<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[Valentina’s Newsletter]]></title><description><![CDATA[Existir não é preciso, é balanço]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!pRvk!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fvalentinaasmus.substack.com%2Fimg%2Fsubstack.png</url><title>Valentina’s Newsletter</title><link>https://valentinaasmus.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Wed, 02 Sep 2026 21:31:08 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/valentinaasmus.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[Valentina Asmus]]></copyright><language><![CDATA[pt]]></language><webMaster><![CDATA[valentinaasmus@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[valentinaasmus@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[Valentina Asmus]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[Valentina Asmus]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[valentinaasmus@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[valentinaasmus@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[Valentina Asmus]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[A sabedoria vem do sentir]]></title><description><![CDATA[Embora toda a nossa constru&#231;&#227;o tenha sido feita de outra forma.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/a-sabedoria-vem-do-sentir</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/a-sabedoria-vem-do-sentir</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 10 Aug 2026 12:31:46 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Hoje esse texto chega mais tarde. Chega arrastado pelos sentimentos densos que permearam os &#250;ltimos dias. Talvez sejam apenas os dias de trabalho, maternidade e escolhas que se acumulam. Talvez sejam os astros, sol em c&#226;ncer, muita coisa do lado de dentro do mapa, eclipses &#224; vista no horizonte. E talvez seja s&#243; a teimosia mesmo, essa de continuar sentindo.</p><p>Faz tempo, que n&#243;s seres humanos fomos nos afastando do sentir. Mais ou menos na <em>Idade Moderna e Iluminismo</em><strong>, </strong>a ci&#234;ncia colocou a raz&#227;o e o m&#233;todo emp&#237;rico no centro de tudo. Fomos nos afastando da natureza e dos seus ciclos, nos refugiando nos grandes centros sem horizontes e sem estrelas. Fomos nos endurecendo, nos moldando para sermos mais produtivos, utilit&#225;rios. Ficamos paradoxalmente conectados e distantes. E, para al&#233;m de tudo isso, nas intemp&#233;ries da vida, fomos treinados para anestesiar nossos desconfortos. Desde a inf&#226;ncia aprendemos que n&#227;o h&#225; espa&#231;o demasiado pro choro, pra raiva, pro afeto exagerado. E assim, n&#243;s desaprendemos, algo com o qual nascemos.  E por estarmos h&#225; muitas gera&#231;&#245;es de desaprendizagens, esquecemos.</p><blockquote><p><em>Tenho tanto sentimento<br>Que &#233; frequente persuadir-me<br>De que sou sentimental,<br>Mas reconhe&#231;o, ao medir-me,<br>Que tudo isso &#233; pensamento,<br>Que n&#227;o senti afinal.</em></p><p><em>Temos, todos que vivemos,<br>Uma vida que &#233; vivida<br>E outra vida que &#233; pensada,<br>E a &#250;nica vida que temos<br>&#201; essa que &#233; dividida<br>Entre a verdadeira e a errada.</em></p><p><em>Qual por&#233;m &#233; verdadeira<br>E qual errada, ningu&#233;m<br>Nos saber&#225; explicar;<br>E vivemos de maneira<br>Que a vida que a gente tem<br>&#201; a que tem que pensar.</em></p></blockquote><p><em><strong> ~ Fernando Pessoa</strong></em></p><p></p><p>S&#243; que vez ou outra a vida nos convida, gentil ou violentamente a sentir de novo. E nesses momentos que parecem grandes abismos nos chocamos com algo muito primitivo e extremante assustador: a agente se obrigada a escutar.</p><p>Pra se escutar &#233; preciso sil&#234;ncio, aten&#231;&#227;o e confian&#231;a. &#201; preciso estar em conex&#227;o com o centro da exist&#234;ncia, que n&#227;o &#233; s&#243; corpo, n&#227;o &#233; s&#243; mente, n&#227;o &#233; s&#243; emo&#231;&#227;o nem s&#243; experi&#234;ncia. &#201; o conjunto da obra. &#201; a sabedoria do ser humano completo. &#201; quando conseguimos <em><strong>unir o pensamento racional e a no&#231;&#227;o do mundo al&#233;m dele.</strong></em></p><p>Quando a gente abre espa&#231;o para escuta (nesse contexto apenas a de si, mas j&#225; experimentou se abrir tamb&#233;m para a escuta do outro?) Descobrimos o qu&#227;o surdos estamos. Despreparados para ouvir o que estava gritando. E tem uma coisa curiosa sobre a escuta: apesar de ser ativa, ela &#233; feita passivamente. A escuta nos pede apenas escuta. Sem concordar, discordar, preferir, escolher. A gente recebe o que vem, sem julgamentos.</p><p>Pra isso &#233; preciso tempo. &#201; preciso treino, igualzinho exercitar um m&#250;sculo. E no mundo de hoje, &#233; preciso abrir espa&#231;o. Na agenda, na vida, nos ponteiros do rel&#243;gio. A aprendizagem do sentir n&#227;o chega naturalmente para grande maioria de n&#243;s, mas &#233; necess&#225;ria para todos, pelos menos para aqueles que, tendo o privil&#233;gio do poder, querem explorar o mundo para al&#233;m das possibilidades pr&#233; determinadas.</p><p>Dessa forma e penso, genuinamente, dessa &#250;nica forma ampliamos nosso repert&#243;rio de a&#231;&#245;es condizentes com a vida que buscamos. Nossas a&#231;&#245;es no mundo se tornam mais alinhadas com quem a gente &#233; e, assim, talvez a gente tenha menos a sensa&#231;&#227;o de ser levado pela corrente.</p><p>Reconhecer a sabedoria do sentir nos conecta com o ser que somos antes do humano. Nos amplia horizontes, nos relembra que a vida &#233; feita pra ser vivida. E que em n&#243;s residem todas as repostas, mesmo aquelas das perguntas que ainda n&#227;o formulamos.</p><p><em><span>Como dizia &#193;lvaro de Campos, a realidade &#233; um excesso e a melhor maneira de viajar e experienciar o mundo &#233; sentir tudo de todas as maneiras. </span></em></p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Redes de afeto]]></title><description><![CDATA[Segunda passada foi meu anivers&#225;rio, 38 voltas em torno do sol.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/redes-de-afeto</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/redes-de-afeto</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 27 Jul 2026 11:26:57 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Segunda passada foi meu anivers&#225;rio, 38 voltas em torno do sol. Como boa canceriana que sou, na astrologia v&#233;dica e tropical (que sim tem diferen&#231;as e sim &#224;s vezes as pessoas &#8220;mudam&#8221; de signo), gosto do meu retorno solar pra casa.</p><p>Gosto de fazer anivers&#225;rio, celebrar anivers&#225;rios mesmo que de forma pequena e intimista , afinal, canceriana ne? E gosto de perceber minhas redes de afeto.</p><p>O mundo tem se tornado um lugar distante. O et&#233;reo, artificial, imag&#233;tico , velocista que por tantas vezes ajuda e facilita a rotina corrida, tamb&#233;m desfaz encontros importantes. Aqueles constru&#237;dos atrav&#233;s das nossas rela&#231;&#245;es mais profundas. Com a gente mesmo e com o outro. Que de um certo ponto de vista podem ser quase a mesma coisa.</p><p>As liga&#231;&#245;es foram substitu&#237;das por mensagens r&#225;pidas em grupos de WhatsApp. Os cart&#245;es por dms de redes sociais. &#201; o tal do &#8220;novo normal&#8221;. Longe de mim querer ser uma velha chata. Eu tbm dou minhas felicita&#231;&#245;es pelas redes, que por sinal nos aproximam de quem est&#225; longe geograficamente. Mas o que aconteceu com as palavras? Com os textos sinceros? Com as conversas bonitas?</p><p>Na &#250;ltima segunda-feira percebi, com certo al&#237;vio e reconhecimento da pr&#243;pria sorte, que as redes de afeto precisam ser, agora, ainda mais verdadeiras. Ainda mais fortes. Como se precisassem entrar num mar gelado e nadar contra a corrente bra&#231;ada por bra&#231;ada para vencer a travessia.</p><p>&#193;udios longos. Mensagens escritas de forma bonita, pensada, daquelas com jeitinho de quem escorreu do cora&#231;&#227;o at&#233; a ponta dos dedos. De gente que tem a data do anivers&#225;rio salva no telefone na agenda de papel no calend&#225;rio de parede. De gente que d&#225; o parab&#233;ns pensando em terceira pessoa, n&#227;o em primeira ( alias, j&#225; percebeu como a gente felicita o outro falando da gente!?).</p><p>Fiquei muito reflexiva - canceriana de novo, n&#233;? Sobre a bonita edifica&#231;&#227;o de afetos at&#233; aqui. Gente de perto, gente de longe, gente dessa e de outras vidas. Aos quais agradeci ao universo por compartilhar o mesmo tempo espa&#231;o.</p><p>H&#225; quem diga que todo o dia &#233; dia. Mas recomendo fortemente que a gente n&#227;o se canse e boie com a corrente nas ondas do distanciamento do mundo veloz. Que a gente resista &#224; corrente e nade contra. E mande bilhetes bonitos, cartas longas, &#225;udios felizes, liga&#231;&#245;es compridas e acenda estrelas no cora&#231;&#227;o de quem a gente quer bem.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[O humano me aproxima do humano]]></title><description><![CDATA[Parece que em alguns pontos da jornada a gente teima em esquecer aquilo que nos faz bem.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/o-humano-me-aproxima-do-humano</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/o-humano-me-aproxima-do-humano</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 13 Jul 2026 11:41:24 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Parece que em alguns pontos da jornada a gente teima em esquecer aquilo que nos faz bem. Honestamente, acho que &#233; normal. &#201; uma tend&#234;ncia do ser humano ou uma ideia criada pelo sistema social que vivemos de que &#233; preciso avan&#231;ar. E quase sempre avan&#231;ar significa deixar pra tr&#225;s aquilo que nos constitu&#237; como somos hoje ou fomos em algum momento.</p><p></p><blockquote><p>Diria Saramago que <em>&#233; preciso sair da ilha para ver a ilha.</em> Eu acrescento: para s&#243; depois enxergar a beleza que pode ser voltar pra ilha. Em paz. Com quem a gente escolhe ser.</p></blockquote><p></p><p>Vim de uma fam&#237;lia onde as mulheres, muito cedo, aprenderam as artes manuais. Heran&#231;a herdada da minha av&#243; que completa em setembro 90 anos. Com 4 filhos, com pouqu&#237;ssima diferen&#231;a de idade entre cada um, uma casa grande para cuidar ela ensinou as duas filhas mais velhas, minha tia e minha m&#227;e a fazer tric&#244; e croch&#234; para que, distra&#237;das na arte do fazer, elas dessem um respiro para minha av&#243; cuidar dos outros dois filhos menores. Elas tinham 5 anos quando aprenderam e colocavam suas cadeirinhas na frente de casa, depois do banho, para fazer seus trabalhos com agulhas e linhas.