;&#8221; que se manifesta conforme a idade permite.</p><p>Essa vis&#227;o da f&#233; como semente n&#227;o implica que todos os infantes batizados sejam automaticamente salvos. Burgess &#233; claro: apenas os eleitos recebem essa gra&#231;a, e a f&#233; inicial deve ser cultivada para levar &#224; CONVERS&#195;O plena na idade adulta. A f&#233;, portanto, &#233; tanto um dom presente no batismo quanto um chamado &#224; responsabilidade futura.</p><div><hr></div><p><strong>            A Efic&#225;cia do Batismo &#233; anterior,     concomitante ou posterior?</strong></p><p>A teologia reformada, como articulada por Burgess, oferece uma vis&#227;o flex&#237;vel sobre o momento em que a efic&#225;cia do batismo se manifesta. Essa efic&#225;cia pode ocorrer:</p><blockquote><p> Antes do rito, como no caso de Jo&#227;o Batista, que demonstrou f&#233; ainda no ventre de sua m&#227;e (Lucas 1:41), indicando que o Esp&#237;rito pode operar gra&#231;a antes mesmo do sacramento.</p><p>Durante o rito, conforme Burgess ensina, quando crian&#231;as eleitas recebem a regenera&#231;&#227;o inicial no batismo, selando sua entrada na alian&#231;a com uma semente de gra&#231;a.</p></blockquote><blockquote><p>Depois do rito, na convers&#227;o posterior, quando a f&#233; seminal plantada no batismo floresce em uma profiss&#227;o p&#250;blica de f&#233; na idade adulta.</p></blockquote><p>Em todos esses casos, a efic&#225;cia do batismo n&#227;o &#233; autom&#225;tica, mas est&#225; intrinsecamente ligada &#224; elei&#231;&#227;o eterna de Deus. A gra&#231;a prometida no sacramento se manifesta com o tempo, seja por uma f&#233; invis&#237;vel na inf&#226;ncia, operada secretamente pelo Esp&#237;rito, seja por uma f&#233; p&#250;blica na fase adulta, expressa em ARREPENDIMENTO e SANTIDADE. Essa vis&#227;o sublinha a soberania divina, que n&#227;o est&#225; restrita ao momento do rito, mas opera segundo o conselho eterno de Deus, garantindo a regenera&#231;&#227;o dos eleitos.</p><p></p><div><hr></div><p><strong>                  Apoio nos Pais da Igreja</strong></p><p>Burgess recorre aos Pais da Igreja para demonstrar que sua vis&#227;o &#233; consistente com a tradi&#231;&#227;o crist&#227; primitiva. Ele cita:</p><blockquote><p>   Cipriano: Afirma que o batismo produz efeitos espirituais nos eleitos, incluindo infantes, que recebem gra&#231;a por meio do sacramento.</p><p>Greg&#243;rio Nazianzeno: Sublinha a igualdade dos dons divinos, com o batismo como uma inicia&#231;&#227;o comum a todos, independentemente da idade.</p><p>Atan&#225;sio: &#201; invocado para apoiar a purifica&#231;&#227;o espiritual dos infantes no batismo, embora Burgess lamente a corrup&#231;&#227;o de alguns textos originais.</p><p>Bas&#237;lio: Ressalta a presen&#231;a ativa do Esp&#237;rito Santo no batismo, tornando-o um meio eficaz de gra&#231;a.</p><p>Jo&#227;o Cris&#243;stomo: Descreve o batismo como um renascimento moral, aplic&#225;vel a infantes por meio de patrocinadores que respondem em seu nome.</p></blockquote><blockquote><p>Jer&#244;nimo: Argumenta que o Esp&#237;rito habita nos infantes batizados como uma &#8220;centelha adormecida,&#8221; que ser&#225; ativada com a maturidade, refor&#231;ando a ideia de f&#233; seminal.</p><p>Ambr&#243;sio: Enfatiza que o batismo torna os infantes membros de Cristo, incorporando-os ao seu corpo.</p><p>Agostinho: A fonte mais citada, Burgess destaca sua afirma&#231;&#227;o de que &#8220;os sacramentos realizam o que simbolizam apenas nos eleitos.&#8221; Agostinho conecta o batismo &#224; remiss&#227;o do pecado original e &#224; regenera&#231;&#227;o, mas limita sua efic&#225;cia aos predestinados, alinhando-se com a teologia de Burgess sobre a f&#233; inicial.</p><p></p></blockquote><p>Observa&#231;&#227;o: Embora Burgess interprete esses Pais como aliados, n&#227;o significa que ele defenda que suas vis&#245;es eram id&#234;nticas de forma absoluta. </p><div><hr></div><p><strong>Confiss&#227;o de F&#233; de Westminster e Catecismo Maior</strong></p><p>A teologia de Burgess foi determinante na formula&#231;&#227;o da Confiss&#227;o de F&#233; de Westminster (1647), que reflete sua vis&#227;o presuntiva. No cap&#237;tulo 28, a Confiss&#227;o define o batismo como &#8220;um sacramento do Novo Testamento, ordenado por Jesus Cristo, n&#227;o somente para a solene admiss&#227;o do batizado na igreja vis&#237;vel, mas tamb&#233;m para ser-lhe um sinal e selo da alian&#231;a da gra&#231;a, de sua uni&#227;o com Cristo, da regenera&#231;&#227;o, da remiss&#227;o dos pecados e de sua entrega a Deus por Jesus Cristo, para andar em novidade de vida&#8221;. A se&#231;&#227;o 6 esclarece que &#8220;a efic&#225;cia do batismo n&#227;o est&#225; ligada ao momento exato em que &#233; administrado; no entanto, pelo uso correto dessa ordenan&#231;a, a gra&#231;a prometida n&#227;o &#233; apenas oferecida, mas realmente exibida e conferida pelo Esp&#237;rito Santo &#224;queles (seja de idade ou infantes) a quem essa gra&#231;a pertence, segundo o conselho da vontade de Deus, no tempo por ele determinado&#8221;. Essa formula&#231;&#227;o ecoa a &#234;nfase de Burgess na regenera&#231;&#227;o inicial para os eleitos, operada pelo Esp&#237;rito, sem exigir f&#233; consciente no momento do batismo.</p><p>O Catecismo Maior de Westminster refor&#231;a essa vis&#227;o. A Pergunta 165 define o batismo como &#8220;um sacramento do Novo Testamento, no qual Cristo ordenou o uso da &#225;gua, em nome do Pai, do Filho e do Esp&#237;rito Santo, para ser um sinal e selo da uni&#227;o com ele, da remiss&#227;o dos pecados pela sua morte e da regenera&#231;&#227;o pelo Esp&#237;rito Santo&#8221;. A Pergunta 167 destaca que o batismo &#233; administrado a infantes de pais crentes, &#8220;porque eles est&#227;o inclu&#237;dos na alian&#231;a&#8221;, com base em G&#234;nesis 17:7 e Atos 2:39. Essas respostas confirmam a continuidade da alian&#231;a e a efic&#225;cia do batismo como meio de gra&#231;a para os eleitos, alinhando-se diretamente com a teologia de Burgess. A Confiss&#227;o e o Catecismo consolidam a vis&#227;o presuntiva, afirmando que o batismo &#233; um selo da promessa divina, cuja gra&#231;a &#233; conferida aos eleitos no tempo de Deus, seja na inf&#226;ncia ou na idade adulta.</p><div><hr></div><p><strong> Divinos da Reforma Continental -   Te&#243;logos que n&#227;o s&#227;o ingleses</strong></p><p>Burgess tamb&#233;m se apoia em te&#243;logos reformados para situar sua doutrina no contexto da Reforma:</p><blockquote><p>Jo&#227;o Calvino: Defende que os infantes eleitos possuem uma semente de f&#233; e penit&#234;ncia, operada pelo Esp&#237;rito, que se desenvolver&#225; com o tempo.</p><p> Martinho Bucer: Compara o batismo a um rem&#233;dio natural, eficaz para os eleitos como um instrumento dos dons de Deus.</p><p>Petrus Martyr Vermigli: Define o batismo como um sacramento de regenera&#231;&#227;o e incorpora&#231;&#227;o em Cristo, aplic&#225;vel a infantes eleitos.</p><p>Jer&#244;nimo Zanchius: Conecta o batismo &#224; lavagem da regenera&#231;&#227;o, unindo os infantes ao corpo de Cristo.</p><p>Wolfgang Musculus: Considera os infantes de pais crist&#227;os como fi&#233;is em um sentido pactuai, com uma inclina&#231;&#227;o &#224; f&#233; que se manifesta gradualmente.</p><p>Francisco Junius: Destaca a dualidade do batismo, com a lavagem interna pelo Esp&#237;rito sendo essencial para a regenera&#231;&#227;o.</p><p> Lambert Daneau: Apoia a regenera&#231;&#227;o inicial no batismo, refor&#231;ando a continuidade da alian&#231;a.</p></blockquote><p>Esses te&#243;logos refor&#231;am a vis&#227;o de Burgess de que a f&#233;, mesmo em forma seminal, &#233; um componente essencial da efic&#225;cia do batismo nos eleitos.</p><p></p><p><strong>Divinos Ingleses</strong></p><p></p><blockquote><p>John Jewel: Rejeita a ideia de que o batismo &#233; uma mera cerim&#244;nia, afirmando que Cristo est&#225; presente no sacramento para conferir gra&#231;a real, incluindo f&#233; inicial.</p><p></p><p>William Whitaker: Sublinha que o batismo concede remiss&#227;o dos pecados e regenera&#231;&#227;o, mas apenas aos eleitos, com a f&#233; como um dom divino.</p><p> Francis White: Defende que a efic&#225;cia do batismo, incluindo a f&#233;, &#233; restrita aos eleitos, uma cren&#231;a comum entre os calvinistas ingleses.</p><p>John Davenant: Reconhecido como um defensor da regenera&#231;&#227;o batismal, Davenant &#233; citado, mas h&#225; algumas diferen&#231;as de  Burgess. A posi&#231;&#227;o de John Davenant &#233; a de que todas as crian&#231;as que s&#227;o batizadas recebem, pela pr&#243;pria efic&#225;cia do batismo, a salva&#231;&#227;o. Essa salva&#231;&#227;o, segundo ele, &#233; real e presente at&#233; o momento em que a crian&#231;a comete o chamado pecado atual.  &#201; importante destacar que Davenant n&#227;o chegou a afirmar que o batismo &#233; absolutamente necess&#225;rio para a salva&#231;&#227;o e aqui basta lembrarmos do ladr&#227;o da Cruz. </p><p>Thomas Fulke: Apoia a regenera&#231;&#227;o batismal como parte da doutrina anglicana, incluindo a possibilidade de f&#233; inicial, refor&#231;ando que o batismo &#233; um meio de gra&#231;a para os filhos de crentes, alinhado com a vis&#227;o pactuai de Burgess.</p><p>Daniel Featly: Refor&#231;a a necessidade de f&#233; para a efic&#225;cia plena, mas endossa a gra&#231;a inicial no batismo, que inclui a semente da f&#233;, destacando que o sacramento &#233; um selo da promessa divina para os eleitos.</p></blockquote><p>Esses divinos situam a teologia de Burgess dentro da ortodoxia reformada Inglesa, consolidando sua influ&#234;ncia na Assembleia de Westminster. A vis&#227;o de Burgess, com sua &#234;nfase na elei&#231;&#227;o divina, tornou-se a base para a formula&#231;&#227;o sacramental da Confiss&#227;o de Westminster. </p><div><hr></div><p><strong>      Respondendo &#224;s Obje&#231;&#245;es</strong></p><p>Burgess dedica se&#231;&#245;es de sua obra a responder obje&#231;&#245;es, especialmente aquelas que negam a f&#233; nos infantes. Ele refuta a ideia de que a f&#233; exige consci&#234;ncia ativa, citando Calvino, Agostinho e Musculus para mostrar que o Esp&#237;rito pode operar f&#233; em semente, como no caso de Jo&#227;o Batista. Para Burgess, o batismo &#233; um selo da promessa divina, e a f&#233; inicial nos eleitos &#233; suficiente para sua efic&#225;cia, embora a convers&#227;o plena seja necess&#225;ria na idade adulta. Ele tamb&#233;m aborda cr&#237;ticas de anabatistas, que rejeitam o batismo infantil, e de arminianos, que questionam a elei&#231;&#227;o, refor&#231;ando que a gra&#231;a batismal &#233; exclusiva dos predestinados, operada pelo Esp&#237;rito Santo.</p><p></p><p></p><p>Soli DEO Gl&#243;ria </p><p></p><p></p><p>Anexo: </p><p><strong>A Perspectiva de John Knox sobre a Regenera&#231;&#227;o Batismal</strong></p><p>Embora Burgess n&#227;o cite John Knox diretamente, a vis&#227;o do reformador escoc&#234;s sobre o batismo infantil, conforme expressa em <em>Da Forma do Batismo</em> no Pequeno livro de ordem para a congrega&#231;&#227;o Inglesa em Genebra, complementa a as conex&#245;es da tradi&#231;&#227;o reformada continental e inglesa. Knox enfatiza que o batismo &#233; um selo da alian&#231;a divina, confirmando que os filhos de crentes pertencem a Deus por promessa. Ele argumenta que os infantes n&#227;o precisam de f&#233; consciente para receber o sacramento, pois est&#227;o inclu&#237;dos no povo de Deus, como evidenciado por passagens como Atos 2:39 (&#8220;a promessa &#233; para v&#243;s, para vossos filhos&#8221;) e 1 Cor&#237;ntios 7:14, que chama os filhos de crentes de &#8220;santos&#8221;. Para Knox, o batismo representa a PURIFICA&#199;&#195;O  interna pelo sangue de Cristo, operada pelo Esp&#237;rito Santo nos eleitos, resultando em REGENERA&#199;&#195;O , que consiste em mortifica&#231;&#227;o do pecado e novidade de vida. Ele esclarece que a &#225;gua n&#227;o possui poder inerente, mas o Esp&#237;rito trabalha nos cora&#231;&#245;es dos eleitos, assegurando a efic&#225;cia do sacramento. Knox tamb&#233;m destaca que o batismo n&#227;o &#233; estritamente necess&#225;rio para a salva&#231;&#227;o, pois a morte prematura de uma crian&#231;a n&#227;o batizada n&#227;o impede a gra&#231;a de Deus, um ponto que ecoa a teologia de Burgess sobre a soberania divina. Essa vis&#227;o refor&#231;a a ideia de que o batismo &#233; um meio ordin&#225;rio de gra&#231;a, mas sua efic&#225;cia depende da elei&#231;&#227;o e da obra do Esp&#237;rito.</p><p>No mesmo livro o John Knox ensina que a Eucaristia &#233; um rem&#233;dio : &#8220;Vamos ent&#227;o considerar pois que este Sacramento &#233; singular rem&#233;dio para todas as pobres e doentes criaturas, um ajuda reconfortante a nossas fracas almas e que o nosso Senhor requer nenhum outro m&#233;rito de nossa parte, mas que n&#243;s infalivelmente reconhe&#231;amos nossa imperfei&#231;&#227;o e o fato de n&#227;o sermos nada. Ent&#227;o afim de que possamos ser dignos participantes de Seus m&#233;ritos e mais confort&#225;veis benef&#237;cios (os quais s&#227;o o verdadeiro comer da Sua carne e beber do Seu sangue) n&#227;o deixemo-nos sofrer em nossas mentes, vagando a respeito da considera&#231;&#227;o destas coisas terrenas e corrupt&#237;veis (que vemos presentemente com nossos olhos e sentimos com nossas m&#227;os) procurando Cristo corporalmente presente nelas, como se Ele estivesse inclu&#237;do no p&#227;o e no vinho, ou ainda se estes elementos mudaram ou se tornaram na subst&#226;ncia de Sua carne e sangue? Porque a &#250;nico caminho para dispuser nossas almas para receber refrig&#233;rio e avivamento de sua subst&#226;ncia &#233; elevar nossas mentes pela F&#233; sobre todas as coisas terrenas e sens&#237;veis, e assim entrando no c&#233;u que n&#243;s poderemos encontrar e receber a Cristo? onde Ele qual &#233; induBitavelmente verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, na incompreens&#237;vel gl&#243;ria de Seu Pai, a quem seja todo louvor, honra e gl&#243;ria agora e sempre. Am&#233;m&#8221; . </p><p></p><p></p><p>Refer&#234;ncias:</p><ul><li><p><em>Presumptive Regeneration, or, the Baptismal Regeneration of Elect Infants</em>.</p></li><li><p>Assembleia de Westminster </p></li><li><p>CFW e Catecismo</p></li><li><p>Pequeno livro de ordem para a congrega&#231;&#227;o Inglesa em Genebra -John  Knox </p></li><li><p>Esdras Ferreira <a href="/__u/sedulitas.substack.com/">Nosferatu&#8217;s </a></p></li></ul>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Davenant sobre a morte de Cristo: remédio universal e graça especial.]]></title><description><![CDATA[Respondendo &#224;s Obje&#231;&#245;es com Fundamentos B&#237;blicos]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/john-davenant-e-as-respostas-as-objecoes</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/john-davenant-e-as-respostas-as-objecoes</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Thu, 03 Apr 2025 02:02:32 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQer!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Feb3a4130-7461-47e0-a5d1-56c61123c59a_454x612.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>            </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQer!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Feb3a4130-7461-47e0-a5d1-56c61123c59a_454x612.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQer!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Feb3a4130-7461-47e0-a5d1-56c61123c59a_454x612.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQer!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_848, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Feb3a4130-7461-47e0-a5d1-56c61123c59a_454x612.jpeg 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQer!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_1272, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Feb3a4130-7461-47e0-a5d1-56c61123c59a_454x612.jpeg 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQer!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_1456, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Feb3a4130-7461-47e0-a5d1-56c61123c59a_454x612.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQer!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Feb3a4130-7461-47e0-a5d1-56c61123c59a_454x612.jpeg" width="372" height="501.4625550660793" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/eb3a4130-7461-47e0-a5d1-56c61123c59a_454x612.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:612,&quot;width&quot;:454,&quot;resizeWidth&quot;:372,&quot;bytes&quot;:61845,&quot;alt&quot;:&quot;  John Davenant foi Bispo de Salisbury de 1621 at&#233; a sua morte em 1641&quot;,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/jpeg&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:&quot;https://luciamacedo.substack.com/i/160468115?img=https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Feb3a4130-7461-47e0-a5d1-56c61123c59a_454x612.jpeg&quot;,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="  John Davenant foi Bispo de Salisbury de 1621 at&#233; a sua morte em 1641" title="  John Davenant foi Bispo de Salisbury de 1621 at&#233; a sua morte em 1641" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQer!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_auto, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Feb3a4130-7461-47e0-a5d1-56c61123c59a_454x612.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQer!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_848, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_auto, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Feb3a4130-7461-47e0-a5d1-56c61123c59a_454x612.jpeg 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQer!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_1272, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_auto, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Feb3a4130-7461-47e0-a5d1-56c61123c59a_454x612.jpeg 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bQer!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_1456, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_auto, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Feb3a4130-7461-47e0-a5d1-56c61123c59a_454x612.jpeg 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a><figcaption class="image-caption">  John Davenant foi Bispo de Salisbury de 1621 at&#233; a sua morte em 1641</figcaption></figure></div><p>   </p><p>Antes leia: <a href="/__u/substack.com/home/post/p-159836290?source=queue">Universalismo Hipot&#233;tico e Justifica&#231;&#227;o: Davenant entre Condicionalidade e Soberania</a></p><p><strong>Sobre a Origem da Controv&#233;rsia:</strong></p><p><strong>Parte I</strong></p><p>Davenant inicia: &#8220;&#201; verdadeiramente lament&#225;vel e muito deplor&#225;vel que, seja por infort&#250;nio ou doen&#231;a deste nosso s&#233;culo, os mist&#233;rios da nossa religi&#227;o, que foram promulgados para a paz e o consolo das almas, quase sempre se transformem em mera mat&#233;ria de disputa e combate. Quem poderia imaginar que a morte de Cristo, destinada a selar a paz e eliminar inimizades, como diz o Ap&#243;stolo em Ef&#233;sios 2:14-17 e Colossenses 1:20-21, pudesse gerar tantas controv&#233;rsias? Isso parece ocorrer pela curiosidade inata dos homens, que est&#227;o mais preocupados em analisar os conselhos ocultos de Deus do que em abra&#231;ar os benef&#237;cios publicamente oferecidos. Assim, ao debater excessivamente por quem Cristo morreu e por quem n&#227;o morreu, pouco se pensa em aplicar a morte de Cristo &#224;s nossas almas para a salva&#231;&#227;o, por meio de uma f&#233; verdadeira e viva&#8221;.</p><p>&#8220;Meu objetivo ao tratar deste assunto &#233; seguir um caminho que componha as disputas, em vez de gerar mais conflitos. Como &#233; consenso entre aqueles que estendem a morte de Cristo a todos os indiv&#237;duos que ela &#233;, quanto &#224; sua percep&#231;&#227;o frut&#237;fera , aplicada a certas pessoas espec&#237;ficas, e como aqueles que a restringem aos eleitos admitem que ela beneficiaria a todos os chamados - e at&#233; todos os homens, se cressem -, ambas as partes parecem reconhecer uma dupla considera&#231;&#227;o da morte de Cristo: como causa universal da salva&#231;&#227;o, aplic&#225;vel a todos se cressem, e como causa especial da salva&#231;&#227;o, eficazmente aplicada &#224;queles que creem. Se eu tratar da morte de Cristo sob essa dupla perspectiva, talvez se torne evidente que, em muitos pontos de controv&#233;rsia, <strong>h&#225; mais diferen&#231;as de linguagem do que de doutrina&#8221;.</strong></p><p>&#8220;Portanto, reduzirei o tema a teses breves e claras: primeiro, exporei aquelas relacionadas &#224; morte de Cristo como causa universal da salva&#231;&#227;o aplic&#225;vel a todos; depois, acrescentarei teses sobre a morte de Cristo como causa especial da salva&#231;&#227;o, eficazmente aplicada a alguns ou infalivelmente destinada a ser no tempo devido<strong>. N&#227;o busco combate, mas uma explica&#231;&#227;o clara e pac&#237;fica, evitando confronto a menos que algum advers&#225;rio se apresente de tal modo que s&#243; possamos abrir caminho &#224; verdade lutando&#8221;</strong></p><p><strong>Sobre a Morte de Cristo como a Causa Universal da Salva&#231;&#227;o, Aplic&#225;vel a Todos os Homens</strong></p><p>&#8220;Entramos agora no nosso tema e, em primeiro lugar, propomos considerar a morte de Cristo como ela &#233; geralmente apresentada nas Sagradas Escrituras e deve ser vista por n&#243;s: <strong>como um rem&#233;dio universal designado por Deus e aplic&#225;vel &#224; salva&#231;&#227;o de toda a ra&#231;a humana. Depois, passaremos ao outro ponto em disputa sobre a morte de Cristo e consideraremos at&#233; que ponto ela pode ser vista como um rem&#233;dio particular</strong>, pelo decreto especial de Deus, a ser aplicada de forma eficaz e infal&#237;vel &#224; salva&#231;&#227;o de pessoas espec&#237;ficas. Se conseguirmos esclarecer esses dois pontos, isso ajudar&#225; tanto a remover as dificuldades que envolvem a controv&#233;rsia sobre a morte de Cristo quanto a apaziguar o fervor dos te&#243;logos que se engajaram calorosamente em discuss&#245;es pol&#234;micas&#8221;.</p><p>&#8220;A morte de Cristo &#233; apresentada nas Sagradas Escrituras como um rem&#233;dio universal, pela ordenan&#231;a de Deus e pela natureza da pr&#243;pria coisa, aplic&#225;vel &#224; salva&#231;&#227;o de todos e cada indiv&#237;duo da humanidade.&#8221; Essa proposi&#231;&#227;o deve ser primeiro explicada, depois confirmada por testemunhos e argumentos, e, por fim, defendida contra as obje&#231;&#245;es levantadas contra ela&#8221;.</p><p>&#8220;Quanto &#224; explica&#231;&#227;o dos termos, quando falamos da morte de Cristo, entendemos por ela toda a obedi&#234;ncia de Cristo, tanto ativa quanto passiva, cujo &#225;pice e &#250;ltimo ato foi realizado em sua morte; por isso, os te&#243;logos costumam, por sin&#233;doque, atribuir &#224; sua morte o que se refere &#224; sua obedi&#234;ncia inteira. Assim, tudo o que Cristo fez e sofreu, do ber&#231;o &#224; cruz, todo o trabalho merit&#243;rio e satisfat&#243;rio do Redentor, inclu&#237;mos em nossa proposi&#231;&#227;o como ligado e conectado &#224; sua morte. O Ap&#243;stolo, em Romanos 5:19, faz da obedi&#234;ncia de Cristo, considerada universalmente, a causa da salva&#231;&#227;o do homem: &#8220;Pela obedi&#234;ncia de um s&#243;, muitos ser&#227;o feitos justos.&#8221; E em Filipenses 2:7-8, quando se diz que &#8220;Ele se humilhou e se fez obediente at&#233; a morte, e morte de cruz,&#8221; o Ap&#243;stolo n&#227;o exclui do m&#233;rito qualquer parte da obedi&#234;ncia anterior de Cristo, mas a considera inclu&#237;da, ensinando que essa obedi&#234;ncia merit&#243;ria come&#231;ou quando Ele tomou a forma de servo e foi consumada quando se ofereceu na cruz. Sob a palavra &#8220;morte,&#8221; ent&#227;o, entendemos aquele tesouro infinito de m&#233;ritos que o Mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo, adquiriu e armazenou para nosso benef&#237;cio por meio de suas a&#231;&#245;es e sofrimentos&#8221;.</p><p>&#8220;Al&#233;m disso, quando dizemos que essa morte ou esse m&#233;rito &#233; apresentada nas Escrituras como a causa universal da salva&#231;&#227;o, queremos dizer que, segundo a vontade de Deus revelada em sua palavra, esse rem&#233;dio &#233; proposto indiscriminadamente a cada indiv&#237;duo da ra&#231;a humana para a salva&#231;&#227;o, mas que ele n&#227;o pode beneficiar ningu&#233;m salvificamente <strong>sem uma aplica&#231;&#227;o especial</strong>. Pois uma causa universal de salva&#231;&#227;o, ou um rem&#233;dio universal, inclui duas coisas: primeiro, que em si mesma ela pode curar e salvar todos e cada indiv&#237;duo; segundo que, para produzir esse efeito em cada indiv&#237;duo, <strong>ela requer uma aplica&#231;&#227;o espec&#237;fica&#8221;</strong>.</p><p>&#8220;<strong>Mas &#233; necess&#225;rio que uma causa universal seja aplicada particularmente a cada indiv&#237;duo para que seu efeito pr&#243;prio seja experimentado.</strong>&#8221;</p><p>&#8220;Al&#233;m disso, o que afirmamos em nossa proposi&#231;&#227;o - que essa causa universal de salva&#231;&#227;o &#233; aplic&#225;vel a todos e cada indiv&#237;duo da humanidade -exclui imediatamente os anjos ap&#243;statas, aos quais (seja qual for o pensamento sobre o valor intr&#237;nseco e a sufici&#234;ncia desse rem&#233;dio), segundo a vontade revelada de Deus, sua universalidade n&#227;o se estende. Nem mesmo em rela&#231;&#227;o aos homens ela pode ser estendida t&#227;o universalmente a ponto de ser aplic&#225;vel a todos em qualquer estado e circunst&#226;ncia. Pois ela n&#227;o &#233; aplic&#225;vel aos mortos ou aos condenados, mas aos vivos; nem aos vivos em qualquer condi&#231;&#227;o, mas sob <strong>as condi&#231;&#245;es ordenadas por Deus</strong>. <strong>A morte de Cristo n&#227;o era aplic&#225;vel a Pedro para a salva&#231;&#227;o se Pedro tivesse persistido em negar Cristo at&#233; o fim. E a mesma morte de Cristo era capaz de ser aplicada a Judas, se Judas tivesse se arrependido e crido em Cristo.</strong> Por isso, n&#227;o dissemos apenas que ela &#233; aplic&#225;vel a todos e cada indiv&#237;duo da humanidade, mas adicionamos <strong>&#8220;pela ordenan&#231;a de Deus e pela natureza da coisa.&#8221;</strong> Pois h&#225; <strong>no Evangelho </strong>uma certa ordenan&#231;a de Deus segundo a qual a morte de Cristo &#233; aplic&#225;vel a todo homem vivo, o que n&#227;o pode ser verdadeiramente dito de dem&#244;nios ou <strong>dos condenados&#8221;</strong>.</p><p>&#8220;Se for objetado que ela n&#227;o &#233; aplic&#225;vel a algu&#233;m que permane&#231;a na impenit&#234;ncia e incredulidade, deve-se lembrar que a n&#227;o aplica&#231;&#227;o nesses casos <strong>n&#227;o surge da limita&#231;&#227;o do rem&#233;dio</strong>, mas porque o &#250;nico modo de aplica&#231;&#227;o designado por Deus &#233; obstinadamente rejeitado e teimosamente recusado at&#233; o fim. Al&#233;m disso, observe-se que n&#227;o afirmamos que a morte de Cristo, no momento de sua realiza&#231;&#227;o, foi realmente aplicada a todos e cada indiv&#237;duo da humanidade, nem que ap&#243;s sua oferta ela devesse ser infalivelmente aplicada, mas que, <strong>segundo a designa&#231;&#227;o de Deus</strong>, ela &#233; aplic&#225;vel a todos. <strong>Pois Deus ordenou que ela fosse aplic&#225;vel a cada indiv&#237;duo por meio da f&#233;</strong>, mas Ele n&#227;o determinou dar essa f&#233; a cada indiv&#237;duo, pela qual ela pudesse ser infalivelmente aplicada. Porque Ele d&#225; esse meio de aplica&#231;&#227;o a alguns e n&#227;o a outros n&#227;o deve ser investigado, pois n&#227;o pode ser resolvido; deve ser referido &#224; vontade secreta de Deus. Isso pode ser suficiente para a explica&#231;&#227;o de nossa proposi&#231;&#227;o; passemos agora &#224; prova dela&#8221;.</p><p><strong>&#8220;Aqui deve ser mostrado, n&#227;o pela raz&#227;o ou imagina&#231;&#227;o humana, mas pelas Sagradas Escrituras, que a morte de Cristo, segundo a vontade de Deus, &#233; um rem&#233;dio universal, pela designa&#231;&#227;o divina e pela natureza da pr&#243;pria coisa, aplic&#225;vel &#224; salva&#231;&#227;o de todos e cada indiv&#237;duo da humanidade. De muitos testemunhos, selecionarei alguns poucos:&#8221;</strong></p><p>O principal &#233; Jo&#227;o 3:16, &#8220;Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unig&#234;nito, para que todo aquele que nele cr&#234; n&#227;o pere&#231;a, mas tenha a vida eterna.