<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></title><description><![CDATA[🔮 estudante de jornalismo, apaixonada por romances e literatura, aspirante a escritora nas horas vagas🌺]]></description><link>https://mariarussini.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!p-3U!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f43b00-28d3-4982-83ee-de22f9b2b715_1167x1167.png</url><title>uma mulher em construção 💘💐⭐️</title><link>https://mariarussini.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Fri, 04 Sep 2026 02:36:34 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/mariarussini.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Maria Clara Russini]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[mariarussini@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[mariarussini@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[mariarussini@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[mariarussini@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Sobre ser jovem e já sentir saudade da juventude]]></title><description><![CDATA[A gente passa tanto tempo esperando a vida come&#231;ar que esquece de perceber quando ela j&#225; come&#231;ou]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/sobre-ser-jovem-e-ja-sentir-saudade</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/sobre-ser-jovem-e-ja-sentir-saudade</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Thu, 20 Aug 2026 11:19:30 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b476e5e0-4188-4266-bd29-b775ac65b051_708x920.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Existe uma coisa estranha e talvez at&#233; um pouco engra&#231;ada em ser jovem que ningu&#233;m parece contar.</p><p>Voc&#234; passa a adolesc&#234;ncia inteira esperando crescer. Esperando ter liberdade, tomar as pr&#243;prias decis&#245;es, entrar na faculdade, conhecer pessoas novas, se apaixonar, sair de casa, construir uma carreira, descobrir quem voc&#234; &#233;. Parece que existe uma linha invis&#237;vel separando a vida que voc&#234; tem da vida que realmente vai come&#231;ar.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigada por ler! Aqui embaixo voc&#234; pode deixar seu email para n&#227;o perder nenhum artigo!</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>E ent&#227;o, um certo dia voc&#234; acaba chegando l&#225;. </p><p>S&#243; que ningu&#233;m avisa que, quando voc&#234; finalmente chega, continua sem saber exatamente o que est&#225; fazendo. Acho que quando de fato chegamos a uma certa idade, nossas perguntas apenas se transformam. As preocupa&#231;&#245;es s&#227;o diferentes, os gostos mudam, as prioridades se alteram, mas as perguntas e incertezas sobre o futuro, costumam permanecer ali. </p><p>Acho que s&#243; aprendemos a esconder elas bem.  Porque na nossa cabe&#231;a, ter essas perguntas pode ser muitas vezes sin&#244;nimo de fraqueza. Mas olha, posso te garantir que n&#227;o &#233;.</p><p>Aos vinte  e poucos anos parece que todo mundo est&#225; correndo. Tem gente se formando, come&#231;ando a trabalhar, viajando, morando sozinha, ficando noiva, terminando relacionamentos, mudando de cidade, descobrindo uma profiss&#227;o, come&#231;ando outra. E &#233; nesses momentos que voc&#234; sente que talvez esteja preso no mesmo lugar. </p><p>Lembro de terminar meu ensino m&#233;dio e ficar com medo de como seria meu futuro quando eu sa&#237;sse da escola, se iria dar conta dos trabalhos na faculdade, se iria me encontrar na profiss&#227;o, se conseguiria trabalhar na &#225;rea. </p><p>Mas a vida &#233; engra&#231;ada, e hoje consigo ver que todos esses &#8220; e se?&#8221; me fortaleceram como pessoa.</p><p>Porque eu tenho 20 anos, e tenho muita vontade de viver tudo.</p><p>Mas, ao mesmo tempo, tenho vontade de apertar um bot&#227;o e fazer o tempo parar.</p><p>Quero descobrir quem vou ser, mas tenho medo de deixar para tr&#225;s quem sou agora. Quero conhecer lugares novos, mas &#224;s vezes sinto vontade de voltar para tardes que, quando aconteceram, pareciam completamente comuns. Quero construir uma carreira, mas tamb&#233;m quero continuar tendo tempo para as pessoas que amo. Quero crescer, mas n&#227;o quero que crescer signifique perder a leveza.</p><p> E acredito que seja por esse motivo que para mim, algumas mem&#243;rias recentes j&#225; parecem antigas. E em todo ano, me sinto uma pessoa totalmente diferente.</p><p>Uma conversa qualquer que, na &#233;poca, n&#227;o parecia importante. Uma tarde na escola. Uma m&#250;sica tocando no carro do meu pai enquanto &#237;amos para a casa da minha av&#243;. Uma fotografia tirada sem nenhuma inten&#231;&#227;o especial. Uma pessoa que estava ao nosso lado e que hoje j&#225; n&#227;o est&#225; da mesma maneira. Um dia que parecia apenas mais um dia, mas que, olhando de longe, percebemos que era o come&#231;o ou o fim de alguma coisa.</p><p>Porque querendo ou n&#227;o, devemos deixar algumas coisas no passado para poder aproveitar nosso presente. N&#227;o digo que devemos encerrar todo tipo de rela&#231;&#227;o antiga que temos, mas acho que exige muita coragem em ver que o momento daquilo j&#225; se foi, e que est&#225; tudo bem deixar isso fora da vida que voc&#234; est&#225; construindo.</p><p>Mas, tamb&#233;m sinto muita saudade. E &#233; engra&#231;ado porque sinto falta das fases e coisas que ainda est&#227;o acontecendo comigo.</p><p>Sinto falta de vers&#245;es minhas que ainda existem. Sinto falta de coisas que ainda acontecem, mas j&#225; n&#227;o acontecem da mesma maneira. Sinto saudade de pessoas que continuam presentes, mas que mudaram junto comigo. Sinto saudade at&#233; de algumas inseguran&#231;as, porque, por mais contradit&#243;rio que pare&#231;a, elas tamb&#233;m fazem parte de quem eu fui.</p><p>Acho que no final, talvez a gente  nunca perceba quando est&#225; vivendo uma &#250;ltima vez.</p><p>A &#250;ltima vez que uma amizade ser&#225; exatamente como era. A &#250;ltima vez que voc&#234; vai entrar em determinada sala. A &#250;ltima conversa antes de algu&#233;m mudar de cidade. O &#250;ltimo ver&#227;o em que voc&#234; ainda ser&#225; aquela vers&#227;o de voc&#234;. A &#250;ltima vez que alguma coisa vai parecer t&#227;o simples. A &#250;ltima vez que aquela pessoa vai sussurrar que te ama. A &#250;ltima vez que sua m&#227;e vai te oferecer um abra&#231;o depois de um dia cansativo.</p><p>E agora, olhando para tudo que eu vivi e escrevi, talvez seja justamente por isso que eu esteja tentando prestar mais aten&#231;&#227;o.</p><p>N&#227;o quero passar os pr&#243;ximos anos esperando a minha vida come&#231;ar.</p><p>Porque talvez ela j&#225; tenha come&#231;ado h&#225; muito tempo.</p><p>Talvez esteja come&#231;ando agora, enquanto escrevo isso. Talvez esteja nas manh&#227;s em que acordo sem saber exatamente o que fazer com o futuro. Nas conversas longas. Nos planos que ainda podem mudar. Nos erros que eu gostaria de n&#227;o ter cometido. Nas pessoas que amo. Nos lugares que ainda quero conhecer. Nos livros que ainda n&#227;o li. Nas hist&#243;rias que ainda n&#227;o escrevi.</p><p>Eu percebi que esse texto &#233; cheio de &#8220;talvez&#8221;, mas acho que at&#233; isso faz parte da juventude. O talvez, o medo, a incerteza. Porque ser jovem, &#233; estar cheia dessas perguntas e mesmo assim escolher seguir em frente.  Mas tamb&#233;m, talvez eu n&#227;o precise ter todas as respostas agora.</p><p>Talvez ningu&#233;m tenha.</p><p>A verdade &#233; que eu n&#227;o sei onde estarei daqui a cinco anos. N&#227;o sei quais pessoas continuar&#227;o ao meu lado, qual ser&#225; o meu trabalho, onde vou morar, quais sonhos ainda far&#227;o sentido ou quais vers&#245;es de mim vou precisar deixar para tr&#225;s.</p><p>Mas, pela primeira vez, estou tentando n&#227;o transformar isso em uma urg&#234;ncia.</p><p>Porque existe alguma beleza em n&#227;o saber.</p><p>Existe beleza em estar construindo. E eu sei que estou construindo o melhor pra mim. </p><p>Sei que tenho uma pessoa do meu lado que me faz sentir amor e seguran&#231;a todo dia em um relacionamento, sei que tenho minha melhor amiga que vai estar torcendo pra mim em qualquer lugar do mundo que eu esteja, sei que meus irm&#227;os v&#227;o continuar me amando por mais que eu n&#227;o consiga ser t&#227;o presente. </p><p>Porque uma coisa que n&#227;o &#233; um talvez na minha vida, &#233; o amor que eu sinto por todas essas pessoas. E sei que &#233; real porque por mais que eu esteja em uma constante mudan&#231;a todos os dias, o meu amor e carinho por todos eles continua o mesmo. Acredito que s&#243; vai se fortalecer com o tempo.</p><p>E talvez, daqui a alguns anos, eu leia esse texto e sinta saudade da menina que o escreveu. Talvez eu ache gra&#231;a dos medos que pareciam t&#227;o grandes. Talvez eu queira voltar para este momento e dizer para mim mesma que n&#227;o precisava ter tanta pressa.</p><p>Se isso acontecer, espero pelo menos conseguir lembrar que, enquanto escrevia, eu estava tentando viver.</p><p>E talvez seja isso que eu mais queira guardar da minha juventude:</p><p>n&#227;o a idade, nem as fotografias, nem os acontecimentos extraordin&#225;rios.</p><p>Mas a sensa&#231;&#227;o de ainda ter tanto pela frente.</p><p>De ainda poder mudar de ideia.</p><p>De ainda estar descobrindo.</p><p>E de ainda, com todo orgulho do mundo, ser uma mulher em constru&#231;&#227;o.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vxgk!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F21c3046b-4542-4f91-897f-c2135bbfa16b_736x797.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!vxgk!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F21c3046b-4542-4f91-897f-c2135bbfa16b_736x797.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!vxgk!, /__u/mariarussini.substack.com/w_424, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, 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Mas o amor, &#224;s vezes, &#233; assim. Acho que s&#227;o justamente nesses momentos que a gente percebe que est&#225; realmente apaixonada.</p><p>Eu namorei uma &#250;nica vez, e posso dizer que n&#227;o foi a melhor das experi&#234;ncias. Lembro que, depois de reunir coragem para terminar, passei meses sem conseguir ficar sozinha com um homem nem mesmo para conversar. Eu sentia medo. Um medo genu&#237;no, daqueles que se instalam em sil&#234;ncio e v&#227;o ocupando espa&#231;os que antes eram naturais.