<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Padre Toninho]]></title><description><![CDATA[Substack destinado a publicação de homilias]]></description><link>https://padretoninho.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg</url><title>Padre Toninho</title><link>https://padretoninho.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Tue, 01 Sep 2026 18:53:03 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/padretoninho.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Padre Toninho]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[padretoninho@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[padretoninho@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Padre Toninho]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Padre Toninho]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[padretoninho@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[padretoninho@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Padre Toninho]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Homilia para o 22° Domingo do Tempo Comum - 30/08/2026]]></title><description><![CDATA[A liturgia de hoje nos fala sobre o desejo mais natural do homem: o desejo de Deus.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-22-domingo-do-tempo</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-22-domingo-do-tempo</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Tue, 01 Sep 2026 12:49:44 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A liturgia de hoje nos fala sobre o desejo mais natural do homem: o desejo de Deus. Se n&#243;s olharmos um instante para a narrativa da cria&#231;&#227;o, no in&#237;cio do livro do G&#234;nesis, a coisa mais importante dali, embora pouco notada, &#233; o estado de comunh&#227;o do homem com seu Criador, que lhe &#233; natural. No exato momento em que o homem aparece, a inten&#231;&#227;o de Deus para ele &#233; que se una a Si por um v&#237;nculo singular de amor: Deus deseja ao homem que este participe da mesma comunh&#227;o de amor de que desfruta a Segunda Pessoa da Sant&#237;ssima Trindade, que &#233; Deus Filho. Por essa raz&#227;o &#233; que Deus, no ato da cria&#231;&#227;o, diz &#8220;fa&#231;amos o homem &#224; nossa imagem&#8221;, indicando que Ele olha para si mesmo. E o que v&#234; ao olhar? Deus v&#234; seu Filho muito amado. Nesse sentido, o cora&#231;&#227;o do homem, ao ser criado, recebeu como um dom a seguinte finalidade: receber de Deus todo o seu amor e corresponder, amando-O de todo o cora&#231;&#227;o, de toda a alma, com todo o entendimento.</p><p>Assim, o mandamento do amor a Deus sobre todas as coisas n&#227;o &#233; uma lei sem fundamento, imposta como uma esp&#233;cie de norma arbitr&#225;ria. A verdade &#233; que esta lei tem seu fundamento &#250;ltimo na estrutura mesma da realidade: Deus ser amado sobre todas as coisas &#233; uma necessidade!</p><p>H&#225; alguns anos atr&#225;s, uma pesquisa foi realizada, a fim de encontrar os mais antigos registros de religiosidade humana. O objetivo da pesquisa era verificar em que momento da hist&#243;ria o g&#234;nero humano passou a olhar para cima e buscar encontrar um ser onipotente a que se submeter. O resultado n&#227;o poderia ser mais impressionante: desde que &#233; poss&#237;vel identificar intelig&#234;ncia nos seres humanos, concomitantemente, &#233; poss&#237;vel identificar religiosidade. O ser que, por natureza, &#233; inteligente, &#233;, tamb&#233;m, religioso. Ora, se o intelecto &#233; o crit&#233;rio de identifica&#231;&#227;o do g&#234;nero humano, visto que &#233; isto o que o faz humano, e que a religiosidade est&#225; presente no primeiro ser inteligente identificado, &#233; f&#225;cil concluir que o ser humano &#233; naturalmente religioso. E isto por meio de dados hist&#243;ricos, arqueol&#243;gicos, etc.</p><p>Simplesmente n&#227;o &#233; poss&#237;vel ser plenamente humano sem que se d&#234; a Deus aquilo que lhe pertence - ou seja, nossos cora&#231;&#245;es. Independente de tentarmos negar tal fato. Vejamos o exemplo da primeira leitura.</p><p>O profeta Jeremias, em seu livro, nos narra um dos momentos mais cr&#237;ticos da hist&#243;ria de Israel: o tempo do ex&#237;lio da Babil&#244;nia. De fato, para o israelita, &#233; dif&#237;cil pensar em um momento mais marcante em toda a sua hist&#243;ria do que o ex&#237;lio. Imaginem: a fam&#237;lia real foi toda deportada, os nobres foram deportados e o povo foi quase totalmente deportado. Os dados arqueol&#243;gicos indicam um &#237;ndice populacional baix&#237;ssimo no territ&#243;rio de Jerusal&#233;m na &#233;poca do ex&#237;lio. Al&#233;m disso, o Templo de Deus foi destru&#237;do - o monumento mais significativo para a religiosidade judaica, completamente destru&#237;do e profanado. O povo de Deus sofreu muito nessa &#233;poca. No entanto, entre os remanescentes, ou seja, aqueles que ficaram, a infidelidade a Deus passou a se tornar frequente. Por isso, Jeremias, em nome de Deus, fala ao povo e o corrige. A maior parte do povo est&#225; no ex&#237;lio, mas entre aqueles que permaneceram, est&#227;o os infi&#233;is do povo. Para estes &#233; que Jeremias fala. Por raz&#245;es &#243;bvias, Jeremias, em pouco tempo, passou a n&#227;o ser mais ouvido pelo povo.</p><p>Este &#233; o contexto da primeira leitura: o profeta que passa a vida a realizar sua voca&#231;&#227;o, mas n&#227;o v&#234; resultado. Trabalha, trabalha e trabalha, mas n&#227;o consegue perceber que aquilo d&#225; qualquer fruto. Por isso, cansa-se. Seu desejo &#233; abandonar sua fun&#231;&#227;o, esquecer seu chamado. A tomada de decis&#227;o de abandonar tudo vem, inclusive, lembrando-se do chamado: &#8220;seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir&#8221;. Deus se d&#225; a conhecer ao profeta e se mostra &#8220;irresist&#237;vel&#8221;. A verdadeira felicidade visita o cora&#231;&#227;o do profeta ao simplesmente ouvir a voz de Deus a lhe falar. Imaginem comigo: aquele desejo &#237;ntimo de nossos cora&#231;&#245;es, aquele desejo de ser verdadeiramente feliz, aquele desejo de fazer passar todo sofrimento, toda dor, Jeremias o encontra. Seus olhos contemplam uma Beleza inimagin&#225;vel. Ali&#225;s, n&#227;o uma beleza, Jeremias contempla a pr&#243;pria Beleza! Deus se d&#225; a conhecer e torna-se &#237;ntimo de seu cora&#231;&#227;o que, no fim das contas, s&#243; o desejava. Ainda assim, num dado momento, nosso profeta decide por n&#227;o falar mais em nome de Deus. Nesse mesmo momento, no entanto, ele diz: &#8220;Senti, ent&#227;o, um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo: desfaleci, sem for&#231;as para suportar.&#8221;</p><p>Qual o significado desse fogo ardente que penetra seu corpo? E por que ele n&#227;o consegue suportar e desfalece? Meus irm&#227;os, Jeremias nos mostra, por meio de seu exemplo, que n&#227;o &#233; poss&#237;vel, simplesmente, fugir de Deus. Ao fugir de Deus, fugimos de n&#243;s mesmos, de nossa humanidade, estamos negando nosso fim &#250;ltimo, a raz&#227;o da nossa exist&#234;ncia, estamos deformando nossa ess&#234;ncia, como se ela pudesse ser qualquer outra coisa. O que n&#227;o &#233; poss&#237;vel, definitivamente!</p><p>Tom&#225;s de Kempis, no livro III de sua Imita&#231;&#227;o de Cristo, no cap&#237;tulo 8, escreve: &#8220;Perdi-me, amando-me desordenadamente; mas buscando a v&#243;s unicamente, e amando com puro amor, a mim me achei e a v&#243;s tamb&#233;m, e este amor me fez ainda mais aprofundar-me em meu nada&#8221;.</p><p>Entendam uma coisa, meus irm&#227;os: sempre que tiramos Deus de seu devido lugar, colocamos outra coisa, geralmente n&#243;s mesmo, afinal, temos uma tend&#234;ncia terr&#237;vel &#224; soberba. E esse amor desordenado de si leva necessariamente &#224; perdi&#231;&#227;o. No entanto, buscar unicamente a Deus e am&#225;-lO com puro amor gera um aut&#234;ntico encontro consigo. N&#243;s s&#243; podemos realizar o que n&#243;s somos, realizar o desejo mais &#237;ntimo de nossos cora&#231;&#245;es, se for no amor de Deus. N&#227;o h&#225; outro modo de ser verdadeiramente feliz.</p><p>Esta &#233; a raz&#227;o, meus caros, pela qual o profeta Jeremias desfalece depois de sentir o corpo todo arder em chamas. &#201; como um s&#237;mbolo na natureza humana quando se esquece de seu criador. Ela simplesmente desfalece. O homem deixa de ser plenamente homem quando abandona Deus.</p><p>Nesse sentido &#233; que o Salmista, hoje, canta &#8220;A minha alma tem sede de Deus&#8221;. Este &#233; o fim &#250;ltimo do homem, e este &#233; o desejo mais &#237;ntimo de seu cora&#231;&#227;o. O salmo 62 - que ouvimos ser belamente cantado - foi escrito por ningu&#233;m, ningu&#233;m menos, do que o Rei Davi. Davi, como voc&#234;s sabem, cometeu seus erros, acertou muitas vezes, foi vitorioso numa infinidade de batalhas, unificou o reino de Israel, em suma, Davi foi um rei glorioso. Ainda assim, ele s&#243; p&#244;de ser chamado de &#8220;o homem segundo o cora&#231;&#227;o de Deus&#8221;, coisa que foi admitida pelo pr&#243;prio Deus, no dia de seu chamado, porque ele compreendeu a raz&#227;o de sua exist&#234;ncia e, antes de n&#243;s, ele mesmo cantou: &#8220;A minha alma tem sede de V&#243;s, como terra sedenta, &#243; meu Deus!&#8221;</p><p>Por fim, se olharmos para o Evangelho levando tudo isso em considera&#231;&#227;o, compreendemos a raz&#227;o de Nosso Senhor Jesus Cristo ter chamado S&#227;o Pedro de satan&#225;s. Na &#250;ltima semana, lemos, no Evangelho, S&#227;o Pedro recebendo as chaves do Para&#237;so, junto de uma autoridade inigual&#225;vel. Pedro fora coroado como o primeiro Papa, o &#8220;doce Cristo na terra&#8221;. Mas, hoje, vemos algo bem diferente, e curiosamente, o Evangelho de hoje &#233; a passagem que se localiza exatamente depois do que lemos na &#250;ltima semana. E qual &#233; a raz&#227;o dessa mudan&#231;a dr&#225;stica no tratamento de Pedro?</p><p>Num momento, Cristo o eleva &#224; condi&#231;&#227;o de primeiro Papa, noutro, Cristo o rebaixa &#224; condi&#231;&#227;o de um dem&#244;nio. Por que? Se prestaram aten&#231;&#227;o em tudo o que vos disse na homilia de hoje, perceber&#227;o facilmente a raz&#227;o: numa passagem, S&#227;o Pedro afirma a identidade Divina de Cristo, reconhece que s&#243; &#233; poss&#237;vel ser plenamente feliz se estiver unido a Ele, noutra, Pedro nega a Cruz. Reconhece que s&#243; &#233; poss&#237;vel viver em Cristo, mas quer negar o &#250;nico meio que torna a vida unida a Cristo poss&#237;vel. A cruz, meus irm&#227;os, eis o meio. N&#227;o podemos neg&#225;-la. Negar a cruz &#233; o mesmo que negar Jesus. E negar Jesus &#233; o mesmo que negar o desejo mais &#237;ntimo de seu cora&#231;&#227;o por estar unido a Deus.</p><p>Eu disse, no in&#237;cio desta homilia, que Deus nos criou enquanto olhava para o Filho. O pecado, no entanto, nos tornou &#8220;dessemelhantes&#8221; do Filho. &#201; somente por meio de sua Paix&#227;o Redentora que voltamos &#224; condi&#231;&#227;o de semelhantes. Ela &#233; a raz&#227;o de sermos feitos filhos no Filho.</p><p>Por isso, meus irm&#227;os, busquemos abra&#231;ar a Cruz de Cristo, meditar no tamanho Amor com que se entregou por n&#243;s o nosso Amado Senhor, a fim de que O amemos de todo o cora&#231;&#227;o, para assim, recebermos de Deus todo Amor que Ele deseja nos dar.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o 18º Domingo do Tempo Comum: 02/08/2026]]></title><description><![CDATA[O Evangelho de hoje nos narra o famoso epis&#243;dio da multiplica&#231;&#227;o dos p&#227;es.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-18-domingo-do-tempo</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-18-domingo-do-tempo</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Sun, 02 Aug 2026 20:17:51 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O Evangelho de hoje nos narra o famoso epis&#243;dio da multiplica&#231;&#227;o dos p&#227;es. Embora se trate do Evangelho de S&#227;o Mateus, quando este epis&#243;dio &#233; narrado por S&#227;o Jo&#227;o em seu Evangelho, ele aparece como um componente do cap&#237;tulo 6, quase todo destinado ao discurso do P&#227;o da Vida. Na estrutura do Evangelho de S&#227;o Jo&#227;o, o milagre da multiplica&#231;&#227;o dos p&#227;es, portanto, aparece vinculado ao tema da eucaristia. O que faz todo o sentido, haja visto que Nosso senhor, antes de distribuir os p&#227;es, os aben&#231;oa e os parte, da mesma forma como fez na &#250;ltima ceia, com seus disc&#237;pulos, ao instituir o sacramento da Eucaristia. Sendo assim, o milagre ao qual somos apresentados hoje &#233; um sinal da Eucaristia. Nosso Senhor quer, neste domingo, que nos atentemos &#224; sua presen&#231;a real no Sant&#237;ssimo Sacramento.</p><p>No entanto, caros irm&#227;os e irm&#227;s, h&#225; um detalhe que na maior parte das vezes em que lemos a presente narrativa do Evangelho de S&#227;o Mateus deixamos passar despercebido: Nosso Senhor n&#227;o entrega o p&#227;o como alimento aos homens por estarem simplesmente com fome, h&#225; duas a&#231;&#245;es anteriores que justificam o ato de saciar a fome daquelas pessoas.&nbsp;</p><p>O primeiro desses elementos &#233; o seguinte: &#8220;quando as multid&#245;es souberam disso (souberam que Jesus havia ido de barco para um lugar deserto e afastado), sa&#237;ram das cidades e o seguiram a p&#233;&#8221;. O Evangelista quer deixar bem claro, antes de qualquer coisa, que deve haver uma disposi&#231;&#227;o em dire&#231;&#227;o ao Senhor. E existem dois tipos de disposi&#231;&#245;es diferentes: uma delas &#233; a disposi&#231;&#227;o dos afetos, esta &#233; passageira, semelhante &#224; disposi&#231;&#227;o do jovem rico; a outra &#233; a disposi&#231;&#227;o da vontade, esta &#233; permanente, da mesma forma como a de S&#227;o Pedro.&nbsp;</p><p>Vejamos as duas mais detalhadamente.</p><p>Ao se aproximar de Jesus, o jovem rico se mostra entusiasmado com o fato de estar diante do Senhor. Pergunta como fazer para alcan&#231;ar a vida eterna, evidentemente, uma pergunta de um jovem entusiasmado - ele quer algo grandioso, quer a resposta para o destino &#250;ltimo da vida, quer saber como realizar-se plenamente. E fica contente por saber que j&#225; cumpre os mandamentos, que est&#227;o na primeira resposta de Jesus. No entanto, Nosso Senhor exige mais: se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tem e d&#225; aos pobres e ter&#225;s um tesouro no C&#233;u; depois vem e segue-me. Diante disso, o jovem rico se entristece. E a causa de sua tristeza est&#225; no fato de que o Senhor, naquele momento, op&#244;s ao desejo de seguir Jesus um objeto que lhe era muito caro - os muitos bens de que era possuidor. Car&#237;ssimos, &#233; assim que os afetos funcionam: eles n&#227;o s&#227;o volunt&#225;rios, eles dependem dos objetos que est&#227;o ao nosso redor para despertar. N&#243;s s&#243; ficamos contentes porque h&#225; uma causa para o contentamento, s&#243; ficamos tristes porque h&#225; uma causa para a tristeza: n&#227;o existe contentamento ou tristeza sem causa. Desse modo, a euforia do jovem rico foi causada pela sabedoria de Jesus, mas o pre&#231;o foi alto demais. Ele n&#227;o queria, de verdade, estar com Cristo, ele s&#243; queria satisfazer um afeto. O jovem rico era como a maioria de n&#243;s (e quando digo &#8220;a maioria de n&#243;s&#8221; n&#227;o estou fazendo um ju&#237;zo temer&#225;rio, falo com certeza, caso fosse o contr&#225;rio, eu testemunharia, <strong>aqui</strong>, a vida de v&#225;rios santos). N&#243;s damos passos confort&#225;veis na F&#233;. Temos medo da tal &#8220;radicalidade&#8221;. Ao inv&#233;s de fazer brilhar o amor de Deus no mundo, temos medo at&#233; mesmo de fazer o sinal da Cruz em p&#250;blico quando almo&#231;amos num restaurante por vergonha. Se nem a Cruz os nossos afetos desordenados nos deixam fazermos em p&#250;blico, quanto mais dar tudo em troca do seguimento de Jesus. Tudo &#233; coisa demais!</p><p>Enquanto o jovem rico nos d&#225; o mau exemplo e nos mostra como a maioria de n&#243;s est&#225;, S&#227;o Pedro Ap&#243;stolo nos d&#225; o exemplo contr&#225;rio, ensinando-nos como dever&#237;amos ser. Notem alguns detalhes importantes: S&#227;o Pedro n&#227;o era rico, era um simples pescador, por&#233;m, ao encontrar-se com o Senhor, o Senhor lhe deu mais bens do que ele um dia sonharia em ter, foi a pesca mais bem-sucedida de sua vida, tanto que sua barca quase afundou com o peso dos peixes, no entanto, para o pasmo de todos, S&#227;o Pedro, ao enriquecer, abandona a riqueza, deixa os peixes por ali mesmo e passa a seguir Jesus que o chama. Que contraste, meus irm&#227;os! Tudo o que ele queria era uma pesca bem-sucedida, ao consegui-la, ela a deixa porque est&#225; diante de algo melhor, maior, mais belo e verdadeiro do que os frutos de seu trabalho, ele deixa tudo para unir sua vontade &#224; vontade do Filho de Deus. Isso n&#227;o pode ser fruto de nenhum afeto. Somente uma vontade decidida &#233; capaz de faz&#234;-lo. E a prova de que sua vontade estava submetida &#224; vontade de Deus &#233; que S&#227;o Pedro n&#227;o volta atr&#225;s na sua decis&#227;o. Ele vacila, sim, mas n&#227;o volta atr&#225;s. Ao negar o Senhor, na noite em que foi entregue, S&#227;o Pedro, logo depois de t&#234;-lo negado tr&#234;s vezes, chora amargamente ao cruzar o olhar com seu Senhor, preso por amor a ele (por amor a todos n&#243;s). Volta atr&#225;s e atinge um grau perfeito de uni&#227;o com Deus. E n&#243;s? Quando vamos dar o passo que nos falta para a perfei&#231;&#227;o? Quando seremos mais generosos com Deus - que &#233; t&#227;o generoso conosco? Quando deixaremos os nossos peixes, nossos objetos de apego, e submeteremos nossa vontade &#224; vontade de Deus?</p><p>Bem, foi isso o que aquela multid&#227;o fez antes de receber o p&#227;o. Eles souberam onde Jesus estava e foram atr&#225;s d&#8217;Ele. E este &#233; o primeiro elemento do Evangelho de hoje: buscar desprendidamente o Senhor, a fim de submeter nossa vontade &#224; vontade d&#8217;Ele.</p><p>O segundo elemento &#233; o seguinte: &#8220;Ao sair do barco, Jesus viu uma grande multid&#227;o. Encheu-se de compaix&#227;o por eles e curou os que estavam doentes.&#8221; Mais do que n&#243;s, com nossa vontade d&#233;bil, Nosso Senhor &#233; quem, antes, quer a nossa &#237;ntima uni&#227;o com Ele. Ele olha para a multid&#227;o e sente compaix&#227;o, da mesma forma, olha para n&#243;s quando nos aproximamos d&#8217;Ele, o Senhor nos v&#234; e sente compaix&#227;o, porque sabe que necessitamos d&#8217;Ele. Embora o mundo, hoje, queira colocar na nossa cabe&#231;a, por meio desses discursos de <em>coach</em>, que n&#243;s somos importantes, grandes, poderosos e capazes de realizar grandes coisas, a verdade &#233; que n&#227;o h&#225; nenhum bem que fa&#231;amos que n&#227;o seja Deus agindo em n&#243;s. N&#243;s n&#227;o somos nada sem Deus. Precisamos urgentemente compreender essa verdade: n&#243;s somos absolutamente dependentes de Deus, e &#233; assim porque pecamos. Nosso fim &#250;ltimo &#233; am&#225;-lo e contempl&#225;-lo por toda a eternidade, mas para chegar l&#225; precisamos da ajuda d&#8217;Ele. E &#233; assim porque o pecado nos enfraqueceu. Dependemos de Deus para tudo. E Ele tem compaix&#227;o de n&#243;s. Ele tem compaix&#227;o de n&#243;s porque nos amou primeiro. Ele veio a este mundo por n&#243;s. Ao perceber que respondemos ao seu Amor indo em Sua dire&#231;&#227;o, Ele nos concede mais de Seu infinito Amor.</p><p>Agora, aten&#231;&#227;o &#224; obra de salva&#231;&#227;o: o Filho de Deus se faz homem e passa a habitar no meio de n&#243;s; o faz porque precisa se entregar como sacrif&#237;cio pascal a fim de libertar-nos do pecado; o faz por amor e sabe que seu amor ser&#225; correspondido (infelizmente, n&#227;o por todos), e sendo assim, entrega mais para que o amor retribu&#237;do pelo homem seja maior e este possa ser ainda mais santo: e este &#8220;a mais&#8221; &#233; a sant&#237;ssimo eucaristia, por meio da qual recebemos a Gra&#231;a santificante que transforma o nosso cora&#231;&#227;o no Cora&#231;&#227;o de Cristo, que modifica nosso car&#225;ter dando-nos virtudes e destruindo nossos v&#237;cios. Contudo, percebam, isso s&#243; &#233; poss&#237;vel caso nossa vontade, ao aproximarmo-nos do Senhor no Sant&#237;ssimo Sacramento, esteja disposta a Ele. Se o recebemos displicentemente, n&#227;o aproveitamos de todas as Gra&#231;as que poder&#237;amos lucrar se o receb&#234;ssemos com mais Amor - e pode ser que seja at&#233; um ato sacr&#237;lego, quem sabe.</p><p>Cristo instituiu o sacerd&#243;cio para que sua presen&#231;a real na Eucaristia fosse poss&#237;vel. Colocou a mim e uma s&#233;rie de outros padres para servir a todos os fi&#233;is que desejarem se aproximar do Senhor na Sant&#237;ssima Eucaristia, mas os fi&#233;is seguem desprezando tamanha Gra&#231;a e recebendo o Senhor, mesmo que creia fielmente que esteja presente ali, como se n&#227;o fosse o Senhor.&nbsp;</p><p>Vamos, ent&#227;o, meus irm&#227;os, buscar hoje, crescer em amor a Cristo, sobretudo por Cristo presente na Sant&#237;ssima Eucaristia, dispondo cada vez mais a nossa vontade para que a d&#8217;Ele se sobreponha e nos transforme, nos fa&#231;a santos.