&#8221;</p><div><hr></div><p><strong>Observa&#231;&#227;o: N&#227;o coloquei todo o texto para n&#227;o ficar ainda mais longo e por falta de tempo.</strong></p><p><strong>Agora vou incluir algumas respostas do Bispo Davenant para v&#225;rias perguntas dos senhores (as). </strong></p><p><strong>Obje&#231;&#227;o: A Intercess&#227;o Limitada de Cristo</strong></p><p>Os advers&#225;rios argumentam: &#8220;Se Cristo morreu por todos, ent&#227;o sua intercess&#227;o, que &#233; parte de seu of&#237;cio sacerdotal, tamb&#233;m deveria ser por todos. Mas a Escritura diz que Cristo intercede apenas pelos eleitos, como em Jo&#227;o 17:9, &#8216;N&#227;o rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste&#8217;; logo, Ele n&#227;o morreu por todos.&#8221;</p><p><strong>Bispo Davenant Responde:</strong></p><blockquote><p>&#8220;Eles dizem: &#8216;Se Cristo morreu por todos, ent&#227;o sua intercess&#227;o, que &#233; parte de seu of&#237;cio sacerdotal, tamb&#233;m deveria ser por todos. Mas a Escritura diz que Cristo intercede apenas pelos eleitos, como em Jo&#227;o 17:9, &#8220;N&#227;o rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste&#8221;; logo, Ele n&#227;o morreu por todos.&#8217;&#8221;</p><p>&#8220;Essa <strong>obje&#231;&#227;o falha</strong> <strong>por n&#227;o distinguir entre os diferentes aspectos da obra de Cristo.</strong> A morte de Cristo como sacrif&#237;cio &#233; um ato distinto de sua intercess&#227;o como Sumo Sacerdote.&#8221;</p><p>&#8220;Na cruz, Cristo ofereceu-se como pre&#231;o suficiente por todos os homens, conforme 1 Jo&#227;o 2:2, &#8216;Ele &#233; a propicia&#231;&#227;o pelos nossos pecados, e n&#227;o apenas pelos nossos, mas tamb&#233;m pelos pecados de todo o mundo.&#8217;&#8221;</p><p> &#8220;J&#225; sua intercess&#227;o &#233; um <strong>ato especial</strong> pelo qual <strong>Ele aplica os benef&#237;cios de sua morte aos eleitos, garantindo sua salva&#231;&#227;o. Assim, a universalidade do sacrif&#237;cio n&#227;o exige uma intercess&#227;o universal; a primeira &#233; suficiente para todos, enquanto a segunda &#233; eficaz para os eleitos</strong>.&#8221;</p><p>&#8220;Pode-se objetar que, se a morte de Cristo foi destinada a todos, sua intercess&#227;o deveria acompanhar esse prop&#243;sito universal. Mas isso confunde a sufici&#234;ncia da obla&#231;&#227;o com a aplica&#231;&#227;o de seus frutos. <strong>A Escritura distingue claramente esses of&#237;cios: o sacrif&#237;cio &#233; oferecido uma vez por todos</strong> (Hebreus 9:26), <strong>enquanto a intercess&#227;o &#233; cont&#237;nua pelos eleitos (Hebreus 7:25</strong>).&#8221;</p><p>&#8220;Cristo, <strong>como sacerdote, n&#227;o ora para que todos sejam salvos independentemente de sua f&#233;,</strong> mas para que aqueles que o Pai lhe deu sejam preservados na f&#233; e conduzidos &#224; gl&#243;ria. Isso n&#227;o nega a sufici&#234;ncia da morte para todos, mas afirma <strong>a inten&#231;&#227;o especial de Deus em aplic&#225;-la aos eleitos</strong>.&#8221;</p><p>&#8220;Se a intercess&#227;o fosse por todos sem distin&#231;&#227;o, segue-se que Cristo ora inutilmente pelos r&#233;probos, o que &#233; inconsistente com sua <strong>sabedoria divina</strong>.&#8221;</p></blockquote><div><hr></div><p><strong>Obje&#231;&#227;o: A Inefic&#225;cia ou Insinceridade de Deus</strong></p><p>&#8220;Eles dizem: &#8216;Se Cristo morreu por todos os homens de modo que sua morte &#233; uma causa universal de salva&#231;&#227;o aplic&#225;vel a todos, segue-se que Deus, ao oferecer Cristo como rem&#233;dio para todos, ou &#233; ineficaz em seu prop&#243;sito, ou age de maneira insincera, pois nem todos s&#227;o salvos. Mas Deus n&#227;o pode ser ineficaz nem insincero; logo, Cristo n&#227;o morreu por todos, mas apenas pelos eleitos.&#8217;&#8221;</p><p><strong>Bispo Davenant Responde:</strong></p><blockquote><p>&#8220;Essa obje&#231;&#227;o repousa sobre um equ&#237;voco quanto &#224; natureza da inten&#231;&#227;o divina e da aplica&#231;&#227;o da morte de Cristo. Pois n&#243;s afirmamos que a morte de Cristo &#233;, em si mesma, <strong>suficiente como pre&#231;o e rem&#233;dio</strong> para os pecados de todos os homens, e que Deus, por sua comum filantropia, ordenou que ela fosse proposta a todos como um meio de salva&#231;&#227;o sob a condi&#231;&#227;o de f&#233;.&#8221;</p><p>&#8220;Isso n&#227;o implica que Deus tenha uma inten&#231;&#227;o absoluta de salvar todos indiscriminadamente, independentemente de sua resposta, mas sim que Ele estabeleceu um rem&#233;dio universal, cuja efic&#225;cia depende da f&#233; dos homens, a qual &#233; um dom de sua gra&#231;a especial concedido aos eleitos.&#8221;</p><p> &#8220;Assim, Deus n&#227;o &#233; ineficaz, pois a morte de Cristo cumpre plenamente seu prop&#243;sito nos eleitos; <strong>nem &#233; insincero</strong>, pois oferece genuinamente a salva&#231;&#227;o a todos, ainda que muitos a rejeitem por sua pr&#243;pria culpa.&#8221;</p><p>&#8220;<strong>Como diz o Ap&#243;stolo em 1 Tim&#243;teo 4:10, &#8216;Ele &#233; o Salvador de todos os homens, especialmente dos fi&#233;is,&#8221; indicando uma sufici&#234;ncia universal e uma efic&#225;cia particular.&#8221;</strong></p></blockquote><div><hr></div><p><strong>Obje&#231;&#227;o: A Salva&#231;&#227;o Autom&#225;tica de Todos</strong></p><p>&#8220;Eles dizem: &#8216;Se Cristo morreu por todos, ent&#227;o todos os homens deveriam ser salvos, pois o pre&#231;o pago por Cristo &#233; infinito e suficiente para redimir todos os pecados. Mas nem todos s&#227;o salvos; logo, Cristo n&#227;o morreu por todos.&#8217;&#8221;</p><p><strong>Bispo Davenant Responde:</strong></p><blockquote><p>&#8220;<strong>Essa obje&#231;&#227;o confunde a sufici&#234;ncia intr&#237;nseca da morte de Cristo com sua aplica&#231;&#227;o eficaz.</strong> A morte de Cristo &#233;, de fato, infinita em valor e suficiente para redimir todos os pecados do mundo, <strong>mas sua efic&#225;cia est&#225; ligada &#224; condi&#231;&#227;o da f&#233;</strong>, <strong>conforme o pacto evang&#233;lico: &#8216;Quem crer ser&#225; salvo&#8217; (Marcos 16:16).&#8221;</strong></p><p> &#8220;N&#227;o segue, portanto, que todos devam ser salvos automaticamente, <strong>mas sim que todos podem ser salvos se crerem</strong>. A raz&#227;o pela qual nem todos s&#227;o salvos n&#227;o est&#225; na insufici&#234;ncia do pre&#231;o pago, mas na recusa dos homens em aceitar o rem&#233;dio oferecido, <strong>seja por incredulidade ou impenit&#234;ncia</strong>.&#8221;</p><p>&#8220;Assim, a universalidade da morte de Cristo refere-se &#224; sua <strong>ordena&#231;&#227;o e sufici&#234;ncia, n&#227;o &#224; sua aplica&#231;&#227;o universal sem condi&#231;&#227;o.</strong>&#8221;</p></blockquote><div><hr></div><p><strong>Obje&#231;&#227;o: A Morte de Cristo pelos R&#233;probos</strong></p><p>&#8220;Eles dizem: &#8216;Se Cristo morreu por todos, ent&#227;o tamb&#233;m morreu pelos r&#233;probos, isto &#233;, por aqueles que Deus, por seu decreto eterno, n&#227;o salvar&#225;. Mas isso &#233; absurdo, pois significaria que Cristo morreu por aqueles que nunca receber&#227;o o benef&#237;cio de sua morte, tornando seu sacrif&#237;cio em parte in&#250;til.&#8217;&#8221;</p><p><strong>Bispo Davenant Responde:</strong></p><blockquote><p>&#8220;N&#227;o &#233; absurdo afirmar que Cristo morreu pelos r&#233;probos no sentido de que sua morte foi ordenada como um rem&#233;dio suficiente e aplic&#225;vel a todos, incluindo eles, sob a condi&#231;&#227;o de f&#233;.&#8221;</p><p> &#8220;O fato de os r&#233;probos n&#227;o receberem o benef&#237;cio n&#227;o torna a morte de <strong>Cristo in&#250;til</strong>, mas reflete a justi&#231;a de Deus, que os deixa em sua pr&#243;pria culpa por rejeitarem o rem&#233;dio oferecido.&#8221;</p><p>&#8220;Como ensina Agostinho, &#8220;O c&#225;lice da imortalidade, preparado pela morte de Cristo, tem em si o poder de beneficiar a todos, mas, se n&#227;o for bebido, n&#227;o cura.&#8221; A inutilidade, portanto, n&#227;o est&#225; na morte de Cristo, mas na obstina&#231;&#227;o dos r&#233;probos, que, por sua pr&#243;pria vontade, n&#227;o participam da gra&#231;a oferecida.&#8221;</p><p>&#8220;A Escritura tamb&#233;m afirma em Jo&#227;o 3:17, &#8220;Deus n&#227;o enviou seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele,&#8221; mostrando que a <strong>inten&#231;&#227;o geral de Deus abrange todos, embora a aplica&#231;&#227;o eficaz seja reservada aos eleitos</strong>.&#8221;</p></blockquote><div><hr></div><p><strong>Obje&#231;&#227;o: A Contradi&#231;&#227;o na Vontade Divina</strong></p><p>&#8220;Eles dizem: &#8216;Se Cristo morreu por todos, ent&#227;o Deus teria uma dupla vontade contradit&#243;ria: uma pela qual deseja salvar todos pela morte de Cristo, e outra pela qual deseja salvar apenas os eleitos pelo decreto de predestina&#231;&#227;o. Isso &#233; incoerente com a simplicidade e unidade da vontade divina.&#8217;&#8221;</p><p><strong>Bispo Davenant Responde:</strong></p><blockquote><p>&#8220;N&#227;o h&#225; contradi&#231;&#227;o na vontade divina, mas sim uma distin&#231;&#227;o entre seus aspectos. Os te&#243;logos ortodoxos, como Tom&#225;s de Aquino, reconhecem uma vontade antecedente e uma vontade consequente em Deus.&#8221;</p><p>&#8220;Pela vontade antecedente, que procede de sua comum bondade, Deus deseja a salva&#231;&#227;o de todos os homens e ordenou a morte de Cristo como um rem&#233;dio suficiente para todos, conforme 1 Tim&#243;teo 2:4, &#8216;Que deseja que todos os homens sejam salvos.&#8217;&#8221;</p><p>&#8220;Pela vontade consequente, que considera a justi&#231;a e o decreto eterno, Ele aplica esse rem&#233;dio eficazmente apenas aos eleitos, conforme Romanos 9:18, &#8220;Ele tem miseric&#243;rdia de quem quer.&#8217;&#8221;</p><p>&#8220;Essas duas vontades n&#227;o se op&#245;em, mas operam em harmonia: a primeira estabelece a possibilidade de salva&#231;&#227;o para todos, a segunda assegura a certeza da salva&#231;&#227;o para os eleitos.&#8221;</p></blockquote><p></p><div><hr></div><p><strong>Parte II</strong></p><p><strong>Sobre a Morte de Cristo, na Medida em que se Refere Apenas aos Predestinados</strong></p><p>&#8220;Tendo examinado nos cap&#237;tulos anteriores as v&#225;rias quest&#245;es relacionadas &#224; morte de Cristo como um rem&#233;dio universal aplic&#225;vel a todos os homens sob a condi&#231;&#227;o de f&#233;, resta agora considerar a morte de Cristo sob outra perspectiva: como ela &#233; um rem&#233;dio especial ordenado por Deus para ser aplicado eficaz e infalivelmente &#224; salva&#231;&#227;o de certas pessoas espec&#237;ficas. Pois, assim como &#233; certo que a morte de Cristo, em rela&#231;&#227;o &#224; sua sufici&#234;ncia e &#224; designa&#231;&#227;o divina, &#233; um rem&#233;dio universal proposto a todos os homens sob a condi&#231;&#227;o de f&#233; - como demonstramos suficientemente -, tamb&#233;m &#233; igualmente certo que essa mesma morte de Cristo, em rela&#231;&#227;o &#224; inten&#231;&#227;o especial de Deus Pai e &#224; efic&#225;cia da aplica&#231;&#227;o, &#233; um rem&#233;dio especial destinado &#224; salva&#231;&#227;o infal&#237;vel dos eleitos&#8221;.</p><p>&#8220;Portanto, a tese que agora proponho e confirmo &#233; esta: &#8220;Cristo morreu pelos eleitos com uma inten&#231;&#227;o especial do Pai, para que, por meio da aplica&#231;&#227;o eficaz da morte de Cristo, eles fossem infalivelmente conduzidos &#224; vida eterna.&#8221; Isso n&#227;o contradiz o que foi dito antes sobre a morte de Cristo como um rem&#233;dio universal, mas o complementa e esclarece, mostrando que, enquanto a morte de Cristo &#233; s<strong>uficiente para todos e ordenada como aplic&#225;vel a todos sob a condi&#231;&#227;o de f&#233;</strong>, ela tamb&#233;m tem uma inten&#231;&#227;o especial e uma efic&#225;cia particular para os eleitos, garantindo sua salva&#231;&#227;o&#8221;.</p><p>&#8220;Para confirmar essa tese, apresentarei argumentos das Escrituras, da raz&#227;o e da autoridade dos antigos. Primeiro, das Escrituras: Jo&#227;o 10:15, &#8220;Eu dou a minha vida pelas ovelhas,&#8221; e Jo&#227;o 10:11, &#8220;O bom pastor d&#225; a sua vida pelas ovelhas.&#8221; Aqui, Cristo declara que sua morte foi destinada &#224;s suas ovelhas, ou seja, aos eleitos que o Pai lhe deu, como Ele mesmo explica em Jo&#227;o 10:29, <strong>&#8220;Meu Pai, que me deu &#233; maior do que todos</strong>.&#8221; Tamb&#233;m em Ef&#233;sios 5:25, &#8220;Cristo amou a Igreja e se entregou por ela,&#8221; mostrando que a morte de Cristo foi um ato de amor especial pela Igreja, que &#233; o corpo dos eleitos. Romanos 8:32-33 refor&#231;a isso: &#8220;Aquele que n&#227;o poupou seu pr&#243;prio Filho, mas o entregou por todos n&#243;s, como n&#227;o nos dar&#225; tamb&#233;m com Ele todas as coisas? Quem intentar&#225; acusa&#231;&#227;o contra os eleitos de Deus?&#8221; Aqui, &#8220;todos n&#243;s&#8221; refere-se aos eleitos, por quem Deus entregou seu Filho com a inten&#231;&#227;o de lhes conceder todas as b&#234;n&#231;&#227;os da salva&#231;&#227;o&#8221;.</p><p>&#8220;Da raz&#227;o, o argumento &#233; claro: se Deus, em seu decreto eterno, escolheu certas pessoas para a vida eterna antes da funda&#231;&#227;o do mundo, como diz Ef&#233;sios 1:4, e se a morte de Cristo &#233; o meio designado para realizar esse decreto, segue-se que Cristo morreu pelos eleitos <strong>com uma inten&#231;&#227;o especial de garantir sua salva&#231;&#227;o</strong>. Pois a predestina&#231;&#227;o de Deus n&#227;o pode falhar, e a morte de Cristo, como o meio principal dessa predestina&#231;&#227;o, deve ser eficaz para aqueles a quem foi destinada. <strong>Se a morte de Cristo n&#227;o tivesse essa inten&#231;&#227;o especial e efic&#225;cia infal&#237;vel para os eleitos, o decreto eterno de Deus seria incerto, o que &#233; absurdo&#8221;.</strong></p><p>&#8220;Dos antigos, Pr&#243;spero de Aquit&#226;nia, disc&#237;pulo de Agostinho, escreve: &#8220;O Salvador foi crucificado pela salva&#231;&#227;o daqueles que, <strong>pelo benef&#237;cio da gra&#231;a especial</strong>, foram predestinados &#224; vida.&#8221; E ainda: &#8220;A paix&#227;o de Cristo foi ordenada especialmente para a reden&#231;&#227;o dos eleitos, a quem Deus quis dar a f&#233; perseverante.&#8221; <strong>Isso est&#225; em harmonia com nossa tese, mostrando que a tradi&#231;&#227;o ortodoxa reconhece essa inten&#231;&#227;o especial&#8221;</strong>.</p><p>&#8220;Agora, explicarei mais detalhadamente o que significa dizer que <strong>Cristo morreu pelos eleitos com uma inten&#231;&#227;o especial</strong>. Primeiro, essa inten&#231;&#227;o n&#227;o exclui a sufici&#234;ncia universal da morte de Cristo para todos os homens, como j&#225; provamos. Pois a mesma morte que &#233; suficiente para todos foi destinada com uma efic&#225;cia especial aos eleitos. Segundo essa inten&#231;&#227;o especial n&#227;o significa que Cristo morreu apenas pelos eleitos no sentido de excluir a possibilidade de salva&#231;&#227;o para os outros, mas que Ele morreu pelos eleitos de modo a garantir infalivelmente seu benef&#237;cio. <strong>Terceiro, essa inten&#231;&#227;o especial inclui tanto a vontade do Pai, que entregou o Filho, quanto a vontade do pr&#243;prio Cristo, que se ofereceu pelos eleitos, como Ele diz em Jo&#227;o 17:19, &#8220;Por eles eu me santifico, para que tamb&#233;m eles sejam santificados na verdade.&#8221;</strong></p><p>&#8220;Essa efic&#225;cia infal&#237;vel da morte de Cristo para os eleitos &#233; vista na aplica&#231;&#227;o dos meios da salva&#231;&#227;o. Pois Deus, que ordenou a morte de Cristo como o pre&#231;o da reden&#231;&#227;o, <strong>tamb&#233;m ordenou que ela fosse aplicada aos eleitos por meio da f&#233;</strong>, da regenera&#231;&#227;o e da perseveran&#231;a, todas as quais s&#227;o dons da gra&#231;a especial. Assim, Cristo n&#227;o apenas morreu pelos eleitos, mas tamb&#233;m intercede por eles, como em Hebreus 7:25, &#8220;Ele pode salvar completamente aqueles que por Ele se achegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.&#8221; Essa intercess&#227;o assegura que os eleitos recebam os frutos de sua morte&#8221;.</p><p> <strong>&#8220;Contra isso, alguns podem objetar que, se Cristo morreu com uma inten&#231;&#227;o especial pelos eleitos, isso negaria a universalidade da reden&#231;&#227;o. Mas isso n&#227;o procede. Pois a universalidade da morte de Cristo refere-se &#224; sua sufici&#234;ncia e &#224; sua ordena&#231;&#227;o como um rem&#233;dio aplic&#225;vel a todos sob a condi&#231;&#227;o de f&#233;, enquanto a inten&#231;&#227;o especial refere-se &#224; sua efic&#225;cia para os eleitos. Como diz Tom&#225;s de Aquino: &#8220;A morte de Cristo &#233; suficiente para todos, mas eficaz para os eleitos.&#8221; N&#227;o h&#225; contradi&#231;&#227;o nisso, mas uma harmonia entre a sufici&#234;ncia geral e a efic&#225;cia particular&#8221;</strong>.</p><p>&#8220;Outro argumento das Escrituras &#233; Mateus 20:28<strong>, &#8220;</strong>O Filho do Homem veio para dar sua vida em resgate por muitos.&#8221; Aqui, &#8220;muitos&#8221; n&#227;o exclui a sufici&#234;ncia para todos, mas destaca a efic&#225;cia para os eleitos, como <strong>Calvino explica:</strong> &#8220;Por &#8216;muitos&#8217; entende-se aqueles que s&#227;o salvos pela f&#233;, ou seja, os eleitos.&#8221; Tamb&#233;m em Atos 20:28, &#8220;A Igreja de Deus, que Ele adquiriu com seu pr&#243;prio sangue,&#8221; mostra que a morte de Cristo foi um pre&#231;o pago especialmente pela Igreja, que &#233; o conjunto dos eleitos&#8221;.</p><p>&#8220;O sacrif&#237;cio de Cristo tinha a mesma virtude no Antigo Testamento, antes de sua realiza&#231;&#227;o externa, como tem no Novo Testamento, ap&#243;s ter sido oferecido na cruz. Pois, como diz <strong>Apocalipse 13:8, Cristo &#233; &#8220;o Cordeiro morto desde a funda&#231;&#227;o do mundo</strong>,&#8221; indicando que <strong>os eleitos de todos os tempos</strong> foram redimidos por sua morte. Assim, Abra&#227;o, Isaque e Jac&#243;, predestinados &#224; vida, foram salvos pelo mesmo m&#233;rito de Cristo que os crentes do Novo Testamento&#8221;.</p><p>&#8220;Por fim, concluo que a morte de Cristo tem uma dupla considera&#231;&#227;o: como um rem&#233;dio universal suficiente para todos os homens, <strong>ordenado por Deus para ser proposto a todos sob a condi&#231;&#227;o de f&#233; e como um rem&#233;dio especial eficaz para os eleitos</strong>, ordenado com uma inten&#231;&#227;o especial do Pai e do Filho para garantir sua salva&#231;&#227;o infal&#237;vel. Ambas as perspectivas s&#227;o verdadeiras e se harmonizam na sabedoria divina. Pois Deus, por amor especial, entregou seu Filho pelos eleitos, e por filantropia comum, enviou-o pelo mundo, como diz 1 Jo&#227;o 2:2, &#8220;Ele &#233; a propicia&#231;&#227;o pelos nossos pecados, e n&#227;o apenas pelos nossos, mas tamb&#233;m pelos pecados de todo o mundo.&#8221; Assim, a morte de Cristo &#233; suficiente para todos e eficaz para os eleitos, cumprindo perfeitamente o prop&#243;sito de Deus&#8221;.</p><p><strong>Bispo Davenant: &#8220;O sacrif&#237;cio de Cristo tinha a mesma virtude no Antigo Testamento, antes de sua realiza&#231;&#227;o (exibi&#231;&#227;o) externa,&#8221; citando Apocalipse 13:8.</strong></p><p>Soli Deo Gloria</p><div><hr></div><p></p><p>Refer&#234;ncias:</p><ul><li><p>Dissertation on the Death of Christ by John Davenant (1650)</p></li><li><p><strong>Sedulitas - Substack - </strong>Esdras Ferreira <a href="/__u/sedulitas.substack.com/">Nosferatu's Substack | Substack</a></p></li></ul>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[''Universalismo Hipotético'' e Justificação: Davenant entre Condicionalidade e Soberania.]]></title><description><![CDATA[A Justi&#231;a de Cristo, o Universalismo Hipot&#233;tico (UH) dentro do Pacto da Gra&#231;a e a natureza condicional do pacto.]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/universalismo-hipotetico-e-justificacao</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/universalismo-hipotetico-e-justificacao</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Tue, 25 Mar 2025 17:18:41 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3NZv!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa35ba2b-a97a-4b01-a6fb-dc83617b2910_454x612.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!3NZv!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa35ba2b-a97a-4b01-a6fb-dc83617b2910_454x612.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!3NZv!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa35ba2b-a97a-4b01-a6fb-dc83617b2910_454x612.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!3NZv!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_848, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa35ba2b-a97a-4b01-a6fb-dc83617b2910_454x612.jpeg 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!3NZv!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_1272, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa35ba2b-a97a-4b01-a6fb-dc83617b2910_454x612.jpeg 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!3NZv!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_1456, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa35ba2b-a97a-4b01-a6fb-dc83617b2910_454x612.jpeg 1456w" sizes="100vw"><img src="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!3NZv!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa35ba2b-a97a-4b01-a6fb-dc83617b2910_454x612.jpeg" width="402" height="541.9030837004406" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/fa35ba2b-a97a-4b01-a6fb-dc83617b2910_454x612.jpeg&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:612,&quot;width&quot;:454,&quot;resizeWidth&quot;:402,&quot;bytes&quot;:null,&quot;alt&quot;:&quot;English scholar and Bishop of Salisbury John Davenant , circa 1625. 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Ele define: &#8220;Aquilo pelo qual permanecemos, aos olhos de Deus, livres da condena&#231;&#227;o, inocentes e graciosamente aceitos para a vida eterna&#8221; (Justifica&#231;&#227;o, 211).</p><p>Contra Bellarmine, que via a gra&#231;a infundida como base, Davenant argumenta: &#8220;Nenhuma justi&#231;a, a n&#227;o ser a que &#233; perfeita, justifica diante de Deus; mas nossa justi&#231;a inerente n&#227;o &#233; tal&#8221; (217). A justi&#231;a de Cristo - sua obedi&#234;ncia ativa e passiva -&#233; imputada: &#8220;Deus considera todos os que creem e est&#227;o unidos em uma pessoa com Cristo como verdadeiramente participantes de sua justi&#231;a&#8221; (177).</p><p>Owen e sua imputa&#231;&#227;o restrita (sem a &#8220;condicionalidade&#8221; considerando uma nuance de l&#243;gica ) faz parecer que &#8220;O m&#233;rito [de Cristo] nos &#233; passado como se n&#243;s o tiv&#233;ssemos cumprido.&#8221; No entanto, a distin&#231;&#227;o se mant&#233;m: &#8220;N&#227;o cumprimos, mas recebemos os benef&#237;cios do cumprimento de Cristo como se tiv&#233;ssemos cumprido, por Cristo enquanto Redentor.&#8221;</p><p>Se a salva&#231;&#227;o fosse aplicada &#8220;automaticamente&#8221;, sem qualquer condi&#231;&#227;o, n&#227;o teria distin&#231;&#227;o real entre os eleitos e os r&#233;probos al&#233;m de um decreto oculto. Mas Davenant insiste em que Deus estabelece um pacto que exige condi&#231;&#245;es, e assim tudo se conecta: <strong>A Justi&#231;a de Cristo (imputa&#231;&#227;o), o Universalismo Hipot&#233;tico (UH) dentro do Pacto da Gra&#231;a (universal em oferta, eficaz apenas para os eleitos) e a natureza condicional do pacto.</strong></p><p><strong>O Pacto da Gra&#231;a e Suas Condi&#231;&#245;es</strong></p><p>O Pacto da Gra&#231;a &#233; universal em oferta e condicional em aplica&#231;&#227;o: &#8220;A promessa de vida eterna de acordo com a alian&#231;a evang&#233;lica depende da condi&#231;&#227;o da f&#233;&#8221; (De Morte Christi, Lynch, 137). Ele escreve: &#8220;Deus promete a todo ser humano que, se acreditarem, ser&#227;o salvos&#8221; (Lynch, 138).</p><p>As boas obras t&#234;m uma rela&#231;&#227;o com a salva&#231;&#227;o &#8220;como cursos intermedi&#225;rios, ou caminhos, pelos quais avan&#231;amos em dire&#231;&#227;o ao objetivo da vida eterna, conforme o des&#237;gnio de Deus&#8221; (Cap. XXXII, 307). Nos eleitos, Deus assegura essas condi&#231;&#245;es: &#8220;Foi decretado por Deus, por causa da morte de seu Filho, dar f&#233; a algumas pessoas&#8221; (Lynch, 145).</p><p>Somos justificados na medida em que cumprimos <strong>as condi&#231;&#245;es </strong>da gra&#231;a (f&#233;, arrependimento, obedi&#234;ncia). &#8220;Se voc&#234; n&#227;o preenche as condi&#231;&#245;es do Pacto da Gra&#231;a, seus pecados n&#227;o s&#227;o perdoados nem legalmente nem evangelicamente.&#8221; Nos eleitos, &#8220;Deus efetiva o ato de f&#233;. &#192; medida que cumprimos o Pacto da Gra&#231;a, recebemos a justi&#231;a evang&#233;lica. E a justi&#231;a legal nos &#233; conferida automaticamente, pois Cristo j&#225; cumpriu as exig&#234;ncias da lei. Deus infalivelmente assegura o cumprimento da condi&#231;&#227;o da criatura no Pacto da Gra&#231;a, e, nesse sentido, nenhum dos eleitos se perde.&#8221;</p><p>O car&#225;ter condicional do pacto reflete sua natureza bilateral, exigindo f&#233; e obedi&#234;ncia. Contudo, nos eleitos, Deus garante o cumprimento, o que se alinha ao universalismo hipot&#233;tico (UH): uma oferta ampla, eficaz apenas para alguns.</p><p><strong>Pecado e Justifica&#231;&#227;o</strong></p><p>Davenant reconhece a gravidade diferencial dos pecados dentro do pacto condicional. O pecado permanece no regenerado: &#8220;Embora a culpa do pecado original seja removida, o cont&#225;gio dele n&#227;o &#233; completamente extirpado de sua natureza&#8221; (just, 25), exigindo &#8220;perd&#227;o di&#225;rio&#8221; (230).</p><p>Pecados graves, como a rejei&#231;&#227;o persistente da f&#233; (ex: Judas), violam o pacto evang&#233;lico (Lynch, 138). Entretanto, nos eleitos, Deus restaura: &#8220;N&#227;o negamos que aqueles que caem em pecado possam ser renovados pela penit&#234;ncia&#8221; (Cap. XXXII, 308).</p><p>Se ca&#237;mos em pecado grave, ele destr&#243;i o ato de f&#233;. Se n&#227;o houver uma culpa conden&#225;vel real, a pessoa poderia agir como quisesse, o que levaria ao antinomismo. H&#225; pecados que trazem a suscetibilidade &#224; condena&#231;&#227;o - esses s&#227;o os pecados graves -, ao contr&#225;rio dos pecados &#8220;menores&#8221;, cometidos sem plena consci&#234;ncia ou por instinto.</p><p>Davenant v&#234; os pecados graves comprometendo o pacto se n&#227;o houver restaura&#231;&#227;o, mas, nos eleitos, a gra&#231;a prevalece, evitando o antinomismo.</p><p><strong>Aten&#231;&#227;o: O sufr&#225;gio colegiado das igrejas reformadas da inglaterra afirmava culpa conden&#225;vel. Esse sufr&#225;gio foi anexado ao s&#237;nodo de Dort ( </strong>Informa&#231;&#227;o dispon&#237;vel nos c&#226;nones<strong>). </strong></p><p><strong>Justi&#231;a Legal e Justi&#231;a Evang&#233;lica: Evitando o Antinomismo</strong></p><p>A justi&#231;a legal &#233; a obedi&#234;ncia imputada de Cristo: &#8220;Somos completos nEle&#8221; (Colossenses 2:10, Exposition, 426).</p><p>A justi&#231;a evang&#233;lica (f&#233; viva e obras) &#233; &#8220;imperfeita e incipiente&#8221;, sendo parte da santifica&#231;&#227;o: &#8220;Somos novas criaturas, n&#227;o de nossa justifica&#231;&#227;o conveniente, mas da santifica&#231;&#227;o&#8221; </p><p><strong>Davenant explica: </strong>&#8220;N&#227;o negamos totalmente a efic&#225;cia das obras em rela&#231;&#227;o &#224; salva&#231;&#227;o, mas a efic&#225;cia merit&#243;ria, ou a efic&#225;cia propriamente entendida assim: isto &#233;, aquela que alcan&#231;a ou produz o pr&#243;prio efeito da salva&#231;&#227;o.Por&#233;m, a efic&#225;cia tomada em sentido amplo - isto &#233;, como realizar algo que precede o efeito da salva&#231;&#227;o - admitimos de bom grado que proceda das boas obras.Pois as boas obras conduzem ao progresso no caminho da salva&#231;&#227;o, consequ&#234;ncia que &#233; anterior &#224; pr&#243;pria salva&#231;&#227;o, embora n&#227;o seja a causa merit&#243;ria ou eficiente dela.E nesse sentido, aquele que pratica boas obras &#233; dito &#8220;operar a sua salva&#231;&#227;o&#8221;, n&#227;o por efetuar a sua salva&#231;&#227;o pela virtude inerente ou m&#233;rito de suas obras, mas por avan&#231;ar rumo &#224; salva&#231;&#227;o pelo caminho das boas obras.