<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Mint Education Notes]]></title><description><![CDATA[Presente e futuro da educação no Brasil e no mundo - conectando Educação, Capital e Ideias.]]></description><link>https://mintedu.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qRng!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F07f80eb2-0df7-4dbb-b6f4-360cbfd1ced2_413x413.png</url><title>Mint Education Notes</title><link>https://mintedu.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Fri, 04 Sep 2026 21:41:36 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/mintedu.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Mint Education]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[mintedu@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[mintedu@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Mint Education Notes]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Mint Education Notes]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[mintedu@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[mintedu@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Mint Education Notes]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Mint Education Notes - Clipping Agosto 2026 ]]></title><description><![CDATA[Nosso clipping mensal para quem investe, opera ou acompanha de perto o setor de educa&#231;&#227;o.]]></description><link>https://mintedu.substack.com/p/mint-education-notes-clipping-agosto</link><guid isPermaLink="false">https://mintedu.substack.com/p/mint-education-notes-clipping-agosto</guid><dc:creator><![CDATA[Mint Education Notes]]></dc:creator><pubDate>Wed, 02 Sep 2026 09:08:35 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qRng!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F07f80eb2-0df7-4dbb-b6f4-360cbfd1ced2_413x413.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><span>Seja bem-vindo &#224; nova edi&#231;&#227;o do </span><strong>Mint Education Notes</strong><span> &#8212; nosso clipping mensal para quem investe, opera ou acompanha de perto o setor de educa&#231;&#227;o.</span></p><p>Agosto foi m&#234;s de consolida&#231;&#227;o &#8212; dos dois lados do Atl&#226;ntico. No Brasil, o Marista abriu a &#225;rea de M&amp;A, o SEB repatriou a PlayPen e investidores compararam a Stance Dual em SP. Al&#233;m disso, o mercado ainda est&#225; digerindo a not&#237;cia de que Yduqs e Afya conversam sobre uma fus&#227;o que criaria o maior grupo de educa&#231;&#227;o do pa&#237;s. No Reino Unido, o boom de aquisi&#231;&#245;es de escolas independentes mostrou seu primeiro sinal de ressaca, com o colapso simult&#226;neo de tr&#234;s neg&#243;cios do QED Schools Group.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><div><hr></div><h2>Marista estrutura &#225;rea de M&amp;A e mira 100 escolas at&#233; 2027</h2><p>Sob o novo superintendente Alessandro Marques da Luz &#8212; ex-Pit&#225;goras/Kroton e 12 anos de SEB &#8212;, o Marista Brasil criou uma &#225;rea de fus&#245;es e aquisi&#231;&#245;es dedicada. A rede fatura R$ 2,2 bi/ano, tem 97 escolas (63 pagas, 34 sociais) e mais de 100 mil alunos. Meta para 2027: chegar a 100 unidades, o que exige comprar pelo menos tr&#234;s col&#233;gios. Cerca de 60% do caixa &#233; reinvestido nas pr&#243;prias opera&#231;&#245;es. Luz estima o mercado brasileiro em mais de 20 mil escolas particulares e aposta em concentra&#231;&#227;o, n&#227;o consolida&#231;&#227;o: &#8220;o mercado n&#227;o vai se consolidar, ele vai se concentrar.&#8221; <a href="https://exame.com/negocios/exclusivo-marista-fatura-r-22-bilhoes-e-vai-as-compras-para-superar-100-escolas-no-brasil/">Leia na Exame</a></p><p><strong>O grupo Marista </strong>&#201; o quarto maior grupo do pa&#237;s entrando oficialmente na disputa por ativos, mas com uma l&#243;gica diferente da dos consolidadores de capital aberto. Vale monitorar.</p><div><hr></div><h2>Yduqs e Afya confirmam conversas de fus&#227;o</h2><p>Em 24 de agosto, Yduqs e Afya divulgaram fatos relevantes confirmando negocia&#231;&#245;es preliminares para uma poss&#237;vel combina&#231;&#227;o de neg&#243;cios. A a&#231;&#227;o da Yduqs disparou at&#233; 12,1% no preg&#227;o, cotada a R$ 8,82. A Afya, listada na Nasdaq, subiu apenas 0,77% &#8212; o mercado j&#225; precifica a Yduqs como a maior benefici&#225;ria de qualquer acordo. Um dia antes, o colunista Lauro Jardim (O Globo) havia noticiado a chegada de executivos da Bertelsmann &#8212; controladora relevante da Afya &#8212; a S&#227;o Paulo. <a href="https://latinfinance.com/daily-brief/2026/08/25/yduqs-afya-in-merger-talks/">Leia no LatinFinance</a></p><p>Uma fus&#227;o Yduqs-Afya criaria o maior grupo de educa&#231;&#227;o do Brasil, juntando ensino superior generalista com o segmento mais protegido do setor (vagas de medicina). <br>Mas fus&#245;es geram valor? Escrevemos sobre isto - leia <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/fusao-da-certo-em-educacao-e-fora">aqui.</a></p><div><hr></div><h2>SEB compra 100% da PlayPen e repatria escola bil&#237;ngue</h2><p>O SEB, grupo da fam&#237;lia Zaher, fechou a compra integral da Escola Cidade Jardim | PlayPen, col&#233;gio bil&#237;ngue tradicional de S&#227;o Paulo que estava com a brit&#226;nica Cognita desde 2012 &#8212; justamente a aquisi&#231;&#227;o que marcou a estreia da Cognita na Am&#233;rica Latina. Valor n&#227;o divulgado; neg&#243;cio ainda depende de aprova&#231;&#227;o do Cade. A PlayPen mant&#233;m marca e autonomia acad&#234;mica. <a href="https://forbes.com.br/forbes-money/2026/08/seb-compra-playen-e-amplia-aposta-no-mercado-de-escolas-premium/">Leia na Forbes</a></p><p><strong>Este </strong>&#233; o primeiro movimento de &#8220;repatria&#231;&#227;o&#8221; relevante (A cognita j&#225; havia vendido uma escola menor em Londrina) num mercado que, nos &#250;ltimos anos, andou na dire&#231;&#227;o contr&#225;ria &#8212; grupos estrangeiros (Cognita, Affinitas/Oakley) comprando ativos brasileiros premium. Sinaliza que grupos nacionais como o SEB tamb&#233;m t&#234;m apetite e capital pra disputar esse segmento de ticket alto.</p><div><hr></div><h2>Paulo Blikstein no Roda Viva: ceticismo qualificado sobre IA na educa&#231;&#227;o</h2><p>Em entrevista ao programa Roda Viva (TV Cultura), no dia 17 de agosto, o professor da Columbia Paulo Blikstein &#8212; ex-Stanford, formado em Engenharia pela Poli-USP &#8212; defendeu que a tecnologia s&#243; cumpre fun&#231;&#227;o educativa quando articulada a projetos de investiga&#231;&#227;o e cria&#231;&#227;o do pr&#243;prio aluno, n&#227;o como substituto do professor. Citou a &#8220;Miss&#227;o &#193;sia&#8221; da Funda&#231;&#227;o Ita&#250; (expedi&#231;&#227;o a China e Coreia do Sul) e refor&#231;ou que tentativas de substituir o professor por m&#225;quina fracassam desde os anos 1950. <a href="https://www.jornalja.com.br/colunas/paulo-blikstein-a-escola-contra-o-fetiche-da-maquina-e-da-inteligencia-artificial/">Leia a coluna no Jornal JA</a></p><p><strong>A entrevista vale como </strong>contraponto &#250;til ao entusiasmo comercial em torno de IA generativa em edtech. Para quem faz due diligence de produtos de IA educacional, a pergunta de Blikstein &#8212; &#8220;quem decide os rumos da educa&#231;&#227;o quando a m&#225;quina responde antes que a pergunta amadure&#231;a&#8221; &#8212; &#233; literalmente uma pergunta de risco de produto, n&#227;o s&#243; filos&#243;fica.</p><div><hr></div><h2>Reino Unido: tr&#234;s aquisi&#231;&#245;es do QED Schools Group n&#227;o v&#227;o sair do papel</h2><p>Wycliffe College, Lomond School e Warminster School &#8212; as tr&#234;s escolas que o QED Schools Group (fundado por Anita Gleave, ex-Chatsworth Schools e ex-Blenheim International) anunciou que assumiria neste ano &#8212; tiveram os pais comunicados de que os neg&#243;cios n&#227;o devem avan&#231;ar. Lomond disse que o QED &#8220;n&#227;o conseguiu cumprir prazos de conclus&#227;o&#8221;; Warminster segue &#8220;conversas com outras organiza&#231;&#245;es&#8221;. O QED n&#227;o confirmou nem negou o cancelamento, apenas afirmou que &#8220;continua trabalhando ativamente por uma solu&#231;&#227;o&#8221;. <a href="https://www.schoolmanagementplus.com/bursars-finance/qed-schools-group-deals-will-not-go-ahead-parents-told/">Leia no School Management Plus</a></p><p>&#201; o primeiro sinal p&#250;blico de que nem todo consolidador com &#8220;apoio de investidores privados&#8221; tem funding e execu&#231;&#227;o &#224; altura do apetite anunciado. Bom lembrete de due diligence pra quem acompanha o boom de aquisi&#231;&#245;es de independent schools no Reino Unido: an&#250;ncio de inten&#231;&#227;o de compra n&#227;o &#233; fechamento de neg&#243;cio.</p><div><hr></div><h2>Grupo compra a Stance Dual e contrata ex-diretora da Band</h2><p>A tradicional escola Stance Dual, na Bela Vista (SP), foi vendido. <br>O movimento vem junto da contrata&#231;&#227;o de uma ex-diretora da Band para a nova gest&#227;o. <a href="https://www.estadao.com.br/educacao/grupo-educacional-compra-escola-stance-dual-e-contrata-ex-diretora-do-band/">Leia no Estad&#227;o</a></p><p>Mais uma escola bil&#237;ngue paulistana trocando de m&#227;os &#8212; refor&#231;a o padr&#227;o do m&#234;s (Marista, PlayPen) de movimenta&#231;&#227;o em ativos de ticket m&#233;dio-alto em S&#227;o Paulo.</p><div><hr></div><h2>Justi&#231;a condena fam&#237;lia catarinense por homeschooling h&#225; 13 anos</h2><p>A Vara da Inf&#226;ncia e Juventude de Blumenau (SC) condenou, no fim de julho, a fam&#237;lia Vieira &#8212; que pratica educa&#231;&#227;o domiciliar h&#225; 13 anos &#8212; a matricular os quatro filhos em escola regular e pagar multa de 40 sal&#225;rios m&#237;nimos (~R$ 65 mil). Os filhos falam m&#250;ltiplos idiomas (ingl&#234;s, franc&#234;s, latim, alem&#227;o, russo), tocam piano e violino e somam cerca de 300 medalhas de xadrez; o mais velho, de 19 anos, j&#225; cursa duas gradua&#231;&#245;es. O caso &#233; o segundo recente no pa&#237;s, depois da condena&#231;&#227;o do influenciador Tiba Camargos. O PL 1.338/2022, que regulamenta o homeschooling, foi aprovado na C&#226;mara em 2022 e segue parado no Senado, mesmo com parecer favor&#225;vel da relatora em 2025. <a href="https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/familia-que-pratica-homeschooling-ha-13-anos-e-condenada-filhos-ensinam-idiomas-e-xadrez/">Leia na Gazeta do Povo</a></p><p>&#201; o tipo de caso que devia acelerar &#8212; e n&#227;o travar &#8212; a regulamenta&#231;&#227;o federal. Enquanto o Judici&#225;rio aplica o art. 55 do ECA de forma literal, sem espa&#231;o pra avaliar resultado educacional concreto, fam&#237;lias com resultados mensur&#225;veis continuam sendo tratadas como caso de suspeita, n&#227;o de sucesso pedag&#243;gico. Para o mercado, o imbr&#243;glio jur&#237;dico tamb&#233;m trava um poss&#237;vel nicho de servi&#231;os de apoio ao homeschooling &#8212; curr&#237;culo, avalia&#231;&#227;o, certifica&#231;&#227;o &#8212; que em outros pa&#237;ses j&#225; &#233; um setor consolidado.</p><h2><strong>Do Mint Education Notes</strong></h2><p>Cinco textos autorais publicados por n&#243;s ao longo de agosto &#8212; para quem quiser aprofundar al&#233;m do clipping:<br><br><a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem-6fe">O que os diretores excepcionais fazem de diferente #3 </a>- Parte 3 da resenha do livro sobre o que os diretores excpecionais fazem de diferente na gest&#227;o de escolas.</p><p><a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-cenario-atual-das-edtechs-no-brasil">O cen&#225;rio atual das Edtechs no Brasil: </a>Sobreviver, o setor aprendeu. Escalar, ainda n&#227;o.</p><p><a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-professores-excepcionais">O que os professores excepcionais fazem de diferente: </a>Depois dos diretores, chegou a hora do professor. Resenha do livro: What Great Teachers Do Differently </p><p><a href="/__u/mintedu.substack.com/p/fusao-da-certo-em-educacao-e-fora">Fus&#227;o d&#225; certo? - Em educa&#231;&#227;o e fora dela, a resposta &#233; a mesma.</a> R$ 6,8 bilh&#245;es evaporados numa fus&#227;o, o maior banco da Am&#233;rica Latina constru&#237;do em outra &#8212; o que uma d&#233;cada de casos revela sobre quem ganha e quem perde</p><p><a href="/__u/mintedu.substack.com/p/escala-6x1-e-o-impacto-na-educacao">Escala 6x1 e o impacto na educa&#231;&#227;o </a>- Um detalhe pouco discutido no texto que tramita em Bras&#237;lia pode custar at&#233; R$ 32 bilh&#245;es por ano ao setor, subir a mensalidade em dois d&#237;gitos e fechar escolas pelo caminho</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Em vez de discutir como o pa&#237;s produz mais por hora trabalhada, o texto discute como reduzir a hora trabalhada mantendo, teoricamente, o custo igual. S&#227;o debates diferentes, e o segundo, do jeito que est&#225; desenhado, tende a travar justamente quem mais carrega o pa&#243;s nas costas e mais precisa de f&#244;lego pra crescer: o empreendedor.</p><p>No setor educacional isso fica particularmente claro. Educa&#231;&#227;o privada no Brasil &#233; um mercado de poucos players gigantes e a grande maioria s&#227;o dezenas de milhares de pequenos e m&#233;dios neg&#243;cios familiares &#8212; escola de bairro, curso t&#233;cnico, faculdade regional &#8212; tocados por gente que apostou capital pr&#243;prio, patrim&#244;nio da fam&#237;lia, anos de trabalho, pra construir algo que funciona. &#201; esse empreendedor que vai sentir o aperto primeiro, e mais forte. E depois, toda a cadeia - como professores, pa&#237;s e por fim, as crian&#231;as.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Isso encarece a hora trabalhada de um jeito direto: menos horas pelo mesmo sal&#225;rio mensal, hora mais cara. Sobe cerca de 10% no cen&#225;rio de 40 horas, 22% no de 36. Foi esse n&#250;mero que a nota t&#233;cnica do Ipea, de fevereiro de 2026, capturou, e &#233; esse n&#250;mero que est&#225; circulando na imprensa.</p><p>O outro assunto &#233; bem menos falado: como o segundo dia de descanso vai ser tratado no texto da lei. E &#233; aqui que quem mexe com folha docente precisa prestar aten&#231;&#227;o.</p><h2>O detalhe que multiplica o problema</h2><p>Professor horista no Brasil n&#227;o recebe s&#243; pela hora-aula dada. A S&#250;mula 351 do TST garante que o sal&#225;rio mensal do horista j&#225; embuta o descanso semanal remunerado. A conta de mercado &#233;: hora-aula vezes n&#250;mero de aulas semanais vezes 4,5 semanas do m&#234;s vezes 7/6, sendo esse 1/6 o acr&#233;scimo pelo descanso.</p><p>O 1/6 vem de uma l&#243;gica simples: um dia de descanso pra cada seis dias &#250;teis. Se a semana passa a ter dois dias de descanso pra cinco &#250;teis, e se esse segundo dia entrar no texto da lei como um segundo descanso remunerado, em vez de folga compensat&#243;ria, a raz&#227;o muda pra 2/5. O multiplicador sobe de 7/6 para 7/5. Isso sozinho j&#225; significa 20% a mais no pacote do professor horista.</p><p>Parece um detalhe t&#233;cnico at&#233; voc&#234; lembrar que o ensino superior privado brasileiro tem mais de 80% dos professores em regime horista, e que no conjunto da rede &#8212; infantil, fundamental, m&#233;dio e superior &#8212; essa fra&#231;&#227;o fica perto de 55% da folha docente.</p><p>E o ponto mais delicado &#233; que essa mudan&#231;a n&#227;o &#233; autom&#225;tica. O s&#225;bado j&#225; &#233; dia de descanso pra mais de trinta milh&#245;es de comerci&#225;rios, banc&#225;rios e administrativos brasileiros h&#225; d&#233;cadas, e em nenhum desses casos ele virou um segundo descanso remunerado &#8212; continua sendo folga compensat&#243;ria, com o c&#225;lculo em 1/6. A pergunta que decide o tamanho do impacto pro setor educacional &#233; se o professor vai ser tratado do mesmo jeito que esses trinta milh&#245;es de trabalhadores, ou se uma brecha no texto vai puxar o gatilho do 2/5 s&#243; pra essa categoria. </p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>Vale registrar a incoer&#234;ncia que esse mecanismo cria, se ele se confirmar. O objetivo declarado da reforma &#233; garantir mais descanso sem reduzir sal&#225;rio &#8212; ningu&#233;m perde renda por ganhar um dia de folga a mais. Mas no caso do professor horista o efeito seria o oposto: o sal&#225;rio sobe 20%, e o tempo de descanso efetivo n&#227;o muda em nada, porque a carga hor&#225;ria m&#237;nima da LDB obriga a escola a manter o mesmo volume de horas-aula independente da jornada legal. Na pr&#225;tica, o professor continua dando o mesmo n&#250;mero de aulas &#8212; s&#243; que o c&#225;lculo do seu sal&#225;rio passa a embutir um segundo descanso remunerado que ele n&#227;o est&#225; de fato usufruindo. &#201; &#243;bvio que essa anomalia n&#227;o se materializa sozinha nem sem consequ&#234;ncia: Custo maior na escola, custo maior aos pais ou escola invi&#225;vel financeiramente.</p></div><h2>Tr&#234;s cen&#225;rios, e uma diferen&#231;a que pesa bilh&#245;es</h2><p>Um estudo encomendado pela CONFENEN &#224; consultoria NumbersTalk modelou o impacto separando cinco frentes &#8212; custo-hora, descanso ampliado, encargos, contrata&#231;&#245;es extras e hora-atividade &#8212; e chegou a tr&#234;s cen&#225;rios. </p><p>No cen&#225;rio mais brando, jornada de 40 horas sem mudan&#231;a no descanso, o impacto sobre a folha da educa&#231;&#227;o privada fica perto de 9,3%, algo como R$ 9,3 bilh&#245;es por ano no setor inteiro.</p><p>No cen&#225;rio considerado mais prov&#225;vel se o texto n&#227;o trouxer uma salvaguarda espec&#237;fica, o descanso ampliado se estende aos horistas. O impacto sobe pra 17,3%, R$ 17,3 bilh&#245;es por ano &#8212; um n&#250;mero que j&#225; passa da margem operacional da maior parte das escolas do pa&#237;s.</p><p>No cen&#225;rio mais severo, com a PEC 221/2019 aprovada, 36 horas e dois descansos plenos, o impacto vai a 31,6%, R$ 31,6 bilh&#245;es por ano.</p><p>A diferen&#231;a entre o primeiro cen&#225;rio e o segundo &#233; de aproximadamente R$ 8 bilh&#245;es por ano. E ela n&#227;o depende de negocia&#231;&#227;o salarial, nem de produtividade, nem de nada que o empreendedor controle. Depende de uma escolha de reda&#231;&#227;o legislativa. Uma linha de texto.</p><h2>Quem sente o aperto primeiro</h2><p>Esse choque n&#227;o cai igual em cima de todo mundo, e &#233; a&#237; que o desenho da lei se torna um problema de concentra&#231;&#227;o de mercado, n&#227;o s&#243; de custo agregado.</p><p>Os grandes grupos de capital aberto do setor conseguem absorver boa parte do choque comprimindo margem e repassando parte pro pre&#231;o. N&#227;o &#233; indolor, mas n&#227;o amea&#231;a a sobreviv&#234;ncia do neg&#243;cio.</p><p>J&#225; a maioria absoluta das escolas do pa&#237;s &#8212; pequenas, familiares, tocadas por quem fundou o neg&#243;cio com capital pr&#243;prio &#8212; opera, como todo empreendedor neste pa&#237;s, com margem apertada. &#201; exatamente esse segmento que sustenta o grosso do emprego docente e do acesso &#224; educa&#231;&#227;o privada nas cidades m&#233;dias e nos bairros mais populares. E &#233; esse segmento que, no cen&#225;rio considerado mais prov&#225;vel, v&#234; a margem inteira desaparecer de um ano pro outro. Empreendedor que levou dez, quinze anos construindo uma escola do zero v&#234; o neg&#243;cio ficar invi&#225;vel por causa de uma linha de texto que ele n&#227;o escreveu e n&#227;o tem como negociar.</p><h2>O custo que cai sobre as fam&#237;lias</h2><p>&#201; f&#225;cil essas contas ficarem abstratas em bilh&#245;es de reais e porcentagem. Mas o efeito pr&#225;tico aparece direto na mensalidade e na decis&#227;o de cada fam&#237;lia.</p><p>No cen&#225;rio central, um reajuste de mensalidade de 8% a 11% seria necess&#225;rio s&#243; pra escola manter a margem que j&#225; tinha. Pra quem j&#225; est&#225; no limite do or&#231;amento, decidindo entre manter o filho na particular ou n&#227;o, esse valor costuma ser o empurr&#227;o final.</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>A estimativa do pr&#243;prio estudo &#233; de uma evas&#227;o de 5% a 8% nesse segmento &#8212; entre 450 mil e 720 mil crian&#231;as e jovens deixando a escola particular e migrando pra rede p&#250;blica, muitas vezes numa escola p&#250;blica que j&#225; n&#227;o tem vaga sobrando nem estrutura pra absorver essa demanda de uma hora pra outra. O &#244;nus fiscal disso, transferido pra estados e munic&#237;pios, &#233; estimado em R$ 4 a R$ 6 bilh&#245;es por ano &#8212; conta que raramente entra nas estimativas de impacto or&#231;ament&#225;rio da reforma, mas que vai bater na porta de prefeitura e governo estadual de qualquer forma.</p></div><h2>Um pedido simples: coer&#234;ncia, n&#227;o privil&#233;gio</h2><p>A CONFENEN n&#227;o est&#225; pedindo pra professor trabalhar mais ou descansar menos. Est&#225; pedindo que o segundo dia de descanso do professor seja tratado do mesmo jeito que j&#225; &#233; tratado pra trinta milh&#245;es de outros trabalhadores brasileiros em escala 5x2: folga compensat&#243;ria, com o descanso remunerado continuando a ser s&#243; o domingo, a menos que a pr&#243;pria categoria negocie diferente em conven&#231;&#227;o coletiva.</p><p>&#201; um pedido de simetria, que n&#227;o mexe na S&#250;mula 351 nem no artigo 320 da CLT. S&#243; fixa, no texto da nova lei, a mesma interpreta&#231;&#227;o que j&#225; vale pra praticamente todo o resto do mercado de trabalho no pa&#237;s.</p><p>Ronald Reagan resumiu bem esse tipo de armadilha regulat&#243;ria: &#8220;<em>o governo n&#227;o &#233; a solu&#231;&#227;o para o nosso problema, o governo &#233; o problema</em>&#8221;. N&#227;o &#233; o caso de descartar a reforma. O problema &#233; a pressa de aprovar um texto que resolve pouco e quebra muito, sem medir o efeito colateral em quem carrega o pa&#237;s nas costas.<br><br>Sem essa salvaguarda, o efeito n&#227;o &#233; s&#243; mais caro: &#233; uma reforma que penaliza desproporcionalmente quem empreende em escala menor, empurra fam&#237;lia de renda mais baixa pra fora da escola que ela escolheu, e faz tudo isso sem entregar um grama de ganho de produtividade em troca. N&#227;o &#233; assim que se destrava o crescimento do pa&#237;s.</p><p>O desafio? Quem decide essas mudan&#231;as em Bras&#237;lia n&#227;o &#233; quem vai sentir o efeito na ponta, pra variar..</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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A Afya, do outro lado da mesa, fechou em queda de 0,77%. O motivo dos dois movimentos &#233; o mesmo: a Yduqs confirmou que mant&#233;m conversas com a Afya sobre uma poss&#237;vel combina&#231;&#227;o de neg&#243;cios. Ainda em est&#225;gio inicial, sem contrato, sem compromisso vinculante. Mas o mercado j&#225; reagiu como se o casamento estivesse marcado &#8212; vale notar que YDUQ3 vinha de uma queda acumulada de mais de 30% nos &#250;ltimos 12 meses, ent&#227;o parte do salto tamb&#233;m &#233; al&#237;vio depois de um ano ruim.</p><p>Esse contraste entre as duas a&#231;&#245;es no mesmo dia, pela mesma not&#237;cia, j&#225; ilustra um padr&#227;o que vale registrar antes de qualquer coisa, porque ele vai se repetir em praticamente todos os casos deste texto. No curto prazo, o mercado n&#227;o est&#225; avaliando a tese estrat&#233;gica de longo prazo que a empresa descreve no comunicado. Est&#225; avaliando, basicamente, o m&#250;ltiplo: quanto est&#225; sendo pago, com que estrutura, e se aquilo bate com o valuation que cada lado j&#225; carregava antes da conversa vazar. &#201; um julgamento r&#225;pido e um tanto mec&#226;nico &#8212; e &#233; por isso que a rea&#231;&#227;o de quem compra e a de quem &#233; comprado quase nunca andam juntas. <br>Hoje, o mercado leu a consolida&#231;&#227;o como algo bom pro lado da Yduqs, e mais neutro (ou at&#233; levemente negativo) pro lado da Afya. Se esse veredito do primeiro dia vai se confirmar depois, com sinergia de verdade aparecendo no resultado trimestral, &#233; outra hist&#243;ria &#8212; e &#233; justamente a hist&#243;ria que este texto quer contar, olhando pra tr&#225;s em vez de tentar adivinhar pra frente.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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A resposta curta &#233;: raramente</strong>, e quando d&#225;, costuma ser por um motivo bem espec&#237;fico &#8212; quase nunca o motivo que aparece no comunicado do dia do an&#250;ncio. E isso n&#227;o &#233; m&#233;rito nem dem&#233;rito das fus&#245;es em educa&#231;&#227;o especificamente. &#201; assim que fus&#227;o funciona de um modo geral, em qualquer setor.</p><p>Fomos atr&#225;s dos n&#250;meros pra sustentar essa afirma&#231;&#227;o. Em cada caso abaixo, olhamos o pre&#231;o da a&#231;&#227;o no dia (ou no ano) em que a fus&#227;o foi anunciada ou conclu&#237;da, e comparamos com o pre&#231;o de hoje. Chamamos essa diferen&#231;a, ao longo do texto, de <strong>valor criado ao acionista</strong> &#8212; um jeito simples de responder &#224; pergunta. Come&#231;amos pelos casos de educa&#231;&#227;o, no Brasil e fora dele, com uma passagem mais detalhada por um caso que o livro <em>Class Clowns (cuja <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/class-clowns-2-the-roll-up-strategy">resenha </a>fizemos em diversos textos neste substack) </em> documentou com uma riqueza de detalhes que vale a pena reproduzir aqui. Fechamos com dois espelhos de fora do setor &#8212; um recente e desastroso, outro antigo e bem-sucedido, que mostram esse mesmo padr&#227;o em setores bem diferentes &#8212; e com o que a academia de finan&#231;as j&#225; sabe h&#225; d&#233;cadas sobre por que isso acontece.</p><h2>Os casos que o Brasil j&#225; viveu</h2><h3>Kroton + Anhanguera (2014) &#8594; Cogna hoje</h3><p>A fus&#227;o foi estruturada como troca de a&#231;&#245;es: cada a&#231;&#227;o da Anhanguera virou 0,4548 a&#231;&#227;o da Kroton. O neg&#243;cio criou, por um tempo, <em>&#8220;a maior empresa de educa&#231;&#227;o do mundo em valor de mercado&#8221;</em> (Como mencionado, c&#225; estamos com a grandiosidade da fus&#227;o novamente), superando a americana Apollo Education Group. Fazia sentido no papel: consolidar as duas maiores redes de ensino superior privado do pa&#237;s, ganhar poder de negocia&#231;&#227;o, capturar sinergia de custo, e sobretudo dominar o financiamento via FIES, que em 2014 estava no auge. A a&#231;&#227;o fechou aquele ano cotada a R$ 15,50, depois de subir 64% &#8212; a melhor da Bovespa pelo segundo ano seguido &#8212; com a companhia valendo R$ 22 bilh&#245;es.</p><p>O problema veio de fora, e r&#225;pido. J&#225; em 2015 e 2016 o governo reformulou as regras do pr&#243;prio FIES, encurtando prazos e endurecendo condi&#231;&#245;es de financiamento &#8212; a fonte de receita que sustentava boa parte das duas companhias que tinham acabado de se fundir. A empresa passou anos sendo negociada na casa dos centavos, tratada como penny stock, com preju&#237;zos l&#237;quidos recorrentes. Hoje, COGN3 (o nome que a Kroton adotou em 2019) fecha perto de R$ 2,14, com valor de mercado ao redor de R$ 4,8 bilh&#245;es. <strong>Valor criado ao acionista desde o fechamento de 2014: uma perda de mais de 86%</strong> &#8212; e olha que 2014 nem foi o pico da a&#231;&#227;o, foi s&#243; o fechamento do ano. A a&#231;&#227;o chegou a subir mais de 200% em 2025, um dos melhores desempenhos da bolsa naquele ano, mas devolveu boa parte do ganho em 2026. O detalhe mais revelador, segundo o pr&#243;prio CEO Roberto Val&#233;rio: essa recupera&#231;&#227;o recente n&#227;o veio de nova fus&#227;o. Veio do oposto &#8212; fechamento de campi deficit&#225;rios e redu&#231;&#227;o de d&#237;vida. Onze anos depois da fus&#227;o original, o que devolveu algum valor ao acionista foi disciplina operacional, n&#227;o escala.</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p><strong>Valor da a&#231;&#227;o da antes da Fus&#227;o: 15,50</strong></p><p><strong>Valor da a&#231;&#227;o em 24.08.26: 2,14</strong></p><p><strong>Valor para o acionista: <span data-color="#ff0000" style="color: rgb(255, 0, 0);">-86,19%</span></strong></p></div><h3>Kroton + Somos Educa&#231;&#227;o (2018) &#8212; a diversifica&#231;&#227;o que saiu cara</h3><p>Quatro anos depois da fus&#227;o com a Anhanguera, a mesma companhia (ainda Kroton, prestes a virar Cogna) voltou ao mercado pra comprar a Somos Educa&#231;&#227;o, maior rede de educa&#231;&#227;o b&#225;sica do pa&#237;s, por R$ 4,6 bilh&#245;es &#8212; R$ 23,75 por a&#231;&#227;o da Somos, neg&#243;cio fechado em outubro de 2018. A l&#243;gica era boa no papel: diversificar a receita para longe do FIES, que j&#225; vinha sofrendo com as mudan&#231;as regulat&#243;rias desde 2015. S&#243; que a execu&#231;&#227;o saiu pela culatra quase imediatamente &#8212; a margem l&#237;quida ajustada da companhia caiu 32% j&#225; no trimestre seguinte &#224; conclus&#227;o do neg&#243;cio, pressionada pelo custo da pr&#243;pria aquisi&#231;&#227;o e pelo aumento de despesa financeira.</p><p>O desfecho, anos depois, &#233; ainda mais revelador do que o trope&#231;o inicial. Em 2023, a Cogna trocou ativos com a Eleva Educa&#231;&#227;o: vendeu as 51 escolas herdadas da Somos por R$ 964 milh&#245;es, e comprou o sistema de ensino B2B da pr&#243;pria Eleva por R$ 580 milh&#245;es &#8212; uma troca, n&#227;o uma venda pura de caixa. Um ano depois, vendeu tamb&#233;m a divis&#227;o de livros cient&#237;ficos e t&#233;cnicos ao Grupo GEN por m&#237;seros R$ 62,5 milh&#245;es. Somando essas duas sa&#237;das, o que voltou em caixa n&#227;o chega perto do cheque de R$ 4,6 bilh&#245;es pago em 2018. A tese de diversificar para educa&#231;&#227;o b&#225;sica n&#227;o estava errada &#8212; a pr&#243;pria Cogna projeta hoje que servi&#231;os para escolas e universidades devem chegar a 50% da receita em dez anos. O erro foi pagar um pre&#231;o, e montar uma estrutura de capital, que a opera&#231;&#227;o simplesmente n&#227;o sustentou no curto e m&#233;dio prazo.</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p><strong>Valor da a&#231;&#227;o da antes da Fus&#227;o: 16.05</strong></p><p><strong>Valor da a&#231;&#227;o em 24.08.26: 2,14</strong></p><p><strong>Valor para o acionista:<span data-color="#ff0000" style="color: rgb(255, 0, 0);"> -86,67%</span><br><br>Valor pago pela aquisi&#231;&#227;o em 2014: 4.6 bilh&#245;es.<br>Valor de toda Cogna em 24.08.2026: 4.2 bilh&#245;es </strong></p></div><h3>Kroton + Est&#225;cio (2016-2017) &#8212; a fus&#227;o que n&#227;o saiu do papel</h3><p>A mesma Kroton tentou repetir a dose comprando a Est&#225;cio, oferecendo 1,281 a&#231;&#227;o da Kroton para cada a&#231;&#227;o da Est&#225;cio, num neg&#243;cio de R$ 5,5 bilh&#245;es. O conselho da Est&#225;cio aprovou em junho de 2016. Em junho de 2017, o Cade negou, apontando risco de forma&#231;&#227;o de monop&#243;lio em diversas pra&#231;as. N&#227;o h&#225; &#8220;valor criado ao acionista&#8221; pra medir aqui, porque a fus&#227;o nunca aconteceu &#8212; e esse &#233; justamente o ponto. Mais de um ano de expectativa de mercado, jogado fora por uma decis&#227;o regulat&#243;ria. Em educa&#231;&#227;o superior brasileira, com poucos players concentrando fatia relevante de matr&#237;cula em pra&#231;as espec&#237;ficas, risco antitruste n&#227;o &#233; rodap&#233; de apresenta&#231;&#227;o de investidor. &#201; vari&#225;vel que pode zerar o neg&#243;cio inteiro depois de meses de trabalho.</p><h3>&#194;nima + Laureate Brasil (2021)</h3><p>Em outubro de 2020, depois de uma disputa acirrada com a Ser Educacional &#8212; que chegou a assinar um contrato pr&#243;prio de R$ 4 bilh&#245;es pelos mesmos ativos e teve que ser indenizada em R$ 180 milh&#245;es pela &#194;nima por conta da cl&#225;usula de &#8220;go-shop&#8221; &#8212;, a &#194;nima venceu a corrida pelos ativos brasileiros do grupo americano Laureate. O pre&#231;o final: R$ 4,4 bilh&#245;es, equivalente a 10,7 vezes EV/Ebitda ajustado 2020. Fizeram parte do pacote a Universidade Anhembi Morumbi, a Universidade Potiguar, a UniRitter, a UNIFACS, entre outras &#8212; 16 institui&#231;&#245;es de ensino superior, mais de 330 mil alunos, e um salto imediato da &#194;nima para 4&#186; maior grupo educacional do pa&#237;s.</p><p>Diferente dos outros casos desta lista, os primeiros anos p&#243;s-fus&#227;o mostraram execu&#231;&#227;o operacional genuinamente boa. Em 2021 e 2022, a &#194;nima bateu recorde de receita em sequ&#234;ncia, e o lucro l&#237;quido mais que dobrou em 2022, para R$ 250,6 milh&#245;es. A base de ensino a dist&#226;ncia cresceu cerca de 14 vezes gra&#231;as aos ativos herdados da Laureate. &#201; um contraponto direto ao padr&#227;o de destrui&#231;&#227;o de valor dos outros casos: a tese operacional de fato funcionou.</p><p>O problema apareceu do lado financeiro. A alavancagem, controlada antes da aquisi&#231;&#227;o, disparou para 5,4 vezes d&#237;vida bruta/Ebitda em 2022 &#8212; pressionando a cobertura de juros a apenas 0,6 vez o EBIT, patamar de risco. Levou at&#233; 2023 pra companhia recolocar a alavancagem abaixo do covenant de 3,5 vezes que amea&#231;ava vencimento antecipado de d&#237;vida.</p><p>E tem a cauda do caso, que talvez seja o peda&#231;o mais revelador de toda essa lista. Dentro do pr&#243;prio acordo com a Laureate, a &#194;nima j&#225; revendia simultaneamente a marca FMU (51 mil alunos em S&#227;o Paulo) ao fundo americano Farallon, por R$ 500 milh&#245;es &#8212; parte da engenharia financeira para reduzir o cheque l&#237;quido desembolsado. Cinco anos depois, em julho de 2026, a &#194;nima anunciou a recompra dessa mesma FMU por R$ 410 milh&#245;es mais R$ 150 milh&#245;es de d&#237;vida assumida, a 10 vezes o Ebitda da FMU contra os 3,3-3,7 vezes que a pr&#243;pria &#194;nima negociava em bolsa. ANIM3 caiu mais de 32% num &#250;nico preg&#227;o (Escrevemos sobre isso em outro artigo, <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/alocacao-de-capital-na-escola">aqui</a>)</p><p>Pouco antes de fechar a compra da Laureate, em fevereiro de 2021, a &#194;nima desdobrou suas a&#231;&#245;es na propor&#231;&#227;o de 3 para 1, e o papel fechou aquele dia a R$ 31,03 &#8212; o que equivale, j&#225; ajustado ao desdobramento, a R$ 10,34. Hoje ANIM3 negocia perto de R$ 2,51. <strong>Valor criado ao acionista desde o desdobramento pr&#233;-Laureate: uma perda de cerca de 76%.