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o 15º Domingo do Tempo Comum: 12/07/2026]]></title><description><![CDATA[O grande Santo Agostinho de Hipona, respons&#225;vel por escrever um dos mais belos tratados sobre a Gra&#231;a, um dos tratados mais profundos sobre a Trindade, que combateu heresias de sua &#233;poca, que produziu textos filos&#243;ficos e teol&#243;gicos numa quantidade absurda, em suas]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-15-domingo-do-tempo</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-15-domingo-do-tempo</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Mon, 13 Jul 2026 17:15:25 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O grande Santo Agostinho de Hipona, respons&#225;vel por escrever um dos mais belos tratados sobre a Gra&#231;a, um dos tratados mais profundos sobre a Trindade, que combateu heresias de sua &#233;poca, que produziu textos filos&#243;ficos e teol&#243;gicos numa quantidade absurda, em suas <em>Confiss&#245;es</em>, num arroubo de sinceridade, diz que, certa vez, rezou a Deus com as exatas palavras: &#8220;Senhor, dai-me castidade e contin&#234;ncia, mas n&#227;o agora!&#8221;.</p><p>O que nosso grande santo fez foi o mesmo que a maioria de n&#243;s, hoje, fazemos: adiar a pr&#243;pria convers&#227;o. De fato, o profeta Isa&#237;as, na primeira leitura, tem toda a raz&#227;o ao afirmar que a palavra de Deus n&#227;o &#233; como a chuva e a neve, que n&#227;o caem do c&#233;u sem produzir seu efeito; sua Palavra jamais passar&#225; sem produzir efeito. No entanto, a palavra de Deus &#233; semelhante &#224; semente que, por mais que contenha em si a possibilidade de se tornar uma &#225;rvore frondosa e de produzir frutos abundantes, depende absolutamente do solo no qual &#233; plantada. Assim, a palavra de Deus depende da disposi&#231;&#227;o dos nossos cora&#231;&#245;es. Por essa raz&#227;o &#233; que Santo Agostinho, assim como n&#243;s, hoje, podemos adiar a convers&#227;o. Deus vem, insistentemente, em nossa dire&#231;&#227;o, mas n&#243;s simplesmente viramos as costas e seguimos o caminho que mais nos agrada.</p><p>Nosso Senhor, no Evangelho de hoje, descreve tr&#234;s disposi&#231;&#245;es contr&#225;rias &#224; frutifica&#231;&#227;o da palavra de Deus e apenas uma disposi&#231;&#227;o que leva a produzir frutos. Percebam que somente pela quantidade de exemplos presentes na par&#225;bola contada por Jesus pode-se intuir a dificuldade de viver segundo a vontade de Deus e, o contr&#225;rio, a facilidade que temos em trilhar o caminho da porta larga que conduz &#224; perdi&#231;&#227;o - afinal, justamente por ser larga, a porta pode ser acessada de uma infinidade de modos, enquanto a porta estreita s&#243; pode ser acessada de um modo.</p><p>Bem, vamos por partes: qual s&#227;o, ent&#227;o, os tr&#234;s modos de perder os frutos da palavra de Deus?</p><ul><li><p>A primeira parte das sementes caiu na beira do caminho. Estas foram comidas pelos p&#225;ssaros. Diferente do que faz Nosso Senhor ao contar outras par&#225;bolas, para esta, ele d&#225; o significado detalhado. Em dizendo que as sementes ca&#237;ram &#224; beira do caminho, o Senhor quis falar daquelas pessoas que, embora escutem a palavra de Deus, n&#227;o s&#227;o capazes de compreend&#234;-la. A estas, vem o Maligno que lhes rouba o que foi semeado em seu cora&#231;&#227;o.</p></li><li><p>A segunda parte das sementes &#233; aquela que caiu num terreno pedregoso, por&#233;m n&#227;o havia ali muita terra. Embora essas sementes tenham brotado logo, n&#227;o d&#227;o fruto nenhum. Na verdade, logo que o sol aparece, elas se queimam e secam, porque n&#227;o t&#234;m raiz. O terreno pedregoso &#233; imagem daqueles que recebem a palavra de Deus com alegria, mas que s&#227;o de momento. Estes desistem assim que a persegui&#231;&#227;o e o sofrimento chegam.</p></li><li><p>Em terceiro lugar est&#227;o as sementes que caem entre os espinhos. Os espinhos, obviamente, cresceram e sufocaram as plantas. Os espinhos s&#227;o imagem daqueles que se preocupam demasiadamente com a ilus&#227;o das riquezas e n&#227;o pensam em outra coisa se n&#227;o no mundo. Tais preocupa&#231;&#245;es sufocam a palavra, e essas pessoas n&#227;o d&#227;o fruto.&nbsp;</p></li></ul><p></p><p>Sigamos a ordem das imagens de que se utiliza Nosso Senhor: em primeiro lugar, devemos buscar <em>compreender</em> a Palavra de Deus. O que nem sempre &#233; uma tarefa f&#225;cil - ali&#225;s, nunca &#233; uma tarefa f&#225;cil! Se olharmos rapidamente para a hist&#243;ria da Igreja, veremos uma s&#233;rie de heresias que surgiram a partir de compreens&#245;es err&#244;neas da Palavra de Deus. A mais patente de todas elas &#233; o protestantismo. S&#227;o quinhentos anos de exist&#234;ncia e uma infinidade de denomina&#231;&#245;es discordantes entre si, justamente porque o princ&#237;pio de interpreta&#231;&#227;o das Sagradas Escrituras &#233; a &#8220;luz interior&#8221; - o que quer dizer, basicamente, que cada um entende a B&#237;blia a seu modo e, depois, p&#245;e a culpa no Esp&#237;rito Santo. Bem, &#233; justamente para entender a palavra de Deus, que temos a Sagrado Magist&#233;rio, fonte segura de ensinamentos que nos dirigem ao C&#233;u. Al&#233;m do magist&#233;rio - e cito, aqui, o Papa Bento XVI -, se queremos compreender com perfei&#231;&#227;o a Palavra de Deus, precisamos olhar para aqueles que seguramente alcan&#231;aram a coroa celeste, o pr&#234;mio daqueles que foram fi&#233;is, o Para&#237;so celeste junto de Deus: e estes s&#227;o os santos. Eles s&#227;o a verdadeira interpreta&#231;&#227;o da Palavra de Deus. Portanto, para n&#227;o sermos &#8220;a beira do caminho&#8221;, aqueles de quem o dem&#244;nio rouba a Palavra, precisamos conhecer a vida dos santos e meditar no modo como eles entenderam o que receberam de Deus.</p><p>Em segundo lugar, Nosso Senhor fala dos empolgados. Essa aqui &#233; a galera que gosta de ir l&#225; no show do Frei Gilson a fim de chorar at&#233; se derreter quase por inteiro, mas que quando chega a quaresma e o Frei convida para o Ros&#225;rio da madrugada, nego d&#225; um pulo de quase 3 metros de altura. Esse salto ol&#237;mpico &#233; dado porque a pessoa n&#227;o tem a capacidade de assumir a F&#233; at&#233; &#224;s &#250;ltimas consequ&#234;ncias - ali&#225;s, nem &#224;s primeiras consequ&#234;ncias. A vaidade impede de contrariar o desejo de satisfazer-se nos prazeres que o mundo oferece. Sofrer pelo Reino de Deus, jamais! O sofrimento n&#227;o est&#225; no horizonte desse tipo de pessoa. Esse tipo de gente s&#243; assume viver a F&#233; cat&#243;lica desde que possa continuar a desfrutar de tudo quanto o mundo lhe oferece. Acontece que aquilo que a carne nos impele a fazer n&#227;o &#233; compat&#237;vel com a F&#233;. E n&#227;o &#233; assim porque Deus gosta de nos contrariar sem raz&#245;es, mas porque a nossa carne est&#225; disposta a tudo quando impede a nossa verdadeira felicidade. A F&#233; cat&#243;lica n&#227;o &#233;, meus irm&#227;os, para quem &#233; frouxo, para quem n&#227;o quer ser perseguido pelo mundo, para quem n&#227;o tem coragem de sofrer, a f&#233; cat&#243;lica &#233; para quem deseja ser crucificado com Cristo, para com Ele ressurgir para uma vida nova. Se quer ser fiel a Cristo, prepare-se para as persegui&#231;&#245;es e, mais, prepare-se para as penit&#234;ncias - sem elas, n&#227;o &#233; poss&#237;vel caminhar fielmente.</p><p>Por fim, as preocupa&#231;&#245;es do mundo e a ilus&#227;o das riquezas. Para estes, &#233; dif&#237;cil ouvir que n&#243;s n&#227;o somos absolutamente nada sem Cristo. Estes s&#227;o aqueles que desejam ser grandes, estar entre os grandes deste mundo, desejam ser considerados &#8220;algu&#233;m&#8221;, mesmo entre os membros da Igreja. Deus nos quer humildes, a fim de realizar maravilhas por meio de n&#243;s, no entanto, isso s&#243; &#233; poss&#237;vel se n&#243;s estivermos dispostos a ouvir uma verdade dolorosa: n&#243;s n&#227;o prestamos para nada, somos servos in&#250;teis ou, como diz S&#227;o Lu&#237;s de Montfort, somos vermezinhos e miser&#225;veis pecadores. Precisamos aceitar nossa pequenez, nossa mis&#233;ria. Precisamos reconhecer nossa absoluta depend&#234;ncia de Deus e, por isso, desej&#225;-lO de todo o cora&#231;&#227;o. Precisamos renunciar o mundo, renunciar as riquezas, renunciar tudo quanto, em n&#243;s, possa desagradar a Deus, a fim de viver como Ele deseja que vivamos. Tal ren&#250;ncia n&#227;o significa agir temerariamente, abandonando tudo de modo desmedido, significa, por outro lado, buscar ouvir o que Deus deseja de si. &#8220;Estando onde estou, fazendo o que fa&#231;o, sendo quem sou, o que Deus deseja de mim?&#8221;. Como canta Santa Tereza D&#8217;&#193;villa, num de seus mais belos poemas espirituais: &#8220;Que mandais fazer de mim? Dai-me riqueza ou pobreza, honra ou desonra; alegria ou tristeza [...] Que mandais fazer de mim?&#8221; Devemos viver como quem n&#227;o se importa o que ser&#225; de n&#243;s, desde que estejamos em plena conformidade com a vontade de Deus.</p><p>Eis o nosso caminho de santidade, meus irm&#227;os: a vida dos santos para que os imitemos; as penit&#234;ncias, a fim de que ven&#231;amos a carne; e a vontade de Deus, com a qual devemos nos conformar em todas as circunst&#226;ncias de nossas vidas.</p><p>Que Deus nos d&#234; a gra&#231;a de seguirmos firmes nesse caminho, que embora n&#227;o seja nada f&#225;cil, &#233; o &#250;nico meio de santifica&#231;&#227;o de nossas almas, portanto, &#250;nico meio de felicidade verdadeira. Coragem! Com Cristo, tudo podemos!</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o 14º Domingo do Tempo Comum: 05/07/2026]]></title><description><![CDATA[A profecia de Zacarias &#233; um dos mais evidentes an&#250;ncios de Nosso Senhor presentes no Antigo Testamento.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-14-domingo-do-tempo</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-14-domingo-do-tempo</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Sun, 05 Jul 2026 14:02:36 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p><span>A profecia de Zacarias &#233; um dos mais evidentes an&#250;ncios de Nosso Senhor presentes no Antigo Testamento. O rei que entra em Jerusal&#233;m montado num jumentinho &#233; Nosso Senhor Jesus Cristo que, de fato, realiza tal a&#231;&#227;o em sua entrada em Jerusal&#233;m. Depois de tr&#234;s anos de minist&#233;rio p&#250;blico, finalmente Jesus &#233; recebido em Jerusal&#233;m pelo povo que o aclama seu rei: &#8220;Hosana ao filho de Davi!&#8221;. E o significado dessa entrada triunfal em Jerusal&#233;m &#233; o seguinte: &#8220;Eliminar&#225; os carros de Efraim, os cavalos de Jerusal&#233;m; ele quebrar&#225; o arco de guerreiro, anunciar&#225; a paz &#224;s na&#231;&#245;es. Seu dom&#237;nio se estender&#225; de um mar a outro mar, e desde o rio at&#233; aos confins da terra&#8221;, como anunciado pelo pr&#243;prio profeta Zacarias.</span></p><p><span>O an&#250;ncio do profeta significa, literalmente, que o rei que entraria em Jerusal&#233;m seria respons&#225;vel pela liberta&#231;&#227;o do povo de Israel, semelhante &#224; que fora feita por Mois&#233;s, no Egito. Acontece que, diferente do grandioso feito de Mois&#233;s, Nosso Senhor n&#227;o veio para restaurar um reino deste mundo, mas, como Ele mesmo diz, seu reino n&#227;o &#233; deste mundo. Sendo assim, sua entrada em Jerusal&#233;m n&#227;o liberta o povo dos inimigos deste mundo, mas dos inimigos que impedem o g&#234;nero humano de adentrar aquele seu reino que n&#227;o &#233; daqui.</span></p><p><span>Assim como Mois&#233;s conduziu o povo do Antigo Testamento para a terra prometida - que &#233; Cana&#227; -, assim tamb&#233;m Nosso Senhor Jesus Cristo nos conduz para a Terra Prometida - que &#233; o C&#233;u.</span></p><p><span>Contudo, pensem comigo, ningu&#233;m consegue chegar a um determinado destino caso n&#227;o esteja caminhando em dire&#231;&#227;o a ele, tendo-o como fim de sua jornada. Assim, tamb&#233;m, ningu&#233;m &#233; capaz de alcan&#231;ar o C&#233;u caso n&#227;o caminhe em dire&#231;&#227;o a ele ao longo de sua vida terrena. E, claro, como ningu&#233;m consegue alcan&#231;ar um determinado destino se n&#227;o conhecer o caminho, tamb&#233;m n&#227;o se chega ao C&#233;u sem conhecer o Caminho - que &#233; Cristo. Ou seja, &#233; necess&#225;rio caminhar como Nosso Senhor deseja que caminhemos, obedecer seus mandamentos, participar dos sacramentos, em suma, viver uma vida santa, para que consigamos alcan&#231;ar o C&#233;u. E essa vida santa n&#227;o &#233; outra coisa sen&#227;o a Vida Eterna come&#231;ada - ou seja, uma antecipa&#231;&#227;o do C&#233;u. Ser santo significa antecipar o gozo celeste. Significa contemplar antecipadamente Deus que se d&#225; a n&#243;s por amor, que nos salva de nossos pecados, nos redime dos crimes que cometemos (&#224;s vezes, voluntariamente).</span></p><p><span>Pois bem, &#233; a&#237; que entra a segunda leitura. Para que vivamos com Cristo neste mundo, foi necess&#225;rio que Ele n&#227;o nos deixasse sozinhos. Como Ele sabe que n&#243;s n&#227;o conseguimos realizar nenhum bem se n&#227;o for sob seu divino aux&#237;lio, Ele infunde em n&#243;s a vida divina, de modo que n&#243;s, mesmo n&#227;o vivendo com Ele como viveram os ap&#243;stolos, tenhamos uma firme motiva&#231;&#227;o interior para caminhar em dire&#231;&#227;o ao C&#233;u: e essa vida divina em n&#243;s &#233; a presen&#231;a do Esp&#237;rito Santo em nossas almas. Por isso, na segunda leitura, S&#227;o Paulo diz aos Romanos que &#8220;se algu&#233;m n&#227;o tem o Esp&#237;rito de Cristo, n&#227;o pertence a Cristo&#8221;.</span></p><p><span>Antes de subir ao C&#233;u, Nosso Senhor, nos Atos dos Ap&#243;stolos, prometeu que enviaria o Esp&#237;rito Santo para lhes dar </span><em><span>for&#231;a</span></em><span>. E, de fato, o Esp&#237;rito desce sobre os ap&#243;stolos como l&#237;nguas de fogo e os fortalece.</span></p><p><span>A for&#231;a concedida pelo poder do Esp&#237;rito Santo significa a vit&#243;ria sobre a carne - </span><em><span>carne </span></em><span>em sentido paulino. Quer dizer, a vit&#243;ria sobre as paix&#245;es desordenadas. Todos temos dentro de nossos cora&#231;&#245;es uma batalha constante entre duas vontades - a vontade pelo bem e a inclina&#231;&#227;o ao mal. E todos sabemos que, geralmente, a inclina&#231;&#227;o ao mal vence. Como reordenar nossa vida, ent&#227;o? De que modo sairemos vitoriosos sobre as paix&#245;es desordenadas? O que fazer para finalmente vencermos na busca pelo bem? A resposta, meus irm&#227;os, n&#227;o &#233; simplesmente buscar uma vida virtuosa. Esse &#233; um meio, de fato. Devemos buscar virtudes. Mas &#233; imposs&#237;vel vencer, em absoluto, a carne, sen&#227;o por meio da for&#231;a que nos foi dada do alto, sen&#227;o pelo poder do Esp&#237;rito Santo que habita em nossos cora&#231;&#245;es. &#8220;Pois&#8221;, diz S&#227;o Paulo, &#8220;se viverdes segundo a carne, morrereis, mas se, pelo esp&#237;rito, matardes o procedimento carnal, ent&#227;o vivereis&#8221;. Nesse sentido, para come&#231;armos a vida eterna aqui, j&#225; neste mundo, devemos viver sob a condu&#231;&#227;o dos Esp&#237;rito Santo.</span></p><p><span>Apesar de n&#227;o ser o tema central de nossa medita&#231;&#227;o, vou fazer apenas um coment&#225;rio a respeito da vida espiritual da maioria de n&#243;s: o problema aqui n&#227;o &#233; que devemos rezar mais, a fim de ouvir a voz do Esp&#237;rito Santo, que habita em nossos cora&#231;&#245;es; o problema &#233;, sim, que rezamos mal. Devemos tornar nossas ora&#231;&#245;es qualitativamente melhores.</span></p><p><span>Pois bem, no Antigo Testamento, mais especificamente no livro do G&#234;nesis, cap&#237;tulo dois, ao criar o homem, Deus insuflou em suas narina o &#8220;sopro da vida&#8221;. Este sopro de que fala o texto b&#237;blico &#233; uma imagem do Esp&#237;rito Santo. Tamb&#233;m em Pentecostes, no entanto, em forma de l&#237;nguas de fogo, desce o Esp&#237;rito Santo sobre os disc&#237;pulos, a fim de vivific&#225;-los uma outra vez, num outro sentido: n&#227;o lhes d&#225; a vida natural, mas a vida sobrenatural. A presen&#231;a da terceira pessoa da Sant&#237;ssima Trindade significa o recebimento da vida divina: o que quer dizer uma antecipa&#231;&#227;o do C&#233;u, como disse na homilia de hoje. Agora, o que n&#227;o disse &#233; que a vida eterna come&#231;ada vem com um mandamento: &#8220;Ide por todo o mundo, a todos anunciai o Evangelho&#8221;. Nosso Senhor envia o Esp&#237;rito Santo para faz&#234;-los santos, mas a santidade que recebem como dom deve frutificar no an&#250;ncio do evangelho, de modo que outros tantos, que conhecer&#227;o Cristo por meio da prega&#231;&#227;o dos ap&#243;stolos, possam, tamb&#233;m eles, alcan&#231;ar a santidade - como de fato aconteceu. Foi por essa raz&#227;o que S&#227;o Jo&#227;o Evangelista alcan&#231;ou com sua prega&#231;&#227;o o cora&#231;&#227;o de S&#227;o Policarpo, que foi santo por ter recebido a prega&#231;&#227;o de S&#227;o Jo&#227;o. E assim com tantos outros.</span></p><p><span>O Esp&#237;rito Santo, meus irm&#227;os, que vive no cora&#231;&#227;o de cada cat&#243;lico batizado, impulsionou a Igreja, ao longo desses dois mil&#234;nios, formando um ex&#233;rcito de santos, que viveram o verdadeiro sentido do evangelho, de tal modo que por meio de sua prega&#231;&#227;o, n&#243;s, hoje, desejamos alcan&#231;ar a santidade.</span></p><p><span>No entanto, assim como houve uma gama de Santos, cuja prega&#231;&#227;o nos alcan&#231;ou, o Esp&#237;rito Santo, que habita em n&#243;s, quer nos santificar, hoje, de modo que por meio de nossas prega&#231;&#245;es uma multid&#227;o de pessoas seja atingida pela Verdade e deseje, tamb&#233;m eles, seguir o caminho de Cristo. Por essa raz&#227;o o salmista diz, hoje: &#8220;Narrem a gl&#243;ria e o esplendor do vosso reino e saibam proclamar vosso poder!&#8221; - que n&#243;s narremos a gl&#243;ria e o esplendor do reino de Deus, que n&#243;s saibamos proclamar o poder de Deus! E que o fa&#231;amos por meio de nossas vidas.</span></p><p><span>&#8220;Vinde a mim todos v&#243;s que estais cansados&#8221;, diz o Senhor. E n&#243;s, que devemos dizer? Devemos dizer como a Virgem Maria: &#8220;fazei tudo o que Ele vos disser!&#8221; &#192;s vezes, sem dizer uma &#250;nica palavra, apenas fazendo o que Ele ordenou que fiz&#233;ssemos. Devemos ir a Ele, busc&#225;-lo ardentemente, seguir as mo&#231;&#245;es do Esp&#237;rito em nossos cora&#231;&#245;es, silenciar as paix&#245;es e viver da Gra&#231;a, de modo que o mundo reconhe&#231;a quem realmente &#233; o Senhor.</span></p><p><span>Por fim, apenas para que eu n&#227;o seja mal compreendido. N&#227;o estou incentivando ningu&#233;m &#224; vaidade. Ningu&#233;m deve querer ser estimado por fazer o que disse. Ali&#225;s, se essa for uma motiva&#231;&#227;o, a vida interior nem ao menos funcionar&#225;. Devemos deixar a chatice de lado, toda a vaidade, buscar humildemente servir o Senhor, mesmo em meio aos sofrimentos. O consolo vir&#225; Dele! Coragem, meus irm&#227;os!</span></p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://padretoninho.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber homilias dominicais.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para a Solenidade de São Pedro e São Paulo: 28/06/2026]]></title><description><![CDATA[Hoje &#233; um dia muito especial para a Igreja.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-a-solenidade-de-sao</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-a-solenidade-de-sao</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Tue, 30 Jun 2026 10:06:35 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Hoje &#233; um dia muito especial para a Igreja. Celebramos dois santos que possuem uma import&#226;ncia singular para a F&#233; Cat&#243;lica: S&#227;o Pedro e S&#227;o Paulo. O primeiro &#233; o detentor das chaves, o custodiador do Reino dos C&#233;us, cuja autoridade espiritual &#233; t&#227;o grande que, ainda hoje, ouvimos com alegria, a cada conclave, &#8220;<em>Tu es petros</em>&#8221; - foi bonito ouvir, ap&#243;s o &#250;ltimo conclave, o arcebispo de Cusco, no Peru, que conviveu 20 anos com Robert Prevost, dizendo as seguintes palavras: &#8220;eu fui encontrar Prevost e me encontrei com Pedro. O irm&#227;o que conhe&#231;o h&#225; 20 anos j&#225; n&#227;o existe mais&#8221;; o segundo &#233; o maior e mais inspirador mission&#225;rio que a Igreja j&#225; viu - para que tenham uma ideia, S&#227;o Jo&#227;o Bosco, grande santo do s&#233;culo XIX, teve em seu atestado de &#243;bito, assinalado como causa da morte, a fadiga (cansa&#231;o), enquanto S&#227;o Paulo foi apedrejado, naufragou, foi aprisionado, flagelado e, por gra&#231;a divina, incansavelmente seguiu sua miss&#227;o at&#233; ser martirizado. &#201; impressionante como o dom da fortaleza espiritual agiu nesse homem.</p><p>Embora haja uma infinidade de elementos que diferenciem S&#227;o Pedro de S&#227;o Paulo, h&#225; um elemento fort&#237;ssimo que os aproxima: o mart&#237;rio. Pretendo analisar esses grandes santos sob essas duas perspectivas: as diferen&#231;as e a semelhan&#231;a. Vamos come&#231;ar pelas diferen&#231;as.</p><p>Saulo, perseguidor da Igreja de Cristo, motivado pelo mesmo impulso dos judeus de sua &#233;poca, assumiu a frente de uma empreitada terr&#237;vel no primeiro s&#233;culo da era crist&#227;: eliminar o cristianismo que &#8220;amea&#231;ava&#8221; o juda&#237;smo de sua &#233;poca. Saulo conheceu Jesus, a quem os disc&#237;pulos e aqueles que eles mesmos evangelizaram seguiam, por meio do testemunho dessas pessoas. Ele os via evangelizar, os ouvia pregar, via judeus se convertendo, percebia a Lei de Mois&#233;s sendo ensinada de um modo estranho aos judeus e, por isso, Saulo odiava Cristo e sua Igreja. Via a Igreja como uma ferida na hist&#243;ria do povo eleito: como se j&#225; n&#227;o bastasse a domina&#231;&#227;o romana, agora uns tais seguidores de um falso messias o apresenta como o salvador de Israel, quando este mesmo messias morre numa cruz. Saulo, irado, inicia uma persegui&#231;&#227;o que leva ao mart&#237;rio de um santo di&#225;cono da Igreja primitiva: Santo Est&#234;v&#227;o. Homem que morre apedrejado, por&#233;m humildemente rezando por seus pr&#243;prios algozes, dizia: &#8220;Senhor, n&#227;o lhes imputes este pecado&#8221;. Ao cair morto, testemunhando seu amor a Cristo e herdando a p&#225;tria celeste, Est&#234;v&#227;o cai aos p&#233;s de Saulo que aprova sua morte.