&#8221;(Cap. XXXII, 308). </p><p><em>Bellarmine diz: &#8220;Se a f&#233; sozinha salvasse, e as obras n&#227;o fossem necess&#225;rias, exceto no modo de presen&#231;a, como sinais da f&#233;, seguir-se-ia que a f&#233; poderia salvar mesmo que fosse deficiente de toda boa obra, e estivesse aliada a todos os tipos de pecado. Pois se as obras n&#227;o s&#227;o, estritamente falando, exigidas no ato da salva&#231;&#227;o; todas as boas obras sendo postas de lado, a f&#233; salvaria. Pois assim como o fogo, porque aquece apenas pelo calor, se todas as outras qualidades fossem separadas do fogo, sem d&#250;vida ainda aqueceria; assim o crist&#227;o, porque apreende a salva&#231;&#227;o apenas pela f&#233;, poderia ser salvo, permanecendo a f&#233;, embora ele n&#227;o tivesse adquirido boas qualidades, e tivesse muitas ruins.&#8221;  Davenant - Responde: Nesta argumenta&#231;&#227;o h&#225; quase tantos erros quanto palavras. Primeiro, Bellarmine erra ao supor que seja nossa opini&#227;o que a f&#233; sozinha salva. Dizemos, de fato, que &#233; of&#237;cio da f&#233; sozinha apreender e aplicar a n&#243;s a causa merit&#243;ria da salva&#231;&#227;o; mas que, para sermos levados &#224; posse da salva&#231;&#227;o, consideramos que muitas outras coisas s&#227;o necess&#225;rias. Segundo, ele nos acusa falsamente tamb&#233;m de afirmar que as boas obras n&#227;o s&#227;o necess&#225;rias sen&#227;o sob o car&#225;ter de um sinal, para anunciar a presen&#231;a da f&#233;; como um arbusto pendurado n&#227;o &#233; necess&#225;rio a uma taberna sen&#227;o como sinal, a saber, para indicar aos viajantes que ali h&#225; vinho. Mas abominamos tais devaneios com toda a nossa alma, e afirmamos abertamente que as boas obras t&#234;m, em refer&#234;ncia &#224; salva&#231;&#227;o, uma necessidade pr&#243;pria, n&#227;o apenas significativa, mas ativa; porque (como j&#225; mostramos mais de uma vez) por meio da pr&#225;tica das boas obras estamos avan&#231;ando e progredindo rumo ao reino dos c&#233;us. Terceiro, se eu estivesse disposto a conceder ao nosso advers&#225;rio que, segundo a doutrina de nossos te&#243;logos, a f&#233; sozinha salva, e que as obras n&#227;o s&#227;o necess&#225;rias sen&#227;o no modo de presen&#231;a; ainda assim, essa infer&#234;ncia de Bellarmine n&#227;o se seguiria: &#8220;A f&#233;, portanto, poderia salvar embora estivesse vazia de toda boa obra, e aliada a todos os pecados; por exemplo, com &#243;dio a Deus, com um prop&#243;sito fixo de adult&#233;rio, e similares.&#8221; Essa infer&#234;ncia n&#227;o se sustenta, pois, embora uma fonte de a&#231;&#227;o possa existir, n&#227;o necessitando da ajuda de nada mais para produzir certos efeitos, ela n&#227;o pode existir sozinha &#224; parte dos efeitos que ela mesma produziu; e, consequentemente, se n&#227;o existirem sinais de opera&#231;&#227;o, n&#227;o houve poder em exerc&#237;cio real, pois efetuar pressup&#245;e existir. Por exemplo: se os olhos sozinhos percebem cores, e o pesco&#231;o, o peito, os bra&#231;os, o ventre e os p&#233;s n&#227;o s&#227;o necess&#225;rios a essa opera&#231;&#227;o, exceto por meio de presen&#231;a; ainda assim, seria errado inferir da&#237;: &#8220;Os olhos sozinhos, portanto, poder&#227;o ver, embora uma pessoa esteja privada de pesco&#231;o, peito, bra&#231;os, ventre, p&#233;s e todos os outros membros humanos.&#8221; Pois, embora os olhos possam ver, sem a concorr&#234;ncia desses membros no of&#237;cio e ato de ver, esses membros sendo removidos, quanto &#224; veracidade de sua exist&#234;ncia, os olhos n&#227;o permanecer&#227;o olhos (a menos por um equ&#237;voco). O mesmo afirmamos a respeito da efic&#225;cia da f&#233;, e de sua exist&#234;ncia &#224; parte de todas as boas obras. Ela pode apreender a salva&#231;&#227;o sem que elas concorram no pr&#243;prio ato de apreend&#234;-la; mas n&#227;o pode, se elas forem separadas quanto &#224; sua exist&#234;ncia; pois por tal separa&#231;&#227;o a pr&#243;pria f&#233; ser&#225; destru&#237;da. Mas consideremos a met&#225;fora, pela qual o pr&#243;prio Bellarmine ilustrou seu caso. Ele diz: &#8220;Assim como, porque o fogo aquece apenas pelo calor, tamb&#233;m aqueceria indubitavelmente, se todas as outras qualidades fossem removidas do fogo; assim o crist&#227;o, porque apreende a salva&#231;&#227;o apenas pela f&#233;, poderia ser salvo enquanto sua f&#233; continuasse, embora ele n&#227;o possu&#237;sse boas obras, e pudesse ter muitas ruins, suponha &#243;dio a Deus e ao pr&#243;ximo, desejo de fornicar, roubar, blasf&#234;mia, etc.&#8221; Respondo: Embora o fogo efetue calor apenas por seu pr&#243;prio calor, se voc&#234; tirar dele a transpar&#234;ncia e a leveza, e adicionar opacidade e peso, ele n&#227;o ser&#225; mais capaz de aquecer; porque essas qualidades sendo removidas, ele n&#227;o ret&#233;m mais a ess&#234;ncia do fogo. Da mesma forma, embora a f&#233; sozinha apreenda a salva&#231;&#227;o, se voc&#234; tirar do regenerado o amor, e as outras gra&#231;as infundidas, e lhe imputar &#243;dio a Deus e aos homens, e um desejo de adult&#233;rio e blasf&#234;mia, a efic&#225;cia da f&#233; &#233; imediatamente extinta, porque a pr&#243;pria mat&#233;ria do sujeito &#233; mudada e destru&#237;da; pois as qualidades n&#227;o podem efetuar nada a menos que tenham algum fundamento sobre o qual operar. Por fim, avancemos ao argumento de Bellarmine, pelo qual ele se esfor&#231;a para mostrar que essa hip&#243;tese sua n&#227;o era uma impossibilidade. E aqui ele afirma que lhe &#233; suficiente, se a f&#233; puder ao menos ser imaginada como sendo sem boas obras, ou puder ser separada delas apenas em pensamento. N&#227;o, isso n&#227;o ser&#225; de forma alguma suficiente. Pois h&#225; muitas coisas que o intelecto pode, sem erro, considerar separadamente, que ele n&#227;o pode, sem erro manifesto, pensar como realmente separadas. Concedemos, portanto, que a f&#233; pode ser mentalmente vista separadamente das boas obras, isto &#233;, sozinha e sem obras cooperando no of&#237;cio de justificar, ou de apreender Cristo; mas negamos que ela possa ou deva ser entendida como uma coisa separada, isto &#233;, sozinha, e destitu&#237;da de todas as outras gra&#231;as e boas obras, e ainda por cima acompanhada de todas as m&#225;s obras no sujeito justificado. Por fim, Bellarmine argumenta que todas as boas obras podem ser separadas da f&#233; verdadeira e viva, porque as obras t&#234;m a mesma rela&#231;&#227;o com a f&#233; que o fruto tem para a &#225;rvore, ou o efeito para sua causa; mas uma &#225;rvore pode ser considerada sem fruto, e uma causa sem efeito; portanto, a f&#233; tamb&#233;m sem obras. Respondo: A quest&#227;o aqui n&#227;o &#233; sobre o ato separado de entend&#234;-la, mas de seu existir. O intelecto pode conceber obras, e n&#227;o f&#233;, ou o contr&#225;rio; mas nunca pode pensar verdadeiramente, nem determinar consigo mesmo que a verdadeira f&#233; justificadora est&#225; em ato e realidade separada de todas as boas obras. Nem &#233; este argumento de Bellarmine de algum peso. Pois frutos pr&#243;prios e genu&#237;nos n&#227;o podem ser considerados &#224; parte de uma &#225;rvore viva, nem frutos opostos e contr&#225;rios podem sequer ser imaginados sobre ela. Pois, embora a produ&#231;&#227;o de uvas n&#227;o fa&#231;a uma videira, ainda assim, n&#227;o pode ser uma videira viva aquela que deixou de produzir uvas e agora produz espinhos. Pois, como produzir efeitos implica exist&#234;ncia, assim produzir efeitos de um certo modo implica um modo correspondente de exist&#234;ncia. Onde, ent&#227;o, a opera&#231;&#227;o pr&#243;pria &#233; vista como extinta, e o contr&#225;rio surge claramente, ali a pr&#243;pria natureza tamb&#233;m &#233; entendida como mudada para uma de descri&#231;&#227;o contr&#225;ria. Acrescente-se a isso que as boas obras s&#227;o o fruto do mesmo Esp&#237;rito, do qual a pr&#243;pria f&#233; tamb&#233;m &#233; fruto. Portanto, enquanto a f&#233; permanece, o Esp&#237;rito da f&#233; permanece; mas o Esp&#237;rito permanecendo e habitando, as obras n&#227;o apenas da f&#233;, mas tamb&#233;m das outras gra&#231;as (que s&#227;o frutos do mesmo Esp&#237;rito) seguir&#227;o. Da&#237; que essa proposi&#231;&#227;o condicional de Bellarmine seja v&#227; e falsa: &#8220;Se a f&#233; sozinha salvasse, ela operaria como uma coisa realmente separada de todas as boas obras, e realmente unida a todas as m&#225;s.&#8221; A conclus&#227;o tamb&#233;m &#233; inv&#225;lida: &#8220;Se tal f&#233; n&#227;o salva, portanto as obras s&#227;o necess&#225;rias pela necessidade de efici&#234;ncia.&#8221; Pois elas s&#227;o necess&#225;rias como o caminho para o reino, n&#227;o como as causas de reinar. E aqui encerraremos a quest&#227;o da necessidade das boas obras; o que respeita &#224; verdade ou realidade delas ser&#225; o pr&#243;ximo ponto para nossa considera&#231;&#227;o (Just, 308)&#8221;.</em></p><p><strong>Davenant: &#8220;</strong><em>Mas alguns objetar&#227;o que, se Deus decretou absolutamente a salva&#231;&#227;o de alguns, e n&#227;o de outros, ent&#227;o a pr&#243;pria f&#233; &#233; necess&#225;ria apenas como uma consequ&#234;ncia deste decreto, e n&#227;o como uma condi&#231;&#227;o exigida do homem. A isto eu respondo: Afirmamos que a f&#233; n&#227;o &#233; uma mera consequ&#234;ncia, ou uma coisa meramente passiva, fluindo do decreto de Deus sem respeito &#224; natureza da vontade do homem; mas &#233; o pr&#243;prio meio apontado por Deus, pelo qual a salva&#231;&#227;o comprada por Cristo &#233; aplicada aos eleitos. Pois, embora Deus tenha decretado dar f&#233; a alguns, e n&#227;o a todos, ainda assim esta f&#233; n&#227;o &#233; operada neles como em troncos ou pedras, mas como em criaturas racionais, que pela audi&#231;&#227;o da Palavra e pela opera&#231;&#227;o do Esp&#237;rito, voluntariamente creem, e assim se apoderam da promessa da vida eterna. Assim, o Ap&#243;stolo diz: 'A f&#233; vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus' (Rm 10:17); o que mostra que a f&#233; n&#227;o &#233; uma coisa morta ou ociosa, mas um instrumento ativo, pelo qual apreendemos Cristo e sua retid&#227;o. Nem isso diminui a soberania de Deus, pois Aquele que ordena o fim, ordena tamb&#233;m os meios; e assim como Ele decretou a salva&#231;&#227;o dos eleitos, assim Ele decretou que eles a alcan&#231;ar&#227;o pela f&#233;, que Ele opera neles de acordo com Seu bom prazer. <strong>Aqui est&#225; o erro daqueles que fariam da f&#233; um ato sup&#233;rfluo, ou um mero sinal de elei&#231;&#227;o</strong>, <strong>em vez da condi&#231;&#227;o da alian&#231;a, sem a qual nenhum homem ver&#225; a vida. </strong>Aqui, ele destaca que a f&#233; &#233; um instrumento ativo, essencial ao cumprimento do Pacto da Gra&#231;a, e n&#227;o um mero sinal da elei&#231;&#227;o (Animadversions,1:4.20.2 -<a href="https://quod.lib.umich.edu/e/eebo2/A81961.0001.001/1:4.20.2?rgn=div3;view=fulltext#backDLPS527">leitura do livro foi via web</a> -clique ai )&#8221;</em></p><p>Continua&#8230; &#8220;<em>E aqui podemos lembrar as palavras daquele erudito te&#243;logo, Filipe Melanchthon, que diz em seu Loci Communes: 'A f&#233; n&#227;o &#233; um mero conhecimento de hist&#243;rias, nem uma v&#227; persuas&#227;o de nossa pr&#243;pria justi&#231;a, mas uma firme confian&#231;a na miseric&#243;rdia de Deus prometida por amor a Cristo, pela qual apreendemos o perd&#227;o dos pecados e somos justificados diante de Deus.' Isto concorda bem com nossa afirma&#231;&#227;o de que a f&#233; &#233; a m&#227;o pela qual nos apegamos a Cristo, e n&#227;o uma obra pela qual merecemos a salva&#231;&#227;o. Pois, como Melanchthon corretamente ensina, n&#227;o &#233; o m&#233;rito de nossa cren&#231;a, mas o m&#233;rito dAquele em quem cremos, que nos torna aceit&#225;veis &#8203;&#8203;a Deus. Assim, embora o decreto da elei&#231;&#227;o seja absoluto no prop&#243;sito de Deus, ainda assim, na execu&#231;&#227;o dele, a f&#233; &#233; necess&#225;ria como condi&#231;&#227;o do pacto; f&#233; essa que o pr&#243;prio Deus opera nos eleitos, para que eles possam abra&#231;ar de bom grado a promessa da vida eterna. Aqui vemos que a soberania de Deus e o dever do homem n&#227;o est&#227;o em desacordo, mas docemente unidos, pois os meios e o fim s&#227;o ambos de Sua designa&#231;&#227;o</em>&#8221;.</p><p><strong>O pacto absoluto</strong> entre Deus e Cristo garante a salva&#231;&#227;o dos eleitos: &#8220;Foi decretado por Deus, por causa da morte de seu Filho, dar f&#233; a algumas pessoas&#8221; (Lynch, 145).</p><p>Os reprovados t&#234;m uma f&#233; tempor&#225;ria insuficiente: &#8220;<strong>Judas poderia ter sido salvo se cresse</strong>&#8221; (Lynch, 138). </p><p>&#8220;Embora interrompidas por quedas frequentes, supondo que o sujeito retorne ao caminho pela penit&#234;ncia, ele alcan&#231;ar&#225; no final a salva&#231;&#227;o eterna&#8221; (Cap. XXXII, 308).</p><p>Assim, nenhum dos eleitos se perde, pois Deus age soberanamente no pacto.</p><p>Universalismo Hipot&#233;tico (UH), que entendo que condiz com o nome de uma Justifica&#231;&#227;o Ordenada, onde a morte de Cristo &#233; suficiente para todos: &#8220;Deus deseja vida para todos na medida em que a morte de Cristo foi a fonte da vida para cada pessoa&#8221; (De Morte Christi, Lynch, 138).</p><p>O pacto da gra&#231;a &#233; universal, mas sua efic&#225;cia se limita aos eleitos. <strong>Todas as criaturas podem fazer parte desse pacto da gra&#231;a, mas h&#225; condi&#231;&#245;es.</strong></p><p><strong>A justifica&#231;&#227;o leva ao UH porque Deus cumpre as condi&#231;&#245;es na reden&#231;&#227;o e no pacto. Assim, o UH de Davenant sustenta a oferta ampla do Pacto da Gra&#231;a, mas sua efic&#225;cia &#233; garantida apenas nos eleitos.</strong></p><p>O modelo de justifica&#231;&#227;o de Davenant (e dos ingleses, em geral) integra:</p><ul><li><p><strong>Justi&#231;a de Cristo (imputa&#231;&#227;o);</strong></p></li><li><p><strong>&#8220;Universalismo Hipot&#233;tico (UH)&#8221; dentro do Pacto da Gra&#231;a (universal em oferta, eficaz apenas para os eleitos);</strong></p></li><li><p><strong> Natureza CONDICIONAL do pacto (pecados graves violam o pacto, mas Deus restaura os eleitos &#8212; (Just, 230; Cap. XXXII, 308).</strong></p></li></ul><p>Isso se diferencia da posi&#231;&#227;o de Owen, que apresenta um modelo mais direto e estritamente limitado &#224; imputa&#231;&#227;o, como mencionado no in&#237;cio. A diferen&#231;a entre os modelos de Davenant e Owen se resume &#224; rela&#231;&#227;o entre a justi&#231;a imputada de Cristo e a aplica&#231;&#227;o do Pacto da Gra&#231;a. Owen tende a enfatizar uma imputa&#231;&#227;o direta e limitada apenas aos eleitos, enquanto Davenant, com seu modelo condicional dentro do Universalismo Hipot&#233;tico, equilibra a sufici&#234;ncia da expia&#231;&#227;o para todos com a aplica&#231;&#227;o eficaz nos eleitos. Isso torna o modelo condicional de Davenant mais justo, pois mant&#233;m a oferta da gra&#231;a a todos como algo genu&#237;no e real (n&#227;o apenas metaf&#237;sico), sem negar a soberania divina na salva&#231;&#227;o dos eleitos. </p><p><strong>Est&#227;o conectados: A Justi&#231;a de Cristo, o Universalismo Hipot&#233;tico (UH) dentro do Pacto da Gra&#231;a e a natureza condicional do pacto.</strong></p><p>Soli DEO Gloria </p><p></p><p>Refer&#234;ncias:</p><ul><li><p><strong>A Treatise on Justification - </strong>John Davenant</p></li><li><p><strong>Animadversions upon a treatise intitled, Gods love to mankind -</strong>John Davenant</p></li><li><p><strong>John Davenant's Hypothetical Universalism </strong>-Michael J. Lynch</p></li><li><p><strong>Sedulitas - Substack - </strong>Esdras Ferreira <a href="/__u/sedulitas.substack.com/">Nosferatu's Substack | Substack</a></p></li></ul>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Catedral Evangélica de São Paulo: 160 Anos de Fé, História e Missão. ]]></title><description><![CDATA[1&#170; IPISP]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/a-catedral-evangelica-de-sao-paulo</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/a-catedral-evangelica-de-sao-paulo</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Mon, 10 Mar 2025 02:35:05 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!YEU-!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fffe2ac11-5034-4b73-9880-e0657a195065_707x1059.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 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Hist&#243;ria:  </h2><p></p><p>Como membra da Catedral Evang&#233;lica de S&#227;o Paulo, da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de S&#227;o Paulo (1&#170; IPISP), frequentemente me perguntam: &#8220;Por que a IPIB e a IPB se separaram?&#8221; ou &#8220;Quais as diferen&#231;as entre elas hoje?&#8221;. Antes de mergulhar na rica hist&#243;ria dos nossos 160 anos, aqui est&#227;o as respostas em palavras-chave:  </p><p><strong>Separa&#231;&#227;o em 1903: </strong>Ma&#231;onaria (IPIB rejeitou desde o in&#237;cio, IPB anos depois e reafirmou com maior &#234;nfase em 2006 e 2011), Autonomia Nacional (IPIB quis independ&#234;ncia das miss&#245;es americanas, IPB manteve la&#231;os), Educa&#231;&#227;o (IPIB priorizou escolas paroquiais s&#243; para filhos de crentes, IPB desejava col&#233;gios grandes para filhos de crentes e tamb&#233;m de n&#227;o crentes, inspirada nos americanos para evangelizar). S&#237;nodo de 1903 (ruptura decisiva liderada pelo Rev. Eduardo Carlos Pereira).  </p><p>Entre 1898 e 1899, Nicolau Soares do Couto Esher publicou em O Estandarte artigos contra a ma&#231;onaria, apontando incompatibilidades com a f&#233; crist&#227;. Em 1899, ma&#231;ons como Tiago Lombardi deixaram a Primeira Igreja e fundaram a Igreja da Filad&#233;lfia, que se uniu &#224; Segunda Igreja em 1900, formando a Igreja Presbiteriana Unida. O S&#237;nodo de 1900 permitiu a participa&#231;&#227;o de crentes na ma&#231;onaria, mas, em 1901, o Rev. Eduardo Carlos Pereira publicou A Ma&#231;onaria e a Igreja Crist&#227;. Em 1902, sua &#8220;Plataforma&#8221; declarou que a ma&#231;onaria &#233; incompat&#237;vel com o evangelho, exigindo autonomia e uma educa&#231;&#227;o pr&#243;pria. Ap&#243;s debates sobre ma&#231;onaria e educa&#231;&#227;o, o Rev. Eduardo e os nacionalistas tentaram reverter a toler&#226;ncia &#224; ma&#231;onaria, mas falharam. Em 31 de julho de 1903, abandonaram o conc&#237;lio. Vicente Themudo Lessa descreve:</p><ul><li><p>"<em>Tomou o chap&#233;u, desceu da tribuna e atravessou o recinto no meio do rumor que se erguia. L&#225;grimas corriam pela face de muitos. Era a hora tremenda das prova&#231;&#245;es. Outros membros da minoria o foram acompanhando. [...] Quando ia saindo o grupo do templo do Largo dos Guaianazes, bradou algu&#233;m: &#8216;&#192; Primeira Igreja!&#8217; &#8211; e perto das 11 horas da noite abriram-se as portas do templo da Rua 24 de Maio para acolher os que se vinham reunir ali em hora t&#227;o adiantada. Era como se fosse um culto de vig&#237;lia. Passava de meia-noite quando foi regressando cada um ao seu lar. Foi uma hora de emo&#231;&#227;o. L&#225;grimas deslizaram pelas faces. Subiam expressivas ora&#231;&#245;es. Entoavam-se hinos ao Senhor, alguns dos quais foram sempre repetidos naquelas primeiras reuni&#245;es. Um deles, Chuvas de B&#234;n&#231;&#227;os. Outro Cantai a Cristo, o Salvador. Um Pend&#227;o Real foi o mais celebrado e converteu-se em marselhesa do novo ramo presbiteriano. Pela Coroa Real do Salvador &#8211; era o brado de guerra. Ora&#231;&#245;es, hinos e breves discursos naquela noite. De joelhos em terra, pediam luzes para as jornadas seguintes (1)</em>."  </p></li></ul><p>Esse dia marcou a funda&#231;&#227;o da IPIB, com a Primeira Igreja como ber&#231;o, rejeitando a ma&#231;onaria desde o in&#237;cio. A Igreja Presbiteriana Unida, formada em 1900 por dissidentes favor&#225;veis &#224; ma&#231;onaria e aos mission&#225;rios americanos, permaneceu alinhada &#224; IPB ap&#243;s a ruptura. A IPB manteve a toler&#226;ncia &#224; ma&#231;onaria at&#233; 2011, quando finalmente declarou sua incompatibilidade com a f&#233; crist&#227;, alinhando-se tardiamente &#224; posi&#231;&#227;o da IPIB.</p><p><strong>Diferen&#231;as Hoje:  </strong>A Ma&#231;onaria (IPIB rejeita desde 1903, IPB desde 2011), Ordena&#231;&#227;o de Pastoras (IPIB aceita oficialmente, mas nem todos concordam, IPB n&#227;o aceita ), Pedocomunh&#227;o (IPIB pratica seguindo a tradi&#231;&#227;o da Igreja primitiva, ou seja, <strong>n&#227;o tem </strong>liga&#231;&#227;o com o entendimento da vis&#227;o federal, IPB n&#227;o pratica), Diaconisas (IPIB reconhece desde 1938, sendo a  In&#225;cia Maria Barbosa como a primeira Diaconisa em 1938, IPB n&#227;o reconhece), Batismo (IPIB n&#227;o rebatiza cat&#243;licos romanos, seguindo os reformadores e alta ortodoxia, IPB n&#227;o aceita o batismo cat&#243;lico e rebatiza, entendendo como o primeiro batismo), Liturgia (IPIB segue calend&#225;rio lit&#250;rgico, IPB n&#227;o).</p><p><strong>Trabalhando Juntos Hoje: </strong>Miss&#227;o Evang&#233;lica Caiu&#225;  - A servi&#231;o do &#237;ndio para a gl&#243;ria de Deus (IPIB e IPB). </p><p>IPIB e IPB seguem a Confiss&#227;o de F&#233; de Westminster  https://ipib.org.br/downloads/</p><h3><strong>Agora, com essas quest&#245;es esclarecidas, convido voc&#234; a conhecer a hist&#243;ria da Catedral, que celebra 160 anos em 2025 como um farol da f&#233; reformada e da miss&#227;o crist&#227;.</strong></h3><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!hrXB!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2590a5fc-dcdb-412b-bf75-eb25e7a5bd74_901x592.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!hrXB!, 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Ashbel Green Simonton, que, aos 26 anos, embarcou no navio Banshee em 18 de junho de 1859, deixando a Pensilv&#226;nia rumo ao Brasil. Formado em Princeton e inspirado pelo Grande Despertamento, chegou ao Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, trazendo os ideais de liberdade religiosa a um pa&#237;s cat&#243;lico e mon&#225;rquico. Encontrou uma cidade de 250 mil habitantes em 1849, metade escravizada, em pleno crescimento pelo caf&#233;, com ruas movimentadas por carro&#231;as e liteiras, mas marcada por morros insalubres e epidemias.</p><p>Em 24 de julho de 1860, o Rev. Alexander Latimer Blackford, cunhado de Simonton, refor&#231;ou essa miss&#227;o. Juntos, viajaram pelas prov&#237;ncias do Rio, Minas e S&#227;o Paulo, pregando em um contexto onde o protestantismo era restrito pela Constitui&#231;&#227;o de 1824 a locais sem apar&#234;ncia de templo. Em 12 de janeiro de<strong> 1862</strong>, fundaram a Igreja Presbiteriana do Brasil no Rio de Janeiro. Em S&#227;o Paulo, Blackford lan&#231;ou as bases da nossa hist&#243;ria em outubro de <strong>1863</strong>, celebrando a primeira Santa Ceia em 29 de maio de 1864 em sua casa na Rua Nova de S&#227;o Jos&#233;. Em 5 de mar&#231;o de 1865, seis paulistanos &#8211; Manoel Fernandes Lopes Braga, Miguel Gon&#231;alves Torres, Ant&#244;nio Trajano, Jos&#233; Maria Barbosa da Silva, Ana Luiza Barbosa da Silva e Ol&#237;mpia Maria da Silva &#8211; foram recebidos por profiss&#227;o de f&#233;, marcando o nascimento da Primeira Igreja Presbiteriana de S&#227;o Paulo.</p><p><strong>1865: O Ano-Chave e o Crescimento</strong></p><p>Esse ano foi decisivo. <strong>Blackford e Jos&#233; Manoel da Concei&#231;&#227;o, ex-padre convertido</strong>, organizaram a Igreja de Brotas em 13 de novembro, a primeira do interior. Em 16 de dezembro, na sede da Primeira Igreja, criaram o Presbit&#233;rio do Rio de Janeiro, unindo Rio, S&#227;o Paulo e Brotas. No dia seguinte, Concei&#231;&#227;o tornou-se o primeiro pastor brasileiro ordenado. S&#227;o Paulo, com 32 mil habitantes em 1870, explodia como entreposto do caf&#233;, impulsionada pela Esta&#231;&#227;o da Luz (1867) e pela expans&#227;o ferrovi&#225;ria &#8211; de 139 km em 1870 a 2.425 km em 1890. A igreja atraiu desde aristocratas at&#233; ex-escravos, como In&#225;cia Maria Barbosa, recebida em 1878, que influenciou a convers&#227;o da fam&#237;lia Souza Barros.</p><p><strong>1884: O Templo da Rua 24 de Maio</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!lAfz!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa5e89c14-8301-4179-a891-9e97f20221d7_834x665.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!lAfz!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, 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A Primeira Igreja come&#231;ou em resid&#234;ncias e na Escola Americana, na Rua S&#227;o Jo&#227;o. Em 1881, aproveitando o clima republicano, adquiriu um terreno na Rua 24 de Maio, onde, em 6 de janeiro de 1884, consagrou seu primeiro templo, a &#8220;Casa de Ora&#231;&#227;o Para Todos os Povos&#8221;. Ali, por 57 anos, foi o epicentro do presbiterianismo brasileiro.</p><p><strong>A Catedral Neog&#243;tica: Tradi&#231;&#227;o e Liturgia</strong></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!JkUS!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F878d4c69-ff37-43ba-b16d-54057c4b3074_615x830.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!JkUS!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F878d4c69-ff37-43ba-b16d-54057c4b3074_615x830.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!JkUS!, 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Em 5 de mar&#231;o de 1944, a igreja passou a ocupar um sal&#227;o na Rua Nestor Pestana, e, em 25 de janeiro de 1949, lan&#231;ou a pedra fundamental da Catedral Evang&#233;lica, projetada por Bruno Sim&#245;es Magro em estilo neog&#243;tico. Consagrada em 25 de janeiro de 1955, suas ogivas, vitrais e planta em cruz simbolizam uma f&#233; elevada. O &#243;rg&#227;o de tubos, instalado nos anos 1980, e hinos como Um Pend&#227;o Real refor&#231;am sua liturgia cl&#225;ssica, que segue o calend&#225;rio lit&#250;rgico, estruturando o culto ao longo do ano com celebra&#231;&#245;es como Advento, Natal, Quaresma e P&#225;scoa. Com o crescimento pentecostal, muitos buscaram na Catedral a sobriedade reformada, especialmente nos cultos matutinos.</p><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!7Q5g!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F82324d24-2635-4052-80d4-d3d49d7c3896_758x826.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!7Q5g!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F82324d24-2635-4052-80d4-d3d49d7c3896_758x826.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!7Q5g!, 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hist&#243;rica da 1&#170; Catedral Evang&#233;lica de S&#227;o Paulo, pe&#231;o desculpas pela demora em trazer a Parte II. Eu havia prometido que viria logo, e isso acabou n&#227;o acontecendo. A vida, &#224;s vezes, nos desafia, mas c&#225; estamos!</p><p>Hoje, trago como destaque uma parte importante do nosso culto cl&#225;ssico-hist&#243;rico: a tradi&#231;&#227;o dos paramentos pastorais. Vamos l&#225;?</p><h2>Parte II &#8211; A Tradi&#231;&#227;o dos Paramentos Pastorais: de onde vem?</h2><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!qvq5!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe74b2c42-eda4-4fc8-a6b9-59b782af693f_673x450.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!qvq5!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe74b2c42-eda4-4fc8-a6b9-59b782af693f_673x450.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!qvq5!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_848, 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N&#227;o, conforme um velho ditado. Quando nasceu, o prov&#233;rbio tinha sentido contr&#225;rio ao atual. Naqueles tempos, dizia-se que &#8220;o h&#225;bito n&#227;o faz o monge&#8221;. Significava que as pessoas n&#227;o devem ser julgadas s&#243; pela apar&#234;ncia, mas tamb&#233;m por seus atos e condutas. Entretanto o escritor cearense Jos&#233; de Alencar afirmava que sim. Ele escreveu no folhetim &#8220;Ao correr da pena&#8221;, em 1854: &#8220;Hoje, apesar do rif&#227;o antigo, todo o mundo entende que o h&#225;bito faz o monge. Vista algu&#233;m uma cal&#231;a velha e uma casaca de cotovelos ro&#237;dos. Embora seja o homem mais relacionado do Rio, passar&#225; inc&#243;gnito e invis&#237;vel&#8221;</p><p>Assim como um m&#233;dico usa roupas brancas, um policial usa farda, uma aeromo&#231;a usa uniforme ou um juiz usa a toga no tribunal, <strong>os paramentos pastorais significam que os pastores est&#227;o desempenhando o trabalho para o qual foram chamados por Deus, ou seja, proclamar sua Palavra.