<script data-pm-proxy="intercept"></script><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" version="2.0" xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" xmlns:googleplay="http://www.google.com/schemas/play-podcasts/1.0"><channel><title><![CDATA[José Paulo Kupfer]]></title><description><![CDATA[Nascido no Rio de Janeiro, 78 anos, é jornalista desde 1967. Já passou por todas as posições numa redação. Hoje é colunista do UOL e do Poder360. Formado em Economia pela USP, é torcedor do Fluminense]]></description><link>https://zpkupfer.substack.com</link><image><url>https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!7ONC!,w_256,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fzpkupfer.substack.com%2Fimg%2Fsubstack.png</url><title>José Paulo Kupfer</title><link>https://zpkupfer.substack.com</link></image><generator>Substack</generator><lastBuildDate>Wed, 02 Sep 2026 21:33:24 GMT</lastBuildDate><atom:link href="/__u/zpkupfer.substack.com/feed" rel="self" type="application/rss+xml"/><copyright><![CDATA[José Paulo Kupfer]]></copyright><language><![CDATA[pt-br]]></language><webMaster><![CDATA[zpkupfer@substack.com]]></webMaster><itunes:owner><itunes:email><![CDATA[zpkupfer@substack.com]]></itunes:email><itunes:name><![CDATA[José Paulo Kupfer]]></itunes:name></itunes:owner><itunes:author><![CDATA[José Paulo Kupfer]]></itunes:author><googleplay:owner><![CDATA[zpkupfer@substack.com]]></googleplay:owner><googleplay:email><![CDATA[zpkupfer@substack.com]]></googleplay:email><googleplay:author><![CDATA[José Paulo Kupfer]]></googleplay:author><itunes:block><![CDATA[Yes]]></itunes:block><item><title><![CDATA[PIB ainda cresce, mas cada vez menos e pode estagnar no segundo semestre]]></title><description><![CDATA[Economia avan&#231;ou 0,5% no 2T26, metade da expans&#227;o do 1T26. Setores mais sens&#237;veis ao ciclo econ&#244;mico e aos juros cresceram apenas 0,1%]]></description><link>https://zpkupfer.substack.com/p/pib-ainda-cresce-mas-cada-vez-menos</link><guid isPermaLink="false">https://zpkupfer.substack.com/p/pib-ainda-cresce-mas-cada-vez-menos</guid><dc:creator><![CDATA[José Paulo Kupfer]]></dc:creator><pubDate>Tue, 01 Sep 2026 22:28:42 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>A economia brasileira cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na compara&#231;&#227;o com o trimestre anterior. O resultado ficou acima das expectativas -- expans&#227;o de 0,3% ou 0,4% --, mas revela uma freada forte na atividade econ&#244;mica. O PIB (Produto Interno Bruto) avan&#231;ou 1,9% em termos anuais, considerando o acumulado nos quatro &#250;ltimos trimestres terminados no segundo de 2026.</p><p>O ritmo de crescimento caiu para menos da metade, na compara&#231;&#227;o com o primeiro trimestre. Mas n&#227;o se deve confundir ritmo de crescimento com n&#237;vel da produ&#231;&#227;o de bens e servi&#231;os, expresso pelo PIB.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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O PIB brasileiro, bem ou mal, vem crescendo ininterruptamente desde a recess&#227;o do segundo trimestre de 2020, quando a pandemia provocou um colapso abrupto e violento na atividade.</p><p>Mas esse crescimento se mostra cada vez mais fr&#225;gil e sujeito a um ambiente econ&#244;mico em que se disseminam for&#231;as restritivas. A queda no ritmo de crescimento, no segundo trimestre, decorreu, na avalia&#231;&#227;o do economista Jos&#233; Francisco de Lima Gon&#231;alves, experiente especialista em an&#225;lise de conjuntura econ&#244;mica, do recuo no consumo das fam&#237;lias e nos investimentos.</p><p>&#8220;Custo de capital e incertezas, al&#233;m do modesto investimento do setor p&#250;blico, revelam simultaneamente queda da atividade corrente e restri&#231;&#227;o &#224; alta da atividade futura&#8221; -- <strong>economista Jos&#233; Francisco de Lima Gon&#231;alves.</strong></p><h2>Efeito dos juros</h2><p>&#201; evidente a a&#231;&#227;o da pol&#237;tica de juros do Banco Central no resultado do PIB, afetando negativamente o consumo das fam&#237;lias e a retomada do investimento.</p><p>O endividamento e a inadimpl&#234;ncia recordes, impulsionados, de um lado, pela oferta irrespons&#225;vel de cr&#233;dito e, de outro, pelos juros elevados, promoveram contra&#231;&#227;o no consumo e restringiram o investimento, contribuindo para a redu&#231;&#227;o do ritmo de crescimento da atividade.</p><p>Juros altos e por tempo prolongado tamb&#233;m marcaram o desempenho da ind&#250;stria no trimestre passado. O setor registrou pequeno crescimento, mas com base em avan&#231;o forte no segmento extrativo mineral -- tradu&#231;&#227;o: petr&#243;leo. A produ&#231;&#227;o recuou na ind&#250;stria de transforma&#231;&#227;o e na constru&#231;&#227;o civil.</p><p>Pouco exposto aos juros altos, por depender em boa parte de exporta&#231;&#245;es, o setor agropecu&#225;rio avan&#231;ou 2,8% no trimestre. Mais afetado pela renda em circula&#231;&#227;o na economia, que continua em alta com o baixo desemprego no mercado de trabalho, o setor de servi&#231;os avan&#231;ou 0,2% no per&#237;odo, metade do ritmo de expans&#227;o observado no primeiro trimestre.</p><p>Na an&#225;lise do Bradesco, setores c&#237;clicos -- mais sens&#237;veis &#224; pol&#237;tica de juros -- cresceram 0,1% no segundo trimestre.</p><h2>Queda no ritmo</h2><p>Com o resultado do segundo trimestre, as proje&#231;&#245;es apontam vi&#233;s de redu&#231;&#227;o para os dois trimestres restantes do ano. As previs&#245;es anteriores eram de expans&#227;o de 0,3% em cada um deles, mas a tend&#234;ncia &#233; de redu&#231;&#227;o para alta de 0,2%, em m&#233;dia, para os dois per&#237;odos, podendo ser ainda mais baixa.</p><p>J&#225; h&#225; previs&#245;es de estabilidade nos dois trimestres restantes do ano. A previs&#227;o de estagna&#231;&#227;o no restante de 2026 se apoia no fato de que o carregamento estat&#237;stico -- o que transborda do crescimento de um per&#237;odo anterior para o pr&#243;ximo -- do primeiro semestre para o ano como um todo &#233; de 1,8%.