</p><p>No entanto, por meio de uma Gra&#231;a extraordin&#225;ria, Paulo deixa a vida de perseguidor e entra para o corpo m&#237;stico daquele que &#233; perseguido: &#8220;Saulo, Saulo, por que me persegues?&#8221;, diz-lhe o Senhor. A vis&#227;o m&#237;stica modifica sua vida para sempre. Saulo atinge os mais altos graus da vida interior depois do pr&#243;prio Cristo aparecer em toda a sua gl&#243;ria e ceg&#225;-lo, tornando-o dependente de um milagre para voltar a enxergar. O soberbo Saulo &#233; tornado humilde ao ser jogado na terra pelo pr&#243;prio Cristo. Essa sua humildade o torna Paulo, o grande Ap&#243;stolo e mission&#225;rio. Para voc&#234;s terem uma ideia, ao iniciar seu apostolado, Paulo sai de Israel, percorrendo todo o territ&#243;rio do imp&#233;rio romano, chegando numa regi&#227;o pr&#243;xima &#224; Maced&#244;nia: isso quer dizer que foi desde o Oriente M&#233;dio at&#233; metade da Europa.&nbsp;</p><p>Evidentemente, ao tornar-se um de n&#243;s, passa de perseguidor a perseguido. De um homem da Lei, para um homem do Esp&#237;rito. &#8220;Quanto a mim, j&#225; estou para ser derramado em sacrif&#237;cio&#8221;, diz S&#227;o Paulo a Tim&#243;teo na segunda leitura de hoje.</p><p>Quanto a Pedro, o caminho de F&#233; percorrido &#233; completamente diferente. N&#227;o foi um incr&#233;dulo perseguidor. Ao contr&#225;rio: foi chamado por Nosso Senhor Jesus Cristo que subiu em sua barca para pregar &#224; multid&#227;o e o tomou como o disc&#237;pulo, ordenando que deixasse tudo para segui-lo. E assim Pedro o fez: deixou tudo e seguiu o Senhor. Foi, antes de tudo, um disc&#237;pulo. Por mais que sem entender, foi disc&#237;pulo. Viu Jesus acalmar o mar e os ventos durante uma tempestade e perguntou, com os outros ap&#243;stolos, quem Ele era. Ainda assim, Pedro estava l&#225;, fiel a cada ensinamento de Jesus, firme em seus passos de disc&#237;pulo. At&#233; que, como lemos no Evangelho de hoje, Pedro enfim reconhece quem era Jesus. Entende perfeitamente sua miss&#227;o seu car&#225;ter divino: &#8220;Tu &#233;s o Messias, o Filho do Deus vivo&#8221;. Ele reconhece que Jesus &#233; aquele que Israel esperava h&#225; s&#233;culos. Reconhece que Ele &#233; aquele que viria salv&#225;-los de uma vez por todas. Reconhece, enfim, que Ele &#233;, acima de qualquer coisa, Deus. Tal reconhecimento faz com que S&#227;o Pedro coloque Deus em primeiro lugar em seu cora&#231;&#227;o.&nbsp;</p><p>S&#227;o Pedro, at&#233; que se tornasse santo, teve de lutar constantemente contra sua desordem natural: teve de se arrepender por ter dito a Jesus que n&#227;o deveria se entregar na Cruz; teve de se arrepender de ter cortado a orelha de Malco; teve de se arrepender de ter negado Nosso Senhor por tr&#234;s vezes. Tudo isso at&#233; que, por fim, motivado pelo Esp&#237;rito Santo que foi derramado sobre ele em Pentecostes, n&#227;o se arrependesse de anunciar o Senhor a todos quantos cruzassem seu caminho, a passar pelo caminho de tantos doentes curando-os, a sustentar na F&#233; seus pr&#243;prios companheiros disc&#237;pulos que necessitavam de ser sustentados por ele, que reinou na Igreja por ordem do pr&#243;prio Cristo.</p><p>At&#233; que, como lemos na primeira leitura, Pedro foi preso por Herodes, que foi motivado por seu desejo de agradar os judeus. Apesar de liberto, como vimos, este foi o primeiro sinal de como Pedro viria a morrer: ele certamente seria um m&#225;rtir, como de fato o foi.</p><p>Embora tenham sido muito diferentes no caminho da F&#233; - S&#227;o Paulo se converteu por meio de uma gra&#231;a extraordin&#225;ria, enquanto S&#227;o Pedro caminhou com Jesus esfor&#231;ando-se por ser fiel todos os dias desde que deixou tudo para segui-lo -, ambos morreram m&#225;rtires.</p><p>Esse elemento de conex&#227;o entre os dois revela o grau de santidade em que ambos chegaram. O refr&#227;o do salmo de hoje nos ajuda a compreender a grandeza desses dois: &#8220;De todos os temores me livrou o Senhor Deus&#8221;. Embora pare&#231;a, o salmo n&#227;o fala sobre a derrota dos inimigos - ou seja, o salmista n&#227;o est&#225; dizendo que as amea&#231;as &#224; sua vida ser&#227;o todas eliminadas. &#201; o contr&#225;rio disso: Deus livra dos temores, n&#227;o dos inimigos. Isso quer dizer que as amea&#231;as &#224; vida continuar&#227;o a existir. De fato, Pedro e Paulo foram martirizados. Deus n&#227;o os livrou da coroa do mart&#237;rio. Mas, sim, Deus os livrou de todo temor. No entanto, isso s&#243; &#233; poss&#237;vel porque o cora&#231;&#227;o do homem se esvazia de absolutamente tudo, para dar lugar exclusivo a Deus. Por isso, quando falei de ambos os santos celebrados hoje, disse que eles foram humildes a partir de determinado momento. J&#225; n&#227;o eram mais eles a viver, mas Cristo a viver neles. Eles foram, a seu modo, definitivamente outros Cristos.&nbsp;</p><p>Ao celebrarmos S&#227;o Pedro e S&#227;o Paulo - e &#233; isso o que eu gostaria que voc&#234;s entendessem hoje -, estamos celebrando dois grandes santos, cuja santidade deve ser imitada. Mas n&#227;o s&#243;! Devemos imit&#225;-los em termos de realiza&#231;&#227;o de nossas voca&#231;&#245;es. Uns se convertem mais tarde - e devem ser santos. Outros caminham a vida toda com Cristo - e devem ser santos. Al&#233;m disso, devemos tomar os dois como motiva&#231;&#227;o para amar, de todo o cora&#231;&#227;o, a Igreja de Cristo - como S&#227;o Pedro, seu primeiro Papa - honrando-a justamente na piedade com rela&#231;&#227;o &#224; figura do Sumo Pont&#237;fice (que personifica a unidade da Igreja, &#233; nosso elo eclesi&#225;stico, e que &#233; imagem do nosso v&#237;nculo com Cristo, &#233; o &#8220;doce Cristo na terra&#8221;); e devemos amar a Igreja a ponto de querer que todos sejam membros desse Corpo M&#237;stico de Cristo (TODOS). S&#227;o Pedro &#233; figura da necessidade da Igreja, enquanto S&#227;o Paulo &#233; figura da verdade de que a salva&#231;&#227;o s&#243; se d&#225; dentro dela - por isso foi um grande mission&#225;rio.&nbsp;</p><p>Por essa raz&#227;o, meus irm&#227;os, busquemos ardentemente imit&#225;-los em santidade, a ponto de reconhecer que fora da Igreja n&#227;o h&#225; salva&#231;&#227;o e que, por isso, n&#227;o h&#225; nada nesse mundo que se iguale &#224; F&#233; Cat&#243;lica (NADA). N&#243;s, neste mundo, devemos buscar nossa santidade e buscar que os outros sejam santos.&nbsp;</p><p>N&#227;o &#233; f&#225;cil! Mas Deus nos d&#225; a mesma Gra&#231;a que deu a S&#227;o Pedro e S&#227;o Paulo. Pe&#231;amos, ent&#227;o, sua intercess&#227;o, e sigamos nossa caminhada buscando a santidade.</p><p>S&#227;o Pedro e S&#227;o Paulo, <strong>rogai por n&#243;s</strong>!</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o 12º Domingo do Tempo Comum: 21/06/2026]]></title><description><![CDATA[Na &#233;poca de Jeremias, o profeta, de quem ouvimos a profecia na primeira leitura, o reino de Israel j&#225; havia deixado de ser grande e poderoso h&#225; muito tempo.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-12-domingo-do-tempo</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-12-domingo-do-tempo</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Sun, 21 Jun 2026 14:33:09 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Na &#233;poca de Jeremias, o profeta, de quem ouvimos a profecia na primeira leitura, o reino de Israel j&#225; havia deixado de ser grande e poderoso h&#225; muito tempo. Alguns s&#233;culos antes, Davi havia tornado Israel grande entre todas as na&#231;&#245;es: foi o respons&#225;vel por unificar o reino em todas as suas doze tribos e conduzir o povo, apesar de seus terr&#237;veis erros, na dire&#231;&#227;o do cumprimento da Lei e, portanto, da fidelidade a Deus. Na &#233;poca de Salom&#227;o, herdeiro de Davi, os reinos vizinhos visitavam-no e presenteavam-no com ouro, madeira de cedro e muitas outras coisas, porque reconheciam que Deus lhe havia beneficiado com o dom da sabedoria e era, de fato, com ele. Em Salom&#227;o, por&#233;m, o reino de Israel come&#231;ou a enfrentar uma dificuldade que jamais superou: a idolatria. Salom&#227;o, no fim da vida, parece ter perdido o dom de Deus - e digo isso porque parece que parou de pensar - e casou-se com setecentas mulheres, fora as trezentas concubinas que tinha. Como se j&#225; n&#227;o bastasse exagerar no n&#250;mero, o rei se permitiu casar com mulheres em sua maioria pag&#227;s, o que o obrigou a construir, espalhados em Israel, templos para o culto dos deuses pag&#227;os de suas esposas.</p><p>O rei Salom&#227;o, nesse aspecto, aparece-nos como um modelo - n&#227;o um bom modelo, mas uma esp&#233;cie de descri&#231;&#227;o de como o pecado funciona: o dom da sabedoria lhe proporciona uma fama singular; a fama move, em seu cora&#231;&#227;o, a vaidade, afinal &#233; prazeroso ser estimado por todos; a vaidade o faz ceder em princ&#237;pios essenciais de sua F&#233;, tudo para que mantenha sua posi&#231;&#227;o de influ&#234;ncia no mundo antigo e suas boas rela&#231;&#245;es com os reis vizinhos (e por isso se casa com v&#225;rias e v&#225;rias esposas); no entanto, ao tomar para si tantas esposas, contrariando a Lei de Deus, cede aos prazeres da carne, &#233; dominado pela lux&#250;ria e, ao ser dominado por ela, perde instantaneamente a capacidade de exercitar o dom da sabedoria como lhe fora dado em princ&#237;pio.</p><p>De fato, Salom&#227;o nos mostra que &#233; imposs&#237;vel que o intelecto funcione perfeitamente se n&#243;s estivermos dominados pelas paix&#245;es da carne. E as paix&#245;es da carne come&#231;am a dominar-nos aos poucos, conforme vamos cedendo espa&#231;o &#224; vaidade, tal qual o fez Salom&#227;o.</p><p>Bem, na &#233;poca de Jeremias, os reis que sucederam Salom&#227;o foram tais e quais o pr&#243;prio: alguns fizeram l&#225; alguma coisa boa, mas terminaram por ceder em algo &#224;s mo&#231;&#245;es da vaidade e se permitiram abrir espa&#231;o para a idolatria em Israel.</p><p>Jeremias viveu numa &#233;poca em que o reino j&#225; havia sido dividido em dois - Israel e Jud&#225; - e um desses reinos, o Reino de Israel, havia sido destru&#237;do pelos Ass&#237;rios. Restou apenas o Reino de Jud&#225;, que ficava mais ao sul. Na &#233;poca em quest&#227;o, a idolatria vinha ganhando cada vez mais espa&#231;o, a infidelidade &#224; Lei era regra entre o chamado &#8220;povo de Deus&#8221;, o templo vinha sendo profanado e a terra, chamada santa, sofria com a presen&#231;a de sacrif&#237;cios estranhos, feitos a deuses estranhos, inclusive com a morte de inocentes. Como sempre fez, Deus envia um profeta a fim de corrigir seu povo de seus erros e de sua mal&#237;cia. E o an&#250;ncio dos profetas, nesse per&#237;odo - entre eles, Jeremias, Isa&#237;as e Baruque - gira em torno das consequ&#234;ncias do desprezo do povo pela Lei e, em &#250;ltima inst&#226;ncia, do desprezo ao pr&#243;prio Deus.</p><p>Na liturgia, lemos o cap&#237;tulo 20 da profecia de Jeremias, onde o profeta lamenta a persegui&#231;&#227;o sofrida em raz&#227;o de suas palavras. No cap&#237;tulo 19 vemos que palavras foram essas. Como eu disse, ele estava a denunciar a infidelidade do povo e a anunciar as consequ&#234;ncias de tal infidelidade. Seguindo a ordem do pr&#243;prio Deus, Jeremias vai a Jerusal&#233;m e anuncia sua destrui&#231;&#227;o, por ter se tornado infiel a Deus e cedido ao sacrif&#237;cio a deuses pag&#227;os. Para nossa surpresa, n&#227;o &#233; o povo que se ira contra o profeta, mas o sacerdote da &#233;poca, chamado Fassur, manda prender Jeremias, que depois de liberto, profetiza contra o sacerdote e, por fim, lamenta sua pr&#243;pria vida.</p><p>Antes de se lamentar, por&#233;m, ele diz, no vers&#237;culo 7 - que n&#227;o est&#225; na liturgia de hoje -, a seguinte frase: &#8220;Tu me seduziste, Senhor, e eu fui seduzido; foste mais forte do que eu e pudeste mais&#8221;. a palavra utilizada pelo profeta &#233; muito forte no contexto em que est&#225; sendo usada. &#8220;Tu me seduziste&#8221;. O Senhor se revelou de maneira especial ao profeta, apresentou-se a ele de modo que este n&#227;o pudesse, jamais resistir aos seus encantos. A linguagem &#233; muito semelhante &#224; linguagem dos c&#226;nticos espirituais de S&#227;o Jo&#227;o da Cruz que, por sua vez, se assemelham &#224; narrativa do livro do C&#226;ntico dos C&#226;nticos. Deus se comunica &#224; alma, de tal modo que nada mais pode atra&#237;-la, nada mais pode interessar-lhe, nem os prazeres, nem as riquezas, nem a estima do mundo, nada! Nesse sentido, Jeremias, assim como os grandes santos, s&#227;o uma ant&#237;tese de Salom&#227;o e dos reis de Israel. Enquanto estes estiveram preocupados consigo mesmos, Jeremias esteve preocupado com a preval&#234;ncia da Verdade. A sua motiva&#231;&#227;o era a realiza&#231;&#227;o da vontade de Deus, a Verdade como centro motor da vida de todos, mas n&#227;o era assim para os homens de sua &#233;poca. Por isso, Jeremias sofre. Sofre porque foi seduzido por Deus e se deixou seduzir. Experimenta uma esp&#233;cie de indigna&#231;&#227;o: como podem os homens n&#227;o se deixarem seduzir por aquele que &#233; irresist&#237;vel? Como podem deixar de olhar para a raz&#227;o de toda felicidade para ocuparem-se com prazeres moment&#226;neos? Como podem sacrificar a eternidade em troca de um simples elogio?</p><p>Embora tudo isso pare&#231;a causa de indigna&#231;&#227;o para n&#243;s, hoje, que estamos ouvindo a palavra de Deus, n&#243;s nos deixamos levar por cada uma dessas coisas. Tendemos a ser mais como Salom&#227;o do que como Jeremias. Sacrificamos a verdade em nome das vaidades do mundo. Preocupamo-nos com o que v&#227;o pensar de n&#243;s quando a &#250;nica coisa que realmente importa &#233; o que Deus pensa de n&#243;s. Santa Terezinha dizia &#8220;eu sou o que Deus pensa de mim&#8221; - mas n&#243;s n&#227;o queremos saber o que Deus pensa de n&#243;s e por isso n&#227;o nos tornamos o que Ele quer para n&#243;s. Dever&#237;amos nos lembrar do filho pr&#243;digo, que ao se encontrar proibido de comer a lavagem dos porcos lembrou-se que h&#225; p&#227;o com fartura para os servos na casa de seu pai. Deus nos quer dar a fartura da felicidade enquanto n&#243;s nos contentamos com a lavagem dos porcos para obter um momentinho de prazer. Deixamos de temer aqueles que podem perder para sempre nossas almas para preocuparmo-nos com aqueles que podem ferir nossos corpos.</p><p>Perceba a contradi&#231;&#227;o: Abra&#227;o n&#227;o viu a realiza&#231;&#227;o da promessa de Deus, somente acreditou e morreu sem ver sua descend&#234;ncia tornar-se numerosa; Mois&#233;s conduziu o povo, mas n&#227;o entrou na terra prometida; Elias eliminou os profetas de baal, mas foi perseguido por Jezabel em seguida; Jeremias profetizou, foi perseguido como vimos hoje, mas terminou sua vida num mart&#237;rio terr&#237;vel pelas m&#227;os dos pr&#243;prios judeus, no Egito; e Nosso Senhor morreu numa Cruz. A vida de quem &#233; fiel a Deus n&#227;o &#233; bem aceita neste mundo. Mas todos os que s&#227;o fi&#233;is a Deus, mesmo que morram, n&#227;o abandonam a defesa da verdade. E suas vidas, por serem fi&#233;is, terminam com a ressurrei&#231;&#227;o para a vida eterna, assim como a de Nosso Senhor Jesus Cristo. &#8220;E, se morremos com Cristo, creiamos que viveremos tamb&#233;m juntamente com ele&#8221;, afirma S&#227;o Paulo aos Romanos.</p><p>Esta &#233; a nossa F&#233;: a defesa da verdade mesmo que ao pre&#231;o de nossas vidas. Enquanto que o sacrif&#237;cio da verdade pela conserva&#231;&#227;o de nossas vidas conduz &#224; perdi&#231;&#227;o.</p><p>Meditemos, ent&#227;o, meus irm&#227;os, a respeito de onde tem estado nossos cora&#231;&#245;es: se tem amado a verdade sob a condi&#231;&#227;o de negar-se a si mesmo, ou se tem estado em si mesmo sob a condi&#231;&#227;o de negar a verdade.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://padretoninho.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber homilias dominicais.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o 11º Domingo do Tempo Comum: 14/06/2026]]></title><description><![CDATA[Nos primeiros s&#233;culos da era crist&#227;, &#233;poca que estamos acostumados a chamar Per&#237;odo Patr&#237;stico - referindo-nos aos chamados Padres da Igreja, que recebem este nome n&#227;o tanto por serem sacerdotes ministeriais, mas antes por serem como que &#8220;pais&#8221; para a Igreja primitiva, assim como o Israel do Antigo Testamento teve seus patriarcas, n&#243;s temos os nossos Padres -, foi um per&#237;odo no qual a Igreja lucrou com uma grande quantidade de m&#225;rtires.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-11-domingo-do-tempo</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-11-domingo-do-tempo</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Sun, 14 Jun 2026 18:03:54 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Nos primeiros s&#233;culos da era crist&#227;, &#233;poca que estamos acostumados a chamar <em>Per&#237;odo Patr&#237;stico</em> - referindo-nos aos chamados <em>Padres da Igreja</em>, que recebem este nome n&#227;o tanto por serem sacerdotes ministeriais, mas antes por serem como que &#8220;pais&#8221; para a Igreja primitiva, assim como o Israel do Antigo Testamento teve seus patriarcas, n&#243;s temos os nossos Padres -, foi um per&#237;odo no qual a Igreja lucrou com uma grande quantidade de m&#225;rtires. Quando celebramos os santos dos primeiros s&#233;culos, &#233; raro ler uma biografia que n&#227;o seja descrita como &#8220;santo e m&#225;rtir&#8221;. Por exemplo, no s&#233;culo segundo, S&#227;o Justino, conhecido como &#8220;o fil&#243;sofo&#8221; - recebe tal alcunha por ter se convertido por via intelectual: estudou com aristot&#233;licos, com plat&#244;nicos e terminou por se converter ao cristianismo ao perceber que a Verdade &#233; Cristo Jesus -, no entanto, o santo n&#227;o &#233; somente um fil&#243;sofo. Para descrev&#234;-lo de maneira completa diz-se &#8220;S&#227;o Justino, fil&#243;sofo e m&#225;rtir&#8221;. Foi decapitado sob Marco Aur&#233;lio, por volta de 165.</p><p>Tertuliano de Cartago, grande escritor eclesi&#225;stico, dizia que &#8220;o sangue dos m&#225;rtires &#233; a semente dos novos crist&#227;os&#8221;. E, de fato, &#233; assim! Tentem imaginar, por um instante, como n&#227;o deve ter sido ver a decapita&#231;&#227;o de Justino. Um grande intelectual, que abandona toda a soberba do mundo para seguir a Cristo e submeter-se em tudo a Ele e &#224; sua Santa Igreja. Sua morte mostra que nada vale mais do que amar a Cristo. Pensem em como deve ter sido para a plateia que acompanhava, no Coliseu, o mart&#237;rio de Santa Perp&#233;tua: esta mulher foi capaz de morrer sorrindo, mesmo entre os terr&#237;veis ataques das feras que se lan&#231;avam ferozmente sobre ela e seus companheiros m&#225;rtires. Imaginem o espanto dos que assistiam a cena&#8230; deve ter sido chocante!</p><p>No entanto, alguns patr&#243;logos - estudiosos dos Padres da Igreja - t&#234;m afirmado, tamb&#233;m, que apesar da grande quantidade de m&#225;rtires, a &#233;poca foi marcada por uma grande quantidade de ap&#243;statas - pessoas que abandonaram a F&#233; para salvar suas vidas. Algo muito semelhante ao que aconteceu na Fran&#231;a do s&#233;culo 18, com a Revolu&#231;&#227;o francesa: os mosteiros foram invadidos, Igreja saqueadas, freiras violadas, padres decapitados, conventos foram transformados em quart&#233;is da revolu&#231;&#227;o&#8230; a Igreja viveu uma persegui&#231;&#227;o absurda, por meio da qual, sim, muitos m&#225;rtires surgiram, mas, sim, tamb&#233;m muitos ap&#243;statas.</p><p>Os cora&#231;&#245;es dos crist&#227;os, em tais &#233;pocas, dividem-se numa batalha literalmente mortal da qual ou se sai m&#225;rtir ou se sai ap&#243;stata. N&#227;o h&#225; terceira op&#231;&#227;o. Ou se prova o amor a Deus, ou se prova o amor de si. Santo Agostinho, em sua obra <em>Cidade de Deus</em>, afirma que &#8220;dois amores fundaram duas cidades: o amor de si at&#233; o desprezo de Deus, a cidade dos homens; o amor de Deus at&#233; o desprezo de si, a cidade de Deus&#8221;. Assim &#233; nas &#233;pocas de crise: o amor de Deus at&#233; o desprezo de si gera m&#225;rtires, homens que d&#227;o sua vida para provar o amor a Deus, negando algo que &#233; inerente &#224; natureza humana, que &#233; o impulso de autopreserva&#231;&#227;o, tudo por amor a Deus; e o amor de si at&#233; o desprezo de Deus gera ap&#243;statas, homens que negam a f&#233; porque o impulso de autopreserva&#231;&#227;o fala mais alto. Manter-se vivo importa mais do que defender a pr&#243;pria F&#233;.</p><p>Comecei a homilia de hoje com essa distin&#231;&#227;o de disposi&#231;&#245;es do cora&#231;&#227;o em rela&#231;&#227;o ao amor a Deus para tratar de um tema que &#233; evidente para todos os que est&#227;o aqui presentes: o mundo est&#225; em crise; mais do que isso, a Igreja enfrenta uma crise de voca&#231;&#245;es, o sacerd&#243;cio est&#225; em crise, a Igreja &#233; perseguida, o mundo se paganizou, nossa sociedade se paganizou - nossos bairros se paganizaram, a ponto de ser escandaloso irmos &#224; Missa, buscarmos os sacramentos e, at&#233; mesmo, termos um sino que indica os hor&#225;rios de Missa.