</p><p>Em algum momento da minha inf&#226;ncia, eu aprendi a tricotar. Carreguei esse h&#225;bito por alguns anos da pr&#233; e adolesc&#234;ncia e depois, como se fosse o fluxo natural entre estudos, trabalho e a constru&#231;&#227;o da chamada vida adulta, acabei deixando essa aprendizagem pra tr&#225;s.</p><p>O fazer com as m&#227;os &#233; um pilar de identidade, resist&#234;ncia e ancestralidade. E talvez por isso algo que, com a nossa constru&#231;&#227;o social t&#227;o acad&#234;mica, intelectual e pragm&#225;tica, foi sendo considerado de menor valor. Em um mundo cada vez mais digital e padronizado, onde cores, tend&#234;ncias e personalidades m&#250;ltiplas perdem visibilidade e atua&#231;&#227;o parece bastante normal que todos n&#243;s nos distanciemos do que todos nossos ancestrais um dia fizeram.</p><p>Hoje a ci&#234;ncia (viu como precisamos sempre desse aval acad&#234;mico para valorizar aquilo que j&#225; sabemos ou dever&#237;amos saber por meio da interocep&#231;&#227;o?) j&#225; nos diz o quanto as manualidades atuam, por exemplo, como reguladoras naturais do sistema nervoso. Ao induzir um estado de foco no momento presente, tanto quanto a respira&#231;&#227;o consciente, yoga e outras t&#233;cnicas tamb&#233;m milenares, pode reduzir nossos n&#237;veis de cortisol e ativar a atua&#231;&#227;o do nosso sistema parassimp&#225;tico (respons&#225;vel pelo nosso estado de relaxamento, logo ap&#243;s a nossa grande fuga do predador no tempo das cavernas, lembra dele?)</p><h1><strong>O resgate:</strong></h1><p>Mas como esse n&#227;o &#233; um artigo cient&#237;fico e sim um lugar de primeira pessoa, vou te contar o que me fez chegar aqui hoje, numa segunda de manh&#227;, com um caf&#233; quente na m&#227;o para escrever. Eu quero contar como esse resgate aconteceu aqui.</p><p>Acho que n&#227;o existiu um marco &#250;nico e sim, como geralmente &#233;, um fluxo de energias (nada m&#237;sticas) respons&#225;veis por essa <span>for&#231;a centr&#237;peta.</span></p><p>No in&#237;cio do ano, a convite da Pilar, fui fazer uma pe&#231;a de cer&#226;mica. Uma experi&#234;ncia que me tocou profundamente e inclusive virou texto <a href="/__u/open.substack.com/pub/valentinaasmus/p/eu-e-minha-caneca-feia?r=18kjfd&amp;utm_campaign=post-expanded-share&amp;utm_medium=post%20viewer"><span data-color="#85200c" style="color: rgb(133, 32, 12);">por aqui</span></a><span data-color="#85200c" style="color: rgb(133, 32, 12);">.</span> Nesse texto, sobre a minha caneca feia, eu falo dos genes manuais da minha fam&#237;lia e como me sentia deslocada deles. Acredito que ali, acendeu a primeira estrela.</p><p>Tamb&#233;m no in&#237;cio do ano meu filho, Caio, sobre o qual o processo de maternar &#233; mat&#233;ria infinita de inspira&#231;&#227;o para as escritas que surgem, entrou num jardim waldorf. As m&#227;es da escola organizam uma tarde chamadas manualidade, das quais quase nunca consigo participar em fun&#231;&#227;o das log&#237;sticas de trabalho. Ao longo dos meses eu fui percebendo como me era tentadora a ideia de sentar em volta da lareira com mulheres que fazem coisas com as m&#227;os. Era realmente um chamado visceral, como se meu corpo soubesse, muito antes da minha mente organizada e ocupada o quanto meu sistema precisava disso. Acendeu aqui a segunda estrela.</p><p>Surgiu ent&#227;o o convite de uma das m&#227;es para abra&#231;ar o projeto de vestir a &#225;rvore da escola. Quando me vi, j&#225; tinha aprendido a fazer croch&#234; e estava muito feliz e empolgada com essa nova miss&#227;o aparentemente &#8220;desimportante&#8221;.</p><p>E assim, de estrela em estrela, que tantas vezes acendem dentro de n&#243;s e n&#227;o percebemos, prestei aten&#231;&#227;o em tudo que se organizava dentro mim enquanto mexia as m&#227;os no fazer. Regula&#231;&#227;o, aten&#231;&#227;o, calma, distanciamento do mundo et&#233;reo e aproxima&#231;&#227;o das densidades da vida. Era o humano me aproximando do humano. Me tornando uma pessoa, de carne, osso, pausa e ancestralidade. </p><p>Recomendo fortemente. </p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Ode ao amor]]></title><description><![CDATA[No dia 12 de junho abri uma p&#225;gina no caderno e escrevi: o amor &#233; cafona. Dessa afirma&#231;&#227;o surgiram frases, versos, pensamentos soltos que se uniam por conta pr&#243;pria.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/ode-ao-amor</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/ode-ao-amor</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 29 Jun 2026 11:18:10 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>No dia 12 de junho abri uma p&#225;gina no caderno e escrevi: <em><strong>o amor &#233; cafona.</strong></em> Dessa afirma&#231;&#227;o surgiram frases, versos, pensamentos soltos que se uniam por conta pr&#243;pria. Algo que ficou mais ou menos assim:</p><blockquote><p><em><span>assim como a vida deveria ser</span></em></p><p><em><span>mas a gente resolveu transformar</span></em></p><p><em><span>num espet&#225;culo</span></em></p><p><em><span>o amor &#233; cafona</span></em></p><p><em><span>brega</span></em></p><p><em><span>mas sustenta o mundo</span></em></p><p><em><span>faz a gente levantar de manh&#227;</span></em></p><p><em><span>passar um caf&#233;</span></em></p><p><em><span>acreditar nos finais felizes</span></em></p><p><em><span>o amor &#233; cafona em todas as formas</span></em></p><p><em><span>amor de m&#227;e, de pai, de filho, de amigos</span></em></p><p><em><span>o amor continua sendo amor mesmo</span></em></p><p><em><span>quando acaba</span></em></p><p><em><span>e na cadencia dos segundos o amor</span></em></p><p><em><span>salvar&#225; o mundo.</span></em></p></blockquote><p></p><p>No &#250;ltimo s&#225;bado fui a um casamento, algo que no meu c&#237;rculo social tem sido bem raro de acontecer. Ou as pessoas j&#225; est&#227;o casadas ou elas, assim como eu, juntam os trapos e decidem usar o dinheiro da festa pra viajar.</p><p>O casamento de s&#225;bado era entre duas pessoas jovens, que queriam juntar seus amores, pessoais, familiares, amorosos, amig&#225;veis para celebrar justamente o amor. Cafona, n&#233;?</p><p>S&#243; que o amor tem disso, de t&#227;o cafona ele fica bonito. Ele transborda e faz a &#225;gua correr dos olhos de quem tem a honra de testemunhar. De quem tem a honra de viver. Lava a alma. Diante do mundo e suas trag&#233;dias, diante da vida e seus pesos cotidianos a ingenuidade do amor, continuo afirmando nos salvar&#225;.</p><p>Em jurar o amor, em escrever votos que talvez nunca se cumpram, em escolher se vulnerabilizar e se jogar ao grande abismo da promessa de vida conjunta, Tiago e Betina me lembraram que mesmo em meio &#224;s tempestades deitamos e acordamos porque somos capazes de amar. Que mesmo no caos do ordin&#225;rio, na indescrit&#237;vel beleza do amor, o mundo tem um sentido. Por causa do amor achamos palavras que podem dar ao horr&#237;vel da vida uma por&#231;&#227;o de alegria. Suficientemente boa para fazer, a todos n&#243;s, seguir adiante.</p><p>E ent&#227;o, de teimosos que somos, seguimos.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Eu não gosto de inverno]]></title><description><![CDATA[A natureza se desenrola em cont&#237;nuos retornos e n&#227;o em movimentos lineares isolados e estanques. Nem em c&#237;rculos fechados. A vida &#233; um fluxo cont&#237;nuo de ciclos assim como as esta&#231;&#245;es do ano.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/eu-nao-gosto-de-inverno</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/eu-nao-gosto-de-inverno</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 15 Jun 2026 10:44:52 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>&#201; 15 de junho no calend&#225;rio da parede. O marco oficial, mas nem t&#227;o preciso da exata, mas nem t&#227;o exata, metade do ano. Faltam 6 dias pro solst&#237;cio, quando a sombra se sobrep&#245;e e escancara em definitivo o valor da luz e do calor. Apesar do frio e dos dias nublados infinitos que j&#225; enfrentamos aqui ao sul do sul do Brasil, ser&#225; oficial: chegou o inverno.</p><p>Eu n&#227;o gosto de inverno. N&#227;o gosto de frio e apesar de ter nascido l&#225; quase na fronteira do Uruguai, onde os dias pregui&#231;osos come&#231;am tarde e acabam cedo, sempre senti que meu corpo n&#227;o havia sido desenhado para tal. Durante muitos anos eu lutei e resisti com a esta&#231;&#227;o mais gelada do ano. E parte dessa luta consistia em reclamar constantemente.</p><p>Foi depois do meu contato com yoga, l&#225; em 2013 e a abertura que a pr&#225;tica de posturas me concedeu para as diversas camadas dessa ci&#234;ncia ou estilo de vida que eu debrucei aten&#231;&#227;o sobre o imut&#225;vel &#8211; apesar das minhas reclama&#231;&#245;es, que s&#227;o a temperatura e as condi&#231;&#245;es clim&#225;ticas externas. Foi atrav&#233;s do <em>ayurveda</em> que comecei a observar os ciclos, as esta&#231;&#245;es, a sabedoria do desenrolar do tempo. E aprendi muito sobre os cuidados necess&#225;rio com corpo, com a mente e tamb&#233;m com o esp&#237;rito em cada uma das fases. Sejam elas fases da vida ou do ano.</p><p>Em contato com o<em> ayurveda</em>, a medicina milenar indiana que significa literalmente ci&#234;ncia da vida, fui trazendo aten&#231;&#227;o sobre outras ci&#234;ncias orientais como o <em>tao&#237;smo</em>, que falam na mesma l&#237;ngua sobre a observa&#231;&#227;o dos ciclos, mas sobretudo sobre a valoriza&#231;&#227;o dos ritmos da natureza, como parte primordial da constitui&#231;&#227;o cosmol&#243;gica do mundo e portanto de n&#243;s mesmos.</p><p>A natureza se desenrola em cont&#237;nuos retornos e n&#227;o em movimentos lineares isolados e estanques. Nem em c&#237;rculos fechados. A vida &#233; um fluxo cont&#237;nuo de ciclos assim como as esta&#231;&#245;es do ano.</p><p></p><blockquote><p><em><strong>&#8220;Sempre a primavera, nunca as mesmas folhas&#8221; </strong></em></p><p><em><strong>- diz um ditado chin&#234;s.</strong></em></p></blockquote><p></p><p>Muta&#231;&#227;o e ciclos s&#227;o necess&#225;rios para que aconte&#231;a a renova&#231;&#227;o da vida. Sob um aspecto existe um retorno a um ponto de referencia &#8211; o inverno, por exemplo, mas por outro, nada permanece igual.</p><p></p><h2><strong>Para a soma de aprendizados:</strong></h2><p>Meu filho Caio faz o maternal em uma escola Waldorf, seguindo a antroposofia que segundo Steiner, seu criador, &#233; a ci&#234;ncia espiritual. Nas escolas Waldorf o ano letivo e as viv&#234;ncias das crian&#231;as s&#227;o pautados pelos ciclos da natureza e nesse momento, em casa, n&#243;s estamos preparando lanternas.</p><p>O passeio da lanterna faz parte de uma dessas viv&#234;ncias que marcam a troca das esta&#231;&#245;es. Conta a hist&#243;ria de uma menina que teve a luz da sua lanterna apagada pelo vento frio do outono e ent&#227;o ela parte em uma jornada para buscar a luz que novamente acender&#225; sua lanterna.