</p><p>No Boletim Focus mais recente, desta segunda-feira (31), as proje&#231;&#245;es para o crescimento do PIB em 2026 recuaram para 1,9%, com muitos analistas j&#225; prevendo expans&#227;o menor, de 1,8%. Essa previs&#227;o est&#225; abaixo dos 2,4% previstos pelo FMI (Fundo Monet&#225;rio Internacional), dos 2,3% esperados pelo Minist&#233;rio da Fazenda e dos 2% projetados pelo Banco Central.</p><p>Tamb&#233;m est&#227;o em queda as estimativas para o crescimento em 2027. No &#250;ltimo Focus, a proje&#231;&#227;o &#233; de avan&#231;o de 1,5%.</p><h2>Abaixo da m&#233;dia global</h2><p>Se a economia crescer 1,9% em 2026, o avan&#231;o do PIB acumulado neste terceiro mandato do presidente Lula ter&#225; sido de 10,9%, com m&#233;dia anual de 2,6%.</p><p>Esse resultado fica abaixo da m&#233;dia global prevista, de 3,3%, e do crescimento projetado para China, &#205;ndia, Indon&#233;sia e Vietn&#227;, que t&#234;m crescimento m&#233;dio estimado em 4,3% no per&#237;odo. Fica, por&#233;m, acima da expans&#227;o projetada para a Am&#233;rica Latina (2,2%) e pa&#237;ses desenvolvidos (1,7%).</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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O recuo foi maior do que o projetado pelos analistas, que esperavam queda de 0,3%.</p><p>Observada em perspectiva mais longa, a infla&#231;&#227;o est&#225; em momento de al&#237;vio. No acumulado em 12 meses, o IPCA-15 recuou de 4,44% em julho para 4,22% em agosto, tamb&#233;m abaixo do teto do intervalo de toler&#226;ncia do sistema de metas.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Vai se firmando um consenso em torno de uma eleva&#231;&#227;o de 5% em 2026.</strong></p><h2>Espa&#231;o para cortes nos juros</h2><p>Essa prevista trajet&#243;ria reflete a dissipa&#231;&#227;o dos choques do petr&#243;leo, com origem na guerra no Oriente M&#233;dio, a partir de mar&#231;o, a conten&#231;&#227;o nas altas da cota&#231;&#227;o do d&#243;lar, o bom comportamento sazonal na oferta de alimentos e, de um modo geral, uma tend&#234;ncia de freio na atividade econ&#244;mica.</p><p>Tal quadro tem levado economistas a convergir para a expectativa de que o ciclo de cortes nas taxas b&#225;sicas de juros (taxa Selic), atualmente em 14% ao ano, continuar&#225; al&#233;m de um &#250;ltimo, em setembro, de 0,25 ponto percentual, fechando 2026 abaixo de 13,75%.</p><p>Embora o fecho do ano com Selic a 13,75% ainda seja o progn&#243;stico exibido pelo Boletim Focus, que re&#250;ne as previs&#245;es do mercado financeiro, depois do IPCA-15 de agosto, analistas t&#234;m avan&#231;ado na expectativa de outras redu&#231;&#245;es de 0,25 ponto em novembro e dezembro, com a Selic, assim, podendo encerrar o ano a 13,25%.</p><p>A intensidade da defla&#231;&#227;o em agosto teve como respons&#225;veis o corte de pre&#231;os de itens vol&#225;teis -- passagens a&#233;reas, por exemplo --, queda nos pre&#231;os dos combust&#237;veis, tamb&#233;m beneficiados por subs&#237;dios, recuos sazonais em alimentos e, principalmente, a influ&#234;ncia de um evento pontual, no setor de eletricidade, o pagamento a consumidores de b&#244;nus da hidrel&#233;trica de Itaipu. <strong>Sem o b&#244;nus de Itaipu, o IPCA-15 de agosto ainda registraria defla&#231;&#227;o, mas menos intensa, de 0,1%.</strong></p><h2>Fase mais benigna</h2><p>Os pre&#231;os no setor de servi&#231;os tamb&#233;m est&#227;o moderando, mas devagar. Mostram o efeito de um per&#237;odo prolongado de juros altos, promovendo conten&#231;&#227;o da atividade, &#8220;boicotado&#8221; pelos programas de inje&#231;&#227;o de recursos e de facilidades de cr&#233;dito na economia. Tudo limitado por um ambiente de endividamento e inadimpl&#234;ncia recordes.</p><p>O &#237;ndice geral de servi&#231;os, muito influenciado por passagens a&#233;reas, recuou em agosto, depois de ter retrocedido em julho. A alta no m&#234;s foi de 5,5%, depois de subir 5,9% no m&#234;s passado. O pico do ano foi de 6,25%, em junho. Mesmo com os recuos, a infla&#231;&#227;o em servi&#231;os -- setor mais afetado por atividade e renda -- ainda est&#225; acima da alta do &#237;ndice geral e dos n&#250;cleos de infla&#231;&#227;o -- medidas mais estruturais de press&#245;es inflacion&#225;rias.</p><p>Em resumo, a infla&#231;&#227;o entrou em uma fase mais benigna, decorrente dos efeitos contracionistas dos juros altos sobre a demanda, mas ainda com press&#245;es em segmentos menos sens&#237;veis &#224; pol&#237;tica monet&#225;ria.</p><p><strong>Para a frente e, sobretudo, para o &#250;ltimo trimestre, as press&#245;es sobre a infla&#231;&#227;o vir&#227;o de alimentos. De acordo com as proje&#231;&#245;es de F&#225;bio Rom&#227;o, os pre&#231;os dos alimentos no domic&#237;lio podem evoluir de -0,4% em agosto para at&#233; mais de 1% em dezembro.</strong></p><p>Efeitos negativos do esperado super-El Ni&#241;o na produ&#231;&#227;o de alimentos explicam as estimativas de redu&#231;&#227;o de oferta e press&#227;o inflacion&#225;ria dos alimentos no fim do ano. Confirmadas as previs&#245;es, Rom&#227;o projeta que o subgrupo alimenta&#231;&#227;o no domic&#237;lio fecharia 2026 com forte eleva&#231;&#227;o de 7,2% e avan&#231;aria ainda mais, no acumulado em 12 meses, nos primeiros meses de 2027.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Dois lados, que se op&#245;em, dominam esse debate.</p><p>De um lado, est&#227;o os que consideram os juros elevados como causa principal das dificuldades enfrentadas por setores da atividade, al&#233;m de serem respons&#225;veis por manter a d&#237;vida p&#250;blica, o endividamento privado e a inadimpl&#234;ncia -- de pessoas e empresas -- em n&#237;veis recordes. A solu&#231;&#227;o, para estes, &#233; obviamente reduzir os juros e ponto final.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Para estes, os juros s&#243; recuar&#227;o quando forem obtidos certos n&#237;veis -- relativamente altos -- de super&#225;vits fiscais.