</strong> &#201; um resumo cruel do caso inteiro: a fus&#227;o original provou que a tese operacional funcionava, mas a alavancagem e uma recompra pol&#234;mica consumiram, e mais, todo o valor que a boa execu&#231;&#227;o tinha gerado.</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p><strong>Valor da a&#231;&#227;o da antes da Fus&#227;o: 10,34</strong></p><p><strong>Valor da a&#231;&#227;o em 24.08.26: 2,51</strong></p><p><strong>Valor para o acionista: <span data-color="#ff0000" style="color: rgb(255, 0, 0);">-75,7%</span></strong></p></div><h3>Vitru + UniCesumar (2021-2022)</h3><p>A Vitru (ent&#227;o dona s&#243; da Uniasselvi) fechou, em agosto de 2021, a compra de 100% da UniCesumar por mais de R$ 3,2 bilh&#245;es &#8212; neg&#243;cio que juntou as duas maiores redes de ensino a dist&#226;ncia do pa&#237;s, com forte presen&#231;a tamb&#233;m em Medicina presencial pela UniCesumar. A companhia j&#225; vinha de um IPO na Nasdaq em setembro de 2020, precificado a US$ 16 por a&#231;&#227;o - neste pre&#231;o de estreia, a Vitru valia cerca de <strong>US$ 370 milh&#245;es</strong>.</p><p>O resultado imediato foi bom no operacional: a fus&#227;o consolidou a Vitru como a maior plataforma de ensino digital do Brasil, e a receita cresceu de forma consistente nos anos seguintes. Mas a a&#231;&#227;o sofreu na Nasdaq &#8212; chegou a cair mais de 40% desde o IPO antes de a empresa decidir, em 2024, migrar o capital de volta para o Brasil, listando-se na B3 como VTRU3 numa opera&#231;&#227;o de incorpora&#231;&#227;o reversa (a primeira do tipo no mercado brasileiro).</p><p>Na B3, hoje VTRU3 negocia perto de R$ 13,42 , com valor de mercado ao redor de R$ 2 bilh&#245;es. Convertendo o valor de mercado atual pelo c&#226;mbio de hoje (~R$ 5,16/US$), a Vitru vale agora cerca de <strong>US$ 387 mil&#245;es</strong> &#8212;  menos de 5% acima do patamar em d&#243;lar que valia no dia da estreia na Nasdaq, seis anos atr&#225;s. Ou seja: a empresa triplicou a base de alunos, pagou R$ 3,2 bilh&#245;es por um ativo do tamanho da pr&#243;pria companhia, virou l&#237;der isolada do setor &#8212; e o valor de mercado em d&#243;lar ficou, na pr&#225;tica, estagnado. </p><p>&#201; um caso que ilustra bem outro ponto que vale registrar: &#224;s vezes o problema n&#227;o &#233; a fus&#227;o em si. A tese operacional da Vitru sempre fez sentido; o que n&#227;o fazia sentido, aparentemente, era pedir a um investidor americano pra entender e precificar corretamente uma rede de ensino a dist&#226;ncia brasileira.</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p><strong>Valor da empresa antes da fus&#227;o: USD 370 milh&#245;es</strong></p><p><strong>Valor da a&#231;&#227;o em 24.08.26: USD 387 milh&#245;es</strong></p><p><strong>Valor para o acionista:<span data-color="#ff0000" style="color: rgb(255, 0, 0);"> </span><span data-color="#bf9000" style="color: rgb(191, 144, 0);">4,76%</span></strong></p></div><h2><br>As li&#231;&#245;es que vieram de fora</h2><h3>2U + edX (2021) &#8212; o pre&#231;o de comprar no topo do ciclo</h3><p>A 2U pagou US$ 800 milh&#245;es pela edX em 2021, no auge da euforia de ensino remoto durante a pandemia. No dia do an&#250;ncio, a companhia valia cerca de US$ 4 bilh&#245;es em bolsa. A opera&#231;&#227;o adicionou cerca de US$ 500 milh&#245;es de d&#237;vida ao balan&#231;o; a a&#231;&#227;o caiu 86% quase imediatamente. Em maio de 2024, a 2U estava avaliada em menos de US$ 35 milh&#245;es. </p><div class="callout-block" data-callout="true"><p><strong>Valor criado ao acionista: <span data-color="#ff0000" style="color: rgb(255, 0, 0);">-99%.</span></strong> <br>Dois meses ap&#243;s aquisi&#231;&#227;o, pediu Chapter 11.</p></div><h3>Cengage + McGraw-Hill (2019-2020) &#8212; outra que n&#227;o saiu do papel</h3><p>Fus&#227;o de iguais avaliada em US$ 5 bilh&#245;es, anunciada em maio de 2019. <br>O Departamento de Justi&#231;a americano exigiu um pacote de desinvestimento t&#227;o grande &#8212; cerca de US$ 175 milh&#245;es em ativos &#8212; que as empresas conclu&#237;ram que o neg&#243;cio &#8220;se tornaria invi&#225;vel economicamente&#8221;. Mesmo roteiro do Cade barrando Kroton-Est&#225;cio: sem fus&#227;o, sem valor pra medir, s&#243; a li&#231;&#227;o de que o regulador entra na conta antes de qualquer sinergia prometida.</p><h3>Nord Anglia Education &#8212; quando funciona, funciona diferente</h3><p>Sob controle da EQT desde 2008, a Nord Anglia cresceu de seis escolas para mais de 80 unidades em 30 pa&#237;ses atrav&#233;s de mais de 21 aquisi&#231;&#245;es desde 2017, sempre escolas premium com ticket m&#233;dio de US$ 25 mil ao ano. Em mar&#231;o de 2025, um cons&#243;rcio liderado pela EQT avaliou a companhia em US$ 14,5 bilh&#245;es &#8212; devolvendo US$ 5,4 bilh&#245;es aos investidores do fundo anterior. N&#227;o &#233; uma a&#231;&#227;o negociada em bolsa todo dia, ent&#227;o n&#227;o d&#225; pra aplicar o mesmo c&#225;lculo de &#8220;pre&#231;o de ontem contra pre&#231;o de hoje&#8221;. Mas o padr&#227;o salta aos olhos de qualquer jeito: n&#227;o foi uma fus&#227;o monumental de uma vez s&#243;, foi um processo disciplinado de compras pequenas e recorrentes.</p><p>Vale uma ressalva importante, que o pr&#243;prio <em>Class Clowns</em> levanta e que a gente s&#243; descobriu relendo o livro com aten&#231;&#227;o: o sucesso da Nord Anglia (e de rivais como a GEMS, de Dubai) n&#227;o vem exatamente de &#8220;escala global&#8221;, como o marketing dessas empresas sempre sugeriu. O livro mostra que mais da metade da lucratividade da Nord Anglia, na &#233;poca em que fez seu segundo IPO, vinha desproporcionalmente da China &#8212; e que antes de uma aquisi&#231;&#227;o relevante, essa fatia passava de dois ter&#231;os. GEMS, por sua vez, tira a maior parte do lucro de cerca de cinquenta escolas concentradas nos Emirados &#193;rabes. A explica&#231;&#227;o &#233; simples: educa&#231;&#227;o b&#225;sica tem pouqu&#237;ssimo custo fixo compartilh&#225;vel entre pa&#237;ses &#8212; professor, aluguel, material did&#225;tico s&#227;o custos por escola, n&#227;o por rede global. A vantagem dessas empresas n&#227;o &#233; ser grande no mundo. &#201; ser dominante numa fatia bem espec&#237;fica e lucrativa do mercado, geralmente ligada a expatriados de alta renda. Escala, aqui, &#233; local &#8212; mesmo quando o discurso institucional &#233; global.</p><h2>O caso que <em>Class Clowns</em> documentou em detalhe: Houghton Mifflin</h2><p>Se tem um cap&#237;tulo do livro que merece ser contado devagar, &#233; a saga de Houghton Mifflin &#8212; uma editora de material did&#225;tico americana fundada em 1832, que passou por praticamente todas as formas poss&#237;veis de destrui&#231;&#227;o de valor via M&amp;A ao longo de duas d&#233;cadas.</p><p>Tudo come&#231;a com Nader Darehshori, que assumiu a Houghton em 1990 prometendo dobrar o faturamento at&#233; 2000. Sem crescimento org&#226;nico suficiente pra sustentar a promessa, ele partiu pra aquisi&#231;&#245;es &#8212; a maior delas, a compra da D.C. Heath por US$ 455 milh&#245;es em 1996, quase o dobro do que a vendedora esperava receber, deixando a at&#233; ent&#227;o conservadora Houghton com um n&#237;vel de d&#237;vida in&#233;dito na hist&#243;ria da empresa. O jornal da pr&#243;pria cidade da editora duvidou publicamente que a transa&#231;&#227;o fosse &#8220;hist&#243;rica&#8221;, como Darehshori dizia &#8212; apontando que &#8220;a empresa tem tido dificuldade de crescer tanto vendas quanto lucro&#8221;. Em 2001, Houghton foi vendida &#224; francesa Vivendi por US$ 2,2 bilh&#245;es &#8212; neg&#243;cio hoje lembrado como parte da bolha de aquisi&#231;&#245;es do CEO Jean-Marie Messier, que tamb&#233;m comprou dezenas de outras empresas em menos de dois anos antes de a Vivendi reportar um preju&#237;zo de US$ 12 bilh&#245;es em 2001 e Messier ser demitido.</p><p>Um ano depois, a Vivendi revendeu Houghton com preju&#237;zo &#8212; desta vez para um cons&#243;rcio de private equity liderado por Bain Capital e Thomas H. Lee Partners, por US$ 1,7 bilh&#227;o, 25% a menos do que a Vivendi tinha pago. Em 2006, um banqueiro irland&#234;s de 37 anos chamado Barry O&#8217;Callaghan &#8212; que j&#225; tinha levado sua pr&#243;pria empresa, a Riverdeep, &#224; fal&#234;ncia de capital aberto uma vez, depois de gastar US$ 300 milh&#245;es comprando sete empresas em dois anos e meio &#8212; comprou a Houghton dos fundos de private equity por incr&#237;veis US$ 3,33 bilh&#245;es, mais de vinte vezes o Ebitda ajustado da editora. Onze meses depois, ainda sem ter conseguido refinanciar a d&#237;vida da primeira compra, O&#8217;Callaghan convenceu os mesmos credores a dobrar a aposta e financiar a compra da Harcourt Education por US$ 4 bilh&#245;es &#8212; neg&#243;cio batizado de Houghton Mifflin Harcourt (HMH), fechado &#224;s v&#233;speras da crise de 2008, com mais de US$ 7 bilh&#245;es em d&#237;vida nova sobre uma empresa que gerava menos de US$ 100 milh&#245;es de lucro operacional real ao ano.</p><p>O que veio depois &#233; did&#225;tico: dois anos de reestrutura&#231;&#245;es de d&#237;vida sucessivas (mais de US$ 4 bilh&#245;es convertidos de d&#237;vida em a&#231;&#245;es, numa negocia&#231;&#227;o em que o investidor bilion&#225;rio John Paulson decidiu manter O&#8217;Callaghan no comando mesmo assim, por recomenda&#231;&#227;o de Michael Milken), seguidos, em maio de 2012, pelo pedido de recupera&#231;&#227;o judicial. Quando a poeira baixou, a receita da HMH em 2011 &#8212; depois de anos de fus&#245;es, bilh&#245;es em sinergia prometida e um batalh&#227;o de bancos de investimento &#8212; era quase id&#234;ntica &#224; receita da Houghton isolada em 2005. &#8220;Era quase como se os neg&#243;cios nunca tivessem acontecido&#8221;, escreve o autor Jonathan Knee.</p><p>A companhia reabriu capital em novembro de 2013 a US$ 12 por a&#231;&#227;o &#8212; abaixo at&#233; da faixa que os pr&#243;prios bancos tinham sugerido. Paulson, que segundo estimativas do livro havia investido mais de US$ 1 bilh&#227;o comprando a d&#237;vida da empresa a pre&#231;o de banana, conseguiu recuperar bem menos do que isso. Daqui pra frente, por&#233;m, a hist&#243;ria muda de tom: livre de d&#237;vida pela primeira vez em quase uma d&#233;cada, a HMH cresceu de forma consistente sob nova gest&#227;o, e em 2022 foi vendida &#224; gestora Veritas Capital por US$ 21 por a&#231;&#227;o &#8212; 36% de pr&#234;mio sobre o pre&#231;o de mercado da &#233;poca, avaliando a empresa em US$ 2,8 bilh&#245;es. <strong>Valor criado ao acionista, s&#243; para quem comprou na reabertura de capital em 2013 e vendeu em 2022: cerca de +75% em nove anos</strong> &#8212; um retorno perfeitamente respeit&#225;vel. Mas pra quem investiu qualquer dinheiro nas rodadas anteriores, <strong>entre 2006 e 2011, o resultado foi a perda quase total do capital. </strong>A mesma empresa, o mesmo produto, praticamente o mesmo tamanho de neg&#243;cio no fim das contas &#8212; s&#243; que dois grupos de investidores completamente diferentes teriam respostas opostas &#224; pergunta &#8220;essa fus&#227;o deu certo?&#8221;, dependendo exclusivamente de em que momento entraram.</p><h2>Dois espelhos fora da educa&#231;&#227;o</h2><p>Depois de olhar tantos casos do setor, vale fechar com dois exemplos de fora da educa&#231;&#227;o &#8212; um bem recente, ainda estampando manchete todo m&#234;s, e um mais antigo, que j&#225; provou o tempo todo que funcionou. Juntos, eles resumem bem por que a maioria das fus&#245;es d&#225; errado, e o que muda quando algu&#233;m acerta.</p><h3>Arezzo + Soma: a fus&#227;o que ainda n&#227;o saiu do notici&#225;rio</h3><p>Em agosto de 2024, Arezzo&amp;Co e Grupo Soma se uniram para formar a Azzas 2154, criando o maior conglomerado de moda da Am&#233;rica Latina (c&#225; estamos novamente nas grandiosas ambi&#231;&#245;es iniciais das fus&#245;es) &#8212; mais de 24 mil funcion&#225;rios, 2 mil lojas, 34 marcas, incluindo Arezzo, Hering, Farm e Reserva. A promessa, segundo a pr&#243;pria companhia, era de R$ 4,5 bilh&#245;es em sinergias ao longo dos anos seguintes.</p><p>A a&#231;&#227;o estreou em 1&#186; de agosto de 2024 a R$ 49,54, avaliando a empresa rec&#233;m-formada em R$ 10,23 bilh&#245;es. Dois anos depois, em julho de 2026, o papel era negociado a R$ 16,42, com valor de mercado de R$ 3,39 bilh&#245;es. <strong>Valor criado ao acionista em dois anos: uma queda de 66,9%</strong>, o equivalente a R$ 6,84 bilh&#245;es evaporados &#8212; e no mesmo intervalo o Ibovespa subiu 39,4%. Se olharmos ainda mais para tr&#225;s, para a v&#233;spera dos primeiros rumores de fus&#227;o em janeiro de 2024, quando Soma e Arezzo separadas valiam juntas R$ 11,4 bilh&#245;es, a destrui&#231;&#227;o de valor &#233; ainda maior.</p><p>O que explica essa queda n&#227;o foi s&#243; operacional, embora o primeiro resultado trimestral p&#243;s-fus&#227;o j&#225; tenha vindo ruim &#8212; queda de 35,8% no lucro, empresa queimando caixa. O problema, que se arrasta at&#233; hoje, &#233; de governan&#231;a pura. Alexandre Birman (ex-Arezzo) e Roberto Jatahy (ex-Soma) nunca constru&#237;ram uma rela&#231;&#227;o de trabalho funcional. O acordo de acionistas original blindou demais as unidades de cada empresa em vez de for&#231;ar integra&#231;&#227;o real, sem uma hierarquia clara de decis&#227;o final em caso de desacordo. O desgaste avan&#231;ou por etapas: rumores de &#8220;div&#243;rcio&#8221; em mar&#231;o de 2025 (queda de 10% num dia), um acordo emergencial de governan&#231;a em junho de 2025 que n&#227;o resolveu nada, e finalmente, em maio de 2026, uma a&#231;&#227;o cautelar pr&#233;-arbitral movida por Jatahy contra Birman na Justi&#231;a do Rio, levada &#224; C&#226;mara de Arbitragem da B3, com liminar congelando a estrutura operacional da empresa. Hoje se discute um plano de cis&#227;o em at&#233; tr&#234;s empresas separadas. O JP Morgan resumiu o problema numa frase que serve de alerta pra qualquer fus&#227;o: as quest&#245;es de governan&#231;a &#8220;j&#225; extrapolaram as conversas internas e envolveram liminares judiciais, processos arbitrais, contrata&#231;&#227;o de bancos para estudar alternativas estrat&#233;gicas e at&#233; investiga&#231;&#227;o da CVM.&#8221;</p><p>Dois anos de fus&#227;o, e a pergunta mais b&#225;sica de todas &#8212; quem manda quando os dois s&#243;cios discordam &#8212; segue sem resposta clara.</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p><strong>Valor da a&#231;&#227;o da Arezzo antes da Fus&#227;o: 77,42</strong></p><p><strong>Valor da a&#231;&#227;o em 24.08.26: 14,54</strong></p><p><strong>Valor para o acionista:<span> </span><span data-color="#ff0000" style="color: rgb(255, 0, 0);">-81,22% </span></strong></p></div><h3>Ita&#250; + Unibanco: a fus&#227;o que funcionou</h3><p>Para que este texto n&#227;o seja um mar de l&#225;grimas, vale a pena contar esse caso que mostra como uma fus&#227;o, desde que feita como o nome sugere, pode dar certo.</p><p>Em 2008, Ita&#250; e Unibanco se uniram para formar o maior conglomerado financeiro privado do hemisf&#233;rio sul (n&#227;o deixou a grandiosidade de lado). A diferen&#231;a come&#231;ou antes mesmo do an&#250;ncio p&#250;blico: Pedro Moreira Salles (Unibanco) e Roberto Setubal (Ita&#250;) negociaram o acordo pessoalmente, em cerca de 20 reuni&#245;es reservadas, ao longo de mais de um ano, antes de envolver qualquer outro executivo. Quando os times das duas empresas foram finalmente chamados &#8212; na sexta-feira anterior ao an&#250;ncio de segunda-feira &#8212;, o desenho de poder j&#225; estava fechado havia meses.</p><p>E esse desenho era claro. Roberto Setubal, que j&#225; vinha entregando resultado consistente &#224; frente do Ita&#250; havia anos, assumiu o comando executivo do banco combinado. Pedro Moreira Salles assumiu a presid&#234;ncia do conselho de administra&#231;&#227;o. O controle acion&#225;rio ficou dividido meio a meio entre a Ita&#250;sa (fam&#237;lias Setubal e Villela) e a Cia E. Johnston (fam&#237;lia Moreira Salles), formalizado numa holding pr&#243;pria, a IUPAR, com um acordo de acionistas expl&#237;cito determinando que as decis&#245;es estrat&#233;gicas relevantes fossem tomadas &#8220;de forma conjunta e harm&#244;nica, em bases inequivocamente est&#225;veis e permanentes&#8221; &#8212; cl&#225;usula que segue valendo quase vinte anos depois, sem uma &#250;nica ruptura p&#250;blica de governan&#231;a.</p><p>O ponto central, segundo quem participou das negocia&#231;&#245;es &#224; &#233;poca: n&#227;o houve disputa por quem ficaria com qual cargo. A escolha foi por quem j&#225; tinha o melhor hist&#243;rico de execu&#231;&#227;o em cada fun&#231;&#227;o &#8212; Setubal como executivo operacional, Moreira Salles como presidente do conselho &#8212; em vez de uma divis&#227;o de poder pensada para equilibrar o ego de cada lado. Mais, sempre houve respeito e admira&#231;&#227;o entre os s&#243;cios e a cultura do banco foi de fato fundida - com o melhor do Ita&#250; e o melhor do Unibanco.<br>&#201; exatamente o oposto do modelo que Arezzo e Soma adotariam dezesseis anos depois, de proteger e preservar a estrutura de comando de cada empresa original dentro da nova companhia, sem definir quem decide o qu&#234; quando os dois lados n&#227;o concordam. </p><p>O resultado est&#225; nos n&#250;meros. O Ita&#250; Unibanco continua, quase duas d&#233;cadas depois, o maior banco privado da Am&#233;rica Latina, com valor de mercado hoje na casa de R$ 460-470 bilh&#245;es. N&#227;o d&#225; pra isolar com precis&#227;o o &#8220;pre&#231;o da a&#231;&#227;o no dia antes da fus&#227;o&#8221; contra o de hoje, porque o papel passou por v&#225;rias bonifica&#231;&#245;es e desdobramentos ao longo desses anos &#8212; mas quem investiu em ITUB e segurou nos &#250;ltimos dez anos, contando dividendos reinvestidos, teve um retorno acumulado acima de 570%. N&#227;o &#233; um exagero dizer que a fus&#227;o de 2008 &#233; hoje tratada, dentro e fora do mercado financeiro brasileiro, como refer&#234;ncia de como fazer esse tipo de neg&#243;cio dar certo &#8212; e o motivo, quando voc&#234; olha de perto, nunca foi somente a sinergia de custo ou escala. Foi o foco em excel&#234;ncia e no melhor para o neg&#243;cio, criando uma cultura fruto de uma fus&#227;o de fato, com o melhor de cada lado.</p><div class="callout-block" data-callout="true"><p><strong>Valor da a&#231;&#227;o da antes da Fus&#227;o: 8,00</strong></p><p><strong>Valor da a&#231;&#227;o em 24.08.26: 41.66</strong></p><p><strong>Valor para o acionista: <span data-color="#0000ff" style="color: rgb(0, 0, 255);">420,75%</span></strong></p></div><h2>O que a academia diz sobre fus&#245;es</h2><p>Fus&#245;es &#233; um dos temas mais estudados em finan&#231;as corporativas h&#225; d&#233;cadas, com um volume de evid&#234;ncia que raramente &#233; mencionado na hora em que uma fus&#227;o &#233; anunciada.</p><p>O n&#250;mero mais citado vem de uma revis&#227;o publicada na <em>Harvard Business Review</em> em 2011, conduzida por Clayton Christensen: <strong>entre 70% e 90% das fus&#245;es e aquisi&#231;&#245;es fracassam em entregar o valor prometido.</strong> N&#227;o &#233; um n&#250;mero novo &#8212; um estudo da KPMG do ano 2000, publicado pela <em>The Economist</em>, j&#225; tinha achado que em mais da metade das opera&#231;&#245;es o valor da empresa combinada simplesmente deteriorou. O que intriga quem estuda o assunto &#233; que a estat&#237;stica n&#227;o muda com o tempo, mesmo com ex&#233;rcitos de bancos e consultorias em cada neg&#243;cio.</p><p>Duas explica&#231;&#245;es concorrentes tentam dar conta do porqu&#234;. A primeira, batizada de <em>hubris hypothesis</em> pelo economista Richard Roll, num dos artigos mais citados da &#225;rea, argumenta que executivos de empresas compradoras tendem a superestimar sistematicamente sua pr&#243;pria capacidade de avaliar e integrar um alvo de aquisi&#231;&#227;o &#8212; pagando mais do que deveriam mesmo quando o pre&#231;o de mercado j&#225; reflete o valor real do ativo. &#201; basicamente a vers&#227;o corporativa da &#8220;maldi&#231;&#227;o do vencedor&#8221; que se v&#234; em leil&#245;es. Trabalhos posteriores de Hayward e Hambrick mostraram algo ainda mais curioso: quanto mais elogiada a imprensa deixa um CEO depois de um sucesso recente, maior o pr&#234;mio que ele tende a pagar na aquisi&#231;&#227;o seguinte.</p><p>A segunda explica&#231;&#227;o, de Michael Jensen, &#233; menos sobre psicologia e mais sobre incentivo. Quando uma empresa gera mais caixa livre do que consegue reinvestir com retorno acima do custo de capital, existe um incentivo estrutural pra que o management use esse caixa em aquisi&#231;&#245;es &#8212; mesmo destruidoras de valor &#8212; em vez de devolv&#234;-lo ao acionista via dividendo. Crescer por aquisi&#231;&#227;o aumenta o tamanho e o prest&#237;gio de quem comanda, mesmo quando n&#227;o aumenta o retorno de quem &#233; dono do capital.</p><p>Cruzando essas duas teorias com tudo o que vimos acima, alguns alertas ficam claros:</p><p>O primeiro &#233; o mais simples: qual m&#250;ltiplo est&#225; sendo pago, comparado com o m&#250;ltiplo que o pr&#243;prio comprador negocia em bolsa. Toda vez que esse n&#250;mero destoa muito &#8212; o mercado reage mal no primeiro dia, e historicamente tem raz&#227;o.</p><p>O segundo &#233; como a opera&#231;&#227;o &#233; financiada. A literatura cl&#225;ssica de Myers e Majluf sobre sele&#231;&#227;o adversa sugere que empresas tendem a preferir pagar com a&#231;&#245;es pr&#243;prias quando acham que a pr&#243;pria a&#231;&#227;o est&#225; sobrevalorizada &#8212; o que deveria, na teoria, deixar o mercado mais desconfiado de fus&#245;es pagas em papel do que em dinheiro. E d&#237;vida excessiva, como toda a saga de Houghton Mifflin ilustra, transforma qualquer solu&#231;o de mercado num problema existencial.</p><p>O terceiro &#233; regulat&#243;rio: se o risco de bloqueio do Cade, ou do equivalente em outros pa&#237;ses, foi precificado desde o in&#237;cio ou tratado como formalidade &#8212; Kroton-Est&#225;cio e Cengage-McGraw-Hill morreram exatamente por ignorar isso.</p><p>E o quarto, que talvez seja o mais subestimado de todos porque n&#227;o aparece em nenhuma planilha de sinergia: existe uma estrutura de comando e de resolu&#231;&#227;o de conflito definida antes da assinatura? E existe, de fato, uma fus&#227;o de culturas poss&#237;vel entre as duas empresas &#8212; ou o que est&#225; em jogo &#233; s&#243; sinergia de custo e corte de gente brilhando numa planilha de M&amp;A?</p><h3>Para finalizar</h3><p>Juntando todos os casos &#8212; dentro e fora da educa&#231;&#227;o &#8212; e a literatura, o fio comum &#233; sempre o mesmo. Fus&#245;es que destru&#237;ram valor pagaram m&#250;ltiplo muito acima do pr&#243;prio valuation do comprador, financiaram a opera&#231;&#227;o com d&#237;vida que virou problema no primeiro trimestre de vento contr&#225;rio, trataram risco regulat&#243;rio como formalidade, e n&#227;o definiram, antes da assinatura, quem manda e o que acontece quando os s&#243;cios discordam.</p><p>E, acima de tudo, n&#227;o pararam pra perguntar se as culturas das duas empresas eram sequer compat&#237;veis com uma fus&#227;o de verdade &#8212; pergunta que a Arezzo aprendeu da forma mais dolorosa poss&#237;vel, e que o Ita&#250; respondeu, quase vinte anos atr&#225;s, sem nunca precisar dizer isso em voz alta. &#201; essa a pergunta que separa os dois casos com uma nitidez rara em finan&#231;as corporativas &#8212; e &#233; por isso que ambos seguem servindo de caso de aula, um pelo motivo certo, outro pelo errado.</p><p>Fus&#245;es que geraram valor &#8212; Nord Anglia &#233; o exemplo mais limpo, Ita&#250;-Unibanco &#233; o mais did&#225;tico sobre governan&#231;a, a &#194;nima-Laureate &#233; o caso mais instrutivo por mostrar as duas faces ao mesmo tempo &#8212; compartilham o oposto: m&#250;ltiplo de entrada disciplinado, capital que n&#227;o depende de tudo dar certo no curt&#237;ssimo prazo, uma estrutura de comando clara desde o dia zero, e culturas organizacionais que, checadas com honestidade antes da assinatura, realmente cabiam debaixo do mesmo teto.</p><p>Fica a pergunta em aberto pra Yduqs e Afya, que s&#243; o tempo &#8212; e o Cade &#8212; v&#227;o responder: em qual dos dois grupos essa combina&#231;&#227;o vai entrar.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Resenha do livro: What Great Teachers Do Differently]]></description><link>https://mintedu.substack.com/p/o-que-os-professores-excepcionais</link><guid isPermaLink="false">https://mintedu.substack.com/p/o-que-os-professores-excepcionais</guid><dc:creator><![CDATA[Mint Education Notes]]></dc:creator><pubDate>Wed, 19 Aug 2026 16:08:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/4f2adabd-3fd2-481b-905b-eb1ba80c71af_680x420.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Esse livro &#233; do mesmo Todd Whitaker de <em>What Great Principals Do Differently</em>, que a gente resenhou em tr&#234;s partes umas semanas atr&#225;s (<a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem">Parte 1</a>, <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem-525">Parte 2</a>, <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem-6fe">Parte 3</a>). <br>D&#225; pra ler os dois como uma coisa s&#243;.  <em>What Great Teachers Do Differently &#233; </em>praticamente<em> </em> par desse livro, s&#243; que um andar abaixo do organograma: em vez do diretor, o personagem central &#233; o professor. O autor escreveu os dois quase como um d&#237;ptico -  d&#225; pra ler um sem o outro, mas juntos eles fecham uma tese s&#243;: a qualidade de uma escola se decide na soma de decis&#245;es pequenas, repetidas todo dia, por gente que est&#225; na sala. Diretor bom cria as condi&#231;&#245;es. Professor bom &#233; quem entrega.</p><p>Raramente algu&#233;m senta pra entender o que, na pr&#225;tica, diferencia um professor que sustenta resultado de um que s&#243; ocupa a sala. Whitaker passou d&#233;cadas estudando exatamente isso, e o livro condensa em dezenove cap&#237;tulos o que ele chama de "as coisas que mais importam". N&#227;o vou passar pelos dezenove com a mesma profundidade -  s&#243; nos que mais conversam com como a gente pensa capital e opera&#231;&#227;o em educa&#231;&#227;o.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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A ideia n&#227;o era ruim, mas sua execu&#231;&#227;o dependia de um professor excepcional pra funcionar, e a maioria n&#227;o era.</p><h2>A expectativa &#233; sobre voc&#234;</h2><p>Whitaker conta que, numa palestra pra professores, uma delas perguntou se podia corrigir provas enquanto ele falava. Segundo ela, era assim que os alunos tratavam a aula dela mesmo. Ele resume sem rodeio: at&#233; o pior professor tem expectativa alta em cima do aluno. A diferen&#231;a n&#227;o est&#225; a&#237;. Est&#225; na expectativa que o professor tem de si mesmo.</p><p>Professor bom cobra mais de si do que cobra da turma. Se a aula n&#227;o engaja, o problema n&#227;o &#233; &#8220;essa gera&#231;&#227;o a&#237;&#8221;, &#233; o plano de aula. D&#225; pra fazer o mesmo exerc&#237;cio com qualquer neg&#243;cio de servi&#231;o com entrega individual. Quando a r&#233;gua de performance est&#225; sempre em cima do cliente &#8212; &#8220;esse aluno n&#227;o colabora&#8221;, &#8220;esse pai n&#227;o participa&#8221; -  geralmente &#233; sinal de opera&#231;&#227;o sem <em>accountability</em>. Mais pra frente, no cap&#237;tulo &#8220;Quem &#233; a Vari&#225;vel?&#8221;, Whitaker fecha essa ideia: na sala de aula, a vari&#225;vel &#233; o pr&#243;prio professor. N&#227;o o aluno. N&#227;o a turma. N&#227;o o bairro. Essa frase, pra mim, sai f&#225;cil do contexto escolar e serve pra qualquer time.</p><h2>Rela&#231;&#227;o n&#227;o &#233; m&#225;gica</h2><p>S&#243; criar v&#237;nculo com o aluno n&#227;o resolve. Virou chav&#227;o pedag&#243;gico &#8220;rela&#231;&#227;o &#233; tudo&#8221;. Ele discorda. Rela&#231;&#227;o sem consist&#234;ncia e sem exig&#234;ncia clara n&#227;o sustenta aprendizado, s&#243; deixa a sala mais confort&#225;vel. O que funciona &#233; o trio: rela&#231;&#227;o, expectativa e consist&#234;ncia juntos.</p><p>Acho que d&#225; pra enxergar o mesmo vi&#233;s em opera&#231;&#227;o escolar. Tratar clima e engajamento como se bastassem pra medir qualidade. Clima bom sem rigor acad&#234;mico &#233; sintoma de escola educada, mas frouxa academicamente. NPS alto per se n&#227;o &#233; proxy de aprendizado, &#233; proxy de simpatia.</p><h2>Escolher o modo certo</h2><p>O autor prop&#245;e que todo profissional que lida com gente opera em um de tr&#234;s &#8220;modos&#8221;: modo neg&#243;cio (claro, direto, foca em resultado), modo pai (protetor, &#224;s vezes indulgente demais) e modo crian&#231;a (reage no mesmo n&#237;vel emocional do outro). O erro mais comum &#233; o professor cair no modo crian&#231;a quando o aluno provoca &#8212; discutir no mesmo tom, levar pro pessoal. O profissional excepcional segura o modo neg&#243;cio o tempo inteiro, mesmo provocado.</p><p>Serve f&#225;cil pra pensar em qualquer lideran&#231;a de linha de frente numa rede &#8212; coordenador pedag&#243;gico, gerente de unidade. N&#227;o escala bem quando essa camada intermedi&#225;ria reage no modo crian&#231;a toda vez que um pai reclama ou um aluno aprontar.</p><h2>O professor tamb&#233;m &#233; filtro</h2><p>Esse tema j&#225; tinha aparecido no livro dos diretores. Aqui Whitaker desce ele um andar: cada professor &#233;, dentro da pr&#243;pria sala, o mesmo filtro que o diretor &#233; pra escola inteira. Se ele reclama de um aluno dif&#237;cil no corredor, isso vaza pra outros professores, que passam a temer o aluno antes de nem conhecer. Se ele segura a insatisfa&#231;&#227;o e mant&#233;m o tom, o problema fica contido ali.</p><p>No fundo &#233; uma tese sobre como cultura se propaga numa organiza&#231;&#227;o com muitas camadas. Rede com uma unidade s&#243; sustenta cultura pela proximidade f&#237;sica do fundador. Rede com cinquenta unidades depende de cada professor, em cada sala, replicando o padr&#227;o sem ningu&#233;m olhando por cima do ombro. &#201; o mesmo desafio de qualquer operador de franquia ao escalar, s&#243; que aqui o produto entregue &#233; forma&#231;&#227;o de gente. Isso torna qualquer inconsist&#234;ncia bem mais cara.</p><h2>Baseie toda decis&#227;o nos melhores</h2><p>Mesmo t&#237;tulo do cap&#237;tulo equivalente no livro dos diretores. N&#227;o &#233; coincid&#234;ncia &#8212; Whitaker repete a tese de prop&#243;sito, porque acha que &#233; a mais mal aplicada na pr&#225;tica. A hist&#243;ria que ele conta &#233; boa: A placa de &#8220;Voc&#234; esta sendo filmado&#8221; em loja de antiguidade. Quem essa placa atinge? N&#227;o o ladr&#227;o, que j&#225; sabe que roubar &#233; crime. Atinge o cliente honesto, que fica desconfort&#225;vel se sentindo vigiado.</p><p>Regra geral criada pra conter uma minoria problem&#225;tica acaba punindo quem j&#225; fazia certo. Whitaker usa isso pra decis&#245;es de gest&#227;o escolar o tempo todo. Cartaz de &#8220;limite de 20 c&#243;pias&#8221; na sala dos professores incomoda quem nunca abusou da copiadora e &#233; solenemente ignorado por quem abusa. A pergunta que ele recomenda fazer antes de qualquer pol&#237;tica, prova ou regra nova &#8212; &#8220;o que os melhores v&#227;o achar disso?&#8221; &#8212; d&#225; pra aplicar direto em pol&#237;tica de RH de rede escolar. Regra pensada pro pior da equipe, na pr&#225;tica, desmotiva o melhor.</p><h2>O n&#250;cleo</h2><p>O livro fecha num tom mais pessoal, quase um manifesto. Whitaker diz que, no fim, a diferen&#231;a entre professores n&#227;o est&#225; numa lista de t&#233;cnicas. Est&#225; num n&#250;cleo de cren&#231;as. Ele conta um exemplo dele mesmo: quando virou diretor, parou de cobrar plano de aula por escrito de professor que j&#225; entregava resultado. Percebeu que estava cobrando organiza&#231;&#227;o pra ele pr&#243;prio, n&#227;o aprendizado pro aluno. &#201; esse tipo de decis&#227;o que s&#243; se sustenta quando a lideran&#231;a sabe, com clareza, o que importa de verdade e o que &#233; s&#243; ru&#237;do de processo.</p><h2>As dezenove coisas que fazem um professor excepcional, resumidas</h2><p>Os cap&#237;tulos acima foram os que mais renderam pra essa resenha, mas o livro tem dezenove pontos ao todo. Deixo aqui um resumo r&#225;pido dos outros, pra quem quiser o mapa completo:</p><ul><li><p>Gente, n&#227;o programa, &#233; o que define a qualidade de uma escola.</p></li><li><p>Expectativa clara desde o primeiro dia, sustentada o ano inteiro. N&#227;o s&#243; no discurso de boas-vindas.</p></li><li><p>Quando fala alguma coisa, cumpre. Amea&#231;a vazia ensina o aluno a ignorar a pr&#243;xima.</p></li><li><p>Quando o aluno erra, o objetivo &#233; simples: n&#227;o deixar acontecer de novo. N&#227;o &#233; vingan&#231;a, nem fazer o aluno &#8220;pagar&#8221; por algo.</p></li><li><p>Expectativa alta pro aluno, mais alta ainda pra si mesmo. &#201; essa a vari&#225;vel que separa professor bom de mediano.</p></li><li><p>Rela&#231;&#227;o importa, mas sozinha n&#227;o &#233; m&#225;gica. S&#243; funciona junto com consist&#234;ncia e exig&#234;ncia.</p></li><li><p>Fica no &#8220;modo neg&#243;cio&#8221; a maior parte do tempo. Nada de modo pai, nada de modo crian&#231;a.