</p><p>Depois disso, fiquei com muito receio de me envolver novamente e sentir as mesmas coisas que eu sentia quando acreditava estar amando algu&#233;m. Na minha cabe&#231;a, relacionamentos se resumiam a sentir medo de encontrar o parceiro, sentir al&#237;vio quando ele estava longe e ter crises de ansiedade s&#243; de imaginar ficar sozinha com ele. Para mim, gostar de algu&#233;m significava perder um pouco de quem eu era no processo.</p><p>Eu realmente acreditava que amar era abrir m&#227;o de partes de si mesma para caber na vida de outra pessoa.</p><p>Mas, de vez em quando, a vida &#233; ir&#244;nica. E, &#224;s vezes, aquilo que voc&#234; mais precisa est&#225; bem diante dos seus olhos, mesmo quando voc&#234; n&#227;o est&#225; procurando.</p><p>&#201; engra&#231;ado pensar que, justamente no momento em que eu n&#227;o esperava ningu&#233;m, apareceu uma pessoa que me fez questionar todas as certezas que eu tinha constru&#237;do sobre amor, relacionamento e afeto. E n&#227;o vou dizer que foi f&#225;cil. No come&#231;o, eu tinha certeza de que aquilo n&#227;o daria em nada. Eu esperava, quase inconscientemente, o momento em que ele faria alguma coisa que me faria querer ir embora. Eu estava preparada para a decep&#231;&#227;o.</p><p>Mas ela nunca veio.</p><p>Pela primeira vez, encontrei algu&#233;m que me entende. Algu&#233;m que cuida de mim sem me sufocar, que respeita meus limites sem que eu precise explic&#225;-los o tempo todo, que consegue me amar exatamente do jeito que eu sou. Durante muito tempo, isso me pareceu imposs&#237;vel.</p><p>Quando eu estava no meu antigo relacionamento, lembro de um dia em que tomei coragem para me abrir. Contei que sentia meu humor mudar muito r&#225;pido, que estava preocupada com isso e queria procurar ajuda para entender o que acontecia comigo. A resposta que recebi foi que eu realmente era uma pessoa inst&#225;vel, complicada de lidar, e que ele havia conversado com a m&#227;e dele sobre isso.</p><p>Acho que foi naquele momento que eu decidi que nunca mais dividiria com ningu&#233;m aquilo que eu sentia. Porque, se at&#233; quando eu tentava pedir ajuda eu era vista como um problema, ent&#227;o talvez realmente houvesse algo errado comigo. Passei muito tempo acreditando que eu era dif&#237;cil demais para ser amada.</p><p>Hoje percebo o quanto eu me culpava por coisas que n&#227;o tinha nenhum controle.</p><p>&#201; estranho olhar para tr&#225;s e perceber que momentos que pareciam imposs&#237;veis de superar agora s&#227;o apenas lembran&#231;as distantes. Ainda existem, ainda fazem parte da minha hist&#243;ria, mas n&#227;o definem mais quem eu sou.</p><p>Porque agora eu n&#227;o sinto nenhuma dessas coisas. N&#227;o sinto medo. N&#227;o sinto ansiedade ao imaginar um encontro. N&#227;o sinto al&#237;vio quando ele vai embora, muito pelo contr&#225;rio, eu sinto paz.</p><p>E talvez essa seja a palavra mais bonita que encontrei para definir o que estou vivendo.</p><p>Uma paz que n&#227;o precisa ser conquistada todos os dias. Uma paz que existe naturalmente quando estamos juntos. Eu n&#227;o preciso me preparar emocionalmente para v&#234;-lo. N&#227;o preciso criar estrat&#233;gias para evitar conflitos ou medir cada palavra que vou dizer. Eu simplesmente posso ser eu.</p><p>E isso &#233; libertador.</p><p>Eu j&#225; escrevi muitos textos sobre querer ser amada. Durante anos, sonhei com um amor que me acolhesse, que me entendesse, que me permitisse existir sem precisar me diminuir. Mas acho que nada poderia ter me preparado para a realidade de finalmente viver isso.</p><p>Porque o amor, quando &#233; saud&#225;vel, n&#227;o chega fazendo barulho.</p><p>Ele chega trazendo calma. Chega fazendo a gente perceber que n&#227;o precisa lutar para ser aceita, e nos mostra que carinho n&#227;o deve ser confundido com esfor&#231;o constante e investidas desnecess&#225;rias.</p><p>E talvez uma das coisas mais bonitas seja perceber que, mesmo gostando tanto dele, eu n&#227;o sinto que estou me perdendo. Pelo contr&#225;rio. Sinto que estou me encontrando.</p><p>Todos os dias descubro alguma coisa nova sobre ele. Um detalhe, uma mania, uma forma diferente de enxergar o mundo. E o mais curioso &#233; que, quanto mais eu conhe&#231;o, mais vontade eu tenho de continuar conhecendo.</p><p>N&#227;o porque ele seja perfeito. Mas porque ele &#233; real.</p><p>E eu gosto de descobrir quem ele &#233; nas pequenas coisas: nas conversas longas, nas opini&#245;es inesperadas, nos sil&#234;ncios confort&#225;veis, nos gestos simples que talvez passem despercebidos para outras pessoas. E isso nunca parece cansativo.</p><p>&#192;s vezes eu me pego pensando em como tudo isso &#233; improv&#225;vel. Como algu&#233;m que passou tanto tempo acreditando que relacionamentos eram sin&#244;nimo de medo agora consegue associar o amor &#224; tranquilidade.</p><p>Mas talvez seja isso.</p><p>Talvez estar apaixonada seja perceber que voc&#234; encontrou algu&#233;m cuja presen&#231;a n&#227;o tira sua paz, mas a multiplica. Algu&#233;m que n&#227;o faz voc&#234; questionar o seu valor, mas o refor&#231;a. Algu&#233;m que n&#227;o transforma seus sentimentos em fraqueza, mas os acolhe com cuidado.</p><p>E, pela primeira vez na vida, eu n&#227;o sinto que preciso ser menos para caber na vida de algu&#233;m.</p><p>Eu sinto que posso ser inteira, e acredito que essa deve ser a forma mais linda de amar algu&#233;m.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A maternidade compulsória presente em "Precisamos falar sobre Kevin"]]></title><description><![CDATA[Resenha cr&#237;tica sobre os temas abordados no filme.]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/a-maternidade-compulsoria-presente</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/a-maternidade-compulsoria-presente</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Thu, 14 May 2026 00:26:50 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!zN1k!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F839806df-e0f1-4ee9-a738-aee96ed2727f_735x488.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!zN1k!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F839806df-e0f1-4ee9-a738-aee96ed2727f_735x488.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!zN1k!, /__u/mariarussini.substack.com/w_424, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, 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n&#227;o ter filhos s&#227;o motivos de chacota e repres&#225;lias. Mas, e quando somos obrigadas a exercer uma fun&#231;&#227;o que n&#227;o escolhemos para n&#243;s mesmas, e ocupamos apenas para satisfazer os sonhos da outra pessoa? </p><p>&#201; exatamente isso que Eva vive no filme &#8220;Precisamos falar sobre o Kevin&#8221;, uma adapta&#231;&#227;o liter&#225;ria lan&#231;ada em 2011 dirigida por Lynne Ramsay. A trama intercala entre passado e presente, acompanhando a vida de Eva, uma mulher que precisa lidar com o fato de que seu filho de 17 anos, Kevin, cometeu um massacre em sua escola e assassinou a irm&#227; e seu pai, marido de Eva.</p><p>Confesso que esse filme me cativou por v&#225;rios motivos. O primeiro &#233; a diferen&#231;a na narrativa, trazendo as dores de uma m&#227;e ap&#243;s um evento tr&#225;gico, ocasionado pelo seu pr&#243;prio filho. O segundo ponto &#233; em como a Eva &#233; apresentada para n&#243;s antes de se tornar m&#227;e, uma mulher livre e cheias de senhos, que em momento algum conseguia se enxergar exercendo a maternidade. </p><p>Acredito que esse seja isso o principal motivo que prende o telespectador, o fato da Eva se convencer de que aquilo estava certo, e que o seu marido merecia ser feliz, apesar da ideia de ser pai ser uma coisa linda apenas na cabe&#231;a dele, e todo peso ficar por conta dela.</p><p>Quando Eva engravida de Kevin, &#233; poss&#237;vel notar a rejei&#231;&#227;o logo no in&#237;cio, fato que se agrava conforme a trama se desenvolve. Ap&#243;s o nascimento de seu primeiro filho, Eva vive um per&#237;odo de Depress&#227;o P&#243;s - Parto, uma pequena observa&#231;&#227;o: Em uma entrevista com uma psic&#243;loga sobre o assunto, ela me esclareceu que &#233; poss&#237;vel confundir o chamado &#8220;Baby Blues&#8221; com a Depress&#227;o P&#243;s - Parto, mas h&#225; diferen&#231;as: O baby blues &#233; considerado uma tristeza comum que a mulher pode sentir nos primeiros dias ap&#243;s o parto, causada apenas por altera&#231;&#245;es hormonais comuns. A depress&#227;o P&#243;s -Parto &#233; quando a m&#227;e sente uma profunda rejei&#231;&#227;o e n&#227;o consegue sentir conex&#227;o com seu filho, e necessita de acompanhamento de profissionais.</p><p>Um dos momentos marcantes no filme ocorre na inf&#226;ncia de Kevin, quando vimos que o mesmo sente que sua m&#227;e tenta se &#8220;esfor&#231;ar&#8221; para tentar uma conex&#227;o e sentir amor por ele, mas Kevin v&#234; isso como uma certa afronta, e tenta provocar Eva para mostrar para ela que ele n&#227;o merece ser amado. Em um desses epis&#243;dios, Eva derruba Kevin no ch&#227;o e acaba quebrando o bra&#231;o dele, mas a crian&#231;a ao relatar para seu pai os fatos, ele inventa uma hist&#243;ria para manipular e &#8220;proteger&#8221; Eva.</p><p>A todo momento, Kevin &#233; mostrado como uma crian&#231;a com tra&#231;os de psicopatia, principalmente por n&#227;o conseguir sentir amor por nenhum membro da fam&#237;lia. Quando sua irm&#227; come&#231;a a crescer, ele v&#234; ela como uma amea&#231;a, e em uma das ocasi&#245;es ele deixa a menina cega.</p><p>No dia do massacre, Eva percebe que algo est&#225; errado e corre para a escola, quando v&#234; os corpos dos alunos cobertos de flechas (especialidade do Kevin), e logo em seguida seu filho sendo algemado pelos policiais.</p><p>No presente, &#233; not&#225;vel ver como Eva se tornou apenas uma concha vazia e sem alma, uma mulher que sobrevive no autom&#225;tico e que visita seu filho todos os dias na pris&#227;o.</p><p>No final, ela pergunta ao Kevin o motivo dele ter feito o que fez, e a resposta do menino &#233; apenas &#8220; No momento eu achei que sabia, mas agora j&#225; n&#227;o tenho certeza&#8221;.