</p><p>No fazer das lanternas, no refletir sobre a hist&#243;ria que temos contado e cantado pro Caio nos &#250;ltimos dias, me dei conta do quanto esse conhecimento l&#250;dico conversa com tudo que aprendi no ayurveda, yoga, tao&#237;smo. O inverno &#233; o mestre silencioso do recolhimento. As noites longas convidam a atividades internas, aconchegantes, trabalhos manuais, contos e ao preparo da alma para gestar o novo.</p><p>O que a gente precisa fazer, na esta&#231;&#227;o que n&#227;o gosta &#233; ajustar as velas. Lan&#231;ar um olhar mais hol&#237;stico sobre a vida. Ainda a que a sociedade nos cobre const&#226;ncia sobre a performance e a produtividade. Lembrar que a vida n&#227;o &#233; &#250;til. A vida &#233; pra ser vivida e sentida. E nesse saber intr&#237;nseco, org&#226;nico e primordial a gente j&#225; sabe disso. Precisamos &#233; cessar os ru&#237;dos externos que nos dizem o contr&#225;rio.</p><p>Ent&#227;o aqui, tomando meu caf&#233; quentinho, olhando pela janela o cinza do c&#233;u, respiro fundo, aterro os p&#233;s no ch&#227;o e reconhe&#231;o que o ver&#227;o d&#225; valor ao inverno e que ambos s&#227;o bonitos. Ambos s&#227;o bonitos porque t&#234;m fim.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Sobre ser aluna, despir papéis e lidar com as demasiadas humanidades. ]]></title><description><![CDATA[me conectar com camadas mais sutis do meu corpo, compreendendo a for&#231;a que ele tem agora e me concedendo a ben&#231;&#227;o de abandonar a busca pela for&#231;a que ele um dia teve.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/sobre-ser-aluna-despir-papeis-e-lidar</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/sobre-ser-aluna-despir-papeis-e-lidar</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 01 Jun 2026 11:13:38 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>H&#225; 10 dias atr&#225;s eu me despia do meu papel de professora, m&#227;e, companheira e assumia uma pele antiga que me cai muito bem: a de praticante de yoga e aluna. N&#227;o que todas essas peles n&#227;o se coabitem, mas que interessante elas ficam quando tiramos as camadas sobrepostas da vida.</p><p>Peguei um avi&#227;o, aterrissei na cidade cinza, cheia de barulhos e horizontes invis&#237;veis. Estiquei meu tapete e iniciei essa louca jornada que talvez e s&#243; talvez a gente possa chamar de yoga. Pr&#225;tica de asanas intensas, frio e calor, sons, partilhas, reverbera&#231;&#245;es, suor e algumas l&#225;grimas. Um grande espet&#225;culo interno que s&#243; quem consegue ou tenta se entregar sabe. Uma semana de workshop com a pessoa que vem, com o tempo, assumindo o papel de meu professor. E eu tentei sentar e escrever sobre isso antes, mas me parece sempre que as coisas precisam de um tempo para se assentar antes de escorrer.</p><p>Durante esses dias foram abertas muitas camadas, como se tivesse vivido meses em apenas uma semana. Foi oportunidade de renovar votos com a pr&#225;tica que escolhi e que me acompanha diariamente nos &#250;ltimos treze anos. E que como toda constante traz questionamentos sobre a continuidade, relev&#226;ncia e pertencimento. Foi oportunidade de praticar outras disciplinas que me acompanham tem tempo, mas que florescem mais proeminente agora, como a entoa&#231;&#227;o de mantras. De me conectar com camadas mais sutis do meu corpo, compreendendo a for&#231;a que ele tem agora e me concedendo a ben&#231;&#227;o de abandonar a busca pela for&#231;a que ele um dia teve. Percebi de forma muito clara que foi durante esses dias que essa busca se encerrou e que como o abandonar desse caminho me deixou mais leve e mais em presen&#231;a.</p><p>Se precis&#225;ssemos desenhar um c&#237;rculo e fronteirar as pr&#225;ticas que chamamos de yoga poderia dizer que foram dias para ir al&#233;m delas tamb&#233;m. Foram dias para abra&#231;ar amigos, pensar sobre nossas necessidades, sentimentos e comunica&#231;&#227;o de forma aberta e exposta &#8211; algo que &#233; muito mais desconfort&#225;vel do que colocar os dois (sim os dois) p&#233;s atr&#225;s da cabe&#231;a. Ali&#225;s, mexer o corpo me pareceu extremamente um complemento justo para liberar alguns desconfortos que surgiram em mim &#8211; mas isso rende assunto para um texto pr&#243;prio.</p><p>E j&#225; que ca&#237; no substantivo, vou falar tamb&#233;m que precisei lidar com o desconforto do demasiado humano. Com algo que normalmente no discurso em lido muito bem, mas que na pr&#225;xis as vezes n&#227;o &#233; bem assim. Lidar com a humanidade do outro, suas percep&#231;&#245;es, suas formas de condu&#231;&#227;o, suas necessidades e sentimentos (de novo n&#233;? Eu sei). Precisei encontrar ferramentas de lidar com o que surgia para al&#233;m da minha expectativa, para al&#233;m dos meus gostos, para al&#233;m do que eu constru&#237; em mim mesma como ideal.</p><p>E ent&#227;o, depois de alguma coisa assentada, percebi que &#233; justamente por isso, por esse desconforto e pelo imenso repert&#243;rio que podemos construir para lidar com ele, que eu continuo aqui. Estudando, sendo aluna, esticando meu tapete, honrando minha pr&#225;tica seja ela como for.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Quanto tempo leva uma mãe para se reencontrar? ]]></title><description><![CDATA[N&#227;o sei. Acho que de verdade, ela nunca se reencontra. Ela se transforma, se transmuta em outra coisa.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/quanto-tempo-leva-uma-mae-para-se</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/quanto-tempo-leva-uma-mae-para-se</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 11 May 2026 10:50:41 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>O rel&#243;gio n&#227;o para de girar os ponteiros. Analogicamente lembrando que o tempo insiste em passar. Fa&#231;a chuva, fa&#231;a sol, crian&#231;a durma bem ou acorde 5 vezes na madrugada. O tempo passa.</p><p>Enquanto arrumo a casa, preparo a mochila da escola, penso no almo&#231;o de logo mais e nas fraldas de piscina que acabaram parte de mim me olha de fora. Essa Valentina est&#225; sentada na cadeira, olhando os mesmos ponteiros do rel&#243;gio e pensando quando vou rascunhar o texto que quero deixar pronto, o v&#237;deo que quero gravar e nos encaixes das reuni&#245;es imposs&#237;veis da semana.</p><p>Em algum momento elas se olham. Em algum momento elas de enxergam. Em algum momento elas se cobram. Mas em algum momento elas tamb&#233;m se abra&#231;am. E quando se abra&#231;am, essas mulheres se reencontram. T&#227;o diferentes, t&#227;o iguais. E justamente por essa grande dicotomia insistente da vida materna elas sabem que, certo ou errado, elas n&#227;o podem mais ocupar mesmo corpo.</p><p>Ser m&#227;e &#233; querer diferente. &#201;, em um determinado momento, que ningu&#233;m avisa quando e ningu&#233;m avisa como, sentar consigo mesmo e revisar os seus quereres. O que antes era um grande sonho, talvez tenha se revestido com outra perspectiva. O que antes nem passava pela cabe&#231;a, talvez seja uma grande urg&#234;ncia. O desejo se transforma, n&#227;o desparece &#8211; assim acredito, assim espero.</p><p>Uma vez li no po&#231;o sem funcho da internet que o segredo de uma maternidade feliz &#233; n&#227;o querer. Fiquei triste com essa ideia de resigna&#231;&#227;o. E s&#243; por teimosia continuo querendo muitas coisas. S&#243; que querendo diferente. E diferente justamente porque hoje, dois anos e sete meses depois consigo entender e aceitar que essa mulher, indiv&#237;duo, persona, &#233; tamb&#233;m m&#227;e. Encarregada de outro papel, de outros sentimentos, atravessada por outras camadas. E que assim, nesse grande atravessamento, vers&#245;es morreram, vers&#245;es nasceram.</p><p>Me permiti viver os pequenos lutos. Do&#237;dos, paradoxais, barulhentos. E percebi que pra esse processo n&#227;o havia rede de apoio suficiente, n&#227;o havia tempo preestabelecido, n&#227;o havia receita de bolo. Quanto tempo leva uma m&#227;e para se reencontrar? N&#227;o sei. Acho que de verdade, ela nunca se reencontra. Ela se transforma, se transmuta em outra coisa. E demora um tempo para ela se olhar no espelho e perceber que n&#227;o pode mais ser a mesma. Demora um tempo pra perceber que o tamanho do c&#233;u que paira sobre ela mudou.</p><p>Mas eventualmente, quando a outra de mim ainda me espreita, tiramos um tempinho pra nos abra&#231;armos. Perdoarmos nossas d&#250;vidas e aceitarmos nossos lugares com a imensa satisfa&#231;&#227;o que somente a loucura de ser m&#227;e pode nos conceder.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Yoga e um carnavalesco repertório]]></title><description><![CDATA[Mas na tentativa de aproximar isso que vivemos &#8211; no jarg&#227;o y&#243;gico &#8220;fora do tapete&#8221; eu quero ir al&#233;m.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/yoga-e-um-carnavalesco-repertorio</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/yoga-e-um-carnavalesco-repertorio</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 27 Apr 2026 12:45:40 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Nesse final de semana estive em Holambra ministrando um workshop de ashtanga yoga. Que h&#225; muito pra mim j&#225; &#233; al&#233;m do que um workshop de ashtanga yoga, s&#243; que n&#227;o tenho ainda uma defini&#231;&#227;o melhor. Mas sinto, profundamente, e espero que quem escolhe estar l&#225; comigo tamb&#233;m sinta, que a pr&#225;tica de asanas e o m&#233;todo que escolhemos s&#227;o o pano de fundo. E que, para al&#233;m desse pano de fundo se estendem muitos caminhos.</p><p>H&#225; pr&#225;tica, h&#225; suor, h&#225; o que precisa haver para aquecer os corpos, transpirar as coisas, movimentar os rios. H&#225; o toque, o ajuste, a voz que por vezes guia de longe, o olhar que acompanha o gesto. H&#225; o pr&#225;tico, o f&#237;sico, o corretivo. E tudo isso &#233; importante.</p><p>Mas na tentativa de aproximar isso que vivemos &#8211; no jarg&#227;o y&#243;gico &#8220;fora do tapete&#8221; eu quero ir al&#233;m. Eu quero reverberar sons, entoar mantras, explorar significados e significantes. Quero ultrapassar o gestual e, ainda assim, quero tamb&#233;m abrir portas para que cada um que ali est&#225; possa explorar ao m&#225;ximo suas sensa&#231;&#245;es corporificadas.</p><p>Quando sentamos em roda, quero falar sobre a vida real. Com a propriedade de quem pratica e estuda, mas tamb&#233;m de quem trabalha (pra caramba inclusive) tem fam&#237;lia e outras prioridades para al&#233;m da vida de yoga perfeita - ali&#225;s, ser&#225; que ela existe?. E para isso eu passo por plan&#237;cies com termos em s&#226;nscrito, mas tamb&#233;m por cadeias montanhosas de objetos como escuta ativa, sentimentos, necessidades, auto responsabilidades.