</strong> Ao contr&#225;rio do que se possa supor, togas, t&#250;nicas ou becas pastorais n&#227;o t&#234;m origem na igreja cat&#243;lica romana, <strong>mas na igreja primitiva</strong>. Os pastores reformados adotaram esse antigo h&#225;bito de usar vestes sacerdotais durante o culto, mas de um modo distinto dos padres cat&#243;licos romanos. A diferen&#231;a n&#227;o estava apenas na forma, mas tamb&#233;m no conceito. Ao inv&#233;s da toga simples usada no p&#250;lpito protestante,os padres cat&#243;licos romanos passaram a usar vestes requintadas e imponentes. Essa ostenta&#231;&#227;o levava &#224; ideia de que o padre estava acima da congrega&#231;&#227;o e era um ser superior aos fi&#233;is, e n&#227;o algu&#233;m designado e capacitado por Deus para o servi&#231;o de proclamar a Palavra e oficiar os sacramentos. Apesar de muitas pessoas acharem estranho pastor protestante usar toga (beca ou t&#250;nica), trata-se de costume com respaldo hist&#243;rico e importante significado simb&#243;lico, al&#233;m de impedir que as pessoas se distraiam ao ficarem reparando nos trajes pessoais do ministro.</p><p> <strong>Na Catedral Evang&#233;lica de S&#227;o Paulo,</strong> os pastores usam a toga branca, e o corte &#233; no <strong>estilo de Genebra</strong>. Mas nem sempre foi assim. At&#233; o in&#237;cio da d&#233;cada de 1990, as togas eram pretas, como a toga genebrina. O Rev. Abival Pires da Silveira, pastor titular na &#233;poca, resolveu troc&#225;-las por brancas devido ao clima de S&#227;o Paulo, principalmente no ver&#227;o. Em volta do pesco&#231;o, os pastores usam uma estola colorida de acordo com o calend&#225;rio lit&#250;rgico: branca, verde, roxa e vermelha (veja abaixo -Est&#225;tua de JOHN KNOX em frente &#224; Catedral de Edinburgo, na Esc&#243;cia ). Os bordados nas estolas s&#227;o seis: o cajado ladeado pelo alfa e o &#244;mega (o trio sozinho e sobre a B&#237;blia), a sar&#231;a ardente, a triquetra, a pomba e o monograma de Cristo ( veja abaixo).</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!1RuI!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F421324af-97a3-4899-bcf1-8a7d1099f011_634x759.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!1RuI!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F421324af-97a3-4899-bcf1-8a7d1099f011_634x759.png 424w, 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Voc&#234; tamb&#233;m deve ter se perguntado qual o prop&#243;sito dela, e se &#233; realmente necess&#225;ria. Talvez voc&#234; tenha crescido em uma igreja onde o pastor nunca a usasse. Talvez ele apenas usasse terno ou at&#233; mesmo roupas informais. Nesse caso, a toga deve parecer um pouco estranha para voc&#234;. Pode parecer um pouco cat&#243;lica ou muito &#8220;eclesi&#225;stica&#8221; para o seu gosto. Por outro lado, voc&#234; pode ter crescido em uma igreja reformada ou luterana na qual o pastor geralmente usava uma &#8220;roupa de p&#250;lpito&#8221;, e portanto a pr&#225;tica n&#227;o &#233; surpresa nem choque para voc&#234;. Qualquer que seja sua experi&#234;ncia e prefer&#234;ncia pessoal, &#233; importante abordar o assunto do traje do pastor tanto quanto qualquer outra pr&#225;tica de adora&#231;&#227;o e perguntar: Qual &#233; o prop&#243;sito disso? Nossa mera familiaridade ou n&#227;o familiaridade com uma pr&#225;tica espec&#237;fica n&#227;o a torna certa ou errada. Devemos determinar se a pr&#225;tica &#233; b&#237;blica ou n&#227;o, e se facilita, ao inv&#233;s de dificultar, a pr&#225;tica da adora&#231;&#227;o a Deus com rever&#234;ncia e temor. Assim, deixe-me destacar quatro argumentos em favor da toga.</p><p><strong>1. A TOGA ENFATIZA A FUN&#199;&#195;O, N&#195;O A PESSOA</strong></p><p>O ministro da Palavra &#233; designado para uma fun&#231;&#227;o espec&#237;fica (Ef 4.8-14; 1 Tim 5.17; 2 Tim 4.1-5; Hb 13.17). Sua principal responsabilidade &#233; levar a Palavra de Deus e ministrar os sacramentos ao rebanho de Cristo. <strong>Ele &#233;, portanto, um emiss&#225;rio e embaixador nomeado por Cristo para o evangelho. Quando o povo de Deus se re&#250;ne para o culto, o pastor est&#225; exercendo sua fun&#231;&#227;o mais oficial</strong>. Quando o pastor sobe ao p&#250;lpito, ele est&#225; atuando no papel prof&#233;tico de levar os meios de gra&#231;a ao povo de Deus. <strong>Foi assim que Deus escolheu agir e realizar Sua obra de santificar Seu povo, por meio da prega&#231;&#227;o do evangelho e da ministra&#231;&#227;o dos sacramentos</strong>. A toga nos lembra isso. Remete nossa aten&#231;&#227;o n&#227;o ao homem, sua personalidade, seu gosto pessoal para roupas; nos faz focar no of&#237;cio que Cristo &#8211; n&#227;o o homem &#8211; designou. Isso nos lembra que Deus est&#225; agindo e realizando sua obra atrav&#233;s do culto. Assim como um juiz usa toga no tribunal como lembrete &#224;s pessoas de sua fun&#231;&#227;o e de que ele &#233; um porta-voz designado para a justi&#231;a, <strong>tamb&#233;m o pastor usa a toga como um lembrete de que, no culto, ele est&#225; agindo como porta-voz de Deus.</strong> Ele abre as Escrituras e parte o P&#227;o da Vida para o povo de Deus. <em>O Rev. Jeff Myers, pastor da Igreja Presbiteriana Reformada de Providence (PCA), em St. Louis, Missouri, deixa bem claro esse argumento em seu artigo &#8220;Por Que o Pastor Usa Toga?&#8221;, em Defesa do Uso do Manto Ministerial no Culto P&#250;blico: Quando o pastor lidera a congrega&#231;&#227;o em ora&#231;&#227;o diante de Deus, ele representa Cristo liderando a igreja em ora&#231;&#227;o diante do Pai. Quando ele l&#234; e prega a Palavra, ele simboliza Cristo, o Esposo, falando &#224; sua noiva. A toga n&#227;o tem como objetivo coloc&#225;-lo acima da congrega&#231;&#227;o, mas sim destac&#225;-lo por seu of&#237;cio de pastor durante o culto.</em> Da mesma forma, o <em>Rev. Daniel Hyde, pastor da Igreja Reformada Oceanside United, diz no livro &#8220;O Que Esperar Quando Voc&#234; Adora Conosco&#8221;: A toga pode parecer estranha, especialmente se voc&#234; est&#225; acostumado a &#8220;conhecer o homem&#8221; que est&#225; l&#225; no p&#250;lpito. H&#225; tempo e lugar para o pastor conhecer seu povo de maneira informal, social e &#237;ntima, mas o momento para isso n&#227;o &#233; quando ele est&#225; no p&#250;lpito. L&#225;, o pastor &#233; o seu ministro, que serve ao Senhor alimentando as almas com alimento espiritual.</em></p><p><strong>2. A TOGA &#201; UMA PR&#193;TICA PROTESTANTE, N&#195;O CAT&#211;LICA ROMANA</strong> </p><p>Ao contr&#225;rio do que muitos sup&#245;em, as togas <strong>n&#227;o</strong> se originaram na igreja cat&#243;lica romana; antes, eram usadas por pastores da igreja primitiva e depois, novamente por pastores protestantes, desde a &#233;poca da Reforma at&#233; hoje. Tais vestes eram diferentes, no entanto, daquelas dos padres cat&#243;licos romanos. Somente quando Roma adotou e come&#231;ou a ensinar uma vis&#227;o antib&#237;blica do sacerd&#243;cio foi que certos abusos surgiram com as vestimentas sacerdotais. Ao inv&#233;s de uma toga simples usada no p&#250;lpito, os padres cat&#243;licos romanos come&#231;aram a usar roupas muito elaboradas e ornamentadas com s&#237;mbolos complexos, conhecidos como paramentos. Isso veio da difus&#227;o do conceito de que o sacerdote estava acima da congrega&#231;&#227;o, e n&#227;o apenas era pregador da Palavra e oficiante dos sacramentos. Durante a Reforma Protestante do s&#233;culo XVI, os Reformadores procuraram corrigir essa vis&#227;o n&#227;o-b&#237;blica do sacerd&#243;cio. Eles argumentavam pelas Escrituras, pregando, ensinando e escrevendo que o pastor &#233; um servo da igreja divinamente designado, n&#227;o um indiv&#237;duo exaltado com um status espiritual mais elevado do que o dos leigos. <strong>Sua autoridade na igreja &#233; ministerial, n&#227;o magisterial</strong>. Assim, os reformadores procuraram acabar com os paramentos e passaram a usar somente togas pretas e simples quando pregavam, mais tarde conhecidas como &#8220;togas genebrinas&#8221;. Escrevendo em 1524 em nome dos ministros protestantes em Estrasburgo, o grande reformador <strong>Martin Bucer</strong> explicou a mudan&#231;a dessa maneira: <em>Em nossas igrejas, eliminamos e abolimos completamente tudo o que n&#227;o tem fundamento nas Escrituras e que foi adicionado &#224; Ceia do Senhor sem nenhuma justificativa nElas, e, portanto, tem sido um insulto e uma cal&#250;nia a Cristo e &#224;s miseric&#243;rdias divinas... O sacerdote e servo da congrega&#231;&#227;o n&#227;o usa uma vestimenta especial, apenas o que chamamos de toga de coro, e nenhum dos paramentos sacrificiais, tais como a alva, a estola, a casula etc.</em></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AQ82!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd8bbff37-bcc5-4eab-ba38-aa3242e50def_193x324.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AQ82!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fd8bbff37-bcc5-4eab-ba38-aa3242e50def_193x324.png 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Abival Pires da Silveira com toga genebrina preta em sua posse como pastor titular da Catedral, <strong>em 1973.</strong> </figcaption></figure></div><p>Mas os reformadores protestantes &#8220;n&#227;o descartaram o beb&#234; junto com a &#225;gua do banho.&#8221; Eles nunca considerariam aceit&#225;vel que um ministro usasse suas roupas de sair ou trajes da moda enquanto conduzia o culto. <strong>A import&#226;ncia da toga para o p&#250;lpito era universalmente compreendida. </strong>Consequentemente, desde o s&#233;culo XVI, os ministros reformados e presbiterianos usavam regularmente a toga genebrina sempre que lideravam o culto. A evid&#234;ncia &#8211; tanto escrita como retratada em pinturas &#8211; revela que homens como John Owen, Herman Witsius e Thomas Goodwin, do s&#233;culo XVII, George Whitefield, Jonathan Edwards e Thomas Boston, do s&#233;culo XVIII, al&#233;m de in&#250;meros outros, usavam togas sempre que conduziam cultos de adora&#231;&#227;o. Essa simplesmente era a norma nas congrega&#231;&#245;es protestantes no continente europeu, nas Ilhas Brit&#226;nicas e nas Am&#233;ricas. Mesmo no s&#233;culo XX, homens como o <strong>Dr. Martyn Lloyd-Jones, um dos pregadores mais talentosos daquele s&#233;culo, exortavam os alunos do Semin&#225;rio Teol&#243;gico de Westminster, na Filad&#233;lfia, a usar togas quando subissem ao p&#250;lpito, como sinal de seu chamado ao minist&#233;rio. </strong>Claramente, a alega&#231;&#227;o de que a toga &#233; algo romanista acaba sendo uma acusa&#231;&#227;o ileg&#237;tima. A toga &#233; um traje protestante, consistente com a nossa teologia. Mas se isso &#233; verdade, ent&#227;o o que aconteceu com a regularidade da toga em tantos p&#250;lpitos? Por que muitos pastores de igrejas evang&#233;licas geralmente optam por ternos elegantes ou roupas informais, em vez da toga, durante o culto? </p><p><strong>3. A TOGA FOI ELIMINADA PELO AVIVAMENTO</strong></p><p> H&#225; dois movimentos que nos v&#234;m &#224; mente: o primeiro &#233; o movimento avivalista igualit&#225;rio e populista do s&#233;culo XIX. Homens como Charles Finney e Alexander Campbell procuraram tornar o cristianismo atraente para o esp&#237;rito democr&#225;tico das massas norte-americanas. Eles propagavam uma religi&#227;o antiautorit&#225;ria e antitradicional que privatizou o cristianismo e exaltou a experi&#234;ncia e a autonomia do indiv&#237;duo sobre a vontade coletiva de qualquer congrega&#231;&#227;o ou assembleia eclesi&#225;stica. Eles clamavam por uma revolu&#231;&#227;o dentro da igreja que colocasse o clero e os leigos em p&#233; de igualdade em todos os aspectos, eliminando ou confundindo o prop&#243;sito das formas institucionais de governo da igreja (incluindo membresia), bem como pr&#225;ticas eclesi&#225;sticas importantes, tais como uso de togas ou mesmo a exist&#234;ncia de p&#250;lpitos elevados. A ideia era fazer o pastor parecer e se sentir como &#8220;qualquer outra pessoa&#8221;, tanto quanto poss&#237;vel, cuja prega&#231;&#227;o no p&#250;lpito n&#227;o fosse muito mais significativa do que uma leitura pessoal das Escrituras por qualquer um. <strong>O resultado foi um tremendo aumento de pastores n&#227;o treinados e congrega&#231;&#245;es antidenominacionais e opositoras a credos, com muito pouca organiza&#231;&#227;o e muito pouca teologia</strong>. Mas como seus m&#233;todos eram extremamente atraentes &#224; mentalidade democr&#225;tica do povo norte-americano, esses homens foram amplamente bem-sucedidos em sua revolu&#231;&#227;o. Consequentemente, temos o que vemos hoje no evangelicalismo moderno: informalidade radical no culto, sem mencionar a ignor&#226;ncia radical na doutrina... e a necessidade radical de outra reforma!</p><p>O outro movimento que afetou severamente nossa vis&#227;o de culto e influenciou a regularidade no uso da toga ocorreu nos anos 60. Enquanto o evangelicalismo procurava alcan&#231;ar as massas, muitas das chamadas igrejas &#8220;anti denominacionais&#8221; come&#231;aram a pipocar nos Estados Unidos. No sul da Calif&#243;rnia, em particular, algumas dessas igrejas essencialmente batizaram a subcultura hippie, criando o que acabou sendo conhecido como o movimento &#8220;Povo de Jesus&#8221; e, posteriormente, fomentaram o fen&#244;meno da m&#250;sica crist&#227; contempor&#226;nea. As togas, portanto, simplesmente n&#227;o se encaixavam na atmosfera de bandas de louvor e show de luzes. A toga cheirava a autoridade e formalidade contra as quais grande parte daquela gera&#231;&#227;o se rebelava. Portanto, n&#227;o &#233; surpresa hoje vermos in&#250;meros pastores &#8220;bem-sucedidos&#8221; da gera&#231;&#227;o baby-boomer vestindo at&#233; mesmo camisas havaianas no p&#250;lpito. Embora possamos concordar que um traje descontra&#237;do demais seja inapropriado para o pastor liderar o povo de Deus na adora&#231;&#227;o, devemos nos perguntar: qual, afinal, &#233; o traje apropriado para o pastor durante o culto? De quem devemos seguir a sugest&#227;o? Como protestantes, certamente n&#227;o seguimos a dos romanistas, nem mesmo a de avivalistas como Charles Finney, e certamente rejeitamos a da cultura em que vivemos. <strong>Embora ternos, camisas engomadas e gravatas possam ser a norma para o mundo dos neg&#243;cios, devemos nos lembrar de que o pastor n&#227;o &#233; o CEO de uma corpora&#231;&#227;o. </strong>Ele &#233; um servo ordenado do evangelho e chamado para liderar pessoas em adora&#231;&#227;o no culto ao Senhor. Apesar de n&#227;o encontramos nas Escrituras qualquer orienta&#231;&#227;o para o uso da toga (lembremo-nos de que roupas s&#227;o circunstanciais, n&#227;o um elemento de adora&#231;&#227;o), devemos buscar sabedoria nesse assunto, ouvindo e aprendendo de nossos antepassados reformados.</p><p><strong>4. A TOGA ACRESCENTA REVER&#202;NCIA AO CULTO</strong> </p><p>Em Hebreus 12.28b-29, somos orientados a que: &#8220;sirvamos a Deus de modo agrad&#225;vel, com rever&#234;ncia e santo temor, porque o nosso Deus &#233; fogo consumidor&#8221;. A toga complementa uma atmosfera reverente. Ela ajuda a definir o tom do culto, ajudando-nos a reverenciar a Deus em nosso cora&#231;&#227;o quando nos reunimos para ador&#225;-lo na igreja. Mais uma vez, pense em um juiz; qual seria sua rea&#231;&#227;o se ele entrasse no tribunal vestido como um dos jurados ou advogados? Suas roupas pessoais prejudicariam n&#227;o apenas sua posi&#231;&#227;o como um homem que deveria ser imparcial por causa da justi&#231;a, mas tamb&#233;m prejudicariam o respeito que devemos ter pela lei e pela ordem na sociedade. Isso, inevitavelmente, mudaria o tom nesse tribunal. O mesmo acontece com o culto. Nossas roupas comunicam uma mensagem, e as roupas do pastor tamb&#233;m o fazem em particular. Por que esperamos que ju&#237;zes usem togas quando est&#227;o no tribunal, mas queremos que nossos pastores usem trajes profissionais quando conduzem o culto? Seria isso por s&#243;lidas raz&#245;es teol&#243;gicas ou simplesmente por uma quest&#227;o de costume? <strong>Como disse C. S. Lewis:</strong> <em>&#8220;O h&#225;bito moderno de fazer coisas cerimoniosas sem cerim&#244;nia n&#227;o &#233; prova de humildade; ao contr&#225;rio, isso &#233; prova da incapacidade do adorador de se esquecer de si mesmo durante o rito, e da sua prontid&#227;o em estragar para todos os demais a atmosfera apropriada do ritual&#8221;.</em> Assim, antes de zombarmos e descartarmos precipitadamente o instituto da toga na adora&#231;&#227;o, consideraremos as muitas e s&#243;lidas raz&#245;es pelas quais os pastores, historicamente, t&#234;m usado esse traje. Como adoradores de Cristo em Sua igreja, fa&#231;amos tudo o que pudermos para manter nosso foco no evangelho de Jesus Cristo trazido at&#233; n&#243;s a cada semana. Que tenhamos sempre nossa aten&#231;&#227;o voltada &#224; obra de Cristo e seus ap&#243;stolos, sem a qual o pastor n&#227;o tem autoridade alguma. E que assim procuremos oferecer adora&#231;&#227;o aceit&#225;vel a Deus com rever&#234;ncia e temor, sabendo que &#233; Ele quem nos fala a cada Dia do Senhor, quando Sua Palavra &#233; trazida a n&#243;s pelo oficiante que Ele ordenou.</p><p></p><p>Refer&#234;ncias: </p><p>Revistas da 1&#170; Catedral - IPI de S&#227;o Paulo.</p><p>_____________________________________________________________________</p><p>Continua&#8230;</p><p>Deixe sugest&#227;o sobre o pr&#243;ximo tema:</p><p>Calend&#225;rio Lit&#250;rgico? Org&#227;o de Tubos? Cruz Celta? Outro? </p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Davenant: O Caminho do Amor - De Deus a Si Mesmo e ao Próximo]]></title><description><![CDATA[John Davenant foi Bispo de Salisbury de 1621 at&#233; a sua morte em 1641]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/davenant-o-caminho-do-amor-de-deus</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/davenant-o-caminho-do-amor-de-deus</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Sun, 02 Mar 2025 04:18:13 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!lbJC!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff3255264-2b2d-45fb-a7ef-9c730c8969cb_1016x1298.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!lbJC!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff3255264-2b2d-45fb-a7ef-9c730c8969cb_1016x1298.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!lbJC!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff3255264-2b2d-45fb-a7ef-9c730c8969cb_1016x1298.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!lbJC!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_848, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, 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y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p><code>John Davenant foi Bispo de Salisbury de 1621 at&#233; a sua morte em 1641</code></p><p></p><ol><li><p>Primeiro, ent&#227;o, o principal, e tamb&#233;m o objeto formal do amor, &#233; Deus em si mesmo: pois Ele &#233; amado por si mesmo, todas as outras coisas em rela&#231;&#227;o a Ele, e na medida em que participam ou podem participar da semelhan&#231;a e bem-aventuran&#231;a divina. Quando, portanto, o Ap&#243;stolo celebra o amor dos colossenses pelos santos, ele n&#227;o exclui, mas sup&#245;e necessariamente o amor a Deus. Pois, como a cor n&#227;o &#233; vista sem a luz, porque a luz &#233; o meio de se ver a cor, assim o nosso pr&#243;ximo n&#227;o &#233; amado sem o amor de Deus, porque Deus &#233; o meio de amarmos o nosso pr&#243;ximo. Da&#237; o Salvador, nas duas grandes mandamentos, coloca em primeiro lugar o amor a Deus, como causa e fonte do amor ao nosso pr&#243;ximo (Mt. 22:37-39). Da mesma forma, Agostinho, em suas Confiss&#245;es (Livro 10, cap&#237;tulo 29), observa: &#8220;Ele ama menos do que &#233; certo, quem, juntamente contigo, ama qualquer coisa por qualquer outra raz&#227;o, exceto porque te ama.&#8221;</p></li></ol><ol start="2"><li><p>Agostinho coloca o amor a si mesmo como o segundo objeto de amor para cada um, e isso de forma correta. Pois, como o fil&#243;sofo (Arist&#243;teles) observou, na &#201;tica (IX, 8), &#8220;Todos os sentimentos amig&#225;veis v&#234;m de si mesmo em dire&#231;&#227;o aos outros.&#8221; E Deus mesmo, no mandamento de amar o nosso pr&#243;ximo, inclui o amor a si mesmo: &#8220;Amar&#225;s o teu pr&#243;ximo como a ti mesmo.&#8221; A raz&#227;o tamb&#233;m nos mostra isso claramente. Pois, como o amor &#233; fundado na comunica&#231;&#227;o da frui&#231;&#227;o divina ou bem-aventuran&#231;a, cada um, na medida em que entende que pode participar dessa frui&#231;&#227;o divina, &#233; obrigado a amar a si mesmo e desejar para si a bondade divina, que &#233; o objeto pr&#243;prio do amor. Na verdade, podemos adicionar mais: ningu&#233;m &#233; capaz de amar a Deus verdadeiramente, que ao mesmo tempo n&#227;o ame verdadeiramente a si mesmo; pois quem ama a Deus, deseja desfrutar da bem-aventuran&#231;a divina, mas desejar esse bem para si mesmo &#233; amar-se verdadeiramente. Al&#233;m disso, cada um deseja a frui&#231;&#227;o de Deus para si mesmo primeiro, e mais intensamente do que para outro; ent&#227;o, se n&#227;o fosse poss&#237;vel ser concedido a mais algu&#233;m, cada um preferiria que fosse dado a si mesmo do que a outro. E a raz&#227;o disso &#233; que mais causas concorrem para que ele ame a si mesmo desta maneira do que ao outro. Pois o outro pode cair desse bem divino sem minha perda ou culpa, mas eu mesmo n&#227;o posso. Mas pode-se perguntar, se cada um &#233; obrigado a amar a si mesmo, e mais intensamente do que a outro, com esse tipo de amor, por que n&#227;o h&#225; um preceito expresso e direto sobre o amor a si mesmo? E por que o amor a si mesmo &#233; condenado em 2 Tim&#243;teo 3:2 (&#8220;Os homens ser&#227;o amantes de si mesmos&#8221;)? A resposta &#233; a seguinte: Como amar a Deus &#233; amar a si mesmo, portanto, quando &#233; ordenado que amemos a Deus, &#233; ordenado, na pr&#225;tica, que amemos a n&#243;s mesmos. Pois quem ama a Deus deseja desfrutar de Deus, deseja ser unido a Deus; ele deseja, portanto, o maior e melhor bem para si mesmo, e assim ama a si mesmo o quanto for poss&#237;vel. Al&#233;m disso, pode-se responder que a lei escrita foi dada para auxiliar a lei natural, que foi obscurecida pelo pecado; mas n&#227;o foi t&#227;o obscurecida, que n&#227;o pudesse mover algu&#233;m a amar a si mesmo. Portanto, um mandamento expresso sobre o amor a si mesmo n&#227;o era necess&#225;rio. Mas quanto ao que &#233; dito, que o amor a si mesmo &#233; condenado nas Escrituras, deve-se entender isso como um amor desordenado que se refere ao bem sens&#237;vel, e n&#227;o o tipo de amor que se refere ao bem divino. Pois ningu&#233;m pode amar ou desejar excessivamente para si as coisas espirituais, mas pode amar excessivamente as coisas sens&#237;veis e transit&#243;rias, e &#233; isso que &#233; criticado.</p></li></ol><p></p><ol start="3"><li><p>Agora, chego ao terceiro objeto do amor, que &#233; o foco principal do nosso prop&#243;sito atual; e este &#233; aquele que est&#225; mais pr&#243;ximo de n&#243;s (como diz Agostinho), ou seja, o nosso pr&#243;ximo. Mas uma pessoa &#233; chamada de pr&#243;ximo n&#227;o apenas pela consanguinidade, mas pela participa&#231;&#227;o m&#250;tua na raz&#227;o, como diz o gloss&#225;rio. Assim tamb&#233;m, Justino M&#225;rtir, &#8220;O pr&#243;ximo de um homem nada mais &#233;, sen&#227;o um ser que participa de uma condi&#231;&#227;o semelhante e de faculdades racionais.&#8221; Mas deve-se observar que o pr&#243;ximo &#233; amado por n&#243;s com verdadeiro amor, n&#227;o simplesmente porque ele participa da natureza racional, mas na medida em que essa natureza racional pode ser participante da bem-aventuran&#231;a divina; pois o amor se funda na participa&#231;&#227;o m&#250;tua da frui&#231;&#227;o divina, como foi observado antes. Entre os vizinhos, portanto, ou seja, entre os homens, os objetos especiais do nosso amor s&#227;o os homens santos, como o Ap&#243;stolo ensina aqui e em outros lugares, como na Ep&#237;stola aos G&#225;latas (6:10), &#8220;Fa&#231;amos bem a todos, especialmente aos da casa da f&#233;.&#8221; Da mesma forma, Agostinho, &#8220;Os membros mais santos devem ser abra&#231;ados com maior amor.&#8221; E o vener&#225;vel Bede, &#8220;A uni&#227;o dos cora&#231;&#245;es &#233; mais sagrada do que a dos corpos.&#8221; Mas &#233; f&#225;cil atribuir uma raz&#227;o para isso: por que os santos devem ser mais amados por n&#243;s do que outros, ou seja, porque aquilo que &#233; a raz&#227;o formal do amor &#233; mais vis&#237;vel neles do que nos outros. Pois, assim como os objetos s&#227;o melhor vistos quando colocados mais &#224; luz, porque a luz &#233; o objeto formal da vis&#227;o, assim os homens s&#227;o mais amados quando est&#227;o mais unidos a Deus, porque Deus &#233; o objeto formal e pr&#243;prio do amor.</p><p></p></li></ol><ul><li><p>Refer&#234;ncia: An exposition of the Epistle of St. Paul to the Colossians . </p></li></ul>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Davenant : Uma análise sobre Justificação e Concupiscência]]></title><description><![CDATA[A concupisc&#234;ncia desordenada &#233; pecado nos incr&#233;dulos; &#233; pecado, e pecado mortal, em beb&#234;s n&#227;o batizados; portanto, tamb&#233;m &#233; pecado nos regenerados, quando permanece neles ap&#243;s a culpa ter sido removida.]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/davenant-uma-analise-sobre-justificacao</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/davenant-uma-analise-sobre-justificacao</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Mon, 24 Feb 2025 01:15:48 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!oOK_!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F24db359a-e020-4959-8dbf-02549509234e_469x600.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!oOK_!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F24db359a-e020-4959-8dbf-02549509234e_469x600.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!oOK_!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, 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A raz&#227;o dessa consequ&#234;ncia &#233; que mais ou menos n&#227;o altera o car&#225;ter espec&#237;fico de uma coisa. Mas a concupisc&#234;ncia nos regenerados, ap&#243;s o batismo, difere daquela que estava na mesma pessoa antes do batismo; na medida em que, antes, era poderosa, reinante e predominante; mas, depois, torna-se fraca, sujeita e restringida pelo poder do Esp&#237;rito. Como se um homem tivesse enfraquecido um le&#227;o forte e selvagem com muitas feridas, e o tivesse domado e, finalmente, encadeado, ainda assim ele n&#227;o deixa de ser um le&#227;o: por um racioc&#237;nio semelhante, embora a gra&#231;a da regenera&#231;&#227;o tenha diminu&#237;do e debilitado esse pecado da concupisc&#234;ncia, e, por assim dizer, o tenha encadeado, isso n&#227;o faz com que ele perca completamente sua natureza, nem o car&#225;ter espec&#237;fico ou a qualidade formal do pecado. Ele perdeu sua culpa pela remiss&#227;o de Deus; mas n&#227;o perdeu a natureza do pecado, uma vez que a &#8216;&#945;&#957;&#959;&#956;&#943;&#945;&#8217; [iniquidade ou falta de conformidade com a lei] permanece.