</p><p>S&#227;o comuns, nas discuss&#245;es econ&#244;micas, dissens&#245;es em torno do que vem primeiro, numa esp&#233;cie de disputa entre o ovo e a galinha em rela&#231;&#227;o &#224;s ideias econ&#244;micas. Em boa parte das vezes em que disputas assim se apresentam, a melhor resposta e as melhores pol&#237;ticas n&#227;o est&#227;o com nenhum dos lados em disputa, mas num meio caminho em que os problemas apontados como priorit&#225;rios por cada grupo precisam ser ambos atacados, por&#233;m de forma mais gradfual, considerando restri&#231;&#245;es e limites entre um e outro.</p><p>Um caminho do meio &#233; o que justamente aponta o economista Manoel Carlos Pires, coordenador do CPFOP (Centro de Pol&#237;tica Fiscal e Or&#231;amento P&#250;blico) e do Observat&#243;rio de Pol&#237;tica Fiscal, ambos do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia, da Funda&#231;&#227;o Getulio Vargas). Pires foi pesquisador da UnB (Universidade de Bras&#237;lia) e tem tamb&#233;m experi&#234;ncia no setor p&#250;blico -- foi secret&#225;rio de Pol&#237;tica Econ&#244;mica do Minist&#233;rio da Fazenda em 2016 e chefe da Assessoria Econ&#244;mica do Minist&#233;rio do Planejamento em 2015, no segundo governo de Dilma Roussef. Ainda atuou na &#225;rea t&#233;cnica do Minist&#233;rio da Fazenda de 2008 a 2014.</p><p>Refer&#234;ncia em quest&#245;es de pol&#237;tica fiscal, nesta entrevista exclusiva, Pires defende a necessidade de coordena&#231;&#227;o entre as pol&#237;ticas fiscal e monet&#225;ria, o que exigiria movimentos graduais e sincronizados dos dois lados. &#8220;Muitas das propostas apresentadas ao debate se preocupam mais com o custo e a necessidade de cumprir metas do que com seus impactos sobre a coordena&#231;&#227;o das pol&#237;ticas econ&#244;micas&#8221;, diz Pires.</p><p>A seguir, os principais trechos da entrevista:</p><p><strong>Em artigo recente, o senhor observa que o governo tende a adiar o ajuste fiscal se n&#227;o tiver certeza de que o Banco Central reduzir&#225; a taxa de juros -- e vice-versa. Como desarmar essa desconfian&#231;a m&#250;tua?</strong></p><p>Esse &#233; o grande dilema da atual falta de coordena&#231;&#227;o. Se a taxa de juros permanece elevada por muito tempo, a atividade enfraquece. O governo, temendo a desacelera&#231;&#227;o, reage lan&#231;ando est&#237;mulos pontuais -- como o Desenrola, linhas de cr&#233;dito e antecipa&#231;&#227;o de despesas. Esses programas reaquecem a demanda e dificultam a queda dos juros pelo Banco Central. Instala-se um ciclo de desconfian&#231;a: o governo mant&#233;m d&#233;ficits para sustentar a atividade e o Banco Central mant&#233;m juros altos para enxugar a demanda gerada pelos est&#237;mulos &#224; atividade.</p><p><strong>Qual a sa&#237;da?</strong></p><p>A sa&#237;da passa por coordena&#231;&#227;o e transpar&#234;ncia. Do lado fiscal, o governo precisa apresentar uma agenda de reformas gradual e consistente, com horizonte claro de execu&#231;&#227;o, sem provocar uma recess&#227;o. Do lado monet&#225;rio, o Banco Central precisa reconhecer esse movimento e calibrar o gradualismo da pol&#237;tica monet&#225;ria, reduzindo os juros e, com isso, compensando a contra&#231;&#227;o fiscal que viria de cortes e reformas em gastos p&#250;blicos.</p><p><strong>Como avalia as propostas de ajuste fiscal em debate no momento?</strong></p><p>Temos um d&#233;ficit p&#250;blico persistente desde a crise de 2014, somado a um quadro de juros elevados, sobretudo a partir de 2021. No atual governo, a d&#237;vida p&#250;blica tem crescido em m&#233;dia 2,5 pontos percentuais do PIB ao ano, superando o patamar de 80%, que era uma barreira psicol&#243;gica relevante para o mercado.</p><p>Diante desse cen&#225;rio, grande parte dos analistas prop&#245;e ajustes focados em desvincular o sal&#225;rio m&#237;nimo ou rever os pisos constitucionais da receita. A l&#243;gica dessas propostas &#233; moderar o crescimento da despesa p&#250;blica. O problema &#233; que muitas delas se preocupam mais com o custo e a necessidade de cumprir metas fiscais do que com seus impactos sobre a coordena&#231;&#227;o das pol&#237;ticas econ&#244;micas.</p><p>No entanto, do ponto de vista macroecon&#244;mico, &#233; fundamental coordenar quando a despesa deve crescer mais ou menos em rela&#231;&#227;o ao ciclo econ&#244;mico. A prioridade deveria ser coordenar as pol&#237;ticas econ&#244;micas e n&#227;o apenas focar no corte de despesas e no cumprimento de metas.</p><p><strong>Focar o ajuste exclusivamente no d&#233;ficit fiscal compromete a efici&#234;ncia da pol&#237;tica monet&#225;ria?</strong></p><p>Sim. Quando o desenho da pol&#237;tica fiscal foca apenas na conten&#231;&#227;o do d&#233;ficit para gerar economia, ele n&#227;o resolve o problema estrutural da indexa&#231;&#227;o. Ajustar o sal&#225;rio m&#237;nimo mantendo a infla&#231;&#227;o passada e somando um ganho real gera economia fiscal, mas n&#227;o envia o sinal correto para a pol&#237;tica monet&#225;ria nem elimina a rigidez do gasto.</p><p><strong>Qual &#233; a consequ&#234;ncia da indexa&#231;&#227;o do gasto p&#250;blico sobre a pol&#237;tica monet&#225;ria?</strong></p><p>Pela Constitui&#231;&#227;o, o sal&#225;rio m&#237;nimo tem corre&#231;&#227;o m&#237;nima pela infla&#231;&#227;o. Toda vez que a infla&#231;&#227;o sobe, o reajuste nominal do piso se eleva, gerando maior demanda agregada no momento em que o Banco Central precisa subir juros para conter essa mesma demanda. Esse mecanismo atua no sentido contr&#225;rio ao esfor&#231;o da autoridade monet&#225;ria. Com a manuten&#231;&#227;o de resqu&#237;cios de indexa&#231;&#227;o expressivos, o Banco Central acaba sendo obrigado a elevar a taxa de juros al&#233;m do necess&#225;rio, porque a pol&#237;tica fiscal fica descompassada do ciclo econ&#244;mico.</p><p><strong>Al&#233;m da indexa&#231;&#227;o, quais outros canais conectam a pol&#237;tica fiscal &#224; efic&#225;cia dos juros?