</p><p>Porque acredito piamente que em questionamentos profundos e em an&#225;lises honestas da vida real residem aprendizados condizentes com aquilo que est&#225; nas escrituras. Escrituras essas que muitas vezes estudamos, decoramos, analisamos e ainda assim n&#227;o conseguimos aplicar ou consolidar. Que ainda assim, muitas vezes, mais afastam do que aproximam.</p><p>Nesse carnavalesco repert&#243;rio, talvez algu&#233;m se pergunte se esse era mesmo um workshop de ashtanga yoga. E eu respondo que espero que sim. Porque, se tem uma coisa que fui aprendendo ao longo dos anos &#233; a absoluta e infinita abrang&#234;ncia dessa caixinha que nos encaixamos ou fomos encaixados. E se voc&#234; quer sim saber de textos e termos me denfendo bem, t&#225;? S&#243; n&#227;o acredito de verdade que eles bastem pra quem, assim como eu, se aventura nessa vida real do yoga.</p><p>No mais, relendo esse texto, penso que talvez eu queira mesmo &#233; muita coisa. Mas que &#233; de querer em querer que a gente toca mais fundo naquilo que encosta.</p><p>Boa semana pra n&#243;s e obrigada Holambra por me receber de bra&#231;os e cora&#231;&#245;es t&#227;o abertos.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Voltar pra casa.]]></title><description><![CDATA[Casa &#233; um sentimento. Um lugar. Um motivo de existir. Assim como abismo &#233; uma palavra profunda. Onde vez ou outra a gente para e respira, testando o p&#233; no ch&#227;o.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/voltar-pra-casa</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/voltar-pra-casa</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 06 Apr 2026 10:43:24 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p></p><p>A gente roda o mundo e conhece tanto lugar bonito, tantas possibilidades, tantas trocas humanas. Olha da janela de um carro, de um trem, de um avi&#227;o que nos leva al&#233;m e percebe que o mundo &#233; de fato muito maior do que a gente imagina, do que a gente pode imaginar. Porque o que cabe na nossa cabe&#231;a &#233; s&#243; o tamanho da nossa percep&#231;&#227;o do mundo. As fronteiras se esgar&#231;am e nos mostram, nas infinitas promessas de futuro, que talvez nem todos os lugares caibam na palma da nossa m&#227;o e ainda assim h&#225; tanto que nossa alma pede para descobrir.</p><p>Talvez voc&#234; n&#227;o seja assim. Entendo que h&#225; quem goste mais de viajar, de se aventurar, de conhecer o novo que outros. Mas tamb&#233;m sei que de uns tempos pra c&#225;, pelo menos no nosso pa&#237;s e na nossa bolha de realidade social, essas possibilidades de conhecer o mundo (pa&#237;ses ou cidades) se fez mais presente, ocupou um status de desejo e &#8211; longe de ser algo ruim, nos obrigou a olhar pra fora, pro diferente, praquilo que a gente n&#227;o tem aqui. Nesse contexto coisas como: voltar, ficar, permanecer, sobretudo no mesmo lugar, denotam algo negativo, conotam retroceder e em um mundo que se organiza pautado na evolu&#231;&#227;o o olhar ou voltar pra tr&#225;s &#233; pouco valorizado.</p><p>Mas como esse espa&#231;o &#233; de primeira pessoa, me sinto na necessidade de te contar: eu gosto de viajar, gosto da possibilidade de explorar o mundo. Gosto de passar dias em conex&#245;es a&#233;reas pra conhecer novas culturas e gosto de fazer o mundo parecer algo pequeno e poss&#237;vel. Mas tem uma coisa que eu gosto mais e essa coisa se chama voltar pra casa.</p><p>Casa &#233; um sentimento. Um lugar. Um motivo de existir. Assim como abismo &#233; uma palavra profunda. Onde vez ou outra a gente para e respira, testando o p&#233; no ch&#227;o.</p><p>Casa &#233; um lugar no tempo.</p><p>E pra mim, n&#227;o importa muito onde a moradia fica, porque casa &#233; a terra que me fez. Acredito nisso, sabe, de que somos feitos desse substrato que nos forja e nos molda. O clima, o tamanho, a cultura, a l&#237;ngua, as pessoas. Gostemos ou n&#227;o. Cada um de n&#243;s, por mais longe que tenha ido e nunca mais voltado, carrega a casa consigo.</p><p>No meu caso a casa &#233; logo ali, 320km de dist&#226;ncia de onde eu moro. Um lugar ao sul do sul do mundo, com natureza extrema, absoluta, impiedosa. Um lugar pequeno, com pessoas reais. Um lugar imenso, com um mar que n&#227;o conhece o fim e ventos que n&#227;o conhecem a hora de parar. Esse lugar &#233; casa. E faz parte de quem eu sou, ainda que eu tenha precisado sair, fugir, esquecer muitas vezes dele para chegar a essa conclus&#227;o.</p><p>O passar do tempo tem me mostrado, que sem d&#250;vida, sou mais feliz quando estou em casa. Sou mais eu. Como um espiral que passa sempre nos mesmos lugares em camadas diferentes, cada vez que revisito, percebo o quanto de mim se aprofunda, se percebe, se reconhece. Vou e volto e uma certeza se solidifica, casa &#233; lugar de ser.</p><p>Lugar onde a gente &#233; quem &#233; sem esfor&#231;o, sem performance, sem armadilhas. E as vezes, por algum tempo, a gente quer sempre ir mais longe e mais al&#233;m em busca de algo que a gente nem sabe bem o que &#233;. E quase sempre o que a gente procura j&#225; estava l&#225;, o tempo todo. Sempre l&#225;.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[urgente]]></title><description><![CDATA[Toda uma urg&#234;ncia]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/urgente</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/urgente</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 23 Mar 2026 11:03:38 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Toda uma urg&#234;ncia</p><p>De te ver passar</p><p>Voltar a escrever</p><p>Para n&#227;o me afogar em mim mesma</p><p>Soltar meus dem&#244;nios no mundo e</p><p>deixa-los</p><p>sem donos</p><p>Uma urg&#234;ncia de voltar a sentir o gosto das coisas</p><p>Rir do &#243;bvio</p><p>Chorar s&#243; do triste da vida</p><p>Uma urg&#234;ncia para viver al&#233;m de tudo isso</p><p>De viver para tudo isso</p><p>De viver com tudo isso</p><p>De viver com tudo</p><p>De viver com</p><p>De viver</p><p>Urgentemente.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://valentinaasmus.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Valentina&#8217;s Newsletter! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Eu e minha caneca feia.]]></title><description><![CDATA[Eu n&#227;o sou ceramista e posso provar. Mas esse texto vai te contar sobre como fui parar em uma oficina de cer&#226;mica.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/eu-e-minha-caneca-feia</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/eu-e-minha-caneca-feia</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 09 Mar 2026 10:03:42 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente a Pilar, que &#233; psic&#243;loga de forma&#231;&#227;o, foi minha aluna de yoga e &#233; uma mulher que admiro pela forma de se colocar no mundo, abriu um espa&#231;o de atendimento individual de psicoterapia e de arte terapia em grupo, utilizando a cer&#226;mica como forma art&#237;stica, manual e cinest&#233;sica de observar e explorar nossas infinitas possibilidades de estar e ser. No final do ano passado a Pilar me fez um convite para conhecer o espa&#231;o e produzir a minha pr&#243;pria pe&#231;a.</p><p>Eu venho uma fam&#237;lia onde as mulheres possuem altas habilidades manuais art&#237;sticas. Minha m&#227;e faz croch&#234;, tric&#244;, tear, vestidos de noivas artesanais e todo o resto de coisas que voc&#234;s possam imaginar. Ela e minha tia tiveram, durante anos, uma malharia e uma confec&#231;&#227;o. A minha prima tem uma escola de bordados em S&#227;o Paulo, onde ensina t&#233;cnicas de bordados franceses &#8211; mas esque&#231;a tudo que voc&#234; pensa sobre bordados, porque o dela &#233; obra de arte. Dito isso, eu coloco os p&#233;s atr&#225;s da cabe&#231;a, falo bem em p&#250;blico, me viro escrevendo s&#243; que, definitivamente, eu n&#227;o herdei esse gene do fazer das artes manuais.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://valentinaasmus.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/valentinaasmus.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p>Mas eu fui. Aceitei o convite da Pilar, coloquei meu avental e me entreguei ao processo da cer&#226;mica que &#233;, realmente, m&#225;gico. A mat&#233;ria ganha inten&#231;&#227;o, cada gesto coloca marcas sobre a argila e vai transformando o abstrato em denso. Nesse processo, se aprende muita coisa. Nossa rela&#231;&#227;o com as formas, nossa constru&#231;&#227;o de expectativas e resultado. <strong>Se aprende sobre paci&#234;ncia, controle (sobre a ideia de) e entrega &#8211; ali&#225;s um processo muito parecido com o yoga.</strong> Depois de moldar a pe&#231;a a gente espera secar (me desculpem os ceramistas de plant&#227;o se os termos n&#227;o forem os melhores). Depois a gente volta pra esmaltar e depois a Pilar liga pra gente e avisa que a pe&#231;a t&#225; pronta.</p><p>Eai, meus amigos, &#233; a&#237; que o bicho pega. Porque a pe&#231;a pronta, pra quem como eu tem altas expectativas e padr&#245;es est&#233;ticos, &#233; um tapa na cara. Sim, a minha caneca ficou feia. Grossa demais, com uma al&#231;a meio torta e meio grande e ela acomoda uma quantidade de caf&#233; muito menor do que a que eu preciso para acordar. Mas ainda assim, ela despertou em mim uma <strong>ternura bonita</strong>. N&#227;o sei muito bem como explicar, mas essa pe&#231;a utilit&#225;ria feia, me deu permiss&#227;o para fazer coisas mal feitas. Tirou o peso do mundo, que insiste em nos convencer que precisamos ser bons e perform&#225;ticos em tudo que fazemos. Me mostrou que nem tudo precisa discorrer como a gente quer, como a gente espera, como a gente precisa que. Ela abriu as portas dos repert&#243;rios, arrega&#231;ou uma fronteira. Ensinou, sobre a boniteza do mundo imperfeito.</p><p>Curiosamente ou n&#227;o, ela &#233; a caneca que volta e meia eu escolho pra tomar meu caf&#233; (em duas levas) e &#233; tamb&#233;m a caneca que o Caio &#8211; meu filho de 2 anos, sempre escolhe para eu tomar meu caf&#233; (porque estamos nessa fase da mini vida dele). E isso tudo me faz refletir sobre como, na inf&#226;ncia e no nosso processo mais &#237;ntimo e original de existir no mundo a gente possui a leveza de olhar os resultados pelo que eles s&#227;o de fato e n&#227;o pelas lentes que a sociedade coloca sobre eles.</p><p>Ao fim, exercitando essa ternura de olhar, abro espa&#231;o para me permitir. Para digerir o indigesto &#8211; proposta que talvez seja o pano de fundo do <em><strong><a href="https://www.instagram.com/indigestaespaco/">Indigesta espa&#231;o.</a></strong></em> E claro, sirvo um caf&#233; quase todas as manh&#227;s na caneca feia, <strong>feliz.</strong> </p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Pensar. Movimentar. Deslocar.]]