</p><p>N&#227;o &#233; necess&#225;rio reunir mais raz&#245;es; apenas deve ser mostrado como este Pecado Original, que geralmente &#233; chamado de um e o mesmo em cada caso de pecado, ainda assim compreende tantas irregularidades, e isso nas diferentes faculdades. E isso ser&#225; mais facilmente compreendido se tivermos em mente que a virtude da justi&#231;a original era tal que dava ao homem o poder de prestar a devida submiss&#227;o a Deus em todas as coisas, e de maneira apropriada. E isso fazia conferindo poder a cada uma e a todas as faculdades da alma, adequadas &#224;s suas pr&#243;prias a&#231;&#245;es determinadas. O reverso disso &#233; verdade, ou seja, que o Pecado Original torna o homem incapaz e incompetente para prestar a devida obedi&#234;ncia a Deus; e que, perturbando e pervertendo todas as faculdades da alma, ele as torna incapazes de exercer corretamente suas a&#231;&#245;es pr&#243;prias. Embora, portanto, o Pecado Original seja dito ser realmente uma coisa em cada indiv&#237;duo, ainda assim essa uma coisa, como uma infec&#231;&#227;o, se difundiu por toda a alma e todos os seus poderes; e torna todo o ser desordenado, bruto e totalmente incapaz de prestar submiss&#227;o a Deus em todas as suas a&#231;&#245;es, por mais diferentes que sejam. William de Paris ilustrou isso com uma elegante similitude: Assim como a embriaguez &#233; um v&#237;cio, e ainda assim perturba todo o esp&#237;rito e corpo, de tal maneira que nenhum dos dois pode realizar suas devidas a&#231;&#245;es; assim tamb&#233;m o Pecado Original, que &#233; um em ato, cega a mente, perverte a vontade, corrompe o desejo e deprava as a&#231;&#245;es de todos esses. Novamente, assim como a semente &#233;, portanto, uma coisa em ato, mas potencialmente &#233; toda a tribo daquelas coisas que dela brotam; assim tamb&#233;m este mal original &#233; uma coisa em ato, mas na realidade inclui toda a progenitura dos v&#237;cios que naturalmente surgem dele.</p><p>Deixe, portanto, esta ser a conclus&#227;o da nossa discuss&#227;o: Visto que o rem&#233;dio que prov&#233;m da gra&#231;a sacramental &#233; ordenado diretamente contra o Pecado Original, na medida em que ele corrompe a pessoa, e n&#227;o na medida em que corrompe a natureza; ele remover&#225; completamente sua culpa da pessoa, mas n&#227;o remover&#225; inteiramente sua contamina&#231;&#227;o da natureza. Mas, a contamina&#231;&#227;o sendo deixada, ela n&#227;o perde sua qualidade pecaminosa em virtude do Batismo, nem adquire qualquer santidade, como Agostinho observa corretamente. Portanto, o pecado existe nos regenerados, pecado verdadeiramente chamado. Nem mesmo os Escol&#225;sticos diferem em sentimento, no que diz respeito &#224; pr&#243;pria coisa. Embora um homem, diz Aquino, esteja t&#227;o limpo do Pecado Original pelos sacramentos da gra&#231;a que isso n&#227;o lhe seja imputado como falta &#8212; o que &#233; ser pessoalmente livre do Pecado Original &#8212;, ainda assim ele n&#227;o est&#225; totalmente curado. Portanto, no homem, enquanto continua sua esp&#233;cie, no que diz respeito ao indiv&#237;duo, o Pecado Original n&#227;o existe; mas, na medida em que o homem que continua sua esp&#233;cie &#233; um princ&#237;pio natural (ou fonte) de gera&#231;&#227;o segundo o curso da natureza, a mancha do Pecado Original, que se refere &#224; natureza, permanece nele.</p><p>&#201; demonstrado pelos Pais que nenhum dos regenerados est&#225; livre do pecado.</p><p>Agora, resta que apoiemos nossa opini&#227;o pelos testemunhos dos Pais, cujas declara&#231;&#245;es acho apropriado distribuir em duas classes. Na primeira, colocaremos aquelas que afirmam claramente que nenhum dos santos est&#225; inteiramente livre do pecado, mas que os restos do mal original aderem a todos os regenerados at&#233; o &#250;ltimo momento desta vida. Na outra classe, colocaremos aquelas que afirmam que a concupisc&#234;ncia em si mesma, e em suas emo&#231;&#245;es desordenadas, &#233; pecado, mesmo nos regenerados. Pois, desde que, pela confiss&#227;o de nossos oponentes, os regenerados n&#227;o est&#227;o de forma alguma livres disso, seguir&#225; que eles n&#227;o est&#227;o realmente totalmente livres da contamina&#231;&#227;o do pecado&#8230;</p><p>Bispo Davenant </p><p>Tratado de Justifica&#231;&#227;o</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Sabedoria Prática de Davenant: Conhecimento da Vontade de Deus e a Frutificação Espiritual.]]></title><description><![CDATA[Para o Bispo Davenant, a sabedoria n&#227;o &#233; um simples conhecimento abstrato, mas algo que impacta diretamente a vida pr&#225;tica, guiando o crist&#227;o para a piedade.]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/a-sabedoria-pratica-de-davenant-conhecimento</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/a-sabedoria-pratica-de-davenant-conhecimento</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Sun, 16 Feb 2025 17:13:21 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!8jk7!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0f6b880e-923e-40ef-8ff2-e3ebb10a4871_469x600.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!8jk7!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0f6b880e-923e-40ef-8ff2-e3ebb10a4871_469x600.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!8jk7!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, 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pr&#225;tica, guiando o crist&#227;o para a piedade. O entendimento, por sua vez, &#233; um n&#237;vel mais profundo de sabedoria, permitindo discernir entre a verdade e o erro em situa&#231;&#245;es complexas. Ele critica as vis&#245;es escol&#225;sticas, que consideram esses dons como contempla&#231;&#245;es desconectadas da pr&#225;tica crist&#227;. Para Davenant, sabedoria e entendimento devem resultar em uma vida que reflete as boas obras e a moralidade ensinadas pelo Evangelho. Ele enfatiza que o crist&#227;o deve crescer n&#227;o apenas no conhecimento da vontade de Deus, mas tamb&#233;m em frutifica&#231;&#227;o espiritual, pois o conhecimento e as boas obras est&#227;o entrela&#231;ados, conforme demonstrado nas Escrituras. A verdadeira sabedoria, para Davenant, n&#227;o se limita &#224; reflex&#227;o teol&#243;gica, mas deve levar &#224; pr&#225;tica, mostrando f&#233; genu&#237;na e obedi&#234;ncia &#224; vontade divina.</p><blockquote><p>Esses 10 pontos resumem a explica&#231;&#227;o do Bispo Davenant sobre o conhecimento da vontade de Deus e a sabedoria pr&#225;tica, com base na ora&#231;&#227;o do ap&#243;stolo Paulo em Colossenses 1:9, que pede para que os crist&#227;os sejam &#8220;cheios do conhecimento da sua vontade, em toda sabedoria e entendimento espiritual&#8221;:</p></blockquote><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!vxKr!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0fb1d424-68ac-458f-a744-3d998de3d81d_768x1000.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" 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do Conhecimento: A vontade de Deus &#233; revelada nas Escrituras e se limita ao que Deus escolheu revelar &#224; humanidade, como mencionado em Deuteron&#244;mio 29:29.</p><p>c) A Causa do Conhecimento: O conhecimento da vontade de Deus &#233; gerado pela sabedoria e entendimento espiritual, e n&#227;o por aprendizagem natural ou intelecto humano. Em Tiago 1:5, o ap&#243;stolo Paulo nos lembra de pedir sabedoria a Deus, que a d&#225; generosamente.</p><p>d) Os Dois Aspectos da Vontade Revelada: A vontade de Deus abrange tanto a f&#233; (o que deve ser crido) quanto a obedi&#234;ncia (o que deve ser praticado). Em Jo&#227;o 6:40, o ap&#243;stolo Paulo cita o desejo de Deus de que todos creiam no Filho para a vida eterna.</p><p>e) A Lei e o Evangelho: A Lei mostra nossa mis&#233;ria e serve de regra para a vida regenerada, enquanto o Evangelho revela a miseric&#243;rdia divina e o caminho da salva&#231;&#227;o, como est&#225; escrito em Romanos 3:20 e Romanos 1:16.</p><p>f) A Verdadeira Compreens&#227;o da Vontade de Deus: O autor destaca que o simples conhecimento intelectual n&#227;o &#233; suficiente, &#233; preciso uma compreens&#227;o eficaz que leva &#224; obedi&#234;ncia e aplica&#231;&#227;o pr&#225;tica. 1 Jo&#227;o 2:3 refor&#231;a isso ao afirmar: &#8220;Nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos.&#8221;</p><p>g) A Fonte do Conhecimento &#8211; Sabedoria e Entendimento Espiritual: A verdadeira sabedoria (&#963;&#959;&#966;&#943;&#945;) abrange tanto o conhecimento da f&#233; quanto da vida pr&#225;tica, enquanto o entendimento (&#963;&#973;&#957;&#949;&#963;&#953;&#962;) permite discernir em situa&#231;&#245;es complexas, como visto em Tiago 1:5.</p><p>h) O Papel da Sabedoria: A sabedoria, conforme a B&#237;blia, n&#227;o &#233; apenas intelectual, mas tamb&#233;m afeta a vontade do crist&#227;o, direcionando-o para o bem. Em Prov&#233;rbios 2:6, &#233; dito: &#8220;Porque o Senhor d&#225; a sabedoria, e da sua boca vem a intelig&#234;ncia e o entendimento.&#8221;</p><p>i) O Papel do Entendimento: O entendimento &#233; um grau mais elevado da sabedoria, permitindo discernir entre a verdade e o erro, especialmente em situa&#231;&#245;es complicadas. Mateus 15:16 menciona que os disc&#237;pulos de Cristo n&#227;o entenderam as par&#225;bolas, demonstrando a necessidade de maior discernimento.</p><p>j) Cr&#237;tica aos Escol&#225;sticos: O Bispo critica as vis&#245;es escol&#225;sticas*, que tratam sabedoria e entendimento como algo puramente contemplativo e desconectado da pr&#225;tica crist&#227;, defendendo uma aplica&#231;&#227;o pr&#225;tica desses dons, como enfatizado por Paulo em Tiago 2:17, que diz: &#8220;A f&#233;, se n&#227;o tiver obras, &#233; morta.&#8221;</p><p></p><p>*In all wisdom and spiritual understanding. The Apostle shews whence that efficacious knowledge of the divine will arises, or in what it is grounded, viz. in wisdom and spiritual understanding. What is expressed in the Greek by &#949;&#957;&#963;&#959;&#966;&#953;&#945;, some render per sapientiam; others cum sapienti&#225;: but it comes to the same thing; for all understand that that knowledge of the divine will is not from us, neither by human learning, but by infused wisdom.</p><p>Let us, therefore, inquire into two things: What is wisdom and understanding? and whence derived? Lombard, and after him, all the Schoolmen have indulged in many speculations respecting these points, where they dispute about the seven gifts of the Holy Spirit: the ground of which disputation is sought from Isa. xi. 2, where, however, only six are enumerated. But, omitting all other, let us enquire what is their opinion of these two gifts.</p><p>Wisdom, says Lombard, quoting the passage above-mentioned, is a habit infused for the contemplation of, and delight in, eternal truth alone; understanding, for the consideration of the Creator and invisible creatures.</p><p>Or by wisdom imparted from above, according to John Baptist&#8217;s declaration, John iii. 27, &#8220;A man can receive nothing except it be given him from heaven;&#8221; and our Lord&#8217;s to his disciples, Matth. xiii. 11, &#8220;It is given unto you to know the mysteries of the kingdom:&#8221; Hence St. James testifies, i. 17, &#8220;Every good gift and every perfect gift cometh down from the Father of lights.&#8221;</p><p>The celebrated Peter Lombard, vide Note p. 64. His Sentences, from which the subjoined definition is cited, are a collection of ancient authorities in defence of primitive truth, illustrating especially the moral condition of man, and the articles of the Christian salvation: they were so far appreciated by the Clergy of the time as to call forth a succession of Commentators, whence &#8220; Theology assumed a new aspect, and instead of the divine truths of the Gospel being presented to the mind, as they originally were, in their native purity and excellence, they were involved in sophism and the intricacies of metaphysical subtlety. Thorny and perplexing arguments superseded the artless simplicity of primitive instruction. The Aristotelian Philosophy itself was resorted to, and was so intimately blended with the system, that the Stagyrite, and not St. Paul, became the standard of authority in the Schools. The advantages accruing to the See of Rome from this revolution in Theology were numerous; and the Canon law, which was brought into existence about the same time, while it added to the influence of the Roman See, tended to establish the reign of superstition. So far was the Gospel removed out of sight at this time, that it was impossible for men to see how much its beautiful simplicity was disfigured; or what a wide departure from the faith once delivered to the saints had now taken place.&#8221;&#8212;Vide Grier&#8217;s Epitome of the General Councils of the Church; p. 182.</p><p>Ver.9. EPISTLE TO THE COLOSSIANS.</p><p>Wisdom, then, is the infused knowledge of those things which pertain to faith and a good life, with pious affections inclining to the application and practice of the same.</p><p>For spiritual wisdom consists not of the illumination of the intellect alone, neither of the renovation of the affections alone, but of both conjointly. Which may be proved from many testimonies of Scripture: The fear of the Lord is wisdom; and to depart from evil is understanding, Job xxviii. 28. Whoso keepeth the law is a wise son, Prov. xxviii. 7. From which and similar places, it is manifest, that this wisdom, although as to its essence it is a certain perfection of the intellect, yet as to its matter and use, is also practical and moral. Wisdom, therefore, is not only the light of the soul, but a certain healthiness and perfection of it. The light of mere knowledge is sometimes communicated to the wicked; for many know the will of God, but they do it not, nay, they plainly hate it: but the light of wisdom always renders a man pious, because it at once inclines the will to that good which is apprehended by the intellect. Such wisdom Paul supplicates for the Colossians.</p><p>As to what pertains to the understanding or intellect, &#963;&#965;&#957;&#949;&#963;&#953;&#957;, I do not think it to be a gift in reality distinct from the afore-mentioned wisdom; but to be a more eminent degree; and, as it were, the pinnacle of wisdom. It is, therefore, a certain ripeness of wisdom, by which anyone is fitted to judge of truth and falsehood, good and evil, when they are involved in some special difficulty, from particular circumstances. Hence the disciples of the Saviour are said to be &#7936;&#963;&#973;&#957;&#949;&#964;&#959;&#953;, without understanding, Matth. xv. 16, because they understood not the doctrine of Christ clothed in parables. And Paul wished for Timothy, an understanding in all things, 2 Tim. ii. 7. But we shall render these points more plain by adducing examples; and first in things to be believed, then in things to be done.</p><p>Let a question be proposed, Whether the only Mediator of God and men be the man Christ Jesus; every one endowed with the gift of divine wisdom will immediately affirm that he is. Now let it be involved in special difficulties, Whether he is so our only Mediator, that he has not communicated the office of interceding to his glorious mother and to other saints; or whether he is so our Mediator, that he alone hath made satisfaction for our sins, having left no part of the satisfaction to be made by us. Now there will be need of understanding, i.e. of the clearness of wisdom, which, if wanting, we shall easily fall into error.</p><p>Let it be also enquired, Whether it is lawful for subjects to bear arms against their Sovereign; even every Papist will immediately answer it is not lawful. Now let particular circumstances be added: Is it lawful by force of arms to oppose their king when condemned for heresy, and excommunicated by the order of the Pope? If the gift of understanding be wanting, every Papist will doubt and vacillate; nay, he will break out into open rebellion, as we have seen testified by experience. You perceive what wisdom is, what understanding, and what is their difference.</p><p>Now, in the last place, is it asked Whence these gifts come to us? The Apostle points out that in one word, when he adds spiritual.</p><p>Spiritual. But it is called so, because it is produced by the Spirit of Christ, not acquired by our ability. For the uncreated Wisdom of God, is the Author of this created wisdom. In Aristotle, Plato, Socrates, and the rest of the heathen writers, that wisdom in which they excelled was an acquired habit; but in the faithful, saving wisdom is an infused habit. If any lack wisdom, let him ask of God, who giveth to all men liberally, Jas. i. 5. Whence says Clemens, Wisdom cannot be bought with earthly coin; nor is it sold in the market, but in heaven, P&#230;dag, lib. i. cap. 3. From these considerations we deduce some inferences.</p><p>&#8226; It may be permitted to refer the Reader to a splendid illustration of the nature and excellencies of this wisdom in Ecclesiasticus xxiv.</p><p>1.&#9;Whereas the Apostle intreats a full knowledge of the divine will for the Colossians, we gather that a blind ignorance, however devoted, is not pleasing to God. For that is not good which is not rationally good; as Tertullian intelligently remarks against Mare. lib. i.</p><p>2.&#9;Whereas he wishes wisdom and understanding for the Colossians, we learn that that trust in the faith of their prelates, which the advocates of Popery everywhere extol, is not sufficient for the people; for he who hath wisdom and understanding, sees with his own eyes, not the eyes of others.</p><p>3.&#9;They are led not by an Apostolic, but an anti-Christian spirit, who deny to the people the ordinary means of obtaining wisdom and spiritual understanding, viz. the reading and understanding of the divine word: For the law of the Lord is undefiled, converting the soul; the testimony of the Lord is sure, making wise the simple, Ps. xix.</p><p>And thus much concerning the first part of the Apostle&#8217;s prayer, for those good things which regard the perfect knowledge of the truth.</p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Melanchthon: Virtude, Erudição e a Homenagem de Teodoro Beza. ]]></title><description><![CDATA[Eu li a Biografia do Erudito Melanchton em 2023.]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/melanchthon-virtude-erudicao-e-a</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/melanchthon-virtude-erudicao-e-a</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Sun, 16 Feb 2025 01:00:15 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Mygm!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9a2c88a7-0a73-48c5-b22c-94d6707a2571_1170x859.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" 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y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p></p><p>Eu li a Biografia do Erudito Melanchton em 2023. Vi o homem piedoso e elegante que ele era. Recentemente lendo um livro  do s&#233;culo 18 eu encontrei, por coincid&#234;ncia, um elegante epit&#225;fio que foi inscrito no seu t&#250;mulo pelo Erudito Teodoro de Beza ( Sucessor de Calvino ). </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!kkzO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F152a3a23-bb62-47c3-87f6-9cf6217faa4a_1090x1155.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!kkzO!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F152a3a23-bb62-47c3-87f6-9cf6217faa4a_1090x1155.jpeg 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algu&#233;m se atrevia a contrari&#225;-los.&#8221; </p><p>Josiah Allport diz: &#8220;De fato, os anais da hist&#243;ria apresentam poucos personagens que podem ser comparados a ele. Com uma mente repleta de vasto conhecimento, capaz de se engajar em qualquer discuss&#227;o sobre literatura ou religi&#227;o, ele trouxe mais vantagens not&#225;veis para cada uma dessas &#225;reas em seu tempo do que, talvez, qualquer outro doutor da &#233;poca. Embora fosse corajoso quando a causa da religi&#227;o estava em risco e mantivesse uma const&#226;ncia inabal&#225;vel nos momentos de prova&#231;&#227;o, ele se destacou especialmente por seu amor pela paz e harmonia. Companheiro de Lutero na Reforma, seus restos mortais foram enterrados ao lado do grande reformador, e um elegante epit&#225;fio foi inscrito em seu t&#250;mulo pelo Erudito Teodoro Beza. Este epit&#225;fio, como um resumo de seu car&#225;ter, um comp&#234;ndio de suas virtudes e um testemunho da estima em que era mantido, &#233; transcrito aqui, conforme traduzido em A Vida de Melanchthon de Coxe&#8221;: </p><p>Epit&#225;fio de Melanchthon:</p><p>Aqui, ent&#227;o, Melanchthon, repousa tua honrada cabe&#231;a,</p><p>No seio da sepultura, entre os mortos e o p&#243; da terra!</p><p>Em vida, foste para os outros uma b&#234;n&#231;&#227;o,</p><p>Mas a ti mesmo negaste paz e repouso.</p><p>Teu foi o santo labor, a l&#225;grima aflita,</p><p>Filipe amado &#8212; para os bons, para sempre querido!</p><p>&#211; Terra, deixe os l&#237;rios aqui brotar abundantemente,</p><p>E as rosas ao redor espalharem seu perfume!</p><p>Pois a rosa e o l&#237;rio misturam suas gl&#243;rias,</p><p>O doce, o belo, em nosso amigo falecido!</p><p>Que suavemente ele durma, e ningu&#233;m perturbe seu repouso;</p><p>Ningu&#233;m o perturbou enquanto vivo &#8212; ningu&#233;m o oprimiu!</p><p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!CFMG!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F10f9baf6-d619-48e7-9a72-467ee873019a_987x465.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!CFMG!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, /__u/lucemacedo.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F10f9baf6-d619-48e7-9a72-467ee873019a_987x465.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!CFMG!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_848, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, 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y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O Teatro da Feminilidade ]]></title><description><![CDATA[Opini&#227;o:]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/o-teatro-da-feminilidade</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/o-teatro-da-feminilidade</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Thu, 13 Feb 2025 21:48:45 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cKLz!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F7d238880-74cb-4b56-9697-ba367273c5e3_924x924.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" 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Ops, esqueci&#8230; do outro lado, esvaziam qualquer cr&#237;tica chamando de feminista. Ent&#227;o, deixo claro que tamb&#233;m n&#227;o sou feminista. Aviso, ainda, que tive contato com a m&#250;sica cl&#225;ssica desde os 12 anos e que sempre amei vestidos &#8211; um gosto que, para minha l&#225;stima, tornou-se s&#237;mbolo de uma cartilha. Mas vejam s&#243;: nunca dispensei um banho de chuva, muitas vezes parecendo um moleque, o que certamente n&#227;o condiz com a imagem de uma dama cl&#225;ssica no padr&#227;o da cartilha. E o pior dos crimes &#8211; quando a ocasi&#227;o exige, uso shorts jeans e v&#225;rias pe&#231;as fora desse roteiro pr&#233;-estabelecido.</p><p>Vivemos em uma &#233;poca de cartilhas. Parece haver uma vers&#227;o espelhada do feminismo de cabelo azul, apenas trocando o uniforme. Uso vestidos porque gosto, mas tamb&#233;m uso bermuda quando quero, e isso nunca fez de mim menos feminina.</p><p>Dito isso, preciso confessar o crescente nojo que sinto dessas p&#225;ginas de &#8220;feminilidade b&#237;blica&#8221; na internet. Como se n&#227;o bastasse a teatraliza&#231;&#227;o da virtude, agora vejo regras como &#8220;malhar de saia por cima da legging.&#8221; Nunca ouviram falar de uma camiseta longa? Desde quando a virtude se mede pela vestimenta? A mod&#233;stia e a feminilidade, quando genu&#237;nas, brotam de dentro e naturalmente se refletem na conduta externa. Mas quando se tornam uma performance, perdem o sentido.</p><p>O problema dessas p&#225;ginas &#233; transformar a feminilidade em um papel a ser representado. A mulher n&#227;o pode simplesmente ser feminina de acordo com sua autenticidade; deve seguir um roteiro meticuloso, cheio de regras. No fim, acabam reproduzindo exatamente aquilo que criticam.</p><p>O pior &#233; que essa est&#233;tica fabricada gera uma falsa sensa&#231;&#227;o de superioridade, como se a virtude estivesse no comprimento da saia e n&#227;o no car&#225;ter. Se mod&#233;stia e feminilidade s&#227;o b&#237;blicas &#8211; e eu creio que s&#227;o &#8211;, ent&#227;o devem ser fruto de uma transforma&#231;&#227;o espiritual, n&#227;o de uma est&#233;tica artificialmente constru&#237;da. Afinal, a &#8220;mocinha da saia sobre a legging&#8221; pode muito bem estar cheia de orgulho.</p><p>Outra quest&#227;o &#233; a romantiza&#231;&#227;o da depend&#234;ncia financeira. Ficar em casa pode ser uma escolha leg&#237;tima quando realmente contribui para a fam&#237;lia, mas o que n&#227;o faltam s&#227;o mulheres pregui&#231;osas escondendo-se atr&#225;s do r&#243;tulo de &#8220;mulher b&#237;blica&#8221; &#8220;Tradwife&#8221; enquanto esperam por um marido financeiramente capaz de sustent&#225;-las. Minha av&#243;, que me criou, dizia que mulher que escolhe um homem pelo dinheiro tem outro nome &#8211; e definitivamente n&#227;o &#233; &#8220;mulher virtuosa.&#8221; Mas hoje, nessas p&#225;ginas (talvez n&#227;o todas), essa atitude recebe um verniz piedoso e &#233; apresentada como padr&#227;o b&#237;blico.</p><p>S&#243; que, se formos buscar o verdadeiro padr&#227;o b&#237;blico, veremos que o modelo de fam&#237;lia era outro. O homem n&#227;o sa&#237;a para trabalhar fora enquanto a mulher ficava em casa. A fam&#237;lia trabalhava em conjunto &#8211; pais, m&#227;es, filhos, filhas, genros, noras, netos e netas &#8211;, cultivando a terra, lidando com animais, sustentando-se por meio do esfor&#231;o coletivo. Minha av&#243;, como muitas mulheres de seu tempo, batia arroz no pil&#227;o, trabalhava na lavoura e tc &#8230;N&#227;o parece t&#227;o fr&#225;gil assim, n&#227;o &#233;? O trabalho era pesado para todos. A modernidade trouxe novas formas de organiza&#231;&#227;o familiar, e a mulher pode, sim, optar por se dedicar exclusivamente ao lar ( acho &#243;timo para quem pode). Mas afirmar que essa &#233; a &#250;nica forma correta de vida crist&#227; &#233; distorcer a realidade hist&#243;rica e b&#237;blica.</p><p>&#201; triste falar sobre isso, porque hoje qualquer cr&#237;tica a essas ideias j&#225; &#233; taxada de feminista. Mas deixem-me contar algo a mais: recusei uma ascens&#227;o profissional para manter um escrit&#243;rio em casa (ganho muito bem). Isso foi poss&#237;vel depois de anos de trabalho &#225;rduo, muitas vezes com jornadas exaustivas. Como poderia, ent&#227;o, dizer a uma mulher que est&#225; apenas come&#231;ando que o &#250;nico caminho correto &#233; aquele que eu mesma s&#243; consegui trilhar depois de tanto esfor&#231;o? </p><p>Mas se ainda me consideram feminista, eu n&#227;o lamento por mim&#8230; Vi amigas caindo sem refletir, e foi triste. Mas, gra&#231;as a Deus, elas se levantaram e perceberam que eu n&#227;o era louca nem feminista. A mulher b&#237;blica de Prov&#233;rbios 31 &#8211; essa, sim, a refer&#234;ncia b&#237;blica sobre feminilidade &#8211; n&#227;o se encaixa nesse modelo de cartilha teatral que tentam impor. Ela administra, negocia, trabalha e cuida do lar. Sua virtude n&#227;o est&#225; em um figurino ou em um modelo determinado, mas na sabedoria, na for&#231;a e na dignidade com que conduz sua vida.</p><p>A feminilidade verdadeira n&#227;o precisa de teatro. Ela simplesmente &#233;.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Davenant e a Harmonia Entre Predestinação e a Vontade Humana]]></title><description><![CDATA[John Davenant foi Bispo de Salisbury de 1621 at&#233; a sua morte em 1641]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/davenant-e-a-harmonia-entre-predestinacao</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/davenant-e-a-harmonia-entre-predestinacao</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Thu, 13 Feb 2025 20:59:06 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!evwT!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F58e32ec0-1ecd-4aa4-bbb6-c232ec5f6bb9_469x600.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p> </p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" 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A Predestina&#231;&#227;o Absoluta, pela virtude da gra&#231;a eficaz, governa e afeta a vontade livre dos predestinados, de modo que os leva a agir livremente conforme agem. E a N&#227;o-elei&#231;&#227;o ou Reprova&#231;&#227;o Absoluta permite que os r&#233;probos sejam guiados por sua pr&#243;pria vontade defeituosa, de modo que livremente e por escolha deliberada fazem o que fazem. Eles n&#227;o apenas pensam ou sonham que possuem tal liberdade, mas sua pr&#243;pria experi&#234;ncia e consci&#234;ncia lhes asseguram que a t&#234;m.