</p></li><li><p>Entende que a vari&#225;vel da sala &#233; ele mesmo. N&#227;o o aluno, n&#227;o a turma, n&#227;o o contexto.</p></li><li><p>Foca no aluno primeiro, com vis&#227;o ampla, sem perder colega e escola de vista.</p></li><li><p>Cria clima positivo, tratar todo mundo com respeito, sabe usar o elogio na hora certa.</p></li><li><p>Filtra o que reclama, espalha do que &#233; bom. Mau humor de um professor vira boato. De um professor excepcional, n&#227;o sai da sala.</p></li><li><p>Repara a rela&#231;&#227;o mesmo quando n&#227;o precisaria. Pedir desculpa n&#227;o &#233; fraqueza.</p></li><li><p>Sabe ignorar o irrelevante e responder ao que importa sem transformar tudo em crise.</p></li><li><p>Age com inten&#231;&#227;o. Nada acontece por acaso, nem &#8220;porque sempre foi assim&#8221;.</p></li><li><p>Antes de decidir qualquer coisa, pergunta: o que os melhores v&#227;o achar disso?</p></li><li><p>Sabe quem fica mais confort&#225;vel e quem fica menos confort&#225;vel com cada decis&#227;o. E trata todo mundo como se j&#225; fosse gente boa.</p></li><li><p>Tem empatia e clareza de como &#233; visto pelos outros, mesmo quando acha que est&#225; sendo justo.</p></li><li><p>Mant&#233;m prova padronizada em perspectiva. O que importa &#233; aprendizado. Nota &#233; s&#243; term&#244;metro.</p></li><li><p>Se importa de verdade com o aluno, porque sabe que comportamento e cren&#231;a v&#234;m de emo&#231;&#227;o, n&#227;o de regra.</p></li></ul><p></p><p>Essa resenha caminha junto com a s&#233;rie que fizemos sobre <em>What Great Principals Do Differently</em>, do mesmo autor (<a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem">Parte 1</a>, <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem-525">Parte 2</a>, <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem-6fe">Parte 3</a>) . Lidos juntos, os dois livros d&#227;o um mapa bem completo de onde a qualidade de uma escola realmente se decide: na lideran&#231;a e na sala de aula, ao mesmo tempo.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Escalar, ainda n&#227;o.]]></description><link>https://mintedu.substack.com/p/o-cenario-atual-das-edtechs-no-brasil</link><guid isPermaLink="false">https://mintedu.substack.com/p/o-cenario-atual-das-edtechs-no-brasil</guid><dc:creator><![CDATA[Mint Education Notes]]></dc:creator><pubDate>Wed, 12 Aug 2026 14:35:31 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9293b3be-4742-4e1c-8de5-2357dec070d2_680x420.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Edtech vive um inferno no mundo inteiro, e isso n&#227;o &#233; for&#231;a de express&#227;o. O setor saiu de um pico de US$ 20,8 bilh&#245;es captados globalmente em 2021 para algo entre US$ 2,6 bilh&#245;es e US$ 2,8 bilh&#245;es em 2025 &#8212; <strong>uma contra&#231;&#227;o de mais de 85% em quatro anos.<br></strong>S&#243; no primeiro trimestre de 2025, o volume global caiu para US$ 410 milh&#245;es, queda de 35% frente ao mesmo per&#237;odo de 2024, e tr&#234;s rodadas isoladas &#8212; LeapScholar, MagicSchool AI e Campus &#8212; representaram sozinhas quase metade de todo o capital levantado no trimestre. Ou seja: o dinheiro que sobrou est&#225; cada vez mais concentrado em pouqu&#237;ssimas apostas, e o resto do setor disputa as migalhas.<strong><br></strong><br>E os nomes que ca&#237;ram no meio do caminho n&#227;o s&#227;o obscuros. <br>A Byju&#8217;s, que chegou a valer US$ 22 bilh&#245;es em 2022 - era a edtech mais valiosa do planeta, que gastou US$ 40 milh&#245;es s&#243; para patrocinar a Copa do Mundo de 2022 &#8212; virou sin&#244;nimo de colapso: valuation zerado, subsidi&#225;ria americana em bankruptcy, fundador afastado pelo pr&#243;prio conselho. A Chegg, gigante do suporte ao estudante universit&#225;rio nos EUA, viu a a&#231;&#227;o despencar quase inteira depois que a IA passou a responder as mesmas perguntas que o produto dela vendia &#8212; queda de quase 99% desde o pico de 2021, com corte de 45% do quadro de funcion&#225;rios em 2025. <br>A 2U comprou a edX por US$ 800 milh&#245;es no auge da euforia e passou os anos seguintes tentando pagar essa conta com um balan&#231;o cada vez mais pesado. <br><br>No Brasil, n&#227;o &#233; diferente. A diferen&#231;a &#233; s&#243; de escala e de holofote: aqui n&#227;o teve unic&#243;rnio bilion&#225;rio implodindo em manchete internacional, mas o mecanismo &#233; o mesmo &#8212; dinheiro f&#225;cil entrou, apostou em crescimento r&#225;pido, e saiu correndo assim que a m&#233;trica de reten&#231;&#227;o e o ciclo de venda institucional mostraram a real. </p><p>Vale lembrar, antes de ir pro dado mais recente, o tamanho que esse ecossistema j&#225; teve por aqui. Em levantamentos anteriores da pr&#243;pria Abstartups, edtech j&#225; chegou a representar 17,3% de todas as startups mapeadas no Brasil &#8212; o maior segmento entre startups no pa&#237;s &#8212;, concentrado sobretudo no Sudeste: 58,7% das empresas localizadas na regi&#227;o, com forte predomin&#226;ncia de S&#227;o Paulo, e com educa&#231;&#227;o b&#225;sica respondendo por 50,7% das solu&#231;&#245;es ofertadas. &#201; esse universo grande e geograficamente concentrado que, anos depois, o novo estudo revisita &#8212; s&#243; que agora com uma pergunta mais dura: quantas dessas empresas, de fato, sa&#237;ram do lugar?</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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S&#243; que a maioria n&#227;o conseguiu, ou n&#227;o quis, virar neg&#243;cio de escala. </strong></p><p>Isso conecta direto com um exerc&#237;cio que a gente faz sempre que analisa empresa: separar <strong>mission&#225;rio de mercen&#225;rio. </strong>Empreendedor mercen&#225;rio entra num setor porque enxergou multiplicador r&#225;pido, capta grande, cresce queimando caixa alheio e sai na primeira janela de liquidez. Empreendedor mission&#225;rio tem ambi&#231;&#227;o maior do que dinheiro &#8212; o neg&#243;cio &#233; ve&#237;culo de alguma coisa que ele acreditava antes do primeiro investidor aparecer, e continua acreditando depois que o &#250;ltimo for embora. Em edtech, a gente v&#234; esse padr&#227;o com uma clareza incomum. Os mercen&#225;rios j&#225; sa&#237;ram faz tempo &#8212; foram atr&#225;s do pr&#243;ximo setor com m&#250;ltiplo mais gordo assim que ficou claro que educa&#231;&#227;o n&#227;o entrega ciclo de venda curto, nem m&#233;trica de reten&#231;&#227;o de app de consumo, nem exit em tr&#234;s anos. Sobraram os mission&#225;rios. E n&#227;o por acaso: 66,3% das edtechs brasileiras nunca receberam investimento nenhum, o que quer dizer que a maioria desse universo nunca teve outra op&#231;&#227;o al&#233;m de continuar por convic&#231;&#227;o &#8212; ou fechar.</p><p>Aqui cabe uma confiss&#227;o que soa contradit&#243;ria vindo de quem &#233; fundo: a gente costuma alertar empreendedor de educa&#231;&#227;o sobre aceitar dinheiro de fundo. N&#227;o porque capital seja ruim. Porque o timing do fundo simplesmente descasa do timing que educa&#231;&#227;o exige. Fundo tem ciclo de investimento, janela de retorno e press&#227;o de portf&#243;lio rodando em trimestre. Educa&#231;&#227;o tem calend&#225;rio letivo, decis&#227;o de compra institucional e janela de aumento de receita que s&#243; abre uma ou duas vezes por ano &#8212; no in&#237;cio do semestre, na virada do ano letivo. Quando esses dois rel&#243;gios n&#227;o batem, quem paga a conta &#233; a empresa. Ela para de correr atr&#225;s do retorno que o pr&#243;prio neg&#243;cio pede e passa a correr atr&#225;s da demanda do capital que entrou &#8212; contratando r&#225;pido demais, prometendo curva de crescimento que a escola n&#227;o compra nesse ritmo, queimando caixa pra apresentar n&#250;mero bonito no pr&#243;ximo board. Dinheiro desalinhado, nesse setor, custa caro. Custa mais caro do que a falta de dinheiro.</p><p>E dito isso, um alerta na dire&#231;&#227;o oposta, pro empreendedor mission&#225;rio:<strong> impacto n&#227;o basta. O neg&#243;cio precisa ser lucrativo, ponto final.</strong> N<strong>este setor, especificamente, lucro precisa ser palavra dita em voz alta e repetida sem cerim&#244;nia </strong>&#8212; em pitch, em board, em conversa de corredor. N&#227;o existe justificativa de &#8220;estamos transformando vidas&#8221; que sustente margem negativa por anos a fio. Quem carrega bandeira de prop&#243;sito tem, paradoxalmente, mais obriga&#231;&#227;o de provar que sabe fazer conta, porque &#233; f&#225;cil esconder disciplina financeira atr&#225;s de discurso bonito. <strong>Miss&#227;o sem lucro &#233; ONG. E o setor j&#225; tem ONG suficiente &#8212; o que falta &#233; empresa.</strong></p><p>Pra quem est&#225; pensando em empreender agora, o recado &#233; de otimismo com os p&#233;s no ch&#227;o. Tem muita janela de oportunidade e muita digitaliza&#231;&#227;o ainda por fazer em educa&#231;&#227;o. A mat&#233;ria-prima continua sendo a mesma de sempre &#8212; professor e giz, saliva e lousa &#8212; s&#243; que operando dentro de um ambiente cada vez mais digital, o que cria espa&#231;o pra quem entender o produto certo pro momento certo. Mas entender o setor significa entender os meandros dele: ciclo de vida longo em B2B, onde a venda demora e a fideliza&#231;&#227;o tamb&#233;m, e LTV curto em B2C, onde o aluno ou a fam&#237;lia troca de solu&#231;&#227;o com a mesma facilidade que troca de aplicativo. Quem monta tese ignorando essa diferen&#231;a estrutural monta tese errada.</p><p><strong>Mudar o pa&#237;s passa por educa&#231;&#227;o.</strong> E educa&#231;&#227;o, historicamente, sempre passou por gente disposta a carregar isso al&#233;m do pr&#243;prio balan&#231;o &#8212; professor que fica, diretor que assume responsabilidade, fundador que n&#227;o desiste no primeiro inverno de capital. <strong>O Brasil n&#227;o vai resolver o pr&#243;prio gargalo educacional com mercen&#225;rio de passagem. Vai resolver com quem ficou depois que a festa acabou. Sobrou o mission&#225;rio. E &#233; nele que a gente aposta.</strong></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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(Se n&#227;o leu, acesse a <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem">parte 1</a> e a <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem-525">parte 2</a> do livro). Fechamos hoje com os cap&#237;tulos finais, cinco ao todo, que tratam de cultura, do funcion&#225;rio dif&#237;cil, e de uma frase que resume o livro inteiro: lideran&#231;a, assim como o ensinar, &#233; preciso de <strong>repeti&#231;&#227;o.</strong></p><p><strong>Dar valor a quem se importa</strong></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Com o ato de se importar em si &#8212; com aprendizado, com colega, com o aluno mais dif&#237;cil de alcan&#231;ar.</p><p>A ilustra&#231;&#227;o central &#233; o relato de uma professora &#8212; cujo aluno mais dif&#237;cil, um adolescente com hist&#243;rico disciplinar pesado, chega at&#233; ela pedindo ajuda com um poema que estava escrevendo, sem nenhum constrangimento de ser ouvido pelos colegas. O argumento &#233; que essa professora n&#227;o estava preparando aluno pra prova estadual nenhuma. Estava construindo um ambiente onde se importar &#8212; com o que quer que fosse o foco do momento &#8212; n&#227;o custava capital nenhum. Uma vez estabelecida essa norma, qualquer iniciativa pedag&#243;gica nova encontra menos resist&#234;ncia, porque a resist&#234;ncia nunca foi ao conte&#250;do. Era ao risco social de parecer que se importa.</p><p><strong>Reparar mesmo quando n&#227;o precisaria</strong></p><p>O cap&#237;tulo 18 traz uma observa&#231;&#227;o comportamental que vale pra qualquer rela&#231;&#227;o hier&#225;rquica, n&#227;o s&#243; na escola: os melhores profissionais &#8212; professor e diretor &#8212; raramente precisam pedir desculpa, porque raramente maltratam algu&#233;m. E, mesmo assim, s&#227;o os que mais voltam atr&#225;s pra reparar um deslize m&#237;nimo (&#8221;sinto se fui impaciente ontem&#8221;), mesmo quando a outra parte nem tinha percebido problema nenhum. J&#225; o profissional mais dif&#237;cil precisa reparar o tempo todo &#8212; e &#233; justamente o que menos faz isso.</p><p>Whitaker prop&#245;e uma frase simples como ferramenta de desescalada em conflito com pai ou respons&#225;vel: dizer &#8220;sinto muito que isso tenha acontecido&#8221;. N&#227;o assume culpa, n&#227;o concorda com a reclama&#231;&#227;o, mas desarma a maior parte da intera&#231;&#227;o hostil. O mais interessante do cap&#237;tulo, ali&#225;s, n&#227;o &#233; a t&#233;cnica em si &#8212; &#233; o argumento de que ensinar essa habilidade pros professores mais resistentes da equipe, mesmo que por raz&#227;o ego&#237;sta, s&#243; pra se livrar de uma situa&#231;&#227;o chata mais r&#225;pido, reduz a carga de conflito que, de qualquer jeito, acaba caindo na mesa do diretor.</p><p><strong>O problema que a maioria evita resolver</strong></p><p>O cap&#237;tulo 19 encara de frente algo que toda lideran&#231;a escolar reconhece, mas que pouco livro de gest&#227;o trata com essa franqueza: o que fazer com professor negativo ou ineficaz &#8212; que existe, segundo Whitaker, em praticamente toda escola, inclusive nas melhores. Ele descarta a estrat&#233;gia mais comum e chama ela pelo nome: evitar. Evitar dar responsabilidade, evitar intera&#231;&#227;o, evitar conflito. Em centenas de treinamentos com diretor ao longo da carreira, nunca ningu&#233;m relatou que essa estrat&#233;gia resolveu o problema. Porque n&#227;o resolve. S&#243; adia o custo e transfere ele pros professores que fazem o trabalho direito &#8212; obrigados a compensar a lacuna do colega fraco, calados, ano ap&#243;s ano.</p><p>A solu&#231;&#227;o que ele prop&#245;e n&#227;o &#233; confronto direto nem demiss&#227;o sum&#225;ria &#8212; &#233; presen&#231;a f&#237;sica constante e n&#227;o anunciada. Visitar sala de aula com regularidade, sem checklist burocr&#225;tico, at&#233; virar rotina. O racioc&#237;nio &#233; simples: o bom professor gosta quando o diretor aparece; o fraco prefere ser deixado em paz. Ent&#227;o a visita frequente funciona como term&#244;metro natural &#8212; deixa o bom confort&#225;vel e o fraco desconfort&#225;vel o suficiente pra mudar. Ele tamb&#233;m recomenda dar aos professores mais fracos tarefas de exposi&#231;&#227;o p&#250;blica (organizar a festa de fim de ano, por exemplo), porque visibilidade tende a puxar esfor&#231;o que, escondido, nunca apareceria. E fecha sem meio-termo: se nada disso funciona, cabe ao diretor mudar o comportamento da pessoa &#8212; ou o v&#237;nculo empregat&#237;cio dela. &#8220;Evitar&#8221; n&#227;o &#233; estrat&#233;gia, &#233; a aus&#234;ncia de uma.</p><p>Esse &#233; provavelmente o cap&#237;tulo com aplica&#231;&#227;o mais direta, e mais desconfort&#225;vel, pra qualquer M&amp;A em educa&#231;&#227;o b&#225;sica. Rede que compra escola herda, junto com o corpo docente, os professores que a lideran&#231;a anterior evitou confrontar &#8212; &#224;s vezes por anos. Due diligence de capital humano costuma olhar pra qualifica&#231;&#227;o e custo de folha. O livro sugere que o dado mais preditivo de risco p&#243;s-aquisi&#231;&#227;o &#233; comportamental: quantos casos de baixo desempenho a lideran&#231;a atual est&#225; evitando resolver, e h&#225; quanto tempo isso j&#225; dura.</p><p><strong>Expectativa no in&#237;cio do ano: &#8220;ainda estamos invictos&#8221;</strong></p><p>O cap&#237;tulo 20 explora algo que soa simples, mas que Whitaker trata como uma das janelas mais subestimadas do calend&#225;rio escolar: o come&#231;o do ano, quando &#8212; nas palavras dele &#8212; &#8220;ainda estamos invictos&#8221;. Nenhum aluno foi encaminhado ainda. Nenhuma nota ruim foi lan&#231;ada. Nenhuma discuss&#227;o com pai aconteceu. &#201; o momento de menor resist&#234;ncia pra estabelecer, junto com a equipe, sem impor de cima pra baixo, expectativa de comportamento &#8212; como a decis&#227;o coletiva de nunca usar sarcasmo ou gritar com aluno, formulada como pergunta (&#8221;quando o sarcasmo &#233; apropriado em sala?&#8221;) em vez de regra imposta.</p><p><strong>Lideran&#231;a n&#227;o &#233; evento</strong></p><p>O cap&#237;tulo final antes da conclus&#227;o amarra o livro todo numa distin&#231;&#227;o entre clima e cultura. Clima, pra Whitaker, &#233; o tom do dia &#8212; muda f&#225;cil, com uma a&#231;&#227;o pontual: um v&#237;deo viral do diretor fantasiado, uma campanha de arrecada&#231;&#227;o.<strong> Cultura &#233; o padr&#227;o persistente</strong> por tr&#225;s da decis&#227;o do dia a dia. E essa s&#243; muda com <strong>repeti&#231;&#227;o consistente. </strong>N&#227;o com evento isolado, por mais criativo ou emocionante que seja.</p><p>A imagem mais afiada do cap&#237;tulo &#233; a de um gerente de loja fantasiado de dinossauro no caixa, cumprimentando cliente. Um cliente na fila comenta, com inveja, que gostaria que o pr&#243;prio gestor &#8220;se vestisse de dinossauro&#8221; tamb&#233;m. Whitaker questiona a premissa: o que essa pessoa quer de verdade n&#227;o &#233; a fantasia. &#201; ter um gestor presente, comunicativo, consistente. A fantasia s&#243; funciona porque, presumivelmente, aquele gerente j&#225; tem cr&#233;dito de lideran&#231;a acumulado em todos os outros dias. Sem esse lastro, o mesmo gesto pode virar palha&#231;ada em vez de carisma.</p><p>Essa distin&#231;&#227;o vale direto pra comunica&#231;&#227;o institucional de rede educacional &#8212; e, por extens&#227;o, pra qualquer estrat&#233;gia de branding ou marketing escolar constru&#237;da em cima de &#8220;momento&#8221;  ao inv&#233;s de consist&#234;ncia percebida por professor e fam&#237;lia ao longo do ano inteiro. O argumento n&#227;o &#233; contra esses eventos. &#201; contra confundir eles com o trabalho real de construir cultura, que &#233;, por defini&#231;&#227;o, mais lento, mais repetitivo e bem menos fotog&#234;nico.</p><p><strong>Avalia&#231;&#227;o final</strong></p><p><em>What Great Principals Do Differently</em> n&#227;o &#233; livro sobre gest&#227;o financeira, expans&#227;o de rede ou tecnologia educacional &#8212; e essa aus&#234;ncia, meio paradoxalmente, &#233; o que torna ele &#250;til pra quem investe ou opera nesse setor. O livro descreve, com base em estudo comparativo e d&#233;cadas de observa&#231;&#227;o direta, o mecanismo comportamental por tr&#225;s de algo que todo operador de m&#250;ltipla unidade sabe de forma intuitiva mas raramente consegue nomear com precis&#227;o: <strong>por que duas escolas com o mesmo curr&#237;culo, a mesma marca e o mesmo n&#237;vel de investimento entregam resultado completamente diferente.</strong></p><p>Tem limita&#231;&#227;o clara pro leitor deste boletim, tamb&#233;m vale dizer. &#201; escrito a partir da experi&#234;ncia de escola p&#250;blica americana, com um tom motivacional que &#224;s vezes soa repetitivo &#8212; os mesmos princ&#237;pios (foco nos melhores, comportamento antes de cren&#231;a, consist&#234;ncia) voltam, reformulados, em quase todo cap&#237;tulo. N&#227;o tem uma linha sobre estrutura societ&#225;ria, governan&#231;a de rede ou economia de escala. E o autor, coerente com a proposta do pr&#243;prio livro, evita de prop&#243;sito discutir pol&#237;tica educacional mais ampla &#8212; inclusive o tema de prova padronizada, tratado com uma neutralidade quase estudada.</p><p>Ainda assim, pra quem avalia aquisi&#231;&#227;o, integra equipe de lideran&#231;a p&#243;s-M&amp;A ou s&#243; tenta entender por que uma unidade da rede supera as outras, o livro entrega algo raro: uma linguagem precisa e replic&#225;vel pra descrever a vari&#225;vel mais dif&#237;cil de precificar em qualquer tese de investimento em educa&#231;&#227;o &#8212; a qualidade da lideran&#231;a escolar, unidade por unidade.</p><p>Essa foi a &#250;ltima parte da s&#233;rie sobre <em>What Great Principals Do Differently</em>, de Todd Whitaker.  As partes <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem">1</a> e <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem-525">2</a> cobrem os fundamentos sobre pessoas e programa, autoconhecimento do diretor, contrata&#231;&#227;o e reten&#231;&#227;o de talento docente, e a din&#226;mica de mudan&#231;a organizacional.<br><br>Se tiverem sugest&#245;es de livros que gostaria de ver por aqui, nos envie um email para educacao@mintcapital.com.br</p><p>At&#233; a pr&#243;xima.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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No Brasil, o mercado educacional segue em plena digest&#227;o do novo marco regulat&#243;rio do EAD &#8212; as portarias que sa&#237;ram ao longo do m&#234;s mostram o MEC tentando dar previsibilidade a um jogo que mudou de regras em 2025. L&#225; fora, a consolida&#231;&#227;o segue via aquisi&#231;&#245;es pontuais e cheques estrat&#233;gicos em IA, muito mais do que megadeals. E o mercado de capitais brasileiro deu um recado claro: opera&#231;&#245;es mal explicadas continuam sendo punidas com viol&#234;ncia, independentemente do apetite geral por consolida&#231;&#227;o no setor.</p><h2>Brasil</h2><h3>M&amp;A e movimentos societ&#225;rios</h3><p><strong>&#194;nima anuncia recompra da FMU por R$ 410 milh&#245;es &#8212; e o mercado reage mal.</strong> (<a href="https://braziljournal.com/anima-compra-a-fmu-por-r-410-milhoes/">Brazil Journal</a>) Em 14 de julho, a &#194;nima Educa&#231;&#227;o informou que firmou contrato para adquirir 100% das cotas da FMU &#8212; rede com 51 mil alunos em seis campi em S&#227;o Paulo, que a pr&#243;pria &#194;nima havia vendido anos atr&#225;s e que hoje est&#225; em recupera&#231;&#227;o judicial &#8212; por R$ 410 milh&#245;es. Somada &#224; d&#237;vida l&#237;quida assumida de R$ 150 milh&#245;es, o valor impl&#237;cito da opera&#231;&#227;o chega a cerca de R$ 560 milh&#245;es, um m&#250;ltiplo de 10,5x EV/Ebitda da FMU. A FMU fechou os &#250;ltimos doze meses at&#233; mar&#231;o de 2026 com receita l&#237;quida de R$ 281,7 milh&#245;es e Ebitda ajustado de R$ 52,9 milh&#245;es. O pagamento ser&#225; feito em duas parcelas: R$ 240 milh&#245;es &#224; vista no fechamento e o restante em 2029 (ou tr&#234;s anos ap&#243;s aprova&#231;&#227;o do Cade), com valor m&#237;nimo de R$ 170 milh&#245;es corrigido pelo CDI. A opera&#231;&#227;o depende de aprova&#231;&#227;o do Cade, com conclus&#227;o estimada para o fim do ano.</p><p>A rea&#231;&#227;o do mercado n&#227;o deixou d&#250;vidas: as a&#231;&#245;es da companhia tiveram a maior queda intradi&#225;ria desde o IPO da &#194;nima em 2013 &#8212; mais de 32% num &#250;nico preg&#227;o &#8212;, j&#225; que o m&#250;ltiplo pago &#233; mais de tr&#234;s vezes superior ao qual a pr&#243;pria &#194;nima negocia em bolsa (cerca de 3,3x Ebitda). O BTG Pactual cortou a recomenda&#231;&#227;o de compra para neutra, com pre&#231;o-alvo revisado de R$ 7 para R$ 4, questionando publicamente a l&#243;gica da opera&#231;&#227;o ap&#243;s anos em que a companhia vinha justamente reduzindo d&#237;vida e convencendo investidores de que o ciclo de grandes aquisi&#231;&#245;es havia ficado para tr&#225;s (<a href="https://www.seudinheiro.com/2026/empresas/e-dificil-entender-por-que-a-anima-quis-comprar-a-fmu-nao-compensou-diz-btg-ao-cortar-recomendacao-para-anim3-bdap/">Seu Dinheiro</a>). O Goldman Sachs, por outro lado, viu m&#233;rito estrat&#233;gico na aquisi&#231;&#227;o &#8212; a FMU tem nota m&#225;xima (5) na avalia&#231;&#227;o do MEC &#8212;, ainda que tamb&#233;m tenha refor&#231;ado a aten&#231;&#227;o do mercado para a estrat&#233;gia de aloca&#231;&#227;o de capital da companhia daqui para frente. Vale destacar que a decis&#227;o de recomprar um ativo que a pr&#243;pria empresa j&#225; havia se desfeito &#233; incomum, e o mercado seguiu dividido sobre a tese por tr&#225;s dela. Para quem acompanha consolida&#231;&#227;o no setor, o epis&#243;dio &#233; um lembrete de que nem toda aquisi&#231;&#227;o &#8220;estrat&#233;gica&#8221; &#233; lida como tal pelos investidores, especialmente quando a narrativa de disciplina financeira j&#225; estava consolidada.</p><p>Ainda sobre a &#194;nima: tamb&#233;m em julho, R&#244;mulo Faccini Castanho &#8212; membro do bloco de controle &#8212; informou ao mercado que elevou sua participa&#231;&#227;o individual em a&#231;&#245;es ordin&#225;rias para cerca de 8,6%, com o bloco de controle somando quase 37% das ordin&#225;rias (<a href="https://visnoinvest.com.br/news/14249/romulo-castanho-atinge-9-da-anima-educacao-anim3">Visno Invest</a>). A companhia refor&#231;ou que o movimento n&#227;o tem como objetivo alterar a estrutura de controle ou administra&#231;&#227;o.</p><p><strong>Layers lan&#231;a fundo de M&amp;A dedicado a edtechs latino-americanas.</strong> (<a href="https://startupi.com.br/layers-lanca-fundo-de-mas-e-investimento/">Startupi</a> | <a href="https://educador21.com/consolidacao-edtechs-layers-fundo-ma/">Educador21</a>) A edtech brasileira, criadora do &#8220;SuperApp da Educa&#231;&#227;o&#8221; e presente em mais de 9 mil institui&#231;&#245;es de ensino, anunciou em 10 de julho a cria&#231;&#227;o de um programa estruturado de fus&#245;es e aquisi&#231;&#245;es com capital dedicado de R$ 5 milh&#245;es &#8212; parte dos R$ 21 milh&#245;es captados em rodada liderada pela canadense Constellation em 2025. O foco est&#225; em solu&#231;&#245;es de engajamento escolar, vendas/marketplace e integradores de sistemas, atendendo educa&#231;&#227;o infantil, b&#225;sica e superior. </p><h3>Regula&#231;&#227;o</h3><p><strong>MEC publica novas portarias sobre o marco do EAD.</strong> (<a href="https://noticiasconcursos.com.br/mec-publica-portaria-que-reconhece-novos-cursos-superiores-de-graduacao-na-modalidade-ead-confira-a-lista/">Not&#237;cias Concursos</a>) O calend&#225;rio regulat&#243;rio do novo marco da educa&#231;&#227;o a dist&#226;ncia seguiu avan&#231;ando em julho. A Portaria SERES n&#186; 355, assinada em 22 de julho, reconheceu 29 cursos superiores de gradua&#231;&#227;o a dist&#226;ncia, e a Portaria n&#186; 356, de 24 de julho, reconheceu outros 27 &#8212; somando 56 cursos em 29 institui&#231;&#245;es, com &#225;reas que v&#227;o de tecnologia e sa&#250;de a forma&#231;&#245;es digitais mais nichadas, como coding e digital security. O reconhecimento do MEC garante validade nacional aos diplomas e elegibilidade para Prouni e Fies. &#201; um sinal de que, apesar da reformula&#231;&#227;o regulat&#243;ria de 2025, o pipeline de credenciamento de EAD segue funcionando &#8212; o que interessa a quem investe no segmento e queria ver o quanto a &#8220;peneira&#8221; do novo marco realmente restringe a oferta.</p><p><strong>Prouni e Fies abrem inscri&#231;&#245;es do segundo semestre.</strong> (<a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2026/julho/prouni-2026-aberto-periodo-de-inscricoes-para-o-2o-semestre">Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o</a>) O MEC divulgou o calend&#225;rio do Prouni 2026/2 (inscri&#231;&#245;es de 7 a 10 de julho, regidas pelo Edital n&#186; 51/2026) e do Fies (inscri&#231;&#245;es de 14 a 17 de julho). O Prouni desta edi&#231;&#227;o ofertou 471.304 bolsas &#8212; 219.725 integrais e 251.579 parciais &#8212; distribu&#237;das em 380 cursos e 879 institui&#231;&#245;es privadas. &#201; o tipo de dado operacional que interessa a quem acompanha capta&#231;&#227;o de alunos nas grandes redes: o volume de bolsas ofertadas d&#225; uma leitura indireta do apetite (ou da necessidade) das IES privadas por esse canal de aquisi&#231;&#227;o de alunos.</p><h3>Tecnologia e capital</h3><p><strong>Arco Educa&#231;&#227;o recebe R$ 300 milh&#245;es do BNDES para IA.</strong> (<a href="https://mais.opovo.com.br/jornal/economia/2026/07/21/arco-educacao-recebe-aporte-de-rs-300-mi-do-bndes-para-projeto-de-ia.html">O Povo</a> | <a href="https://businessmoment.com.br/bndes-apoia-projeto-de-inovacao-em-tecnologia-educacional-da-arco-educacao/">Business Moment</a>) O BNDES aprovou financiamento de R$ 300 milh&#245;es para a Companhia da Arco &#8212; dona de marcas como SAS, Sistema Anglo, Positivo e SAE Digital. O recurso ser&#225; direcionado &#224; IA generativa e preditiva aplicada ao ensino: tutoria personalizada, automa&#231;&#227;o de diagn&#243;stico de aprendizagem e apoio &#224; cria&#231;&#227;o e corre&#231;&#227;o de planos de aula e avalia&#231;&#245;es. &#201; um dos maiores aportes de capital de fomento j&#225; direcionados especificamente a IA educacional no Brasil, e refor&#231;a a Arco como a consolidadora com mais musculatura financeira para acelerar esse tipo de investimento &#8212; o que deve ampliar a dist&#226;ncia em rela&#231;&#227;o a concorrentes menores no segmento de sistemas de ensino.</p><p><strong>Pesquisa da Abstartups/USP escancara o gargalo de capital das edtechs brasileiras.</strong> (<a href="https://forbes.com.br/forbes-money/2026/07/edtechs-brasileiras-fase-escala/">Forbes Brasil</a>) Um levantamento com 368 startups ativas, divulgado em 21 de julho, mostrou que 66,3% das edtechs brasileiras nunca receberam qualquer tipo de investimento e que, apesar de 44,6% delas estarem no mercado h&#225; mais de cinco anos, apenas 15,7% chegaram ao est&#225;gio mais avan&#231;ado de escala. Mais da metade (51,4%) opera com no m&#225;ximo cinco funcion&#225;rios. &#201; um contraponto interessante ao notici&#225;rio de fundos e aportes: o grosso do ecossistema segue sobrevivendo com capital pr&#243;prio, e o funil entre &#8220;sobreviver&#8221; e &#8220;escalar&#8221; continua estreito &#8212; o que, na pr&#225;tica, sustenta a tese de consolida&#231;&#227;o por parte de players como Layers e Arco, que t&#234;m capital para comprar o que o mercado de VC n&#227;o est&#225; financiando.</p><div><hr></div><h2>Mundo</h2><h3>M&amp;A e investimento estrat&#233;gico</h3><p><strong>Coursera investe US$ 100 milh&#245;es na LearnVector, nova empresa de Andrew Ng.</strong> (<a href="https://www.businesswire.com/news/home/20260729966984/en/Coursera-Reports-Second-Quarter-2026-Financial-Results">Business Wire</a>) No dia 28 de julho, a Coursera anunciou um aporte estrat&#233;gico de US$ 100 milh&#245;es na LearnVector, companhia de aprendizado &#8220;AI-native&#8221; fundada e liderada por Andrew Ng &#8212; cofundador e presidente do conselho da pr&#243;pria Coursera e uma das figuras mais influentes do campo de IA. A tese da LearnVector &#233; usar agentes de IA para criar experi&#234;ncias de aprendizado personalizadas, um-para-um, endere&#231;ando a demanda crescente por desenvolvimento cont&#237;nuo de habilidades. O investimento veio junto com os resultados do segundo trimestre da Coursera, que reportou receita de US$ 299 milh&#245;es, elevou a proje&#231;&#227;o anual para US$ 1,22&#8211;1,245 bilh&#227;o e confirmou sinergias de pelo menos US$ 85 milh&#245;es ap&#243;s o fechamento da fus&#227;o com a Udemy, conclu&#237;da em 11 de maio. &#201; um movimento que confirma o padr&#227;o do ano: a consolida&#231;&#227;o de plataformas (Coursera-Udemy) caminha lado a lado com apostas espec&#237;ficas em IA aplicada ao aprendizado, tratadas cada vez mais como ativos estrat&#233;gicos separados do core business.</p><p><strong>Sanoma compra a polonesa Fluentbe.</strong> (<a href="https://edtechchronicle.com/sanoma-acquires-fluentbe-a-polish-ai-powered-tutoring-platform-for-language-learning/">EdTech Chronicle</a>) Em 22 de julho, a editora e grupo educacional finland&#234;s Sanoma anunciou a aquisi&#231;&#227;o da Fluentbe, plataforma polonesa de tutoria de idiomas baseada em IA &#8212; mais um exemplo do apetite europeu por ativos de AI tutoring com tra&#231;&#227;o comprovada.</p><p><strong>CyberNut compra a Neptune, ampliando seguran&#231;a digital estudantil.</strong> (<a href="https://edtechchronicle.com/cybernut-acquires-neptune-navigate-digital-citizenship-platform-expanding-its-student-safety-offering-for-k-12-districts/">EdTech Chronicle</a>) Em 9 de julho, a CyberNut anunciou a aquisi&#231;&#227;o da Neptune Navigate, plataforma de cidadania digital, para expandir sua oferta de seguran&#231;a do aluno voltada a distritos escolares de K-12 nos Estados Unidos &#8212; segmento que segue como um dos mais ativos em M&amp;A de nicho no mercado americano.</p><p><strong>Panorama consolidado: o M&amp;A de EdTech segue ativo, mas mais discreto.</strong> Levantamentos setoriais mostram que o ritmo de transa&#231;&#245;es em EdTech caiu de patamar entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026 (de 19 neg&#243;cios no 1T para 9 no 2T, segundo dados da New Market Pitch), mas com um detalhe relevante: praticamente todas as opera&#231;&#245;es recentes t&#234;m valores n&#227;o divulgados, sinalizando que os compradores &#8212; sejam eles operadores estrat&#233;gicos ou private equity &#8212; est&#227;o migrando para aquisi&#231;&#245;es pontuais e espec&#237;ficas, e n&#227;o para movimentos de grande porte com holofote. A leitura geral do setor para 2026 segue otimista: o mercado global de EdTech foi estimado em cerca de US$ 205 bilh&#245;es em 2025, crescendo a um CAGR de 14%, com fundos de private equity carregando &#8220;dry powder&#8221; recorde mirando o setor.</p><h3>Resultados corporativos</h3><p><strong>Pearson mant&#233;m guidance ap&#243;s primeiro semestre misto.</strong> (<a href="https://www.tradingview.com/news/prnewswire:50618970f5cf2:0-pearson-interim-results-for-the-six-months-to-30th-june-2026-unaudited/">TradingView / PR Newswire</a>) Os resultados do primeiro semestre de 2026 (encerrado em 30 de junho) mostraram a divis&#227;o de Virtual Learning crescendo 19%, com acelera&#231;&#227;o da matr&#237;cula para 15% no semestre de primavera, enquanto a divis&#227;o de Ensino Superior cresceu 2%, blindada por um bom desempenho em courseware nos EUA mas pressionada pela educa&#231;&#227;o superior internacional em mercados maduros. A companhia reiterou o guidance para o ano &#8212; lucro operacional ajustado entre &#163;640 milh&#245;es e &#163;685 milh&#245;es &#8212; e destacou a demanda crescente por requalifica&#231;&#227;o profissional num mundo cada vez mais orientado por IA como uma de suas principais teses de crescimento.