></title><description><![CDATA[Afinal, n&#227;o &#233; exatamente isso que a vida prop&#245;e? Sem ensaio, sem mapas precisos, sem momento certo, &#233; preciso fazer, no tempo de agora. Pensar enquanto se faz, enquanto se escreve.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/pensar-movimentar-deslocar</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/pensar-movimentar-deslocar</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 09 Feb 2026 10:14:04 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Tem livros que a gente compra pela tem&#225;tica, tem livros que a gente l&#234; por indica&#231;&#227;o, tem aqueles que nos capturam pela capa ou pelo autor. E tem os que nos aproximam pelo t&#237;tulo.</p><p>Eu n&#227;o tenho descend&#234;ncia italiana, at&#233; onde saiba. Mas me comunico com as m&#227;os. Acredito nessa energia. No toque, no gesto, na escrita que escorre do cora&#231;&#227;o pelos dedos. E eis ent&#227;o que o livro da Mar&#237;lia Garcia passou por mim e me tocou, porque ele se chama <strong>&#8220;Pensar com as m&#227;os&#8221;</strong>.</p><p>&#201; um livro de poesia ou para a poesia. Investigativo. Ritmado e cheio de movimento. Caminhar, viajar, mudar de lugar aparece como forma de pensamento. O poema anda, para, volta, recome&#231;a - como algu&#233;m que pensa em voz alta. Como a vida em si que passa o tempo todo questionando: &#8220;como isso est&#225; sendo feito?&#8221; enquanto est&#225; sendo feito.</p><p>Afinal, n&#227;o &#233; exatamente isso que a vida prop&#245;e? Sem ensaio, sem mapas precisos, sem momento certo, &#233; preciso fazer, no tempo de agora. Pensar enquanto se faz, enquanto se escreve, enquanto o corpo participa do racioc&#237;nio.</p><p>Meu ponto de convers&#227;o sempre passa por aqui: o movimento. Deslocar-se no espa&#231;o atrav&#233;s do corpo e usar desse instrumento como a ferramenta que direciona e impulsiona. Come&#231;ar por ele, escolher uma palavra &#8211; movimento de letras, s&#237;labas e fonemas, que vai inventar um mundo. Escolher um movimento que direciona o caminho, a jornada e o rompimento das fronteiras f&#237;sicas.</p><p>Em um mundo et&#233;reo e virtual, onde a informa&#231;&#227;o excessiva e o intelecto se sobrep&#245;em &#224; densidade natural dos fatos o movimento e, porque n&#227;o a palavra, nos puxam de volta para terra. Nos d&#227;o ch&#227;o, base, fundamento. Lugar por onde transitar firmes em n&#243;s mesmos.</p><p>No meu universo o pensamento n&#227;o &#233; s&#243; abstrato, ele acontece no gesto, na escrita, no ritmo da m&#227;o no papel, no corpo que dan&#231;a, que nada, que faz posturas, que se desloca com o vento. E o pensamento se mostra um como processo, n&#227;o como conclus&#227;o. Deixando abertas portas importantes para entender o fluxo da mente como algo que passa. Ininterruptamente.</p><p>Entre a poesia e o ensaio, Mar&#237;lia escreve poemas que parecem racioc&#237;nios em andamento<em> </em>que<em> </em>dialoga muito bem com vertentes da poesia brasileira contempor&#226;nea. E uma vez terminada a leitura, fiquei pensando com as m&#227;os, os olhos, e o cora&#231;&#227;o que j&#225; passou da hora de voltar a beber mais poesia e permitir olhares que se movimentam mais com a natureza bonita do mundo.</p><p>Pra quem gosta, ou como eu precisa, de dicas de leituras, espero que essa news chegue em boa hora. <br><br>Bom semana pra n&#243;s. </p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Adeus ou nos vemos por aí? ]]></title><description><![CDATA[N&#227;o &#233; de hoje que minha presen&#231;a nas redes tem se tornado irregular. Talvez voc&#234; tenha notado, talvez n&#227;o e pro bem de todo mundo isso n&#227;o faz nenhuma diferen&#231;a na sua vida nem na minha.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/adeus-ou-nos-vemos-por-ai</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/adeus-ou-nos-vemos-por-ai</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 26 Jan 2026 22:00:33 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Faz tempo que notei a necessidade de fazer os primeiros experimentos na vida off depois da vida onn. Lembra como era? Inclusive j&#225; usei esse canal &#8211; &#224;s vezes obsoleto eu sei, para falar sobre isso.</p><p>Comecei aos finais de semana, repensando as horas de lazer e fam&#237;lia e o significante da presen&#231;a em cada um deles com o telefone na m&#227;o. Num primeiro momento parecida apenas a necessidade de estar mais presente, n&#227;o que isso seja pouco. As redes me tiravam de instantes que considerava preciosos demais para n&#227;o serem vividos por inteiros. Notei que a cada segunda-feira ficava mais dif&#237;cil voltar e, na necessidade que se formava de afastamento, fui me permitindo n&#227;o voltar depressa. Nisso aconteceu um caminho de sutiliza&#231;&#227;o interessante. Camadas foram sendo expostas da din&#226;mica social e comportamental que as redes alimentam. Comecei a questionar de forma profunda se minhas escolhas estavam sendo pautadas em vontades e desejos genu&#237;nos ou edificadas a partir do que a rede ditava como cool, belo ou necess&#225;rio.</p><p>Os livros que leio, o caf&#233; que preparo, as pessoas que convivo, as marcas que uso, os lugares que frequento, as narrativas que construo. S&#227;o minhas? Ou s&#227;o empr&#233;stimos do que a sociedade estipulou?</p><p>Outra camada interessante est&#225; sendo ressignificar o papel de um perfil que precisa ser constru&#237;do e abastecido. A personagem que est&#225; ali representada e precisa ser sustentada por conte&#250;dos programados e estruturados para que o outro pense de mim tal qual me desenhei.</p><p>Me tornei mais observadora dos ambientes que frequento e dos meus comportamentos. Nessa an&#225;lise descompromissada percebi que os melhores momentos eram de fato aqueles em que esquec&#237;amos de tirar a foto, de postar sobre e expor a experi&#234;ncia. E por mais que eu considere tudo que levo pra rede verdade (no sentido de que n&#227;o atuo ou minto para tal) &#233; inevit&#225;vel sucumbir a for&#231;a do recorte que a rede imp&#245;e. E atrav&#233;s desses pequenos recortes, a mensagem que passamos inspira ou frustra? Ajuda ou alimenta inseguran&#231;as?</p><p>&#201; claro que, de certa forma, o mundo sempre se construiu assim, atrav&#233;s dos pap&#233;is e narrativas, hist&#243;rias e imagens. E da necessidade do capital neoliberal de instigar a falta atrav&#233;s do inspiracional. Mas o mundo se construiu assim de maneira mais lenta, anal&#243;gica e menos acess&#237;vel. Ent&#227;o a gente bebia com sede dessa fonte, mas n&#227;o tinha as ferramentas de ser afogado por ela.</p><p>E agora estamos todos assim, afogados e nadando cada vez mais pro fundo. Afastando cada vez mais o p&#233; do ch&#227;o. Deixando a margem longe, t&#227;o longe que mal pode ser vista.</p><p>Alguns de n&#243;s (nem melhores nem piores) n&#227;o querem mais boiar nas correntes. Nessa onda acabei entrando em contato com muitos conte&#250;dos relacionados a esse esgotamento digital e perform&#225;tico e tenho percebido que existe vida ap&#243;s instagram. Existem meios de se comunicar, de se construir profissionalmente, de vender seu produto, com uma presen&#231;a sadia nas redes sociais que pode nos trazer mais contato com a gente mesmo, mais sa&#250;de mental, senso cr&#237;tico de verdade e contentamento em rela&#231;&#227;o &#224; nossa pr&#243;pria vida.</p><p>Por isso n&#227;o sei se &#233; um adeus ou s&#243; um nos vemos por a&#237;. Porque, como muitos, n&#227;o tenho isso seguro no meu &#237;ntimo e porque, no alto dos meus anos sei tamb&#233;m que a vida &#233; c&#237;clica e impermanente. Mas o que eu sei &#233; que aquilo que a gente v&#234; n&#227;o pode ser desvisto e que esse tempo que tenho vivido off-line tem sido precioso demais.</p><p>Por hora, escrevo quando sinto que preciso. Quando posso e por privil&#233;gio, quando quero. E vou exercitar a rotina de escrever mais aqui. Quem sabe com trocas mais humanas e menos desgastantes. Mas tudo isso &#233; s&#243; ideia.</p><p>Boa semana pra n&#243;s.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://valentinaasmus.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption"></p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[37 invernos]]></title><description><![CDATA[E nesse brev&#237;ssimo intervalo de reflex&#227;o, o tempo de agora &#8211; que n&#227;o &#224; toa &#233; presente.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/37-invernos</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/37-invernos</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 21 Jul 2025 11:13:08 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>A linearidade do tempo &#233; subjetiva. A nossa percep&#231;&#227;o dela, nem tanto. O tic tac do rel&#243;gio que nos avisa o seu passar &#233; marcado por ritual&#237;sticas e linguagem espec&#237;ficas que, temporalmente, sussurram sua urg&#234;ncia aos nossos ouvidos: a vida passa.</p><p>Ontem celebrei 37 invernos (e n&#227;o primaveras como desejaria, j&#225; que amo calor e sol0. &#201; o tempo que passou e o tempo que se projeta. E nesse brev&#237;ssimo intervalo de reflex&#227;o, o tempo de agora &#8211; que n&#227;o &#224; toa &#233; presente.</p><p>E se eu pudesse voltar no tempo? E se eu pudesse ver o tempo? O que faria de diferente? Sobretudo, faria algo de diferente? E se pudesse saber do futuro, isso seria uma ben&#231;&#227;o?</p><p></p><blockquote><p><em><strong>"Tempo, tempo, tempo, tempo<br>&#201;s um dos deuses mais lindos"</strong></em></p><p><em><strong>- Caetano Veloso</strong></em></p></blockquote><p></p><p>Voltando no tempo eu diria para todas as Valentinas, de todos os invernos anteriores, que est&#225; tudo bem. Que elas fizeram um &#243;timo trabalho me trazendo at&#233; aqui. Que todas as suas decis&#245;es foram essencialmente boas, sem romantismos. Que at&#233; nos momentos mais confusos, obscuros e desesperadores, as coisas acabaram encontrando caminhos bonitos. Que elas fiquem tranquilas, o universo ser&#225; generoso. Que teremos algumas perdas, mas muito mais ganhos. Que tudo, ou quase tudo, que parecia muito importante, na verdade n&#227;o era. Que a Valentina de hoje, de 37 invernos, mal consegue lembrar exatamente o que eram essas coisas t&#227;o importantes.</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://valentinaasmus.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/valentinaasmus.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p></p><p>Talvez se pudesse v&#234;-lo eu pararia de correr atr&#225;s dele. Convidaria o tempo a se sentar comigo, passar um caf&#233;, contar algumas hist&#243;rias, observar o Caio brincar. Pediria que ficasse mais um pouco, que me abra&#231;asse, que n&#227;o tivesse pressa de ir embora. Que constru&#237;sse comigo essa disciplina de apenas estar criando espa&#231;os, possibilidades, pequenezas bonitas e cotidianas.