</p><p>H&#225; uma frase dessas que se repete sem se pensar muito profundamente no que dizem, que &#233; a seguinte: &#8220;tempos dif&#237;ceis criam homens fortes; homens fortes criam tempos f&#225;ceis; tempos f&#225;ceis criam homens fracos; e homens fracos criam tempos dif&#237;ceis&#8221;. Isso &#233; verdadeiro, mas s&#243; serve para mentalidades est&#243;icas. Um cat&#243;lico deve pensar em outros termos: enquanto os homens confiarem em suas pr&#243;prias for&#231;as para criarem tempos melhores, tempos dif&#237;ceis continuar&#227;o a existir ciclicamente; no entanto, quando n&#243;s assumirmos nossa voca&#231;&#227;o de santidade, n&#227;o haver&#225; limite temporal para o bem feito por n&#243;s, ele alcan&#231;ar&#225; s&#233;culos e s&#233;culos depois de termos partido para junto de Deus. &#201; por essa raz&#227;o que o mart&#237;rio de uma Santa Perp&#233;tua e de um S&#227;o Justino nos alcan&#231;am hoje e nos fazem converter-nos mais seriamente a Deus. A vida dos Santos nos toca de um modo que nenhum homem forte deste mundo poder&#225; tocar: elas t&#234;m influ&#234;ncia n&#227;o somente sobre nosso imagin&#225;rio, mas sobre nossas almas. E isso se d&#225; porque a a&#231;&#227;o de Deus na hist&#243;ria - e a vida de todos os santos s&#227;o um toque divino na hist&#243;ria - perduram por todos os s&#233;culos e agem realmente sobre a vida de pessoas que est&#227;o distantes no tempo. Dou-lhes um exemplo: S&#227;o Padre Pio, certa vez, num atendimento m&#233;dico, parece, estava rezando; foi-lhe perguntado porque rezava, ao que respondeu que rezava pela morte de seu av&#244; que, por acaso, j&#225; havia falecido. Veja, ele reza, estando distante temporalmente, pela morte de seu av&#244;, que j&#225; havia acontecido, para que ele tivesse uma boa morte. Percebam como Deus toca a hist&#243;ria de maneira diferente de como o homem a toca: e ele faz isso por meio de seus santos.</p><p>Quando, no Evangelho, Nosso Senhor diz que a Messe &#233; grande e os oper&#225;rios s&#227;o poucos, a raz&#227;o da quantidade diminuta de trabalhadores n&#227;o se deve aos homens fracos, mesmo os homens fortes n&#227;o conseguiriam um minuto de labuta na videira do Senhor: o problema est&#225; na aus&#234;ncia de santos. Tanto homens fracos quanto homens fortes t&#234;m problemas com a vaidade: os primeiros t&#234;m uma vaidade que leva &#224; frouxid&#227;o, quer ser estimado sem esfor&#231;o; os segundos, por sua vez, s&#227;o vaidosos a ponto de se colocarem acima do pr&#243;prio Deus, querem ser estimados antes mesmo de Deus, eles s&#227;o tudo o que importa. Agora, os santos, estes sim, estes s&#227;o os pequeninos do Senhor. A coisa &#233; contradit&#243;ria, mesmo! &#8220;Quando sou fraco &#233; ent&#227;o que sou forte&#8221;, diz S&#227;o Paulo Ap&#243;stolo. E no Antigo Testamento, quando Deus, no livro dos Ju&#237;zes, cap&#237;tulo 7, fala com o Ju&#237;z Gede&#227;o, lhe diz que quer somente 300 homens na batalha contra os inimigos, n&#227;os os vinte mil que ele havia acumulado, porque n&#227;o quer que os Filhos de Israel pensem que sua for&#231;a adv&#233;m deles mesmos, ou que as vit&#243;rias s&#227;o causadas por sua habilidade com a espada. &#201; o contr&#225;rio disso: a for&#231;a do povo de Deus adv&#233;m do pr&#243;prio de Deus. Por essa raz&#227;o canta, hoje, o salmista: &#8220;Sabei que o Senhor, s&#243; Ele, &#233; Deus, Ele mesmo nos fez, e somos seus, n&#243;s somos seu povo e seu rebanho&#8221;. N&#243;s somos as ovelhas que o Senhor conduz por sua m&#227;o. Agora, por essa raz&#227;o, eu vos pergunto: por que insistis em soltar a M&#227;o forte do Senhor e caminhar como se tudo dependesse de ti? Como voc&#234; e eu somos capazes de pensar, mesmo depois de Deus mesmo ter dito que &#233; o contr&#225;rio, que &#233; de nossa for&#231;a que deriva a vit&#243;ria? Abandonem, meus irm&#227;os, toda soberba, toda vaidade! Busquem pelo Senhor em tudo! Porque &#233; somente assim que o mundo pode ser transformado e as crises superadas definitivamente. Se quereis uma solu&#231;&#227;o definitiva para as crises, sede santos!</p><p>Vejam, voc&#234;s mesmos dizem que est&#225; dif&#237;cil encontrar padres para confessar - eu sei, atendo centenas de confiss&#245;es, aqui -, mas o que voc&#234;s t&#234;m feito para mudar isso? Os pais criam seus filhos, como dizem, &#8220;preparando-os para o mundo&#8221;. Mas e o preparo para o C&#233;u? Onde fica? Como encontrar bons padres se as fam&#237;lias n&#227;o est&#227;o educando seus filhos para fazer em tudo a vontade de Deus? Pior: como os filhos querer&#227;o fazer a vontade de Deus se v&#234;em seus pais desejando ardentemente fugir da vontade de Deus? Al&#233;m disso, reclamam da situa&#231;&#227;o dos padres, mas eu vos pergunto: voc&#234;s rezam pelos padres? Eu sei o qu&#227;o terr&#237;vel &#233; estar desse lado do Altar, as batalhas espirituais s&#227;o enormes, voc&#234;s n&#227;o fazem ideia! Precisamos de ora&#231;&#245;es, do sustento de voc&#234;s. E onde esse sustento est&#225;? Est&#225; todo destinado a tornar-se um homem forte para mudar nossos tempos? Desse modo, repito, n&#227;o encontrareis trabalhadores para a colheita do Senhor, bem como n&#227;o encontrareis meios para serdes santos! Que &#233; o deveriam estar buscando!</p><p>Nossos tempos s&#227;o exigentes! Ent&#227;o, &#226;nimo! Rezem e busquem a santidade. N&#227;o h&#225; outro modo de fazer uma diferen&#231;a duradoura no mundo.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://padretoninho.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber homilias dominicais.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o 10º Domingo do Tempo Comum: 07/06/2026]]></title><description><![CDATA[Por meio da liturgia de hoje, Deus faz um apelo fort&#237;ssimo &#224; Caridade.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-10-domingo-do-tempo</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-10-domingo-do-tempo</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Sun, 07 Jun 2026 20:45:12 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Por meio da liturgia de hoje, Deus faz um apelo fort&#237;ssimo &#224; Caridade. N&#243;s poder&#237;amos resumir o sentido dos textos de hoje a 1Cor 13, 2: &#8220;se n&#227;o tivesse caridade, n&#227;o seria nada&#8221;. Vamos por partes.</p><p>No Salmo, que acabamos de ler, Deus faz uma pergunta cujo objetivo &#233; colocar &#224; prova o cora&#231;&#227;o de todo judeu piedoso: &#8220;porventura comerei a carne de touros?&#8221;. Ora, todos sabemos que foi o pr&#243;prio Deus quem instituiu os sacrif&#237;cios da Antiga Alian&#231;a. No livro do Lev&#237;tico - terceiro livro da Sagrada Escritura -, enquanto o povo estava no Monte Sinai, logo depois de ter recebido as T&#225;buas da Lei, Deus ordena que ofere&#231;am sacrif&#237;cios. N&#227;o s&#243;, Deus descreve como deveriam ser os sacrif&#237;cios, detalhando os tipos de sacrif&#237;cios e os animais que seriam aceitos como oferta. Nesse sentido, se &#233; Deus mesmo quem pede os sacrif&#237;cios, por que raz&#227;o ele reclama das ofertas de modo t&#227;o jocoso quanto neste salmo? Mais do que isso, se Ele mesmo diz que os sacrif&#237;cios lhe s&#227;o agrad&#225;veis, por que faz tro&#231;a? Digo isso porque &#233; &#243;bvio que Deus n&#227;o se alimenta da carne de touros - ou de qualquer outro tipo de alimento. Deus &#233; esp&#237;rito. N&#227;o precisa se alimentar. Os sacrif&#237;cios feitos a Deus n&#227;o podem, de modo algum, ser uma esp&#233;cie de oferenda para Seu sustento. Portanto, ao reclamar dos sacrif&#237;cios oferecidos como se Ele se alimentasse da carne dos animais que Lhe s&#227;o ofertados, Deus est&#225; apontado para o fato de que o bom sacrif&#237;cio depende do cora&#231;&#227;o que o oferta. Acredito que todos se lembrem da par&#225;bola do semeador que saiu a semear: parte da semente caiu na estrada, parte em terreno pedregoso, parte entre os espinhos e parte em terra boa, ao que o pr&#243;prio Jesus explica que os terrenos s&#227;o uma s&#237;mbolo do cora&#231;&#227;o que recebe o an&#250;ncio da Palavra de Deus. A reclama&#231;&#227;o de Deus, no Salmo de hoje, &#233; uma esp&#233;cie de par&#225;bola do semeador ao contr&#225;rio: a terra, aqui, seria o Cora&#231;&#227;o de Deus e, obviamente, o problema n&#227;o est&#225; nele, est&#225; no ofertante. Quem d&#225; a Deus pode ter um cora&#231;&#227;o indiferente, um cora&#231;&#227;o desatento, um cora&#231;&#227;o t&#227;o tomado pelas paix&#245;es deste mundo a ponto de dar sobras a Deus. Quando o que Ele realmente deseja &#233; que n&#243;s nos ofertemos a n&#243;s mesmos. E esse era o sentido do sac&#237;fico na Antiga Alian&#231;a. No intuito de dar-se a Deus, como gratid&#227;o por todo o bem que Ele faz, honrando-O e amando-O de todo o cora&#231;&#227;o, o homem ofertava um animal como um sacrif&#237;cio vic&#225;rio, ou seja, n&#227;o podendo dar-se a si mesmo como sacrif&#237;cio a Deus, o homem entregava algo em seu lugar. E esse algo deveria ser o melhor que tinha, o animal mais bem cuidado, sem defeito, para simbolizar a sua entrega amorosa a Deus. No entanto, se o sacrif&#237;cio for vazio, partindo de um cora&#231;&#227;o vazio, Deus receba algo de que ele n&#227;o precisa, porque j&#225; &#233; dono de todo o universo.&nbsp;</p><p>Por essa raz&#227;o, na primeira leitura, Deus afirma com todas as letras pela boca do profeta Os&#233;ias: &#8220;quero amor, e n&#227;o sacrif&#237;cios&#8221;. Ofertas em massa, como uma esp&#233;cie de f&#225;brica de sacrif&#237;cios, &#233; absolutamente in&#250;til para Deus. E aqui podemos pensar em n&#243;s mesmos. Quanto n&#227;o temos feito &#8220;para Deus&#8221; com um cora&#231;&#227;o ocupado demais para dar a Ele o melhor que poder&#237;amos dar? Quantas ora&#231;&#245;es mal-feitas sob a desculpa de que Deus nos entende? De quantas Missas n&#227;o participamos com o cora&#231;&#227;o perdido em outro lugar, preocupado com outras coisas, com outras pessoas, enquanto o Senhor estava, aqui, diante de n&#243;s desejoso somente do nosso Amor? Quantas vezes, enquanto o Padre prepara as oferendas sobre o Altar - momento de recolhimento e ora&#231;&#227;o -, o celular com seu whatsapp, instagram e o raio que o parta, n&#227;o foram muito mais interessantes do que o pr&#243;prio Deus a implorar por aten&#231;&#227;o? Embora Deus tenha, de fato, h&#225; s&#233;culos e s&#233;culos atr&#225;s, chamado a aten&#231;&#227;o do povo de Israel por se esquecer de seu salvador, n&#243;s, hoje, continuamos a nos esquecer Dele. E, aten&#231;&#227;o ao detalhe, nada do que Ele fez para o povo judeu se compara com o que Ele fez no Alto da Cruz: as pragas do Egito, o Mar Vermelho aberto ao meio, o Man&#225; no deserto, as codornizes para matar a foma, a &#225;gua que jorrou da pedra, a vit&#243;ria sobre todos inimigos, absolutamente nenhum desses milagres extraordin&#225;rios se compara com o fato de que Deus se fez homem, morreu numa Cruz para nos salvar e atualiza esse ato maravilhoso a cada Santa Missa. E, ainda assim, voc&#234; e eu fazemos pouco caso de tamanho Amor e damos a Deus apenas migalhas. Deus, como um mendigo, recebe apenas as sobras de nossas vidas. N&#227;o h&#225; injusti&#231;a maior do que esta, meus irm&#227;os!</p><p>Acontece, como diz Oseias, que Ele vir&#225;! E vir&#225; como chuva tardia que rega o solo. Embora o sentido dessa figura de linguagem usada por Deus seja de restaura&#231;&#227;o - afinal, as chuvas tardias s&#227;o ben&#233;ficas para as planta&#231;&#245;es -, Deus se pergunta o que encontrar&#225; ao chegar junto de seu povo. Por estar desatento, o povo receber&#225; o Senhor com surpresa, como se n&#227;o soubesse de Sua vinda, porque n&#227;o o est&#225; seguindo fielmente. Por isso o profeta come&#231;a a leitura de hoje dizendo que &#8220;&#233; preciso saber segui-lo para reconhecer o Senhor&#8221;. O seu povo n&#227;o sabe mais segui-lo, n&#227;o obedece aos mandamentos, n&#227;o escuta a voz dos profetas e n&#227;o participa mais dos sacrif&#237;cios com um cora&#231;&#227;o piedoso. Poderia dizer que eles est&#227;o como n&#243;s, hoje. n&#227;o seguimos a Deus fielmente; escolhemos os mandamentos que nos agradam, alguma das frases de Jesus como lema de vida - colocamos vers&#237;culos b&#237;blicos na Bio do Instagram, ou como legenda de foto, ou repetimos que &#233; nosso vers&#237;culo favorito, mas a vida &#233; das mais duvidosas; ao inv&#233;s de darmos aten&#231;&#227;o aos santos, pensamos que suas vidas foram radicais demais e nos esfor&#231;amos at&#233; o &#250;ltimo para suavizar a verdade do Evangelho, sendo que s&#227;o os santos que souberam o que verdadeiramente significa seguir Nosso Senhor, s&#227;o eles que explicam o verdadeiro sentido do Evangelho, n&#227;o n&#243;s e nossos v&#237;cios; e assim como o povo de Israel que oferecia sacrif&#237;cios in&#237;quos a Deus, n&#243;s participamos dos sacramentos como se n&#227;o significasse nada, como se fossemos n&#243;s a decidir se somos dignos ou n&#227;o de nos aproximarmos deles. Enquanto Jesus instituiu o sacramento da reconcilia&#231;&#227;o como meio necess&#225;rio para nos aproximarmos dignamente da Eucaristia, n&#243;s, com nossas imund&#237;cies interiores, tomamos do P&#227;o da Vida e comemos como se n&#227;o passasse de um alimento qualquer. Mas Deus, amoroso que &#233;, insiste em n&#243;s. Ama cada um de n&#243;s singularmente e se aproveita de nossas migalhas para nos salvar. Deus &#233; assim, todo amor. E n&#243;s, embora indignos desse amor, n&#227;o Lhe damos nada de significativo em troca. Quando dever&#237;amos dar-nos a n&#243;s mesmos.</p><p>E como &#233; que n&#243;s provamos o amor a Deus? H&#225; dois modos demonstrados na liturgia de hoje: primeiro, aceitar as adversidades e sofrimentos com F&#233;, sendo fiel a Deus em cada momento, mesmo n&#227;o vendo sa&#237;da ou a realiza&#231;&#227;o de uma promessa feita por Deus; segundo, por meio do amor ao pr&#243;ximo.</p><p>Em primeiro lugar, a vida do ser humano sobre esta terra &#233; uma vida de sofrimentos. Simplesmente n&#227;o &#233; poss&#237;vel n&#227;o sofrer. Este mundo, como dizemos na ora&#231;&#227;o da Salve Rainha, &#233; um vale de l&#225;grimas. E n&#243;s s&#243; estamos aqui de passagem. A vida feliz, a plena realiza&#231;&#227;o se dar&#225; no C&#233;u. Nosso dever, aqui, &#233; mantermo-nos fi&#233;is mesmo na dor, na persegui&#231;&#227;o, na morte, em tudo mantermo-nos fi&#233;is. Nada deve nos separar do amor de Deus, como diz S&#227;o Paulo em Rm 8, 39. Mas isso s&#243; se dar&#225; caso soubermos seguir o Senhor fielmente, caso o amemos de todo o cora&#231;&#227;o. Caso contr&#225;rio, os sofrimentos nos consumir&#227;o.&nbsp;</p><p>Em segundo lugar, Deus nos deixou um meio perfeito de am&#225;-lO, apesar de n&#227;o o vermos. S&#227;o Jo&#227;o, em sua primeira carta, cap&#237;tulo 4, vers&#237;culo 20, diz que quem diz que ama a Deus mas odeia seu irm&#227;o &#233; mentiroso. Sendo o contr&#225;rio tamb&#233;m verdadeiro: quem ama seu pr&#243;ximo ama tamb&#233;m a Deus. Deus infundiu em n&#243;s a virtude da caridade, de tal modo que, por meio dela, n&#243;s amamos o pr&#243;ximo em Deus, a fim de que o amor que destinamos aos irm&#227;os seja imediatamente entregue a Deus. Em sua infinita sabedoria, Deus sabe que n&#227;o podemos dar a Ele mais do que Ele j&#225; tem, mas podemos dar ao pr&#243;ximo o que este n&#227;o tem. Por isso, fez do amor ao pr&#243;ximo um meio de am&#225;-lO.&nbsp;</p><p>Portanto, meu irm&#227;os, amemo-nos uns aos outros. O pr&#243;prio Cristo veio at&#233; n&#243;s quando ainda &#233;ramos pecadores, salvando-nos de nossos pecados, dando o rem&#233;dio da Vida Eterna para n&#243;s que est&#225;vamos doentes por causa do pecado. Como um meio de amar a Deus, amemo-nos, sobretudo &#224;queles que mais precisam de amor.</p><p>Deus nos convoca &#224; Caridade: quer que o amemos sobre todas as coisas - n&#227;o h&#225; nada mais justo do que isso - e que amamos o nosso pr&#243;ximo por Amor a Deus. Sejamos, al&#233;m disso, fi&#233;is aos mandamentos, olhemos dedicadamente para a vida dos santos e participemos piedosamente da Santa Missa, pedindo, em cada uma dessas coisas, que Deus fa&#231;a crescer em n&#243;s e Caridade, como rem&#233;dio para nossas mis&#233;rias.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o dia de Corpus Christi: 04/06/2026]]></title><description><![CDATA[A modernidade costuma cometer um erro absurdo, a partir do qual quero come&#231;ar a homilia de hoje: ela coloca Jesus em p&#233; de igualdade com os mestres morais de todos os tempos, como se Ele fosse o fundador de um estilo de vida, um modo de enxergar e viver a vida, mais um entre tantos outros poss&#237;veis.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-dia-de-corpus-christi</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-dia-de-corpus-christi</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Thu, 04 Jun 2026 14:33:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A modernidade costuma cometer um erro absurdo, a partir do qual quero come&#231;ar a homilia de hoje: ela coloca Jesus em p&#233; de igualdade com os mestres morais de todos os tempos, como se Ele fosse o fundador de um estilo de vida, um modo de enxergar e viver a vida, mais um entre tantos outros poss&#237;veis. Para quebrar essa ideia, cito literalmente um texto escrito por C. S. Lewis - pe&#231;o perd&#227;o pelo tamanho do texto, mas vale a pena ser citado integralmente: &#8220;Quero evitar aqui que algu&#233;m diga a enorme tolice que muitos costumam dizer a respeito dele: &#8216;Estou pronto para aceitar a Jesus como um grande mestre de moral, mas n&#227;o aceito sua reivindica&#231;&#227;o de ser Deus&#8217;. Esse tipo de coisa que n&#227;o se deve dizer. Um homem que fosse meramente um ser humano e dissesse o tipo de coisa que Jesus disse n&#227;o seria um grande mestre de moral. De duas uma, ou ele seria um lun&#225;tico &#8211; do n&#237;vel de algu&#233;m que afirmasse ser um ovo frito &#8211; ou ent&#227;o seria o diabo em pessoa. Fa&#231;a a sua escolha. Ou esse homem era, e &#233;, o Filho de Deus; ou ent&#227;o um louco ou algo pior. Voc&#234; pode descart&#225;-lo como sendo um tolo ou pode cuspir nele e mat&#225;-lo como a um dem&#244;nio; ou, ent&#227;o, poder&#225; cair de joelhos a seus p&#233;s e cham&#225;-lo de Senhor e Deus. Mas n&#227;o me venha com essa conversa mole de ele ter sido um grande mestre de moral, pois ele n&#227;o nos deu essa alternativa e nem tinha essa pretens&#227;o.&#8221;</p><p>Simplesmente n&#227;o &#233; poss&#237;vel que algu&#233;m que diga &#8220;quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no &#250;ltimo dia&#8221; seja algo menos do que o pr&#243;prio Deus, cuja autoridade transforma, de fato, o p&#227;o que vemos em seu corpo e o vinho que vemos em seu sangue. O primeiro postulado, portanto, para compreender a celebra&#231;&#227;o de hoje &#233; este: Nosso Senhor Jesus Cristo &#233; Deus. Sendo Deus, tem poder para dar-se como alimento na Sant&#237;ssima Eucaristia.</p><p>Agora, vamos ao como: a doutrina cat&#243;lica afirma que o milagre que se repete a cada Santa Missa chama-se &#8220;transubstancia&#231;&#227;o&#8221;. A palavra significa, literalmente, mudan&#231;a de subst&#226;ncia. O que vou dizer agora vai exigir um pouco da aten&#231;&#227;o das senhoras e dos senhores, ent&#227;o, prestem aten&#231;&#227;o por um instante.</p><p>Arist&#243;teles, h&#225; mais de 2300 atr&#225;s, percebeu que as coisas que existem podem ser classificadas de duas maneiras: subst&#226;ncias e acidentes. As subst&#226;ncias s&#227;o aquilo que as coisas de fato s&#227;o, j&#225; os acidentes s&#227;o aquelas coisas que s&#243; existem nas subst&#226;ncias. Voc&#234;s percebem que essa pintura maravilhosa que est&#225; aqui atr&#225;s, possui cores, certo? Por exemplo, essa Nossa Senhora est&#225; com um manto azul. Se o manto fosse rosa, continuaria sendo um manto. S&#243; que seria rosa e n&#227;o azul. O manto continua sendo manto independente da cor. O manto &#233; a subst&#226;ncia, as cores s&#227;o os acidentes que s&#243; existem no manto. Outro exemplo: se um sujeito vai para uma guerra e perde um bra&#231;o em batalha, n&#227;o deixa de ser homem por ter perdido um bra&#231;o. O bra&#231;o &#233; acidental, j&#225; o homem &#233; substancial.</p><p>Acontece a mesm&#237;ssima coisa com o p&#227;o eucar&#237;stico. O que n&#243;s chamamos de h&#243;stia, &#233; substancialmente um p&#227;o. Al&#233;m disso, tem cheiro de p&#227;o, gosto de p&#227;o, aspecto de p&#227;o, ou seja, os acidentes todos correspondem com a subst&#226;ncia de p&#227;o.</p><p>No entanto - e aqui est&#225; a maravilha do milagre eucar&#237;stico -, diferente da possibilidade normal que n&#243;s temos de alterar os acidentes, Deus, durante a consagra&#231;&#227;o, n&#227;o modifica os acidentes - o cheiro de p&#227;o continua, o gosto de p&#227;o continua, o aspecto de p&#227;o continua, o gosto de vinho continua, o cheiro de vinho continua, o aspecto de vinho continua -, Deus modifica a subst&#226;ncia. Ele mant&#233;m tudo o que &#233; acidental e modifica o que &#233; substancial. Embora pare&#231;a p&#227;o e vinho, s&#227;o o corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que se d&#225; a n&#243;s como alimento. E este p&#227;o vivo que desceu dos C&#233;us nos &#233; dado como alimento para n&#243;s tenhamos a vida eterna. Este p&#227;o n&#227;o &#233; como o p&#227;o que os hebreus comeram no deserto, mas &#233; o verdadeiro p&#227;o descido dos c&#233;us.