</p><p>O filme &#233; baseado nas viv&#234;ncias e relatos de uma das m&#227;es de um dos atiradores do Massacre de Columbine, que ocorreu em 1999 em uma escola nos Estados Unidos, e &#233; por isso que esse filme te atravessa, pelo simples fato de trazer uma perspectiva que a sociedade n&#227;o est&#225; preparada para enfrentar, a que a m&#227;e n&#227;o tem culpa alguma das atitudes de seus filhos. Na trama, Eva sofre repres&#225;lias e sente vergonha, principalmente por esbarrar com m&#227;es que perderam seus filhos em um massacre.</p><p>A ideia desse texto n&#227;o &#233; minimizar nenhuma atitude em um crime, mas sim olhar para a maternidade de forma realista. A mulher n&#227;o deveria sentir qualquer tipo de vergonha por n&#227;o conseguir se imaginar como m&#227;e ou n&#227;o sentir afeto pela crian&#231;a, v&#225;rias mulheres relatam que sentem parte da identidade perdida quando se tornam m&#227;es, e &#233; exatamente isso que vemos acontecer com a personagem. Mas, fa&#231;o um adendo aqui, nada justifica algumas atitudes que Eva toma durante o filme com Kevin.</p><p>A trama inteira se desenrola com uma esp&#233;cie de dan&#231;a na qual, Eva se esfor&#231;a para amar Kevin e Kevin se esfor&#231;a para tentar n&#227;o odiar a Eva.</p><p>A ideia do filme &#233; mostrar que na rela&#231;&#227;o dos dois, n&#227;o existe um culpado. Eva n&#227;o queria um filho e Kevin n&#227;o pediu para nascer, n&#227;o existe o certo e errado. O erro de Kevin foi ter pego toda essa m&#225;goa e usado como um combust&#237;vel para cometer uma trag&#233;dia.</p><p>Por fim &#233; indispens&#225;vel acrescentar que no filme, n&#227;o vemos Eva em nenhum momento receber o apoio de seu marido ou de algum profissional. Vemos apenas ela sentir uma culpa e carregar o peso do mundo em seus ombros, o que infelizmente ocorre com aproximadamente 80% das mulheres no Brasil.</p><p> Porque para n&#243;s, a maternidade &#233; algo palp&#225;vel e real, n&#227;o apenas uma ideia igual para a maioria dos homens. A maternidade n&#227;o &#233; algo para ser idealizado e sim vivido se for escolha dela. Infelizmente a r&#233;gua moral que a sociedade usa para medir o certo e errado, nos alcan&#231;a exclusivamente.</p><p></p><p></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Me importo mais em ser amada, do que amar alguém]]></title><description><![CDATA[Reflex&#245;es sobre as expectativas que cercam o amor rom&#226;ntico]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/me-importo-mais-em-ser-amada-do-que</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/me-importo-mais-em-ser-amada-do-que</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Sat, 21 Mar 2026 14:10:16 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gCoO!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F05e8fab8-a2f2-4c3c-be0a-95a8efc83cda_720x720.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a 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por outra pessoa em uma rela&#231;&#227;o rom&#226;ntica.</p><p>Sabe a sensa&#231;&#227;o de querer ser cuidada? &#233; exatamente isso. Eu quero que quando o meu parceiro pense em mim, ele sinta devo&#231;&#227;o, e n&#227;o apenas um amor qualquer. Mas sei que para um relacionamento dar certo, precisa existir um equil&#237;brio, &#233; uma via de m&#227;o dupla em que os dois precisam sentir a mesma coisa um pelo o outro, mas n&#227;o consigo.</p><p>Isso acaba ocasionando um ciclo vicioso em todas as rela&#231;&#245;es que eu construo. Eu &#225;s vezes mantenho uma coisa que j&#225; acabou porque &#233; mais f&#225;cil viver com metade, do que n&#227;o ter nada. Ent&#227;o mesmo que a rela&#231;&#227;o j&#225; tenha acabado, eu procuro sempre me apegar a alguma lembran&#231;a do passado, porque a partir do momento em que eu finalmente deixar ir, aquilo passa a ser real.</p><p>E pra mim, &#233; mais f&#225;cil me enfiar em uma rela&#231;&#227;o fadada ao fracasso, porque j&#225; sei como ela vai terminar. Uma coisa nova me assusta, pelo simples fato de poder dar certo, porque &#225; partir do momento que come&#231;ar a dar certo, vou precisar amar essa pessoa, e isso me assusta.</p><p>Quando assisti &#8220;Little Women&#8221; pela primeira vez e conheci Jo March, me senti ouvida. No momento em que ela fala que mulheres tem ambi&#231;&#245;es, e paix&#245;es e n&#227;o servimos apenas para casar e ter filhos, eu pensei -caramba, &#233; exatamente isso. Quando ela fala que aceitaria casar com Laurie se ele pedisse novamente, porque ela precisava ser amada, pelo simples fato de morrer de medo de se sentir sozinha.</p><p>E esse &#233; um dos meus maiores medos tamb&#233;m.</p><p>Eu buscar tanto uma rela&#231;&#227;o idealizada, e no final eu morrer sem ningu&#233;m. Olhando assim parece muito drama, mas sei que n&#227;o &#233;. Em todas as rela&#231;&#245;es que eu me coloco, eu tento sabotar, colocando mil defeitos e arrumando um jeito de fugir.</p><p>Porque essa sensa&#231;&#227;o pra mim &#233; familiar, a fuga, a adrenalina, o medo, a inseguran&#231;a. Eu n&#227;o sei como sentir amor de uma forma calma. N&#227;o sei amar algu&#233;m sem inserir as partes ruins no meio, e preciso que a pessoa veja o meu pior lado, porque na minha cabe&#231;a s&#243; assim ela vai me amar. </p><p>Se eu mostrar meus medos, meus defeitos, e a pessoa continuar comigo, &#233; porque realmente ela me ama de verdade.</p><p>E acho que se um dia, eu me permitir amar algu&#233;m, seria dessa forma.</p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A linha tênue entre o amor e a dependência química em 'beautiful boy' (2018).]]></title><description><![CDATA[An&#225;lise cr&#237;tica sobre o filme "Beautiful boy" estrelado por Timothee Chalamet.]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/a-linha-tenue-entre-o-amor-e-a-dependencia</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/a-linha-tenue-entre-o-amor-e-a-dependencia</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Sat, 07 Feb 2026 23:55:18 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!Si2I!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F74e244e0-9204-4f96-a4b7-6a2eaad0fc89_736x546.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Si2I!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F74e244e0-9204-4f96-a4b7-6a2eaad0fc89_736x546.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!Si2I!, /__u/mariarussini.substack.com/w_424, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, 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depend&#234;ncia qu&#237;mica. O filme retrata os esfor&#231;os de David para ajudar o filho a se recuperar do v&#237;cio em drogas, especialmente a metanfetamina, enquanto enfrenta reca&#237;das constantes e a imprevisibilidade da doen&#231;a. A narrativa se desenvolve de forma n&#227;o linear, alternando entre momentos da inf&#226;ncia de Nic, marcados por afeto e estabilidade, e sua juventude, atravessada pelo uso de drogas, pela fragilidade emocional e pelo impacto profundo dessa depend&#234;ncia no ambiente familiar.</p><p>Assisti a <em>Beautiful Boy</em> e terminei o filme com a sensa&#231;&#227;o de que ele n&#227;o acaba quando os cr&#233;ditos sobem. Ele fica. Fica no corpo, na cabe&#231;a, no sil&#234;ncio depois. N&#227;o &#233; um filme f&#225;cil de acompanhar, justamente porque ele n&#227;o permite dist&#226;ncia emocional. Em nenhum momento &#233; poss&#237;vel relaxar. A cada cena mais calma, existe sempre a expectativa de que algo vai dar errado.</p><p>O que mais angustia ao longo da narrativa &#233; essa espera constante pela reca&#237;da de Nic. Mesmo quando ele parece estar melhor, quando h&#225; algum sinal de esperan&#231;a, o espectador j&#225; aprendeu que a tranquilidade &#233; fr&#225;gil. O filme constr&#243;i essa sensa&#231;&#227;o de alerta permanente de forma honesta, fazendo com que quem assiste compartilhe do mesmo medo vivido pelo pai. &#201; imposs&#237;vel n&#227;o se pegar pensando quanto tempo isso vai durar.</p><p>As idas e vindas no tempo, alternando entre a inf&#226;ncia de Nic e o presente marcado pela depend&#234;ncia, refor&#231;am ainda mais esse desconforto. Ver quem Nic foi antes do v&#237;cio torna tudo mais doloroso. N&#227;o porque exista um contraste for&#231;ado, mas porque fica evidente que a depend&#234;ncia n&#227;o apaga quem a pessoa &#233;. Ela apenas encobre, fragmenta e afasta. O filme n&#227;o busca um motivo &#250;nico ou uma explica&#231;&#227;o definitiva, e talvez seja exatamente isso que o torne t&#227;o real.</p><p>A rela&#231;&#227;o entre pai e filho &#233; o centro emocional da obra. O amor est&#225; sempre presente, mas nunca de forma simples. H&#225; cuidado, culpa, exaust&#227;o e uma tentativa constante de salvar algu&#233;m que parece sempre escapar. Em muitos momentos, o filme provoca uma pergunta silenciosa at&#233; onde o amor consegue ir sem se transformar em dor. A narrativa n&#227;o responde, apenas mostra.</p><p>Tamb&#233;m &#233; imposs&#237;vel ignorar como o filme evidencia que a depend&#234;ncia qu&#237;mica n&#227;o atinge apenas quem usa drogas. Ela invade a rotina, os pensamentos e os afetos. O sofrimento n&#227;o &#233; pontual, ele se acumula. Cada reca&#237;da n&#227;o representa apenas um retrocesso para Nic, mas um impacto emocional profundo para quem est&#225; ao redor, que precisa reaprender a confiar, esperar e, ao mesmo tempo, se proteger.</p><p><em>Beautiful Boy</em> n&#227;o oferece conforto f&#225;cil nem solu&#231;&#245;es definitivas. Ele insiste em mostrar que o processo &#233; longo, inst&#225;vel e emocionalmente desgastante. Talvez por isso seja um filme que incomoda tanto. Ele coloca o espectador diante da fragilidade das rela&#231;&#245;es humanas e da impot&#234;ncia diante de certas dores.</p><p>Ainda assim, &#233; uma obra necess&#225;ria. N&#227;o apenas por falar sobre drogas, mas por mostrar tudo o que elas levam junto: v&#237;nculos, seguran&#231;a emocional e paz. Assistir a <em>Beautiful Boy</em> &#233; atravessar uma experi&#234;ncia que alerta sem gritar, emociona sem exagerar e deixa claro que o impacto do v&#237;cio vai muito al&#233;m de quem consome a subst&#226;ncia. &#201; um filme que d&#243;i, mas que precisa ser visto.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Você não precisa ser ótima em tudo.]]