</p><p>Se faria algo diferente ou n&#227;o tem exatamente um total de zero import&#226;ncia. Pelo simples fato de que n&#227;o &#233; poss&#237;vel. E o tempo, que sentou comigo e tomou um caf&#233; me ensinou isso tamb&#233;m.</p><p>Sobre o futuro, gosto das entrelinhas e das possibilidades dispon&#237;veis e abertas para a manifesta&#231;&#227;o. &#192;s vezes caio na tenta&#231;&#227;o de querer tecer o tempo com minhas pr&#243;prias m&#227;os, sobre meus pr&#243;prios termos. A&#237; respiro fundo. Percebo que posso soltar esse controle e exercer essa bondade comigo mesma. Percebo que querer ser a artes&#227; do tempo me limita, me anseia e muitas vezes me sufoca.</p><p>Fecho olhos, hoje, 37 invernos depois, e pe&#231;o:</p><p>As ben&#231;&#227;os do tempo. E a coragem de saber observ&#225;-lo no seu pr&#243;prio desenrolar.</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Sobre a construção da imagem]]></title><description><![CDATA[hoje tudo precisa estar constru&#237;do em cima de uma narrativa, nos tirando da primeira pessoa do singular e transformando todos n&#243;s em pequenas marcas que querem ser grandes.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/sobre-a-construcao-da-imagem</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/sobre-a-construcao-da-imagem</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 30 Jun 2025 10:15:13 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Vivemos nessa constru&#231;&#227;o constante e incessante da nossa imagem. Vivemos dela e pra ela, como se a imagem que criamos para mostrar ao mundo fosse a nova divindade a ser adorada. O que escolhemos vestir, como queremos ser vistos, que marcas queremos carregar. A sociedade atual se constr&#243;i assim - e loucamente meu corretor autom&#225;tico acabou de trocar constr&#243;i por controla. No fim pensei: d&#225; no mesmo.</p><p>Essa constru&#231;&#227;o n&#227;o &#233; aleat&#243;ria. Ela &#233; bem estudada e estruturada para que a gente perca o controle de si mesmo. Se n&#227;o sabemos mais quem somos para al&#233;m do que nos esfor&#231;amos para parecer ser, como valorizar nossa autonomia?</p><p>Tenho refletido muito sobre isso. Sobre o quanto minhas escolhas s&#227;o de fato minhas genuinamente ou s&#227;o fruto de uma arquitetura voltada para o que os outros perceber&#227;o de mim atrav&#233;s daquilo que escolho mostrar pela imagem e pela narrativa. Sim, porque hoje tudo precisa tamb&#233;m estar constru&#237;do em cima de uma narrativa, nos tirando da primeira pessoa do singular e transformando todos n&#243;s em pequenas marcas que querem ser grandes. </p><p>&#201; complexo. Eu sei. Ali&#225;s, imagino, porque a resposta nunca chega. De coisas triviais como: </p><p>- eu escolheria tomar caf&#233; nessa x&#237;cara, mesmo se n&#227;o for fotografar e postar?</p><p>At&#233; quest&#245;es mais complexas como: </p><p>- filmar minha pr&#225;tica de yoga e mostrar pro mundo a torna menos introspectiva e v&#225;lida ou pode ser um caminho de inspira&#231;&#227;o para outras pessoas?</p><p>Nesses debates internos que surgem &#233; dif&#237;cil perceber as margens fr&#225;geis de cada situa&#231;&#227;o. Porque o mundo est&#225; assim, transformado naquilo que aparece, engaja, pode ser resumido em trinta segundos da sua aten&#231;&#227;o. Obrigada. Pr&#243;ximo.</p><p>Quando toda essa bagun&#231;a me aflige muito, escrevo. Fa&#231;o listas, coloco palavras sem sentido num papel, redijo cartas que nunca vou mandar. N&#227;o sei, mas me parece que a palavra tem esse poder para al&#233;m da imagem. E veja bem, nem melhor nem pior, apenas al&#233;m. A palavra abre espa&#231;o para a imagina&#231;&#227;o abstrata, autoral do indiv&#237;duo e suas ferramentas dispon&#237;veis para encarar os processos sem defini&#231;&#227;o. O texto &#233; s&#243; um texto, que pouco gente ainda tem ganas e paci&#234;ncia de ler e por isso me soa tamb&#233;m como uma pequena resist&#234;ncia &#224; lei da imagem constru&#237;da.</p><p>N&#227;o que agora, logo agora, a gente v&#225; conseguir se desenredar desse fio. A gente n&#227;o vai. Mas existem lugares de escape. E por alguns momentos eu penso que &#233; poss&#237;vel se refugiar neles. Ser&#225;?</p><p>O mundo &#233; visual. Somos seres visuais. A linguagem imag&#233;tica faz parte de nossas exist&#234;ncias para muito al&#233;m dos quadrados das redes sociais e nos ajuda na compreens&#227;o e entendimento do mundo. Amplia nossa capacidade sensorial e enrique a nossa experi&#234;ncia.  Nessa reflex&#227;o quero apenas movimentar o substrato das nossas escolhas e, qui&#231;a, trazer algum inquietamento em rela&#231;&#227;o, n&#227;o &#224; imagem em si, mas a nossa constante preocupa&#231;&#227;o em rela&#231;&#227;o a sua constru&#231;&#227;o para contar uma narrativa que nem sequer &#233; verdadeira - apenas imaginada para que o outro a perceba de tal forma. E o quanto isso desgasta nossas rela&#231;&#245;es, nossa sa&#250;de mental e nossa percep&#231;&#227;o do tempo. </p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://valentinaasmus.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Valentina&#8217;s Newsletter! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[ Apertem os cintos ]]></title><description><![CDATA[Poderia ser mais o come&#231;o de uma semana normal, com agenda cheia e rotinas previs&#237;veis. Mas na porta, as malas me lembram: n&#227;o ser&#225;.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/apertem-os-cintos</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/apertem-os-cintos</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 20 Jan 2025 09:08:51 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Escrevo esse texto tomando um caf&#233; rec&#233;m passado cujo o cheiro invade a sala. Poderia ser mais o come&#231;o de uma semana normal, com agenda cheia e rotinas previs&#237;veis. Mas na porta, as malas me lembram: n&#227;o ser&#225;.</p><p>Em agosto de 2024 meu professor abriu as inscri&#231;&#245;es para a sua pr&#243;xima temporada que aconteceria de dezembro (2024) a fevereiro (2025). Em agosto Caio tinha 10 meses, meu mundo ainda parecia muito de cabe&#231;a pra baixo, eu ainda estava muito distante do ponto onde me encontro agora, escrevendo pra voc&#234;s, levemente mais l&#250;cida.</p><p>Mas existia uma fa&#237;sca, um inc&#244;modo, uma borboleta na barriga que me dizia para entrar no site, aplicar e ver o que o universo me traria de reposta. E assim, fui aceita para minha quinta temporada de estudos. A &#205;ndia me chamava de novo e eu, surpreendentemente, me sentia pronta (?) para o que ela tinha a me dizer.</p><p></p><blockquote><p><em><strong>&#8220;Caminhante, n&#227;o h&#225; caminho, o caminho se faz ao caminhar&#8221; &#233; uma frase do poeta espanhol Ant&#244;nio Machado</strong></em></p></blockquote><p></p><p>S&#243; que a vida seguiu seu curso. Inesperado e incontrol&#225;vel. Sharathji fez sua passagem em novembro, aos 53 anos, cedo demais, deixando tristeza demais, incertezas demais. A &#205;ndia ( com um beb&#234;) sem o objetivo de estudar, valeria a pena? Sem o objetivo de encontra-lo, estar em sua presen&#231;a, ainda valeria a pena?</p><p>No melhor estilo <em><strong>A VIDA &#201; AGORA</strong></em>, decidimos ( eu e Dudu &#8211; meu marido, pai do Caio e companheiro de aventuras) que a viagem seria mantida e renovamos nossos votos com os 14.766 km que nos separam do nosso destino. Ao fim e ao cabo, a &#205;ndia j&#225; me deu muito e resolvi que, tendo passagens compradas, precis&#225;vamos apenas de um ajuste das velas para seguir a travessia.</p><p>Ser&#227;o 20 dias (e n&#227;o 40 como o plano inicial), 8 voos, 5 cidades, muitos quil&#244;metros e se tudo der certo, muitas aventuras. Ser&#225; tamb&#233;m a oportunidade que o universo me ofereceu de mostrar aos meus um pouco do que me construiu, de levar o Caio com um ano e quatro meses pro outro lado do globo e dizer: viu filho, o mundo &#233; gigante, cheio de gente diferente, potente, igualmente importante. De encerrar (talvez) um ciclo importante em Mysore, que come&#231;ou l&#225; em 2016. De agradecer a &#205;ndia por tudo que ela me deu at&#233; aqui &#8211; conhecimento, amigos, fam&#237;lia, oportunidades, horizontes alargados, uma carga extra de coragem.</p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://valentinaasmus.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscreva agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/valentinaasmus.substack.com/subscribe"><span>Subscreva agora</span></a></p><p>Ent&#227;o, terminado o caf&#233;, &#233; hora de pegar as malas e seguir, pra nossa grande aventura. Na certeza de que ningu&#233;m pisa nesse pa&#237;s e volta igual.</p><p>Com as b&#234;n&#231;&#227;os de todos os santos e todos os deuses e  apoio de tr&#234;s marcas especiais que acreditaram na nossa aventura  <em><strong><a href="https://www.instagram.com/thenorthface/">THE NORTH FACE</a> // <a href="https://www.instagram.com/biamarmalhas/">BIAMAR MALHAS </a>// <a href="https://www.instagram.com/yamys.baby/">YAMYS</a>, </strong></em>o pr&#243;ximo texto ser&#225; de l&#225;!</p><p>At&#233; breve.</p><p>Com carinho ( e frio na barriga),</p><p>Valentina</p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Sempre voltando]]></title><description><![CDATA[Precisava entender a dimens&#227;o do que me acontecia e perceber que somente se compreende essa dimens&#227;o quando mergulhamos nela.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/sempre-voltando</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/sempre-voltando</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 06 Jan 2025 11:00:16 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>&#201; a primeira segunda-feira do ano. Dia &#250;til oficial e tamb&#233;m saudoso dia oficial dos meus textos na caixa de quem assina essa newsletter.</p><p>Por isso, oi, tudo bem por ai? Quanto tempo!</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://valentinaasmus.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler Valentina&#8217;s Newsletter! Subscreva gratuitamente para receber novos posts e apoiar o meu trabalho.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div><p>Voltei. Mas sinto que fui e voltei tantas vezes no &#250;ltimo ano que parece apenas repeti&#231;&#227;o. Foram muito os dias em que tentei escrever, de forma consistente.</p><p>Coisas profundas, coisas cotidianas, a cor do c&#233;u, a altura de um degrau, no caderno, no celular, no guardanapo, no computador. E nada parecia de fato acontecer.</p><p>Decidi ent&#227;o respeitar esse vazio que me preenchia. E que coisa bem dif&#237;cil essa de aceitar o vazio, numa sociedade que n&#227;o conhece e n&#227;o respeita os lugares de pausa, descanso e sil&#234;ncio. Atravessei esse ano tentando muita coisa, sobretudo ser m&#227;e- a tarefa mais linda e desafiadora de todas.