</p><h3>Pol&#237;tica regulat&#243;ria</h3><p><strong>Reino Unido confirma avan&#231;o da taxa sobre estudantes internacionais.</strong> (<a href="https://monitor.icef.com/2026/07/england-government-remains-of-the-view-that-the-international-student-levy-should-go-ahead-implementation-planned-for-august-2028/">ICEF Monitor</a>) Em 13 de julho, o Department for Education brit&#226;nico publicou sua resposta &#224;s 91 contribui&#231;&#245;es recebidas na consulta p&#250;blica sobre a International Student Levy &#8212; taxa fixa de &#163;925 por aluno internacional por ano, cobrada das institui&#231;&#245;es de ensino superior. O governo manteve a inten&#231;&#227;o de seguir com a cobran&#231;a, mas definiu uma implementa&#231;&#227;o mais gradual: dois ciclos-piloto nos anos letivos de 2026/27 e 2027/28, sem cobran&#231;a efetiva nesse per&#237;odo, mas com o c&#225;lculo j&#225; sendo reportado &#224;s institui&#231;&#245;es. A medida chega em meio a um cen&#225;rio de press&#227;o financeira crescente sobre universidades brit&#226;nicas, com queda na capta&#231;&#227;o de alunos internacionais de mercados como China e Nig&#233;ria &#8212; tema que tamb&#233;m foi endere&#231;ado em relat&#243;rio do Comit&#234; de Educa&#231;&#227;o do Parlamento brit&#226;nico, divulgado no mesmo m&#234;s, sobre risco de insolv&#234;ncia no setor. Para quem acompanha o setor global de ensino superior, &#233; um lembrete de que a depend&#234;ncia de receita internacional &#8212; que sustentou a expans&#227;o de v&#225;rias universidades brit&#226;nicas na &#250;ltima d&#233;cada &#8212; est&#225; sendo repensada tanto pelo lado regulat&#243;rio quanto pelo lado da demanda.</p><h3>IA na sala de aula </h3><p><strong>&#211;culos com IA viram ferramenta de cola na &#193;sia &#8212; e escancaram o limite entre tecnologia e integridade acad&#234;mica.</strong> (<a href="https://edition.cnn.com/2026/06/26/asia/ai-glasses-cheating-exams-intl-hnk?cid=android_app">CNN</a>) Uma reportagem da CNN mostrou como &#243;culos inteligentes equipados com IA est&#227;o sendo usados para colar em provas nas sociedades asi&#225;ticas mais centradas em exames &#8212; Coreia do Sul, Taiwan, China e Hong Kong. Duas ocorr&#234;ncias recentes na Coreia do Sul, em provas de profici&#234;ncia em ingl&#234;s, foram os primeiros casos confirmados de cola com esse tipo de dispositivo no pa&#237;s; em Taiwan, um candidato a uma vaga de medicina foi flagrado ap&#243;s examinadores notarem o aquecimento incomum da arma&#231;&#227;o dos &#243;culos. Um pesquisador da Hong Kong University of Science and Technology demonstrou que &#243;culos equipados com IA conseguem transmitir as quest&#245;es da prova para modelos de linguagem, gerar respostas projetadas nas lentes e superar com folga a nota m&#233;dia dos candidatos. Como resposta, a China exigiu inspe&#231;&#227;o de todos os &#243;culos no vestibular nacional deste ano &#8212; que re&#250;ne mais de 10 milh&#245;es de candidatos &#8212;, e o &#243;rg&#227;o que regula os exames de admiss&#227;o da Coreia do Sul j&#225; discute com o Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o medidas espec&#237;ficas de preven&#231;&#227;o. No Reino Unido, o chefe do &#243;rg&#227;o regulador de exames da Inglaterra alertou que &#243;culos e outros dispositivos com IA podem agravar o problema da cola. A dimens&#227;o do problema, segundo especialistas ouvidos pela reportagem, provavelmente &#233; maior do que os casos reportados at&#233; agora sugerem. </p><p><strong>Universidade chinesa prop&#245;e substituir aulas de ingl&#234;s por forma&#231;&#227;o em comunica&#231;&#227;o intercultural.</strong> (<a href="https://exame.com/mundo/universidade-chinesa-quer-cancelar-aulas-de-ingles-a-medida-que-ia-avanca/">Exame</a>) A Shenzhen University of Advanced Technology anunciou, no in&#237;cio de julho, um plano para eliminar gradualmente as aulas tradicionais de ingl&#234;s, substituindo-as por disciplinas de comunica&#231;&#227;o intercultural &#8212; a come&#231;ar pelos calouros de 2026, em car&#225;ter experimental. Segundo o reitor Zhao Wei, os avan&#231;os em tradu&#231;&#227;o simult&#226;nea por IA j&#225; permitem conversas naturais entre pessoas de idiomas diferentes, reduzindo a necessidade de flu&#234;ncia em l&#237;ngua estrangeira; para ele, o mais relevante agora &#233; a capacidade de interpretar diferen&#231;as culturais e construir confian&#231;a em ambientes internacionais. A proposta acompanha um debate mais amplo no ensino superior chin&#234;s &#8212; em semin&#225;rio realizado em Hunan no fim de junho, dirigentes de outras universidades defenderam que o ensino de idiomas se apoie em quatro pilares (dom&#237;nio da l&#237;ngua, comunica&#231;&#227;o intercultural, pensamento cr&#237;tico e alfabetiza&#231;&#227;o em IA), e n&#227;o apenas na compet&#234;ncia lingu&#237;stica pura. A tend&#234;ncia j&#225; tem efeitos pr&#225;ticos: desde 2023, universidades como a Xi&#8217;an Jiaotong deixaram de exigir aprova&#231;&#227;o no exame nacional de profici&#234;ncia em ingl&#234;s (CET) como requisito para a formatura. Para o mercado de ensino de idiomas e cursos livres &#8212; inclusive no Brasil &#8212; &#233; um sinal a observar: se a tese de que a IA reduz a necessidade de profici&#234;ncia lingu&#237;stica avan&#231;ar em outras geografias, o value proposition de cursos tradicionais de ingl&#234;s pode precisar de reposicionamento.</p><div><hr></div><h2>Do Mint Education Notes</h2><p>Tr&#234;s textos autorais publicados por n&#243;s ao longo de julho &#8212; para quem quiser aprofundar al&#233;m do clipping:</p><p><strong><a href="/__u/mintedu.substack.com/p/alocacao-de-capital-na-escola">Aloca&#231;&#227;o de capital na escola</a></strong> (17 de julho) &#8212; Uma resenha de &#8220;The Outsiders&#8221;, de William Thorndike, usando a aquisi&#231;&#227;o da FMU pela &#194;nima como gancho para discutir disciplina de aloca&#231;&#227;o de capital. O texto detalha a rea&#231;&#227;o do mercado ao an&#250;ncio &#8212; e contrasta a leitura cr&#237;tica do BTG Pactual com a vis&#227;o mais construtiva do Goldman Sachs sobre o m&#233;rito estrat&#233;gico do ativo. A partir da&#237;, resgata os tra&#231;os em comum dos oito CEOs &#8220;outsiders&#8221; estudados por Thorndike e prop&#245;e um paralelo com as escolhas recentes de capital de Yduqs, Cogna e do setor educacional brasileiro como um todo.</p><p><strong><a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem">O que os diretores excepcionais fazem &#8212; Parte 1</a></strong> &#8212; Primeira parte da nossa resenha em tr&#234;s atos do livro &#8220;What Great Principals Do Differently&#8221;, de Todd Whitaker, lida com uma lente de due diligence e reten&#231;&#227;o de talento &#8212; o tipo de pergunta que qualquer investidor ou operador de rede de ensino deveria fazer antes de comprar uma escola: o que efetivamente diferencia a lideran&#231;a de um bom diretor?</p><p><strong><a href="/__u/mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem-525">O que os diretores excepcionais fazem &#8212; Parte 2</a></strong> &#8212; Sequ&#234;ncia da resenha, aprofundando os princ&#237;pios de lideran&#231;a escolar mapeados por Whitaker e conectando-os a decis&#245;es pr&#225;ticas de gest&#227;o e reten&#231;&#227;o em redes de ensino &#8212; com a Parte 3 e fechamento da s&#233;rie previstos para agosto.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O que os diretores excepcionais fazem de diferente #2]]></title><description><![CDATA[Resenha em s&#233;rie: What Great Principals Do Differently &#8212; Parte 2 de 3]]></description><link>https://mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem-525</link><guid isPermaLink="false">https://mintedu.substack.com/p/o-que-os-diretores-excepcionais-fazem-525</guid><dc:creator><![CDATA[Mint Education Notes]]></dc:creator><pubDate>Wed, 29 Jul 2026 18:54:13 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/1e587410-1aa0-421e-a02d-eedb42caa163_2760x1720.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Na primeira parte desta s&#233;rie cobrimos os fundamentos do livro: pessoas antes de programa, autopercep&#231;&#227;o calibrada, quem &#233; a vari&#225;vel de verdade dentro da sala e da escola, e o diretor como filtro de clima. Hoje &#233; a vez de um problema bem pr&#225;tico pra quem opera rede de educa&#231;&#227;o b&#225;sica hoje: como atrair, reter e liderar professor bom, e como tocar mudan&#231;a organizacional sem ter cinco anos de paci&#234;ncia pela frente.</p><p><strong>A escassez de professor &#233; problema de lideran&#231;a, n&#227;o do mercado.</strong></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Whitaker cita um n&#250;mero que, mesmo vindo do contexto americano, soa familiar pra quem opera em mercado com rotatividade docente alta: um em cada dez professores larga a profiss&#227;o depois do primeiro ano, e quase metade sai dentro dos primeiros cinco. Diante disso ele dedica um cap&#237;tulo inteiro a estrat&#233;gia de atra&#231;&#227;o e reten&#231;&#227;o que n&#227;o depende de aumentar sal&#225;rio, alavanca que a maioria dos diretores nem controla.</p><p>A ideia mais interessante do ponto de vista de opera&#231;&#227;o escolar &#233; construir funil de candidato de forma proativa, n&#227;o reativa. Ele conta que, na primeira dire&#231;&#227;o que teve - em uma cidade pequena, sem grande poder de atra&#231;&#227;o - , se ofereceu pra dar palestra sobre entrevista e curr&#237;culo nas faculdades de forma&#231;&#227;o de professor da regi&#227;o. Isso deu acesso direto a estagi&#225;rios antes de qualquer outra escola sequer saber que ele existia. Tamb&#233;m negociou com supervisor de est&#225;gio pra que os alunos fossem alocados s&#243; com os professores mais fortes da escola -  o que deixava a unidade mais atraente pras faculdades e, de quebra, funcionava como um per&#237;odo de observa&#231;&#227;o longo antes da contrata&#231;&#227;o de definitiva.</p><p>Isso descreve uma estrat&#233;gia de pipeline que institui&#231;&#245;es costumam terceirizar. O ponto do Whitaker &#233; que o mecanismo funciona mesmo numa unidade s&#243; - e depende inteiramente da iniciativa do diretor local. Numa rede consolidada isso levanta uma pergunta que quase ningu&#233;m faz: os diretores de unidade t&#234;m autonomia pra construir esse tipo de rela&#231;&#227;o local, ou o recrutamento foi todo centralizado na matriz, perdendo acesso a candidato que s&#243; aparece via confian&#231;a pessoal com a lideran&#231;a da escola?</p><p><strong>&#8220;As pessoas n&#227;o pedem demiss&#227;o do emprego, pedem demiss&#227;o do chefe&#8221;</strong></p><p>O cap&#237;tulo sobre reten&#231;&#227;o parte de uma afirma&#231;&#227;o que Whitaker trata quase como lei  da gest&#227;o: o principal preditor de satisfa&#231;&#227;o no trabalho &#233; a qualidade do chefe direto. Aplicado &#224; escola, isso quer dizer que fator fora do controle do diretor -  vida pessoal do professor, sal&#225;rio de mercado -  pesa menos do que a soma de pequenas a&#231;&#245;es de suporte vis&#237;vel. Aparecer fisicamente num momento dif&#237;cil com uma turma. Agradecer por escrito. Perguntar de verdade o que o professor precisa quando manda um aluno pra dire&#231;&#227;o, em vez de s&#243; resolver o caso e seguir em frente.</p><p>Tem um ponto de atrito interessante na parte sobre mentoria de professor novo, ali&#225;s. Whitaker argumenta que designar mentor por conveni&#234;ncia de hor&#225;rio ou proximidade da sala-  que &#233; o mais comum -  pode ser um erro silencioso, porque o novo professor tende a copiar o comportamento de quem foi designado como mentor. Se essa escolha n&#227;o tem inten&#231;&#227;o nenhuma por tr&#225;s, a escola pode estar formando seus novos talentos &#224; imagem de um professor mediano, sem nem perceber.</p><p><strong>Mudar cultura em meses, n&#227;o em anos</strong></p><p>O d&#233;cimo cap&#237;tulo ataca de frente um lugar-comum repetido &#224; exaust&#227;o em gest&#227;o: a ideia de que mudar cultura de organiza&#231;&#227;o leva de tr&#234;s a nove anos. Whitaker n&#227;o nega o n&#250;mero em si - mas argumenta que ele descreve a velocidade de l&#237;der mediano, n&#227;o algum limite f&#237;sico do universo. A evid&#234;ncia dele &#233; observacional, e &#233; meio marcante: quando um professor fraco &#233; substitu&#237;do por um excelente no meio do ano, a cultura daquela sala muda visivelmente em uma semana. &#201; o mesmo racioc&#237;nio do cap&#237;tulo sobre quem &#233; a vari&#225;vel, s&#243; que agora em n&#237;vel de escola inteira. Se a cultura muda r&#225;pido nas m&#227;os de um l&#237;der capaz, &#8220;leva anos pra mudar cultura&#8221; costuma ser um jeito educado de dizer &#8220;eu n&#227;o sei fazer isso r&#225;pido&#8221; -  ou uma desculpa confort&#225;vel pra nem tentar.</p><p>Esse &#233;, talvez, o ponto mais relevante do livro pra qualquer tese de M&amp;A em educa&#231;&#227;o. &#201; comum, e prudente, modelar prazo de integra&#231;&#227;o cultural p&#243;s-aquisi&#231;&#227;o em ano, n&#227;o em m&#234;s -  principalmente quando a rede quer preservar a identidade pedag&#243;gica da escola comprada. O argumento de Whitaker n&#227;o invalida essa cautela. Mas sugere um teste &#250;til: a integra&#231;&#227;o est&#225; travando por resist&#234;ncia cultural genu&#237;na e complexa, ou est&#225; travando porque a lideran&#231;a local, ou a designada pela rede, simplesmente n&#227;o sabe operar mudan&#231;a com a intencionalidade -  presen&#231;a f&#237;sica, consist&#234;ncia di&#225;ria, foco nos formadores de opini&#227;o da equipe -  que o livro descreve como replic&#225;vel?</p><p><strong>Prova padronizada</strong></p><p>No cap&#237;tulo sobre avalia&#231;&#227;o padronizada, Whitaker evita de prop&#243;sito entrar no m&#233;rito de se ela &#233; bom ou mau instrumento de pol&#237;tica p&#250;blica -  tema que ele mesmo chama de um dos mais polarizados entre educador. Em vez disso, prop&#245;e uma imagem simples: se o conjunto do que a escola deveria fazer &#233; um c&#237;rculo grande, e o que o teste padronizado mede de fato &#233; um c&#237;rculo menor dentro dele, o risco n&#227;o &#233; o teste em si. &#201; deixar o c&#237;rculo pequeno virar, na pr&#225;tica, o c&#237;rculo grande -  deixar a prepara&#231;&#227;o pra prova substituir a miss&#227;o inteira da escola.</p><p>Um estudo citado no livro, comparando diretores de escola que superaram expectativa em prova padronizada, mostra um padr&#227;o curioso: esses diretores n&#227;o acreditavam mais no teste do que os pares menos bem-sucedidos. S&#243; entendiam o valor instrumental dele - bom desempenho compra autonomia pol&#237;tica e institucional - sem deixar que virasse o n&#250;cleo da identidade da escola. J&#225; escola de baixo desempenho tendia a definir sucesso do aluno quase s&#243; em termos de nota, mesmo controlando por perfil socioecon&#244;mico do corpo discente.</p><p><strong>Comportamento antes de cren&#231;a</strong></p><p>Um dos cap&#237;tulos mais aplic&#225;veis a qualquer processo de mudan&#231;a organizacional - dentro ou fora da educa&#231;&#227;o, sinceramente - discute quando focar em mudar comportamento e quando focar em mudar convic&#231;&#227;o. A tese &#233; que tentar convencer algu&#233;m a acreditar em algo antes de agir raramente funciona com quem j&#225; resiste &#224; mudan&#231;a. Mas conseguir que a pessoa simplesmente pratique o novo comportamento, mesmo sem estar convencida, com frequ&#234;ncia produz um resultado que muda a convic&#231;&#227;o depois. N&#227;o antes.</p><p>O exemplo mais aplic&#225;vel: professor relutante em ligar pra pai de aluno raramente muda de ideia por argumento l&#243;gico sobre o benef&#237;cio da comunica&#231;&#227;o. Mas, ao receber um roteiro pronto de como conduzir essas liga&#231;&#245;es e ser levado a experimentar, a maioria descobre na pr&#225;tica - n&#227;o na teoria - que funciona. E passa a repetir o comportamento por interesse pr&#243;prio, n&#227;o por convic&#231;&#227;o pedag&#243;gica.</p><p><strong>Lealdade: a quem, exatamente</strong></p><p>Todo diretor espera lealdade da equipe, inclusive o menos eficaz. A diferen&#231;a &#233; a quem essa lealdade &#233; dirigida. Diretor eficaz, segundo Whitaker, exige lealdade ao aluno - o que, na pr&#225;tica, quer dizer que decis&#227;o deve ser tomada pensando no que &#233; melhor pro conjunto dos estudantes, n&#227;o no que protege a autoimagem do pr&#243;prio diretor ou evita conflito no curto prazo.</p><p><strong>A decis&#227;o baseada nos melhores</strong></p><p>O cap&#237;tulo 14, um dos mais citados fora do meio acad&#234;mico, prop&#245;e algo meio contraintuitivo: ao tomar decis&#227;o dif&#237;cil, a tend&#234;ncia natural &#233; &#8220;ensinar pro meio&#8221; - calibrar regra e pol&#237;tica pensando no professor mediano, ou at&#233; no mais fraco, pra conter comportamento problem&#225;tico. Whitaker defende o oposto. Toda decis&#227;o deveria ser calibrada pensando em como ela afeta os melhores professores da equipe, porque s&#227;o eles que sustentam o resultado da escola, e s&#227;o os que mais r&#225;pido saem - pra outra escola ou pra outra profiss&#227;o - quando se sentem tratados como se fossem parte do problema.</p><p>Isso conecta direto com o cap&#237;tulo seguinte, sobre perguntar sempre &#8220;quem fica mais confort&#225;vel e quem fica mais desconfort&#225;vel com essa decis&#227;o?&#8221; - usado, por exemplo, pra criticar o h&#225;bito comum de mandar bilhete gen&#233;rico pra todos os pais por causa do comportamento de poucos, ou uma regra de sala que pune a turma inteira pelo comportamento de alguns. Nos dois casos, quem paga a conta emocional &#233; sempre quem j&#225; fazia a coisa certa.</p><p><strong>Entendendo os &#8220;high achievers&#8221;</strong></p><p>O cap&#237;tulo seguinte fecha esse bloco com um tema que manual de gest&#227;o escolar raramente trata com essa profundidade: como liderar, especificamente, os professores de alt&#237;ssima performance. Esse grupo precisa de autonomia e reconhecimento - n&#227;o de mais regra (que eles j&#225; seguiriam de qualquer jeito) nem de mais cr&#237;tica (eles j&#225; se cobram mais do que qualquer avaliador externo consegue). O erro mais comum de lideran&#231;a, pra Whitaker, &#233; sobrecarregar os melhores professores com tarefa extra &#8220;porque eles d&#227;o conta&#8221;, at&#233; chegar na exaust&#227;o. Um padr&#227;o que, segundo ele, costuma preceder boa parte dos pedidos de desligamento dos profissionais mais dif&#237;ceis de substituir.</p><p>Em qualquer rede que dependa de poucos professores-&#226;ncora por unidade - que &#233; a realidade da maioria das escolas, dado como desempenho docente se distribui -, a sa&#237;da desses profissionais &#233; um risco operacional concentrado que quase nunca &#233; monitorado como tal. O livro sugere um proxy simples: perguntar, na integra&#231;&#227;o p&#243;s-aquisi&#231;&#227;o, quem s&#227;o os professores que a lideran&#231;a da escola comprada chama de insubstitu&#237;veis, e se a pol&#237;tica de reten&#231;&#227;o da rede foi pensada especificamente pra eles - ou s&#243; pensada em reten&#231;&#227;o agregada, no atacado.</p><p></p><p>Na terceira e &#250;ltima parte desta s&#233;rie fechamos com os cap&#237;tulos 17 a 21. Como Whitaker define o objetivo final de um diretor (&#8221;tornar legal se importar&#8221;), a import&#226;ncia de reparar rela&#231;&#227;o mesmo quando n&#227;o seria estritamente necess&#225;rio, como lidar com funcion&#225;rio negativo sem cair na estrat&#233;gia mais comum e menos eficaz -  evitar - , e a tese que amarra o livro inteiro: lideran&#231;a n&#227;o &#233; evento, &#233; repeti&#231;&#227;o.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Quase nenhum modela a vari&#225;vel que mais explica por que duas unidades da mesma bandeira, com o mesmo curr&#237;culo e o mesmo cheque de investimento, performam de forma completamente diferente: o diretor.</p><p>&#201; essa a tese de <em>What Great Principals Do Differently: Twenty Things That Matter Most</em>, j&#225; na terceira edi&#231;&#227;o, de Todd Whitaker &#8212; professor da Universidade de Missouri, ex-diretor de escola e um dos nomes mais lidos nos EUA sobre lideran&#231;a educacional. N&#227;o &#233; um manual de gest&#227;o financeira nem operacional. &#201; um livro curto, de leitura r&#225;pida, sobre comportamento de lideran&#231;a, constru&#237;do em cima de estudos comparativos que o pr&#243;prio Whitaker conduziu ao longo da carreira &#8212; sempre contrastando escolas com diretores mais e menos eficazes.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>&#192; primeira vista o livro n&#227;o tem nada a ver com o assunto deste Substack. &#201; americano, tom motivacional, sem uma linha sobre finan&#231;as ou gest&#227;o empresarial. Mas ele descreve &#8212; com uma precis&#227;o que a maioria dos livros de gest&#227;o n&#227;o tem &#8212; o mecanismo por tr&#225;s de algo que todo operador de rede sabe na pr&#225;tica e quase ningu&#233;m sabe quantificar: por que trocar um diretor muda o resultado de uma unidade em um ano, e por que comprar uma escola mantendo a lideran&#231;a anterior sem nenhuma dilig&#234;ncia espec&#237;fica sobre ela &#233; um risco de integra&#231;&#227;o que raramente aparece em comit&#234; de investimento.</p><p>Esta &#233; a primeira de tr&#234;s resenhas, cobrindo os vinte pontos que, para Whitaker, separam diretores de resultado excepcional do resto. Hoje, os sete primeiros: pessoas, autopercep&#231;&#227;o, e como se constr&#243;i cultura de sala de aula.</p><p><strong><mark data-color="#c9daf8" style="background-color: rgb(201, 218, 248); color: rgb(0, 0, 0);"><span data-color="#171438" style="color: rgb(23, 20, 56);">Gente, n&#227;o programa</span></mark></strong></p><p>O ponto de partida do livro j&#225; &#233; uma provoca&#231;&#227;o para qualquer setor que vive de vender solu&#231;&#227;o. Segundo Whitaker, praticamente nenhuma inova&#231;&#227;o pedag&#243;gica &#8212; sala aberta, disciplina assertiva, f&#244;nica versus l&#237;ngua integral, 1:1 &#8212; &#233;, sozinha, solu&#231;&#227;o ou problema. Ele conta ter visto a mesma metodologia funcionar muito bem nas m&#227;os de um professor e fracassar, feio, na sala ao lado, com outro professor. <strong>A conclus&#227;o dele &#233; direta: s&#243; existem duas formas de melhorar uma escola de verdade &#8212; contratar professor melhor ou desenvolver o que j&#225; est&#225; l&#225;. Programa at&#233; ajuda. Mas nunca substitui.</strong></p><p>Vale como advert&#234;ncia para qualquer tese de investimento montada em cima de metodologia propriet&#225;ria, plataforma de IA ou &#8220;modelo pedag&#243;gico&#8221; como driver principal de valor. Tecnologia escala processo. Sozinha, n&#227;o escala qualidade docente. Rede que compra escola apostando que padroniza&#231;&#227;o curricular vai nivelar a qualidade entre unidades tende a subestimar o quanto essa qualidade ainda depende da lideran&#231;a local &#8212; e da capacidade dela de desenvolver, ou substituir, seu quadro.</p><p><strong><mark data-color="#c9daf8" style="background-color: rgb(201, 218, 248); color: rgb(0, 0, 0);"><span data-color="#171438" style="color: rgb(23, 20, 56);">Autoconhecimento como habilidade, n&#227;o tra&#231;o de personalidade</span></mark></strong></p><p>Whitaker cita pesquisas em que professores avaliam a efic&#225;cia do diretor e o diretor se autoavalia. O padr&#227;o se repete: diretor eficaz tem uma percep&#231;&#227;o de si que bate com a percep&#231;&#227;o da equipe. Diretor menos eficaz se avalia t&#227;o bem quanto o primeiro grupo &#8212; s&#243; que a discrep&#226;ncia com a vis&#227;o de quem trabalha com ele &#233; grande. Confian&#231;a em si mesmo n&#227;o &#233; sinal de compet&#234;ncia. Alinhamento entre o que voc&#234; acha que &#233; e o que os outros veem, esse sim.</p><p>O autor sugere formas baratas de calibrar essa percep&#231;&#227;o: circular fisicamente pela escola em vez de esperar o problema bater na porta do gabinete (ele chama isso de ser &#8220;o carrinho de sorvete&#8221; da escola, n&#227;o o escrit&#243;rio fixo) e perguntar sistematicamente aos melhores professores o que est&#225; funcionando &#8212; porque, segundo ele, s&#227;o eles que d&#227;o feedback de verdade construtivo, n&#227;o queixa nem bajula&#231;&#227;o.</p><p><strong><mark data-color="#c9daf8" style="background-color: rgb(201, 218, 248); color: rgb(0, 0, 0);">Quem &#233; a vari&#225;vel</mark></strong></p><p>Um dos cap&#237;tulos mais citados do livro parte de uma pergunta simples: qual &#233; a vari&#225;vel real dentro de uma sala de aula? N&#227;o s&#227;o os alunos. Professores da mesma escola, quando perguntados, conseguem prever com uma precis&#227;o meio inc&#244;moda quais colegas v&#227;o gerar mais encaminhamento disciplinar no ano seguinte &#8212; antes mesmo de conhecer as turmas. A vari&#225;vel &#233; o professor. E, pela mesma l&#243;gica, a vari&#225;vel de uma escola n&#227;o &#233; corte de or&#231;amento, perfil socioecon&#244;mico da comunidade ou decis&#227;o de conselho. &#201; o diretor.</p><p>Whitaker cita um estudo com 163 escolas de fundamental II, comparando diretores acima e abaixo da m&#233;dia. A diferen&#231;a n&#227;o estava em recurso dispon&#237;vel, mas em quem os diretores achavam respons&#225;vel pelo clima e pelos resultados da escola. O eficaz respondia &#8220;eu sou respons&#225;vel&#8221;. O menos eficaz respondia &#8220;os professores s&#227;o&#8221; ou &#8220;todos somos&#8221; &#8212; uma dilui&#231;&#227;o de responsabilidade que, na pr&#225;tica, funciona como abdica&#231;&#227;o.</p><p>Ponto sens&#237;vel para p&#243;s-M&amp;A. Quando uma rede compra uma escola e o resultado cai, &#233; tentador culpar o contexto: mudan&#231;a de gest&#227;o financeira, reajuste de mensalidade, resist&#234;ncia cultural local. O diagn&#243;stico de Whitaker manda olhar primeiro para a lideran&#231;a da unidade &#8212; ela est&#225; assumindo o resultado ou terceirizando a explica&#231;&#227;o, ainda que discretamente, para fora do seu controle?</p><p><strong><mark data-color="#c9daf8" style="background-color: rgb(201, 218, 248); color: rgb(0, 0, 0);">Respeito, todos os dias, o tempo todo</mark></strong></p><p>Whitaker dedica um cap&#237;tulo a algo que soa &#243;bvio mas ele trata como o tra&#231;o mais dif&#237;cil de sustentar: tratar todo mundo com respeito n&#227;o na maior parte do tempo, mas sempre. O argumento &#233; comportamental &#8212; um &#250;nico deslize, um coment&#225;rio sarc&#225;stico, uma humilha&#231;&#227;o p&#250;blica, fica gravado indefinidamente na mem&#243;ria de quem sofreu e de quem assistiu, n&#227;o importa quantos meses de tratamento exemplar vieram antes ou depois. </p><div class="callout-block" data-callout="true"><p>A reputa&#231;&#227;o de um l&#237;der n&#227;o &#233; a m&#233;dia das intera&#231;&#245;es. &#201; definida pelo pior momento que algu&#233;m presenciou.</p></div><p>Por isso ele insiste tanto no elogio genu&#237;no como ferramenta &#8212; n&#227;o gentileza vazia, pr&#225;tica deliberada, desde que seja verdadeira. E desmonta, uma a uma, as desculpas mais comuns que diretor d&#225; pra n&#227;o elogiar mais (&#8221;se eu elogiar, a pessoa relaxa&#8221;, &#8220;n&#227;o tenho tempo&#8221;): pra ele, s&#227;o s&#243; formas de evitar um investimento barato e de retorno alto em clima organizacional.</p><p><strong><mark data-color="#c9daf8" style="background-color: rgb(201, 218, 248); color: rgb(0, 0, 0);">O diretor como filtro</mark></strong></p><p>Um dos conceitos mais &#250;teis do livro pra quem pensa em cultura de rede multiunidade &#233; o do diretor como filtro. O humor, o tom, a informa&#231;&#227;o que um l&#237;der escolhe compartilhar &#8212; ou segurar &#8212; se propaga pela organiza&#231;&#227;o de um jeito desproporcional. Diretor mal-humorado que n&#227;o filtra isso contamina o clima da escola inteira. Diretor eficaz absorve o atrito do dia a dia e devolve pra equipe uma vers&#227;o filtrada, funcional, do que realmente importa.</p><p>O exemplo mais did&#225;tico do livro &#233; o de um palestrante que avisa a uma plateia de diretores que existe &#8220;legisla&#231;&#227;o ruim tramitando&#8221;, sem dar nenhum detalhe, e drena a energia da sala inteira com uma frase vaga &#8212; sem mentir, s&#243; filtrando mal. O mesmo mecanismo, segundo Whitaker, opera todo dia na escola: como o diretor narra uma reuni&#227;o dif&#237;cil na secretaria, uma queixa de pai, um corte de or&#231;amento, decide se a equipe absorve aquilo como ansiedade generalizada ou como foco produtivo.</p><p><strong><mark data-color="#c9daf8" style="background-color: rgb(201, 218, 248); color: rgb(0, 0, 0);">Ensinar, n&#227;o s&#243; mandar</mark></strong></p><p>A maioria dos professores j&#225; faz o melhor que sabe fazer, argumenta Whitaker &#8212; inclusive em gest&#227;o de sala, porque nenhum professor escolhe, de prop&#243;sito, lidar com turma indisciplinada. Se um professor n&#227;o melhora, geralmente n&#227;o &#233; falta de vontade. &#201; falta de repert&#243;rio. Cobrar resultado (&#8221;aumentem as notas!&#8221;) sem ensinar o caminho &#233;, na met&#225;fora dele, como t&#233;cnico gritando &#8220;corram mais r&#225;pido&#8221; pra atleta sem nunca ter ensinado t&#233;cnica de corrida.</p><p>A ferramenta mais recomendada &#233; simples e praticamente de gra&#231;a: colocar professor na sala do outro. Ele conta o caso de um professor mediano que, depois de observar por acaso a rotina de uma colega de alt&#237;ssima performance durante um treinamento paralelo, mudou o comportamento em sala sozinho &#8212; sem o diretor dizer uma palavra. A recomenda&#231;&#227;o pr&#225;tica &#233; come&#231;ar pelo ponto de menor resist&#234;ncia: professor novo e melhor professor, que costumam topar primeiro esse tipo de troca.</p><p><strong><mark data-color="#c9daf8" style="background-color: rgb(201, 218, 248); color: rgb(0, 0, 0);">Contratar bem: a alavanca mais r&#225;pida</mark></strong></p><p>O oitavo cap&#237;tulo &#233; sobre contrata&#231;&#227;o, e a tese &#233; meio contraintuitiva pra quem valoriza &#8220;encaixe cultural&#8221; acima de tudo: o objetivo n&#227;o &#233; achar um professor que se adapte &#224; escola, &#233; achar um professor bom o suficiente pra escola se adaptar a ele. Contratar por talento &#8212; definido de forma ampla: amor pelo aluno, intelig&#234;ncia, atitude, &#233;tica de trabalho, carisma &#8212; em vez de priorizar o que &#233; f&#225;cil de medir mas fracamente correlacionado com desempenho real, tipo tempo de experi&#234;ncia ou titula&#231;&#227;o.</p><p>Pra rede em expans&#227;o via aquisi&#231;&#227;o, a leitura &#233; direta: dilig&#234;ncia sobre corpo docente costuma virar item de compliance &#8212; forma&#231;&#227;o, certifica&#231;&#227;o, hist&#243;rico. Mas o preditor mais forte de continuidade de resultado &#233; uma coisa que n&#227;o cabe em planilha: a qualidade subjetiva dos professores mais fortes de cada unidade, e se a lideran&#231;a local consegue proteger e reter esse pessoal depois da transa&#231;&#227;o.</p><div><hr></div><p>Na pr&#243;xima edi&#231;&#227;o seguimos com os cap&#237;tulos 9 a 16: recrutamento e reten&#231;&#227;o de talento docente num cen&#225;rio de escassez de professor, din&#226;mica de mudan&#231;a organizacional (e por que &#8220;mudar a cultura leva 5 anos&#8221; costuma ser desculpa, n&#227;o diagn&#243;stico), avalia&#231;&#227;o padronizada pela &#243;tica do diretor, e o princ&#237;pio &#8212; talvez o mais operacional do livro inteiro &#8212; de basear toda decis&#227;o nos melhores professores da equipe.</p><p></p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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A companhia desembolsar&#225; R$ 410 milh&#245;es e assumir&#225; uma d&#237;vida l&#237;quida de R$ 150 milh&#245;es, elevando o valor impl&#237;cito da opera&#231;&#227;o a cerca de R$ 560 milh&#245;es &#8212; um m&#250;ltiplo de 10,5x EV/Ebitda da FMU, segundo o fato relevante.</p><p>O mercado reagiu com a maior queda intradi&#225;ria da a&#231;&#227;o desde o IPO da companhia, em 2013: mais de 32% num &#250;nico preg&#227;o. Analistas destacaram que o m&#250;ltiplo pago &#233; mais de tr&#234;s vezes superior ao qual a pr&#243;pria &#194;nima negocia em bolsa (cerca de 3,3x Ebitda). O BTG Pactual cortou a recomenda&#231;&#227;o de compra para neutra, com pre&#231;o-alvo revisado de R$ 7 para R$ 4; o Goldman Sachs, por outro lado, viu m&#233;rito estrat&#233;gico na aquisi&#231;&#227;o &#8212; a FMU tem nota m&#225;xima (5) na avalia&#231;&#227;o do MEC &#8212;, ainda que tamb&#233;m tenha refor&#231;ado a aten&#231;&#227;o do mercado para a estrat&#233;gia de aloca&#231;&#227;o de capital da companhia daqui para frente. No mesmo dia, fundadores do bloco de controle, comunicaram aumento de participa&#231;&#227;o individual na companhia, elevando a posi&#231;&#227;o do bloco a cerca de 37% das a&#231;&#245;es ordin&#225;rias.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Se &#233; um ativo valioso ou se foi ou n&#227;o bem comprado do ponto de vista de aloca&#231;&#227;o de capital, apenas o tempo dir&#225;.</p><p>O epis&#243;dio &#233; um lembrete de quanto o mercado pesa, hoje, a disciplina de aloca&#231;&#227;o de capital ao precificar uma aquisi&#231;&#227;o.