></title><description><![CDATA[Reflex&#245;es de uma garota que se cobra demais.]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/voce-nao-precisa-ser-otima-em-tudo</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/voce-nao-precisa-ser-otima-em-tudo</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Sun, 25 Jan 2026 21:54:36 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!s_4e!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff7ff8754-211e-414f-9dfc-f7f60e046247_735x512.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!s_4e!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff7ff8754-211e-414f-9dfc-f7f60e046247_735x512.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!s_4e!, /__u/mariarussini.substack.com/w_424, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, /__u/mariarussini.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ff7ff8754-211e-414f-9dfc-f7f60e046247_735x512.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!s_4e!, /__u/mariarussini.substack.com/w_848, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, 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Aquela que se dedicava sem que meus pais pedissem, que ia bem na escola sem esfor&#231;o, que obedecia sem questionar, e que agora com 19 anos sente o peso do mundo em suas costas.</p><p>Acho que sempre gostei muito da sensa&#231;&#227;o do controle, de ter minha vida planejada e me dedicar 100% na minha carreira profissional. Por&#233;m, ao decorrer do tempo eu comecei a perceber que n&#227;o lidava muito bem com as frustra&#231;&#245;es comuns do dia a dia.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigada por ler! Deixe seu email para receber meus textos em primeira m&#227;o, beijos da clara!</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Se algo d&#225; errado eu come&#231;o a questionar todas as minhas decis&#245;es, e principalmente duvidar do meu potencial.</p><p>Eu entrei na faculdade em 2025 direto do ensino m&#233;dio, consegui uma bolsa 100% pelo Prouni em uma faculdade particular na minha cidade no curso de jornalismo. Lembro que quando saiu o resultado da bolsa, eu n&#227;o consegui sentir felicidade. Eu sentia que estava apenas cumprindo minha obriga&#231;&#227;o e que aquilo n&#227;o era fruto de esfor&#231;o nenhum, eu me lembro de pensar que<em> apenas tinha dado sorte.</em></p><p>Quando entrei na faculdade achei que esse sentimento ia passar mas estava errada. Sempre me senti meio deslocada, achava que era a que sabia menos dentro da sala, que se eu tirasse alguma nota ruim em uma prova aquilo definiria meu futuro e acima de tudo, minha m&#227;e nunca teria orgulho de mim.</p><p>Minha rela&#231;&#227;o com a minha m&#227;e melhorou muito, mas quando eu era pequena era p&#233;ssima. Tenho lembran&#231;as de chegar chorando para minha av&#243; porque achava que minha m&#227;e n&#227;o me amava, e foi nessa &#233;poca que comecei a perceber que tudo que eu fazia era pra provar pra ela que eu merecia o amor dela.</p><p>Ent&#227;o me dediquei &#225; escola e minha m&#227;e ficava feliz, contava pra todo mundo de alguma apresenta&#231;&#227;o que eu tinha feito ou sobre alguma nota que eu havia tirado, e eu simplesmente me viciei nisso.</p><p>Eu sou viciada em tentar provar para as pessoas que sou boa o suficiente para ser amada por algu&#233;m.</p><p>Ent&#227;o eu me esfor&#231;o para ser boa em tudo, seja em algum trabalho ou alguma atividade, eu preciso da valida&#231;&#227;o de que sou &#243;tima no que eu fa&#231;o.</p><p>E essa valida&#231;&#227;o n&#227;o serve se vier de mim, porque nunca me acho boa suficiente e a &#250;nica competi&#231;&#227;o que eu travo &#233; comigo mesma, porque &#225;s vezes me sinto presa dentro da minha cabe&#231;a.</p><p>E as vezes me sinto exausta e queria apenas me permitir falhar, mas n&#227;o consigo. &#201; como se fosse algo que me consome e sei que &#233; isso que me sustenta, ent&#227;o se eu me curar, n&#227;o vou saber quem eu sou de verdade.</p><p>Acredito que esse seja um os textos mais complicados que escrevi mas acho que precisava compartilhar isso.</p><p>Na maioria do tempo me sinto uma fraude e que em algum momento algu&#233;m vai ver que n&#227;o sou o suficiente. Sinto que tudo que eu conquisto n&#227;o &#233; meu de verdade e que algu&#233;m merece bem mais que eu.</p><p>Mas em alguns lapsos de pensamentos, sei que isso &#233; mentira.</p><p>Apenas tor&#231;o pra ser.</p><p>Espero que esse texto tenha te encontrado, e se encontrou, fique tranquila porque existe algu&#233;m que te entende.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Análise sobre o texto “Observações sobre o direito de punir” de Clarice Lispector]]></title><description><![CDATA[Em agosto de 1941, Clarice Lispector publicou na revista A &#201;poca o artigo intitulado &#8220;Observa&#231;&#245;es sobre o fundamento do direito de punir&#8221;, composto por cinco p&#225;ginas.]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/analise-sobre-o-texto-observacoes</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/analise-sobre-o-texto-observacoes</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Mon, 29 Dec 2025 23:33:31 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!z8WB!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8fe1e4d4-de33-4b71-b1cf-b4caef9ebd82_920x1279.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z8WB!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8fe1e4d4-de33-4b71-b1cf-b4caef9ebd82_920x1279.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!z8WB!, /__u/mariarussini.substack.com/w_424, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, 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O texto evidencia o dom&#237;nio da autora sobre quest&#245;es jur&#237;dicas e filos&#243;ficas, conhecimento adquirido durante sua forma&#231;&#227;o no curso de Direito pela ent&#227;o Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).</p><p>Ao longo do artigo, Clarice prop&#245;e uma reflex&#227;o cr&#237;tica sobre a legitimidade do chamado &#8220;direito de punir&#8221;. Em um de seus trechos centrais, a autora afirma de maneira contundente que n&#227;o existe, de fato, um direito, mas apenas um poder de puni&#231;&#227;o exercido pelo Estado. Essa ideia &#233; expressa no seguinte trecho do artigo:</p><blockquote><p>&#8220;N&#227;o h&#225; direito de punir. H&#225; apenas poder de punir. O homem &#233; punido pelo seu crime porque o Estado &#233; mais forte que ele; a guerra, grande crime, n&#227;o &#233; punida porque acima dum homem h&#225; os homens, acima dos homens nada mais h&#225;. E n&#227;o h&#225; direito de punir porque a pr&#243;pria representa&#231;&#227;o do crime na mente humana &#233; o que h&#225; de mais inst&#225;vel e relativo: como julgar que posso punir baseada apenas em que o meu crit&#233;rio de julgamento para totalizar tal ato como criminoso ou n&#227;o &#233; superior a todos os crit&#233;rios? Como crer que se tem verdadeiramente o direito de punir se se sabe que a observ&#226;ncia do fato X, hoje fato criminoso, considerava-se igualmente crime?&#8221; [&#8230;]</p></blockquote><p>A partir desse trecho, Clarice questiona diretamente a ideia de justi&#231;a como algo absoluto e imparcial. Para a autora, a puni&#231;&#227;o n&#227;o se fundamenta em um princ&#237;pio moral universal, mas na for&#231;a de quem det&#233;m o poder. O indiv&#237;duo &#233; punido n&#227;o porque exista uma verdade incontest&#225;vel sobre seu crime, mas porque h&#225; uma autoridade superior capaz de impor san&#231;&#245;es. Em contraste, crimes de grande escala, como a guerra, permanecem impunes justamente por serem praticados por aqueles que concentram o poder.</p><p>Outro ponto central da reflex&#227;o apresentada por Clarice &#233; o car&#225;ter inst&#225;vel e relativo da no&#231;&#227;o de crime. Ao afirmar que a representa&#231;&#227;o do crime na mente humana &#233; mut&#225;vel, a autora evidencia que os crit&#233;rios de julgamento variam conforme o contexto hist&#243;rico, social e cultural. O que hoje &#233; considerado crime pode, em outro momento, deixar de s&#234;-lo, o que fragiliza a ideia de um direito natural ou eterno de punir.</p><p>Dessa forma, o texto problematiza a autoridade moral de quem julga e pune, colocando em xeque a legitimidade de decis&#245;es baseadas em crit&#233;rios subjetivos e historicamente constru&#237;dos. Clarice n&#227;o oferece solu&#231;&#245;es, mas provoca uma reflex&#227;o profunda ao expor as contradi&#231;&#245;es existentes na rela&#231;&#227;o entre justi&#231;a, poder e moralidade.</p><p>Assim, &#8220;Observa&#231;&#245;es sobre o fundamento do direito de punir&#8221; se consolida como um texto de forte densidade reflexiva, que ultrapassa o campo estritamente jur&#237;dico e se afirma como uma an&#225;lise filos&#243;fica sobre os limites da puni&#231;&#227;o e da justi&#231;a. A escrita de Clarice Lispector transforma o artigo em uma poderosa ferramenta de questionamento, convidando o leitor a rever conceitos que, &#224; primeira vista, parecem s&#243;lidos e incontest&#225;veis.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A sociedade dos poetas mortos: um respiro em meio ao autoritarismo]]></title><description><![CDATA[Uma an&#225;lise sobre a obra de N.H. Kleinbaum ( CONT&#201;M SPOILERS SOBRE O FILME E LIVRO!!)]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/a-sociedade-dos-poetas-mortos-um</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/a-sociedade-dos-poetas-mortos-um</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Mon, 15 Dec 2025 04:03:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!9c88!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Facfc2b8c-892e-48fc-98f8-b5e5dd3d2360_736x540.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!9c88!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Facfc2b8c-892e-48fc-98f8-b5e5dd3d2360_736x540.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!9c88!, /__u/mariarussini.substack.com/w_424, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, /__u/mariarussini.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Facfc2b8c-892e-48fc-98f8-b5e5dd3d2360_736x540.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!9c88!, /__u/mariarussini.substack.com/w_848, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, /__u/mariarussini.