<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Ponto de Encontro]]></title><description><![CDATA[Reflexões e discussões acerca de questões sociais, econômicas e políticas.]]></description><link>https://revistapontodeencontro.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!M16q!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8494ac07-e934-4d40-8eb4-40a984493cbe_1254x1254.png</url><title>Ponto de Encontro</title><link>https://revistapontodeencontro.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Fri, 04 Sep 2026 17:27:48 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/revistapontodeencontro.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Ponto de Encontro]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[revistapontodeencontro@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[revistapontodeencontro@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Ponto de Encontro]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Ponto de Encontro]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[revistapontodeencontro@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[revistapontodeencontro@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Ponto de Encontro]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[Candidatura de Flávio e a "moderação" do clã Bolsonaro]]></title><description><![CDATA[Entre discursos raivosos e convidados mais que pol&#234;micos, candidatura revela que "vers&#227;o moderada" da fam&#237;lia Bolsonaro n&#227;o passa de fic&#231;&#227;o.]]></description><link>https://revistapontodeencontro.substack.com/p/candidatura-de-flavio-e-a-moderacao</link><guid isPermaLink="false">https://revistapontodeencontro.substack.com/p/candidatura-de-flavio-e-a-moderacao</guid><dc:creator><![CDATA[Ponto de Encontro]]></dc:creator><pubDate>Mon, 27 Jul 2026 15:34:49 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/72c3a688-0602-41e6-adba-33f80deea15e_1448x1086.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O Partido Liberal (PL) lan&#231;ou oficialmente a candidatura do Senador Fl&#225;vio Bolsonaro para a disputa presidencial e, apesar de o filho mais velho do ex-presidente j&#225; ter se apresentado como o &#8220;Bolsonaro moderado&#8221;, a Conven&#231;&#227;o Nacional do PL (evento em que ocorreu o lan&#231;amento) trouxe a certeza de que as elei&#231;&#245;es de 2026 prometem ser t&#227;o insanas - em todos os sentidos poss&#237;veis da palavra - quanto as de 2018 e 2022. </p><p style="text-align: justify;">Ao canto de &#8220;Hola a todos, yo soy el le&#243;n&#8221;, Javier Milei, atual presidente da Argentina, chegou ao evento de modo descontra&#237;do e demonstrando bastante confian&#231;a para algu&#233;m que enfrenta uma desaprova&#231;&#227;o de mais de 60% da popula&#231;&#227;o, reflexo da pol&#237;tica econ&#244;mica adotada e das den&#250;ncias de corrup&#231;&#227;o enfrentadas pelo seu governo, que chegam a envolver at&#233; familiares do alto mandat&#225;rio. Em seu discurso, marcado por um forte sentimento de revolta pelo fato de seu amigo e aliado Jair Bolsonaro estar sendo v&#237;tima de &#8220;injusti&#231;as&#8221;, Milei se referiu ao ministro Alexandre de Moraes como &#8220;lixo careca&#8221;, arrancando risos de presentes na cerim&#244;nia e escancarando que ataques a quem se op&#245;e aos interesses do candidato e seus aliados devem se manter comuns.</p><p style="text-align: justify;">Direto do Oriente M&#233;dio, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, enviou um v&#237;deo &#8220;surpresa&#8221; de apoio &#224; candidatura do senador e desejou sucesso na disputa. Paralelamente a isso, as disputas que o l&#237;der israelense enfrenta s&#227;o na esfera judicial nacional e internacional: em Israel, Netanyahu &#233; acusado de corrup&#231;&#227;o, e no Tribunal Penal Internacional o premi&#234; possui mandado de pris&#227;o por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, cometidos no conflito na Palestina. </p><p style="text-align: justify;">Seu aliado mais influente, Donald Trump, n&#227;o participou da Conven&#231;&#227;o. A aus&#234;ncia, por um lado, acaba sendo positiva para a candidatura do PL, j&#225; que poupou Fl&#225;vio de dividir o palanque com o respons&#225;vel por estabelecer novas tarifas de 12,5% aos produtos brasileiros (que se somam &#224;s tarifas de 25% estabelecidas tamb&#233;m no m&#234;s de julho). </p><p style="text-align: justify;">Para al&#233;m da demonstra&#231;&#227;o de apoio internacional, o evento foi marcado por discursos em defesa da liberdade, de maiores puni&#231;&#245;es para crimes e da redu&#231;&#227;o de impostos, bem como por ataques ao presidente Lula e ao Supremo Tribunal Federal (STF), como era esperado. Ademais, na tentativa de melhorar sua imagem ap&#243;s a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro t&#234;-lo acusado de &#8220;maltrat&#225;-la&#8221; e do surgimento de rumores na imprensa de que existem imagens em festas do banqueiro preso Daniel Vorcaro que podem afetar seu casamento, Fl&#225;vio Bolsonaro passou a buscar a realiza&#231;&#227;o de uma campanha mais ligada &#224;s mulheres, com a presen&#231;a cada vez maior de sua esposa e demonstrando publicamente seu interesse em ter uma mulher na vice-presid&#234;ncia.</p><p style="text-align: justify;">Diante disso tudo, fica evidente que os passos de Jair Bolsonaro s&#227;o seguidos minuciosamente pelo filho que se apresenta como o membro moderado da fam&#237;lia. Pol&#234;micas, acusa&#231;&#245;es de corrup&#231;&#227;o, alian&#231;as com figuras controversas, embates com a popula&#231;&#227;o feminina e tentativas coordenadas de limpeza de imagem s&#227;o algumas das caracter&#237;sticas compartilhadas por pai e filho. Em vista disso, a d&#250;vida que surge &#233;: se esse &#233; o moderado, quem &#233; o extremista?</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A financeirização do futebol e os desafios sociais da era dos jogos de aposta]]></title><description><![CDATA[Uma an&#225;lise cr&#237;tica sobre a mercantiliza&#231;&#227;o da torcida, os riscos &#224; integridade da competi&#231;&#227;o e do or&#231;amento familiar.]]></description><link>https://revistapontodeencontro.substack.com/p/a-financeirizacao-do-futebol-e-os</link><guid isPermaLink="false">https://revistapontodeencontro.substack.com/p/a-financeirizacao-do-futebol-e-os</guid><dc:creator><![CDATA[Ponto de Encontro]]></dc:creator><pubDate>Mon, 20 Jul 2026 23:00:45 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/8acde99e-bf8a-40f3-b018-7e57b105c719_1200x896.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A avalanche das apostas virtuais no cen&#225;rio esportivo brasileiro transformou profundamente a rela&#231;&#227;o da sociedade com as competi&#231;&#245;es, convertendo o futebol, historicamente um elemento de forte identidade e paix&#227;o cultural, em um mercado de risco puramente financeiro. Se, por um lado, a entrada massiva dessas empresas injetou recursos financeiros sem precedentes nos clubes, por outro, essa depend&#234;ncia econ&#244;mica transformou a din&#226;mica esportiva ao direcion&#225;-la a uma mercantiliza&#231;&#227;o constante. Como consequ&#234;ncia, o torcedor, muitas vezes seduzido por promessas de ganhos r&#225;pidos baseadas em algoritmos de engajamento, passou a agir como um especulador de lances, esvaziando o sentido tradicional da torcida em prol de uma fria an&#225;lise de probabilidade.