</p><p>Poucos temas t&#234;m tanto peso na cria&#231;&#227;o (ou destrui&#231;&#227;o) de valor de uma empresa no longo prazo quanto a forma como seus executivos decidem alocar o capital gerado pelo neg&#243;cio. E n&#227;o existe livro melhor para organizar o racioc&#237;nio sobre esse tema do que <strong>&#8220;The Outsiders&#8221; (Os Outsiders)</strong>, de William N. Thorndike Jr.</p><p>&#201; um livro que costumamos presentear os gestores das companhias em que investimos. N&#227;o por acaso: entendemos que a aloca&#231;&#227;o de capital &#8212; mais do que crescimento de receita, margem ou execu&#231;&#227;o operacional isolada &#8212; &#233; o item que mais gera cria&#231;&#227;o de valor para o investidor no longo prazo. <em>(Falamos mais sobre gera&#231;&#227;o de valor de empresas no longo prazo em nosso Substack da <a href="/__u/mintequities.substack.com/">Mint Equities</a>.)</em> <br>Um CEO pode ser excelente operador e, ainda assim, destruir valor de forma sistem&#225;tica se tomar as decis&#245;es erradas sobre onde colocar cada real que a empresa gera.</p><p>Thorndike estudou oito CEOs de empresas t&#227;o diferentes quanto General Cinema, Ralston Purina, The Washington Post Company, Berkshire Hathaway, General Dynamics, Capital Cities Broadcasting, TCI e Teledyne. Juntos, eles entregaram um retorno m&#233;dio 20 vezes superior ao do S&amp;P 500 ao longo de suas gest&#245;es: US$ 10 mil investidos com cada um desses CEOs, em m&#233;dia, valeriam mais de US$ 1,5 milh&#227;o 25 anos depois. Henry Singleton, da Teledyne, &#233; talvez o exemplo mais extremo do livro: um d&#243;lar investido em 1963 valia mais de US$ 180 em 1990 &#8212; retorno composto de 20,4% ao ano, contra 8% ao ano do S&amp;P 500 no mesmo per&#237;odo. Tom Murphy, da Capital Cities Broadcasting, &#233; outro caso emblem&#225;tico: construiu um processo de or&#231;amento anual linha a linha com seus gestores, mas deixava as unidades de neg&#243;cio praticamente livres no dia a dia &#8212; a combina&#231;&#227;o de descentraliza&#231;&#227;o operacional extrema com centraliza&#231;&#227;o total da decis&#227;o de capital &#233;, para Thorndike, a marca registrada dos outsiders.</p><p>O argumento central do livro &#233; simples de enunciar e dif&#237;cil de praticar: <strong>a principal tarefa de um CEO n&#227;o &#233; operar a empresa &#8212; &#233; alocar o capital que ela gera.</strong> Toda empresa tem, na pr&#225;tica, cinco formas de usar seu caixa: reinvestir na opera&#231;&#227;o existente, adquirir outras empresas, pagar dividendos, pagar d&#237;vida ou recomprar a&#231;&#245;es. E tr&#234;s formas de captar capital: usar o fluxo de caixa interno, emitir d&#237;vida ou emitir a&#231;&#245;es. A combina&#231;&#227;o dessas escolhas, feita de forma racional e recorrente ao longo de anos, &#233; o que separa empresas que comp&#245;em valor por d&#233;cadas daquelas que apenas crescem em receita sem crescer em valor por a&#231;&#227;o.</p><p>Os CEOs &#8220;outsiders&#8221; tinham um punhado de tra&#231;os em comum que vale destacar:</p><p>&#9989; Tratavam-se como investidores, n&#227;o como gestores &#8212; centralizavam a decis&#227;o de aloca&#231;&#227;o de capital e descentralizavam agressivamente a opera&#231;&#227;o.</p><p>&#9989; Mediam o pr&#243;prio sucesso pelo valor por a&#231;&#227;o no longo prazo, n&#227;o pelo tamanho da empresa, pelo crescimento de receita ou pelo lucro cont&#225;bil trimestral.</p><p>&#9989; Priorizavam gera&#231;&#227;o de caixa sobre lucro reportado &#8212; o caixa &#233; o que efetivamente pode ser realocado; o lucro cont&#225;bil, muitas vezes, n&#227;o.</p><p>&#9989; Recompravam as pr&#243;prias a&#231;&#245;es de forma agressiva quando estavam baratas, e evitavam captar capital (d&#237;vida ou equity) quando ele estava caro.</p><p>&#9989; Tinham paci&#234;ncia para esperar anos pela oportunidade certa, em vez de usar o caixa dispon&#237;vel em aquisi&#231;&#245;es med&#237;ocres s&#243; porque era isso que os pares estavam fazendo.</p><p>&#9989; Praticamente n&#227;o faziam rela&#231;&#245;es com investidores &#8212; a aten&#231;&#227;o estava nos n&#250;meros, n&#227;o na narrativa.</p><p><strong>O setor de educa&#231;&#227;o brasileiro &#233;, hoje, um bom laborat&#243;rio para observar essas escolhas em tempo real.</strong> Nos &#250;ltimos meses, os grandes grupos listados adotaram caminhos bem diferentes: a Yduqs encerrou em junho um programa de recompra de a&#231;&#245;es ap&#243;s investir R$ 100 milh&#245;es, tratando o pr&#243;prio papel como a melhor alternativa de aloca&#231;&#227;o dispon&#237;vel; a Cogna, por sua vez, combinou um aumento de capital de R$ 626,9 milh&#245;es via bonifica&#231;&#227;o de a&#231;&#245;es com distribui&#231;&#227;o de dividendos e o encerramento de um programa de recompra que chegou a quase 25 milh&#245;es de a&#231;&#245;es; e o setor como um todo tem distribu&#237;do dividendos de forma recorrente a cada resultado trimestral. S&#227;o escolhas distintas &#8212; recomprar, distribuir, refor&#231;ar capital &#8212; e cada uma comunica algo diferente sobre como a administra&#231;&#227;o enxerga o retorno esperado de cada alternativa frente ao custo de capital do neg&#243;cio.</p><p><strong>Por que isso importa tamb&#233;m para quem l&#234; um blog de educa&#231;&#227;o, e n&#227;o s&#243; de finan&#231;as:</strong> institui&#231;&#245;es de ensino s&#227;o, antes de tudo, neg&#243;cios que precisam decidir constantemente onde investir o capital gerado &#8212; abrir um novo campus ou investir no atual; comprar uma faculdade concorrente ou desenvolver organicamente um novo curso; investir em tecnologia e IA na sala de aula ou refor&#231;ar o corpo docente; pagar dividendos ou reter caixa para uma aquisi&#231;&#227;o futura. Uma institui&#231;&#227;o de ensino forte, no sentido financeiro do termo, n&#227;o &#233; apenas a que tem boa nota no MEC ou alta demanda de alunos &#8212; &#233; tamb&#233;m a que aloca capital de forma disciplinada entre essas alternativas, com o mesmo rigor anal&#237;tico que os outsiders de Thorndike aplicavam a conglomerados industriais e redes de televis&#227;o.<br><br></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Duas delas da Bioma Educa&#231;&#227;o.</em></p><p><strong>Col&#233;gio Apoio (Recife): rob&#243;tica, yoga e 94% de aprova&#231;&#227;o no vestibular</strong></p><p>A Exame perfilou o Col&#233;gio Apoio, escola pernambucana de 42 anos que combina metodologias ativas, rob&#243;tica interdisciplinar e suporte socioemocional para sustentar resultados de aprova&#231;&#227;o acima da m&#233;dia.<br><strong>Fonte:</strong> Exame &#8212; <a href="https://exame.com/carreira/como-o-colegio-apoio-uniu-robotica-yoga-para-atingir-94-de-aprovacao-no-vestibular/">Como o Col&#233;gio Apoio uniu rob&#243;tica e yoga para atingir 94% de aprova&#231;&#227;o no vestibular</a></p><p>A primeira turma formada sob o novo modelo pedag&#243;gico da escola atingiu 94% de aprova&#231;&#227;o em vestibulares, incluindo vagas na USP e na UFPE. O modelo combina mentoria semanal e aulas de yoga e respira&#231;&#227;o para a terceira s&#233;rie, al&#233;m de um projeto de empreendedorismo em parceria com a UFPE, no qual os alunos desenvolvem produtos reais e os vendem em eventos p&#250;blicos. Na rob&#243;tica, a escola ficou em terceiro lugar nacional na Olimp&#237;ada Brasileira de Rob&#243;tica, categoria art&#237;stica, ao unir automa&#231;&#227;o com artes visuais e teatro.</p><p>O Apoio &#233; um exemplo de bandeira regional com resultado acad&#234;mico comprov&#225;vel e marca pedag&#243;gica diferenciada fora do eixo Rio-S&#227;o Paulo.</p><p><strong>Escola da Vila: Projeto de vida sem voca&#231;&#227;o pronta</strong></p><p>A Exame entrevistou a dire&#231;&#227;o da Escola da Vila (SP), uma das bandeiras da Bioma Educa&#231;&#227;o, sobre os 45 anos da institui&#231;&#227;o e sua resposta pedag&#243;gica &#224; complexidade do mundo atual.<br><strong>Fonte:</strong> Exame &#8212; <a href="https://exame.com/carreira/como-essa-escola-de-45-anos-se-reinventa-para-formar-lideres-em-um-mundo-sem-respostas-prontas/">Formar l&#237;deres antirracistas: a estrat&#233;gia social para os alunos desta escola de 45 anos</a></p><p>A escola estrutura sua proposta em quatro eixos &#8212; gosto por aprender, solidariedade ativa, rigor investigativo e di&#225;logo entre digital e anal&#243;gico &#8212; e rejeita o conceito de &#8220;voca&#231;&#227;o nativa&#8221; no programa de orienta&#231;&#227;o de carreira, preferindo trabalhar escolha orientada por crit&#233;rios conscientes. Em 2025, formalizou um protocolo interno de escuta, acolhimento e consequ&#234;ncia para casos de racismo, e revisou o curr&#237;culo de Hist&#243;ria, Artes e L&#237;ngua Inglesa para incorporar perspectivas p&#243;s-coloniais &#8212; incluindo debates estruturados no modelo Lincoln-Douglas para treinar a escuta do contradit&#243;rio em tempos de polariza&#231;&#227;o.<br></p><div><hr></div><h3><br>&#127758; Internacional &#8212; M&amp;A</h3><p><strong>Inspired Education compra primeiras escolas privadas em Cayman e marca entrada do capital for-profit no Caribe</strong></p><p>O grupo brit&#226;nico Inspired Education, apoiado por private equity, adquiriu a Island Primary e a Island Montessori, em Cayman. A opera&#231;&#227;o foi anunciada aos pais em carta no in&#237;cio de junho, seguida de uma reuni&#227;o p&#250;blica em 9 de junho para explicar a transa&#231;&#227;o.<br><strong>Fonte:</strong> Cayman Compass &#8212; <a href="https://www.caymancompass.com/2026/06/16/private-equity-backed-international-group-buys-cayman-schools/">Private equity-backed international group buys Cayman schools</a></p><p>&#201; a primeira vez que escolas privadas em Cayman s&#227;o compradas por um grupo internacional &#8212; a &#250;nica outra escola internacional da ilha, a Cayman International School, &#233; mantida por uma entidade sem fins lucrativos. A rea&#231;&#227;o dos pais foi mista, com parte deles questionando o impacto do modelo for-profit sobre a proposta pedag&#243;gica. A fundadora da Island Montessori tentou tranquilizar as fam&#237;lias garantindo que a lideran&#231;a e o corpo docente seriam mantidos. A Inspired &#233; apoiada por um cons&#243;rcio que inclui Stonepeak, o fundo soberano de Singapura GIC, a Warburg Pincus e family offices como Oppenheimer e Mansour, e reportou receita superior a 1 bilh&#227;o de euros no ano fiscal encerrado em agosto de 2025.</p><p>O caso ilustra como a tese de consolida&#231;&#227;o de escolas premium j&#225; n&#227;o se limita aos mercados tradicionais (Reino Unido, Oriente M&#233;dio, Am&#233;rica Latina) e est&#225; penetrando em geografias menores e mais insulares, onde a oferta educacional historicamente dependia de funda&#231;&#245;es locais. Para quem acompanha a Inspired no Brasil &#8212; onde o grupo j&#225; comprou as opera&#231;&#245;es premium da Eleva Global Schools, incluindo marcas como Guril&#226;ndia e Batutinhas &#8212;, o movimento em Cayman refor&#231;a o apetite do grupo por capilaridade global via aquisi&#231;&#245;es pontuais, mesmo em mercados pequenos, desde que a demanda por educa&#231;&#227;o internacional de elite esteja presente.</p><div><hr></div><h3>Brasil &#8212; Pol&#237;tica educacional</h3><p><strong>Todos pela Educa&#231;&#227;o inaugura s&#233;rie sobre a &#8220;agenda educacional&#8221; do ano eleitoral</strong></p><p>Em artigo de opini&#227;o, Priscila Cruz e Olavo Nogueira Filho, do Todos pela Educa&#231;&#227;o, abriram uma s&#233;rie de cinco textos no Poder360 sobre os desafios da educa&#231;&#227;o b&#225;sica brasileira &#224;s v&#233;speras das elei&#231;&#245;es de 2026.<br><strong>Fonte:</strong> Poder360 &#8212; <a href="https://www.poder360.com.br/opiniao/educacao-eleicoes-e-o-copo-que-esta-se-enchendo/">Educa&#231;&#227;o, elei&#231;&#245;es e o copo que est&#225; se enchendo</a></p><p>Os autores argumentam que a conclus&#227;o da educa&#231;&#227;o b&#225;sica at&#233; os 19 anos saltou de 54% em 2015 para 75% em 2025, e que o aprendizado adequado em portugu&#234;s no 5&#186; ano passou de 23% (2001) para 60% (2023). Ainda assim, destacam que o ritmo de melhoria perdeu for&#231;a na &#250;ltima d&#233;cada e que o Brasil teve 12 ministros da Educa&#231;&#227;o entre 2010 e 2022 &#8212; um a cada ano, em m&#233;dia. A s&#233;rie promete tratar, nos pr&#243;ximos meses, de pol&#237;ticas docentes, avalia&#231;&#227;o educacional, defasagem de aprendizagem, escola em tempo integral, uso de telas e mudan&#231;as clim&#225;ticas nas escolas, ancorada na nova edi&#231;&#227;o do documento de advocacy Educa&#231;&#227;o J&#225; Nacional.</p><p>Para investidores e operadores do setor, o texto funciona como term&#244;metro da pauta que deve dominar o debate p&#250;blico em ano eleitoral &#8212; e, por extens&#227;o, o tipo de pol&#237;tica (financiamento, avalia&#231;&#227;o, tempo integral) que poder&#225; afetar tanto a rede p&#250;blica quanto a articula&#231;&#227;o com redes privadas e consolidadoras. A men&#231;&#227;o ao novo PNE, rec&#233;m-aprovado, e ao Sistema Nacional de Educa&#231;&#227;o como conquistas recentes tamb&#233;m sinaliza que o arcabou&#231;o regulat&#243;rio de longo prazo est&#225; relativamente assentado &#8212; o que tende a dar mais previsibilidade para quem planeja investimentos plurianuais no setor.</p><div><hr></div><h3>Tecnologia &amp; IA</h3><p><strong>Estudo de Stanford refor&#231;a ceticismo sobre ado&#231;&#227;o de tutores de IA em sala de aula</strong></p><p>Um estudo da Universidade Stanford, divulgado em junho e reportado pelo K-12 Dive, mediu o uso real de tutores de IA em duas redes escolares americanas e encontrou n&#250;meros muito abaixo do recomendado para gerar ganhos de aprendizagem.<br><strong>Fonte:</strong> School Information System &#8212; <a href="https://www.schoolinfosystem.org/2026/06/27/ai-cant-fix-the-student-motivation-problem/">AI can&#8217;t fix the student-motivation problem</a></p><p>O acesso ao Khanmigo, tutor de IA da Khan Academy, saltou de 40 mil estudantes em 2023 para quase 1 milh&#227;o em 2026 &#8212; mas o uso recorrente n&#227;o acompanhou esse crescimento. No estudo de Stanford, o tempo m&#233;dio semanal de uso ficou entre 2 e 5 minutos por aluno, bem distante dos 30 minutos considerados necess&#225;rios para ganhos mensur&#225;veis em leitura, e apenas pouco mais da metade dos estudantes sequer abriu a ferramenta nos hor&#225;rios reservados para isso. A pr&#243;pria Khan Academy j&#225; havia reconhecido, em divulga&#231;&#227;o anterior, que s&#243; 15% dos alunos com acesso ao Khanmigo o utilizam de forma consistente, e est&#225; lan&#231;ando neste ver&#227;o americano um redesenho que ativa a IA automaticamente durante as atividades, em vez de depender da iniciativa do aluno.</p><p>O dado desafia a narrativa predominante entre investidores de edtech de que personaliza&#231;&#227;o via IA resolveria, por si s&#243;, o problema da aprendizagem individualizada. A lacuna entre acesso e uso refor&#231;a que a barreira n&#227;o &#233; tecnol&#243;gica, mas de engajamento e integra&#231;&#227;o pedag&#243;gica &#8212; um ponto relevante para quem avalia teses de investimento em ferramentas de IA voltadas a alunos (em vez de ferramentas voltadas a professores, como MagicSchool e Brisk, que t&#234;m mostrado sinais de ado&#231;&#227;o mais consistentes por resolverem dores operacionais concretas do corpo docente).</p><div><hr></div><p><strong>Radar:</strong> o trimestre consolida duas tend&#234;ncias que devem se acelerar no segundo semestre &#8212; a internacionaliza&#231;&#227;o das teses de consolida&#231;&#227;o de escolas premium (agora chegando a mercados insulares como Cayman) e o amadurecimento do debate sobre IA na educa&#231;&#227;o, que sai do hype de 2023-2024 para uma fase de avalia&#231;&#227;o mais rigorosa de impacto real sobre aprendizagem.</p><div><hr></div><h3>Do Mint Education Notes</h3><p><strong>IA: Melhores ou Piores? Li&#231;&#245;es de Arist&#243;teles</strong></p><p>Publicamos uma reflex&#227;o sobre como a intelig&#234;ncia artificial pode tanto elevar quanto corroer compet&#234;ncias humanas &#8212; na medicina, na educa&#231;&#227;o e nos investimentos &#8212; partindo da not&#237;cia de que o Vaticano aceitou parceria com a Anthropic para discutir &#233;tica em IA.<br><strong>Leia:</strong> <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/ia-melhores-ou-piores-licoes-de-aristoteles">mintedu.substack.com &#8212; IA: Melhores ou Piores? Li&#231;&#245;es de Arist&#243;teles</a></p><p>O texto cruza um estudo sobre detec&#231;&#227;o de p&#243;lipos pr&#233;-cancer&#237;genos (a precis&#227;o de m&#233;dicos caiu quando a assist&#234;ncia de IA foi retirada) com dados sobre o Codio Coach na educa&#231;&#227;o (ganhos de aprendizagem mensur&#225;veis, mas risco de aprendizado superficial quando o feedback autom&#225;tico &#233; excessivo) e com evid&#234;ncias do uso de IA em investimentos. A conclus&#227;o se apoia em Arist&#243;teles e no conceito de <em>phronesis</em> &#8212; a sabedoria pr&#225;tica que nenhuma ferramenta consegue exercer sozinha &#8212; para defender que IA bem desenhada deve estimular a aten&#231;&#227;o humana, n&#227;o substitu&#237;-la.</p><p><strong>Alpha School: a escola das duas horas</strong></p><p>Escrevemos tamb&#233;m sobre a <strong>Alpha School</strong>, rede americana constru&#237;da em torno do modelo &#8220;2 Hour Learning&#8221;, apresentando com profundidade tanto a defesa quanto a cr&#237;tica ao modelo.<br><strong>Leia:</strong> <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/alpha-school-a-escola-das-duas-horas">mintedu.substack.com &#8212; Alpha School: a escola das duas horas</a></p><p>O texto detalha a estrutura societ&#225;ria por tr&#225;s da escola, o motor regulat&#243;rio da expans&#227;o (vouchers e ESAs, n&#227;o a tecnologia em si), as vozes favor&#225;veis e as investiga&#231;&#245;es cr&#237;ticas. Conclui que a Alpha &#233; prova de conceito pedag&#243;gico-tecnol&#243;gica &#8212; n&#227;o um modelo de neg&#243;cio diretamente transplant&#225;vel ao Brasil, onde n&#227;o existe um equivalente direto ao subs&#237;dio via ESA.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Tem um bilion&#225;rio discreto por tr&#225;s dela, uma fundadora que virou fen&#244;meno de podcast, mensalidades que v&#227;o de US$ 10 mil a US$ 75 mil ao ano, alunos entrando em Stanford e Vanderbilt, m&#227;es que tiraram os filhos chorando, e uma fila de jornalistas, sindicatos, secret&#225;rios de educa&#231;&#227;o e at&#233; a Casa Branca de olho. A Alpha School &#233;, ao mesmo tempo, a coisa mais empolgante e a mais inquietante que apareceu no K-12 nos &#250;ltimos anos.</p><p>Estou para escrever sobre a Alpha Schools h&#225; tempos. Mas demorei pois n&#227;o consegui chegar a uma conclus&#227;o a respeito. Resolvi, ent&#227;o, seguir sem uma conclus&#227;o. Este texto &#233; o inicio de um dialogo. Na Alpha, s&#227;o dois lados fanaticos. Os que criticam e os f&#227;s declarados.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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O cora&#231;&#227;o &#233; um modelo propriet&#225;rio chamado <strong>2 Hour Learning</strong>: a crian&#231;a faz todo o conte&#250;do acad&#234;mico - matem&#225;tica, leitura, ci&#234;ncias, hist&#243;ria -  em cerca de duas horas pela manh&#227;, num software adaptativo, e passa o resto do dia em oficinas de &#8220;habilidades de vida&#8221;: lideran&#231;a, empreendedorismo, orat&#243;ria, finan&#231;as, esporte, rob&#243;tica.</p><p>A pe&#231;a que mais chama a aten&#231;&#227;o: <strong>n&#227;o h&#225; professores (ao menos assim chamados)</strong>. No lugar deles, adultos chamados de &#8220;guias&#8221;, que n&#227;o precisam dominar a mat&#233;ria. O papel do guia &#233; motivar, dar suporte e tocar as oficinas -  o conte&#250;do fica com o software. Os guias come&#231;am recebendo, segundo a escola, US$ 100 mil por ano. A rede tem mais de uma dezena de unidades e diz estar a caminho de cinquenta campi, com expans&#227;o para Nova York, Miami, Fl&#243;rida, Arizona, Virg&#237;nia, Calif&#243;rnia e mais.</p><p>O slogan resume a promessa: <strong>&#8220;aprenda 2x em 2 horas&#8221;</strong>. A Alpha afirma que seus alunos aprendem o dobro mais r&#225;pido e ficam no top 1-2% nacional em testes padronizados; mais de 90% dizem amar a escola. Foi esse pacote -  IA, dados relevantes, crian&#231;as felizes, metade do dia livre -  que transformou a Alpha em assunto do <em>New York Times</em> &#224; Fox News.</p><h2>A origem: uma filha entediada</h2><p>A hist&#243;ria que a escola conta de si mesma come&#231;a com uma m&#227;e frustrada. MacKenzie Price, formada em psicologia por Stanford, &#233; a fundadora e a face p&#250;blica. A narrativa, repetida em dezenas de podcasts, &#233; sempre a mesma: ela colocou as filhas numa escola p&#250;blica bem avaliada de Austin e, no meio do segundo ano, a filha chegou em casa dizendo que n&#227;o queria mais ir porque &#8220;a escola &#233; muito chata&#8221;. Foi o estalo.</p><p>A leitura dela sobre a escola tradicional &#233; direta e ela a repete com prazer: o professor na frente da sala tentando ensinar muitas crian&#231;as em n&#237;veis completamente diferentes &#8220;simplesmente n&#227;o funciona&#8221;; &#233; um modelo de cem anos que treina obedi&#234;ncia. Numa entrevista, ela resumiu: deram aos professores &#8220;um balde furado e a ordem de esvaziar o oceano&#8221;.</p><p>Vale registrar o que os cr&#237;ticos sempre lembram aqui: Price tem bacharelado em psicologia, <strong>nunca foi professora</strong> e construiu sua audi&#234;ncia -  mais de um milh&#227;o de seguidores -  como criadora de conte&#250;do sobre educa&#231;&#227;o. Para os f&#227;s, isso &#233; justamente a vantagem: algu&#233;m de fora, sem os v&#237;cios do sistema, olhando o problema com olhos novos. Para os cr&#237;ticos, &#233; uma vendedora vendendo um produto. As duas leituras conviver&#227;o por toda esta mat&#233;ria.</p><h2>O s&#243;cio discreto e o capital de software</h2><p>Por tr&#225;s da Alpha, h&#225; capital e uma estrutura de software j&#225; existente, o que ajuda a explicar sua velocidade de expans&#227;o.<strong> Joe Liemandt</strong> largou Stanford e fundou nos anos 1990 a Trilogy Software. Montou depois a ESW Capital -  empresa que compra e opera dezenas de empresas de software. Por d&#233;cadas foi quase imposs&#237;vel achar uma foto dele. A liga&#231;&#227;o com a Price &#233; pessoal e antiga: o marido dela, Andrew Price, &#233; executivo da Trilogy, chegou a CFO l&#225;, e Liemandt foi padrinho do casamento do casal.</p><p>Puxando o fio societ&#225;rio, a proximidade &#233; anda maior. A empresa-m&#227;e das escolas, divulgada pela pr&#243;pria Alpha, &#233; a Legacy of Education Inc. -  registrada, at&#233; 2022, como subsidi&#225;ria da Trilogy. A Trilogy entrou com pedido de patente do &#8220;2 Hour Learning&#8221; e det&#233;m o software. E, desde a explos&#227;o da IA generativa em 2022, Liemandt tirou cerca de <strong>US$ 1 bilh&#227;o</strong> da Trilogy/ESW para incubar produtos dentro da Alpha, onde atuou nos bastidores como &#8220;cara de produto&#8221; e &#8220;principal&#8221;. Ele diz ter ali &#8220;o melhor produto que constru&#237; em quatro d&#233;cadas&#8221;: a plataforma <strong>TimeBack</strong>.</p><p>A ambi&#231;&#227;o da TimeBack ele resume numa frase: um <strong>&#8220;Shopify para escolas&#8221;</strong> -  empreendedores montando escolas em cima do motor da Alpha, como lojistas montam loja no Shopify. A Alpha f&#237;sica n&#227;o &#233; o produto; &#233; o laborat&#243;rio. O produto &#233; a plataforma, num mercado que ele dimensiona em <strong>US$ 7 trilh&#245;es</strong> globalmente, com a meta de chegar a um bilh&#227;o de crian&#231;as. Guardar isso &#233; essencial: a Alpha n&#227;o &#233; &#8220;mais uma escola cara&#8221; -  &#233; uma tentativa de aplicar l&#243;gica de software (margem alta, escala, P&amp;D central) a um setor de m&#227;o de obra intensiva.</p><h2>Por que a Alpha chama tanta aten&#231;&#227;o?</h2><p>Tr&#234;s coisas combinadas. A <strong>promessa num&#233;rica</strong>, que soa absurda de prop&#243;sito (duas horas contra sete; o dobro da velocidade). O <strong>timing</strong>, com a Alpha virando o caso-s&#237;mbolo da pergunta &#8220;IA pode substituir o professor?&#8221; no exato momento em que todo mundo se faz essa pergunta. E o &#226;ngulo <strong>regulat&#243;rio</strong>, que &#233; o mais subestimado, mas importante para quem pensa o neg&#243;cio.</p><h2>O motor da escala: voucher e n&#227;o IA.</h2><p>Esse ponto ficou claro num relato do investidor Nick Gray sobre um encontro com Liemandt em Austin. Gray fez a pergunta diretamente: por que a Alpha n&#227;o terminaria como a Success Academy, a rede de charters de Eva Moskowitz que, vinte anos atr&#225;s, tamb&#233;m ia &#8220;mudar a educa&#231;&#227;o&#8221; e hoje tem s&#243; 59 escolas, quase todas em Nova York?</p><p>A resposta de Liemandt foi que Moskowitz passou duas d&#233;cadas brigando <em>dentro</em> do sistema -  contra sindicatos, contra o departamento de educa&#231;&#227;o, contra tetos estaduais de charters, precisando de aprova&#231;&#227;o para cada escola. A Alpha n&#227;o briga: <strong>contorna</strong>. As ESAs (Education Savings Accounts) e os vouchers que se espalham pelos EUA permitem operar como empresa privada e pular toda a fric&#231;&#227;o. O Texas reservou um bilh&#227;o de d&#243;lares para seu programa; uma lei federal de cr&#233;dito fiscal para bolsas entra em vigor em 2027. Como Gray resumiu: quando o dinheiro segue a fam&#237;lia, e n&#227;o a institui&#231;&#227;o, voc&#234; n&#227;o precisa vencer o sistema -  s&#243; precisa construir algo que os pais queiram.</p><p>Esse &#233; o destravador. A escalabilidade da Alpha depende menos da IA e mais da convers&#227;o de verba p&#250;blica em poder de compra subsidiado. &#201; a parte mais importante da hist&#243;ria para investidor -  e, como veremos, tamb&#233;m a mais fr&#225;gil.</p><h2>Por que os f&#227;s adoram </h2><p>Os defensores n&#227;o s&#227;o ing&#234;nuos nem poucos. </p><p><strong>A ex-aluna que respondeu o NYT.</strong> Peyton Price (parente da fundadora) foi aluna fundadora da Alpha, do terceiro ano at&#233; se formar em 2024, e hoje estuda em Vanderbilt. Quando o <em>New York Times</em> publicou uma mat&#233;ria e a se&#231;&#227;o de coment&#225;rios encheu de ceticismo, ela respondeu ponto a ponto, num texto que viralizou. Os argumentos dela s&#227;o a melhor defesa que existe, porque v&#234;m de dentro:</p><ul><li><p>Sobre telas: s&#227;o duas horas de IA, n&#227;o o dia todo; o resto &#233; oficina, time e conv&#237;vio. E n&#227;o &#233; &#8220;ChatGPT ensinando&#8221; -  s&#227;o apps adaptativos criados por especialistas.</p></li><li><p>Sobre socializa&#231;&#227;o: ela diz ter se sentido <em>mais</em> conectada na Alpha do que na escola anterior, onde s&#243; o recreio e o almo&#231;o sobravam para conviver.</p></li><li><p>Sobre profundidade: a escola tradicional, na vis&#227;o dela, desperdi&#231;a tempo enorme; o modelo personalizado cobre o conte&#250;do mais r&#225;pido. Prova viva: dos doze formandos da turma dela, onze foram para a faculdade (o d&#233;cimo-segundo virou esquiador profissional), e ela n&#227;o se sentiu menos preparada que os colegas da tradicional universidade de Vanderbilt -  se algo, mais apta a tocar a pr&#243;pria educa&#231;&#227;o.</p></li></ul><p>Por que isso convence quem adora: porque &#233; exatamente o que os pais de Austin relatam. A pr&#243;pria fundadora gosta de contar o caso de um menino acordando &#224;s 6h por vontade pr&#243;pria para bater a meta e poder ir &#224; excurs&#227;o -  &#8220;esse n&#227;o &#233; um garoto que odeia escola&#8221;. Um pai de Austin, sobre os 30 dias de teste, disse algo que circula nos v&#237;deos da escola: ver num m&#234;s o tipo de crescimento que a escola tradicional leva um ano para entregar &#233; &#8220;de explodir a cabe&#231;a&#8221;.</p><p><strong>As hist&#243;rias das tardes.</strong> &#201; aqui que os f&#227;s ficam realmente animados, e h&#225; exemplos concretos circulando em v&#237;deo e no pr&#243;prio material da escola. Saeed, um aluno do ensino m&#233;dio, terminava os cursos avan&#231;ados pela manh&#227; e usava as tardes para produzir conte&#250;do audiovisual ligado a projetos no mundo real. A escola leva crian&#231;as para aulas de hipismo num est&#225;bulo local, n&#227;o porque cavalo entre no vestibular, mas para ensinar -  no argumento deles -  resili&#234;ncia e paci&#234;ncia: quedas, recuos e plat&#244;s fazem parte, na pista e na vida. No campus de Austin, alunos do ensino m&#233;dio passaram um fim de semana inteiro num hackathon ao lado de universit&#225;rios da University of Austin. O argumento dos defensores: nenhuma sala tradicional entregaria isso, e &#233; justamente o que sobra quando voc&#234; comprime o acad&#234;mico.</p><p><strong>A leitura de quem n&#227;o &#233; cliente nem inimigo.</strong> Vale citar uma voz mais neutra, do podcast do American Enterprise Institute, um centro de pesquisa de orienta&#231;&#227;o conservadora e pr&#243;-mercado. Ali, o pesquisador Nat Malkus reconhece que &#8220;qu&#227;o bem o modelo funciona &#233; uma quest&#227;o em aberto&#8221; -  a Alpha formou sua primeira turma de doze alunos s&#243; ano passado, e a maioria vem de fam&#237;lias ricas -  mas conclui que, </p><div class="pullquote"><p>&#8220;para quem reclama da falta de experimenta&#231;&#227;o no setor&#8221;, a Alpha &#233; um &#8220;ant&#237;doto bem-vindo&#8221;. Esse &#233; o cerne do entusiasmo: finalmente algu&#233;m testando uma ideia ousada de verdade, com dinheiro privado e sem pedir licen&#231;a.</p></div><p>Os f&#227;s adoram porque acreditam que a escola tradicional desperdi&#231;a o tempo e a curiosidade das crian&#231;as, e a Alpha devolve as duas coisas.</p><h2>Por que os cr&#237;ticos criticam </h2><p>A oposi&#231;&#227;o tamb&#233;m tem nome, e o ponto central dela n&#227;o &#233; &#8220;tecnofobia&#8221;. &#201; o que se perde, e o que os n&#250;meros escondem.</p><p><strong>O caso que furou a bolha: Brownsville.</strong> A investiga&#231;&#227;o da WIRED (outubro de 2025), de Todd Feathers, com o t&#237;tulo <em>&#8220;Pais se apaixonaram pela promessa da Alpha. Depois quiseram cair fora&#8221;</em>, mirou a unidade de Brownsville -  uma das vers&#245;es de menor mensalidade, a que deveria provar que o modelo funciona fora do nicho rico. A hist&#243;ria central &#233; dura. A filha de nove anos de Kristine Barrios travou numa li&#231;&#227;o de IXL -  o software que servia de &#8220;professor de matem&#225;tica&#8221;. Cada erro fazia o sistema empilhar mais quest&#245;es; ela refez a mesma tarefa mais de vinte vezes sem poder avan&#231;ar. Pediu ao guia uma exce&#231;&#227;o. A resposta foi n&#227;o. No fim de semana, a menina desabou e disse que <strong>preferia morrer a continuar</strong>. Segundo a m&#227;e, levou quase um ano para recuperar &#8220;a exuber&#226;ncia natural e o amor por aprender&#8221;.</p><p>N&#227;o foi caso &#250;nico. A reportagem documentou outra crian&#231;a que perdeu peso a ponto de o pediatra pedir, por escrito, que a escola fornecesse lanches; e pais relatando que os guias eram menos responsivos a quest&#245;es emocionais do que um professor seria. E veio o detalhe que devia ter sido esc&#226;ndalo por si s&#243;: a <strong>IXL desativou a conta da Alpha</strong> por viola&#231;&#227;o dos termos de uso e declarou que seu produto &#8220;n&#227;o se destina, e n&#227;o recomendamos seu uso, como substituto de professores&#8221;. Ou seja, a pr&#243;pria fornecedora avisou que aquilo n&#227;o era para ser usado daquele jeito. Detalhe econ&#244;mico que enfurece os cr&#237;ticos: a IXL &#233; uma assinatura de cerca de US$ 20 por m&#234;s -  cobrada, dentro da Alpha, a pre&#231;o de at&#233; US$ 75 mil ao ano.</p><p><strong>Os documentos vazados.</strong> Em fevereiro de 2026, a 404media, com documentos internos e ex-funcion&#225;rios, foi al&#233;m: a IA da Alpha estaria gerando planos de aula falhos que, pela pr&#243;pria documenta&#231;&#227;o interna, &#224;s vezes faziam <strong>&#8220;mais mal do que bem&#8221;</strong>, e a empresa estaria raspando dados de outros cursos online sem permiss&#227;o para treinar a pr&#243;pria IA. O t&#237;tulo virou frase de efeito: <strong>&#8220;alunos est&#227;o sendo tratados como cobaias&#8221;</strong>.</p><p><strong>A &#8220;mentoria premium&#8221; que era remota.</strong> A WIRED tamb&#233;m apurou que, quando o aluno travava e marcava uma &#8220;coaching call&#8221;, 27 dos 31 coaches listados no ano de 2023-24 eram trabalhadores remotos nas Filipinas e na Col&#244;mbia, empregados por outras empresas de Liemandt -  n&#227;o professores credenciados. Para quem paga at&#233; US$ 75 mil esperando mentoria local cara a cara, &#233; um descompasso e tanto.</p><p><strong>A vigil&#226;ncia.</strong> Em campus rodam grava&#231;&#227;o de tela, registro de teclado e rastreamento ocular. Quando a crian&#231;a leva o dispositivo para casa, o monitoramento por webcam continua, a menos que o pai desative manualmente. Para os cr&#237;ticos, &#233; a pe&#231;a que revela a alma do modelo: uma escola desenhada por uma cabe&#231;a de software empresarial, onde aprender vira m&#233;trica e m&#233;trica vira monitoramento. </p><p><strong>A cr&#237;tica de quem &#233; da sala de aula.</strong> Um diretor de escola independente em Boston, professor com 25 anos de estrada, escreveu que o que o entristece no modelo &#233; a perda do momento em que um aluno que penava finalmente entende um conceito e &#233; celebrado pelos colegas -  o tipo de coisa que n&#227;o cabe num painel de m&#233;tricas. Pesquisadores apontam que a evid&#234;ncia sobre &#8220;aprendizagem personalizada&#8221; e tutoria por IA &#233;, na melhor das hip&#243;teses, mista.