</p><p>Os hebreus, no &#202;xodo, recebem de Deus o Man&#225;. Por n&#227;o ter alimento no meio do deserto, Deus lhes fornece um p&#227;o que brota milagrosamente da terra e que, milagrosamente, s&#243; dura um &#250;nico dia, com exce&#231;&#227;o de s&#225;bado - dia no qual n&#227;o podem trabalhar, e por isso o p&#227;o colhido na sexta-feira durava dois dias. O Man&#225; do deserto foi chamado de &#8220;p&#227;o do c&#233;u&#8221;. Al&#233;m disso, quando os hebreus comeram, disseram que esse p&#227;o tinha gosto de mel. Esse detalhe &#233; importante, porque a terra para a qual estavam indo era uma terra onde corria leite e mel. Nesse sentido, o Man&#225; &#233; uma antecipa&#231;&#227;o da terra prometida.</p><p>O fato de Nosso Senhor, no Evangelho, ter dito &#8220;este &#233; o p&#227;o que desceu do c&#233;u. N&#227;o &#233; como aquele que os vossos pais comeram. Eles morreram. Aquele que come este p&#227;o viver&#225; para sempre&#8221; revela que o Man&#225; &#233; uma prefigura&#231;&#227;o da Eucaristia, o verdadeiro p&#227;o do C&#233;u. E nesse sentido, as caracter&#237;sticas do Man&#225; devem estar presentes na Eucaristia. Isso quer dizer que, al&#233;m de ser o p&#227;o do c&#233;u, ou seja, descido do c&#233;u, advindo da morada celeste, enviado pelo pr&#243;prio Deus, justamente por ser o corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, esse p&#227;o tem, tamb&#233;m, aquela outra caracter&#237;stica: cont&#233;m em si o sabor da terra para onde Deus nos quer enviar, o nosso destino eterno, a terra na qual s&#243; chegaremos se nos alimentarmos desse p&#227;o. Meus irm&#227;os, Cristo na Eucaristia cont&#233;m o sabor do C&#233;u. E esse gosto celeste &#233; o que Deus deseja que saboreemos a cada comunh&#227;o. Porque &#233; por meio dele que antecipamos a vida eterna que Ele nos deseja dar.</p><p>A presen&#231;a real de Nosso Senhor na Eucaristia &#233; t&#227;o importante que Ele mesmo quis que fosse institu&#237;da uma festa para celebrar t&#227;o grande mist&#233;rio. No s&#233;culo XIII, uma freira m&#237;stica experimental chamada Santa Juliana de Li&#232;ge, recebeu uma vis&#227;o na qual a lua, que representava a Igreja, possu&#237;a uma faixa escura que a atravessava, essa faixa preta representa a aus&#234;ncia de uma solenidade que exaltasse o Sant&#237;ssimo Sacramento. Tal vis&#227;o &#233; contada para seu diretor espiritual, Padre Jacques Pantale&#227;o. Os anos se passaram, e apenas um Bispo iniciou em sua diocese a celebra&#231;&#227;o de uma festa dedicada ao Sant&#237;ssimo Sacramento. Isso aconteceu em 1247, em Li&#232;ge, na B&#233;lgica. Mas como era da vontade de Nosso Senhor que a solenidade fosse institu&#237;da para toda a Igreja, um evento extraordin&#225;rio aconteceu: o Padre Jacques Pantale&#227;o, sem ter sido nomeado bispo ou cardeal, foi imediatamente elevado &#224; condi&#231;&#227;o de Papa, algo que aconteceu raras vezes na hist&#243;ria da Igreja, assumindo o nome de Urbano IV. Seu papado durou de 1261 a 1264. Durante esse tempo, o papa passou, de viagem, um tempo em Orvieto. Enquanto estava por l&#225;, um Padre de Bolsena, uma cidade pr&#243;xima, cujo nome era Pedro de Praga, celebrava uma Missa, e cedendo &#224;s tenta&#231;&#245;es das heresias de sua &#233;poca - os c&#225;taros e albigenses - desacreditou da presen&#231;a real de Nosso Senhor na Eucaristia. Durante a consagra&#231;&#227;o, a h&#243;stia em suas m&#227;os come&#231;ou a sangrar, pois havia se transformado em carne. O Padre passou a acreditar na presen&#231;a real imediatamente. Sabendo que o Papa estava numa cidade pr&#243;xima, com muito zelo, levou consigo a carne sant&#237;ssima de Nosso Senhor para que ele visse. Ao apresentar o milagre ao Papa, Urbano IV, que fora diretor espiritual de Santa Juliana de Li&#232;ge, lembrou-se das vis&#245;es e, finalmente, instituiu a solenidade de Corpus Christi, a fim de que a Igreja exalte a presen&#231;a real de Nosso Senhor da divina eucaristia.</p><p>Por isso, meus irm&#227;os, vamos todos, hoje, exaltar o Senhor, ador&#225;-lO na Sant&#237;ssima Eucaristia, porque Ele est&#225; verdadeiramente no meio de n&#243;s. Est&#225; aqui, fazendo-se alimento para nossa salva&#231;&#227;o, desejoso de que habitemos o C&#233;u junto dele para todo o sempre, e por isso antecipa a vida eterna em n&#243;s por meio da Sant&#237;ssima Eucaristia.</p><p>Vede com quanto amor Cristo nos amou: deu-se por n&#243;s numa cruz e, hoje, faz-se presente nos acidentes do p&#227;o e do vinho para que n&#243;s nos alimentemos dele. S&#227;o Jo&#227;o da Cruz dizia que &#8220;amor com amor se paga&#8221;. Por isso, amemos ternamente o Deus que nos ama e o recebamos na Eucaristia com cada vez mais devo&#231;&#227;o.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o 6°  Domingo da Páscoa: 10/05/2026]]></title><description><![CDATA[Antes da nossa breve reflex&#227;o a respeito da liturgia de hoje, eu gostaria de desejar, de cora&#231;&#227;o, que todas as m&#227;es aqui presentes tenham um dia muito feliz.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-6-domingo-da-pascoa</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-6-domingo-da-pascoa</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Mon, 11 May 2026 21:58:39 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Antes da nossa breve reflex&#227;o a respeito da liturgia de hoje, eu gostaria de desejar, de cora&#231;&#227;o, que todas as m&#227;es aqui presentes tenham um dia muito feliz. A maternidade &#233; uma ben&#231;&#227;o! Voc&#234;s, m&#227;es, participam do ato criador de Deus, e isso &#233; uma Gra&#231;a &#250;nica, ningu&#233;m que n&#227;o seja uma m&#227;e entender&#225; o que &#233; carregar em seu ventre uma alma imortal, criada por Deus e confiada a si pelo pr&#243;prio Deus. Isso &#233; lindo! E ao mesmo tempo exigente. Voc&#234;s t&#234;m o maior se todos os deveres desta terra, pelo mesmo motivo que t&#234;m tamanha gra&#231;a: carregar uma alma imortal em seu ventre significa ter o dever de conduzi-la a seu fim &#250;ltimo, o C&#233;u. Desejo que hoje Deus lhes d&#234; uma gra&#231;a especial para que sigam fi&#233;is ao que Deus espera de voc&#234;s. Sejam santas, minhas filhas.</p><p>Muito bem, agora voltemos o nosso olhar para a liturgia. Hoje, as leituras e o Evangelho nos descrevem o itiner&#225;rio da santidade.</p><p>No fim do Evangelho, Jesus termina seu discurso dizendo &#8220;quem me ama, ser&#225; amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele&#8221;, descrevendo, assim o fim &#250;ltimo da vida espiritual: a contempla&#231;&#227;o de Nosso Senhor por meio da entrada na vida m&#237;stica.</p><p>A primeira leitura, por sua vez, narra o in&#237;cio da vida espiritual por meio do sucesso das primeiras miss&#245;es dos ap&#243;stolos. L&#225;, na Samaria, depois de batizados, os habitantes da regi&#227;o ainda precisavam receber o Esp&#237;rito Santo, ou seja, embora tivessem sido perdoados a da culpa do pecado original e tornado-se filhos de Deus, eles ainda n&#227;o haviam sido Confirmados, ou seja, n&#227;o haviam sido Crismados. O que vem a acontecer por meio da imposi&#231;&#227;o das m&#227;os dos ap&#243;stolos. A Crisma &#233; o recebimento do Esp&#237;rito Santo e de todos os seus sete dons: Temor de Deus, Fortaleza, Piedade, Conselho, Entendimento, Ci&#234;ncia e Sabedoria. Eis o princ&#237;pio do caminho da santidade.</p><p>No entanto, o recebimento do Esp&#237;rito Santo, muito embora seja algo valios&#237;ssimo por si s&#243;, n&#227;o tem o poder de conformar os nossos cora&#231;&#245;es a si, a n&#227;o ser que n&#243;s queiramos.</p><p>Na &#250;ltima semana, vimos como em nossos cora&#231;&#245;es habitam duas vontades que se contrap&#245;em, lutando constantemente uma contra a outra. Uma, a mais baixa, importa-se com a satisfa&#231;&#227;o imediata, n&#227;o tem a capacidade de olhar para o futuro, de sacrificar o prazer imediato pelo bem futuro, mas desejaria sacrificar a eternidade pela satisfa&#231;&#227;o de todos os desejos. A outra, mais elevada, espiritual, portanto profund&#237;ssima, quer o bem eterno, quer o C&#233;u, no final das contas, e para isso subjuga aquela vontade mais baixa. O problema &#233; que essa vontade mais alta e mais profunda, n&#227;o tem for&#231;a o suficiente. O pecado original, car&#237;ssimos, deixou em n&#243;s uma consequ&#234;ncia terr&#237;vel: embora saibamos qual &#233; a verdade, nossa vontade est&#225; enfraquecida e n&#227;o consegue lutar frente a frente contra nossos afetos e desejos mais baixos.&nbsp;</p><p>Por essa raz&#227;o, segundo S&#227;o Pedro, na segunda leitura, precisamos sofrer praticando o bem para permanecer na vontade de Deus. Temos aqui a apresenta&#231;&#227;o de um elemento essencial da vida espiritual: as pr&#225;ticas asc&#233;ticas.</p><p>&#8220;Asc&#233;tica&#8221; &#233; uma palavra grega que significa treinamento. Os Padres da Igreja perceberam, h&#225; s&#233;culos, que a forma&#231;&#227;o de uma alma Santa exige um treinamento rigoroso, semelhante ao treinamento pelo qual passa um atleta: este deve dedicar-se meses, anos, a praticar seu esporte, preparando-se fisicamente - e at&#233; mentalmente - para dar conta das provas a que se submeter&#225;. Os m&#250;sculos exigem preparo, a mente precisa de estrat&#233;gias, a dimens&#227;o ps&#237;quica precisa de apoio para n&#227;o sucumbir ante a dor e o desgaste. Assim tamb&#233;m deve ser com quem deseja a santidade. Como n&#227;o somos naturalmente preparados para amar a Deus sobre todas as coisas, para quere-lO mais do que tudo, para contempla-lO eternamente, porque nossos afetos querem amar os bens terrenos e passageiros, porque nossos desejos se inclinam aos prazeres, porque nosso olhar se volta mais naturalmente ao que lhe agrada em cada instante, n&#243;s precisamos fortalecer a nossa vontade e colocar ordem na parte mais baixa da nossa alma. E isso se faz por meio de penit&#234;ncia.</p><p>&#8220;Com efeito, tamb&#233;m Cristo morreu, uma vez por todas, por causa dos pecados&#8221;, afirma S&#227;o Pedro Ap&#243;stolo. De tal modo que devemos sofrer a fim de que n&#227;o caiamos em tenta&#231;&#227;o. As pr&#225;ticas de penit&#234;ncia s&#227;o variadas e n&#227;o recomendo nenhuma espec&#237;fica na homilia. &#201; preciso pratic&#225;-las com responsabilidade, portanto, &#233; bom analisar caso por caso em dire&#231;&#227;o espiritual. Se t&#234;m diretor espiritual, falem com ele sobre o assunto. N&#227;o quero ningu&#233;m dizendo que o Padre Toninho mandou usar cil&#237;cio, porque isso s&#243; pode ser feito com autoriza&#231;&#227;o do diretor espiritual. Cada um deve penitenciar-se conforme o grau de vida espiritual em que est&#225;, e s&#243; pode te orientar quem conhece a tua alma.</p><p>Dito isso, termino com um &#250;ltimo detalhe apresentado no Evangelho por Nosso Senhor: tudo deve ser motivado pelo amor! Seja l&#225; o que fordes fazer, fa&#231;a por amor a Cristo. e h&#225; motiva&#231;&#227;o ego&#237;sta, vaidosa, ou coisa que o valha, n&#227;o fa&#231;a! O amor a Cristo &#233; a raz&#227;o da nossa exist&#234;ncia. E ele &#233; que deve motivar tudo no crescimento espiritual.&nbsp;</p><p>E se n&#227;o h&#225; amor, deves come&#231;ar a fazer o que far&#225; surgir o amor: guardar os mandamentos. &#8220;Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama&#8221;, diz o Senhor.</p><p>Se quer amar, obede&#231;a aos mandamentos. Eis o caminho do amor a Deus. E este &#233; o caminho do amor a Deus porque obedecer a Deus significa querer o que Ele quer, e o que Ele quer nos foi ensinado por meio de seus mandamentos.</p><p>Car&#237;ssimos, conformaremos nossa vontade &#224; vontade de Deus por meio da obedi&#234;ncia aos mandamentos. Sem isso, n&#227;o tem como ser santo. Obede&#231;am aos mandamentos, amem a Deus, penitenciem o que h&#225; de desordem interior, submetendo a carne &#224; disciplina do esp&#237;rito, para que Deus seja amado acima de todas as coisas e, assim, possais, no fim de tudo, contemplar a Deus face a face.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o 5º Domingo da Páscoa: 03/05/2026]]></title><description><![CDATA[Vamos come&#231;ar a homilia de hoje fora da ordem da liturgia, vamos come&#231;ar pela segunda leitura, onde encontramos S&#227;o Pedro falando de Nosso Senhor como a Pedra angular, aquela para a qual todas est&#227;o orientadas.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-5-domingo-da-pascoa</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-5-domingo-da-pascoa</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Sun, 03 May 2026 19:38:20 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Vamos come&#231;ar a homilia de hoje fora da ordem da liturgia, vamos come&#231;ar pela segunda leitura, onde encontramos S&#227;o Pedro falando de Nosso Senhor como a Pedra angular, aquela para a qual todas est&#227;o orientadas. Contudo, h&#225; aqueles que t&#234;m esta pedra n&#227;o como aquela para a qual est&#225; orientado, mas como pedra de trope&#231;o.&nbsp;</p><p>Come&#231;o mencionando esta parte do discurso de S&#227;o Pedro porque, embora possamos saber se estamos nos orientando - ou ao menos tentando - nos orientar para Cristo, habita nossos cora&#231;&#245;es uma dupla vontade: uma que se inclina a Deus, Sumo Bem, realizador de nossa felicidade, mas h&#225; uma outra que se inclina &#224;s criaturas e deseja realizar-se nelas, que, por isso, volta-se contra Deus, e estes s&#227;o os nossos desejos mais baixos.&nbsp;</p><p>A primeira vontade &#233; capaz de olhar para o futuro, de tal modo que gera esperan&#231;a em nossos cora&#231;&#245;es, esperan&#231;a de possuir aquele Sumo Bem querido.&nbsp;</p><p>A segunda vontade, o desejo das coisas criadas, olha para o instante, para o agora. O desejo n&#227;o quer suportar a aus&#234;ncia para a posse eterna, o desejo das coisas criadas quer sacrificar a posse eterna do bem para satisfazer-se agora.</p><p>Dito de outro modo, o desejo do prazer desordenado, seja por meio da gula ou da lux&#250;ria, para dar exemplos, quer satisfazer-se imediatamente. A temperan&#231;a e a pureza, por outro lado, sacrificam a satisfa&#231;&#227;o imediata pelo bem que se prolonga eternamente.</p><p>No Evangelho de hoje, no entanto, vemos um exemplo de um cora&#231;&#227;o que estava no lugar certo. Felipe faz o pedido de 1 milh&#227;o de d&#243;lares para Jesus: &#8220;mostra-nos o Pai e isso nos basta.&#8221; Ele realmente entendeu onde nosso cora&#231;&#227;o deve estar. Ele queria ver a Deus. Ele sabia que para isso &#233; que fomos criados.</p><p>O Evangelho, nesse sentido, pode ser explicado por Santo Agostinho, quando este diz: &#8220;fizeste-nos, Senhor, para v&#243;s, e inquieto est&#225; o nosso cora&#231;&#227;o enquanto n&#227;o repousar em v&#243;s.&#8221;</p><p>A inquietude do nosso cora&#231;&#227;o, o desejo de felicidade, revela a que Deus nos chama, o para que fomos criados: Deus nos quer santos. E a santidade &#233; o tema da segunda leitura. Estarmos ordenados &#224; pedra angular significa o mesmo que orientar os nossos cora&#231;&#245;es para o verdadeiro Bem, que &#233; Deus.</p><p>N&#227;o importa o quanto tentemos, jamais conseguiremos suprir a infinita felicidade que almejamos com as migalhas que nos d&#227;o as criaturas. Basta olharmos rapidamente para os exemplos da modernidade: os tr&#234;s rem&#233;dios que mais s&#227;o adquiridos pelas pessoas no mundo s&#227;o os anticoncepcionais, o Viagra e os antidepressivos. Evidente que h&#225; uma rela&#231;&#227;o entre essas coisas! O mundo quer preencher o vazio do cora&#231;&#227;o com o prazer, mas o prazer gera mais vazio, uma &#226;nsia cada vez maior, ao ponto de gerar desespero, porque o prazer &#233; imediato e o desejo de felicidade n&#227;o &#233; para o momento, &#233; para se perpetuar at&#233; a eternidade. H&#225; uma incompatibilidade entre essas duas coisas. O resultado &#233; a depress&#227;o. A aus&#234;ncia de esperan&#231;a.&nbsp;</p><p>Enquanto nossos cora&#231;&#245;es desejam Deus, tentamos olhar para as coisas &#224; nossa volta. E &#233; evidente que isso tornar&#225; Cristo uma pedra de trope&#231;o.</p><p>Primeiro, come&#231;amos a desejar os bens criados; em seguida, passamos a nos afastar de Deus; depois, nosso cora&#231;&#227;o passa a rejeit&#225;-lO como se Ele atrapalhasse nossa realiza&#231;&#227;o, quando n&#243;s mesmos estamos rejeitando a causa de toda felicidade.</p><p>Meu caros irm&#227;os e irm&#227;s, s&#243; h&#225; uma resposta para a voca&#231;&#227;o universal &#224; santidade: a resposta &#233; sim!</p><p>Simplesmente, n&#227;o &#233; poss&#237;vel dar outra resposta e obter aquilo que nosso cora&#231;&#227;o mais deseja. Devemos dizer sim a Deus. E a santidade d&#225;-se por meio desse olhar para Deus: &#8220;mostra-nos o Pai&#8221;, pediu Felipe. Queremos ver Deus. E Cristo nos reponde: &#8220;quem Me v&#234;, v&#234; o Pai.&#8221; Devemos, portanto, olhar para Cristo. E Cristo se mostra a n&#243;s aqui, por meio de sua Santa Igreja. Ele se d&#225; a n&#243;s por meio dela. A Eucaristia que recebemos da Igreja, a presen&#231;a real de Nosso Senhor que nos espera nos Sacr&#225;rios do mundo inteiro, mas n&#243;s n&#227;o os visitamos. Queremos a felicidade, a posse eterna de Deus, afirmamos que queremos v&#234;-lO ao olhar para Cristo, mas Cristo est&#225; ali a nos esperar, solit&#225;rio, amando-nos sem ser amado de volta, abandonado nos sacr&#225;rios, enquanto basta olh&#225;-lO para vermos o Pai, ou seja, encontrarmo-nos com a raz&#227;o do nosso existir, a causa de nossa felicidade.&nbsp;</p><p>Vejam, Cristo &#233; t&#227;o generoso que, apesar de querer ser tocado pela F&#233;, como explica a Tom&#233; &#8220;felizes os creram sem terem visto&#8221;, Ele ainda assim se utiliza de um meio material para se fazer presente. Ele realmente est&#225; aqui no meio de n&#243;s.&nbsp;</p><p>N&#227;o abandone o Senhor pelas criaturas, n&#227;o o esque&#231;a em nome do prazer. O churrasco de domingo importa menos do que a Missa, a visita do domingo importa menos do que a Missa, as tuas horas de redes sociais importam menos do que uma visita ao Sant&#237;ssimo no Sacr&#225;rio. Volte o teu cora&#231;&#227;o a Deus!</p><p>Por fim, a primeira leitura, ao tratar dos homens destinados ao servi&#231;o das mesas, apresenta-nos uma consequ&#234;ncia necess&#225;ria da busca da santidade. Embora n&#227;o esteja falando diretamente do apostolado, S&#227;o Lucas, autor dos Atos dos Ap&#243;stolos, apresenta-nos que aqueles que buscam a santidade devem necessariamente tornarem-se servos. Eis o segundo chamado a todo crist&#227;o, consequ&#234;ncia daquele primeiro chamado &#224; santidade: todos somos chamados ao apostolado. Enquanto uns servem ao Senhor por meio da prega&#231;&#227;o da palavra, outros servem por meio do servi&#231;o &#224;s mesas. Precisamos encontrar o nosso lugar na Igreja, onde devemos servir a Deus, mas todos devemos.</p><p>N&#227;o caiam no conto da carochinha iniciado pelos protestantes de que os eleitos devem refugiar-se na zona segura, de prefer&#234;ncia no meio do mato, longe de tudo e de todos, fugindo dos &#237;mpios do mundo, devemos, ao contr&#225;rio, estar no mundo sem ser do mundo, como diz S&#227;o Jo&#227;o, amando as almas com o Amor com que Cristo as amou e se entregou na Cruz por elas. Se fomos tocados pelo amor de Deus, se verdadeiramente o fomos, devemos querer que todos tamb&#233;m sejam. N&#227;o s&#243; querer, devemos fazer a nossa parte para que, em nosso lugar, fa&#231;amos com que os que passarem por n&#243;s sejam tocados por esse amor.</p><p>Lembrem-se de S&#227;o Pedro que bastava passar pelos doentes e sua sombra os curava. N&#227;o sejamos como o sacerdote e o levita da par&#225;bola do bom samaritano que ao ver o necessitado atravessa a estrada e foge. Isso s&#243; revela que ao inv&#233;s de curar pela sombra, como fazia S&#227;o Pedro, estamos sendo tomados pelas sombras, pelas trevas.&nbsp;</p><p>Por isso, tenham &#226;nimo queridos irm&#227;os e irm&#227;s! Levemos Cristo ao mundo, afinal &#233; Dele que todos precisam. S&#243; Nele est&#225; a verdadeira felicidade!&nbsp;</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o 4º Domingo da Páscoa: 25/04/2026]]></title><description><![CDATA[Embora as leituras do livro dos Atos dos Ap&#243;stolos ainda n&#227;o nos tenha feito chegar na convers&#227;o de S&#227;o Paulo, h&#225; algum detalhe sobre sua convers&#227;o que julgo de extrema import&#226;ncia para a reflex&#227;o de hoje.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-4-domingo-da-pascoa</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-4-domingo-da-pascoa</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Mon, 27 Apr 2026 16:27:17 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Embora as leituras do livro dos Atos dos Ap&#243;stolos ainda n&#227;o nos tenha feito chegar na convers&#227;o de S&#227;o Paulo, h&#225; algum detalhe sobre sua convers&#227;o que julgo de extrema import&#226;ncia para a reflex&#227;o de hoje. O detalhe &#233; o seguinte: Paulo foi chamado pelo nome.</p><p>No final da segunda leitura, S&#227;o Pedro afirma: &#8220;And&#225;veis como ovelhas desgarradas, mas agora voltastes ao pastor e guarda de vossas vidas&#8221;. Eis um breve resumo da convers&#227;o de S&#227;o Paulo. &#8220;And&#225;veis como ovelhas desgarradas&#8221;, quer dizer, afastado do rebanho, mais importante do que estar afastado do rebanho, estava afastado do pr&#243;prio Pastor. Muito embora parece o contr&#225;rio disso.</p><p>N&#227;o se voc&#234;s se lembram da hist&#243;ria de S&#227;o Paulo, mas como diz ele mesmo a respeito de si: &#8220;circuncidado no oitavo dia; (que sou) da gera&#231;&#227;o de Israel, da tribo de Benjamim, (nascido) hebreu de pais hebreus; (que fui), segundo a lei, fariseu&#8221;. Como judeu fidel&#237;ssimo - e n&#227;o s&#243; fidel&#237;ssimo, mas influente - S&#227;o Paulo levou adiante a persegui&#231;&#227;o daqueles que considerou inimigos de Deus, segundo sua posi&#231;&#227;o na religi&#227;o. Paulo encabe&#231;ou a persegui&#231;&#227;o de uma por&#231;&#227;o razo&#225;vel entre os primeiros crist&#227;os. Temos certeza absoluta de um primeiro m&#225;rtir crist&#227;o perseguido e morto aos p&#233;s, e sob a autoridade, de S&#227;o Paulo, aquele sobre o qual lemos h&#225; dias atr&#225;s: Santo Est&#234;v&#227;o.