</p><p style="text-align: justify;">O maior perigo dessa realidade reside na amea&#231;a direta &#224; integridade e &#224; imprevisibilidade que sustentam o interesse pelo esporte. Isso ocorre porque, quando a&#231;&#245;es controladas por indiv&#237;duos tornam-se ativos financeiros, cria-se uma vulnerabilidade &#224; manipula&#231;&#227;o de resultados por meio de redes de aliciamento. </p><p style="text-align: justify;">Esse risco ficou n&#237;tido no cen&#225;rio nacional quando um importante atacante do Flamengo enfrentou investiga&#231;&#245;es e san&#231;&#245;es desportivas ap&#243;s suspeitas de ter for&#231;ado intencionalmente uma puni&#231;&#227;o em campo para favorecer lucros em plataformas de apostas. Esse epis&#243;dio exp&#244;s que nem mesmo o topo do futebol profissional est&#225; imune a esquemas de manipula&#231;&#227;o, acendendo, assim, um alerta urgente sobre o n&#237;vel de exposi&#231;&#227;o e a fragilidade &#233;tica das competi&#231;&#245;es face aos interesses financeiros que as cercam.</p><p style="text-align: justify;">Diante dos impactos vis&#237;veis no endividamento das fam&#237;lias e do crescimento de problemas associados ao v&#237;cio em jogos, o poder p&#250;blico precisou intervir para frear os excessos comerciais do setor. Essa rea&#231;&#227;o se consolidou por meio de uma severa reestrutura&#231;&#227;o nas diretrizes de publicidade e propaganda das plataformas de apostas (Bets). As novas regras federais impuseram limites severos ao marketing agressivo que dominava o hor&#225;rio nobre e os meios digitais, proibindo de forma categ&#243;rica que os an&#250;ncios associem as apostas a uma forma de investimento, renda est&#225;vel ou ascens&#227;o social. Adicionalmente, as empresas passaram a ser obrigadas a adotar cl&#225;usulas de responsabilidade social, incluindo advert&#234;ncias expl&#237;citas sobre os riscos reais de perda financeira e restri&#231;&#245;es r&#237;gidas para proteger o p&#250;blico menor de idade.</p><p style="text-align: justify;">Paralelamente, o esporte precisa se proteger da armadilha da monocultura econ&#244;mica. Ao atrelar sua subsist&#234;ncia e receitas de patroc&#237;nio master quase exclusivamente &#224;s casas de apostas, os clubes criam uma depend&#234;ncia de alto risco sist&#234;mico, ficando expostos a eventuais bolhas financeiras ou san&#231;&#245;es jur&#237;dicas que possam colapsar o setor. Na ponta final, a prote&#231;&#227;o ao consumidor exige que a mesma tecnologia de intelig&#234;ncia artificial usada para reter o usu&#225;rio por meio de gatilhos psicol&#243;gicos seja aplicada para proteg&#234;-lo. Desse modo, tornam-se compuls&#243;rias as travas de perda di&#225;ria financeira, os sistemas de autoexclus&#227;o unificados em &#226;mbito nacional e o bloqueio algor&#237;tmico preventivo de comportamentos patol&#243;gicos que sinalizem a ru&#237;na financeira do usu&#225;rio.</p><p style="text-align: justify;">Essa interven&#231;&#227;o governamental reflete o entendimento de que a sustentabilidade econ&#244;mica do esporte n&#227;o pode prosperar &#224;s custas do comprometimento da sa&#250;de mental coletiva e da credibilidade das pr&#243;prias institui&#231;&#245;es esportivas. O sucesso dessa nova regulamenta&#231;&#227;o ser&#225; medido, portanto, pela capacidade efetiva de fiscaliza&#231;&#227;o do Estado para blindar o or&#231;amento das fam&#237;lias contra o superendividamento decorrente das apostas online.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Como o Instagram passou a reorganizar nossas percepções políticas? ]]></title><description><![CDATA[H&#225; algum tempo, acompanhar o debate p&#250;blico significava, ao menos em parte, compartilhar um mesmo repert&#243;rio de informa&#231;&#245;es.]]></description><link>https://revistapontodeencontro.substack.com/p/como-o-instagram-passou-a-reorganizar</link><guid isPermaLink="false">https://revistapontodeencontro.substack.com/p/como-o-instagram-passou-a-reorganizar</guid><dc:creator><![CDATA[Ponto de Encontro]]></dc:creator><pubDate>Mon, 13 Jul 2026 19:15:31 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/e5635ac0-e59a-46c7-8182-8915f425e19f_1600x800.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>H&#225; algum tempo, acompanhar o debate p&#250;blico significava, ao menos em parte, compartilhar um mesmo repert&#243;rio de informa&#231;&#245;es. A televis&#227;o, os jornais e o r&#225;dio concentravam a aten&#231;&#227;o coletiva e organizavam uma esp&#233;cie de espa&#231;o comum, ainda que marcado por disputas de narrativas, e tamb&#233;m de pautas. Hoje, essa experi&#234;ncia parece cada vez mais distante, a pol&#237;tica continua sendo discutida em p&#250;blico, mas o p&#250;blico j&#225; n&#227;o ocupa exatamente o mesmo lugar.</p><p>As redes sociais passaram a organizar boa parte da circula&#231;&#227;o de informa&#231;&#245;es, consequentemente do foco do debate p&#250;blico, mas isso n&#227;o se trata apenas de uma mudan&#231;a tecnol&#243;gica. No s&#233;culo XX, com a inser&#231;&#227;o da televis&#227;o, houve uma transforma&#231;&#227;o nos meios de comunica&#231;&#227;o,  que o cientista pol&#237;tico norte-americano,  Robert Putnam relaciona com o enfraquecimento da vida comunit&#225;ria. Sua tese parte da ideia de que a ascens&#227;o da televis&#227;o substituiu formas de lazer coletivas e de conviv&#234;ncia social para um consumo individual e passivo,  as plataformas digitais alteraram ainda mais profundamente a forma como as pessoas se relacionam entre si e com o mundo. A diferen&#231;a &#233; que, desta vez, a media&#231;&#227;o n&#227;o acontece apenas pela transmiss&#227;o da informa&#231;&#227;o, mas tamb&#233;m pela sele&#231;&#227;o dela,  na qual at&#233; o conte&#250;do consumido passa por esferas de prefer&#234;ncia. </p><p>Cada curtida, compartilhamento ou segundo gasto diante de uma publica&#231;&#227;o alimenta sistemas de recomenda&#231;&#227;o que aprendem continuamente sobre seus usu&#225;rios. Esses algoritmos, frequentemente associados a t&#233;cnicas de intelig&#234;ncia artificial, determinam quais conte&#250;dos ganham visibilidade e quais permanecem invis&#237;veis. O Instagram, por exemplo, n&#227;o funciona apenas como um espa&#231;o onde circulam informa&#231;&#245;es; ele organiza essa circula&#231;&#227;o de acordo com padr&#245;es de comportamento previamente identificados.</p><p>O efeito dessa l&#243;gica &#233; a cria&#231;&#227;o de ambientes informacionais cada vez mais personalizados, o que transforma o ambiente digital em um espa&#231;o preenchido por experi&#234;ncias particulares da realidade, nas quais os indiv&#237;duos tendem a encontrar conte&#250;dos compat&#237;veis com suas prefer&#234;ncias e formas de intera&#231;&#227;o. Nesse contexto, as redes se tornam capazes de reduzir o contato com perspectivas divergentes e de refor&#231;ar interpreta&#231;&#245;es j&#225; existentes sobre o mundo social e pol&#237;tico.</p><p>Essa transforma&#231;&#227;o coloca em quest&#227;o uma das condi&#231;&#245;es fundamentais da democracia. Para J&#252;rgen Habermas, a esfera p&#250;blica depende da exist&#234;ncia de espa&#231;os onde diferentes indiv&#237;duos possam confrontar argumentos, reconhecer a legitimidade do outro e construir consensos sempre provis&#243;rios. A democracia n&#227;o se sustenta apenas pela livre circula&#231;&#227;o de informa&#231;&#245;es, mas pela possibilidade de que essas informa&#231;&#245;es circulem em um ambiente marcado pela pluralidade e pelo di&#225;logo consciente e produtivo, o que, para o autor, corresponde ao chamado&#8220;agir comunicativo&#8221;.