</strong></p><p>Existem tr&#234;s canais principais: o desenho das pol&#237;ticas p&#250;blicas, o canal tradicional do d&#233;ficit e da d&#237;vida sobre a demanda, e os mecanismos de transmiss&#227;o monet&#225;ria. Neste &#250;ltimo aspecto, no Brasil, o destaque &#233; a resistente predomin&#226;ncia das LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), na d&#237;vida mobili&#225;ria p&#250;blica. Ao contr&#225;rio de t&#237;tulos convencionais, que sofrem perda patrimonial com a alta dos juros, gerando efeito riqueza negativo, no caso das LFTs, que t&#234;m rendimento p&#243;s-fixado, quando o Banco Central sobe os juros, a renda dos detentores desse t&#237;tulo aumenta, em lugar de diminuir, gerando um efeito renda positivo que pode estimular o consumo. Como o estoque de LFTs na d&#237;vida p&#250;blica tem aumentado, esse canal de transmiss&#227;o da pol&#237;tica monet&#225;ria fica comprometido. H&#225; tamb&#233;m a quest&#227;o do cr&#233;dito direcionado, subsidiado pelo poder p&#250;blico, que n&#227;o &#233; t&#227;o afetado pela pol&#237;tica de juros.</p><p><strong>Quais fatores explicam a perman&#234;ncia dos juros em patamares t&#227;o elevados no pa&#237;s?</strong></p><p>&#201; uma discuss&#227;o mais ampla que, mais uma vez, envolve a coordena&#231;&#227;o fiscal e monet&#225;ria, a credibilidade da meta de infla&#231;&#227;o e a velocidade de converg&#234;ncia da infla&#231;&#227;o para a meta. A meta foi reduzida a partir de 2021 em um momento de acelera&#231;&#227;o inflacion&#225;ria, o que n&#227;o gerou ganho de credibilidade e encareceu a persegui&#231;&#227;o desse objetivo. Al&#233;m disso, h&#225; fatores pontuais como a regula&#231;&#227;o de pre&#231;os monitorados -- de tarifas de energia e pre&#231;os de combust&#237;veis a planos de sa&#250;de --, cujas regras atuais repassam custos sem incentivar ganhos de produtividade, gerando press&#227;o inflacion&#225;ria. Tamb&#233;m a composi&#231;&#227;o j&#225; defasada do &#204;PCA (&#205;ndice de Pre&#231;os ao Consumidor Amplo) e do INPC (&#205;ndice Nacional de Pre&#231;os ao Consumidor), calculados pelo IBGE, deveria ser fosse logo atualizada, com a incorpora&#231;&#227;o dos dados da POF (Pesquisa de Or&#231;amentos Familiares) de 2024 e 2025, o que tornaria a apura&#231;&#227;o da infla&#231;&#227;o mais conectada com a realidade.</p><p><strong>O argumento de que o papel da pol&#237;tica fiscal &#233; garantir a meta de infla&#231;&#227;o inverte a l&#243;gica do sistema de metas de infla&#231;&#227;o?</strong></p><p>Sim. No regime de metas de infla&#231;&#227;o, a &#226;ncora fiscal deve ser pautada pela sustentabilidade da d&#237;vida e pela qualidade do gasto p&#250;blico, por meio das regras fiscais. Tratar a pol&#237;tica fiscal como instrumento subordinado &#224; meta de infla&#231;&#227;o distorce os objetivos do Estado, como a redistribui&#231;&#227;o de renda e o investimento. A meta de infla&#231;&#227;o n&#227;o deve funcionar como a &#226;ncora fiscal do pa&#237;s, mas como diz o nome, da infla&#231;&#227;o.</p><p><strong>O regime de metas de infla&#231;&#227;o precisa ser revisto?</strong></p><p>Mais do que alterar numericamente a meta, a discuss&#227;o central reside na velocidade e no horizonte de converg&#234;ncia. Diante de choques e problemas de coordena&#231;&#227;o, prolongar esse horizonte, como tem sido feito pelo Banco Central mais recentemente, &#233; a forma adequada de absorver o impacto econ&#244;mico sem penalizar excessivamente a atividade.</p><p><strong>O que seria mais eficiente: um corte dr&#225;stico nos gastos p&#250;blicos ou a flexibiliza&#231;&#227;o da meta ou, ainda, pelo menos do horizonte de converg&#234;ncia?</strong></p><p>Um corte abrupto de despesas n&#227;o &#233; fact&#237;vel, nem pol&#237;tica nem socialmente, devido ao impacto direto nos servi&#231;os p&#250;blicos essenciais. O caminho vi&#225;vel &#233; um programa de ajuste fiscal gradual e consistente, acompanhado pela coordena&#231;&#227;o com a autoridade monet&#225;ria para a redu&#231;&#227;o estrutural da taxa de juros. No universo da coordena&#231;&#227;o entre as pol&#237;ticas, n&#227;o faz sentido definir uma &#8220;vaca sagrada&#8221; --uma meta de infla&#231;&#227;o r&#237;gida ou uma pol&#237;tica fiscal muito expansionista -- e passar toda a conta para o outro lado.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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O custo do dinheiro muito elevado e por tempo prolongado virou uma esp&#233;cie de &#8220;Geni&#8221; da economia. &#201; dos juros altos a culpa de (quase) todos os problemas.</p><p>O com&#233;rcio varejista tradicional entra em crise? O problema s&#227;o os juros altos. O endividamento das pessoas bate recordes e, em consequ&#234;ncia, a inadimpl&#234;ncia tamb&#233;m alcan&#231;a percentuais in&#233;ditos? Resultado dos juros nas nuvens.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Quem achar que tem um tanto de jogo pol&#237;tico-eleitoral nesse ambiente talvez n&#227;o esteja inventando coisas.</p><p>A express&#227;o &#8220;juros altos&#8221;, na vis&#227;o econ&#244;mica mais convencional e difundida nas diversas m&#237;dias, &#233; uma senha para uma plataforma de ajuste fiscal, concentrado em cortes de gastos p&#250;blicos. &#201; um roteiro simples e que faz sentido quando se olha apenas para a superf&#237;cie das rela&#231;&#245;es na economia.</p><p>N&#227;o se pode negar que juros altos e por per&#237;odo prolongado &#8212; os juros b&#225;sicos, no Brasil, est&#227;o acima de dois d&#237;gitos h&#225; mais de quatro anos e acima de 15% h&#225; mais de um ano &#8212; s&#227;o fatores relevantes dos problemas que o varejo tradicional, acostumado a operar com o credi&#225;rio, e outros segmentos v&#234;m enfrentando.</p><p>Tamb&#233;m n&#227;o h&#225; d&#250;vida de que juros altos s&#227;o parte importante do endividamento e da inadimpl&#234;ncia recordes do momento. Assim como fazem parte dos elementos que operam para o aumento da d&#237;vida p&#250;blica.