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Facfc2b8c-892e-48fc-98f8-b5e5dd3d2360_736x540.jpeg 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!9c88!, /__u/mariarussini.substack.com/w_1272, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, 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Por&#233;m, esse ano ap&#243;s as t&#227;o esperadas f&#233;rias da faculdade de jornalismo, fiquei entusiasmada para ler e assistir coisas que sempre adiei e adivinhem: esse filme estava em primeiro lugar na lista, ent&#227;o resolvi assistir.</p><p>E como acredito que tudo na vida tenha um tempo e local certo para tudo, esse filme veio para mim exatamente no momento certo, mas antes de comentar sobre a obra, vou contextualizar voc&#234;s um pouquinho.</p><p>O filme retrata uma escola muito r&#237;gida para meninos, extremamente autorit&#225;ria e com os ex&#237;mios valores: Tradi&#231;&#227;o, honra, disciplina e excel&#234;ncia. Nesse espa&#231;o, conhecemos um grupo de amigos, com peculiaridades mas que juntos parecem se completar. Com a chegada de um novo professor de literatura, os rapazes come&#231;am a perceber por meio de seus ensinamentos, que precisam come&#231;ar a pensar por si pr&#243;prios e acima de tudo: <em>aproveitar o momento e fazer das suas vidas extraordin&#225;rias!</em></p><p>Conforme o filme come&#231;a, dois personagens principais s&#227;o apresentados: Neil Perry, um excelente aluno que possu&#237; uma paix&#227;o escondida pela atua&#231;&#227;o, mas que por conta de seu pai r&#237;gido e opressor, ir&#225; estudar para virar m&#233;dico, uma carreira sonhada pela fam&#237;lia e n&#227;o por Neil. Conhecemos tamb&#233;m Todd Anderson, um menino bondoso por&#233;m extremamente t&#237;mido, e que est&#225; acostumado a viver na sombra do seu irm&#227;o que construiu uma jornada acad&#234;mica fant&#225;stica, segundo seus pr&#243;prios pais.</p><p>Os demais amigos, Knox Overstreet que est&#225; apaixonado pela namorada do filho do melhor amigo do pai e que tenta conquistar com todas as suas for&#231;as a garota, Charlie Dalton o famoso garoto rebelde que sonha em ser expulso da escola e encontrar uma namorada, Gerard Pitts e seu amigo Steven Meeks, os alunos exemplares da escola mas que n&#227;o suportam a press&#227;o de suas respectivas fam&#237;lias e Richard Cameron, o certinho que no final se mostra um p&#233;ssimo amigo.</p><p>Na primeira aula em que os rapazes conhecem o senhor John Keating, novo professor de literatura, ele os surpreende com uma simples frase:<em> Carpe Diem, aproveitem o dia rapazes! Fa&#231;am das suas vidas extraordin&#225;rias!.</em></p><p>Essa frase acompanha a trama at&#233; o final, principalmente porque vemos oque ela causa em cada um dos meninos, fazendo eles pensarem por conta pr&#243;pria e n&#227;o apenas aceitar oque &#233; imposto.</p><p>Em um dia, os garotos descobrem que o senhor Keating fazia parte de uma sociedade secreta, cujo o nome era &#8220;sociedade dos poetas mortos&#8221;, onde ele e seus amigos buscavam &#8220; sugar o tutano da vida&#8221;. Em uma caverna, eles se revezam lendo poesias de autores famosos e de suas pr&#243;prias autorias tamb&#233;m.</p><p>Com a ideia brilhando em suas mentes, Neil Perry convoca uma nova sociedade de poetas mortos junto com seus colegas, e &#233; ali que a <em>magia </em>acontece. Naquele local, os garotos pela primeira vez na vida s&#227;o eles mesmos, e percebem que aquela caverna pode ser considerada um<em> lar.</em></p><p>Cada um dos garotos come&#231;a a ter sua vida mudada, oque consequentemente os leva a se questionar sobre tudo, principalmente os fundamentos da escola. Neil, inspirado pelas palavras proferidas pelo professor, consegue um papel para atuar como protagonista na pe&#231;a &#8220; Um sonho de uma noite de ver&#227;o&#8221; de Willian Shakespeare, escondido de seu pai que abominava a tal ideia.</p><p>O clim&#225;x da obra, acontece no dia da apresenta&#231;&#227;o de Neil, em que o pai aparece e o leva para casa, afim de tirar o filho da escola e o matricular em um col&#233;gio militar. Assim, quando seus pais est&#227;o dormindo, Neil pega o revolver de seu pai e comete um suic&#237;dio, pois a ideia de viver uma vida que n&#227;o lhe pertencia, era agonizante.</p><p>A escola afim de buscar um culpado, se volta contra o professor para conden&#225;-lo de ter sido conivente com as ideias de Neil, ao incentiv&#225;-lo a seguir seu sonho.</p><p>Os garotos acoados, s&#227;o obrigados a assinar um documento em que afirma o ponto da escola e pro&#237;be o professor de dar aula para sempre. </p><p>A cena final, simb&#243;lica e extremamente sens&#237;vel, mostra Todd Anderson o ent&#227;o garoto t&#237;mido junto com seus colegas de p&#233; em suas mesas, assim como o senhor Keating havia estado algumas aulas antes, mostrando que devemos sempre olhar em perspectivas diferentes, independente da situa&#231;&#227;o.</p><p>O filme aborda temas muito relevantes, e fiquei surpreendida de saber que seu ano de lan&#231;amento foi 1990, pois alguns assuntos parecem atuais demais.</p><p>Com a onda de conservadorismo e principalmente as bolhas na internet, nos vemos muitas vezes seguindo a manada, sem se dar conta de nossas pr&#243;prias vontades. Estamos t&#227;o ocupados com nossa rotina exaustiva que exige que sempre nos mantenhamos em produ&#231;&#227;o, que esquecemos de aproveitar a nossa vida e realmente viver pelos nossos desejos.</p><p>O filme nos mostra que manter as apar&#234;ncias e viver uma vida que moldaram para n&#243;s, n&#227;o faz sentido algum, e que acima de tudo: n&#227;o estamos atrasados para nossa pr&#243;pria jornada, ent&#227;o vamos fazer dela <em>extraordin&#225;ria.</em></p><p>Cada um dos meninos, com um pequeno tra&#231;o de sua personalidade, faz com que um la&#231;o que nem sab&#237;amos que existia surgir ( menos o Cameron), e nos faz torcer para cada um seguir sua pr&#243;pria paix&#227;o.</p><p>O filme e o livro me tocaram de formas inimagin&#225;veis, e me pego escrevendo isso de madrugada pois estou anestesiada ainda, &#233; fascinante, &#233; complexo, &#233; apaixonante.</p><p>Por isso, Carpe Diem para n&#243;s e que possamos sugar o tutano da vida com base em nossas paix&#245;es!</p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Mais um dezembro, sem Clarice Lispector]]></title><description><![CDATA[Por Maria Clara Russini]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/mais-um-dezembro-sem-clarice-lispector</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/mais-um-dezembro-sem-clarice-lispector</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Thu, 11 Dec 2025 01:57:59 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!k0Iz!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcbe98390-84ae-457f-9f2a-3c8ce875b51c_596x1280.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>H&#225; 48 anos, o Brasil sentia o peso de perder uma das vozes mais atemporais da literatura brasileira. Consagrada como sendo um dos maiores nomes da literatura brasileira do s&#233;culo XX, Clarice Lispector se destacava entre as obras tradicionais, com sua linguagem po&#233;tica e a capacidade de transformar passagens do cotidiano em um fluxo de consci&#234;ncia majestoso. No dia 9 de dezembro de 1977, Clarice partiu em decorr&#234;ncia de um c&#226;ncer no ov&#225;rio, um dia antes de seu anivers&#225;rio de 57 anos, deixando um vazio no cora&#231;&#227;o de todos aqueles que apreciam a literatura brasileira.</p><p>Clarice Lispector nasceu na aldeia de Tchetchelnik, na Ucr&#226;nia, no dia 10 de dezembro de 1920. Era filha de Pinkouss e Mania Lispector, casal de origem judaica que fugiu de seu pa&#237;s diante da persegui&#231;&#227;o aos judeus durante a Guerra Civil Russa.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Ao chegarem ao Brasil, fixaram resid&#234;ncia em Macei&#243;, Alagoas, onde morava Zaina, irm&#227; de sua m&#227;e. Clarice tinha apenas dois meses de idade. Por iniciativa de seu pai, todos mudaram o nome. Nascida Haya Pinkhasovna Lispector, passou a se chamar <em>Clarice.</em></p><p>Em 1941, Clarice ingressou na Faculdade Nacional de Direito e empregou-se como redatora da Ag&#234;ncia Nacional. Depois, trabalhou no jornal &#8220;A Noite&#8221;. Em 1943, casou-se com o amigo de turma, Maury Gurgel Valente. Em 1944, formou-se em Direito. S&#243; veio a receber o grau de Bacharel em Ci&#234;ncias Jur&#237;dicas e Sociais em 1952.</p><p>Em 1944, Clarice publicou seu primeiro romance, Perto do Cora&#231;&#227;o Selvagem, obra onde &#233; explorado desde a inf&#226;ncia at&#233; a vida adulta da protagonista Joana. A narrativa n&#227;o ocorre de forma linear, alternando entre lembran&#231;as, pensamentos e situa&#231;&#245;es do cotidiano, revelando as d&#250;vidas e reflex&#245;es da personagem. A obra provocou espanto entre diversos cr&#237;ticos, por conta de sua escrita que n&#227;o mantinha o tradicional modelo de come&#231;o, meio e fim, fundindo prosa e poesia, revelando o estilo que iria cativar os leitores de Clarice.</p><p>Em 1959, Clarice se separou do marido e retornou ao Rio de Janeiro, acompanhada de seus dois filhos, e se aventurou no mundo jornal&#237;stico. Logo quando retornou para a cidade, come&#231;ou a trabalhar no jornal Correio da Manh&#227;, assumindo a coluna &#8220;Correio Feminino&#8221;.</p><p>Nesse mesmo ano, ao dormir com um cigarro aceso, Clarice sofreu diversas queimaduras no corpo e em sua m&#227;o direita, a mesma que usava para escrever. Ap&#243;s o ocorrido, Clarice passou por diversas cirurgias e se manteve isolada, mas nunca deixou de exercer sua paix&#227;o: a escrita.</p><p>Em 1977, Clarice Lispector escreveu A Hora da Estrela, sua &#250;ltima obra publicada em vida, na qual conta a hist&#243;ria de Macab&#233;a, uma mo&#231;a do interior em busca de sobreviv&#234;ncia na cidade grande.</p><p>A vers&#227;o cinematogr&#225;fica desse romance, dirigida por Suzana Amaral em 1985, conquistou os maiores pr&#234;mios do Festival de Cinema de Bras&#237;lia e deu &#224; atriz Marc&#233;lia Cartaxo, que fez o papel principal, o trof&#233;u Urso de Prata, em Berlim, em 1986.