</p><p>As plataformas digitais, entretanto, obedecem a uma racionalidade distinta, na qual a velocidade da circula&#231;&#227;o, o esvaziamento do di&#225;logo e as m&#233;tricas de engajamento e de algoritmos passam a orientar aquilo que se torna vis&#237;vel. Quando a media&#231;&#227;o algor&#237;tmica organiza a experi&#234;ncia informacional, tamb&#233;m reorganiza as condi&#231;&#245;es do debate p&#250;blico. Aos poucos, o espa&#231;o compartilhado da discuss&#227;o pol&#237;tica pode dar lugar a bolhas informacionais relativamente fechadas, onde determinadas vis&#245;es de mundo encontram poucas oportunidades de serem questionadas.</p><p>Esse processo se faz n&#237;tido ao pensarmos na intensifica&#231;&#227;o da polariza&#231;&#227;o pol&#237;tica, na radicaliza&#231;&#227;o dos discursos e na crescente dificuldade de constru&#231;&#227;o de refer&#234;ncias comuns para o di&#225;logo democr&#225;tico. Embora esses fen&#244;menos n&#227;o possam ser explicados exclusivamente pelas redes sociais, elas ocupam hoje uma posi&#231;&#227;o central na maneira como a informa&#231;&#227;o circula e como diferentes grupos passam a interpretar a realidade.</p><p>Em uma sociedade mediada por algoritmos, talvez a principal quest&#227;o j&#225; n&#227;o seja quem fala mais alto, mas quem decide o que cada um pode ouvir.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Questão Palestina e o conceito de Alteridade]]></title><description><![CDATA[Ra&#237;zes hist&#243;ricas e a constru&#231;&#227;o da distin&#231;&#227;o entre &#8220;n&#243;s&#8221; e o &#8220;outro&#8221; como justificativa da viol&#234;ncia]]></description><link>https://revistapontodeencontro.substack.com/p/a-questao-palestina-e-o-conceito</link><guid isPermaLink="false">https://revistapontodeencontro.substack.com/p/a-questao-palestina-e-o-conceito</guid><dc:creator><![CDATA[Ponto de Encontro]]></dc:creator><pubDate>Mon, 06 Jul 2026 21:06:50 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b78d78e7-e3c3-4dcc-9f51-8b7734688a22_1730x909.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>A guerra &#225;rabe-israelense voltou a estar no centro dos olhares mundiais em 7 de outubro de 2023, quando o grupo armado Hamas promoveu uma ofensiva em Israel que resultou na morte de aproximadamente 1.200 civis e militares, al&#233;m de sequestro de cerca de 250 ref&#233;ns. Entretanto, o conflito n&#227;o teve sua origem nesse evento, e &#233; caracterizado como o mais antigo e permanente problema pol&#237;tico do Oriente M&#233;dio.</p><p>Ap&#243;s o fim da Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido e a comunidade internacional permitiram uma intensa migra&#231;&#227;o de judeus refugiados para o territ&#243;rio palestino, local j&#225; previamente habitado por &#225;rabes-mu&#231;ulmanos. O movimento migrat&#243;rio gerou conflitos e uma rebeli&#227;o generalizada da popula&#231;&#227;o, o que fez com que o ex&#233;rcito brit&#226;nico entregasse o caso &#224; Assembleia Geral da ONU que, em 1947, realizou a partilha territorial da Palestina. A divis&#227;o da terra, al&#233;m de ter sido feita sem a consulta do povo oriundo, cedeu 56,5% do territ&#243;rio aos judeus, que na &#233;poca representavam apenas 30% da popula&#231;&#227;o da Palestina.</p><p>Em 1948 os judeus fundaram o Estado de Israel e, com aux&#237;lio da riqueza proveniente da Comunidade Sionista Internacional, ocuparam grande parte dos territ&#243;rios palestinos, ficando de fora do controle israelense apenas a Faixa de Gaza e a Cisjord&#226;nia. Durante as seguintes d&#233;cadas, in&#250;meros conflitos foram tra&#231;ados na regi&#227;o, com vit&#243;rias econ&#244;micas e militares de Israel, tais como Guerra dos 6 dias e a Guerra de Yom Kippur.</p><p>Atualmente, Israel &#233; caracterizado como uma pot&#234;ncia militar que, dotada de enorme financiamento proveniente dos Estados Unidos, exerce um bloqueio pol&#237;tico e econ&#244;mico sobre o povo palestino e controla o fluxo de pessoas e a entrada de mercadorias na regi&#227;o. A justificativa utilizada para a manuten&#231;&#227;o desse controle &#233; frequentemente a busca pelo enfraquecimento do Hamas, entretanto, tais medidas, combinadas com os frequentes bombardeios militares, contribu&#237;ram para o enfraquecimento dos palestinos como um todo, hoje caracterizados como um povo extremamente empobrecido e com quase metade de sua popula&#231;&#227;o composta por menores de idade.</p><p>Os ataques israelenses posteriores ao conflito de 2023 j&#225; somam cerca de 73 mil mortes palestinas, sendo 21.730 crian&#231;as, segundo o Minist&#233;rio da Sa&#250;de de Gaza. Apesar da justificativa oficial das For&#231;as Armadas ser o controle e o combate ao terrorismo, &#233; n&#237;tido que as ofensivas afetam por sua maioria inocentes. Na m&#237;dia, s&#227;o recorrentes as den&#250;ncias sobre crimes de guerra, tortura e viol&#234;ncia sexual envolvendo o ex&#233;rcito israelense, al&#233;m do bombardeio de escolas e hospitais.  Fotos de beb&#234;s e crian&#231;as palestinas assassinados ou mutilados rodam o mundo, e surge a d&#250;vida se o objetivo final de Israel &#233; o exterm&#237;nio de um povo.</p><p>Um dos conceitos sociol&#243;gicos que ajuda a explicar essa brutalidade chama-se &#8220;othering&#8221; frequentemente associado aos estudos sobre alteridade . O conceito descreve situa&#231;&#245;es em que um grupo dominante constr&#243;i e classifica o outro, com base na estigmatiza&#231;&#227;o da diferen&#231;a. Assim, os indiv&#237;duos s&#227;o divididos em dois grupos hier&#225;rquicos, &#8220;n&#243;s&#8221;, ou seja, aqueles portadores de caracter&#237;sticas desej&#225;veis,  contra &#8220;eles&#8221;, uma massa inferior, com aus&#234;ncia de diversidade interna.</p><p>No caso do conflito &#225;rabe-israelense, a constru&#231;&#227;o da distin&#231;&#227;o assume fundamentos religiosos. Na tradi&#231;&#227;o judaica, a Palestina configura-se como a terra prometida, sendo o povo judeu predestinado a sua habita&#231;&#227;o, com a presen&#231;a de passagens b&#237;blicas ordenando a expuls&#227;o de &#8220;intrusos&#8221; do territ&#243;rio sagrado. O sionismo surge, no final do s&#233;culo 19, como movimento nacionalista que se apropria de uma interpreta&#231;&#227;o da base religiosa para defender a cria&#231;&#227;o de um Estado judaico nacional e soberano na regi&#227;o da Palestina.</p><p>Parte da popula&#231;&#227;o e do Estado israelense, adeptos ao sionismo, utilizam-se desse argumento para justificar a expuls&#227;o do povo palestino e legitimar interesses de poder geopol&#237;ticos e econ&#244;micos provenientes da conquista territorial. Dentro dessa ret&#243;rica, os palestinos assumem o lugar do &#8220;outro&#8221;, uma vez que n&#227;o fazem parte do povo escolhido e possuem cultura infame por seguirem diferentes interpreta&#231;&#245;es religiosas, apesar de adorarem o mesmo Deus.</p><p>Uma das recentes manifesta&#231;&#245;es desse movimento de distin&#231;&#227;o encontra-se na fala de Yoav Gallant, ex-ministro da defesa de Israel que, ap&#243;s realizar um corte de alimentos, &#225;gua e eletricidade em toda a Faixa de Gaza, afirmou: &#8220;Estamos lutando contra animais humanos e agiremos de acordo.&#8221;.</p><p>Nessa ret&#243;rica, as a&#231;&#245;es violentas desempenhadas pelo ex&#233;rcito israelense n&#227;o se sustentam apenas pela superioridade militar ou por interesses geopol&#237;ticos, mas tamb&#233;m pela constru&#231;&#227;o de um inimigo desumanizado e subalterno. Assim, a brutalidade n&#227;o mais choca ou desperta empatia, visto que est&#225; sendo cometida contra o &#8220;outro&#8221;, grupo homog&#234;neo e com aus&#234;ncia de distin&#231;&#227;o clara entre terroristas e civis.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Futebol. Política. Histórias. A Copa do Mundo.]]