</p><p>Sabemos que sua posi&#231;&#227;o na sociedade de sua &#233;poca era de certo respeito entre os romanos porque teve uma morte t&#237;pica de cidad&#227;o romano: Paulo, ao ser martirizado, n&#227;o &#233; crucificado como S&#227;o Pedro, ele &#233; decapitado. Sua morte revela um tratamento especial. A decapita&#231;&#227;o era considerada uma morte &#8220;misericordiosa&#8221;, porque n&#227;o havia sofrimento, era instant&#226;nea. Mas tal morte era destinada aos cidad&#227;os romanos. Ou seja, Paulo tinha prest&#237;gio social.</p><p>Em uma palavra, Paulo era orgulhoso. Soberbo.</p><p>Ao inv&#233;s de cantar com o cora&#231;&#227;o, com o salmista, &#8220;o Senhor &#233; o pastor que me conduz; n&#227;o me falta coisa alguma&#8221;, Paula orgulhava-se de si mesmo, pois coisa alguma lhe faltava, sendo ele mesmo seu pr&#243;prio pastor e guia. Ele, grande como era, altivo, impar&#225;vel em sua pr&#243;pria for&#231;a, agindo como uma locomotiva a todo vapor, ia fazendo conforme julgava ser o melhor, assim como o livro dos Ju&#237;zes, no Antigo Testamento, afirma &#8220;naquele tempo n&#227;o havia rei em Israel; mas cada um fazia o que lhe parecia justo&#8221; (Jz 21, 25), por n&#227;o ter um rei, no caso de S&#227;o Paulo, por n&#227;o ter ouvido a voz do Pastor, agia conforme lhe parecia justo. Mas eis que ent&#227;o o Senhor lhe fala: &#8220;Saulo, Saulo, por que me persegues?&#8221; (Atos 9, 4).</p><p>Finalmente! Eis que Paulo escuta a voz do Pastor e j&#225; n&#227;o mais caminha como ovelha desgarrada. Paulo, enfim, encontra-se com o Senhor que lhe chama, reconhece a voz do Senhor, n&#227;o &#233; a voz de um ladr&#227;o, &#233; a voz do Pastor, do Bom Pastor! Nosso Senhor Jesus Cristo lhe fala &#224;s claras. Ele v&#234; o Ressuscitado que lhe chama pelo nome, porque o Pastor chama cada uma de suas ovelhas pelo nome. E ali o orgulho de Paulo &#233; destru&#237;do. Nosso Senhor o faz cair por terra, o torna cego, o faz dependente de outros, ordena que v&#225; at&#233; Damasco, na casa de Ananias, para que este o batize. Ao ser batizado, escuta seu nome sendo chamado uma outra vez e, finalmente, as escamas de seus olhos caem. Eis que Paulo morre. J&#225; n&#227;o &#233; mais ele quem vive, &#233; Cristo que nele vive (Gl 2, 20).</p><p>Este &#233; o efeito da escuta da voz do Pastor.</p><p>Agora, voc&#234; poderia muito bem me questionar: &#8220;mas, padre, eu n&#227;o persegui os crist&#227;os. Tenho sido cat&#243;lico desde sempre! Padre, nem ao menos ouvi a voz do Pastor a me chamar! Como posso desfrutar desse efeito maravilhoso de que S&#227;o Paulo desfrutou ao converter-se? Quer dizer que isso &#233; s&#243; para quem recebe uma gra&#231;a especial?&#8221;</p><p>Acontece o seguinte, meu irm&#227;o, minha irm&#227;: o orgulho de S&#227;o Paulo foi tomado, aqui, como uma imagem da tua soberba, da minha soberba. Acontece que o nosso cora&#231;&#227;o vive uma constante luta entre amar a Deus sobre todas as coisas e satisfazer nossos desejos, porque n&#243;s temos dificuldade de abandonarmo-nos a n&#243;s mesmos. N&#243;s somos soberbos! Naturalmente soberbos. Se n&#227;o fossemos, n&#227;o pecar&#237;amos. Ensina-nos Santo Tom&#225;s de Aquino que a soberba &#233; a raiz de todo pecado. Primeiro h&#225; o amor desordenado de si, depois todas as outras porcarias que disso decorrem. Foi assim com Ad&#227;o e Eva, &#233; assim conosco. E o meio pelo qual Cristo contraria nosso orgulho, perdoa nossa culpa e nos faz voltar a ele &#233; chamando-nos pelo nome: &#8220;Gabriel, Paulo, Maria, Raquel, Miguel&#8221;, ele diz o seu nome e completa com &#8220;eu te batizo em nome do Pai, do Filho e do Esp&#237;rito Santo. Am&#233;m.&#8221; Embora Ele tenha chamado Paulo extraordinariamente, ainda assim ordena a Ananias que sacramentalize o chamado pela via ordin&#225;ria. Ananias o batiza e ele fica curado. No dia do nosso batismo, pela boca do sacerdote, Cristo nos chamou pelo nome para afirmar &#8220;voc&#234; &#233; meu, filho!&#8221;, &#8220;voc&#234; &#233; minha, filha!&#8221;.</p><p>Da mesma forma que, em decorr&#234;ncia da prega&#231;&#227;o de S&#227;o Pedro, na primeira leitura, tirada do cap&#237;tulo 2 dos Atos dos Ap&#243;stolos, que estamos lendo h&#225; umas semanas, diz-se que por volta de tr&#234;s mil pessoas foram batizadas, assim tamb&#233;m n&#243;s.</p><p>O batismo &#233; o reconhecimento do senhorio de Cristo, &#233; o meio de atravessar a porta pelo qual se entra no rebanho, tomando Cristo como Pastor. &#201; por ele que os m&#233;ritos da Cruz de Nosso Senhor nos alcan&#231;am, somos perdoados da culpa do pecado original e tornados filhos de Deus. Voc&#234;s est&#227;o percebendo o qu&#227;o precioso &#233; o santo batismo. E diante de tal tesouro, eu vos pergunto: por que, ent&#227;o adiar tanto o batismo dos vossos filhos? Se n&#227;o h&#225; tesouro mais nobre do que este, n&#227;o h&#225; raz&#227;o para n&#227;o d&#225;-lo aos pequenos.</p><p>Por este nobil&#237;ssimo sacramento, meus irm&#227;os, recebemos, ainda, por dons, as virtudes teologais. Deus, que passa a habitar em nossos cora&#231;&#245;es, nos concede uma luz para conhec&#234;-lo e am&#225;-lo, para esperar a vida no mundo que h&#225; de vir. Deus nos concede a F&#233;, a Esperan&#231;a e a Caridade. A caridade &#233;, sem d&#250;vida, a maior de todas elas, S&#227;o Paulo j&#225; o definiu com muita raz&#227;o. Mas &#233; pela F&#233; que somos iluminados para caminhar neste mundo com fidelidade ao Pastor. E a F&#233;, meus irm&#227;os, se manifesta nas obras. A nossa vida revela se cremos. N&#227;o &#233; poss&#237;vel conciliar uma vida de imund&#237;cies com a F&#233;, pelo simples fato de que crer nos faz viver de acordo com o que cremos. Esta &#233; a prova, o teste no final do trimestre, de que pertencemos de fato ao Pastor, se ao escutarmos sua voz, acorremos a Ele e damos passos conforme os seus.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://padretoninho.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Embora, de fato, Cristo tenha sido condenado &#224; morte diante de Pilatos num julgamento injusto e em meio &#224; excita&#231;&#227;o das multid&#245;es, foi por um des&#237;gnio divino que Nosso Senhor foi pendurado no Madeiro da Cruz. Deus, em sua infinita bondade, determina a morte de seu Filho &#218;nico no alto da Cruz, porque Ele sabia que esse era o &#250;nico modo de fazer-nos livres do pecado.</p><p>Santo Tom&#225;s de Aquino nos ensina que a ofensa &#233; tanto maior quanto maior for a dignidade do ser ofendido. Sendo uma ofensa a Deus, o pecado &#233; de qualidade infinita, porque Deus possui uma dignidade infinita. Ora, a ofensa exige um ato de remiss&#227;o t&#227;o grande quanto a pr&#243;pria ofensa. Como o ser humano n&#227;o possui dignidade infinita, n&#227;o h&#225; absolutamente nada que possa fazer para receber de Deus o perd&#227;o de seus pecados. Mas, ent&#227;o, Deus, em sua infinita bondade e miseric&#243;rdia, envia seu Filho &#218;nico, seu Filho Amado, que, por ser Deus, possui dignidade infinita, que, por ser Deus, &#233; inocente da mancha do pecado, que, por ser Deus, pode satisfazer, com seu sacrif&#237;cio, a necessidade do homem de realizar um &#250;nico ato remissivo.</p><p>Por essa raz&#227;o, S&#227;o Pedro diz com todas as letras que n&#227;o &#233; por meio do ouro e da prata, ou seja, n&#227;o &#233; por meio de bens materiais, n&#227;o por meio de coisas que o homem pode conquistar com seu esfor&#231;o, porque esfor&#231;o humano nenhum poderia comprar de Deus o perd&#227;o de seus pecados. Foi, no entanto, por meio do Sangue Precios&#237;ssimo de Cristo que n&#243;s fomos resgatados.</p><p>Vede quanto amor Deus tem por n&#243;s: sabendo que n&#227;o pod&#237;amos pagar o pre&#231;o dos nossos pecados, Ele mesmo o pagou. Deus te ama tanto que n&#227;o esperou de voc&#234; que fosses capaz de caminhar para fora da escurid&#227;o, Ele veio e iluminou toda a terra, fazendo resplandecer a Luz que dissipa toda a treva. E essa luz que resplandece nas trevas &#233; a luz da ressurrei&#231;&#227;o. Cristo ressuscitou verdadeiramente!</p><p>No Evangelho de hoje, vemos dois disc&#237;pulos muito semelhantes a n&#243;s: dois tontos, lentos, meio burros. Jesus diz &#8220;sem intelig&#234;ncia&#8221;, ou seja, meio burro, mesmo! Somos n&#243;s. Esses dois caminhavam em dire&#231;&#227;o a Ema&#250;s, tristes e abatidos. Notem, enquanto S&#227;o Pedro fala, na segunda leitura, que a nossa F&#233; deriva do fato de Cristo ter ressuscitado, esses dois, que ainda n&#227;o entenderam, esmoreceram na F&#233;, esfriaram, por isso est&#227;o tristes. N&#227;o conseguem, nem mesmo, ver que &#233; o pr&#243;prio Senhor que se apresenta a eles no caminho. A falta de F&#233;, raz&#227;o da tristeza, os torna como que cegos. Eles n&#227;o v&#234;em o Senhor. Mas Cristo &#233; paciente, tem um cora&#231;&#227;o manso. Deixa claro aos disc&#237;pulos que eles s&#227;o lentos e sem intelig&#234;ncia, mas lhes explica tudo. Passando por toda a Lei e os Profetas, Nosso Senhor explica tudo quanto j&#225; estava dito a seu respeito no Antigo Testamento. Ele haveria de morrer, mas haveria, tamb&#233;m, de ressuscitar. E Cristo ressuscitou verdadeiramente! Esta &#233; a nossa F&#233;!</p><p>Mas, percebam, h&#225; mais do que isso. Cristo nos deu tudo quanto podia dar para que cheguemos ao C&#233;u, ent&#227;o n&#227;o basta que morra e ressuscite, abrindo as portas do C&#233;u. Ele nos deixa uma indica&#231;&#227;o do caminho para o C&#233;u. Ele nos deixa, al&#233;m disso, o alimento para percorrer esse caminho em dire&#231;&#227;o ao C&#233;u.</p><p>Os disc&#237;pulos de Ema&#250;s n&#227;o est&#227;o parados quando encontram o Senhor, eles est&#227;o a caminho de um povoado. Pode-se dizer que eles estavam seguindo sua vida normalmente. Isso significa que o caminho que estavam percorrendo &#233; uma imagem da vida que seguiu. Assim como acontece conosco. As nossas vidas acontecem normalmente desde que fomos redimidos. Recebemos a Gra&#231;a por meio do Batismo e dali em diante a vida seguiu. Estamos todos como numa viagem. Assim como estavam os disc&#237;pulos de Ema&#250;s. E &#233; no meio dessa viagem que o Senhor vai ao encontro desses dois. L&#225;, com os disc&#237;pulos, o Senhor deixa bem claro onde eles O podem encontrar. Porque Ele ressuscitou, de fato. Est&#225; vivo! E o lugar do encontro com o Senhor &#233; a Santa Missa. Ele est&#225; verdadeiramente presente na Sant&#237;ssimo Eucaristia.</p><p>Se n&#243;s, assim como os disc&#237;pulos de Ema&#250;s estamos errantes, ou seja, como viajantes nesse mundo, temos um destino que n&#227;o pode ser outro se n&#227;o o C&#233;u, e o meio de encontrarmo-nos com o Senhor enquanto estamos viajando &#233; na Sant&#237;ssimo Eucaristia.</p><p>Meus irm&#227;os, se &#233; verdade que fomos salvos a um pre&#231;o alt&#237;ssimo - o Sangue de Cristo -, e se &#233; verdade que a Santa Missa atualiza os mist&#233;rio Pascal - e &#233; verdade! - ent&#227;o, n&#227;o h&#225; maior bem nesse mundo do que a Santa Missa. O ouro e a prata n&#227;o foram capazes de comprar o perd&#227;o que ansiamos, somente o Sangue de Cristo, portanto &#233; por Ele que devemos viver, &#233; a Ele que devemos valorizar a dar aten&#231;&#227;o. &#201; &#224; Santa Missa que devemos dar prioridade. A Igreja estabelece como norma participar das Missas Dominicais e nas ocasi&#245;es de Festa, mas o Amor, que &#233; a retribui&#231;&#227;o grata por receber de Deus nada menos do que Amor, nos deve mover a buscar a Santa Missa, o meio bem que Deus nos deu, o m&#225;ximo que pudermos. Mas n&#227;o devemos fazer de qualquer jeito, devemos faz&#234;-lo amorosamente. Como os disc&#237;pulos, cujos cora&#231;&#245;es ardiam ao ponto de eles verem o Senhor ao partir do p&#227;o. Devemos, meus irm&#227;os, am&#225;-lo a esse ponto.</p><p>S&#227;o Padre Pio dizia que o mundo aguentaria mais tempo sem o sol do que sem a Santa Missa. Durante as persegui&#231;&#245;es da Igreja, no in&#237;cio do s&#233;culo IV, Diocleciano tomou um grupo de crist&#245;es que se negaram a parar de celebrar a Santa Missa e os condenou &#224; morte. Dando-lhes, no entanto, uma &#250;ltima chance para renunciar a F&#233;, obteve desse grupo a seguinte resposta: <em>sine domenica non possumus</em>, &#8220;sem o domingo n&#227;o podemos&#8221;. Sem a Santa Missa n&#227;o podemos!</p><p>Que assim seja tamb&#233;m conosco. Pe&#231;amos ao Senhor que nos d&#234; um cora&#231;&#227;o que o ame e que compreenda com quanto amor nos amou e nos deixou tesouro t&#227;o maravilhoso que &#233; a Santa Missa e Divina Eucaristia.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://padretoninho.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber homilias dominicais.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o Domingo da Misericórdia: 11/04/2026]]></title><description><![CDATA[No s&#233;culo XVII, John Milton, um dos maiores nomes da poesia inglesa, escreveu uma epopeia que o colocou na esteira de nomes como Homero, Virg&#237;lio e Dante.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-domingo-da-misericordia</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-domingo-da-misericordia</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Sun, 12 Apr 2026 14:51:20 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>No s&#233;culo XVII, John Milton, um dos maiores nomes da poesia inglesa, escreveu uma epopeia que o colocou na esteira de nomes como Homero, Virg&#237;lio e Dante. Embora tenha tido uma vida e ideias um tanto controversas, foi capaz de, em &#8220;O Para&#237;so Perdido&#8221;, legar-nos um excelente poema &#233;pico, cuja hist&#243;ria se inspira na queda e expuls&#227;o de satan&#225;s do Para&#237;so Celeste e na queda e expuls&#227;o do homem do Para&#237;so Terrestre. Eis os cinco primeiros versos do poema:</p><p style="text-align: center;">Da rebelia ad&#226;mica, e o fruto</p><p style="text-align: center;">Da &#225;rvore interdita, e mortal prova</p><p style="text-align: center;">Que ao mundo trouxe morte e toda a dor,</p><p style="text-align: center;">Com perda do &#201;den, &#8216;t&#233; que homem maior</p><p style="text-align: center;">Nos restaure, e o lugar feliz nos ganhe,</p><p>O primeiro verso nos remete &#224; rebeldia de Ad&#227;o. Em G&#234;nesis, no cap&#237;tulo 2, ao criar a &#225;rvore que ficava no centro do Jardim, Deus ordena a Ad&#227;o que n&#227;o coma do fruto da &#225;rvore do conhecimento do bem e do mal. Este primeiro mandamento torna-se a primeira Alian&#231;a feita entre Deus e o homem: o homem tem o Para&#237;so como um bem naturalmente seu, mas para conserv&#225;-lo deve obedecer a uma &#250;nica lei. A consequ&#234;ncia da desobedi&#234;ncia &#233; severa: a morte.</p><p>O homem, no entanto, diante do Maior Bem que poderia ter sido colocado, que &#233; o pr&#243;prio Deus, diante de amea&#231;a t&#227;o terr&#237;vel a algu&#233;m que fora criado para viver para sempre, que &#233; morrer, diante da posse de Terra t&#227;o maravilhosas, que era o &#201;den, n&#227;o p&#244;de conter-se diante de t&#227;o astuta tenta&#231;&#227;o, rebelou-se e recebeu t&#227;o grave pena por seu dem&#233;rito: &#8220;ao mundo trouxe morte e toda a dor,/ com perda do &#201;den&#8230;&#8221;.</p><p>Mas a morte e o pecado n&#227;o t&#234;m maior voz. N&#227;o s&#227;o elas que d&#227;o a &#250;ltima palavra. Assim como, de maneira esperan&#231;osa, o poema canta &#8220;t&#233; que homem maior os restaure, e o lugar feliz nos ganhe&#8221;, Cristo, o Homem Maior, ganhou-nos o lugar feliz, logrou-nos a restaura&#231;&#227;o da vida, sendo Ele mesmo vitorioso sobre a morte com Sua Ressurrei&#231;&#227;o, e ganhou-nos o Lugar Feliz, o Para&#237;so Celeste, abrindo suas portas, para que com Ele  vivamos na eternidade. Podemos, hoje, tranquilamente, bradar como S&#227;o Paulo Ap&#243;stolo, em 1Cor 15, 55: &#8220;Onde est&#225;, &#243; morte, a tua vit&#243;ria? Onde est&#225;, &#243; morte, o teu aguilh&#227;o?&#8221;. Cristo venceu a morte! Aleluia! Ele ressuscitou! E &#233; por sua ressurrei&#231;&#227;o que vivemos!</p><p>A cita&#231;&#227;o de 1Cor 15 nos remete &#224; Profecia de Os&#233;ias 13, 14: &#8220;(N&#227;o obstante) livr&#225;-los-ei do poder do sepulcro, resgat&#225;-los-ei da morte? &#211; morte, onde est&#225; o teu flagelo? &#243; inferno, onde a tua destrui&#231;&#227;o? O arrependimento est&#225; escondido a meus olhos.&#8221; Onde nos encontramos com a promessa da liberta&#231;&#227;o da paga pelos nossos pecados. E um detalhe nos deve chamar a aten&#231;&#227;o: pela boca do profeta, Deus diz &#8220;o arrependimento est&#225; escondido a meus olhos&#8221;, apontando para o cora&#231;&#227;o da celebra&#231;&#227;o de hoje, que &#233; a Divina Miseric&#243;rdia.</p><p>No contexto da paix&#227;o, chama-nos a aten&#231;&#227;o, sem d&#250;vida, uma figura que esteve ao lado de Cristo na Cruz: S&#227;o Dimas, o chamado &#8220;Bom Ladr&#227;o&#8221;. O t&#237;tulo n&#227;o se refere &#224; sua gentileza para com as v&#237;timas de seus assaltos, como se fosse poss&#237;vel roubar e ser carism&#225;tica ao mesmo tempo - quer dizer, nos dias de hoje, parece que o que mais tem &#233; ladr&#227;o carism&#225;tico, mas voltemos a S&#227;o Dimas. O t&#237;tulo deve-se ao fato de que nos &#250;ltimos instantes de sua vida, soube reconhecer o Senhor como o Filho de Deus e, por isso, seu salvador. Confessa-se, arrependido, e, sortudo, lucra o C&#233;u. Mostrando por meio de seu tr&#225;gico exemplo que a Miseric&#243;rdia Divina n&#227;o tem limites. Por dar sua Divina Vida por n&#243;s, num sacrif&#237;cio de qualidade infinita, por possuir uma dignidade infinita, contempla todos os nossos pecados e perdoa-nos amorosamente. Tudo de que precisa &#233; de nosso arrependimento. &#201; isso o que Deus quer dizer quando diz que o <em>arrependimento est&#225; escondido a seus olhos</em>: sua aten&#231;&#227;o est&#225; no cora&#231;&#227;o a Ele convertido e, por isso, contrito.</p><p>No entanto, devemos nos atentar ao fato de que a Miseric&#243;rdia n&#227;o torna Deus uma esp&#233;cie de bob&#227;o a quem se pode enganar. Deus &#233; justo! Embora permane&#231;a com os bra&#231;os estendidos na Cruz para abra&#231;ar a todos, Cristo n&#227;o atinge os cora&#231;&#245;es dos pecadores obstinados. Estes, tanto em vida, como na morte, dirigem sua vontade inteiramente ao mau. &#201; o caso do ladr&#227;o que jazia do outro lado da Cruz de Nosso Senhor. Viveu de sua maldade, por ela foi condenada e nela permaneceu na morte. N&#227;o se enganem! O inferno existe e &#233; o destino dos pecadores obstinados.</p><p>Contudo, em seu infinito Amor, Deus est&#225; sempre disposto a acolher-nos em nossas mis&#233;rias, basta que O procuremos. E o tribunal escolhido por Deus para absolver-nos foi o da Sagrada Confiss&#227;o. S&#227;o Padre Pio dizia que &#8220;o confession&#225;rio &#233; o &#250;nico tribunal do mundo onde voc&#234; se declara culpado e sai absolvido&#8221;.</p><p>Aproximemo-nos, portanto, do Amor misericordioso de Deus, busquemos com todas as nossas for&#231;as am&#225;-lO acima de tudo e sentir, por isso, uma dor profunda em nossos cora&#231;&#245;es por O termos ofendido com nossa vida de pecado aos moldes de Ad&#227;o, para que como Cristo, Novo Ad&#227;o, recebamos vida nova, uma vida cuja fonte jamais secar&#225;, uma vida cuja felicidade &#233; plena, uma vida para a qual os grandes santos nos apontam e a Divina Miseric&#243;rdia nos deseja dar.</p><p>O Amor Misericordioso de Deus, &#224; medida em que nos aproximarmos dele, nos dar&#225; tr&#234;s dons, pelos quais devemos viver: a F&#233;, a Esperan&#231;a e a Caridade. A F&#233; no Cristo ressuscitado, essa mesma F&#233; que faltou a S&#227;o Tom&#233;, no Evangelho; a Esperan&#231;a, pela qual Deus nos faz esperar a vida eterna que Ele nos deseja dar no &#250;ltimo fechar de nossos olhos; e a Caridade, pela qual amamos a Deus verdadeiramente, como faziam os ap&#243;stolos, como descrito na primeira leitura, reuniam-se para o &#8220;partir do p&#227;o&#8221; todos os dias, o que quer dizer que participavam da Missa di&#225;ria, uma demonstra&#231;&#227;o de amor ao Cristo que nos deixou seu Corpo Sant&#237;ssimo por alimento de vida eterna, e pelo qual amamos o pr&#243;ximo em Deus, como a mesma leitura nos diz que &#8220;viviam unidos e colocavam tudo em comum&#8221;. Esta, &#250;ltima, devo acrescentar, &#233; a maior de todas, a Caridade jamais acabar&#225;, como diz S&#227;o Paulo em 1Cor 13, 8.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://padretoninho.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber homilias dominicais.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o 5º Domingo da Quaresma: 21/03/2026 ]]></title><description><![CDATA[A primeira leitura, tirada da Profecia de Ezequiel, narra uma promessa bel&#237;ssima da parte de Deus: Israel ser&#225; retirada da sepultura e receber&#225; o Esp&#237;rito do Senhor.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-5-domingo-da-quaresma</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-5-domingo-da-quaresma</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Mon, 23 Mar 2026 17:15:15 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A primeira leitura, tirada da Profecia de Ezequiel, narra uma promessa bel&#237;ssima da parte de Deus: Israel ser&#225; retirada da sepultura e receber&#225; o Esp&#237;rito do Senhor. Olhando para o contexto hist&#243;rico da narrativa do profeta Ezequiel, percebemos que o texto se trata de um figura de linguagem, um s&#237;mbolo, semelhante aos in&#250;meros s&#237;mbolos utilizados por Deus nas profecias dos quatro profetas maiores para tratar do Ex&#237;lio da Babil&#244;nia, que ocorreu em 598 a. C..