</p><p>Percebi que para voltar a escrever precisava primeiro outras coisas. Precisava curar parte do luto que a maternidade me trouxe. Compreender a parte de mim que j&#225; n&#227;o existe mais, aceitar, chorar e deixar ir. Precisava tamb&#233;m entender a dimens&#227;o do que me acontecia e perceber que somente se compreende essa dimens&#227;o quando mergulhamos nela.</p><p>E por isso mergulhei. Deixei projetos de lado, produzi menos do que a Valentina n&#227;o m&#227;e gostaria. Abandonei por alguns dias a pr&#225;tica de yoga, de mantras, de medita&#231;&#227;o. Cozinhei pouco minha pr&#243;pria comida, exercitei menos esse corpo do que ele precisava. Mas estava mergulhada, profundamente imersa. E estava em paz.</p><p>Dessa paz, que muito me custou, pouco a pouco pude nadar de encontro &#224; mim mesma. E em cada bra&#231;ada sinto que me aproximo da margem, da superf&#237;cie, do lugar onde, finalmente, posso respirar mais serenamente.</p><p>Portanto, aqui estou. De volta &#224; algumas linhas. Juntando letras, recolhendo peda&#231;os, encaixando as ideias e trazendo elas pro mundo. Porque escrever se escreve escrevendo ( li outro dia no perfil da @daniarrais).</p><p>A quem aqui ficou, com calma, paci&#234;ncia e afeto, meu muito obrigada. E at&#233; breve!</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://valentinaasmus.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscrever&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigada por chegar aqui. Se quiser receber meus textos na tua caixa subscreva gratuitamente.</p></div><form class="subscription-widget-subscribe"><input type="email" class="email-input" name="email" placeholder="Digite o seu e-mail..." tabindex="-1"><input type="submit" class="button primary" value="Subscrever"><div class="fake-input-wrapper"><div class="fake-input"></div><div class="fake-button"></div></div></form></div></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[A corporificação da experiência]]></title><description><![CDATA[Exerc&#237;cios que fazem emergir o corpo desconhecido sob a forma de express&#245;es e padr&#245;es. Para que atrav&#233;s da repeti&#231;&#227;o do olhar que se lan&#231;a sobre n&#243;s mesmos se comece um descobrimento de quem somos.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/a-corporificacao-da-experiencia</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/a-corporificacao-da-experiencia</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 11 Dec 2023 11:00:03 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!gIw1!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc56d75a9-68f7-43d4-af78-26e1cf3dbd69_1044x792.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em><strong>&#8220; H&#225; uma vitalidade, uma for&#231;a vital, uma energia, um est&#237;mulo que se traduz em voc&#234; pelo seu ato, porque s&#243; h&#225; uma de voc&#234; o tempo todo; essa express&#227;o &#233; &#250;nica. Se voc&#234; a det&#233;m, ela nunca existir&#225; por nenhum outro meio e se perder&#225;.&#8221; </strong></em></p><p><em><strong>Martha Graham</strong></em></p></blockquote><p></p><p>A experi&#234;ncia &#233; um evento corporificado. A forma como elaboro aquilo que me acontece, como organizo e  manifesto o resultado do que me acontece passa pelo corpo f&#237;sico. E ele tem sido uma fonte inesgot&#225;vel e inspiradora de estudo, auto estudo e infinitos desdobramentos por aqui com todas as &#250;ltimas transforma&#231;&#245;es.</p><p>Foram, at&#233; agora, 39 semanas de gesta&#231;&#227;o e 82 dias de puerp&#233;rio. Sim, estou contando. E al&#233;m de contar, estou tamb&#233;m redescobrindo um corpo atrav&#233;s de muitas nuances, mas a principal delas &#233; a minha pr&#225;tica de yoga. </p><p>Um dos pap&#233;is da pr&#225;tica &#233; a purifica&#231;&#227;o energ&#233;tica das camadas sutis atrav&#233;s do corpo f&#237;sico. A pr&#225;tica de asanas &#233; esse caminho para a sa&#250;de f&#237;sica, t&#227;o necess&#225;ria para que a medita&#231;&#227;o, o estudo e as pr&#225;ticas sutis de entendimento e observ&#226;ncia da mente aconte&#231;am. Sem o m&#237;nimo bem estar f&#237;sico n&#227;o se consegue ultrapassar qualquer fronteira. Voc&#234;s j&#225; tentaram sentar e aquietar a mente quando est&#227;o doentes? Quando est&#227;o com dor? Quando est&#227;o com fome? Dif&#237;cil, n&#233;?</p><p>Muito comumente no caminho do yoga se escuta ou at&#233; mesmo estuda um certo desprezo por aquilo que &#233; f&#237;sico. Algumas correntes filos&#243;ficas inclusive tratam o corpo como algo impuro que precisa ser deixado de lado para que o estado de ilumina&#231;&#227;o/libera&#231;&#227;o possa acontecer. &#201; preciso deixar o corpo para sair do corpo, ou das amarras do ego.</p><p>Outras correntes, por sua vez, nos dizem que n&#227;o. Que a consci&#234;ncia, que tudo permeia, permeia tamb&#233;m o corpo, permeia os desejos desse corpo e tudo mais que est&#225; de alguma forma atrelado a nossa exist&#234;ncia dual. Inclusive em v&#225;rios mitos da cria&#231;&#227;o a consci&#234;ncia nasce desse desejo, desse ardor, de se experimentar e se enxergar de diversas outras formas.</p><p>As pr&#225;ticas corporais possibilitam organizar as posturas f&#237;sicas, dentro de uma tradi&#231;&#227;o, de um sistema, muito bem pensado e ordenado como &#233; o caso do ashtanga e assim desorganizar posturas emocionais, gerando sentimentos, invocando pontos de conforto e desconforto, lembran&#231;as.</p><p>O que se faz s&#227;o exerc&#237;cios que fazem emergir o corpo desconhecido sob a forma de express&#245;es e padr&#245;es. &nbsp;Para que atrav&#233;s da repeti&#231;&#227;o do olhar que se lan&#231;a sobre n&#243;s mesmos de forma atenta e consciente se comece um trabalho interno sobre o descobrimento de quem somos.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!gIw1!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc56d75a9-68f7-43d4-af78-26e1cf3dbd69_1044x792.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!gIw1!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_424, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_webp, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc56d75a9-68f7-43d4-af78-26e1cf3dbd69_1044x792.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!gIw1!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_848, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_webp, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc56d75a9-68f7-43d4-af78-26e1cf3dbd69_1044x792.png 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!gIw1!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_1272, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_webp, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc56d75a9-68f7-43d4-af78-26e1cf3dbd69_1044x792.png 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!gIw1!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_1456, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_webp, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc56d75a9-68f7-43d4-af78-26e1cf3dbd69_1044x792.png 1456w" sizes="100vw"><img src="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!gIw1!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc56d75a9-68f7-43d4-af78-26e1cf3dbd69_1044x792.png" width="1044" height="792" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/c56d75a9-68f7-43d4-af78-26e1cf3dbd69_1044x792.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:792,&quot;width&quot;:1044,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:1272241,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:true,&quot;topImage&quot;:false,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!gIw1!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_424, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_auto, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc56d75a9-68f7-43d4-af78-26e1cf3dbd69_1044x792.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!gIw1!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_848, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_auto, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc56d75a9-68f7-43d4-af78-26e1cf3dbd69_1044x792.png 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!gIw1!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_1272, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_auto, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc56d75a9-68f7-43d4-af78-26e1cf3dbd69_1044x792.png 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!gIw1!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_1456, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_auto, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc56d75a9-68f7-43d4-af78-26e1cf3dbd69_1044x792.png 1456w" sizes="100vw" loading="lazy"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p></p><p>Herman Hesse, em Sidarta, fala sobre essa express&#227;o do corpo como espelho de uma forma que eu acho muito bonita. &nbsp;Onde o barqueiro, sentado a beira do rio observando o fluxo do rio, aprende sobre o seu pr&#243;prio rio interior. N&#243;s em p&#233; sobre o nosso pr&#243;prio corpo em conflu&#234;ncia com a respira&#231;&#227;o aprendemos sobre esses elementos que entram e saem, eventualmente permanecem desse nosso tamb&#233;m &#8220;rio interior&#8221;.</p><p>O que acontece na nossa sociedade atual &#233; que n&#243;s negamos o corpo como fonte de conhecimento. Viramos uma sociedade vol&#225;til, cada pessoa &#233; um quadradinho numa tela onde n&#250;meros algor&#237;tmicos s&#227;o buscas infinitas. Nesse contexto n&#243;s tamb&#233;m vivenciamos uma hiper valoriza&#231;&#227;o do intelecto.</p><p>Cada vez mais corporificamos e incorporamos imagens externas que n&#227;o produzem resson&#226;ncia com o nosso interior. Vivemos uma vida et&#233;rea de imagens desenraizadas da nossa natureza. Vide as redes sociais. O proposito das pr&#225;ticas corporais &#233; reestimular as imagens do pr&#243;prio corpo.</p><p>Mover o corpo &#233; o desenvolvimento da capacidade de ver o movimento do espirito na vida material. &nbsp;Eu gosto muito dessa ideia. &#201; tornar consciente as imagens que residem por tr&#225;s das emo&#231;&#245;es. Quando me coloco nesses pontos f&#237;sicos de desconforto, o que emerge dali? Como lido com isso?</p><p>Somente posso me relacionar com essas energias invis&#237;veis no momento que elas se manifestam como imagens. E s&#243; me torno consciente dessas imagens quando atrav&#233;s do corpo me torno expectador ativo e presente de mim mesmo.