></title><description><![CDATA[O futebol e a pol&#237;tica podem se misturar, ou at&#233; se tornar uma coisa s&#243;. A B&#243;snia e Herzegovina est&#225; em campo para provar.]]></description><link>https://revistapontodeencontro.substack.com/p/futebol-politica-historias-a-copa</link><guid isPermaLink="false">https://revistapontodeencontro.substack.com/p/futebol-politica-historias-a-copa</guid><dc:creator><![CDATA[Ponto de Encontro]]></dc:creator><pubDate>Mon, 29 Jun 2026 13:31:41 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/7da1ba9e-8c83-4c0a-80f3-a3f7f7885bf8_1484x1060.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">&#201; comum escutar que o futebol e a pol&#237;tica n&#227;o devem se misturar, mas a Copa do Mundo, maior evento esportivo do planeta, &#233; a prova de que os dois, muitas vezes, s&#227;o t&#227;o interligados que passam a ser partes constituintes um do outro. E essa liga&#231;&#227;o, como &#233; comum pensar, n&#227;o est&#225; exclusivamente nos bastidores das partidas, ela est&#225; - literalmente - em campo.</p><p style="text-align: justify;">A competi&#231;&#227;o, sediada nos Estados Unidos da Am&#233;rica, M&#233;xico e Canad&#225;, foi motivo de debates devido a atitudes governamentais estadunidenses que n&#227;o costumam ser esperadas de pa&#237;ses-sede de torneios mundiais: torcedores senegaleses, marfinenses, haitianos e iranianos foram impedidos de adentrar o pa&#237;s para acompanhar suas respectivas sele&#231;&#245;es; o &#225;rbitro somali Omar Abdulkadir Artan, eleito melhor &#225;rbitro do continente africano, n&#227;o p&#244;de atuar na Copa ap&#243;s ser deportado por &#8220;liga&#231;&#245;es com terroristas&#8221;; e a sele&#231;&#227;o do Ir&#227; foi alvo de restri&#231;&#245;es em seu planejamento pr&#233;-partida e precisou seguir roteiros mais desgastantes, como viajar do M&#233;xico aos EUA nos dias dos jogos por n&#227;o poder ficar hospedada em solo estadunidense.</p><p style="text-align: justify;">O fato &#233; que, para quem acompanha minimamente o futebol ou outros esportes, &#233; f&#225;cil perceber que a conduta adotada pelo governo americano impacta direta ou indiretamente no que acontece nas partidas. Por&#233;m, pessoas mais resistentes poderiam dizer que isso &#233; algo moment&#226;neo, exclusivo dessa Copa do Mundo e que n&#227;o &#233; o suficiente para sustentar a tese de que o futebol e a pol&#237;tica s&#227;o, muitas vezes, uma coisa s&#243;. E &#233; a&#237; que entra o que geralmente passa despercebido pelo p&#250;blico: as sele&#231;&#245;es s&#227;o fruto de quest&#245;es pol&#237;ticas de suas respectivas na&#231;&#245;es.</p><p style="text-align: justify;">A sele&#231;&#227;o da B&#243;snia e Herzegovina &#233; um dos maiores exemplos de como essa rela&#231;&#227;o pode estar t&#227;o intimamente ligada. Dentre os pa&#237;ses que est&#227;o disputando o torneio, a B&#243;snia &#233; um dos que se tornaram independentes mais tardiamente, mas n&#227;o s&#243; isso, ela &#233; tamb&#233;m uma das na&#231;&#245;es que carregam mais horrores recentes.</p><p style="text-align: justify;">Localizada nos B&#225;lc&#227;s, a B&#243;snia fez parte da antiga Iugosl&#225;via e seu processo de independ&#234;ncia foi marcado por uma longa e sangrenta guerra, ocorrida entre 1992 e 1995, que mostrou ao mundo as barb&#225;ries que podem ser cometidas em conflitos &#233;tnicos. O confronto foi protagonizado por bosn&#237;acos, s&#233;rvios e croatas, que s&#227;o as tr&#234;s principais etnias do pa&#237;s - suas popula&#231;&#245;es s&#227;o, em sua maioria, compostas por mu&#231;ulmanos, crist&#227;os ortodoxos e cat&#243;licos, respectivamente. </p><p style="text-align: justify;">A guerra foi caracterizada por tentativas de limpeza &#233;tnica que resultaram numa grande di&#225;spora de fugidos do conflito, e &#233; poss&#237;vel observ&#225;-la na sele&#231;&#227;o: Esmir Bajraktarevi&#263;, uma das jovens promessas da equipe, nasceu nos EUA - assim como ele, outros 16 atletas b&#243;snios s&#227;o nascidos fora do pa&#237;s - e chegou a defender as cores americanas nas categorias de base, mas optou por representar a sele&#231;&#227;o b&#243;snia, pa&#237;s de origem de seus pais que, fugindo do Genoc&#237;dio de Srebrenica, migraram para o continente americano.</p><p style="text-align: justify;">O plantel &#233; composto por v&#225;rias hist&#243;rias semelhantes &#224; de Bajraktarevi&#263;, mas h&#225; tamb&#233;m aquelas que conseguem ser ainda mais dram&#225;ticas: Edin D&#382;eko, maior &#237;dolo da sele&#231;&#227;o, &#233; um dos sobreviventes do Cerco de Sarajevo. O evento &#233; conhecido por ser o cerco com a dura&#231;&#227;o mais longa da hist&#243;ria moderna (1.425 dias) e resultou na morte de mais de 11 mil pessoas. Mas nem a presen&#231;a de atiradores de elite ao redor da cidade impediu que D&#382;eko levasse a B&#243;snia e Herzegovina para a Copa do Mundo. Duas vezes.</p><p style="text-align: justify;">Um pa&#237;s repleto de mem&#243;rias tristes e conflituosas que permanecem vivas nas opini&#245;es de boa parte da popula&#231;&#227;o deveria - pensando de maneira l&#243;gica - ter em sua sele&#231;&#227;o um elenco que representasse aquilo que a na&#231;&#227;o mostrou ao mundo. Todavia, o que &#233; visto na equipe que - at&#233; o momento - chegou aos 16 avos de final da Copa &#233; um grupo etnicamente diverso com bosn&#237;acos, s&#233;rvios e croatas representando com orgulho a mesma bandeira, que curiosamente foi desenhada para n&#227;o representar nenhum deles.</p><p style="text-align: justify;">E &#233; aqui que o futebol e a pol&#237;tica se tornam uma coisa s&#243;. Os b&#243;snios que correm e chutam a bola em dire&#231;&#227;o ao gol s&#227;o s&#237;mbolos vivos da luta de um pa&#237;s que engatinha rumo &#224; harmonia entre aqueles que, acima de tudo, s&#227;o do mesmo lugar: a B&#243;snia e Herzegovina.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Copa como espaço de centralização do poder político]]></title><description><![CDATA[Submiss&#227;o da Federa&#231;&#227;o Internacional de Futebol (FIFA) e o palanque para Donald Trump]]></description><link>https://revistapontodeencontro.substack.com/p/a-copa-como-espaco-de-centralizacao</link><guid isPermaLink="false">https://revistapontodeencontro.substack.com/p/a-copa-como-espaco-de-centralizacao</guid><dc:creator><![CDATA[Ponto de Encontro]]></dc:creator><pubDate>Mon, 22 Jun 2026 23:08:20 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/d1e99691-c8be-4023-a634-f45b9e547cd0_1014x850.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">A Copa do Mundo de 2026, iniciada no dia 11 de junho no M&#233;xico, &#233; a primeira edi&#231;&#227;o da hist&#243;ria a contar com tr&#234;s pa&#237;ses sede, propiciada a partir de uma candidatura conjunta firmada em 2018 por M&#233;xico, Canad&#225; e Estados Unidos (EUA). O que n&#227;o se previa, contudo, eram as recentes a&#231;&#245;es pol&#237;ticas de car&#225;ter intervencionista do presidente norte-americano, que amea&#231;ou anexar o Canad&#225; ao territ&#243;rio dos EUA e pressionou o M&#233;xico para atuar diretamente no combate aos cart&#233;is locais.</p><p style="text-align: justify;">Apesar da divis&#227;o tripartite, a centraliza&#231;&#227;o do Mundial acontece principalmente nos EUA que recebe 78 dos 104 jogos da competi&#231;&#227;o. Al&#233;m disso, observa-se uma forte centraliza&#231;&#227;o de poder pol&#237;tico por parte do presidente Donald Trump diante do &#8220;padr&#227;o FIFA&#8221;. Isso se reflete no descumprimento de exig&#234;ncias estabelecidas para sediar os eventos da Federa&#231;&#227;o, visando garantir a qualidade das partidas e a seguran&#231;a de atletas e espectadores.