</p><p>Ezequiel, aqui, quer deixar claro o qu&#227;o amoroso e misericordioso &#233; Deus. A causa do ex&#237;lio j&#225; estava perfeitamente clara para todo israelita &#224; &#233;poca: os pecados do povo causaram o ex&#237;lio. No entanto, o ex&#237;lio n&#227;o era o fim, Deus n&#227;o queria que fosse. Por isso, faz ressurgir da sepultura seu povo, ou seja, liberta-os do ex&#237;lio, fazendo-os voltar para Israel.</p><p>Aqui, Israel &#233; uma prefigura&#231;&#227;o dos acontecimentos do Novo Testamento. A liturgia faz quest&#227;o de colocar como primeira leitura uma promessa de ressurrei&#231;&#227;o, quando coloca, ao mesmo tempo, um Evangelho que narra o grande sinal de Cristo: a ressurrei&#231;&#227;o de L&#225;zaro.</p><p>Nas &#250;ltimas semanas, temos visto, no Evangelho de S&#227;o Jo&#227;o, uma sequ&#234;ncia de narrativas que revelam o car&#225;ter divino de Jesus por meio de sinais. Diferentemente dos outros tr&#234;s evangelhos, Jo&#227;o diz de Jesus que este realizou sinais, al&#233;m disso, h&#225; um n&#250;mero limitado deles. O evangelista n&#227;o dedica uma sess&#227;o de seu Evangelho para narrar uma s&#233;rie de milagres, assim como fazem os outros tr&#234;s. Ao longo de sua narrativa, aparecem, ao todo, sete sinais, sete milagres de Jesus: o primeiro deles acontece nas Bodas de Can&#225;, por intercess&#227;o da Virgem Maria; o segundo, a cura do do filho do oficial em Cafarnaum; o terceiro, a cura do paral&#237;tico no tanque de Betesda; o quarto, a multiplica&#231;&#227;o dos p&#227;es e dos peixes; o quinto, andar sobre as &#225;guas; o sexto, a cura do cego de nascen&#231;a; o s&#233;timo, por fim, &#233; a ressurrei&#231;&#227;o de L&#225;zaro.</p><p>Todos estes sete atos de Jesus servem para revelar sua identidade divina. Na narrativa do s&#233;timo sinal - que acabamos de ler -, Cristo afirma com todas as letras que a doen&#231;a de L&#225;zaro n&#227;o tem por finalidade a morte, mas a gl&#243;ria de Deus, &#8220;para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.&#8221; Acontece, no entanto, que h&#225; uma discrep&#226;ncia absurda entre outros seis milagres e este &#250;ltimo. Curar uma doen&#231;a n&#227;o se compara, nem de longe, com ressuscitar um morto. Isso &#233; escandaloso. Imagine-se visitando o t&#250;mulo de um conhecido que faleceu h&#225; quatro dias e, em algum momento, um homem entrar e mand&#225;-lo levantar e ele de fato se levantar. &#201; absurdo! E por que raz&#227;o Cristo faria algo t&#227;o escandaloso como ressuscitar um morto? Porque Ele precisa deixar claro que Ele mesmo haver&#225; de ressuscitar. Este s&#233;timo sinal &#233; um modo de Cristo apontar para o milagre definitivo, a raz&#227;o de sua Encarna&#231;&#227;o, a causa da felicidade do cora&#231;&#227;o do homem: Ele morrer&#225; por toda a humanidade, mas no terceiro dia ressuscitar&#225;!</p><p>Na segunda leitura, no entanto, S&#227;o Paulo Ap&#243;stolo nos faz entender todos estes fatos de uma outra forma: &#8220;Se, por&#233;m, Cristo est&#225; em v&#243;s, embora vosso corpo esteja ferido de morte por causa do pecado, vosso esp&#237;rito est&#225; cheio de vida, gra&#231;as &#224; justi&#231;a.&#8221; N&#227;o importa, aqui, a dor, a doen&#231;a, a morte, a desola&#231;&#227;o, a persegui&#231;&#227;o, o ex&#237;lio, nada! Importa, unicamente, estar unido a Cristo, porque Ele &#233; a vida verdadeira. E &#233; aqui que a liturgia de hoje toca a cada um de n&#243;s.</p><p>A uni&#227;o da alma com Cristo exige uma vida reta, contr&#225;ria &#224;s paix&#245;es da carne. S&#227;o Paulo, na primeira leitura afirma categoricamente que &#8220;os que vivem segundo a carne n&#227;o podem agradar a Deus&#8221;. &#8220;Ora, diz S&#227;o Paulo aos G&#225;latas, as obras da carne s&#227;o manifestas: s&#227;o a fornica&#231;&#227;o, a impureza, a lux&#250;ria, a idolatria os malef&#237;cios, as inimizades, as contendas, as invejas, as iras, as rixas, as disc&#243;rdias, as seitas, os ci&#250;mes, a embriaguez, as glutonarias e outras coisas semelhantes, sobre as quais vos previno, como j&#225; vos disse, que os que as praticam n&#227;o possuir&#227;o o reino de Deus.&#8221; (Gl 5, 19-21). E &#233; desse modo, meus irm&#227;os, que discernimos se estamos em Cristo ou n&#227;o. Se nossa vida est&#225; em conformidade com as desordens da carne, n&#227;o est&#225; em conformidade com Cristo. E se n&#227;o vivemos com Ele, n&#227;o ressuscitaremos com Ele.</p><p>N&#243;s estamos &#224;s v&#233;speras da P&#225;scoa. E o que faz a liturgia, hoje, &#233; nos lembrar do que na quarta-feira de cinzas ouvimos todos: &#8220;lembra-te de que &#233;s p&#243; e ao p&#243; h&#225;s de tornar&#8221;. Nada nessa vida importa sen&#227;o Cristo. Tudo &#233; palha perto de Cristo. Os sofrimentos sempre existir&#227;o em algum n&#237;vel. A cada dia que passa estamos mais perto da morte e, portanto, do ju&#237;zo final, e o que apresentaremos ao Senhor quando nos encontrarmos com Ele? Bens materiais? N&#227;o mais ter&#227;o valor! Conquistas? N&#227;o mais importar&#227;o! Neg&#243;cios com os grandes deste mundo? N&#227;o mais vos assegurar&#225; de nada! O verdadeiro penhor da salva&#231;&#227;o &#233; Cristo, e Cristo crucificado. Sem Ele, absolutamente nada importa.</p><p>Vejam os testemunhos dos m&#225;rtires. Eles morreram alegres por dar a sua vida em nome de Cristo. Rejubilavam enquanto eram feridos e maltratados. Tudo isso porque o faziam por Cristo. E essa alegria se deve ao fato de que aqueles m&#225;rtires encontrariam com o seu Senhor em poucos instantes. A certeza do C&#233;u os fazia verdadeiramente felizes. E essa felicidade, a felicidade da certeza do C&#233;u, &#233; a &#250;nica coisa de que precisamos nesta vida.</p><p>Precisamos viver por Cristo, morrer com Ele, para que com Ele tamb&#233;m ressuscitemos.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://padretoninho.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Lembro-me do caso de um frei franciscano que encontrei, certa vez, na faculdade de teologia, e que disse com ares de deboche: &#8220;o que estamos fazendo aqui n&#227;o como aquela f&#233; de ter&#231;o&#8221;. Como se a ora&#231;&#227;o do santo ter&#231;o fosse uma pr&#225;tica ing&#234;nua da f&#233; Cat&#243;lica, quando, na verdade, &#233; essencial &#224; salva&#231;&#227;o das almas e de uma &#237;ntima aproxima&#231;&#227;o de Nosso Senhor e Nossa Senhora.&nbsp;</p><p>O caso n&#227;o &#233; contado para introduzir o tema da reza do santo ter&#231;o na homilia, mas para mostrar que os estudiosos de teologia, atualmente, tendem a desacreditar de tudo quanto &#233; espiritualmente importante. O olhar desses homens est&#225; voltado exclusivamente para este mundo. Ali&#225;s, cr&#234;em eles que o pr&#243;prio Para&#237;so deve realizar-se neste mundo, n&#227;o no Mundo que h&#225; de vir. Eles se deixaram tornar materialistas, sem perceber que isso &#233; contr&#225;rio a Cristo, ao Evangelho, &#224; Igreja, e falam em nome de Cristo, do Evangelho e da Igreja. Ao fazer isso, querem resolver todos os problemas deste mundo, porque julgam que o dinheiro resolver&#225; o problema da humanidade, que a fome &#233; o grande mal, que a moradia &#233; o problema, mas n&#227;o conseguem compreender que h&#225; algo por tr&#225;s de tudo isso, algo que causa o sofrimento, algo que deve ser combatido com todas as for&#231;as e que, quando esquecido e desprezado, como eles fazem, continua a gerar mais dor e sofrimento. Manter os olhos focados em cada uma dessas quest&#245;es, embora sejam coisas importantes - e a caridade crist&#227; nos exige fazer o que est&#225; ao nosso alcance por aqueles que n&#227;o tem quem seja por eles - n&#227;o nos faz enxergar a ess&#234;ncia dos problemas.&nbsp;</p><p>Nosso Senhor, no Serm&#227;o da Montanha ensina que o pecado n&#227;o est&#225; nas a&#231;&#245;es em si mesmas, elas manifestam algo anterior a elas: a desordem anterior, as m&#225;s inclina&#231;&#245;es, o pecado, que como diz Davi, no Salmo 50, est&#225; sempre &#224; nossa frente. No entanto, quem reduz o olhar &#224; mat&#233;ria, n&#227;o consegue ver o que est&#225; dentro, n&#227;o consegue ver o esp&#237;rito.&nbsp;</p><p>Quem se preocupa exageradamente com o que &#233; acidental, n&#227;o v&#234; jamais o que &#233; essencial!</p><p>Na primeira leitura, ao enviar Samuel &#224; casa de Jess&#233;, tendo lhe dado a miss&#227;o de ungir o novo rei de Israel, Deus deixa claro que n&#227;o se importa com as apar&#234;ncias, mas sim com a verdade interior:&nbsp; &#8220;N&#227;o julgo segundo os crit&#233;rios do homem: o homem v&#234; as apar&#234;ncias, mas o Senhor olha o cora&#231;&#227;o&#8221;, &#233; o que Deus diz a Samuel depois deste ter julgado Eliab como uma excelente escolha para ser o pr&#243;ximo rei de Israel, unicamente porque este tinha uma apar&#234;ncia de realeza, era forte, aparentava ser um grande soldado&#8230; Mas n&#227;o &#233; isso o que importa para Deus. Deus quer um cora&#231;&#227;o que corresponda ao seu pr&#243;prio Cora&#231;&#227;o.</p><p>Entendam, meus irm&#227;os, para passar a enxergar com clareza o que Deus deseja que enxerguemos, para que nosso olhar se conforme ao Dele, &#233; necess&#225;rio andarmos na luz. Por isso, S&#227;o Paulo, na segunda leitura, exorta categoricamente a comunidade de &#201;feso dizendo-lhes &#8220;vivei como filhos da luz&#8221;. O que quer dizer que nossa vida precisa corresponder ao que Deus espera de n&#243;s. H&#225; algo que caracteriza os &#8220;filhos da luz&#8221;, e este algo &#233; a retid&#227;o de vida. Por isso &#233; que se diz &#8220;desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecer&#225;". Despertar, aqui, significa passar a enxergar a luz da verdade que habita dentro. Significa olhar para o que &#233; essencial sem se deixar perder naquilo que &#233; acidental, no que &#233; passageiro. E o ato de levantar de entre os mortos representa a convers&#227;o interior daquele que passa a enxergar a luz da verdade. O que ter&#225; por resultado necess&#225;rio torn&#225;-lo um &#8220;filho da luz&#8221;, algu&#233;m em quem a luz de Cristo resplandece. O que nos leva diretamente para o Evangelho.</p><p>Comecei a homilia de hoje falando da tend&#234;ncia dos te&#243;logos de hoje de esvaziar tudo quanto tem um significado espiritual profundo. N&#227;o &#233; de se espantar que fa&#231;am isso com os milagres realizados por Cristo nos Evangelhos. Tudo &#233; tomado como mero s&#237;mbolo. Quis dar aten&#231;&#227;o a isso porque acho muito curioso como S&#227;o Jo&#227;o, no cap&#237;tulo 9 de seu Evangelho, deixa muito claro que Cristo realiza, de fato, um milagre. O milagre &#233; t&#227;o verdadeiro que gera um inc&#244;modo absurdo nos fariseus: eles iniciam um processo de investiga&#231;&#227;o, n&#227;o s&#243; com o beneficiado pelo milagre, no caso, o cego de nascen&#231;a, mas entrevistam at&#233; seus pais. Mas, vamos por partes. Comecemos pela realiza&#231;&#227;o do milagre.</p><p>Ao cego de nascen&#231;a, diz o Senhor: &#8220;&#8216;...Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo&#8217;. Dito isto, Jesus cuspiu no ch&#227;o, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego.&#8221;</p><p>Em primeiro lugar, Ele se afirma como a luz do mundo. S&#227;o Jo&#227;o j&#225; havia afirmado isso no seu pr&#243;logo, no primeiro cap&#237;tulo de seu evangelho o Verbo &#233; mencionado como sendo a luz. Agora, &#233; o pr&#243;prio Cristo quem diz isso de si mesmo. Ele &#233; a luz do mundo! &#201; Ele quem ilumina os cora&#231;&#245;es, os retifica e, Nele, os faz brilhar.</p><p>Em segundo lugar, chama a aten&#231;&#227;o o modo como Cristo realiza o milagre: Ele cospe no ch&#227;o, faz lama e, com a lama feita a partir de sua saliva, passa nos olhos do cego e o ordena que lave na piscina de Silo&#233;. A primeira a&#231;&#227;o de Jesus, a de produzir lama com sua saliva, lembra-nos de um evento, no princ&#237;pio de tudo, quando o Verbo de Deus estava, junto de Deus, a criar tudo quanto existe: no cap&#237;tulo 2 do G&#234;nesis, Deus cria o homem por meio da mistura de &#225;gua e terra, barro - ou lama. Aqui, &#233; como se Cristo restaura-se sua cria&#231;&#227;o. Depois, Cristo passa nos olhos do cego e o ordena que lave na piscina de Silo&#233;. Silo&#233; significa &#8220;enviado&#8221;. Como sabemos que Deus fala atrav&#233;s das coisas, enviar o cego para lavar-se em Silo&#233; n&#227;o deve ser a toa. E sua raz&#227;o est&#225; na explicita&#231;&#227;o de quem Ele &#233;: o enviado de Deus para cura e salva&#231;&#227;o dos homens. Al&#233;m disso, &#233; atrav&#233;s de uma Gra&#231;a especial, dada pelo pr&#243;prio Cristo, que se pode perceber que Ele &#233; quem &#233;. O milagre realizado por Jesus n&#227;o &#233; s&#243; um milagre real, mas um exemplo concreto, como Ele mesmo diz que &#233; - a cegueira daquele homem era nele um modo de Deus fazer manifestar a sua gl&#243;ria atrav&#233;s dele. Aqui est&#225;, portanto, um exemplo concreto do que S&#227;o Paulo afirma na segunda leitura: Ele nos faz despertar, realiza a convers&#227;o interior e, por fim, torna-nos luz.</p><p>Mas qual &#233; a raz&#227;o, afinal, de Cristo ter feito o que fez? Ele mesmo nos diz: "Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que n&#227;o v&#234;em, vejam, e os que v&#234;em se tornem cegos".</p><p>A raz&#227;o da liturgia de hoje ser revestida da cor rosa &#233; para termos um al&#237;vio no meio do deserto. &#201; como se Deus mandasse, como mandou a Mois&#233;s, batermos numa rocha e fizesse sair &#225;gua para aplacar nossa sede. E Ele faz isso atrav&#233;s de uma mensagem clar&#237;ssima: eu sou o seu salvador, serei vitorioso no fim, iluminarei vossos cora&#231;&#245;es, mas v&#243;s precisais estar atentos a Mim! Precisam enxergar claramente quem Eu Sou.&nbsp;</p><p>Mas todo refrig&#233;rio de alma vem com uma cobran&#231;a. Cristo n&#227;o somente nos faz respirar em meio ao deserto fazendo-nos enxergar para onde caminhamos, mas nos faz uma exig&#234;ncia: agora que enxergas o destino, responsabilize-se pela caminhada para que seja o mais fiel poss&#237;vel. &#201; por isso que termina dizendo aos fariseus: "Se f&#244;sseis cegos, n&#227;o ter&#237;eis culpa; mas como dizeis: 'N&#243;s vemos', o vosso pecado permanece".</p><p>Prestem todos aten&#231;&#227;o a um detalhe muito importante: Deus, no Antigo Testamento, narrado na primeira leitura, n&#227;o est&#225; falando a um &#8220;z&#233; man&#233;&#8221; qualquer, Ele est&#225; falando a Samuel, um profeta escolhido a dedo. No Evangelho, Cristo, por sua vez, tampouco fala a um qualquer, Ele fala aos homens mais importantes de sua &#233;poca. Agora, imaginem voc&#234;s o que Deus n&#227;o diria a cada um de n&#243;s! Se Samuel estava desatento ao Esp&#237;rito, se Samuel tomou como sumamente relevantes os aspectos f&#237;sicos, se Samuel demonstrou importar-se com as apar&#234;ncias, se, tanto mais, os mestres da lei fizeram coisas semelhantes, quanto mais a n&#243;s!</p><p>Meus irm&#227;os, Cristo quer nos dar o C&#233;u, mas o nosso cora&#231;&#227;o precisa estar na luz, precisa estar em comunh&#227;o com o Senhor. N&#227;o podemos fingir para Deus. As apar&#234;ncias, para Ele, n&#227;o importam. Sejam verdadeiramente de Deus, caso contr&#225;rio, o vosso pecado permanecer&#225; - e ser&#225; at&#233; pior.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o 3º Domingo da Quaresma: 08/03/2026]]></title><description><![CDATA[Come&#231;o a homilia de hoje citando, mais uma vez, a &#250;ltima estrofe do Salmo da liturgia de hoje: &#8220;Oxal&#225; ouv&#237;sseis hoje a sua voz: &#8216;N&#227;o fecheis os cora&#231;&#245;es como em Meriba, como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras&#8217;.&#8221;]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-3-domingo-da-quaresma</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-3-domingo-da-quaresma</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Sun, 08 Mar 2026 18:00:49 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Come&#231;o a homilia de hoje citando, mais uma vez, a &#250;ltima estrofe do Salmo da liturgia de hoje: &#8220;Oxal&#225; ouv&#237;sseis hoje a sua voz: &#8216;N&#227;o fecheis os cora&#231;&#245;es como em Meriba, como em Massa, no deserto, aquele dia, em que outrora vossos pais me provocaram, apesar de terem visto as minhas obras&#8217;.&#8221;</p><p>H&#225; tr&#234;s raz&#245;es pelas quais come&#231;o citando o Salmo:</p><p>Em primeiro lugar, o povo de Israel, que se faz crer sem mem&#243;ria dos fatos passados, havia acabado de ser arrancado &#224; for&#231;a da escravid&#227;o no Egito. Deus enviou Mois&#233;s at&#233; o Fara&#243; para dizer-lhe que libertasse o povo, por&#233;m, vendo que n&#227;o seria obedecido, enviou ao Egito um total de dez pragas, a fim de mostrar para o Fara&#243; quem detinha real poder sobre a natureza, sobre o povo e sobre o pr&#243;prio Egito. O rio &#233; transformado em sangue, r&#227;s invadem o Egito, uma epidemia de piolhos &#233; enviada, moscas, mosquitos, a morte dos animais, feridas aparecem na carne dos eg&#237;pcios, uma chuva incomum de granizo, uma escurid&#227;o absoluta que milagrosamente n&#227;o atinge o acampamento dos hebreus, somente os eg&#237;pcios e, por fim, a morte dos primog&#234;nitos, inclusive o de Fara&#243;. Todas estas coisas Deus fez em favor de seu povo eleito. No entanto, como se n&#227;o bastasse, a caminho do Monte Sinai, o povo se depara com o Mar Vermelho, num momento em que atr&#225;s de si estava o ex&#233;rcito eg&#237;pcio a perseguir-lhes, e Deus simplesmente abre o mar para que eles atravessem. Agora, pensem c&#225; comigo: tendo visto uma s&#233;rie de obras miraculosas da parte de Deus, haveria alguma raz&#227;o para duvidar de que Deus providenciaria o diacho da &#225;gua para que eles bebessem e n&#227;o morressem de sede? Algo dentro deles estava nitidamente em desordem. E falaremos sobre isso daqui a pouco.</p><p>Em segundo lugar, a tal reclama&#231;&#227;o da sede narrada na liturgia de hoje se encontra no cap&#237;tulo 17 do livro do &#202;xodo. Eu lhes pergunto: voc&#234;s sabem em que cap&#237;tulo eles chegariam no Monte Sinai? Pois eu respondo que a narrativa da chegada est&#225; no cap&#237;tulo 19. Dito de outro modo, o primeiro objetivo da viagem do povo hebreu era logo ali. &#201; quase a mesma coisa de quando os pais saem com as crian&#231;as e lhes pedem para esperar s&#243; um pouquinho que chegar&#227;o daqui a pouco no lugar onde a crian&#231;a quer que eles cheguem, mas a crian&#231;a abre a boca a chorar por ter, simplesmente, ouvido dizer que ter&#225; de esperar mais uns minutinhos para ter o que deseja. Agora, isso numa crian&#231;a &#233; absolutamente compreens&#237;vel - apesar de deixar os pais irritados -, mas isso num adulto &#233; demais! Passa dos limites esperados de uma personalidade madura! A coisa se torna pior quando pensamos no que eles receberiam ao chegar no Monte Sinai: nada mais, nada menos do que as T&#225;buas da Lei. Ora, a descri&#231;&#227;o do caminho de santifica&#231;&#227;o do povo lhes seria entregue dentro de pouco, mas eles queriam &#225;gua, caso contr&#225;rio Deus estaria deixando claro que n&#227;o os amava e queria v&#234;-los morrer. Mais uma vez, claro est&#225;, para n&#243;s, que algo dentro deles estava em desordem.</p><p>Por fim, em terceiro lugar, o povo de Israel n&#227;o fazia ideia do que Deus estava fazendo com eles. Ora, para n&#243;s, hoje, j&#225; deve estar mais do que claro que o deserto &#233; o lugar da purifica&#231;&#227;o. E para eles n&#227;o era diferente. Eles estavam no deserto porque precisavam de purifica&#231;&#227;o. N&#227;o bastava ser liberto da escravid&#227;o do Egito, &#233; necess&#225;rio passar por uma purifica&#231;&#227;o interior que nos possibilite desfrutar das maravilhas de Deus. Notem que o povo escravizado, depois de liberto, ao come&#231;ar a caminhada pelo deserto, reclama das coisas mais irris&#243;rias da vida: fome e sede. Isso quer dizer que o cora&#231;&#227;o deles estava preocupado apenas com a sua carne. Lembram-se da primeira tenta&#231;&#227;o de Jesus, no deserto? &#8220;ordena que esta pedra se transforme em p&#227;o&#8221;, diz o dem&#244;nio. A tenta&#231;&#227;o quer fazer com que Cristo abandone as coisas do Alto para preocupar-se com as coisas de baixo. O povo hebreu deixa claro que est&#225; preocupado com as coisas de baixo e totalmente cego quanto &#224;s coisas do Alto. Isso demonstra uma desordem interna: o que determina suas a&#231;&#245;es n&#227;o &#233; a verdade, tampouco o bem, nem mesmo o Amor, o que determina as a&#231;&#245;es daquele povo &#233; o est&#244;mago, a carne, o baixo ventre, ou seja, s&#227;o as paix&#245;es mais baixas. Esta &#233; a desordem de que padecem e &#233;, infelizmente, a sina de todo ser humano. A natureza deca&#237;da por ocasi&#227;o do pecado original nos impele ao prazer, &#224; satisfa&#231;&#227;o dos desejos, aos bens materiais, fazendo com que nos esque&#231;amos do bem, da verdade, do Amor, em &#250;ltima inst&#226;ncia, de Deus. &#201; este o sofrimento, por exemplo, da Samaritana no Evangelho.