</p><p>Mas juros altos s&#227;o a regra na economia brasileira pelo menos desde a segunda metade do s&#233;culo passado. Com juros altos e tudo, o com&#233;rcio varejista viveu momentos de grande expans&#227;o, enquanto as fam&#237;lias n&#227;o carregavam d&#237;vidas t&#227;o altas e t&#227;o dif&#237;ceis de quitar.</p><p>Se &#233; evidente o peso dos juros altos nos problemas atuais da economia, n&#227;o menos not&#243;rias s&#227;o tamb&#233;m as mudan&#231;as estruturais que, nos &#250;ltimos tempos, reviraram as caracter&#237;sticas dos setores que agora sofrem com a persist&#234;ncia dos juros elevados.</p><p>Tanto a crise no varejo quanto o endividamento e a inadimpl&#234;ncia recordes t&#234;m causas mais estruturais, com origem em mudan&#231;as radicais nos ambientes e nos modelos de neg&#243;cio de setores do com&#233;rcio e na &#225;rea banc&#225;ria.</p><p>Est&#225; diante dos olhos de qualquer um a transforma&#231;&#227;o do modelo de neg&#243;cios do varejo, a partir do uso de ferramentas digitais que propiciaram o surgimento de marketplaces &#8212; shopping centers virtuais, numa tradu&#231;&#227;o bastante livre &#8212; e aceleraram o desenvolvimento de processos de log&#237;stica e distribui&#231;&#227;o mais eficientes.</p><p>Um novo e j&#225; dominante modo de ir &#224;s compras, sobretudo em segmentos de bens dur&#225;veis &#8212; m&#243;veis, eletroeletr&#244;nicos dom&#233;sticos, ferramentas, bens pessoais e uma vasta gama de etc. &#8212;, esmagou o modelo de grandes lojas f&#237;sicas, espalhadas em pontos valorizados (e caros) das cidades, com muitos funcion&#225;rios, amplos e variados estoques de produtos.</p><p>Diante de um computador ou celular, em qualquer lugar em que esteja, o consumidor tem hoje, via plataformas digitais, acesso a uma quase infinita variedade de mercadorias, marcas, pre&#231;os e formas de pagamento, com entregas em domic&#237;lio cada vez mais r&#225;pidas e crescentemente gratuitas.</p><p>N&#227;o h&#225; como varejistas tradicionais competirem com esse novo formato de vendas, ocupado por concorrentes que apenas fazem a ponte entre comprador e vendedor, organizando pagamentos e distribui&#231;&#227;o, muitas vezes tamb&#233;m executada por terceiros, sem obriga&#231;&#227;o de manter estoques centralizados.</p><p>A crise no varejo tem rela&#231;&#227;o com o maior comprometimento da renda pessoal com d&#237;vidas e a impossibilidade de renov&#225;-las pelo atraso na quita&#231;&#227;o das anteriores. O ambiente de endividamento e inadimpl&#234;ncia recordes &#233; um claro fator de restri&#231;&#227;o ao consumo &#8212; e do consumo por meio do credi&#225;rio &#8212;, do qual depende o varejo.</p><p>Esta outra crise, a do endividamento e da inadimpl&#234;ncia, decorre igualmente de mudan&#231;as estruturais, al&#233;m, &#233; &#243;bvio, dos juros altos. Aqui o problema tem origem no que se poderia chamar de <em>accountability</em> frouxa. <em>Accountability</em> designa as responsabilidades de credores e tomadores de cr&#233;dito na concess&#227;o de cr&#233;dito, de um lado, e na capacidade de quit&#225;-la, de outro.</p><p>O setor banc&#225;rio brasileiro foi outro que passou por uma ampla reformula&#231;&#227;o, ao longo dos &#250;ltimos anos, com a abertura de centenas de fintechs e empresas de intermedia&#231;&#227;o de pagamentos. Os novos ingressantes no mercado mudaram o modo como o cr&#233;dito passou a ser oferecido e tomado.</p><p>Bancos grandes e tradicionais migraram h&#225; tempos para um modelo de &#8220;supermercado de servi&#231;os financeiros&#8221;, o que colaborou e facilitou a fideliza&#231;&#227;o de clientes. J&#225; os novos ingressantes tiveram de abrir espa&#231;os no mercado para ganhar clientes e ganhar escala.</p><p>O caminho escolhido foi o da digitaliza&#231;&#227;o e da desburocratiza&#231;&#227;o de cadastros, acompanhado da oferta de cr&#233;dito f&#225;cil, sem maiores preocupa&#231;&#245;es com limites de endividamento.</p><p>N&#227;o &#233; coincid&#234;ncia que cart&#227;o de cr&#233;dito, cheque especial e cr&#233;dito ao consumidor tenham disparado como modalidades mais contratadas, enquanto os empr&#233;stimos consignados, garantidos pela renda do tomador, se disseminaram. S&#227;o as modalidades mais caras e f&#225;ceis de contratar &#8212; em muitos casos, a contrata&#231;&#227;o &#233; autom&#225;tica.</p><p>Em concomit&#226;ncia com o advento do Pix, ocorreu um movimento intenso e veloz de bancariza&#231;&#227;o da popula&#231;&#227;o. Nos &#250;ltimos dez anos, a propor&#231;&#227;o de brasileiros com acesso a bancos pulou de menos de 70% para mais de 95% da popula&#231;&#227;o.</p><p>A bancariza&#231;&#227;o geral promoveu, entre outros, a dissemina&#231;&#227;o do cart&#227;o de cr&#233;dito, com o qual fazer uma d&#237;vida se tornou uma a&#231;&#227;o simples e r&#225;pida, sem necessidade de aval do banco, para qualquer um.</p><p>Mais recentemente, difundiu-se a modalidade de cr&#233;dito consignado, no qual o cliente toma um financiamento que &#233; pago, antecipadamente, por parcela de sua renda do trabalho ou outra garantida.</p><p>Nos &#250;ltimos 12 meses, foram emprestados quase R$ 120 bilh&#245;es em consignados privados para cerca de 10 milh&#245;es de clientes, numa m&#233;dia superior a R$ 10 mil por empr&#233;stimo.</p><p>A explos&#227;o do consignado trouxe uma dificuldade adicional para a efic&#225;cia da pol&#237;tica de juros &#8212; e para as restri&#231;&#245;es ao cr&#233;dito em geral, porque sua opera&#231;&#227;o reduz enormemente o risco do credor, qualquer que seja a taxa de juros b&#225;sica ou de mercado ex-consignado. Estat&#237;sticas mostram que a modalidade consignada cresceu, desde que se disseminou, dez vezes mais r&#225;pido do que o cr&#233;dito comum.</p><p>Muito mais do que juros altos, em resumo, uma <em>accountability</em> frouxa est&#225; na raiz do superendividamento e da inadimpl&#234;ncia que o acompanha. <em>Accountability</em> &#233; a express&#227;o em ingl&#234;s que designa a atua&#231;&#227;o respons&#225;vel de credores e tomadores de cr&#233;dito no mercado financeiro.