</p><p style="text-align: justify;">Com poucos dias de evento, a submiss&#227;o da FIFA perante Donald Trump tornou-se evidente. Na&#231;&#245;es e at&#233; delega&#231;&#245;es inteiras foram impedidas de circular livremente devido &#224; recusa de vistos. A sele&#231;&#227;o do Ir&#227;, por exemplo, precisou se hospedar no M&#233;xico e se deslocar para os EUA apenas nos dias de jogos, e houve epis&#243;dios de &#225;rbitros barrados por autoridades de imigra&#231;&#227;o norte-americanas.</p><p style="text-align: justify;">Essa forte influ&#234;ncia pol&#237;tica j&#225; se manifestava antes mesmo do in&#237;cio da Copa do Mundo de 2026. Em 5 de dezembro de 2025, a cerim&#244;nia de sorteio da fase de grupos ocorreu em Washington &#224; pedido do presidente dos EUA, Donald Trump, embora a previs&#227;o inicial fosse realizar o evento em Las Vegas, como na Copa de 1994.</p><p style="text-align: justify;">Durante a cerim&#244;nia, a FIFA realizou a primeira edi&#231;&#227;o do Pr&#234;mio da Paz FIFA - O Futebol Une o Mundo, criado com o prop&#243;sito de condecorar indiv&#237;duos, segundo a Federa&#231;&#227;o, por &#8220;medidas excepcionais e extraordin&#225;rias pela paz e, ao faz&#234;-lo, unido pessoas em todo o Mundo&#8221;. O pr&#234;mio foi entregue por Gianni Infantino, presidente da FIFA, a Donald Trump, em reconhecimento ao seu papel nas negocia&#231;&#245;es &#8220;diplom&#225;ticas&#8221; de Gaza, uma decis&#227;o que contrasta com o princ&#237;pio de neutralidade pol&#237;tica previsto no pr&#243;prio estatuto da Federa&#231;&#227;o.</p><p style="text-align: justify;">A real postura pol&#237;tica do homenageado pelo Pr&#234;mio da Paz ficou exemplificada nos meses seguintes, em janeiro de 2026, ocorreu a interven&#231;&#227;o pol&#237;tica dos Estados Unidos na Venezuela, culminando na captura de Nicol&#225;s Maduro e, em fevereiro, iniciaram-se os ataques norte-americanos contra o Ir&#227;.</p><p style="text-align: justify;">Diante desse cen&#225;rio, fica claro que a Copa do Mundo de 2026 transcendeu os gramados para se tornar um espelho da geopol&#237;tica contempor&#226;nea e da assimetria de poder pol&#237;tico. A submiss&#227;o da FIFA &#224;s exig&#234;ncias de Donald Trump e o pr&#234;mio da paz destinado ao mesmo, exp&#245;em a fragilidade da suposta neutralidade pol&#237;tica da Federa&#231;&#227;o. </p><p style="text-align: justify;">Assim, o evento que deveria celebrar a uni&#227;o global por meio do esporte acaba, ironicamente, marcado pela centraliza&#231;&#227;o de poder, pelo cerceamento de direitos diplom&#225;ticos e pela valida&#231;&#227;o de uma agenda de interven&#231;&#245;es militares e pol&#237;ticas que contraria os pr&#243;prios valores da Federa&#231;&#227;o reafirmados pelo prop&#243;sito do Pr&#234;mio da Paz FIFA - O Futebol Une o Mundo.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://revistapontodeencontro.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite seu e-mail&#8230;" tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Inscreva-se"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A Copa como construção social]]></title><description><![CDATA[De que maneira a Copa influencia nossas rela&#231;&#245;es no cotidiano?]]></description><link>https://revistapontodeencontro.substack.com/p/a-copa-como-construcao-social</link><guid isPermaLink="false">https://revistapontodeencontro.substack.com/p/a-copa-como-construcao-social</guid><dc:creator><![CDATA[Ponto de Encontro]]></dc:creator><pubDate>Mon, 15 Jun 2026 22:43:06 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/ef86b1aa-d73d-4c63-a96d-4970e4cae3ba_1254x1254.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">Depois de 4 anos, &#233; retomada o per&#237;odo de Copa do Mundo, as pessoas voltam a conversar no ponto de &#244;nibus, colegas de trabalho interrompem reuni&#245;es para comentar resultados, as fam&#237;lias se re&#250;nem diante da televis&#227;o e amigos reorganizam suas semanas em fun&#231;&#227;o dos jogos. Durante algumas semanas, at&#233; os espa&#231;os p&#250;blicos mudam de configura&#231;&#227;o e se tornam ocupados com as festas de torcedores, as ruas pintadas e coloridas com as bandeiras. </p><p style="text-align: justify;">Existe algo profundamente social nesse fen&#244;meno, o que poderia ser comparado &#224;  &#8220;efervesc&#234;ncia coletiva&#8221;, de &#201;mile Durkheim, momentos em que indiv&#237;duos se unem em torno de s&#237;mbolos, emo&#231;&#245;es e rituais comuns, fortalecendo sentimentos de pertencimento e de reconhecimento enquanto grupo social. O futebol deixa de ser apenas um esporte e se transforma nessa linguagem compartilhada capaz de aproximar pessoas distintas. </p><p style="text-align: justify;">Mas talvez a quest&#227;o mais interessante n&#227;o seja apenas por que a Copa nos une, e sim o que acontece quando ela passa a ocupar quase todo o nosso campo de vis&#227;o. </p><p style="text-align: justify;">Pierre Bourdieu, em Sobre a Televis&#227;o, argumentava que os meios de comunica&#231;&#227;o possuem um enorme poder de determinar aquilo que &#8220;merece&#8221; nossa aten&#231;&#227;o. Mais importante do que dizer &#224;s pessoas o que pensar &#233; definir sobre o que elas ir&#227;o pensar. Durante a Copa, esse mecanismo torna-se particularmente vis&#237;vel. Os jogos dominam as manchetes, as conversas, as redes sociais e os espa&#231;os p&#250;blicos. O cotidiano passa a ser organizado por uma narrativa comum constru&#237;da em torno de um espet&#225;culo que mobiliza as emo&#231;&#245;es, as expectativas e algo pr&#243;ximo de um sentimento &#8220;nacionalista&#8221;. </p><p style="text-align: justify;">Isso n&#227;o significa que o entusiasmo popular seja falso ou manipulado, as emo&#231;&#245;es s&#227;o constru&#237;das, os encontros mobilizados, as expectativas cultivadas.</p><p style="text-align: justify;">O ponto levantado &#233; que nenhuma dessas emo&#231;&#245;es existe fora das rela&#231;&#245;es de poder que estruturam a sociedade, o espet&#225;culo, consequentemente sua como&#231;&#227;o, n&#227;o surge espontaneamente, ele &#233; produzido por emissoras, patrocinadores, institui&#231;&#245;es esportivas e mercados que disputam nossa aten&#231;&#227;o e transformam um interesse coletivo em audi&#234;ncia, visibilidade e lucro.</p><p style="text-align: justify;">A copa refor&#231;a la&#231;os sociais em uma sociedade cada vez mais marcada pelo individualismo e pela fragmenta&#231;&#227;o das suas rela&#231;&#245;es. Ao mesmo tempo, sua capacidade de concentrar a aten&#231;&#227;o p&#250;blica &#233; t&#227;o grande que outras quest&#245;es da vida social parecem perder espa&#231;o, ainda que temporariamente. N&#227;o porque os problemas deixem de existir, e o mundo se torna melhor durante a copa, mas porque o espet&#225;culo se torna o principal filtro atrav&#233;s do qual experimentamos a sociedade naquele momento.</p><p style="text-align: justify;">Durante noventa minutos, sentimos que pertencemos a algo maior, torcemos ao lado de v&#225;rias pessoas, comemoramos com desconhecidos, mas justamente nesses momentos de aten&#231;&#227;o coletiva que se revela o poder dos grandes espet&#225;culos de organizar nossos olhares, nossas prioridades. A Copa evidencia como aquilo que mobiliza milh&#245;es de pessoas &#233; capaz de definir, ainda que temporariamente, o que ocupa o centro da vida p&#250;blica.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Baixa produtividade: sempre um culpado, nunca um plano]]></title><description><![CDATA[Culpar o trabalhador pela baixa produtividade brasileira se tornou a estrat&#233;gia conveniente para aqueles que querem manter a estrutura intoc&#225;vel.]]