</p><p>No mesmo ano ap&#243;s a publica&#231;&#227;o, Clarice faleceu em decorr&#234;ncia de um c&#226;ncer no ov&#225;rio, um dia antes de seu anivers&#225;rio no dia 10 de dezembro.</p><p>Ao partir, Clarice n&#227;o deixou apenas suas obras como uma esp&#233;cie de fonte para usufruirmos; Clarice revolucionou a forma de escrita tradicional e transformou situa&#231;&#245;es que a olhos nus poderiam parecer insignificantes, mas que, com a maestria que apenas Lispector tinha, tudo se transformava em poesia e nos revelava que a beleza nasce no dia a dia, e que tudo pode ser extraordin&#225;rio se voc&#234; souber olhar com aten&#231;&#227;o</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!k0Iz!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcbe98390-84ae-457f-9f2a-3c8ce875b51c_596x1280.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!k0Iz!, /__u/mariarussini.substack.com/w_424, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, 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Nesta data memor&#225;vel, nosso &#250;nico agradecimento &#233; pelo privil&#233;gio de ter encontrado a eternidade no instante, espelhada nas p&#225;ginas onde a sua alma ainda pulsa, transformando o sil&#234;ncio em poesia.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigada por ler at&#233; aqui! Fique por dentro de todos os meus textos e se inscreva aqui!</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O padrão inalcançável de beleza e a sociedade de consumo]]></title><description><![CDATA[Uma an&#225;lise feminina sobre padr&#245;es que s&#227;o impostos pela sociedade, e que para variar, as mulheres s&#227;o as mais prejudicadas.]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/o-padrao-inalcancavel-de-beleza-e</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/o-padrao-inalcancavel-de-beleza-e</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Mon, 24 Nov 2025 22:49:41 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/4de52153-c19b-47be-9045-b5d8cb0ef9a8_600x667.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AwDu!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe1e496f9-8ae8-4e9a-afdd-fd642c692c22_455x238.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!AwDu!, /__u/mariarussini.substack.com/w_424, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, /__u/mariarussini.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe1e496f9-8ae8-4e9a-afdd-fd642c692c22_455x238.png 424w, 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Quantas vezes voc&#234; j&#225; ouviu que precisava emagrecer? ou que seu rosto por conta da TPM estava com espinhas e era necess&#225;rio dar um jeito com rem&#233;dios? Ou que sua cintura n&#227;o estava fina o suficiente? E o pior, a maioria desses coment&#225;rios eram feitos por <em>mulheres</em> ( no meu caso, mulheres da minha pr&#243;pria fam&#237;lia.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigada por ler! Se inscreva para receber meus artigos em primeira m&#227;o!</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Eu comecei a me importar com o meu peso quando tinha 13 anos de idade. Enquanto a maioria dos meus amigos meninos estavam preocupados com qual jogo de videogame iriam comprar, eu estava desesperada para engordar.</p><p>Sempre fui uma menina alta e magra, na &#233;poca eu lembro de n&#227;o conseguir sair dos 49kg e o quanto me pesar na balan&#231;a era frustrante. Mas eu sabia que podia fazer algo, ent&#227;o com 13 anos de idade, eu aderi a compuls&#227;o alimentar.</p><p>Eu comia at&#233; estar quase vomitando, e me lembro de uma  vez em que fui parar no hospital pois estava com intoxica&#231;&#227;o alimentar, porque nunca me sentia satisfeita.</p><p>Perdi as contas de quantas vezes falaram do meu peso, ou da minha apar&#234;ncia e infelizmente hoje com 19 anos, tenho que lidar com pensamentos compulsivos relacionados ao meu peso.</p><p>E se assim como eu, voc&#234; j&#225; teve algum pensamento ou alguma atitude que te fez descontar na comida (seja comendo demais ou se punindo e ficando sem comer), quero que saiba que somos amigas, e que voc&#234; n&#227;o est&#225; sozinha.</p><p>O meu caso n&#227;o foi uma coisa grave, mas sei que poderia ter sido. Muitas vezes preciso me olhar no espelho e repetir que meu peso &#233; adequado e n&#227;o tem nada de errado com meu corpo, 6 anos depois eu ainda lido com as consequ&#234;ncias. Mas sei tamb&#233;m que a cada dia que eu me aceito, &#233; um grande passo.</p><p>Tudo isso foi plantado na minha mente quando eu tinha 13 anos, mas sei que com diversas garotas acontece muito antes, e quero que voc&#234;s saibam que eu sobrevivi a isso, e luto contra pensamentos at&#233; hoje, mas estou bem :).</p><p>Mas afinal, quem planta esses padr&#245;es inalcan&#231;&#225;veis na sociedade?</p><p>Em uma aula na minha faculdade ( pra quem n&#227;o sabe eu sou uma diva da comunica&#231;&#227;o e curso jornalismo!!), na disciplina de comunica&#231;&#227;o e cultura, vimos muito sobre as normas culturais.</p><p>As normais culturais s&#227;o um conjunto de regras e normas, e expectativas que orientam comportamentos de indiv&#237;duos dentro da sociedade, elas funcionam para manter a &#8220;coes&#227;o social&#8221;, mas isso n&#227;o quer dizer que s&#227;o boas. Elas s&#227;o respons&#225;veis para determinar o que &#233; certo ou errado, e tamb&#233;m o que pode ser considerado &#8220;bonito&#8221; perante a sociedade.</p><p>Como vivemos  em uma sociedade de massa, que busca sempre transmitir as informa&#231;&#245;es de modo que n&#227;o aja espa&#231;o para ser diferente, acabamos acreditando e caindo no limbo de padr&#245;es de corpos, de estilos, de gostos musicais, tudo isso para cada vez mais ficarmos parecidos com a massa, porque convenhamos a massa &#233; mais f&#225;cil de manipular n&#233;? e &#233; exatamente a&#237; que a sociedade de consumo entra.</p><p>Consumir, vender, comprar e descartar parece que s&#227;o as palavras que sustentam toda a sociedade, e com os padr&#245;es de beleza n&#227;o &#233; diferente, mas calma que eu vou te explicar.</p><p>Uma mulher que est&#225; no peso ideal, assiste um desfile da Victoria&#8217;s Secrets e fica completamente hipnotizada com os corpos das modelos. Ent&#227;o, ela decide que vai fazer de tudo para conseguir ficar pelo menos parecida, &#233; ai que entra os medicamentos para emagrecer, dietas malucas que afloram transtornos alimentares, influencers que d&#227;o &#8220;dicas&#8221; para emagrecer em 10 dias. &#201; tudo milimetricamente pensado para fortalecer industrias de belezas, farmac&#234;uticas, e fazer voc&#234; adoecer.</p><p>Ent&#227;o saiba, n&#227;o existe nada de errado com voc&#234;. </p><p>N&#227;o se compare com modelos que vivem apenas para isso, e que a maioria confessa que possu&#237; algum transtorno alimentar. N&#243;s mulheres passamos por muitas coisas, mas saibam, ningu&#233;m aqui est&#225; sozinha.</p><p>Espero que esse texto tenha te encontrado de alguma forma, sinta-se abra&#231;ada por mim.</p><p>Voc&#234; &#233; linda, &#233; suficiente, n&#227;o importa se pensem ao contr&#225;rio.</p><p><em>Com todo amor do mundo, para as minhas meninas corajosas, clara - uma mulher em constru&#231;&#227;o ( assim como voc&#234;s :).</em></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Não ter perdido a virgindade ainda, não te faz menos mulher que suas amigas :)]]></title><description><![CDATA[Um desabafo ( e conselhos) de uma jovem adulta de 19 anos que ainda &#233; virgem.]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/nao-ter-perdido-a-virgindade-ainda</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/nao-ter-perdido-a-virgindade-ainda</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Tue, 07 Oct 2025 18:44:22 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!O-3R!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcb273ce9-8aec-4e72-8558-afd6cca953b3_736x568.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!O-3R!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcb273ce9-8aec-4e72-8558-afd6cca953b3_736x568.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!O-3R!, /__u/mariarussini.substack.com/w_424, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, 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aonde o mocinho surpreendia a mocinha com um buque de flores e velas, e que a primeira vez deles se tornava um momento <em>m&#225;gico.</em></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigada por ler! Se gostou, se inscreva para receber todos os meus posts!</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Ent&#227;o, eu sempre esperei esse momento ansiosamente e um spoiler: ele nunca chegou. Eu sempre via as meninas da minha idade contando suas experiencias sexuais e me sentia deslocada, como se tivesse atrasada por para um evento super importante que todo mundo j&#225; tinha ido, e isso mexeu bastante comigo.</p><p>N&#227;o vou dizer pra voc&#234;s que nunca tive nenhuma experiencia desse tipo, porque estaria mentindo, mas para o sexo em si, nunca estive verdadeiramente pronta, e nunca achei algu&#233;m que eu finalmente pudesse confiar.</p><p>E t&#225; tudo bem! Acredito muito que nenhuma rela&#231;&#227;o se sustenta apenas com o sexo, e por enquanto estou &#243;tima assim, tenho 19 anos, me relaciono com pessoas mas continuo virgem. Pra mim, o sexo nunca foi uma coisa essencial na minha vida, acredito que &#225; coisas mais &#237;ntimas dentro de uma rela&#231;&#227;o do que o sexo. </p><p>O intuito desse post &#233; tranquilizar voc&#234; que acha que esta atrasada(o) para isso, e sente que precisa fazer ( mesmo que ainda n&#227;o esteja pronta). Lembre-se que seu corpo &#233; um templo, e que n&#227;o &#233; qualquer um que merece apreci&#225;-lo. </p><p>Cada um de n&#243;s possui um tempo, e ningu&#233;m est&#225; atrasado para sua pr&#243;pria vida.</p><p>Quando voc&#234; sentir que &#233; a hora, e que est&#225; pronta, e que achou a pessoa que voc&#234; confie verdadeiramente, procure um respons&#225;vel que voc&#234; confie e compartilhe seu sentimento, converse abertamente sobre seus desejos e vontades, para realmente se sentir segura para se entregar para essa pessoa, ( e n&#227;o esque&#231;a de se proteger! N&#227;o importa o que aconte&#231;a).