</p><p><strong>A cr&#237;tica que mais pesa para quem leva n&#250;mero a s&#233;rio.</strong> Os resultados espetaculares -  top 1%, &#8220;2x&#8221; -  v&#234;m de <strong>an&#225;lises internas nunca verificadas de forma independente</strong>. A escola prometeu enviar os dados brutos do MAP para auditoria externa; at&#233; meados de 2026, n&#227;o chegaram. A pr&#243;pria fundadora j&#225; admitiu que as &#8220;duas horas&#8221;, na pr&#225;tica, s&#227;o tr&#234;s a quatro. E paira a pergunta inc&#244;moda: o desempenho vem do modelo, ou da sele&#231;&#227;o de fam&#237;lias de alt&#237;ssima renda e alt&#237;ssimo envolvimento, cujos filhos iriam bem em qualquer escola? Resultado n&#227;o auditado, em corte autosselecionado, &#233; um n&#250;mero que n&#227;o se leva ao banco.</p><p>En resumo, os criticos criticam porque acham que a Alpha vende como ci&#234;ncia comprovada um experimento n&#227;o auditado, e trata o v&#237;nculo humano no aprendizado como custo a cortar -  com crian&#231;as pagando a conta quando d&#225; errado.</p><h2>O ponto onde os dois lados quase se encontram</h2><p>H&#225; um terreno comum que costuma passar batido. <strong>Os dois lados concordam que a escola tradicional desperdi&#231;a tempo e mata a curiosidade</strong> -  a Price construiu a Alpha sobre isso, e mesmo cr&#237;ticos veteranos reconhecem o diagn&#243;stico. A briga n&#227;o &#233; sobre o problema; &#233; sobre a solu&#231;&#227;o. Um lado acredita que software adaptativo mais tempo livre liberta a crian&#231;a. O outro acredita que, sem um adulto que domine a mat&#233;ria e construa rela&#231;&#227;o, a personaliza&#231;&#227;o vira um loop que pune quem trava. </p><h2>O padr&#227;o hist&#243;rico, e o que muda desta vez</h2><p>Toda gera&#231;&#227;o ganha uma escola que promete mudar tudo. A Success Academy foi a anterior. A WeGrow, da WeWork, com bilh&#245;es e Gwyneth Paltrow na divulga&#231;&#227;o, fechou um ano depois junto com a empresa-m&#227;e. O pitch de reinventar a educa&#231;&#227;o sempre soa bom -  e &#233; justamente por isso que conv&#233;m desconfiar. O que de fato &#233; diferente na Alpha: ela n&#227;o pede licen&#231;a pol&#237;tica para existir; cavalga a expans&#227;o dos vouchers. Essa diferen&#231;a &#233; estrutural e merece cr&#233;dito. Mas &#233; tamb&#233;m a fonte do risco: a tese depende de uma pol&#237;tica p&#250;blica espec&#237;fica para continuar existindo, e de o modelo funcionar para crian&#231;as que n&#227;o partem de vantagem - o teste que Brownsville sugere que ainda n&#227;o foi vencido.</p><p>Tr&#234;s leituras para fechar.</p><p><strong>A Alpha &#233; prova de conceito pedag&#243;gico-tecnol&#243;gica, n&#227;o modelo de neg&#243;cio transplant&#225;vel.</strong> O motor que a destrava -  verba p&#250;blica seguindo o aluno para o privado, via ESA -  n&#227;o tem equivalente direto no arcabou&#231;o brasileiro. Sem esse subs&#237;dio, a mesma estrutura de custo vira mensalidade premium pura e o mercado encolhe para o topo da pir&#226;mide de renda. Consolidadores e edtechs daqui devem ler a Alpha pelo que ela ensina sobre personaliza&#231;&#227;o adaptativa e redesenho do dia escolar - n&#227;o como planta a copiar.</p><p><strong>A vari&#225;vel que separa tese de hype &#233; auditoria independente.</strong> Enquanto os dados brutos n&#227;o passarem por terceiros, qualquer valuation ancorado no &#8220;2x&#8221; carrega pr&#234;mio de risco alto. Tratar a efic&#225;cia da Alpha como hip&#243;tese promissora, n&#227;o como fato.</p><p><strong>O perfil bimodal de aluno &#233; um limite estrutural, n&#227;o um detalhe.</strong> Crian&#231;a autodirigida acelera; crian&#231;a que precisa de v&#237;nculo humano para construir essa autonomia tende a sofrer ou sair. Isso significa churn embutido, teto de mercado e - como Brownsville mostrou -  risco reputacional e de bem-estar que vira risco de marca e, eventualmente, jur&#237;dico.</p><p>A Alpha School pode estar antecipando uma mudan&#231;a real no desenho da escola -  ou apenas expondo, de forma radical, o quanto ainda sabemos pouco sobre o que faz uma crian&#231;a aprender bem. O experimento &#233; s&#233;rio demais para ser reduzido a marketing, e inquietante demais para ser celebrado sem ressalvas. O que est&#225; em jogo n&#227;o &#233; s&#243; a efici&#234;ncia de um novo modelo, mas a pergunta mais b&#225;sica de todas: aprendizado &#233; um problema de otimiza&#231;&#227;o, ou uma rela&#231;&#227;o humana antes de qualquer coisa?</p><p>A Alpha pode estar certa sobre uma coisa importante: a escola tradicional desperdi&#231;a tempo, e a personaliza&#231;&#227;o adaptativa tem ganhos reais. E pode estar perigosamente errada sobre outra: a de que o v&#237;nculo humano no aprendizado &#233; um custo a otimizar, e n&#227;o o aprendizado em si. O experimento est&#225; rodando agora, com crian&#231;as de verdade. Os pr&#243;ximos anos -  e, com sorte, alguns dados auditados -  dir&#227;o para que lado a balan&#231;a pende.</p><p>Quando uma escola consegue provocar entusiasmo genu&#237;no e medo leg&#237;timo ao mesmo tempo, vale a pena olhar com aten&#231;&#227;o redobrada.</p><p>O pr&#243;ximo texto opinativo deste substack, voltaremos mais de 2000 anos no tempo. Para falar da educa&#231;&#227;o de forma profundamente humana.</p><p>At&#233; l&#225;.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Quatro delas da Bioma Educa&#231;&#227;o.</em></p><p><strong>Escola Bal&#227;o Vermelho (Belo Horizonte/MG)</strong> Fundada em 1972, a Bal&#227;o Vermelho &#233; uma das pioneiras do construtivismo no Brasil. Em vez de acumular respostas, a escola treina alunos para fazer as perguntas certas -  compet&#234;ncia cada vez mais valorizada no mercado em tempos de IA generativa. O &#8220;Desafio Diplom&#225;tico&#8221;, projeto emblem&#225;tico do Ensino M&#233;dio, simula comit&#234;s internacionais em uma universidade parceira, exigindo que os alunos defendam posi&#231;&#245;es com base em dados - exerc&#237;cio direto de combate &#224; desinforma&#231;&#227;o. Um detalhe que chama aten&#231;&#227;o: quando alunos do Ensino M&#233;dio detectaram comportamentos mis&#243;ginos de colegas mais novos, a escola n&#227;o chamou um palestrante externo &#8212; treinou os pr&#243;prios estudantes para conduzir as rodas de conversa. O par a par funcionou melhor do que qualquer interven&#231;&#227;o top-down.<br><a href="https://exame.com/carreira/essa-escola-mineira-ensina-ha-50-anos-que-saber-fazer-perguntas-importa-mais-do-que-ter-as-respostas/">Link da mat&#233;ria </a></p><p><strong>Escola Parque (Rio de Janeiro/RJ)</strong> Com quase 3.000 alunos em duas unidades (Barra da Tijuca e G&#225;vea) e 56 anos de hist&#243;ria, a Escola Parque &#233; a primeira escola de carbono neutro do Brasil, com o selo Green School da UNESCO. Sua proposta de &#8220;cidadania planet&#225;ria&#8221; se traduz em viagens anuais ao CERN (Su&#237;&#231;a), trabalhos de campo nos cinco biomas brasileiros e um TEDx autorizado pela Funda&#231;&#227;o TED. Academicamente: m&#233;dia acima de 800 na reda&#231;&#227;o do Enem e aluna com nota 1.000 na edi&#231;&#227;o mais recente. A escola demonstra que compromisso com sustentabilidade e excel&#234;ncia acad&#234;mica n&#227;o s&#227;o objetivos contradit&#243;rios &#8212; e que isso tem apelo de mercado crescente.<br><a href="https://exame.com/carreira/1a-escola-carbono-zero-do-brasil-une-amazonia-e-cern-para-criar-os-lideres-do-futuro/">Link da Exame</a></p><p><strong>Dual International School (Joinville e Florian&#243;polis/SC)</strong> Fundada em 2009 em Joinville e hoje com unidades em Florian&#243;polis e Blumenau, a Dual &#233; refer&#234;ncia em educa&#231;&#227;o bil&#237;ngue e curr&#237;culo IB no Sul do Brasil. A escola recusa o modelo de &#8220;importa&#231;&#227;o acr&#237;tica&#8221; de identidade estrangeira: o bilinguismo ingl&#234;s-portugu&#234;s &#233; trabalhado de forma transversal desde a educa&#231;&#227;o infantil, sem abrir m&#227;o do rigor no portugu&#234;s. Na pr&#225;tica, os alunos lan&#231;am sat&#233;lites suborbitais da Base de Alc&#226;ntara e levam projetos de mobilidade urbana &#224; C&#226;mara Municipal. Dado relevante para o mercado: 50% dos formandos seguem para universidades no exterior e 50% optam pelo Brasil &#8212; com um n&#250;mero crescente de institui&#231;&#245;es nacionais como FGV e PUC oferecendo acesso direto por diploma IB, sem vestibular.<br><a href="https://exame.com/carreira/educacao-global-identidade-local-como-a-dual-international-school-reinventou-o-ensino-em-sc/">Link da Exame</a></p><p><strong>Escola Viva (S&#227;o Paulo/SP)</strong> A Escola Viva completa 51 anos em 2026 com uma proposta que nasceu como ateli&#234; de arte em 1974 e evoluiu para uma das escolas de vanguarda pedag&#243;gica de S&#227;o Paulo. O projeto mais emblem&#225;tico &#233; a SIV (Simula&#231;&#227;o Viva), criada em 2012: uma simula&#231;&#227;o da Assembleia Geral da ONU com mais de 300 participantes, organizada inteiramente pelos alunos. Em 2025, dois alunos participaram de uma simula&#231;&#227;o internacional nas Na&#231;&#245;es Unidas e receberam o Diplomacy Award. A escola mant&#233;m comit&#234;s permanentes de cultura inclusiva e educa&#231;&#227;o antirracista &#8212; e n&#227;o evita temas inc&#244;modos. Para o mercado, &#233; um caso de como projetos autorais de longo prazo constroem reputa&#231;&#227;o de forma org&#226;nica e duradoura.<br><a href="https://exame.com/carreira/escola-viva-aposta-em-protagonismo-do-aluno-para-formar-competencias-exigidas-pelo-mercado/">Link</a></p><p></p><h3>&#127463;&#127479; Brasil &#8212; M&amp;A</h3><p><strong>Beacon School entra no portf&#243;lio da Affinitas Education</strong></p><p>A Beacon School, uma das principais escolas IB de S&#227;o Paulo &#8212; com mais de 1.400 alunos e 15 anos de hist&#243;ria &#8212;, passou a integrar o grupo Affinitas Education, plataforma de escolas internacionais e bil&#237;ngues fundada em 2021 e apoiada pela Oakley Capital. A transa&#231;&#227;o foi reportada pelo Pipeline Valor em maio.<br><a href="https://pipelinevalor.globo.com/negocios/noticia/beacon-school-passa-a-integrar-grupo-affinitas-do-st-francis-college.ghtml https://arstechnica.com/ai/2026/05/influential-study-touting-chatgpt-in-education-retracted-over-red-flags/">Pipeline Valor</a><br><br>A entrada da Beacon no grupo Affinitas/St. Francis representa mais um passo na constru&#231;&#227;o de uma plataforma de educa&#231;&#227;o premium no Brasil ancorada em curr&#237;culo internacional. Com o portf&#243;lio da Affinitas j&#225; cobrindo 7 pa&#237;ses e backing da Oakley Capital &#8212; uma das principais casas de PE focadas em educa&#231;&#227;o na Europa &#8212;, a tese de consolida&#231;&#227;o do segmento de escolas IB no Brasil ganha corpo. <br></p><h3>&#127468;&#127463; Internacional &#8212; M&amp;A</h3><p><strong>Cognita acelera sa&#237;da do Reino Unido; Redshift Education consolida posi&#231;&#227;o</strong></p><p>A Cognita Schools anunciou a venda de mais quatro escolas independentes no Reino Unido para a Redshift Education: Salcombe Preparatory School (Londres), Glenesk School (Surrey), Colchester Prep and High School (Essex) e King&#8217;s School Plymouth. As quatro se juntam ao portf&#243;lio fundador da Redshift &#8212; Polam School &amp; Nursery e Long Close School &#8212;, que tamb&#233;m haviam sido adquiridas da Cognita no ano anterior.</p><p>&#10145; Com a transa&#231;&#227;o, a Cognita passa a operar cerca de 16 escolas no Reino Unido, ante 39 h&#225; um ano. O movimento faz parte de uma reorienta&#231;&#227;o estrat&#233;gica declarada do grupo em dire&#231;&#227;o &#224; educa&#231;&#227;o internacional &#8212; a grande virada sendo a venda de 12 unidades &#224; Blenheim Schools em setembro passado. A conclus&#227;o desta &#250;ltima opera&#231;&#227;o est&#225; prevista para setembro de 2026.</p><p><strong>Coment&#225;rios:</strong> A Cognita &#233; um dos maiores operadores de escolas privadas do mundo, com forte presen&#231;a na Am&#233;rica Latina. Sua sa&#237;da ordenada do mercado dom&#233;stico brit&#226;nico &#8212; onde a tributa&#231;&#227;o sobre escolas independentes introduzida pelo governo trabalhista est&#225; pressionando margens &#8212; sinaliza uma tend&#234;ncia de concentra&#231;&#227;o de capital em mercados emergentes de alto crescimento. Para investidores no setor, o caso Cognita/Redshift ilustra como ativos de qualidade em mercados maduros sob press&#227;o regulat&#243;ria est&#227;o sendo absorvidos por operadores menores com vis&#227;o de longo prazo, enquanto os grandes grupos pivotam para geografias mais favor&#225;veis.</p><div><hr></div><h3>&#127760; Tecnologia &amp; IA</h3><p><strong>Retratado o estudo mais citado sobre ChatGPT na educa&#231;&#227;o</strong></p><p>Uma meta-an&#225;lise publicada em maio de 2025 na revista <em>Humanities &amp; Social Sciences Communications</em> (grupo Springer Nature), que havia se tornado a principal refer&#234;ncia acad&#234;mica para defensores do uso de IA em sala de aula, foi formalmente retratada em 22 de abril de 2026. O estudo, de autores da Universidade Normal de Hangzhou (China), havia sintetizado dados de 51 pesquisas e reportado que o ChatGPT teria um &#8220;grande impacto positivo na performance de aprendizagem&#8221; dos alunos, al&#233;m de efeitos moderados em percep&#231;&#227;o de aprendizado e pensamento de ordem superior. O trabalho acumulou mais de 500 cita&#231;&#245;es e quase meio milh&#227;o de leituras antes da retrata&#231;&#227;o.</p><p>A editora apontou discrep&#226;ncias na metodologia que &#8220;comprometem a confian&#231;a na validade da an&#225;lise e das conclus&#245;es&#8221;. Pesquisadores independentes j&#225; haviam levantado d&#250;vidas: o estudo combinava estudos de qualidade e popula&#231;&#245;es muito distintas, e havia sido produzido apenas dois anos e meio ap&#243;s o lan&#231;amento do ChatGPT &#8212; tempo insuficiente para pesquisa robusta sobre impactos cognitivos de longo prazo.</p><p>O caso &#233; um alerta para gestores educacionais e investidores que tomaram o paper como evid&#234;ncia definitiva para decis&#245;es de ado&#231;&#227;o de IA. A narrativa de que &#8220;a ci&#234;ncia comprovou que o ChatGPT melhora o aprendizado&#8221; circula muito mais r&#225;pido do que uma retrata&#231;&#227;o &#8212; e continuar&#225; sendo usada por vendors de edtech para embasar propostas comerciais. O epis&#243;dio refor&#231;a a necessidade de due diligence rigorosa ao avaliar claims de impacto educacional baseados em pesquisa acad&#234;mica recente sobre IA.</p><div><hr></div><p><em>Mint Education Notes &#233; publicado mensalmente em <a href="/__u/mintedu.substack.com/">mintedu.substack.com</a></em></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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Lições de Aristóteles ]]></title><description><![CDATA[Da medicina &#224; educa&#231;&#227;o e aos investimentos, como a intelig&#234;ncia artificial pode cultivar a excel&#234;ncia humana &#8212; ou enfraquec&#234;-la.]]></description><link>https://mintedu.substack.com/p/ia-melhores-ou-piores-licoes-de-aristoteles</link><guid isPermaLink="false">https://mintedu.substack.com/p/ia-melhores-ou-piores-licoes-de-aristoteles</guid><dc:creator><![CDATA[Mint Education Notes]]></dc:creator><pubDate>Mon, 25 May 2026 22:45:19 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/212bd081-e6bc-43d0-ae94-227be233da05_1408x768.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Hoje, chamou aten&#231;&#227;o uma not&#237;cia simb&#243;lica: o<strong> Papa e o Vaticano</strong> aceitaram o convite da <em><strong>Anthropic</strong></em> para caminhar junto na orienta&#231;&#227;o da &#233;tica da intelig&#234;ncia artificial, e o Papa publicou uma carta tratando do tema (Falaremos em mais detalhes sobre isso em breve). </p><p>Este gesto reacendeu uma pergunta antiga em um contexto novo: a IA nos tornar&#225; melhores ou piores?</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Uma das quest&#245;es debatidas foi exatamente essa, provocadora: a IA nos tornar&#225; melhores ou piores, qui&#231;a mais preguisosos?</p><p>No mesmo dia, li uma pesquisa publicada na Bloomberg que parece responder &#8212; pelo menos no campo da <strong>medicina</strong> - que ambas as coisas s&#227;o poss&#237;veis. O estudo mostrou que, embora a intelig&#234;ncia artificial tenha ajudado profissionais de sa&#250;de a detectar com mais precis&#227;o p&#243;lipos pr&#233;-cancer&#237;genos no c&#243;lon, essa vantagem se perdeu rapidamente quando a assist&#234;ncia foi retirada: a capacidade de encontrar tumores caiu de forma significativa em poucos meses. Segundo os cientistas, a IA provavelmente levou os m&#233;dicos a se tornarem excessivamente dependentes de suas recomenda&#231;&#245;es, &#8220;ficando menos motivados, menos concentrados e menos respons&#225;veis ao tomar decis&#245;es cognitivas sem a assist&#234;ncia da IA.&#8221;</p><p>Esse fen&#244;meno - de elevar desempenho, mas tamb&#233;m corroer habilidades - n&#227;o &#233; exclusivo da medicina.</p><p>Na <strong>educa&#231;&#227;o</strong>, h&#225; casos em que a IA funcionou como um acelerador de aprendizagem. O <em>Codio Coach</em>, ferramenta de IA baseada no m&#233;todo socr&#225;tico, foi testado com 1.800 alunos entre 2023 e 2024: as notas medianas subiram 15%, as m&#233;dias gerais aumentaram 12% e a taxa de conclus&#227;o dos cursos dobrou. Por outro lado, estudos com sistemas de tutoria inteligente mostram que feedbacks autom&#225;ticos em excesso podem estimular um aprendizado superficial: alunos resolvem problemas rapidamente, mas sem compreens&#227;o profunda, e seu desempenho cai quando a ferramenta &#233; retirada.</p><p>No mundo dos <strong>investimentos</strong>, a ado&#231;&#227;o da IA &#233; igualmente amb&#237;gua. Uma pesquisa com <em>hedge funds</em> mostrou ganhos expressivos: um fundo especializado em estrat&#233;gias impulsionadas por IA registrou retorno de 47% no primeiro semestre de 2025, muito acima do mercado. <br>J&#225; na gest&#227;o corporativa, um estudo revelou que CFOs que integraram IA de forma estruturada esperam at&#233; 20% de aumento de receita e economia de custos. Entretanto, an&#225;lises comparando modelos de IA mostram que, em tarefas que envolvem an&#225;lise financeira, os melhores modelos acertaram menos de 50% das respostas.</p><p>Existem, portanto, dezenas de exemplos em que a IA amplia nossa vis&#227;o, detecta o invis&#237;vel e encurta caminhos antes restritos ao tempo e &#224; acuidade de um especialista humano. <br>Mas qualquer habilidade que n&#227;o &#233; exercitada tende a se perder -  e evid&#234;ncias mostram que o uso acr&#237;tico da IA pode corroer compet&#234;ncias humanas.</p><p>Arist&#243;teles dizia:</p><blockquote><p>&#8220;Somos o que repetidamente fazemos. A excel&#234;ncia, portanto, n&#227;o &#233; um ato, mas um h&#225;bito.&#8221;</p></blockquote><p>Essa frase, escrita h&#225; mais de dois mil anos, &#233; surpreendentemente atual. Ao olhar para nossa realidade, &#233; tentador imaginar como Arist&#243;teles reagiria &#224; intelig&#234;ncia artificial. Afinal, o fil&#243;sofo que sistematizou l&#243;gica, &#233;tica, pol&#237;tica e ci&#234;ncia dedicou a vida a compreender como pensamos, aprendemos e agimos.</p><p>Para Arist&#243;teles, a <em>phronesis </em>-  a sabedoria pr&#225;tica -  era essencial para a vida virtuosa. N&#227;o bastava saber o que &#233; correto em teoria; era preciso aplicar esse conhecimento no momento certo, na medida certa, com as pessoas certas. Hoje, vemos m&#225;quinas capazes de processar volumes de dados inimagin&#225;veis, mas incapazes de exercer verdadeira <em>phronesis</em>. A IA calcula, prev&#234; e otimiza, mas n&#227;o &#8220;delibera&#8221; no sentido aristot&#233;lico, pois carece de experi&#234;ncia moral e prop&#243;sito humano.</p><p>Outro ponto de tens&#227;o seria a <strong>causa final</strong> -  o &#8220;para qu&#234;&#8221; das coisas. Toda a&#231;&#227;o humana, para Arist&#243;teles, tem um fim &#250;ltimo: a<em> eudaimonia</em>.</p><div class="pullquote"><p>No pensamento aristot&#233;lico, eudaimonia &#233; mais do que felicidade: &#233; o florescimento humano, o viver plenamente de acordo com a virtude (aret&#233;) e a raz&#227;o, ao longo de uma vida inteira. N&#227;o &#233; prazer moment&#226;neo, mas realiza&#231;&#227;o duradoura em sua forma mais alta.</p></div><p>Ao projetar sistemas de IA, ser&#225; que estamos claros sobre sua causa final? Ou estamos criando ferramentas poderosas sem um <em>telos </em>definido, deixando que interesses circunstanciais guiem seu uso?</p><p>Talvez Arist&#243;teles nos lembrasse que a tecnologia, por si s&#243;, &#233; moralmente neutra. O que importa &#233; a virtude dos que a utilizam. Uma IA pode ser uma aliada no cultivo da sabedoria e no avan&#231;o do bem comum, ou pode acelerar v&#237;cios e desigualdades -  tudo depender&#225; da b&#250;ssola moral que a sociedade escolher.</p><p>Se quisermos colher os benef&#237;cios da intelig&#234;ncia artificial, precisamos incorpor&#225;-la de forma que preserve e at&#233; fortale&#231;a o h&#225;bito virtuoso. Isso implica desenhar processos nos quais a IA n&#227;o substitua a aten&#231;&#227;o humana, mas a estimule; nos quais o profissional n&#227;o terceirize o racioc&#237;nio, mas o aprofunde.</p><p>Este &#233; um tema que ser&#225; melhor detalhado em breve aqui no Mint Education, com foco especial em como escolas e universidades podem usar IA para desenvolver, e n&#227;o atrofiar, as capacidades humanas.</p><p>No fim, como em tantas &#225;reas da vida, a diferen&#231;a entre um rem&#233;dio e um veneno est&#225; sempre na dose.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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A meta de financiamento &#233; ambiciosa: 7,5% do PIB at&#233; o 7&#186; ano de vig&#234;ncia e 10% at&#233; o final do dec&#234;nio. &#201; o maior compromisso formal com investimento p&#250;blico em educa&#231;&#227;o j&#225; colocado em lei no Brasil. O debate agora passa a ser outro: como garantir que as metas saiam do papel. &#128279; <a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2026/abril/governo-do-brasil-sanciona-novo-plano-nacional-da-educacao">Leia no MEC</a></p><p><strong>Coment&#225;rios:</strong> Metas de PIB s&#227;o sinaliza&#231;&#245;es pol&#237;ticas &#8212; mas criam press&#227;o real sobre or&#231;amento e regula&#231;&#227;o. Para o setor privado, mais dinheiro p&#250;blico circulando em educa&#231;&#227;o significa mais demanda, mais concorr&#234;ncia e mais aten&#231;&#227;o regulat&#243;ria. Mas o Brasil n&#227;o melhora a educa&#231;&#227;o porque gasta pouco. A educa&#231;&#227;o p&#250;blica n&#227;o melhora porque o Brasil gasta mal. Vale acompanhar como o governo vai monitorar as 73 metas a cada dois anos.</p><div><hr></div><p>&#9989; <strong>MEC lan&#231;a ciclo 2026 do programa Educa&#231;&#227;o Conectada</strong> &#10145; O MEC abriu, a partir de 15 de abril, o per&#237;odo de monitoramento e planejamento para a Pol&#237;tica de Inova&#231;&#227;o Educa&#231;&#227;o Conectada (Piec). N&#250;mero importante: a Estrat&#233;gia Nacional de Escolas Conectadas (Enec) saltou de 42% em 2022 para 71,7% em 2026 &#8212; quase 30 pontos percentuais de avan&#231;o em quatro anos, com R$ 8,8 bilh&#245;es investidos e 99 mil escolas conectadas. &#128279; <a href="https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2026/abril/mec-abre-periodo-de-indicacoes-para-a-educacao-conectada">Leia no MEC</a></p><div><hr></div><h4>Debate &amp; Ideias</h4><p>&#9989; <strong>O festival de besteiras na universidade brasileira</strong> &#10145; O agr&#244;nomo e ex-deputado Xico Graziano publicou no Poder360 um artigo que circulou bastante nos grupos de educa&#231;&#227;o em mar&#231;o e abril. O mote: a discrep&#226;ncia entre os dados reais do agroneg&#243;cio brasileiro &#8212; 28,4 milh&#245;es de pessoas empregadas, 26% das ocupa&#231;&#245;es do pa&#237;s &#8212; e a narrativa adotada por um professor da Unicamp, que qualificou o setor como economicamente negativo em um canal institucional da universidade. Para Graziano, o problema n&#227;o &#233; a opini&#227;o em si &#8212; liberdade de express&#227;o &#233; sagrada &#8212; mas o uso do espa&#231;o acad&#234;mico p&#250;blico para proselitismo pol&#237;tico disfar&#231;ado de an&#225;lise cient&#237;fica. O artigo cita nota do economista Ant&#244;nio M&#225;rcio Buainain, especialista em mundo rural, que chamou o material de &#8220;panfletagem&#8221;. &#128279; <a href="https://www.poder360.com.br/opiniao/o-festival-de-besteiras-na-universidade-brasileira/">Leia no Poder360</a></p><p><strong>Coment&#225;rio:</strong> O debate vai al&#233;m do agro. A tens&#227;o entre academia e ideologia pol&#237;tica &#233; real &#8212; e afeta como fam&#237;lias, empresas e jovens percebem o valor de uma gradua&#231;&#227;o p&#250;blica. Quando a universidade vira arena ideol&#243;gica, quem perde &#233; a pr&#243;pria credencial que ela emite.</p><div><hr></div><h3>&#127979; M&amp;A &amp; Mercado K-12</h3><div><hr></div><p>&#9989; <strong>St. Francis College de S&#227;o Paulo &#233; vendido</strong> &#10145; O St. Francis College anunciou a venda da escola para a Affinitas Education &#8212; grupo global de K-12 com presen&#231;a em 7 pa&#237;ses, 28 escolas, cerca de 18,5 mil alunos e 2 mil professores, e backing do fundo brit&#226;nico Oakley Capital. A estrutura do deal, inicialmente, &#233; de <strong>50% St. Francis / 50% Affinitas</strong>. A escola mant&#233;m marca e lideran&#231;a pedag&#243;gica.  O Board de Governors passa a ter supervis&#227;o estrat&#233;gica e financeira, com membros da Affinitas integrando o colegiado.</p><p>O St. Francis &#233; o primeiro passo de uma estrat&#233;gia clara de expans&#227;o no pa&#237;s da Affinitas.</p><p><strong>Por que importa:</strong> O modelo da Affinitas &#233; diferente do ISP ou da Nord Anglia. Em vez de aquisi&#231;&#227;o total, opera via parceria federada &#8212; a escola mant&#233;m identidade e autonomia, enquanto a Affinitas entra com capital, sistemas e rede global. Para o mercado brasileiro, &#233; um sinal de que o K-12 internacional premium em S&#227;o Paulo continua na mira de grupos globais bem capitalizados &#8212; e que o modelo de entrada est&#225; se sofisticando: n&#227;o &#233; mais s&#243; comprar, &#233; tamb&#233;m co-construir. A call option para os 50% restantes existe, mas sem prazo ou obriga&#231;&#227;o imediata. </p><div><hr></div><h3>&#127757; Mundo</h3><div><hr></div><h4>IA &amp; Tecnologia</h4><p>&#9989; <strong>Cognita repensa IA nas escolas &#8212; colocando o professor no centro</strong> &#10145; A Cognita, um dos maiores grupos globais de educa&#231;&#227;o privada (com opera&#231;&#245;es em mais de 15 pa&#237;ses), publicou os resultados de seu piloto de IA em sala de aula. O programa, desenvolvido em parceria com a Flint, rodou em seis pa&#237;ses com mais de 700 usu&#225;rios. A conclus&#227;o central: quando a IA passa pelo professor &#8212; e n&#227;o diretamente pelo aluno &#8212; os resultados s&#227;o substancialmente melhores. Professores que usaram a ferramenta como &#8220;parceiro de racioc&#237;nio&#8221; conseguiram identificar equ&#237;vocos conceituais mais rapidamente, reformular explica&#231;&#245;es em tempo real e personalizar perguntas para cada aluno. A ado&#231;&#227;o pelos professores foi mais consistente e mais profunda do que pelos alunos em uso aut&#244;nomo. Nathan O&#8217;Grady, respons&#225;vel pela implementa&#231;&#227;o de EdTech na Cognita, resume: a IA s&#243; &#233; eficaz quando os professores est&#227;o empoderados para us&#225;-la &#8212; e isso exige forma&#231;&#227;o estruturada, n&#227;o apenas acesso &#224; ferramenta. &#128279; <a href="https://techround.co.uk/other/cognita-is-rethinking-ai-in-schools-by-putting-teachers-first/">Leia no TechRound</a></p><p><strong>Coment&#225;rio:</strong> Esse resultado importa muito al&#233;m da Cognita. A ind&#250;stria de EdTech gastou anos apostando que a IA substituiria ou contornaria o professor. Os dados apontam o contr&#225;rio: o professor bem treinado com IA &#233; mais eficaz do que a IA sozinha. Para investidores e operadores, isso muda a equa&#231;&#227;o &#8212; o valor n&#227;o est&#225; na plataforma isolada, mas na capacidade de integrar forma&#231;&#227;o docente ao produto. Quem s&#243; vende licen&#231;a de software vai perder para quem vende transforma&#231;&#227;o de pr&#225;tica pedag&#243;gica.</p><div><hr></div><h3>&#128218; Leitura - publicas no Mint Education Notes em Abril</h3><p>&#9989; <strong>Big Bang ou Snowball -  duas formas de mudar uma escola</strong> &#10145; Se voc&#234; ainda n&#227;o leu, acesse aqui. &#128279; <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/big-bang-vs-snowball-duas-formas">No Mint Education Notes</a></p><div><hr></div><p>Se quiser sugerir pautas ou comentar as not&#237;cias deste m&#234;s, &#233; s&#243; responder por aqui.</p><p>At&#233; a pr&#243;xima edi&#231;&#227;o. Obrigado por acompanhar o <strong>Mint Education Notes</strong>!</p><div><hr></div><p><em>Presente e futuro da educa&#231;&#227;o no Brasil e no mundo &#8212; conectando Educa&#231;&#227;o, Capital e Ideias.</em> <em>&#169; 2026 Mint Education &#183; <a href="/__u/mintedu.substack.com/">mintedu.substack.com</a></em></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Big Bang vs. Snowball: duas formas de mudar uma escola]]></title><description><![CDATA[Como decidir entre ruptura e ajuste na gest&#227;o de uma escola]]></description><link>https://mintedu.substack.com/p/big-bang-vs-snowball-duas-formas</link><guid isPermaLink="false">https://mintedu.substack.com/p/big-bang-vs-snowball-duas-formas</guid><dc:creator><![CDATA[Mint Education Notes]]></dc:creator><pubDate>Tue, 28 Apr 2026 16:10:15 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qRng!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F07f80eb2-0df7-4dbb-b6f4-360cbfd1ced2_413x413.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Uma coisa ficou muito clara ao longo do programa <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/liderando-a-aprendizagem">Leading Learning</a> em Harvard Graduate School of Education:</p><p>O problema das escolas raramente &#233; saber o que precisa melhorar. O problema &#233; como mudar de verdade.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>E aqui aparecem dois caminhos bem diferentes:</p><p><strong>Big Bang</strong> x <strong>Snowball</strong></p><p>A maioria das escolas usa s&#243; um. As melhores sabem quando usar cada um.</p><div><hr></div><p><strong>Big Bang: quando mudan&#231;a incremental n&#227;o resolve</strong></p><p>Como o nome sugere, &#233; uma explos&#227;o. R&#225;pida. De uma vez s&#243;.</p><p>&#201; quando voc&#234; olha para o sistema e se d&#225; conta: ajuste pequeno n&#227;o vai resolver.</p><p>Exemplos claros: cultura acad&#234;mica fraca, baixa expectativa generalizada, aula sem estrutura, avalia&#231;&#245;es que n&#227;o medem nada relevante.</p><p>Nesses casos, ir devagar s&#243; prolonga o problema. Voc&#234; precisa virar a chave.</p><p>Na pr&#225;tica, Big Bang significa deixar expl&#237;cito o que &#233; aceit&#225;vel e o que n&#227;o &#233;, redefinir o padr&#227;o de aula, alinhar todo mundo rapidamente e sustentar isso com consist&#234;ncia.</p><p>&#201; desconfort&#225;vel. Alguns professores n&#227;o v&#227;o se adaptar. Alguns v&#227;o sair.</p><p>Em muitos casos, isso n&#227;o &#233; efeito colateral. &#201; parte da mudan&#231;a.</p><p>J&#225; vimos isso em escolas tentando elevar o rigor: enquanto tratam como &#8220;ajuste&#8221;, nada muda. Quando tornam o padr&#227;o n&#227;o negoci&#225;vel, o sistema reage.</p><p>O maior erro aqui &#233; tentar resolver um problema estrutural com mudan&#231;a incremental. N&#227;o funciona.</p><div><hr></div><p><strong>Snowball: quando voc&#234; ainda n&#227;o sabe o melhor caminho</strong></p><p>Tem situa&#231;&#245;es em que o erro &#233; justamente o oposto: achar que d&#225; para definir tudo de cima e implementar de uma vez.</p><p>Exemplos: uso de tecnologia e IA, novas metodologias de ensino, modelos de personaliza&#231;&#227;o, integra&#231;&#227;o entre disciplinas.</p><p>Nesses casos, o problema n&#227;o &#233; falta de dire&#231;&#227;o. &#201; falta de certeza. &#201; necessidade de testar antes de escalar.</p><p>Se voc&#234; fizer Big Bang aqui, corre o risco de errar em larga escala, gerar rejei&#231;&#227;o desnecess&#225;ria e perder credibilidade.</p><p>Ent&#227;o o caminho &#233; Snowball: come&#231;a pequeno, testa na pr&#225;tica, aprende r&#225;pido, ajusta e s&#243; depois escala.</p><p>&#201; menos heroico. Mas muito tamb&#233;m muito eficaz.</p><p>J&#225; vimos os dois lados: escolas tentando implementar tecnologia em larga escala desperdi&#231;aram tempo e dinheiro. As que testaram bem, ajustaram e depois expandiram chegaram muito mais longe.</p><p>O risco aqui &#233; outro: ficar confort&#225;vel no piloto. Boa iniciativa que nunca escala tamb&#233;m n&#227;o resolve nada.</p><div><hr></div><p><strong>O erro mais comum -  e mais emocional</strong></p><p>Na pr&#225;tica, a escolha raramente &#233; t&#233;cnica. &#201; emocional.</p><p>Snowball para evitar conflito. Big Bang para mostrar a&#231;&#227;o.</p><p>Mas a pergunta deveria ser outra:</p><p>Esse problema se resolve com ajuste&#8230; ou exige ruptura?</p><p>Na maioria dos casos, o melhor caminho n&#227;o &#233; escolher um. &#201; usar os dois -  em momentos diferentes.</p><p>Exemplo real de escola:</p><p>Big Bang na expectativa: &#8220;toda aula precisa ter rigor, clareza e participa&#231;&#227;o ativa.