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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]]></title><description><![CDATA[Endividamento e comprometimento de renda recordes podem estar tirando for&#231;a das isen&#231;&#245;es de tributos, programas sociais e subs&#237;dios ao cr&#233;dito na disputa com os juros elevados por longo per&#237;odo]]></description><link>https://zpkupfer.substack.com/p/indicadores-revelam-que-juros-comecam</link><guid isPermaLink="false">https://zpkupfer.substack.com/p/indicadores-revelam-que-juros-comecam</guid><dc:creator><![CDATA[José Paulo Kupfer]]></dc:creator><pubDate>Mon, 17 Aug 2026 19:29:01 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Depois de um primeiro trimestre de crescimento forte, a economia brasileira continuou em expans&#227;o, mas engatou marcha mais lenta entre abril e junho, e a freada tamb&#233;m foi forte. &#201; o que sinaliza o IBC-Br (&#205;ndice de Atividade Econ&#244;mica), calculado mensalmente pelo Banco Central.</p><p>No segundo trimestre, o IBC-Br avan&#231;ou 0,2% sobre o anterior. Em rela&#231;&#227;o a maio, a atividade em junho recuou 0,64%, mais do que indicavam as expectativas dos analistas, que eram de uma queda de 0,5%. A freada em junho foi ainda mais forte porque o BC revisou a expans&#227;o de maio de 0,1% para 0,03%.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Para se ter uma ideia da velocidade com que a economia cresceu nos dois primeiros trimestres de 2026, basta calcular a expans&#227;o anualizada de cada um dos dois per&#237;odos.</p><p>Se o crescimento de 1,3%, apresentado pelo IBC-Br no primeiro trimestre, tivesse se repetido nos demais trimestres do ano, a atividade em um ano teria avan&#231;ado <strong>5,3%</strong>.</p><p>Com a expans&#227;o de 0,2%, observada no IBC-Br do segundo trimestre, repetida nos demais tr&#234;s trimestres de um ano, a expans&#227;o econ&#244;mica anual n&#227;o passaria de <strong>0,8%</strong>.</p><p>No primeiro trimestre, o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 1,1%, pouco abaixo do IBC-Br do mesmo per&#237;odo. A pequena dist&#226;ncia entre um resultado e outro ajuda a lembrar que os m&#233;todos de apura&#231;&#227;o de dados e c&#225;lculo dos dois indicadores s&#227;o diferentes, mas suas trajet&#243;rias caminham geralmente na mesma dire&#231;&#227;o e com igual intensidade.</p><p>Enquanto o PIB, apurado trimestralmente, re&#250;ne informa&#231;&#245;es abrangentes e oficiais do efetivo comportamento da economia, o IBC-Br &#233; uma aproxima&#231;&#227;o, de base mensal, constru&#237;do a partir de pesquisas do desempenho da produ&#231;&#227;o dos grandes setores econ&#244;micos -- agropecu&#225;ria, ind&#250;stria e servi&#231;os.</p><p>O breque observado no crescimento do segundo trimestre dever&#225; ser ainda um pouco mais intenso nos dois trimestres restantes do ano. Proje&#231;&#245;es do departamento de pesquisa econ&#244;mica do Bradesco, por exemplo, apontam resultados positivos, mas em n&#237;veis mais modestos, no restante do ano.</p><p>Depois do avan&#231;o j&#225; divulgado de 1,1% no primeiro trimestre, o PIB, de acordo com as previs&#245;es do Bradesco, dever&#225; registrar crescimento de 0,4% no segundo trimestre e de 0,3% em cada um dos dois trimestres da segunda metade do ano. Com base nessas proje&#231;&#245;es, o PIB fecharia 2026 com expans&#227;o de 1,9% sobre a base de 2025.</p><p>No Boletim Focus, publica&#231;&#227;o semanal do Banco Central que divulga a mediana das proje&#231;&#245;es do mercado financeiro, o PIB cresceria 1,98% em 2026, mas o carregamento da expans&#227;o em marcha mais lenta no restante de 2026 se refletiria em avan&#231;o tamb&#233;m mais modesto, de 1,5%, em 2027.</p><p>Em suas publica&#231;&#245;es mais recentes, o Banco Central projeta, para este ano, crescimento do PIB de 2%, enquanto o Minist&#233;rio da Fazenda mant&#233;m estimativa de expans&#227;o de 2,3% . O FMI (Fundo Monet&#225;rio Internacional) atualizou, em julho, em sua proje&#231;&#227;o para a varia&#231;&#227;o do PIB brasileiro em 2026 de 1,9% para 2,4%.</p><h2>Juros <em>versus</em> atividade</h2><p>Come&#231;am a ganhar corpo as an&#225;lises considerando que, finalmente, a pol&#237;tica monet&#225;ria contracionista do BC passou a ganhar a queda de bra&#231;o com os est&#237;mulos fiscais e de cr&#233;dito, despachados pelo governo Lula para justamente compensar a freada pretendida pelos juros muito altos mantidos por longo per&#237;odo.</p><p>A explica&#231;&#227;o para esse quadro de crescimento econ&#244;mico futuro mais lento, que inclusive ajuda a sancionar as preocupa&#231;&#245;es do pr&#243;prio BC ao manter a perspectiva de &#8220;calibra&#231;&#227;o&#8221; dos juros b&#225;sicos (taxa Selic) -- ou seja, de prosseguir com o ciclo de cortes iniciado em mar&#231;o --, remete ao ambiente de endividamento e comprometimento da renda recordes do momento.</p><p>Com dificuldades para quitar d&#237;vidas, que comprometem o or&#231;amento, em parte causadas pelos juros elevados, os al&#237;vios adotados -- isen&#231;&#227;o de Imposto de Renda, programas do tipo Desenrola e linhas de cr&#233;dito subsidiadas --, em teoria estimulantes do consumo aviados pelo governo, est&#227;o dando sinais de n&#227;o serem suficientes para sustentar a atividade.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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A China entrou na queixa como parte interessada.</p><p>O que tudo isso significa? A resposta direta &#233;: nada. Ou pelo menos nada que possa resultar em alguma mudan&#231;a nas san&#231;&#245;es contra vendas de fabricados no Brasil para o mercado americano por supostas pr&#225;ticas desleais de competi&#231;&#227;o e com&#233;rcio, por decis&#227;o multileral.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Al&#233;m disso, com o registro formal da queixa, bem ou mal, abrem-se espa&#231;os para uma solu&#231;&#227;o via acordos entre as partes.</p><p>Mas inexistindo acordos, na situa&#231;&#227;o atual em que se encontra a OMC, a coisa acaba dando em nada. &#201;, numa palavra, um teatro diplom&#225;tico.