></description><link>https://revistapontodeencontro.substack.com/p/baixa-produtividade-sempre-um-culpado</link><guid isPermaLink="false">https://revistapontodeencontro.substack.com/p/baixa-produtividade-sempre-um-culpado</guid><dc:creator><![CDATA[Ponto de Encontro]]></dc:creator><pubDate>Mon, 01 Jun 2026 15:02:23 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/0f5457b5-a036-4325-b5d2-204897c8b328_1600x900.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>O envio de um projeto de lei ao Congresso Nacional, por parte do atual governo brasileiro, com o objetivo de dar fim &#224; escala 6x1 e reduzir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais acalorou o debate entre pol&#237;ticos do pa&#237;s acerca da viabilidade da ideia, que j&#225; vinha sendo discutida por meio de outros projetos, em especial o da deputada Erika Hilton.</p><p style="text-align: justify;">Em meio &#224;s discuss&#245;es sobre o tema, um argumento vem ganhando destaque nas tentativas de barrar a proposta: a baixa produtividade do brasileiro. Congressistas alinhados &#224;s pautas ruralistas e do grande empresariado v&#234;m tentando utilizar dados globais de rankings de produtividade, como o da The Conference Board, para justificar a posi&#231;&#227;o contr&#225;ria &#224; redu&#231;&#227;o da escala, defendendo que a classe trabalhadora brasileira n&#227;o &#233; muito produtiva.</p><p style="text-align: justify;">Nesse sentido, a deputada J&#250;lia Zanatta (PL-SC) veio a p&#250;blico defender que a redu&#231;&#227;o da carga hor&#225;ria de trabalho esteja condicionada ao aumento da produtividade. O problema &#233; que a quest&#227;o da baixa efici&#234;ncia produtiva, no Brasil, est&#225; mais atrelada &#224; estrutura econ&#244;mica do pa&#237;s do que &#224; capacidade individual de produ&#231;&#227;o do trabalhador, o que torna a posi&#231;&#227;o de Zanatta descolada da realidade.</p><p style="text-align: justify;">&#201; fato que a produtividade &#233; influenciada pelo capital humano, ou seja, pelas condi&#231;&#245;es e capacidades do trabalhador, mas n&#227;o apenas por isso. O capital f&#237;sico (como as m&#225;quinas e infraestrutura dispon&#237;vel), a tecnologia e at&#233; mesmo o cen&#225;rio proporcionado pelo Estado brasileiro por meio de suas pol&#237;ticas afetam a produ&#231;&#227;o por trabalhador (ou por horas trabalhadas), isto &#233;, a produtividade.</p><p style="text-align: justify;">O Brasil &#233; um pa&#237;s marcado por altas taxas de trabalho informal, atualmente representando 37,5% dos trabalhadores ocupados, segundo o IBGE. Para efeito de compara&#231;&#227;o, a Turquia possui uma taxa de 27,3% e, dentre as principais economias europeias, o Reino Unido possui a pior porcentagem de informalidade, com 6,5%, de acordo com a Organiza&#231;&#227;o Internacional do Trabalho.</p><p style="text-align: justify;">Considerando que as ocupa&#231;&#245;es informais possuem uma tend&#234;ncia a apresentar baixas taxas de produtividade (cerca de 1/4 da efici&#234;ncia de ocupa&#231;&#245;es formais, conforme dados da FGV/IBRE), essa caracter&#237;stica da economia brasileira atua como uma &#226;ncora no desempenho do pa&#237;s. Desse modo, &#233; evidente que existem quest&#245;es estruturais complexas que s&#227;o subestimadas nas abordagens ao tema, superestimando o papel da classe trabalhadora na causa do problema.</p><p style="text-align: justify;">Apesar do fraco desempenho geral, no Brasil existem realidades que fogem &#224; regra: empresas brasileiras posicionadas na fronteira tecnol&#243;gica de seus setores, como a Embraer, possuem alta efici&#234;ncia produtiva. Isso se deve n&#227;o ao volume produzido pela empresa, mas ao alto valor agregado de seus produtos, reflexo de sua complexidade tecnol&#243;gica e industrial. Tal fato permite ao pa&#237;s estabelecer um norte para as pol&#237;ticas voltadas a solucionar esse quadro.</p><p style="text-align: justify;">O empecilho para a sa&#237;da dessa situa&#231;&#227;o reside no fato de que a classe pol&#237;tica brasileira n&#227;o enxerga na estrutura econ&#244;mica o cerne da quest&#227;o, mas sim na popula&#231;&#227;o. Embora exista um discurso, n&#227;o h&#225; uma estrat&#233;gia real para melhorar a produtividade, somente uma vontade de penalizar aqueles que buscam, com a redu&#231;&#227;o da escala de trabalho, uma vida com mais qualidade e dignidade. Assim, pol&#237;ticos de orienta&#231;&#227;o semelhante &#224; de J&#250;lia Zanatta optam por mascarar seus interesses particulares, tratando-os como solu&#231;&#245;es para transtornos econ&#244;micos.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Todo Mundo no Rio, menos os Governantes]]></title><description><![CDATA[O caos pol&#237;tico no Governo do Estado do Rio de Janeiro e o entretenimento como cortina de fuma&#231;a.]]></description><link>https://revistapontodeencontro.substack.com/p/todo-mundo-no-rio-menos-os-governantes</link><guid isPermaLink="false">https://revistapontodeencontro.substack.com/p/todo-mundo-no-rio-menos-os-governantes</guid><dc:creator><![CDATA[Ponto de Encontro]]></dc:creator><pubDate>Mon, 25 May 2026 15:00:33 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/b5954050-0363-4828-8182-d08e5ec80d15_1600x900.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">No in&#237;cio do m&#234;s aconteceu a terceira edi&#231;&#227;o do Todo Mundo no Rio, mas as aten&#231;&#245;es voltadas para o entretenimento amenizam o fato de o Estado do Rio de Janeiro estar sem Governador e todo o processo at&#233; esse momento.</p><p style="text-align: justify;">Em 23 de mar&#231;o de 2026, o ent&#227;o governador, Claudio Castro, renunciou ao cargo diante da sua cassa&#231;&#227;o em andamento, alegando pretens&#227;o de concorrer ao Senado. A manobra pol&#237;tica, contudo, n&#227;o impediu o avan&#231;o da Justi&#231;a Eleitoral. Dias ap&#243;s a ren&#250;ncia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concluiu o julgamento da chapa por abuso de poder pol&#237;tico e econ&#244;mico na campanha de 2022 (envolvendo desvios em contrata&#231;&#245;es da Funda&#231;&#227;o Ceperj). O TSE determinou a cassa&#231;&#227;o do mandato de Castro e o declarou ineleg&#237;vel at&#233; 2030. </p><p style="text-align: justify;">Sem vice-governador desde maio de 2025, o substituto imediato seria o Presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar. No entanto, Bacellar foi preso e preventivamente afastado da presid&#234;ncia da Casa por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de 2025, em uma investiga&#231;&#227;o que apurava liga&#231;&#245;es de pol&#237;ticos com organiza&#231;&#245;es criminosas.</p><p style="text-align: justify;">Diante desse cen&#225;rio, o Desembargador Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justi&#231;a do Estado (TJRJ), foi nomeado de forma emergencial em 23 de mar&#231;o de 2026 Governador tempor&#225;rio. Apesar da tentativa de eleger &#224;s pressas um novo Presidente para a Alerj, tornando Douglas Ruas (PL) o Governador, mas partidos opositores recorreram contra a elei&#231;&#227;o ao STF.</p><p style="text-align: justify;">Atualmente, o Desembargador governa o estado at&#233; que o STF valide a elei&#231;&#227;o da Alerj ou defina os prazos e regras exatas para a transi&#231;&#227;o definitiva de finaliza&#231;&#227;o do mandato.</p><p style="text-align: justify;">O entretenimento vem como uma cortina de fuma&#231;a para desviar os olhares do caos pol&#237;tico no Governo do Estado do Rio de Janeiro.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O que buscamos ao publicar nas redes?]]