&#8221; Snowball na pr&#225;tica: testar como isso acontece, com quais estrat&#233;gias, em quais formatos.</p><p>Clareza forte no o qu&#234;. Flexibilidade inteligente no como.</p><div><hr></div><p><strong>Aplicando ao momento atual -  IA na educa&#231;&#227;o</strong></p><p>Esse tema deixa tudo isso muito evidente.</p><p>Ignorar a IA leva &#224; irrelev&#226;ncia. Impor tudo de uma vez gera caos.</p><p>Ent&#227;o o caminho tem sido:</p><p>Big Bang nos princ&#237;pios -  o que acreditamos sobre aprendizagem. Snowball na execu&#231;&#227;o -  como usar IA sem perder rigor.</p><p><strong>Existem dois tipos de problema na escola.</strong></p><p>Tem problema que melhora com ajuste. Tem problema que s&#243; melhora com ruptura.</p><p>Saber a diferen&#231;a &#233; uma das principais fun&#231;&#245;es do l&#237;der.</p><p>Big Bang cria dire&#231;&#227;o e quebra in&#233;rcia. Snowball cria aprendizado e sustentabilidade. N&#227;o &#233; sobre mudar r&#225;pido ou devagar. &#201; sobre mudar do jeito que realmente funciona.</p><p>Seguimos aprendendo e construindo.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Mint Education Notes — Março 2026 ]]></title><description><![CDATA[Resultados 4T25 / 2025: Bioma Educa&#231;&#227;o em foco, e o retrato das grandes do ensino superior]]></description><link>https://mintedu.substack.com/p/mint-education-notes-marco-2026</link><guid isPermaLink="false">https://mintedu.substack.com/p/mint-education-notes-marco-2026</guid><dc:creator><![CDATA[Mint Education Notes]]></dc:creator><pubDate>Wed, 01 Apr 2026 11:56:26 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9b672395-6a0a-4332-9f2b-6baa6c674f5c_1024x1024.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Na edi&#231;&#227;o de fevereiro, a gente mergulhou nos resultados da Salta Educa&#231;&#227;o e como uma rede madura de ensino b&#225;sico opera. (Se ainda n&#227;o leu, <a href="/__u/mintedu.substack.com/p/mint-education-notes-fevereiro-de">clique aqui</a>)<br><br>Nesta edi&#231;&#227;o, o destaque vai para a Bioma Educa&#231;&#227;o, que em 2025 encerrou um ciclo intenso de desinvestimentos e reposicionamento, e j&#225; come&#231;a a mostrar uma opera&#231;&#227;o mais enxuta, mais premium e com margens melhores.</p><p>Depois da Bioma, passamos pelo ensino superior listado (Vitru, Cogna, &#194;nima, Ser e Yduqs), comparando margens, alavancagem e din&#226;mica de crescimento. </p><p>Fechamos com dois artigos publicados aqui durante o m&#234;s que passou: I) Por que professores ficam e II) Liderando Aprendizagem</p><div><hr></div><h2><strong>1. Comparativo r&#225;pido</strong></h2><p>Resumo das empresas e seus resultados:</p><ul><li><p><strong>Bioma</strong> (K&#8209;12 premium): enxuga portf&#243;lio, melhora margem e reduz d&#237;vida; entra em 2026 com recorde de rematr&#237;cula e boa capta&#231;&#227;o, sugerindo que a rede est&#225; pronta para crescer.</p></li><li><p><strong>Vitru</strong>: digital/semipresencial com foco em efici&#234;ncia; cresce receita ~5&#8211;6%, bate <strong>38,7% de margem EBITDA ajustada</strong> e converte mais de <strong>50%</strong> do EBITDA em caixa livre, reduzindo alavancagem para <strong>1,99x</strong>.</p></li><li><p><strong>&#194;nima</strong>: ecossistema com Core + Digital + Inspirali; cresce receita, melhora margens, gera mais de R$ 1,4 bi de caixa operacional e derruba alavancagem para <strong>2,49x</strong>; medicina segue como &#226;ncora, e digital come&#231;a a colher o reposicionamento de oferta.</p></li><li><p><strong>Cogna</strong>: conglomerado com Kroton (superior), Vasta (B2B K&#8209;12) e Saber (b&#225;sica pr&#243;pria); cresce 9,8% em receita, expande margem bruta, melhora EBITDA gerencial; ainda carrega um custo financeiro relevante, mas mostra avan&#231;o em efici&#234;ncia e impacto real em B2G e digital.</p></li><li><p><strong>Ser</strong>: case de h&#237;brido/sa&#250;de com forte alavancagem operacional; cresce receita e EBITDA acima de 10% e quase dobra gera&#231;&#227;o de caixa p&#243;s&#8209;CAPEX; reduz alavancagem para <strong>0,90x</strong> e ainda paga dividendos.</p></li><li><p><strong>Yduqs</strong>: grande player de superior que combina premium, digital e medicina; refor&#231;a disciplina financeira e gera&#231;&#227;o de caixa, com indicadores operacionais em trajet&#243;ria positiva e papel relevante em medicina e p&#243;s.</p></li></ul><p>Pontos em comum:</p><ul><li><p>2025 foi um ano de <strong>gera&#231;&#227;o de caixa melhor</strong> para praticamente todos os players.</p></li><li><p>A <strong>desalavancagem</strong> virou mantra -  e est&#225; de fato acontecendo.</p></li><li><p>O <strong>Novo Marco do EAD</strong> redefiniu estrat&#233;gias: semipresencial ganha relev&#226;ncia, digital precisa de mais qualidade e presen&#231;a f&#237;sica, e quem j&#225; estava preparado largou na frente.</p></li></ul><div><hr></div><h2><strong>2. Bioma Educa&#231;&#227;o -  o &#8220;ano 1&#8221; depois da arruma&#231;&#227;o de casa</strong></h2><h3><strong>O que mudou em 2025</strong></h3><p>A Bioma passou 2025 fazendo uma readequa&#231;&#227;o de portf&#243;lio.</p><ul><li><p>Venda da Escola Mais em abril.</p></li><li><p>Venda do cursinho Intergraus em setembro.</p></li><li><p>Foco, daqui para frente, nas escolas contempor&#226;neas, bil&#237;ngues e internacionais - marcas com posi&#231;&#227;o clara, ticket mais alto e maior potencial de diferencia&#231;&#227;o.</p><p></p></li></ul><h3><strong>N&#250;meros das escolas premium (2025)</strong></h3><p>O recorte mais importante hoje n&#227;o &#233; o consolidado &#8220;antigo&#8221; com tudo dentro, e sim as escolas que ficaram.</p><p>Nas escolas premium:</p><ul><li><p><strong>Receita l&#237;quida</strong>: R$ 324,9 milh&#245;es em 2025</p><ul><li><p>&#8211;9,9% vs. 2024, mas a queda vem quase toda dos desinvestimentos.</p></li><li><p>Nas escolas mantidas, a base de alunos ficou <strong>praticamente est&#225;vel</strong>; o <strong>ticket m&#233;dio subiu cerca de 5%</strong>.</p></li></ul></li><li><p><strong>Custos, despesas e corporativo</strong></p><ul><li><p>Custos e despesas operacionais: &#8211;8,3% vs. 2024.</p></li><li><p>Despesas corporativas: &#8211;11,1%, com redu&#231;&#227;o de 0,5 p.p. como % da receita l&#237;quida.</p></li></ul></li><li><p><strong>EBITDA ajustado ex&#8209;IFRS (escolas premium)</strong></p><ul><li><p>2025: <strong>R$ 18,4 milh&#245;es</strong>.</p></li><li><p>Crescimento de <strong>3,7x</strong> vs. 2024, no recorte premium.</p></li><li><p>Margem sobre receita premium sobe <strong>4,2 p.p.</strong></p></li></ul></li><li><p><strong>EBITDA ajustado total (incluindo estorno de aluguel)</strong></p><ul><li><p>Estorno/ajuste de aluguel: <strong>R$ 28,1 milh&#245;es</strong>.</p></li><li><p>EBITDA ajustado total das premium: <strong>R$ 46,4 milh&#245;es</strong>, margem de <strong>18,7%</strong> (+3,3 p.p. vs. 2024).</p></li></ul></li></ul><p>Ou seja: a linha de receita encolhe porque a companhia vendeu ativos, mas a parte boa do neg&#243;cio come&#231;a a gerar muito mais margem e caixa. Em um case de reestrutura&#231;&#227;o, esse &#233; o sinal que voc&#234; quer ver.</p><h3><strong>N&#227;o recorrentes, desinvestimentos e &#8220;barulho&#8221; cont&#225;bil</strong></h3><p>Todo ciclo de transforma&#231;&#227;o vem com uma cauda de itens n&#227;o recorrentes. Em 2025, a Bioma teve:</p><ul><li><p>Impacto l&#237;quido de -R$ 32,0 milh&#245;es , composto por:</p><ul><li><p>Ganhos com efeito caixa dos desinvestimentos: +R$ 13,1 milh&#245;es.</p></li><li><p>Baixas cont&#225;beis e impairment sem efeito caixa: -R$ 45,0 milh&#245;es (principalmente desinvestimentos e impairment de goodwill da Escola Viva).</p></li></ul></li><li><p>Preju&#237;zo consolidado de 2025: R$ 61,6 milh&#245;es, substancialmente impactado por baixas de impairment e baixas de ativos associadas &#224;s opera&#231;&#245;es desinvestidas.</p></li><li><p>Desconsiderando essas baixas cont&#225;beis, o lucro do 4T25 teria sido de R$ 2,0 milh&#245;es (2,4% da receita l&#237;quida do trimestre), indicando inflex&#227;o ap&#243;s a fase mais intensa de reestrutura&#231;&#227;o.</p></li></ul><p>O ano ainda carrega o &#8220;rastro&#8221; da reestrutura&#231;&#227;o; o quarto trimestre j&#225; parece uma fotografia mais pr&#243;xima da &#8220;vida normal&#8221; do portf&#243;lio que fica.</p><h3><strong>Caixa, d&#237;vida e im&#243;veis</strong></h3><p>Na frente financeira, a Bioma usou 2025 para continuar desalavancando e organizar o balan&#231;o.</p><ul><li><p><strong>D&#237;vida l&#237;quida</strong>: <strong>R$ 21,4 milh&#245;es</strong> ao final de 2025.</p></li><li><p><strong>Saldo de caixa</strong>: <strong>R$ 12,1 milh&#245;es</strong>.</p></li><li><p><strong>Gera&#231;&#227;o de caixa operacional</strong>: <strong>R$ 16,9 milh&#245;es</strong>.</p></li><li><p><strong>Desinvestimentos</strong>: <strong>R$ 17,6 milh&#245;es</strong> de entrada de caixa em 2025.</p></li><li><p><strong>CAPEX</strong>: <strong>R$ 12,3 milh&#245;es</strong> (acima do &#8220;recorrente&#8221;, puxado por adapta&#231;&#245;es de im&#243;veis devolvidos e expans&#227;o de Viva e Dual).</p></li></ul><p>Depois do balan&#231;o:</p><ul><li><p>Em fevereiro/mar&#231;o de 2026, a Bioma antecipou <strong>R$ 2,4 milh&#245;es</strong> de receb&#237;veis vinculados &#224; venda do Intergraus, com taxa abaixo do seu custo de d&#237;vida, para reduzir ainda mais a alavancagem.</p></li></ul><p>Imobili&#225;rio:</p><ul><li><p>A companhia passou a carregar um <strong>CRI de R$ 11,5 milh&#245;es</strong> ligado ao im&#243;vel da antiga unidade Mascote (Escola Mais), contabilizado por <strong>R$ 15,9 milh&#245;es</strong>.</p><ul><li><p>O im&#243;vel est&#225; &#224; venda; a ideia &#233; &#243;bvia e correta: vender, quitar o CRI, reduzir d&#237;vida e liberar capital.</p></li></ul></li><li><p>Dois im&#243;veis de uso pr&#243;prio:</p><ul><li><p>Florian&#243;polis (sede do Col&#233;gio Autonomia).</p></li><li><p>Rio de Janeiro (parte das atividades da Escola Parque G&#225;vea).</p></li></ul></li><li><p>Administra&#231;&#227;o avalia continuamente opera&#231;&#245;es de sale &amp; leaseback, com potencial adicional de libera&#231;&#227;o de capital e ajuste da estrutura de capital.</p></li></ul><p>Resultado: menos d&#237;vida, caixa ajudado por desinvestimentos, e ainda um &#8220;estoque&#8221; de im&#243;veis com potencial de virar financiamento adicional da desalavancagem.</p><h3><strong>Opera&#231;&#227;o: como 2026 come&#231;ou</strong></h3><p>Os indicadores de in&#237;cio de ano trazidos no relat&#243;rio da administra&#231;&#227;o s&#227;o animadores para quem olha 2026:</p><ul><li><p><strong>Rematr&#237;cula</strong>:</p><ul><li><p>Recorde de <strong>89,3%</strong>, +0,2 p.p. vs. 2025, na mesma base de escolas.</p></li></ul></li><li><p><strong>Capta&#231;&#227;o de novos alunos</strong>:</p><ul><li><p>Crescimento de <strong>17,2%</strong> vs. 2025, tamb&#233;m em base compar&#225;vel.</p></li></ul></li><li><p><strong>Base de estudantes</strong>:</p><ul><li><p>In&#237;cio de 2026 com <strong>~8,7 mil estudantes</strong>, <strong>+1,5%</strong> vs. 2025, considerando as mesmas escolas.</p></li></ul></li></ul><h3><strong>Para onde a Bioma quer ir</strong></h3><p>A companhia diz que 2026 ser&#225; guiado por quatro prioridades:</p><ol><li><p><strong>Vanguarda pedag&#243;gica</strong><br>Forma&#231;&#227;o conjunta e continuada de educadores, cultura avaliativa comum, uso mais consistente de dados de aprendizagem e pr&#225;ticas alinhadas ao discurso de &#8220;escola contempor&#226;nea&#8221;.</p></li><li><p><strong>Marcas desejadas</strong><br>Fortalecimento da identidade e do prop&#243;sito de cada escola; marketing mais profissionalizado e focado em explicar valor, n&#227;o s&#243; pre&#231;o; constru&#231;&#227;o de posicionamentos claros em cada pra&#231;a.</p></li><li><p><strong>Sustentabilidade financeira</strong><br>Crescimento de receita por aluno e por escola, disciplina de custos e Capex, gest&#227;o ativa de portf&#243;lio.</p></li><li><p><strong>Excel&#234;ncia operacional</strong><br>Centros de servi&#231;os compartilhados, padroniza&#231;&#227;o de processos, ganho de escala em compras, cobran&#231;a e sistemas -  sem perder a autonomia pedag&#243;gica onde ela &#233; relevante.</p></li></ol><div><hr></div><h2><strong>3. Ensino superior -  Vitru, &#194;nima, Cogna, Ser e Yduqs</strong></h2><p>Uma leitura sint&#233;tica de cada grupo, com foco em 2025 e no 4T25.</p><h3><strong>Vitru (VTRU) -  digital e semipresencial em modo &#8220;m&#225;quina de caixa&#8221;</strong></h3><p>Alguns n&#250;meros&#8209;chave de 2025:</p><ul><li><p><strong>Base de alunos</strong>: 915,4 mil (+11% vs. 2024), com 97,7% em EAD/semipresencial.</p></li><li><p><strong>Receita l&#237;quida</strong>: R$ 2.259,1 milh&#245;es (+5,5%).</p></li><li><p><strong>Lucro bruto ajustado</strong>: R$ 1.581,1 milh&#245;es (+7,0%), margem bruta ajustada de <strong>70,0%</strong>.</p></li><li><p><strong>EBITDA ajustado</strong>: R$ 873,7 milh&#245;es (+10,1%), margem de <strong>38,7%</strong> &#8212; maior margem anual j&#225; reportada.</p></li><li><p><strong>Lucro l&#237;quido ajustado</strong>: R$ 483,7 milh&#245;es (+61,2%), margem de <strong>21,4%</strong>.</p></li><li><p><strong>Fluxo de caixa livre</strong>: R$ 571,3 milh&#245;es (+22,5%), convers&#227;o de <strong>54,8%</strong>.</p></li><li><p><strong>D&#237;vida l&#237;quida ex&#8209;IFRS 16</strong>: R$ 1,6 bilh&#227;o, &#8211;15,5% vs. 2024; alavancagem de <strong>1,99x</strong> EBITDA.</p></li></ul><p>No 4T25, os resultados vieram acima do esperado (o seu highlight: +7% vs. BBI em EBITDA, +24% em EBT):</p><ul><li><p><strong>Receita l&#237;quida</strong>: R$ 558,1 milh&#245;es (+5,3% vs. 4T24).</p></li><li><p><strong>EBITDA ajustado</strong>: R$ 202,4 milh&#245;es (+20,7%), margem de <strong>36,3%</strong>.</p></li><li><p><strong>Lucro l&#237;quido ajustado</strong>: R$ 117,4 milh&#245;es (+21,9%), margem de <strong>21,0%</strong>.</p></li><li><p><strong>FCL</strong>: R$ 119,2 milh&#245;es (+25,5%).</p></li></ul><p>Pontos qualitativos:</p><ul><li><p>Capta&#231;&#227;o da gradua&#231;&#227;o crescendo 7,6% vs. 4T24;</p></li><li><p>Semipresencial j&#225; 55% da capta&#231;&#227;o do trimestre (+18,5% vs. 4T24), beneficiado pelo Novo Marco Regulat&#243;rio (NMR);</p></li><li><p>Ticket m&#233;dio sob press&#227;o (&#8211;6,3% na gradua&#231;&#227;o EAD no 4T25), mas compensado por escala, reten&#231;&#227;o melhor e efici&#234;ncia de custos;</p></li><li><p>Desalavancagem constante, com 10 trimestres seguidos de queda da alavancagem.</p></li></ul><p>Vitru segue como o case mais &#8220;puro&#8221; de educa&#231;&#227;o digital/semipresencial com escala, margem alta e foco em gera&#231;&#227;o de caixa.</p><div><hr></div><h3><strong>&#194;nima -  ecossistema com medicina forte e digital em reposicionamento</strong></h3><p>Em 2025, a &#194;nima reportou:</p><ul><li><p><strong>Receita l&#237;quida</strong>: R$ 4.023,7 milh&#245;es (+5,8%), com crescimento em todos os segmentos (Core, Digital, Inspirali).</p></li><li><p><strong>EBITDA ajustado ex&#8209;IFRS 16</strong>: R$ 1.206,8 milh&#245;es (+11,2%), margem de <strong>30,0%</strong> (+1,5 p.p.).</p></li><li><p><strong>EBITDA ajustado (total)</strong>: R$ 1.492,2 milh&#245;es (+9,6%), margem de <strong>37,1%</strong>.</p></li><li><p><strong>Lucro l&#237;quido atribu&#237;vel aos controladores</strong>: R$ 123,8 milh&#245;es (+45,3%).</p></li><li><p><strong>Gera&#231;&#227;o de caixa operacional</strong>: R$ 1.488,9 milh&#245;es (+15,3%).</p></li><li><p><strong>Alavancagem</strong>: d&#237;vida l&#237;quida / EBITDA ajustado ex&#8209;IFRS 16 de <strong>2,49x</strong> (vs. 2,80x no 4T24).</p></li></ul><p>Operacionalmente:</p><ul><li><p><strong>&#194;nima Core</strong>:</p><ul><li><p>Capta&#231;&#227;o do ensino acad&#234;mico +7,0% em 2025;</p></li><li><p>Ticket do ensino acad&#234;mico +5,4%;</p></li><li><p>Margem operacional de 38,4% (vs. 37,7% em 2024).</p></li></ul></li><li><p><strong>Ensino Digital</strong>:</p><ul><li><p>Ticket do ensino acad&#234;mico +7,7%;</p></li><li><p>Evas&#227;o melhorando 6,3 p.p. vs. 2024;</p></li><li><p>Impacto inicial do Novo Marco do EAD (suspens&#227;o de Engenharias e Licenciaturas a partir de setembro);</p></li><li><p>Margem operacional de 47,0% (vs. 38,4% em 2024).</p></li></ul></li><li><p><strong>Inspirali (medicina e sa&#250;de)</strong>:</p><ul><li><p>Receita l&#237;quida +9,8%;</p></li><li><p>Base de alunos +2,6%;</p></li><li><p>Ticket m&#233;dio +5,0%;</p></li><li><p>Educa&#231;&#227;o m&#233;dica continuada com base de alunos +81,3%;</p></li><li><p>Margem operacional est&#225;vel em 52,8%.</p></li></ul></li></ul><p>A companhia refor&#231;a ainda o investimento pesado em qualidade acad&#234;mica, IA aplicada (IA.RA, Learning Analytics) e reconhecimento regulat&#243;rio (conceito m&#225;ximo em uma quantidade relevante de avalia&#231;&#245;es in loco).</p><div><hr></div><h3><strong>Cogna -  conglomerado diversificado com foco em efici&#234;ncia e &#8220;B2G + digital&#8221;</strong></h3><p>Os n&#250;meros completos de Cogna s&#227;o extensos, mas a fotografia de 2025 pode ser resumida em:</p><ul><li><p><strong>Receita l&#237;quida</strong>: R$ 7,0 bilh&#245;es (+9,8%), com crescimento em Kroton (superior), Vasta (B2B/K&#8211;12) e leve queda em Saber (b&#225;sica pr&#243;pria).</p></li><li><p><strong>Lucro bruto</strong>: R$ 4,8 bilh&#245;es (+12,8%), margem bruta de <strong>68,8%</strong>.</p></li><li><p><strong>EBITDA ajustado</strong> (vis&#227;o gerencial): R$ 2,25 bilh&#245;es (pela reconcilia&#231;&#227;o de DRE), com margem robusta.</p></li><li><p><strong>Resultado financeiro</strong> ainda pesado (&#8211;R$ 728 milh&#245;es), mas em linha com a estrutura de d&#237;vida e o ciclo de juros.</p></li><li><p><strong>Lucro do exerc&#237;cio</strong>: R$ 586,0 milh&#245;es (R$ 625,5 milh&#245;es atribu&#237;veis aos controladores).</p></li></ul><p>No 4T25 especificamente:</p><ul><li><p><strong>Receita l&#237;quida</strong>: R$ 2,20 bilh&#245;es (+1,9% vs. 4T24).</p></li><li><p><strong>Lucro bruto</strong>: R$ 1,45 bilh&#227;o, margem de <strong>66,1%</strong>.</p></li><li><p><strong>EBITDA gerencial</strong>: R$ 742,2 milh&#245;es.</p></li><li><p><strong>Lucro l&#237;quido atribu&#237;vel aos controladores</strong>: R$ 220 milh&#245;es.</p></li></ul><p>Alguns pontos qualitativos:</p><ul><li><p><strong>Kroton</strong> segue como motor principal, com superior crescendo e base relevante de parcelamento pr&#243;prio (PEP/PMT) e FIES.</p></li><li><p><strong>Vasta</strong> ganha peso como plataforma B2B e digital para educa&#231;&#227;o b&#225;sica, com o Plural e solu&#231;&#245;es de conte&#250;do/tecnologia.</p></li><li><p><strong>Saber</strong> ajusta portf&#243;lio de escolas pr&#243;prias.</p></li><li><p>PNLD e B2G continuam sendo linhas importantes, mas com volatilidade de cronograma e reconhecimento.</p></li></ul><p>Cogna &#233;, talvez, o case mais complexo de ler &#8220;numa tacada s&#243;&#8221;, mas a mensagem central de 2025 &#233;: expans&#227;o de margem bruta, crescimento de receita, ganhos operacionais e ainda um custo financeiro que pesa, mas &#233; gerenci&#225;vel na medida em que a empresa avan&#231;a em gera&#231;&#227;o de caixa e refinanciamentos.</p><div><hr></div><h3><strong>Ser Educacional -  sa&#250;de, h&#237;brido e desalavancagem acelerada</strong></h3><p>O release da Ser para o 4T25/2025 traz uma combina&#231;&#227;o de crescimento, margem e queda de alavancagem:</p><ul><li><p><strong>Alunos de gradua&#231;&#227;o h&#237;brida</strong>: 182,0 mil (+10,4%), quinto ano seguido de crescimento da base.</p></li><li><p><strong>Receita l&#237;quida</strong> 4T25: R$ 572,9 milh&#245;es (+9,4%).</p></li><li><p><strong>Receita l&#237;quida 2025</strong>: R$ 2.216,5 milh&#245;es (+11,9%).</p></li><li><p><strong>EBITDA ajustado 4T25</strong>: R$ 150,4 milh&#245;es (+22,8%), margem de <strong>26,3%</strong>.</p></li><li><p><strong>EBITDA ajustado 2025</strong>: R$ 559,6 milh&#245;es (+27,8%), margem de <strong>25,2%</strong> (+3,2 p.p.).</p></li><li><p><strong>Lucro l&#237;quido ajustado 4T25</strong>: R$ 76,9 milh&#245;es (+112,1%).</p></li><li><p><strong>Lucro l&#237;quido ajustado 2025</strong>: R$ 239,4 milh&#245;es (+141,7%).</p></li><li><p><strong>Gera&#231;&#227;o operacional de caixa l&#237;quida p&#243;s&#8209;CAPEX 4T25</strong>: R$ 74,5 milh&#245;es (+227,9%), com convers&#227;o de <strong>49,5%</strong> sobre EBITDA ajustado.</p></li><li><p><strong>GOC p&#243;s&#8209;CAPEX 2025</strong>: R$ 289,0 milh&#245;es (+148,5%), convers&#227;o de <strong>51,7%</strong>.</p></li><li><p><strong>D&#237;vida l&#237;quida</strong>: R$ 504,7 milh&#245;es (&#8211;29,8% vs. 4T24).</p></li><li><p><strong>D&#237;vida l&#237;quida / EBITDA ajustado UDM</strong>: <strong>0,90x</strong> (vs. 1,64x em 4T24).</p></li></ul><p>Operacionalmente:</p><ul><li><p>Fort&#237;ssima expans&#227;o em cursos de sa&#250;de e medicina</p><ul><li><p>Vagas anuais de medicina: 1.001 (+6,4%).</p></li><li><p>Alunos de medicina: 4.032 (+12,3%).</p></li><li><p>Sa&#250;de j&#225; representa 65% da base h&#237;brida e 47% da base total de gradua&#231;&#227;o.</p></li></ul></li><li><p>Taxas de evas&#227;o:</p><ul><li><p>H&#237;brido: 12,2% (vs. 12,5%).</p></li><li><p>Digital: 21,1% (leve alta de 1,6 p.p.).</p></li></ul></li><li><p>Ticket m&#233;dio ex&#8209;Prouni nos &#250;ltimos 6 meses:</p><ul><li><p>H&#237;brido total: +3,1%; ex&#8209;medicina: +2,5%.</p></li><li><p>Digital: &#8211;2,0%.</p></li></ul></li></ul><p>Ser tamb&#233;m aprovou <strong>R$ 61,1 milh&#245;es em dividendos</strong> (R$ 0,4789/a&#231;&#227;o), com pagamentos em abril e maio de 2026.</p><p>&#201; um case cl&#225;ssico de crescer em sa&#250;de/h&#237;brido, extrair alavancagem operacional e usar o caixa para pagar d&#237;vida e ainda devolver dinheiro ao acionista.</p><div><hr></div><h3><strong>Yduqs -  premium, digital e medicina sob o mesmo guarda&#8209;chuva</strong></h3><p>A Yduqs encerrou 2025 com um desempenho que refor&#231;a sua trajet&#243;ria de <strong>desalavancagem e gera&#231;&#227;o de caixa</strong>, mantendo o crescimento moderado da receita e um foco operacional claro nas &#225;reas de sa&#250;de e no portf&#243;lio premium.</p><p><strong>Em resumo:</strong></p><ul><li><p><strong>Receita l&#237;quida:</strong> R$ 1,305 bilh&#227;o no 4T25 (+3% vs. 4T24). Crescimento anual de 3,2% (R$ 5,522 bilh&#245;es em 2025).</p></li><li><p><strong>EBITDA ajustado:</strong> R$ 459 milh&#245;es no trimestre (+16% vs. 4T24), com margem de <strong>35%</strong> (alta de 4 p.p.). No ano, EBITDA ajustado de R$ 1,875 bilh&#227;o (+3%).</p></li><li><p><strong>Gera&#231;&#227;o de caixa (FCA):</strong> R$ 630 milh&#245;es em 2025, permitindo reduzir d&#237;vida l&#237;quida, pagar dividendos (R$ 150 mi) e recomprar a&#231;&#245;es (R$ 154 mi).</p></li><li><p><strong>D&#237;vida l&#237;quida/EBITDA ajustado:</strong> caiu para <strong>1,46x</strong> (vs. 1,61x em 4T24), menor patamar da s&#233;rie recente.</p></li><li><p><strong>Base de alunos de medicina:</strong> saltou de 10,4 mil para 14,8 mil no ano (+42%), com 2.060 vagas autorizadas/habilitadas. Sa&#250;de j&#225; representa <strong>47%</strong> da base total de gradua&#231;&#227;o.</p></li><li><p><strong>Evas&#227;o:</strong> est&#225;vel no h&#237;brido (12,2%), mas subiu no digital (21,1% no 2S25, +1,6 p.p.), refletindo ambiente competitivo.</p></li><li><p><strong>Ticket m&#233;dio (ex-PROUNI, &#250;ltimos 6 meses):</strong> crescimento de 5,8% no total, puxado pelo h&#237;brido (ex-medicina: +2,5%).</p></li></ul><p>A Yduqs conseguiu o &#8220;feiti&#231;o&#8221; do momento no setor: cresceu a base de medicina (ativo estrat&#233;gico de alto ticket), manteve a efici&#234;ncia operacional (custos sob controle) e usou o caixa gerado para <strong>reduzir alavancagem de forma consistente</strong> (12&#186; trimestre consecutivo de queda). O foco em sa&#250;de e no portf&#243;lio premium sustenta margens, enquanto o digital passa por ajustes. A d&#237;vida j&#225; est&#225; em n&#237;vel confort&#225;vel (1,46x), com custo m&#233;dio caindo (CDI +1,03%).</p><div><hr></div><h2><strong>4. Outros artigos publicados aqui em Mar&#231;o:</strong></h2><p></p><div class="digest-post-embed" data-attrs="{&quot;nodeId&quot;:&quot;e35132b8-c772-494f-a016-e6f0adafd59e&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Ao investigar a rela&#231;&#227;o entre sal&#225;rio e perman&#234;ncia de professores, Douglas Larkin e Suzanne Poole Patzelt, autores de The Reasons Teachers Stay (Harvard Education Press), esperavam confirmar uma hip&#243;tese comum: pagar melhor seria o principal fator para reter docentes. O que encontraram foi quase o oposto do senso comum. Em escolas com alta taxa de perm&#8230;&quot;,&quot;cta&quot;:&quot;Read full story&quot;,&quot;showBylines&quot;:true,&quot;showDescription&quot;:true,&quot;showImage&quot;:true,&quot;size&quot;:&quot;lg&quot;,&quot;isEditorNode&quot;:true,&quot;title&quot;:&quot;Por que os professores ficam? O que a pesquisa da Harvard revela al&#233;m do sal&#225;rio &quot;,&quot;publishedBylines&quot;:[{&quot;id&quot;:350791115,&quot;name&quot;:&quot;Mint Education Notes&quot;,&quot;bio&quot;:&quot;Presente e o futuro do setor de educa&#231;&#227;o do Brasil e do mundo - conectando educa&#231;&#227;o, capital e id&#233;as. &quot;,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d0eb6df8-02be-4350-8da5-0973e0a43085_413x413.jpeg&quot;,&quot;is_guest&quot;:false,&quot;bestseller_tier&quot;:null}],&quot;post_date&quot;:&quot;2026-03-10T11:08:44.734Z&quot;,&quot;cover_image&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a1427856-1fbf-4908-b4c1-fefcd9d7374a_724x1082.png&quot;,&quot;cover_image_alt&quot;:null,&quot;canonical_url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/p/por-que-os-professores-ficam-o-que&quot;,&quot;section_name&quot;:null,&quot;video_upload_id&quot;:null,&quot;id&quot;:190426111,&quot;type&quot;:&quot;newsletter&quot;,&quot;reaction_count&quot;:3,&quot;comment_count&quot;:0,&quot;publication_id&quot;:5225650,&quot;publication_name&quot;:&quot;Mint Education Notes&quot;,&quot;publication_logo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qRng!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F07f80eb2-0df7-4dbb-b6f4-360cbfd1ced2_413x413.png&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;youtube_url&quot;:null,&quot;show_links&quot;:null,&quot;feed_url&quot;:null}"></div><p></p><div class="digest-post-embed" data-attrs="{&quot;nodeId&quot;:&quot;4bbc4995-351b-42e9-a128-9d213022a4ca&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;Chegamos ao fim do terceiro modulo de gest&#227;o de escolas em Harvard, cuja tem&#225;tica foi Leading Learning.&quot;,&quot;cta&quot;:&quot;Read full story&quot;,&quot;showBylines&quot;:true,&quot;showDescription&quot;:true,&quot;showImage&quot;:true,&quot;size&quot;:&quot;lg&quot;,&quot;isEditorNode&quot;:true,&quot;title&quot;:&quot;Liderando a Aprendizagem&quot;,&quot;publishedBylines&quot;:[{&quot;id&quot;:350791115,&quot;name&quot;:&quot;Mint Education Notes&quot;,&quot;bio&quot;:&quot;Presente e o futuro do setor de educa&#231;&#227;o do Brasil e do mundo - conectando educa&#231;&#227;o, capital e id&#233;as. &quot;,&quot;photo_url&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d0eb6df8-02be-4350-8da5-0973e0a43085_413x413.jpeg&quot;,&quot;is_guest&quot;:false,&quot;bestseller_tier&quot;:null}],&quot;post_date&quot;:&quot;2026-03-24T16:15:56.297Z&quot;,&quot;cover_image&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/9e9c1b22-571a-46ea-8759-3aa57fd370b1_275x183.jpeg&quot;,&quot;cover_image_alt&quot;:null,&quot;canonical_url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/p/liderando-a-aprendizagem&quot;,&quot;section_name&quot;:null,&quot;video_upload_id&quot;:null,&quot;id&quot;:191977720,&quot;type&quot;:&quot;newsletter&quot;,&quot;reaction_count&quot;:2,&quot;comment_count&quot;:0,&quot;publication_id&quot;:5225650,&quot;publication_name&quot;:&quot;Mint Education Notes&quot;,&quot;publication_logo_url&quot;:&quot;https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!qRng!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F07f80eb2-0df7-4dbb-b6f4-360cbfd1ced2_413x413.png&quot;,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;youtube_url&quot;:null,&quot;show_links&quot;:null,&quot;feed_url&quot;:null}"></div><p></p><p>Obrigado pela leitura.</p><p></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Thanks for reading! 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O resultado &#233; previs&#237;vel: muita iniciativa, pouca mudan&#231;a real.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Abaixo, organizo os principais pontos em quatro blocos - sempre conectando ideia, m&#233;todo e pr&#225;tica.</p><div><hr></div><h2><strong>1. Sistemas alinhados ao que realmente importa</strong></h2><p>Escolas de alta performance fazem uma coisa simples &#8211; e dif&#237;cil &#8211; muito bem: colocam a vis&#227;o no centro e alinham tudo ao redor dela.</p><p>Na pr&#225;tica, isso significa tratar tr&#234;s sistemas como pe&#231;as de um mesmo motor:</p><ul><li><p><strong>Sistema de instru&#231;&#227;o</strong>: professores, alunos e pr&#225;ticas de sala.</p></li><li><p><strong>Sistema de curr&#237;culo</strong>: o que &#233; ensinado, com quais materiais, em que sequ&#234;ncia.</p></li><li><p><strong>Sistema de dados</strong>: como a escola enxerga, analisa e reage aos resultados.</p></li></ul><p>O ponto-chave &#233;: <strong>aluno no centro e recursos (pessoas, tempo, dinheiro) a servi&#231;o dessa vis&#227;o</strong>. <em>Misalignment </em>aqui costuma aparecer de forma bem concreta:</p><ul><li><p>Curr&#237;culo: apostila ou livro que n&#227;o conversa com a BNCC ou com a matriz de avalia&#231;&#227;o que realmente importa.</p></li><li><p>Instru&#231;&#227;o: professor tendo de trabalhar com textos complexos sem ter sido formado para isso.</p></li><li><p>Dados: muitos relat&#243;rios, pouca clareza sobre onde est&#227;o as principais lacunas de aprendizagem.</p></li></ul><p>O que l&#237;deres eficazes fazem?</p><ol><li><p><strong>Voltando &#224; vis&#227;o</strong>: definem com precis&#227;o o que &#8220;boa aprendizagem&#8221; significa na escola (por s&#233;rie, por componente).</p></li><li><p><strong>Auditam os tr&#234;s sistemas</strong> com essa lente:</p><ul><li><p>Curr&#237;culo: est&#225; alinhado a padr&#245;es e metas de aprendizagem? H&#225; buracos ou repeti&#231;&#245;es?</p></li><li><p>Instru&#231;&#227;o: os professores t&#234;m as habilidades certas para o curr&#237;culo que voc&#234; exige?</p></li><li><p>Dados: o que voc&#234; coleta permite diagnosticar e agir, ou apenas &#8220;cumprir tabela&#8221;?</p></li></ul></li><li><p><strong>Realocam recursos</strong>: ajustam gente, tempo e dinheiro para atacar os gargalos centrais, e n&#227;o &#8220;o que sempre fizemos&#8221;.</p></li></ol><p>Pergunta pr&#225;tica:<br><strong>Se eu congelar o or&#231;amento hoje, o uso de pessoas, tempo e dinheiro reflete mesmo nossas prioridades?</strong></p><p>Se a resposta for &#8220;n&#227;o sei&#8221;, o trabalho come&#231;a a&#237;.</p><div><hr></div><h2><strong>2. Cultura de instru&#231;&#227;o e de cuidado: n&#227;o &#233; &#8220;ou&#8221;, &#233; &#8220;e&#8221;</strong></h2><p>Cultura n&#227;o &#233; o que est&#225; na parede - &#233; o que acontece todos os dias.</p><p>Um erro comum &#233; separar:</p><ul><li><p>cultura acad&#234;mica forte</p></li><li><p>cultura de cuidado</p></li></ul><p>As melhores escolas integram as duas.<br><strong>Cuidado melhora aprendizagem.</strong></p><h3><strong>O Agreement Matrix: escolhendo a ferramenta certa</strong></h3><p>Uma chave interessante &#233; pensar em dois tipos de alinhamento entre equipe:</p><ol><li><p><strong>Todos concordam com o objetivo?</strong></p></li><li><p><strong>Todos concordam com o &#8220;como&#8221; chegar l&#225;?</strong></p></li></ol><p>Dependendo de onde sua escola cai nessas duas dimens&#245;es, voc&#234; precisa de ferramentas diferentes:</p><ul><li><p>Alta concord&#226;ncia na meta, baixa no como &#8594; usar <strong>ferramentas de lideran&#231;a/gest&#227;o</strong> (clarificar estrat&#233;gias, processos).</p></li><li><p>Baixa concord&#226;ncia em tudo &#8594; &#224;s vezes &#233; preciso usar <strong>poder formal</strong> para proteger o b&#225;sico (expectativas m&#237;nimas de pr&#225;tica, por exemplo).</p></li><li><p>Alta concord&#226;ncia em meta e em como &#8594; <strong>cultura e melhoria cont&#237;nua</strong>, com mais autonomia e corresponsabilidade.</p></li></ul><p>O ponto &#233;: <strong>n&#227;o existe uma &#250;nica &#8220;ferramenta de lideran&#231;a&#8221; que serve para todas as situa&#231;&#245;es</strong>. O contexto manda.</p><div><hr></div><h2><strong>3. Desenvolver professores de forma cont&#237;nua</strong></h2><p>Se o professor &#233; o principal fator de impacto, o sistema precisa fazer o professor melhorar - constantemente.</p><p>Isso exige sair de &#8220;treinamento pontual&#8221; e ir para <strong>aprendizagem cont&#237;nua</strong>:</p><ul><li><p>foco no curr&#237;culo real</p></li><li><p>pr&#225;tica ativa (testar, errar, ajustar)</p></li><li><p>colabora&#231;&#227;o com responsabilidade</p></li></ul><p>Algumas pr&#225;ticas simples e eficazes:</p><ul><li><p>coaching com feedback estruturado</p></li><li><p>tempo protegido para planejamento e reflex&#227;o</p></li><li><p>observa&#231;&#227;o de aula com prop&#243;sito claro</p></li></ul><p>Um ponto cr&#237;tico:<br><strong>separar desenvolvimento de avalia&#231;&#227;o.</strong><br>Misturar os dois gera defensividade e mata a cultura.