</p><p>Sem acordo, o procedimento caminha, em meio a audi&#234;ncias e pain&#233;is em que as partes oferecem suas alega&#231;&#245;es, mediadas pelo &#211;rg&#227;o de Solu&#231;&#227;o de Controv&#233;rsias, at&#233; a fase de apela&#231;&#227;o e julgamento final, pelo &#211;rg&#227;o de Apela&#231;&#227;o.</p><p><strong>Controv&#233;rsias sem solu&#231;&#227;o<br></strong><br>Ocorre que o &#211;rg&#227;o de Apela&#231;&#227;o da OMC est&#225; paralisado e inativo desde fins de 2019, quando expiraram os mandatos de dois dos tr&#234;s &#250;ltimos julgadores do conjunto total de sete membros que deveriam compor o &#8220;tribunal&#8221;. Pelas regras da institui&#231;&#227;o, pelo menos tr&#234;s dos sete julgadores nomeados deveriam estar com mandatos v&#225;lidos para que um julgamento pudesse ser iniciado.</p><p>Desde 2017, no primeiro governo de Donald Trump, os Estados Unidos passaram a vetar indica&#231;&#245;es para renova&#231;&#227;o do &#243;rg&#227;o, o que foi seguido pelo governo de Joe Biden. A alega&#231;&#227;o para esse posicionamento &#233; a de que os &#225;rbitros extrapolavam seus mandatos e criavam jurisprud&#234;ncia sem base nas regras da OMC.</p><p>A reclama&#231;&#227;o brasileira na OMC remete &#224;s duas tarifas extras recentes impostas pelos Estados Unidos. Como j&#225; &#233; bem sabido, as alega&#231;&#245;es para as san&#231;&#245;es inclu&#237;am o Pix, concess&#245;es tarif&#225;rias especiais ao M&#233;xico e &#224; &#205;ndia, propriedade intelectual, falta de empenho no combate &#224; corrup&#231;&#227;o e ao desmatamento e aus&#234;ncia de medidas para barrar o ingresso de bens produzidos com suspeita de trabalho for&#231;ado &#8212; nesta &#250;ltima, o Brasil entrou num bolo de mais de 60 pa&#237;ses, incluindo a China.</p><p>Em sua queixa, o Brasil recorre a dois regulamentos da OMC. Num deles, alega viola&#231;&#245;es aos limites de tarifas consolidados pelos EUA na pr&#243;pria OMC e n&#227;o reconhece a discrimina&#231;&#227;o de produtos brasileiros em rela&#231;&#227;o a outros parceiros, permitida pelo princ&#237;pio de &#8220;na&#231;&#227;o mais favorecida&#8221;. No outro, invoca regra da institui&#231;&#227;o que pro&#237;be a um pa&#237;s-membro a determina&#231;&#227;o unilateral de infra&#231;&#227;o comercial e aplica&#231;&#227;o de san&#231;&#227;o sem autoriza&#231;&#227;o do organismo multilateral.</p><p><strong>Procedimentos de &#8220;protocolo&#8221;<br></strong><br>A aceita&#231;&#227;o da controv&#233;rsia pelos Estados Unidos &#233; de protocolo, com uma pequena variante pr&#225;tica e um inconveniente. Aceitar discutir n&#227;o leva a nada, mas impede que o procedimento pule a primeira etapa, de consultas formais, com prazo de 60 dias, indo direto para a fase 2, o painel de alega&#231;&#245;es, j&#225; mediado por &#225;rbitros e que pode se estender de seis a nove meses. O inconveniente &#233; que, nesta fase inicial, terceiros interessados podem se apresentar, como fez a China, para acompanhar o processo e, eventualmente, oferecer documentos.</p><p>Num processo normal na OMC, depois dessas etapas vem a apela&#231;&#227;o, uma fase de recurso &#224; decis&#227;o do &#211;rg&#227;o de Solu&#231;&#227;o de Controv&#233;rsias, no &#211;rg&#227;o de Apela&#231;&#227;o &#8212; este que est&#225; inativo. Ou seja, decida o que decidir um eventual painel, o processo ser&#225; paralisado por tempo indeterminado.</p><p>Um grupo de mais de duas dezenas de pa&#237;ses, incluindo Uni&#227;o Europeia, China e Brasil, criou, em 2020, um mecanismo alternativo de julgamento de controv&#233;rsias comerciais internacionais. Com o nome de Arranjo Interino de Arbitragem de Apela&#231;&#227;o Multilateral (MPIA, na sigla em ingl&#234;s), o &#243;rg&#227;o deveria julgar as apela&#231;&#245;es &#8220;vazias&#8221; da OMC, mas n&#227;o foi reconhecido, por exemplo, por Estados Unidos e &#205;ndia.</p><p>Como lembra a economista brasileira Monica de Bolle, pesquisadora s&#234;nior do PIIE (Peterson Institute for International Economics) e professora da Universidade Georgetown, em Washington, que est&#225; a par desse tema, para os Estados Unidos&#8220;tanto faz quanto tanto fez&#8221; aceitar a controv&#233;rsia, &#8220;mas se o &#243;rg&#227;o recursal da OMC estivesse funcionando, a atitude americana seria outra&#8221;.</p><p>Para Monica, o Brasil deveria promover uma retalia&#231;&#227;o comercial aos Estados Unidos, mas impondo uma tarifa de exporta&#231;&#227;o aos produtos brasileiros consumidos pelos americanos, que foram, justamente, isentados nas listas de san&#231;&#245;es ao Brasil.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Depois a hist&#243;ria muda]]></description><link>https://zpkupfer.substack.com/p/atividade-mais-fraca-ajuda-a-estabilizar</link><guid isPermaLink="false">https://zpkupfer.substack.com/p/atividade-mais-fraca-ajuda-a-estabilizar</guid><dc:creator><![CDATA[José Paulo Kupfer]]></dc:creator><pubDate>Tue, 11 Aug 2026 22:15:01 GMT</pubDate><content:encoded><![CDATA[<p>Reajuste de tarifas de energia el&#233;trica puxou para cima a infla&#231;&#227;o em julho, medida pela varia&#231;&#227;o do IPCA (&#205;ndice de Pre&#231;os ao Consumidor Amplo), enquanto pre&#231;os de alimentos no domic&#237;lio puxaram a infla&#231;&#227;o para baixo, praticamente na mesma propor&#231;&#227;o.</p><p>O resultado desse &#8220;puxa e estica&#8221;, para o qual o recuo verificado nos pre&#231;os dos combust&#237;veis contribuiu no lado da descompress&#227;o, foi uma quase estabilidade dos pre&#231;os em julho, na compara&#231;&#227;o com junho. O IPCA subiu 0,07%, conforme divulgou o IBGE nesta ter&#231;a-feira (11), ligeiramente acima das expectativas dos analistas.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Caso essa previs&#227;o se confirme, a infla&#231;&#227;o neste m&#234;s j&#225; voltar&#225; ao teto da meta, alcan&#231;ando o limite de 4,5%.