></title><description><![CDATA[Pensamentos acerca da exposi&#231;&#227;o nas redes sociais: a busca pelo reconhecimento e a constru&#231;&#227;o da identidade.]]></description><link>https://revistapontodeencontro.substack.com/p/o-que-buscamos-ao-publicar-nas-redes</link><guid isPermaLink="false">https://revistapontodeencontro.substack.com/p/o-que-buscamos-ao-publicar-nas-redes</guid><dc:creator><![CDATA[tarsila de toledo]]></dc:creator><pubDate>Mon, 18 May 2026 18:06:50 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/5282f04a-4c25-4c95-959a-ffeb8f2c53c1_1384x1136.jpeg" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Com bilh&#245;es de usu&#225;rios conectados no mundo, as redes sociais podem consolidar uma nova forma de socializa&#231;&#227;o: existir socialmente &#233;, tamb&#233;m, ser visto. Publicar tornou-se parte da rotina de muitos usu&#225;rios, organizando um fluxo constante de imagens, v&#237;deos e experi&#234;ncias pessoais em circula&#231;&#227;o p&#250;blica.</p><p>Diante desse cen&#225;rio, cabe a pergunta: o que buscamos ao publicar nas redes?</p><p>Um breve pensamento pode responder pela busca por aten&#231;&#227;o ou valida&#231;&#227;o, o que, de certa maneira, n&#227;o est&#225; errado. O pensamento aqui constru&#237;do aponta para a ideia de que a exposi&#231;&#227;o constante n&#227;o &#233; apenas uma escolha individual, dotada de objetividade, mas est&#225; ligada a uma necessidade mais profunda: a busca pelo reconhecimento.</p><p>&#192; luz do pensamento de Axel Honneth, a identidade pessoal n&#227;o &#233; algo inato, como um n&#250;cleo isolado e pr&#233;vio ao social, mas algo constitu&#237;do nas rela&#231;&#245;es sociais de maneira intersubjetiva &#8212; isto &#233;, formada a partir das rela&#231;&#245;es e trocas entre os indiv&#237;duos &#8212; e que depende, fundamentalmente, do reconhecimento social.</p><p>A busca pelo reconhecimento n&#227;o &#233; um desvio contempor&#226;neo, mas uma necessidade estrutural da vida social: &#233; nela que o indiv&#237;duo busca a confirma&#231;&#227;o do valor de suas capacidades e forma sua identidade.</p><p>Tal processo se organiza em tr&#234;s esferas de reconhecimento: o amor, ligado &#224;s rela&#231;&#245;es de cuidado e respons&#225;vel pela forma&#231;&#227;o da autoconfian&#231;a; o direito, em que o indiv&#237;duo &#233; reconhecido como sujeito detentor de direitos, garantindo o autorrespeito; e a solidariedade, esfera em que suas capacidades e formas de vida s&#227;o valorizadas pelos outros, sustentando a autoestima.</p><p>&#201; nessa &#250;ltima esfera que as redes sociais parecem se inserir de forma mais evidente, por meio da busca por reconhecimento ligada &#224; autoestima.</p><p>O problema se coloca justamente nessa busca atrav&#233;s das redes sociais. O reconhecimento aparece, muitas vezes, deturpado de seu sentido original, esvaziado de densidade relacional e de uma valida&#231;&#227;o efetiva do outro, sendo posto de maneira r&#225;pida, descont&#237;nua e, por vezes, sem sentido.</p><p>Ele aparece em n&#250;meros: curtidas, coment&#225;rios e visualiza&#231;&#245;es. Essas respostas s&#227;o r&#225;pidas e vis&#237;veis, no entanto, tamb&#233;m inst&#225;veis e superficiais. Um post pode receber muita aten&#231;&#227;o em um momento e ser completamente ignorado em outro, sem explica&#231;&#227;o clara.</p><p>O reconhecimento, em seu sentido mais profundo, &#233; um processo social atravessado por v&#237;nculos duradouros, interpreta&#231;&#227;o m&#250;tua e valoriza&#231;&#227;o efetiva da identidade do indiv&#237;duo.</p><p>Nesse ponto, &#233; poss&#237;vel fazer uma distin&#231;&#227;o importante: o que circula nas redes sociais muitas vezes n&#227;o &#233; reconhecimento em sentido pleno &#8212; principalmente aquele ligado &#224; forma&#231;&#227;o da autoestima &#8212;, mas formas de valida&#231;&#227;o. A valida&#231;&#227;o confirma momentaneamente o sujeito, mas n&#227;o envolve, necessariamente, v&#237;nculo, continuidade ou compreens&#227;o.</p><p>Essa diferen&#231;a ajuda a entender por que a experi&#234;ncia nas redes pode gerar tanta instabilidade. Se a identidade depende de reconhecimento, mas o que se recebe s&#227;o valida&#231;&#245;es fragmentadas, o sujeito passa a lidar com respostas que nunca parecem suficientes. A aus&#234;ncia de retorno pode ser sentida como falta de valor, enquanto o retorno, quando acontece, tende a ser passageiro.</p><p>&#201; nesse contexto que a exposi&#231;&#227;o constante ganha sentido. Mais do que um excesso gratuito, ela pode ser compreendida como uma tentativa de transformar valida&#231;&#245;es em reconhecimento, obtendo, a partir de respostas r&#225;pidas, algum tipo de confirma&#231;&#227;o mais est&#225;vel de si mesmo. No entanto, como essas respostas s&#227;o fr&#225;geis, o processo tende a se repetir.</p><p>Dessa maneira, a exposi&#231;&#227;o nas redes sociais talvez n&#227;o deva ser entendida como um simples excesso, mas como um sintoma: o sintoma de uma sociedade em que o reconhecimento &#233; essencial, mas em que, com os novos moldes de socializa&#231;&#227;o, suas formas se tornam cada vez mais inst&#225;veis.</p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Estado e capital: quando o público e o privado se confundem ]]></title><description><![CDATA[Como grandes corpora&#231;&#245;es influenciam decis&#245;es pol&#237;ticas e econ&#244;micas.]]></description><link>https://revistapontodeencontro.substack.com/p/estado-e-capital-quando-o-publico</link><guid isPermaLink="false">https://revistapontodeencontro.substack.com/p/estado-e-capital-quando-o-publico</guid><dc:creator><![CDATA[Ponto de Encontro]]></dc:creator><pubDate>Mon, 11 May 2026 18:40:02 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/183671f9-51c3-40d5-838f-ec5cf78f1412_1729x910.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Algumas correntes ut&#243;picas, como o conhecido &#8220;anarcocapitalismo&#8221;,  tem como base o anseio pela aboli&#231;&#227;o do Estado, caracterizando uma forma de organiza&#231;&#227;o na qual o livre mercado tem autoridade ilimitada sobre as rela&#231;&#245;es econ&#244;micas, com aus&#234;ncia de regulamenta&#231;&#227;o e intervencionismos.</p><p style="text-align: justify;">O que tais ideologias falham em considerar &#233; que o Estado proporciona condi&#231;&#245;es indispens&#225;veis para a manuten&#231;&#227;o do capitalismo, tendo inclusive papel hist&#243;rico na forma&#231;&#227;o dos mercados modernos, a partir da interven&#231;&#227;o planejada sobre o meio social.</p><p style="text-align: justify;">No caso brasileiro, essa indissocia&#231;&#227;o entre o capitalismo e um &#243;rg&#227;o regulador pode ser  verificada inclusive no &#226;mbito jur&#237;dico, em que os pilares da ordem capitalista s&#227;o sustentados e institucionalizados por normas estatut&#225;rias presentes na Constitui&#231;&#227;o. Os principais exemplos disso podem ser encontrados no Artigo 170, que regula sobre a ordem econ&#244;mica e oferece garantias legais sobre a prote&#231;&#227;o &#224; livre concorr&#234;ncia e &#224; propriedade privada, imprescind&#237;veis para a pr&#243;pria acumula&#231;&#227;o de capital.</p><p style="text-align: justify;">Entretanto, no est&#225;gio atual de desenvolvimento capitalista, &#233; verific&#225;vel que a ordem estatal n&#227;o apenas viabiliza o funcionamento dos mercados, como tamb&#233;m, em diversas circunst&#226;ncias, estabelece rela&#231;&#245;es de profunda interdepend&#234;ncia com agentes econ&#244;micos privados.