</p><p>Por isso, Ruiz, no livro 1.4, n&#227;o descreveu de maneira inadequada a permiss&#227;o divina, que &#233; considerada um efeito da Reprova&#231;&#227;o negativa, como &#8220;um decreto permanente em Deus pelo qual Ele decide n&#227;o impedir o pecado e decide fazer certos bens, ainda que saiba que, por ocasi&#227;o deles, o pecado ser&#225; cometido&#8221;. E ele ainda concede, no livro 1.5, que todos os pecados dos homens, que seriam cometidos no tempo, poderiam ter sido previstos por Deus e, de fato, foram previstos em seu decreto que predetermina sua permiss&#227;o. Por fim, ele acrescenta que a Escritura ensina que as a&#231;&#245;es pecaminosas ocorrem pela vontade, conselho, decreto e defini&#231;&#227;o de Deus. Para isso, ele cita exatamente os mesmos textos da Escritura que Calvino e os te&#243;logos protestantes costumam usar.</p><p>Por tudo isso, fica claro qu&#227;o fraca e falsa &#233; a conclus&#227;o de que a infalibilidade das a&#231;&#245;es futuras, decretadas por Deus quanto ao seu evento, implica na necessidade da vontade humana em rela&#231;&#227;o a essas a&#231;&#245;es.</p><p>Agostinho, que foi um firme defensor do decreto absoluto da Predestina&#231;&#227;o e da Preteri&#231;&#227;o (ou Reprova&#231;&#227;o), e um ferrenho opositor da elei&#231;&#227;o e n&#227;o-elei&#231;&#227;o semipelagianas baseadas nas boas ou m&#225;s a&#231;&#245;es dos homens previstas por Deus desde a eternidade, rejeita em todos os lugares essa obje&#231;&#227;o pelagiana de que tais decretos extinguem a liberdade da vontade humana, tornando-a necessitada.</p><p>Aquele que comete suas a&#231;&#245;es perversas com delibera&#231;&#227;o e escolha n&#227;o apenas tem dentro de si a pot&#234;ncia da vontade livre, mas tamb&#233;m o uso livre dessa pot&#234;ncia, e pode, mediante outra delibera&#231;&#227;o, decidir fazer o contr&#225;rio ou suspender tal a&#231;&#227;o.</p><p>Essa liberdade &#233; evidente em ad&#250;lteros, ladr&#245;es e todos os tipos de pecadores, que, estando decididos a cometer este ou aquele pecado, quando percebem algum grande perigo, imediatamente escolhem abster-se dele at&#233; que tenham uma oportunidade mais favor&#225;vel para comet&#234;-lo.</p><p>Quanto &#224; predetermina&#231;&#227;o das vontades humanas, sobre a qual esse autor insiste, trata-se de uma controv&#233;rsia entre dominicanos e jesu&#237;tas, com cujas especula&#231;&#245;es metaf&#237;sicas os te&#243;logos protestantes n&#227;o gostam de torturar seus c&#233;rebros.</p><p>N&#227;o reconhecemos nenhuma predetermina&#231;&#227;o que decorra do decreto absoluto de Deus de maneira que, em boas ou m&#225;s a&#231;&#245;es, remova o dom&#237;nio natural que os agentes livres t&#234;m sobre suas pr&#243;prias a&#231;&#245;es. No entanto, se esse dom&#237;nio for concebido como algo t&#227;o absoluto a ponto de excluir o dom&#237;nio de Deus sobre a vontade humana, consideramos isso um erro&#8221;</p><p>Davenant </p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Providencialismo na Tradição Reformada: Além do Cessacionismo de Princeton.]]></title><description><![CDATA[Antes de adentrarmos no tema, citarei refer&#234;ncias da busca incessante pela unidade da Igreja, que &#233; central em toda a tradi&#231;&#227;o teol&#243;gica, especialmente na de Jo&#227;o Calvino.]]></description><link>https://lucemacedo.substack.com/p/providencialismo-na-tradicao-reformada</link><guid isPermaLink="false">https://lucemacedo.substack.com/p/providencialismo-na-tradicao-reformada</guid><dc:creator><![CDATA[John Davenant]]></dc:creator><pubDate>Mon, 10 Feb 2025 00:31:10 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!AZOg!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F677745f7-6514-4c2f-9156-a39e6723046f_1024x768.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AZOg!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F677745f7-6514-4c2f-9156-a39e6723046f_1024x768.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AZOg!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, 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O reformador genebrino, atento &#224; preserva&#231;&#227;o da unidade crist&#227;, visava uma Igreja unificada, particularmente diante da cis&#227;o com Roma. Como ele pr&#243;prio afirmou, sua &#226;nsia pela unidade era constante. Esse zelo n&#227;o se restringia &#224; f&#233; comum, mas abrangia uma pr&#225;tica eclesi&#225;stica que refletisse a verdade b&#237;blica e a continuidade com a Igreja apost&#243;lica. Assim, ao abordarmos as quest&#245;es contempor&#226;neas, pode ser   essencial revisitar as pondera&#231;&#245;es da tradi&#231;&#227;o reformada como um todo, que sempre sublinhou a import&#226;ncia de uma Igreja unificada, fiel &#224; Escritura e sem romper com sua continuidade hist&#243;rica.</p><p>Para aprecia&#231;&#227;o:</p><ul><li><p>Ao falar sobre o pecado do cisma nas <em>Institutas</em> IV. i. 10, Calvino advertiu que n&#227;o se deve desprezar a autoridade da igreja,muito menos abandon&#225;-la e quebrar sua unidade. Pois o Senhor estima tanto a comunh&#227;o de sua igreja que considera como traidor e ap&#243;stata do cristianismo qualquer um que arrogantemente abandone qualquer sociedade crist&#227;, desde que ela aprecie o verdadeiro minist&#233;rio da Palavra e dos sacramentos... Disto se segue que a separa&#231;&#227;o da igreja &#233; a nega&#231;&#227;o de Deus e de Cristo. Portanto, devemos evitar ainda mais uma separa&#231;&#227;o t&#227;o perversa.</p></li></ul><p>Fica claro, portanto, nas <em>Institutas</em> de Calvino , que Calvino estava convencido da verdade b&#237;blica da unidade. Foi a confiss&#227;o dessa verdade b&#237;blica que fomentou o desejo de Calvino de que a igreja fosse uma, e que essa unidade tamb&#233;m recebesse uma manifesta&#231;&#227;o vis&#237;vel.</p><p>O mesmo desejo pela unidade da igreja &#233; evidente tamb&#233;m nos coment&#225;rios de Calvino. Em seu coment&#225;rio sobre Ef&#233;sios 4:4, Calvino observou:</p><ul><li><p>Ele expressa mais claramente qu&#227;o perfeita deve ser a unidade dos crist&#227;os... Quanto dever&#237;amos odiar todas as brigas, se devidamente refletissemos que todos os que se separam de seus irm&#227;os, afastam-se do Reino de Deus! E ainda assim, estranhamente, enquanto esquecemos nossa fraternidade m&#250;tua, continuamos afirmando ser filhos de Deus. Aprendamos com Paulo que ningu&#233;m &#233; de todo adequado para essa heran&#231;a que n&#227;o seja um s&#243; corpo e um s&#243; esp&#237;rito</p></li></ul><p>Calvino sempre desejoso de eliminar todo conflito, escrevendo  tamb&#233;m em sua <em>Secunda Defensio</em> :</p><ul><li><p>Se houvesse alguma esperan&#231;a de apaziguar aqueles homens, <strong>eu n&#227;o me recusaria a me humilhar </strong>e, suplicando a eles, comprar a paz da igreja. Mas at&#233; onde eles s&#227;o levados por sua viol&#234;ncia &#233; not&#243;rio para todos.</p></li></ul><div><hr></div><p>"Sempre, tanto por palavras quanto por a&#231;&#245;es, protestei o quanto <strong>estava ansioso pela unidade</strong>... Minha consci&#234;ncia me disse qu&#227;o forte era o zelo com que eu ardia pela <strong>unidade da tua igreja</strong>." Jo&#227;o Calvino, <em>Resposta a Sadoleto.</em></p><div><hr></div><p>Agora direto ao tema. Antes de tudo, &#233; essencial reconhecer que h&#225; diferentes formas de cessacionismo. No Brasil e nos Estados Unidos, a vis&#227;o predominante entre os reformados &#233; a defendida por B.B. Warfield, da Escola de Princeton. Mesmo que essa posi&#231;&#227;o tenha se tornado amplamente difundida, ela n&#227;o representava o entendimento majorit&#225;rio entre os reformadores e puritanos. Esse modelo de cessacionismo, que ganhou for&#231;a em tempos mais recentes, consolidou-se como o mais aceito pelos reformados brasileiros, mas n&#227;o &#233; a &#250;nica perspectiva dentro da tradi&#231;&#227;o reformada. Devemos lembrar que h&#225; espa&#231;o para varia&#231;&#245;es nesse tema, visto que os s&#237;mbolos de f&#233; reformados n&#227;o encerram a quest&#227;o de maneira pontual. Assim, trat&#225;-lo como um ponto indiscut&#237;vel seria um equ&#237;voco. Na pr&#225;tica, muitos reformados brasileiros limitam sua vis&#227;o de cessacionismo &#224; concep&#231;&#227;o espec&#237;fica de Princeton, sem considerar abordagens mais amplas existentes na tradi&#231;&#227;o reformada, <strong>e esse &#233; um ponto que podemos perder na preserva&#231;&#227;o de nossa importante tradi&#231;&#227;o.</strong></p><p>Entre essas perspectivas encontra-se o providencialismo, uma vis&#227;o hist&#243;rica que tamb&#233;m encontra respaldo na teologia reformada, embora frequentemente seja negligenciada ou mal compreendida.</p><p><strong>Cessacionismo na Assembleia de Westminster</strong></p><p>Ao tratar do primeiro cap&#237;tulo da Confiss&#227;o de F&#233;, &#233; importante destacar que a concep&#231;&#227;o cessacionista dos puritanos e dos pactuantes escoceses da Assembleia de Westminster n&#227;o &#233; id&#234;ntica &#224;quela posteriormente promovida por B.B. Warfield. Os puritanos sustentavam uma forma de cessacionismo que hoje denominamos providencialismo ou cessacionismo moderado. Curiosamente, muitos reformados brasileiros confundem providencialismo com continu&#237;smo, interpretando-o de maneira equivocada e frequentemente associando-o ao neopentecostalismo e ao pentecostalismo. No entanto, essa associa&#231;&#227;o distorce sua verdadeira natureza hist&#243;rica, enraizada na tradi&#231;&#227;o reformada.</p><p>A concep&#231;&#227;o cessacionista entre os puritanos e os pactuantes escoceses fundamentava-se na convic&#231;&#227;o de que a revela&#231;&#227;o escritur&#237;stica fora plenamente consumada com o fechamento do c&#226;non. Assim, n&#227;o haveria novas revela&#231;&#245;es can&#244;nicas, pois tudo o que era necess&#225;rio para a f&#233; e a piedade j&#225; estava contido nas Escrituras.</p><p>Com o t&#233;rmino da revela&#231;&#227;o divina, os of&#237;cios apost&#243;lico e prof&#233;tico foram extintos, incluindo o de evangelista. A fun&#231;&#227;o prof&#233;tica, tal como ocorria no Antigo Testamento, tornou-se obsoleta, visto que Cristo, o Profeta prometido em Deuteron&#244;mio 18:15, cumpriu cabalmente essa predi&#231;&#227;o, conforme ensina Hebreus 1:1-2. Do mesmo modo, o apostolado cessou, pois um de seus requisitos era o testemunho ocular de Cristo ressurreto (At 1:21-22; 9:3-4; Gl 1:1), algo invi&#225;vel ap&#243;s o per&#237;odo apost&#243;lico.</p><p>Os puritanos sustentavam que os dons espirituais foram concedidos com o prop&#243;sito de edificar a Igreja (1Co 12:1-31) e que sinais e prod&#237;gios serviram, em sua &#233;poca, para autenticar a chegada do Reino de Deus (Mt 12:28). Sendo opera&#231;&#245;es soberanas do Esp&#237;rito Santo, tais dons n&#227;o estavam &#224; disposi&#231;&#227;o da vontade humana, mas manifestavam-se exclusivamente segundo o benepl&#225;cito divino.</p><p>Ainda que os of&#237;cios extraordin&#225;rios tenham sido descontinuados, reconhecia-se a possibilidade de que dons fossem concedidos de modo eventual e <strong>n&#227;o ordin&#225;rio,</strong> distinguindo-se, assim, do padr&#227;o vigente no Antigo Testamento e no per&#237;odo apost&#243;lico.</p><p><strong>Embora essa vis&#227;o possa parecer incomum para muitos reformados contempor&#226;neos, ela encontra respaldo em documentos hist&#243;ricos. Um exemplo not&#225;vel &#233; o Segundo Livro de Disciplina da Esc&#243;cia, escrito pelos covenanters hist&#243;ricos, que declara:</strong></p><p>&#8220;Algumas dessas fun&#231;&#245;es eclesi&#225;sticas s&#227;o comuns, e algumas extraordin&#225;rias ou tempor&#225;rias. Existem tr&#234;s fun&#231;&#245;es extraordin&#225;rias: o of&#237;cio de ap&#243;stolo, de evangelista e de profeta, que n&#227;o s&#227;o perp&#233;tuas e agora cessaram na Igreja de Deus, exceto quando Ele se agrada extraordinariamente, por um tempo, usar alguma delas mais uma vez&#8230;&#8221;</p><ul><li><p><em>Dado que delegados escoceses participaram ativamente da Assembleia de Westminster, esse documento nos auxilia a compreender a vis&#227;o dominante entre os puritanos acerca da cessa&#231;&#227;o dos of&#237;cios extraordin&#225;rios e da opera&#231;&#227;o dos dons espirituais.</em></p></li></ul><p><strong>Exemplos de Reformadores, Puritanos e Importantes te&#243;logos da tradi&#231;&#227;o reformada</strong></p><p>Os reformadores e te&#243;logos dos s&#233;culos <strong>XVI e XVII</strong> defenderam uma posi&#231;&#227;o que, atualmente, denominamos cessacionismo moderado ou providencialismo. Alguns exemplos incluem:</p><ul><li><p><strong>Jo&#227;o Calvino</strong>: &#8220;Essas tr&#234;s fun&#231;&#245;es [ap&#243;stolos, evangelistas e profetas] n&#227;o foram institu&#237;das na Igreja para que fossem perp&#233;tuas, mas apenas para aquele tempo em que deveriam ser implantadas Igrejas onde nenhuma havia antes existido&#8230; <strong>Embora eu n&#227;o negue que</strong>, <strong>depois, houve tamb&#233;m ap&#243;stolos ou, pelo menos, evangelistas no lugar deles, Deus &#224;s vezes os suscitava, como ocorreu em nosso tempo.</strong>&#8221;</p></li><li><p><strong>Peter M. Vermigli</strong>: &#8220;O Senhor levantou os outros tr&#234;s [ap&#243;stolos, evangelistas e profetas] no in&#237;cio de seu reino, e ainda ocasionalmente os levanta quando a necessidade dos tempos exige.&#8221;</p></li><li><p><strong>Robert Bruce</strong>: Relatos de seu minist&#233;rio indicam que casos de profecias revelat&#243;rias ocorreram. Um exemplo: &#8220;Certamente h&#225; uma pessoa nessa santa mesa culpada de um pecado horr&#237;vel e do qual ainda n&#227;o se arrependeu; pois meu Mestre me fez ficar calado e n&#227;o posso dizer mais nada at&#233; que essa pessoa se retire.&#8221; Ap&#243;s o ocorrido, um homem se levantou, confessou seu pecado e foi confrontado.</p></li><li><p><strong>George Gillespie</strong>: &#8220;Pois n&#227;o ouso dizer que desde os dias dos ap&#243;stolos nunca houve, ou que at&#233; o fim do mundo nunca haver&#225; algu&#233;m levantado por Deus com tais dons, e para tais administra&#231;&#245;es, como agora descrevi ser pr&#243;prio dos profetas e evangelistas.&#8221;George Gillespie, <em>Miscellany Questions</em> , Cap&#237;tulo 5, se&#231;&#227;o 7, p. 30.</p></li><li><p>Devo dizer que, para a gl&#243;ria de Deus, havia na igreja da Esc&#243;cia, tanto no tempo da nossa primeira reforma, quanto depois da reforma, homens extraordin&#225;rios que eram mais do que pastores e professores comuns <strong>, at&#233; mesmo profetas santos recebendo revela&#231;&#245;es extraordin&#225;rias de Deus e prevendo diversas coisas estranhas e not&#225;veis, que consequentemente aconteceram pontualmente, para grande admira&#231;&#227;o de todos que conheciam os detalhes</strong> . Tais eram o Sr. Wishart, o m&#225;rtir, o Sr. Knox, o reformador, tamb&#233;m o Sr. John Welsh, o Sr. John Davidson, o Sr. Robert Bruce, o Sr. Alexander Simpson, o Sr. Fergusson e outros. Seria muito longo fazer uma narrativa aqui de todos esses detalhes, e h&#225; tantos deles estupendos que dar exemplos de alguns poucos poderia parecer menosprezar o resto, mas se Deus me der oportunidade, considerarei que vale a pena fazer uma cole&#231;&#227;o dessas coisas (George Gillespie, <em>Miscellany Questions</em> , Vol. 2, Cap&#237;tulo 5, se&#231;&#227;o 7, p. 30).</p></li><li><p><strong>Samuel Rutherford</strong>: &#8220;Eu n&#227;o lamento o significado e exalto as inspira&#231;&#245;es imediatas; este &#250;ltimo n&#227;o nego em alguns casos.&#8221;</p></li><li><p><strong>Charles Spurgeon</strong>: Durante um serm&#227;o no Exeter Hall, Londres, interrompeu sua prega&#231;&#227;o e apontou em uma dire&#231;&#227;o, declarando: &#8220;Jovem, as luvas que voc&#234; est&#225; vestindo n&#227;o foram pagas: voc&#234; as furtou de seu empregador&#8221;. Ap&#243;s o culto, um jovem p&#225;lido e agitado se aproximou e confessou que havia furtado as luvas, prometendo n&#227;o repetir o erro.</p></li></ul><p><strong>Essa vis&#227;o tamb&#233;m encontra paralelos na patr&#237;stica:</strong></p><ul><li><p> <strong>Santo Agostinho: </strong>Por volta de 430 d.C., testemunhou: &#8220;Tamb&#233;m agora se fazem milagres em seu nome, quer por seus sacramentos, quer pelas ora&#231;&#245;es&#8230; por&#233;m sua fama e sua gl&#243;ria n&#227;o se estendem como as daqueles [ap&#243;stolos].&#8221; Ele relatou diversas curas ocorridas em seu tempo.</p></li><li><p><strong>Justino de Roma:</strong> &#8220;Entre n&#243;s, com efeito, at&#233; o presente existiam carismas prof&#233;ticos [&#8230;] v&#243;s mesmos deveis compreender que os de antes que existiam em vosso povo, passaram para n&#243;s.&#8221;</p></li></ul><p>Providencialismo N&#227;o &#233; Pentecostalismo</p><p>&#201; importante enfatizar que providencialismo e pentecostalismo s&#227;o conceitos distintos. Muitos confundem os dois erroneamente. O pentecostalismo ensina que, ap&#243;s a convers&#227;o, h&#225; uma segunda b&#234;n&#231;&#227;o acompanhada do falar em l&#237;nguas como evid&#234;ncia. J&#225; o providencialismo reformado n&#227;o reconhece a profecia como revela&#231;&#227;o doutrinal. Como explica Wayne Grudem:</p><p>&#8220;As palavras de Deus proferidas por l&#225;bios humanos deixaram de ser dadas quando o c&#226;non do Novo Testamento foi completado&#8230; &#201; mais proveitoso para n&#243;s estudar as palavras de Deus escritas na B&#237;blia. &#201; a Palavra escrita de Deus que Ele nos ordena estudar.&#8221;</p><div><hr></div><p><strong>At&#233; aqui, limitei-me &#224; exposi&#231;&#227;o de dados, abstendo-me de qualquer tom professoral, algo que procurei evitar, deixando a an&#225;lise a crit&#233;rio do leitor.Apenas neste ponto permito-me uma breve reflex&#227;o: como estudante das tradi&#231;&#245;es ocidental e oriental, busco sempre enxergar o cristianismo para al&#233;m das lentes euroc&#234;ntricas e americanas. Vejo essa mesma preocupa&#231;&#227;o nos pr&#243;prios reformadores em suas reflex&#245;es. Se essa perpectiva puder, de algum modo, enriquecer a an&#225;lise de algum irm&#227;o ou irm&#227;, ficarei grata ao Senhor Jesus Cristo.</strong></p><div><hr></div><p>Destaco tamb&#233;m que tanto a Igreja Presbiteriana Independente - IPIB (Sou da Primeira Catedral Evang&#233;lica de S&#227;o Paulo Instagram: catedralevangelicasp ) quanto a Igreja Presbiteriana do Brasil - IPB possuem documentos oficiais sobre os dons espirituais .Esses materiais podem ser encontrados online via pesquisa no google.</p><div><hr></div><p>Fontes de Refer&#234;ncia</p><blockquote><p>&#8226; IPIB- https://pt.scribd.com/document/206118646/A-Doutrina-Oficial-Do-Espirito-Santo-Na-IPIB</p><p>&#8226; IPB - https://doceru.com/doc/sv51s0c</p><p>&#8226; Recomendo especialmente o livro Pneumatologia Calvinista, do Rev. Luciano Betim https://loja.calvinismoexplicado.com.br/pneumatologia-calvinista-o-espirito-santo-dons-e-ministerios</p><p>&#8226; Gabriel S. Lisboa X-Twitter: lisboasgb</p><p>&#8226; Instituto Calvinista De Filosofia - Youtube - playlist - Os Profetas Escoceses</p><p>&#8226; Ibetec - Edu Marques</p><p>&#8226; Francisco Tourinho do Calvinismo Explicado</p><p>&#8226; https://spindleworks.com/library/pot/calvin_ecumenicity.htm</p></blockquote><p>Soli Deo Gloria</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://lucemacedo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!T6OR!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3f0fb926-1d19-4d71-b296-b65b5cf4c48c_754x501.webp" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<h6><em>                                                                       </em></h6><h6><em>           </em></h6><h6><em>                                             </em></h6><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!T6OR!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3f0fb926-1d19-4d71-b296-b65b5cf4c48c_754x501.webp" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!T6OR!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, 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nosso Pai, e da parte do Senhor Jesus Cristo&#8221; 2 Tessalonicenses 1:2-3</p><p>A gra&#231;a esteja com voc&#234; e a paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.</p><p>Nestas palavras, est&#225; contida a terceira parte do t&#237;tulo, que chamamos de Sauda&#231;&#227;o; onde duas coisas devem ser observadas: as b&#234;n&#231;&#227;os que o Ap&#243;stolo deseja para os colossenses, isto &#233;, gra&#231;a e paz, e os autores dessas b&#234;n&#231;&#227;os, Deus Pai e Cristo.</p><p>A gra&#231;a esteja com voc&#234;.] Em primeiro lugar, podemos fazer esta observa&#231;&#227;o geral: os Ap&#243;stolos mudaram ou, melhor, ampliaram a sauda&#231;&#227;o hebraica antiga. Pois a sauda&#231;&#227;o habitual dos hebreus era: &#8220;Paz seja contigo&#8221;; mas ap&#243;s o mist&#233;rio da reden&#231;&#227;o humana ser revelado, no qual Deus abriu a fonte da gra&#231;a para a humanidade, eles tamb&#233;m adicionaram a gra&#231;a. E essas duas b&#234;n&#231;&#227;os s&#227;o assim unidas pela melhor raz&#227;o poss&#237;vel. Pois a gra&#231;a &#233; um bem introdut&#243;rio; a paz &#233; o bem final: aquele que deseja essas duas b&#234;n&#231;&#227;os para algu&#233;m inclui tamb&#233;m todos os benef&#237;cios intermedi&#225;rios. Mas vamos consider&#225;-las separadamente.</p><p>O termo gra&#231;a denota tr&#234;s coisas:</p><div class="preformatted-block" data-component-name="PreformattedTextBlockToDOM"><label class="hide-text" contenteditable="false">Text within this block will maintain its original spacing when published</label><pre class="text">Primeiro, o ato gratuito da vontade divina aceitando o homem em Cristo e perdoando misericordiosamente seus pecados. Este &#233; o significado prim&#225;rio desta palavra, que o Ap&#243;stolo em todo lugar refor&#231;a. Pela gra&#231;a, o homem &#233; salvo, Ef&#233;sios 1:5. Sendo justificados gratuitamente pela sua gra&#231;a, Romanos 3:24. Este amor gratuito de Deus &#233; o primeiro dom, diz Altissiodorensis, no qual todos os outros dons s&#227;o concedidos. Tom&#225;s de Aquino reconhece essa gra&#231;a de aceita&#231;&#227;o, Quaest. disp. de grat. art. 1.</pre></div><p>Em segundo lugar, sob esse termo gra&#231;a, o Ap&#243;stolo inclui todos os dons habituais que Deus infunde para a santifica&#231;&#227;o da alma. Assim, a f&#233;, o amor e todas as virtudes e d&#225;divas salutares s&#227;o chamadas de gra&#231;as. As palavras do Ap&#243;stolo em Ef&#233;sios 4:7 t&#234;m esse sentido: &#8220;A cada um de n&#243;s &#233; dada gra&#231;a segundo a medida do dom de Cristo&#8221;. Os papistas reconhecem essa gra&#231;a inerente quase exclusivamente; e, ao mesmo tempo, pensam com pouca considera&#231;&#227;o sobre aquela gra&#231;a de aceita&#231;&#227;o, que &#233; a fonte e manancial dela.</p><p>Por fim, a gra&#231;a denota a assist&#234;ncia atual de Deus, pela qual o regenerado, ap&#243;s ter recebido a gra&#231;a habitual, &#233; fortalecido para realizar boas obras e perseverar na f&#233; e na piedade. Para o homem renovado e santificado pela gra&#231;a, a ajuda di&#225;ria de Deus &#233; ainda necess&#225;ria para cada ato individual. Quando, portanto, o Ap&#243;stolo deseja gra&#231;a para os colossenses, ele deseja para eles o favor gratuito de Deus, os dons habituais de santifica&#231;&#227;o e a incessante assist&#234;ncia atual de Deus. A uni&#227;o de todos esses &#233; necess&#225;ria: a gra&#231;a inerente n&#227;o &#233; dada a menos que a gra&#231;a de aceita&#231;&#227;o tenha precedido; nem, sendo dada, &#233; &#250;til para a produ&#231;&#227;o de frutos, a menos que tamb&#233;m a ajuda eficaz de Deus siga e acompanhe atrav&#233;s de cada ato individual.</p><p>E a paz.] Os hebreus usavam essa express&#227;o como n&#243;s usamos as express&#245;es sa&#250;de ou alegria: ela significa um estado de coisas pr&#243;spero e conforme nossos desejos, sem calamidades p&#250;blicas ou privadas. Assim, em G&#234;nesis 43:27, &#8220;H&#225; paz para seu pai?&#8221; ou, como traduzimos, &#8220;Seu pai est&#225; bem?&#8221; Segundo Tremellius, ele est&#225; indo bem? E no Salmo 122:6, &#8220;Orai pela paz de Jerusal&#233;m&#8221; (ou seja, pe&#231;a pelas coisas que pertencem a isso). Mas com os Ap&#243;stolos, ela &#233; usada em um sentido mais amplo e compreende, de maneira mais especial, a alegria e prosperidade espirituais. Portanto, sob este termo paz, Paulo, em primeiro lugar, deseja para eles a paz interior, ou a paz de consci&#234;ncia, que surge da gra&#231;a de Deus que nos aceita por causa de Cristo: por isso disse Cristo, Jo&#227;o 14:27, &#8220;A minha paz vos dou&#8221;; e o Ap&#243;stolo, Romanos 5:1, &#8220;Sendo justificados pela f&#233;, temos paz com Deus&#8221;. Esta &#233; a paz que excede todo entendimento e ela fortifica e guarda o cora&#231;&#227;o de um bom homem como uma guarda militar; assim, Filipenses 4:7, &#966;&#961;&#959;&#965;&#961;&#942;&#963;&#949;&#953; &#964;&#8048;&#962; &#954;&#945;&#961;&#948;&#943;&#945;&#962; &#8017;&#956;&#8182;&#957;, ela guardar&#225; os vossos cora&#231;&#245;es.</p><p>Em segundo lugar, como Jer&#244;nimo explica, ele deseja para eles a paz fraternal; pois ele quer dizer isso naquele vers&#237;culo, &#8220;Pax ruminantes gratiam excludunt&#8221; &#8211; quebrando a paz, eles excluem a gra&#231;a. E essa paz &#233; um bem grande e desej&#225;vel, muito frequentemente celebrada pelos Ap&#243;stolos, e reconhecida como um dom especial de Deus; da&#237; dizer-se, em 1 Cor&#237;ntios 14:33, &#8220;Deus n&#227;o &#233; de confus&#227;o, mas de paz&#8221;, e em 2 Cor&#237;ntios 13:11, &#8220;O Deus de paz e amor&#8221;. As sementes do cisma haviam sido espalhadas; havia, portanto, a necessidade de paz.</p><p>Por fim, ele deseja tamb&#233;m a paz externa, isto &#233;, o bem-estar da Igreja de Colossos e de todos os indiv&#237;duos nela; mas apenas na medida em que isso n&#227;o contrarie o seu bem espiritual, pois &#224;s vezes &#233; mais proveitoso para os fi&#233;is que sejam afligidos do que desfrutem de paz e tranquilidade externas.</p><p>Este &#233; o resumo do desejo apost&#243;lico: a partir do qual podemos reunir muitas coisas dignas de observa&#231;&#227;o.</p><p>A partir da pr&#243;pria ordem, somos ensinadas tr&#234;s coisas:</p><p>1. Em primeiro lugar, ao colocar a gra&#231;a antes da paz, ele nos ensina que isso deve ser desejado primeiro de tudo, para que possamos ter Deus prop&#237;cio. Se Ele for hostil, at&#233; mesmo as b&#234;n&#231;&#227;os se transformar&#227;o em maldi&#231;&#227;o.</p><p>2. Al&#233;m disso, ele ensina que a verdadeira paz s&#243; pode pertencer &#224;queles que est&#227;o em favor de Deus. N&#227;o h&#225; paz para os &#237;mpios, ou seja, para a pessoa que n&#227;o foi reconciliada por Cristo.</p><p>3. Por &#250;ltimo, pela pr&#243;pria ordem em que essas b&#234;n&#231;&#227;os s&#227;o colocadas, ele mostra que todas as coisas boas que caem para os justos s&#227;o, por assim dizer, como fluxos dessa fonte de gra&#231;a divina.</p><p>Sobre o que &#233; desejado:</p><p>4. Paulo nos mostra, por seu pr&#243;prio exemplo, o dever de cada ministro do Evangelho; que &#233;, n&#227;o apenas pregar gra&#231;a e paz para seu povo, mas, de seus cora&#231;&#245;es mais profundos, implorar as mesmas coisas a Deus por meio da ora&#231;&#227;o incessante, pois isso por si s&#243; n&#227;o &#233; suficiente.</p><p>5. Ele prova a tolice deste mundo, no qual quase todos desejam para si mesmos e seus amigos, sa&#250;de, riquezas e honras; mas gra&#231;a, paz e outras coisas espirituais boas, eles nem consideram ou pensam nelas. Mas Cristo nos ordena a buscar primeiro o reino de Deus, Mateus 6:33.</p><p>6. Ele conforta os piedosos e fi&#233;is mostrando-lhes que a gra&#231;a de Deus e a paz de Deus est&#227;o sempre presentes com eles; em compara&#231;&#227;o com essas boas coisas, tudo o que cai sobre os &#237;mpios &#233; sujeira e lixo. &#8220;Um Deus apaziguado&#8221;, diz Bernardo, &#8220;tranquiliza todas as coisas, e ver Ele em paz &#233; estar em paz n&#243;s mesmos&#8221;. (Bernardo, em C&#226;ntico, Serm&#227;o 33).</p><p>Quanto &#224;s b&#234;n&#231;&#227;os desejadas. Agora, vamos falar sobre os autores delas, que o Ap&#243;stolo designa nas palavras seguintes: &#8220;De Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.