</p><p>N&#227;o se sinta pressionada a fazer nada que n&#227;o queira, e se suas amigas pressionam voc&#234; sobre isso, repense e veja se voc&#234; est&#225; no local certo com amizades certas, o seu bem - estar &#233; o mais importante. </p><p>N&#227;o importa sua idade ou op&#231;&#227;o sexual, s&#243; fa&#231;a aquilo que estiver pronta para fazer, e n&#227;o ligue para sua idade, a virgindade &#233; algo realmente importante e que merece aten&#231;&#227;o, sua vontade &#233; a que prevalece, n&#227;o a dos outros.</p><p>Espero que esse post tenha te ajudado de alguma forma, se sinta abra&#231;ada por mim.</p><p><em>Com todo carinho do mundo, clara - uma mulher em constru&#231;&#227;o.</em></p><p></p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! Subscribe for free to receive new posts and support my work.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Type your email&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscribe"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Entre amor e resistência: celebrando a memória de bell hooks]]></title><description><![CDATA[No anivers&#225;rio de nascimento da autora, suas reflex&#245;es continuam inspirando lutas por igualdade e justi&#231;a social]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/entre-amor-e-resistencia-celebrando</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/entre-amor-e-resistencia-celebrando</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Wed, 24 Sep 2025 22:48:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!F27C!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9f915c83-99cc-4b62-b417-f95cecc14acf_750x750.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!F27C!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F9f915c83-99cc-4b62-b417-f95cecc14acf_750x750.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!F27C!, /__u/mariarussini.substack.com/w_424, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, 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obra que permanece urgente. Ao longo de sua trajet&#243;ria, articulou feminismo, ra&#231;a, classe e educa&#231;&#227;o em uma perspectiva interseccional que redefiniu debates tanto no mundo acad&#234;mico quanto fora dele. Sua escrita, marcada pela defesa do amor como pr&#225;tica pol&#237;tica, segue iluminando caminhos para enfrentar desigualdades e construir sociedades mais justas.</p><p>Filha de uma fam&#237;lia numerosa com cinco irm&#227;s e um irm&#227;o, Gloria Jean Watkins, nome de nascimento da autora, cresceu em Hopkinsville, uma pequena cidade segregada do estado do Kentucky. Seu pai, Veodis Watkins, trabalhava como zelador e sua m&#227;e, Rosa Bell Watkins, era empregada dom&#233;stica em casas de fam&#237;lias brancas.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Mais tarde, com a integra&#231;&#227;o escolar imposta pelas leis de dessegrega&#231;&#227;o, passou a estudar em escolas majoritariamente brancas, onde enfrentou experi&#234;ncias de racismo institucional e percebeu de forma ainda mais clara os desafios da desigualdade social.</p><p>Ela adotou o pseud&#244;nimo bell hooks em homenagem &#224; sua bisav&#243; materna, Bell Blair Hooks, conhecida por sua for&#231;a e franqueza. A escolha de escrever o nome sempre em letras min&#250;sculas refletia a inten&#231;&#227;o de destacar as ideias, e n&#227;o a figura pessoal da autora.</p><p>Formou-se em Literatura Inglesa pela Stanford University em 1973, fez mestrado na University of Wisconsin&#8211;Madison em 1976 e concluiu doutorado na University of California, Santa Cruz, em 1983, com pesquisa sobre a obra de Toni Morrison.</p><p>Em 1981, publicou seu primeiro livro de grande impacto, &#8220;Ain&#8217;t I a Woman? Black Women and Feminism&#8221;, no qual analisou o peso do racismo e do sexismo na vida das mulheres negras nos Estados Unidos. A obra tornou-se um marco nos estudos feministas e consolidou seu lugar como refer&#234;ncia intelectual. Nos anos seguintes, lan&#231;ou t&#237;tulos fundamentais como &#8220;Feminist Theory: From Margin to Center&#8221; (1984), que questionava a centralidade das mulheres brancas de classe m&#233;dia no feminismo; &#8220;Teaching to Transgress&#8221; (1994), em que desenvolveu reflex&#245;es sobre pedagogia cr&#237;tica inspiradas em Paulo Freire; e &#8220;All About Love: New Visions&#8221; (2000), livro em que defendeu o amor como pr&#225;tica revolucion&#225;ria e transformadora.</p><p>Ao longo da carreira, bell hooks publicou mais de 30 livros, transitando por temas como feminismo, negritude, masculinidades, cr&#237;tica cultural e educa&#231;&#227;o. Lecionou em universidades prestigiadas como Yale, Stanford e Oberlin College, mas foi em sua terra natal que consolidou um legado duradouro. Em 2014, fundou o bell hooks Institute no Berea College, no Kentucky, espa&#231;o dedicado &#224; preserva&#231;&#227;o de sua obra e ao est&#237;mulo de debates sobre justi&#231;a social.</p><p>Ela faleceu em 15 de dezembro de 2021, aos 69 anos, em decorr&#234;ncia de complica&#231;&#245;es renais. Sua partida gerou como&#231;&#227;o mundial, mas seu pensamento permanece vivo, inspirando acad&#234;micos, ativistas, professores, artistas e leitores que veem em sua obra uma fonte de for&#231;a, ternura e resist&#234;ncia.</p><p>No anivers&#225;rio de seu nascimento, bell hooks &#233; lembrada n&#227;o apenas como uma intelectual brilhante, mas como algu&#233;m que acreditava no poder transformador do amor, na centralidade da educa&#231;&#227;o como pr&#225;tica libertadora e na urg&#234;ncia de lutar por um mundo em que igualdade e justi&#231;a social deixem de ser sonhos para se tornarem realidade</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!E_3f!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe14126a0-e817-4e8a-bd88-6542db72f628_640x360.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!E_3f!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fe14126a0-e817-4e8a-bd88-6542db72f628_640x360.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!E_3f!, /__u/mariarussini.substack.com/w_424, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, 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Um gesto cheio de coragem e significado, um olhar apaixonado ou um toque que causa borboletas no est&#244;mago. Mas e depois? quando as brigas chegam, as inseguran&#231;as prevalecem e o medo toma conta de tudo?</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Eu sei que ele existe, mas nunca presenciei um amor verdadeiro no &#226;mbito rom&#226;ntico, e no meu caso, sempre presenciei o fim de algo que nem havia come&#231;ado.</p><p>Eu j&#225; namorei uma vez, mas n&#227;o foi a melhor das experiencias, eu lido com coisas do passado que me afetaram at&#233; hoje, e infelizmente ( ou felizmente, depende do ponto de vista), n&#227;o consegui me relacionar com mais ningu&#233;m. N&#227;o pensem que eu n&#227;o tentei, porque eu tentei bastante, mas no final sempre existia uma parte de mim que sabia que aquilo daria errado, e acabava me destruindo por dentro.</p><p>E no final era sempre a mesma coisa, a saudade da pessoa apertava, alguma mensagem dela aparecia na minha galeria, o cheiro dela acabava me perseguindo dentro do &#244;nibus, eu via algo que sabia que ela ia gostar e acabava percebendo que tinha acabado.</p><p>O processo de acabar uma rela&#231;&#227;o amorosa, se assemelha muito ao luto pra mim. Voc&#234; nunca supera a pessoa de verdade, voc&#234; s&#243; se acostuma com a ideia de n&#227;o fazer mais parte da vida dela. &#201; igual a saudade de algu&#233;m que j&#225; faleceu, voc&#234; s&#243; aprende a conviver com ela todos os dias.</p><p>Eu acredito que nunca superei  nenhuma pessoa que saiu da minha vida, al&#233;m de n&#227;o ser muito boa lidando com isso, eu sou composta por fragmentos de todas as pessoas que passaram pelo meu caminho. Ent&#227;o, a partir do momento que eu resolvo &#8220;esquecer&#8221; essa pessoa, eu estou perdendo parte da minha identidade certo?</p><p>Eu sei que em casos extremos, o melhor que fazemos &#233; esquecer e fingir que aquele ser nunca existiu pra voc&#234;, que foi apenas um del&#237;rio. &#201; aqui que entra o &#243;dio, o gosto amargo, aquele aperto que permanece dia p&#243;s dia. Mas mesmo assim, ainda existe sentimento, mesmo que seja ruim.</p><p>Na minha opini&#227;o, sabe o que o amor vira quando chega ao fim?<em> saudade.</em></p><p>Independente dos casos, esse sentimento rodeia ( mesmo sem admitir), e vai tomando conta, sem percebemos, ganhando espa&#231;o nos nossos cora&#231;&#245;es.</p><p>A saudade &#233; um sentimento que transcende qualquer espa&#231;o e tempo, &#233; aquele que rodeia em momentos inesperados, que toma conta de todos os sentidos, e que vai caminhando lado a lado, nesse processo t&#227;o d&#237;ficil que &#233; a <em>perda do amor.</em></p><p></p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mariarussini.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe&quot;,&quot;language&quot;:&quot;en&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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]]></title><description><![CDATA[Desde muito cedo, nos ensinaram a amar olhando para as telas.]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/filmes-de-romance-e-ideias-irreais</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/filmes-de-romance-e-ideias-irreais</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Tue, 24 Jun 2025 16:35:31 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!p-3U!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f43b00-28d3-4982-83ee-de22f9b2b715_1167x1167.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p></p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!SxEu!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F172fb206-9841-49af-83d7-cfe69524d74a_590x295.jpeg" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!SxEu!, /__u/mariarussini.substack.com/w_424, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, /__u/mariarussini.