</p><p>Na gest&#227;o da mudan&#231;a, um padr&#227;o aparece:</p><ul><li><p>~30% embarcam r&#225;pido</p></li><li><p>~40% esperam</p></li><li><p>~30% resistem</p></li></ul><p>O caminho &#233;:</p><ul><li><p>come&#231;ar pelos dispostos</p></li><li><p>gerar evid&#234;ncia</p></li><li><p>escalar com clareza sobre o que &#233; mandat&#243;rio</p><p></p></li></ul><div><hr></div><h2><strong>4. Liderar al&#233;m da sala de aula: tecnologia, fam&#237;lias e agilidade</strong></h2><p>O ambiente mudou &#8211; r&#225;pido. O curso traz um ponto &#243;bvio que muita escola ainda resiste em aceitar: <strong>mudan&#231;a &#233; constante</strong>. Seu trabalho n&#227;o &#233; evit&#225;-la, &#233; antecip&#225;-la e orquestr&#225;-la.</p><h3><strong>Agilidade estrat&#233;gica, operacional e cognitiva</strong></h3><ul><li><p><strong>Agilidade estrat&#233;gica</strong>: ler o ambiente (interno e externo) e ajustar rumo.</p></li><li><p><strong>Agilidade operacional</strong>: ajustar processos, ciclos, rotinas da equipe.</p></li><li><p><strong>Agilidade cognitiva</strong>: saber quando &#233; hora de rever a vis&#227;o e quando &#233; hora de, simplesmente, executar melhor.</p></li></ul><p>Dois estilos de mudan&#231;a aparecem:</p><ul><li><p><strong>Snowball</strong>: ir testando, ajustando e expandindo gradualmente.</p></li><li><p><strong>Big Bang</strong>: mudan&#231;as grandes, r&#225;pidas, em larga escala.</p></li></ul><p>Nenhum &#233; &#8220;melhor por princ&#237;pio&#8221;. O contexto manda.</p><p> Falaremos mais sobre estes estilos num pr&#243;ximo post.</p><h3><strong>Tecnologia: come&#231;ar pela teoria de mudan&#231;a, n&#227;o pelo gadget</strong></h3><p>Antes de adotar qualquer ferramenta tecnol&#243;gica, a pergunta &#233;:</p><ul><li><p><em>Que problema instrucional ou de equidade isso resolve?</em></p></li><li><p><em>Qual &#233; a teoria de mudan&#231;a? Se isso funcionar, o que muda na pr&#225;tica da sala de aula e nos resultados dos alunos?</em></p></li></ul><p>E um alerta importante: <strong>Cuckoo Effect</strong> (Peter Drucker). Qualquer inova&#231;&#227;o &#8220;estranha ao sistema&#8221; tende a ser rejeitada pela cultura dominante da organiza&#231;&#227;o. Ent&#227;o, se voc&#234; quer que uma inova&#231;&#227;o sobreviva:</p><ul><li><p>D&#234; prote&#231;&#227;o, tempo e flexibilidade &#224; equipe piloto.</p></li><li><p>Afaste, temporariamente, essa iniciativa de processos que podem sufoc&#225;-la.</p></li><li><p>Conecte-a explicitamente &#224; vis&#227;o e &#224;s prioridades j&#225; reconhecidas pela escola.</p></li></ul><h3><strong>Fam&#237;lias como parceiras reais</strong></h3><p>A pesquisa &#233; clara: engajamento familiar consistente est&#225; associado a:</p><ul><li><p>Melhor desempenho acad&#234;mico.</p></li><li><p>Melhor comportamento.</p></li><li><p>Mais habilidades sociais.</p></li><li><p>Maior frequ&#234;ncia e taxas de conclus&#227;o.</p></li></ul><p>O papel do l&#237;der &#233; mover a escola de uma l&#243;gica de &#8220;convite para eventos&#8221; para uma <strong>l&#243;gica de parceria</strong>:</p><ul><li><p>Co-cria&#231;&#227;o de solu&#231;&#245;es.</p></li><li><p>Comunica&#231;&#227;o transparente, respeitosa e de m&#227;o dupla.</p></li><li><p>Programas e condi&#231;&#245;es que ajudem tanto escola quanto fam&#237;lia a exercer o papel de parceiro (n&#227;o assumir que &#8220;eles sabem como fazer&#8221;).</p></li></ul><div><hr></div><h3><strong>Amarrando tudo: o que um l&#237;der escolar pode levar daqui</strong></h3><p>Se eu tivesse de sintetizar o curso em a&#231;&#245;es para um diretor hoje, seria algo assim:</p><ol><li><p><strong>Clarificar a vis&#227;o de aprendizagem</strong> e alinhar curr&#237;culo, instru&#231;&#227;o, dados e recursos (pessoas, tempo, dinheiro) a ela.</p></li><li><p><strong>Construir uma cultura em que cuidado e rigor convivem</strong>, usando dados n&#227;o s&#243; para notas, mas para rela&#231;&#245;es, pertencimento e justi&#231;a.</p></li><li><p><strong>Organizar a escola para que professores aprendam o tempo todo</strong>, com pap&#233;is de lideran&#231;a docente claros, desenvolvimento bem desenhado e observa&#231;&#227;o com feedback de verdade.</p></li><li><p><strong>Adotar pr&#225;ticas &#225;geis para lidar com mudan&#231;a</strong>, usando ferramentas simples como PDCA para testar, aprender e escalar.</p></li><li><p><strong>Tratar tecnologia e fam&#237;lia como parte estrat&#233;gica do sistema</strong>, e n&#227;o como anexos.</p></li></ol><p>Tudo isso n&#227;o depende de condi&#231;&#245;es perfeitas. Depende de clareza, consist&#234;ncia e disposi&#231;&#227;o para mexer nos sistemas &#8211; e em si mesmo &#8211; o tempo todo.</p><p>Seguimos aprendendo - e construindo.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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O que a pesquisa da Harvard revela além do salário ]]></title><description><![CDATA[Rela&#231;&#245;es de apoio e culturas escolares fortes importam mais do que o sal&#225;rio para manter os professores em sala de aula, revelam autores da Harvard Education Press.]]></description><link>https://mintedu.substack.com/p/por-que-os-professores-ficam-o-que</link><guid isPermaLink="false">https://mintedu.substack.com/p/por-que-os-professores-ficam-o-que</guid><dc:creator><![CDATA[Mint Education Notes]]></dc:creator><pubDate>Tue, 10 Mar 2026 11:08:44 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/a1427856-1fbf-4908-b4c1-fefcd9d7374a_724x1082.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Ao investigar a rela&#231;&#227;o entre sal&#225;rio e perman&#234;ncia de professores, Douglas Larkin e Suzanne Poole Patzelt, autores de <em>The Reasons Teachers Stay</em> (Harvard Education Press), esperavam confirmar uma hip&#243;tese comum: pagar melhor seria o principal fator para reter docentes. O que encontraram foi quase o oposto do senso comum. Em escolas com alta taxa de perman&#234;ncia, o motivo n&#250;mero um para os professores ficarem n&#227;o era o sal&#225;rio, mas as rela&#231;&#245;es de apoio que encontravam no ambiente de trabalho.</p><p>Acompanhe os principais achados dos autores de Harvard Education Press que acabaram de ser divulgados.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><h3><strong>1. Rela&#231;&#245;es importam mais que sal&#225;rio</strong></h3><p>Em todos os contextos analisados &#8211; 13 distritos, em quatro estados norte&#8209;americanos, ao longo de seis anos &#8211; a resposta se repetia: os professores ficavam por causa de com quem trabalhavam. Colegas que compartilham recursos, trocam experi&#234;ncias, abrem as portas da sala, dividem d&#250;vidas e estrat&#233;gias. Uma cultura em que o professor n&#227;o est&#225; isolado, n&#227;o &#233; tratado como culpado em potencial, mas como profissional em desenvolvimento.</p><p>Os pr&#243;prios autores lembram que &#8220;somos organismos relacionais&#8221;. Em outras palavras: n&#227;o &#233; s&#243; uma quest&#227;o de &#8220;gostar de gente&#8221;; &#233; estrutural. A doc&#234;ncia &#233; historicamente uma profiss&#227;o do cuidado, e faz pouco sentido esperar que algu&#233;m permane&#231;a em um trabalho de cuidado em um ambiente frio, competitivo ou punitivo.</p><p>O sal&#225;rio, segundo a pesquisa, apareceu como &#8220;adequado&#8221; na percep&#231;&#227;o geral &#8211; n&#227;o como fator de entusiasmo. E aumentos n&#227;o se traduziram, de forma linear, em mais esfor&#231;o ou compromisso: a l&#243;gica &#8220;paga 10% a mais, o professor trabalha 10% mais&#8221; simplesmente n&#227;o se confirmou. O que realmente diferenciava as redes de alta reten&#231;&#227;o era o tecido de rela&#231;&#245;es e confian&#231;a entre professores e gestores.</p><h3><strong>2. O que caracteriza escolas de alta reten&#231;&#227;o</strong></h3><p>Larkin descreve essas escolas como &#8220;ecossistemas saud&#225;veis para professores&#8221;. N&#227;o se trata de um conjunto fixo de programas copi&#225;veis, e sim de um ambiente constru&#237;do ao longo do tempo. Algumas caracter&#237;sticas recorrentes:</p><ul><li><p><strong>Baixo isolamento docente</strong><br>As escolas analisadas n&#227;o eram espa&#231;os de &#8220;cada um por si&#8221;. Era raro encontrar professores trancados em suas salas, isolados. Em vez disso, predominavam pr&#225;ticas de compartilhamento: materiais, planejamento, conversas de corredor, parcerias improvisadas (&#8220;o professor da sala ao lado&#8221;, &#8220;o colega do plant&#227;o de corredor&#8221;).</p></li><li><p><strong>Lideran&#231;a que apoia, n&#227;o vigia</strong><br>Gestores atuavam menos como fiscais e mais como construtores de condi&#231;&#245;es para o trabalho docente. Avalia&#231;&#227;o n&#227;o era usada como &#8220;I gotcha&#8221; (peguei voc&#234; errando), mas como oportunidade de desenvolvimento. Gestores, em muitos casos, faziam o poss&#237;vel para filtrar press&#245;es externas e mudan&#231;as de pol&#237;tica, protegendo os professores do &#8220;caos&#8221; do sistema.</p></li><li><p><strong>Indu&#231;&#227;o que vai al&#233;m do onboarding</strong><br>A pesquisa come&#231;ou olhando para pol&#237;ticas de apoio a professores iniciantes. Havia mentores, coaches, encontros de forma&#231;&#227;o, at&#233; a&#231;&#245;es simb&#243;licas (como um tour pela comunidade local). Mas o mais interessante foi perceber que muitos docentes n&#227;o citavam programas formais como motivo principal para ficar. O que contava mesmo eram as rela&#231;&#245;es informais: a colega que ajuda na rotina, o grupo com quem se compartilha ang&#250;stias e pequenas vit&#243;rias.</p></li><li><p><strong>Cultura de confian&#231;a e autonomia</strong><br>Os autores destacam movimentos de desenvolvimento profissional liderado pelos pr&#243;prios professores. Em vez de um consultor externo falando para um audit&#243;rio passivo, docentes apresentavam experi&#234;ncias uns aos outros, podiam escolher em que atividades participar e, &#224;s vezes, usar parte do tempo de forma&#231;&#227;o para resolver demandas reais de sua pr&#225;tica. Isso comunica uma mensagem clara: a expertise do professor &#233; valorizada.</p></li></ul><h3><strong>3. O conceito de &#8220;teacher embeddedness&#8221;: fit, v&#237;nculos e ativos</strong></h3><p>Para explicar por que alguns professores ficam e outros v&#227;o embora, os autores usam o conceito de <em>teacher embeddedness</em> (algo como &#8220;enraizamento do professor no trabalho&#8221;). Em vez de tratar a perman&#234;ncia como uma decis&#227;o &#250;nica &#8211; ficar ou sair &#8211; a ideia &#233; enxergar uma acumula&#231;&#227;o de pequenos fatores que &#8220;seguram&#8221; o professor no cargo.</p><p>A met&#225;fora usada por Larkin &#233; simples e poderosa: em algumas escolas, como parte de desafios de leitura, o diretor &#233; colado na parede com fita adesiva. Uma tira de fita n&#227;o sustenta ningu&#233;m. Mas dezenas de tiras, uma sobre a outra, acabam segurando o adulto no ar. Cada pequeno elemento de conex&#227;o &#233; uma fita a mais.</p><p>Esse enraizamento &#233; analisado em uma grade 3x3, combinando tr&#234;s dimens&#245;es com tr&#234;s tipos de elemento:</p><ul><li><p><strong>Dimens&#245;es</strong></p><ol><li><p>A escola/organiza&#231;&#227;o</p></li><li><p>A profiss&#227;o docente</p></li><li><p>A comunidade em que a escola est&#225; inserida</p></li></ol></li><li><p><strong>Elementos em cada dimens&#227;o</strong></p><ul><li><p><em>Fit</em> (ader&#234;ncia): o quanto o professor sente que combina com aquela escola, com a profiss&#227;o, com aquela comunidade.</p></li><li><p><em>Links</em> (v&#237;nculos): conex&#245;es humanas &#8211; colegas, redes profissionais, rela&#231;&#245;es com fam&#237;lias, ex&#8209;alunos.</p></li><li><p><em>Assets</em> (ativos): o que o professor valoriza e encontra ali &#8211; desde um trajeto curto at&#233; recursos pedag&#243;gicos, apoio a forma&#231;&#227;o continuada ou clima de respeito.</p></li></ul></li></ul><p>Cada combina&#231;&#227;o (por exemplo, &#8220;v&#237;nculos na escola&#8221;, &#8220;fit com a comunidade&#8221;, &#8220;ativos na profiss&#227;o&#8221;) &#233; uma tirinha de fita. Sozinha, n&#227;o garante nada. Mas a soma explica melhor a perman&#234;ncia do que indicadores gen&#233;ricos, como &#8220;satisfa&#231;&#227;o no trabalho&#8221;. H&#225; professores satisfeitos que saem &#8211; e insatisfeitos que ficam. Olhar apenas para satisfa&#231;&#227;o &#233; raso; olhar para enraizamento &#233; mais preciso e &#250;til.</p><h3><strong>4. E quanto a pol&#237;ticas p&#250;blicas e contexto?</strong></h3><p>A pesquisa passa por estados com pol&#237;ticas bem diferentes &#8211; de ambientes hostis &#224; profiss&#227;o a estados com hist&#243;rico de investimento em equidade educacional. Pol&#237;ticas salariais, direito &#224; negocia&#231;&#227;o coletiva, modelos de avalia&#231;&#227;o e padr&#245;es de financiamento impactam, sim, a experi&#234;ncia docente. Por&#233;m, mesmo em cen&#225;rios adversos, um ponto reaparece: o papel da escola e da gest&#227;o em mediar esses choques.</p><p>Gestores, em muitos casos, funcionavam como &#8220;barreira&#8221; entre oscila&#231;&#245;es pol&#237;ticas e o cotidiano do professor. Isso inclu&#237;a, por exemplo, criar espa&#231;os espec&#237;ficos de apoio a professores de cor, enfrentar barreiras sutis ligadas ao racismo institucional e evitar que docentes de grupos minorizados carregassem sozinhos o peso da desigualdade estrutural.</p><h3><strong>5. O que isso implica para l&#237;deres escolares e redes?</strong></h3><p>Uma leitura apressada poderia concluir que &#8220;sal&#225;rio n&#227;o importa&#8221;. A pesquisa n&#227;o diz isso. Professores reconhecem o valor da remunera&#231;&#227;o e, em v&#225;rios contextos, ela est&#225; aqu&#233;m do desej&#225;vel. O que os dados mostram &#233; outra coisa: quando se trata de reten&#231;&#227;o, aumentos lineares de sal&#225;rio, isoladamente, n&#227;o explicam por que as pessoas ficam &#8211; nem garantem que ficar&#227;o.</p><p>O que aparece como decisivo &#233; a combina&#231;&#227;o de:</p><ul><li><p>Rela&#231;&#245;es de apoio entre professores e entre professores e gestores;</p></li><li><p>Uma cultura de confian&#231;a, em vez de controle punitivo;</p></li><li><p>Estruturas que favorecem v&#237;nculos informais (tempo, espa&#231;os, rotinas que n&#227;o esmagam o docente);</p></li><li><p>Valoriza&#231;&#227;o expl&#237;cita da expertise docente, inclusive por meio de autonomia na forma&#231;&#227;o e participa&#231;&#227;o em decis&#245;es (como contrata&#231;&#245;es);</p></li><li><p>Aten&#231;&#227;o intencional a grupos espec&#237;ficos, como professores iniciantes e professores de cor, reconhecendo que suas necessidades podem ser diferentes.</p></li></ul><p>Para um diretor ou gestor de rede, a pergunta pr&#225;tica n&#227;o &#233; &#8220;quanto preciso aumentar o sal&#225;rio para o professor ficar?&#8221;, mas &#8220;quais s&#227;o, hoje, as fitas de fita adesiva que j&#225; seguram meus professores aqui &#8211; e quais eu poderia fortalecer?&#8221;.</p><h3><strong>6. Conclus&#227;o: a perman&#234;ncia como constru&#231;&#227;o di&#225;ria</strong></h3><p>O trabalho de Larkin e Poole Patzelt desloca o foco do que empurra professores para fora (baixa remunera&#231;&#227;o, sobrecarga, falta de recursos) para o que os puxa para dentro e os mant&#233;m conectados: rela&#231;&#245;es, pertencimento, reconhecimento e condi&#231;&#245;es m&#237;nimas de exercer bem o of&#237;cio.</p><p>Ver reten&#231;&#227;o como <em>embeddedness</em> muda o tipo de pergunta que gestores, formuladores de pol&#237;tica e equipes escolares fazem. Em vez de buscar uma &#8220;f&#243;rmula m&#225;gica&#8221; ou um programa padronizado de indu&#231;&#227;o, a tarefa passa a ser construir, intencionalmente, <strong>um ecossistema em que professores n&#227;o apenas sobrevivem, mas se enra&#237;zam.</strong></p><p>No fim, a pesquisa da Harvard refor&#231;a uma intui&#231;&#227;o simples, mas frequentemente negligenciada em pol&#237;ticas educacionais: professores n&#227;o ficam apenas por aquilo que recebem no fim do m&#234;s, mas &#8211; sobretudo &#8211; por aquilo que vivem todos os dias no lugar onde ensinam.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://mintedu.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Em 2026, n&#227;o ser&#225; diferente.</p><p>Os resultados do 4&#186; trimestre das empresas listadas em educa&#231;&#227;o no Brasil saem, em sua maioria, em mar&#231;o &#8211; e estar&#227;o detalhados na pr&#243;xima edi&#231;&#227;o do Mint Education Notes. Mas uma companhia j&#225; abriu a temporada: o Grupo Salta Educa&#231;&#227;o.</p><p>A Salta &#233; a <strong>segunda empresa listada focada em educa&#231;&#227;o b&#225;sica</strong> no Brasil, ap&#243;s a <strong>Bioma Educa&#231;&#227;o</strong>, e seus n&#250;meros de 2025 ajudam a entender como o K&#8209;12 privado est&#225; se consolidando como um ativo de crescimento com retorno consistente no pa&#237;s.</p><p>Al&#233;m de Salta, fevereiro trouxe:</p><ul><li><p>um grande deal de K&#8209;12 internacional na &#193;sia;</p></li><li><p>a chegada de uma escola brit&#226;nica &#224; Am&#233;rica Latina, especificamente S&#227;o Paulo;</p></li><li><p>dados preocupantes (e estrat&#233;gicos) sobre queda de matr&#237;culas no Brasil;</p></li><li><p>e movimentos regulat&#243;rios relevantes no Reino Unido, em paralelo a um debate mais maduro sobre IA em sala de aula.</p></li></ul><p>Abaixo, o que de mais importante aconteceu &#8211; e o que isso sinaliza para quem opera, investe ou inova em educa&#231;&#227;o.</p><div><hr></div><h2><strong>1. Salta Educa&#231;&#227;o: resultados de um grupo maduro.</strong></h2><p>Os resultados do 4T25 e de 2025 do Grupo Salta Educa&#231;&#227;o refor&#231;am uma tese central: &#233; poss&#237;vel crescer em K&#8209;12 com consist&#234;ncia, margens em expans&#227;o e retorno elevado sobre capital investido.</p><h3><strong>1.1. Expans&#227;o em alunos e escolas</strong></h3><p>O grupo encerrou 2025 com <strong>164 mil alunos</strong>, alta de <strong>27%</strong> em rela&#231;&#227;o a 2024, distribu&#237;dos em <strong>233 escolas</strong> (+26% vs. 184 em 2024).<br><br>Desse total:</p><ul><li><p><strong>139 mil alunos</strong> est&#227;o em escolas pr&#243;prias (+8,5% ano a ano);</p></li><li><p><strong>24 mil alunos</strong> s&#227;o da marca <strong>Impulso</strong>, que opera 34 escolas p&#250;blicas do Paran&#225; via parceria p&#250;blico&#8209;privada no Projeto Parceiro da Escola.</p></li></ul><p>Em 2025, a Salta:<br>- inaugurou <strong>16 novas escolas</strong>, combinando greenfield, brownfield e M&amp;A;<br>- adicionou <strong>10 col&#233;gios </strong>Antares no Cear&#225; e novas unidades de marcas como Elite e Anglo Alante em SP, PE e GO.</p><p>O grupo fechou o ano com:<br>- <strong>199 escolas pr&#243;prias</strong>;<br>- <strong>34 escolas</strong> na PPP com o Paran&#225;;<br>- <strong>93 escolas n&#227;o maduras</strong> e <strong>106 maduras</strong> (mais de cinco anos em opera&#231;&#227;o com o grupo).</p><h3><strong>1.2. Receita, margem e matura&#231;&#227;o</strong></h3><p>Os n&#250;meros consolidados de 2025 mostram um ciclo de crescimento com ganho de efici&#234;ncia:</p><ul><li><p><strong>Receita l&#237;quida reportada:</strong> R$ 2.792 milh&#245;es, +26,6% vs. 2024.</p></li><li><p><strong>Receita l&#237;quida pr&#243;&#8209;forma:</strong> R$ 2.848 milh&#245;es, +25,6%, considerando 12 meses do Col&#233;gio Antares.</p></li><li><p><strong>EBITDA ajustado (pr&#233; IFRS 16):</strong> R$ 547 milh&#245;es, +34,0% vs. 2024, com margem de <strong>19,6%</strong> (+1,1 p.p.).</p></li><li><p><strong>EBITDA ajustado pr&#243;&#8209;forma:</strong> R$ 562 milh&#245;es, +33,5%, com margem de <strong>19,7%</strong> (+1,1 p.p.).</p></li><li><p><strong>Lucro l&#237;quido:</strong> R$ 121 milh&#245;es, crescimento de <strong>58,4%</strong> ano a ano, com margem de 4,3% (+0,8 p.p.).</p></li></ul><p>Do lado do top line, tr&#234;s motores aparecem claramente no release:</p><ol><li><p><strong>Aumento da base de alunos</strong> (org&#226;nico + aquisi&#231;&#245;es);</p></li><li><p><strong>Matura&#231;&#227;o das escolas existentes</strong>;</p></li><li><p><strong>Evolu&#231;&#227;o do ticket m&#233;dio</strong>, que cresceu <strong>8,9%</strong> em 2025.<br></p></li></ol><p>Cerca de <strong>45% da receita l&#237;quida</strong> do ano veio de escolas maduras (mais de 5 anos), ante 51,1% em 2024 &#8211; queda explicada pelo peso maior das escolas mais novas, abertas ou adquiridas em 2025, mas cuja matura&#231;&#227;o tende a puxar margem para cima nos pr&#243;ximos ciclos.<br></p><h3><strong>1.3. Custos e Caixa</strong></h3><p>Em custos e despesas operacionais:</p><ul><li><p>Total de <strong>R$ 2.286 milh&#245;es</strong> em 2025, +23,8% vs. 2024</p></li><li><p><strong>Opera&#231;&#227;o:</strong> R$ 2.159 milh&#245;es (+24,6%); <strong>Holding:</strong> R$ 127 milh&#245;es (+12,3%).</p></li><li><p>Custos e despesas totais equivalem a <strong>80,3% da receita l&#237;quida</strong>, melhora de 1,1 p.p. ano a ano.</p></li></ul><p>A estrutura de custos segue bastante fixa: folha e aluguel somam mais de 70% das despesas, o que refor&#231;a a l&#243;gica de escala para diluir estrutura e elevar margens ao longo do tempo (tema destacado tamb&#233;m na fala do CFO durante o call de resultados).</p><p>Em capital e caixa:</p><ul><li><p><strong>D&#237;vida l&#237;quida:</strong> R$ 1.222 milh&#245;es (vs. R$ 951 milh&#245;es em 2024).</p></li><li><p><strong>D&#237;vida l&#237;quida / EBITDA ajustado:</strong> <strong>2,2x</strong>, em queda ante 2,3x em 2024.</p></li><li><p><strong>Caixa e disponibilidades:</strong> R$ 987 milh&#245;es, com d&#237;vida bruta de R$ 2.316 milh&#245;es.</p></li><li><p>Em setembro de 2025, o grupo emitiu <strong>R$ 700 milh&#245;es</strong> (R$ 200 mi em d&#237;vida banc&#225;ria + R$ 500 mi em deb&#234;ntures p&#250;blicas), a uma taxa m&#233;dia de CDI+1,1%, usando parte dos recursos para pr&#233;&#8209;pagar d&#237;vidas mais antigas e alongar o duration.</p></li></ul><p>Em suma, o Grupo Salta &#233; hoje um operador maduro de K&#8209;12 no Brasil, com trajet&#243;ria recente de crescimento relevante em receita e margem - um desempenho que, sem d&#250;vida, merece aten&#231;&#227;o do mercado. Como investidores em K-12, vemos com bons olhos a chegada de mais um grupo listado em bolsa, pois isso amplia o debate, traz mais liquidez e refor&#231;a a relev&#226;ncia estrat&#233;gica do K&#8209;12 para o desenvolvimento do pa&#237;s.</p><div><hr></div><h2><strong>2. Menos alunos no sistema: MEC registra queda de quase 1,1 milh&#227;o de matr&#237;culas em 2025</strong></h2><p>Em paralelo ao caso de sucesso de uma grande rede privada, o pano de fundo demogr&#225;fico brasileiro segue pressionando o setor.</p><p>Dados do Censo Escolar 2025, divulgados pelo MEC e reportados pelo Valor Econ&#244;mico, mostram que o total de alunos em escolas p&#250;blicas e privadas caiu em quase <strong>1,1 milh&#227;o de matr&#237;culas</strong> em 2025, uma redu&#231;&#227;o de <strong>2,27%</strong>, para <strong>46 milh&#245;es</strong> de estudantes.</p><p>Quebras relevantes:</p><ul><li><p>Rede p&#250;blica: queda de quase <strong>800 mil alunos</strong> (&#8209;2,12%).</p></li><li><p>Rede privada: perda de <strong>272,5 mil estudantes</strong> (&#8209;2,86%).</p></li></ul><p>O ministro Camilo Santana atribui o movimento a:</p><ul><li><p><strong>queda no n&#250;mero de nascimentos</strong> (transi&#231;&#227;o demogr&#225;fica);</p></li><li><p><strong>menor repet&#234;ncia e distor&#231;&#227;o idade&#8209;s&#233;rie</strong>, que reduzem a quantidade de alunos &#8220;retidos&#8221; no sistema.</p></li></ul><p>Implica&#231;&#245;es estrat&#233;gicas:</p><ul><li><p>A &#8220;mar&#233;&#8221; demogr&#225;fica j&#225; n&#227;o puxa o setor para cima. Crescer passa a ser, cada vez mais, uma quest&#227;o de <strong>ganhar market share</strong> (da rede p&#250;blica ou de outros privados) e de <strong>aumentar valor por aluno</strong> (ticket, servi&#231;os adicionais, jornadas complementares).</p></li><li><p>O dado ajuda a explicar por que grupos consolidadores mant&#234;m foco em aquisi&#231;&#227;o de escolas independentes: com o bolo encolhendo, a fragmenta&#231;&#227;o vira oportunidade.</p></li><li><p>Para escolas isoladas, o cen&#225;rio eleva a press&#227;o por:</p><ul><li><p>diferencia&#231;&#227;o acad&#234;mica e de proposta de valor;</p></li><li><p>efici&#234;ncia operacional;</p></li><li><p>e, em muitos casos, avalia&#231;&#227;o de eventuais parcerias, redes ou combina&#231;&#227;o de neg&#243;cios.</p></li></ul></li></ul><div><hr></div><h2><strong>3. KKR compra XCL por US$ 1,3 bi: tese de K&#8209;12 premium na &#193;sia fica mais cara</strong></h2><p>No front internacional de M&amp;A, a Bloomberg reportou que a KKR chegou a um acordo para comprar a <strong>XCL Education</strong> por cerca de <strong>US$ 1,3 bilh&#227;o</strong>.<br><br>Para quem n&#227;o acompanhou, a KKR foi dona da Nord Anglia at&#233; 2017 (que opera os col&#233;gios Avenues, British Mobile em S&#227;o Paulo).</p><p>Pontos&#8209;chave do deal:</p><ul><li><p>A XCL opera uma rede de escolas K&#8209;12 na &#193;sia, com presen&#231;a marcante no Sudeste Asi&#225;tico.</p></li><li><p>O ativo &#233; focado em segmentos <strong>premium e internacionais</strong>, atendendo fam&#237;lias de alta renda e expatriados, com forte componente de curr&#237;culo global (como IB) e ensino bil&#237;ngue.</p></li></ul><p>Por que isso importa:</p><ul><li><p>Confirma o apetite de private equity global por <strong>K&#8209;12 premium</strong>, em geografias com crescimento de renda e alta demanda por educa&#231;&#227;o internacional.</p></li><li><p>Funciona como <strong>benchmark impl&#237;cito</strong> para opera&#231;&#245;es de K&#8209;12 de alta renda em outras regi&#245;es, inclusive na Am&#233;rica Latina.</p></li><li><p>Refor&#231;a a ideia de que escola b&#225;sica, quando bem posicionada e operada com disciplina de capital, &#233; vista como <strong>ativo de longo prazo, com fluxo de caixa previs&#237;vel e upside de expans&#227;o regional</strong>.</p></li></ul><p>Para o investidor brasileiro, o recado &#233; complementar ao caso Salta: h&#225; capital global disposto a pagar m&#250;ltiplos relevantes por plataformas K&#8209;12 escal&#225;veis e com posicionamento forte em segmentos espec&#237;ficos (premium, bil&#237;ngue, internacional).</p><div><hr></div><h2><strong>4. Malvern College chega a S&#227;o Paulo</strong></h2><p>No campo de marcas globais, fevereiro trouxe outra not&#237;cia relevante: o <strong>Malvern College</strong>, uma escola brit&#226;nica, anunciou a abertura de seu primeiro campus na Am&#233;rica do Sul, em S&#227;o Paulo.</p><p>Contexto:</p><ul><li><p>Malvern se torna o <strong>primeiro &#8220;UK heritage brand&#8221;</strong> a abrir escola na Am&#233;rica do Sul, somando&#8209;se ao movimento de players globais como Nord Anglia, Inspired, Cognita e ISP, que v&#234;m aumentando presen&#231;a em LatAm.</p></li><li><p>O segmento alvo &#233; claramente a faixa mais alta de renda, sens&#237;vel a:</p><ul><li><p>certifica&#231;&#245;es internacionais;</p></li><li><p>redes globais de ex&#8209;alunos;</p></li><li><p>e acesso a universidades estrangeiras.</p></li></ul></li></ul><p>Para operadores e investidores locais:</p><ul><li><p>A competi&#231;&#227;o no segmento <strong>premium/internacional</strong> vai al&#233;m de infraestrutura e curr&#237;culo &#8211; passa por marca, rede global e experi&#234;ncia consolidada em m&#250;ltiplos pa&#237;ses.</p></li><li><p>Ao mesmo tempo, h&#225; espa&#231;o para parcerias (dupla marca, offering IB/local, programas conjuntos) e para redes brasileiras que queiram se posicionar como &#8220;ponte&#8221; entre educa&#231;&#227;o nacional e internacional.</p></li></ul><div><hr></div><h2><strong>5. Regula&#231;&#227;o e pre&#231;o no Reino Unido: limites para escolas especiais privadas</strong></h2><p>Fora do eixo Brasil&#8211;&#193;sia&#8211;LatAm, o Reino Unido trouxe um movimento regulat&#243;rio que merece aten&#231;&#227;o.</p><p>Segundo o Schools Week, o governo brit&#226;nico deve impor <strong>limites &#224;s mensalidades de escolas especiais privadas</strong> (para alunos com necessidades educacionais especiais e defici&#234;ncias &#8211; SEND), como parte de um pacote de medidas apelidado de &#8220;profit before children crackdown&#8221;.</p><p>Elementos centrais:</p><ul><li><p>Cria&#231;&#227;o de <strong>faixas nacionais de pre&#231;o (&#8220;price bands&#8221;)</strong> para escolas SEND privadas que recebem alunos via funding p&#250;blico.</p></li><li><p>Defini&#231;&#227;o de <strong>padr&#245;es estatut&#225;rios espec&#237;ficos para SEND</strong>, com foco em resultados, qualidade e transpar&#234;ncia de custos.</p></li><li><p>Motiva&#231;&#227;o: conter custos explosivos para conselhos locais e casos de margens muito elevadas em contratos financiados majoritariamente com dinheiro p&#250;blico.</p></li></ul><p>O Schools Week destaca que:</p><ul><li><p>O gasto anual de conselhos locais com escolas especiais independentes e n&#227;o mantidas chegou a <strong>&#163; 2,1 bilh&#245;es em 2024&#8211;25</strong>, alta de <strong>88%</strong> desde 2020&#8211;21.</p></li><li><p>Escolas SEND privadas cobram, em m&#233;dia, cerca de <strong>&#163; 63 mil por aluno/ano</strong>, mais que o dobro dos <strong>~&#163; 26 mil</strong> m&#233;dios em escolas especiais mantidas pelo Estado.</p></li></ul><p>O recado:<br>onde h&#225; forte depend&#234;ncia de recursos p&#250;blicos e oferta limitada, o regulador tende a agir diretamente em <strong>controle de pre&#231;o e margem</strong>. Para investidores em educa&#231;&#227;o em segmentos de alta sensibilidade social (como SEND, sa&#250;de ou forma&#231;&#227;o de professores), isso refor&#231;a a import&#226;ncia de:</p><ul><li><p>transpar&#234;ncia de custos;</p></li><li><p>governan&#231;a robusta;</p></li><li><p>e modelos de neg&#243;cio que equilibrem retorno e &#8220;licen&#231;a social para operar&#8221;.</p></li></ul><div><hr></div><h2><strong>6. IA em sala de aula: um professor veterano mostra o &#8220;jeito certo&#8221;</strong></h2><p>Enquanto capital e regula&#231;&#227;o avan&#231;am, o uso de IA em sala de aula vai ficando menos abstrato e mais concreto.</p><p>Na Scientific American, a professora <strong>Jen Roberts</strong>, com mais de 30 anos de experi&#234;ncia, descreve como integra IA ao seu trabalho di&#225;rio &#8220;do jeito certo&#8221;.</p><p>Tr&#234;s pontos se destacam:</p><ol><li><p><strong>IA como segundo corretor, n&#227;o como substituto</strong></p><ul><li><p>Roberts usa IA para &#8220;rever&#8221; suas corre&#231;&#245;es em reda&#231;&#245;es, comparando notas e feedbacks.</p></li><li><p>A ferramenta ajuda a reduzir vieses ligados a cansa&#231;o, humor ou prefer&#234;ncias inconscientes, especialmente em turmas grandes.</p></li></ul></li><li><p><strong>Uso pedag&#243;gico expl&#237;cito com os alunos</strong></p><ul><li><p>Ela mostra aos estudantes como usar IA para:</p><ul><li><p>gerar rascunhos;</p></li><li><p>estruturar ideias;</p></li><li><p>revisar textos.</p></li></ul></li><li><p>Ao mesmo tempo, enfatiza que professores percebem facilmente textos gerados integralmente por IA e que a aprendizagem depende da participa&#231;&#227;o ativa do aluno.</p></li></ul></li><li><p><strong>Cuidado com privacidade e conformidade</strong></p><ul><li><p>Roberts evita recomendar diretamente ferramentas generalistas (como chatbots abertos) para uso individual de alunos, devido a leis americanas de privacidade infantil (COPPA, FERPA).</p></li><li><p>Em vez disso, prioriza ambientes educacionais com governan&#231;a clara, onde dados dos estudantes s&#227;o protegidos.</p></li></ul></li></ol><p>O artigo refor&#231;a dois eixos:</p><ul><li><p>IA como <strong>infraestrutura pedag&#243;gica e avaliativa</strong>, n&#227;o apenas como tema de aula;</p></li><li><p>necessidade de pol&#237;ticas claras de uso, forma&#231;&#227;o de professores e escolhas tecnol&#243;gicas que respeitem privacidade e integridade acad&#234;mica.<br></p></li></ul><div><hr></div><h2><strong>Fevereiro em perspectiva: 4 linhas que conectam o m&#234;s</strong></h2><p>O que fevereiro de 2026 sinaliza, em conjunto:</p><ol><li><p><strong>K&#8209;12 privado consolidado como tese de longo prazo no Brasil</strong></p><ul><li><p>Salta mostra que &#233; poss&#237;vel combinar crescimento robusto de alunos e escolas, aumento de margem, desalavancagem e ROIC elevado &#8211; num mercado ainda fragmentado, com muito espa&#231;o para consolida&#231;&#227;o.</p></li></ul></li><li><p><strong>Demografia como novo limite (e novo filtro)</strong></p><ul><li><p>A perda de 1,1 milh&#227;o de matr&#237;culas em 2025 for&#231;a o setor a disputar share e ampliar valor por aluno, em vez de depender de expans&#227;o inercial da base estudantil.</p></li></ul></li><li><p><strong>Capital global segue disposto a pagar por plataformas K&#8209;12 bem posicionadas</strong></p><ul><li><p>O deal da KKR com XCL Education, somado &#224; chegada de Malvern College ao Brasil, sinaliza que opera&#231;&#245;es escolares com marca forte, proposta acad&#234;mica clara e disciplina de gest&#227;o continuam na agenda de grandes fundos e grupos internacionais.</p></li></ul></li><li><p><strong>Regula&#231;&#227;o e sociedade questionando &#8220;lucro antes das crian&#231;as&#8221;</strong></p><ul><li><p>O movimento brit&#226;nico de limitar mensalidades em escolas especiais privadas &#233; um lembrete de que, onde h&#225; funding p&#250;blico e alta sensibilidade social, o debate sobre margem e pre&#231;o tende a ganhar for&#231;a.</p></li></ul></li></ol><p><br>Na pr&#243;xima edi&#231;&#227;o do Mint Education Notes, a ideia &#233; aprofundar essa leitura com o conjunto dos resultados das empresas listadas em educa&#231;&#227;o (superior, K&#8209;12 e edtech).</p><p>Obrigado pela leitura.</p><p></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>