</p><p>Por isso, ainda que a pr&#225;tica ande distante do que j&#225; foi esteticamente ou que muitas vezes seja dif&#237;cil encontrar minutos para subir no tapete ( coisa que era di&#225;ria e hoje com sorte &#233; semanal) eu honro a possibilidade desse encontro. E agrade&#231;o, esse corpo, presente, potente, capaz de me desvendar tantas coisas e me relembrar tantas outras. </p><p>Uma boa semana pra n&#243;s. Com amor,</p><p>Valentina</p><p></p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://valentinaasmus.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se agora&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/valentinaasmus.substack.com/subscribe"><span>Inscreva-se agora</span></a></p><p> </p><p></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Aprendendo a desacelerar o tempo]]></title><description><![CDATA[sentir &#233; o que ningu&#233;m nos conta como fazer no meio dessa travessia.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/aprendendo-a-desacelerar-o-tempo</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/aprendendo-a-desacelerar-o-tempo</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Wed, 08 Nov 2023 11:01:00 GMT</pubDate><enclosure url="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!bYI2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffc7647df-ac8f-44f3-bc3c-2e90ca060914_1920x1080.png" length="0" type="image/jpeg"/><content:encoded><![CDATA[<p>Bom dia! Parece que estamos de volta. Com que frequ&#234;ncia? Ainda n&#227;o sabemos. Lembro que esse lugar tem duas premissas: ir com calma e espa&#231;o de primeira pessoa. Sobre a segunda, pretendo voltar a ela em breve. Por agora, vivemos na terceira pessoa do plural, ainda assimilando o nascimento de tantas nuances que &#233; o maternar. Experienciando na pele o conceito de exterogesta&#231;&#227;o, onde quem nasce n&#227;o sabe ainda que nasceu e quem d&#225; &#224; luz n&#227;o sabe ainda nascer em novos pap&#233;is.</p><p>Os dias de puerp&#233;rio tem suas margens ofuscadas pelas a&#231;&#245;es repetitivas. As fronteiras das horas, minutos e segundos nos escapam em piscar de olhos. Ali&#225;s, a partir dessas fronteiras emba&#231;adas &#233; que essa news chega hoje e n&#227;o segunda como de costume. Enquanto escrevo n&#227;o sei mais o conceito de cedo ou tarde, por isso n&#227;o me importa tanto em que momento preciso do dia esse texto vai ao mundo.</p><p>As noites s&#227;o longas, indifere o quanto de horas se consiga dormir. Os dias desaparecem entre aquilo que preciso fazer e o que gostaria de ter feito.</p><p>Projeto rotinas, repeti&#231;&#245;es de gestos precisos e imaginados. Tudo se esvai. E no meio desse tempo que n&#227;o sobra, sinto. E sinto muito. Ali&#225;s, sentir &#233; o que ningu&#233;m nos conta como fazer no meio dessa travessia.</p><div class="captioned-image-container"><figure><a class="image-link image2 is-viewable-img" target="_blank" href="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bYI2!,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffc7647df-ac8f-44f3-bc3c-2e90ca060914_1920x1080.png" data-component-name="Image2ToDOM"><div class="image2-inset"><picture><source type="image/webp" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bYI2!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_424, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_webp, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffc7647df-ac8f-44f3-bc3c-2e90ca060914_1920x1080.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bYI2!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_848, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_webp, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffc7647df-ac8f-44f3-bc3c-2e90ca060914_1920x1080.png 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bYI2!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_1272, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_webp, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffc7647df-ac8f-44f3-bc3c-2e90ca060914_1920x1080.png 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bYI2!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_1456, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_webp, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffc7647df-ac8f-44f3-bc3c-2e90ca060914_1920x1080.png 1456w" sizes="100vw"><img src="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bYI2!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffc7647df-ac8f-44f3-bc3c-2e90ca060914_1920x1080.png" width="1456" height="819" data-attrs="{&quot;src&quot;:&quot;https://substack-post-media.s3.amazonaws.com/public/images/fc7647df-ac8f-44f3-bc3c-2e90ca060914_1920x1080.png&quot;,&quot;srcNoWatermark&quot;:null,&quot;fullscreen&quot;:null,&quot;imageSize&quot;:null,&quot;height&quot;:819,&quot;width&quot;:1456,&quot;resizeWidth&quot;:null,&quot;bytes&quot;:246422,&quot;alt&quot;:null,&quot;title&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;image/png&quot;,&quot;href&quot;:null,&quot;belowTheFold&quot;:false,&quot;topImage&quot;:true,&quot;internalRedirect&quot;:null,&quot;isProcessing&quot;:false,&quot;align&quot;:null,&quot;offset&quot;:false}" class="sizing-normal" alt="" srcset="/__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bYI2!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_424, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_auto, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffc7647df-ac8f-44f3-bc3c-2e90ca060914_1920x1080.png 424w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bYI2!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_848, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_auto, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffc7647df-ac8f-44f3-bc3c-2e90ca060914_1920x1080.png 848w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bYI2!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_1272, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_auto, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffc7647df-ac8f-44f3-bc3c-2e90ca060914_1920x1080.png 1272w, /__u/substackcdn.com/image/fetch/$s_!bYI2!, /__u/valentinaasmus.substack.com/w_1456, /__u/valentinaasmus.substack.com/c_limit, /__u/valentinaasmus.substack.com/f_auto, /__u/valentinaasmus.substack.com/q_auto:good, /__u/valentinaasmus.substack.com/fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Ffc7647df-ac8f-44f3-bc3c-2e90ca060914_1920x1080.png 1456w" sizes="100vw" fetchpriority="high"></picture><div class="image-link-expand"><div class="pencraft pc-display-flex pc-gap-8 pc-reset"><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container restack-image"><svg aria-hidden="true" width="20" height="20" viewBox="0 0 20 20" fill="none" stroke-width="1.5" stroke="var(--color-fg-primary)" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" xmlns="http://www.w3.org/2000/svg"><g><path d="M2.53001 7.81595C3.49179 4.73911 6.43281 2.5 9.91173 2.5C13.1684 2.5 15.9537 4.46214 17.0852 7.23684L17.6179 8.67647M17.6179 8.67647L18.5002 4.26471M17.6179 8.67647L13.6473 6.91176M17.4995 12.1841C16.5378 15.2609 13.5967 17.5 10.1178 17.5C6.86118 17.5 4.07589 15.5379 2.94432 12.7632L2.41165 11.3235M2.41165 11.3235L1.5293 15.7353M2.41165 11.3235L6.38224 13.0882"></path></g></svg></button><button tabindex="0" type="button" class="pencraft pc-reset pencraft icon-container view-image"><svg xmlns="http://www.w3.org/2000/svg" width="20" height="20" viewBox="0 0 24 24" fill="none" stroke="currentColor" stroke-width="2" stroke-linecap="round" stroke-linejoin="round" class="lucide lucide-maximize2 lucide-maximize-2"><polyline points="15 3 21 3 21 9"></polyline><polyline points="9 21 3 21 3 15"></polyline><line x1="21" x2="14" y1="3" y2="10"></line><line x1="3" x2="10" y1="21" y2="14"></line></svg></button></div></div></div></a></figure></div><p></p><p>S&#227;o &#225;guas em correnteza desenfreada. Carregam tanto e deixam outros tantos. E por isso essa indefini&#231;&#227;o do tempo - que primordialmente serviria para n&#227;o deixar que tudo acontecesse de uma s&#243; vez.</p><p>Mas acontece.</p><p>Para isso &#233; tempo de desacelera&#231;&#227;o. Entender as margens que se apagam e perceber que o passar n&#227;o pode mais ser medido do mesmo modo. O mundo do lado de fora corre. Existe um medo real de que o mundo de fora corra tanto que eu nunca mais consiga sincronizar o meu passo. E existe tamb&#233;m uma d&#250;vida visceral: ser&#225; que eu desejo enfim sincronizar o passo?</p><p>A sociedade espera que sim. Outras m&#227;es, de quem a priori a gente esperaria empatia, tamb&#233;m esperam que sim. Uma parte da gente espera que sim. Mas quem &#233; essa parte da gente que parece ter ficado pra tr&#225;s?</p><p>Aprender a navegar esse mar por vezes calmo outras turbulento &#233; a tarefa do hoje &#8211; seja l&#225; que tempo essa palavra represente. Sobretudo se quisermos estar presentes.</p><p>Presente. Aquele tempo que nos foi dado agora.</p><p>Com carinho,</p><p>Valentina</p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://valentinaasmus.substack.com/subscribe?&amp;donate=true&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Donate Subscriptions&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/valentinaasmus.substack.com/subscribe?&amp;donate=true"><span>Donate Subscriptions</span></a></p>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Te desejo hoje]]></title><description><![CDATA[Correr. Feito vento, feito rio.]]></description><link>https://valentinaasmus.substack.com/p/te-desejo-hoje</link><guid isPermaLink="false">https://valentinaasmus.substack.com/p/te-desejo-hoje</guid><dc:creator><![CDATA[Valentina Asmus]]></dc:creator><pubDate>Mon, 18 Sep 2023 12:34:04 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Do rio que tudo arrasta se diz que &#233; violento. Mas ningu&#233;m diz violenta as margens que o comprimem. Disse Bertol Brecth.</p><p>Hoje, sobretudo, te desejo a viol&#234;ncia de ir al&#233;m das margens que te prendem.</p><p>Em sutil movimento conquistar teus espa&#231;os.</p><p>Respirar fundo quando for a &#250;nica coisa que te parecer poss&#237;vel.</p><p>Abrir um livro, tomar um vinho, mergulhar no vazio.</p><p>Achar o vazio e se apre(e)nder dele.</p><p>Deixar que tudo corra, &#225;gua, areia, l&#225;grima.</p><p>Escapar com os sorrisos que insistem em aparecer.</p><p>Dan&#231;ar na teimosia que nunca se retira.</p><p>Mergulhar quando a onda for grande demais.</p><p>Permanecer.</p><p>Embaixo da linha d&#8217;&#225;gua.</p><p>Ultrapassar as margens que te comprimem.</p><p>Correr. Feito vento, feito rio.</p><p>Uma boa semana pra n&#243;s.</p><p></p><p></p><p class="button-wrapper" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://valentinaasmus.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Subscribe now&quot;,&quot;action&quot;:null,&quot;class&quot;:null}" data-component-name="ButtonCreateButton"><a class="button primary" href="/__u/valentinaasmus.substack.com/subscribe"><span>Subscribe now</span></a></p>]]></content:encoded></item></channel></rss>