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F172fb206-9841-49af-83d7-cfe69524d74a_590x295.jpeg 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!SxEu!, /__u/mariarussini.substack.com/w_848, /__u/mariarussini.substack.com/c_limit, /__u/mariarussini.substack.com/f_webp, /__u/mariarussini.substack.com/q_auto:good, 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class="image-caption">filme: Como perder um homem em 10 dias </figcaption></figure></div><p></p><p>Desde muito cedo, nos ensinaram a amar olhando para as telas. Crescemos de olhos atentos &#224;s hist&#243;rias que sempre pareciam come&#231;ar com um trope&#231;o, um esbarr&#227;o, um acaso qualquer &#8212; e, a <em>partir dali, tudo mudava.</em> Era o olhar que se cruzava no meio da multid&#227;o, a promessa silenciosa de que, a partir daquele instante, nunca mais ser&#237;amos as mesmas.</p><p>Nos filmes, o amor tem trilha sonora. Tem di&#225;logos que jamais trope&#231;am, palavras que sempre sabem a hora certa de surgir. O amor nas telas &#233; feito de gestos grandes &#8212; ele espera no aeroporto, ele corre atr&#225;s no &#250;ltimo minuto, ele segura pela m&#227;o no meio da tempestade. E, talvez sem perceber, fomos colecionando essas cenas dentro de n&#243;s. Fomos acreditando que amar era isso: um espet&#225;culo, um roteiro perfeito onde tudo faz sentido no final.</p><p>E ent&#227;o, crescemos. E passamos a procurar o que as atrizes encontravam &#8212; algu&#233;m que nos olhasse como se f&#244;ssemos obra de arte, algu&#233;m que entendesse nossos sil&#234;ncios, que adivinhasse nossos medos, que viesse inteiro, disposto, pronto. Esperamos pela confiss&#227;o dram&#225;tica, pelo pedido de desculpas cinematogr&#225;fico, pela certeza absoluta que s&#243; existe quando a c&#226;mera foca no sorriso dos protagonistas antes de subir os cr&#233;ditos.</p><p>Mas a vida... ah, a vida n&#227;o tem trilha sonora. O amor na vida real &#224;s vezes n&#227;o chega com flores &#8212; chega com d&#250;vidas, chega com desencontros, chega com sil&#234;ncios desconfort&#225;veis e perguntas sem resposta. &#192;s vezes, ele nem chega. E quando chega, n&#227;o sabe exatamente o que fazer.</p><p>Ainda assim, continuamos procurando. Porque nos fizeram acreditar que somos mais completas quando encontramos o outro. Que s&#243; somos suficientes quando algu&#233;m nos escolhe. Que o &#225;pice da nossa hist&#243;ria &#233; ser amada &#8212; como se o amor fosse a linha de chegada, e n&#227;o apenas uma das paisagens do caminho.</p><p>E, nesse processo, esquecemos que o amor mais bonito talvez n&#227;o tenha roteiro, nem cenas ensaiadas. Que &#224;s vezes ele n&#227;o vem em cavalo branco, mas num gesto simples, num caf&#233; dividido, numa mensagem despretensiosa, numa presen&#231;a que fica. E, mais ainda, esquecemos que o amor que mais importa &#8212; e que nenhum filme ousou retratar com toda a sua grandiosidade &#8212; &#233; aquele que cultivamos dentro de n&#243;s.</p><p>O amor por quem somos quando ningu&#233;m est&#225; olhando. O amor por nossas pr&#243;prias escolhas, por nossos pr&#243;prios passos, por nossas quedas e nossos recome&#231;os. Porque, no fim, n&#227;o somos personagens esperando que algu&#233;m escreva nosso final feliz. Somos autoras. Somos quem escolhe, quem reescreve, quem decide se quer amor, liberdade, solitude, companhia &#8212; ou tudo isso misturado, do nosso jeito, no nosso tempo.</p><p>E se em algum momento esquecermos disso, talvez seja preciso lembrar, como disse Vivian, em Uma Linda Mulher:</p><p>'<em>As pessoas sempre ficam loucas por contos de fadas.'</em></p><p>Ent&#227;o que sejamos, sim, loucas.</p><p>Mas por sermos as protagonistas da nossa pr&#243;pria hist&#243;ria &#8212; e n&#227;o a mocinha esperando ser salva.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[𝚊𝚗𝚊𝚕𝚘𝚐𝚒𝚊 𝚊𝚘 𝚊𝚖𝚘𝚛  ⛵️]]></title><description><![CDATA[&#201; como estar em um barco]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/caf</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/caf</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Mon, 23 Jun 2025 15:05:26 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!p-3U!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f43b00-28d3-4982-83ee-de22f9b2b715_1167x1167.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<div><hr></div><p>&#201; como estar em um barco</p><p>Voc&#234; est&#225; navegando e de repente, voc&#234; sente que vai afogar</p><p>E tem medo do seu barco afundar </p><p>Ai come&#231;am as paran&#243;ias </p><p>Os medos </p><p>Os pensamentos ruins</p><p>&#8220;  E se o barco me deixar?&#8221;</p><p>&#8220; E se o casco dele furar?&#8221; </p><p>&#8220; E se ele decidir que n&#227;o quer mais navegar?&#8221;</p><p>E depressa, voc&#234; se v&#234; com medo de todos os barcos que chegam perto de voc&#234;, por pensar que um dia, ele afundaria.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O livro " A redoma de vidro" e como ele é feito para nós mulheres ]]></title><description><![CDATA[&#8220; N&#227;o teria feito a menor diferen&#231;a se ela tivesse me dado uma passagem para a Europa ou um cruzeiro ao redor do mundo, porque onde quer que eu estivesse &#8211; fosse o conv&#233;s de um navio, um caf&#233; parisiense ou Bangcoc &#8211;, estaria sempre sob a mesma redoma de vidro, sendo lentamente cozida em meu pr&#243;prio ar viciado.&#8221; - Sylvia plath]]></description><link>https://mariarussini.substack.com/p/o-livro-a-redoma-de-vidro-e-como</link><guid isPermaLink="false">https://mariarussini.substack.com/p/o-livro-a-redoma-de-vidro-e-como</guid><dc:creator><![CDATA[uma mulher em construção 💘💐⭐️]]></dc:creator><pubDate>Fri, 20 Jun 2025 02:02:30 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!p-3U!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc6f43b00-28d3-4982-83ee-de22f9b2b715_1167x1167.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<blockquote><p>&#8220; N&#227;o teria feito a menor diferen&#231;a se ela tivesse me dado uma passagem para a Europa ou um cruzeiro ao redor do mundo, porque onde quer que eu estivesse &#8211; fosse o conv&#233;s de um navio, um caf&#233; parisiense ou Bangcoc &#8211;, estaria sempre sob a mesma redoma de vidro, sendo lentamente cozida em meu pr&#243;prio ar viciado.&#8221; - Sylvia plath </p></blockquote><p></p><p>Esse livro acabou entrando na minha vida, acredito que faz uns dois anos e &#233; inacredit&#225;vel como nossas experi&#234;ncias moldam quem n&#243;s somos hoje n&#233;? Porque eu lembro da sensa&#231;&#227;o de ler esse livro e pensar &#8220; poxa, eu n&#227;o sou maluca, sou apenas uma mulher que passa por coisas&#8221;. </p><p>No livro, acompanhamos a Esther, uma jovem escritora que acaba acarretando uma depress&#227;o bem forte, e acaba em um hospital psiquiatrico. Mas n&#227;o vai ser isso que vou abordar aqui, porque os laudos da Esther n&#227;o definem ela como personagem, e sim sua trajet&#243;ria, seus medos e ang&#250;stias, seus sonhos e seu olhar para o mundo. </p><p>No livro, eu me identifiquei em diversas partes, principalmente com o fato da personagem n&#227;o conseguir se imaginar como m&#227;e. </p><p>Quando falamos sobre a maternidade, &#233; sempre acompanhado por um serm&#227;o ou por esse assunto ser tratado como uma &#8220; obriga&#231;&#227;o feminina, visto nosso papel numa sociedade machista&#8221;, pat&#233;tico n&#233;? </p><p>Mas eu n&#227;o tenho problema algum com isso, e ver a personagem passando e relatando a mesma coisa, fez eu me sentir acolhida, parte de algo e mostrou que eu, assim como diversas mulheres, n&#227;o estamos sozinhas. &#129293;</p><p>E isso s&#227;o coisas, que apenas n&#243;s mulheres conseguimos entender. </p><p>Quando Esther se v&#234; perdida por conta da depress&#227;o e diz que acha que nunca mais iria conseguir escrever e ler, e entra em um colapso, eu pensei comigo que eu iria fazer a mesma coisa e teria a mesma atitude. </p><p>Imagina perder a paix&#227;o pela escrita? Por ler? Nunca mais conseguir embarcar em um mundo m&#225;gico ou transmitir suas emo&#231;&#245;es pro papel? </p><p>A literatura &#233; como uma rede de apoio pra mim desde sempre, ent&#227;o eu acabaria colapsando da mesma forma que a personagem, com toda certeza.</p><p>E n&#227;o vamos esquecer da analogia da figueira, que &#233; completamente genial e absurda por dois fatos</p><ul><li><p>Primeiro: &#233; exatamente como a maioria das pessoas se sente </p></li><li><p>Segundo: ver isso escrito no papel e come&#231;ar a fazer sentido na sua cabe&#231;a, &#233; majestoso.</p></li></ul><p>A analogia da figueira &#233; essa aqui: </p><blockquote><p>&#8220; Percebi que estava parada sob uma enorme figueira. De cada ponta de seus longos galhos pendia um fruto gordo e roxo, uma figo, e cada figo representava uma possibilidade maravilhosa que a vida me oferecia. Um figo era um marido e uma vida feliz com filhos; outro era uma carreira brilhante como escritora; outro era uma professora ilustre; outro era a Europa e suas viagens; outro era uma incr&#237;vel vida de aventura; outro era ser uma atleta ol&#237;mpica, e outro era simplesmente uma vida diferente, cheia de mist&#233;rios, e assim por diante.</p><p></p></blockquote><blockquote><p>Eu queria todos, mas escolher um significava perder todos os outros. Enquanto eu ficava l&#225; parada, incapaz de decidir, os figos come&#231;aram a murchar, escurecer e cair, um a um, no ch&#227;o, aos meus p&#233;s.&#8221;</p></blockquote><p>Vou dar um tempo para voc&#234;s respirarem, porque at&#233; hoje eu ainda n&#227;o digeri esse trecho ( n&#227;o estou brincando!!)</p><p>Eu vivo em uma terr&#237;vel constante de me sentir limitada por v&#225;rias coisas, por pensar que minha vida pode estar acontecendo sem mim, ou que estou perdendo tempo com alguma coisa, ou apenas por n&#227;o conseguir e saber que de fato, n&#227;o vou fazer tudo que eu realmente quero, pois sou terrivelmente limitada.</p><p>A redoma de vidro, &#233; para n&#243;s mulheres que sentimos a press&#227;o da sociedade em nossos ombros todos os dias. </p><p>N&#243;s mulheres que carregamos traumas e sempre seguimos em frente.</p><p>N&#243;s mulheres que precisamos saber que nosso diagn&#243;stico n&#227;o resume quem somos.</p><p>N&#243;s mulheres que n&#227;o conseguimos ver a maternidade de forma bonita.</p><p>N&#243;s mulheres apaixonadas pela literatura e por arte.</p><p>Voc&#234;s n&#227;o est&#227;o sozinhas, voc&#234;s s&#227;o importantes, e nada define quem s&#227;o voc&#234;s &#128152;</p><p>         </p><p></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>