</p><p>A mulher com quem Jesus conversa, no Evangelho de S&#227;o Jo&#227;o, possui uma caracter&#237;stica peculiar: a mulher teve cinco maridos e estava, naquele momento, com um sexto marido, embora, como lhe disse Jesus, nem aquele mesmo lhe pertencia. A mulher fica chocada com a revela&#231;&#227;o de um completo desconhecido a respeito de sua vida &#237;ntima, mas o choque n&#227;o se d&#225; porque ela se sente invadida de algum modo, mas porque ela encontra, finalmente, um ponto de al&#237;vio para o sofrimento causado por tanta desordem. Ela encontra em Jesus o s&#233;timo marido, Aquele que seria respons&#225;vel por colocar todas as coisas em ordem, aliviar o peso causado pela busca desenfreada por prazer, pela satisfa&#231;&#227;o exagerada de todo e qualquer desejo. Ela se encontra, no po&#231;o de Jac&#243;, no meio do deserto, com Jesus, o verdadeiro esposo de sua alma. Ou seja, enquanto trabalhava, estando no lugar onde, simbolicamente, a purifica&#231;&#227;o da vida interior acontece, ela se encontra com o Senhor.</p><p>A liturgia de hoje, meus caros, nos mostra com uma riqueza singular qual &#233; a nossa condi&#231;&#227;o de seres humanos deca&#237;dos; mostra-nos tamb&#233;m que o Senhor nos quer no deserto para purificar-nos de nossa desordem interior; e nos mostra, por fim, que Ele n&#227;o nos abandona no sofrimento do deserto, na dor da vit&#243;ria sobre a carne, mas que &#233; l&#225;, no deserto, que Ele ir&#225; nos encontrar, ir&#225; terminar a purifica&#231;&#227;o das nossas desordens Ele mesmo, desde que estejamos voluntariamente trabalhando por isso. Afinal, para entrar na Terra Prometida - o C&#233;u - precisamos estar plenamente unidos a Cristo. E s&#243; estaremos quando n&#227;o mais obedecermos a carne.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://padretoninho.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! Subscri&#231;&#227;o gratuita para receber homilias dominicais.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Homilia para o 2º Domingo da Quaresma: 28/02/2026]]></title><description><![CDATA[A primeira leitura nos apresenta um dos personagens mais relevantes de toda a hist&#243;ria do Antigo Testamento: Abr&#227;o.]]></description><link>https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-2-domingo-da-quaresma</link><guid isPermaLink="false">https://padretoninho.substack.com/p/homilia-para-o-2-domingo-da-quaresma</guid><dc:creator><![CDATA[Padre Toninho]]></dc:creator><pubDate>Sun, 01 Mar 2026 14:02:34 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!B05c!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F48e11e3e-47bc-4091-ba23-b700c12dac6c_810x810.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A primeira leitura nos apresenta um dos personagens mais relevantes de toda a hist&#243;ria do Antigo Testamento: Abr&#227;o. Deus lhe dirige sua palavra para dizer-lhe que deseja que ele saia de sua terra, em Ur dos Caldeus, para caminhar at&#233; Cana&#227;, onde quer que Abr&#227;o se estabele&#231;a. Al&#233;m disso, Deus lhe faz uma promessa: a de que Abr&#227;o seria pai de uma descend&#234;ncia t&#227;o numerosa que o tornar&#225; um povo.</p><p>O ponto alto da promessa, no entanto, n&#227;o est&#225; na promessa da descend&#234;ncia numerosa, ou mesmo da mudan&#231;a para uma terra distante, est&#225; no fato de Deus dizer-lhe que nele, Abr&#227;o, todas as fam&#237;lias da terra seriam aben&#231;oadas.</p><p>Esta promessa parece um tanto contradit&#243;ria quando colocada diante de tantas passagens importantes do Antigo Testamento em que Israel &#233; chamado de &#8220;povo eleito&#8221;, separado dos outros povos do mundo. O conceito de santidade, por exemplo, que aparece em Lev&#237;tico 19, onde Deus diz &#8220;sede santo como eu sou santo&#8221;, corresponde &#224; ideia de separar-se dos outros povos e n&#227;o se misturar. As Leis de pureza t&#234;m rela&#231;&#227;o com essa aus&#234;ncia de mistura.</p><p>Contudo, encontramos na Profecia de Isa&#237;as, no Primeiro C&#226;ntico do Servo Sofredor, no cap&#237;tulo 42, o Servo do Senhor sendo apresentado como &#8220;luz para as na&#231;&#245;es&#8221;, pr&#237;ncipes iriam se curvar diante dele, o mundo se voltaria para ele, de modo que nele pudesse ser salvo. E &#233; sob este aspecto que a promessa de Deus a Abr&#227;o, no cap&#237;tulo 12 do primeiro livro das Sagradas Escrituras, se relaciona com a Profecia de Isa&#237;as: ambas falam de Cristo. No princ&#237;pio da na&#231;&#227;o de Israel, que era &#224; &#233;poca apenas um homem, Abr&#227;o, Deus j&#225; deixa claro o que deseja: b&#234;n&#231;&#227;os para todas as na&#231;&#245;es da terra, que dever&#227;o ser distribu&#237;das n&#227;o pelo povo em si, mas por um de seus filhos, um descendente de sangue real, o Filho de Deus Encarnado, Nosso Senhor Jesus Cristo.</p><p>O que nos leva direto para a Segunda Leitura, quando S&#227;o Paulo, escrevendo a Tim&#243;teo, o anima na viv&#234;ncia do Evangelho, lembrando-lhe da salva&#231;&#227;o que lhes havia sido dada por Nosso Senhor: &#8220;Deus nos salvou e nos chamou com uma voca&#231;&#227;o santa, n&#227;o devido &#224;s nossas obras, mas em virtude do seu des&#237;gnio e da sua gra&#231;a, que nos foi dada em Cristo Jesus desde toda a eternidade. Esta gra&#231;a foi revelada agora, pela manifesta&#231;&#227;o de nosso Salvador, Jesus Cristo.&#8221; Em primeiro lugar, S&#227;o Paulo deixa claro a Tim&#243;teo que a Gra&#231;a que foi derramada sobre eles era des&#237;gnio de Deus desde toda a eternidade, o que significa que Deus sempre desejou conceder sua Gra&#231;a &#224; humanidade. Nesse sentido, a revela&#231;&#227;o do Antigo Testamento &#233; reafirmada pelo Novo Testamento.</p><p>No Evangelho, lemos a coroa da liturgia de hoje: a Transfigura&#231;&#227;o do Senhor. A promessa do Antigo Testamento, a ratifica&#231;&#227;o do Novo Testamento para a veracidade de tal promessa, s&#227;o ambas reiteradas pela pr&#243;pria pessoa do Cristo que se manifesta em sua gl&#243;ria sob o olhar de seus Ap&#243;stolos.</p><p>A Transfigura&#231;&#227;o do Senhor deixa absolutamente claro quem Ele &#233;, e Ele &#233; Deus Encarnado. Diante de seus disc&#237;pulos, Cristo manifesta toda a sua gl&#243;ria, resplandecente em sua Divina Carne, dando aos disc&#237;pulos uma experi&#234;ncia curta da alegria pura do C&#233;u que ser&#225; contemplar face a face o Deus que realiza plenamente todo anseio de nossos cora&#231;&#245;es. Ali, os disc&#237;pulos sentem a inquieta&#231;&#227;o do cora&#231;&#227;o que deseja Deus cessar absolutamente, pois l&#225; estava Deus a se deixar contemplar. &#201; por essa raz&#227;o que Pedro diz a Jesus &#8220;Senhor, &#233; bom estarmos aqui&#8221;. De fato, &#233; bom estar na presen&#231;a do Senhor e contempl&#225;-lO.</p><p>Os acontecimentos que circundam a Transfigura&#231;&#227;o do Senhor s&#227;o teof&#226;nicos, ou seja, s&#227;o experi&#234;ncias sens&#237;veis de Deus: uma nuvem marca a presen&#231;a de Deus, uma voz ressoa da nuvem, o que lembra as manifesta&#231;&#245;es divinas no Antigo Testamento. Deus falava com Mois&#233;s no Monte Sinai e, no topo do monte, o povo via uma nuvem espessa, enquanto trov&#245;es ressoavam e Deus falava a Mois&#233;s atrav&#233;s deles; na Tenda do Encontro, quando Mois&#233;s entrava para falar com Deus, uma nuvem marcava a presen&#231;a de Deus; quando Elias, no segundo livro dos Reis, recebe de Deus o an&#250;ncio de que haveria de passar, Deus passa, de fato, e se faz presen&#231;a por uma brisa suave. E &#233; justamente porque Deus se manifesta desse modo a estes personagens, que eles est&#227;o ali com Jesus. Mas n&#227;o &#233; s&#243; isso. Embora n&#227;o apare&#231;a no evangelho de S&#227;o Mateus, os outros evangelistas acrescentam ao di&#225;logo de Jesus com Mois&#233;s e Elias uma informa&#231;&#227;o: eles tratavam do &#234;xodo de Jesus. E essa informa&#231;&#227;o &#233; muito importante!</p><p>Jesus, como sendo o &#8220;novo Mois&#233;s&#8221;, deveria instituir uma Nova P&#225;scoa, e Ele de fato o faz. A nova P&#225;scoa tem por cordeiro Ele mesmo. E seu sacrif&#237;cio tem por objetivo redimir a humanidade inteira. No entanto, assim como Mois&#233;s, depois de ter celebrado a P&#225;scoa teve de sair do Egito e caminhar em dire&#231;&#227;o &#224; Terra Prometida, Cristo, ao sacrificar-se na Cruz, inicia um movimento de sa&#237;da, um &#234;xodo, daqui, deste mundo, para a Verdadeira Terra Prometida, nossa verdadeira p&#225;tria, o C&#233;u. Com o sacrif&#237;cio de Cristo, aqueles que o celebram devem iniciar uma caminhada rumo ao C&#233;u. Ali&#225;s, quando atualizamos o mist&#233;rio pascal, a Paix&#227;o, Morte e Ressurrei&#231;&#227;o do Senhor, o fazemos na Santa Missa, e missa, afinal, significa envio. Na Missa recebemos de Cristo o alimento para seguirmos firmes em nossa caminhada rumo ao C&#233;u.</p><p>Meus irm&#227;os, Cristo nos pede hoje para que nos lembremos que estamos aqui caminhando rumo ao C&#233;u, para a contempla&#231;&#227;o de sua gl&#243;ria. Percebam, ele conversa com Mois&#233;s e Elias sobre o seu &#234;xodo, sobre a caminhada rumo ao C&#233;u, enquanto manifesta a sua gl&#243;ria, porque &#233; sua gl&#243;ria que Ele nos deseja dar. Esse &#233; o sentido das nossas vidas, e &#233; o sentido da vida de todos os homens. Por isso Cristo diz, no final do Evangelho que seus disc&#237;pulos n&#227;o deveriam contar nada daquilo at&#233; que Ele tenha Ressuscitado, porque s&#243; depois da ressurrei&#231;&#227;o &#233; o momento do an&#250;ncio da Boa Nova. E esse an&#250;ncio &#233; nossa miss&#227;o.</p><p>N&#243;s devemos viver como quem caminha para o C&#233;u, sabendo desprezar tudo o que atrapalha e n&#227;o tem rela&#231;&#227;o com essa nossa caminhada. E, al&#233;m disso, fazer com que todos os que passarem por n&#243;s enxerguem que &#233; s&#243; em Deus que a vida se realiza em plenitude. A nossa vida, meus irm&#227;os, deve ser um constante apostolado.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://padretoninho.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Esta busca levou-me apenas &#224; dor, &#224; confus&#227;o e ao erro.&#8221;</p><p>H&#225;, no cora&#231;&#227;o do homem, um anseio que n&#227;o pode ser satisfeito sen&#227;o em Deus. O mesmo Santo Agostinho chama isso de inquietude. Uma inquietude que s&#243; passa quando o cora&#231;&#227;o repousa em Deus.</p><p>&#201; uma realidade um tanto simples de entender. Todos n&#243;s, aqui, desejamos ser felizes. Mas a felicidade que desejamos n&#227;o &#233; moment&#226;nea, &#233; constante e est&#225;vel. Todos n&#243;s queremos ser felizes e o queremos constantemente. Esse desejo de felicidade est&#225;vel &#233; o que corresponde &#224; nossa inclina&#231;&#227;o natural em dire&#231;&#227;o a Deus. &#201; a nossa inquietude.</p><p>No entanto, apesar de ser f&#225;cil de entender e ver isso na experi&#234;ncia, n&#227;o &#233; t&#227;o simples de unir-se a Deus de tal modo que essa inquietude cesse. Mas n&#227;o porque estar com Deus &#233; para poucos, uma realidade inacess&#237;vel para a maioria. Ao contr&#225;rio! Estar com Deus, nesse sentido, &#233; simples. Afinal, &#233; Ele quem bate &#224; porta. N&#243;s s&#243; precisamos abrir. Quem vem a n&#243;s &#233; Ele. O problema &#233; que existem alguns obst&#225;culos em n&#243;s, que s&#227;o as consequ&#234;ncias do pecado original.</p><p>Cada um de n&#243;s sofre com uma desordem interior que S&#227;o Paulo Ap&#243;stolo chama de &#8220;vontade da carne&#8221;. Enquanto o Esp&#237;rito quer as coisas sublimes, celestes, eternas, a carne quer o que &#233; passageiro, terrestre, perec&#237;vel. E essa dupla vontade que habita em nosso peito nos faz confundir o Verdadeiro Bem com os bens aparentes. Faz-nos confundir a felicidade eterna que nos &#233; dada por Deus com o prazer moment&#226;neo que o mundo nos oferece.</p><p>Um poeta latino chamado Sal&#250;stio diz o seguinte: &#8220;tenho por louco aquele que, durante uma viagem, perde-se de seu destino por estar deslumbrado com a beleza das paisagens&#8221;. Acontece que, com isso, Sal&#250;stio conseguiu descrever a experi&#234;ncia tida pela maioria, sen&#227;o por todos n&#243;s. N&#243;s nos perdemos constantemente de nosso destino eterno, perdemo-nos do caminho do C&#233;u porque ficamos deslumbrados com a beleza do mundo, com os prazeres do mundo e com as &#8220;verdades&#8221; que o mundo nos apresenta, da mesma forma como Santo Agostinho na cita&#231;&#227;o do in&#237;cio da homilia.</p><p>No entanto, meus caros irm&#227;os, n&#227;o &#233; s&#243; o mundo que nos ilude, temos um inimigo a nos rondar como um le&#227;o &#224; espreita de sua presa. O dem&#244;nio quer perder nossa alma. E o que ele ofereceu a Nosso Senhor no Evangelho de hoje, tamb&#233;m o oferece a n&#243;s.</p><p>O que lemos no Evangelho &#233; que o dem&#244;nio oferece a Cristo tr&#234;s coisas: o p&#227;o; a satisfa&#231;&#227;o do pr&#243;prio desejo em detrimento da vontade de Deus; e o poder.</p><p>Primeiro, o dem&#244;nio diz para Cristo que ordene que a pedra se transforme em p&#227;o.</p><p>Temos, aqui, uma imagem das inclina&#231;&#245;es mais baixas. Com essa tenta&#231;&#227;o, Nosso Senhor nos mostra que a carne nos inclina &#224; satisfa&#231;&#227;o de seus desejos: os prazeres da mesa. Os padres da Igreja nos ensinam que a gula &#233;, al&#233;m de um v&#237;cio capital, o princ&#237;pio de um outro v&#237;cio capital: a lux&#250;ria. E &#233; assim porque quem n&#227;o consegue controlar o que come e o quanto come, n&#227;o conseguir&#225; controlar os desejos de prazer ven&#233;reo.</p><p>Essas inclina&#231;&#245;es s&#227;o, sem d&#250;vida, experimentadas por todos n&#243;s. O fato &#233; que Cristo nos indica o caminho para venc&#234;-la: o jejum. O jejum &#233; um fort&#237;ssimo exerc&#237;cio de ascese. Por ele, tornamos a alma mais forte para caminhar em dire&#231;&#227;o aos bens eternos em detrimento dos bens temporais. E a resposta de Nosso Senhor prova isso: &#8220;n&#227;o s&#243; de p&#227;o vive o homem!&#8221; Ele diz isso para demonstrar que a Palavra de Deus &#233; superior ao p&#227;o. Pelo p&#227;o podemos nos afastar de Deus, mas com a Palavra de Deus alimentamo-nos para a vida eterna.</p><p>Em segundo lugar, o dem&#244;nio tenta Jesus dizendo a Ele que se jogue do pin&#225;culo do Templo e Deus enviaria seus anjos para o resgatarem. Jesus lhe responde &#8220;n&#227;o tentar&#225;s o Senhor teu Deus&#8221;. Com isso, Nosso Senhor nos mostra como vencer a tenta&#231;&#227;o de tornar Deus uma esp&#233;cie de gar&#231;om, algu&#233;m que est&#225; ali para atender &#224;s nossas demandas e desejos. O fato &#233; que n&#227;o deve ser assim. N&#243;s &#233; que precisamos fazer a vontade de Deus. E como vencer essa inclina&#231;&#227;o de querer tornar Deus nosso servo? Atrav&#233;s da ora&#231;&#227;o. A ora&#231;&#227;o coloca Deus no trono do nosso cora&#231;&#227;o. D&#225; a Ele o que &#233; Dele e tira de n&#243;s a impress&#227;o de sermos senhores de n&#243;s mesmos.</p><p>E por fim, o dem&#244;nio tenta Nosso Senhor com o desejo de poder. E como vencer o desejo de poder? Atrav&#233;s da esmola. A esmola &#233; um meio muito eficaz de abrir m&#227;o do poder. &#201; dar nas m&#227;os do outro e liberdade de escolha com rela&#231;&#227;o a algo que nos pertencia. Tiramos de n&#243;s o poder de escolha e damos a outro.</p><p>Notem que as tr&#234;s obras quaresmais est&#227;o aqui: jejum, esmola e ora&#231;&#227;o. &#201; assim que se vence as tenta&#231;&#245;es do dem&#244;nio; e &#233; assim que se vence a carne.</p><p>Nessa quaresma, seja fiel ao jejum para dominar sobre si mesmo e n&#227;o ser dominado por teus desejos; ore, porque como disse Nosso Senhor o esp&#237;rito est&#225; pronto, mas a carne &#233; fraca, e Deus precisa ser Senhor do nosso cora&#231;&#227;o; e d&#234; esmola, para crescer em humildade e amor ao pr&#243;ximo por amor a Deus.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://padretoninho.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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E Nosso Senhor o faz dando-nos algo mais s&#243;lido do que &#8220;a justi&#231;a dos mestres da lei e dos fariseus&#8221;, Cristo nos d&#225; o sentido profundo da moral crist&#227;.</p><p>Primeiro, vamos entender o que &#233; que Jesus est&#225; chamando de &#8220;justi&#231;a dos mestres da lei e dos fariseus&#8221;.</p><p>O conceito cl&#225;ssico de justi&#231;a &#233; &#8220;dar a cada um aquilo que &#233; seu&#8221;. Assim, aquela id&#233;ia de que tudo deve ser repartido por igual a todos para que haja justi&#231;a nunca foi e nunca ser&#225; justa. Igualitarismo &#233; diferente de justi&#231;a em conceito e, na vida concreta, n&#227;o &#233; menos diverso - ali&#225;s, na maioria das vezes o igualitarismo &#233; injusto e sua inten&#231;&#227;o &#233; intrinsecamente m&#225;.</p><p>Por exemplo, a id&#233;ia comunista de que tudo deve ser distribu&#237;do igualmente a todos &#233; intrinsecamente m&#225;, porque &#233; injusta.</p><p>Pense em duas jarras de tamanhos diferentes: ser&#225; imposs&#237;vel preench&#234;-las at&#233; a boca com a mesma quantidade de l&#237;quido. A capacidade de reter l&#237;quido &#233; diferente em cada uma delas. N&#227;o se pode dizer que &#233; justo encher uma enquanto a outra est&#225; pela metade.</p><p>Eis o verdadeiro sentido de justi&#231;a: dar a cada um aquilo que &#233; seu. &#201; justo, por exemplo, que um criminoso pague por seus crimes. Por&#233;m, &#233; injusto quando h&#225; dois pesos e duas medidas, ocasionado pelo fato de o ju&#237;z ser o criminoso e, por isso, utilizar-se de seu poder para condenar crimes alheios - ou inoc&#234;ncias alheias, o que &#233; pior - enquanto se inocenta dos seus pr&#243;prios crimes.</p><p>Pois bem, os fariseus, no entanto, n&#227;o eram comunistas, nem igualitaristas. Eles pareciam entender bem o conceito de justi&#231;a, ali&#225;s, tudo em sua religi&#227;o se baseava na Lei. O problema deles est&#225; na literalidade. N&#227;o importa o que possa estar por detr&#225;s do que se pede, n&#227;o importa a profundidade do significado das palavras de Deus na Lei, s&#243; o que importa &#233; a letra. Se foi dito, assim deve ser cumprido.</p><p>Assim, se Deus manda n&#227;o matar, n&#227;o matar&#227;o. No entanto, instigar&#227;o para que outros o fa&#231;am. Vejam o caso da condena&#231;&#227;o de Nosso Senhor &#224; Cruz: os mestres da Lei e sacerdotes n&#227;o matam Jesus, mas o levam a Pilatos para que este o fa&#231;a. Eles julgam Jesus na casa de Caif&#225;s, de l&#225;, levam-no a Pilatos, mas n&#227;o entram no Pret&#243;rio para n&#227;o se contaminarem e poderem comer a P&#225;scoa. Percebem? &#201; como se dissessem: &#8220;n&#227;o podemos contaminar-nos num ambiente pag&#227;o, mas &#233; nele que entregaremos Jesus &#224; morte&#8221;. Ao entregar o Senhor &#224; Pilatos escutam deste o seguinte: &#8220;tomai-o e julgai-o segundo a vossa lei&#8221;, e os judeus respondem: &#8220;n&#227;o nos &#233; permitido matar ningu&#233;m&#8221;. Hip&#243;critas!</p><p>Esta &#233; a justi&#231;a dos fariseus, a justi&#231;a da letra. Cristo, por outro lado, quer que seus disc&#237;pulos cumpram plenamente a Lei, n&#227;o somente sua letra, mas seu significado profundo. Por essa raz&#227;o, elenca uma s&#233;rie de mandamentos e os explica dizendo &#8220;ouvistes o que foi dito, eu por&#233;m vos digo&#8221;, a fim de mostrar que h&#225; muito mais num mandamento como &#8220;n&#227;o matar&#8221; do que a simples proibi&#231;&#227;o do assassinato.</p><p>Quando as a&#231;&#245;es, e somente elas, s&#227;o ordenadas, isso &#233; sinal de que estamos vivendo, ainda, como animais. Os animais seguem certa ordem em suas a&#231;&#245;es depois de passarem por um adestramento. Eles n&#227;o fazem o que fazem porque t&#234;m for&#231;a de vontade, porque compreenderam a raiz profunda de seus atos, porque s&#227;o, em uma palavra, virtuosos. Antes, o fazem porque h&#225; uma for&#231;a fora deles que os obriga a agir daquela forma. Seus impulsos s&#227;o reprimidos, apenas, n&#227;o formados. N&#227;o devemos viver assim, meus irm&#227;os! N&#227;o se pode vir &#224; Igreja aos domingos porque &#233; uma obriga&#231;&#227;o moral com Deus, mas porque amamos a Deus; n&#227;o devemos, tampouco, fazer disso uma esp&#233;cie de teatro, onde a boa apar&#234;ncia da religiosidade se faz manifestar aos outros, mas as pessoas pr&#243;ximas sabem o qu&#227;o maledicente, o qu&#227;o fofoqueiro, o qu&#227;o anticrist&#227;o, entre outras coisas piores, se &#233;. Cristo nos ensina a forma&#231;&#227;o do cora&#231;&#227;o, a ordena&#231;&#227;o do mundo interior. O que acontece por meio da aquisi&#231;&#227;o de virtudes. Sendo a virtude, um princ&#237;pio de colabora&#231;&#227;o com a a&#231;&#227;o da Gra&#231;a. Ordenamos o cora&#231;&#227;o segundo o que nos &#233; poss&#237;vel por meio das virtudes, como que mostrando a Deus que desejamos ser bons, abrindo espa&#231;o para que sua Gra&#231;a aja de maneira plena.</p><p>Isso fica perfeitamente claro quando Cristo diz que &#8220;todo aquele que olhar para uma mulher, com o desejo de possu&#237;-la, j&#225; cometeu adult&#233;rio com ela em seu cora&#231;&#227;o&#8221;. O cora&#231;&#227;o &#233; o lugar onde se origina o pecado, de tal modo que a moral crist&#227; &#233; uma moral do cora&#231;&#227;o, ou seja, deseja colocar em ordem o interior do homem, n&#227;o somente suas a&#231;&#245;es. Quer ordenar suas a&#231;&#245;es por meio da ordena&#231;&#227;o do cora&#231;&#227;o.</p><p>Eis o sentido profundo da moral crist&#227;, a conforma&#231;&#227;o do cora&#231;&#227;o com a Palavra e a Lei de Deus.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://padretoninho.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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