&#8221; Nessas palavras, ele aponta tanto a fonte quanto o canal de toda gra&#231;a, descrevendo ambos pela sua rela&#231;&#227;o conosco:</p><p>De Deus nosso Pai. A fonte da gra&#231;a &#233; Deus Ele mesmo. Pois, se entendermos por gra&#231;a o amor gratuito de Deus para conosco, esse amor flui imediatamente da vontade divina, n&#227;o sendo provocado por m&#233;ritos humanos: &#8220;Eu te amei com um amor eterno&#8221;, diz Deus, Jeremias 31:3. Portanto, com bondade amorosa, eu te atra&#237;. E de forma mais divina, Bernardo fala em C&#226;ntico, Serm&#227;o 59: &#8220;E Deus ama: n&#227;o porque Ele derive isso de outra fonte, mas Dele mesmo, a fonte do amor; e, portanto, o Seu amor &#233; mais intenso, n&#227;o tanto porque Ele tem amor, mas porque Ele &#233;, Ele mesmo, o amor&#8221; (1 Jo&#227;o 4:16). O amor de Deus n&#227;o nos encontra dignos, mas nos torna dignos de Seu amor. Se entendermos por gra&#231;a os dons habituais de santidade, &#233; evidente que todos esses emanam de Deus somente para nossas almas. &#8220;Toda boa d&#225;diva e todo dom perfeito v&#234;m de cima, e descem do Pai das luzes&#8221;, Tiago 1:17; o que os escol&#225;sticos demonstram por muitos racioc&#237;nios, a saber, que nada pode ser uma causa fisicamente operante na produ&#231;&#227;o da gra&#231;a, exceto Deus sozinho.</p><p>1. A infus&#227;o ou a produ&#231;&#227;o da gra&#231;a &#233; an&#225;loga ao modo de cria&#231;&#227;o; na medida em que n&#227;o possui nenhuma causa inata no sujeito sobre o qual ela atua, nem materiais cujas capacidades possam ser educadas por um agente natural: portanto, &#233; de Deus sozinho, que, do nada, fez todas as coisas, para infundir e imprimir a gra&#231;a. Deus dar&#225; gra&#231;a e gl&#243;ria, Salmo 84:12.</p><p>2. A gra&#231;a surge da participa&#231;&#227;o sobrenatural de Deus; mas &#233; obra da bondade divina comunicar-se a Ele mesmo de maneira gratuita &#224; Sua criatura.</p><p>3. A gra&#231;a n&#227;o &#233; impressa na alma, salvo pela causa capaz de agir imediatamente na pr&#243;pria alma; mas &#233; privil&#233;gio de Deus sozinho ser capaz de se infiltrar na alma humana e mud&#225;-la, inclinando-a por uma opera&#231;&#227;o interna. Portanto, Deus &#233; a fonte da gra&#231;a. Da&#237; o erro de Tom&#225;s, com Bellarmino e seus outros seguidores, que atribuem aos sacramentos externos uma causa&#231;&#227;o f&#237;sica da gra&#231;a.</p><p>Nosso Pai. Deus, como Deus, como Criador, quer o bem para todas as Suas criaturas, mas n&#227;o todo o bem. Pois Ele quer a comunica&#231;&#227;o dos bens da natureza n&#227;o apenas para os homens &#237;mpios, mas tamb&#233;m para os pr&#243;prios animais; porque os concede como o Autor da natureza. Mas os bens da gra&#231;a salvadora Ele os comunica apenas aos Seus filhos; pois esses Ele distribuem como o Pai da miseric&#243;rdia. E por isso o Ap&#243;stolo acrescenta &#8220;Nosso Pai.&#8221; Por essa raz&#227;o, o Salvador, quando prescreveu uma forma de ora&#231;&#227;o, nos ensinou a invocar &#8220;Nosso Pai&#8221;; pois n&#227;o h&#225; esperan&#231;a de obter os bens da gra&#231;a, a menos que sejamos adotados entre os Seus filhos. E, dessa paternidade de Deus, Ele conclui que o bem necess&#225;rio para os piedosos ser&#225; concedido a eles por Deus. Quanto mais o vosso Pai que est&#225; nos c&#233;us dar&#225; boas coisas aos que lhe pedirem, Mateus 7:11. Que estas coisas sejam suficientes a respeito da fonte da gra&#231;a, isto &#233;, de Deus.</p><p>Da parte do Senhor Jesus Cristo.&#8221; O Ap&#243;stolo aqui aponta o canal da gra&#231;a, ou seja, Jesus Cristo, o Mediador entre Deus e os homens. Deus, o Pai, &#233; a fonte da gra&#231;a, mas Ele escolhe que ela seja derivada para n&#243;s atrav&#233;s de Seu Filho. Assim como, pelo primeiro Ad&#227;o, o pecado &#233; derivado para aqueles que, segundo a carne, descenderam dele, tamb&#233;m, pelo segundo Ad&#227;o, isto &#233;, Cristo, a gra&#231;a &#233; derivada para aqueles que s&#227;o espiritualmente regenerados. Portanto, Cristo &#233; dito como o que transmite gra&#231;a ao Seu povo, seja pela efic&#225;cia de Sua opera&#231;&#227;o, pelo benef&#237;cio de Sua intercess&#227;o, ou pelo m&#233;rito de Sua paix&#227;o. Sendo Ele o Cabe&#231;a da Igreja, &#233; Sua fun&#231;&#227;o peculiar dar vida eficazmente aos Seus membros e comunicar-lhes a gra&#231;a, ou seja, a vida espiritual e o movimento. Sendo Sacerdote, Ele ora e intercede por esta gra&#231;a. Tendo oferecido a Si mesmo como sacrif&#237;cio aceit&#225;vel a Deus, Ele adquiriu meritoriamente o favor e a gra&#231;a de Deus para a Igreja. Da&#237;, nas Santas Escrituras, toda a gra&#231;a e b&#234;n&#231;&#227;o espiritual s&#227;o apresentadas como dadas a n&#243;s em Cristo, como em Ef&#233;sios 1:3-4: &#8220;Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos aben&#231;oou com toda sorte de b&#234;n&#231;&#227;os espirituais nas regi&#245;es celestes em Cristo; assim como nos escolheu nele antes da funda&#231;&#227;o do mundo, para que f&#244;ssemos santos e irrepreens&#237;veis diante dele em amor&#8221;; e em Ef&#233;sios 4:16: &#8220;De quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado, pela coopera&#231;&#227;o de toda a junta, segundo a efic&#225;cia da opera&#231;&#227;o em medida de cada parte, faz o aumento do corpo, para a edifica&#231;&#227;o de si mesmo em amor&#8221;; e em Jo&#227;o 1:16: &#8220;Porque todos n&#243;s recebemos da sua plenitude, e gra&#231;a sobre gra&#231;a.&#8221;</p><p>&#8220;E o Senhor.&#8221; Cristo &#233; designado pela rela&#231;&#227;o que Ele mant&#233;m conosco; pois Ele &#233; Senhor de n&#243;s, e de fato de todas as criaturas. E este t&#237;tulo pertence n&#227;o apenas &#224; natureza divina, mas tamb&#233;m &#224; Sua natureza assumida. Pois Deus, o Pai, quer que todas as coisas sejam sujeitas a Ele; e o fez sentar-se acima de todos os poderes, como em Ef&#233;sios 1:20-21 e Hebreus 2:8: &#8220;Ele colocou todas as coisas sob Seus p&#233;s.&#8221; Mas Ele &#233; o Senhor dos piedosos, n&#227;o apenas pelo direito de Filia&#231;&#227;o, mas tamb&#233;m pelo direito de reden&#231;&#227;o e liberta&#231;&#227;o.</p><p>A gra&#231;a nos flui de Deus, o nosso Pai, atrav&#233;s de nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, observe:</p><blockquote><p>1. Aqueles que est&#227;o afastados de Deus por obstinada perseveran&#231;a no pecado est&#227;o desprovidos da gra&#231;a vivificadora; e se falamos de vida espiritual, s&#227;o cad&#225;veres, n&#227;o homens. Pois assim como um homem que se afasta do sol se priva da luz e do calor, assim quem se afasta de Deus pelo pecado se priva da influ&#234;ncia da gra&#231;a salvadora, pois a gra&#231;a vem de Deus.</p><p>2. Aqueles que n&#227;o s&#227;o filhos adotivos certamente n&#227;o podem pedir nem esperar nenhuma gra&#231;a de Deus. Para que possamos nos aproximar do trono da gra&#231;a com a certeza da f&#233;, Deus deve ser solicitado a enviar o Esp&#237;rito de ado&#231;&#227;o aos nossos cora&#231;&#245;es, pelo qual podemos clamar a Ele: &#8220;Abba, Pai.&#8221; Pois esta gra&#231;a n&#227;o vem simplesmente de Deus, mas de Deus, o Pai.</p><p>3. Aquele que busca a gra&#231;a n&#227;o deve implorar nem aos santos, nem mesmo &#224; bendita m&#227;e de Cristo; mas pedi-la ao Pai, em nome de Cristo, Seu Filho. Pois o que o Filho requer, que &#233; o mediador da gra&#231;a, &#233; facilmente obtido. Portanto, os papistas erram, que dizem que nenhuma gra&#231;a desce do c&#233;u &#224; terra sem passar pelas m&#227;os da virgem Maria.</p><p>4. Visto que Cristo &#233; nosso Senhor, devemos nos conduzir como bons e fi&#233;is servos. &#201; dever dos servos moldar sua vida e seus comportamentos de acordo com a vontade de seu mestre; diligentemente cumprir o dever que lhe foi designado por seu mestre; n&#227;o formar amizades com os inimigos de seu mestre; se errar, humildemente submeter-se ao seu mestre; e in&#250;meros outros atos de natureza semelhante, que, enquanto negligenciados, negam que Cristo &#233; nosso Senhor &#8212; n&#227;o com os l&#225;bios, mas com nossas vidas.</p></blockquote><p><strong>E at&#233; agora expomos a sauda&#231;&#227;o apost&#243;lica. A partir da considera&#231;&#227;o disso, surge uma importante controv&#233;rsia entre n&#243;s e os papistas, que tocaremos brevemente. O Ap&#243;stolo, como voc&#234;s ouviram, deseja para os fi&#233;is gra&#231;a e paz de Deus e do Senhor Jesus Cristo; ou seja, aceita&#231;&#227;o gratuita por causa de Cristo, ado&#231;&#227;o entre os filhos de Deus e a certeza da remiss&#227;o dos pecados. Da&#237; surge a quest&#227;o: os fi&#233;is podem ou n&#227;o podem, com certeza, determinar por si mesmos que est&#227;o em favor de Deus e que seus pecados foram remidos por causa de Cristo, em quem creram?</strong></p><p>Nossa opini&#227;o &#233; que todo fiel e verdadeiramente justificado pode e deve, infalivelmente, crer que seus pecados foram remidos como um indiv&#237;duo e que Deus est&#225; reconciliado com ele; ou seja, que ele possui esta gra&#231;a e paz que o Ap&#243;stolo desejou para os colossenses.</p><p>A opini&#227;o dos papistas &#233; que aqueles que s&#227;o verdadeiramente justificados e est&#227;o em favor de Deus, ainda assim, n&#227;o podem nem devem crer que est&#227;o reconciliados com Deus e justificados, mas devem apenas esperar e conjecturar que est&#227;o em um estado de gra&#231;a e que obtiveram a remiss&#227;o.</p><p>Estabelecemos nossa opini&#227;o por estes argumentos:</p><blockquote><p>1. Da natureza da f&#233;. Aquele que &#233; dotado de verdadeira f&#233; v&#234;, pela pr&#243;pria luz dessa f&#233; acesa em seu cora&#231;&#227;o pelo Esp&#237;rito Santo, que cr&#234; em Cristo e &#233; justificado pela f&#233;: mas aquele que v&#234; isso, ao mesmo tempo &#233; capaz de concluir que est&#225; em favor de Deus e que seus pecados foram perdoados. Pois as Escrituras afirmam claramente: &#8220;Justificados pela f&#233;, temos paz com Deus&#8221;, Romanos 5:1. &#8220;Aquele que cr&#234; no Filho tem a vida eterna&#8221;, Jo&#227;o 3:16 e 36. Portanto, toda a dificuldade est&#225; em mostrar que um crente est&#225; autorizado a dizer, n&#227;o por conjectura e opini&#227;o, mas por convic&#231;&#227;o, &#8220;Eu creio em Cristo&#8221;. Isso &#233; comprovado por Agostinho, em De Trinitate XIII.1: &#8220;Aquilo em que somos ordenados a crer n&#227;o podemos ver; no entanto, a f&#233;, quando &#233; operada em n&#243;s, sabemos que est&#225; em n&#243;s&#8221;. Tom&#225;s tamb&#233;m afirma: &#8220;Quem tem conhecimento ou f&#233;, tem certeza de que a tem&#8221;. Isso &#233; da natureza da f&#233;, que um homem esteja certo dessas coisas nas quais ele tem f&#233;. Para isso, Cajetano escreve: &#8220;Pela certeza da f&#233;, algu&#233;m sabe que possui o dom da f&#233; infundido nele, e acredita nisso, assim como acredita em outras coisas que realmente acredita, como, por exemplo, a encarna&#231;&#227;o de Cristo, etc.&#8221; Durando tamb&#233;m escreve: &#8220;Aquele que tem f&#233; tem certeza de que a tem, assim como tem certeza de qualquer outra coisa: pois, acreditando, ele experimenta que acredita&#8221;, Lib. III, Dist. 23, Q. 7. Tom&#225;s apresenta essa raz&#227;o: &#8220;Porque todo estado da parte intelectual &#233; a causa pr&#243;xima de seu pr&#243;prio reconhecimento, uma vez que sua pr&#243;pria ess&#234;ncia est&#225; na mente&#8221;. Isso pode ser confirmado por muitos testemunhos das Escrituras, que afirmam que os regenerados sabem que nasceram de novo pelo Esp&#237;rito, e os fi&#233;is sabem que s&#227;o fi&#233;is: assim, 1 Cor&#237;ntios 2:12, &#8220;Recebemos o Esp&#237;rito que vem de Deus, para que saibamos as coisas que nos foram dadas por Deus&#8221;; 2 Cor&#237;ntios 13:5, &#8220;N&#227;o sabeis que Cristo est&#225; em v&#243;s, a n&#227;o ser que estais reprovados?&#8221;; 1 Jo&#227;o 4:13, &#8220;Sabemos que permanecemos nele, e ele em n&#243;s, porque ele nos deu do seu Esp&#237;rito&#8221;. Pois a f&#233;, como luz, n&#227;o s&#243; ilumina outras coisas, mas a si mesma.</p><p>2. Da natureza das promessas. As promessas da gra&#231;a evang&#233;lica e da remiss&#227;o dos pecados, pela reconcilia&#231;&#227;o de Cristo, devem ser assim acreditadas por n&#243;s para nos proporcionar consolo firme e s&#243;lido: mas, a menos que eu creia em particular que estou reconciliado e que meus pecados foram perdoados, elas n&#227;o podem nos proporcionar esse consolo. O motivo &#233; evidente, porque o pr&#243;prio fim da gra&#231;a evang&#233;lica e das promessas divinas &#233; que tenhamos forte consolo, Hebreus 6:18. Mas a f&#233; geral dos papistas, de que todos os que creem verdadeiramente e vivem piedosamente t&#234;m remiss&#227;o dos pecados, ou aquela f&#233; condicional, &#8220;Se sou fiel, estou na gra&#231;a de Deus&#8221;, n&#227;o proporciona forte consolo, pois pode coexistir com o desespero. &#201; necess&#225;rio, como diz Bernardo, crer que voc&#234; n&#227;o pode ter perd&#227;o, a n&#227;o ser pela miseric&#243;rdia de Deus; mas, ao mesmo tempo, crer que seus pr&#243;prios pecados foram perdoados por meio dele. Bernardo, De Annunt. Serm. 2. E a raz&#227;o &#233; que as promessas de Deus n&#227;o surtem efeito at&#233; que sejam aceitas por n&#243;s; portanto, embora a remiss&#227;o dos pecados, sob condi&#231;&#227;o de f&#233;, seja oferecida a todos, ela deve necessariamente ser aceita individualmente por cada um, para que seja &#250;til e salutar para cada um. As promessas n&#227;o s&#227;o aceitas por aqueles que n&#227;o sabem, mas por aqueles que sabem, entendem e sentem que as apreendem e as aceitam.</p><p>3. O Esp&#237;rito Santo sela especialmente cada crente particular e o faz ter certeza de sua ado&#231;&#227;o, por um testemunho certo e maravilhoso: pois ele &#233; dado a cada crente como um penhor do amor divino; e ele, finalmente, pronuncia em seus cora&#231;&#245;es que eles est&#227;o em favor de Deus: o que eles podem e devem acreditar. Portanto, eles devem acreditar, em particular, que est&#227;o na gra&#231;a de Deus e que seus pecados foram perdoados. As autoridades de onde tudo isso &#233; provado s&#227;o bem conhecidas: Romanos 8:16, &#8220;O Esp&#237;rito d&#225; testemunho ao nosso esp&#237;rito de que somos filhos de Deus&#8221;; G&#225;latas 4:6, &#8220;Porque sois filhos, Deus enviou o Esp&#237;rito de seu Filho aos vossos cora&#231;&#245;es, clamando: Aba, Pai&#8221;; e Ef&#233;sios 1:13-14, &#8220;Fostes selados com o Santo Esp&#237;rito, depois de crerdes, o qual &#233; o penhor da nossa heran&#231;a&#8221;. E esse testemunho n&#227;o &#233; falacioso ou conjectural, mas certo e infal&#237;vel em todos os que o possuem. Pois a palavra &#233; o minist&#233;rio do Esp&#237;rito, 2 Cor&#237;ntios 3; e a f&#233; concebida pelo minist&#233;rio da palavra &#233; sempre acompanhada pelo testemunho do pr&#243;prio Esp&#237;rito. Portanto, a impress&#227;o da f&#233; pelo Esp&#237;rito Santo no cora&#231;&#227;o de um homem particular &#233;, por assim dizer, um testemunho particular de que ele est&#225; na gra&#231;a e &#233; filho de Deus. Assim, Bernardo, Serm. 5, De Dedicat. Ecclesiae, &#8220;Quem pode saber se &#233; digno de amor ou de &#243;dio? Quem conheceu a mente do Senhor? Aqui &#233; necess&#225;rio que a f&#233; nos ajude; para que aquilo que est&#225; oculto sobre n&#243;s no cora&#231;&#227;o do Pai, seja revelado a n&#243;s por seu Esp&#237;rito; e seu Esp&#237;rito, dando testemunho, possa persuadir nosso esp&#237;rito de que somos filhos de Deus&#8221;. Mas ele persuade chamando-nos e justificando-nos livremente pela f&#233;.</p><p>4. Dos efeitos da f&#233;. Os verdadeiros crentes t&#234;m ousadia e acesso com confian&#231;a ao Pai Celestial pela f&#233;; Ef&#233;sios 3:12 e Hebreus 10:22. Mas aquele que continua duvidando e ignorando se &#233; filho de Deus ou n&#227;o, se est&#225; em estado de inimizade ou reconciliado, n&#227;o pode se aproximar do trono da gra&#231;a com essa confian&#231;a; n&#227;o pode chamar Deus de Pai, sen&#227;o com a maior hesita&#231;&#227;o; muito menos pode pedir com confian&#231;a aquelas coisas necess&#225;rias para a salva&#231;&#227;o como de um Pai. Bellarmino responde, dizendo que para nos permitir aproximar com confian&#231;a do trono da gra&#231;a, n&#227;o &#233; necess&#225;rio que tenhamos certeza particular de nossa justifica&#231;&#227;o; uma certeza positiva da f&#233; cat&#243;lica, de que Cristo sofreu por n&#243;s, morreu, ressuscitou e intercede com o Pai, &#233; suficiente. Mas essa resposta &#233; inv&#225;lida, pois, embora seja uma verdade geral que a morte de Cristo foi suficiente para todos, tamb&#233;m &#233; verdade que o fruto da morte, da ressurrei&#231;&#227;o e da intercess&#227;o de Cristo pertence efetivamente apenas &#224;queles que est&#227;o implantados em Cristo; portanto, para que eu tenha certeza de que os benef&#237;cios de Cristo me pertencem, &#233; necess&#225;rio que eu tenha certeza tamb&#233;m de que me tornei membro de Cristo, isto &#233;, que estou justificado e reconciliado com Deus. Pois, se eu duvido se fui efetivamente chamado e justificado, tamb&#233;m devo duvidar se estou sem Cristo, sem Deus, alheio &#224; comunidade de Israel e estranho &#224;s alian&#231;as da promessa, ou n&#227;o, Ef&#233;sios 2:12. Quando todas essas coisas ficam em d&#250;vida, qual lugar h&#225; para a confian&#231;a?</p></blockquote><p>Estes s&#227;o os nossos argumentos: v&#225;rios outros omitiremos por quest&#227;o de brevidade. Agora, vamos prosseguir para os argumentos dos papistas.</p><p>Bellarmino, De justif. lib. i. cap. 4, tenta provar a incerteza da gra&#231;a e da remiss&#227;o dos pecados, a partir das Escrituras.</p><blockquote><p>1. De Prov&#233;rbios 20:9: &#8220;Quem pode dizer: Eu fiz meu cora&#231;&#227;o limpo, estou puro do meu pecado?&#8221; Embora alguns possam estar limpos do pecado, eles mesmos n&#227;o sabem disso, nem t&#234;m um testemunho infal&#237;vel de sua pureza e justi&#231;a.</p></blockquote><p><strong>Resposta: </strong>Ningu&#233;m pode dizer isso; nem ningu&#233;m est&#225; limpo do pecado habitante, como Bellarmino imagina; mas isso n&#227;o impede a certeza da remiss&#227;o dos pecados e do estado de gra&#231;a. Pois Paulo reconhece o pecado habitante e, ainda assim, acredita que foi libertado da condena&#231;&#227;o e da imputa&#231;&#227;o dela (Romanos 7). Portanto, embora seu argumento seja v&#225;lido para os papistas, que colocam sua esperan&#231;a nas obras e na justi&#231;a inerente, ele &#233; f&#250;til entre os ortodoxos, que buscam a justifica&#231;&#227;o pela f&#233; e gra&#231;a, n&#227;o pela lei e sua pr&#243;pria justi&#231;a.</p><blockquote><p>2. De Eclesiastes 9:1: &#8220;Nenhum homem sabe se &#233; digno de amor ou &#243;dio, mas todas as coisas s&#227;o duvidosas quanto ao futuro.&#8221; Quanto &#224; vers&#227;o, n&#227;o disputo com nossos advers&#225;rios. &#201; claro que Salom&#227;o falava do julgamento formado pelos eventos externos, pois ele acrescenta que &#8220;h&#225; um evento para o justo e para o &#237;mpio&#8221; (v. 2). Ele, portanto, n&#227;o nega que os piedosos podem ter certeza, pela f&#233;, do favor de Deus, mas pelos eventos. Esta interpreta&#231;&#227;o &#233; aprovada por Bernardo, que diz que a f&#233; vem em nosso aux&#237;lio e revela aos nossos cora&#231;&#245;es que somos filhos de Deus, como j&#225; mostramos antes.</p><p>3. De Eclesi&#225;stico 5:5-6: &#8220;N&#227;o seja sem temor para adicionar pecados sobre pecados, e n&#227;o diga: Sua miseric&#243;rdia &#233; grande; ele se apaziguar&#225; pela multid&#227;o dos meus pecados.&#8221; Este vers&#237;culo irrita os hereges.</p></blockquote><p><strong>Resposta: </strong>Talvez isso incomode os hereges, mas n&#227;o afeta em nada os ortodoxos, pois n&#227;o leva a nenhuma conclus&#227;o contra a certeza da remiss&#227;o. Em primeiro lugar, porque o vers&#237;culo pode ser entendido como se referindo &#224;queles que pensavam que seus pecados eram apagados pelos sacrif&#237;cios expiat&#243;rios, embora continuassem com a inten&#231;&#227;o de pecar, acrescentando pecados a pecados diariamente; pessoas como essas, que sem uma verdadeira convers&#227;o do cora&#231;&#227;o, pensavam que seus pecados eram expiados pelas v&#237;timas. Este vers&#237;culo, ent&#227;o, nos ensina a n&#227;o estar sem temor quanto &#224; expia&#231;&#227;o de nossos pecados. E essa interpreta&#231;&#227;o &#233; confirmada pelos vers&#237;culos seguintes (v. 7), que dizem: &#8220;N&#227;o demores a voltar ao Senhor; pois de repente sua ira se manifestar&#225;.&#8221; Por&#233;m, podemos permitir que seja entendido no caso daqueles cujos pecados, mediante verdadeira penit&#234;ncia, foram perdoados: eles n&#227;o devem estar sem temor quanto &#224; expia&#231;&#227;o e remiss&#227;o dos pecados, como no caso de adult&#233;rio, roubo, embriaguez, ou qualquer outro pecado; mas esse temor n&#227;o &#233; para que o pecado n&#227;o seja perdoado, mas para que a mesma imputa&#231;&#227;o, ou at&#233; maior, n&#227;o retorne, se for cometido novamente. Pois os pecados perdoados podem retornar por ingratid&#227;o, n&#227;o quanto ao ato, mas quanto ao fato de que quem recai, por sua ingratid&#227;o, se torna sujeito a um castigo muito maior do que teria se seu pecado n&#227;o tivesse sido perdoado antes.</p><blockquote><p>4. O quarto argumento que Bellarmino retira das passagens onde a justifica&#231;&#227;o e a remiss&#227;o dos pecados s&#227;o propostas sob uma condi&#231;&#227;o. &#8220;Se o homem &#237;mpio se arrepender de todos os seus pecados, viver&#225;&#8221; (Ezequiel 18); &#8220;Sereis meus amigos, se fizerdes o que vos mando&#8221; (Jo&#227;o 15); e similares. Mas ningu&#233;m pode ter a certeza pela f&#233; de que se voltou ao Senhor com todo o seu cora&#231;&#227;o, e tem verdadeira f&#233; e penit&#234;ncia, como &#233; exigido; pois em nenhum lugar das Escrituras encontramos um testemunho desse tipo acerca de nossa f&#233; e penit&#234;ncia em particular.</p></blockquote><p><strong>Respondo: </strong>Para receber a gra&#231;a da remiss&#227;o, &#233; necess&#225;ria a condi&#231;&#227;o da f&#233; e da verdadeira penit&#234;ncia de nossa parte; mas o que ele acrescenta, que ningu&#233;m sabe se sua f&#233; e penit&#234;ncia s&#227;o tais e t&#227;o grandes quanto o requerido por Deus, &#233; totalmente falso. Pois a justifica&#231;&#227;o n&#227;o depende do grau ou da medida de f&#233; ou penit&#234;ncia, mas da genuinidade. E todo homem que recebeu f&#233; e penit&#234;ncia pelo dom do Esp&#237;rito experimentou que sua f&#233; e penit&#234;ncia s&#227;o verdadeiras e n&#227;o hip&#243;critas, como foi mostrado anteriormente. Da&#237; a afirma&#231;&#227;o de Agostinho no Salmo cxlix: h&#225; uma forma de se gloriar na consci&#234;ncia de que voc&#234; comprovou que sua f&#233; &#233; sincera, sua esperan&#231;a &#233; certa e seu amor &#233; sem dissimula&#231;&#227;o. Quanto &#224; sua alega&#231;&#227;o de que n&#227;o se encontra na Escritura um testemunho espec&#237;fico sobre nossa f&#233; ou nossa remiss&#227;o, explicaremos isso quando chegarmos &#224;s argumenta&#231;&#245;es de Bellarmino, pois ser&#225; a&#237; que isso ser&#225; retomado.</p><blockquote><p>5. Ele tenta encontrar um quinto testemunho a partir daquelas passagens em que a remiss&#227;o &#233; proposta ao penitente sob a forma de d&#250;vida: Joel 2:12, 14, &#8220;Voltai a mim de todo o vosso cora&#231;&#227;o. Quem sabe se Deus se voltar&#225; e se arrepender&#225;?&#8221; E Atos 8:22 (referente a Sim&#227;o Mago), &#8220;Arrepende-te, se porventura o pensamento do teu cora&#231;&#227;o te for perdoado.&#8221; Essas e outras passagens semelhantes, diz Bellarmino, significam uma incerteza quanto &#224; remiss&#227;o, n&#227;o em rela&#231;&#227;o &#224; promessa divina, mas em rela&#231;&#227;o &#224; nossa disposi&#231;&#227;o.</p></blockquote><p>Quanto ao primeiro testemunho, outro jesu&#237;ta responder&#225; a este jesu&#237;ta. Assim, Ribera, sobre esta passagem, &#8220;Quem sabe se Deus se voltar&#225; e se arrepender&#225;?&#8221;, diz que isso significa: talvez Ele n&#227;o permita que os caldeus venham para a tua terra, nem que sejais levados cativos, se vos arrependerdes. O profeta, ent&#227;o, n&#227;o os orienta a duvidar da remiss&#227;o de seus pecados caso se convertam, nem ordena que o verdadeiro penitente duvide da veracidade do seu arrependimento; mas ele mostra que ele mesmo n&#227;o tem certeza quanto &#224; remo&#231;&#227;o dos ju&#237;zos externos, embora eles se convertam. Portanto, quanto a isso, eles podem ter esperan&#231;a, mas em rela&#231;&#227;o ao arrependimento, podem estar certos. Al&#233;m disso, ele mostra a partir de Ambr&#243;sio que essa frase nem sempre expressa d&#250;vida; e de Greg&#243;rio que, &#224;s vezes, ela indica a dificuldade de uma coisa e a escassez de exemplos nos quais ela tenha sido realizada.</p><p>Quanto ao segundo, igualmente Ribera responde: Pedro n&#227;o duvidava de que seus pecados seriam remidos pelo arrependimento, mas ele duvidava se o arrependimento de Sim&#227;o seria verdadeiro. Tamb&#233;m pode ser acrescentado o que Trem&#233;lio observou: Esta n&#227;o &#233; a frase de algu&#233;m que d&#250;vida, mas de algu&#233;m que se eleva acima das d&#250;vidas e dificuldades.</p><blockquote><p>6. Por &#250;ltimo, ele traz &#224; tona passagens que recomendam a desconfian&#231;a aos piedosos e fi&#233;is: &#8220;Bem-aventurado o homem que teme sempre&#8221;, Prov. 28:14. &#8220;Trabalhai a vossa salva&#231;&#227;o com temor e tremor&#8221;, Fil. 2:12. Portanto, n&#227;o devemos acreditar confiantemente (diz ele) na remiss&#227;o de nossos pecados.</p></blockquote><p><strong>Eu respondo:</strong> O temor filial n&#227;o exclui a certeza quanto &#224; reconcilia&#231;&#227;o e &#224; remiss&#227;o dos pecados; pelo contr&#225;rio, &#233; necess&#225;rio que aquele que cr&#234; estar reconciliado com Deus tenha ainda mais temor, para que, ao ceder aos seus desejos, n&#227;o caia em nova culpa. Essas cita&#231;&#245;es n&#227;o nos orientam a duvidar da remiss&#227;o dos pecados, mas a ser cautelosos e temerosos de ofender a Deus. E assim, quanto aos testemunhos extra&#237;dos das Escrituras.</p><p>Quanto aos que ele trouxe dos Padres, n&#227;o t&#234;m valor; pois provam apenas isto: que, embora um homem n&#227;o tenha consci&#234;ncia de nenhum pecado, isso n&#227;o oferece certeza de que ele est&#225; livre do pecado, o que prontamente confessamos. Mas &#233; uma coisa ser absolvido do pecado e outra completamente diferente ser livre do pecado.</p><p><strong>Mas vamos chegar &#224;s argumenta&#231;&#245;es de Bellarmino, que ele nos promete que n&#227;o ser&#227;o comuns:</strong></p><p>Nada pode ser certo pela certeza da f&#233;, a menos que esteja contido diretamente na palavra de Deus ou, por consequ&#234;ncia evidente, possa ser deduzido da palavra de Deus: mas que tal ou tal homem tenha seus pecados perdoados n&#227;o est&#225; contido na palavra, nem &#233; evidentemente deduzido dela; portanto, n&#227;o &#233; certo com a certeza da f&#233;. O menor &#233; provado pela palavra de Deus, que apenas testifica de maneira geral que os pecados s&#227;o perdoados aos fi&#233;is e penitentes; mas que Pedro ou Jo&#227;o podem crer ou se arrepender, isso n&#227;o est&#225; revelado na palavra, nem pode ser corretamente inferido dela, pois n&#227;o h&#225; outra infer&#234;ncia al&#233;m desta: A palavra de Deus testemunha que aqueles que realmente acreditam e se convertem obt&#234;m a remiss&#227;o dos pecados: tenho certeza de que sou um verdadeiro crente e penitente; portanto, obtive a remiss&#227;o dos meus pecados. O Maior, diz Bellarmino, n&#227;o &#233; apenas falso, mas tamb&#233;m imposs&#237;vel sem uma revela&#231;&#227;o especial.</p><p><strong>Resposta:</strong> Antes de abordar o menor, farei algumas observa&#231;&#245;es sobre o maior. O que Bellarmino diz, &#8220;Nada pode ser seguro com a certeza da f&#233;, a menos que seja proposto ou deduzido das Escrituras&#8221;, deve ser entendido em rela&#231;&#227;o &#224; doutrina da f&#233; que acreditamos, n&#227;o em rela&#231;&#227;o ao h&#225;bito ou ato de f&#233; pelo qual cremos. Por exemplo: que Deus &#233; tr&#234;s em um &#233; uma doutrina da f&#233;; por isso, estamos certos porque est&#225; escrito assim em nossa B&#237;blia; mas o meu acreditar na Trindade em Unidade &#233; um ato da minha f&#233;, cuja certeza n&#227;o est&#225; escrita nas Escrituras, mas nas t&#225;buas do meu cora&#231;&#227;o. A certeza da primeira &#233; a respeito de toda a Igreja; portanto, &#233; revelada nas Escrituras, que est&#227;o abertas a toda a Igreja. Mas a certeza da &#250;ltima, ou seja, do h&#225;bito ou ato de f&#233; que reside no cora&#231;&#227;o deste ou daquele homem, diz respeito apenas a ele, e &#233;, portanto, descoberta a ele sozinho por um ato reflexivo da mente, e ainda mais claramente pela opera&#231;&#227;o interna do Esp&#237;rito Santo, que, juntamente com a f&#233; e a gra&#231;a, d&#225; a consci&#234;ncia de que essa f&#233; e gra&#231;a foram recebidas, como j&#225; provamos anteriormente. Aqui podemos trazer <strong>Scotus, que, 3 dist. 23, </strong>diz: &#8220;Assim como acredito que Deus &#233; tr&#234;s em pessoa e um em ess&#234;ncia; tamb&#233;m acredito que tenho a f&#233; infundida, pela qual acredito nisso.