</p><p>A partir de setembro at&#233; o fim do ano, as proje&#231;&#245;es s&#227;o de altas mensais da infla&#231;&#227;o entre 0,3% e 0,7%. Com base nessas estimativas, as previs&#245;es s&#227;o de que o IPCA subir&#225; m&#234;s a m&#234;s at&#233; fechar 2026 um pouco acima de 5%, um pouco acima do teto da meta e longe de seu centro, fixado em 3%.</p><p>A raz&#227;o para a previs&#227;o de uma ligeira defla&#231;&#227;o em agosto &#233; a de que haver&#225; distribui&#231;&#227;o de novo b&#244;nus da hidrel&#233;trica de Itaipu, derrubando tarifas de energia el&#233;trica, ao lado de algum recuo em itens do grupo Sa&#250;de e cuidados pessoais.</p><p>Agosto ainda deve apresentar ligeira defla&#231;&#227;o em alimentos. Mas, a partir de setembro, a alta de pre&#231;os da comida em casa retornar&#225; ao terreno positivo.</p><p>Altas mais fortes devem ocorrer no &#250;ltimo trimestre de 2026, como indicam as proje&#231;&#245;es do economista F&#225;bio Rom&#227;o, experiente especialista em acompanhamento de pre&#231;os da consultoria 4 intelligence.</p><p>Nas apura&#231;&#245;es e c&#225;lculos de Rom&#227;o, a infla&#231;&#227;o de alimentos no domic&#237;lio mostrar&#225; uma escalada, com altas mensais perto de 1%, nos tr&#234;s meses finais de 2026, por fatores sazonais e piores condi&#231;&#245;es clim&#225;ticas. Com base nessas proje&#231;&#245;es, a alta acumulada em 12 meses sairia de 2,5% em julho para 7,2% em dezembro. Trata-se de eleva&#231;&#227;o forte, pr&#243;xima da alta de 8,2% de 2024 e longe do avan&#231;o bem mais moderado de 1,4% no ano passado.</p><p>A defla&#231;&#227;o em alimentos, assim como em pre&#231;os de bens industriais em julho, deve-se, conforme avalia&#231;&#227;o do economista Jos&#233; Francisco Lima Gon&#231;alves, tamb&#233;m especialista em acompanhamento de pre&#231;os e da conjuntura econ&#244;mica, a fatores sazonais e &#224; atividade mais fraca.</p><p>Perspectivas de um freio na economia, destaque da ata da reuni&#227;o do Copom (Comit&#234; de Pol&#237;tica Monet&#225;ria) de agosto, que reduziu a taxa b&#225;sica de juros (taxa Selic) de 14,25% a 14%, tamb&#233;m divulgada nesta ter&#231;a-feira (11), ajudam a explicar tamb&#233;m o ambiente no segmento de servi&#231;os.</p><p>Descontados fatores mais vol&#225;teis, como passagens a&#233;reas, os pre&#231;os dos servi&#231;os est&#227;o subindo menos, mas ainda registram altas fortes. Servi&#231;os intensivos em trabalho, que refletem mais diretamente as condi&#231;&#245;es do mercado de trabalho e dos sal&#225;rios, ainda acumularam, em julho, alta de 7,3%.</p><p>A tend&#234;ncia de pequeno recuo na marcha do crescimento econ&#244;mico e da infla&#231;&#227;o nos pr&#243;ximos meses &#233; sancionada pelo mais recente Boletim Focus, que divulga a mediana das proje&#231;&#245;es do mercado financeiro para indicadores econ&#244;micos.</p><p>Essas proje&#231;&#245;es d&#227;o suporte &#224;s atuais apostas de que o Copom far&#225; mais um corte na taxa b&#225;sica de juros, o &#250;ltimo de 2026, j&#225; na reuni&#227;o de setembro, fechando o ano com a Selic em 13,75%. Se este cen&#225;rio se confirmar, a taxa b&#225;sica real de juros continuar&#225; perto de 10% ao ano, mais do dobro da taxa de juros neutra &#8212; aquela que n&#227;o afeta a infla&#231;&#227;o &#8212;, estimada pelo Banco Central, no momento, em 4,5%.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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Taxas de juros nestes n&#237;veis s&#227;o as previstas pelo mercado financeiro, conforme o Boletim Focus mais recente.</p><p>De um ponto de vista estrito, o Copom n&#227;o deu sinais de seus futuros passos, na comunica&#231;&#227;o da decis&#227;o de agosto. Mas, se n&#227;o adiantou a perspectiva de um novo corte na taxa b&#225;sica, tamb&#233;m n&#227;o fechou a porta para a poss&#237;vel continuidade do processo de &#8220;calibra&#231;&#227;o&#8221;.</p><h2>&#8220;Ao redor da meta&#8221;</h2><p>Alguns analistas observaram que o comunicado, desta vez mais conciso do que o anterior e sem as pontas soltas que provocaram ru&#237;dos no mercado, se refere &#224; nova Selic de 14% como &#8220;compat&#237;vel com a estrat&#233;gia de converg&#234;ncia da infla&#231;&#227;o para o redor da meta ao longo do horizonte relevante&#8221;. Aceitar que a pol&#237;tica de juros conduza a infla&#231;&#227;o para &#8220;o redor&#8221; da meta &#233; uma novidade do comunicado, que remete &#224; proje&#231;&#227;o de infla&#231;&#227;o em 3,2%, nos primeiros meses de 2028.</p><p>Este pode ter sido o sinal mais claro de que a inten&#231;&#227;o do Copom &#233; de prosseguir com a &#8220;calibra&#231;&#227;o&#8221; dos juros na reuni&#227;o de setembro. &#8220;Calibra&#231;&#227;o&#8221; &#233; o novo voc&#225;bulo do &#8220;copopn&#234;s&#8221; -- o idioma cifrado e para iniciados da comunica&#231;&#227;o do Banco Central, para a manuten&#231;&#227;o de uma sequ&#234;ncia de redu&#231;&#245;es na Selic.</p><h2>Fim do ciclo</h2><p>Um novo corte de 0,25 ponto, em setembro, levando a Selic a 13,75% encerraria o atual ciclo de cortes dos juros b&#225;sicos em 2026. Se a expectativa se confirmar, ter&#225; sido um ciclo curto, com cinco redu&#231;&#245;es de 0,25 ponto, totalizando 1,25 ponto.</p><p>Antes mesmo da decis&#227;o de agosto, as trajet&#243;rias das curvas de juros futuros indicavam 65% de probabilidade de que esse corte realmente ocorresse em setembro. &#201; poss&#237;vel que essa probabilidade aumente at&#233; o pr&#243;ximo Copom, previsto para a meados do m&#234;s que vem. Os dados que o Copom diz esperar para decidir -- -- infla&#231;&#227;o menos pressionada e atividade mais moderada -- estar&#227;o mais favor&#225;veis.</p><div class="subscription-widget-wrap-editor" data-attrs="{&quot;url&quot;:&quot;https://zpkupfer.substack.com/subscribe?&quot;,&quot;text&quot;:&quot;Inscreva-se&quot;,&quot;language&quot;:&quot;pt-br&quot;}" data-component-name="SubscribeWidgetToDOM"><div class="subscription-widget show-subscribe"><div class="preamble"><p class="cta-caption">Obrigado por ler! 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