</p><p style="text-align: justify;"> O  termo &#8220;lobby&#8221; surgiu como caracteriza&#231;&#227;o da atividade organizada na qual organiza&#231;&#245;es ou empresas buscam influenciar decis&#245;es de agentes pol&#237;ticos com base em suas respectivas agendas corporativas, sendo a figura do lobista caracterizada como o indiv&#237;duo que atua junto ao poder p&#250;blico para representar o interesse de suas respectivas institui&#231;&#245;es. No caso de grandes corpora&#231;&#245;es ou grupos empresariais, a influ&#234;ncia nas decis&#245;es governamentais pode ser alcan&#231;ada por meio do financiamento de campanhas pol&#237;ticas, mobiliza&#231;&#227;o da opini&#227;o p&#250;blica, reuni&#245;es diretas com parlamentares e financiamento de estudos alinhados aos interesses empresariais.</p><p style="text-align: justify;">Outro conceito relacionado a esse tema &#233; o &#8220;compadrio&#8221;, descrito como o mecanismo pelo qual atores privados com liga&#231;&#245;es pol&#237;ticas recebem favores do Estado. Exemplos difundidos dessa pr&#225;tica s&#227;o a indica&#231;&#227;o de gestores privados para cargos p&#250;blicos e a concess&#227;o de empr&#233;stimos subsidiados e investimentos de capital para empresas privilegiadas. Em casos mais alarmantes, a legisla&#231;&#227;o ambiental de certa regi&#227;o pode ser at&#233; fragilizada em prol da viabiliza&#231;&#227;o de projetos que exigem desmatamento ou polui&#231;&#227;o exacerbados.</p><p style="text-align: justify;">Dentro deste cen&#225;rio de constante interfer&#234;ncia da esfera privada na autoridade p&#250;blica, o compromisso estatal com o bem estar social &#233;, por muitas vezes, relativizado em favor de interesses espec&#237;ficos. Em tese, quanto maior a influ&#234;ncia, o poder financeiro e o controle da m&#237;dia por parte de certas empresas, mais fragilizados tendem a se tornar os deveres institucionais do Estado, podendo ser substitu&#237;dos pela busca da maximiza&#231;&#227;o dos lucros privados e dos rendimentos acion&#225;rios.</p><p style="text-align: justify;">Assim, no est&#225;gio atual de desenvolvimento capitalista, a cl&#225;ssica dicotomia liberal entre esfera p&#250;blica e esfera privada &#233; substitu&#237;da por uma separa&#231;&#227;o t&#234;nue entre o Estado e as corpora&#231;&#245;es, caracterizada pela confus&#227;o entre interesses p&#250;blicos e privados e o favorecimento institucional  de agendas particulares que n&#227;o representam o interesse coletivo da popula&#231;&#227;o.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O mundo rema para um lado. Zema, para o outro.]]></title><description><![CDATA[O impacto da guerra no Ir&#227; traz reflex&#245;es ao mundo sobre as pol&#237;ticas voltadas aos recursos essenciais, em especial ao petr&#243;leo, mas Romeu Zema mostra que sua mentalidade &#233; imune a elas.]]></description><link>https://revistapontodeencontro.substack.com/p/o-mundo-rema-para-um-lado-zema-para</link><guid isPermaLink="false">https://revistapontodeencontro.substack.com/p/o-mundo-rema-para-um-lado-zema-para</guid><dc:creator><![CDATA[Ponto de Encontro]]></dc:creator><pubDate>Mon, 04 May 2026 18:10:11 GMT</pubDate><enclosure url="https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/f5d27d5c-761a-4a0b-9dd2-96f68b8ba30e_1672x941.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O conflito iniciado por ataques coordenados pelos EUA e Israel ao Ir&#227; gerou consequ&#234;ncias sociais e econ&#244;micas que se alastraram pelo mundo. Junto a elas, vieram as - &#243;bvias - discuss&#245;es sobre como mitigar os danos que recaem sobre a popula&#231;&#227;o que se encontra aqu&#233;m da guerra.</p><p style="text-align: justify;">O aumento dos pre&#231;os dos combust&#237;veis, resultado direto do estresse presente no Estreito de Ormuz, rota respons&#225;vel por cerca de 20% do escoamento do petr&#243;leo mundial, originou uma tens&#227;o entre governos e sociedades nos mais diversos cantos do planeta. Alguns num n&#237;vel maior, outros menor, mas em todos reflex&#245;es para buscar solucionar o problema da explos&#227;o dos pre&#231;os foram iniciadas.</p><p style="text-align: justify;">De um modo geral, subs&#237;dios estatais se apresentaram como a atitude imediata para reduzir o custo do produto para a popula&#231;&#227;o: Fran&#231;a, Reino Unido, Jap&#227;o e Filipinas s&#227;o exemplos de na&#231;&#245;es que seguiram por esse caminho - o &#250;ltimo citado entrou em estado de emerg&#234;ncia devido &#224; crise, afinal quase a totalidade de seu petr&#243;leo &#233; fruto de importa&#231;&#227;o do Oriente M&#233;dio. Paralelamente, alguns pa&#237;ses, como Irlanda e Austr&#225;lia, decidiram pelos cortes de impostos numa tentativa de controle dos pre&#231;os.</p><p style="text-align: justify;">Numa atitude que, muito provavelmente, seria vista com maus olhos no Brasil, a China, Pol&#244;nia e a admirada - pela extrema-direita brasileira - Hungria enxergaram no teto de pre&#231;os uma possibilidade de conten&#231;&#227;o do aumento. O governo brasileiro, por sua vez, busca se aproveitar do fato do pa&#237;s ser um grande produtor da commodity para equilibrar aumento de receita e diminui&#231;&#227;o de impostos, por meio do envio de uma lei complementar que estabele&#231;a o mecanismo.</p><p style="text-align: justify;">Nesse cen&#225;rio, o pr&#233;-candidato &#224; Presid&#234;ncia da Rep&#250;blica, Romeu Zema, decidiu vir a p&#250;blico para apresentar sua solu&#231;&#227;o inovadora: privatizar a Petrobras. Com o uso do adjetivo &#8220;implac&#225;vel&#8221;, o ex-governador de Minas Gerais v&#234; na simplicidade e vagueza de seu plano a certeza de que, mesmo diante de um caos global no setor, esse &#233; o caminho para o pa&#237;s prosperar.</p><p style="text-align: justify;">A Petrobras, alvo de Zema, &#233; uma das empresas petrol&#237;feras mais lucrativas do mundo e, embora apresente uma economia mista, ainda &#233; fonte de receita para o Estado brasileiro. Mesmo n&#227;o produzindo a totalidade do petr&#243;leo consumido no pa&#237;s, a empresa possui capacidade e p&#245;e em pr&#225;tica a venda no mercado interno a um pre&#231;o abaixo do cotado internacionalmente, possibilidade que se tornou realidade desde o fim da ado&#231;&#227;o do Pre&#231;o de Paridade Internacional (PPI), em 2023. Ainda assim, o pr&#233;-candidato opta por ignorar os fatos e repetir a sua palavra favorita: privatizar.</p><p style="text-align: justify;">Na realidade, o plano consiste - paradoxalmente - em n&#227;o possuir plano. &#201; vender e deixar que a m&#227;o invis&#237;vel do mercado fa&#231;a seu trabalho. Enquanto pot&#234;ncias europeias e asi&#225;ticas aumentam a interfer&#234;ncia estatal para evitar as consequ&#234;ncias catastr&#243;ficas causadas pela guerra, o candidato enxerga na situa&#231;&#227;o uma oportunidade de realizar seu desejo, mesmo estando em completa contram&#227;o do mundo.</p><p style="text-align: justify;">Durante a hist&#243;ria, o desenvolvimento das economias modernas demonstraram que o Estado possui um papel fundamental na condu&#231;&#227;o ao progresso, com alguns pa&#237;ses deixando isso mais expl&#237;cito e outros menos. Situa&#231;&#245;es como a produzida pelo conflito no Oriente M&#233;dio trazem &#224; tona essa import&#226;ncia, mas nem em tempo presente isso parece interessar &#224;quele que teve como marca de governo a quase quadruplica&#231;&#227;o de seu pr&#243;prio sal&#225;rio. Enquanto todo o planeta se questiona em como proteger sua popula&#231;&#227;o das consequ&#234;ncias da guerra, Zema anuncia a venda da solu&#231;&#227;o.</p><p style="text-align: justify;"></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>