&#8221;</p><p>Uma outra observa&#231;&#227;o deve ser acrescentada, que tamb&#233;m diz respeito ao Maior; ou seja, que toda conclus&#227;o &#233; da f&#233; que &#233; tirada de uma proposi&#231;&#227;o contida nas Escrituras e outra que segue por consequ&#234;ncia justa; seja conhecida pelos sentidos, ou pela raz&#227;o, ou por qualquer outro modo. Isso Gerson ensina, &#8220;De vita spirit&#8221; e Medina.</p><p>Agora, venho ao Menor; e nego que ele possa ser mantido por evidente infer&#234;ncia da palavra, que este ou aquele crente tenha seus pecados remidos. Pois as Escrituras falam a indiv&#237;duos; Rom. 10.9, &#8220;Se confessares com tua boca o Senhor Jesus e creres em teu cora&#231;&#227;o que Deus o ressuscitou dos mortos, ser&#225;s salvo.&#8221;</p><p>Mas Bellarmino argumenta que a proposi&#231;&#227;o Menor ainda est&#225; faltando, ou seja, &#8220;Eu confesso, e eu creio&#8221;; portanto, a conclus&#227;o, &#8220;Eu serei salvo&#8221;, n&#227;o pode ser derivada da f&#233;. <strong>Respondo</strong>, como acima, que este menor n&#227;o diz respeito a nenhuma doutrina geral da f&#233;, mas ao ato particular do crente: portanto, n&#227;o deve ser procurado em nossas B&#237;blias, mas em nossos cora&#231;&#245;es. Mas agora, se por qualquer percep&#231;&#227;o espiritual, ou certa experi&#234;ncia, ou, finalmente, pelo testemunho do Esp&#237;rito Santo, ou por todos esses, a proposi&#231;&#227;o Menor for estabelecida, a conclus&#227;o ser&#225; da f&#233;, porque a proposi&#231;&#227;o Maior era da f&#233;. E j&#225; provamos, a partir dos Pais, dos Escol&#225;sticos e das Escrituras, que os crentes t&#234;m um conhecimento claro de sua f&#233; e reconcilia&#231;&#227;o; portanto, as mesmas coisas n&#227;o as repetiremos.</p><p>Ainda assim, nosso advers&#225;rio insiste: &#8220;Vemos muitos realmente enganados, pensando que t&#234;m f&#233; e gra&#231;a quando n&#227;o t&#234;m. Pois muitos hereges se vangloriam da certeza da f&#233;; muitos tamb&#233;m pensam, embora n&#227;o renovados, que obtiveram f&#233; e a remiss&#227;o de seus pecados de Deus; portanto, eles n&#227;o t&#234;m essa certeza da qual fazem tanta ostenta&#231;&#227;o.&#8221;</p><p><strong>Respondo:</strong> tudo isso n&#227;o vem ao caso. Pois n&#227;o mantemos que todo homem que sonha que tem f&#233;, gra&#231;a e a remiss&#227;o dos pecados, realmente possua esses dons; mas que todo aquele que de fato os possui, sabe tamb&#233;m que ele realmente cr&#234; e est&#225; em favor de Deus etc. O jesu&#237;ta conclui afirmativamente da Maior para o Menor, dessa maneira: Um herege e um homem carnal est&#227;o enganados, ao julgar sobre f&#233; e gra&#231;a; portanto, o homem verdadeiramente fiel e renovado tamb&#233;m pode ser enganado. Assim como um homem &#233; enganado, que em um sonho pensa que n&#227;o s&#227;o ilus&#245;es, mas realidades que s&#227;o apresentadas &#224; sua mente, no entanto, n&#227;o segue da&#237; que ele seja ou possa ser enganado, quando ele est&#225; convencido de que n&#227;o est&#225; dormindo, mas v&#234; as coisas diante de seus olhos: assim o herege e o homem carnal, sonhando sobre f&#233; e gra&#231;a, est&#225; enganado, imaginando que possui as realidades; mas o homem verdadeiramente renovado v&#234; essas coisas apresentadas como se fossem aos seus olhos mentais, na vigil&#226;ncia da verdade aberta, n&#227;o na vis&#227;o da vaidade do sonho; ele, portanto, n&#227;o pode ser enganado.</p><p>Finalmente, ele pergunta: &#8220;Por qual sinal provaremos que n&#227;o estamos enganados e que os outros est&#227;o?&#8221; Pergunta tola! &#8220;Por qual sinal voc&#234; provar&#225; a um dormindo que ele n&#227;o est&#225; acordado, mas que voc&#234; est&#225;?&#8221; Pela certeza experimental da vigil&#226;ncia em si mesma, que tem uma percep&#231;&#227;o mais clara e forte, &#8220;n&#227;o penso, mas sei que estou acordado&#8221;: o sonhador pensa o mesmo, mas est&#225; enganado. Assim, por uma prova experimental certa, os fi&#233;is sabem que t&#234;m f&#233;; no entanto, n&#227;o podem provar isso a outros, que n&#227;o percebem as emo&#231;&#245;es internas de seus cora&#231;&#245;es. Nem podem convencer esses sonhadores de que n&#227;o t&#234;m f&#233;, porque, de fato, eles aderem, se n&#227;o mais confidentemente, ao menos mais persistente e tenazmente a falsas no&#231;&#245;es do que &#224;s verdadeiras.</p><p><strong>Respondo: </strong>Este artigo de f&#233;, no qual creio que meus pecados s&#227;o perdoados, est&#225; estabelecido em um resumo da f&#233;; portanto, n&#227;o &#233; adequado acreditar nisso. A conclus&#227;o &#233; completamente inv&#225;lida; no entanto, n&#227;o vou me deter em refut&#225;-la; mas respondo que o artigo est&#225; estabelecido em todos os credos. Primeiramente, por consequ&#234;ncia evidente. Pois quando digo: &#8220;Creio em Deus&#8221; (como Agostinho, e depois dele todos os Escol&#225;sticos o afirmaram), n&#227;o digo apenas que creio que h&#225; um Deus ou que creio em suas palavras, mas que eu mesma o amo, e atrav&#233;s da f&#233; em Deus vou at&#233; Ele e sou incorporada entre seus membros. Pois todas essas coisas est&#227;o impl&#237;citas nas palavras &#8220;Creio em Deus&#8221;. Comp&#234;ndio de Teologia, 5.21. Em segundo lugar, est&#225; estabelecido expressamente por esse artigo: &#8220;Creio no perd&#227;o dos pecados&#8221;. Pois o que Bellarmino pretende n&#227;o &#233; o sentido de &#8220;Creio que a remiss&#227;o dos pecados &#233; dada na Igreja&#8221;, que o diabo e qualquer r&#233;probo podem acreditar; mas eu creio que a remiss&#227;o dos pecados me &#233; dada atrav&#233;s de Cristo, porque creio nele. Isso, Tom&#225;s de Aquino parece conceder, De justif. art.4, onde ele diz: &#8220;Na justifica&#231;&#227;o de um pecador, n&#227;o &#233; necess&#225;rio que todos os artigos da f&#233; sejam contemplados ativamente no momento, mas apenas que Deus seja contemplado como justificador e perdoador dos pecados; nos quais os outros artigos est&#227;o implicitamente inclu&#237;dos&#8221;. Inquest. disp. in respon. ad 9mo. Aqui pergunto: A quem Deus &#233; visto como perdoando os pecados? &#201; a qualquer indiv&#237;duo indefinido ou &#224; pr&#243;pria pessoa justificada? Sem d&#250;vida, &#224;quele homem mesmo, que ent&#227;o est&#225; meditativo sobre a remiss&#227;o de seus pecados.</p><p>Mas, novamente, ele objetar&#225;: &#8220;Se somos obrigados a crer na remiss&#227;o de nossos pecados, ent&#227;o quem n&#227;o cr&#234; nisso &#233; herege; mas ele n&#227;o pode nem deve crer nisso, quem peca voluntariamente e permanece em pecado mortal; portanto, todo pecador assim &#233; herege; o que &#233; contr&#225;rio &#224; raz&#227;o.&#8221; <strong>Bellarmino se engana em dois pontos: </strong>Primeiro, nisso, que determina como herege quem n&#227;o cr&#234; no que quer que deva crer; pois n&#227;o a falta de f&#233;, seja de ato ou de h&#225;bito, constitui um herege, mas uma oposi&#231;&#227;o pertinaz &#224; doutrina da f&#233;. Pois, se todo aquele que n&#227;o cr&#234; nos mist&#233;rios da f&#233; crist&#227; fosse herege, todos os gentios seriam hereges; at&#233; mesmo todos os crist&#227;os que n&#227;o s&#227;o renovados seriam hereges; pois ningu&#233;m cr&#234; em qualquer artigo da f&#233; por f&#233; escritural e infusa, antes de ter recebido o dom da f&#233; na regenera&#231;&#227;o. Segundo, n&#227;o &#233; de forma alguma correto o que ele diz, que um pecador volunt&#225;rio n&#227;o &#233; obrigado a crer na remiss&#227;o de seus pecados. Pois ele &#233; obrigado a entregar sua vontade; ele &#233; obrigado a se arrepender e tamb&#233;m a crer em Deus, que promete remiss&#227;o ao penitente. N&#227;o dizemos, portanto, que ele, permanecendo voluntariamente em pecados graves, pode crer que seus pecados lhe s&#227;o perdoados, ou deve em suas condi&#231;&#245;es atuais fazer isso; mas dizemos que ele, com a ajuda de Deus, pode e tem a obriga&#231;&#227;o de sair desse estado e crer nisso.</p><p>Bellarmino: N&#227;o &#233; conveniente que os homens tenham certeza acerca da remiss&#227;o de seus pecados e da gra&#231;a especial; pois aquele que est&#225; confiante de que &#233; justificado facilmente se torna orgulhoso como um fariseu. <strong>Eu respondo:</strong> Quem est&#225; confiante de que &#233; justificado pela justi&#231;a inerente e suas pr&#243;prias obras, facilmente se exalta; mas quem cr&#234; que &#233; justificado gratuitamente, a partir da&#237; se gloria em Deus, e em si mesmo se humilha. Pois, o que ele tem, sen&#227;o o que recebeu?</p><p>Bellarmino: Deus revelou a remiss&#227;o de seus pecados a alguns por favor especial, como os autores testemunham sobre Santo Ant&#244;nio e S&#227;o Francisco. Mas por que deveria ele revelar isso a algumas pessoas por concess&#227;o especial, se a certeza disso &#233; comum a todos os fi&#233;is? O cr&#233;dito dessas narra&#231;&#245;es depende dos autores. <strong>Mas respondo: </strong>N&#227;o h&#225; nada que impe&#231;a que aquilo que &#233; acreditado pela f&#233; seja mais distintamente e evidentemente mostrado por revela&#231;&#227;o especial, se tal for a vontade de Deus. Paulo acreditou pela f&#233; na felicidade do estado futuro; no entanto, Deus agradou-se em comunicar-lhe, em um &#234;xtase, uma vis&#227;o mais brilhante da felicidade celestial. Assim, embora eles acreditassem na remiss&#227;o de seus pecados, Deus gostaria de conceder-lhes uma garantia mais manifesta disso.</p><p>Bellarmino: Os homens mais perfeitos e santos tremiam e duvidavam sobre seu estado e a remiss&#227;o de seus pecados; como, ent&#227;o, uma garantia de gra&#231;a especial e remiss&#227;o &#233; posta diante de todos os crentes? <strong>Resposta: </strong>N&#227;o sustentamos que os verdadeiros crentes nunca duvidem da remiss&#227;o de seus pecados ou do estado de sua reconcilia&#231;&#227;o com Deus; mas afirmamos que essas d&#250;vidas surgem da carne, n&#227;o da f&#233;. Esta, portanto, &#233; a diferen&#231;a entre n&#243;s e os Papistas: Eles recomendam a d&#250;vida nos pr&#243;prios fi&#233;is e atribuem isso &#224; virtude da humildade; n&#243;s reconhecemos isso como pecado e dizemos que &#233; um resqu&#237;cio do pecado. Eles deixam um crente em d&#250;vida perp&#233;tua; n&#243;s dizemos que ele finalmente rompe com ela e &#233; convencido pela f&#233; de que seus pecados foram perdoados, n&#227;o por conjectura ou apenas esperan&#231;a, na qual, como os Papistas sup&#245;em, a engana&#231;&#227;o pode entrar. Mas que, enquanto estamos neste corpo fr&#225;gil, a f&#233; pode permanecer em um homem que est&#225; sujeito a d&#250;vidas frequentes, &#233; evidente de Mateus 14:31, &#8220;&#211; homem de pouca f&#233;, por que duvidaste?&#8221; Isso os Escol&#225;sticos tamb&#233;m concedem. Em um crente, uma ideia pode surgir em oposi&#231;&#227;o &#224;quilo que ele mais firmemente mant&#233;m. Tom&#225;s de Aquino, De fide, art. 1. E em outro lugar, &#8220;A certeza da f&#233; implica a firmeza da ades&#227;o, n&#227;o a quietude do intelecto.&#8221; Assim, Durando, Lib. iii. dist. 23, qu. 7, &#8220;A f&#233; pode estar sujeita a algum grau de d&#250;vida e ainda ser s&#243;lida.&#8221; N&#227;o &#233;, portanto, necess&#225;rio que a certeza da f&#233; exclua todas as d&#250;vidas, mas que ela prevale&#231;a.</p><p>E essas s&#227;o as conclus&#245;es extraordin&#225;rias de Bellarmino, com as quais ele se op&#245;e &#224; certeza da f&#233;, concedendo ao mesmo tempo a certeza da esperan&#231;a aos fi&#233;is; sobre a qual distin&#231;&#227;o tamb&#233;m farei algumas observa&#231;&#245;es e concluirei.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://lucemacedo.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!upxP!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc853527c-b786-4253-9cd2-fc4c8c7ef5ee_600x314.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!upxP!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc853527c-b786-4253-9cd2-fc4c8c7ef5ee_600x314.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!upxP!, /__u/lucemacedo.substack.com/w_424, /__u/lucemacedo.substack.com/c_limit, /__u/lucemacedo.substack.com/f_webp, /__u/lucemacedo.substack.com/q_auto:good, 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Ele participou do S&#237;nodo de Dort como um dos delegados ingleses e foi bispo de Salisbury. Al&#233;m disso, era um estudioso profundo da teologia escol&#225;stica e patr&#237;stica, o que influenciou seu pensamento sobre a expia&#231;&#227;o.</p><p>O pensamento de John Davenant pode ser descrito como uma forma de &#8220;expia&#231;&#227;o limitada&#8221;, mas com diferen&#231;as importantes em rela&#231;&#227;o a Turretini / Owen. </p><p>Davenant n&#227;o rejeita a limita&#231;&#227;o da efic&#225;cia da expia&#231;&#227;o, mas interpreta a sufici&#234;ncia universal de maneira mais *elaborada* e matizada. Ambos est&#227;o dentro da ortodoxia reformada, e n&#227;o h&#225; problema em defender o modelo de Turretini, mas &#233; importante para voc&#234;s conhecerem o Davenant tamb&#233;m, visto que no Brasil est&#227;o acostumados a conhecer mais o modelo dos particularistas (vontade de signo)- Turretini/Owen. </p><p>Conceitos Fundamentais que precisam entender antes de avan&#231;armos:</p><p>a) Meramente poss&#237;vel</p><p>Algo que, na pr&#225;tica, &#233; imposs&#237;vel por n&#227;o haver nada na realidade (nem metafisicamente) que justifique tal coisa. &#201; uma conjectura total.</p><p>b) Contingentemente poss&#237;vel</p><p>Algo poss&#237;vel na realidade, mas n&#227;o atualizado, sendo apenas hipot&#233;tico, mas n&#227;o mera conjectura. H&#225; algum fundamento, pelo menos em algum sentido, na vontade de Deus.</p><p>A Vontade de Deus Segundo Davenant</p><p>Davenant afirma que a vontade de Deus n&#227;o &#233; vazia. Ele ensina que Deus realmente tem complac&#234;ncia pela salva&#231;&#227;o dos r&#233;probos, mas essa complac&#234;ncia &#233; superada pela vontade de conden&#225;-los pelos seus pecados.</p><p>Ele distingue tr&#234;s tipos de vontade divina:</p><p>a) Vontade de Signo (voluntas signi)</p><p>Refere-se &#224;s declara&#231;&#245;es ou mandamentos de Deus, como revelados em Sua palavra ou nos sinais externos.</p><p>Expressa o que Deus deseja em um sentido geral, como o desejo de que todos os homens se arrependam e sejam salvos (1Tm 2:4).</p><p>b) Vontade de Simples Complac&#234;ncia (voluntas simplicis complacentiae)</p><p>Est&#225; associada ao agrado que Deus sente pelo bem intr&#237;nseco de algo, como o arrependimento e a salva&#231;&#227;o.</p><p>N&#227;o implica uma determina&#231;&#227;o divina de causar aquilo que Lhe agrada, mas revela Sua aprova&#231;&#227;o moral.</p><p>c) Vontade de Decreto (voluntas beneplaciti)</p><p>Representa a decis&#227;o efetiva de Deus em ordenar o que de fato acontecer&#225;, como a salva&#231;&#227;o dos eleitos.</p><p>Dessa forma, Cristo morreu por todos os homens em um sentido geral (vontade de signo e simples complac&#234;ncia), mas Sua morte &#233; aplicada eficazmente apenas aos eleitos (vontade de decreto).</p><p>A Expia&#231;&#227;o Segundo Davenant</p><p>Davenant n&#227;o acreditava que houvesse uma inten&#231;&#227;o divina absoluta de salvar todos os seres humanos pela morte de Cristo. Assim, a cr&#237;tica de Turretini ao amyraldianismo n&#227;o se aplica ao modelo de Davenant.</p><p>Sempre tem uma confus&#227;o quando fala da morte de Cristo por todos. Acabam confundido com modelo de Arminio. Ent&#227;o infelizmente, sempre temos que passar por tal etapa de explica&#231;&#227;o. Diferen&#231;a Teleol&#243;gica Entre Davenant e os CONTRA-Remonstrantes</p><p>Enquanto alguns Contra-Remonstrantes afirmavam que a morte de Cristo tinha apenas um &#250;nico fim (a salva&#231;&#227;o dos eleitos), Davenant sustentava que a morte de Cristo possu&#237;a m&#250;ltiplos fins:</p><p>a) Salva&#231;&#227;o infal&#237;vel dos eleitos (fim principal).</p><p>b) Satisfa&#231;&#227;o pelos pecados de todos os homens de tal forma que, se todos cressem, todos seriam salvos.</p><p>c) Merecimento de benef&#237;cios salvadores para serem aplicados apenas aos eleitos.</p><p>Davenant rejeita a ideia de que Deus possa querer algo de maneira absoluta e isso n&#227;o se realizar. Ele afirma que Deus pode querer algo condicionalmente ou providencialmente, sem que isso implique uma inten&#231;&#227;o v&#227;.</p><p>A Cr&#237;tica &#224; TULIP - Richard Muller . </p><p>O Problema do Acr&#243;stico TULIP</p><p>O acr&#243;stico TULIP tem causado muitos problemas &#224; tradi&#231;&#227;o reformada, contribuindo para confus&#227;o sobre Calvino e o calvinismo. Ele n&#227;o foi criado pelos reformados do s&#233;culo XVII, mas surgiu no contexto anglo-americano do s&#233;culo XIX.</p><p>Os C&#226;nones de Dort (1618-1619) nunca foram concebidos como um resumo da teologia reformada. Eles eram um complemento interpretativo da Confiss&#227;o Belga e do Catecismo de Heidelberg, refutando os cinco artigos dos Remonstrantes.</p><p>Al&#233;m disso, a palavra &#8220;tulipa&#8221; nem sequer &#233; holandesa &#8211; o termo correto em holand&#234;s &#233; &#8220;tulp&#8221;.</p><p>Cr&#237;tica ao &#8220;T&#8221; de TULIP (Deprava&#231;&#227;o Total)</p><p>a) Calvino usou termos como pravitas (perversidade, deprava&#231;&#227;o), mas nunca sistematizou a ideia de &#8220;deprava&#231;&#227;o total&#8221; como no acr&#243;stico.</p><p>b) Os C&#226;nones de Dort n&#227;o mencionam o termo &#8220;deprava&#231;&#227;o total&#8221;, mas afirmam que &#8220;todos pecaram em Ad&#227;o&#8221; e est&#227;o sob a maldi&#231;&#227;o.</p><p>c) O conceito de &#8220;deprava&#231;&#227;o total&#8221; pode dar margem a um dualismo perigoso, como o de Matthias Flacius Illyricus, que afirmava que a natureza humana ca&#237;da era o pr&#243;prio pecado &#8211; algo que Calvino e os reformados rejeitavam.</p><p>A teologia reformada ensina que a quest&#227;o n&#227;o &#233; a aus&#234;ncia total de qualquer tipo de bondade no homem, mas a incapacidade de se salvar.</p><p>Cr&#237;tica ao &#8220;L&#8221; de TULIP (Expia&#231;&#227;o Limitada) Richard Muller . </p><p>a) Nem Calvino, nem Beza, nem os C&#226;nones de Dort, nem os reformados do s&#233;culo XVII mencionam &#8220;expia&#231;&#227;o limitada&#8221; nesses termos.</p><p>b) &#8220;Atonement&#8221; (expia&#231;&#227;o) &#233; um termo ingl&#234;s, e a teologia reformada cl&#225;ssica era escrita em latim.</p><p>c) O debate n&#227;o era sobre se a morte de Cristo tinha valor infinito (todos concordavam que sim), mas sobre como sua efic&#225;cia era limitada aos eleitos.</p><p>Os reformados concordavam que a efic&#225;cia da morte de Cristo estava limitada aos eleitos, mas discordavam sobre o escopo da sufici&#234;ncia.</p><p>a) Para Arm&#237;nio, a efic&#225;cia era limitada pela escolha de alguns de acreditar e de outros de n&#227;o acreditar.</p><p>b) Para Dort, a efic&#225;cia era limitada pela elei&#231;&#227;o soberana de Deus.</p><p>Davenant segue a tradi&#231;&#227;o que afirma:</p><p>Cristo morreu por todos, suficientemente, mas somente pelos eleitos, eficazmente.</p><p>Essa formula&#231;&#227;o remonta a Pedro Lombardo e foi amplamente aceita pelos reformados.</p><p>Confiss&#227;o de F&#233; de Westminster</p><p>Criticar Davenant sem conhecer as nuances &#233; criticar a pr&#243;pria tradi&#231;&#227;o. No Brasil, os cl&#225;ssicos- escol&#225;sticos est&#227;o acostumados ao modelo Turretini, que, como j&#225; dito, tamb&#233;m &#233; correto e ortodoxo. Mas o Davenant tamb&#233;m est&#225; dentro da Ortodoxia ( cl&#225;ssico a escol&#225;stico ) . Relembremos tamb&#233;m  que, na &#233;poca de Davenant, ele n&#227;o usava o termo &#8220;UH&#8221;, pois este ainda n&#227;o se aplicava ao contexto da &#233;poca.</p><p>A Vis&#227;o dos Puritanos da Via Alta e do Continente</p><p>Os puritanos da via alta, tanto os high quanto os low, defendiam uma sufici&#234;ncia universal na expia&#231;&#227;o. Mesmo no continente, homens como Bullinger, Ursinus, Zanchi e at&#233; Calvino estenderam a sufici&#234;ncia da expia&#231;&#227;o de maneira mais ampla do que os particularistas &#8220;restritos&#8221;. At&#233; a ala mais restrita da Inglaterra, liderada pelo bispo Carleton, em debate com os delegados de Hesse, concordou com muitos argumentos do suposto &#8220;UH&#8221; (Unidade de Hip&#243;tese).</p><p>A Vontade de Deus e sua Rela&#231;&#227;o com a Expia&#231;&#227;o</p><p>Os puritanos insistiam em uma distin&#231;&#227;o importante na vontade de Deus: uma vontade relacionada com o ato de querer &#8220;per se&#8221; e uma vontade relacionada com as coisas desejadas. Alguns puritanos usaram os conceitos de &#8220;a priori&#8221; para descrever a vontade antes das causas e circunst&#226;ncias, e &#8220;a posteriori&#8221; para descrever a vontade dada &#224;s causas e circunst&#226;ncias secund&#225;rias.</p><p>A Confiss&#227;o de F&#233; de Westminster e a Imutabilidade do Decreto</p><p>A Sess&#227;o III da Confiss&#227;o de F&#233; de Westminster trata dos decretos de Deus, abordando a imutabilidade do decreto divino. Neste artigo, n&#227;o veremos nada hipot&#233;tico ou condicional, pois a imutabilidade do decreto n&#227;o permite tais possibilidades. O artigo ao qual voc&#234; se refere trata sobre o decreto da elei&#231;&#227;o, e, portanto, da efic&#225;cia do prop&#243;sito absoluto no decreto da elei&#231;&#227;o. O termo &#8220;eficazmente&#8221; &#233; repetidamente citado no referido artigo, enfatizando que o decreto n&#227;o pode ser condicional nem hipot&#233;tico, mas atribui a necessidade de consequ&#234;ncia vistas a sua imutabilidade.</p><p>Eficazmente, somente os eleitos s&#227;o chamados, justificados, etc. O artigo sobre o decreto n&#227;o remete &#224; sufici&#234;ncia da expia&#231;&#227;o.</p><p>Catecismo Maior: A Aplica&#231;&#227;o Eficaz</p><p>Na Quest&#227;o 59 do Catecismo Maior, trata-se da aplica&#231;&#227;o eficaz da obra de Cristo, sem abordar sua extens&#227;o em termos de sufici&#234;ncia.</p><p>A Se&#231;&#227;o VIII, Artigo V: A Media&#231;&#227;o de Cristo</p><p>A Se&#231;&#227;o VIII, Artigo V da Confiss&#227;o de F&#233; de Westminster pode ser dividida em duas partes:</p><p>1)Primeira Parte &#8211; Cristo se oferece ao Pai e satisfaz plenamente toda a justi&#231;a. A Confiss&#227;o se abst&#233;m de falar sobre quem recebe essa obra e de que modo na primeira parte do artigo.</p><p>Ponto final: A ideia foi conclu&#237;da aqui.</p><p>2)Segunda Parte &#8211; O artigo trata do que &#233; concedido aos que o Pai deu a Cristo.</p><p>Esse artigo parece ter um vi&#233;s mais particular, uma vez que ressalta a particularidade da obra de Cristo em seus efeitos sobre indiv&#237;duos espec&#237;ficos, enquanto nada trata dos demais. No entanto, a Se&#231;&#227;o VIII como um todo trata da media&#231;&#227;o de Cristo.</p><p>A Linguagem &#8220;UH&#8221; na Confiss&#227;o de F&#233; de Westminster</p><p>Existe igualmente um artigo na Confiss&#227;o de F&#233; de Westminster que transparece claramente a linguagem &#8220;UH&#8221;:</p><p>Se&#231;&#227;o VII, Artigo III: &#8220;O homem, tendo-se tornado pela sua queda incapaz de vida por esse pacto, o Senhor dignou-se fazer um segundo pacto, geralmente chamado o pacto da gra&#231;a; nesse pacto ele livremente oferece aos pecadores a vida e a salva&#231;&#227;o por Jesus Cristo, exigindo deles a f&#233; nele para que sejam salvos; e prometendo dar a todos os que est&#227;o ordenados para a vida o seu Santo Esp&#237;rito, para disp&#244;-los.&#8221;</p><p>Este artigo pode ser dividido em duas partes:</p><p>1)Primeira Parte &#8211; No pacto da gra&#231;a, Deus oferece livremente Cristo, vida e salva&#231;&#227;o aos pecadores, desde que creiam. Estamos falando de uma linguagem &#8220;UH&#8221;, onde a vontade de Deus &#233; condicionada &#224;s coisas desejadas.</p><p>2) Segunda Parte &#8211; Deus promete dar aos que est&#227;o ordenados para a vida eterna o seu Esp&#237;rito Santo para disp&#244;-los (conduzi-los &#224; f&#233; necess&#225;ria para a salva&#231;&#227;o). Aqui, estamos falando do prop&#243;sito e efic&#225;cia da obra de Cristo, e da vontade absoluta de conceder a gra&#231;a da f&#233; somente aos ordenados.</p><p>Pr&#243;ximos artigos para continuar o entendimento: </p><div class="digest-post-embed" data-attrs="{&quot;nodeId&quot;:&quot;85f756d5-22f9-4527-b030-8ec15574473f&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Para Davenant (leia-se como os ingleses) a causa formal da justifica&#231;&#227;o &#233; a justi&#231;a de Cristo imputada pela f&#233;, n&#227;o a justi&#231;a inerente dos crentes. Ele define: &#8220;Aquilo pelo qual permanecemos, aos olhos de Deus, livres da condena&#231;&#227;o, inocentes e graciosamente aceitos para a vida eterna&#8230;&quot;,&quot;cta&quot;:&quot;Read full story&quot;,&quot;showBylines&quot;:true,&quot;showDescription&quot;:true,&quot;showImage&quot;:true,&quot;size&quot;:&quot;sm&quot;,&quot;isEditorNode&quot;:true,&quot;title&quot;:&quot;''Universalismo Hipot&#233;tico'' e Justifica&#231;&#227;o: Davenant entre Condicionalidade e Soberania.&quot;,&quot;publishedBylines&quot;:[{&quot;id&quot;:142085203,&quot;name&quot;:&quot;Lu Macedo&quot;,&quot;bio&quot;:&quot;Beloved &#128141; | Co-fundadora da Escola Crist&#227; Cl&#225;ssica Alsted | Presbiteriana &#10013;&#65039; | Uso este espa&#231;o como copilado pr&#225;tico de estudos, anota&#231;&#245;es e ideias em teologia (mais sobre Davenant &#129315; ), filosofia, hist&#243;ria, cultura e vida.&quot;,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e4062e8e-bdfe-4dd3-a8a4-3096cd5ab663_542x542.jpeg&quot;,&quot;is_guest&quot;:false,&quot;bestseller_tier&quot;:null}],&quot;post_date&quot;:&quot;2025-03-25T17:18:41.069Z&quot;,&quot;cover_image&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!3NZv!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffa35ba2b-a97a-4b01-a6fb-dc83617b2910_454x612.jpeg&quot;,&quot;cover_image_alt&quot;:null,&quot;canonical_url&quot;:&quot;https://substack.com/home/post/p-159836290&quot;,&quot;section_name&quot;:null,&quot;video_upload_id&quot;:null,&quot;id&quot;:159836290,&quot;type&quot;:&quot;newsletter&quot;,&quot;reaction_count&quot;:11,&quot;comment_count&quot;:0,&quot;publication_id&quot;:3353343,&quot;publication_name&quot;:&quot;Lu Macedo&quot;,&quot;publication_logo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!cKNX!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe4062e8e-bdfe-4dd3-a8a4-3096cd5ab663_542x542.jpeg&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;youtube_url&quot;:null,&quot;show_links&quot;:null,&quot;feed_url&quot;:null}"></div><div class="digest-post-embed" data-attrs="{&quot;nodeId&quot;:&quot;5e76a8cb-b37b-4a83-8087-40e214ce03c8&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;cta&quot;:&quot;Read full story&quot;,&quot;showBylines&quot;:true,&quot;showDescription&quot;:true,&quot;showImage&quot;:true,&quot;size&quot;:&quot;sm&quot;,&quot;isEditorNode&quot;:true,&quot;title&quot;:&quot;Davenant sobre a morte de Cristo: rem&#233;dio universal e gra&#231;a especial.&quot;,&quot;publishedBylines&quot;:[{&quot;id&quot;:142085203,&quot;name&quot;:&quot;Lu Macedo&quot;,&quot;bio&quot;:&quot;Beloved &#128141; 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Ussher e outros autores</p><p>       &#8226;      Davenant Institute site </p><p>       .     John Davenant's Hypothetical Universalism: A Defense of Catholic and Reformed Orthodoxy</p><p>          . Richard A. Muller. Calvin and the Tradition Reformed </p><p>         . Alex Lacheta </p><p>         . <a href="/__u/sedulitas.substack.com/">Esdras Ferreira - Nosferatu&#180;s Substack</a> </p><p></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>